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19/09/2023 Adenomegalias e Câncer Infantil Linfonodos · Órgãos linfóides secundários · Córtex e Medula · Centros germinativos · Cordões paracorticais → Parte do sistema imunológico, os primários são o timo e a medula óssea, onde são feitos a maior produção de células. A linfa tem na sua composição proteínas e linfócitos. → Os linfonodos apresentam áreas específicas, é encapsulado por tecido conjuntivo, a parte central é chamado de medula. → Os folículos linfóides produzem linfócito B. O pico neuronal é a janela imunologica nos primeiros anos de vida. Os linfonodos na idade escolar apresentam um pico e podem ser palpados sem patologia referente. Fisiopatologia das Adenomegalias Proliferação de células em resposta aos antígenos Ex: hiperplasia reacional a infecções, drogas, condições autoimunes e sarcoidose Invasão por agentes infecciosos Ex: adenite bacteriana Proliferação maligna in situ dos linfócitos Ex: linfoma Infiltração por células malignas metastáticas Ex: tumores sólidos e leucemias Infiltração por substâncias ou macrófagos contendo substâncias lipídicas Ex: amiloidose Exame físico · Inspeção e Palpação · Características dos Linfonodos: cadeia, tamanho, consistência, mobilidade, aderência, sinais flogísticos. Consideram aumentados a partir desses tamanhos: Adenomegalia Generalizada: 2 ou + cadeias não contíguas acometidas Caso Clínico 1 Escolar de 7 anos # QP: odinofagia + febre há 2 dias # HMA: Febre de até 39,5ºC Odinofagia Ausência de tosse e coriza Náuseas e vômitos pós-prandiais Dor abdominal intermitente Tonsilas hipertrofiadas → grau 3, placas purulentas Adeniate reacional → resposta imune adaptativa lutando contra a infecção HD: amigdalite bacteriana Adenomegalia por estímulo antigênico Tratamento do foco infeccioso Evolução benigna: 6 a 8 semanas Diferencial: Adenite bacteriana -> bactéria infiltra linfonodo (LN) -> sinais flogísticos nos LNs -> processo supurativo -> foco primário no LN -> ATB + drenagem cirúrgica → A adenite bacteriana a bactéria infiltra no linfonodo. compromete o estado geral, desvio à esquerda. Pode pedir US para caracterizar um abscesso → Conforme resolve a infecção, os linfonodos voltam ao seu tamanho basal em até 8 semanas. Caso o linfonodo aumenta ou apresenta sinais flogisticos deve pensar em outros diferenciais. → A adenite reacional pode acontecer por vírus ou bactérias. Geralmente na adenite reacional não apresenta sinais flogisticas, apenas dor. Caso Clínico 2 Pré-escolar de 3 anos # QP: febre há 15 dias # HMA: Febre intermitente até 38ºC Mialgia Inapetência Adenomegalia cervical → Apresenta sinais flogisticos → Nesse caso precisa de uma anamnese mais ampla. Doença da Arranhadura do Gato · Etiologia: Bartonella hanselae · Evolução subaguda/ crônica · Lesão de inoculação: arranhadura ou lambedura · LNs: cervicais, axilares ou inguinais · Sinais flogísticos variáveis: pode fistulizar! · Exames gerais: inespecíficos; sorologia · Biópsia excisional: granuloma não caseoso · Síndrome de Parinaud: acometimento ocular · Tratamento: macrolídeo, SMX-TMP ou quinolona → Pode ou não ter sintomas sistêmicos → Pode apresentar adenomegalia geral → Os exames são inespecíficos e muitas vezes podem estar normais. → A sorologia deve ser repetida, e por ser caro é muito dificil de fazer. → É possível que a bactéria acomete os olhos e causam conjutivite granulomatosa. Síndrome oculoglandular de Parinaud: Conjuntivite granulomatosa Caso Clínico 3 Menino de 6 anos # QP: febre + “ínguas” há 3 semanas # HMA: Febre diária até 38,5ºC Perda ponderal Inapetências Adenomegalia generalizada Paracoccidioidomicose · Etiologia: Paracoccidioides brasiliensis · Forma juvenil: evolução aguda/ subaguda · Lesões cutâneas ulcerosas, fistulizantes · Adenomegalia generalizada · Hepato-esplenomegalia · Alterações ósseas · Enteropatia perdedora de proteínas · Eosinofilia · Tratamento: Infectoped → Causada por fungo, transmitido através de partículas do fungo. → A forma clínico mimetiza a tuberculose, apresentam alterações ósseas, perda de peso, um achado laboratorial é eosinofilia. O tratamento precisa ser encaminhado para infectologista pediátrico. Como investigar? Exames dependem da HD! Inespecíficos: · Hemograma · PCR, VHS · Ácido Úrico · DHL Específicos: · Sorologias · Exames de imagem (US) · Biópsia excisional Diagnóstico Precoce do Câncer InfantoJuvenil Epidemiologia do Câncer Instituto Nacional do Câncer (INCA): · Triênio 2023-2025: 7930 casos novos/ano · (dos 0 aos 19 anos) · Primeira causa de óbito até 19 anos! · Pico: 4 a 5 anos + 16 a 18 anos · Maioria NÃO decorre de alterações herdadas do DNA · Células hematopoiéticas + Tecidos de Sustentação · Abaixo de 1 ano: Neuroblastoma · Acima de 1 ano: Leucemia Aguda Caracteristicas gerais: · Neoplasias crescem rapidamente · Menor período de latência → as células se proliferam e atingem grandes volumes, aparecem através de massas. · Costumam ser invasivas · Tendem a responder melhor à quimioterapia · Com diagnóstico precoce: risco de 80% de cura O sistema imune vai agir sobre as células anormais. Fatores de risco · Hereditariedade · Síndromes genéticas de predisposição ao câncer (defeito de reparo de DNA e instabilidade cromossômica) · Exposição à radiação ionizante · Uso de quimioterápicos ou drogas citotóxicas · Exposição ao álcool, tabaco e outras drogas · Agentes infecciosos pró-oncogênicos Sinais de Alerta · Dor que não se encaixa a diagnósticos, repercute na qualidade de vida, claudicação, abaulamento. · Cefaleia crônica com sinais de alerta, intensa, muda o padrão, desperta o paciente na madrugada, estrabismo, alteração do equilibrio. · Achados de massas abdominais, dores recorrentes · Lesões de pele, equimoses, fusões hemorragicas por plaquetopenia ou pancitopenia. · Reflexo branco é sinal de alerta para retinoblastamo. · Pacientes emagrecidos com hepatomegalia. · Desenvolvimento puberal precoce, aumento de volume testicular, virilização por tumor adrenal. Leucemias · Câncer mais comum na pediatria > 1 ano (28%) · Subtipo mais frequente: LLA (80%) → Leucemia linfloblastica aguda. · Idade: 2 a 5 anos (♂1,2:♀1) · Sintomas: invasão da medula óssea por células imaturas (linfoblastos): dor óssea, febre, pancitopenia, hepato e esplenomegalia; 5%: infiltração no SNC. · Sítios extramedulares: SNC, testículos, fígado, rins, linfonodos e baço. · Imunofenotipagem para avaliar prognóstico · Quimioterapia sistêmica e intratecal · Sobrevida global >85% → Infusão do quimioterapico Linfoma de Hodgkin · 40% dos linfomas na Pediatria · Crescimento lento e insidioso → dificulta o diagnóstico · 80%: linfonodos cervicais e supraclavicular · Pico: 15-19 anos · Subtipo celularidade mista: EBV (80%) → associado a infecção viral → virus da herpes · 2º tipo de CA mais comum após TMO · Quadro Clínico: adenomegalia endurecida, massa mediastinal, prurido, tosse ou dispneia. Pode gerar sintomas clínicos. · SINTOMAS B: febre, sudorese e perda ponderal (>10% em 6 meses) → os sintomas B são sintomas sistêmicos. · Pode haver manifestações auto-imunes · TTO: Quimioterapia / Radioterapia (sobrevida de 80-98%) → Sintomas A é não ter os sintomas B Linfoma não-hodgkin · 60% dos linfomas na Pediatria · 86%: proliferação maligna dos linfócitos B · 3º neoplasia mais comum entre crianças/adolescentes · Idade média: 10 anos (+♂) · Associação com agentes infecciosos: EBV (linfoma de Burkitt), vírus da hepatite C e H.pylori. · Maioria de alto grau e comportamento agressivo · Disseminação hematológica precoce · QC: massas cervicais, mediastinais ou abdominais → pancitopenia por infiltração medular → síndrome lise tumoral · TTO: QT / Acs monoclonais anti-CD20 (rituximabe)/ TMO (resgate) - Sobrevida global livre da doença em 5 anos: 70-95% → Se manifestam por pancitopenia, dor ossea. Linfoma de Burkitt - Aspecto de “Céu estrelado” Tumores do SNC · Tumores sólidos mais comuns na Pediatria · Maior causa de óbito por câncer de 0 a 14 anos (EUA) ·· 2 a 10 anos: infratentoriais · Fatores de risco: radiação ionizante e sd. genéticas · QC: HIC (cefaleia, vômitos e papiledema) estrabismo, convulsão, alt. dos pares cranianos, ataxia, alterações endócrinas (alt. hipofisárias). · Dx: cirurgia, análise molecular e histologia · TTO: QT / RT / Cirurgia Neuroblastoma · Tumor embrionário derivado da crista neural · Neoplasia mais frequente no 1º ano de vida · QC: Massas cervicais, mediastinais ou abdominais (dura, irregular e atravessa a linha média). · Metástases: ossos longos, crânio, fígado, medula óssea, linfonodos e pele. · Diagnóstico: dosagem urinária de catecolaminas (ácido vanilmandélico e homovalínico). · Fatores de mau prognóstico: idade > 18 meses, amplificação do gene nmyc, histologia desfavorável e doença avançada. Tumor de células pequenas, arredondadas e azuladas. Retinoblastoma · Tumor intraocular mais prevalente da infância · Origem de células embrionárias retinianas · Idade: 1-2 anos · 60% unilateral e não hereditários · 40% são hereditários (gene Rb1) · QC: leucocoria, estrabismo, proptose e heterocromia · TTO: enucleação, crioterapia, laserterapia, QT ou RT · > 90% de sobrevida · Quando ocorre invasão liquórica: incurável Tumor de Wilms · Neoplasia renal de origem embrionária · Pico: 2 a 3 anos · > 95%: unilaterais · Genes: WT1, WT2 ou TWX (90% para tumores localizados e com histologia favorável Sarcomas Rabdomiossarcoma: tumor de tecidos moles · 10% dos tumores sólidos · Pico: 2 a 5 anos e nos adolescentes · Localizações mais comuns: cabeça e pescoço + trato genitourinário Osteossarcoma: tumor ósseo maligno mais comum · Adolescentes · Metáfises de ossos longos (fêmur distal ou tíbia proximal) · Metástases pulmonares 20% ao diagnóstico · Dor localzada no membro acometido e aumento do volume Sarcoma de Ewing: adolescentes, brancos e ♂ · Diáfise de ossos longos, ossos chatos ou coluna vertebral · Pode causar febre e sintomas sistêmicos Osteosarcama tem aspecto de raio de sol. O sarcoma de Ewing tem aspecto de casca de cebola. Exames iniciais: Hemograma: anemia, trombocitopenia e outras citopenias -> linfoblastos no sangue periférico -> hiperleucocitose DHL, ácido úrico: marcador de lesão e alto turn over celular Rx de ossos US, TC ou RNM Aspirado de Medula Óssea: bicito ou pancitopenia, blastos periféricos, adenomegalia generalizada ou hepatoesplenomegalia de etiologia indefinida ou massa mediastinal anterior Prevenção do câncer · Prevenção primária (promoção de saúde e proteção específica): não há! · Prevenção secundária (rastreamento e diagnóstico precoce): casos de síndromes genéticas específicas (Ex: Síndrome de Li Fraumeni) · Prevenção terciária (acesso ao tratamento adequado e reabilitação) · Prevenção quaternária (cuidados paliativos pediátricos) image5.png image1.png image2.png image3.png image6.png image7.png image8.png image16.png image14.png image12.png image10.png image13.png image9.png image11.png image4.png image15.png