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ECOLOGIA VEGETAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Letícia Estela Cavichiolo 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Biologia da conservação 
Após o estudo da forma como as espécies se comportam dentro de 
populações e comunidades, bem como dos processos de sucessão ecológica e 
da análise estatística da biodiversidade, vamos aprofundar os nossos 
conhecimentos para compreender e preservar essa biodiversidade. Para tanto, 
o presente texto encontra-se organizado nos seguintes temas e objetivos 
principais: 
• O valor da biodiversidade, com o objetivo de compreender modelos 
estatísticos para precificar o seu valor; 
• As ameaças e o decréscimo da biodiversidade, buscando compreender 
essa problemática atual; 
• As populações pequenas e fragmentadas, identificando os fatores que 
impactam esse tipo de ecossistema; 
• A conservação in-situ e ex-situ, buscando compreender as diferentes 
formas de preservação da natureza; 
• Áreas protegidas e unidades de conservação, buscando compreender os 
tipos de áreas protegidas, a sua classificação e os seus objetivos 
principais. 
TEMA 1 – VALOR DA BIODIVERSIDADE 
Em etapa anterior, aprendemos a compreender a diversidade ecológica 
de um ecossistema por meio de índices de biodiversidade e de dominância. Mas 
será que podemos estimar o valor da biodiversidade? Existem muitas formas de 
elaborar essa resposta, principalmente porque há muitas formas de interpretar o 
conceito de valor. Há quem só veja o valor de uma determinada commodity 
(como a soja), e por isso dá pouco valor à diversidade, ignorando até mesmo 
que aspectos como a frequência de chuvas e o controle de pragas dependem da 
biodiversidade. Há quem veja a biodiversidade como fonte de novos fármacos e 
fonte da cura para as mais difíceis enfermidades humanas, razão pela qual ela 
apresentaria valor altíssimo. 
Existem pesquisadores que propõem modelos estatísticos para precificar 
o valor da biodiversidade. Assim, seguindo uma lógica semelhante à do uso dos 
 
 
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índices de dominância e de diversidade ecológica, o estudo da valoração da 
biodiversidade estaria facilitado. Nesse contexto, Mendonça (2002, p. 1) afirma: 
Se a biodiversidade não pode ser medida, não há como formar 
decisões racionais no sentido de estabelecer o que deve ser 
preservado. Embora a valoração da biodiversidade se configure como 
uma etapa posterior a sua mensuração, existe a necessidade premente 
de valorar esse recurso, na medida em que, sem que isso ocorra, a 
análise de medidas que visem à conservação ecológica fica 
prejudicada, tendo em mente que cada qual carrega consigo ganhos 
esperados e perdas imediatas de bem-estar para a sociedade. 
Visando solucionar esse problema, os pesquisadores Montgomery, 
Pollack, Freemarck e White propuseram, em 1999, o trabalho “Precificando a 
biodiversidade” (original em inglês: “Pricing biodiversity”), no qual propõem um 
método de valoração da biodiversidade e de estimativa do preço para a sua 
proteção. Ao testar esse método para espécies brasileiras, Mendonça (2002, p. 
10) concluiu que os gastos do governo com a preservação parecem estar muito 
abaixo do socialmente desejado. O autor também observou que as análises não 
levam em consideração os benefícios advindos da preservação, que repercutem 
tanto no curto como no longo prazo. 
Com o passar do tempo, surgiram outras propostas e métodos de análise. 
Uma das maneiras atuais de valorar a biodiversidade é por meio do 
desenvolvimento de técnicas de avaliação econômica dos serviços 
ecossistêmicos que ela fornece. Os serviços ecossistêmicos são benefícios que 
as pessoas obtêm dos ecossistemas naturais, como polinização, controle de 
pragas e doenças, regulação do clima e fornecimento de água limpa. Tais 
serviços podem ser quantificados e valorizados economicamente, permitindo 
uma melhor compreensão do seu impacto na economia e na sociedade. 
De acordo com um estudo de Strand et al., intitulado “Valoração 
espacialmente explícita dos serviços ecossistêmicos da Floresta Amazônica 
brasileira” (original em inglês: “Spatially explicit valuation of the Brazilian Amazon 
Forest’s Ecosystem Services”), o valor econômico gerado pela conservação da 
Amazônia pode chegar a incríveis US$737 por hectare, por ano. 
Muitos outros estudos, assim como este, apontam que as florestas em pé 
valem mais do que derrubadas, pois fornecem serviços ecossistêmicos que 
permitem a manutenção da vida, o fornecimento de água e alimentos e a 
regulação do clima para a humanidade. Isso significa que a preservação dos 
biomas e ecossistemas poderia gerar benefícios econômicos significativos, além 
 
 
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da venda de serviços ambientais para empresas e governos interessados em 
compensar as suas emissões de carbono e preservar a biodiversidade. 
Em entrevista à BBC News Brasil (2019), Sutton revelou como o custo dos 
serviços ecossistêmicos são calculados: "Se tivéssemos de substituir a 
polinização feita pelas abelhas por trabalho humano, para polinizar manualmente 
a lavoura, o custo seria US$ 200 bilhões por ano". Ele explicou que o valor da 
polinização é o custo que é evitado quando as abelhas fazem esse serviço para 
nós, gratuitamente. O pesquisador ainda complementou: "Nós concordamos, a 
natureza é infinitamente valiosa. Mas não a tratamos como tal. Estamos tratando 
a natureza como se o seu valor fosse zero." 
TEMA 2 – AMEAÇAS E DECRÉSCIMO DA BIODIVERSIDADE 
A economia humana, contexto no qual a equidade raramente é discutida, 
vem crescendo drasticamente. Com ela, crescem as taxas de perda de habitat e 
extinção de espécies. Desde o início do Antropoceno, a maioria dos habitats 
mais ricos em espécies do mundo, como florestas tropicais, foi destruída ou 
significativamente impactada. Esse cenário levou ao sexto e maior evento de 
extinção da história terrestre, coincidentemente o primeiro causado pela 
atividade humana. Estima-se que a taxa de extinção aumentou entre 100 e 1.000 
vezes em relação aos níveis intrínsecos aos ecossistemas. Projeta-se que esse 
índice trágico aumente mais dez vezes antes do final deste século (Costanza et 
al., 2015, p. 13). 
É consenso que os fenômenos que mais provocam a perda da 
biodiversidade são a destruição e a alteração de habitats, a exploração de 
espécies nativas, a introdução de espécies exóticas, a poluição e mudanças 
ambientais globais. As razões para a perda da biodiversidade são as mais 
variadas. A Mata Atlântica, por exemplo, sofre desde o século XVI com o 
desmatamento para a exploração de recursos madeireiros, a agricultura e a 
agropecuária desordenadas. 
Segundo a WWF-Brasil, uma das principais organizações da sociedade 
civil brasileira, de natureza não-governamental, e com grande impacto no 
cenário mundial de preservação ambiental, a Mata Atlântica, que já foi o segundo 
maior bioma da América do Sul, se resume hoje a 7% de sua cobertura original. 
Ainda assim, esse bioma, atualmente distribuído ao longo de 17 estados 
brasileiros, ainda abriga uma biodiversidade invejável. 
 
 
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O cultivo da soja merece destaque no cenário de perda da biodiversidade 
no Brasil, uma vez que o seu plantio (de alto retorno no mercado internacional) 
vem sendo incentivado há décadas no bioma do Cerrado. Na última década, 
avança rapidamente sobre a Amazônia, com grau significativo de mecanização 
e uso de insumos químicos e agrotóxicos, após o esgotamento do solo pela 
atividade de pecuária bovina extensiva, atividade que desponta como principal 
causadora do desmatamento (IBAM, 2015). 
Segundo Brasil (2007), a substituição das florestas amazônicas por 
pastagens e plantio de soja pode ter um forte impacto sobre a ciclagem da água 
na região. Uma vez que a área foliar da “nova” vegetação é reduzida, a 
evapotranspiração cai drasticamente, o que pode ter efeitos desastrosos no 
regime de chuvas, uma vez que metade das chuvas da Amazônia são atribuídas 
à água recicladaatravés da floresta: 
A alteração no regime de chuvas deverá ser uma das principais 
responsáveis pela savanização de grande parte do bioma, prevista nas 
simulações dos efeitos do aquecimento global. Estima-se que para a 
manutenção do atual regime de chuvas seja necessário manter cerca 
de 70% da cobertura florestal original. (Brasil, 2007, p. 29) 
Vale salientar que, em 2019, ocorreu uma disparada de queimadas na 
Amazônia, o que provocou danos ambientais na região, poluiu o ar em todo o 
país e causou desgaste político para o governo, instalando uma crise que 
recebeu imensa atenção mundial. 
Já no Pantanal, dentre as ameaças à conservação da biodiversidade, 
destaca-se o desmatamento, que resulta em processos erosivos severos e 
deposição de sedimento nas depressões, o que acaba alterando os padrões de 
fluxo de água e regimes hidrológicos. Atualmente, somam-se à essas ameaças 
a caça, a invasão de espécies exóticas e a poluição resultante do uso de 
pesticidas nas áreas agrícolas localizadas ao longo das cabeceiras dos 
principais rios da planície (Brasil, 2007). 
Todo o território nacional sofre com diversos níveis de caça e/ou tráfico 
ilegal de espécies. O tráfico ilegal de animais silvestres é expressivo e tem 
contribuído para a morte de milhões de animais brasileiros, com a extinção de 
espécies e a consequente perda da biodiversidade. “As aves, por exemplo, são 
muito importantes na dispersão de sementes e de outras estruturas reprodutoras 
das plantas, o que contribui com a dispersão e a permanência da vegetação” 
(Prado; Malheiros, 2012, p. 1). 
 
 
6 
O tráfico animal é pouco combatido, por conta da falta de preocupação 
dos governantes com a fauna, da ineficiente fiscalização e da ignorância das leis 
e do saber ambiental por parte da população. Soma-se a essa problemática a 
liberação dos chamados clubes de caça. 
Desde 2019, o Brasil sofre com projetos sobre armas para caçadores e 
atiradores desportivos (CACs). Atualmente, por ser espécie exótica, invasora e 
com grande poder reprodutivo, adaptativo e predatório, apenas o javali tem a 
caça permitida no Brasil. Contudo, Brito (2021, p. 6) destaca que há inúmeros 
projetos de leis tramitando no Parlamento brasileiro, com o intuito de liberar a 
prática da caça. A autora destaca que é “de suma relevância a análise jurídica 
voltada para a preservação do meio ambiente e todos os seus recursos”. Esse 
assunto que causa divergências no meio jurídico, visto que hoje encontramos 
muitos apoiadores da liberação da caça, até mesmo como forma de lazer. 
Soma-se a esse desastroso contexto a existência de punições com penas 
brandas no ordenamento jurídico brasileiro. “Sendo assim, podemos afirmar que 
o Poder Público não possui meios capazes para o combate à caça e não tem 
sido eficaz na aplicabilidade de suas normas para inibir essa prática”, conclui 
Brito (2021, p. 6). 
TEMA 3 – POPULAÇÕES PEQUENAS E FRAGMENTADAS 
Diversas das ações humanas, como desmatamento desordenado e uso 
de fogo no manejo inadequado na agricultura, têm contribuído não apenas para 
a perda da biodiversidade, mas também para a fragmentação dos ecossistemas. 
Áreas geograficamente isoladas, como relictos de florestas circundados por 
pasto ou áreas urbanas, por exemplo, se comportam de modo semelhante a ilhas 
rodeadas pelo oceano. Nelas, a biodiversidade pode ser afetada. 
Ao estudar ilhas, os ecólogos Robert MacArthur e Edward O. Wilson 
propuseram a chamada teoria de ilhas (também conhecida como biogeografia 
de ilhas), para explicar ecologicamente a distribuição e a diversidade de espécies 
em áreas geograficamente isoladas. 
De acordo com essa teoria, a biodiversidade em uma ilha ou área isolada 
depende de vários fatores, incluindo a taxa de imigração de novas espécies para 
a área e a taxa de extinção das espécies existentes. A taxa de imigração é 
influenciada pela distância da área em relação a outras áreas onde as espécies 
podem ser encontradas, e também pela capacidade das espécies de colonizar 
 
 
7 
novas áreas. Já a taxa de extinção é influenciada pela competição entre 
espécies, pela disponibilidade de recursos e pelo tamanho da população. 
A teoria de ilhas é importante para o estudo da conservação da 
biodiversidade, porque fornece uma base teórica para entender como as áreas 
isoladas podem afetar a diversidade e a composição das espécies – por 
exemplo, para prever como a biodiversidade dessas áreas pode ser afetada pela 
perda de habitat e pelo isolamento geográfico. Atualmente, esse estudo abrange 
também as relações entre o número de espécies com o tamanho da área. 
Segundo Schulze, Beck e Müller-Hohenstein (2002, p. 556), as espécies 
autocóricas são mais afetadas quanto mais distantes forem os fragmentos. O 
tamanho dos fragmentos também é importante, uma vez que, quanto maior a 
área do fragmento, maior será o seu número de espécies. Essa é uma 
observação tão frequente em estudos da relação entre espécies e área que é 
popularmente conhecida como lei da ecologia. 
Drakare et al. (2006) relatam que o futuro da diversidade global está ligado 
ao número de espécies que uma área pode suportar. Os autores relatam que as 
espécies apresentam diferentes respostas à perda de habitat. Espécies maiores, 
que vivem em menores latitudes ou em florestas, por exemplo, parecem ser mais 
sensíveis à perda de área e à redução de habitat, de modo que um grande 
número de espécies acaba sendo ameaçado de extinção. 
Além disso, a teoria de ilhas e os estudos da relação espécie-área são 
úteis para informar a conservação e a restauração de habitats. Por exemplo, a 
teoria sugere que a conexão entre áreas de habitat pode aumentar a taxa de 
imigração de novas espécies para a área, reduzindo a taxa de extinção. Portanto, 
a restauração de corredores ecológicos entre fragmentos de habitat isolados 
pode ser uma estratégia eficaz para aumentar a diversidade e a resiliência da 
biodiversidade local. 
TEMA 4 – CONSERVAÇÃO IN-SITU E EX-SITU 
A conservação de vegetais acontece em diversos locais do mundo, 
passando por abordagens muito variadas. Os esforços para a conservação 
podem ser divididos entre conservação in situ e conservação ex situ, detalhados 
a seguir. 
Quando a conservação acontece por meio da preservação de 
ecossistemas e habitats naturais, ou por meio da manutenção e da recuperação 
 
 
8 
de populações viáveis de espécies em seus ambientes naturais, ela é chamada 
de conservação in situ. Esse termo também é empregado em referência a 
espécies domesticadas ou cultivadas, nos ambientes onde elas se adaptaram 
(José et al., 2019, p. 65). A implementação de áreas para a conservação e o 
cultivo de plantas em sistemas agroflorestais são exemplos de estratégias para 
conservação in situ (Costa de Oliveira, 2010, p. 77). 
Já a conservação ex situ é aquela em que a conservação dos 
componentes da diversidade biológica ocorre fora dos habitats naturais. São 
exemplos de conservação ex situ: bancos de germoplasma e esforços 
biotecnológicos, como cultivo in vitro e micropropagação (Costa de Oliveira, 
2010, p. 77). 
Para a conservação in situ, destaque para as seguintes estratégias (Miller; 
Spoonman, 2009): 
• Estabelecimento de um sistema de áreas protegidas, desenhado para 
contemplar a preservação da diversidade biológica do país a longo prazo; 
• Desenvolvimento de um programa de pesquisa, para permitir o 
conhecimento da biodiversidade no país e de suas necessidades da 
conservação; 
• Monitoramento da biodiversidade brasileira, das espécies ameaçadas de 
extinção e das espécies invasoras, de modo contínuo; 
• Levantamento de atividades que resultem em erosão da biodiversidade, 
buscando meios para o seu controle; 
• Implementação de um sistema de incentivos, para auxiliar na 
conservação; 
• Manejo sustentável, para gestar os recursos naturais de forma 
sustentável, preservando a biodiversidade e garantindo o seu usono 
longo prazo; 
• Educação ambiental, para a conscientização da população sobre a 
importância da conservação da biodiversidade e a adoção de práticas 
sustentáveis; 
• Restauração de ecossistemas degradados, como florestas e manguezais, 
para reestruturar a biodiversidade e as suas funções ecossistêmicas; 
• Desenvolvimento de corredores ecológicos, permitindo a conexão de 
habitats naturais através da movimentação e da dispersão de espécies. 
 
 
9 
A conservação ex situ desponta como alternativa para diminuir a perda 
contínua de recursos genéticos. Essa perda pode decorrer de pressões de 
seleção artificial, destruição e fragmentação de habitats, além de mudanças 
climáticas. Nesse contexto, “a conservação ex situ torna-se uma estratégia 
importante de conservação, uma vez que resgata, conserva e disponibiliza o 
germoplasma para uso futuro, em ações de recuperação de habitats, 
reintroduções de espécies e em programas de melhoramento genético” (José et 
al., 2019, p. 66). São estratégias de conservação ex-situ: 
• Conservação de material genético em bancos de germosplasma e bancos 
de DNA, para preservar a diversidade genética; 
• Micropropagação, permitindo a propagação de plantas através de 
técnicas de cultura de tecidos (clonagem) e de sementes em laboratório; 
• Banco de sementes, colecionando sementes de plantas em risco de 
extinção e armazenando-as em locais seguros para preservação; 
• Criogenia, ou seja, armazenamento de material biológico em 
temperaturas extremamente baixas para posterior reprodução em massa; 
• Programas de reintrodução, que reintroduzem espécies extintas ou em 
risco de extinção em seus habitats de ocorrência natural; 
• Conservação de espécies ameaçadas através do cultivo em jardins 
botânicos e aquários; 
• Museus de história natural, armazenando espécimes e itens de 
importância científica para fins educativos e de preservação. 
É importante observar que nenhuma dessas estratégias pode responder, 
de maneira isolada, por conservação adequada. A conservação in situ e ex situ 
são complementares. Portanto, devem ser utilizadas em conjunto para o sucesso 
da conservação. 
TEMA 5 – ÁREAS PROTEGIDAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO 
A concepção de conservação in situ da natureza pressupõe a existência 
de áreas preservadas, protegidas para esse fim. No Brasil, o Sistema Nacional 
de Unidades de Conservação (SNUC – Lei n. 9.985/2000) define e regulamenta 
as categorias de unidades de conservação nas instâncias federal, estadual e 
municipal. Elas podem ser subdivididas em dois grupos: de proteção integral 
(Quadro 1), que tem por objetivo principal a conservação da biodiversidade, e 
 
 
10 
áreas de uso sustentável (Quadro 2), que, ao permitir determinadas formas de 
utilização dos recursos naturais, apresentam o objetivo secundário de proteção 
da biodiversidade. 
Quadro 1 – Tipos de áreas de proteção integral 
Tipo Objetivo 
Estação Ecológica Realização de pesquisas científicas. Exceto com objetivo 
educacional, é proibida a visitação. 
Reserva Biológica Preservação integral da biota e demais atributos. Proibida a 
visitação, exceto com objetivo educacional 
Parque Nacional Permite atividades de educação ambiental, turismo ecológico e 
pesquisas científicas. Preserva ecossistemas de grande relevância 
ecológica e beleza cênica. 
Monumento Preservar sítios raros, singulares ou de grande beleza. 
Refúgio da vida silvestre Protege ambientes naturais que asseguram condições para 
existência ou reprodução de determinadas espécies. 
Fonte: elaborado por Cavichiolo, 2023, com base em Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação (SNUC). 
As áreas de proteção integral incluem os parques nacionais, as reservas 
biológicas, as estações ecológicas, os monumentos naturais e os refúgios de 
vida silvestre (Quadro 1). Já as unidades de uso sustentável (Quadro 2) incluem 
a floresta nacional, as áreas de proteção ambiental, as áreas de relevante 
interesse ecológico, as reservas extrativistas, além de reservas de fauna, 
reservas de desenvolvimento sustentável e reservas particulares do patrimônio 
natural (RPPNs) (Rylands; Brandon, 2005, p. 31). 
Quadro 2 – Tipos de áreas de uso sustentável 
Tipo Objetivo 
Área de proteção 
ambiental (APA) 
Protegem extensas paisagens naturais, promovendo o 
desenvolvimento sustentável da região. As atividades econômicas 
são permitidas, mas devem ser realizadas de forma sustentável e 
com base em princípios de conservação ambiental. 
Reserva Particular do 
Patrimônio Natural 
(RPPN) 
RPPNs protegem áreas de interesse ecológico e paisagístico em 
propriedades privadas. Essas áreas são criadas pelos proprietários 
e são protegidas por lei. As atividades são limitadas, a fim de 
garantir a conservação dos recursos naturais e a preservação da 
biodiversidade. 
 
 
11 
Área de Relevante 
Interesse Ecológico 
(ARIE) 
Tem por objetivo principal proteger áreas (geralmente pequenas) 
que apresentam importância ecológica significativa, como 
nascentes de rios, áreas de recarga de aquíferos e habitats de 
espécies ameaçadas de extinção. Essas áreas são reguladas para 
garantir a conservação dos recursos naturais e a preservação da 
biodiversidade. 
Floresta Nacional 
(FLONA) 
Proteger as florestas nacionais, promovendo o uso sustentável e 
controlado dos recursos naturais, como a extração de madeira e a 
coleta de frutos e plantas. 
Reserva Extrativista 
(RESEX) 
Proteger as comunidades tradicionais que dependem de recursos 
naturais para a subsistência, como a pesca e a coleta de frutos e 
plantas. Essas reservas permitem o uso sustentável dos recursos 
naturais e a agricultura de subsistência, desde que não 
comprometam a integridade do ecossistema. 
Reserva de 
Desenvolvimento 
Sustentável (RDS) 
Conciliar a conservação ambiental das populações tradicionais 
com o desenvolvimento sustentável. As atividades econômicas 
desenvolvidas ao longo de gerações, que são ligadas à exploração 
de recursos naturais, são permitidas desde que sejam realizadas 
de forma sustentável e com base em princípios de conservação 
ambiental. É permitida a pesquisa científica. 
Reserva de Fauna São áreas naturais com populações animais de espécies nativas, 
terrestres ou aquáticas, adequadas para estudos técnico-
científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos 
faunísticos. 
Fonte: elaborado por Cavichiolo, 2023, com base em Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação (SNUC). 
É um desafio preservar áreas significativas dos ecossistemas e biomas. 
Apesar desse destaque internacional, a bacia do Alto Rio Paraguai, por exemplo, 
tem apenas 2,5% de sua área oficialmente protegida sob a forma de unidades 
de conservação federais, estaduais e reservas particulares (Brasil, 2007, p.45). 
Outro desafio é proteger as áreas relevantes, do ponto de vista ambiental, 
localizadas nos dois biomas brasileiros mais povoados. Já as unidades de 
conservação da categoria “uso sustentável” encaram o desafio maior de definir 
o que pode ser utilizado, quem pode utilizá-lo e quanta utilização é sustentável. 
É urgente o desenvolvimento de políticas públicas para os biomas 
brasileiros. A ocupação desordenada da paisagem e o uso excessivo dos 
recursos naturais poderá trazer consequências ainda mais desastrosas, pois não 
somente a biodiversidade será afetada em sua composição, mas também os 
serviços advindos de seus ecossistemas. A ciclagem de nutrientes, a recarga 
 
 
12 
dos aquíferos e o fluxo das águas, por exemplo, são serviços ambientais que, 
uma vez afetados, comprometem a qualidade de vida das populações e a 
sustentabilidade das atividades econômicas e sociais em diversas regiões 
brasileiras. 
NA PRÁTICA 
Cite exemplos de unidades de conservação: uma área de proteção 
integral e uma área de uso sustentável do Brasil. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, estudamos as ameaças à biodiversidade, com foco na forma 
como a fragmentaçãode habitats se comporta nesse contexto. Seguimos 
aprofundando as formas de preservação in situ e ex situ, classificando os tipos 
de áreas de preservação permanente e de uso sustentável. Concluímos que é 
urgente desenvolver políticas públicas para os biomas brasileiros, uma vez que 
a ocupação desordenada da paisagem e do uso excessivo dos recursos naturais 
poderá trazer consequências desastrosas, tanto para a biodiversidade quanto 
para os serviços ecológicos advindos de seus ecossistemas. 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
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Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira: 
Atualização. Brasília: MMA, 2007. 
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Disponível em: . Acesso 
em: 10 maio 2023.

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