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ENDOCRINOLOGIA Msc. Paula Nassar De Marchi Email:paulanassardm@gmail.com @paulanassarvet Temas Abordados Hipotireoidismo Canino Síndrome do Eutiroideo Doente Hipertireoidismo Felino Hiperparatireoidismo Secundário Renal Distúrbios da Tireoide e Paratireoide EIXO H-H-TIREÓIDE Fonte: sapiens.art.br Hipotireoidismo Distúrbio metabólico relacionado a deficiência de hormônios tireoideanos Função dos Hormônios Tireoideanos Desenvolvimento fetal Regulação da secreção e metabolização de hormônios Regulação da concentração, síntese e atividade enzimática Regulação da síntese de proteínas Regulação do metabolismo de carboidratos e lipídeos Regula síntese e degradação do colesterol Estimula lipólise Hipotireoidismo Função dos Hormônios Tireoideanos Estimula a eritropoiese Aumenta formação e reabsorção óssea Controle térmico Efeito cronotrópico e inotrópico positivo Hipotireoidismo Primário Tireóides 1) Congênito Raro ou pouco diagnosticado Nanismo desproporcional Macroglossia Retardo no aparecimento dos dentes Retardo na maturação das epífises e anormaldiades articulares Hipotireoidismo Etiologia Hipotireoidismo Congênito Primário Tireóides 2) Adquirido Causas Tireoidite Linfocítica Autoimune Acs anti tireoglobulina Atrofia Folicular Idiopática Destruição da tireóide por neoplasia Tireoidectomia, medicamentos, radioiodoterapia Hipotireoidismo Etiologia Secundário hipófise (central) Iatrogênico: + comum Pelo uso de GCs suprime secreção de TSH Síndrome Eutireoideo Doente Adquirido Neoplasia Hipofisária Trauma Hipofisectomia Radioterapia Hipotireoidismo Etiologia Terciário Hipotálamo (central) Neoplasias ou hemorragias no hipotálamo Alteração na molécula ou receptor de TRH Raríssimo nos cães Hipotireoidismo Etiologia Hipotireoidismo Predisposição Meia-idade Fêmeas Manifestações Cutâneas Alopecia simétrica bilateral não prurigiona Tende a poupar cabeça e extremidades Disqueratinização Piodermite Pelagem seca, quebradiça Otites externas crônicas e/ou recidivantes Hiperqueratose e hiperpigmentação Hipotireoidismo Sinais Clínicos Hipotireoidismo Sinais Clínicos Obesidade sem aumento de Apetite Déficit Mental e Letargia Intolerância ao Exercício Constipação Sinais Cardiovasculares Bradicardia Disfunção sistólica Fibrilação atrial Hipotermia/Termofilia (10%) Ausência de PU/PD Manifestações Reprodutivas Cios irregulares Anestro prolongado Sangramento estral prolongado Galactorreia Ginecomastia Reabsorção fetal e aborto Hipotireoidismo Sinais Clínicos Manifestações Neuromusculares Convulsão (hiperlipidemia) Neuropatia Periférica: Paralisia facial Fraqueza Paralisia/Paresia flácida Atrofia Muscular Miopatias Vestibulopatia central e periférica Hipotireoidismo Sinais Clínicos Manifestações Neuromusculares Paralisia de laringe Megaesôfago Coma mixedematoso Incomum Fraqueza + hipotermia + bradicardia + redução nível consciência estupor coma Hipoventilação, hipoxemia, hipoglicemia Tratamento: Levotiroxina 5µg/kg IV + suporte Hipotireoidismo Sinais Clínicos Manifestações Oculares KCS Lesões retinianas Descolamento de retina Lipemia retiniana Deposição lipídica na córnea Hipotireoidismo Sinais Clínicos Hemograma Anemia não regenerativa leve Baixa produção de EPO Baixa resposta a células progenitoras de EPO Baixo estímulo a células-tronco Trombocitose Aumento do número de plaquetas Redução do tamanho das plaquetas Hipotireodismo Aspectos Laboratoriais Hiperlipidemia Hipertrigliceridemia Hipercolesterolemia (70%) Baixa excreção biliar de colesterol Baixo receptor de LDL hepático Baixa lipase lipoproteica e lipase hepática Hipercolesterolemia > Hipertrigliceridemia Hipotireodismo Aspectos Laboratoriais Frutosamina Aumentada Sem relação com DM Ausência de HT’s aumenta ½ vida da albumina mais tempo na circulação aumento da frutosamina Hipotireodismo Aspectos Laboratoriais Função hepática Aumento da FA e GGT Discreto Secundário a colestase Relacionado a hipercolesterolemia Hipotireodismo Aspectos Laboratoriais T4 Total (T4t) Triagem Falso aumento na presença de Acs anti-T4 Dosar juntamente com albumina T4t normal + ausência de Acs anti-T4 exclui hipotireoidismo Sofre + influência que o T4l no caso de Síndrome do Eutireoideo doente (SED) Pode estar baixo na SED Sempre associar a T4l e TSH Hipotireoidismo Hipotireoidismo Diagnóstico T4 livre (T4l) Forma ativa disponível para os tecidos Boa correlação com a condição clínica 80% sensibilidade 93% especificidade Hipotireoidismo Diagnóstico T4 livre (T4l) T4l sofre menos interferência por doenças e medicações que o T4t Pode reduzir na SED Fase inicial de hipotireoidismo pode ter o T4l normal Ac anti T4 não interfere nesse teste Hipotireoidismo Diagnóstico Sem diferença estatítisca na dosagem do T4livre entre Hipotireoidismo verdadeiro X SED (HAC) T4 livre X SED T4 livre (T4l) Técnicas RIA Diálise de Equilíbrio “Gold Standart” Processo de ultrafiltração para separação das partículas de T4l > sensibilidade > acurácia + Confiável Associada ao TSH reduz chance de erro diagnóstico Bifásico Hipotireoidismo Diagnóstico Tireotrofina (TSH) Oferece informações sobre a interação entre a hipófise e a tireóide [TSH] deve estar em cães com hipotireoidismo TSH >0,6ng/dL consistente com hipotireoidismo [TSH] aumentada SEM hipotireoidismo uso de medicações Hipotireoidismo Diagnóstico TSH 20 a 40% dos hipotireoideos níveis normais de TSH Cães hipotireoideos com confirmação histológica CAUSAS: Flutuações na [TSH] Supressão do TSH pelo uso de drogas ou SED, em paralelo ao hipotireoidismo Inabilidade do teste em identificar todas as isoformas de TSH circulante Hipotireoidismo Diagnóstico US Cervical Tireoidite linfocítica e atrofia idiopática Redução no tamanho da tireoide Redução no volume da tireoide Alteração na ecogenicidade Iso a hipoecoico com focos hiperecogênicos Hipotireoidismo Diagnóstico T4 livre (diálise de equilíbrio): Baixo TSH: alto Hipotireoidismo Diagnóstico Sinais Clínicos + Alterações Laboratoriais + Dosagens hormonais + Diagnóstico terapêutico Hipotireoidismo Diagnóstico Levotiroxina Sódica Comercial: 22mcg/kg SID a BID, em jejum Hipotireodismo Tratamento Hipotireodismo Tratamento Teste de Reposição de Levotiroxina Deve ser realizado após no mínimo 4 semanas de introdução ou alteração na dose da levotiroxina Objetivo Monitoração do tratamento Adequação da dose de reposição de levotiroxina Sinais de toxicidade Após inicio da terapia T4t e T4l normalizam em 10-14 dias TSH normaliza após 6 semanas Hipotireoidismo Controle do Tratamento Teste de Reposição de Levotiroxina Protocolo Mensuração de T4 total basal (antes da adm de levotiroxina) Mensuração de T4total após 4-6h da adm da levo Interpretação T4t basal: 1,25 a 3,9µg/dL T4t pós levo: 2,5 a 5µg/dL Hipotireoidismo Controle do Tratamento Teste de Reposição de Levotiroxina Hipotireoidismo Controle do Tratamento Supressão da [HT’s] em cães eutiroideos resposta a uma doença concomitante Síndrome do Eutiroideo Doente [HT] [TSH] Redução do metabolismo basal proteção Supressão do hipotálamo ou hipófise Redução da síntese de T4 diminuição da concentração ou da afinidade de ligação das proteínas pelos HT’s Maior conversão de T4 T3r Devo tratar? Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Síndrome do Eutiroideo doente Dermatopatia grave Neoplasias Obesidade Gastroenterites Fármacos Glicocorticoides Fenobarbital Sulfonamidas Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Glicocorticoides Redução [T4t] e [T4l] [TSH] variável Inibe conversão de T4 T3 (humanos) Supressão dos HT’s, depende do tipo, via e tempo de adm Geralmente não causa hipotireoidismo clínico Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Fenobarbital Altera HT’s em 5 semanas de uso Mimetizador do hipotireoidismo Reduz [T4l] e [T4t] Aumenta [TSH] devido a perda ao feedback de T4 Não altera [T3] Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Fenobarbital Hipercolesterolemia PU/PD, PF, obesidade Suspensão do Tratamento TSH restabelece rapidamente T4t e T4l demoram 4 semanas para normalizar Devo suplementar levotiroxina? Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Brometo de Potássio e Propanolol Não interferiu nas [HT’s] Sulfonamidas Reduz [T4l] e [T4t] em 1 a 2 semanas de uso Aumenta [TSH] em 2 a 3 semanas de uso Administração crônica de sulfonamidas sinais de hipotireoidismo Restabelecimento dos níveis normais 2 a 12 sem após uso Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Variação Racial Greyhounds E Huskys menor [T4t] e [T4l] Síndrome do Eutiroideo Doente Fatores que podem interferir na [HT’s] Condicionamento atlético e treinamento Abaixam os níveis dos HT’s Vacinação Aumento transitório dos níveis de Acs circulantes Realizar dosagem de HT’s após 2 semanas da vacinação Síndrome do Eutiroideo Doente HIPERTIREOIDISMO Distúrbio metabólico decorrente da produção e secreção excessiva de hormônios tireoideanos Mais comum em felinos Hipertireoidismo Doença de diagnóstico tardio “Subdiagnosticada” Pouco conhecida pelo clínico Alterações podem sugerir outras doenças SUSPEITEM... INVESTIGUEM... PALPEM A TIREÓIDE... Hipertireoidismo Felino ETIOLOGIA Primária Tireóide Hiperplasia adenomatosa multinodular Carcinoma Comum em cães Menos de 2% nos felinos Dieta com excesso ou falta de iodo Hipertireoidismo Felino ETIOLOGIA Secundária e Terciária Distúrbios hipofisários e hipotalâmicos (RAROS) Teoria Multifatorial Causas nutricionais e ambientais Hipertireoidismo Felino PREDISPOSIÇÃO Idade média: 13 anos Sem predisposição sexual Pêlo curto e longo Siameses e himalaios menor risco Hipertireoidismo Felino Hipertireoidismo Felino Sinais Clínicos Polifagia Inquietação Hiperatividade Agressividade Poliúria Polidipsia Alopecia desigual Excessiva limpeza PU/PD Hipocalemia “Miopatia hipocalêmica” ventroflexão de pescoço Êmese “Ranger de dentes”: náusea Diarreia Hipertireoidismo Felino Sinais Clínicos Hipertireoidismo Felino Sinais Clínicos No caso de tumores (carcinoma) de tireóide (Causados pela presença do tumor em si) Aumento de volume em pescoço Tosse Dispneia Disfagia Disfonia Dor EXAME FÍSICO Tireoide palpável (em 91% casos) Tireoide pode migrar para o mediastino (frouxidão ligamentar) Hipertireoidismo Felino EXAME FÍSICO Taquicardia e sopro cardíaco Ação dos HT’s sobre miocárdio Hipertrofia Rins diminuídos a PA (com creat baixa) chama atenção Magreza/caquexia Alopecia/pelagem eriçada Hipertireoidismo Felino ASPECTOS LABORATORIAIS Eritrograma: geralmente normal Discreto aumento no Hematócrito HT’s agem sobre MO sobre eritropoiese Anemia Síndrome paraneoplásica (carcinomas) Leucograma de estresse Leucositose por neutrofilia Linfopenia e eosinopenia Hipertireoidismo Felino ASPECTOS LABORATORIAIS Função Hepática Aumento da ALT (85% dos hipertireoideos) Aumenta da FA e GGT mais tardio (colestase) Função cardíaca (ec0cardiograma) Hipertrofia do VE Espessamento de septo interventricular Dilatação de átrio e ventrículo esquerdo Hipertireoidismo Felino Aspectos Laboratoriais Hipertireoidismo TFG (PU/PD) Mascara a azotemia Mascara a DRC Aspectos Laboratoriais Como avaliar a função renal no gato hipertireoideo? Palpação renal rins diminuídos a PA Creatinina baixa em gato com + de 11 anos Us abdominal alteração do parênquima renal e relação corticomedular aspecto de nefropatia Hipertireoidismo Felino Diagnóstico Dosagem de t4 total por radioimunoensaio T4t > 4 µg/dL Cintilografia Útil para diagnóstico Auxilia na definição da dosagem do iodo radioativo Localiza o tecido tireoideano ectópico Auxilia o diagnóstico de hipertireoidismo em tireoides não palpáveis Hipertireoidismo Felino Diagnóstico Nelson e Couto, 2007 Ultrassom de cervical Confirmação da massa cervical palpável Definição do acometimento uni ou bilateral Avaliação tamanho da massa tireoideana Definição da melhor terapia Programação cirúrgica Hipertireoidismo Felino Diagnóstico Hipertireoidismo Felino Tratamento Possibilidades Terapêuticas Medicamentoso Cirúrgico Dieta Iodo radioativo Hipertireoidismo TFG (PU/PD) Mascara a DRC (mascara azotemia) Tratamento do hipertireoidismo Azotemia + Sinais Clínicos de DRC Hipertireoidismo Felino Tratamento Medicamentoso Antitireoideano oral (metimazol) Reversão dos distúrbios metabólicos e cardíacos Avaliação do impacto do tto sobre a função renal Redução dos riscos anestésicos (tireoidectomia) Terapia Reversível Terapia contínua Hipertireoidismo Felino Tratamento Medicamentoso Vantagens: Reversível Fármaco dependente Inibe síntese de h. tireoideanos No caso de sinais de azotemia possível suspendê-lo Baixo custo Não invasivo Não necessita anestesia e/ou cirurgia Hipertireoidismo Felino Tratamento Medicamentoso Desvantagens: Inconstância do tratamento Refratariedade a Iodo terapia Efeitos colaterais Êmese, anorexia Hepatotoxicidade Prurido cefálico Trombocitopenia e leucopenia Hipertireoidismo Felino Tratamento Medicamentoso Metimazol Dose: 2,5 a 15mg/gato Fracionar em BID ou TID Não suspender tto bruscamente Manipular emgel transdérmico (“gel plurônico”) Reduz efeitos colaterais (êmese) Usar luva para aplicação Aplicar na face interna do pavilhão auricular Hipertireoidismo Felino Tratamento Medicamentoso Monitoração do tratamento e dos efeitos colaterais Iniciar com dose de 2,5mg/gato BID Em 2 semanas: Hemograma, ureia, creatinina, T4t Se tudo ok, e T4t > 2 µgdL aumentar 2,5mg/gato/dia 5mg/gato de manhã e 2,5mg/gato à noite Reavaliação dos parâmetros a cada 2 semanas e incrementos de dose de 2,5mg/gato/dia por vez Meta: 1 µg/dL