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15
O	ÓDIO	NA	CONTRATRANSFERÊNCIA
[1947]
No	presente	trabalho,	gostaria	de	examinar	um	dos	aspectos	do	tema	da
ambivalência,	a	saber,	o	ódio	na	contratransferência.¹	Creio	que	a	tarefa	do
analista	(aqui	chamado	de	analista	pesquisador)	que	assume	a	análise	de	um
psicótico	é	intensamente	afetada	por	esse	fenômeno,	e	que	a	análise	de	pacientes
psicóticos	se	mostrará	impossível	se	o	analista	não	estiver	muitíssimo	consciente
e	bem	resolvido	quanto	a	seu	ódio.	Isso	equivale	a	dizer	que	o	analista	deve	ser
ele	mesmo	analisado,	mas	implica	também	afirmar	que	é	um	dado	que	a	análise
de	um	psicótico	é	mais	irritante	que	a	de	um	neurótico.
O	manejo	de	um	psicótico	é	inevitavelmente	irritante,	e	aqui	não	me	refiro	ao
tratamento	psicanalítico.	De	tempos	em	tempos	tenho	feito	críticas	contundentes
às	tendências	modernas	da	psiquiatria,	com	seus	choques	elétricos	fáceis	demais
e	suas	leucotomias	drásticas	demais.²	Justamente	em	razão	dessas	críticas	por
mim	expressas,	gostaria	de	ser	o	primeiro	a	reconhecer	a	extrema	dificuldade
inerente	ao	trabalho	do	psiquiatra	e,	em	especial,	da	enfermeira	psiquiátrica.	Os
pacientes	insanos	representam	sempre	uma	carga	emocional	pesada	para	os	que
deles	cuidam.	Devemos	perdoar	aos	que	se	envolvem	com	esse	tipo	de	trabalho
se	eles	fizerem	coisas	horríveis.	Isso	não	significa,	todavia,	que,	do	ponto	de
vista	da	ciência,	devemos	aceitar	como	lúcida	qualquer	coisa	que	os	psiquiatras	e
os	neurocirurgiões	façam.
Portanto,	ainda	que	a	presente	reflexão	refira-se	à	psicanálise,	ela	é
verdadeiramente	importante	para	o	psiquiatra,	mesmo	que	seu	trabalho	jamais	o
leve	a	estabelecer	um	relacionamento	do	tipo	analítico	com	seus	pacientes.
A	fim	de	ajudar	aos	que	praticam	a	psiquiatria	geral,	o	psicanalista	deve	não	só
estudar	os	estágios	primitivos	do	desenvolvimento	emocional	do	indivíduo
enfermo	como	também	a	natureza	da	carga	emocional	que	recai	sobre	o
psiquiatra	ao	fazer	seu	trabalho.	O	que	nós	psicanalistas	chamamos	de
contratransferência	é	algo	que	precisa	ser	compreendido	também	pelos
psiquiatras.	Por	mais	que	estes	amem	seus	pacientes,	não	podem	evitar	odiá-los	e
temê-los,	e	quanto	melhor	eles	o	souberem	mais	difícil	será	para	o	medo	e	o	ódio
tornarem-se	os	motivos	determinantes	do	modo	como	eles	tratam	esses
pacientes.
É	possível	classificar	os	fenômenos	contratransferenciais	da	seguinte	maneira:
1.	Anormalidade	nos	sentimentos	contratransferenciais,	e	relacionamentos	e
identificações	padronizados	que	são	reprimidos	pelo	analista.	O	comentário	a
esse	respeito	é	que	o	analista	precisa	de	mais	análise,	e	costumamos	acreditar
que	se	trata	de	um	problema	menos	grave	entre	os	psicanalistas	do	que	entre	os
psicoterapeutas	em	geral.
2.	As	identificações	e	tendências	oriundas	da	experiência	e	do	desenvolvimento
pessoal	do	analista,	que	fornecem	o	setting	positivo	para	seu	trabalho	analítico	e
tornam	esse	trabalho	qualitativamente	diferente	do	de	qualquer	outro	analista.
3.	Desses	dois	tipos	de	fenômeno	eu	distingo	a	contratransferência
verdadeiramente	objetiva	ou,	se	isso	for	difícil,	o	amor	e	o	ódio	do	analista	em
reação	à	personalidade	e	ao	comportamento	reais	do	paciente,	com	base	numa
observação	objetiva.
Sugiro	que,	se	um	analista	propõe-se	a	analisar	pacientes	psicóticos	ou
antissociais,	ele	deve	estar	tão	profundamente	consciente	de	sua
contratransferência	que	lhe	seria	possível	identificar	e	examinar	suas	reações
objetivas	ao	paciente.	Estas	incluirão	o	ódio.	Fenômenos	contratransferências
representarão,	em	certos	momentos,	os	elementos	centrais	da	análise.
Gostaria	de	sugerir	que	o	paciente	reconhece	no	analista	apenas	o	que	ele	mesmo
é	capaz	de	sentir.	Quanto	às	motivações:	um	obsessivo	tenderá	a	pensar	que	o
analista	faz	seu	trabalho	de	modo	obsessivamente	vazio.	Um	hipomaníaco,
incapaz	de	sentir-se	deprimido	a	não	ser	em	flutuações	extremas	de	humor,	em
cujo	desenvolvimento	emocional	a	posição	depressiva	não	foi	alcançada	com
toda	a	solidez,	e	que	não	é	capaz	de	sentir	culpa	de	modo	profundo,	ou	um	senso
de	consideração	ou	responsabilidade,	não	conseguirá	perceber	que	o	trabalho	do
analista	tem	por	objetivo	fazer	reparações	a	respeito	de	seus	próprios
sentimentos	de	culpa	(do	analista).	Um	paciente	neurótico	tenderá	a	ver	no
analista	uma	ambivalência	em	relação	a	ele	(o	paciente),	e	a	esperar	que	o
analista	demonstre	uma	cisão	entre	o	amor	e	o	ódio.	Esse	paciente,	se	tiver	sorte,
recebe	o	amor	porque	alguma	outra	pessoa	está	recebendo	o	ódio	do	analista.
Assim,	não	é	óbvio	que,	uma	vez	que	um	paciente	psicótico	encontra-se	num
estado	afetivo	de	“amor	e	ódio	coincidentes”,	ele	terá	a	profunda	convicção	de
que	o	analista	só	é	capaz	de	relacionar-se	com	ele	a	partir	desse	mesmo	estado
bruto	e	perigoso	de	amor	e	ódio	coincidentes?	Nesse	caso,	se	o	analista
demonstrar	amor	ele	certamente	matará	o	paciente	no	mesmo	instante.
A	coincidência	de	amor	e	ódio	é	uma	característica	recorrente	na	análise	de
psicóticos,	a	qual	dá	margem	a	problemas	de	manejo	que	podem	facilmente
exigir	do	analista	mais	do	que	ele	pode	dar.	Essa	coincidência	de	amor	e	ódio	à
qual	me	refiro	é	algo	distinto	do	componente	de	agressividade	que	complica	o
impulso	do	amor	primitivo,	e	implica	que	na	história	desse	paciente	ocorreu	um
fracasso	do	ambiente	à	época	dos	primeiros	impulsos	instintivos	em	busca	do
objeto.
Se	o	analista	vai	ser	acusado	de	nutrir	maus	sentimentos,	é	bom	que	ele	seja
prevenido	e,	assim,	preparado,	pois	tem	que	tolerar	ser	colocado	nessa	posição.
Sobretudo,	não	deve	negar	o	ódio	que	realmente	existe	dentro	de	si.	O	ódio	que
for	justificado	no	setting	presente	deve	ser	destrinchado,	e	guardado,	e
disponibilizado	para	eventual	interpretação.
A	fim	de	nos	tornarmos	capazes	de	analisar	pacientes	psicóticos,	devemos
alcançar	os	níveis	mais	primitivos	no	fundo	de	nós	mesmos,	e	esse	é	apenas	mais
um	exemplo	de	que	as	respostas	para	muitos	problemas	obscuros	da	prática
psicanalítica	encontram-se	na	análise	aprofundada	do	psicanalista.	(A	pesquisa
em	psicanálise	seria,	talvez,	em	algum	grau,	uma	tentativa	do	analista	de	levar
sua	própria	análise	a	um	nível	mais	profundo	que	aquele	que	lhe	foi	possibilitado
pelo	analista.)
Uma	das	tarefas	mais	importantes	na	análise	de	qualquer	paciente	é	a	de	manter
a	objetividade	em	relação	a	tudo	aquilo	que	o	paciente	traz,	e	um	caso	especial
desse	tema	é	a	necessidade	de	o	analista	ser	capaz	de	odiar	o	paciente
objetivamente.
E	não	é	que	realmente	existem	muitas	situações	em	nosso	trabalho	normal	nas
quais	nosso	ódio	se	justifica?	Durante	vários	anos	senti	que	um	de	meus
pacientes,	um	obsessivo	muito	grave,	era	praticamente	insuportável.	Eu	me
sentia	muito	mal	em	relação	a	isso	até	que	a	análise	deu	uma	guinada	e	passou	a
ser	possível	sentir	amor	por	ele,	e	então	me	dei	conta	de	que	o	fato	de	que	era
impossível	gostar	dele	era	na	verdade	um	sintoma	ativo,	inconscientemente
determinado.	Para	mim,	foi	maravilhoso	quando	pude	lhe	contar	(muito	tempo
depois)	que	eu	e	seus	conhecidos	sentíamos	aversão	por	ele,	mas	que	ele	estava
doente	demais	para	que	lhe	disséssemos	isso.	Esse	dia	foi	importante	para	ele
também,	e	representou	um	tremendo	avanço	em	sua	adaptação	à	realidade.³
Nas	análises	mais	comuns	não	é	difícil	para	o	analista	manejar	seu	próprio	ódio.
Esse	ódio	mantém-se	latente.	O	ponto	principal	aqui,	obviamente,	é	que	por
meio	de	sua	própria	análise	o	analista	liberta-se	de	amplos	estoques	de	ódio
inconsciente	pertencente	ao	passado	e	a	seus	conflitos	internos.	Há	outras	razões
pelas	quais	o	ódio	permanece	implícito	e	mesmo	ignorado	como	tal:
–A	psicanálise	é	a	profissão	que	escolhi,	é	o	modo	como	posso	lidar	melhor	com
minha	própria	culpa,	é	meu	meio	de	me	expressar	de	maneira	construtiva.
–Sou	pago,	ou	estou	em	formação	a	fim	de	conquistar	um	lugar	na	sociedade	por
meio	de	meu	trabalho	psicanalítico.
–Estou	fazendo	descobertas.
–Tenho	gratificações	imediatas	ao	identificar-me	com	meu	paciente,	que	está
avançando	em	sua	análise,	e	espero	gratificações	ainda	maiores	no	futuro,
quando	o	tratamento	terminar.
–Além	do	mais,	comoanalista,	eu	tenho	meios	de	expressar	meu	ódio.	O	ódio	é
expresso	pela	existência	do	final	da	“sessão”.
–Acredito	que	isso	seja	verdade	mesmo	quando	não	ocorre	dificuldade	alguma	e
o	paciente	fica	contente	em	ir	embora.	Em	muitas	análises	tudo	isso	é	tomado
por	certo	e,	portanto,	não	é	quase	nunca	mencionado,	e	o	trabalho	da	análise	se
faz	por	meio	de	interpretações	verbais	da	transferência	que	emerge	do
inconsciente	do	paciente.	O	analista	assume	o	papel	de	uma	ou	outra	figura
oportuna	da	infância	do	paciente.	Ele	fatura	o	sucesso	daqueles	que	fizeram	o
trabalho	sujo,	quando	o	paciente	era	bebê.
Tudo	isso	faz	parte	da	descrição	do	trabalho	psicanalítico	rotineiro,	que	na
maioria	dos	casos	lida	com	pacientes	cujos	sintomas	são	de	natureza	neurótica.
Na	análise	de	psicóticos,	porém,	o	analista	está	sujeito	a	uma	tensão	de
qualidade	e	dimensão	inteiramente	diferentes,	e	é	precisamente	essa	diferença
que	estou	procurando	descrever.
Recentemente	ocorreu	que,	durante	alguns	dias,	tive	a	sensação	de	estar	fazendo
um	mau	trabalho.	Cometi	erros	em	relação	a	cada	um	de	meus	pacientes.	A
dificuldade	era	minha,	e	era	em	parte	pessoal,	mas	estava	associada	em	especial
a	um	clímax	ao	qual	eu	havia	chegado	com	uma	de	minhas	pacientes	psicóticas
(de	pesquisa).	A	dificuldade	dissipou-se	quando	tive	um	sonho	que	chamamos	de
“curativo”.	(Diga-se	de	passagem	que	durante	minha	análise	e	nos	anos
seguintes	ao	seu	término	tive	uma	longa	série	desses	sonhos	“curativos”,	que
apesar	de	serem	muitas	vezes	desconfortáveis,	marcaram	cada	um	a	minha
chegada	a	um	novo	patamar	de	desenvolvimento	emocional.)
Nesse	episódio	específico	percebi	o	significado	do	sonho	assim	que	acordei,	ou
talvez	mesmo	antes	de	acordar.	O	sonho	tinha	duas	fases.	Na	primeira	eu	estava
no	alto	da	galeria	de	um	teatro,	olhando	para	as	pessoas	na	plateia	bem	lá
embaixo.	Senti	uma	forte	ansiedade,	como	se	fosse	perder	um	dos	membros.	Isso
estava	associado	à	sensação	que	tive	no	alto	da	torre	Eiffel,	de	que	se	eu	pusesse
minha	mão	para	fora	da	amurada	ela	cairia	lá	embaixo.	Essa	seria	uma	ansiedade
de	castração	comum.
Na	fase	seguinte	do	sonho	tinha	ciência	de	que	as	pessoas	na	plateia	estavam
assistindo	a	uma	peça	e	agora,	por	meio	delas,	eu	me	conectava	com	o	que
ocorria	no	palco.	Surgiu	um	novo	tipo	de	ansiedade.	O	que	eu	sabia	era	que
simplesmente	não	tinha	o	lado	direito	do	corpo.	Não	era	um	sonho	de	castração.
Tratava-se	da	sensação	de	não	ter	aquela	parte	do	corpo.
Quando	acordei,	percebi	que	eu	havia	compreendido	num	nível	muito	profundo
qual	era	minha	dificuldade	naquele	momento	específico.	A	primeira	parte	do
sonho	representava	as	ansiedades	comuns	que	podem	surgir	a	respeito	de
fantasias	inconscientes	de	meus	pacientes	neuróticos.	Eu	corria	o	risco	de	perder
minha	mão	ou	meus	dedos,	se	esses	pacientes	viessem	a	se	interessar	por	eles.
Com	esse	tipo	de	ansiedade	eu	já	estava	acostumado,	e	era	comparativamente
tolerável.
A	segunda	parte	do	sonho,	porém,	referia-se	a	meu	relacionamento	com	a
paciente	psicótica.	Essa	paciente	exigia	que	eu	não	me	relacionasse	de	modo
algum	com	seu	corpo,	nem	mesmo	com	um	corpo	imaginário.	Ela	não	tinha	um
corpo	reconhecido	como	seu,	e	se	de	algum	modo	ela	existia,	era-lhe	possível
sentir	a	si	mesma	apenas	como	uma	mente.	Qualquer	referência	a	seu	corpo
provocava	ansiedades	paranoides,	porque	afirmar	que	ela	tinha	um	corpo
equivalia	a	persegui-la.	O	que	ela	precisava	de	mim	era	que	eu	tivesse	apenas
uma	mente	falando	com	a	mente	dela.	No	auge	de	minha	dificuldade	na	noite
anterior	ao	sonho,	fiquei	irritado	e	lhe	disse	que	o	que	ela	precisava	de	mim	não
passava	de	ninharias.	A	consequência	foi	desastrosa,	e	várias	semanas	se
passaram	até	a	análise	recuperar-se	de	meu	erro.	O	ponto	crucial,	entretanto,	era
que	eu	tinha	que	compreender	minha	própria	ansiedade,	a	qual	estava
representada	em	meu	sonho	pela	ausência	do	lado	direito	do	corpo	no	momento
em	que	tentei	entrar	em	contato	com	a	peça	a	que	as	pessoas	na	plateia	assistiam.
Esse	lado	direito	do	corpo	era	o	lado	que	tinha	uma	ligação	com	essa	paciente
específica,	sendo	consequentemente	afetado	por	sua	necessidade	de	negar
totalmente	até	mesmo	uma	relação	imaginária	entre	os	nossos	corpos.	A	negação
estava	provocando	em	mim	essa	ansiedade	de	tipo	psicótico,	muito	menos
tolerável	que	a	ansiedade	de	castração	comum.	Fossem	quais	fossem	as	outras
interpretações	cabíveis	a	esse	sonho,	a	consequência	de	eu	tê-lo	sonhado	e
recordado	foi	a	de	me	ser	possível	retomar	essa	análise	e	fazer	com	que	se
recuperasse	do	dano	causado	pela	minha	irritação,	cuja	origem	era	a	ansiedade
reativa	de	um	tipo	compatível	com	esse	contato	com	essa	minha	paciente	sem
corpo.
O	analista	deve	estar	preparado	para	suportar	a	tensão	sem	esperar	que	o
paciente	saiba	coisa	alguma	sobre	o	que	ele	está	fazendo,	talvez	por	um	longo
período.	Para	consegui-lo,	deve	ter	facilidade	em	dar-se	conta	de	seu	medo	e	de
seu	ódio.	O	analista	está	na	mesma	posição	da	mãe	de	um	bebê	recém-nascido
ou	ainda	não	nascido.	Mais	cedo	ou	mais	tarde	poderá	contar	ao	paciente	por	que
coisas	ele	passou	a	fim	de	ajudá-lo	(ao	paciente),	mas	nem	sempre	as	análises
conseguem	chegar	a	esse	ponto.	Em	certos	casos	o	paciente	teve	tão	poucas
experiências	positivas	em	seu	passado	que	não	há	muito	com	o	que	trabalhar.	O
que	acontece	quando	não	houve	experiências	satisfatórias	no	início	da	vida	que	o
analista	possa	utilizar	na	transferência?
Há	uma	enorme	diferença	entre	os	pacientes	que	tiveram	experiências	positivas
no	início,	pois	elas	podem	ser	descobertas	na	transferência,	e	aqueles	cujas
experiências	iniciais	foram	tão	deficientes	ou	distorcidas	que	o	analista	terá	de
ser	a	primeira	pessoa	na	vida	do	paciente	a	fornecer	certos	elementos	essenciais
do	ambiente.	No	tratamento	de	pacientes	deste	último	tipo,	muitas	coisas
normais	da	técnica	analítica	tornam-se	de	importância	vital	–	coisas	tomadas	por
certas	no	tratamento	de	pacientes	do	tipo	anterior.
Perguntei	a	um	colega	se	ele	fazia	análise	no	escuro,	e	ele	disse:	“Ora,	não!
Nosso	trabalho	certamente	consiste	em	proporcionar	um	ambiente	comum,	e	a
escuridão	seria	um	elemento	singular”.	Ele	ficou	surpreso	com	a	pergunta.	Sua
orientação	dirigia-se	à	análise	de	neuróticos.	No	entanto,	essa	provisão	e
manutenção	de	um	ambiente	comum	pode	ser	em	si	mesma	de	importância	vital
na	análise	de	psicóticos,	e	de	fato	pode	revelar-se,	por	vezes,	mais	importante	até
que	as	interpretações	verbais	que	também	devem	ser	fornecidas.	Para	o
neurótico,	o	divã,	o	calor	e	o	conforto	podem	simbolizar	o	amor	da	mãe;	para	o
psicótico	seria	mais	correto	dizer	que	essas	coisas	são	a	expressão	física	do	amor
do	analista.	O	divã	é	o	colo	ou	o	útero	do	analista,	e	o	calor	é	o	calor	vivo	do
corpo	do	analista.	E	assim	por	diante.
Espero	que	esteja	havendo	uma	progressão	no	modo	como	formulo	a	questão.	O
ódio	do	analista	fica	em	geral	latente,	e	pode	ser	mantido	nesse	estado	com
muita	facilidade.	Na	análise	de	psicóticos	o	analista	encontra-se	sob	uma	pressão
muito	maior	para	manter	seu	ódio	latente,	e	só	poderá	fazê-lo	se	estiver
plenamente	consciente	dele.	Gostaria	de	acrescentar	que	em	certos	estágios	de
certas	análises	o	ódio	do	analista	é	na	verdade	buscado	pelo	paciente,	e	nesses
momentos	é	necessário	expressar	um	ódio	que	seja	objetivo.	Quando	o	paciente
está	à	procura	de	um	ódio	objetivo,	justificado,	ele	deve	ter	a	possibilidade	de
encontrá-lo,	caso	contrário	não	se	sentirá	capaz	de	alcançar	o	amor	objetivo.
Aqui	seria	talvez	relevante	mencionar	os	casos	de	crianças	que	vêm	de	lares
desfeitos	ou	que	não	têm	pais.	Uma	criança	nessas	condições	vive
inconscientemente	em	busca	dos	pais.	A	ideia	de	levar	uma	criança	dessas	para
casa	e	amá-la	é	notoriamente	inadequada.	Ocorre	que	após	algum	tempo	a
criança	assim	adotada	readquire	a	esperança	e	passa	a	testar	o	ambiente	por	ela
encontrado	a	fim	de	reunir	provas	de	que	aqueles	responsáveis	por	ela	são
capazes	de	odiar	objetivamente.	Ao	que	parece,	a	criança	poderá	acreditar	que	é
amada	somente	depois	que	conseguir	sentir-se	odiada.Durante	a	Segunda	Guerra	Mundial,	um	menino	de	nove	anos	foi	evacuado	da
cidade	onde	morava	e	internado	num	abrigo	para	crianças,	tendo	sido	mandado
para	fora	de	Londres	não	em	razão	das	bombas,	mas	por	vadiagem.	Eu	esperava
poder	tratá-lo	minimamente	durante	sua	estada	no	abrigo,	mas	seus	sintomas
venceram	e	ele	fugiu,	como	sempre	havia	feito	em	todos	os	lugares,	desde	que
fugira	de	casa	pela	primeira	vez,	aos	seis	anos.	No	entanto,	eu	havia	estabelecido
um	contato	com	ele	numa	entrevista	em	que	pude	perceber	e	interpretar	através
de	um	desenho	seu	que,	ao	fugir,	ele	estava	inconscientemente	salvando	o
interior	de	seu	lar	e	protegendo	sua	mãe	de	ser	agredida,	ao	mesmo	tempo	que
procurava	fugir	de	seu	mundo	interno	cheio	de	perseguidores.
Não	fiquei	muito	surpreso	quando	ele	foi	parar	na	delegacia	de	polícia	mais
próxima	à	minha	casa.	Essa	era	uma	das	poucas	delegacias	em	que	ele	ainda	não
era	um	velho	conhecido.	Minha	esposa	trouxe-o	para	casa	generosamente	e	o
manteve	conosco	por	três	meses	–	três	meses	de	inferno.	Ele	era	a	mais
encantadora	e	a	mais	enlouquecedora	das	crianças,	e	muitas	vezes	parecia
completamente	louco.	Mas	felizmente	sabíamos	o	que	esperar.	Lidamos	com	a
primeira	fase	dando-lhe	total	liberdade	e	um	shilling	sempre	que	ele	saía.	Era	só
ele	telefonar	que	saíamos	para	apanhá-lo	na	delegacia	aonde	tinha	sido	levado.
Logo	ocorreu	a	esperada	transformação:	o	sintoma	da	vadiagem	deu	meia-volta
e	o	menino	começou	a	dramatizar	o	ataque	internamente.	Isso	constituiu	um
trabalho	em	tempo	integral	para	nós	dois	e	quando	eu	estava	fora	aconteciam	os
piores	episódios.
Era	preciso	interpretá-lo	a	qualquer	minuto	do	dia	ou	da	noite,	e	muitas	vezes	a
única	maneira	de	resolver	a	crise	era	encontrar	a	interpretação	correta,	como	se	o
menino	estivesse	em	análise.	A	interpretação	correta	era	o	que	ele	valorizava
acima	de	tudo.
O	ponto	importante	para	os	objetivos	do	presente	trabalho	é	o	modo	como	o
desenvolvimento	da	personalidade	do	menino	provocava	ódio	em	mim,	e	o	que
eu	fiz	a	esse	respeito.
Bati	nele?	A	resposta	é	não,	nunca.	Mas	eu	teria	tido	que	bater	nele	se	não
soubesse	tudo	a	respeito	de	meu	ódio,	e	se	não	comunicasse	esse	ódio	a	ele
também.	Nas	crises	eu	o	pegava	por	meio	da	força	física,	sem	raiva	ou
acusações,	e	o	colocava	para	fora	pela	porta	da	frente,	fosse	qual	fosse	o	tempo
que	estivesse	fazendo,	de	dia	ou	à	noite.	Havia	uma	campainha	especial	que	ele
podia	tocar,	e	ele	sabia	que	se	a	tocasse	nós	o	traríamos	para	dentro	e	nenhuma
palavra	seria	dita	sobre	o	que	havia	se	passado.	Ele	tocava	a	campainha	assim
que	o	ataque	maníaco	amainava.
O	importante	é	que	sempre	que	eu	o	punha	para	fora	eu	lhe	dizia	algo.	Eu	lhe
dizia	que	o	que	ele	havia	feito	me	levara	a	que	eu	o	odiasse.	Isso	era	fácil	porque
era	a	pura	verdade.
A	meu	ver,	essas	palavras	eram	importantes	do	ponto	de	vista	do	seu	progresso,
mas	elas	eram	importantes	principalmente	porque	me	permitiam	tolerar	a
situação	sem	me	descontrolar,	sem	perder	a	cabeça	e	sem	assassiná-lo	de	vez	em
quando.
A	história	completa	desse	menino	não	pode	ser	contada	aqui.	Ele	foi	internado
num	reformatório.	Seu	relacionamento	profundamente	enraizado	conosco	ficou
sendo	uma	das	poucas	coisas	estáveis	em	sua	vida.	Esse	episódio	da	vida
cotidiana	pode	servir	para	ilustrar	o	tema	geral	do	ódio	justificado	no	presente.	É
preciso	distinguir	esse	fenômeno	do	ódio	que	só	se	justifica	num	outro	contexto,
mas	que	é	deflagrado	por	algum	ato	de	um	paciente.
Dada	a	grande	complexidade	do	problema	do	ódio	e	suas	raízes,	gostaria	de
resgatar	um	aspecto	que	acredito	ser	especialmente	importante	para	os	analistas
de	pacientes	psicóticos.	Sugiro	que	a	mãe	odeia	o	bebê	antes	que	este	a	odeie,	e
antes	que	ele	possa	saber	que	sua	mãe	o	odeia.
Antes	de	prosseguir,	gostaria	de	mencionar	uma	ideia	de	Freud.	Em	As	pulsões	e
seus	destinos,	no	qual	apresenta	tantas	coisas	originais	e	esclarecedores	sobre	o
ódio,	ele	diz:
Poderíamos,	se	necessário,	falar	que	uma	pulsão	“ama”	o	objeto	pelo	qual	ela
anseia	visando	sua	satisfação,	mas	dizer	que	uma	pulsão	“odeia”	um	objeto	nos
parece	estranho,	e	nos	damos	conta	de	que	as	designações	de	amor	e	de	ódio	não
se	aplicam	às	relações	das	pulsões	com	seus	objetos,	mas	estão	reservadas	à
relação	do	Eu-total	com	os	objetos.	⁴
Acredito	que	essa	seja	uma	afirmação	verdadeira	e	importante.	Significa	então
que	a	personalidade	deveria	estar	integrada	antes	que	possamos	dizer	que	o	bebê
odeia?	Por	mais	cedo	que	possa	ocorrer	a	integração	–	e	talvez	o	mais	cedo	seja
durante	um	pico	de	excitação	ou	raiva	–,	há	um	estágio	teórico	anterior	no	qual
tudo	o	que	o	bebê	fizer	que	machuque	não	é	feito	com	base	no	ódio.	Utilizei	a
expressão	“amor	impiedoso”	para	descrever	esse	estágio.	Seria	isso	aceitável?	À
medida	que	o	bebê	se	torna	capaz	de	se	sentir	uma	pessoa	inteira,	o	termo	“ódio”
passa	a	ter	sentido	para	descrever	um	certo	conjunto	de	seus	sentimentos.
A	mãe,	no	entanto,	odeia	seu	bebê	desde	o	início.	Acredito	que	Freud	achava
possível	que	a	mãe,	em	determinadas	circunstâncias,	sentisse	apenas	amor	por
seu	bebê	do	sexo	masculino	–	mas	isso	é	questionável.	Conhecemos	o	amor	da
mãe	e	o	admiramos	por	ser	tão	real	e	poderoso.	Permitam-me	apresentar	certos
motivos	pelos	quais	a	mãe	odeia	seu	bebê,	mesmo	que	seja	um	menino:
–O	bebê	não	é	uma	concepção	(mental)	da	mãe.
–O	bebê	não	é	aquele	das	brincadeiras	da	infância,	um	filho	do	papai,	ou	do
irmão	etc.
–O	bebê	não	é	produzido	magicamente.
–O	bebê	é	um	perigo	para	o	corpo	da	mãe	durante	a	gestação	e	o	parto.
–O	bebê	perturba	a	vida	privada	da	mãe,	constitui	um	desafio	à	sua	preocupação.
–Mais	ou	menos	intensamente,	a	mãe	sente	que	o	bebê	é	algo	que	sua	própria
mãe	deseja,	e	ela	o	produz	para	aplacá-la.
–O	bebê	machuca	os	mamilos	dela	mesmo	quando	suga,	o	que	inicialmente
implica	mastigação.
–Ele	é	impiedoso,	trata-a	como	lixo,	uma	serva	sem	pagamento,	uma	escrava.
–Ela	tem	que	amá-lo,	com	suas	excreções	e	tudo	o	mais,	pelo	menos	no	início,
até	que	ele	venha	a	ter	dúvidas	sobre	si	próprio.
–Ele	tenta	machucá-la,	volta	e	meia	a	morde,	e	tudo	por	amor.
–Ele	se	decepciona	com	ela.
–Seu	amor	excitado	é	um	“amor	de	guarda-louça”	[	cupboard	love	],	de	modo
que	ao	conseguir	o	que	queria	ele	a	joga	fora	como	uma	casca	de	laranja.
–No	início	o	bebê	dita	a	lei;	é	preciso	protegê-lo	de	coincidências,	a	vida	deve
fluir	no	ritmo	dele,	e	tudo	isso	exige	da	mãe	um	contínuo	e	detalhado	estudo.	Por
exemplo,	ela	não	deve	ficar	ansiosa	quando	o	segura	etc.
–No	início	ele	não	faz	ideia	alguma	do	quanto	ela	faz	por	ele,	do	quanto	ela
sacrifica	por	ele.	Acima	de	tudo,	ele	não	pode	permitir	o	ódio	dela.
–Ele	é	desconfiado,	recusa	a	comida	tão	boa	que	ela	preparou	e	faz	com	que	ela
duvide	de	si	mesma,	mas	com	a	tia	ele	come	tudo.
–Depois	de	uma	manhã	horrível	com	ele,	a	mãe	dá	uma	saída	e	ele	sorri	para	um
estranho,	que	diz:	“Não	é	uma	gracinha?”.
–Se	ela	falha	com	ele	no	início,	sabe	que	ele	a	fará	pagar	por	isso	para	sempre.
–Ele	a	excita	mas	a	frustra	–	ela	não	pode	devorá-lo	nem	fazer	sexo	com	ele.
Creio	que	na	análise	de	psicóticos	e	nas	últimas	fases	da	análise	de	pacientes
normais	o	analista	irá	encontrar-se	numa	posição	comparável	à	da	mãe	de	um
bebê	recém-nascido.	Numa	regressão	profunda	o	paciente	não	tem	como
identificar-se	com	o	analista	nem	apreciar	seu	ponto	de	vista,	da	mesma	forma
que	um	feto	ou	um	bebê	recém-nascido	é	incapaz	de	sentir	compaixão	pela	mãe.
A	mãe	deve	ser	capaz	de	tolerar	o	sentimento	de	ódio	pelo	bebê	sem	fazer	nada	a
respeito.	Não	pode	expressá-lo	para	ele.	Se,	por	temer	o	que	ela	pode	fazer	ao
filho,	ela	não	conseguir	odiá-lo	adequadamente	quando	ele	a	machucar,	a	mãe
poderá	recair	no	masoquismo,	e	a	meu	ver	é	isso	que	leva	à	falsa	teoria	de	um
masoquismo	natural	nas	mulheres.	O	ponto	mais	interessante	a	respeito	da	mãe	é
sua	capacidade	de	ser	tão	agredida	por	seu	bebê	e	de	sentir	tanto	ódio	por	ele
sem,	no	entanto,	fazê-lo	pagar	por	isso,	e	sua	aptidão	para	esperar	por
recompensas	futuras,	que	podem	um	dia	vir	ou	nunca	chegar.	Quem	sabe	a	mãenão	recebe	alguma	ajuda	das	canções	de	ninar	que	ela	canta,	que	são	um	deleite
para	o	bebê,	mas	que	ele	felizmente	não	pode	compreender?
Nana	neném,	no	galho	lá	em	cima,
Se	o	vento	sopra	o	berço	se	inclina,
Se	o	galho	se	parte	o	berço	despenca,
O	bebê	cai	no	chão	e	o	berço	arrebenta.⁵
Penso	na	mãe	(ou	no	pai)	brincando	com	o	bebê.	O	bebê	está	adorando	a
brincadeira,	sem	saber	que	o	pai	ou	a	mãe	está	expressando	ódio	com	suas
palavras,	por	vezes	em	termos	de	símbolos	ligados	ao	nascimento.	Não	se	trata
de	uma	canção	sentimental.	O	sentimentalismo	não	tem	utilidade	para	os	pais,
pois	consiste	numa	negação	do	ódio,	e	do	ponto	de	vista	do	bebê	o
sentimentalismo	na	mãe	é	muito	prejudicial.
Não	creio	que	uma	criança	humana	ao	desenvolver-se	seja	capaz	de	tolerar	toda
a	extensão	de	seu	próprio	ódio	num	ambiente	sentimental.	Ela	precisa	de	ódio
para	poder	odiar.
Se	isso	for	verdade,	não	podemos	esperar	que	um	paciente	psicótico	em	análise
consiga	tolerar	seu	ódio	pelo	analista	a	não	ser	que	o	analista	consiga	odiá-lo.
Se	tudo	isso	for	aceito,	permanece	em	aberto	a	questão	de	como	interpretar	o
ódio	do	analista	pelo	paciente.	Trata-se	obviamente	de	um	problema	que	traz
grandes	riscos,	exigindo	o	timing	mais	cuidadoso	possível.	Creio,	porém,	que
uma	análise	permanecerá	incompleta	se	o	analista,	mesmo	próximo	ao	fim	da
análise,	não	conseguir	contar	ao	paciente	o	que	ele,	analista,	fez	sem	que	o
paciente	soubesse	na	época	em	que	este	estava	doente,	nas	fases	iniciais	da
análise.	Enquanto	essa	interpretação	não	for	feita,	o	paciente	permanecerá	de
algum	modo	na	condição	de	um	bebê	–	incapaz	de	entender	o	que	deve	à	sua
mãe.
O	analista	deve	dispor	de	toda	a	paciência,	tolerância	e	confiabilidade	de	uma
mãe	dedicada	a	seu	bebê.	Deve	reconhecer	os	desejos	do	paciente	como
necessidades.	Deve	deixar	de	lado	quaisquer	outros	interesses	a	fim	de	estar
disponível	e	ser	pontual	e	objetivo.	E	deve	parecer	querer	dar	o	que	na	verdade
precisa	ser	dado	apenas	em	razão	das	necessidades	do	paciente.
Pode	ocorrer	um	longo	período	inicial	no	qual	o	ponto	de	vista	do	analista	não
poderá	ser	apreciado	(mesmo	inconscientemente)	pelo	paciente.	Não	é	possível
esperar	por	reconhecimento	porque,	na	raiz	primitiva	do	paciente	que	está	sendo
buscada,	não	existe	a	capacidade	para	a	identificação	com	o	analista.	E
obviamente	o	paciente	está	cego	para	o	fato	de	que	o	ódio	do	analista	é	muitas
vezes	deflagrado	precisamente	por	aquilo	que	o	paciente	faz	a	partir	de	seu
modo	bruto	de	amar.
Na	análise	(de	pesquisa)	ou	no	manejo	rotineiro	de	pacientes	de	tipo	psicótico,
uma	forte	pressão	é	imposta	ao	analista	(psiquiatra,	enfermeira	psiquiátrica),
tornando	importante	o	estudo	dos	modos	pelos	quais	as	ansiedades	de	natureza
psicótica	e	também	o	ódio	são	provocados	nos	que	trabalham	com	pacientes
psiquiátricos	gravemente	doentes.	Somente	dessa	maneira	poderemos	evitar	as
terapias	que	se	adaptam	mais	às	necessidades	do	terapeuta	do	que	às
necessidades	do	paciente.

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