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Provas de Função Hepática
Prof. MSc. Rodrigo Alves do Carmo
PROVAS DE FUNÇÃO HEPÁTICA
• Principais funções do fígado:
– Recebe, processa e armazena AA’s, glicídios,
ácidos graxos, colesterol, vitaminas, vindos
do aparelho digestivo, liberando metabólitos
dos mesmos;
– Sintetiza muitas proteínas plasmáticas,
albumina, globulinas  e , fatores de
coagulação, proteínas de transporte;
– Principal órgão de detoxicação;
– Sintetiza ácidos biliares a partir do colesterol;
– Principal local do catabolismo dos hormônios 
tireoidianos, esteróides e outros;
– Biotransformação de fármacos;
– Atua no metabolismo da amônia e bilirrubina;
– Atua no metabolismo dos carbiodratos, 
controlando a glicemia.
Os testes bioquímicos das condições hepáticas baseiam-se 
na medida de substâncias liberadas devido o dano 
celular, como as enzimas endógenas, ou a análise de 
substâncias metabolizadas ou produzidas pelo fígado: 
bilirrubina, albumina e fatores de coagulação.
AMINOTRANSFERASES OU 
TRANSAMINASES
• ASPARTATO AMINOTRANSFERASE 
(AST) OU GLUTAMATO 
OXALOACETATO TRANSAMINASE 
(TGO)
• ALANINA AMINOTRANSFERASE (ALT) 
OU GLUTAMATO PIRUVATO 
TRANSAMINASE (TGP)
1.1) FUNÇÂO
• Catalisam a transferência reversível do 
grupo amino de um aminoácido para o -
cetoglutarato, formando um -cetoácido e 
glutamato.
ASPARTATO + -CETOGLUTARATO AST OXALOACETATO + GLUTAMATO 
 
ALANINA + -CETOGLUTARATO ALT PIRUVATO + GLUTAMATO 
1.2) DISTRIBUIÇÃO:
• Amplamente distribuídas nos tecidos. 
Presentes normalmente no plasma, bile, 
líquor e saliva.
• Isoenzimas presentes no citoplasma e 
mitocôndrias das células. 
– grau brando de lesão tecidual hepática: 
enzimas do citoplasma
– lesão tecidual grave: enzimas do citoplasma + 
mitocôndria
1.3) SIGNIFICADO CLÍNICO:
• AST (localização citoplasmática e mitocondrial) 
→ encontrada em altas concentrações no m. 
cardíaco; m. esquelético e hepatócitos. Em 
menor escala no pâncreas e rins.
• Aumento de AST é encontrado nas hepatites 
virais agudas ou crônicas; hepatite por drogas; 
cirrose alcoólica; tumores do fígado. 
• Os níveis raramente ultrapassam a 10 vezes os 
valores normais. 
• Aumento de AST é encontrado também 
no Infarto Agudo do Miocárdio, lesão de 
musculatura esquelética, lesão aguda 
renal, pancreatite aguda. 
– Valor de Referência: 12 – 42 U/L(37 ºC)
• ALT (localização citoplasmática) → encontrada 
predominantemente no hepatócito, porém com 
quantidades moderadas no rim e pequenas 
quantidades no coração e músculo esquelético.
• Agressões ao hepatócito (vírus, medicamentos, 
toxinas) levam a liberação de ALT. 
– Valor de referência: 8 – 42 U/ L (37 ºC)
• Coeficiente de Ritis: AST/ ALT 
 1 (hepatopatias crônicas*)
 *Cirrose alcoólica; hepatite crônica obstrutiva; 
hepatocarcinoma e metástases hepáticas.
 OBS: Não é necessário que haja morte celular 
para liberação de enzimas no plasma, apenas 
uma mudança na permeabilidade da membrana 
celular.
Fosfatase Alcalina (FAL)
• A FAL está presente em praticamente todos os 
tecidos do organismo, especialmente nas 
membranas celulares. 
• Ocorre em níveis particularmente elevados no 
epitélio intestinal, túbulos renais, osso 
(osteoblastos), fígado e placenta (3º trimestre de 
gravidez).
• Investigação de doença hepatobiliar e doença 
óssea associada a uma atividade osteoblástica 
aumentada.
Fosfatase Alcalina (FAL)
• Efeito de indução enzimática (fígado produz 
mais FAL) na obstrução biliar (colestase).
• Colestase extra-hepática (Ex: cálculos biliares) 
ou intra-hepática (Ex: tecido canceroso).
• Consequências clínicas da colestase: 
• (1) Incapacidade da bile alcançar o duodeno e 
consequentemente má absorção de lipídeos e vitaminas 
lipossolúveis, 
• (2) acúmulo no fígado de constituintes biliares (ac. biliares, 
bilirrubina, colesterol) e seu extravasamento no plasma.
Fosfatase Alcalina (FAL)
• Doenças ósseas: Níveis elevados na 
doença de Paget (osteíte deformante); 
normais na osteoporose e moderados na 
osteomalacia. Elevações transitórias 
durante cicatrização de fraturas ósseas e 
no crescimento fisiológico.
• Valores de Referência: 
– Adultos: 100 – 290 U/L
– Crianças: 180 – 1200 U/L
 - Glutamil Transferase (GGT)
• Localiza-se predominantemente na membrana 
plasmática de todas as Cs, exceto Ms, pode 
atuar transportando AA’s e peptídeos para 
dentro das Cs, e no metabolismo da glutationa.
• Atividade enzimática elevada em todas as 
formas de doença hepática (indicador 
enzimático).
 - Glutamil Transferase (GGT)
• Pequeno valor na discriminação das diferentes 
espécies de doenças hepáticas.
• Níveis normais observados em doenças ósseas 
e na gravidez, logo, permite verificar se as 
elevações da FAL são devido a doenças 
ósseas ou refletem doença hepatobiliar.
• Valor de Referência: Homens: 15 – 60 U/L 
 Mulheres: 10 – 40 U/L
Resumindo...
– ALT; AST; FAL e GGT são as enzimas mais 
medidas para avaliação de doença hepática.
# TRANSAMINASES: indicam lesão 
hepatocelular.
– AST: isoformas citosólica e mitocondrial 
presentes no soro;
– ALT: apenas a citosólica é medida no soro; 
–  ALT indica dano celular leve e  AST dano 
mais grave.
– AST é usada para monitorar a terapia com drogas 
(quando os níveis plasmáticos da enzima 
ultrapassam até 3x o limite superior, indicado a 
suspensão do tratamento).
– FAL e GGT: glicoproteínas ligadas à membrana. 
Aumentam na COLESTASE.
– GGT: teste sensível para dano hepatocelular, 
mas não discrimina as várias doenças hepáticas.
– FAL: eleva-se até 10x ou mais na colestase (grau 
de elevação indica a gravidade da obstrução e 
quantidade de tecido afetado).
SUBSTÂNCIAS METABOLIZADAS 
PELO FÍGADO
# Bilirrubina (BR):
• Molécula tetrapirrólica linear, que pode 
possuir duas formas estruturais: forma Z-Z 
(trans) insolúvel em água e forma E-E 
(cis) mais hidrossolúvel.
• TRANS LUZ CIS
• Produzida do catabolismo do grupamento 
HEME das hemoproteínas. 
• ~85% da bilirrubina total é derivada da Hb 
das hemácias pela degradação no S.R.E.
• 15% catabolismo de outras proteínas 
contendo heme: mioglobina, citocromos e 
peroxidases.
• Existem 2 classes de bilirrubina de acordo 
com a solubilidade em água: direta ou 
conjugada (solúvel) e a indireta ou não-
conjugada (insolúvel).
• Após a produção nos tecidos periféricos, a 
BR é transportada ao fígado ligada à 
albumina.
• É captada pelos hepatócitos por uma 
proteína carreadora (transporte ativo).
• Nos hepatócitos a BR é conjugada com 
ácido glicurônico, produzindo as formas 
solúveis: bilirrubina monoglicuronídeo 
(BMG) e bilirrubina diglicuronídeo (BDG).
• BMG e BDG são excretadas na bile 
(processo ativo).
• No pH alcalino do intestino, pela ação da -
glicuronidase, BMG e BDG são hidrolisados às 
formas não-conjugadas.
• A BR não-conjugada é reduzida pela flora 
bacteriana anaeróbia intestinal formando 
UROBILINOGÊNIOS (estercobilinogênio, 
mesobilinogênio e urobilinogênio).
• Mais de 20% do urobilinogênio produzido por 
dia são reabsorvidos (circulação êntero-
hepática), sendo a maior parte captada pelo 
fígado e reexcretada na bile. Somente 2-5% 
entram na circulação geral e aparecem na urina.
• No intestino distal os 3 urobilinogênios oxidam-
se espontaneamente produzindo os pigmentos 
castanhos das fezes (estercobilina, mesobilina e 
urobilina).
DISTÚRBIOS NO METABOLISMO 
DAS BILIRRUBINAS
HIPERBILIRRUBINEMIA NÃO-CONJUGADA:
# ICTERÍCIA FISIOLÓGICA DO RECÉM-
NASCIDO:
• Todos os recém-nascidos têm concentrações 
séricas de BR não-conjugada maiores do que 
os valores obtidos na população adulta 
saudável e 50% deles são clinicamente ictéricos 
nos cinco primeiros dias de vida.
# DOENÇAS HEMOLÍTICAS:
• A destruição prematura das hemácias leva a 
uma produção aumentada de BR não-
conjugada, na ausência de anormalidadehepática.
# SÍNDROME DE CRIGLER-NAJJAR (Tipos I e II):
• Doença genética em que os portadores 
possuem uma deficiência na bilirrubina glicuronil 
transferase. 
•  velocidade de excreção da bilirrubina e  
concentração no soro. 
• Nas formas mais graves, os pacientes morrem 
na infância por desenvolvimento de kernicterus 
(impregnação dos gânglios basais no cérebro 
pela BR).
HIPERBILIRRUBINEMIA CONJUGADA:
# COLESTASE EXTRA-HEPÁTICA:
• Quando ocorre obstrução do ducto biliar comum 
(EX: cálculo) o grau de elevação dos níveis 
séricos de BR depende do grau da obstrução. 
• Inicialmente, aumentam os níveis de BR 
conjugada e após alguns dias de obstrução a 
BR conjugada do sangue sofre degradação 
formando BR não-conjugada. 
• Além disso, a colestase leva a certo grau de 
lesão hepatocelular secundária. Essa obstrução 
leva também a um aumento da síntese de FAL e 
GGT. 
# LESÃO HEPATOCELULAR (COLESTASE 
INTRA-HEPÁTICA):
• As células lesadas podem obstruir pequenos 
canais biliares. 
• A lesão pode ter várias etiologias: álcool ou 
drogas, hepatite viral aguda ou crônica, vírus 
Epstein-Barr, citomegalovírus, tumor hepático e 
outras. 
• Nesse tipo de lesão, ambas as frações podem 
sofrer aumento em proporções variáveis
SUBSTÂNCIAS PRODUZIDAS 
PELO FÍGADO 
# Proteínas Séricas:
• Fígado: principal sede de síntese das proteínas 
plasmáticas
• Na doença hepática aguda ou crônica observa-se uma 
diminuição dos níveis séricos de proteínas (Ex: 
albumina, proteínas de coagulação, etc).
• O fígado responde à lesão ou inflamação com uma 
síntese aumentada de certas proteínas (Reagentes de 
Fase Aguda).
• O padrão das alterações das proteínas plasmáticas 
depende do tipo, da gravidade e da duração da lesão ou 
doença hepática. Ex: disfunção hepática aguda x 
crônica. 
–Albumina:
• Hipoalbuminemia é observada em várias 
doenças hepáticas e pode ser uma 
conseqüência da síntese hepática diminuída.
 
–Outras proteínas:
• Diminuem na doença hepática: pré-albumina; 
1 antitripsina; haptoglonina.
• Aumentam na doença hepática: -globulinas; 
ceruloplasmina; 2 microglobulina.
–Proteínas da Coagulação e o Tempo de 
Protrombina (TP):
• A maioria dos fatores de coagulação são 
sintetizados no fígado. Essas proteínas interagem 
numa cascata de reações produzindo o coágulo de 
fibina.
• A doença hepática parenquimatosa grave e a 
doença obstrutiva capaz de bloquear a absorção 
intestinal de vitamina K, são causas de distúrbio do 
sangramento.
– Testar um defeito da coagulação não é um 
procedimento de triagem, mas sim um meio de 
seguir a evolução da doença ou avaliar um risco 
de sangramento em uma conduta diagnóstica 
invasiva.
• TP: avalia fatores da via extrínseca da 
coagulação (II*, V, VII* e X*). *Fatores 
dependentes de vitamina K.
• O TP geralmente é normal ou levemente 
prolongado na maioria dos pacientes com 
hepatite aguda infecciosa ou tóxica. 
• Em pacientes com hepatite fulminante de 
etiologia infecciosa ou tóxica, o TP é 
significativamente aumentado.
• Um bom sinal prognóstico é o retorno a um TP 
normal e uma elevação dos níveis séricos dos 
fatores sintetizados pelo fígado. 
• Um prognóstico ruim é um rápido aumento nos 
valores de TP em amostras seriadas.
	Slide 1: Provas de Função Hepática
	Slide 2: PROVAS DE FUNÇÃO HEPÁTICA
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	Slide 4: AMINOTRANSFERASES OU TRANSAMINASES
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	Slide 11: Fosfatase Alcalina (FAL)
	Slide 12: Fosfatase Alcalina (FAL)
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	Slide 14: Fosfatase Alcalina (FAL)
	Slide 15:  - Glutamil Transferase (GGT)
	Slide 16:  - Glutamil Transferase (GGT)
	Slide 17: Resumindo...
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	Slide 19: SUBSTÂNCIAS METABOLIZADAS PELO FÍGADO
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	Slide 25: DISTÚRBIOS NO METABOLISMO DAS BILIRRUBINAS
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	Slide 29: SUBSTÂNCIAS PRODUZIDAS PELO FÍGADO 
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