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COLETA DE EXAMES LABORATORIAIS Profa. Enfa. Suzy Ramos Rocha IMPORTANTE “A atividade laboratorial requer procedimentos interligados, interatuantes e interdependentes, onde a participação de todos é importante e indispensável para a obtenção da qualidade consistente, sendo esta imprescindível para assegurar laudos fidedignos em prazos adequados”. Exames de laboratório São meios indispensáveis para o auxílio de diagnóstico e controle de doenças; A equipe deve preparar o cliente para a obtenção de amostras de urina, fezes, escarros, sangue, entre outros materiais; É necessário conhecer os fatores que podem influenciar na qualidade dos resultados, assim o material deve ser coletado de forma segura e adequada. Processos operacionais Fonte: wwwn.cdc.gov/dls/ila/cd/india/Jan20/Pawan_intro.ppt, acesso 22/03/2010 (CDC, p. 8) Atividades relacionadas que definem a garantia da qualidade dos resultados laboratoriais. Compreendem os processos pré- analíticos, analíticos e pós analíticos. A fase pré-analítica ocorre desde o pedido médico até o momento da análise. Fontes de erro Processos operacionais Fase pré-analítica Requisição As requisições dos exames devem possuir informações suficientes para identificação: Do paciente e do requisitante; Dos dados clínicos e medicamentos em uso; Da amostra ou material a ser coletado e suas respectivas análises. Processos operacionais Fase pré-analítica Preparação do paciente Devem ser fornecidas ao paciente e a equipe as informações necessárias para que ele se prepare para coleta de acordo com os exames solicitados. As amostras O cuidado na realização dos procedimentos de coleta, armazenamento e transporte das amostras tem relação direta com a qualidade do resultado oferecido pelo laboratório. Uma boa amostra clínica deve: Ser coletada do local e no período corretos, Ter quantidade suficiente para análise, Ser identificada corretamente, Ser armazenada em recipiente adequado, Ser conservada e transportada adequadamente. Processos operacionais Fase pré-analítica Coleta da amostra Separar os materiais adequados para realização da coleta; Realizar a coleta utilizando os equipamentos de proteção individual necessários; Descartar os materiais contaminados em lixo apropriado e de maneira segura; Sempre registrar a coleta que foi realizada em prontuário. Processos operacionais Fase pré-analítica Identificação As amostras deverão ser identificadas adequadamente e individualmente; Amostras com identificação inadequada podem não ser processadas; As etiquetas devem ser colocadas de forma a não ocultar o nível do volume da amostra contida e não cobrir o código de barras da etiqueta. Qualidade da amostra Critérios para rejeição das amostras: Volume insuficiente Amostras não identificadas Amostras hemolisadas Proporção amostra/anticoagulante Hemólise Coágulo Troca das tampas Proporção amostra/anticoagulante Amostras de Materiais Biológicos Considera-se material biológico (amostra): Líquidos (sangue – sistema complexo); Secreções; Excreções; Fragmentos de tecidos obtidos do corpo humano. Recipientes para coleta Cada tipo de amostra deve ser coletada em um recipiente específico para análise; O material colhido em recipiente inadequado será rejeitado e descartado pelo laboratório; As análises realizadas com o material biológico, são: Análise bioquímica e sorológica; Análise hematológica; Análise glicêmica; Análise de coagulação; Urinálise em amostra isolada ou de 24 horas; Análise parasitológica. Recipientes para coleta Coleta de Escarro O trato respiratório ao reagir a determinadas afecções, podem produzir uma substância denominada ESCARRO, que é composta de muco e células; Assim a coleta do escarro tem como objetivo auxiliar no diagnóstico de doenças pulmonares. Coleta de Escarro Material: Frasco estéril com tampa e etiqueta; Luvas de procedimentos; Material para higiene oral. Técnica: Higienizar as mãos; Reunir o material necessário; Identificar o recipiente com nome, leito, nº do prontuário, nome do exame, data, horário da coleta e nome do responsável pela coleta. Coleta de Escarro Técnica: Levar o material para o quarto do cliente; Orientar quanto à higienização oral sem a utilização de creme dental ou antisséptico bucal; Calçar as luvas de procedimentos; Solicitar ao cliente para tossir e expectorar profundamente; Colher o material no frasco apropriado; Retirar as luvas e higienizar as mãos; Checar na prescrição e encaminhar o material para o laboratório; Realizar o registro. Coleta de Escarro OBSERVAÇÃO: O material preferido é amostra do começo da manhã com o cliente em jejum; Geralmente três amostras são colhidas em dias diferentes; O cliente deve inspirar o ar até a capacidade plena e então expirar o ar com uma tosse profunda e expulsiva; A amostra deve ser expectorada diretamente em um frasco de boca larga, estéril e entregue ao laboratório imediatamente. Coleta de Escarro Coleta de Urina É a coleta de urina pela manhã, pois sua produção foi realizada durante o jejum no período noturno, é mais concentrada, o que pode revelar achados positivos. Assim tem o objetivo de identificar distúrbios urinários e sistêmicos, bem como para o rastreamento de substâncias, medir a ingesta hídrica do cliente e do débito urinário, além da observação das características da urina do cliente. Coleta de Urina Material: Luvas de procedimento; Frasco para coleta e rótulo de identificação; Comadre ou papagaio. Técnica: Preparar o material; Identificar o frasco de urina; Antes de se deitar, o cliente deve ser orientado a esvaziar a bexiga; A coleta de urina deve ser realizada logo após o cliente levantar; Coleta de Urina Técnica: Realizar ou orientar quanto à higiene íntima; Pedir ao cliente para urinar em um recipiente limpo (comadre ou papagaio), orientar para que despreze o primeiro jato, para clientes independentes, pode ser realizada a micção diretamente no frasco; Higienizar as mãos; Calçar as luvas; Transferir a urina para o recipiente; Retirar as luvas; Coleta de Urina Técnica: Higienizar as mãos; Enviar imediatamente o material para o laboratório, com a requisição, em recipiente adequado; Checar a prescrição médica; Realizar registro; OBS: Orientar o cliente para urinar antes de evacuar, evitando contaminação. Coleta de Urina para cultura Técnica: Seguir a mesma técnica, empregando-se frasco estéril, de preferência o cliente deve urinar diretamente no frasco, não sendo possível, fazê-lo em cuba-rim esterilizada e transferir urina para frasco estéril; Uso de antisséptico conforme protocolo da instituição. Coleta de Urina de 24 horas É realizada para pesquisa de substâncias como proteínas, eletrólitos e hormônios. Técnica: Instruir o cliente sobre o exame; Preparar o recipiente adequado, identificar com nome, nº prontuário, leito, horário início da coleta, data, nome do exame e nome do responsável pela coleta; Desprezar a 1ª micção da manhã e anotar a hora de início; Colher todas as outras micções, inclusive a primeira da manhã seguinte até completar 24 horas; Coleta de Urina de 24 horas Técnica: Enviar toda a urina ao laboratório, deve-se medir a urina anotando na etiqueta o volume total de 24 horas; Em se tratando de Clearence de Creatinina, colher 5 ml de sangue em tubo, pesar e medir a altura do cliente e anotar na requisição; Higienizar as mãos e checar na prescrição; Realizar registro e encaminhar ao laboratório. Coleta de Urina de 24 horas Controle de Glicosúria e Cetonúria É a pesquisa de glicose e corpos cetônicos na urina; Assim tem como objetivo verificar se há presença excessiva de açúcar e corpos cetônicos na urina. Controle de Glicosúria e Cetonúria Material: EPI’s: luvas, óculos de proteção e máscara; Comadre ou papagaio; Cuba-rim; Fita diagnóstica; Técnica: Ler a prescrição e necessidade do procedimento; Reunir todo o material; Orientar o cliente sobre o procedimento;Controle de Glicosúria e Cetonúria Técnica: Higienizar as mãos; Colocar EPI’s; Deixar a comadre (mulher) ou papagaio (homem) no banheiro; Recolher pequena quantidade de urina após micção; Mergulhar na urina a fita diagnóstica; Comparar a cor obtida com as cores apresentadas no recipiente, fazendo a leitura do valor correspondente; Desprezar a fita e urina; Retirar EPI’s e higienizar as mãos; Controle de Glicosúria e Cetonúria Técnica: Checar na prescrição e registrar resultado; Comunicar se houver alteração; Exame Parasitológico É o exame das fezes para pesquisa de parasitas; Assim o objetivo das fezes coletadas é para determinar a presença de sangue, ovos e parasitas, bile, gordura, patógenos ou determinadas substâncias (medicamentos). Exame Parasitológico Material: Frasco de amostra e etiqueta de identificação; EPI’s: luvas, óculos de proteção e máscara; Espátula descartável; Toalha de papel; Comadre. Técnica: Explicar o procedimento; Rotular o recipiente; Exame Parasitológico Técnica: Orientar o cliente a evacuar em comadre limpa e seca; Colocar EPI’s; Colher pequena quantidade de fezes com uma espátula, desprezando as fezes da borda, colhendo do centro e desprezando no recipiente, se o cliente for capaz deixar que ele prepare a amostra; Fechar bem o recipiente; Retirar EPI’s; Higienizar as mãos, encaminhar ao laboratório e realizar registro. Controle de Glicemia capilar Controle de glicemia através de fitas reagentes (dextro); Assim tem como objetivo verificar os níveis de glicose no sangue através de fita reagente e auxiliar no tratamento de diabetes; Controle de Glicemia capilar Material: EPI’s: luvas, óculos de proteção e máscara; Frasco com fita reagente; Bola de algodão com álcool a 70%; Lenço de papel. Técnica: Reunir o material necessário; Explicar e orientar o cliente sobre o procedimento; Higienizar as mãos; Controle de Glicemia capilar Técnica: Massagear local; Colocar EPI’s; Fazer a antissepsia local com algodão; Puncionar a lateral do dedo (polpa); Coletar uma gota de sangue cobrindo a fita completamente e fornecer bola de algodão seco para hemostasia; Colocar no glicosímetro e aguardar leitura; Retirar fita e desprezar; Retirar EPI’s; Controle de Glicemia capilar Técnica: Higienizar as mãos; Anotar o resultado e checar a prescrição; Medicar conforme esquema de insulina e prescrição médica se necessário. Coleta de Sangue É a coleta de sangue venoso para exames laboratoriais; Assim tem como objetivo auxiliar no diagnóstico e na avaliação terapêutica; O jejum é necessário para os exames bioquímicos, para os demais, é suficiente que seja coletado antes das principais refeições e principalmente antes da realização de esforços físicos. Escolha do Acesso Avaliar características individuais de cada um; Escolher as veias do braço para a mão; NÃO BATER com os dedos na região a ser puncionada; Não permanecer garroteado por mais de 1 minuto. (Alteração nos resultados). Escolha do Acesso ATENÇÃO!!!!!!! Terapia intravenosa. Áreas cicatriciais e de queimadura. Áreas com hematomas. Fístulas. Veias trombosadas. Atenção: pacientes mastectomizadas Sistema a vácuo Possibilidade de colher grandes volumes em uma única punção; Segurança do felbotomista; Baixo custo; Pequeno volume de resíduos para descarte; Proporção correta amostra / anticoagulante; Coleta a vácuo x coleta seringa Coleta a vácuo x coleta seringa Sistema seringa : Sistema de coleta ainda muito utilizado; Necessário introduzir a agulha no tubo (o vácuo existente no tubo irá aspirar o volume adequado). Não pressionar o êmbolo da seringa para evitar hemólise; Observar o volume correto de sangue que deve ser adicionado aos tubos; Coleta de RN Desvantagens: Oferece maior risco ao profissional de saúde; Proporção anticoagulante/sangue – subjetiva; Ampla formação de microcoágulos, fibrina e hemólise; Coleta de Sangue Material: Tubos com anticoagulante Citrato 3,2% Contém citrato de sódio a 3,2%, que impede a coagulação do sangue ao quelar o cálcio. TP TTPA FIBRINOGÊNIO D-DÍMEROS Frascos de coleta EDTA Contém EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), que liga-se ao cálcio e impede a coagulação Hemograma + plaquetas Tipagem , HbA1C,Carga viral CD4/CD8, PTH VSG FLUORETO Contém fluoreto de sódio, que inibe a glicólise, evitando a degradação da glicose no sangue. Glicose TTG Lactato Tubos com ativador de coágulo Soro Bioquímica Imunologia Frascos de coleta Esses tubos não impedem a coagulação do sangue. Pelo contrário, aceleram a formação do coágulo para que, após a centrifugação, o soro (parte líquida do sangue sem células e sem fatores de coagulação) seja separado para análise. Bioquímica (glicose, ureia, creatinina, enzimas, etc.) Imunologia (hormônios, sorologias, marcadores virais, etc.) Coleta de Sangue Coleta de Sangue Técnica: Usar tubos à vácuo, abrir a embalagem da agulha, fixar a agulha em seu suporte e selecionar os tubos apropriados. Rotular todos os tubos; Coleta de Sangue Técnica: Comunicar ao cliente que você irá coletar uma amostra de sangue e explicar o procedimento; Higienizar as mãos; Reunir o material; Posicionar o cliente, se possível sentado ou deitado em decúbito dorsal, para mantê-lo confortável e facilitar a visualização das veias; Selecionar e palpar a veia a ser puncionada; Prender o garrote aproximadamente 5 cm acima do local da punção e pedir para o cliente fechar a mão; Uso de Epis Coleta de Sangue Coleta de Sangue Técnica: Fazer a antissepsia da ampla área com algodão embebido em álcool a 70%, no sentido do retorno venoso; Coleta de Sangue Técnica: Com o polegar da mão não dominante fixar a veia, esticando a pele abaixo do ponto da punção; Segurar a seringa horizontalmente, com a mão dominante, mantendo o indicador sobre o canhão da agulha; Introduzir a agulha com bisel voltado pra cima, a agulha deve penetrar na veia aproximadamente 1 cm e ser mantida em ângulo de 15º; Aspirar a seringa com a mão que fixava a veia; Se usar vacutainer, encaixar o frasco na agulha e aguardar o enchimento; Coleta de Sangue Procedimento de coleta: 1) 2) Identificar a veia e fazer a antissepsia 3) Colocar o torniquete 4 dedos acima do local de coleta e solicitar que o paciente feche a mão. 4) Inserir o 1º tubo e após o início do fluxo, aliviar a tensão do torniquete e pedir para 5) Homogeneizar todos os tubos por inversão (5-8x), realizar troca sucessiva conforme ordem Conectar a agulha ou scalp no adaptador, puncionar, inserindo a agulha o mínimo possível a um ângulo de 30° c/ bisel para cima 6) Após a coleta do último tubo, remover o sistema agulha- adaptador Coleta de Sangue Técnica: Após a coleta, pedir para o cliente abrir a mão, desprender o garrote e remover a agulha, com movimento único e suave, apoiando o local com algodão; Para facilitar a hemostasia, fazer leve pressão no local; Desconectar a agulha da seringa e fazer com que a amostra escorra vagarosamente pela parede do tubo; Retirar EPI’s e higienizar as mãos; Enviar material ao laboratório; Realizar registro. Coleta de Sangue Observações: Nunca coletar amostra a partir de um braço ou perna que esteja com terapia IV, com administração de sangue, de um sítio de infecção, área edemaciada, com hematoma ou lesão vascular; Evitar utilizar veias das pernas, pelo maior risco de tromboflebite; Quando a área escolhida for a região antecubital do braço, procede a compressão do local, jamais solicitar que o cliente dobre o braço. Coleta de Sangue Observações: Não bater com os dedos nas veias; Se o bisel não penetrou na veia, introduzi-lo mais, e se não refluir sangue, puncionar outra veia; Se a agulha transfixar a veia, retrocedê-la para que penetre na luz do vaso; Coleta de Sangue Problemas que podem ocorrer na coleta de sangue: Ordem de tubos – Colheita a Vácuo ( Conforme recomendado pelo CLSI) Tubo para hemocultura Tubo com citrato (coagulação) Tubo sem aditivo (sorologia) Tubo com heparina sódica (metais pesados) Tubo com heparina lítica Tubo com EDTA (hematologia) Tubo com fluoreto (glicose) Sangue Arterial : Coleta mais difícil (identificação por pulsação)-coleta por profissionais de nível superior médico, enfermeiro ou bioquímico. Artérias radial, femural, braquial → gasometria (pH, PO2, PCO2) Anticoagulante de escolha = heparina lítica (maior custo, menos interferência) Outros tipos de exames e locais de punção Hemocultura Horário: em caso de sepse, preferencialmente antes da administração do antibiótico. Número de amostras: depende da suspeita clínica e idade do paciente. No geral de 2-3 hemoculturas. Método: Coleta por punção venosa. Não é recomendado coleta de cateteres e cânulas (maiores taxas de contaminação da hemocultura) nem coleta arterial. Volume: Respeitar o indicado no frasco. Crianças de 1-5 mL, adultos 10 -20 mL. ✅ Ordem de preenchimento recomendada: 1. Frasco Aeróbio 2. Frasco Anaeróbio 3. Frasco para Fungos (se houver indicação) Hemocultura COLETA Realizar a antissepsia com álcool 70%. Desinfetar a tampa do frasco de hemocultura com álcool 70%, deixando secar o excesso de álcool; Injetar o sangue coletado no frasco de hemocultura com a mesma agulha; Agitar suavemente o frasco para misturar o sangue com o meio de cultura; Enviar imediatamente ao laboratório. Tempo crítico: 30 minutos. image3.jpg image4.jpg image5.jpg image6.jpg image7.jpg image8.jpg image9.jpg image10.jpg image11.jpg image12.jpg image13.jpg image14.jpg image15.jpg image16.jpg image17.jpg image18.jpg image19.jpg image20.jpeg image21.jpg image22.jpg image23.jpg image24.png image25.jpg image26.jpg image27.jpeg image28.jpg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpg image32.jpg image33.jpg image34.jpg image35.jpg image36.jpg image37.jpg image38.jpg image39.jpg image40.png image41.jpg image42.jpg image43.jpg image44.jpg image45.jpg image46.jpg image47.png image48.png image49.png image50.png image51.jpg image52.jpg image53.jpg image54.jpg image55.png image56.png image57.png image58.jpg image59.jpg image60.jpg image61.jpg image62.jpg image63.jpg image64.jpg image65.jpg image66.png image67.jpg image68.png image69.png image70.jpg image71.png image72.png image73.jpg image74.jpg image75.png