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M as to lo gi a Prezado aluno, Desenvolvemos uma apostila interativa para oferecer um material inovador e, ainda melhor, focado na metodologia Aristo. Para uma experiência completa, sugerimos que realize os seus estudos pelo computador, possibilitando abrir os comentários das questões, respondê-las de forma interativa e até mesmo pular o conteúdo da questão respondida, em caso de acerto, para o tópico seguinte, de forma opcional. A interatividade traz novas possibilidades, mas você continua podendo abrir os seus materiais em tablets e celulares, além de poder imprimi-lo para usar em seus estudos e revisões. 3 Mastologia 1. Embriologia e desenvolvimento das mamas 6 1.1 Anatomia da mama feminina adulta 8 1.2 Vascularização da mama 9 1.3 Drenagem linfática da mama 10 1.4 Quadrantes da mama 10 2. Nódulos mamários ⚠ 11 Questão 01 11 2.1 Investigação do nódulo de mama ⚠ 13 3. Exames de imagem em mastologia ⚠ 15 3.1 Mamografia ⚠ 17 Questão 02 17 3.2 Ultrassonografia das mamas ⚠ 24 3.3 Ressonância magnética das mamas 27 4. Biópsias de mama 28 5. Diagnóstico diferencial das lesões da mama 30 5.1 Fibroadenoma ⚠ 30 5.2 Fibroadenomas gigantes 31 5.3 Tumor phyllodes 31 5.4 Fibroadenoma juvenil 31 6. Câncer de mama 32 6.1 Fatores de risco associados ao câncer de mama ⚠ 32 Questão 03 33 6.2 Rastreamento ⚠ 35 Questão 04 35 4 Mastologia 6.2.1 População de risco habitual ⚠ 35 6.2.2 População de alto risco 36 6.2.3 Critérios para investigar se um paciente possui a síndrome da predisposição genética ao câncer de mama e de ovário (HBOC) 37 6.3 Medidas redutoras de risco 38 6.4 Tipos de câncer de mama 39 6.4.1 Carcinoma ductal in situ (CDIS) 39 6.4.2 Carcinomas invasivos da mama 40 6.4.2.1 Carcinoma ductal invasivo sem outra especificação (SOE) 41 6.4.2.2 Carcinoma lobular invasivo 41 6.4.2.3 Carcinoma inflamatório 41 6.4.3 Classificação molecular do câncer de mama 42 6.5 Tratamento do câncer de mama ⚠ 43 6.5.1 Estadiamento do câncer de mama 43 6.5.2 Cirurgia ⚠ 46 6.5.3 Radioterapia ⚠ 49 6.5.4 Hormonioterapia ⚠ 50 6.5.5 Terapia-alvo anti-HER 2 ⚠ 50 6.5.6 Quimioterapia 51 6.5.7 Câncer de mama inicial 51 Questão 05 52 6.5.8 Câncer de mama localmente avançado 53 6.5.9 Câncer de mama inflamatório 55 6.5.10 Câncer de mama metastático 55 5 Mastologia 6.6 Seguimento após tratamento do câncer de mama 55 7. Mastalgia 55 7.1 Etiologias da mastalgia 56 7.2 Tratamento da mastalgia 57 8. Processos inflamatórios das mamas 59 8.1 Mastite puerperal 59 8.2 Mastites crônicas 61 9. Descarga papilar 62 9.1 Investigação da descarga papilar 62 9.2 Diagnóstico diferencial da descarga papilar 64 9.2.1 Papiloma intraductal 64 9.2.2 Ectasia ductal 65 9.2.3 Alterações funcionais benignas da mama (AFBM) 65 9.2.4 Galactorreia 66 9.2.5 Câncer de mama 66 10. Lesão descamativa na aréola e mamilo 66 TOP FIVE 67 ↺6 Mastologia As doenças das mamas estão aparecendo cada vez mais nas provas de residência e revalidação. De forma geral, aparecem como questões de dificuldade intermediária e, por isso, acertá-las vai, com certeza, colocar você na frente de vários outros candidatos! O foco deste material é no que mais cai: câncer de mama. E como vai funcionar nosso estudo? Primeiro, vamos abordar desenvolvimento e anatomia das mamas (é preciso conhecer o que é normal, para entender o que não é!). Depois, vamos nos aprofundar no que geralmente é mais cobrado: a investigação dos nódulos mamários, seguindo pelo estudo imagiológico (vamos entender o BI-RADS de uma vez!) e os dois resultados anatomopatológicos possíveis: lesões benignas e lesões malignas. Começaremos, então, nosso estudo sobre o câncer de mama propriamente dito! Neste momento, você vai focar em três conceitos principais: fatores de risco, rastreamento e conceitos sobre o tratamento. Terminado nosso estudo sobre câncer de mama, vamos abordar temas importantes, mas geralmente menos cobrados, nos quais o conhecimento do Pareto já permite responder às questões: mastalgia, mastites, descarga papilar e lesões descamativas no CAP. Nosso papel vai ser simplificar a mastologia e fazer com que você acerte todas as questões! Preparado? Vamos começar! 1. Embriologia e desenvolvimento das mamas Durante o desenvolvimento embriológico, as mamas se desenvolvem sobre dois espessamentos epidérmicos chamados de cristas ou linhas mamárias. As linhas mamárias se estendem desde a região axilar até a região inguinal. De forma geral, nós, humanos, temos o desenvolvimento de apenas uma mama de cada lado. Linhas mamárias ↺7 Mastologia Quando existe o desenvolvimento de um número anormal de mamas, podemos ter: • Politelia: presença de mamilo extranumerário, mas sem a presença de tecido mamário subjacente. • Polimastia: presença de mama extranumerária, mais comumente localizada na região axilar. Durante a lactação, pode haver crescimento e produção de leite. Pode ou não estar acompanhada de mamilo. • Amastia: ausência congênita da mama. • Amazia: ausência de tecido mamário, mas presença de um complexo aréolo-papilar (CAP). A mama feminina é um órgão que responde às variações hormonais que acontecem durante o ciclo menstrual e o ciclo gravídico-puerperal. Sua principal função é a produção láctea durante a amamentação. Seu desenvolvimento na direção ao que conhecemos como mama adulta tem início na puberdade e apenas se completa após a primeira lactação. O desenvolvimento mamário durante a puberdade foi dividido em 5 etapas de acordo com o estadiamento de Tanner. • M1: mama pré-púbere, na qual não palpamos tecido glandular. • M2: aparecimento do broto mamário (tecido glandular palpável). • M3: aumento do tecido glandular, que excede a área do mamilo, mas sem causar separação do contorno areolar da mama. • M4: aumento da aréola e da sua pigmentação, com projeção do complexo aréolo-papilar (CAP) sobre o contorno da mama. • M5: mama adulta, com nivelamento do CAP ao contorno da mama, e projeção exclusiva da papila mamária. ↺8 Mastologia Estadiamento de Tanner - Desenvolvimento mamário 1.1 Anatomia da mama feminina adulta Anatomia microscópica da mama ↺9 Mastologia Durante a puberdade, o estrogênio estimula o desenvolvimento dos ductos. Já os brotamentos alveolares se desenvolvem sob estímulo da progesterona. No entanto, o desenvolvimento completo da mama só vai acontecer após a primeira lactação: prolactina e lactogênio placentário, junto com estrogênio, progesterona e fatores de crescimento, promovem o desenvolvimento completo dos alvéolos secretores. Cerca de 15 a 20 lobos se estendem desde a papila mamária (ou mamilo), e se subdividem em numerosos lóbulos, conhecidos como unidades lobulares do ducto terminal (ULDT). Os lobos mamários drenam para a papila através dos ductos lactíferos, que apresentam uma pequena dilatação logo antes da sua abertura papilar. Os ligamentos de Cooper ou ligamentos suspensores das mamas são faixas de tecido conectivo que sustentam a mama, conectando-se com a derme. Quando afetadas por neoplasia de mama, são responsáveis pela “retração” da pele. A quantidade de tecido adiposo presente da mama é variável. Anatomia da mama feminina FONTE: SMITH, Netter’s Obstetrics and Gynecology, 2017 Após a menopausa, a mama feminina sofre atrofia dos elementos glandulares e acentuada diminuição do número de lóbulos e, ao mesmo tempo, um acúmulo maior de tecido adiposo. É o que chamamos de lipossubstituição. 1.2 Vascularização da mama O conhecimento do suprimento sanguíneo das mamas não é tão importante quanto o conhecimento da drenagem linfática. Basicamente, o que você precisa saber é que a mama tem três principais fontes de vascularização: • Ramos da artéria torácica interna ou artéria mamária interna (60%) • Ramos da artéria axilar (30%) • Ramos das artérias intercostais posteriores ↺10 Mastologia 1.3 Drenagem linfática da mama Aqui é preciso atenção, principalmente porque nos ajuda a entender a disseminação do câncerde tumoração associada Pacientes idosas Sexo masculino ↺63 Mastologia Diante de uma descarga papilar suspeita, devemos prosseguir na investigação, solicitando mamografia e ultrassonografia de mamas. Toda descarga papilar suspeita deve ser biopsiada. • Mamografia: possui uma sensibilidade baixa para o diagnóstico de afecções que provocam descarga papilar; no entanto, é essencial para avaliar a presença de lesões síncronas. • Ultrassonografia: possui um desempenho melhor que a mamografia na avaliação de lesões intraductais, como ectasia ductal, papilomas e abscessos. Outros exames descritos na literatura, mas de menor relevância, são: • Ressonância magnética: as diretrizes mais recentes recomendam a realização de RNM nos casos de descarga papilar suspeita, principalmente quando mamografia e ultrassom são negativos. • Ductografia: um exame invasivo, que consiste na cateterização do ducto e injeção de contraste hidrossolúvel, com a posterior realização de mamografias sequenciais. Tem como objetivo avaliar a árvore ductal e observar falhas de enchimento ou bloqueio. Está caindo em desuso. • Ductoscopia: o uso de um microendoscópio de fibra óptica para avaliar o ducto, possibilitando biópsia e análise citológica. Tem baixa sensibilidade e é bastante doloroso. Propedêutica no fluxo papilar ↺64 Mastologia A coloração da descarga papilar vai ser um dos pontos mais importantes da sua questão! É a informação que você irá grifar durante a prova. Por quê? Porque somente a coloração já nos direciona para alguns diagnósticos diferenciais: • Multicolorido: alteração funcional benigna da mama • Leitoso: galactorreia • Amarelo-esverdeado: ectasia ductal • Sanguinolento: papiloma intraductal e câncer de mama • Cristalino ou “água de rocha”: câncer de mama • Purulento: infecções/mastites 9.2 Diagnóstico diferencial da descarga papilar 9.2.1 Papiloma intraductal O papiloma intraductal é a principal causa de descarga papilar sanguinolenta. Trata-se de uma condição que acomete os ductos subareolares principais e está frequentemente associado a um nódulo palpável ao exame físico. É uma condição benigna, cuja exérese é o tratamento. Representação esquemática do papiloma intraductal ↺65 Mastologia Papiloma intraductal: na seta branca, vemos a projeção do papiloma e, na seta vermelha, o pedículo vascular 9.2.2 Ectasia ductal A ectasia do ducto mamário é um distúrbio inflamatório não proliferativo dos ductos principais da mama. É definida como um ducto apresentando diâmetro superior a 3 mm e, frequentemente, vemos fluido anecoico ou detritos hipoecoicos em seu interior. A paciente geralmente apresenta secreção mamilar intermitente de cores variadas (amarelo-marrom- esverdeado), e também dor e sensibilidade do mamilo e da aréola podem estar presentes. Como a causa exata da ectasia ductal ainda é desconhecida, não há tratamento específico, e todos os tratamentos visam alívio dos sintomas. Nos casos leves, apenas a tranquilização da paciente já é suficiente. Ectasia ductal 9.2.3 Alterações funcionais benignas da mama (AFBM) Caracterizada pela associação com mastalgia cíclica e cistos mamários. A descarga papilar geralmente é bilateral e multiductal, com coloração multicolorida. ↺66 Mastologia 9.2.4 Galactorreia Não podemos esquecer da galactorreia como diagnóstico diferencial da descarga papilar! Este tema é revisado em outro capítulo, uma vez que está essencialmente associado à hiperprolactinemia, que pode ser secundária a medicamentos, tumores hipofisários, anormalidades endócrinas ou outras condições médicas. 9.2.5 Câncer de mama O câncer de mama pode ser causa de descarga papilar, apesar desta não ser sua apresentação mais comum. Geralmente, quando se apresenta como descarga papilar, também encontramos um nódulo palpável ao exame físico. 10. Lesão descamativa na aréola e mamilo Nessas lesões, a principal preocupação é com a doença de Paget mamária. A doença de Paget da mama é uma manifestação incomum de câncer de mama. Acredita-se que a manifestação clínica se deva pela migração das células epiteliais ductais malignas em direção à pele através dos ductos lactíferos e dúctulos. Lesão descamativa do complexo aréolo-papilar (CAP) Doença de Paget não cística. Alternativa B - Incorreta: Além de não ter características de malignidade no exame físico, a paciente também não tem exames de imagem que sugerem malignidade. Ou seja, para essa paciente do caso clínico, a exérese do nódulo não é a conduta inicial. Alternativa C - Correta: Conforme discutido acima. Alternativa D - Incorreta: Um nódulo sem características de malignidade não tem indicação de iniciar seguimento com a oncologia. Pela descrição clínica, provavelmente trata-se de um fibroadenoma, uma lesão mamária benigna. Portanto, o gabarito é a letra C. 70 Mastologia Comentário da Questão 02 O rastreamento do câncer de mama e a conduta frente a um resultado de mamografia são temas muito comuns nas provas! Precisamos fixar muito bem esses conteúdos para irmos à prova com confiança e garantir aquele ponto precioso da aprovação. Portanto, vamos revisar a classificação BI-RADS: • BI-RADS 0: avaliação incompleta, sendo necessário complementar com outro método de imagem ou com incidências especiais na mamografia. • BI-RADS 1: negativo. Sugere seguimento de rotina. • BI-RADS 2: achados benignos. Sugere seguimento de rotina. • BI-RADS 3: achados provavelmente benignos. Sugere seguimento da lesão em 6, 12 e 24 meses. • BI-RADS 4: anormalidade suspeita. A biópsia deve ser considerada. Lesões sólidas, palpáveis e irregulares se enquadram nessa classificação, assim como a massa descrita no enunciado da questão. • BI-RADS 5: altamente sugestivo de malignidade. A indicação é de biópsia com estudo anatomopatológico. • BI-RADS 6: malignidade conhecida, quando o câncer já foi determinado por biópsia prévia. Vamos para as alternativas: Alternativa A - Correta: Conforme a classificação acima, em caso de BI-RADS zero a indicação é realizar outro exame de imagem para complementar a avaliação, porque a mamografia foi inconclusiva. Alternativas B, C, D e E - Incorretas: As demais alternativas citam a interpretação das outras classificações. Portanto, o gabarito é a alternativa A. 71 Mastologia Comentário da Questão 03 Essa questão aborda, de forma geral e superficial, os fatores de risco para o câncer de mama. Para a sua resolução, é necessário saber os principais fatores endócrinos que aumentam o risco do desenvolvimento das neoplasias malignas mamárias. Alternativa A - Incorreta: Multiparidade não é fator de risco, mas sim a nuliparidade. Alternativa B - Incorreta: A menarca precoce e a menopausa tardia que são fatores de risco. Alternativa C - Correta: Os fatores endócrinos/história reprodutiva estão relacionados principalmente ao estímulo estrogênico, seja endógeno ou exógeno, com aumento do risco conforme a exposição. Esses fatores incluem: história de menarca precoce, menopausa tardia, primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade, uso de contraceptivos orais (estrogênio - progesterona) e terapia de reposição hormonal pós-menopausa (estrogênio- progesterona). Alternativa D - Incorreta: Considerando a história familiar como fator de risco, estão inclusos apenas parentes de primeiro grau. Dica: é importante lembrar que o principal fator de risco é a idade maior que 40 anos e que tabagismo não é considerado fator de risco para câncer de mama. Portanto, a alternativa correta é a letra C. 72 Mastologia Comentário da Questão 04 Mais uma questão sobre câncer de mama. Esse tema é muito relevante, uma vez que sabemos que ele representa o segundo câncer mais comum no mundo e é o mais frequente entre as mulheres. Diante disso, é importante ter domínio sobre alguns tópicos, sendo um deles os fatores de risco associados a essa neoplasia. Vamos revisar os principais: • Sexo feminino • Raça branca • Antecedente pessoal de câncer de mama • Lesões histológicas que indicam risco como hiperplasia ductal ou lobular • Nuliparidade e primiparidade idosa • História familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau • Sedentarismo • Exposição a radiação ionizante Referente ao diagnóstico, sabe-se que o exame clínico das mamas é uma das ferramentas adotadas e necessita ser realizada pelo profissional de saúde. Essa abordagem demonstrou-se efetiva em reduzir a mortalidade por câncer de mama. Todavia, a mamografia é o método de escolha dos programas de rastreamento, sendo recomendada na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos, pelo Ministério da Saúde e INCA. Agora, vamos analisar as alternativas: Alternativa A - Incorreta: Tanto a faixa etária quanto a periodicidade descritas não são as preconizadas pelo INCA. Alternativa B - Incorreta: É apenas até os 69 anos e o exame é bianual. Alternativa C - Incorreta: É preconizado idade a partir dos 50 anos. Alternativa D - Correta: Exato! Conforme justificado no texto acima. Portanto, o gabarito é a alternativa D. 73 Mastologia Comentário da Questão 05 Temos uma paciente de 68 anos tratada previamente com cirurgia conservadora, radioterapia e hormonoterapia para câncer em mama esquerda há 8 anos. Agora apresenta novo nódulo de 0,5 cm em mama contralateral, confirmado pela biópsia como carcinoma ductal invasor e triplo negativo, ou seja, não possui receptores estrogênicos, progestogênicos e não produz a proteína HER2. A questão pede o tratamento para tal. Lembremos que em mastologia sempre buscaremos optar pela conduta mais conservadora possível. Vamos analisar as alternativas com isso em mente: Alternativa A - Incorreta: A linfadenectomia axilar seria realizada se o exame físico já mostrasse comprometimento desses linfonodos. Como ao exame os linfonodos estão livres, pode-se realizar BLS (biópsia do linfonodo sentinela) sem prejuízos de cura e sobrevida. Alternativa B - Incorreta: Dizer “mastectomia radical modificada” já inclui a linfadenectomia axilar, então a alternativa está redundante. Além disso, uma paciente com tumor inicial não precisa de uma cirurgia de neoplasia avançada. Alternativa C - Correta: Lembremos de outra máxima da mastologia: cirurgia conservadora sempre precisa de radioterapia total da mama, pois é ela que garante sobrevida livre de recidiva local, assim como a mastectomia, que já foi o tratamento padrão antigamente. Além disso, como é uma cirurgia conservadora e os linfonodos estão livres ao exame físico, precisamos também realizar a BLS, e caso estejam acometidos, ampliamos a cirurgia. Alternativa D - Incorreta: Mais uma vez redundante. A cirurgia radical da mama já inclui a linfadenectomia, não teria porque fazer biópsia dos linfonodos se você já vai tirá-los por completo. Portanto, o gabarito é a letra C. Sumário P 5 - Q1 P 44 - Comentário P 6 - Q2 P 45 - Comentário P 23 - Q3 P 46 - Comentário P 47 - Comentário P 49 - Comentário 1. Embriologia e desenvolvimento das mamas 1.1 Anatomia da mama feminina adulta 1.2 Vascularização da mama 1.3 Drenagem linfática da mama 1.4 Quadrantes da mama 2. Nódulos mamários ⚠ Questão 01 2.1 Investigação do nódulo de mama ⚠ 3. Exames de imagem em mastologia ⚠ 3.1 Mamografia ⚠ Questão 02 3.2 Ultrassonografia das mamas ⚠ 3.3 Ressonância magnética das mamas 4. Biópsias de mama 5. Diagnóstico diferencial das lesões da mama 5.1 Fibroadenoma ⚠ 5.2 Fibroadenomas gigantes 5.3 Tumor phyllodes 5.4 Fibroadenoma juvenil 6. Câncer de mama 6.1 Fatores de risco associados ao câncer de mama ⚠ Questão 03 6.2 Rastreamento ⚠ Questão 04 6.2.1 População de risco habitual ⚠ 6.2.2 População de alto risco 6.2.3 Critérios para investigar se um paciente possui a síndrome da predisposição genética ao câncer de mama e de ovário (HBOC) 6.3 Medidas redutoras de risco 6.4 Tipos de câncer de mama 6.4.1 Carcinoma ductal in situ (CDIS) 6.4.2 Carcinomas invasivos da mama 6.4.2.1 Carcinoma ductal invasivo sem outra especificação (SOE) 6.4.2.2 Carcinoma lobular invasivo 6.4.2.3 Carcinoma inflamatório 6.4.3 Classificação molecular do câncer de mama 6.5 Tratamento do câncer de mama ⚠ 6.5.1 Estadiamento do câncer de mama 6.5.2 Cirurgia ⚠ 6.5.3 Radioterapia ⚠ 6.5.4 Hormonioterapia ⚠ 6.5.5Terapia-alvo anti-HER 2 ⚠ 6.5.6 Quimioterapia 6.5.7 Câncer de mama inicial Questão 05 6.5.8 Câncer de mama localmente avançado 6.5.9 Câncer de mama inflamatório 6.5.10 Câncer de mama metastático 6.6 Seguimento após tratamento do câncer de mama 7. Mastalgia 7.1 Etiologias da mastalgia 7.2 Tratamento da mastalgia 8. Processos inflamatórios das mamas 8.1 Mastite puerperal 8.2 Mastites crônicas 9. Descarga papilar 9.1 Investigação da descarga papilar 9.2 Diagnóstico diferencial da descarga papilar 9.2.1 Papiloma intraductal 9.2.2 Ectasia ductal 9.2.3 Alterações funcionais benignas da mama (AFBM) 9.2.4 Galactorreia 9.2.5 Câncer de mama 10. Lesão descamativa na aréola e mamilo TOP FIVE Tesoura 1 A 28: Tesoura 1 C 30: A 32: Botão de rádio 16: Off Tesoura 1 D 30: Tesoura 1 B 28: B 32: C 32: D 33: Resposta 29: Respostas 15: Tesoura 1 A 27: Tesoura 1 C 29: A 28: Tesoura 1 D 27: Tesoura 1 E 29: Tesoura 1 B 27: B 28: C 33: D 34: E 30: Resposta 28: Respostas 14: Tesoura 1 A 29: Tesoura 1 C 31: A 30: Tesoura 1 D 29: Tesoura 1 B 29: B 30: C 30: D 32: Resposta 30: Respostas 16: Tesoura 1 A 30: Tesoura 1 C 32: A 33: Tesoura 1 D 31: Tesoura 1 B 30: B 33: C 34: D 35: Resposta 31: Respostas 17: Tesoura 1 A 31: Tesoura 1 C 33: A 29: Tesoura 1 D 28: Tesoura 1 B 31: B 29: C 31: D 36: Resposta 32: Respostas 18: Botão 185: Página 69: Botão 194: Página 70: Botão 203: Página 71: Botão 2012: Página 72: Botão 2021: Página 73:de mama. Os linfonodos axilares são o principal conjunto de linfonodos que drenam as mamas. Eles são classificados de acordo com sua relação com o músculo peitoral menor. • Nível I: linfonodos localizados lateralmente ao músculo peitoral menor. • Nível II: linfonodos localizados superficialmente e profundamente ao músculo peitoral menor. • Nível III: linfonodos localizados medialmente ao músculo peitoral menor. Drenagem linfática da mama 1.4 Quadrantes da mama Por fim, vamos lembrar os quadrantes da mama. Eles são muito utilizados no momento de descrição do local de lesões mamárias. ↺11 Mastologia Quadrantes da mama 2. Nódulos mamários ⚠ Questão 01 (INEP-Revalida - DF - 2020) Uma mulher de 25 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde após palpar um nódulo em sua mama direita. Na avaliação médica, identifica-se um nódulo de 1 cm, no maior diâmetro, móvel, com consistência fibroelástica, regular e indolor. Nesse caso, qual deve ser a conduta médica inicial? a) Punção e citologia. b) Exérese do nódulo. c) Seguimento ecográfico. d) Encaminhamento ao Centro de Oncologia. Comentário CCQ: Reconhecer as características sugestivas de malignidade em um nódulo de mama ↺12 Mastologia Nódulo de mama é tema frequente no consultório e também na sua prova. Por isso, vamos começar logo de cara com eles! Geralmente, as questões irão abordar casos clínicos de pacientes que percebem o surgimento de um “caroço” na mama e procuram atendimento médico. Por exemplo: • Ana, 25 anos, G0, sem comorbidades ou uso de medicações. Há 01 mês notou surgimento de um “caroço” no QSL da mama esquerda, com cerca de 1,5 cm, de consistência fibroelástica, móvel, com superfície regular e não aderido. Nega história de câncer de mama na família. OU • Maria, 56 anos, G0, menarca aos 11 anos, tabagista, hipertensa e obesa. DUM aos 52 anos. Notou há 01 mês o surgimento de um “caroço” no QSL da mama esquerda, com cerca de 1,5 cm, endurecido, pouco móvel, com superfície irregular. Sua irmã mais nova foi diagnosticada com câncer de mama há 2 anos, aos 50 anos. Sentiu a diferença? No primeiro enunciado, temos uma paciente com nódulo de mama com características, a princípio, benignas; enquanto a segunda paciente, além de apresentar diversos fatores de risco para câncer de mama (abordaremos mais para frente), temos um exame físico com características suspeitas! Os nódulos de mama podem ser manifestações de doenças benignas, como os fibroadenomas e os cistos mamários, mas também podem ser a manifestação do câncer de mama. E, por isso, a propedêutica adequada é tão importante. Fibroadenoma Cistos Câncer Idade (anos) 50% 40% 30% 20% 10% 0% 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Epidemiologia dos nódulos mamários por faixa etária ↺13 Mastologia Perceba que, logo após a menarca, a incidência dos fibroadenomas é maior. Já os cistos mamários costumam afetar mulheres a partir da 4ª década de vida e na perimenopausa. E, a partir dos 40 anos, vemos uma incidência crescente do câncer de mama. 2.1 Investigação do nódulo de mama ⚠ Quando estamos diante de um nódulo de mama palpável, o tripé de investigação consiste em: • Exame físico • Exame de imagem ⚠ • Exame anatomopatológico As questões podem incluir apenas o exame físico, como exemplificado acima, e perguntar qual o próximo passo da investigação. Ou podem já trazer a descrição do exame de imagem ou sua classificação BI-RADS. A necessidade do estudo anatomopatológico (biópsia) vai depender do grau de suspeição da lesão para câncer de mama! Ao exame físico, são achados que sugerem benignidade: • Consistência fibroelástica • Limites bem definidos • Superfície lisa e regular • Não aderido a planos profundos E são achados suspeitos para malignidade: • Consistência endurecida/pétrea • Limites mal definidos • Superfície irregular • Aderido a planos profundos • Alterações de pele, como retrações, edema e hiperemia Em relação ao exame de imagem, a principal dúvida é: mamografia ou ultrassom de mamas? Sabemos que para avaliação de nódulos de mama, a ultrassonografia é o melhor exame, pois permite diferenciar lesões sólidas e lesões císticas. Será o exame solicitado para todas as pacientes, principalmente aquelas mais jovens, com mamas densas. Já a mamografia também deve ser solicitada, junto com a US, principalmente para as pacientes acima de 40 anos. Ela auxilia tanto no diagnóstico de lesões síncronas (como microcalcificações), além de ser útil em alguns diagnósticos específicos, como lipoma e fibroadenoma calcificado. ↺14 Mastologia A seguir, temos um fluxograma sobre a investigação dos nódulos palpáveis. Perceba que, de acordo com o achado no exame de imagem, temos uma conduta diferente! E, por isso, é fundamental que você preste bastante atenção no próximo capítulo. A seguir, vamos detalhar os achados de imagem e suas respectivas condutas. Depois de terminar os capítulos “Exames de imagem em mastologia” e “Biópsias de mama”, volte a esse fluxograma para sedimentar ainda mais o conhecimento! Nódulo de mama Ultrassonografia Lesão cística Lesão cística Cisto simples ou espesso Seguimento ou PAAF de alívio, se sintomático Biópsia BI-RADS 4 Complexo sólido-cístico Lesão sólida Exame físico Mamografia Localização Consistência Limites Superfície Tamanho Controle clínico e ultrassonográfico em 6 meses ou biópsia Biópsia Nódulo palpável Exame de imagem BI-RADS 3 Características benignas Nódulos circunscritos, ovoides, sólidos, com orientação paralela à pele, hipoecoicos, sem características acústicas posteriores ou com realce posterior mínimo BI-RADS 4 ou 5 Características ultrassonográficas suspeitas para malignidade e/ou suspeita clínica de malignidade Melhor exame para avaliação de nódulos palpáveis Auxilia no rastreamento de outras lesões e no diagnóstico em lesões como lipoma e fibroma calcificado Propedêutica no nódulo de mama palpável ⚠ ↺15 Mastologia Mas vamos, então, começar o nosso estudo sobre os exames de imagem em mastologia! Para aquecer, atente-se para os sinais ultrassonográficos que sugerem benignidade: ⚠ • Forma redonda, elipsoide ou com até 3 lobulações • Margens bem definidas • Distorção arquitetural ausente • Relação altura/largura 2 e 2 e ≤ 10% de risco de malignidade 4B: > 10 e ≤ 50% de risco de malignidade 4C: > 50 ealguma indicação de biópsia no BI-RADS 3? Sim! Mas de forma geral, as bancas vão abordar o seguimento precoce da lesão. Encare essas indicações como um “algo a mais” para o seu conhecimento. ⚠ ↺17 Mastologia Na paciente com um achado imagiológico BI-RADS 3, mas com impossibilidade de acompanhamento precoce e regular, podemos considerar a realização de biópsia para exclusão de malignidade ou de lesões precursoras do câncer de mama. Da mesma forma, pacientes com nódulos grandes (> 1,5 ou 2 cm), também podem se beneficiar da discussão de realizar biópsia, uma vez que, se eventual lesão maligna, um crescimento em 6 meses poderia levar já a uma lesão fora da faixa de tumor inicial. Pacientes com alto risco de câncer de mama ou cancerofobia são outra indicação de avaliação. 3.1 Mamografia ⚠ Exame de escolha para o rastreamento do câncer de mama, pois sua realização como forma de rastreio foi efetiva na redução da mortalidade das pacientes com câncer de mama. ⚠ • O problema? Sua sensibilidade varia conforme a densidade mamária, sendo menor em mamas densas (maior % de falsos negativos). Como o tecido fibroglandular aparece mais “branco” nas imagens de mamografia, ele pode obscurecer eventuais alterações. ⚠ Questão 02 (UEPA-BELÉM - PA - 2021) Segundo a classificação de imagem do sistema BI-RADS, a mamografia classe 0 (zero) representa: a) Necessidade de estudo adicional. b) Patologia benigna. c) Mamas normais. d) Patologia provavelmente benigna. e) Suspeita de malignidade. Comentário CCQ: Em um estudo com classificação BI-RADS 0, são necessários estudos adicionais Caso tenha acertado, gostaria de pular para o próximo tópico? NãoSim ↺18 Mastologia Padrões de densidade mamária Mamografia de rastreamento e diagnóstica Na imagem podemos observar: a. mamas predominantemente adiposas; b. mamas com densidades fibroglandulares esparsas; c. mamas heterogeneamente densas; d. mamas extremamente densas. As incidências convencionais são craniocaudal (CC) e mediolateral oblíqua (MLO). No entanto, podem ser complementadas com “compressão localizada”, que permite melhor visualização de nódulos e assimetrias, e frequentemente utilizada para avaliar microcalcificações. Lembre-se que a mamografia pode ser diagnóstica, quando solicitada para avaliar uma lesão clinicamente presente ou de rastreamento, em pacientes assintomáticas. Mamografia Nódulos Calcificações Assimetrias Linfonodos Alterações de pele Rastreamento Diagnóstica Paciente assintomática Paciente sintomática ↺19 Mastologia Agora vamos ver quais achados mamográficos correspondem a cada categoria de BI-RADS? ⚠ Exemplos de achados mamográficos e sua classificação BI-RADS BI-RADS 1 Avaliação negativa Exame normal BI-RADS 2 Presença de achado benigno Lesões nodulares sabidamente benignas (linfonodos intramamários, cistos oleosos, nódulos com calcificações em pipoca, galactoceles, hamartomas) Calcificações benignas (redondas/puntiformes difusas, calcificações cutâneas e calcificações vasculares) Assimetria global Distorção pós-cirúrgica BI-RADS 3 Presença de achado provavelmente benigno Nódulo sólido circunscrito não calcificado Assimetria focal não palpável Calcificações redondas/puntiformes agrupadas ou regionais BI-RADS 4 Achado suspeito Nódulo sólido com alguma característica suspeita Calcificações suspeitas (amorfas, heterogêneas grosseiras, pleomórficas finas, lineares finas ramificadas) Assimetria em desenvolvimento Distorção arquitetural não associada a cirurgia Nódulo BI-RADS 3 com crescimento > 20% do maior eixo BI-RADS 5 Achado altamente suspeito Nódulo de alta densidade, irregular, espiculado associado a microcalcificações Novas calcificações finas, lineares, ramificadas em distribuição segmentar Presença de retração, espessamento da pele e a evidência de crescimento do intervalo, se presentes, dariam suporte ao diagnóstico ↺20 Mastologia O que são assimetrias? Assimetrias são áreas de tecido fibroglandular que, na mamografia, são vistas em apenas uma incidência. De forma geral, correspondem a sobreposição de tecido mamário. É melhor avaliada após técnicas de compressão/amplificação mamográfica. • Assimetria global: grande volume de tecido fibroglandular assimétrico, sendo classificado como BI-RADS 2. • Assimetria focal: área de tecido fibroglandular visualizada em duas incidências. Deve ser avaliada com ultrassonografia de mamas ou compressão localizada. Se não houver outros achados ao US, pode ser classificada como BI-RADS 3. • Assimetria em desenvolvimento: assimetria focal nova em relação a um exame anterior. É classificada como BI-RADS 4 e tem indicação de biópsia. Vamos ver alguns exemplos: • BI-RADS 2 ⚠ Existem alguns achados nodulares com apresentação clássica na mamografia e que sabidamente são benignos e, por isso, classificados como BI-RADS 2. São eles: • Lipomas • Cistos oleosos • Nódulos com calcificações em pipoca (fibroadenoma calcificado) • Linfonodos intramamários • Galactoceles • Hamartomas ↺21 Mastologia Mamografia BI-RADS 2 • BI-RADS 3 ⚠ Arister, agora muita atenção, os nódulos sólidos circunscritos e não calcificados vistos nas mamografias devem ser classificados como BI-RADS 0! Ou seja, há necessidade de avaliação pelo ultrassom de mamas (lembra que falamos que o ultrassom é o melhor exame para avaliar nódulos mamários?). Se ao ultrassom se confirmarem as características benignas, ele é classificado como BI-RADS 3 e, se ao ultrassom o nódulo se tratar de um cisto simples, ele é classificado como BI-RADS 2. ↺22 Mastologia Mamografia BI-RADS 3 • BI-RADS 4 e 5 ⚠ Quaisquer outros nódulos com características suspeitas na mamografia devem ser classificados como BI-RADS 4 ou 5, e demandam avaliação histopatológica. ↺23 Mastologia Mamografia BI-RADS 4: nódulo sólido com margens indistintas Mamografia BI-RADS 5: nódulo de alta densidade, irregular, espiculado, com tração de complexo aréolo-papilar ↺24 Mastologia 3.2 Ultrassonografia das mamas ⚠ A utilização da ultrassonografia para avaliação das mamas não é indicada de rotina como forma de rastreamento do câncer de mama. • O problema? Não consegue caracterizar de forma adequada as microcalcificações. São indicações da ultrassonografia de mamas: • Avaliação de nódulos mamários palpáveis • De acordo com a Febrasgo: “A ultrassonografia é a primeira abordagem em nódulos palpáveis”. • Caracterização de achados detectados na mamografia (palpável ou não) • Nódulos: diferenciar cisto (BI-RADS 2), nódulo sólido circunscrito (BI-RADS 3) ou nódulo complexo sólido-cístico (BI-RADS 4). • Assimetrias e distorções arquiteturais também podem ser melhor esclarecidas com o uso de ultrassonografia de mamas. • Caracterização de lesão palpável não vista na mamografia • Algumas lesões palpáveis podem não ter expressão radiográfica, e, nesses casos, a ultrassonografia nos permite uma melhor avaliação. • Rastreamento complementar à mamografia • Cuidado, arister! A Febrasgo orienta que, em pacientes com mamas densas, existiria benefício de associar a ultrassonografia à mamografia, para aumentar a taxa de detecção do câncer de mama. • Estudos dos ductos nas regiões subareolares • É o primeiro exame de imagem indicado para avaliação de descarga papilar. • Avaliação de achados clínicos em mama jovens, gestantes ou em lactação • Estudo dos implantes mamários • Orientação de procedimentos percutâneos Para interpretação das questões, você deve conhecer alguns tipos de achados ultrassonográficos. Nódulo sólido: é o principal achado com potencial de malignidade visto na ultrassonografia. São indícios suspeitos: forma irregular, orientação não paralela à pele, margens não circunscritas (indistintas, angulada, microlobulada ou espiculada), complexo sólido-cístico, presença de reforço acústico posterior (presente tanto em cistos simples, como em lesões sólidas homogêneas, incluindo carcinomas de alto grau) ou sombra acústica posterior.⚠ ↺25 Mastologia Nódulo mamário BI-RADS 5 Cisto simples Cisto simples: imagem arredondada e anecoica. São comuns e sempre benignos. Diante da indisponibilidade de US e nódulo de mama palpável, pode ser realizada uma PAAF (punção aspirativa com agulha fina), na tentativa de diferenciar lesões císticas e sólidas. O esvaziamento completo da lesão após punção, fala a favor de cisto simples; enquanto um esvaziamento parcial, com lesão residual, fala a favor de complexo sólido cístico. ⚠ ↺26 Mastologia Cisto complicado: apresenta finos debris em seu interior. São classificados como BI-RADS 3. ⚠ Complexo sólido-cístico: lesão que apresenta tanto componente sólido, como componente cístico. São classificados como BI-RADS 4. ⚠ Cisto mamário complicado Lesão sólido-cística ↺27 Mastologia Exemplo de achados ultrassonográficos e sua classificação BI-RADS BI-RADS 1 Avaliação negativa Exame normal BI-RADS 2 Presença de achado benigno Cistos simples Múltiplos microcistos agrupados Múltiplos cistos complicados bilaterais Múltiplos nódulos sólidos com critérios de benignidade bilaterais Nódulos sólidos estáveis há > 2 anos Alterações pós-cirúrgicas BI-RADS 3 Presença de achado provavelmente benigno Nódulos circunscritos, ovoides, sólidos, com orientação paralela à pele, hipoecoicos, sem características acústicas posteriores, ou com realce posterior mínimo Cisto complicado único Microcistos agrupados únicos BI-RADS 4 Achado suspeito Nódulos sólidos que apresentam um ou mais critérios suspeitos Ducto único dilatado Complexo sólido-cístico BI-RADS 5 Achado altamente suspeito Nódulos sólidos com achados clássicos de malignidade 3.3 Ressonância magnética das mamas Apesar de ser o exame com maior sensibilidade para detecção do câncer de mama, apresenta baixa especificidade dos achados. Possui alto custo e baixa disponibilidade. Atualmente, possui indicações limitadas: • Avaliação de extensão de doença mamária. • Estadiamento de câncer já conhecido, principalmente em mamas densas, pacientes jovens e subtipos de câncer com tendência a multicentricidade (ex.: carcinomas lobulares invasivos). • Rastreamento de mulheres de alto risco. • Resposta à neoadjuvância no câncer de mama. ↺28 Mastologia 4. Biópsias de mama As diferentes lesões (nódulos, microcalcificações, lesões sólido-císticas, distorções de arquitetura) exigem estratégias distintas para a obtenção de amostras teciduais. A biópsia percutânea deve ser sempre preferida à biópsia cirúrgica. Ela gera menos morbidade, tem menor custo, permite tratamento neoadjuvante e não altera áreas de drenagens nem a anatomia da mama. • Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) É simples e barato, mas permite apenas avaliação citológica. Possui altas taxas de resultados inconclusivos e falso-negativos. Sua principal indicação é a avaliação de linfonodos. Outra indicação que você deve saber é: a realização da PAAF em nódulo palpável permite diferenciar lesões císticas (que desaparecem), de lesões sólidas (que permanecem). Permite, ainda, o esvaziamento de cistos mamários volumosos ou associados à dor mamária (mastalgia). Técnica da PAAF • Biópsia por agulha grossa ou core biopsy É a principal modalidade de biópsia de mama, pois é de fácil realização, custo relativamente baixo e permite estudo anatomopatológico da lesão. A core biopsy é realizada guiada por método de imagem, por exemplo, o ultrassom. Para sua realização, utiliza-se anestesia local, uma pequena incisão na pele, e, então, a biópsia. ↺29 Mastologia Core biopsy Mamotomia x Core biopsy A sua principal indicação é a avaliação de nódulos suspeitos (BI-RADS 4 ou 5). A cada “disparo” do aparelho de core biopsy, um fragmento de tecido filiforme é retirado. Portanto, podem existir dificuldades técnicas na amostragem de lesões pequenas, aumentando a taxa de falso-negativos. É fácil pensar, arister, se temos uma lesão muito pequena, a probabilidade de acertá-la e adquirir uma amostra tecidual de qualidade é menor. • Biópsia vácuo assistida ou mamotomia Os aparelhos de biópsia a vácuo obtêm fragmentos maiores e mais representativos. Diferente dos aparelhos de core biopsy, os mamótomos possuem uma cânula de duplo lúmen, inserida percutaneamente na mama uma única vez, porém são capazes de retirar mais de uma amostra tecidual e até mesmo a lesão completa, pois possuem um sistema de aspiração rotatório. ↺30 Mastologia Suas principais indicações incluem a biópsia de lesões suspeitas pequenas, geralmente inferiores a 1 cm, quando a realização de core biopsy pode ser mais difícil. O mesmo conceito se aplica a microcalcificações e a lesões sólido-císticas, quando a mamotomia apresenta melhor amostragem tecidual. • Biópsia cirúrgica As biópsias cirúrgicas são invasivas, mais caras, associadas a maiores complicações perioperatórias, demandam a marcação radiográfica (agulhamento) previamente à cirurgia. Suas principais indicações são a distorção arquitetural e lesões sólido-císticas grandes. 5. Diagnóstico diferencial das lesões da mama Depois de biopsiar uma lesão de mama, temos três grandes possibilidades de resultado anatomopatológico: • Lesão benigna • Lesão pré-maligna (pouco cobradas nas provas) • Lesão maligna Vamos começar falando sobre as lesões benignas. 5.1 Fibroadenoma ⚠ Os fibroadenomas são os tumores benignos mais comuns das mamas, representando até 50% de todas as biópsias de mama. São tumores responsivos ao estrogênio, iniciam seu crescimento na menacme, podem crescer na gestação e geralmente regridem depois da falência dos ovários. Ao exame, são lesões nodulares fibroelásticas, móveis, com superfície regular e não aderidas aos planos profundos. Fibroadenoma ↺31 Mastologia Os fibroadenomas simples podem apenas ser acompanhados. No entanto, existe indicação de retirada cirúrgica em caso de crescimento ou se as pacientes se tornarem sintomáticas. Os fibroadenomas complexos (que possuem outras alterações proliferativas associadas na biópsia) ainda têm sua conduta controversa, podendo ser discutido com a paciente o seguimento clínico ou a retirada cirúrgica da lesão. 5.2 Fibroadenomas gigantes São aqueles com mais de 5-10 cm. Existe indicação de retirada cirúrgica devido à dificuldade de diferenciação dessas lesões com o tumor phyllodes. 5.3 Tumor phyllodes São lesões pouco comuns e apresentam um comportamento biológico diversificado: podem se comportar como lesões benignas ou malignas, apresentando degeneração sarcomatosa. À medida que crescem, os tumores phyllodes podem formar uma massa visível que distorce o contorno da mama ou até mesmo causar necrose por pressão da pele sobrejacente. São lesões com celularidade aumentada na histologia, podem ser classificados como benignos, malignos ou borderline, e têm indicação de retirada cirúrgica com margens livres. Não há indicação de dissecção linfonodal axilar. 5.4 Fibroadenoma juvenil Apresenta as mesmas características clínicas do tumor phyllodes, mas acomete mulheres mais jovens, geralmente logo após a menarca. Tumor phyllodes em mamografia ↺32 Mastologia Fibroadenoma juvenil E agora vamos entrar no principal tópico da nossa apostila! O câncer de mama! 6. Câncer de mama O câncer de mama, de acordo com o INCA, excluídos os tumores de pele não melanoma, é o mais incidente em mulheres de todas as regiões do Brasil, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. Ainda, é a principal causa de morte associada ao câncer na mulher, com exceção da região Norte, onde o câncer de colo do útero ocupa esta posição. 6.1 Fatores de risco associados ao câncer de mama ⚠ ↺33 Mastologia Questão 03 (INEP-Revalida - DF - 2020) Uma mulher de 44 anos é encaminhada para avaliação de nódulos mamários múltiplos, inicialmente atribuídos a possível doença fibrocística benigna da mama. A razão do encaminhamento ao especialista é a preocupação da paciente com o fato de uma tia paterna, com 68 anos, ter sido recentemente diagnosticada com câncerde mama (adenocarcinoma ductal infiltrante). A paciente é multípara (G4P5), tendo sua primeira gestação ocorrido aos 36 anos de idade. Amamentou todos os filhos por pelo menos 1 ano. Sua menarca foi tardia, ocorrendo aos 16 anos. Relata que seus ciclos menstruais são indolores e regulares, a cada 28 dias (3 dias de duração), com fluxo em volume normal. Mantém relações sexuais regulares, com parceiro único e sem uso de preservativo. Ela nega possuir comorbidades e alergias. No exame das mamas, são palpados múltiplos nódulos de consistência fibroelástica bilaterais, no meio dos quais é palpado um nódulo sólido, indolor e pouco móvel, de 2,0 cm de diâmetro, localizado no quadrante superior externo da mama esquerda; não há alterações cutâneas locais nem linfonodomegalias satélites, axilares, supraclaviculares ou cervicais. No exame físico geral, a paciente se encontra em bom estado, corada, com IMC = 23,5 kg/m². Além do nódulo sólido palpável, qual é o outro fator de risco para câncer de mama que a paciente apresenta? a) Multiparidade. b) Menarca tardia. c) Primeira gestação em idade avançada. d) Tia paterna com câncer de mama pós-menopausa. Comentário Caso tenha acertado, gostaria de pular para o próximo tópico? NãoSim CCQ: Saber que o tempo de exposição ao estrogênio é fator de risco importante para câncer de mama ↺34 Mastologia O conhecimento dos fatores de risco associados ao câncer de mama é fundamental, e pode ser dividido em fatores pessoais e fatores familiares. ⚠ Fatores de risco do câncer de mama Fatores pessoais Fatores familiares Sexo feminino Mutação genética conhecida Idade avançada Parentes de primeiro grau com câncer de mama ou ovário (quanto mais precoce e maior o número de parentes acometidos, maior o risco) Obesidade na pós-menopausa Consumo de álcool (≥ 2 doses/dia) Densidade mamária alta Maior exposição a estrogênios • Reposição hormonal (E+P, tibolona) • Contraceptivos combinados (até 2-5 anos após interrupção) • Menarca precoce e menopausa tardia • Nuliparidade Exposição à testosterona Primeira gestação após 30 anos Ausência de amamentação Irradiação torácica antes dos 30 anos ↺35 Mastologia 6.2 Rastreamento ⚠ Devido a sua grande importância, o câncer de mama faz parte do grupo de neoplasias em que o rastreamento se mostrou eficaz em diminuir a mortalidade das pacientes acometidas. Por isso, é um dos principais temas cobrados pelas bancas! 6.2.1 População de risco habitual ⚠ Nas pacientes com risco habitual de câncer de mama, o exame recomendado para o rastreio é a mamografia. Lembre-se que o autoexame das mamas não é mais recomendado, pois não se mostrou capaz de diminuir a mortalidade associada ao câncer de mama! Questão 04 (INEP-Revalida - DF - 2022) Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o rastreamento do câncer de mama organizado por mamografia de rotina (em que se convida formalmente as mulheres na faixa etária alvo para os exames periódicos), além de garantir controle de qualidade, seguimento oportuno e monitoramento em todas as etapas do processo, apresenta melhores resultados e menores custos que o rastreamento oportunístico. Considerando as informações apresentadas, para qual faixa etária e em que periodicidade, respectivamente, o INCA recomenda o rastreamento do câncer de mama organizado por mamografia de rotina? a) 45 a 69 anos; anualmente. b) 50 a 79 anos; anualmente. c) 40 a 69 anos; a cada 2 anos. d) 50 a 69 anos; a cada 2 anos. Comentário CCQ: O rastreio de câncer de mama é preconizado pelo INCA dos 50 aos 69 anos, com exame realizado a cada dois anos, em caso de normalidade Caso tenha acertado, gostaria de pular para o próximo tópico? NãoSim Indicações de rastreamento universal para câncer de mama Ministério da Saúde Bienal - mulheres de 50 a 69 anos Febrasgo e CRB Anual - mulheres de 40 a 74 anos ↺36 Mastologia Atenção! A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda o rastreamento anual dos 40 até os 69 anos. As divergências na idade de rastreamento vão estar na sua prova, então, atenção às referências da sua banca de escolha. ⚠ Um detalhe importante trazido pela Febrasgo é que pacientes com mamas densas na mamografia teriam indicação de realizar a ultrassonografia como método complementar de rastreamento. No entanto, essa recomendação não é suportada pelo Ministério da Saúde. ⚠ Ainda pela Febrasgo, pacientes com mais de 74 anos, mas com expectativa de vida superior a 7 anos, deveriam ser consideradas para continuar o rastreamento do câncer de mama. ⚠ 6.2.2 População de alto risco Pacientes com alto risco de desenvolvimento de câncer de mama merecem uma atenção maior quando estamos falando de rastreamento! Mas você sabe quem são essas pacientes? ⚠ • Pacientes com lifetime risk calculado por modelos matemáticos ≥ 20%. Entre os modelos utilizados para o cálculo, podemos citar os de Gail (disponível em: https://bcrisktool. cancer.gov/) e de TyrerCuzic (disponível em: https://ibis-risk-calculator.magview.com/). Existem vários modelos de risco de câncer de mama e alguns modelos também calculam o risco de ser portador de BRCA1 e BRCA2. Os modelos variam, podendo se concentrar mais na história familiar ou podendo incluir variáveis pessoais, como história de biópsias de mama, paridade e densidade mamária determinada por mamografia. Todos os modelos que existem hoje possuem limitações e, por isso, o julgamento clínico do médico é importante. • Pacientes com mutações genéticas ou parentes de primeiro grau de pessoas com mutação genética que elevem o risco para câncer de mama, ainda que não testadas. • Pacientes que receberam radiação no tórax entre 10 e 30 anos (principalmente por linfoma). • Pacientes com lesões proliferativas (hiperplasia lobular atípica, carcinoma lobular in situ, hiperplasia ductal atípica) ou com história pessoal de câncer de mama (carcinoma ductal in situ e carcinoma invasor). Devido ao risco maior de desenvolvimento de câncer de mama nesta população específica, o rastreamento dessas pacientes também é diferente. ↺37 Mastologia Indicações de rastreamento em população de alto risco Mamografia Ressonância magnética Mutação BRCA 1 e BRCA 2 ou outra mutação com aumento do risco de câncer de mama (câncer hereditário) Anual, com início aos 30 anos. Anual, com início aos 25 anos. Risco ≥ 20% baseado em modelos de predição de risco (lifetime risk) Anual, dez anos antes da idade do familiar mais jovem no diagnóstico de câncer de mama, mas não antes dos 30 anos, para mamografia, e dos 25, para RM. Irradiação prévia do tórax entre 10 e 30 anos. Anual, com início oito anos após o término da radioterapia, mas não antes dos 30 anos, para a mamografia, e dos 25, para RM. História pessoal de câncer de mama, neoplasias lobulares e hiperplasia ductal atípica Anual, a partir do diagnóstico. A ultrassonografia de mamas pode substituir a ressonância magnética quando não houver acesso a este exame. 6.2.3 Critérios para investigar se um paciente possui a síndrome da predisposição genética ao câncer de mama e de ovário (HBOC) Paciente COM diagnóstico de câncer de mama com 1 ou mais dos seguintes: • Câncer de mamano mesmo lado da família • Parente de 1° ou 2° grau com câncer de mama com 45 anos ou menos • Combinação de câncer de mama com: câncer de ovário, tireoide, endométrio, gástrico difuso, adrenocortical, cerebral, sarcoma, leucemia/linfoma no mesmo lado da família • Mutação conhecida na família em gene de suscetibilidade ao câncer de mama • Câncer de mama em homem 6.3 Medidas redutoras de risco Sabemos que alguns fatores de risco não são modificáveis, como a presença de mutações genéticas; no entanto, mudanças de estilo de vida, quimioprofilaxia e cirurgias redutoras de risco podem contribuir com a redução de risco de desenvolvimento de câncer nas pacientes em até 30%-40%. • Controle do peso Os estudos mostraram que a obesidade, principalmente após a menopausa, está associada a um aumento do risco de câncer de mama. Pode estar associada tanto a fatores inflamatórios quanto ao aumento da produção de estrogênio periférico no tecido adiposo. • Dieta saudável e atividade física regular Tanto hábitos alimentares saudáveis, com dieta rica em frutas, verduras, principalmente aquelas contendo isoflavonas (fitoestrogênios), quanto a atividade física regular mostraram impacto significativo na redução do risco de câncer de mama. • Interrupção do tabagismo e moderação no consumo de álcool • Gravidez e amamentação Quanto mais vezes e por mais tempo a mulher amamentar, menor seu risco de desenvolvimento de câncer de mama. • Quimioprevenção A possibilidade do uso de medicações para redução do risco de desenvolver câncer de mama está sendo cada vez mais recorrente nas provas, junto com as demais estratégias de diminuição de risco. Aqui, você precisa saber para quem indicar a quimioprevenção e ter uma ideia sobre as medicações utilizadas. ↺39 Mastologia Para quem? A principal indicação da quimioprofilaxia é para pacientes com hiperplasias ductais ou lobulares atípicas e neoplasia lobular in situ. Algumas outras indicações citadas pela literatura seriam: risco ≥1,7% em cinco anos para câncer de mama de acordo com o modelo de Gail e história de radiação no tórax entre 10 e 30 anos. O uso da quimioprevenção aparenta ser ineficaz em mulheres com BRCA1 mutado e os dados são limitados para BRCA2, pois a maioria das pacientes com mutações de BRCA1 desenvolvem tumores RH negativos. Como? Pré-menopausa: tamoxifeno 20 mg/d Pós-menopausa: exemestano 25 mg/d ou anastrozol 1 mg/d Pós-menopausa com osteroporose: tamoxifeno 20 mg/d ou raloxifeno 60 mg/d Observação: o tamoxifeno não deve ser usado em associação com paroxetina, fluoxetina e bupropiona. Por quanto tempo? Cinco anos. • Cirurgias redutoras de risco Talvez para mulheres com mutação germinativa dos genes BRCA1 e BRCA2 (pouco consenso na literatura). • Adenectomias bilaterais redutoras de risco • Salpingo-oforectomia bilateral redutora de risco 6.4 Tipos de câncer de mama A maioria dos cânceres de mama tem origem no epitélio dos lóbulos e ductos das glândulas mamárias, mais especificamente nas células luminais. 6.4.1 Carcinoma ductal in situ (CDIS) Pertence ao grupo de lesões precursoras do câncer de mama. O CDIS é definido pela proliferação de células neoplásicas dentro dos ductos mamários, mas ainda sem a ruptura da membrana basal. ↺40 Mastologia Atualmente, mais de 80% dos casos de CDIS são vistos nas mamografias de rastreamento, apresentando-se como agrupamentos de microcalcificações irregulares. A presença de lesões palpáveis e microcalcificações > 4 cm sugere a presença de lesão invasora. Sempre que estivermos diante de um CDIS, a conduta será cirúrgica, preferencialmente com margem > 2 mm: queremos descartar a presença de invasão e prevenir a evolução para câncer invasivo. Em caso de cirurgia conservadora, está indicada radioterapia adjuvante. A biópsia de linfonodo sentinela (BLS) deve ser considerada se lesões extensas (> 4 cm), imagem BI-RADS 5, lesão palpável ou necessidade de mastectomia. Se houver expressão de receptores hormonais (RE/RP), há indicação de hormonioterapia (tamoxifeno ou anastrozol por 5 anos). 6.4.2 Carcinomas invasivos da mama Nos carcinomas invasivos, as células tumorais rompem a membrana basal e invadem o estroma, podendo alcançar os vasos sanguíneos e linfáticos e sofrer disseminação sistêmica. ↺41 Mastologia 6.4.2.1 Carcinoma ductal invasivo sem outra especificação (SOE) O principal subtipo é o carcinoma invasivo tipo não especial ou carcinoma ductal invasivo sem outra especificação (SOE). São eles os principais responsáveis pelas imagens nodulares, com bordas espiculadas ou irregulares na mamografia. Os fatores prognósticos principais são: • Tamanho tumoral • Condição do linfonodo regional • Grau histológico • Invasão angiovascular 6.4.2.2 Carcinoma lobular invasivo Tipo histológico bem menos frequente, representando 5-15% dos carcinomas mamários. Tem tendência à multicentricidade e bilateralidade. De forma geral, surgem em mulheres mais velhas e são tumores maiores e mais bem diferenciados. Os carcinomas lobulares invasivos tendem a metástase mais tardiamente quando comparados aos carcinomas ductais invasivos e se espalham para locais incomuns, como peritônio, meninges e trato gastrointestinal. 6.4.2.3 Carcinoma inflamatório O carcinoma inflamatório da mama manifesta-se clinicamente com acometimento da pele (eritema, edema, calor e peau d’orange - pele em casca de laranja) secundário à obstrução dos capilares linfáticos por células neoplásicas. Ao diagnóstico, quase todas as mulheres têm envolvimento de linfonodos e aproximadamente um terço tem metástases à distância. Carcinoma inflamatório da mama ↺42 Mastologia O curso dos sintomas é rápido e, muitas vezes, essas pacientes são tratadas com antibióticos para mastite presumida sem melhora clínica. O carcinoma inflamatório é classificado como T4d no sistema de estadiamento TNM do câncer de mama (falaremos disso mais para frente), e deve atender aos seguintes critérios: • Início rápido de eritema mamário, edema e/ou casca de laranja e/ou mama quente, com ou sem lesão palpável subjacente. • Duração da história não superior a seis meses. • Eritema ocupando pelo menos um terço da mama. • Confirmação patológica de carcinoma invasivo. 6.4.3 Classificação molecular do câncer de mama Atualmente, são descritos cinco grupos moleculares diferentes do carcinoma de mama. A importância do conhecimento da classificação molecular advém da possibilidade de terapia-alvo contra essas neoplasias. Por exemplo, tumores que expressam receptores hormonais podem se beneficiar com bloqueio hormonal; da mesma forma, tumores que expressam HER 2 se beneficiam de terapia anti-HER2. Veja a classificação abaixo: Classificação molecular do câncer de mama Luminal A RE + e/ou RP + HER 2 - Ki 67extenso (≥T3, ou seja, > 5 cm, e ≥ N2). • Neoplasia metastática: acometimento de órgãos à distância. 6.5.1 Estadiamento do câncer de mama O estadiamento do câncer de mama é feito por meio do sistema TNM. O tamanho tumoral (T) é um dos principais fatores prognósticos do câncer de mama. A imagem, a seguir, vai ajudar a entender a progressão da doença sem precisar decorar o TNM! ↺44 Mastologia Estadiamento do câncer de mama ↺45 Mastologia Estadiamento simplificado do câncer de mama - TNM Tamanho (T) Tis CDIS T1 Tumor com ≤ 20 mm T2 Tumor > 20 mm e ≤ 50 mm T3 Tumor > 50 mm T4 Qualquer tamanho tumoral com: • T4a • T4b • T4c • T4d • Extensão para a parede torácica • Ulceração e/ou nódulos satélites macroscópicos e/ou edema • T4a + T4b • Carcinoma inflamatório Linfonodos (N) N0 Ausência de metástases em linfonodos regionais N1 Metástases em linfonodos ipsilaterais dos níveis I e II N2 • N2a • Metástases em linfonodos ipsilaterais dos níveis I e II clinicamente fixos ou coalescentes • N2b • Metástases em linfonodos mamários internos ipsilaterais, na ausência de metástases em linfonodos axilares N3 • N3a • Metástases em linfonodos infraclaviculares ipsilaterais no nível III axilar, com ou sem envolvimento de linfonodos axilares dos níveis I e II • N3b • Metástases em linfonodos mamários internos ipsilaterais, com metástases em linfonodos dos níveis i e II axilares • N3c • Metástases em linfonodos supraclaviculares ipsilaterais com ou sem envolvimento de linfonodos mamários internos ou axilares Metástase (M) M0 Sem metástase à distância M1 Com metástase à distância ↺46 Mastologia O tratamento do câncer de mama pode ser dividido, didaticamente, em: 1. Cirurgia e avaliação do status axilar 2. Radioterapia 3. Tratamento sistêmico: • Quimioterapia • Hormonioterapia • Terapia anti-HER2 Sobre o tratamento cirúrgico da neoplasia de mama, as bancas costumam cobrar as indicações e contraindicações da cirurgia conservadora, além da necessidade de radioterapia após. A avaliação do status axilar é menos cobrada, pois a conduta relacionada ao esvaziamento ou não da axila depende de discussões muito mais complexas e sempre é individualizado. 6.5.2 Cirurgia ⚠ Quando falamos de cirurgia no câncer de mama, estamos falando do controle local da doença. Tradicionalmente, realizava-se a mastectomia total para quase todas as pacientes. No entanto, a cirurgia conservadora da mama vem ganhando espaço, e as bancas repetidamente cobram quando podemos realizá-la. • Mastectomia convencional ⚠ Foi o primeiro tratamento do câncer de mama. Atualmente, a mastectomia total vem sendo progressivamente substituída pela cirurgia conservadora, seja pelos diagnósticos em estágios mais iniciais, seja pela possibilidade de neoadjuvância. Obs.: existe uma complicação clássica das mastectomias chamada escápula alada. Ocorre por lesão do nervo torácico longo (nervo de Bell) e gera uma abdução do braço, dando a impressão realmente de uma escápula em forma de asa. ↺47 Mastologia Escápula alada Cirurgia conservadora Avaliação axilar Radioterapia • Cirurgia conservadora ⚠ A cirurgia conservadora da mama engloba a quadrantectomia, setorectomia ou tumorectomia, seguida de avaliação axilar e radioterapia da mama. É o tratamento de escolha em tumores iniciais, no entanto, sua indicação deve preencher alguns critérios: ⚠ • Tumor com até 20% do volume mamário • Disponibilidade de radioterapia adjuvante • Paciente deseja técnica conservadora São contraindicações a cirurgia conservadora: • Absolutas ⚠ • Microcalcificações extensas e difusas • Impossibilidade de margens livres ↺48 Mastologia • Lesões muito grandes em relação ao volume da mama • Radioterapia torácica prévia • Desejo da paciente • Relativas • Gestação • Tumores multicêntricos • Tumores > 5 cm • Doenças vasculares do colágeno em atividade (exceto artrite reumatoide) • Avaliação da axila ⚠ No início, acreditava-se que a retirada dos linfonodos axilares melhoraria a sobrevida das pacientes, e também o controle local da doença. No entanto, hoje sabemos da importância do estadiamento da axila: os linfonodos axilares estão ou não comprometidos? Cirurgia de avaliação da axila no câncer de mama Esvaziamento axilar (EA) direito, sem realização de BLS Biópsia de linfonodo sentinela (BLS) Sem indicação de cirurgia axilar Carcinoma inflamatório Axila clinicamente positiva* Pacientes com axila clinicamente negativa que não se encaixam no grupo “Sem indicação de cirurgia axilar” Carcinoma ductal in situ Carcinomas não especiais até 0,5 cm e carcinomas de subtipos especiais até 1,0 cm (indicação pode variar na literatura) *Atualmente, pacientes com axila clinicamente positiva (N1-N2) podem ser submetidos à quimioterapia neoadjuvante e, em caso de manutenção de axila positiva, prossegue-se o esvaziamento axilar. No entanto, se houver remissão, é possível realizar a biópsia de linfonodo sentinela (BLS) e, apenas se positiva, prossegue-se o EA. As pacientes com biópsia de linfonodo sentinela (BLS) negativa não necessitam de esvaziamento axilar. No entanto, essa conduta é individualizada e discutida caso a caso, a depender do estadiamento, tipo tumoral e fatores de risco de recidiva. ↺49 Mastologia Linfonodo sentinela Já nas pacientes com axila clinicamente negativa, sem neoadjuvância, mas biópsia de linfonodo sentinela positiva até 2 linfonodos, existem estudos que suportam a conduta de não realizar o esvaziamento axilar se o tumor inicial for T1-T2 e a paciente for ser submetida a radioterapia axilar ou mamária. Nos demais casos, estaria indicada a dissecção axilar. 6.5.3 Radioterapia ⚠ Atualmente, a radioterapia tem papel fundamental no tratamento do câncer de mama. O tratamento-padrão compreende a irradiação de toda glândula mamária. As indicações clássicas que você deve saber são: • Após cirurgia conservadora (sempre) • Tumores localmente avançados ou tumores com > 5 cm (T3 ou T4) • Linfonodos axilares positivos • Margens cirúrgicas comprometidas ↺50 Mastologia A radioterapia é contraindicada na gestação (portanto, impossibilita a cirurgia conservadora durante a gravidez) e tem contraindicação relativa nos casos de doenças do colágeno e irradiação prévia da parede torácica. 6.5.4 Hormonioterapia ⚠ Esse é um dos temas mais cobrados dentro do tratamento do câncer de mama, então, atenção! Se o câncer apresenta receptor hormonal positivo (RE = receptor para estrogênio, indicamos a hormonioterapia com inibidores da aromatase (ex.: anastrozol) ou tamoxifeno (um modulador seletivo para receptor de estrogênio - SERM). A ideia é simples: se o câncer responder ao hormônio, vamos inibir a produção de hormônio da paciente. ⚠ O tamoxifeno é um modulador SELETIVO dos receptores de estrogênio. Ou seja, atua como antagonista na mama, porém, como agonista nos demais órgãos. Assim, existe um aumento do risco de câncer de endométrio. Portanto, nas pacientes que fazem uso dessa medicação, deve ser realizado um controle ultrassonográfico para avaliação do endométrio. Já o anastrozol é um inibidor da aromatase, ou seja, impede a conversão de andrógenos em estrogênio. Você deve estar se perguntando: há alguma indicação específica para utilizar o tamoxifeno ou o anastrozol? Na pós-menopausa, não. Ambos podem ser utilizados. O anastrozol parece ser um pouco melhor para evitar recidivas e tem menos efeitos colaterais que o tamoxifeno. Porém, isso tem um custo: o anastrozol é mais caro. Em mulheres na pós-menopausa, o estradiol é produzido primariamente a partir da conversão da androstenediona em estrona através do complexo enzimático aromatase nos tecidos periféricos. Como antes da menopausa temos uma produção importante de estradiol pelos ovários, o anastrozol só é indicado após a menopausa, pois ele não atua nos ovários. Então, na pós-menopausa, podemos utilizar os dois. Antes da menopausa, só o tamoxifeno é indicado. Algo a mais: os inibidores da aromatase podemcausar perda de massa óssea importante e, por isso, recomenda-se o uso precoce de bisfosfonatos, principalmente do ácido zoledrônico, além da suplementação de cálcio e vitamina D. 6.5.5 Terapia-alvo anti-HER 2 ⚠ Outro tema que vem crescendo e ganhando espaço nas provas! Existe um medicamento (um anticorpo monoclonal) chamado trastuzumabe que bloqueia um receptor de membrana (HER-2), inibindo o crescimento tumoral. Já o pertuzumabe se liga a um domínio diferente do receptor e vem sendo utilizado em conjunto com o trastuzumabe no chamado duplo bloqueio. O uso da terapia-alvo anti-HER2 está apresentando muito sucesso em pacientes com tumor que expressam este receptor (possui relação com pior prognóstico e maior agressividade) e pode ser tema de questões difíceis. ↺51 Mastologia Por fim, os tumores que não possuem nem expressão hormonal (tanto para estrogênio quanto para progesterona), nem a superexpressão de HER2, são chamados de triplo negativo, restando, basicamente, a quimioterapia tradicional como terapia adjuvante (e possuem um pior prognóstico). 6.5.6 Quimioterapia A quimioterapia com agentes convencionais é utilizada principalmente nos tumores triplo-negativos. Os esquemas tradicionais são baseados em antraciclinas, ciclofosfamida e taxanos. Ainda, alguns esquemas podem incluir os análogos de platina (ex. cisplatina e carboplatina). As antraciclinas (ex.: doxorrubicina), assim como o trastuzumabe, podem ter efeito deletério sobre o miocárdio e, por isso, há necessidade de avaliação eco e eletrocardiográfica antes e durante o tratamento com essas medicações. Tanto as antraciclinas quanto os taxanos (ex.: paclitaxel) podem causar supressão da medula óssea, havendo risco de neutropenia febril. 6.5.7 Câncer de mama inicial Chamamos de câncer de mama inicial aqueles tumores cujo estadiamento compreende T1 e T2, sem extenso comprometimento linfonodal, ou seja, N0 e N1. Em relação à cirurgia, a conservadora é preferível, desde que o caso se enquadre nos três principais critérios para sua realização (tumor com até 20% do volume mamário, disponibilidade de radioterapia e paciente deseja técnica conservadora), sempre seguida de radioterapia. Lembre-se da necessidade de avaliação do status axilar! A terapia sistêmica tem como objetivo controlar qualquer doença microscópica circulante, melhorando a sobrevida. Tumores luminais têm indicação de hormonioterapia (tamoxifeno ou anastrozol por 5-10 anos); enquanto tumores HER 2 possuem terapia-alvo (trastuzumabe) e os triplo-negativos recebem quimioterapia convencional. ↺52 Mastologia Dê uma olhada neste caso clínico: “paciente de 68 anos, tratada de câncer de mama esquerda há 8 anos. Foi submetida à cirurgia conservadora, radioterapia adjuvante e utilizou tamoxifeno por 60 meses. Em mamografia de rotina foi encontrada uma lesão nodular de 0,5 cm de diâmetro BI-RADS® 5 no quadrante superolateral da mama direita. A biópsia percutânea confirmou carcinoma ductal invasor grau 2 do subtipo triplo negativo. A axila e a fossa supraclavicular estão livres. Ultrassonografia da axila direita sem alterações. Não há sinais radiológicos ou clínicos de recorrência local na mama esquerda”. Temos uma paciente que já tratou um câncer de mama, mas que hoje apresenta um novo carcinoma invasor na mama contralateral! Trata-se de um tumor inicial (tamanho tumoral 5 cm), com comprometimento cutâneo ou de parede torácica. Ainda, podem se manifestar com comprometimento linfonodal extenso. Câncer de mama localmente avançado ↺54 Mastologia O objetivo da quimioterapia neoadjuvante é permitir a redução do volume tumoral, possibilitando uma cirurgia conservadora. Vamos dar um exemplo: “mulher, 58 anos, com mamas volumosas, pendulares, e com tumoração de quatro centímetros em quadrante superolateral da mama esquerda, acompanhada de retração de complexo aréolo-papilar, axila esquerda com gânglio semifixo e endurecido de um centímetro. Realizou biópsia por agulha grossa com diagnóstico de carcinoma não especial, tipo ductal, subtipo molecular triplo negativo”. Nesse caso, temos uma paciente com estadiamento T2N2, ou seja, pelo comprometimento linfonodal temos um carcinoma localmente avançado. Portanto, já sabemos que, idealmente, nossa paciente irá ser submetida a neoadjuvância! Por ser um tumor triplo-negativo, são utilizados quimioterápicos tradicionais. Espera-se, com o tratamento neoadjuvante, reduzir o tamanho tumoral, permitindo uma cirurgia conservadora da mama. Classicamente, axilas clinicamente positivas têm indicação de esvaziamento axilar. A radioterapia seria obrigatória após cirurgia conservadora. Esse caso clínico foi retirado da prova da UFPA, de 2022, que perguntava qual o tratamento indicado. A resposta correta era “quimioterapia neoadjuvante + quadrantectomia e linfadenectomia axilar + radioterapia''. Viu como conhecer os conceitos do tratamento permite que você encontre a resposta correta?! Só mais um exemplo para reforçar o conceito, agora da USP-SP, de 2022: “mulher, 60 anos, passa em consulta de rotina anual. Hipertensa em uso de anlodipino e diabetes controlado com metformina. Ao exame clínico das mamas observa-se linfonodos endurecidos, coalescidos, pouco móveis em palpação da axila direita e supraclavicular direita. A mamografia é apresentada.” Mamografia mostrando nódulo mamário altamente suspeito ↺55 Mastologia A banca perguntava sobre qual tratamento deveria ser iniciado. A resposta? Quimioterapia primária! Ou seja, diante de um tumor localmente avançado (repare na presença de linfonodos endurecidos, coalescidos e fixos!) está indicada a neoadjuvância. 6.5.9 Câncer de mama inflamatório Trata-se de uma doença mais agressiva que o carcinoma localmente avançado da mama, com sobrevida significativamente menor. Aqui, utilizamos todo o arsenal disponível para tratamento: quimioterapia, cirurgia, radioterapia e até mesmo hormonioterapia e terapia-alvo, se possível. 6.5.10 Câncer de mama metastático O tratamento do câncer metastático pode ser dividido em tratamento sistêmico e tratamento locorregional. Por muito tempo, a cirurgia nesses casos era considerada “higiênica”, no entanto, evidências mais recentes sugerem que a realização da cirurgia do tumor primário deva ser discutida, principalmente se houverprogressão de doença mamária. O tratamento sistêmico com quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo está indicado. Os sítios de metástase mais comuns são: ⚠ • Ossos (lesões osteolíticas) • Fígado • Pulmões • Cérebro 6.6 Seguimento após tratamento do câncer de mama A forma de seguimento após o tratamento do câncer de mama não é consenso. Uma das recomendações seria a avaliação clínica a cada 3-6 meses durante os três primeiros anos após o tratamento, a cada 6-12 meses nos dois anos subsequentes e anualmente na sequência. A mamografia deve ser solicitada anualmente para as pacientes que não apresentam sintomas de recidivas. US pélvico anual é recomendado para as pacientes em uso de tamoxifeno. A densitometria óssea está indicada para pacientes em uso de inibidores de aromatase e aquelas em uso de tamoxifeno na pré-menopausa a cada dois anos. Ufa! Terminamos nossa abordagem sobre câncer de mama! Agora vamos para temas bem mais tranquilos! 7. Mastalgia A mastalgia é uma das principais queixas nos consultórios de mastologia. Ela pode ter origem mamária ou não mamária. ↺56 Mastologia Mastalgia Mamária Cíclica Acíclica Extramamária Mastalgia Nas questões, por meio da história clínica e exame físico, tentaremos distinguir a etiologia da mastalgia. 7.1 Etiologias da mastalgia Etiologias da mastalgia Extramamária Mastalgia acíclica Mastalgia cíclica Costocondrite (síndrome de Tietze) Dor muscular Herpes-zóster Pericardite/DAC Refluxo gastroesofágico Tromboflebites (síndrome de Mondor) Hipertrofia mamária Macrocistos Ectasia ductal Gestação Trauma Nódulos de grandes dimensões Mastites Medicamentos Relacionada com o ciclo menstrual, principalmente na fase lútea, que melhora com a menstruação Mais comum no QSL, geralmente bilateral e difusa Os dois principais diagnósticos diferenciais cobrados pela banca e que podem gerar confusão são: • Síndrome de Tietze: inflamação da articulação costocondral. O tratamento é feito com anti-inflamatórios. • Síndrome de Mondor (ou tromboflebite superficial da mama): trata-se de uma tromboflebite superficial acometendo as veias da mama e da parede torácica e se manifesta como um cordão palpável, espesso e doloroso. É uma condição autolimitada que geralmente se resolve em quatro a oito semanas. O tratamento é de suporte com analgésicos, se houver dor. ↺57 Mastologia Síndrome de Mondor 7.2 Tratamento da mastalgia O tratamento da mastalgia extramamária e da mastalgia acíclica irá depender das investigações adicionais e definição da causa específica da dor. Por isso, o importante é entender o tratamento da mastalgia cíclica. ↺58 Mastologia Mastalgia Cíclica, bilateral, difusa + exame físico e imagens normais Acíclica, unilateral, localizada Extramamária Osteocondrite (síndrome de Tietze)/herpes-zóster/ dor torácica atípica/dor osteomuscular/fibromialgia/ dor referida Mamárias Anamnese + exame físico Tratar causa específica Mastites/abscessos/síndrome de Mondor/trauma/câncer Provável causa específicaOrientação verbal Persistência da dor (após 1-2 meses) Seguimento rotineiro Analgésicos/AINES Sem melhora Melhora Tamoxifeno 10 mg/dia 3-6 meses Persistência da dor discutir outras terapias Abordagem da mastalgia O tratamento da mastalgia cíclica irá incluir: • Orientação verbal (90% de eficácia) O principal medo das pacientes com mastalgia é de uma possível associação com câncer de mama. Por isso, tranquilizar a paciente após exclusão de neoplasias é fundamental. • Medidas de estilo de vida Algumas medidas podem ser orientadas, apesar da falta de comprovação científica: uso de sutiãs com boa sustentação, dieta saudável, pobre em gorduras, e prática regular de atividade física. • Medicações iniciais Algumas medicações podem ser utilizadas para o tratamento da mastalgia: • AINEs e anti-inflamatórios tópicos; e • Tamoxifeno 10 mg/dia por 3-6 meses (se refratário). ↺59 Mastologia 8. Processos inflamatórios das mamas As mastites, nome dado aos processos inflamatórios das mamas, podem ser classificadas em: • Mastite aguda: duração inferior a 30 dias. O principal exemplo é a mastite puerperal. • Mastite crônica: duração superior a 30 dias ou recorrência após tratamento. Podem ser infecciosas ou não infecciosas. 8.1 Mastite puerperal A principal representante das mastites agudas, a mastite puerperal acomete lactantes principalmente entre a segunda e a quinta semana de puerpério. Bactérias utilizam as fissuras mamilares como porta de entrada, e, devido à estase láctea, proliferam. Pode ser um quadro grave, com formação de abscesso mamário e até mesmo levar à sepse. Fissura mamilar As principais bactérias associadas são o Staphylococcus aureus, o Staphylococcus epidermidis e as espécies de Streptococcus. Os sintomas clínicos incluem dor, edema e aumento da temperatura da mama afetada. Há possibilidade de sintomas sistêmicos como febre, prostração, náuseas, vômitos e toxemia. As infecções estafilocócicas podem evoluir com formação de abscessos. ↺60 Mastologia Mastite puerperal O tratamento consiste em manter amamentação ou realizar ordenha mamária, controle da dor com analgésicos e antibioticoterapia. Se houver formação de abscesso mamário, está indicada a drenagem cirúrgica. E qual antibiótico utilizar? São várias opções, porém sempre devemos cobrir germes Gram-positivos e, se infecção grave ou abscessos, anaeróbios. Algumas delas são: • Cefalexina 500 mg, 6/6 horas, via oral, por 7 - 14 dias; • Cefadroxila 500 mg, 12/12 horas, via oral, por 7 - 14 dias; • Amoxicilina/clavulanato 875 mg, 12/12 horas, via oral, por 7 -14 dias; e • Oxacilina 2 g, endovenoso, 4/4 horas. ↺61 Mastologia Mastite aguda Abscesso periareolar 8.2 Mastites crônicas As mastites crônicas são bem menos cobradas pelas bancas examinadoras e, por isso, vamos passar rapidamente por alguns tópicos principais. • Abscesso subareolar crônico recidivante (ASCR) Infecção crônica e recorrente da região subareolar. Os três principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são: tabagismo, diabetes e obesidade. Caracteriza-se clinicamente pela formação de abscessos subareolares que drenam para a pele, formando fístulas. ↺62 Mastologia • Mastite granulomatosa idiopática Condição crônica pouco frequente, na qual existe processo inflamatório mamário recorrente, não associado a infecção, corpo estranho, trauma ou qualquer outra condição que leve à inflamação granulomatosa. Tem-se interrogado possível etiologia autoimune. Há formação de múltiplos pequenos lóculos com pequena quantidade de pus. Pode-se usar corticoterapia ou metotrexato. 9. Descarga papilar A descarga papilar é a terceira queixa mais comum relacionada às mamas, ficando atrás apenas da mastalgia e dos nódulos mamários. No entanto, sua interpretação e diagnóstico podem ser complexos, uma vez que as condições associadas à descarga papilar variam de condições benignas até neoplasias mamárias e de sistema nervoso central. A descarga papilar é definida como a saída de secreção pela papila fora do ciclo gravídico-puerperal e do período de amamentação. Mas como esse tema é cobrado nas provas? As bancas geralmente fornecem as características do derrame papilar e pedem a principal hipótese diagnóstica associada! 9.1 Investigação da descarga papilar A investigação da descarga papilar começa com a anamnese e o exame físico. Ao realizar a expressão do complexo aréolo-papilar, devemos buscar um “ponto de gatilho” e identificar se a descarga é uniductal ou multiductal. Aqui você precisa saber quais características classificam uma descarga papilar como suspeita, determinando, assim, a necessidade de prosseguir a investigação! Diferenças entre descarga papilar benigna e descarga papilar suspeita Descarga papilar benigna Descarga papilar suspeita Bilateral Unilateral Provocada Espontânea Multiductal Uniductal Multicolorido Hemorrágico ou sero-hemorrágico Cristalino ou “água de rocha” Presença