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O inconsciente Kleiniano: A vida emocional e mundo interno, atravessada pela fantasia, cisão, projeção, introjeção, identificação projetiva. Sobre os mecanismos esquizoides, Melanie Klein trata sobre a importância dos mecanismos e ansiedades arcaicas de natureza paranoide (perseguição) e esquizoide (divisão), que são posições precedentes a posição depressiva. A autora compreende que surgem na infância ansiedades características das psicoses, que forçam ao ego a desenvolver mecanismos de defesa específicos. É nesse período que se encontra pontos de fixação de todos os distúrbios psicóticos. Klein expressa com frequência que o ego, as relações de objetos, os impulsos libidinais e destrutivos surgem desde o nascimento. Sobre o ego arcaico, Klein considera útil dar ênfase a noção dada por Winnicott à não integração do ego arcaico (situação patológica de não integração descrito por Winnicott de uma paciente que não podia distinguir entre sua irmã e ela mesma). Nesse sentido, o bebê não reconhece a existência de mais ninguém a não ser a de si mesmo, e ele espera que todos seus desejos sejam satisfeitos. Ao descobrir que não pode suprir suas necessidades, põe a chorar e a gritar, torna-se agressivo. Nessa tríade ego, objeto e instintos, surgem as fantasias. Para autora, as fantasias são representantes das pulsões (vida x morte) libidinais e destrutivas com as quais a criança nasce, essas fantasias correspondem e dão certa figuralidade mínima aos objetos da pulsão, a criança nasce com a capacidade de criar fantasia que darão expressão a seus impulsos e suas reações instintivas. A pulsão de morte seria, então, uma ameaça de aniquilação em abstrato, logo passa a manifestar-se em conexão com os objetos primários, vindo então a se tornar uma angústia persecutória, a aniquilação deixa de ser um perigo de uma ameaça abstrata e se transforma em um medo de ser aniquilado pelo objeto, perseguidor concreto que provoca terror A introjeção ao lado da projeção, é um dos mecanismos de defesa mais fundamentais, ambos são responsáveis pela constituição do aparelho psíquico e dos objetos internos; São reguladores do prazer e desprazer do aparelho psíquico. O fracasso de um ego frágil pode levar a um reforço regressivo dos medos persecutórios, e pode fortalecer a fixação para psicoses graves (esquizofrenias). Klein postula sobre a importância da introjeção do objeto bom, da necessidade de estabelecer objetos bons internos para segurança da criança em seu mundo interior e superação da fase depressiva. Negação da realidade interna (consiste em negar aspectos da realidade psíquica que provocam um aumento excessivo das excitações, tanto de ódio como de amor intensos) e externa, e abafamento das emoções. Sobre a cisão, em conexão com a projeção e a introjeção , a projeção se origina da deflexão da pulsão de morte para fora, e ajuda o ego a superar a ansiedade livrando-o perigo e de coisas más. No que diz respeito a cisão do objeto, por exemplo, os sentimentos amorosos se voltam para o seio gratificador, ao passo que nos estados de frustração o ódio e a ansiedade persecutória se ligam ao seio frustrador. A cisão de objetos é responsável pela criação de objetos bons e maus, a cisão dos impulsos é o que separa o amor e ódio. A idealização, fragmentação, dissociações são defesas esquizoides com significante de cisão (divisão), uma espécie de confusão do mundo interno e externo. Com seu desenvolvimento, interação (interno x externo) essa cisão dos bom e mau formados na mente do bebê resultam em uma introjeção de um objeto real. Neste processo a idealização (superestimação do objeto) é operante e faz com que o objeto se torne um perseguidor aterrorizante ou um objeto ideal, por exemplo, o seio bom inexaurível, disponível, sempre gratificador ou o seio mau que envenena. A idealização também é uma defesa contra a ansiedade persecutória, a introjeção do seio bom é fundamental para a integração do bebê, ele precisa conservar a crença da existência e presença do seio bom, pois somente assim poderá sentir-se seguro com estabilidade e segurança necessárias para suportar frustrações e privações. “A idealização está ligada à cisão do objeto, pois os aspectos bons do seio são exagerados como uma salvaguarda contra o medo do seio perseguidor”. Outra defesa primitiva é a identificação projetiva, o sujeito projeta aspectos intoleráveis em si, que são atribuídos a outros indivíduos, ocorre então um processo de “excisão” (partes), trata-se de uma visão seguida de projeção do aspecto cindido, dissociado, separado, expulso de si mesmo. Já a identificação introjetiva, identificação com outra pessoa através da internalização de suas características, ou parte delas. O conceito de fantasia Mundo interno: é o resultado da ação da fantasia inconsciente, na qual se introjetam objetos, construindo-se dentro do ego um mundo interno complexo; neste, os objetos internos são sentidos como estando em relação dinâmica uns com os outros e com o ego. Fantasia, na teoria kleiniana, as fantasias inconscientes estão por trás de todo processo mental e acompanham toda atividade mental. Elas são a representação mental daqueles eventos somáticos no corpo que compreendem os instintos, e são sensações físicas interpretadas como relações com objetos que causam essas sensações. A fantasia é a expressão mental dos impulsos libidinais e agressivos e dos mecanismos de defesa contra esses impulsos. Grande parte da atividade terapêutica da psicanálise pode ser descrita como uma tentativa de converter a fantasia inconsciente em pensamento consciente. As fantasias interagem reciprocamente com a experiência para formar as características intelectuais e emocionais em desenvolvimento do indivíduo; as fantasias são consideradas uma capacidade básica subjacente e que molda o pensamento, o sonho, os sintomas e os padrões de defesa. Posição esquizo-paranóide, Posição depressiva e luto. Culpa: a compreensão penosa de haver danificado o objeto ou objetos amados, origina-se na posição depressiva, quando se experimenta ambivalência em relação aos pais, percebidos como objetos totais, Os pais ambivalentemente amados, introjetados na posição depressiva, formam o núcleo do superego Defesas maníacas: desenvolvem-se na posição depressiva como defesa contra a experiência da ansiedade depressiva, da culpa e da perda. Baseiam-se na negação onipotente da realidade psíquica, e as relações de objeto caracterizam-se por triunfo, controle e desprezo. Depressão: é um estado da mente em que, parcial ou totalmente, se experimentam sentimentos penosos da posição depressiva. Pode ser reação normal a experiência de perda ou reação patológica de caráter neurótico ou psicótico. Posição depressiva: tem início quando a criança reconhece sua mãe como objeto total. Trata-se de uma constelação de relações de objeto e ansiedades, caracterizada pela experiência da criança de atacar a mãe ambivalentemente amada e de perdê-la como objeto externo e interno. Essa experiência dá origem a sofrimento, culpa e sentimento de perda. Posição esquizo-paranoide: trata-se da primeira fase de desenvolvimento, caracteriza-se pela relação com objetos, pela prevalência da divisão (splitting) no ego e no objeto, e pela ansiedade paranoide. Realidade psíquica: a experiência da realidade psíquica é a experiência do próprio mundo interno, incluindo a dos impulsos e a dos objetos internos. Reparação: atividade do ego que tem como finalidade restaurar o objeto amado ferido, surge na posição depressiva como reação às ansiedades depressivas e à culpa. A reparação pode ser usada como parte do sistema de defesas maníacas; nesse caso, adquire as características maníacas de negação, controle e desprezo. A posição esquizo-paranóide se refere a um estado psíquico, sua base etimológica esquizo provém do grego com significante de cisão, dissociação, divisão. Ela se caracteriza por defesas esquizoides, ou seja, fragmentações, dissociações, idealizações, interligados a paranoide, perseguição. A ansiedade persecutória ou paranoide é a forma maisprimitiva da ansiedade advinda do medo do aniquilamento. A cisão, idealização, a projeção, a negação da realidade psíquica são defesas contra ansiedades persecutórias, defesas muito arcaicas e são dirigidas contra os impulsos agressivos. Para Klein os impulsos agressivos, são mais intensos nos primórdios da vida, quando a criança se encontra na posição esquizo-paranóide, e ela se caracteriza pelos seguintes aspectos, pulsões agressivas particularmente intensas, aspecto clivado, dividido em dois, bom e mau (não há meio termo), a ansiedade é sempre de natureza persecutória 'Posição depressiva' é uma constelação mental definida por Klein como central para o desenvolvimento da criança, normalmente experimentada pela primeira vez na metade do primeiro ano de vida. É repetidamente revisitado e refinado ao longo da primeira infância e de forma intermitente ao longo da vida. Central é a realização de sentimentos de ódio e fantasias sobre o objeto amado, a mãe. Anteriormente, sentia-se que havia dois objetos parciais separados: ideal e amado; perseguir e odiar. Nesse período anterior, a principal ansiedade dizia respeito à sobrevivência do eu. Na posição depressiva, a ansiedade também é sentida em nome do objeto. A elaboração bem-sucedida da posição depressiva, envolve a capacidade de superar a ambivalência, que nunca será eliminada. A saúde psíquica e a capacidade de amar depende da habilidade de suportar a ambivalência. “Quando o bebê alcança a posição depressiva e torna-se mais capaz de enfrentar a sua realidade psíquica, sente também que a “maldade” do objeto é devida em grande parte à sua própria agressividade e à projeção decorrente”. (Inveja e Gratidão pag. 228) A reparação é parte integrante da posição depressiva. Baseia-se no amor e respeito pelo outro separado e envolve enfrentar perdas e danos e fazer esforços para reparar e restaurar os próprios objetos. A reparação efetiva envolve um tipo e grau de culpa que não é tão avassalador a ponto de induzir ao desespero, mas pode gerar esperança e preocupação. A própria reparação fornece uma saída para o desespero, promovendo ciclos virtuosos em vez de ciclos viciosos em estados de depressão. É uma raiz significativa em toda atividade criativa e, de fato, uma parte central do desenvolvimento Ao longo da vida sempre haverá uma alternância entre as duas posições, elas coexistem a vida toda e essa interligação perpetua conflito pelo resto da vida. “Minha experiência tem-me mostrado que nunca há uma integração completa, mas que quanto mais o indivíduo se esforçar nessa direção, mais insight terá sobre suas ansiedades e impulsos, mais forte será o seu caráter e maior seu equilíbrio mental”. (Inveja e Gratidão- pág. 312). A relação maníaca com objetos é caracterizada por uma tríade de sentimentos: controle, triunfo e desprezo. Esses sentimentos estão diretamente relacionados aos sentimentos depressivos de valorização e dependência do objeto, bem como ao medo de perdê-lo e à culpa, servindo também como defesas contra esses sentimentos. O controle é uma forma de negar a dependência, de não a reconhecer, mas, ao mesmo tempo, de compelir o objeto a preencher a necessidade de dependência, pois um objeto totalmente controlado é, até certo ponto, um objeto confiável. O triunfo é uma negação dos sentimentos depressivos de valorização e cuidado; está vinculado à onipotência e apresenta dois aspectos importantes. Um deles está relacionado ao ataque primário feito ao objeto na posição depressiva e ao triunfo experimentado ao derrotar esse objeto, sendo que esse ataque é fortemente determinado pela inveja. Em segundo lugar, o sentimento de triunfo é aumentado como parte das defesas maníacas, pois ajuda a afastar os sentimentos depressivos que, caso contrário, surgiriam, tais como anseio, desejo e saudade do objeto. O desprezo pelo objeto é mais uma negação do fato de valorizá-lo, tão importante na posição depressiva, e age como defesa contra a experiência de perda e culpa. O objeto desprezado não é considerado digno de culpa, e o desprezo experimentado em relação a ele se torna uma justificação para outros ataques contra o mesmo. Resumindo, A depressão surge do sentimento de perda. O temor de perder a mãe desperta sentimentos depressivos na criança, dessa forma o ego mobiliza defesas contra ansiedades de culpa e depressão, assim mobiliza defesas contra a culpa e do medo de perder o objeto bom conhecidas como defesas maníacas, as defesas maníacas se caracterizam pela tríade: 1- Triunfo. 2 – Desprezo. 3 – Controle onipotente. O triunfo sobre o objeto é caracterizado pelo desejo de dominar, sobrepujar o objeto. Por exemplo: A criança tem o sonho de crescer e ser grande igual os pais, pode ter a seguinte fantasia: haverá um dia que eu serei rico, poderoso e os pais se tornarão crianças indefesas, ou estarão velhos e pobres. O desprezo também é uma defesa maníaca e está ligada no mecanismo de negação. O sujeito despreza o objeto bom. Nega sua dependência dele, nega que precisa do outro. Nega sua dependência perigosa e escravizante do aspecto amado. Pode depreciar aquilo que não pode ter, para não ficar desapontado consigo mesmo. No controle onipotente do objeto, o sujeito nega a culpa decorrente de sua própria hostilidade para com o objeto. Nega que danificou o objeto, por um lado, nega o medo de ser atacado pelo objeto danificado e por outro, nega o medo de perder o objeto bom.