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Gestão Fiscal Municipal
Lei Complementar 
nº 173/20206
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2Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Enap, 2021
Enap Escola Nacional de Administração Pública
Diretoria de Desenvolvimento Profissional
SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF
Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Equipe Responsável
Flávio Martins Alves (Conteudista, 2021).
Diretoria de Desenvolvimento Profissional.
Curso produzido em Brasília 2021.
3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
1. Contextualização .......................................................................... 5
1.1 O que é e por que ocorreu? ............................................................ 6
1.2 Quais artigos da LC nº 173/2020 mais impactam na gestão fiscal dos 
municípios? ........................................................................................... 7
1.2.1 O artigo 5º e o socorro financeiro emergencial ..................... 7
1.2.2 O artigo 4º e a possibilidade de postergar pagamentos ........ 8
1.2.3 Limitações para os municípios no exercício de 2021 ............. 8
1.2.4 Os artigos 7º e 8º e as limitações quanto às despesas com 
pessoal ........................................................................................... 8
Referências ..................................................................................... 10
Sumário
4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública
O módulo está estruturado da seguinte maneira:
Unidade 1: Contextualização
1.1 O que é e por que ocorreu? 
1.2 Quais artigos da LC nº 173/2020 mais impactam na gestão fiscal dos municípios? 
 1.2.1 O artigo 5º e o socorro financeiro emergencial
 1.2.2 O artigo 4º e a possibilidade de postergar pagamentos
 1.2.3 Limitações para os municípios no exercício de 2021
 1.2.4 Os artigos 7º e 8º e as limitações quanto às despesas com pessoal
1. Contextualização
Objetivo de aprendizagem
Identificar a Lei Complementar nº 173/2020 e seus impactos nos municípios em 2021.
A Lei nº 173/2020 representou um grande marco para o Brasil. Ela foi aprovada em prazo recorde 
e mobilizou todos os entes da Federação. Naquele período, estados, municípios e Distrito Federal 
contabilizavam perdas no primeiro semestre sem precedentes.
Cabe destacar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) começava a dar sinais de preocupação 
com uma intrigante pneumonia notificada na cidade de Wuhan, na parte centro-leste da China 
ainda em 2019, e, mais precisamente no último dia daquele ano, a OMS emitiu seu primeiro 
alerta.
Um novo tipo de coronavírus, nunca antes identificado em humanos, foi classificado como 
Covid-19 e, apenas um mês depois, diversos países já eram impactados com a agressividade do 
vírus recém-descoberto.
Como aponta a Fundação Oswaldo Cruz em precioso artigo editado pelas autoras Rita de Cassia 
Marques, Anny Jackeline Torres Silveira e Denise Nacif Pimenta:
"A vida em praticamente todo o planeta foi alterada: o ritmo urbano 
se transformou, ruas e lugares de encontro público se esvaziaram, 
aulas e diversas atividades foram suspensas, o comércio fechou 
as portas, pessoas se viram sem trabalho do dia para a noite. No 
mercado financeiro, as bolsas derreteram com o horizonte de crise 
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o Lei Complementar 
nº 173/20206
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econômica projetado e embates entre autoridades do governo e 
da saúde pública foram expostos aos holofotes. No campo político, 
as divergências foram reforçadas, esgarçando ainda mais os laços 
de convivência pública e colocando em evidência o já roto tecido 
social brasileiro",
(MARQUES; SILVEIRA; PIMENTA)
Como se extrai do trecho acima, um cenário muito desafiador foi colocado diante de prefeitos 
e prefeitas que, naquele momento, estavam em fase de encerramento de mandato, sendo 
que somente com a declaração do estado de calamidade nacional foi possível efetuar as duras 
medidas que eram necessárias. Assim nasceu a Lei nº 173/2020.
1.1 O que é e por que ocorreu?
A Lei nº 173/2020 estabeleceu o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. Ela 
entrou em vigor em 27 de maio de 2020, foi editada com 11 artigos e efetuou importantes 
alterações na gestão pública da Federação.
Ainda que a aludida Lei seja de 2020, ela interessa ao(a) prefeito(a) eleito(a) para o mandato 
2021-2024, pois muitos dos seus efeitos estão presentes em 2021.
Cabe salientar que, diante do quadro de incertezas que havia em 2020 sobre a Lei nº 173/2020, 
diversos materiais foram editados a fim de auxiliar o(a) gestor(a). A Confederação Nacional de 
Municípios (CNM) elaborou um importante trabalho de análise disponibilizado por meio da Nota 
Técnica nº 36/2020.
A Nota Técnica nº 36/2020, publicada em 28/05/2020, auxiliou na tomada 
de decisões dos(as) gestores(as) à época e certamente será útil para os(as) 
novos(as) mandatários(as). Ela detalhou os principais pontos da Lei nº 
173/2020:
1. A entrega de recursos da União para os Estados, DF e Municípios com o 
objetivo de financiar ações de enfrentamento à Covid-19; 
2. A suspensão dos pagamentos das dívidas previdenciárias com o RGPS e do 
recolhimento das contribuições previdenciárias patronais devidas; 
3. A extensão do Decreto de Calamidade para Estados e Municípios (a redação 
aprovada na Câmara não estendia); 
4. A dispensa dos limites e das condições do Cauc para acesso a transferências 
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voluntárias e operações de crédito; 
5. A suspensão do pagamento de dívidas consolidadas dos municípios com a 
União no período entre 1º de março e 31 de dezembro de 2020; 
6. A suspensão, por meio de aditamento contratual, dos pagamentos devidos 
em 2020, de operações de crédito interno e externo; 
7. A securitização de contratos de dívidas de Estados, Distrito Federal e 
Municípios que tenham sido garantidas pela União; 
8. A preferência pela contratação de produtos e serviços com microempresas 
e empresas de pequeno porte;
9. A ampliação da nulidade dos atos de pessoal que acarretem aumento de 
despesa nos últimos 180 dias anteriores ao final do mandato; 
10. O afastamento das vedações e das condições para concessão de benefícios, 
incentivo ou aumento de despesa com o combate à calamidade pública; 
11. O uso de receitas vinculadas de anos anteriores para despesas diversas do 
inicialmente definido para ações de combate à calamidade pública.
Cabe destacar que a base para as principais medidas implementadas pela legislação encontrou 
amparo principalmente do artigo 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal, no qual constam as 
excepcionalidades previstas pela LRF em caso de ocorrência de calamidade pública, desde que 
reconhecida pelo Congresso Nacional ou pelas Assembleias Legislativas. 
1.2 Quais artigos da LC nº 173/2020 mais impactam na gestão fiscal dos municípios?
1.2.1 O artigo 5º e o socorro financeiro emergencial
Diante do contexto da crise financeira, o artigo 5º da Lei nº 173/2020, para muitos, trouxe a 
principal medida de socorro em curto prazo, ou seja, o auxílio financeiro da ordem de R$ 119,8 
bilhões concedido aos estados, municípios e Distrito Federal. De acordo com o Artigo 5º: 
A União entregará, na forma de auxílio financeiro, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, 
em 4 (quatro) parcelas mensais e iguais, no exercício de 2020, o valor de R$ 60.000.000.000,00 
(sessenta bilhões) para aplicação, pelos Poderes Executivos locais, em ações de enfrentamento à 
Covid-19 e para mitigação de seus efeitos financeiros, da seguinte forma:
I - R$ 10.000.000.000,00 (dez bilhões) para ações de saúde e assistência social, sendo: b) R$ 
3.000.000.000,00 (três bilhões) aos Municípios;
II - R$ 50.000.000.000,00 (cinquenta bilhões), sendo: b) R$ 20.000.000.000,00 (vinte bilhões) aos 
Municípios.
Como se extrai da Lei, foi repassado no decorrer de 2020, em quatro parcelas mensais, o montante 
de R$ 60 bilhões,dos quais, R$ 10 bilhões estão vinculados exclusivamente a ações de saúde e 
assistência social, sendo que, destes, R$ 3 bilhões foram enviados aos municípios. 
Ainda que, segundo dados do Senado, R$ 50 bilhões tenham sido disponibilizados para uso livre, 
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R$ 20 bilhões foram vinculados à municipalidade, a qual arcou com as principais consequências 
decorrentes da grave crise.
1.2.2 O artigo 4º e a possibilidade de postergar pagamentos
Além da dificuldade de arrecadar os tributos, uma vez que a economia colapsou de súbito, 
muitos(as) prefeitos(as) se depararam também com a impossibilidade do pagamento das mais 
diversas dívidas e financiamentos. 
Os legisladores então incluíram o importante artigo 4º na Lei nº 173/2020. Nesse ponto, ficou 
clara a concepção de observar a transitoriedade dos efeitos perversos da crise, uma vez que, 
com a retomada da economia, as prefeituras poderiam, por esta razão, restabelecer a condição 
de realizar pagamentos. Conforme o Artigo 4º:
“Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão realizar aditamento contratual 
que suspenda os pagamentos devidos no exercício financeiro de 2020, incluindo principal 
e quaisquer outros encargos, de operações de crédito interno e externo celebradas com o 
sistema financeiro e instituições multilaterais de crédito.”
Outro avanço da Lei, diante do quadro de excepcionalidade, foi permitir no § 3º que as operações 
tratadas no artigo 4º continuassem garantidas pela União, não sendo necessária alteração dos 
contratos de garantia e de contragarantia então vigentes.
1.2.3 Limitações para os municípios no exercício de 2021
A Lei nº 173/2020, além de conter ações que tentavam equalizar os danos arrecadatórios 
sofridos pelos municípios e decorrentes da pandemia, buscou também gerar obrigações aos(as) 
gestores(as) quanto ao controle nos gastos futuros.
Assim, as principais limitações decorrentes da Lei foram relacionadas aos atos de pessoal, ou 
seja, aos pagamentos de remunerações e vantagens concedidas aos servidores públicos bem 
como às contratações (exceto as vinculadas ao controle da pandemia ou de substituições).
Tais medidas tinham a intenção de impedir que as transferências realizadas bem como as 
postergações no pagamento de dívidas fossem alocadas em gastos com o funcionalismo em um 
cenário de eleições locais.
1.2.4 Os artigos 7º e 8º e as limitações quanto às despesas com pessoal
Os artigos 7º e 8º da Lei têm uma conexão importante quando se trata da interpretação sobre 
os atos de pessoal.
O artigo 8º da Lei Complementar nº 173 é categórico quando veda a concessão de quaisquer 
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espécies de remuneração até o mês de dezembro de 2021, com exceção dos profissionais da 
Saúde e da Assistência Social e, ainda, limitado ao período da pandemia.
Art. 8º - Na hipótese de que trata o art. 65 da LC nº 101/2000, a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios afetados pela calamidade pública 
decorrente da pandemia da Covid-19 ficam proibidos, até 31 de dezembro de 
2021, de:
I - conceder, a qualquer título, vantagem, aumento, reajuste ou adequação 
de remuneração a membros de Poder ou de órgão, servidores e empregados 
públicos e militares, exceto quando derivado de sentença judicial transitada 
em julgado ou de determinação legal anterior à calamidade pública. 
Como se extrai da Lei, o(a) prefeito(a) deve ficar atento(a) às discussões que ocorreram em 2021 
com relação a concessões de reajustes ao funcionalismo público, pois o tema tem sido debatido 
com muita intensidade nos tribunais e ainda pairam discussões tanto sobre a viabilidade de 
se efetuar reposição da inflação no exercício de 2021 como sobre se devem ser retiradas as 
reposições concedidas ao final de 2020. 
Tal discussão foi retomada após o julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade nº 6.447, 
nº 6.450 e nº 6.525, nas quais a posição do STF foi pelo reconhecimento da constitucionalidade 
dos artigos 7º e 8º da Lei nº 173/2020. 
Vários Tribunais de Contas, após tal julgamento, emitiram orientações expressas sobre o tema, 
como é o caso do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, onde os Conselheiros indicaram 
a impossibilidade de concessão de Revisão Geral Anual em 2021 bem como por interromper o 
pagamento dos reajustes que foram concedidos anteriormente ao julgamento do STF.
Cabe destacar que, segundo o TCE/SC, os valores resultantes de eventual concessão de Revisão 
Geral Anual (RGA), recebidos de boa-fé por servidores públicos, não precisarão ser devolvidos 
dada a natureza alimentar da verba, com amparo na jurisprudência consolidada do Superior 
Tribunal de Justiça, corroborada pela Súmula 249 do Tribunal de Contas da União e pelo 
Prejulgado 63 do TCE/SC. 
Acesse o link a seguir e saiba mais sobre a revisão geral anual (RGA) concedida a 
servidores públicos do Estado e de municípios catarinenses durante a vigência 
da Lei Complementar (LC) 173/2020
https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-
servidores-publicos-durante-vigencia-da-lc-1732020
https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-servidores-publicos-durante-vigencia-da-lc-1732020
https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-servidores-publicos-durante-vigencia-da-lc-1732020
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Referências
BRASIL. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm. Acesso em: 8 jul. 2021.
BRASIL. Lei complementar nº 173, de 27 de maio de 2020. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp173.htm. Acesso em: 8 jul. 2021.
BRASIL. Senado Federal. Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. Disponível 
em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/relatorios-legislativos/covid-19. Acesso em: 8 
jul. 2021.
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS. Nota técnica 36/2020. Brasília, 28 maio 2020. 
Disponível em: https://www.cnm.org.br/cms/biblioteca/NT_36_2020_Orientacoes-aos-
Municipios-sobre-o-Programa-Federativo-de-Enfrentamento-ao-Coronavirus_.pdf. Acesso em: 8 
jul. 2021.
TRIBUNAL DE CONTAS DE SANTA CATARINA. TCE/SC delibera que a revisão geral anual concedida 
a servidores públicos durante a vigência da LC 173/2020 seja tornada sem efeito. 21 jun. 2021. 
Disponível em: https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-
servidores-publicos-durante-vigencia-da-lc-1732020. Acesso em: 8 jul. 2021.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp173.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp173.htm
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/relatorios-legislativos/covid-19
https://www.cnm.org.br/cms/biblioteca/NT_36_2020_Orientacoes-aos-Municipios-sobre-o-Programa-Federativo-de-Enfrentamento-ao-Coronavirus_.pdf
https://www.cnm.org.br/cms/biblioteca/NT_36_2020_Orientacoes-aos-Municipios-sobre-o-Programa-Federativo-de-Enfrentamento-ao-Coronavirus_.pdf
https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-servidores-publicos-durante
https://www.tcesc.tc.br/tcesc-delibera-que-revisao-geral-anual-concedida-servidores-publicos-durante

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