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CLASSES E MOVIMENTOS 
SOCIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado(a) aluno(a)! 
 
Nesta aula, abordaremos a relação entre movimentos sociais e ações 
coletivas, discutindo como esses elementos se relacionam na construção 
social e na busca por transformações na sociedade. As ações coletivas são 
formas de organização em que indivíduos se unem para alcançar objetivos 
em comum, como melhorias em suas condições de vida ou mudanças 
políticas e sociais. Já os movimentos sociais são formas mais amplas de 
organização, que buscam transformações mais profundas na sociedade, a 
partir da articulação de diversas ações coletivas em torno de objetivos 
comuns. 
Veremos as principais características dos movimentos sociais, sua 
relevância histórica e atual, bem como sua capacidade de mobilização e de 
transformação social. Além disso, discutiremos como as ações coletivas e os 
movimentos sociais se relacionam com a construção social, destacando a 
importância de tais processos para a construção de uma sociedade mais justa 
e igualitária. 
 
Bons estudos! 
 
AULA 6 – 
MOVIMENTOS SOCIAIS E 
AÇÕES COLETIVAS 
6 MOVIMENTOS SOCIAIS E AÇÕES COLETIVAS 
Ações coletivas envolvem atividades em conjunto que promovem objetivos 
compartilhados, unem preferências e metas do grupo como uma unidade e se 
distinguem de ações individuais, mesmo que haja uma convergência de interesses 
entre os participantes. Participar de uma ação coletiva requer que os envolvidos 
contribuam com algo em troca, seja em termos de tempo, comprometimento, 
dedicação ou outros aspectos. Cada indivíduo contribui de forma individual, conforme 
suas possibilidades, com o intuito de impulsionar a ação coletiva. 
Nesse contexto, a união grupal é essencial, pois somente a colaboração de 
todos os indivíduos do grupo, de maneira proporcional e equitativa, possibilita a ação 
coletiva. Entretanto, enquanto a união é inerente aos grupos menores, como em 
ambientes escolares, onde a interação entre os membros é mais próxima, em grupos 
maiores, como em comunidades eleitorais, a união pode ser prejudicada pela falta de 
empatia entre os integrantes, enfraquecendo assim a ação coletiva e sua coesão. 
Os grupos sociais emergem como forma de resistência, procurando obter apoio 
na luta pela integração social. Eles representam a procura por transformações, 
destacando debates acerca das maneiras de viver nas camadas menos privilegiadas 
da sociedade. Os grupos sociais contestam a estrutura da sociedade civil, 
mobilizando-se mediante manifestações, ocupações e, ocasionalmente, greves. 
Procurando conscientizar as pessoas sobre a importância de expandir a 
capacidade de ouvir quando ocorrem ações coletivas que envolvem lutas por direitos 
e mobilização política em relação a uma determinada situação, o que resulta em um 
sentimento de fazer parte de um grupo. 
Desta forma, os movimentos sociais referem-se não há um conjunto específico, 
mas a uma pluralidade de grupos que possuem características e reivindicações 
parecidas. Um exemplo disso são os sindicatos, nos quais os movimentos se 
empenham em defender direitos e justiça. Portanto, os movimentos sociais são 
motivados pelo descontentamento, pela insatisfação, pela recusa ou minimização de 
direitos, pela exclusão e pela ocultação dos sofrimentos, evidenciados pelas 
deficiências no atendimento em saúde, educação, saneamento básico, entre outros. 
Além disso, procuram dar voz às minorias, criando espaço para a luta pelos seus 
direitos, como nos movimentos dos grupos LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, 
Transgêneros, Queer e Intersexuais) e também nos grupos de pessoas com 
deficiências ou portadores de necessidades especiais, entre outros. 
Os atos coletivos e os grupos sociais se distinguem pela motivação e pelos 
objetivos que defendem. No entanto, estão conectados pela união dos integrantes e 
ainda podemos constatar que não existe um grupo social sem a força de um ato 
coletivo, ou seja, se um ato coletivo se organiza com o intuito de provocar mudanças, 
isso desencadeará um grupo social. 
6.1 Construção social e ações coletivas 
Essencialmente, as atividades coletivas são identificadas pela união de 
indivíduos que se organizam com o intuito de atingir um objetivo em comum. Para 
estimular a realização de atividades coletivas em pequenos ou grandes grupos, um 
dos requisitos fundamentais é a motivação dos membros para participar da tarefa 
envolvida na ação. 
As características dos integrantes dos grupos têm o potencial de unir e 
incentivar a manutenção das atividades coletivas. Isso, por sua vez, leva ao 
desenvolvimento de mudanças por meio das atividades coletivas, que se tornam 
ferramentas que impulsionam movimentos sociais. 
Embora nem todo agrupamento coletivo constitua um movimento social - por 
exemplo, o carnaval, que apesar de refletir maneiras de viver segundo a cultura local, 
não tem como propósito uma mudança - essas atividades somente podem impulsionar 
os movimentos sociais quando se posicionam de maneira a contribuir para a 
construção social. 
A construção social é incentivada pela contestação de instituições sociais 
rígidas que tendem a priorizar a supressão e a invisibilidade dos direitos. Assim, 
quando as ações coletivas se manifestam por meio de lutas por direitos, ocorre uma 
mobilização política no sentido etimológico da palavra - com sua origem grega politiké, 
onde as decisões sobre o rumo da sociedade eram tomadas por meio de discussões 
realizadas igualitária e naturalmente pelos cidadãos nos espaços públicos da cidade 
- e acabam por desencadear os movimentos sociais. 
6.2 Movimentos sociais como articuladores 
Associações de moradores e de agricultores são exemplos concretos de 
movimentos comunitários que se organizam em prol de melhores condições de vida e 
da garantia de direitos para as futuras gerações. A força da união do grupo é 
fundamental para a efetividade desses movimentos, que buscam equilibrar as 
demandas individuais e coletivas em busca de justiça social. Na sociedade atual, 
muitas vezes os direitos são negados às periferias, onde se concentram os mais 
necessitados, e é nesse contexto que os movimentos sociais surgem como uma 
importante ferramenta de transformação. As Figuras 2 e 3 são exemplos concretos da 
atuação desses movimentos, que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária. 
Figura 1 - O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) 
 
Fonte: shre.ink/QEyF 
O MST é uma organização que se enquadra na categoria de movimento social. 
Sua principal bandeira é a luta pela reforma agrária, que busca uma distribuição mais 
equitativa de terra para cultivo, considerando critério de sustentabilidade e visando a 
melhoria das condições de saúde e educação para seus membros. 
Figura 3 - O movimento feminista 
 
 
Fonte: shre.ink/QEaE 
O movimento feminista é um exemplo expressivo de um movimento social que surgiu 
em resposta à necessidade de garantir o espaço e a participação das mulheres na esfera 
política, além de buscar a conquista da equidade de gênero. Ele se caracteriza como um 
movimento abrangente, que engloba aspectos sociais, políticos e filosóficos, e tem como 
principal objetivo a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. 
Além do movimento feminista, existem diversos outros movimentos sociais que 
também desempenham um papel significativo na sociedade contemporânea. Entre eles, 
destacam-se os movimentos pelos direitos dos negros, que buscam combater o racismo 
estrutural e promover a igualdade racial; o movimento dos trabalhadores sem teto, que luta 
pela garantia de moradia digna para todos; o movimento pelos direitos dos povos originários 
(índios), que busca a valorização e o respeito às culturas e territórios indígenas; e a União 
Nacional dos Estudantes (UNE), que representa os interesses e demandas dos estudantesbrasileiros. 
Nesse contexto, os movimentos sociais operam por meio de uma articulação 
estratégica eficiente e comunicativa, preservando sua subjetividade e respeitando a 
horizontalidade das ações. Essa abordagem permite que a condução das atividades coletivas 
mantenha a individualidade e os aspectos identitários dos membros do grupo, garantindo um 
equilíbrio entre os desejos individuais e os objetivos coletivos. 
A articulação promovida pelos movimentos sociais abre caminho para uma forma mais 
inclusiva e participativa de exercer a democracia, incentivando a participação ativa de cada 
membro e reconhecendo a contribuição valiosa que cada um pode oferecer ao movimento. 
Um exemplo em que podemos observar essa dinâmica é o ambiente escolar, que pode 
se tornar um promotor de movimentos sociais quando é aberto à diversidade e à subjetividade 
dos seus membros, estimulando a problematização e o questionamento dos padrões de 
comportamento, vivência e conhecimento. Dessa forma, identificando a necessidade de 
mudanças, a escola pode se engajar na busca por soluções por meio do diálogo com os 
setores de gestão pública, visando aprimorar a educação e promover transformações sociais 
significativas. 
6.3 Características e a relevância dos movimentos sociais 
Os movimentos sociais são coletivos de pessoas organizadas em prol de 
causas identitárias e sociais, buscando reivindicar mudanças no contexto político. 
Suas pautas transcendem interesses individuais e particulares, uma vez que almejam 
transformar a vida de muitas pessoas quando suas demandas são atendidas. Essa 
característica é fundamental nos movimentos sociais, pois suas agendas estão 
voltadas para a transformação social e política, e a força para alcançar essa 
transformação reside no coletivo. 
Esses movimentos possuem características intrinsecamente plurais e 
desempenham um papel crucial na organização e mobilização dos cidadãos. Suas 
ações coletivas possuem um poder significativo e visam melhorar a qualidade de vida 
dos indivíduos, promovendo a transformação de uma sociedade mais justa, na qual o 
respeito seja prevalente tanto ao nível individual quanto coletivo (GOHN, 2014). 
As pautas e frentes de luta dos movimentos sociais não se limitam apenas a 
buscar mudanças, mas também podem envolver a defesa e preservação de direitos 
já conquistados. Essas lutas frequentemente envolvem confrontos, seja de oposição 
ou de parceria com o Estado. Compreender a relevância dos movimentos sociais na 
construção da justiça e da cidadania é essencial para identificar os problemas e 
obstáculos que precisam ser superados na busca pela verdadeira democracia 
(GOHN, 2010). 
Para além da identificação dos problemas ou contradições nas questões 
sociais, é de extrema importância que a sociedade seja capaz de compreender a 
causa raiz desses problemas. Uma sociedade com consciência crítica é uma 
sociedade madura e capacitada para lutar pelo bem coletivo. De acordo com Lewis 
(1982), o conflito é sempre uma trans(ação) que desperta e fortalece a identidade dos 
coletivos ou grupos, resultando em uma ação social recíproca e, consequentemente, 
na identificação de um oponente ou problema. Essa ação recíproca possibilita a 
formação de grupos coesos com identidades próprias. 
Os movimentos sociais desempenham um papel fundamental na esfera 
política, pois fortalecem a democracia e asseguram a inclusão social e o respeito aos 
direitos. São agentes importantes na luta contra a corrupção na gestão pública, uma 
vez que é a própria população que sofre as consequências dessa prática, sofrendo 
com a falta de investimentos em políticas públicas essenciais, como saúde, educação 
e segurança pública. Para efetivar mudanças significativas, é essencial que os 
movimentos sociais se engajem ativamente nos espaços que permitem a participação 
da população no controle social. Eles devem promover debates, defender seus 
posicionamentos e levantar questionamentos sobre temas políticos, econômicos, 
culturais e sociais relacionados às políticas públicas destinadas aos segmentos mais 
vulneráveis da sociedade. Não se envolver nesses espaços de decisão é abdicar da 
oportunidade de ser ouvido e fortalecer os movimentos, deixando que outros tomem 
as decisões em seu lugar (BARROS et al., 2010). 
Segundo a visão de Marx (1975), a dinâmica da sociedade é impulsionada 
pelos movimentos sociais, que emergem em oposição ao capitalismo e ao Estado. 
Esses movimentos desempenham um papel crucial, uma vez que são responsáveis 
por exigir mudanças, demandar respostas para as questões sociais e lutar por 
transformações. Eles representam a voz do povo quando os indivíduos da sociedade 
não estão satisfeitos com as políticas, ações e decisões do governo, governantes e 
gestores. Os movimentos sociais se tornam necessários para pressionar por medidas 
que atendam às demandas sociais e promovam uma sociedade mais justa e igualitária 
(BARROS et al., 2010). 
As organizações coletivas visam mobilizar a sociedade em torno de diversas 
questões, tais como desemprego, corrupção, valorização dos professores, melhorias 
nas condições de trabalho dos operários, problemas ambientais como a gestão de 
resíduos domésticos, acidentes envolvendo navios petroleiros e produtos químicos, 
além do descarte inadequado de resíduos tóxicos. Para alcançar seus objetivos, 
esses coletivos utilizam diferentes formas de ação, como passeatas, manifestações 
em locais públicos, disseminação de mensagens através das redes sociais, ocupação 
de espaços públicos, marchas, greves e outras estratégias de engajamento popular. 
Os movimentos sociais envolvem um confronto político que pode levar à 
transformação ou manutenção de determinadas situações. Em sua maioria, esses 
movimentos estão relacionados ao Estado, seja mediante uma postura de oposição 
ou de parceria, dependendo de seus interesses e necessidades. Segundo Tomazi, 
existem diversas formas de atuação dos movimentos sociais, que podem ser 
exemplificadas da seguinte maneira (2010): 
 Para protestar contra ações do poder público consideradas prejudiciais aos 
interesses da população ou de um determinado setor, como políticas econômicas ou 
legislações que afetem negativamente os trabalhadores ou outros segmentos da 
sociedade. 
 Para pressionar o poder público a solucionar problemas relacionados à 
segurança, educação, saúde, entre outros (por exemplo, ações que demandam 
medidas do Estado contra a exploração sexual e o trabalho infantil). 
 Em parceria com o poder público para enfrentar ações de grupos ou 
empresas privadas (como os movimentos de proteção ambiental). 
 Para resolver problemas da comunidade, mesmo que não sejam de 
responsabilidade direta do poder público, muitas vezes assumindo iniciativas que 
seriam normalmente atribuídas ao Estado (por exemplo, ações realizadas por 
Organizações Não Governamentais (ONGs) e associações de moradores de bairros). 
As ações coletivas têm passado por um processo de ressignificação ao longo 
do tempo, acompanhando a evolução das comunidades. Conforme Gohn (2010, p. 
16), há uma crença que 
[...] as ações coletivas atuais são expressões que se espelham nas lutas 
ocorridas em séculos passados que visavam igualdade, fraternidade e 
liberdade. Hoje, a igualdade é resinificada com a tematização da justiça 
social; a fraternidade se retraduz em solidariedade; e a liberdade associa-se 
ao princípio da autonomia – da constituição do sujeito, não individual, mas 
coletivo. 
Atualmente, é impossível conceber movimentos sociais sem mencionar as 
ações coletivas de grupos organizados que buscam promover mudanças na 
sociedade. Com o avanço da tecnologia e o acesso à informação, aumentou o 
interesse de jovens e adultos em participar de momentos de confronto, debate e 
reivindicação. Nesse contexto, a tecnologia permite que os indivíduos se envolvam de 
alguma forma, expressem suas opiniões e sesintam parte integrante e representada 
dos movimentos. 
 
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
BARROS, M. C. M. S. et al. A representação social de senhoras sobre o programa 
topa: um estudo de caso através das narrativas orais em Caetité/Bahia. 2010. 
GOHN, M. G. Conselhos gestores e gestão pública. Revista Ciências Sociais 
Unisinos, v. 42, n. 1, p. 5-11, jan/abr. 2010. 
GOHN, M. G. Sociologia dos Movimentos Sociais. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2014. 
LEWIS, A. C. Les fonctions du conflit social. Paris: PUF, 1982. 
MARX, K. O capital: crítica da economia política. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 1975. 
TOMAZI, N. D. Sociologia para o ensino médio. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010

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