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DIREITO DO CONSUMIDOR 
11 -Da Responsabilidade pelo Vício do Produto e do Serviço 
1- Qualidade do Produto: 
 Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem 
solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou 
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por 
aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da 
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de 
sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. 
O artigo 18 trata da responsabilidade por vício de qualidade do 
produto. 
O CDC determina que, independentemente da garantia oferecida pelo 
fornecedor (garantia de fábrica), os produtos e serviços devem ser adequados aos 
fins a que se destinam, ou seja, devem funcionar bem, atender às legítimas 
expectativas do consumidor. 
O art. 18, trata da responsabilidade por vício de qualidade do produto e, 
ao contrário da responsabilidade pelo fato do produto (art. 12 e 13), não há 
responsabilidade diferenciada para o comerciante. 
A responsabilidade pelo vício será aferida de forma objetiva, ou seja, 
não se indaga se o vício decorre de conduta culposa ou dolosa do fornecedor. 
Também pouco importa se o fornecedor tinha ou não conhecimento do vício para 
que seja aferida sua responsabilidade, conforme art. 23 do CDC. 
O Art. 23 do CDC fala o seguinte: A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por 
inadequação dos produtos e serviços não o exime de responsabilidade. 
Ex: Quando o consumidor adquire veículo com vícios na concessionária são 
legitimados a responder pelos vícios tanto o comerciante (concessionária), 
quanto a fábrica (montadora). A responsabilidade é SOLIDÁRIA. É muito 
comum o consumidor comprar o produto em determinada loja e quando se 
dirige à mesma para realizar o conserto, é informado que deverá procurar 
assistência técnica do produto situada em outro endereço. Essa prática é 
considerada abusiva e não pode ser tolerada, podendo, inclusive, a loja 
(comerciante) responder por perdas e danos, uma vez que, conforme exposto, 
a responsabilidade por vícios é SOLIDÁRIA. 
Diferença entre Vício e Fato do Produto: 
Enquanto não ocorrer acidente de consumo, ainda que o vício seja 
relativo a item de segurança (vício por insegurança), ou seja, com potencial de 
ofensa à integridade psicofísica do consumidor e seu patrimônio, a questão deve ser 
analisada sob ótica do artigo 18, cabendo ao consumidor escolher uma entre três 
alternativas (devolução do dinheiro, troca do produto, abatimento proporcional do 
preço. 
A disciplina do fato do produto (arts. 12 e 13) só deve ser invocada após 
ocorrência de acidente de consumo. 
Ex: STJ entende que embora o defeito no sistema de freio de um automóvel 
configure defeito de segurança, com potencial para acarretar dano ao 
consumidor, isto é, acidente de consumo, conforme previsto no art. 12 do CDC, 
quando inexistir alegação de tal dano ao consumidor, isto é, acidente de 
consumo, conforme previsto no art. 12 do CDC quando inexistir alegação de 
tal dano ao consumidor, ter-se-á a responsabilidade do fornecedor por mero 
vício do produto, por inadequação deste, de acordo com o art. 18 do CDC. 
As três alternativas do Consumidor: 
Art. 18 [...] 
§ 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
O fornecedor terá a oportunidade de sanar o vício no prazo de 30 dias. 
Ex: Caso a televisão adquirida na loja apresente vícios, como imagem 
distorcida, o consumidor não poderá, de imediato, exigir outra nova, o 
dinheiro de volta ou o abatimento do preço. Isto porque o fornecedor terá o 
direito de consertar o vício, somente quando não verificado o prazo de 30 dias 
para sanar o vício é que o consumidor, de acordo com a sua escolha, poderá 
exigir as opções do § 1º do art. 18. 
A lei é bastante clara no sentido de que a escolha entre as três 
alternativas é decisão do consumidor. Caso o vício de qualidade do produto não seja 
sanado no prazo de 30 dias, o consumidor poderá, sem apresentar nenhuma 
justificativa, optar entre as alternativas ali contidas, ou seja: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na hipótese, não sendo reparado o vício pela assistência técnica no prazo 
de 30 dias, o consumidor poderá exigir do fornecedor, à sua escolha, uma das três 
alternativas constantes dos incisos I, II e III do §1º. 
Opções do 
consumidor no Vício 
de Qualidade do 
produto(caso o vício 
não seja sanado em 
30 dias 
Substituição do produto por outro da 
mesma espécie 
Restituição imediata da quantia paga, 
monetariamente atualizada, exigindo 
inclusive perdas e danos. 
Abatimento proporcional do preço 
OBS: Embora a possibilidade de perdas e danos esteja elencada 
apenas no inciso II, poderá ocorrer em quaisquer das hipóteses enumeradas 
no § 1º. Pelo princípio da reparação ampla do consumidor, sempre que 
houver comprovação de dano, seja patrimonial, moral ou ambos, deverá ser 
indenizado. 
OBS: Decidiu o STJ que o consumidor não necessita notificar 
formalmente o fornecedor sobre o aparecimento do vício. Basta a prova de 
que o fornecedor teve conhecimento e que não houve o conserto no prazo de 
30 dias. 
Alteração do prazo de 30 dias (art. 18, §2º do CDC): 
Antes da escolha de uma das três alternativas que se abrem em favor do 
consumidor na hipótese de vício do produto (substituição do bem, devolução do 
dinheiro, abatimento do preço), o fornecedor possui prazo de 30 dias para sanar o 
vicio. 
Este prazo, pode ser reduzido para até 7 dias ou ampliado para até 180 
dias, mediante acordo de vontade entre as partes (§2º, art. 18), deve ser afastado se 
o produto for considerado essencial ou se a substituição das partes viciadas puder 
comprometer a qualidade do produto ou diminuir-lhe o valor. 
Art. 18 [...] 
§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo 
anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos 
de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de 
manifestação expressa do consumidor. 
Importante destacar que a ampliação ou redução do prazo para sanar o 
vício em contrato de adesão deverá ser convencionada em separado, através de 
manifestação expressa do consumidor. 
Existe entendimento minoritário de Rizzato Nunes que defende que o 
fornecedor teria, no máximo 30 dias para efetuar o conserto de cada vício, mas se 
esse fornecedor sanasse o vício em 10 dias, e o vício voltasse a ocorrer, o fornecedor 
teria mais 20 dias para efetuar o novo reparo. Se ocorre outro vício, teria novos 30 
dias para sanar. Ou seja, a cada vício, o fornecedor teria 30 dias para sanar o vício. 
A corrente que predomina é que o consumidor tem apenas 30 dias para 
sanar quaisquer vícios, caso o produto apresente o mesmo vício, presume-se que o 
fornecedor não conseguiu colocar o produto em condição de pleno uso e de forma 
apropriada para o consumidor. Assim, o consumidor poderá se valer das hipóteses 
do §1º, ou seja, pedir outro produto; ou pedir a restituição da quantia paga ou 
solicitar o abatimento proporcional, sem prejuízo de eventual indenização por 
perdas e danos. 
Da reparação dos danos pela utilização do prazo de 30 dias: 
Embora haja a previsão de aplicação do prazo de 30 dias para a sanar o 
vício, o fornecedor, em razão do direito básico de “efetiva prevenção e reparação de 
danos patrimoniais e morais” (art. 6º, VI), possui o dever de indenizar os prejuízos 
sofridos pelo consumidor, oriundosda privação do bem durante o prazo de conserto 
que, frisa-se, pode ser ampliado até 180 dias (Art. 18 §2º, do CDC) 
As perdas e danos sempre serão possíveis. Essa é a posição do STJ: 
O Vício do produto ou serviço, ainda que solucionado pelo fornecedor no prazo legal, poderá 
ensejar reparação por danos morais, desde que presentes os elementos caracterizadores do 
constrangimento à esfera moral do consumidor. Se o veículo zero quilometro apresenta, em seus 
primeiros meses de uso, defeitos em quantidade excessiva e capazes de reduzir 
substancialmente a utilidade e a segurança do bem, terá o consumidor direito à reparação por 
danos morais, ainda que o fornecedor tenha solucionado os vícios do produto no prazo legal 
(STJ, REsp 324.629/MG, Ministra Nancy Andrghi, DJ 28/04/2003). 
 
Art. 18 [...] 
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, 
em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a 
qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto 
essencial. 
Este artigo prevê quatro hipóteses em que o consumidor não precisará 
esperar o prazo de 30 dias para sanar o vício. Em tais circunstâncias, o consumidor 
poderá diretamente exigir as alternativas do § 1º. São elas: 
A substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade 
do produto (Ex: queima no circuito eletrônico de algum aparelho, a troca pode 
comprometer a qualidade do produto, ou seja, o aparelho não terá a mesma 
eficiência). 
A substituição das partes viciadas puder comprometer as 
características do produto (Ex: copo do liquidificador trincado e o fornecedor não 
possui peças de reposição daquele modelo e ao inserir copo de outro modelo ou 
marca há comprometimento das características do produto) 
A substituição das partes viciadas diminuir-lhe o valor (Ex: 
automóvel com lataria amassada, mesmo que haja conserto,, haverá a diminuição do 
valor). 
Se tratar de produto essencial (Ex: vicio em telefone celular). 
OBS:Essencial entende-se aquele produto que, devido a 
importância e necessidade para sua vida, o consumidor tem a justa 
expectativa de sua pronta utilização (ou seja, não pode esperar ser 
consertado). É o caso de geladeira, fogão, aparelho celular, vestido de noiva 
em que o casamento será em menos de 30 dias, etc. 
Substituição do produto por outro da mesma espécie: 
Aqui o CDC deveria ter dito da mesma espécie, marca e modelo, ou seja, o mesmo 
produto. O fornecedor não possibilitar a substituição do produto pretendido, o 
consumidor poderá optar pela substituição por outro de espécie, marca ou modelo 
diverso mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço. 
Art. 18 [...] 
 § 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo 
possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou 
modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço, 
sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo. 
 
§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor 
o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor. 
Produtos in natura é o produto agrícola ou pastoril colocado no mercado 
de consumo sem sofrer qualquer processo de industrialização, muito embora possa 
ter sua apresentação alterada em função da embalagem ou acondicionamento. A 
finalidade da embalagem é identificar o produto e não deixá-lo deteriorar na 
prateleira. São produtos que vêm direto do campo (Ex: verduras). 
Para alguns doutrinadores o §5º prevê responsabilidade exclusiva para 
o fornecedor imediato, excepcionando a regra da solidariedade. 
Para outros doutrinadores, a norma tem finalidade educativa e visa 
ampliar as garantias de proteção do consumidor. Quando a norma determina que a 
responsabilidade será do fornecedor imediato (o que na maioria das vezes, é o 
comerciante) é uma forma de ampliar a proteção do consumidor. 
Quando o produtor é conhecido, ambos serão responsáveis, podendo 
haver ação de regresso de quem suportou o vício contra quem realmente é o 
responsável. 
OBS: Em relação aos produtos in natura, o fornecedor não poderá se 
valer do prazo de 30 dias estabelecidos no § 1º do CDC para sanar o vício 
apresentado. Aqui, de imediato, o fornecedor deve providenciar a substituição do 
produto ou a restituição da quantia paga ou abatimento proporcional do preço. 
São impróprios para o consumo: 
Art. 18 [...] 
§ 6° São impróprios ao uso e consumo: 
I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; 
II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, 
fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as 
normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; 
III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se 
destinam. 
1- Os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos. 
2- Os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, 
corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, 
aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, 
distribuição ou apresentação; 
3- Os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que 
se destinam. 
Ademais, a impropriedade dos produtos é aferida de forma OBJETIVA! 
 
2- Quantidade do Produto: 
Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto 
sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for 
inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem 
publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: 
I - o abatimento proporcional do preço; 
II - complementação do peso ou medida; 
III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos 
vícios; 
IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos. 
 
§ 1º Aplica-se a este artigo o disposto no § 4º do artigo anterior. 
 
O artigo trata da responsabilidade por vício de quantidade do produto. 
O produto quando apresentar conteúdo líquido inferior ao indicado no 
recipiente, embalagem, rótulo ou mensagem publicitária, contém um vício de 
quantidade, fazendo que o consumidor possa, à sua escolha, optar pelas hipóteses 
previstas no incido I, II, III e IV. Nota-se que, nessa hipótese, o consumidor pode 
exigir a complementação do peso ou da medida do produto viciado. 
A venda de algum produto em quantidade ou tamanho menor configura 
inadimplemento contratual, vez que a especificação da quantidade e dimensão 
decorre de obrigação contratual. De fato, são elementos essenciais do contrato de 
compra e venda a definição do preço e da coisa. A coisa (produto) possui 
identificação por diversas características, inclusive as relativas à quantidade e 
dimensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Opções do 
consumidor nos 
vícios de 
Quantidade do 
Produto 
Abatimento proporcional do preço 
Complementação do peso ou medida 
Substituição do produto ou outro de mesma 
espécie, marca ou modelo sem os vícios 
A restituição imediata da quantidade paga, 
monetariamente atualizada exigindo 
inclusive perdas e danos. 
 
 
Na hipótese de vícios de quantidade, não incide o prazo de 30 dias para 
o fornecedor providenciar a correção do vício, como previsto na hipótese de vício de 
qualidade (art. 18, §1º). Qualquer das quatro opções indicadas nos incisos do artigo 
19 pode ser imediatamente exercida pelo consumidor. 
 
§ 2º O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento 
utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais. 
 
A novidade do CDC, no que tange aos víciosde quantidade, está em 
estabelecer expressamente a responsabilidade solidária entre todos os 
fornecedores da cadeia de produção e circulação. Qualquer um pode ser acionado 
pelo consumidor, no entanto, a exceção da responsabilidade solidária entre os 
integrantes da cadeia de produção e comercialização dos produtos fica por conta de 
a hipótese de pesagem e medição ser realizada pelo comerciante (fornecedor 
imediato), conforme art. 19, § 2º do CDC. 
Se o fornecedor imediato (comerciante) for demandado judicialmente, 
caberá a ele a prova de que os instrumentos utilizados estavam de acordo com esses 
padrões. 
 
Ex: São os sacolões, supermercados, açougues e comerciantes que trabalham 
nas feiras livres, pois na maioria das vezes, fazem a pesagem de frutas, 
verduras e carnes em balanças no momento da compra do consumidor. Se as 
balanças estiverem adulteradas, ou seja, não estiverem aferindo a verdadeira 
pesagem dos produtos, o comerciante que as utiliza será exclusivamente 
responsabilizado, eximindo assim, totalmente, a responsabilidade do 
produtor rural. 
 
OBS: NAS HIPÓTESES DE VÍCIO DE QUANTIDADE NÃO INICIDE O 
PRAZODE 30 DIAS PARA O FORNECEDOR SANAR O VÍCIO 
 
SEGUINDO A MESMA LINHA DO ART. 18, O CONSUMIDOR SEMPRE 
PODERÁ SER RESSARCIDO E/OU COMPENSADO POR PERDAS E DANOS, NÃO 
FICANDO TAL POSSIBILIDADE RESTRITA AO INCISO IV. 
 
3-Qualidade do Serviço 
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem 
impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da 
disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o 
consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: 
I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
§ 1º A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por 
conta e risco do fornecedor. 
§ 2º São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente 
deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de 
prestabilidade. 
 
O artigo trata da responsabilidade por vício de qualidade do serviço. 
Os vícios de qualidade do serviço são aqueles que fazem com que os 
serviços se tornem impróprio ao consumo ou lhes diminuam o valor. São 
considerados também como vícios de qualidade quando os serviços apresentam 
falhas na informação (verdadeiro vícios de informação),sendo as decorrentes da 
disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. 
A preocupação básica é que os serviços oferecidos no mercado de 
consumo atendam a um grau de qualidade e funcionalidade que não deve ser aferido 
unicamente pelas cláusulas contratuais, mas de modo objetivo, considerando, entre 
outros fatores, as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, a 
inadequação para os fins que razoavelmente se esperam dos serviços, normas 
regulamentares de prestabilidade. 
Ex: O STJ entente que quando o fornecedor faz constar de oferta ou mensagem 
publicitária a notável pontualidade e eficiência de seus serviços de entrega, 
assume eventuais riscos de sua atividade, inclusive o chamado risco aéreo, 
com cujo consequência não deve arcar o consumidor. (STJ, REsp 196031/MG, 
Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ 11/06/2001). 
Quanto ao artigo 20, aplicam-se as mesmas hipóteses do §1º do 
artigo 18, porém adaptadas aos serviços: 
 
 
 
 
 
 
 
 
A indenização, embora expressamente referida apenas no inciso II, é 
sempre devida, em face do direito básico do consumidor de efetiva prevenção e 
reparação de danos patrimoniais e morais (art. 6º, VI) da mesma linha de 
interpretação ao §1º do art. 18. A doutrina é pacífica neste sentido. 
OBS: NÃO PRECISA ESPERAR PRAZO DE 30 DIAS. PODE-SE FAZER 
USO DIRETO DAS HIPÓTESES DO ART. 20. 
Opções do 
consumidor no vício 
de QUALIDADE DO 
SERVIÇO 
A reexecução dos serviços, SEM CUSTO 
adicional e quando cabível 
A restituição imediata da qualidade paga, 
monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos 
O abatimento proporcional do preço 
Em relação à escolha do consumidor pela reexecução dos serviços, o §1º 
do art. 20 estabelece a possibilidade de ser realizada por terceiro, mas por conta e 
risco do fornecedor: “A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros 
devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor”. 
A reexecução do serviço, conforme exposto no inciso I, somente ocorrerá 
quando cabível. Muitas vezes, a reexecução não mais interessa ao consumidor, seja 
pela sua impossibilidade ou pelo simples fato de o consumidor não mais desejar que 
o fornecedor que prestou o serviço viciado venha a reexecutar o serviço. 
Ex: Corte de cabelo mal feito. Dependendo da situação será impossível realizar outro 
corte (reexecução do serviço). Ainda que seja possível o novo corte (reexecução) o 
consumidor pode não mais desejar que o serviço seja realizado pelo profissional que 
realizou o corte. Assim, o consumidor poderá optar pela reexecução do serviço por 
outro profissional, tudo por conta e risco do fornecedor, nos moldes do § 1º. 
OBS: NÃO PRECISA ESPERAR PRAZO DE 30 DIAS. PODE-SE FAZER 
USO DIRETO DAS HIPÓTESES DO ART. 20. 
OBS: O consumidor sempre poderá ser ressarcido e/ou 
compensado por perdas e danos, não ficando tal possibilidade restrita ao 
inciso II. 
IMPORTANTE: Não há tratamento expresso pelo código com relação 
aos VICIOS DE QUANTIDADE DOS SERVIÇOS. Todavia, não significa que o 
consumidor ficará sem a devida proteção. Nesses casos, a doutrina busca, por 
analogia, a aplicação das regras estipuladas para os VÍCIOS DE QUANTIDADE 
DOS PRODUTOS. 
Ex: Um pintor foi contratado para pintar quatro paredes por determinado 
preço, mas executou o serviço de pintura em três delas, estará caracterizado 
o vício de quantidade do serviço. Atenção: NÃO SE TRATA DE VÍCIO DE 
QUALIDADE! Vício de qualidade ocorreria se as paredes fossem mal pintadas. 
No exemplo dado as paredes podem até ter sido muito bem pintadas (não há 
vício de qualidade), porém, se faltar uma das paredes para se executar o 
serviço, há vício de quantidade. 
No exemplo dado acima, o consumidor se valerá das alternativas 
(adaptadas) elencadas no art. 19 (que trata de vicio de quantidade do produto), 
quais são: 
 
 
 
 
 
Opções do 
consumidor nos 
vícios de quantidade 
do serviço 
(Adaptação do art. 
19) 
Abatimento proporciona do preço 
Complementação do serviço 
Reexecução do serviço 
Restitição imediata da quantidade paga, 
monetariamente atualizada, exigindo 
inclusive perda e danos 
 
 
 OBS: NÃO PRECISA ESPERAR PRAZO DE 30 DIAS. PODE-SE FAZER 
USO DIRETO DESTAS HIPÓTESES. 
 ATENÇÃO!!! 
Ao contrário do que estabelece o caput do art. 18, o art. 20 não é explícito 
quanto à solidariedade dos fornecedores em relação aos serviços. Todavia, a 
doutrina, principalmente em razão do disposto no art. 7º, parágrafo único e no art. 
25, §1º, sustenta que há solidariedade quando o serviço é prestado por vários 
fornecedores. 
Art. 7º Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou 
convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de 
0regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que 
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade. 
 
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela 
reparação dos danos previstos nas normas de consumo. 
 
Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou atenue a 
obrigação de indenizar prevista nesta e nas seçõesanteriores. 
 
§ 1º Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão 
solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.

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