Prévia do material em texto
Eng. Arivelto Bustamante Fialho
:utomação
Pneumática
Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Conceitos e Princípios Básicos •Produção e Distribuição do Ar Comprimido
h·qdores Pneumáticos Lineares e Rotativos • Funções Lógicas • Controladores Lógicos Programáveis
Válvulas de Comando Convencional, Elétrico e suas Aplicações Básicas
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais
----------~----------
29 EDIÇÃO
Automação Pneumática
Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
RESPEITE O AUTOR
Ni.o FACA COPIA
www.abpdea.org.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 1
2
Seja Nosso Parceiro no Combate à Cópia Ilegal
A cópia ilegal é crime. Ao efetuá-la, o infrator estará cometendo um grave erro, que é inibir
a produção de obras literárias, prejudicando profissionais que serão atingidos pelo crime
praticado.
Junte-se a nós nesta corrente contra a pirataria. Diga não à cópia ilegal.
Seu Cadastro É Muito Importante para Nós
Ao preencher e remeter a ficha de cadastro constante no final desta publicação, você
passará a receber informações sobre nossos lançamentos em sua área de preferência.
Conhecendo melhor nossos leitores e suas preferências, vamos produzir títulos que aten
dam suas necessidades.
Obrigado P.ela sua escolha.
Fale Conosco!
Eventuais problemas referentes ao conteúdo deste livro serão encaminhados ao(s)
respectivo(s) autor(es) para esclarecimento, excetuando-se as dúvidas que dizem respeito
a pacotes de softwares, as quais sugerimos que sejam encaminhadas aos distribuidores e
revendedore9 desses produtos, que estão habilitados a prestar todos os esclarecimentos.
Os problemas só podem ser enviados por:
1. E-mail: producao@erica.com.br
2. Fax: (11) 6197.4060
3. Carta: Rua São Gil , 159-Tatuapé - CEP 03401-030 - São Paulo - SP
Invista em você.
~i ii 1i-ii
Visite uma livraria.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Arivelto Bustamante Fialho
Automação Pneumática
Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Editora Érica Ltda.
2004 - 2ª Edição
Conselho Editorial:
Diretor Editorial :
Diretor Comercial:
Diretor de Publicidade:
Capa:
Editoração:
Revisão Interna:
Revisão Gramatical:
Desenhos:
Coordenação:
Antonio Marco Vicari Cipelli
Paulo Roberto Alves
Waldir João Sandrini
Maurício S. de França
Rosana Ap. Alves dos Santos
Érica Regina A. Pagano
Marlene Teresa Santin Alves
Flávio Eugênio de Lima
Pedro Paulo Vieira Herruzo
Rosana Arruda da Silva
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 3
4
Copyright © 2003 da Editora Érica Ltda.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Fialho, Arivelto Bustamante
Automação Pneumática: Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos I
Arivelto Bustamante Fialho. -- São Paulo : Érica, 2003.
Bibliografia.
ISBN: 85-7194-961-1
1. Automação. 2. Pneumática 1. Título.
03-0738 CDD-621.51
Índices para catálogo sistemático
1. Automação pneumática: Engenharia 621.51
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio
ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográfi
cos, fonográficos, videográficos, internet, e-books. Vedada a memorização e/ou recupera
ção total ou parcial em qualquer sistema de processamento de dados e a inclusão de
qualquer parte da obra em qualquer programa juscibernético. Essas proibições aplicam-se
também às características gráficas da obra e à sua editoração. A violação dos direitos
autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal, cf. Lei n• 6.895, de
17.12.80) com pena de prisão e multa, conjuntamente com busca e apreensão e inde
nizações diversas (artigos 102, 103 parágrafo único, 104, 105, 106 e 107 itens 1, 2 e 3 da
Lei n• 9.610, de 19/06/98, Lei dos Direitos Autorais).
O Autor e1 a Editora acreditam que todas as informações aqui apresentadas estão corretas
e podem ser utilizadas para qualquer fim legal. Entretanto, não existe qualquer garantia,
explícita ou implícita, de que o uso de tais informações conduzirá sempre ao resultado
desejado. Os nomes de sites e empresas, porventura mencionados, foram utilizados
apenas para ilustrar os exemplos, não tendo vínculo nenhum com o livro, não garantindo a
sua existência nem divulgação. Eventuais erratas estarão disponíveis no site da Editora
Érica para download.
Editora Érica Ltda.
Rua São Gil, 159 - Tatuapé
CEP: 03401-030 - São Paulo - SP
Fone: (11) 295-3066 - Fax: (11) 6197-4060
www.editoraerica.com.br
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Dedicatória
Dedico este livro a todo aquele que ao buscar a informação e o
conhecimento que engrandece o ser, enriquece a alma e transforma uma nação;
tem a consciência de que o único valor que levamos de nossa existência física é
tão somente a consciência adquirida com a informação, o conhecimento e a
experiência, pois somos nós a definir a cada dia o tamanho de nossa única
bagagem;
A meus pais e familiares;
A minha querida e amada Marcela.
"O mestre na arte da vida faz pouca distinção entre seu
trabalho e seu lazer, entre sua mente e seu corpo, entre
sua educação e sua recreação, entre seu amor e sua
religião. Ele simplesmente persegue sua visão de
excelência em tudo o que faz, deixando para os outros a
decisão de saber se ele está trabalhando ou se
divertindo. Para ele, está simplesmente fazendo ambas
as coisas simultaneamente".
Texto zen-budista
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 5
. . .. - . . . ... . ...... -- ....... .
Agradecimentos
Gostaria de expressar meus mais sinceros agradecimentos a toda a equipe
de profissionais da Editora Érica, em especial ao corpo diretor e gerencial, pelo
reconhecimento e valorização de meu trabalho, permitindo-me assim, mais uma
vez, colaborar com a difusão do conhecimento técnico que tão necessário se faz
em nosso país.
Agradecimento especial à Rosana Arruda, à Rosana Aparecida, à Ana
Luisa, e ao Maurício S. de França, também profissionais da Editora Érica, que
estiveram diretamente envolvidos na organização e finalização deste trabalho.
E, finalmente, meu agradecimento mais do que especial a Deus e a toda a
sua infinita legião de colaboradores que não vemos ou ouvimos, mas que
incansavelmente nos inspiram e nos dão força quando voltamos nossos
pensamentos e ações para o bem maior.
6 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Introdução
Apesar de a humanidade utilizar-se de fluidos sob pressão há alguns
séculos, foi somente a partir da Segunda Grande Guerra que o fluido passou a ter
sua aplicação dentro dos ambientes industriais.
No Brasil, o grande impulso e difusão dessas aplicações se deram a partir
da década de 60, com a chegada da indústria automobilística e o surgimento da
chamada "Automação Industrial". Para a confecção de peças automotivas
seriadas, faziam-se necessários um grande número de operações repetitivas e a
conseqüente redução de custos de mão-de-obra, pois como é sabido, ela reflete
diretamente nos custos finais .
A automação industrial por meio de fluidos sob pressão dividiu-se em dois
grupos bem definidos que, apesar de similares com relação aos componentes que
utilizam, e algumas vezes poderem ser encontrados compondo um mesmo
equipamento, têm seus limites de operações basicamente em função das pressões
de trabalho e das forças que são capazes de fornecer, além do custo é claro, que
supera os 1003 de diferença.
Um primeiro grupo e certamente o de mais antiga aplicação pelo homem é
o fluido hidráulico1 (fluido líquido sob pressão), e o segundo, tema do presente
livro, é o fluido pneumático (fluido gasoso sob pressão).
Nesta obra, buscou-se abordar o tema "Automação Pneumática" de uma
forma clara e bastantee Análise de Circuitos
O tipo de compressor a ser empregado é função da pressão de trabalho e
volume. Basicamente, existem dois processos de compressão de ar utilizados em
compressores:
1. Processo de redução de volume (compressores alternativos);
2. Processo de aceleração de massa (fluxo) - compressores dinâmicos.
2.2.1. Compressores Alternativos
Esse tipo de máquina utiliza-se de um sistema biela-manivela para conver
ter o movimento rotativo de um eixo no movimento translacional de um pistão
ou embolo, como mostra a figura em seguida. Dessa maneira, a cada rotação do
acionador, o pistão efetua um percurso de ida e outro de vinda na direção do
cabeçote, estabelecendo um ciclo de operação.
Seu princípio funcional é de entendimento relativamente simples. Exami
nemos as figuras 2.2 e 2 .3 .
Figura 2.2 - Princípio funcional do compressor por redução de volume (alternativo) .
O funcionamento de um compressor alternativo está intimamente associa
do ao comportamento das válvulas. Elas possuem um elemento móvel denomi
nado obturador, que funciona como um diafragma, comparando as pressões
interna e externa ao cilindro. O obturador da válvula de sucção se abre para
dentro do cilindro quando a pressão na tubulação de sucção supera a pressão
interna do cilindro, e se mantém fechado em caso contrário. O obturador da
válvula de descarga se abre para fora do cilindro quando a pressão interna
supera a pressão na tubulação de descarga, e se mantém fechado na situação
inversa. Com isso temos as etapas do ciclo de funcionamento do compressor
mostradas na figura 2.3 em seguida:
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 43
1- Etapa de admissão 2- Etapa de compressão
3- Etapa de descarga 4- Etapa de expansão
Figura 2.3 - Ciclo de um compressor alternativo.
Na etapa de admissão o pistão se movimenta em sentido contrário ao
cabeçote, fazendo com que haja uma tendência de depressão no interior do cilin
dro que propicia a abertura da válvula de sucção. O gás é então aspirado. Ao
inverter o sentido de movimentação do pistão, a válvula de sucção se fecha e o
gás é comprimido até que a pressão interna do cilindro seja suficiente para
promover a abertura da válvula de descarga. Isso caracteriza a etapa de com
pressão.
Quando a válvula de descarga se abre, a movimentação do pistão faz com
que o gás seja expulso do interior do cilindro. Essa situação corresponde à etapa
de descarga e dura até que o pistão encerre o seu movimento no sentido do
cabeçote. Ocorre, porém, que nem todo o gás anteriormente comprimido é ex
pulso do cilindro. A existência de um espaço morto ou volume morto, com
preendido entre o cabeçote e o pistão no ponto final do deslocal}lento deste, faz
com que a pressão no interior do cilindro não caia instantaneamente quando se
inicia o curso de tetorno.
Nesse momento, a válvula de descarga se fecha, mas a de admissão só se
abrirá quando a pressão interna cair o suficiente para o permitir. Essa etapa, em
que as duas válvulas estão bloqueadas e o pistão se movimenta em sentido inver
so ao do cabeçote, se denomina etapa de expansão, e precede a etapa de
admissão de um novo ciclo.
Podemos concluir então que, devido ao funcionamento automático das
válvulas, o compressor alternativo aspira e descarrega o gás, respectivamente, nas
pressões instantaneamente reinantes na tubulação de sucção e na tubulação de
descarga. (Em termos reais, há naturalmente uma certa diferença entre as pres
sões interna e externa ao cilindro durante a aspiração e a descarga, em função da
perda de carga no escoamento).
As figuras 2.2 e 2.3 exemplificam um . compressor de um único estágio,
apropriado para pressões até 4 bar, como pode ser visto na tabela 2.1 em segui
da. Entretanto, quando há necessidade de pressões mais altas, recorre-se a com
pressores de dois, três ou mais estágios (figura 2.4).
44 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. - . . . '.
Tabela 2.1 - Relação Pressão x N2 de Estágios para compressores.
Pressão Nº de Estágios
Até 400 Kpa (4bar) 1
De 400 a 1500 Kpa (15bar) 2
De 1500 a 15000 Kpa (150bar) 3 ou mais
Figura 2.4 - Compressor de dois estágios - O ar sugado sofre dupla compressão.
1 Observação 1
Nos compressores de mais de um estágio, faz-se necessário o uso de sistema de refrige
ração intermediário, dada a elevação da temperatura do ar em virtude das sucessivas
compressões.
2.2.1.1. Compressor de Simples Ação
Os compressores de um ou vários estágios, citados e exemplificados ante
riormente, são compressores de simples ação. Essa denominação é dada em
função de obterem a compressão do ar somente quando o êmbolo realiza seu
movimento ascendente .
2.2.1.2. Compressor de Dupla Ação
Diferentemente dos compressores de simples ação, os compressores de du
pla ação possibilitam a compressão do ar em ambos os sentidos de deslocamento
do êmbolo. Dessa forma, verifica-se que comparativamente aos anteriores, estes,
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 45
apresentam maior eficiência, pois em um ciclo (descida e subida do êmbolo),
comprimem maior volume de ar por unidade de tempo (figura 2.5) .
Admissão
PMS
~ ,
~,_..~T
Descarga
Ar
comprimido
Ar
{latrn)
Descarga
Ar
comprimido
Pistão (êmbolo)
Figura 2.5 - Admissão e descarga em um compressor de dupla ação.
1
Podem ainda, como os anteriores, ser de dois, três ou mais estágios, com
elevada eficiência em baixa, média e alta pressões.
2.2.2. Compressores Rotativos
São compressores que por meio de movimentos rotacionais de elementos
internos promovem, de forma direta, a sucção e compressão do ar até que ele
atinja a pressão de utilização.
Estão subdivididos em três grupos: 1- compressores de palhetas; 2- com
pressores de parafuso; 3- compressores de lóbulos (Roots).
2.2.2.1. Compressor de Palhetas
O compressor de palhetas possui um rotor ou tambor central que gira ex
centricamente em relação à carcaça, conforme mostra a figura 2.6 em seguida.
Esse tambor possui rasgos radiais que se prolongam por todo o seu comprimento
46 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
e nos quais são inseridas palhetas retangulares, conforme é mostrado no detalhe
da figura 2.7.
Aspiração ..
P1=1atm .,
Descarga
Pz > P1
Figura 2.6 - Compressor de palhetas (detalhe em corte frontal).
Quando o rotor gira, as palhetas deslocam-se radialmente sob a ação da
força centrífuga e se mantêm em contato com a carcaça. O gás penetra pela
abertura de aspiração e ocupa os espaços definidos entre as palh~tas. Novamente
observando a figura, podemos notar que, devido à excentricidade do rotor e às
posições das aberturas de aspiração e descarga, os espaços constituídos entre as
palhetas vão se reduzindo de modo a provocar a compressão progressiva do gás.
A variação do volume contido entre duas palhetas vizinhas, desde o fim da
admissão até o início da descarga, define, em função da natureza do gás e das
trocas térmicas, uma relação de compressão interna fixa para a máquina. Assim,
a pressão do gás no momento em que é aberta a comunicação com a descarga
pode ser diferente da pressão reinante nessa região. O equilíbrio é, no entanto,
quase instantaneamente atingido e o gás descarregado.
Figura 2 .7 - Detalhe do rotor.
Este tipo de compressor possui a vantagem do funcionamento contínuo e
uniforme, fornecendo, portanto, ar livre de pulsação. Entretanto, é recomendada
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 47
a instalação de uma válvula de retenção na tubulação de descarga, a fim de evi
tar que ele funcione como um motor aos ser desligado.
Pode também ter sua vazão modificada através de uma regulagem da ex
centricidade do rotor. A máxima vazão ocorre para a máxima excentricidade, ou
seja, quando o rotor é tangente ao estator.
2.2.2.2. Compressor de Parafuso
Esse tipo de compressor possui dois rotores em forma de parafusos que gi
ram em sentido contrário, mantendoentre si uma condição de engrenamento,
conforme mostra a figura 2.8.
Descarga ...
Aspiraço
Figura 2.8 - Compressor de parafuso.
A conexão do compressor com o sistema se faz através das aberturas de
sucção e descargi'l., diametralmente opostas, tal como indica a figura 2.9:
...
Aspiração
Descarga ...
Figura 2.9 - Compressor de parafuso (detalhe lateral).
O gás penetra pela abertura de aspiração e ocupa os intervalos entre os
filetes dos rotores. A partir do momento em que há o engrenamento de um de
terminado filete, o gás nele contido fica encerrado entre o rotor e as paredes da
48 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
carcaça. A rotação faz então com que o ponto de engrenamento vá se deslocan
do para frente, reduzindo o espaço disponível para o gás e provocando a sua
compressão. Finalmente, é alcançada a abertura de descarga, e o gás é liberado.
A relação de compressão interna do compressor de parafusos depende da
geometria da máquina e da natureza do gás, podendo ser diferente da relação
entre as pressões do sistema.
Os parafusos geralmente possuem movimentos sincronizados através de
engrenagens e não havendo contato metálico entre eles, é desnecessário o uso de
lubrificantes. Com isso o ar fornecido não apresenta resíduos de óleo.
2.2.2.3. Compressor de Lóbulos (Tipo Roots)
É constituído por um cilindro (carcaça) e dois rotores descentrados, dese
nhados com precisão, a fim de que sejam constantemente tangentes ao cilindro
(carcaça) e tangentes entre si.
A figura 2.10 mostra o funcionamento.
Carcaça
Aspiração.
A B e D
Figura 2.10 - Compressor de lóbulos.
As partes em cinza mostram o ar em diferentes fases.
• Fase A: Aspiração, pois a cavidade cinza está em comunicação com a
atrnosf era.
• Fase B: O ar (cinza) permanece na pressão atmosférica desde que as
cavidades não estejam modificando seus volumes, apesar da rotação.
• Fase C: Compressão, desde que haja diminuição do volume das cavi
dades cinzas.
• Fase D: Descarga do ar, desde que haja a comunicação das cavidades
cinzas com abertura de descarga.
As vazões são maiores que a dos compressores alternativos a pistão, mas as
pressões atingidas são menores (40N/cm2 =4bar). Por isso, são comumente em
pregados em sistemas de transporte, medidores de fluxo e bombas de vácuo.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 49
2.2.3. Processo de Aceleração de Massa (Compressores
Dinâmicos)
2.2.3.1. Compressor Axial (Turbocompressor)
Nesse compressor, o ar, ao ser admitido, é acelerado axialmente, ao longo
do eixo, por uma série de lâminas (hélices) rotativas.
Aspiração. • Descarga
Figura 2.11 - Detalhe interno de um turbocompressor axial.
2.2.3.2. Compressor Radial (Centrifugo)
É constituído por uma sucessão de rodas e pás colocadas em série sobre o
mesmo eixo (figuras 2.12 e 2.13).
O ar entrando pela tubulação de aspiração passa pela primeira roda dentro
da qual é centrifugado e sua velocidade aumenta.
Passa depois pelo difusor dentro do qual tem sua velocidade reduzida e sua
pressão aumentada.
Passa depois ao coletor para então ir à segunda roda dentro da qual será
submetido à nova centrifugação.
O ar é então submetido, desta forma, a um aumento progressivo de pres
são desde a aspiração até a descarga.
Esses equipamentos têm alta rotação (6000r.p.m.) e uma vazão muito
grande, mas uma pressão de descarga pequena (20N/cm2 =2bar).
50 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
AJoescarga
Figura 2.12 - Compressor centrífugo (detalhe interno).
Coletor
Aspiração
Figura 2 .13 - Compressor centrífugo (vista em corte parcial).
2.3. Características Importantes na Escolha de um
Compressor
As seguintes característicos devem ser sempre observadas quando proce
demos à escolha de um compressor:
• Volume de ar fornecido
- Volume teórico
- Volume efetivo
Produção e Distribuição do Ar Comprimido
.. -· --·
51
• Pressão
- Pressão de regime
- Pressão de trabalho
• Acionamento
- Motor elétrico
- Motor a explosão
• Sistema de regulagem
- Regulagem por descarga
- Regulagem por fechamento
- Regulagem por garras
- Regulagem por rotação
- Regulagem intermitente
2.3.1. Volume de Ar Forneciáo
Define-se com sendo a quantidade total em m3 de ar que pode ser forneci
da pelo compressor, quando em atividade máxima. Entretanto, pode ser ainda
definido de forma teórica ou efetiva.
2.3.1.1. Volumf! Teórico
É definido por meio de equacionamento do produto do volume cilíndrico
pelo número de rotações do compressor. Esse dado, porém, não é de grande
importância, pois na prática deve-se considerar o rendimento do compressor.
2.3.1.2. Volume Efetivo
É o valor que efetivamente será utilizado (necessário) para o acionamento e
comando dos diversos automatismos pneumáticos. Seu valor está em função da
eficiência volumétrica dos compressores (rendimento), que varia de acordo com o
tipo de compressor.
2.3.2. Pressão
Esta característica é de extrema importância, pois é responsável pela força
desenvolvida pelos atuadores, classificando-se assim em dois níveis:
52 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. ' " ., '' ,., ... '' - -- ' .. , ..
2.3.2.1. Pressão de Regime
É a pressão efetiva fornecida pelo compressor e que se distribui por toda a li
nha, alimentando todos os pontos de utilização. É, portanto, a pressão com a qual o
ar se encontra armazenado no reservatório. Entretanto, seu uso direto nos automa
tismos é desaconselhado devido às freqüentes flutuações por causa da temperatura.
2.3.2.2. Pressão de Trabalho
É a pressão necessária ao acionamento dos diversos automatismos e que
pelo motivo exposto anteriormente deve ser menor que a pressão de regime. Essa
redução é possibilitada com a utilização de uma válvula redutora de pressão,
normalmente um conjunto "LUBRIFIL" (conjunto de válvula redutora de pressão
com manômetro e lubrificador). Dessa forma, além de reduzir a pressão, é pos
sível mantê-la sempre constante e com isso as forças e velocidades desenvolvidas
pelos automatismos podem ser garantidas durante os processos.
É comum, na indústria, adotar como pressão de trabalho a de 6kgf/cm2
(pressão considerada como sendo a econômica), enquanto a pressão de regime
gira em tomo de 7 a 8 kgf/cm2
, podendo chegar até 12kgf/cm2
.
2.3.3. Acionamento
O acionamento de compressores pode ser feito basicamente por motor elé
trico ou por motor a explosão (gasolina ou diesel). A escolha é dada em função
da necessidade, ou seja, ambiente em que ele será instalado.
2.3.3.1. Acionamento por Motor Elétrico
Este tipo de acionamento é o mais comum aplicado aos compressores de
uso nas indústrias e oficinas. Com motores que vão de baixas potências (0,Shp)
para compressores de uso doméstico, a grandes potências (750hp) para uso in
dustrial com grandes reservatórios.
Reservatório
Figura 2.14-Acionamento a motor elétrico (compressor alternativo) .
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 53
2.3.3.2. Acionamento por Motor a Explosão
Sistema adotado em situações em que há necessidade de um compressor
de ar em regiões pouco favorecidas por rede elétrica, ou mesmo por questões
econômicas de racionamento em que o abastecimento elétrico se limite a certo
número de horas diárias. Este sistema também, assim como o anterior, cobre
uma vasta área de configurações, desde de pequenas potências (para pequenos
compressores - figura 2.15), até grandes potências, em que são utilizados grandes
motores automotivos diesel.
Motor a explosão
•
Reservatório
Figura 2.15 -Acionamento por motor a explosão (compressor alternativo) .
2.3.4. Sistema de Regulagem
Dado que ~ consumo de ar pelos diversos automatismos não se faz sempre
constante, é necessário então combinar o volume fornecido pelo compressor com
a real demanda. Desta forma, são utilizadas, conforme o modelo de compressor,
diferentes formas deregulagem que operam entre valores preestabelecidos, ou
seja, mantêm o sistema operando entre uma pressão máxima e mínima. Assim,
são destacados em seguida os sistemas de regulagem mais freqüentemente en
contrados.
2.3.4.1. Regulagem por Descarga
Neste sistema, quando, durante o funcionamento do compressor, é atingida
a pressão máxima que fora na regulagem preestabelecida, suponhamos ser esta
de 9kgf/cm2
, uma válvula reguladora de pressão do tipo alívio é acionada, descar
regando para atmosfera o ar comprimido produzido. Somente quando a pressão
da rede cair ao seu valor mínimo, 6kgf/cm2
, é que a válvula será totalmente fe
chada, permitindo o restabelecimento da pressão normal (figura 2.16) .
54 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Reservatório
Compressor
Válvula reguladora
de pressão
Figura 2.16 - Sistema de regulagem por válvula de descarga.
2.3.4.2. Regulagem por Fechamento
Este tipo de regulagem parte de uma configuração semelhante à anterior,
porém, em lugar da válvula reguladora de pressão, é utilizada uma válvula de 1/2
(uma via e duas posições com retorno por mola). A mola, entretanto, é selecio
nada de forma que permita a comutação da válvula somente quando é atingida
uma pressão máxima (pressão de fechamento). Desse modo, a alimentação do
compressor é interrompida, e assim permanecerá até que a pressão do compres
sor caia ao nível inferior preestabelecido, quando então a válvula volta a abrir
(figura 2.17).
Reservatório
l(P)
Válvula 2/2
Figura 2.17 - Sistema de regulagem por válvula de fechamento.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 55
2.3.4.3. Regulagem por Garras
Neste sistema de regulagem, um mecanismo do tipo garra é acionado sem
pre que a pressão do ar atinge um valor predeterminado, mantendo a válvula de
admissão aberta e com isso, durante a fase de compressão, o ar passa a ser de
volvido ao ambiente. Somente após ter a pressão do reservatório retornado a um
valor mínimo de desativação do mecanismo é. que retoma o reabastecimento
normal do reservatório, repetindo-se assim o ciclo continuamente.
2.3.4.4. Regulagem por Rotação
Aplicada especificamente a compressores acionados por motores de com
bustão interna.
Neste sistema, quando atingida uma pressão máxima predeterminada, há
uma desaceleração do motor, reduzindo assim sensivelmente seu número de gi
ros e, conseqüentemente, a aspiração de ar. Des$e modo, o volume de ar a ser
comprimido por unidade de tempo toma-se sensivelmente reduzido, permitindo
que o consumo da rede faça com que o ar armazenado recaia até um nível mí
nimo predeterminado e o motor retome ao seu giro normal, reiniciando o ciclo.
2.3.4.5. Regulagem Intermitente
Trata-se de um sistema de regulagem aplicado a acionamento de compres
sores por motor elétrico. Um pressostato é ligado à rede de alimentação do
motor, e ao ser atingida uma pressão máxima admissível, programada no pres
sostato, ele, promove o desligamento de uma chave contadora (figura 2.18).
Após a pressã9 de rede recair aos valores mínimos predeterminados, o
pressostato desliga-se, reativando o funcionamento do motor.
56
Reservatório
Compressor
Rede pneumática
Pressostato
.---------~
1 •
1
1
1
1
1
1
1
1
--------·
Rede
elétrica
NRST
Figura 2 .18 - Sistema de regulagem intermitente.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
É normalmente aplicada a compressores de pequeno porte e dependendo
da freqüência em que as comutações ocorrem, torna-se necessária a utilização de
grandes reservatórios .
./
2.4. Distribuição do Ar Comprimido
A instalação de uma rede de ar comprimido não apenas em nível industrial,
mas para qualquer que seja a utilização, requer determinados cuidados que vão
desde de a localização da central geradora (compressores), sistema de arrefeci
mento (quando necessário), dimensionamento da rede, sistemas de montagem e
fixação da rede, tratamento do ar e identificação conforme normas.
2.4.1. Localização da Central Geradora
É comum, na indústria, delimitar uma área física externa à fábrica, porém
anexa a ela, sendo devidamente coberta e protegida. Isenta de poeira e com livre
fluxo de ar, em que a temperatura possa, durante todo o ano, manter-se o mais
estável possível em cerca de 20 a 25°C. A central geradora deve ainda estar bem
nivelada e com fácil acesso para manutenção quando se fizer necessária.
1
Central
Fábrica
Figura 2.19 - Exemplo de localização de central geradora.
2.4.1.1. Refrigeração da Central
Normalmente, para pequenas centrais de ar comprimido, o próprio
aletamento existente no compressor, em conjunto com o fluxo de ar livre dentro
do ambiente da central, é o suficiente para propiciar uma boa dissipação térmica
Produção e Distribuição do ArComprimido 57
que se origina do atrito do ar quando comprimido dentro da câmara. Entretanto,
em se tratando de compressores mais potentes, com potências superiores a 40hp,
aconselha-se a utilização de um sistema de ventilação apropriado, com ventilado
res industriais, e ainda, se necessário, um sistema de refrigeração a água recircu
lante. I
Dependendo linda da potência do compressor ou compressores e dos pi
cos de temperatura nas épocas mais quentes do ano, a central pode ser total
mente fechada, com as paredes isoladas termicamente, porém climatizada com o
uso de coo/ers fixos ao teto, com recirculação de amônia, sendo controlados por
termostato, como os sistemas usados em câmaras frigoríficas.
2.4.2. Implantação da Rede de Distribuição
Antes de proceder ao dimensionamento da rede, com relação ao diâmetro
das tubulações, perdas de carga, tratamento do ar, etc., é necessário, estabelecer
por quais pontos da área de trabalho da empresa deverá passar a rede. Se por
todos, ou se apenas por alguns setores, e quantos pontos de alimentação deverão
existir. Em função dessas respostas, poder-se-á definir entre uma rede de circuito
aberto (figura 2.20), ou uma rede de circuito fechado (figura 2.21).
Figura 2.20 - Rede de circuito aberto.
58 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Figura 2 .21 - Rede de circuito fechado.
Central de
ar comprimido
A rede de circuito aberto, conforme mostrada na figura 2.20, é indicada ge
ralmente quando se deseja abastecer pontos isolados ou distantes. Nesse tipo de
rede, o ar flui numa única direção, impossibilitando com isso uma alimentação
uniforme em todos os pontos.
Já o sistema de rede de circuito fechado apresentado na figura 2.21 é o
mais comumente utilizado pela maioria das indústrias, pois se distribui por toda a
extensão da fábrica, facilitando a instalação de novos pontos de consumo ainda
não previstos, bem como possibilita que todos os pontos sejam alimentados de
modo uniforme, uma vez que o ar flui nos dois sentidos.
Independente de qual dos sistemas de rede for adotado, é aconselhável que
em cada ponto de tomada seja instalada uma válvula registro, de forma a facilitar
a manutenção, permitindo assim que a tomada em manutenção seja isolada da
rede, evitando deste modo seu desligamento geral.
2.4.3. Elementos de Montagem e Fixação da Rede
2.4.3.1. Fixação da Tubulação Principal (Linha Tronco)
As redes de distribuição pneumáticas normalmente são aéreas, sendo fixa
das às paredes, vigas ou ao forro por meio de ferragens apropriadas, como tiran
tes, pendurais, cantoneiras, etc. (figura 2.22).
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 59
Viga de
concreto
a)
Estrutura em
cantoneira
Tubulação da
rede pneumática
b)
Figura 2.22 - Fixação da tubulação principal da rede nas colunas.
a) por pendurais, b) por grampo.
2.4.3.2. Elementos de Composição da Rede
A figura 2.23 apresenta esquematicamente um trecho de uma rede pneu
mática identificando seus elementos componentes.
Linha secundária
Linha principal (tronco)
Fluxo de ar
Inclinação de 0,5 a 2%
do comprimento
/Linha de alimentaçãoUnidade lubrifil
/
__. Conectado ao
equipamento
Figura 2.23 - Elementos componentes de uma rede pneumática.
• A linha principal (tronco), tubulação secundária e linha de alimentação,
podem ser confeccionadas em tubo de aço galvanizado ou preto (ASTM
A 120 SCHEDULE 40).
60 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
• A tubulação secundária deve possuir uma determinada inclinação no
sentido do fluxo. Essa inclinação facilita o recolhimento de eventuais
condensações e impurezas ao longo da tubulação. A inclinação reco
mendada deve ficar entre 0,5 a 23 do comprimento reto do tubo.
• A linha de alimentação de cada equipamento deve sair pela parte supe
rior da linha secundária e ser munida de um registro para que
possibilite a manutenção da unidade de conservação pneumática
LUBRIFIL ou do dreno, sem com isso necessitar o desligamento de toda
a linha secundária e afetar os outros equipamentos a ela conectados.
• A unidade de conservação pneumática LUBRIFIL tem por função filtrar
e lubrificar o ar, além de possibilitar a regulagem da pressão de ali
mentação necessária ao acionamento do automatismo - figuras 2.23 e
2.24.
Manômetro
Entrada __.
Conexão para '""if
dreno automático _.
Esquemático
Simplificado
Figura 2.24 - Unidade de conservação pneumática - LUBRIFJL.
• Devido às variações de temperatura ambiente ao longo do ano agindo
sobre a tubulação da rede, o ar que por ela circula sofre o efeito de
condensação. Esse condensado precisa então ser recolhido a fim de
evitar a danificação dos vários automatismos pneumáticos. Para isso é
recomendada a utilização de purgadores instalados ao final das linhas
verticais de alimentação - figuras 2.23 e 2.25.
• % i Lobrim,
'O "'
~e
.s El
...J 'lã
Esquemático
Figura 2.25 - Purgador instalado ao final da linha vertical de alimentação.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 61
• Em conformidade com o boletim NB-54/80 da ABNT, toda a rede
pneumática deve ser pintada em azul, sendo em tonalidade de acordo
com a classificação 2.5PB 4/10 do sistema Munsell.
2.4.4. Tratamento do Ar Comprimido
No processo de geração do ar comprido, o ar atmosférico é aspirado pelo
compressor, comprimido e comumente armazenado em um reservatório, como já
fora visto. Entretanto, é conveniente, antes do armazenamento, proceder a um
tratamento desse ar, bem como, também, ao tratamento do ar que deixa o reser
vatório.
A figura 2.26 representa esquematicamente o desenho de uma central
completa de tratamento e armazenamento do ar comprimido.
13
2 l
(D Saída do compressor
@ Resfriador posterior ("Alter Coo ler")
® Entrada de água
@ Purgador
@ Registro
@ Secador
(j) Dreno
®
®
@)
@
@
@
@
9 5
l l
Linha principal (Tronco)
Derivação ("By-pass")
Reservatório
Válvula de segurança
Manômetro
Separador de condensados
Saída de água
Figura 2.26 - Central de tratamento e armazenamento do ar comprimido.
8
é
62 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
..............
O ar então, após a compressão, tem sua temperatura elevada em função
dos atritos, a uma temperatura superior à de armazenamento, necessitando assim
passar por um resfriador (1), a fim de levar-lhe a condição apropriada ao arma
zenamento no reservatório (10). Essa passagem através do resfriador (2) provoca,
em função da diferença de pressão e temperatura, uma condensação de pequena
parte do ar, que será separada no separador de condensados (13) e posterior
mente eliminada pelo purgador (4).
Uma vez armazenado no reservatório a uma pressão de cerda de
12 kgf/cm2 (12bar) e temperatura de 20°C, o ar pode ser utilizado quando for
conveniente, entretanto sua utilização deve ser precedida de novo tratamento,
isso porque a ação da variação da temperatura ambiente (diferença de tempera
tura e pressão entre ambiente e reservatório) coloca o ar em uma condição úmi
da, havendo assim a necessidade de uma secagem prévia em um secador (6) .
Desse modo, parte do ar que não contenha partículas d ' água seguirá pelo By
pass (9) alimentando a linha tronco (8), e o restante passará pelo secador (6), em
que as partículas d'água serão eliminadas, "retidas", seguindo para a linha tronco
(8) somente o ar seco.
Mesmo com todo esse tratamento prévio, é necessária a utilização de pur
gadores nas linhas de alimentação dos automatismos, conforme fora visto na
figura 2.23, pois o ar que fica retido nas tubulações sofre, em parte, em função de
diferenças de temperatura e pressão, principalmente durante os meses de inver
no, pequena condensação, devendo assim ser elimina pelos purgadores.
2.5. Dimensionamento da Linha Principal (tronco)
Ao proceder ao dimensionamento do diâmetro mínimo necessário à linha
principal, de forma que ela possa atender à pressão e vazão necessárias aos
diversos pontos de alimentação que se distribuirão por dentro da fábrica, é neces
sário já estimar um possível aumento de demanda ao longo dos anos. Esse
dimensionamento deve considerar uma queda de pressão de 0,3 a 0,5kgf/cm2 do
reservatório (adotar 0,5 a partir de 500m) até o consumidor. No dimensiona
mento da linha tronco, devem ser considerados os seguintes itens:
• Volume de ar corrente (vazão);
• Comprimento total da linha tronco;
• Queda de pressão admissível;
• Número de pontos de estrangulamento;
• Pressão de regime.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 63
2.5.1. Volume de Ar Corrente
É a quantidade em m3 de ar por hora que será consumida da rede, pelos
automatismos, supondo todos em funcionamento em um mesmo momento.
Para efeito de dimensionamento seguro e recordando a possibilidade de
futura ampliação dos pontos de consumo, deve-se somar a esse volume o per
centual estimado para a futura ampliação.
Variável Unidade
Q ................................ [m3/h] (2.1)
2.5.2. Comprimento Total da Linha Tronco
É a soma do comprimento linear da tubulação da linha tronco com o com
primento equivalente originado dos pontos de estrangulamento.
f
Variável Unidade
Lt ... ....... ... .. ....... .. .. ...... [m]
Lt = L1+L2
L1 = Comprimento retilíneo [m]
Lz= Comprimento equivalente [m]
(2.2)
(2.3)
2.5.3. Queda de Pressão Admitida
A pressão de um fluido, ao deslocar-se através de uma tubulação, sofre
gradual redução ao longo do comprimento, em função dos atritos internos e dos
possíveis estrangulamentos (curvas, registros, Tees, etc.) que existam ao longo
dela.
Essa queda de pressão, também conhecida como perda de carga, para um
satisfatório desempenho da rede, não deve exceder 0,3kgf/cm2
. Em caso de
grandes redes pode chegar ao máximo de 0,5kgf/cm2
•
Variável Unidade
llP ...... .. ...................... [kgf/cm2
] (2.4)
64 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
·----- ---- ----------- ---·----·· ··-- ----- -- --··· ·······-- -- ----
2.5.4. Número de Pontos de Estrangulamento
São as singularidades já mencionadas (curvas, registros, tês, etc.), neces
sárias para distribuição da linha tronco por dentro de toda a planta industrial.
Essas singularidades devem ser transformadas em comprimento equivalente (L2) ,
o que é possível com a utílízação da Tabela A.5 na seção de apêndices.
2.5.5. Pressão de Regime
Como já fora visto anteriormente, é a pressão na qual o ar se encontra ar
mazenado no reservatório (7 a 12kgf/cm2
) . Lembrando que a pressão de trabalho
considerada econômica industrialmente é de 6kgf/cm2
•
Variável Unidade .
P ...... .......................... [kgf/cm2
] (2 .5)
2.5.6. Equacionamento
A determinação do diâmetro mínimo necessário para atender à demanda,
inclusive já prevendo expansão futura, pode ser obtida então pelo' seguinte equa
cionamento das variáveis citadas:
[
1663785 .10-3
. Q1
·
85
. Lt l d = 10 5 _, _______ _
l'.lP·P
(2.6)
O diâmetro obtido corresponderá ao diâmetro interno e será em unidade
de milímetros. O estabelecimentodo diâmetro comercial do tubo pode ser feito
por meio da Tabela A.6 para tubos de aço preto ou galvanizado ASTM A 120
SCHEDULE 40, da seção de apêndices.
2.5.6.1. Exemplo Prático
A seguir, é demonstrado um exemplo prático em que se deseja determinar
o diâmetro necessário à tubulação da linha tronco de uma rede com as seguintes
características:
• Comprimento de tubulação linear (retilíneo) .. .. ................. ...... ... ... . 300m
• Perda de carga admitida ... ..... .......... ........ ................ ............... 0,3kgf/cm2
• Pressão de regime ... ... .. ... .......... ................................................ 9kgf/cm2
• Volume de ar corrente ... .......... .. .. .. ................... .... ... .. ... ........... .. 300m3/h
• Aumento de capacidade prevista nos próximos 10 anos .................. 603
Produção e Distribuição do Ar Comprimido . 65
Singularidades
• 5 tês roscados com fluxo em ramal
• 29 tês roscados com fluxo em linha
• 7 válvulas do tipo gaveta, roscadas
• 5 curvas de 90° de raio longo
Solução
Em primeiro lugar é necessário dispor em uma tabela todas as singularida
des com seus respectivos comprimentos equivalentes, porém, ao consultarmos a
Tabela A.6 - Apêndice A, verificamos que há necessidade do conhecimento de
um diâmetro nominal. Esse diâmetro será obtido de uma primeira aplicação da
equação 2.6, sem, no entanto, considerar a existência das singularidades, ou seja,
será considerado apenas o comprimento da tubulação retilínea. Assim, teremos:
[
1663785 .10-3
· Q
1
•
85
· Ll l d=l0 5 -'~~~~~~~-
LiP·P
(2.7)
Lembrando que em 10 anos a capacidade em volume de ar necessário
deve crescer em 603 , o volume de ar então será:
66
m 3
Q = 300 · 16 = 480-, h (2.8)
• Substituindo as variáveis:
(o 3 kgf . 9 kgf )
' cm 2 cm 2
d= 70mm --73in (diâmetro nominal - Tabela A.5 do Apêndice A).
O diâmetro obtido é, pois, um diâmetro de referência que deve ser utili
Jado para consulta das Qerdas Qor...§filgularid_gdes - Tabela A.6.
(2.9)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
• Tabulando agora as singularidades em uma grade, teremos:
Singularidade QTD
Comprimento
Total (M)
Equivalente (M)
Tê roscado com fluxo em ramal 10 5,2 52
Tê roscado com fluxo em linha 5 3,7 18,5
Válvula do tipo gaveta, roscada. 7 0,58 4,06
Curva de 90° de raio longo 6 1,2 7,2
Comprimento Equivalente Total (L1) : 81,76
• O comprimento total da linha tronco será:
Lt = L1 +~~300m + 81,76m = 381,76m (2.10)
• Reaplicando a equação 2.6 e substituindo as variáveis:
/ 3 , 1,85
1,663785 ·10-3 · 480~ · (381,76m)
h
d =10 ~
[
o 3 kgf . 9 kgf )
(2.11)
' cm 2 cm 2
d= 73,5lmm ~3in (diâmetro nominal - Tabela A.5 - Apêndice A).
Para esse caso, mesmo considerando as perdas de carga devido às singu
laridades, o diâmetro necessário continua ainda correspondendo ao tubo
de diâmetro nominal 3in.
2.6. Dimensionamento das Linhas Secundária e de
Alimentação
O dimensionamento das linhas secundárias e de alimentação pode ser feito
aplicando a mesma equação 2.6. No caso das linhas secundárias, sendo todas de
mesmo comprimento, divide-se o volume de ar corrente pelo número de linhas
secundárias, e procede-se ao cálculo, ajustando também a valor da variável com
primento (Lt).
A figura 2.27 é utilizada para exemplificar de forma mais detalhada esta
questão.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 67
2.6.1. Exemplo Prático 1
Supondo que a rede calculada anteriormente tenha a vista superior, con
forme demonstrada na figura seguinte:
Linha secundária
Linha tronco
Linha de alimentação -----.
M13 M14 MlS
M16 M17 M18 ,----- ------
' 1
: Central de ar :
: comprimido :
1 1 ._ ___________ ,
Figura 2.27 - Rede pneumática.
Os dados referentes às linhas secundárias, conforme a figura 2.28 em se-
guida, são os seguintes:
• Comprimento de tubulação linear (cada linha) ................................ llm
• Perda de carga admitida ......................................................... 0,3kgf/cm2
• Pressão de regime ...................................................................... 9kgf/cm2
• Volume de ar corrente total na fábrica ....................................... 300m3/h
• Aumento de capacidade prevista nos próximos 10 anos ............... ... 603
São dez linhas secundárias de igual comprimento.
68 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Singularidades
• 3 três roscados com fluxo pelo ramal
• 1 válvula do tipo gaveta, roscada
• 1 curva 90° de raio longo, roscada
• 1 cotovelo comum 90°, roscado
Curva 180° raio longo
roscada
Linha secundária
\
Válvula do tipo gaveta
roscada
Cotovelo comum 90°
roscado
Tê fluxo
pelo ramal
roscado
pelo ramal
roscado
/Linha de alimentação
Válvula do tipo gaveta
roscada ____.
Tê fluxo
pelo ramal
roscado
Figura 2.28 - Detalhe de uma das linhas secundárias, com as linhas de alimentação,
apresentada na figura 2.27.
Solução
• Volume de ar corrente por linha secundária (Q):
m3
300- ·1.6 3
Q = h =480~
10 ' h
• Aplicando a equação 2.6:
/ 3 ' 1,85
1,663785 .10-3 · 48,0~ · (llm)
d =101
(o 3 kgf . 9 kgf )
l ' cm 2 cm 2
Produção e Distribuição do Ar Comprimido
(2.12)
(2.13)
69
d= 15,42mm -7l/2in {diâmetro nominal - Tabela A.5 - Apêndice A).
• Tabulando agora as singularidades em uma grade, teremos:
Singularidade QTD
Comprimento.
Total (M)
Equivalente (M)
Tê roscado com fluxo em ramal 3 1,3 3,9
Válvula do tipo gaveta, roscada. 1 0,17 0,17
Curva de 90° de raio longo, roscada 1 0,67 0,67
Cotovelo 90° comum roscado 1 1,1 1,1
Comprimento Equivalente Total (L.!): 5,84
• O comprimento total da linha secundária será:
Lt = L1 + L2 -7 1 lm + 5,84m = 16,84m (2.14)
• Reaplicando a equação 2.6 e substituindo as variáveis:
/ 3 -., 1,85
1,663785 -10-3
· 48,0~ · (16,84m)
d= 101
(
o 3 kgf . 9 kgf )
' cm 2 cm 2
(2 .15)
d= 16,80mm-73/4in (diâmetro nominal - Tabela A.5 -Apêndice A) .
•
Lembrando, pois, -que 16,37mm é o diâmetro interno necessário à tubula
ção da linha secundária, e buscando na Tabela A.5 o tubo schedule 40 de
'diâmetro interno igual ou imediatamente superior ao obtido, verificaremos
1
que o mais próximo superior tem diâmetro interno de 21,0mm e corres
'Ps.?.nde ao tubo de diâmetro nominal 3/4in.
O procedimento para o cálculo de obtenção do diâmetro necessário às li
nhas de alimentação é o mesmo.
2.6.2. Exemplo Prático 2
Conforme figura 2.28, a linha de alimentação possui as seguintes caracte
rísticas:
70 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
• Comprimento de tubulação linear (cada linha) ................................... 5m
• Perda de carga admitida: ........................................................ 0,3kgf/cm2
• Pressão de regime ..................................................................... 9kgf/cm2
• Volume de ar corrente em cada linha secundária ..................... 48,0m3/h
São três linhas de alimentação de igual comprimento por cada linha secun
dária.
Singularidades
• 1 tê roscado com fluxo pelo ramal
• 1 válvula do tipo gaveta, roscada
• 1 curva 180° de raio longo, roscada
Solução
• Volume de ar corrente por linha de alimentação (Q):
m3
48,0- 3
Q= h =16~
3 h
(2.16)
• Aplicando a equação 2.6:
/ 3 1,85
1,663785 .10-3
· 16: · (5m)
d= 10 ~ -----~~-~---
(º 3 kgf . 9 kgf )
' cm 2 cm 2
(2.17)
d= 8,77mm --7l/2in (diâmetro nominal - Tabela A.5 - Apêndice A) 5.
5 Embora a Tabela A.5 do Apêndice A possua diâmetros nominais menores que 1/2in, o
menor diâmetro existente na Tabela A.6 é o de 1/2in, portanto será adotado este para
a tabulação das singularidades e construção da linha de alimentação.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 71
• Tabulando agora as singularidades em uma grade, teremos:
Comprimento. Total
Singularidade QTD
Equivalente (M) (M)
Tê roscado comfluxo em ramal 1 1,3 1,3
Válvula do tipo gaveta, roscada. 1 0,17 0,17
Curva de 180° de raio longo, roscada 1 0,67 0,67
Comprimento Equivalente T atai (Lz): 2,14
• O comprimento total da linha secundária será:
Lt = L1 +L2 -7 5m + 2,14m = 7,14m (2.18)
• Reaplicando a equação 2.6 e substituindo as variáveis:
/ 3 ' 1,85
1,663785·10- 3 · 16~ · (7,14m)
h
d=l0,5
(
o 3 kgf . 9 kgf )
' cm 2 cm 2
(2 .19)
d= 9,42mm-7l/2in {diâmetro nominal - Tabela A.5 do Apêndice) .
Como já fora exposto em nota de rodapé da página anterior, o tubo a ser:
adotado serÓ o de diâmetro nominal 1/2in, por ser o de menor diâmetro
existente na Tabela A.5.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
2. 7. Dimensionamento da Linha Tronco a Partir de
um Nomograma
Além da equação 2.6, que oferece resultados bastante precisos, a FMA
Pokorny, de Frankfurt, na Alemanha, desenvolveu um nomograma o qual per
mite obter o diâmetro da tubulação da linha tronco, de forma um pouco mais
rápida, com cálculos simples, porém não tão precisos.
Na seção apêndice A, ao final do livro, o leitor encontrará em A. 7 o citado
nomograma, e que pode ser usado conforme as seguintes instruções.
72 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
2. 7.1. Exemplo Prático
Utilize o nomograma A.7 (apêndice A), para solução do exemplo pratico
(2.5.6.1) apresentado anteriormente e resolvido por meio de equacionamento.
Solução:
"A solução deste exercício encontra-se resolvida no próprio nomograma".
Passo 1:
• Traça-se inicialmente uma linha, ali referenciada como (1), unindo o
ponto 300m do eixo "comprimento da tubulação", cruzando pelo ponto
de volume 480m3/h, do eixo "volume aspirado", até encontrar o EIXO 1.
Passo 2:
• Do eixo "queda de pressão", traçar a linha (2), partindo do ponto 0,3
bar, que é a queda de pressão admitida, até encontrar a pressão de re
gime de trabalho da rede (9bar), no eixo "pressão de regime". Essa
linha cruzará sobre o EIXO 2.
Passo 3:
• Unir com uma reta o ponto de cruzamento da linha (1) icom o EIXO 1,
ao ponto da linha (2) com o EIXO 2.
Passo 4:
• Ler sobre o eixo "diâmetro interno do tubo", no ponto ali marcado com
um (X), qual o diâmetro de referência para a tubulação da linha tronco.
O valor é impreciso, mas aparentemente gira em torno de 58mm.
Passo 5:
• A partir desse diâmetro de referência, seguir o procedimento comum,
obtendo com o auxílio das tabelas A.5 e A.6 (Apêndice A), as perdas de
carga por singularidades e ao final somá-las ao comprimento de tubula
ção linear, que em nosso caso era os 300m.
O leitor observará, ao consultar a Tabela A.5, que o diâmetro nominal, para
um diâmetro interno de 58mm, é 2.1/2in, sendo, portanto, menor que o
encontrado pela equação, resultando assim que o comprimento de tubo
equivalente às singularidades para esse diâmetro nominal também será me
nor gue o aQ.resentado na solução anterior do exemQ.,..l ... o...,. ---~----
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 73
• Tabelando então as singularidades para tubo de 2.1/2in:
Singularidade QTD
Comprimento
Total (M)
Equivalente (M)
Tê roscado com fluxo em ramal 10 3,9 39
Tê roscado com fluxo em linha 5 2,8 14
Válvula do tipo gaveta, roscada 7 0,52 3,64
Curva de 90° de raio longo 6 1,1 6,6
Comprimento Equivalente To tal (L2): 63,24
• O comprimento total da linha tronco será:
Lt = L1 + L2 -7 300m + 63,24m = 363,24m (2.20)
Passo 6:
• Marcar o comprimento total Lt sobre o eixo "comprimento da tubula
ção", estendendo uma linha (linha 4), que passe novamente pelo ponto
480 no eixo "volume aspirado" até novamente encontrar o EIXO 1.
Passo 7:
• Unir o novo ponto achado no EIXO 1 com o ponto anterior do EIXO 2
através da linha (5).
Passo 8:
• Ler sopre o eixo "diâmetro interno", no cruzamento da linha (5) com
este, o diâmetro interno final (referenciado com um Y).
• Esse diâmetro resulta, conforme pode ser observado, 60mm, que de
acordo com a Tabela A.5 do Apêndice A (Norma ASTM A-120), conti
nua correspondendo a um tubo de. diâmetro nominal 2.1/2in.
Conclusão
Apesar de a equação 2.6 necessitar da aplicação de uma calculadora cien
tífica, bem como de seu operador saber us.á-la, proporciona sempre a garantia do
resultado correto. Além de que o referido nomograma não possibilita o dimensio
namento das linhas secundárias e de alimentação, devido à sua limitação de
valores menores na escala B de "volume sugado".
74 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
2.8. Exercícios
Marque a alternativa correta:
1) Com relação aos compressores volumétricos, é correto afirmar que:
a) Dividem-se em alternativos, rotativos e dinâmicos.
b) No sistema biela-manivela a expansão segue logo após a compressão.
e) Nem todo o gás é expulso do cabeçote após a etapa de descarga, origi
nando assim um volume morto.
2) É característica dos compressores rotativos:
a) Operar em etapas de admissão, compressão, descarga e expansão.
b) Operar continua e uniformemente, fornecendo o ar livre de pulsação.
e) Os compressores de parafuso necessitam de lubrificação contínua.
3) Com relação aos compressores volumétricos e dinâmicos, é correto afirmar:
a) Os compressores de dupla ação comprimem o mesmo volume de ar em
ambos os sentidos.
' b) No compressor radial o ar passa por um contínuo processo de centrifu-
gação, sofrendo um aumento de pressão progressivo da aspiração até a
descarga.
e) A relação de compressão interna do compressor de parafusos indepen
de da geometria da máquina e da natureza do gás.
4) Define-se pressão de regime como sendo:
a) A pressão aplicada diretamente ao automatismo a fim de proporcionar
seu regime de trabalho.
b) A pressão que é comumente conhecida como pressão econômica cujo
valor é de 6kgf/cm2
•
e) A pressão cujo ar se encontra armazenado no reservatório e é distribuí
do por toda a rede.
5) Quanto aos sistemas de acionamento dos compressores, é correto afirmar
que:
a) Os sistemas de acionamento a motor elétrico são mais econômicos e
podem ser utilizados em todas as ocasiões e regiões geográficas.
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 75
•
b) Os sistemas de acionamento a motor diesel podem ser usados por em
presas que necessitam de compressores de alta potência trabalhando
por grandes períodos, porém buscando reduzir seu consumo elétrico.
e) Para os sistemas de acionamento por motor elétrico é indicado o siste
ma de regulagem por rotação.
6) Explique o sistema de regulagem intermitente utilizado nos motores elétricos.
7) Diferencie rede de circuito aberto e rede de circuito fechado, indicando sua
aplicação.
8) Explique a utilização e necessidade das unidades de conservação LUBRIFIL
e dos purgadores em uma rede pneumática.
9) Descreva as etapas aconselhadas ao tratamento do ar comprimido para uso
industrial e explique a razão dessa necessidade.
10) Refaça os exemplos práticos (2.5.6.1), (2.6.1) e (2.6.2), considerando o
comprimento linear da linha tronco com 500m, D.P = 0,5kgf/cm2
, ampliação
futura de 803, e Q = 200m3/h.
76 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
-- ~---- --
....
CAPÍTULO
Atuadores Pneumáticos
.. ~----------------------..
3.1. Conceito
Atuadores pneumáticos são elementos mecarncos que por meio de
movimentos lineares ou rotativos transformam a energia cinética gerada pelo ar
pressurizado e em expansão, em energia mecânica, produzindo trabalho.
3.2. Atuadores Pneumáticos Lineares
Conhecidos comumente como cilindros pneumáticos, são elementos
constituídos por um tubo cilíndrico, tendo uma de suas extremidades fechada por
uma tampa, a qual contém uma conexão que serve para admissão e exaustão do
ar, e na outra extremidade, outra tampa com igual característica, porém dotada
ainda de um furo central pelo qual se movimenta uma haste que, na extremidade
interna ao cilindro, possui um êmbolo com vedação, que pela ação do ar
expandindo-se no interiordo tubo cilíndrico, possibilita o movimento de
expansão ou retração dessa haste.
Os atuadores pneumáticos são regidos por normas internacionais, tais
como:
• ISO 6431 e 6432 (internacional);
• DIN ISO 6431eVDMA24562 (Alemanha);
• NF E 49003.1 (França);
• UNI 20.290 (Itália).
Atuadores Pneumáticos 77
Estão classificados basicamente em duas famílias:
1. Atuadores pneumáticos lineares de simples efeito;
2. Atuadores pneumáticos lineares de duplo efeito.
3.2.1. Atuadores Pneumáticos Lineares de Simples Efeito
São atuadores cujo movimento de retração ou expansão é feito pela ação
de uma mola interna ao tubo cilíndrico "camisa" (figura 3.1), podendo ainda ter
retomo por força externa.
São normalmente aplicados em dispositivos de fixação, gavetas de moldes
de injeção, expulsão, prensagem, elevação e alimentação de componentes (ver
apêndice A - Tabela A.8).
Q) Entrada e saída de ar
®Vedação do êmbolo em neopreme
@Êmbolo
@)Elemento de fixação
@camisa
@Mola
(j) Tampa frontal
@ Haste em aço especial
Figura 3.1 - Atuador pneumático linear de simples efeito com retorno por mola .
3.2.1.1. Princípio Funcional
Partindo do comando de uma válvula controladora direcional (tema do
capítulo seguinte) que, ao ser acionada, permite que o ar comprimido provindo
da linha de alimentação seja injetado através de uma mangueira, na conexão (1),
elevando-se a pressão na câmara posterior até o ponto de superar a força
exercida pela mola (6), provocando com isso o movimento de extensão da haste.
Enquanto a válvula citada permanecer acionada, a pressão do ar
continuará atuando no interior do cilindro pneumático, mantendo assim a haste
distendida. Somente com o desligamento da válvula é que o fluxo de ar para o
interior do atuador será cessado, servindo agora a mesma conexão para a
exaustão do ar, em função da força restauradora da mola.
78 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A mola para uso neste tipo de atuador é dimensionada para possibilitar um
rápido retorno da haste, sem, contudo, permitir que a velocidade de retorno seja
demasiadamente elevada a ponto de absorver grande energia cinética e dissipá-la
com grande impacto do êmbolo no fundo da câmara, o que seria danoso ao
atuador.
Por questões funcionais, são desaconselhados para aplicações que
requeiram curso superior a lOOmm.
3.2.1.2. Representação Simbólica
A figura 3.2 apresenta a representação simbólica normalizada, de acordo
com a norma DIN/ISO 1929 de agosto de 1978 (Apêndice A - Tabela A.1), para
esse tipo de atuador.
1 I~ à li à ~ 1\1\/\111 : : ~'\ f\ lS·71 ~
1
v )' V v
1
(a) (b)
Figura 3.2 - Representação simbólica normalizada - (a) atuador linear de simples efeito
normalmente retraído com retorno por mola - (b) atuador linear de simples efeito
normalmente distendido com retorno por mola.
3.2.2. Atuadores Pneumáticos Lineares de Duplo Efeito
São atuadores em que alimentação e exaustão ocorrem por conexões
localizadas em ambas extremidades do atuador (figura 3.3).
São encontrados em diâmetros comerciais, cobrindo uma faixa de
diâmetros que vai, normalmente, de 32 a 320mm. Alguns fabricantes, entretanto,
produzem também o que denominam "Série Mini", que engloba diâmetros de 6 a
25mm.
Na seção apêndice A, o leitor encontra a Tabela A.8 e A.9, na qual é listada
uma série de cilindros pneumáticos de duplo efeito, comerciais, de dois
conhecidos fabricantes .
Atuadores Pneumáticos 79
G) Tampa traseira
0 Conexão de alimentação/exaustão
G) Câmara traseira
(V Vedação do êmbolo em neopreme
©Êmbolo
G) Câmara frontal
(j) Camisa
@ Tampa frontal
0 Conexão alimentação/exaustão
@Haste
Figura 3.3 - Atuador pneumático linear de duplo efeito.
3.2.2.1. Princípio Funcional
Em estad9 normalmente não acionado, o atuador que é comandado por
uma válvula controladora direcional é mantido recuado em função do ar que
mantém preenchida sua câmara frontal (6). Ao ser comutada uma válvula
controladora, será permitido que o ar comprimido provindo da linha de
alimentação seja injetado através de uma mangueira, na conexão (2), elevando
-se a pressão na câmara traseira até o ponto de superar as forças de atrito e a que
estiver se opondo ao movimento da haste (10), provocando com isso sua
extensão.
Enquanto a válvula controladora permanecer acionada, a pressão do ar
continuará atuando no interior do cilindro pneumático, mantendo assim a haste
distendida. Somente quando a válvula é comutada novamente para o sentido
oposto é que o fluxo de ar para o interior da câmara traseira do atuador é
cessado, servindo agora, a mesma conexão para a exaustão do ar, enquanto o ar
provindo da linha passa a ser insuflado pela conexão (9) à câmara frontal (6),
provocando com isso o retorno da haste (10).
80 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
3.2.2.2. Representação Simbólica
A figura 3.4 apresenta a representação simbólica normalizada, de acordo
corn a norma DIN/ISO 1929 de agosto de 1978 (Apêndice A - Tabela A.1), para
esse tipo de atuador.
11-1 __........:
1 1
Figura 3.4 - Representação simbólica normalizada.
3.3. Atuadores Pneumáticos Lineares com
Amortecimento
Tal como em automação hidráulica, em automação pneumática os amorte
cedores de fim de curso têm mesma aplicação, que é absorver a excessiva energia
cinética gerada em função da elevada velocidade de avanço ou retorno que o
atuador venha a desenvolver durante seu funcionamento. Lembremos, pois, que
em toda massa quando posta em movimento, seja com velocidad~ constante ou
variável, haverá sempre a dissipação de energia cinética (equação 3.1).
Em que:
• m - massa [kg];
2
EC=~
2
• v - velocidade de deslocamento [m/s];
• EC - energia cinética [kg.m2/s2 = Joule].
(3.1)
Assim, quando analisamos internamente um atuador linear pneumático,
observamos que o conjunto (êmbolo+ haste) constitui uma massa m que, quando
aplicada à equação 3.1 juntamente com a velocidade a ser desenvolvida pelo
atuador, resultará na energia cinética a ser gerada pelo conjunto. Essa energia
cinética, ao final do curso do atuador, será absorvida ora pela tampa frontal (8),
ora pela tampa traseira (1) - figura 3.3, conforme o movimento de extensão ou
retração da haste.
Uma vez que os atuadores pneumáticos trabalham com pressões bem mais
reduzidas que os hidráulicos, como já fora citado anteriormente, normalmente
são produzidos em ligas de alumínio, o que os tornam mais leves e mais baratos,
porém mais frágeis e assim mais susceptíveis à deformação plástica.
Atuadores Pneumáticos 81
Embora a capacidade de absorção de energia seja uma função do limite elástico
do material, a repetição cíclica do impacto do êmbolo à grande velocidade
conduzirá à fadiga do material. Essa velocidade limite, à qual o amortecedor se
faz realmente necessário, gira em torno de O,lm/s - figura 3.5.
Q) Cavidade traseira
@ Conj. válvula de retenção
@ Câmara traseira
@ Câmara frontal
@ Cavidade frontal
@Haste
(j) Conj. válvula de retenção
@ Conexâo alimentação/exaustâo e) reg. de amortecimento
® Orifício de saída para amortecimento no avanço
@ Bucha amortecedora
@Êmbolo
@ Ponta amortecedora da haste
@ Orifício de saída para amortecimento no retorno
@ Conexâo alimentação/exaustão c)reg. de amortecimento
Figura 3.5 - Atuador pneumático linear de duplo efeito com amortecimento no avanço e retomo.
1
3.3.1. Princípio Funcional
O princípio funcional do amortecedor de fim de curso é de entendimento
bastante simples. Observando a figura 3.5, verificamos que o atuador se encontra
com a haste em movimento de retração, conforme a indicação da seta sobre ela,
assim, ao analisarmos a câmara traseira (3) nos momentos finais da retração da
haste (6), observamos que o conjunto êmbolo (11) + haste (6), quando da
aproximação em elevada velocidade, chegando próximo à tampa do fundo, que
possui usinado em seu centro, umfuro denominado cavidade traseira (1), tem
um primeiro contato com esta, através da ponta amortecedora da haste (12), que
bloqueia a referida cavidade, evitando com isso a continuidade da exaustão pela
conexão (14) via cavidade traseira (1).
82 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. '' ' --- ---- - ' ' .
Não mais podendo ser exaurido por esse caminho, o ar confinado no restante da
câmara traseira (3) tem como único caminho um pequeno orifício (13), cujo
diâmetro é menor que o canal de ligação da cavidade (1), com a conexão de
exaustão (14). Esse fato, aliado ao ajuste do parafuso conexão de alimentação/
exaustão (1), cria um efeito como se fosse uma almofada de ar, exatamente o de
um amortecimento pneumático, dado que em função dessa combinação, a vazão
de saída do ar sofre uma sensível redução, diminuindo então a velocidade final,
quando do impacto com o cabeço do fundo (tampa traseira).
O objetivo da válvula de retenção (2) é justamente permitir o controle da
recirculação do ar que restou na cavidade traseira (1), bem como parte do ar que
tenta sair via orifício (13) e conexão (14).
O amortecimento na extensão da haste do atuador, quando em seu final de
curso, ocorre de forma análoga.
3.3.2. Representação Simbólica
Os amortecedores de fim de curso podem ser fixos ou variáveis. A figura
3.6 mostra a representação simbólica normalizada de acordo com a norma
DIN/ISO 1929 de agosto de 1978 (Apêndice A - Tabela A.l), par9 esses tipos de
amortecedores.
Ido~:
1 1
110~:
1 1
1 d--1 ____.:
1 1
a) Amortecedor fixo b) Amortecedor fixo c) Amortecedor fixo
no avanço e recuo no avanço no recuo
IJID= : 1 Jtf : IM :
1 1 1 1 1 1
d) Amortecedor regulável e) Amortecedor regulável f) Amortecedor regulável
no avanço e recuo no avanço no recuo
Figura 3.6 - Representação simbólica normalizada.
3.4. Atuadores Lineares de Duplo Efeito Especiais
A busca de solução para situações bem mais específicas, como, por
exemplo, a simultaneidade de movimentos, o seu escalonamento, atuação com
alto impacto, a necessidade de regulagem de curso, velocidade altamente
controlada e deslocamentos de precisão, etc., levou a pneumática a desenvolver
variantes para os atuadores pneumáticos de duplo efeito.
Atuadores Pneumáticos 83
Estão relacionadas em seguida algumas dessas variantes com suas
características e aplicações.
3.4.1. Atuador Linear de Haste Passante
'
Consiste em um atuador linear de duplo efeito, que possui duas hastes
contrapostas, ligadas por intermédio do êmbolo. Este tipo de atuador permite a
execução de trabalhos idênticos realizados simultaneamente, pois enquanto uma
haste recua a outra avança (figura 3 .7).
+J::::...- A
1
1
+f:::=.--A
Figura 3 .7 - Atuador linear de haste passante com amortecedores de fim de curso.
Uma característica importante desse tipo de atuador é a sua capacidade em
força de avanço e retorno que é idêntica, isso porque a força de avanço de
qualquer uma das hastes é também a força de retorno da outra, uma vez que a
força de avanço de ambas as hastes é dada pelo produto entre a pressão de
trabalho e a árep. da coroa do êmbolo (figura 3.8).
Dp
Figura 3.8 - Vista do corte A-A do atuador.
Ac=n----
[
Dp
2
-dh
2 l
4
(3.2)
84 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
··--- .. . - - - -···· ------------ --- .
Fa1 = Fa2 = Pt · Ac (3.3)
Em que:
• Ac - área da coroa do êmbolo, [mm2
];
• Dp - diâmetro do pistão, [mm];
• dh - diâmetro da haste, [mm];
• P t - pressão de trabalho, [N/mm2
];
• Fa1 e Fa2 - força de avanço da haste, [N].
Além da igualdade de forças, há também a igualdade de velocidades, pois
a vazão de alimentação é a mesma, embora essa característica possa ser
modificada adicionando à conexão de alimentação, válvulas controladoras de
fluxo (redutoras de vazão).
Suporta ainda cargas laterais mais elevadas, e conforme a aplicação,
permite que os elementos sinalizadores sejam montados na haste livre.
3.4.1.1. Representação Simbólica
Os atuadores pneumáticos lineares de haste passante têrr{ representação
simbólica normalizada de acordo com a norma DIN/ISO 1929 de agosto de 1978
(apêndice A - Tabela A.1), para esses tipos de amortecedores.
Figura 3 .9 - Representação simbólica normalizada.
3.4.2. Atuador Linear Duplex Contínuo
Resulta de dois atuadores lineares de duplo efeito de mesmo diâmetro,
montados em série {figura 3.10), o que possibilita como característica principal a
elevação da força de avanço em (82 a 973), e a duplicação da força de retomo,
tal como é analisado em seguida.
Atuadores Pneumáticos 85
Figura 3.10 - Atuador linear duplex contínuo.
3.4.2.1. Análise da Força de Avanço
A força de avanço (Fa) de um atuador linear pneumático é normalmente
dada pela seguinte função:
Fa =Pt·Ap (3.4)
Em que:
• Pt - pressão de trabalho;
• Ap - área do pistão.
Entretanto, no tipo de atuador em questão, quando uma válvula
comutadora acionar seu disparo, as conexões 1 e 3 serão alimentadas
simultaneamente com uma pressão Pt, enquanto pelas conexões 2 e 4 será feita a
exaustão. A força de avanço, nesse caso, será dada pela soma das forças
individuais de tada atuador.
Como ambos os atuadores possuem mesmo diâmetro interno e mesmo
diâmetro de haste, verifica-se da figura 3.10 a seguinte condição:
86
n1n2
n1+n2=1
n1.Fa f
Ap
-+
f
p •
1-------~
t f ._ f l. Fr
2 (Ac,+Ac,)
n2.Fa
Aez
p •
Figura 3.11 - Representação esquemática para estudo de forças do atuador.
(3.5)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
·····-- .. -- ··----- - . , .. ' ' .. ,.,.,.,,.,.,.,., ... , ····- -- ..
Lembrando então que ambos são acionados simultaneamente e partilham
da mesma haste, podemos escrever conforme figura 3.11 em seguida, que a força
de avanço será dada por:
n1Fa n2Fa [ Fa l Pt=--+--=
Ap Ac 2 Ap + Ac 2
• Isolando a variável Fa:
• Como:
F a = Pt · (Ap + Ac 2 )
D 2
Ap = n:__E__
4
• Lembrando a condição (3.5):
[
Dp
2
-dh
2 l Ac 2 = Ac = n:
4
j
(3.6)
(3.7)
(3.8)
(3.9)
• Substituído então os valores das variáveis Ap e Ac2 e simplificando:
Fa = ! Pt. n:(2Dp2
- dh 2
) (3.10)
3.4.2.2. Análise da Força de Retorno
Raciocínio análogo é seguido para obtenção da força de retorno.
Pt _ ..!_ . Fr + ..!_. Fr _ 2[..!_ . _ii__]
-2 (Ac1 +Ac 2 ) 2 (Ac1 +Ac 2 )- 2 (2Ac)
(3.11)
• Simplificando:
Pt =[_li_]
2Ac
(3.12)
• Isolando a variável Fr:
Fr = 2Ac·Pt (3.13)
Atuadores Pneumáticos 87
• Substituindo a variável Ac por seu valor:
Fr ~ 2n[ Dp2 ~ dh2] . Pt (3.14)
• Simplificando:
(3.15)
A tabela 3.1 apresenta uma análise comparativa entre as forças de avanço
e retomo de um atuador normal e um atuador duplex contínuo. É possível
verificar nas duas últimas colunas à direita o aumento percentual nas forças de
avanço e retomo que o segundo atuador tem em relação ao primeiro.
Tabela 3.1 - Análise comparativa entre forças de um atuador normal e um duplex contínuo.
Pressão de Atuador normal Atuador duplex Diferença Diferença
trabalho (6bar) (N) contínuo (N) 3 na Fa 3 na Fr
Dp dh Fa1 Fr1 Fa2 Fr2 Fa2 >Fa 1 Fr1>Fr2
32 12 482 415 897 829 +86,00 +100
40 16 753 633 1387 1267 +84,19 +100
50 20 1178 990 2168 1979 +84,00 +100
63 20 1870 1682 3552 3364 +89,94 +100
80 25
'
3015 2720 5737 5443 +90,28 +100
100 25 4712 4418 9130 8836 +93,73 +100
125 32 7360 6880 14244 13761 +93,53 +100
160 40 12064 11310 23373 22619 +93,74 +100
200 40 18850 18096 36945 36191 +95,99 +100
3.4.3. Atuador Duplex Geminado
É uma variante de atuador duplex, modificado para atender a grandes
deslocamentos e deslocamentos escalonados, sem, no entanto a necessidade de
aplicação de força elevada, podendo por isso, ter diâmetro da camisa reduzido.
Sua estrutura consiste em dois atuadores pneumáticos de duplo efeito,
montados um de costas para o outro, não necessitando ter mesmo diâmetroou
sequer mesmo comprimento de curso (figura 3.12).
88 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
··-···· ,., ·····----------- ---- ...
Caso 1-+L1=~
Caso 2-+ L1#~
Figura 3.12 - Atuador duplex geminado.
Basicamente há duas formas variantes para essa construção, e que aqui são
identificadas como "caso l" e "caso 2".
3.4.3.1. Caso 1
Consiste em um atuador duplex geminado em que ambas as hastes
possuem mesmo curso (L1 =L2=U2). Essa concepção construtiva permite três
posicionamentos diferentes. A posição inicial, uma posição intermediária e
posição final, conforme representação esquemática da figura 3.13.
3.4.3.2. Caso 2
Posição inicial
Posição intermediária
Posição final
L
~
~
Figura 3 .13 - Atuador duplex de hastes com igual curso.
Consiste em um atuador duplex geminado em que as hastes possuem
diferentes cursos (L1#~) . Essa concepção construtiva permite quatro posiciona
mentos diferentes. A posição inicial, duas posições intermediárias e posição final,
conforme representação esquemática da figura 3.14.
Para esta configuração, tendo um dos cursos comprimento igual ao dobro
do outro (L1 = 2~), a posição intermediária 1 corresponderá a 1/3 da soma dos
Atuadores Pneumáticos 89
cursos, (L1 + L2), enquanto a posição intermediária 2 corresponderá a 2/3 da
soma.
Posição inicial
Posição intermediária 1
1
L
3
L
Posição intermediária 2
Posição final
L
3
L1#~
L1 =2~
L1+~=L
L+L+L=L
3 3 3
Figura 3.14 - Atuador duplex de hastes com cursos diferentes.
3.4.4. Atuador Pneumático de Alto Impacto
Externamente é como um atuador normal de duplo efeito, entretanto,
internamente, a câmara traseira (C) possui uma divisão formando uma pré
-câmara (A), desse modo a câmara traseira fica dividida em duas partes, sendo
que a ligação ehtre a pré-câmara e a nova câmara traseira (agora com metade de
seu volume) se dá através de um pequeno orifício (B) que fica bloqueado pela
ponta traseira da haste (D) enquanto ela estiver recolhida (figura 3.15) .
Figura 3.15 - Atuador Pneumático de Alto Impacto.
3.4.4.1. Princípio Funcional
Quando disparado o atuador, o ar comprimido inicialmente acessa a pré
-câmara (A) e, uma vez que a área do orifício de ligação (B) é relativamente
90 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
menor que a área interna da própria pré-câmara (A), e ainda, inicialmente o
orifício encontra-se bloqueado pela ponta traseira da haste (D), a pressão do ar
irá elevar-se na pré-câmara, até que a força desenvolvida possa vencer as forças
opostas, fazendo com que o conjunto haste+êmbolo inicie rápido movimento,
distendendo-se e gerando grande quantidade de energia cinética.
A importância do orifício (D) nessa concepção é a da produção da elevada
energia cinética necessária a esse tipo de atuador, que tem como aplicação,
basicamente, os serviços de prensagem, rebitagem, cortes, etc.
A alta energia cinética é gerada durante o movimento inicial de extensão
do atuador. Essa elevação é proporcional à elevação da velocidade do ar ao
passar através do orifício (B). Mecanismo esse que pode ser explicado pela
equação da continuidade analisando a figura 3.16 apresentada em seguida.
Fluxo de ar
pressurizado
Figura 3.16 - Detalhe da interface entre pré-câmara e câmara traseira no
início do movimento de distensão da haste.
Da mecânica dos fluidos é sabido que o fluxo de massa (taxa de massa) de
um fluido , seja ele incompressível ou compressível, permanece sempre constante
ao longo de uma tubulação pela qual escoe, independente de quaisquer
variações em sua seção transversal. Desse modo, analisando a figura 3.16, pode
-se afirmar que no instante em que se inicia o movimento da haste, depois de
vencidas as forças que se contrapõem ao movimento, a taxa de massa que passa
pela seção transversal da pré-câmara é igual à que passa pela seção transversal
do orifício, portanto:
• •
mmáxl = mmáx2 (3.16)
Atuadores Pneumáticos 91
Lembrando que:
•
mmáx =p ·v·A
Em que:
• p - massa específica do fluido, [kg/m3
];
• v - velocidade de escoamento, [m/s];
• A - Área da seção transversal do duto, [m2
).
Substituindo a expressão 3.17 em 3.16, teremos:
P·V1 ·A1 =p·V2 ·A2
(3 .17)
(3.18)
Utilizando as mesmas variáveis da figura 3.16 e eliminando o termo da
massa específica que é constante durante o fluxo:
(3.19)
Isolando v2 na expressão 3.19, obteremos a velocidade com que o conjunto
haste+êmbolo parte de sua posição de repouso:
(3.20)
Sendo que v1 é a velocidade normal desenvolvida pelo atuador se não
houvesse a pré-câmara, e é dada por:
•
Em que:
• L - curso do atuador, [m];
L
Vl =
ta
• ta - tempo de avanço, [s].
Substituindo 3.21em3.20, teremos:
L Ap
V=-·-
2 ta Ao
(3.21)
(3.22)
A energia cinética de uma massa qualquer, deslocando-se com velocidade
v, é dada por:
92 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
1 2 EC =-m · v
2
(3 .23)
Nesse caso, a massa m corresponde à massa do conjunto haste+êmbolo, e
a velocidade v, será a já obtida na expressão 3.22, assim substituindo-a em 3.23,
teremos a equação da energia cinética desenvolvida pelo conjunto
haste+êmbolo, em um atuador de alto impacto.
EC = !m · [.!::_ · Ap]
2
2 ta Ao
(3.24)
É fácil concluir que a equação da energia cinética para um atuador normal
será então dada por:
(3.25)
O que foi exposto permite fazer uma análise comparativa entre velocidade
desenvolvida durante o avanço e energia cinética dissipada no impacto de um
atuador normal e um atuador de alto impacto.
3.4.4.2. Exercício Exemplo
Imagine o leitor, um atuador pneumático normal e um atuador pneumático
de alto impacto, cujas dimensões são dadas no quadro seguinte. Determine a
velocidade de avanço e a energia cinética dissipada.
Atuador normal
• Dp = 200mm
• L = 150mm
• m = 2,Skg
• ta= 1,Ss
Solução
Atuador normal
Atuador de alto im12acto
• Dp = 200mm
• do= 40mm
• m = 2,Skg
• ta= l,Ss / L = 150mm
• Velocidade de avanço:
v = .!::_ = 150mm = 100 mm = O 1 m
ta 1,Ss s ' s
Atuadores Pneumáticos
(3.26)
93
• Energia cinética dissipada:
EC = - m · - = - · 2,5kg · ' m = 0,0125Joules 1 [ L ]
2
1 [º 15 ]
2
2 ta 2 l,5s
(3.27)
Atuador de alto impacto
• Velocidade de avanço:
v = _!:_ . [ Ap ]
ta Ao
(3.28)
Ap = ~ Op 2 = ~ (200mm)2 = (10000n)mm 2 = (0,01n)m 2 (3 .29)
Ao=~ do 2 = ~ (40mm)
2
= (1600n)mm 2 = (0,0016n)m 2 (3 .30)
v = 150mm [(10000n)mm
2
] = 625 mm= 0 625 m
1,5s (1600n)mm 2 s ' s
(3.31)
• Energia cinética dissipada:
EC = _!_m. [_!:_ · Ap]
2
= _!_ · 2,5kg · [O,l5m · (O,Oln)m
2
]
2
= 0,488Joules (3 .32)
2 ta Ao 2 1,5s (0,0016n)m 2
Confrontando os resultados obtidos:
Tabela 3.2 - Comparação de resultados .
Atuador normal
Atuador de alto Aumento
Aumento impacto
3v
3 naEC
v {m/s} EC (J) v {m/s} EC (J) dissipada
O,lm/s 0,0125 0,625 0,488 +525 +38043
Na prática, verifica-se que o atuador pneumático de alto impacto em
questão, com diâmetro Dp=200, quando alimentado por uma pressão de 6bar,
desenvolve uma força de 135720N, contra 18850N de um atuador normal de
mesmo diâmetro.
94 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
3.5. Atuador Pneumático Giratório (Oscilante)
O estudo da cinemática demonstra a impossibilidade da utilização dos
atuadores pneumáticos lineares para execução de movimentos com ângulos
superiores a 120°, conforme pode ser visto na figura 3 .17 em seguida.
Figura 3.17 - Dispositivo de movimento angular obtido a partir de um atuador pneumático linear
montado em sistema de alavanca oscilante - o ângulo máximo possível de obter é 120 graus.
Objetivando a solução desse problema, desenvolveu-se o atuador
pneumático giratório, também conhecido como atuador pneum*tico oscilante,
que possibilita deslocamentos angulares escalonados de até 360°.
1
(D Conexão alimentação/exaustão
®Tampa lateral@Êmbolo
© Mola de centragem
@ Cremalhera
@ União central
(j) Eixo de torção
@ Engrenagem
@Base
@Conector do êmbolo e cremalhera
@Tubo cilíndrico
@Tampa do conjunto
Figura 3 .18 - Atuador pneumático oscilante de (-180° a + 180°), centrado por mola.
Modelo não comercial criado pelo autor, apenas para uso ilustrativo.
Atuadores Pneumáticos 95
Sua concepção básica é bastante
simples, pois consiste em dois atuadores
lineares de simples efeito, dentro de um
compartimento, montados um contra o
outro, fixos às extremidades de uma
cremalheira que, ao se movimentar lateral
mente devido à ação de um dos atuado
res, tem seu movimento linear transmitido
a um conjunto eixo e roda dentada,
alojado ao centro do equipamento, e que
converte o movimento linear em movi
mento rotacional e momento de torção,
transmitindo-os para o equipamento que
esteja montado sobre o eixo - figuras 3.18
e3.19.
Figura 3.19 -Atuador pneumático
oscilante comercial.
(Fonte: Catálogo comercial FESTO
Produtos e Serviços)
Como o leitor pode perceber, comparando o sistema apresentado
anteriormente na figura 3.17, o atuador pneumático oscilante, além de solucionar
o problema da amplitude do ângulo de deslocamento, também confere uma
otimização de espaços.
96
Atuador pneumático
oscilante
Figura 3.20 - Dispositivo de alavanca da figura 3.17 modificado para uso de um atuador
pneumático oscilante. Neste exemplo a ângulo de giro foi ampliado para 240° (±120°) .
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
3.5.1. Características Técnicas
A tabela 3.3 apresenta algumas características técnicas de uma série de
atuadores pneumáticos oscilantes de um fabricante renomado.
Tabela 3.3 - Características técnicas (Fonte: Catálogo On-line da Festo).
Atuador com
amortecimento DRQ-40 DRQ-50 DRQ-63 DRQ-80 DRQ-100
nas duas posições PPVJ-A PPVJ-A PPVJ-A PPVJ-A PPVJ-A
de fim de curso.
Diâmetro do
40mm SOmm 63mm 80mm lOOmm
atuador
Ângulo de giro
90°, 180°, 270°, 360° (ângulo de giro especial até 360°)
padrão
Faixa de pressão
2,5 até lübar
de operação
Faixa de
-10 até +60°
temperatura
Conexões Gl/4 Gl/4 G3/8 G3/8 Gl/2
Torque a 6bar 9Nm 19Nm 37Nm 75Nm 1 150Nm
Curso
21mm 23mm 23mm 30mm 30mm
amortecimento
Carga Axial lSON 300N SOON lOOON lSOON
admitida
no eixo Radial 60N 200N 300N 800N lSOON
Momento de
inércia de carga 0,005kgm2 0,016kgm2 0,040kgm2 0,120kgm2 0,0200kgm2
admitida
3.5.2. Representação Simbólica
Os atuadores pneumáticos oscilantes têm representação simbólica norma
lizada de acordo com a norma DIN/ISO 1929 de agosto de 1978 (ver apêndice A
- Tabela A.l).
Figura 3 .21 - Representação simbólica normalizada.
Atuadores Pneumáticos 97
3.6. Dimensionamento de Atuadores Pneumáticos
Lineares e Giratórios Comerciais
O dimensionamento dos atuadores lineares e rotativos para especificação
final em catálogos comerciais de fabricantes e revendedores é feito a partir de
uma análise dos esforços envolvidos, amplitude de deslocamentos e tipos de
montagem.
3.6.1. Atuadores Pneumáticos Lineares Comerciais
Os atuadores pneumáticos lineares, em sua grande maioria de aplicações,
desenvolvem seus esforços durante a fase de expansão da haste. Sabe-se que
sempre nos movimentos de expansão ou retração da haste com aplicação de
força estão presentes as forças de atrito. No caso do dimensionamento do
atuador, toma-se necessário determinar a força de projeto Fp requerida para
realizar a movimentação da carga.
No princípio do movimento, além da força necessária à aplicação desejada,
há a força de atrito estático e durante o movimento há a força de atrito cinético
que não apenas agem externamente, mas também internamente no atuador.
Verificou-se ainda que os coeficientes de atrito, geradores dessas forças,
variam conforme a aplicação da carga, a natureza dos materiais e seu
acabamento, bem como a velocidade de deslocamento e o tipo de lubrificação.
Desse modo, ao calcular a força de projeto necessária à operação, deve-se
corrigi-la multiP.licando-a por um fator de correção cp, conforme apresentado na_ ,
tabela seguinte, a fim de obter a real força de avanço ou retomo, e com ela,
juntamente com a pressão de trabalho, determinar o mínimo diâmetro necessário
ao atuador.
Tabela 3.4 - Fatores de correção de força .
Velocidade de deslocamento da
Exemplo
Fator de
haste do atuador correção cp
Lenta e carga aplicada somente no fim do curso
Operação de 1,25
rebitagem
Lenta e carga aplicada em todo o desenvolvimento
Talha pneumática 1,35
do curso
Rápida com carga aplicada somente no fim do curso
Operação de 1,35
estampagem
Rápida com carga aplicada em todo o Deslocamento de
1,50
desenvolvimento do curso mesas
Situações gerais não descritas anteriormente 1,25
98 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
3.6.1.1. Diâmetro do Atuador
O diâmetro do atuador é determinado em função da força de avanço Fa,
que é a força de projeto Fp corrigida pelo fatordidática, por isso mesmo o leitor vai se deparar com um
material ricamente ilustrado, tendo ainda ao final de cada capítulo uma lista de
exercícios com os quais poderá verificar seu grau de entendimento.
Buscou-se ainda, a utilização de exemplos práticos como a automatização
de alguns dispositivos a fim de aproximar o leitor o máximo possível da realidade
industrial.
O leitor encontrará também ao final do livro dois apêndices. No apêndice A
constam tabelas, gráficos e normas que vão auxiliá-lo na elaboração de seus
projetos, e no apêndice B, as respostas dos exercícios numéricos e de múltipla
escolha.
O autor
1 Ver obra deste autor "Automação Hidráulica - Projetos, Dimensionamento e Análise
de Circuitos" - publicado por esta editora.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 7
Sobre o Autor
Engº Arivelto Bustamante Fialho
Graduado em Engenharia Mecânica - UNISINOS - São Leopoldo - RS.
Especialista em Mecânica dos Sólidos - PROMEC/UFRGS - POA - RS.
Ex-Professor do curso de Automação Industrial da Escola Técnica Mesquita
- POA- RS.
Sócio-gerente da VECTOR - Soluções em Engenharia Ltda.
(www.vector_se.pop.com.br)
Autor dos livros, publicados pela Editora Érica:
• Automação Hidráulica - Projetos, Dimensionamento e Análise de
Circuitos (2002)
• Instrumentação Industrial - Conceitos, Aplicações e Análises (2002)
• AutoCAD 2004 - Teoria e prática 30 no desenvolvimento de produtos
industriais (2004)
8 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
, -- --- ·- - - ... , ··-· -· ...
,,
Indice Analítico
Capítulo 1 - Conceitos e Princípios Básicos ............................................. . 17
1.1. Revisão de Conceitos .............................................................................. 17
1.1.1. Automação e Automatismos ............................................................ 17
1.1.2. Fluido ............................................................................................. 19
1.1.3. Pneumática .................................................................................... 19
1.1.4. Eletropneumática .................................................................. ......... 19
1.1.5. Pneutrônica ............................................ .... ... .... ...................... ....... 19
1.1.6. Pressão ........................................................................................... 19
1.1. 7. Pressão em um Atuador Pneumático ............................................. 20
1.2. Características e Vantagens da Pneumática ............. ...................... ........ 20
1.2.1. Quantidade ....................................................................... ............. 20
1.2.2. Transporte ...................................................................................... 20
1.2.3. Armazenagem ....................................................................... ... .... .. 20
1.2.4. Temperatura .............................................................. !. .................. 21
1.2.5. Segurança ...................................................................................... 21
1.2.6. Limpeza .............................................. ................. ........... .......... ..... 21
1.2.7. Construção ...................................................... ........ ....................... 21
1.2.8. Velocidade ..................................................................................... 21
1.2.9. Regulagem ...... .... .... ................. .... ... ........ .... ................................... 22
1.2.10. Segurança contra Sobrecarga ....................................................... 22
1.3. Desvantagens da Pneumática ................................... ... ........... ..... .......... 22
1.3.1. Preparação ............... ..... ... ................ ..... ... ...................................... 22
1.3.2. Compressibilidade ................................... .......... ............................. 22
1.3.3. Força ... ............... ... ..... .............. ......... ....... .... .... ................ .............. 22
1.3.4. Escape de Ar .................................................................................. 23
1.3.5. Custos ........ ...... ...... ... ..... ...... ............ .... ............. ............................. 23
1.4. Rentabilidade da Pneumática ............................................................ .... 23
1.5. Propriedades Físicas do Ar. .................................................................... 26
1.5.1. Expansibilidade ............................................................................ .. 27
1.5.2. Compressibilidade a Temperatura Constante (Isotermia) ............... 27
1.5.3. Elasticidade .................................................................................... 30
1.6. Lei de Gay-Lussac ................................................................................. 30
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 9
1.6.1. Transformação Isobárica ........ ........................ ...... ......... ... ..... ......... . 30
1.6.2. Transformação Isocórica ou Isométrica ................ ... ....... ..... ......... ... 32
1.7. Lei dos Gases Ideais ................................................... .. ........ .... ..... ... .. .... 33
1.8. Referencial Técnico ...... ........ .... .... ............ ... .... ............ ..... ... ... .. ..... ......... 34
1.8.1 . Exercício Resolvido ........................... ......... ... .. .. .. ....... ..... ... .. ........... 34
1. 9. Exercícios ........... ........ .... ... ...... .... .............. .......... ................................... 36
Capítulo 2 - Produção e Distribuição do Ar Comprimldo ......... ........ ..... . 41
2.1. Introdução ........................ ...... ........................................ ..... ... ... ............. 41
2.2. Processos de Compressão do Ar. .............. ... .............. ....... ... .. ........ ........ .42
2.2.1. Compressores Altemativos ......... ...... .. ........ ............................... ... ... 43
2.2.2. Compressores Rotativos ........ .................................. .......... ........... .. . 46
2.2.3. Processo de Aceleração de Massa (Compressores Dinâmicos) ... .. .. 50
2.3. Características Importantes na Escolha de um Compressor ................... . 51
2.3.1. Volume de Ar Fomecido .......... .... .... ... .. ...... .. ....................... ......... .. 52
2.3.2. Pressão ................................. ............... ... .. ....... .......... .. ... ... ............. 52
2.3.3. Acionamento ........................ ............... .... ..... .. .. ...... ... ...... ....... ........ 53
2.3.4. Sistema de Regulagem .............................................. .. ...... ...... ........ 54
2.4. Distribuição do Ar Comprimido ... ..................................... .. .... .. .... .......... 57
2.4.1. Localização da Central Geradora ...... ......... .. .. ...... ........................... 57
2.4.2. Imp\antação da Rede de Distribuição ...... ......... .......... .. .... .... ... ... ... .. 58
2.4.3. Elementos de Montagem e Fixação da Rede ... ..... .... ....... ........... .... 59
2.4.4. Tratamento do Ar Comprimido .......... .... ....... .......... ........ .. ... ....... .... 62
2.5. Dimensionamento da Linha Principal (tronco) ...................... ........ .... .... . 63
2.5.1. Volume de Ar Corrente ...... .............. ...................................... .... ..... 64
2.5.2. Comprimento Total da Linha Tronco ................ ... ........ .. ............. ... 64
2.5.3. Queda de Pressão Admitida .................... .... ... .. .. ............ .... .. .. ..... .... 64
2.5.4. Número de Pontos de Estrangulamento .. ....................... ........ ..... ... . 65
2.5.5. Pressão de Regime .. ............................necessário e seguro para o tipo de fixação escolhido e comprimento de haste ,
garantindo a segurança quanto à sua flambagem.
100 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Sendo que:
dh 4
·1t
J=---
64
(3.40)
Isso significa que com essa carga ocorre a flambagem da haste e, portanto,
a maior força de avanço admitida será quando Fa estiver na iminência de atingir
o valor de K:
K=Fa (3.41)
Para dimensionarmos o diâmetro da haste utilizando o critério de Euler,
basta que façamos com que a força de avanço Fa, seja igual a carga de
flambagem K, dividida por um coeficiente de segurança S.
K
Fa=-
S
(3.42)
Substituindo agora as equações 3.42 e 3.40 em 3.39 e colocando-a em
função de dh, teremos o diâmetro seguro para a haste .
Em que:
64 ·S · /...2 ·Fa dh=4----
1t3 . E
(3.43)
• À= Comprimento livre de flambagem (cm) , (Tabela A.10 do apêndice A) ;
• E = Módulo de elasticidade do aço (módulo de Young) =
2, lxl07N/cm2
;
• J =Momento de inércia para seção circular da haste (cm4
) ;
• K = carga de flambagem (N);
• Fa =Força de avanço (N);
• S = coeficiente de segurança (3,5 - 5).
Feito o dimensionamento, verifica-se no catálogo se o fabricante fornece
um diâmetro de haste comercial que seja no mínimo igual ou ligeiramente maior
que o calculado.
3.6.1.3. Exercício Exemplo
A figura 3.22 representa a mesa de um dispositivo, que é movimentada por
deslizamento sobre prismas lubrificados, perfazendo um deslocamento total de
Atuadores Pneumáticos 101
lOOcm. Dimensionar comercialmente o atuador pneumático considerando a
situação de montagem de acordo com o caso 2 (Tabela A.10 - Apêndice A).
Verificar pelo Critério de Euler qual o diâmetro mínimo necessário para a haste.
Considere a força peso da mesa como 150 kp e a pressão de trabalho com
6kp/cm2
•
Mesa
Guias lubrificadas
_____ _,,
Figura 3.22 - Acionamento pneumático de uma mesa - detalhe.
Solução
Determinação do diâmetro do pistão.
Dp=2·
Dp=2·~Fp · cp
n· Pt
l 50kp · l,5 = 6 9cm = 69mm
kp '
1t·6--
cm2
(3.44)
(3.45)
A tabela A.9 da seção de apêndices indiça que o diâmetro comercia/ de um
102
· erior é de 80 mm com uma haste de 25mm.
Verificação da haste pelo Critério de Euler.
• s = 5
• À= L = lOOcm~ (caso 2, Tabela A.10 - Apêndice A)
• E= 2xl07N/cm2
• Fa = Fp.cp = 150kp.l,5=225kp=2207,25N
Substituindo:
64·S·/....2 ·Fa
dh=4----
1t3. E
dh = 64. 5 . (100cm)
2
· 2207,25N = l S4cm = 18 4mm
4 1t3·2·107_!!__ ' '
cm 2
(3.46)
(3.47)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Concluindo que o atuador ISO de Dp = 80mm e dh = 25mm satisfaz
perfeitamente com segurança a necessidade do projeto.
3.6.2. Atuadores Pneumáticos Giratórios Comerciais
Os atuadores giratórios são dimensionados em função do ângulo de giro
necessário e do momento de torção que deve ser transmitido por seu eixo, bem
como é necessário observar que as cargas radial e axial não ultrapassem o valor
máximo suportado pelo atuador (Tabela 3.3 do item 3.5.1).
3.6.2.1. Momento de Torção
O momento de torção é definido pelo produto entre uma carga F que atua
perpendicularmente a um plano que passa paralelamente pelo centro da seção
transversal de uma peça ou eixo, a uma distância d qualquer (figura 3.23).
Figura 3.23 - Peça submetida à carga de torção, gerando um momento de torção.
Deste modo:
Mt=F.d (3.48)
Em que:
• F =força [N];
• d = distância [m];
• Mt =momento de torção [Nm].
3.6.2.2. Esforços Radial e Axial
As forças radiais e axiais são as que passam pelo centro de giro da peça ou
eixo.
Atuadores Pneumáticos 103
As forças radiais atuam perpendicularmente ao eixo de giro, enquanto as
forças axiais atuam paralelamente a este - figura 3.24.
'·•
Figura 3 .24 - Peça submetida a esforços axial e radial.
3.6.2.3. Exercício Exemplo
O dispositivo seguinte é utilizado para executar três tarefas idênticas
simultaneamente. Dimensione, de acordo com a tabela 3.3 do item 3.5.1, um
atuador pneumático giratório para substituir pelo atuador pneumático linear
atualmente utilizado.
Fa=200N .---.
a)
! Fa=200N
Fa=200N !
Figura 3 .25 - Dispositivo para três operações idênticas simultâneas - a) em repouso, b) acionado.
104 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Solução
Como pode ser observado na figura 3.25, o atuador, quando acionado,
causando a expansão da haste, gira o disco no sentido anti-horário, pois a haste
do atuador transmite-lhe um momento de torção. O giro do disco será então
convertido em movimento linear pelos três conjuntos de braços, formando
sistemas biela-manivela, fixos por meio de pinos ao disco.
É possível também observar que cada um dos braços, em seu movimento
de avanço linear, necessita aplicar uma força de avanço de 200N. Deve-se então
determinar o momento de torção necessário a um 9tuador pneumático oscilante
a fim de possibilitar a substituição requerida.
O ponto de fixação dos conjuntos biela-manivela sobre o disco dista de
20cm do seu centro, assim se aplicarmos a projeção dos 200N da biela sobre a
manivela (ângulo máximo entre ambas no respouso é de 45º), teremos uma
condição de perpendicularidade entre a biela e o raio do disco (figura 3.26).
Figura 3.26 - Projeção de forças no disco .
O momento de torção do eixo deverá ser igual ao somatório dos
momentos de torção que resultam do produto das forças que atuam
perpendicularmente ao eixo do disco, por sua distancia ao mesmo - equação
3.52.
n
LFn. dn = Mteixo
1
3 (200N · Cos(45º) · 20cm) = Mteixo
Mteixo = 8485,3Ncm = 85Nm
(3.49)
(3.50)
(3.51)
De acordo com a tabela 3.3 do item 3.5.1, o atuador pneumático giratório
de igual valor ou imediatamente superior ao obtido no cálculo é o tipo
Atuadores Pneumáticos 105
DRQ-100-PPVJ-A cujo diâmetro do cilindro é lOOmm e a capacidade de
transmissão de momento de torção é de 150Nm. O imediatamente anterior a este
possibilita apenas a transmissão de um momento de 75Nm, sendo, portanto,
insuficiente.
3.6.3. Cálculo do Consumo de Ar Necessário
O cálculo do consumo de ar dos atuadores lineares e rotativos tem por
objetivo possibilitar o dimensionamento da rede de distribuição de uma forma
bem mais exata, isto é, claro, quando conhecidos em detalhes todos
automatismos pneumáticos existentes. Outra aplicação seria para uma análise
bem detalhada da rentabilidade do equipamento, conforme foi exemplificado no
item 1.4 do capítulo 1.
O consumo de ar, portanto, é dado pelas seguintes expressões:
Ou ainda:
Em que:
Ap · L · n · (Pt + 1,013)
C= e
1,013·106
C = Ap · L · (Pt + 1,013)
T ·1013 ·10 6 ,
• e = cpnsumo de ar [l/seg];
• Ap = área efetiva do pistão [mm2
];
• L = curso [mm];
• nc = número de ciclos por segundo;
• Pt = pressão de trabalho [bar];
• Q = Fluxo de ar [l/seg];
• T =tempo para um único ciclo em segundos [s].
3.6.3.1. Exercício Exemplo
(3.52)
(3.53)
Calcular o consumo e fluxo de ar do dispositivo apresentado na figura 3.22,
considerando T = 8s, nc = 1/8 ciclos/s.
106 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. --·· - . - -- - - - - - - - - -- -· -·
Solução
[ n (BO~m )' l (lOOOmm )H cic:os} (6bar + 1013)
e==-------=----------------
1.013·10 6
(3.54)
(3.55)
Resolvendo pela segunda expressão:
[ n. (SO~m)' l (lOOOmm)· (6bar + 1.013)
Q= (8s)l.013·10 6
(3.56)
Q = 4.35_!_ (3.57)
s
3. 7. Exercícios Propostos
1) Quanto aos atuadores pneumáticos de simples efeito, é correto afirmar:
a) Podem ser usados em todas as ocasiões sem restrições.
b) Seu retorno é sempre ocasionado pela força de restituição de uma
mola.
e) São desaconselhados cursos acima de lOOmm em função do tempo de
retorno.
d) São sempre de concepção normalmente retraídos.
2) Quanto aos atuadores pneumáticos de duplo efeito, é correto afirmar:
a) O volume de ar possível de ser insuflado na câmara traseira é igualao
da câmara frontal.
b) A energia cinética dissipada pelo conjunto êmbolo+haste é fator
preponderante na determinação da necessidade ou não do uso de
amortecedores de fim de curso.
e) O uso do alumínio na confecção dos atuadores pneumáticos é adotado
unicamente porque o fluido de trabalho é o ar.
Atuadores Pneumáticos 107
d) A capacidade de absorção da energia cinética pelo alumínio não é
função de seu limite elástico.
3) O princípio funcional dos amortecedores de fim de curso é:
a) Molas internas posicionadas nas extremidades das câmaras traseira e
frontal.
b) Formação de bolsões de ar nas câmaras, originados pela existência de
pré-câmaras internas.
e) Existência de cavidades nos tampos traseiro e frontal os quais são
dotados de orifícios redirecionadores de saída do ar, controlados por
válvulas reguladoras, sendo as cavidades gradualmente preenchidas por
ponta e bucha amortecedora durante o movimento de expansão ou
retração da haste.
d) Nenhumas das alternativas.
4) Determine a força de avanço e velocidade de um atuador pneumático linear
de haste passante, cujos dados são: L=350mm, ta=Ss, Dp= 80mm e
dh=25mm, Pr=6bar.
5) Explique com suas palavras o princípio funcional de um atuador linear
duplex contínuo quanto à força de avanço e de retorno.
6) Calcule a força de avanço e de retorno de um atuador duplex contínuo
dados os seguintes valores: Dp=80mm, dh=25mm, Pt=6bar. Compare-as
percentualmente com as de um atuador pneumático comum.
7) Explique com suas palavras o princípio funcional dos atuadores pneumáticos
de alto impacto.
8) Suponha que no exercício exemplo 3.4.4.2 a energia cinética dissipada pelo
atuador durante a expansão seja EC=0,3 joules. Calcule sua velocidade de
avanço.
9) Partindo da equação 3.46 e dos valores listados em seguida, obtenha o valor
da força de avanço Fa. Dados: À=50cm, S=S dh=25mm, E=2x107N/cm2
.
10) Dimensione comercialmente o atuador linear do exercício exemplo 3.6.2.3
(Figura 3.25). Considere Pt=6kp/cm2
.
108 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas
....... ________________ .....
4.1. Conceito
São todas as válvulas que, ao receberem um impulso pneumático,
mecânico, ou elétrico, permitem que haja fluxo de ar pressurizado para alimentar
determinado(s) elemento(s) do automatismo. Também são válvulàs de comando,
as que permitem controlar o fluxo do ar para os diversos elementos do sistema,
mediante ajuste mecânico ou elétrico, as que permitem o fluxo em apenas um
sentido, os elementos lógicos, as controladoras de pressão e as temporizadas.
4.2. Válvulas de Controle Direcional
Conhecidas também pelo nome de distribuidores de ar, possuem dois tipos
construtivos:
1) carretel deslizante (translação) ;
2) centro rotativo (rotação).
Em pneumática os distribuidores de ar são sempre do tipo carretel
deslizante. Na hidráulica é comum encontrarmos os dois tipos de construção.
4.2.1. Convenção da Representação
1) Uma posição é representada por um retângulo (ver página seguinte) .
2) O número de retângulos justapostos indica o número de posições.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 109
3) Os orifícios são representados por pequenos traços colocados de fora
do retângulo, que definem a posição mais freqüente (posição normal).
4) As vias ou ligações estão indicadas por setas ligando os orifícios.
5) Os fechamentos estão indicados por um traço curto transversal,
formando um T, colocado no interior do retângulo.
6) Reconhecemos as outras posições, além da posição normal, ao
deslocarmos os retângulos para que os orifícios fiquem sobre o
retângulo apropriado.
7) O conduto de ar comprimido é representado por um pequeno círculo
marcado internamente por outro menor e cheio, como se fosse um
alvo.
8) O conduto para a atmosfera tem um pequeno triângulo, representando
a via de exaustão.
O quadro 1 em seguida exemplifica o que fora exposto anteriormente7
.
A
A figura indica tratar-se de um distribuidor de três
1 1
1
1 1
posições, pois é composto por três retângulos.
Estão representados também três orifícios (três traços do
lado de fora), marcados com suas respectivas letras, A e
B para conexões de trabalho, P de pressão e R de 1 1
exaustão.
p
R
Figura 4.la
A
1
Nesta outra, indica que o distribuidor encontra-se em
/T
J_
T\ sua posição normal centrado, com os traços externos
sempre fechados. Indica também o símbolo da conexão
T T
de pressão e o da conexão de exaustão. pé VR
As setas indicam o número de vias. Há duas vias.
Figura 4.lb
7 No Apêndice A, o leitor encontra a norma de simbologia de pneumática DIN/ISO
1929, incluindo a representação simbólica de todos os tipos de válvula de comando.
110 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. - . '.. . . ····----- -- . - .. - - ----- - - - . - ···-- . - .. ---- --- - ------.
Já nesta figura, mostra que o distribuidor foi comutado
através de um pulso, que pode ter sido pneumático,
mecânico ou elétrico. Desta forma há comunicação
(fluxo de ar) da conexão P com a conexão A (única via
de trabalho).
O distribuidor foi agora comutado por um pulso que
atuou no sentido oposto ao anterior, permitindo assim a
comunicação entre as conexões A e R, possibilitando a
livre exaustão para atmosfera.
Este distribuidor será chamado ~ 2/3/3
2 vias / 3 orifícios / 3 posições
4.2.2. Estrutura Funcional
A
Figura 4.lc
A
Figura 4.ld
Externamente as válvulas de controle direcional apresentam-se dos mais
variados tipos, pois seu formato é definido pelo fabricante (figuras 4.2 e 4.3),
entretanto, internamente, a concepção funcional é sempre a mesma, ou seja,
sistema de carretel deslizante, conforme representação esquemática da figura 4.4.
Figura 4.2 - Válvula de atuação mecânica
por rolete - TipoRS 4 1/8.
Fonte: Catalogo FESTO.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas
Figura 4.3 - Válvula de atuação mecânica
por botão - Série NI.
Fonte: Catálogo PARKER.
111
A A
A A
Figura 4.4 - Válvula 2/3/3 mostrando posição do carretel deslizante quando em repouso,
e quando atuando pela direita e pela esquerda.
4.2.2.1. Válvula Distribuidora de 1 Via/ 2 Orificios
É o tipo mais simples de distribuidor que há, pois contém apenas dois
orifícios e uma única via (figura 4.5).
A
(e)
Figura 4.5 - Representação esquemática simplificada de uma válvula
distribuidora 1/2/2 e simbologia normalizada.
Na situação (a) não há nenhuma possibilidade de comunicação entre os
orifícios P e A. Já na situação (b), após ter sido acionado o botão (puxado), passa
a haver comunicação entre os orifícios P e A. Essa concepção específica é
normalmente utilizada como chave geral, permitindo ou bloqueando o fluxo de ar
no sistema como um todo, ou parte do sistema - figura 4.6.
112
10
Unidade de
conservação
Pára o circuito
Figura 4.6 - Distribuidor 1/2 usado como válvula de partida e bloqueio na
alimentação de um circuito pneumático.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. --- . --- - ---- -- .,., - - .,
Esse distribuidor admite variantes em seu sistema de acionamento e
retomo, como, por exemplo, acionamento mecânico, por pulso pneumático ou
elétrico, tendo nessas variantes seu retomo por mola, e podendo ser do tipo NF
(normalmente fechado) ou NA (normalmente aberto) - figura 4.7.
TipoNF Tipo NA
Figura 4. 7 - Representação simbólica normalizada de um distribuidor 1/2 dos
tipos NA e NF com acionamento por rolete e retomo por mola.
'Nessa concepção apresentada, com retomo por mola, o distribuidor só perma
nece comutado durante o tempo em que o rolete estiver sendo comprimido.
Encerrada a compressão, o distribuidor retoma à posição normal pela ação da
mola. Uma das aplicações mais comuns dessa variante é como válvula de fim de·
curso situação a qual analisaremos steriormente.
4.2.2.2. Válvula Distribuidora de 2Vias / 3 Orifícios
Já analisamos anteriormente a concepção funcional dessa válvula no
quadro 1 e figura 4.4. Entretanto, além do modelo 2/3/3 lá visto, há também o
tipo 2/3/2 (2 vias, 3 orifícios e 2 posições), que simbolicamente é representado
pela figura 4.8.
A
p R
(a} ~
Figura 4.8 - Representação esquemática (a) e simbólica normalizada
(b) de um distribuidor 2/3/2 com acionamento por alavanca.
Sua aplicação, em geral, é indicada para o comando de atuadores
pneumáticos de simples efeito, como mostra a figura 4.9 em seguida.
O movimento da alavanca provoca a comutação do distribuidor,
permitindo ou não o fluxo do ar no sentido P-A ou A-R.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 113
p R
(a)
Figura 4.9 - (a) Ilustração esquemática de um atuador de simples efeito comandado por um
distribuidor 2/3/2, (b) Circuito simbólico normalizado.
4.2.2.3. Válvula Distribuidora de 4 Vias / 5 Orifícios
Pode ser do tipo 4/5/3 ou 4/5/2 posições, com acionamento manual,
mecânico, pneumático ou elétrico - figura 4.10.
A B
ti
p
114
(4/5/3)
'Tif~~I~
1
l- 1
R
(a)
R
(b)
1
(e)
A B
• p
A B ;!].
p
1 1
R
1 1
R
1
1
11• J
R
Figura 4.10 - Distribuidores 4/5/3 e 4/5/2 em forma simbólica
normalizada e ilustrativa do princípio funcional.
p
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. . ' . ' . ' ' '"'.
Na figura 4.10, é possível ver que o distribuidor do tipo 4/5/3 assume em
seu funcionamento as três posições representadas: (a) normal central, (b) atuado
permitindo o fluxo P~B e A~R, (c) atuado permitindo o fluxo P~A e B~R.
Esse distribuidor, portanto, que é de uso com atuadores lineares de duplo efeito,
possibilita a capacidade de parar em qualquer posição, pois em qualquer tempo
que for desligado (posição normal central), o fluxo de ar pelos orifícios A ou B é
imediatamente interrompido (figura 4.11). Já o distribuidor do tipo 4/5/2,
assumindo apenas os estados indicados em (b) e (c), permite que o atuador pare
somente em suas posições final e inicial - figura 4.12.
~---- (4/5/3) -------.
p
p
p
p
'V
1
Parada em
qualquer posição
Retornando à
posição inicial
Figura 4.11 - Distribuidor do tipo 4/5/3
mostrando possibilidade de parada em
qualquer posição.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas
----- (4/5/2) ------..
p
p
p
Posição final
'V
1
Retomando à
posição inicial
Figura 4.12 - Distribuidor do tipo 4/5/2
mostrando que só é possível parada em
posição final ou inicial.
115
4.2.2.4. Válvula Distribuidora de 4 Vias / 4 Orificios
Esta concepção de válvula pode ser de dois tipos: o 4/4/3 e o 4/4/2, e assim
como a demonstrada no item anterior, também é de uso específico em atuadores
lineares de duplo eft!ito. Raramente é utilizada em circuitos pneumáticos, porém é
de extensivo uso em circuitos hidráulicos.
116
A B (4/4/3)
(~
p p
A B
p
(a}
-
R
p
(b}
R
p
(e}
R
Figura 4.13 - Distribuidores 4/4/3 e 4/4/2 em forma simbólica normalizada e
ilustrativa do princípio funcional.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A figura 4.13 apresentou sua forma simbólica normalizada e seu princípio
funcional interno.
4.2.3. O Comando das Válvulas Distribuidoras
Já referimos que os diversos distribuidores utilizados em pneumática
podem ser comutados por meios manuais, mecânicos, pneumáticos e elétricos
(ver simbologia pneumática normalizada - Apêndice A). Assim, um simples
circuito pneumático, dotado de quatro distribuidores e um atuador pneumático
linear de duplo efeito, pode ser representado pela simbologia normalizada
conforme o exemplo em seguida.
p
r------
1
1
1
(6)
: (5)
1
(7)
• >-----Cn--;m·
120
m
m n
(b)
Figura 4.18 - Controlador de fluxo variável unidirecional - (a) esquemático,
(b) simbólico normalizado.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
4.4. Válvulas de Bloqueio
4.4.1. Válvula de Retenção com Mola
Neste tipo de válvula, um elemento de vedação em seu interior é fixo a
uma mola, permitindo o fluxo do fluido em um sentido e bloqueando-o no outro.
O bloqueio se dá pela força de expansão da mola, que mantém o elemento de
vedação constantemente fechando a passagem em um dos sentidos.
Na figura 4.19 é mostrado o desenho esquemático de uma válvula
comercial de um renomado fabricante; cujo princípio de bloqueio é de fácil
verificação, pois quando o fluxo do fluido se dá no sentido A~B. o ar pressiona
o elemento vedante empurrando-o, fluindo então, através de janelas circulares
existentes no seu entorno, seguindo em direção a B. Entretanto, se houver fluxo
de ar no sentido B~A. ele encontrará a mola completamente distendida,
bloqueando com o elemento de vedação a passagem do ar para A.
Outro ponto é que no sentido de fluxo A~B. pela necessidade de vencer a
força de oposição da mola, deve haver uma pequena queda de pressão, porém
pouco significativa.
A
{b)
Elemento de
vedação Janelas Mola de
compressão
B
Figura 4.19 - (a) Esquemático de uma válvula de retenção com mola, (b) Simbologia normalizada.
Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 121
4.4.2. Válvula de Retenção sem Mola
De forma análoga à anterior, permite o fluxo de ar somente em um sentido
(A--78), bloqueando no outro (B--7A) com um elemento de retenção interno
ativado pela própria pressão do fluido.
(a)
A --(-b)----'(0'------ B
Figura 4.20 - (a) Esquemático de uma válvula de bloqueio sem mola, (b) simbologia normalizada.
4.4.3. Válvula Seletora (Função Lógica OU)
Apresenta três orifícios: duas entradas de pressão (X - Y), um ponto de
saída (A) e um elemento interno. Com o envio de um sinal a uma das entradas,
desloca-se o elemento seletor interno e automaticamente a outra entrada fica
bloqueada e o sinal flui para utilização. Terminado o fornecimento de ar, o seletor
interno mantém a posição adquirida (em função do último sinal enviado) e o ar
que foi utilizado' retoma pelo mesmo trajeto.
A
(a) (b)
Figura 4.21- (a) Esquemático de uma válvula do Tipo OU, (b) Simbologia normalizada.
Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC.
122 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Havendo coincidência de sinais nas duas entradas, prevalecerá o sinal queatingir primeiro a válvula. No caso de pressões diferentes, a pressão mais intensa
passará para o ponto de utilização, impondo bloqueio à pressão de menor
intensidade.
4.4.4. Válvula de Simultaneidade (Função Lógica E)
A exemplo da válvula seletora, também possui duas entradas de pressão
(X - Y) , um ponto de saída (A) e um elemento interno. Este, no entanto, difere do
anterior na sua forma construtiva e, conseqüentemente, na característica de
funcionamento da válvula. Enviando um sinal a uma das entradas, o elemento se
desloca bloqueando a própria entrada que recebeu o sinal, e deixando livre a
entrada oposta que, ao receber pressão de alimentação, permite a passagem para
a utilização (saída) .
O termo simultaneidade decorre da necessidade de existir pressão em
ambas as entradas para que haja passagem de fluxo . Existindo coincidência de
sinais nas duas entradas, prevalece o último sinal a atingir a válvula, no caso de
pressões iguais. No caso de pressões diferentes, a pressão menos intensa passa
para o ponto de utilização devido ao bloqueio imposto pela pressão de maior
intensidade.
A
X H y
(a) xf (b)
Figura 4.22 - (a) Esquemático de uma válvula de simultaneidade, (b) Simbologia normalizada.
Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC.
4.4.5. Válvula de Escape Rápido
Sua aplicação tem por objetivo aumentar as velocidades desenvolvidas
pelos atuadores pneumáticos lineares. A velocidade de escape do ar contido no
interior do ·atuador é o fator determinante para a rapidez de movimentação
desejada. Para conseguir tal rapidez, a pressão numa das câmaras deve ter caído
apreciavelmente antes que a pressão na câmara oposta aumente o suficiente para
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 123
ultrapassá-la e para impulsionar o ar residual através da tubulação secundária e
válvulas.
Com o uso da válvula de escape rápido, a pressão no interior da câmara
cai bruscamente; a resistência oferecida pelo ar residual (que é empurrado) é
reduzidíssima e o ar flui diretamente para a atmosfera, percorrendo somente um
niple que liga a válvula ao atuador, em vez de percorrer a tubulação que faz a sua
alimentação. O ar comprimido, ao alimentar a válvula, comprime uma
membrana contra uma sede em que se localiza o escape, liberando uma
passagem até o ponto de utilização. Cessada a pressão de entrada, a membrana é
deslocada da sede do escape, passando a vedar a entrada.
p
--+-·-
(a)
R
-·- --+
A ----------- -,
(b)
1
1
1
R
Figura 4.23 - (a) Esquemático de uma válvula de escape rápido, (b) Simbologia normalizada.
Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC.
1
Essa movimentação é provocada pela ação do ar contido na câmara do
atuador que age sobre o outro lado da membrana e a desloca, pois não encontra
resistência oferecida pela pressão. Dessa forma o escape fica livre e o ar é expulso
rapidamente, fazendo com que o pistão adquira alta velocidade.
O barulho da exaustão pode ser reduzido pela utilização de um silenciador
acoplado à saída da válvula.
4.5. Válvulas Controladoras de Pressão
São válvulas que influenciam ou sofrem influência em relação a uma
determinada intensidade de pressão. Dentre elas podem ser destacadas:
1) Válvula de alívio ou limitadora de pressão;
2) Válvula de seqüência;
3) Válvula reguladora de pressão.
124 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
4.5.1. Válvula de Alívio ou Limitadora de Pressão
Sua função é limitar a pressão máxima de um reservatório, linha de ar
comprimido ou compressor. Seu funcionamento consiste no posicionamento de
um êmbolo ou esfera sobre uma sede, através de uma mola que teve sua tensão
ajustada por um sistema de parafuso e porca de regulagem. Havendo um
aumento de pressão acima do regulado, o êmbolo ou esfera se desloca da sede,
fazendo com que o excesso de ar tenha caminho livre para a atmosfera. Com o
equilíbrio de pressão a mola posiciona o êmbolo ou esfera na sede e a válvula se
fecha.
(a) (b)
figura 4.24 - (a) Esquemático de uma válvula de alívio, (b) Simbologia normalizada.
'
4.5.2. Válvula de Seqüência
Tem basicamente o mesmo funcionamento da válvula de alívio, porém a
saída do ar é utilizada para comandos ou emissão de sinais em qualquer
elemento pneumático. Este tipo de válvula é utilizado, por exemplo, nos
esquemas pneumáticos das máquinas quando queremos detectar a finalização de
um movimento sem a presença de um fim de curso.
(a) iA
r----
1
1
1
1
1
1 , __
(b)
p
figura 4.25 - (a) Esquemático de uma válvula de seqüência, (b) Simbologia normalizada.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas
··- - - ' ··- . - - - . - - .
125
4.5.3. Regulador de Pressão
É o elemento que está na entrada de ar da máquina (na unidade de
condicionamento). Tem como função controlar a "energia" pneumática fornecida
ao sistema em questão.
O funcionamento do regulador de pressão consiste na comparação de dois
tipos de energia, a mecânica e a de pressão (pneumática), separadas por um
diafragma e o conjunto obturador apoiado nele. Havendo um desequilíbrio de
energia, o sistema se movimenta, proporcionando a sua equalização. Por
exemplo: tendo uma queda de pressão, o diafragma se movimenta impulsionado
pela mola, fazendo com que o obturador se abra, permitindo a passagem de ar
para o sistema ser equalizado.
Pf
(a)
Pz
·---+
1
1
1
1
1
1 , __
(b)
Figura 4.26 - (a) Esquemático de uma válvula reguladora de pressão, (b) Simbologia normalizada.
4.6. Aplicações Básicas
Com o que fora visto no capítulo atual e no anterior, é possível montar
pequenos circuitos básicos de pneumática, utilizando o chamado Método
Intuitivo. Este método é assim chamado porque é restrito a soluções simples, em
que normalmente são aplicados não mais que um atuador e três ou quatro
válvulas de comando. Não sendo, portanto, necessário aplicação de diagramas
para análise de seqüências de movimentos, tempos, funções lógicas, etc., tópicos
que serão abordados nos capítulos seguintes.
126 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
4.6.1. Exemplo Prático 1
Controle de velocidade de um atuador de simples efeito.
-·-·- ·-·- - ·-. ·-·-·-·- ·- - ·-.
1 1
1 1
Figura 4.27 - (a) Controle de velocidade no avanço, (b) Controle no retorno.
As figuras 4.27a e 4.27b apresentam um atuador linear de 'simples efeito,
tendo sua velocidade controlada por meio de uma válvula reguladora de fluxo
(1) . Observe o seu posicionamento em ambas as situações. Na situação (a) a
esfera bloqueia o fluxo do ar diretamente para o atuador, sendo então o fluxo
desviado para a restrição regulável e daí seguindo para alimentação do atuador,
configurando assim um controle de velocidade no avanço. Já na situação (b) a
esfera da válvula reguladora de fluxo (1) bloqueia e exaustão do ar,
redirecionando-a através da restrição regulável, o que gera uma contrapressão à
pressão da mola, reduzindo assim a velocidade de retorno.
4.6.2. Exemplo Prático 2
Acionamento em dois pontos diferentes, avanço acelerado e velocidade
controlada no retorno.
A figura 4.28 é dotada de um elemento lógico OU (figura 4.21) que tem
por finalidade permitir a comutação da válvula de comando (8) de dois pontos
diferentes (4 e 6) . Qualquer uma das duas válvulas que for acionada irá comutar
o distribuidor (8) .
O circuito é também dotado de uma válvula de escape rápido (9) cujo
objetivo é possibilitar um avanço acelerado do atuador, enquanto sua velocidade
de retorno será controlada pela válvula reguladora de fluxo (7).
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 127
. - - ''' - .. ' .
cs=
' '
(4)
[Il;;--
'
cs=
0
p
(2)
(3)
(7)
------------ \
(8)
(10)
,---
' :
' ' ' ' ' ' - - - - - - - - - - - - - - -- _,
Figura 4.28 - Circuito com elemento OU, regulagem de velocidade e válvula de escape.
4.6.3. Exemplo Prático 3
Prensa rebitadora pneumática - Aplicação do elemento lógico E.
A figura 4.29 apresenta um típico circuitopara uma prensa rebitadora
pneumática. Esse tipo de prensa é comumente usado na indústria, em linhas de
montagem, sendo de porte pequeno e normalmente montada sobre uma mesa,
em que um operador posiciona o rebite e a peça sob a prensa e a aciona para
que o punção, ao descer sobre o rebite, expanda-o, realizando a operação de
rebitagem.
O objetivo do elemento lógico E (5) nesse circuito é garantir a segurança do
operador, pois a prensa só será acionada se as válvulas (4) e (6) forem simulta
neamente acionadas, ou seja, ele terá de usar ambas as mãos, evitando com isso
a possibilidade de acidentes com uma das mãos ao tentar reposicionar a peça
enquanto dispara o punção com a outra mão.
A válvula de escape rápido (9) tem por objetivo possibilitar uma grande
aceleração no deslocamento de avanço, a fim de desenvolver uma elevada
energia cinética para transferir ao rebite e deformá-lo. O atuador pneumático (11)
será do tipo de alto impacto, conforme estudado no ponto 3.4.4 do capítulo
anterior, e a velocidade de retorno controlada por uma válvula reguladora de
fluxo (7).
128 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
·-····· ------, - . ··-· ... --- . -- . - - ,. -· - ·-. ,
• }-----! 0
(1) (2)
(4)
p
(3)
:x
~~--- -----------w (5)
1 :v
Figura 4.29 - Circuito de uma prensa rebitadora pneumática. '
4.6.4. Exemplo Prático 4
(9)
Há três situações práticas de elevada importância quanto à aplicação de
válvulas de controle de fluxo unidirecional e bidirecional que o projetista jamais
deve esquecer. -
4.6.4.1. Regulagem de Fluxo na Alimentação
Este sistema deve ser utilizado somente para atuadores de simples efeito ou
atuadores pequenos de duplo efeito, pois variações de carga mesmo muito
pequenas levam a um movimento não regular da haste do êmbolo, portanto
inadequado para aplicações mais precisas.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 129
Figura 4.30 - Controle de velocidade na alimentação.
4.6.4.2. Regulagem de Fluxo na Descarga
Neste sistema o êmbolo é apertado entre as almofadas de ar, e com a
alimentação livre do ar têm-se movimentos regulares mesmo com variações de
carga.
130
.-·- -·-·-·-·-
' 1 ,
1
1
1
1
Figura 4.31 - Controle de velocidade na descarga.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
4.6.4.3. Regulagem de Fluxo no Escape
Regulagem da velocidade através do estrangulamento do ar de escape após
a válvula de comando. Com válvulas de 4/5/3 com a posição central bloqueada,
evita-se quase completamente uma continuação do curso em caso de parada em
qualquer posição, por isso são bastante recomendadas.
Figura 4.32 - Controle de velocidade no escape.
4. 7. Válvulas de Retardo
No item 4.5.2, vimos à válvula de seqüência, cuja função é possibilitar o
disparo de seqüências de movimentos, ou mesmo retorno de atuadores, sem
necessitar de válvulas de fim de curso, isto é, programando-as simplesmente para
disparo em pressões diferenciadas. Por exemplo; supondo necessitarmos disparar
uma seqüência de três atuadores, é possível com a referida válvula, programar
um atuador para disparo com 6bar, o segundo com 7bar e o terceiro, quando a
pressão atingir os 8bar.
Analisando o fato, é possível então, verificarmos que esse diferencial de
pressão de lbar entre os disparos ocorrerá durante um tempo ~t qualquer o qual
é ignorado, pois o que nos interessa, no caso da válvula de seqüência, é o
diferencial de pressão. Porém, quando há necessidade que um determinado
disparo de atuador ocorra exatamente dentro de um tempo estabelecido, em
função de um dado processo, por exemplo, torna-se necessária a utilização de
um controlador de tempo, que pode ser um temporizador eletrônico que atuará
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 131
uma válvula eletropneumática9
, ou ainda uma configuração híbrida pneumática,
resultante da junção de uma válvula distribuidora 2/3/2 com um pequeno
reservatório e uma controladora de fluxo, sendo que a válvula 2/3/2 só é
comutada após ter sido o reservatório abastecido totalmente.
Parafuso para
ajuste do tempo
de retardo
z
2(A)
i- ·- ·- ·- . - · - . - . - . - . -· -·- · - . - ·- ·- . - . - · - . - ·- . - - · - ·- ·- ·!
• 1
1
1
1
1
1
1
· -·~·- · - · '
(e) l(P) : 3(R)
2(A)
i- . - . - · - . - . - . -· - ·- . - . - . - ·- . - . - . - . - . - . - . - . - - . - . - . - . - '!
• 1
1
1
(b) l(P)
1
1
1
1
1
·- ·r ·- ·- · '
1
: 3(R)
Figura 4.33 - (a) Válvula pneumática de retardo comercial; (b) Tipo VZB-3-1/4 normalmente aberta;
(c) Tipo VZOB-3-1/4 normalmente fechada - Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC.
Nesse caso, há uma relação entre o tempo de abastecimento do
reservatório, o 'fluxo de alimentação e a comutação da válvula, sendo que esse
tempo é marcado através de um parafuso de ajuste dotado de uma escala, que
regula o fluxo do ar de enchimento.
A figura 4.33 mostrou uma dessas válvulas de um conhecido fabricante e
seu respectivo símbolo normalizado10
.
4. 7.1. Exemplo Prático
O exemplo seguinte apresenta através das figuras 4.34 e 4.35 uma semi
-automatização de um dispositivo de termoformagem.
9 Tema a ser estudado nos capítulos seguintes.
1° Conforme catálogo do fabricante, o tempo de retardo para esse modelo é O a 30seg.
132 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
p
0
(2)
(3)
(7)
.---------------,
1
1 ,-
1------------~----------------1 ,_
1
: (5)
1
1
1
---,
1
1
1
1
Plugue para
termoformagem
Figura 4.34 - Circuito de semi-automatização de um dispositivo de termoformagem.
Plug fêmea
Chapa de plástico
_______ ..,.com seu resfriamento. Esse resfriamento
pode ser natural ou forçado.
134 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
2) Válvulas de fim de curso normalmente são do tipo:
a) 2/2/2
b) 2/3/3
e) 1/2/2
3) A denominação 2/3/3 significa:
a) Dois orifícios, três vias e três posições.
b) Duas vias, três orifícios e três posições.
e) Duas posições, três vias e três orifícios.
4) Para o acionamento e alimentação de um atuador pneumático linear de
simples efeito, a válvula de comando recomendada é a do tipo:
a) 1/2/2
b) 2/3/2
e) 4/5/2
5) Em uma válvula controladora de fluxo variável unidirecional é possível
afirmar a existência da seguinte relação quanto ao fluxo C:
a) Cm~n= Cn~m
b) Cm ~nCm ~n
6) Em uma válvula seletora (função lógica OU) pode-se afirmar:
a) No caso de coincidência de sinais nas conexões X e Y, a pressão menos
intensa passará para o ponto de utilização A
b) No caso de coincidência de sinais nas conexões X e Y, a pressão mais
intensa passará para o ponto de utilização A
e) Ambos os sinais passarão para o ponto de utilização.
7) Quanto às válvulas de seqüência, é correto afirmar:
a) São programadas em função de diferencial de tempo.
b) Funcionam exatamente igual às reguladoras de pressão.
e) São programadas em função do diferencial de pressão.
Válvulas de Comando e Aplicações Básicas 135
8) Quanto às válvulas de escape rápido, é correto afirmar:
a) Não possuem relação nenhuma com a energia cinética desenvolvida
pelo atuador durante seu movimento.
b) Possibilitam maior aceleração do atuador em virtude de expulsar para
atmosfera grande parte do ar da câmara interna do atuador, eliminando
assim mais rapidamente a contrapressão oferecida pela resistência do ar
residual.
e) São válvulas eminentemente silenciosas.
9) Explique e exemplifique por que não é aconselhável o uso de válvulas de
regulagem de fluxo na alimentação de atuadores de duplo efeito de cursos
médios ou longos.
10) Justifique a perfeita funcionalidade de reguladores de fluxo quando
utilizados na descarga dos atuadores de duplo efeito, bem como a vantagem
de utilizá-los no escape de válvulas 4/5/3.
136 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO 5~
Válvulas de Comando Elétrico
e Aplicações Simples ...... __________________ ....
5.1. Conceito
De estrutura funcional interna muito semelhante à vista no capítulo
anterior, as válvulas de comando elétrico apenas se diferem daquelas quanto à
sua forma de acionamento.
+
+
Válvula 2/3/2
Figura 5.1 - Válvula 2/3/2 atuada por solenóide -
representação esquemática e simbólica normalizada.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples
A
A
• p
137
Nas válvulas convencionais, o acionamento se dá, normalmente, por ação
mecânica, manual ou pneumática. Enquanto nas válvulas de comando elétrico,
sua comutação é obtida por meio de impulso elétrico originado por uma bobina
CAouCC.
A bobina é fixada pelo seu centro ao corpo da válvula, por meio de um
núcleo solidário a esta (figura 5.3).
De uma forma grosseira, porém bastante elucidativa, podemos representar
esquematicamente o conjunto bobina+válvula conforme a figura 5.1.
5.2. Características
As bobinas magnéticas normalmente possuem formato semelhante, sendo
em geral o diâmetro da bobina padronizado, o que possibilita o intercâmbio com
bobinas de outros fabricantes com preços diferenciados, algumas vezes mais
accessíveis ou de prazo de entrega mais reduzido, ou mesmo imediato. Mas essa
alternativa é geralmente adotada quando necessital\lOS de uma manutenção
rápida, pois em verdade é sempre recomendada a utilização da bobina do
próprio fabricante da válvula.
Diâmetro da
bobina
Figura 5.2 - (a) Bobina magnética do Tipo MSG/MSW. Fonte: Catálogo FESTO PNEUMATIC;
(b) Bobina magnética do Tipo K593 - Catálogo PARKER AUTOMATION.
Figura 5.3 - (a) Válvula solenóide 2/3/2; (b) Válvula solenóide com bobina magnética montada.
138 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
As bobinas magnéticas em geral operam com tensões de 12 a 240V em
corrente contínua ou alternada, conforme a especificação e necessidades do
cliente, sendo que em tensões normais:
• Corrente contínua -t 12 a 24V;
• Corrente alternada -t 24, 110 ou 220V.
Operando em limites máximos de temperatura de -10 a + 60°C, com
variação admissível de tensão de ±103.
5.3. Modos de Acionamento
O acionamento das bobinas magnéticas é feito a partir de chaves de partida
e parada, interruptores, micro-switch, relés, pressostatos e sensores.
5.3.1. Chave Impulso sem Retenção
É um dispositivo que só permanece acionado enquanto houver uma força
incidindo sobre ele. Cessada a força, o dispositivo retorna à sua condição normal
que pode ser:
• Normalmente Aberto (NA);
• Normalmente Fechado (NF).
NA
Chave impulso
Desacionado
Acionado
NF
Figura 5.4 - Chaves sem retenção.
5.3.2. Chave com Retenção ou Trava
É um dispositivo que, uma vez acionado, mantém essa condição até que
seja feita uma nova ação sobre ele.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 139
Construtivamente pode ser:
• Normalmente Aberto (NA)
• Normalmente Fechado (NF)
Chave trava
Desacionado
Acionado
NA NF
Figura 5.5 - Chaves com retenção ou trava.
5.3.3. Chave Seletora com ou sem Trava
É um dispositivo que só permanece acionado enquanto houver uma força
incidindo sobre ele (tipo sem trava) ou que permanece comutado até que uma
força agindo sobre ele modifique sua condição.
Construtivamente pode ser:
• Normalmente Aberto (NA)
1
• Normalmente Fechado (NF)
0---
C---c--
0---
Chave impulso
3 posições
o---NA
Chave trava
2 posições
Figura 5.6 - Chaves seletoras.
5.3.4. Limitadora de Curso (Micro-Switch)
É um dispositivo do tipo chave impulso, também denominado de "micro
-switch", que quando acionado pode agir da mesma forma que um pressostato
(liga, desliga, liga - desliga). É comum ente utilizado como fim de curso dos
atuadores lineares, servindo para comutar os solenóides das válvulas
eletropneumáticas.
140 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Construtivamente pode ser:
• Normalmente Aberto (NA)
• Normalmente Fechado (NF)
• NA+NF
Micro-switch
Desacionado
Acionado
NA NF NF I NA
j_ ---ili- --4-----0 0---
~
--0 0---
-Â- ----:!;-
Figura 5. 7a - Limitadores de curso.
Figura 5 . 7b - Micro-switch.
5.3.5. Relé
É um dispositivo do tipo impulso acionado por campo magnético. Esse
dispositivo é formado basicamente por uma bobina e por seu conjunto de
contatos. Ao ser energizada a bobina K, será feita a conexão do terminal C com
os outros contatos NA. Enquanto a bobina permanecer energizada (efeito
memória), os contatos permanecerão nessa posição.
NANFNANF
l~::~J~J]
e e
Figura 5 .8 - Relé.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 141
5.3.6. Sensores Elétricos
São dispositivos eletrônicos ou eletromecânicos destinados a monitorar
variáveis de processo, fornecendo informações por meio de impulsos elétricos ou
variação de intensidade de um sinal.
5.3.6.1. Sensor de Proximidade
São sensores capazes de detectar a proximidade de um componente,
fluido, elemento de máquina, etc.
Tem como estágio de saída um transmissor do tipo NPN ou PNP, tendo
ainda as seguintes configurações elétricas possíveis:
• Função NA (3 terminais);
• Função NF (3 terminais).
Classificam-se ainda em:
• Sensores indutivos: detectam a aproximação de materiais metálicos.
• Sensores capacitivos: detectam a aproximação de materiais orgâni
cos.
PNP
NA+NF
NPN
NA+NF
Figura 5.9 - Configuração elétrica dos sensores de proximidade.
5.3.6.2. Pressostato
É um dispositivo que possibilita converter um
pulso pneumático em um pulso elétrico. Sendo,
portanto, bastante utilizado como dispositivo de
segurança.
1 2
·--~-~ . T~
Figura 5.10- Pressostato.
142 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
5.3. 7. Sensores Ópticos
São também conhecidos como sensores fotoelétricos e baseiam-se na
emissão e recepção de luz infravermelha. Classificam-se em:
5.3.7.1. Sensor por Reflexão
Esse sensor detecta a posição pela luz que retorna a um fotossensor
(fotodiodo ou fototransistor, LDR), emitida por um LED ou lâmpada e refletida
pela peça.
Objeto
oE~~-----~ 1
ª
missão Objeto
___ ,,. ______ .. ~ 1
~------, ..
~:flexão M
Figura 5.11 - Representação esquemática do funcionamento de um sensor por reflexão.
5.3. 7.2. Sensor por Interrupção
Nesse sensor a luz emitida é captada por um fotossensor alinhado, que
percebe a presença da peça quando ela intercepta o feixe .
Objeto
01
o---~--------~
Emissor Receptor
0---~íll e[]
Figura 5.12 - Representação esquemática do funcionamento de um sensor por interrupção.
PNP
NA+NF
NPN
NA+NF
Figura 5.13 - Representação elétrica do estágio de saída do sensor óptico por reflexão.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 143
5.4. Válvulas Proporcionais
São elementos destinados a comandos de precisão, em que a pressão de
trabalho é regulada por meio de sinais analógicos proporcionais. Ou seja, a
pressão de saída é proporcional ao sinal analógico de entrada.
Tem como característica principal uma alta precisão, porque mantém a
pressão constante no sistema, atuando rapidamente de acordo com a dinâmica
da variação (modificações rápidas de pressão), mesmo quando conectadas a
equipamentos de grande consumo de ar (figura 5.14).
Como se pode ver, a válvula é constituída por um regulador de pressão
pilotado, cujo piloto é acionado por duas válvulas 1/2/2 que, por sua vez, são
acionadas pelas saídas de um comparador. A pressão de saída da válvula (saída
2) é convertida pelo sensor de pressão em um sinal elétrico (X) que é comparado
ao sinal de entrada (E) pelo bloco comparador. Deste modo, se a pressão de
saída estiver abaixo do valor estabelecido (XE), a
saída - do comparador é pilotada para aumentar a pressão em 2.
,------------------------------
IST o----+-+--+--i
1 1
SOLL o----.--+---i
E
Bloco
comparador
Sensor de pressão
3 ~]
SOl.--i
Figura 5.20 - Circuito elétrico de comando.
5.6.1.2. Solução Convencional
A solução em pneumática convencional para esse mesmo circuito de
comando repetitivo é demonstrada na figura 5.21 em seguida.
148 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamentoe Análise de Circuitos
d
0
a
Figura 5.21 - Comando repetitivo - Solução puramente pneumática.
A solução puramente pneumática é bastante simples. Uma válvula 2/3/2
acionada por botão e retorno por mola (válvula S), quando pressionada, permite
que o fluxo de ar provindo da rede através da tubulação (mangueira) a e depois
b, passe através de si, seguindo por e até comutar a válvula de comando VC,
permitindo assim que o atuador expanda sua haste. Em seu fim de curso, o
batente existente na extremidade da haste irá pressionar o rolete da válvula m,
causando sua inversão e permitindo que o ar da rede flua da mangueira a para a
mangueira b e possa então comutar novamente a válvula de comando VC,
fazendo com que o ar da rede flua para a câmara frontal do atuador, causando
assim o movimento de retração da haste.
Um novo avanço só será possível mediante nova ação sobre o botão S.
5.6.2. Comando Automático (Parada Após o Término do
Ciclo Iniciado)
5.6.2.1. Solução Eletropneumática
Princípio
Utilização de dois contatos de fim de curso (m1 e m2) do tipo micro-switch
que atuarão sobre os solenóides SOL1 e SOL2, e um interruptor PARTIDA que
controla o disparo e parada do circuito (figura 5.22).
Posição da Figura
• Micro-Switch m1 é do tipo NA, porém se encontra fechado mediante o
batente da haste que o pressiona.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 149
• A chave PARTIDA também é do tipo NA e se encontra desativada.
• A válvula de comando VC se encontra à esquerda mantendo a haste do
atuador retraída.
0
1----
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
-- - -1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Figura 5.22 - Comando automático - Circuito eletropneumático.
s -~--+---ql --,
p
Figura 5.23 - Circuito elétrico de comando.
Descrição
J_ml
--0 o--
Partida
Atuando sobre a chave PARTIDA (chave com retenção), o circuito elétrico
será fechado , permitindo que o fluxo elétrico passe de S através do micro-switch
m2 e chegue até o solenóide SOL2 , excitando-o e causando a inversão de sua
válvula que, por sua vez, permitirá a passagem do fluxo de ar à VC, comutando-a
e iniciando o movimento de expansão da haste do atuador.
150 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Quando a haste sair de sua posição de repouso, em marcha de avanço, o
batente da haste deixará o micro-switch m2 livre, que retomará à sua posição NA
original. Quando então o batente atingir o micro-switch m1 , que também é do
tipo NA, o contato será fechado e o fluxo elétrico passará então de S através de
m1 e irá excitar o solenóide SOL1, causando a inversão de sua válvula,
permitindo assim que o fluxo de ar passe por ela e vá comutar novamente a
válvula controladora VC, provocando agora o retomo da haste.
Tendo chegado a seu fim de curso, novamente ela pressionará o micro
-switch m2 que, conseqüentemente, permitirá o fluxo elétrico de R para SOL2 ,
reiniciando o movimento de expansão da haste, pois devemos lembrar que a
chave de partida é do tipo com trava, e uma vez ativada, mantém o circuito
constantemente alimentado eletricamente.
O término do ciclo só será possível levantando a chave PARTIDA,
entretanto o ciclo iniciado vai se realizar inteiramente até o retomo da haste.
(Para parar a haste distendida, é preciso colocar o interruptor PARTIDA sobre a
linha q e não p).
5.6.2.2. Solução Convencional
A solução em pneumática convencional para esse mesmo circuito de
comando automático é demonstrada na figura 5.24 em seguida.
0 1
1
1
1
vc
~s
a
b
----,
1
1
1
1
1
1
1
1
d
'-----------------------------------------------------------------
Figura 5.24 - Comando automático com parada após o ciclo iniciado -
Solução puramente pneumática.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 151
A solução puramente pneumática utiliza-se de uma válvula 2/3/2 acionada
por botão com retenção (válvula S). Este, quando pressionado, mantém a válvula
acionada até que uma nova ação sobre ele retorne-a à sua condição anterior.
Uma vez comutada a válvula S, ela permite que o fluxo de ar provindo da
rede através da tubulação (mangueira) a siga por b e por e, indo comutar a
válvula de comando VC para sua posição da direita, permitindo assim que a
haste do atuador principie seu movimento de expansão.
Atingindo o fim de curso m1, o batente na ponta da haste pressionará o
rolete causando a inversão de sua válvula, gerando assim um pulso pneumático
que se propagará por d até atingir a válvula de comando VC e novamente
comutá-la para sua condição anterior, possibilitando desse modo que o fluxo de
ar da rede penetre a câmara frontal do atuador, causando o retorno da haste.
Quando a haste chegar em sua posição de partida, o batente pressionará o
rolete m2 causando a inversão de sua válvula e gerando um pulso pneumático
que comutará novamente a válvula VC, dando reinício ao movimento, que só
cessará após o desligamento do botão S.
Parada
Se elevarmos o botão S quando a haste estiver em movimento de
expansão, ela irá até o fim de curso m1, provocará inversão de sua válvula, pois
ela está continuamente alimentada pelo fluxo de ar da linha a, causando nova
comutação de VC e com isso o retorno do atuador. Se, no entanto, elevarmos o
botão S durante o movimento de retração, ao chegar no fim de curso m2, o
sistema ficará parado, pois m2 deixou de ser alimentado.
f
5.6.3. Comando Automático (Parada Após o Término do
Curso Iniciado)
5.6.3.1. Solução Eletropneumática
Princípio
Sistema muito similar ao anterior, entretanto, nesse circuito, pretende-se
que a parada se dê ao término do curso de avanço ou de retorno da haste, não
necessitando para isso que o ciclo se complete.
Fisicamente o circuito eletropneumático só se diferencia do anterior no
circuito de comando, sendo que a chave PARTIDA é mudada de posição,
estando agora localizada antes de ambos os micro-switches m1 e m2, ou então,
instalada sobre a linha Nantes dos solenóides. Essa providência fará com que, ao
desligamento da chave PARTIDA, nenhum dos contatos possa inverter as
152 Automação Pneumática - Projetos , Dimensionamento e Análise de Circuitos
válvulas solenóides e gerar a comutação da válvula de comando VC, causando o
movimento contrário da haste (figura 5.25).
Partida
q p
Figura 5.25 - Circuito elétrico de comando.
5.6.3.2. Solução Convencional
' O circuito equivalente em pneumática convencional também sofre uma
pequena modificação na ligação da válvula de partida S, a fim de que, quando
desligada, possa apenas permitir que o curso se complete e não o ciclo como no
caso anterior (figura 5.26).
~s
d
0 a
'-----------------------------------------------------------------
Figura 5.26 - Comando automático com parada após o curso iniciado -
Solução puramente pneumática.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 153
O desligamento da uáluula S cortará o fluxo de ar que alimenta os fins de curso
m1 e m2, impedindo noua comutação de VC quando a haste atingir qualquer um
deles.
5.6.4. Comando Automático (Parada sem Completar o Curso
Iniciado)
5.6.4.1. Solução Eletropneumática
Princípio
Esse circuito de automatização é também muito parecido com o do item
5.6.2, sendo aqui acrescentada ao circuito de comando uma chave de
emergência EMERG que a qualquer momento, quando iniciado o movimento de
expansão da haste, sendo pressionada a chave, provocará a inversão da válvula
solenóide SOL1 e a conseqüente comutação de VC, fazendo com que o
movimento de expansão cesse, e se inicie o movimento de retorno (figuras 5.27 e
5.28).
Trata-se de uma montagem de segurança, mas dependente da vontade do
operador.
_k
Y~
vc Partida
Y~
Em erg
0
Figura 5.27 - Comando automático - Circuito eletropneumático.
154 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
s
~! E'importante a ser observado na operação desse circuito
elétrico de comando (figura 5.28) . Toda vez que a chave de emergência for
ativada, a chave de partida deve ser desligada, pois elas são do tipo com
retenção, e se assim não houver o desligamento da PARTIDA, quando a haste
retomar e pressionar o micro-switch m2 , haverá um curto-circuito na rede elétrica.
Desta forma, é aconselhado então, a substituição da chave simples EMERG por
uma do tipo NA+ NF, assim se ao pressionar a emergência pare o retomo da
haste não for desligada a chave de partida, não haverá perigo nenhum de curto
na rede (figura 5.29). ·
NF
q ~artida
Automático
0
~ - Partida
NA_7o-
NF~arada
Figura 5.31 - Comando repetitivo ou automático - Circuito eletropneumático.
Figura 5.32 - Circuito elétrico do comando repetitivo ou automático.
Princípio
O circuito eletropneumático tem a mesma disposição dos anteriores, pois
trata-se de um único atuador, cuja válvula distribuidora 4/5/2 é comutada por
duas de 2/3/2 acionadas por solenóides e retorno por mola. No circuito de
comando, entretanto, há necessidade da aplicação de um relé K e uma chave
com retenção (AUTOMÁTICO), para tornar possível a comutação entre os dois
sistemas.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 157
Descrição
O acionamento da chave impulso PARTIDA arma o relé K, fechando seus
dois contatos KNA, possibilitando assim que o solenóide SOL2 seja excitado,
invertendo sua válvula eletropneumática e comutando a válvula de comando VC.
A haste se expande, liberando o micro-switch m2, e ao final de seu curso
pressiona o micro-switch m1 que excitará SOL1 e provocará nova comutação em
VC, causando o retorno da haste.
Ao retornar e pressionar novamente m2 , não haverá nova partida, pois o
relé estará novamente com seus contatos abertos (não há efeito memória porque
não há continuidade no circuito do relé quando pressionada a PARTIDA). Desta
forma o circuito permite apenas a execução de um ciclo completo, sendo
necessária nova ação sobre a chave de partida para iniciar novo ciclo.
O modo automático é obtido pressionando a chave com retenção
(AUTOMÁTICO). Uma vez fechada, ao exercer ação sobre a chave PARTIDA, o
relé é novamente excitado (desta vez permanecendo com os contados fechados,
pois a chave PARADA que é NF e a chave (AUTOMÁTICO), também fechada,
asseguram a continuidade).
A haste se expande, liberando m2, e ao seu fim de curso pressiona m1 que
causará seu retorno. E, chegando sobre m2 novamente, excitará SOL2 , pois o
contato KNA estará fechado, iniciando assim novo ciclo.
Os ciclos serão repetidos continuamente até que seja exercida alguma ação
sobre a PARADA que é uma chave do tipo NF e uma vez acionada, corta a
alimentação do relé, desarmando-o.
1
A haste só irá cessar seu movimento ao completar o ciclo {posição retraída).
5.6.5.2. Solução Convencional
A figura 5.33 apresenta a versão totalmente pneumática para esse mesmo
tipo de circuito.
Princípio
A válvula de comando VC é comandada por duas válvulas de fim de curso
do tipo 2/3/2 com rolete e retorno por mola, por uma válvula de partida acionada
por botão e retorno por mola, além de outra válvula também de 2/3/2 com
retenção, sendo esta responsável pelo acionamento do sistema automático. O
circuito conta ainda com o auxílio de um elemento lógico OU.
158 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
b
d
0 ---@t&---
a
Figura 5.33 - Comando repetitivo ou automático - Solução puramente pn~umática.
Descrição
Pressionando unicamente o botão de partida, o fluxo de ar circula pela
alimentação ª através da válvula para o elemento OU seguindo por Q em direção
a VC, indo comutá-la.
A haste se distende, liberando o fim de curso mz até encontrar o fim de
curso m1 e pressioná-lo invertendo sua válvula e permitindo assim que o fluxo de
ar provindo de ª siga por Q até encontrar VC e comutá-la novamente, causando
o retomo da haste.
Quando retomar para o fim de curso mz, o ciclo não reiniciará, pois não há
conexão através do botão automático (este se encontra desligado) e VC não pode
ser novamente comutado, conforme pode ser visto na figura.
Um novo ciclo só será possível se novamente o botão de partida for
acionado.
O modo automático é selecionado atuando sobre o botão de mesmo
nome, que, uma vez acionado, permanece nessa posição por ser do tipo com
retenção.
Atua-se sobre o botão de partida, e o ciclo inicia-se como anteriormente
descrito, entretanto, quando a haste retomar sobre o fim de curso mz, encontrará
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 159
conexão de f para g através do Automático e do elemento OU, comutando
novamente VC e reiniciando deste modo o ciclo, que será repetido
continuamente até que o botão do automático seja desligado.
Feito isso, o último ciclo finaliza com a haste retraída.
5. 7. Dispositivos de Regulação
São dispositivos elétricos, destinados a regular o valor de variáveis de
processo, tais como: velocidade, tempo, temperatura, pressão, etc.
5. 7.1. Potenciômetro
Dispositivo destinado a regular correntes de
baixa intensidade nos circuitos elétricos e eletrô
nicos. Apresenta três terminais acessíveis, e podem
ser do tipo linear ou logarítmico.
5. 7.2. Reostato
Possui a mesma finalidade que o potenciô
metro, porém é destinado a regular correntes de
alta intensidpde.
5. 7.3. Transformador
Dispositivo que permite elevar ou reduzir a
tensão alternada de acordo com a necessidade de
utilização dela.
Figura 5.34 - Potenciómetro.
~
t~---0
Figura 5.35 - Reostato .
][
Figura 5.36 - Transformador.
160 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
5.7.4. Relé de Tempo com Retardo na Ligação
Comuta os contados para a posição
(C--7NA) após um determinado tempo.
A temporização tem início quando a
alimentação do relé é energizada.
Ao ligar a chave S, é iniciada a
contagem de tempo conformefoi ajustado
no relé.
Transcorrido o tempo ajustado, o relé
comutará os contatos, ascendendo a lâmpa
da.
+
L
K ---------------
~Fechada
. Chave S :i, Aberta
_jL_Acesa
NF
c
Lâmpada L A d paga a
Figura 5.37 - Relé de tempo com
retardo na ligação.
5.7.5. Relé de Tempo com Retardo no Desligamento
Comuta os contados para a posição
(C--7NA) após um determinado tempo.
A temporização tem início quando a
alimentação do relé é cessada.
Ao ligar a chave S, a lâmpada é
ligada.
Ao desligar a chave S, inicia-se a
contagem do tempo ajustado no relé. Ces
sado o tempo, o contato retoma à posição
(C--7NF) .
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples
+
L
NF
c
_jL_Fechada
Chave S , T Ab t ,..........., era
~Acesa
Lâmpada L A d paga a
Figura 5.38 - Relé de tempo
com retardo no desligamento.
161
5.7.6. Contador de Impulsos Elétricos
Dispositivo utilizado para realizar
(disparar) um evento a partir de uma
contagem progressiva de impulsos elétricos
provenientes de sensores, chaves de
impulso, etc.
A comutação ocorre quando a con
tagem de impulso elétrico iguala-se ao
valor previamente programado no conta
dor.
O reset do contador (zeragem da
contagem) pode ser feito eletricamente,
por meio de um impulso elétrico, ou pela
ação manual.
+
L
NF
K ---------------
e
_llilll_ Fechada
Chave S Aberta
R ___lL_ Acionado
eset Desacionado
__]L_Acesa
Lâmpada L Apagada
Figura 5.39 - Contador de impulsos elétricos.
5. 7. 7. Contador de Impulsos Pneumáticos12
O contador soma sinais pneumáticos
partindo do z'ero. Alcançando o número
predeterminado, o contador emite um
sinal pneumático de saída.
O valor predeterminado pode ser
corrigido, mesmo durante o serviço.
Quantidades produzidas ou unida
des de tempo decorridas podem ser direta
mente lidas, sem cálculo de diferença.
(Sinold•~y
~a contador)
Freqüência de contagem p
TZ
Figura 5.40 - Contador pneumático.
12 Componente fabricado pela FESTO PNEUMATIC- Modelo PZV-ES conf. Catálogo.
162 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
5.8. Dispositivos de Sinalização
5.8.1. Indicador Acústico
Seu propósito é emitir sinais sonoros, tais como: alarmes de emergência por
superaquecimento, fogo, quebra de máquina, término de processo, indicativo de
cuidado por não fechamento de blindagem de proteção, etc.
Pode ser do tipo buzina, sirene ou apito.
Utilizado também em ambientes em que a sinalização visual é difícil.
Figura 5 .41 - Indicador Acústico.
5.8.2. Indicador Visual
Cumpre a mesma função dos indicadores acústicos, informando ainda por
meio de cores diferenciadas o status de funcionalidade do sistema.
As cores convencionadas internacionalmente são:
Cor Status
Verde (G) Desligado
Amarelo (Y) Falha
Vermelho (R) Ligado Desligado
Falha
Ligado
Figura 5 .42 - Indicador Visual.
Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples 163
5.9. Exercícios
1) Refaça os circuitos do item 5.6.1 com as soluções eletropneumática e
puramente pneumático, considerando acionamento por comando bi
manual.
2) Refaça os circuitos do item 5.6.2 com as soluções eletropneumática e
puramente pneumático, considerando a presença de um contador de
impulsos que, ao atingir um número de impulsos predeterminado, desligará
o sistema encerrando os ciclos.
3) Refaça os circuitos do item 5.6.4 com as soluções eletropneumática e
puramente pneumático, considerando a presença de um indicador visual do
tipo da figura 4.42, de forma que a luz verde esteja ligada quando o sistema
estiver desligado, a luz vermelha esteja ligada quando o circuito estiver
ligado, e toda a vez que a emergência for ativada, a luz amarela seja ligada,
desligando a vermelha, e permaneça ligada até ser concluída a correção.
4) Refaça os circuitos do item 5.6.5 com as soluções eletropneumática e
puramente pneumático, considerando, no caso eletropneumático, a
presença de um relé temporizador que é acionado quando a haste toca m11
permitindo que seu retorno se dê após 20 segundos do contato. E no caso
puramente pneumático, a presença de uma válvula pneumática de retardo
que também entre em operação após a haste ter pressionado m1.
5) Elabore utn circuito puramente pneumático para uma prensa rebitadora no
qual o acionamento do atuador pneumático seja feito, por medidas de
segurança, com comando bimanual e acionamento por pedal, de forma que
se qualquer um dos comandos for liberado antes da tarefa ser executada, o
atuador retorne para o ponto de partida.
r Dica
Na solução deste exercício, utilize elementos lógicos E, e como válvula controladora
VC, uma do tipo 4/412 com retorno por mola, e controladora de fluxo para regular a
velocidade de avanço).
164 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO 6~
Funções Lógicas
...... __________________ ....
6.1. Introdução
No capítulo anterior, vimos uma série de exemplos de automação simples,
utilizando apenas um atuador, elaborados a partir do método intuitivo. Na prática
industrial, geralmente é aplicado mais de um atuador, ou ainda podem existir
' condições específicas para o acionamento dos atuadores, e por isso o método
intuitivo não mais responde com excelência, pois pode virar um método de
tentativas. É necessário então o uso de uma linguagem lógica, fundamentada nos
princípios da álgebra.
Vimos, através dos tempos, com a evolução tecnológica industrial a
necessidade de otimizar os equipamentos de produção, incorporando-lhes
tecnologia e tornando-os mais confiáveis, produtivos e muitas vezes reduzindo
seu custo em função das simplificações que a melhoria tecnológica oferece.
Portanto, deve-se entender que, salvo aplicações extremamente simples e
isoladas, isto quer dizer, aplicações que não façam parte de um processo
automatizado, é sempre conveniente adotar as soluções eletropneumáticas ou
pneutrônicas.
A adoção de uma metodologia de trabalho otimizada, correta e de
entendimento universal, além de minimizar a ocorrência de erros (comum de
acontecer na aplicação do método intuitivo), facilita a supervisão e manutenção
dos sistemas projetados, permitindo uma fácil comunicação e entendimento entre
o pessoal técnico das áreas de pneumática, eletrônica, eletricidade, microele
trônica e informática.
Facilita ainda a comunicação ótima das várias tecnologias existentes para
execução física dos sistemas de automação, originando a chamada pneutrônica,
aplicando tecnologias de CLPs, microprocessadores e informática.
Funções Lógicas 165
6.2. Sinais Analógicos, Binários e Digitais
A comunicação dentro dos diversos processos industriais pode ocorrer na
forma de sinais analógicos, binários ou digitais.
Sinais analógicos são todos aqueles que podem assumir qualquer valor
dentro de determinados limites e que levam a informação na sua amplitude. Os
sinais analógicos podem ser classificados de duas formas:
• Sinais variáveis;
• Sinais contínuos.
Os sinais analógicos variáveis podem ser representados por uma soma de
um conjunto de senóides (podem ser decompostas) de freqüência mínima e
maior que zero, como, por exemplo, sinais senoidais de freqüência constante
(figura 6.la) e que representam a informação através de sua amplitude. Já os
sinais analógicos contínuos podem ser decompostos numa soma cuja freqüência
mínima é zero, ou seja, um sinal que tem certo nível fixo durante um tempo
indefinido (figura 6.lb).
V(mv)
t(ms)
Figura 6. la - Sinal analógico variável.
V(mv)
Figura 6.lb - Sinal analógico contínuo.
Os sinais digitais são aqueles que estabelecem um número finito de estados
entre o valor máximo e o mínimo do sinal em estudo. Podemos observá-lo na
166 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
comunicação de dados entre dois PC's por exemplo, ou então, nos instrumentos
de controle de temperatura, pressão, tempo, etc., que exibem a informação no
formato digital.... ....... ................................. 65
2.5.6. Equacionamento ...... ....... ........................... ........ ... .. .............. .. ........ 65
2.6. Dimensionamento das Linhas Secundária e de Alimentação .................. 67
2.6.1. Exemplo Prático 1 .................... .................... ..... ............................. 68
2.6.2. Exemplo Prático 2 ...... ....................... .. .. ...... ....... ........ .... .... .. ......... . 70
2.7. Dimensionamento da Linha Tronco a Partir de um Nomograma ..... ...... 72
10 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
2.7.1. Exemplo Prático ...................................... ........ ............................... 73
2.8. Exercícios ............................... ................. .... ........................................... 75
Capítulo 3 - Atuadores Pneumáticos ................. .. .... .... .. ...... .. .. ................... 77
3.1. Conceito ........................... ...... .. .. .. .... .. .. ................................................. 77
3.2. Atuadores Pneumáticos Lineares ........ .. .. ............................................... 77
3.2.1. Atuadores Pneumáticos Lineares de Simples Efeito ... .. ...... .... ........ 78
3.2.2. Atuadores Pneumáticos Lineares de Duplo Efeito .. ........................ 79
3.3. Atuadores Pneumáticos Lineares com Amortecimento ............ .. .......... ... 81
3.3.1. Princípio Funcional ......................................... ............................... 82
3.3.2. Representação Simbólica ................ .......... .. .... .. .... .. .. ..................... 83
3.4. Atuadores Lineares de Duplo Efeito Especiais .... ....... .. .. ......... ... ... .. ........ 83
3.4.1. Atuador Linear de Haste Passante ...... ............ .. .... .. .... ................... 84
3.4.2. Atuador Linear Duplex Contínuo ................................................... 85
3.4.3. Atuador Duplex Geminado ........................ .... .. .. .. .......................... 88
3.4.4. Atuador Pneumático de Alto Impacto ...... .......... .............. ......... .... . 90
3.5. Atuador Pneumático Giratório (Oscilante) .. .... .. .... ............. ~ .. .. ...... ........ . 95
3.5.1. Características Técnicas ............. .. ........ ... ......... ................ ............ ... 97
3.5.2. Representação Simbólica ........................................................ .... ... 97
3.6. Dimensionamento de Atuadores Pneumáticos Lineares e Giratórios
Comerciais ... ......................................... .................... .... .. .. .. ............... ... .. ...... 98
3.6.1. Atuadores Pneumáticos Lineares Comerciais ................................. 98
3.6.2. Atuadores Pneumáticos Giratórios Comerciais .... .. ....... .. .... ...... .. .. 103
3.6.3. Cálculo do Consumo de Ar Necessário ........................................ 106
3.7. Exercícios Propostos ...................................... .. ...... .. ............................ 107
Capítulo 4 - Válvulas de Comando e Aplicações Básicas .................. ... . 109
4.1. Conceito ...... ............................................................ ..... ....................... 109
4.2. Válvulas de Controle Direcional ............... ... .... ..................................... 109
4.2.1. Convenção da Representação .. .... ............................. .. ................. 109
4.2.2. Estrutura Funcional ... ......... .. .... .. .... ............................... ......... ..... . 111
4.2.3. O Comando das Válvulas Distribuidoras ....... ..... .. ........................ 117
4.3. Válvulas Controladoras de Fluxo .. ......... .... .... ........... : .......... .. .... .. .... .... 118
4.3.1. Válvula de Controle de Fluxo Fixa Bidirecional.. .......................... 119
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 11
4.3.2. Válvula de Controle de Fluxo Variável Bidirecional ..... .. ............... 119
4.3.3. Válvula de Controle de Fluxo Variável Unidirecional .................... 120
4.4. Válvulas de Bloqueio .................................. .. .... .................................... 121
4.4.1. Válvula de Retenção com Mola ...................... ............ ..... ...... ........ 121
4.4.2. Válvula de Retenção sem Mola ..................................................... 122
4.4.3. Válvula Seletora (Função Lógica OU) ....... ........ .... ...... .................. 122
4.4.4. Válvula de Simultaneidade (Função Lógica E) .............................. 123
4.4.5. Válvula de Escape Rápido ............................................................ 123
4.5. Válvulas Controladoras de Pressão ........ .......... ................. ..... ............... 124
4.5.1. Válvula de Alívio ou Limitadora de Pressão .................................. 125
4.5.2. Válvula de Seqüência ....................... ......... .. ..... ... ... ..... ... .... .......... 125
4.5.3. Regulador de Pressão ................................................................... 126
4.6. Aplicações Básicas ..... ... .......... ........................................................ ..... . 126
4.6.1. Exemplo Prático 1 ........................................................................ 127
4.6.2. Exemplo Prático 2 ................................... ............................. ........ 127
4.6.3. Exemplo Prático 3 ................ ..... ...... .... ....................................... .. 128
4.6.4. Exemplo Prático 4 .... ...... ..... ............. ..... ............................. .......... 129
4.7. Válvulas de Retardo ..... ........ ........ .... .... ........ ............ ........ ..... ....... ...... ... 131
4.7.1. Exemplo Prático ........................................................................... 132
4.8. Exercícios ......... ......... ........ ... ...... ...... ...... ........... ..................... .............. 134
1
Capítulo 5 - Válvulas de Comando Elétrico e Aplicações Simples ...... 137
5.1. Conceito ............................................................................................... 137
5.2. Características ....................................................................................... 138
5.3. Modos de Acionamento ........................................................................ 139
5.3.1. Chave Impulso sem Retenção ....................................................... 139
5.3.2. Chave com Retenção ou Trava ..................................................... 139
5.3.3. Chave Seletora com ou sem Trava ............................................... 140
5.3.4. Limitadora de Curso (Micro-Switch) ........................................ .. ... 140
5.3.5. Relé ........ ...... ........... ............................ ........ ......... ...... .................. 141
5.3 .6. Sensores Elétricos .................................. ....................................... 142
5.3.7. Sensores Ópticos .......................................................................... 143
5.4. Válvulas Proporcionais ....... ................... .... .......................... : ................ 144
5.5. Circuito de Potência e de Comando ...................... .. ............ .... .... .......... 146
12 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
5.6. Exemplos de Aplicações Simples ... .............. .... .... ...... ...... .... ... ........ ..... 147
5.6.1. Comando Repetitivo .................................................................... 147
5.6.2. Comando Automático (Parada Após o Término do Ciclo
Iniciado) ....................... .................. ............ ...... ........................ ........ ...... 149
5.6.3. Comando Automático (Parada Após o Término do Curso
Iniciado) ...... ... .. .... .... .................. ................ ............................. .... ...... ..... 152
5.6.4. Comando(figura 6.2) .
u
,h 1
11 li 13 1-i 15 t,; 17 Is 1
Figura 6.2 - Sinal digital.
Os binários são sinais digitais que só podem assumir dois valores ou dois
estados (figura 6.3 e 6.4) .
u
:h 1
11 li tJ ti Is t,; 17 Is t
i i i i i i i i
1 o o 1 1 o o 1
Figura 6.3 - Sinal binário.
Variáveis de estado
1 Acionado Fechado Sim 24V
o Desacionado Aberto Não ov
Figura 6.4 - Sinal binário.
Em automação pneumática ou eletropneumática, trabalhamos basicamente
com sinais binários, como atuar uma válvula através de um impulso manual,
pneumático ou elétrico, ou ainda comutando um relé que abrirá ou fechará um
circuito. Já na pneutrônica, em que há grande presença da eletrônica através de
sensores e controladores lógicos programáveis, os três modos de comunicação
estão presentes.
6.3. Comandos Binários
Os comandos binários são compostos predominantemente por funções
lógicas, tais como: SIM, NÃO, E, NÃO E, NÃO OU, E EXCLUSIVO, OU
Funções Lógicas 167
EXCLUSIVO e MEMÓRIAS, bem como alguns componentes eletrônicos de
saídas binárias, tais como contadores e temporizadores13
.
Os comandos binários estão divididos em dois tipos:
• Comandos combinatórios;
• Comandos seqüenciais.
Comandos
Binários
Combinatórios
Seqüenciais
Figura 6.5 - Comandos binários.
De tempo
programado
De trajetória
programada
Nos comandos combinatórios, um sinal de saída S ocorre sempre em
função de uma combinação lógica de sinais de entrada E.
S = f(E) (6.1)
Essas combinações lógicas são
definidas pelas conhecidas funções
booleanas (lógica de Boole).
Sl
E3-----'
E4====0-~1 52
ES
Figura 6.6 - Fluxograma lógico de um comando
binário combinatório.
Nos fluxogramas apresentados, o sinal de saída Sl só ocorrerá se houver
sinal nas entradas El, E2 e E3 (duas funções E interligadas - generalização da
função lógica E), enquanto para a ocorrência de S2 deverá haver sinal em E4 ou
ES (função lógica OU).
13 Neste livro são considerados apenas os comandos binários assíncronos, ou seja, co
mandos que não são ativados por um clock interno, mas sim, por um sinal de entrada.
168 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
O esquema pneumático da figura 6. 7 seguinte exemplifica o fluxograma
apresentado.
El
C57
E2
C57
0 p
•
1
lllm- --------~ :------ -1
1: 1
1' '
1 1 : ,y 1: 1
1' ' .----
1 ~------ _: 1 :x 1
121[1--- -5~ -
1
52~ --- (3)
1
1 1
:v •------------,
1
C57
Pedal
Figura 6. 7 - Comando combinatório da figura 6.6,
executado fisicamente com componentes pneumáticos.
1
Emergência
Assim, verificando agora no circuito pneumático, é fácil ver que o atuador
só partirá do repouso para o movimento de expansão, quando os botões Ele E2
e o pedal E3 forem acionados simultaneamente. Isto produzirá um sinal Sl na
saída do elemento lógico (2), comutando a válvula controladora direcional. O
retomo do atuador será dado pelo fim de curso E4 ou pelo botão de emergência
ES, que sendo atuado, qualquer um deles, produzirá um sinal de saída S2 no
elemento lógico (3) que novamente comutará a controladora direcional.
Há casos em que a simples combinação de sinais de entrada não é
condição suficiente para determinar de forma inequívoca uma certa saída do
comando. São situações em que faz necessária a utilização de MEMÓRIAS,
trabalhando então com comandos combinatórios com memória. Além disso pode
ser necessário o uso de temporizadores e contadores nos comandos
combinatórios.
Seqüenciais são comandos de sistemas que produzem uma sequencia
predeterminada de ações, cuja passagem de uma para outra se dá em função do
cumprimento de condições de prosseguimento, de acordo com a programação.
Essas condições de prosseguimento são sinais de entrada E externos, como
também grandezas internas 1 do próprio sistema. Assim, para cada ação da
seqüência, a saída S é dada por:
S=f(E,I) (6.2)
Funções Lógicas 169
Nos sistemas automatizados de mais de um atuador, que realizam
movimentos seqüenciais, as grandezas internas 1 podem ser, por exemplo, os
fins de curso, que conforme vão sendo ativados, determinam o deslocamento do
próximo atuador, segundo uma programação predefinida. Nesse caso, trata-se de
um comando seqüencial de trajetória programada.
O dispositivo da figura 6.9 e seu respectivo circuito (figura 6.10)
exemplificam o que fora exposto.
•
170
i0
B
ª1 b1
Figura 6.8 - Dispositivo para serrar tubo de aço (comando seqüencial).
Atuador A (Morsa)
1
Atuador B (Serra)
S4 S6 --------, --,
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1 2
1
1
1
1 1
'---r---------------, ,
1 1 1
~~!
11 : 12 1 :
1 : 1
1 1 1
'----- --------- ----- ----- ----'"--------- - --- -, ,..-----------·
1 1
1 1
1 ,
A: :s
b~: i • 1
1
13 :
1
1
• 1
1
3 1
1
1
1
1
.----------- §?_ ----- ----- ____________ :
p
' 1
1 2 3
Figura 6.9 - Comando seqüencial de trajetória programada do dispositivo de corte.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A figura 6.9 exemplifica um comando seqüencial de quatro passos, de
trajetória programada, executado totalmente com elementos pneumáticos:
avanço do atuador A, avanço do atuador B, recuo do atuador B e finalmente
recuo do atuador A. O avanço do atuador A se dá a partir de um sinal externo E
que produzirá um sinal de saída Sl, comutando a válvula controladora direcional
Vc1, esta, por sua vez, produzirá um sinal S3 em Vc2, e também alimentará o
fim de curso a1, que, quando acionado pela haste do atuador A, irá produzir um
sinal de grandeza interna 11 responsável pela comutação de Vc3 •
A haste do atuador B, ao se distender, pressionará o fim de curso b1
produzindo uma grandeza interna 13 que comutará de volta Vc1 e através desta,
Vc3 , o que trará de volta a haste do atuador B. Ao retornar à sua posição inicial, a
haste pressionará o fim-de-curso b21 produzindo um sinal de grandeza 12, que
comutará de volta Vc2, provocando o retorno do atuador A e o final do ciclo.
Se, entretanto, em lugar dos fins de curso, fossem utilizados contadores de
tempo, como uma variável de estado interna para definir uma determinada
seqüência de eventos, com os sinais de temporizadores ter-se-á um comando
seqüencial de tempo programado. Podendo haver ainda o tipo misto, em que as
seqüências sejam disparadas por fins de curso e por temporizadores.
A maioria dos comandos binários de sistemas de automação se constitui
dos dois tipos definidos (combinatórios e seqüenciais). Num comando seqüencial,
cada passo é na verdade a saída de um comando combinatório, cujos sinais de
entrada são os sinais externos e internos já mencionados (E, 1).
Os comandos binários que foram definidos anteriormente, pertencem à
classe dos assíncronos, ou seja, são comandos cujo principal sinal de entrada que
provoca um sinal de saída não é gerado por um "clock", mas sim por elementos
de sinal do próprio sistema comandado, como, por exemplo, os detectores de
posição mecânicos, eletromecânicos ou eletrônicos.
6.3.1. Estrutura dos Comandos Binários
Como visto, os comandos binários podem ser puramente pneumáticos,
eletropneumáticos ou ainda pneutrônicos, estruturados conforme tabela 6.1.
/
•
Funções Lógicas 171
Tabela 6.1 - Componentes e principais métodos de projetos de comandos binários.
Pneumáticos Eletropneumáticos Pneutrônicos
Elementos
ATUADORES PNEUMÁTICOS LINEARES E ROTATIVOS
de Trabalho
Elementos VÁLVULAS DIRECIONAIS
de Comando Acionadas por pressão piloto Acionadas por solenóide
Elementos de RELÉS, CHAVES E CONTROLADORES
Processamento
VÁLVULAS PNEUMÁTICAS INTERRUPTORES NA e NF, PROGRAMÁ VEIS,
de Sinal
3/2 NA, 3/2 NF, OU, E ligados em série e em Microprocessadores,
paralelo. Circuitos integrados.
Elementos
VÁLVULAS PNEUMÁTICAS BOTÕES E INTERRUPTORES ELÉTRICOS
3/2, NA e NF e SENSORES SENSORES ELETRÔNICOS
de Sinal
PNEUMÁTICOS Sensores ópticos, magnéticos, indutivos e capacitivos.
MétodosINTUITIVO INTUITIVO
Tradicionais CASCATA,
Seqüência máxima e mínima
de Projeto PASSO A PASSO
Métodos DIAGRAMA DE KARNAUG {para comandos combinatórios)
Apoiados na MÉTODO PASSO A PASSO GENERALIZADO {para comandos seqüenciais)
Lógica Binária
6.4. A Lógica de Boole
Em 1854, o matemático George Boole, ponderou sobre o pensamento
filosófico de Aristóteles (384 - 322 a.C.), que afirmava: "é através de uma correta
seqüência de pensamentos que se chega sempre a uma correta conclusão".
George então, após vários estudos, conseguiu representar a lógica formal de
Aristóteles numa estrutura algébrica, sem todavia associá-la a qualquer tipo de
aplicação prática. Somente em 1938, C. E. Shannon, já com o advento da
eletricidade aplicada, descobriu que a álgebra booleana poderia ser utilizada para
a estrutura lógica de circuitos elétricos, aplicando-os à comutação de relés em
telefonia, desenvolvendo então os meios matemáticos para o projeto de
comandos combinatórios e seqüenciais.
A álgebra booleana apóia o projeto do processamento de sinal dos
comandos binários, não se reportando à natureza física das grandezas em jogo,
mas sim, à existência ou não de um sinal. Em conseqüência disso, as funções, os
teoremas e métodos de álgebra booleana referem-se genericamente aos sinais de
entrada e aos sinais de saída de um comando, tratados como variáveis binárias, a
serem representadas por El, E2,. .. En e Sl, S2,. .. Sn.
172 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
_/
/
/
El
E2
En
Comando
binário
Sl
S2
Sn
Figura 6.10 - Representação genérica de um comando binário.
6.4.1. Funções Lógicas Básicas
Em circuitos de comando, os estados dos dois sinais binários devem ser
definidos de maneira inequívoca.
Dessa forma, por convenção, será adotada a tabela lógica 6.2.
Tabela 6.2 - Contatos lógicos.
Contato emissor e seu estado
Convenção
conforme os acionamentos
Tipo de emissor
Tensão e Nível
Potencial
corrente lógico
NA~
'
Não Fornece o ov
NF r Fornece 1 24V
A maneira mais fácil de entender a operação de uma função lógica é
analisando os circuitos montados a partir de componentes discretos utilizando as
próprias funções lógicas básicas SIM, NÃO, E, OU.
6.4.1.1. Função Lógica SIM (Identidade)
Na função SIM a saída terá o sinal 1 quando a entrada tiver o sinal 1.
Reciprocamente, a saída será nula quando não existir sinal na entrada (Tabela
6.3) .
Funções Lógicas 173
Tabela 6.3 - Função lógica SIM.
Circuito
Representação Símbolo lógico Tabela-verdade
Pneumática
E s
T24V s o o
E~
:1ov
E--@-s 1 1
p
Equação Booleana: S=E
6.4.1.2. Função Lógica NÃO (Negação)
Na função NÃO o sinal de saída terá o valor 1 quando a entrada for Ígual a
O e valor O em caso contrário (Tabela 6.4).
Tabela 6.4 - Função lógica NÃO.
' Representação
Circuito Símbolo lógico Tabela-verdade Pneumática
E s
->-24V
s o 1 Eaüp. E
E--8-s 1 o
s
p
ov
Equação Booleana: S=E
174 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
6.4.1.3. Função Lógica E (Conjunção)
Na função E, só existirá sinal de saída quando existirem os dois sinais de
entrada (Tabela 6.5).
Tabela 6.5 - Função lógica E.
Circuito
Representação Símbolo lógico Tabela-verdade
Pneumática
F2 El s
s r24V
El~ o o o El~
El=EJ--& s
~w
E2 E2 o 1 o
El~E2
1 o o
s
1 1 1
Equação Booleana: S=El. F2
' ..
6.4.1.4. Função Lógica OU (Disjunção)
Na função OU a condição suficiente para que haja o sinal de saída é que
exista apenas um dos dois sinais de entrada (Tabela 6.6).
Tabela 6.6 - Função lógica OU.
Circuito
Representação
Símbolo lógico Tabela-verdade
Pneumática
F2 El s
t t 24V o o o El E2
E1-{Q H El=G--
l
E2 E2 :1 o 1
1 1 o
Circuito
24V
El El E2
ov
Equação Booleana: S=El + E2
Funções Lógicas 179
6.4.2.5. Função Lógica Derivada "EQUIVALÊNCIA"
Esta função lógica possui representação simbólica semelhante a duas
funções básicas E, sendo uma delas com as entradas inibidas, e a saída de ambas
sendo entradas de uma função lógica OU.
Sua representação pneumática pode ser feita por duas simples válvulas
pneumática 2/3/2 interligadas com os elementos lógicos.
Assim uma função lógica "EQUIVALÊNCIA" só terá saída ao nível lógico 1
quando não houver presença de sinal simultâneo em El e E2 (nível lógico zero),
ou quando Ele E2 tiver nível lógico 1 simultaneamente (Tabela 6.11).
Tabela 6.11 - Função lógica EQUIVALÊNCIA.
Representação
Pneumática
s
Símbolo lógico
El
E2
s
Tabela-verdade
E2 El s
o o 1
o 1 o
1 o o
1 1 o
Circuito
24V
El E2
Kl
K2
Equação Booleana: S=El. E2 + El. E2
As duas saídas Sl e 52 são complementares, e o biestável diz-se "setado" se
a saída Sl estiver ao nível lógico 1 e "ressetado" se ao nível lógico O (zero) -
Tabela 6.14.
180 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
!
\
6.4.2.6. Função Lógica Derivada "OU EXCLUSIVO"
Esta função lógica possui representação simbólica semelhante a duas
funções básicas E, sendo ambas com uma das entradas inibida (a inibição em
uma é oposta à inibição na outra), e a saída de ambas sendo entradas de uma
função lógica OU.
Sua representação pneumática pode ser feita por duas simples válvulas
pneumáticas 2/3/2 interligadas com os elementos lógicos.
Assim uma função lógica "OU EXCLUSIVO" só não terá saída ao nível lógi
co 1 quando não houver presença de sinal simultâneo em El e E2 (nível lógico
zero) , ou quando Ele E2 tiver em nível lógico 1 simultaneamente (Tabela 6.12).
Tabela 6.12 - Função lógica: OU EXCLUSIVO.
Representação
Pneumática
Símbolo lógico Tabela-verdade
E2 El s
El
E2
º' o 1
s
o 1 1
1 o 1
1 1 o
Circuito
24V
K2
El E2
Kl
Equação Booleana: S=El . E2 + El . E2
Funções Lógicas 181
6.4.2.7. Memória RS
Provém do inglês Reset - Set, que significa desarma - arma ou desaciona -
aciona, nomes dados a entradas do próprio biestável, no qual um pulso R (nesse
caso E2), coloca a saída S ao nível lógico O (zero) desarmando-a, e um pulso El
coloca a saída ao nível lógico 1 armando-a (Tabela 6.13).
Tabela 6.13 - Memória R-S.
Representação
Pneumática
s
6.4.2.8. Memória Biestável
Símbolo lógico
El=D-
E2 R S
Tabela-verdade
F2 El s
o o Mantém estado
o 1 1
1 o o
1 1 Não permitido
Circuito
24V
Um circuito biestável apresenta dois estados estáveis (0 e 1) na saída e,
pela ação de um pulso externo a uma das suas entradas, passa de um estado ou
nível lógico ao outro, lá permanecendo até que outro pulso ou estímulo seja dado
na outra entrada. Por essa característica de reter um determinado estado ou nível
lógico é que se classifica como elemento de memória.
182 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
I
Representação
Pneumática
52 51
Tabela 6.14- Memória Biestável.
Símbolo lógico
El~Sl
E2 S2
Tabela-verdade
E2 El Sl S2
o o o 1
o 1 1 o
1 o o 1
1 1 Não permitido
Circuito
El
6.5. Tabela de Correspondências, Tabela-verdade e
Equação de Boole dos Comandos Combinatórios
Vimos as portas lógicas básicas e suas combinações obtendo outras portas
lógicas (portas lógicas derivadas) . Essas combinações, em automação, podem se
estender, formando o que se denomina de Sistema Combinatório ou Comando
Combinatório .
O objetivo de idealizar o projeto de comando combinatório é a obtenção de
sua equação booleana que, por sua vez, é obtida da tabela-verdade elaborada a
partir do enunciado do comando desejado.
Para que possamos elaborar a tabela-verdade de um comando
combinatório, é sempre aconselhável iniciar pela elaboração de uma tabela de
correspondências, que deve listar de forma sistemática as variáveis de entrada e
de saída, indicando sua descrição, notação e correspondência lógica.
Funções Lógicas 183
A tabela de correspondências informará, por exemplo, que as notações
El,. .. En e Sl, ... Sn representam as variáveis de entrada e saída, com suas
correspondências lógicas El=l, E2=0, ... ou Sl=l, S2=1, ... de um mecanismo
automatizado.
6.5.1. Exemplo Prático
Um prensa pneumática de 4,8 toneladas (atuador com diâmetro de
320mm) é acionada de meio comando bimanual e/ou pedal, porém seu sistema
de segurança (grade de fechamento) só permite qualquer um dos acionamentos.
se ela estiver fechada. Assim, o acionamento da prensa só será possível com no
mínimo uma das seguintes condições satisfeitas:
• Comando bimanual acionado e a grade de proteção aberta;
• A grade de proteção fechada e o pedal acionado.
6.5.1.1. Tabela de Correspondência Lógica
Conhecidas essas condições, deve-se construir uma tabela de
correspondências em que serão listadas as variáveis de entrada e saída, suas
respectivas notações e correspondência lógica (Tabela 6.15).
Tabela 6.15 - Correspondência lógica do dispositivo de furação_.
Variáveis de Entradas Notação Correspondência Lógica
Acionamento bimanual (botão 1) El Acionado El = 1
Acionamento bimanual (botão 2) E2 Acionado E2=1
Acionamento por pedal E3 Acionado E3=1
Sensor de grade fechada E4 Acionado E4=1
Variáveis de Saída
Sinal para avanço do cabeçote s Cilindro avança S=l
6.5.1.2. Tabela-verdade
A ordem das variáveis de entrada e das combinações possíveis deve ser
colocada na tabela-verdade de uma forma sistemática para que o projetista tenha
segurança que não repetiu combinações, em detrimento de outras que poderiam
ter sido esquecidas. Colocam-se as variáveis de entrada nas colunas de tal modo
que a última variável esteja à esquerda, facilitando assim a eventual necessidade
184 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
de acrescer novas variáveis, mesmo que a tabela-verdade esteja parcialmente
pronta.
Quanto ao número de combinações possíveis, é fácil ver que por se tratar
de quatro variáveis de entrada (El, E2, E3, e E4), as quais só podem assumir os
valores lógicos O ou 1, ou seja, dois valores, na tabela-verdade vão existir então:
24 = 16 combinações possíveis
Como o leitor pode ver, as linhas 03 e 12 da tabela, na página seguinte,
satisfazem o cumprimento das condições mínimas de acionamento do atuador da
prensa de acordo com a formulação verbal do problema. Já as linhas 07, 11,
13,14 e 15 satisfazem com redundância as condições mínimas exigidas,
entretanto nada impede que essas combinações permitam o avanço da prensa. A
linha 15, por exemplo, indica que a porta de segurança está fechada e o
acionamento se dá por ambos os botões, além do pedal.
Tabela 6.16 - Tabela-verdade.
Linha E4 E3 E2 El s
00 o o o o o
01 o o o 1 o
02 o o 1 o o
03 o o 1 1 1
04 o 1 o o o
05 o 1 o 1 o
06 o 1 1 o o
07 o 1 1 1 1
08 1 o o o o
09 1 o o 1 o
10 1 o 1 o o
11 1 o 1 1 1
12 1 1 o o 1
13 1 1 o 1 1
14 1 1 1 o 1
15 1 1 1 1 1
6.5.1.3. Equação Booleana
A equação booleana do comando combinatório é obtida diretamente da
tabela-verdade, obedecendo a uma de duas formas, a saber:
Funções Lógicas 185
• Forma Canônica Disjuntiva FCD: formada com as combinações de
entrada que produzem a saída S (S= l);
• Forma Canônica Conjuntiva FCC: formada com as combinações que
não produzem a saída S (S=O).
Neste exemplo será usada a Forma Canônica Disjuntiva, em que cada
termo da equação é composto por uma combinação de variáveis da linha em que
S= 1. A equação do exemplo então, será formada pelos grupos cujos termos são
oriundos das linhas 03, 07, 11, 12, 13, 14 e 15.
--
• Linha 03 ~ Grupo03 = E4 · E3 · E2 · El
• Linha 07 ~ Grupo 07 = E4 · E3 · E2 · El
• Linha 11 ~ Grupo11 = E4 · E3 · E2 · El
--
• Linha 12 ~ Grupo12 = E4 · E3 · E2 · El
• Linha 13 ~ Grupo13 = E4 · E3 · E2 · El
• Linha 14 ~ Grupo14 = E4· E3 · E2 · El
• Linha 15 ~ Grupo15 = E4 · E3 · E2 · El
Assim:
Substituindo:
S = :f, Grupon
n3 7 115 111
2 6 114 10
Figura 6.14 - Matriz de Karnaugh com campos identificados.
Definem-se os grupamentos de onde serão obtidos os termos da equação
i5 e
D
C D
i5
A
8
o
1
3
2
A
B ..B. y Grupo 1
4 12 8
1
5 13 9
1 Grupo 2
71115 111
6 14 10
1
-
Figura 6.15 - Matriz de Karnaugh com grupamentos definidos.
Aut()mação Pneumática - Projetos, .Dimensionamento e Análise de Circuitos
Obtêm-se agora os termos da equação S, referentes a cada grupamento
definido. Observe o leitor que o campo 15, conforme fora colocado anterior
mente , está contido nos dois grupamentos.
A obtenção dos termos minimizados é bastante simples. Observe:
Grupo 1
O grupo 1 é composto pelos elementos de campo 12, 13, 15 e 14,
posicionados na matriz em forma de coluna, sob os termos "A.B". Já com relação
aos termos (e· D · D, C ·D · D), dispostos na lateral esquerda da matriz, não
participam da formação do grupo por serem anulados pela aplicação do teorema
5 e o postulado 5 de Boole (Tabela 6.19) , ou seja:
C·C+D ·D+D ·D =O (6.10)
Assim, o termo minimizado do grupo 1 será -7 Termo1 = A· B
Grupo 2
O grupo 2 é composto pelos elementos de campo 3, 7, 15 e 11,
posicionados na matriz, em forma de linha, sobre os termos "C.D". Já com
relação aos termos dispostos na parte superior da matriz, ocorre o mesmo que no
grupo 1, os termos se anulam pela aplicação do teorema 5 de boole (tabela
6.19), ou seja:
A ·A+B·B+B ·B=O (6.11)
Assim, o termo minimizado do grupo -7 T ermo2 = C ·D
A equação minimizada resultante para a saída S do comando combinatório
proposto será:
S= f Termon = Termo1 +Termo 2 =A·B+C ·D (6.12)
n=l
S = A · B + C · D 15 (6.13)
O circuito lógico resultante desta equação pode ser assim representado:
15 Embora o mapa de Kamaugh forneça a função S com boa minimização, sempre que
for possível minimizá-la mais ainda com a aplicação dos teoremas de Boole, obtendo
assim uma máxima otimização.
Funções Lógicas 193
l
E4
E3
E2
El
Figura 6.16 - Circuito lógico do comando.
Perceba o leitor que em toda a solução de comandos combinatórios sempre
valerá a seguinte relação inve_!§a: E4=A, E3=B, E2=C, El =D.
Tabela 6.20 - Elementos do mapa de Karnaugh para duas variáveis de entrada.
Matriz analítica para Karnaugh com duas variáveis de entrada
Campo
Termo do elemento de 8 si
Campo n (TECn) Ã~ - - - A 1 3 o A·B
1
- Equação do Termo n A·B
-
2
Termon = f TECn
A·B
3 A·B n ~O
Tabela 6.21 - Elementos do mapa de Karnaugh para três variáveis de entrada.
Matriz analítica para Karnaugh com três variáveis de entrada
Campo
Termo do elemento de
Campo n (TECn)
o - - - Ã 1 A A·B ·C B B B B
1
- - ctlfE A·B·C
2
- - e 1 s 1 s A·B·C
-
3 A·B·C
- -
4 A·B·C Equação do Termo n -
5 A·B·C
Termon = f TECn 6 A·B·C
7 A·B·C n ~O
194 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Tabela 6.22 - Elementos do mapa de Karnaugh para quatro variáveis de entrada.
Matriz analítica para Karnaugh com quatro variáveis de entrada
Campo
Termo do elemento de
Campo n (TECn)
- - - -o A·B·C·D
- - -1 A·B·C·D
- - -2 A·B·C·D
3 - - A 1 A A·B·C·D B B B 8 - - -4 A·B·C·D õ o 4 12 8
5 - - e 1 5 13 9 A·B·C·D D
6 - - 3 7 15 11 A·B·C·D e D
- õ 2 6 14 10
7 A·B·C·D
- - -
8 A·B·C·D
- -
9 A·B·C·D
- -
10 A·B·C·D
-
11 A·B·C·D
12 A·B':-C ·D Equação do T ermci n
-
13 A·B·C·D
Termon = f TECn 14 -
A·B·C·D
15 A·B·C·D n~O
O resultado que fora obtido nas expressões 6.12 e 6.13 pode ser
confirmado pela aplicação da tabela 6.20, apresentada logo à frente, substituindo
os campos formadores dos grupos 1 e 2 ali descritos pelos referidos elementos de
campo, aplicando então os teoremas de Boole para simplificação. É o que
mostramos em seguida.
Grupo 1
Campo Termo do elemento de Campo n (TECn)
- -12 A·B·C·D
-13 A·B·C·D
-14 A·B·C·D
15 A·B·C·D
Equação do Termo n
Termon = f TECn
n=l
Funções Lógicas 195
Termo1 =A· B · C ·D+ A· B · C ·D+ A· B · C ·D+ A · B · C · D (6.14)
Minimizando:
Termo1 =A · B ·(e ·D +C·D +C · D+C · D)
Termo 1 =A · B ·te· (D+ D)+ C ·(D+ D )J
Termo1 =A · B ·te+ C J
Termo1 =A · B · [1]
Termo 1 = A·B
(6.15)
(6.16)
(6.17)
(6.18)
(6.19)
Observe o leitor que nesta solução foram aplicadas as propriedades de
distribuição ~ os teoremas 8 e 2 de l3oole.
Grupo2
Campo
Termo do elemento de
Campo n (TEC0 )
- -
03 A·B · C·D
-
07 A·B ·C·D
-
11 A ·B ·C ·D
15 A ·B·C·D
Equação do Termo n
Termon = f, TECn
n=l
Termo 2 = A·B·C·D + A·B ·C·D + A·B ·C·D + A ·B ·C ·D (6.20)
Minimizando:
Termo 2 = C ·D · (A -B+A ·B +A ·B+A ·B) (6.21)
T ermo2 = C · D · [1 J (6.22)
196 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Termo2 =C·D (6.23)
Observe o leitor que nesta solução foram aplicadas as propriedades de
distribuição e o teorema 8 de Boole.
Somando os termos:
Assim:
S= f,Termon =Termo1 +Termo 2 =A·B+C·D
n~l
S=A·B+C·D
Confirmando assim a eficácia da aplicação do mapa de Karnaugh
Já o circuito pneumático é bastante simples de ser elaborado:
Atuador da prensa
El
E2
E3
E4
Figura 6.17 - Circuito pneumático do comando combinatório proposto.
Funções Lógicas
(6.24)
(6.25)
197
6. 7.3. Estudos de Agrupamentos em Mapas de Karnaugh
para Quatro Variáveis
A figura 6.18 apresenta a situação já comentada no item 6.7.1 em que
durante o preenchimento dos campos no mapa de Karnaugh ocorra a
possibilidade de um campo com valor 1 sem estar adjacente a outro, ou outros
campos para formação de um grupo, sendo desta forma considerado como um
grupo de um único campo.
Nesta situação apresentada, dada sua posição no mapa, pois os campos (0,
1, 3 e 2) são adjacentes aos campos (8, 9, 11 e 10), bem como os campos (0, 4,
12 e 8) são adjacentes aos campos (2, 6, 14 e 10), ele pode ser combinado com o
campo 2 ou com o campo 8, formando um novo grupo de dois campos (Grupo
2).
A A
B B B B
Grupo 1
Figura 6.18 - Mapa de Karnaugh com grupo 2 formado pela adjacência entre os campos 2 e 10.
A equaçâo final combinatória S será então:
Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3
- - - - -
Termo 2 =A· B · C ·D· A· B · C ·D
- - - -
Termo 1 =A· C ·D Termo 2 = B · B ·D · (A + A) Termo 3 =A· B · C
198
- -
Termo 2 = B · C ·D
3
S = L, Termon = Termo1 + Termo 2 + Termo 3
n=l
S = A·C·D+B·C·D+A·B·C
O que já não acontece com o mapa da figura 6.19.
(6.26)
(6.27)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Figura 6.19 - Mapa de Karnaugh com um grupo de um campo.
A equação final combinatória S será então:
Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3
- - - -
Termo 1 =A· C ·D Termo 2 =A ·B ·C · D Termo 3 =A·B·C
3
S = L Termon = Termo1 + Termo 2 + Termo 3 (6.28)
n=l
S = A·C·D+A·B·C·D+A·B ·C (6.29)
' Outras situações de campos adjacentes que merecem nossa atenção estão
listadas na figura 6.20 apresentadas em seguida:
õ e
D
C D
õ
õ e
D
C D
õ
A 1 A
B B B B
o 4 12 8
.--l-rn5 13 9
1
13 1]7 15 11
2 6 14 10
(a)
o 4 12 8
e '? 9
1 1 1 11
13 1 7 15 11
2 6 14 10
(d)
e õ
D
e D
õ e
D
C D
õ
(b)
A 1 A
B B B i3
r 14 12 8
1 5 13 9
1 1
13 1 7 15 11
2 6 14 10
1 1
(e)
e õ
D
e D
õ
õ e
D
C D
õ
i3
1
1
Figura 6.20 - Outros agrupamentos adjacentes.
Funções Lógicas
o 8
9
11
2 10
(e)
" A M
11
8
1 1
1 5 13 9
3 7 15 11
0 ~ >A o
1 1 ll
(f)
199
Na figura 6.20(a) o termo único é formado por um grupo de quatro
campos adjacentes.
Grupo= (1+5)+ (3 + 7)
(1 + 5) = A · C ·D
(3+7)=A ·C ·D
Termo= A ·C · D+A ·C ·D
1
S = :LTermon = A · D
n=l
Na figura 6.20(b) o termo único é formado por um
campos das extremidades, porém adjacentes entre si.
Grupo= (o+ 2)+ (8+10)
(o +2)= (A -B·C·D+A ·B ·C ·D)= A ·B · D
(8 +10)= (A · B ·C · D+A ·B ·C ·D)= A ·B .5
Termo= A·B·D+A·B·D
1
S= :LTermon =B · D
n=l
(6.30)
(6.31)
(6.32)
(6.33)
(6.34)
grupo de quatro
(6.35)
(6.36)
(6.37)
(6.38)(6.39)
Na figura 6.20(c) o termo único é formado por dois grupos adjacentes de
dois campos adjacentes cada.
200
Grupo= (4+12)+ (6+14)
(4 +12)= (A ·B ·C ·D +A·B ·C ·D)= B ·C ·D
(6 +14)= (A ·B ·C· D +A ·B ·C ·D)= B ·C ·D
Termo= B·C·D +B·C·D
1
S = L Termo n = B ·D
n=l
(6.40)
(6.41)
(6.42)
(6.43)
(6.44)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
.. ,., . .. ' . . ..
Na figura 6.20(d) o termo único é formado por um grupo de quatro
campos adjacentes em uma mesma linha.
Grupo= (1+5)+ (13 + 9)
(1 + 5) = (A . 8 . e . D +A . B . e. D)= A . e . D
(13 +9)= (A ·B ·C ·D +A .8 ·C ·D)= A ·C ·D
Termo= A·C·D+A·C·D
1
S = LTermo
0
= C·D
n=l
(6.45)
(6.46)
(6.47)
(6.48)
(6.49)
Na figura 6.20(e) o termo único é formado por um grupo de oito campos
adjacentes.
Grupo= (o+ 4+1+5 + 3 + 7 + 2 + 6) (6.50)
Aplicando os teoremas 5 e 4 às variáveis da esquerda e superior esquerda
do mapa.
(e. e)+ (5. o)+ (o .o)+ (B. s)+A (6.51)
S=A (6.52)
Na figura 6.20(f) o termo único é formado por dois grupos de quatro cam
pos, localizados ao extremo superior e inferior do mapa, e adjacentes entre eles.
Grupo 1=(o+4+12 + 8)
Grupo 2 = (2 + 6 + 14 + 10)
São grupos adjacentes - aplicam-se os Teoremas 5 e 14 às variáveis.
(6.53)
(6.54)
Grupo 1 =(e· D)+ (A· A)+ (B · 8)+ (B.B )= C ·D (6.55)
Grupo 2 =(e· D)+ (A. A)+ (s. 8)+ (B.B )=e. D (6.56)
S = C ·D+ C ·D= D· (e+ C) (6.57)
S =D (6.58)
Funções Lógicas 201
6. 7.4. Mapa de Karnaugh para Cinco Variáveis
O mapa de Karnaugh pode ser usado ainda para mm1m1zação de
comandos combinatórios com cinco e no máximo seis variáveis de entrada,
entretanto será apresentado aqui somente o mapa para cinco variáveis, visto que
o mapa para seis variáveis é de dificílima solução, sendo preferível e mais
adequado a partir daí o uso de Métodos Numéricos, como o de Quine-Me
Clustey, que requer para solução do algoritmo a aplicação de um computador.
O mapa de Karnaugh para cinco variáveis de entrada segue o modelo do
mapa para quatro variáveis, sendo, entretanto, duplicado e montado adjacente ao
primeiro, além de ter uma variável acrescida a cada um dos mapas (figura 6.21).
E
5
E
D E
E
e
o
1
3
2
8 B
e e
4 12
5 13
7 15
6 14
A
1
1
1
8 1 B
1
c:c e e e
8 24 28 20 16
9 25 29 21 17
11 27 31 23 19
10 26 30 22 18
Figura 6.21 - Mapa de Karnaugh para cinco variáveis de entrada.
Neste mapa, as regras para campos adjacentes são praticamente as mesmas
utilizadas para o mapa de quatro variáveis, sendo ainda que, além dos campos
adjacentes a u
1
m determinado campo, há para este um campo adjacente por
reflexo , localizado no outro mapa contíguo e que pode ser entendido se
imaginarmos os mapas sobrepostos, de forma que a posição de um dado campo
teria no outro mapa seu adjacente reflexo na mesma posição relativa, que no
caso é o campo (21) , como no exemplo seguinte.
202
E
5
E
D E
E
e
o
1
3
2
8
e
4
5
7
6
B
e e
12 8
13 9
1
15 11
14 10
A
B 8
e e e e
24 28 20 16
25 29 21 17
27 31 23 19
26 30 22 18
Figura 6.22 - Mapa de Karnaugh indicando campos adjacentes ao campo número 13.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
6. 7.5. Exercício Resolvido
A partir do mapa de Karnaugh seguinte, elabore a tabela-verdade do
comando combinatório, e obtenha sua equação completa e a minimizada.
Solução
õ e
D
C D
õ
A A
8 B B
o 4 112
1 5 13
1
13 7 15
2 6 14
1
Figura 6.23
i3
1 8
9
11
10
1
Lembrando que há correspondência entre as variáveis de entrada (E4, E3,
E2, El) e as variáveis do mapa (A, B, C, D), podemos escrever então a tabela
-verdade a partir deste:
Linha E4=A E3=B E2=C El=D s
02 o o 1 o 1
03 o o 1 1 1
05 o 1 o 1 1
08 1 o o o 1
10 1 o 1 o 1
12 1 1 o o 1
Equação retirada da tabela:
S = A BCD +A BCD + ABCD +ABC D+ AB CD+ ABC D
Equação minimizada por aplicação do mapa de Karnaugh:
S = ACD +ABC+ABCD+ABCD
6.8. Exercícios Propostos
1) A partir do mapa de Karnaugh da figura 6.20(A), elabore a tabela-verdade
do comando combinatório e obtenha a equação completa.
Funções Lógicas 203
2) Faça o mesmo com o mapa da figura 6.19.
3) Obtenha a equação minimizada do mapa de Karnaugh seguinte e faça a
verificação utilizando a tabela 6.20, conforme exemplo que fora
demonstrado no livro.
A A
i3 B B i3
i5 o 4 112 1 8
e 1 5 13 9
D 1
D 13 7 15 11
e
2 6 14 10
i5 1 1
Figura 6.24 - Mapa de Karnaugh para quatro entradas.
4) Elabore a tabela-verdade do exercício anterior:
5) Elabore a tabela-verdade e obtenha a equação minimizada por Karnaugh de
um comando combinatório cujo acionamento se dá a partir das seguintes
combinações:
• (Ele E2)
• (E2 e E3)
• (El, E2 e E3) juntas
6) Obtenha a, tabela-verdade do mapa de Karnaugh seguinte.
A A
i3 B i3 i3
e e e e e e e e
E o 4 12 8 24 28 20 16
i5 1 1
1 5 13 9 25 29 21 17
E 1 1 1
E
3 7 15 11 27 31 23 19
D 1 1 1 1 1
2 6 14 10 26 30 22 18 E 1 1 1 1 1
Figura 6.25 - Mapa de Karnaugh para cinco entradas.
7) Obtenha a equação booleana minimizada da número 6.
8) Elabore o circuito lógico da questão número 7.
9) Elabore o circuito lógico da questão número 5.
10) Elabore o circuito elétrico de comando para a questão número 5.
204 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO 7~
Controladores Lógicos
Programáveis - PLCs ...... __________________ _
7.1. Introdução
Controladores Lógicos Programáveis, comumente conhecidos sob a sigla
PLCs, do inglês (Programmable Logic Controller), são pequenos dispositivos
eletrônicos que controlam máquinas e processos. Utilizam 'uma memória
programável para armazenar instruções e executar funções específicas que
incluem controle de energização/desenergização, temporização, contagem,
seqüenciamento, operações matemáticas e manipulação de dados.
Os primeiros modelos de aplicação industrial surgiram a partir de 1969,
fazendo sucesso quase imediato. Funcionando como substitutos de relés, até
mesmo esses primeiros CLPs eram mais confiáveis do que sistemas baseados em
relés, principalmente devido à robustez de seus componentes de estado sólido
quando comparados às peças móveis dos relés eletromecânicos.
Os CLPs permitiram reduzir os custos de materiais, mão-de-obra, instalação
e localização de falhas ao reduzir a necessidade de fiação e os erros associados.
Eles ocupavam menos espaço que os contadores, temporizadores e outros
componentes de controle anteriormente utilizados. E a possibilidade de serem
programados permitiu uma maior flexibilidade para trocar os esquemas de
controle.
7.2. Características Gerais
Atualmente, aceita-se como regra geral que os CLPs tornem-se economi
camente viáveis nos sistemas de controle que exigem mais de três relés.
Considerando o baixo custo dos micro-CLPs e o fato de os fabricantes colocarem
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 205
grande ênfase na produtividade e qualidade, a questão do custo deixa
praticamente de existir.
Além das reduções nos custos, os CLPs oferecem outros benefícios de valor
agregado:
• Confiabi/idade. Depois de escrito e depurado, um programa pode ser
transferido e armazenado facilmente em outros CLPs, o que reduz o
tempo de programação, minimizando a depuração e aumentando a
confiabilidade. Considerando ainda toda a lógica existente na memória
do CLP, é inexistente qualquer possibilidade de erro lógico por conta de
fiação, pois a única necessária é a do fornecimento de energia e para as
entradas e saídas do equipamento.
• Flexibilidade. Qualquer modificação necessária ao programa é feita
com um mínimo de digitação, dadas as características das linguagens
comumente utilizadas. Além de que inexiste praticamente o perigo de o
usuário final modificar o programa, salvo se for capacitado e
autorizado, e tiver em mãos o mecanismo necessário à interface (PCe
cabo de interface, ou um Terminal Portátil de Programação - "Hand
-Held Programmer - HHP") .
• Funções Avançadas. São capazes de realizar uma grande variedade de
tarefas de controle, desde simples e repetitivas até a manipulação de
dados complexos.
• Comunicações. Os vários CLPs existentes em uma unidade fabril
podem comunicar-se mutuamente, sendo interligados a um CPL
mestre, e este ainda a um PC, que permita o monitoramento dos
diversos processos que estejam se desenvolvendo dentro da fábrica,
bem como a reprogramação de qualquer um dos diversos terminais de
CLPs. Podendo ainda comunicar-se com um modem que receba
instruções via Internet.
• Velocidade. Em função de sua rápida capacidade de contar e responder
pulsos (2000 a 6000 pulsos por segundo) , são por isso especialmente
indicados nas aplicações industriais que requeiram o uso de sensores
destinados à contagem de eventos rápidos, como a passagem de
grande número de peças por unidade de tempo.
• Diagnóstico. A capacidade de localização de falhas dos dispositivos de
programação para que os usuários localizem e corrijam rapidamente os
problemas de software e de hardware.
206 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. '.'"
7.2.1. Características Técnicas
Além destas características, os CLPs são capazes ainda de:
• Realizar instruções lógicas de relé
examinar se energizado (contatos normalmente abertos NA)
examinar se desenergizado (contatos normalmente fechados NF)
energizar saída (bobinas)
energizar saída com retenção
monoestável sensível à borda de subida
• Temporizador
temporizador na energização
temporizador na desenergização
temporizador retentivo
• Contadores crescentes e decrescentes
• Contador de alta velocidade
• Realizar operações matemáticas
adição
subtração
divisão
multiplicação
zeramente
raiz quadrada
• Realizar instruções lógicas boolenas
E (ANO), OU (OR), OU exclusivo (XOR), Negação (NOT)
• Realizar instruções de comparação
=, #,,~
limite
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 207
• Realizar manipulação de dados
- movimentação, movimentação com máscara
- FIFO e LIFO (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair; Último a Entrar,
Último a Sair)
- Conversão BCD em binário
- Conversão binária em BCD
• Realizar instruções específicas da aplicação
seqüenciador
deslocamento de bits
• Realizar fluxo de programa
sub-rotina
MCR (Controle de Desenergização de Zona)
Entrada ou saída imediata com máscara
temporização selecionável e saltos
7.3. Aplicações do CLP
Os CLPs são ideais para controlar máquinas e processos discretos e
independentes. Muitas aplicações, controladas atualmente por relés e/ou
controladores 1 dedicados (circuitos para controle sem flexibilidade de
reprogramação), estão migrando para os micro-CLPs.
7.4. Operação do CLP
Para conhecer o princípio funcional dos CLPs, é necessário que façamos
uma rápida análise de seus componentes. Todos os CLPs, dos micros aos
grandes CLPs, usam os mesmos componentes básicos e estão estruturados de
forma similar. Os sistemas CLP consistem em:
• Entradas
• Saídas
• Unidade Central de Processamento (Central Processing Unit - CPU)
• Memória para o programa e armazenamento de dados
• Fornecimento de alimentação
208 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
• Dispositivo de programação
• Interfaces de programação
7.4.1. Entradas
Os terminais de entrada conectados no CLP formam a interface pela qual
os dispositivos de campo são conectados ao CLP.
As entradas incluem itens como botões, chaves thumbwheel, chaves limite,
chaves seletoras, sensores de proximidade e sensores fotoelétricos.
El ~-------i
E2 ~-------i
F.3 ~-------i
Isolamento
óptico
Dispositivos de programação/
comunicação
t
Unidade central
de processamento
_J; ~M-emória----'------.l
/ programa dados
Fonte de alimentação
(/)de funcionamento dos controles de iluminação
residencial ( dimmers).
7.4.3. Unidade Central de Processamento - CPU
A CPU (Unidade Central de Processamento) é a responsável pelo
armazenamento do programa aplicativo e sua execução. Ela recebe os dados de
entrada, realiza as operações lógicas baseada no programa armazenado e atualiza
as saídas. Consta de um processador, memória de programa (não-volátil),
memória de dados, relógio de tempo real {para disparo de eventos em datas e
horários determinados), watch-dog timer (reinicializa o processador no caso do
programa "pendurar") e fonte de alimentação.
7.4.4. Memória
A memória é um espaço físico e os dados são informações armazenadas
nesse espaço. A CPU funciona exatamente como um computador: ela manipula
os dados usando dígitos binários, os bits. O bit é uma localização discreta dentro
de uma pastilha de silício (chip). Ele pode estar submetido à tensão, sendo,
portanto, lido como 1 (energizado), ou não estar submetido à tensão e, então,
seu valor será O (desenergizado) , portanto os dados são um padrão de cargas
elétricas que representam um valor numérico.
7.4.5. Dispositivo de Programação/Comunicação
O terminal de programação é um dispositivo que, conectado
temporariamente ao CLP, permite introduzir o programa aplicativo, fazendo com
que este se comporte conforme a necessidade de controle de processo do
usuário . Além disso, o terminal de programação permite, muitas vezes, monitorar
o programa aplicativo, ou seja, visualizar em tempo real o programa sendo
executado, ou ainda executá-lo passo a passo. Alguns CLPs permitem, inclusive,
a simulação do programa aplicativo (sua execução apenas no terminal de
programação, com fins de depuração) .
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 211
Atualmente, o mais usual é a utilização de um microcomputador IBM-PC
compatível como terminal de programação (na versão desktop ou laptop, para
programação em campo). Os fabricantes de CLPs disponibilizam os softwares de
programação (que rodam sob DOS ou Windows) e cabos para conexão ao CLP
(normalmente, pela porta serial do micro e, mais raramente, pela porta paralela).
7.4.6. Fonte de Alimentação
A fonte de alimentação fornece energia aos elementos eletrônicos internos
do controlador, converte a tensão de entrada em uma forma utilizável e protege
os elementos do CLP contra os picos de tensão.
Como a maior parte das instalações passa por flutuações de tensão na
linha, as fontes de alimentação dos CLPs são projetadas para manter a operação
normal, mesmo quando a tensão varia entre 10 e 153. As quedas e surtos de
tensão são causados por quedas na rede pública ou partidas/paradas de
equipamentos pesados (tais como motores e máquinas de solda). Em condições
particularmente instáveis de tensão, talvez seja necessário instalar um
estabilizador de tensão entre o CLP e a fonte primária de tensão.
7.4. 7. Ciclo de Operação
A lógica que avalia a condição dos pontos de entrada e dos estados
anteriores do CLP, executando as funções desejadas e acionando as saídas, é
chamada de programa aplicativo ou simplesmente programa do CLP.
1
Para isso, o CLP lê ciclicamente as entradas, transferindo-as para uma
memória imagem (que recebe em cada endereço correspondente a uma entrada
o seu valor - O ou 1 no caso de entradas digitais, ou um valor numérico no caso
de entradas analógicas).
De posse da memória imagem e dos estados internos gerados pelos ciclos
de execução anteriores, o CLP gera uma memória imagem das saídas conforme
as operações definidas no programa.
Por fim, a memória imagem das saídas é transferida para as saídas (valor O
ou 1 causa o desligamento ou acionamento de uma saída digital, ou um valor
numérico modifica o valor de corrente ou tensão de uma saída analógica).
Como para qualquer controle ou automatização é necessário o maior grau
de paralelismo possível (em qualquer processo sempre pode ocorrer mais de um
evento diferente ao mesmo tempo), é empregado nos CLPs um método que
simula paralelismo.
212 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
" - - .
Nesse método os parâmetros de entrada (estado de ligações e valores de
variáveis) são mantidos numa tabela acessível por qualquer um dos blocos de
instrução que esteja sendo interpretado (memória imagem das entradas). Uma
segunda tabela (memória imagem das saídas), com os resultados produzidos pela
interpretação de cada bloco, vai sendo montada à medida que os blocos vão
sendo lidos e interpretados.
Assim, cada bloco pode utilizar qualquer um dos parâmetros de entrada
sem que eles sejam alterados devido à interpretação de algum outro bloco.
Depois, no final do ciclo, a tabela de saída (com os resultados) é movida
diretamente para a tabela de entrada para que os novos valores estejam
disponíveis igualmente para todos os blocos no próximo ciclo.
É fácil perceber que esta forma de funcionamento faz com que todos os
blocos sejam interpretados em paralelo, o que permite a elaboração de
programas segmentados, em que cada parte pode controlar um processo indepe
ndentemente e ao mesmo tempo que as demais.
Este paralelismo, operado em
ciclos, faz com que a atualização da
saída de um bloco de instrução para a
entrada de um ou mais blocos demore o
equivalente ao tempo de um ciclo. Essa
demora, ou atraso, deve ser considerado
no planejamento de um programa, pois
a conexão "encadeada" de, por exem
plo, dez blocos de instrução terá um
atraso de dez ciclos desde o estímulo na
entrada do primeiro bloco até a saída no
último. Com um tempo de ciclo de 1/16s
(característico de alguns CLPs mais
simples), isto resultaria em um atraso de
0,625 segundos.
7.4.8. Interface de Operação
Visualização
do ciclo
de operação
Figura 7.2 - Ciclos de operação dos CLPs.
O painel frontal de um CLP possui uma série de luzes indicadoras que
fornecem informações referentes à alimentação, operação, falha e estado de E/S
(entradas e saídas). Para comunicar-se com o CLP, ou seja, inserir dados ou
monitorar/controlar o estado da máquina, as interfaces tradicionais de operação
incluem botões, chaves thumbwheel, lâmpadas-piloto e displays numéricos.
Há no mercado uma nova geração de dispositivos, dotados de displays
alfanuméricos, que podem ser conectados ao CLP via porta RS-232 e ficar junto
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 213
a este, acoplado à máquina, fornecendo informação em forma de texto (exemplo
"Motor 1 Ligado") dos processos que estão sendo executados pelo CLP,
reduzindo assim a necessidade de treinamento do operador da máquina.
Chave impulso
+-----..,.-t --r--
1 Entradas ~
o>
·::;.~
~~
--cr-
"'N E,....,
·-u
além de muito pesadas para serem realizadas em ladder.
Há ainda no mercado, lançado há poucos anos, um pequeno CLP que
possui apenas 4 l/Os, admitindo expansão para mais 8 l/Os (I/Os - Entradas e
Saídas), em que a programação é feita via diagrama de blocos. Sua simplicidade
permite um custo final relativamente reduzido quando comparado aos demais
CLPs e atende muito bem a pequenas automatizações.
Em verdade, muitos fabricantes desenvolvem sua própria linguagem de
programação baseada em uma combinação de linguagem Booleana, lógica
ladder e expressões mnemônicas, resultando em algumas expressões diferentes.
7.5.1. Diagramas Elétricos úidder x Programação úidder
Como fora colocado, a linguagem de programação ladder evoluiu a partir
dos diagramas ladder elétricos, que representam a maneira como a corrente
elétrica circula pelos dispositivos de forma a completar um circuito elétrico.
, ______ Alimentação _____ _
VccNca
Botão 1 Botão 2
Parada NF Partida NA
Contato
auxiliar de selo NA
Motor
figura 7.4 - Exemplo de um diagrama elétrico ladder - se for ligado o botão de partida 2, haverá
continuidade no circuito ligando o motor, e seu desligamento dar-se-á pressionando o botão l.
O programa em linguagem ladder do CLP, para este diagrama elétrico, é
bastante semelhante, mudando apenas os símbolos utilizados para chaves,
contatos e sensores (entradas), e dispositivos a serem acionados (saídas). Uma
outra diferença é que, em um diagrama elétrico, descrevem-se os dispositivos
como abertos ou fechados (NA ou NF). Em um programa ladder, as instruções
são verdadeiras ou falsas (estes termos são usados indiscriminadamente).
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 215
Instrução
de condição
Parada Partida
1/1 1/2
~';,____________,
Contato
auxiliar de selo
Instrução
de controle
Motor-MI
Figura 7.5 - Programa ladder para acionamento do motor do circuito anterior.
7.5.2. Instruções em Linguagem de Programação Ladder
7.5.2.1. Instruções Básicas
As instruções mais freqüentes utilizadas na linguagem de programação
ladder são "Normalmente Aberto" (NA), "Normalmente Fechado" (NF) e a
instrução "Energizar Saída" (Tabela 7.6), as quais são representadas na forma de
símbolos colocados nas linhas do programa.
Tabela 7.1 - Simbologia de instrução básica.
Símbolo Descrição
---j t-- Contato NA (Aberto)
Função SIM
----M---
Contato NF (Fechado)
Função NÃO
----{ )- Saída (Energizada)
--(/f-- Saída (Não Energizada)
7.5.2.2. Instruções Avançadas
A lógica de relés é adequada para operações simples de sensoriamentos e
controle (on/off), mas outras aplicações podem exigir instruções mais poderosas.
Para atender a esta necessidade, foram desenvolvidos comandos avançados em
linguagem ladder. Essas instruções lidam com dados numéricos mais complexos
que os valores 1 e O, manipulando os dados em bytes ou palavras. Entre os
exemplos de instruções avançadas estão os contadores, temporizadores,
seqüenciadores, operações matemáticas, comparação e outras operações que as
instruções NA, NF e OTE ( energizar saída) não podem realizar.
216 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Para simplificar a implementação dessas operações, as instruções
avançadas são normalmente representadas na forma de blocos funcionais na
linguagem de programação ladder. Conforme se vê na figura 7.6, os blocos
funcionais são programados literalmente como blocos na linha de um programa
ladder. Dependendo da operação deles, as instruções podem ser de condição
(exemplo instruções de comparação) ou de controle (exemplo instruções de
temporizador ou contador).
Abaixar cancela
CTU
Nº de veículos
na garagem
Counter UP
,___ _ __, >--------1/0
0 /0
Partida NA
1/1
010
Solenóiide
t----~
TON
Tempo
executado
de 10 segundos
T4:0/DN O/~
]l[---S-1ol;o6id• ;
Temporizador de 10 segundos
t-----1 t-------. Timer on delay EN~
ON) 1
Solenóide Timer
Time base
Preset
Accum
T4:0
1.0
10
o
Figura 7.10 - Programa ladder para desenergização de um solenóide após um tempo determinado.
Linha O
• Esta é a linha que controla a saída 0/0. Observe que foi acrescentada
uma instrução de normalmente fechada em série com a saída. Essa
instrução de condição tem o endereço do bit referente ao tempo
executado, T4:0/DN do temporizador na linha 1. É a 'inclusão dessa
instrução que eria a operação de desenergização da linha.
Linha 1
• Essa linha contém um temporizador na desenergização cujo endereço é
T4:0. Quando a saída 0/0 da linha O tiver sido energizada, o
temporizador começa a marcação do tempo. Observe o leitor que a base
de tempo na instrução de temporizador está indicada um segundo (Timer
Base 1.0). Isto significa que o temporizador marcará o tempo em
incrementas de um segundo. Observe também que o tempo pré
-selecionado é 10 (Preset 10). Isto significa que o temporizador terminará
a marcação do tempo depois de um período de 10 incrementas de um
segundo, um total de dez segundos. Nesse momento, o bit T4:0/DN
referente ao tempo executado na linha 2 ficará energizado. Isto
desenergizará a instrução de normalmente fechado T4:0/DN na linha O,
desenergizando a saída.
7.5.3.5. Contagem Crescente/Decrescente
Um sistema de controle de movimentação de peças utiliza-se de um con
tador crescente/decrescente para evitar a formação de gargalo (bottle neck) na
linha de escoamento de um determinado produto. O processo Pl ocorre à velo
cidade maior que o processo P2, por isso é necessário que a cada determinado
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs 221
número de peças que cheguem ao processo P2, o processo Pl seja travado, só
reiniciando quando a última peça do processo P2 tenha sido recolhida.
Sensor de contagem
crescente
El
Processo
Pl
Sensor de contagem
decrescente
E2
Peças
Processo
P2
Figura 7.11 - Controle de parada e partida da esteira e processo Pl mediante finalização de um
número N de peças em espera pela conclusão do processo P2.
222
Linha O
Linha 1
El
Sensor de
contagem
crescente
r=:orde
ntagem
escente
Linha 2
CS:O/DN
Contador no valor
pré-selecionado
Linha 3
CTU CDl COUNTUP
Counter CS:O
Presei 5 DN)
Accum o
CTD CDl COUNTDOWN
Counter CS:O
Presei 5 DN)
Accum o
Sl~ Parar esteira e
processo Pl
H:~r~~~~~~E!~
1 co~tador conta;or 1
Figura 7.12 - Programa ladder.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Linha O
• Essa linha contém uma instrução de contagem Crescente com endereço
CS:O. Cada vez que o sensor do processo Pl for ativado pela presença de
uma peça, a entrada El mudará de Falsa para Verdadeira e o contador
aumentará uma unidade em sua contagem.
Linha 1
• Essa linha contém uma instrução de contagem Decrescente. Observe que
ela tem o mesmo endereço da instrução de contagem crescente na linha
O, CS:O. Cada vez que o sensor do processo P2 for ativado, a instrução de
condição toma-se Falsa e o contador diminui sua contagem em uma
unidade.
É importante notar que qualquer número de instruções de condição pode fazer
parte da linha que controla a instrução de contagem. Sempre que o estado da
linha passar de Falso para Verdadeiro, uma instrução de contador crescente incre
mentará uma unidade e uma contagem Decres~el'lte diminuirá em uma unidade.
Linha 2
• Esta é a linha que controla a saída Sl. Quando o número da contagem
acumulada no contador atinge ou excede o valor pré-selecionado do
contador, o bit executado CS:O/DN toma-se energizado, energizando a
saída Sl.
Linha 3
• Esta é a linha de rearme. Quando a instrução da condição E3 é energi
zada, o valor acumulado do contador é zerado, reiniciando o processo
Pl.
7. 6. Alguns CLPs Comerciais
Figura 7.13 - CLP de baixo custo com 4 l/Os
(indicado para pequenas automações) .
Programação por linguagem de blocos -
Aceita expansão de mais 8 l/Os - Mod. µDX
100. Fonte: Catálogo DEXTER.
Controladores Lógicos Programáveis - PLCs
Figura 7.14- CLP de médio custo (ir.clicado
para pequenas e médias automações) .
Programação em linguagem ladder -
Expansível até 100 l/Os - Mod. FEC
Fonte: Catálogo PNEUMATIC FESTO.
223
Figura 7.15 - CLP de elevado custo (indicado para controle de grandes automações com
REDES FIELD-BUS) . Programação em linguagem ladder, lista de instruções ou linguagem
de alto nível - Expansível até 4000 !/Os - Mod. IPC. Fonte: Catálogo PNEUMATIC FESTO.
7. 7. Exercícios Propostos
1) Elaborar um programa ladder para as seguintes funções lógicas:
S = (El + E2)· E3
S = (El · E2 + El · E2 )· E3 + (E4 + ES ). E2 · ES
S = E2 · (El + E3 )+ El · E4
2) Elaborar um programa de alarme para carro, que ligue a luz interna e a
buzina, se qualquer uma das quatro portas for aberta com a chave na
ignição.
1
3) Elaborar o programa ladder para o seguinte circuito lógico:
224
El-....---1
t-----Sl
Temporizador com retardo na ligação
(energiza S2 15 seg. depois)
/
t1 o
1--...___, 1----i t----- S2
.._ ____ __....._ __________ ~S3
Figura 7.16
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO 8~
Projeto de Comandos
Combinatórios e Seqüenciais
...... __________________ ....
8.1. Introdução
Como fora visto no capítulo 6 "Funções Lógicas", nos comandos combi
natórios um sinal de saída S ocorre sempre em função de uma combinação lógica
de sinais de entrada E.
S = f (E) (8.1)
Já os seqüenciais são comandos de sistemas que produzem uma seqüência
predeterminada de ações, cuja passagem de uma para outra se dá em função do
cumprimento de condições de prosseguimento, que são originadas por sinais de
entradas externas "E" e internas"!", de acordo com a programação.
S=f(E,1) (8.2)
Nesse último capítulo, estes dois tópicos são abordados de uma forma
resumida, já que não é escopo desta obra aprofundar-se neste tema, mas sim,
como ocorreu com os capítulos anteriores, estudá-lo de uma forma mais genérica,
além da quantidade de informações que deveria ser analisada em maiores
detalhes, o que consumiria pelo menos mais umas 200 páginas.
8.2. Projeto de Comandos Combinatórios
Serão abordados em seguida três tipos distintos de comandos combi-
natórios:
• comandos combinatórios simples;
• comandos combinatórios com memória;
• comandos combinatórios com temporizadores e contadores.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 225
8.2.1. Comandos Combinatórios Simples
São caracterizados pelo fato de que cada combinação lógica de sinais de
entrada corresponde a uma única saída. As saídas são funções lógicas unívocas dos
sinais de entrada e não há necessidade de outros sinais para sua saída.
No exemplo prático (6.5.1) do capítulo 6, foi delineado um exemplo de
comando combinatório simples, cujas etapas podem ser assim descritas:
FORMULAÇÃO VERBAL DO PROBLEMA
Etapa inicial em que é feito o enunciado do problema com as
condições para as variáveis de entrada "E" que
resultarão na variável de saída "S" .
1
ELABORAÇÃO DA TABE_LA DE CORRESPONDÊNCIA
LOGICA
Etapa em que é descrita cada uma das variáveis de entrada e
seu respectivo estado lógico (O ou 1), bem como o da variável
de saída.
1
ELABORAÇÃO DA TABELA-VERDADE
Etapa em que serão tabeladas as entradas "E" e saída "S"
com seus estados lógicos assumidos nas 2" combinações.
1
ELABORAÇÃO DO DIAGRAMA DE KARNAUGH-VEITCH
Etapa em é elaborado o Diagrama de Karnaugh-Veitch a partir
da tabela-verdade, e obtém-se então a equação booleana
minimizada.
1
ELABORAÇÃO DO DIAGRAMA LÓGICO
Etapa em que a partir da equação boolena minimizada, e com
o auxílio da representação simbólica das funções lógicas, é
elaborado o diagrama lógico do comando.
1Automático (Parada sem Completar o Curso Iniciado) 154
5.6.5. Comando Repetitivo ou Automático ............................................ 156
5.7. Dispositivos de Regulação ........................................................... ........ . 160
5.7.1. Potenciômetro .............................................................................. 160
5.7.2. Reostato ...... ....... ............... .... ..... ...... .... .... .. .......... .... ......... ........... 160
5.7.3. Transformador ............................................................................. 160
5.7.4. Relé de Tempo com Retardo na Ligação ....... ............. ................. 161
5.7.5. Relé de Tempo com Retardo no Desligamento ............................ 161
5.7.6. Contador de Impulsos Elétricos ............................ ................ ....... . 162
5.7.7. Contador de Impulsos Pneumáticos .............. .... .. ......................... 162
5.8. Dispositivos de Sinalização ................................................ , .................. 163
5.8.1. Indicador Acústico .... ......... ...... ...... ...... .... .. ..... ... ..... ..... ... ... .. ......... 163
5.8.2. Indicador Visual ........................................................................... 163
5.9. Exercícios ........................................... .... ......................... ..... ... ... ....... ... 164
Capítulo 6 - Funções Lógicas ......... ......... ....... .... ....... .. .... .. .. ... ...... ...... ....... . 165
6.1. Introdução ........................................................................................... 165
6.2. Sinais Analógicos, Binários e Digitais ................................................... 166
6.3. Comandos Binários ............................................................................. 167
6.3.1. Estrutura dos Comandos Binários ....................................... ......... 171
6.4. A Lógica de Boole ..................................................................... ... ....... 172
6.4.1. Funções Lógicas Básicas ...................................................... .... .... 173
6.4.2. Combinação das Funções Lógicas Básicas (Funções Derivadas). 176
6.5. Tabela de Correspondências, Tabela-verdade e Equação de
Boole dos Comandos Combinatórios .... .......... ... ......... ........... ....... .. .... ... ..... 183
6.5.1. Exemplo Prático ........................................................................... 184
6.6. Postulados, Propriedades e Teoremas de Boole .. ..... .......... .................. 187
6.6.1. Postulados ..... ... ............. ......... ...... .............. .... .. .................. .......... 187
6.6.2. Propriedades ........ .... .. ..... ....... ... ........................ ....... ...... .. ............ 187
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 13
6.6.3. Teoremas de Boole ....................................................................... 188
~.7. Simplificação das Equações Booleanas ....................... ...... .... ..... .. ... .. ... 188
6. 7 .1. Minimização pelo Método Analítico .............................................. 189
6.7.2. Minimização pelo Método Gráfico - Diagrama de
Karnaugh-Veitch (KV) .... ... ... .... ........................ ......... ... ... ............... ..... .... 190
6.7.3. Estudos de Agrupamentos em Mapas de Karnaugh para
Quatro Variáveis .... ....................................... ..................... ... .................. 198
6.7.4. Mapa de Karnaugh para Cinco Variáveis ............. ....... .......... ... ..... 202
6.7.5. Exercício Resolvido ....................................................................... 203
6.8. Exercícios Propostos ......................................... .. .. ... ............. ........ ........ 203
Capítulo 7 - Controladores Lógicos Programáveis - PLCs .................... 205
7 .1. Introdução ............................ .. .................. .. .............................. .... ... .... . 205
7.2. Características Gerais ... ... .............. .. ................... ......... ... ............. .. ........ 205
7.2.1. Características Técnicas ................................................................ 207
7.3. Aplicações do CLP .... .. ......... ..... .. ................................ .. ... ..... ... ..... .... .. . 208
7.4. Operação do CLP .......................... .. ....................... .................. ....... ..... 208
7.4.1 . Entradas ............. .............. .... ... .. .. ................................................. 209
7.4.2. Saídas ... ................................................ .. ......... .. .... ........ ............... 210
7.4.3. Unidade Central de Processamento - CPU .......................... ... ....... 211
7.4.4. Memória ............................................................... ... ....... ... ... ... ... .. 211
7.4.5. Disp6sitivo de Programação/Comunicação .................. ...... ..... ..... . 211
7.4.6. Fonte de Alimentação ... ...... .. ........................................ ...... .... ..... . 212
7.4.7. Ciclo de Operação ........................................................................ 212
7.4.8. Interface de Operação ................................................................... 213
7.5. Linguagens de Programação ................................................................ 214
7.5.1. Diagramas Elétricos Ladder x Programação Ladder .. ...... ... ...... ... . 215
7.5.2. Instruções em Linguagem de Programação Ladder ...................... 216
7.5.3. Programas Exemplo ..................................................... .... ....... ...... 218
7.6. Alguns CLPs Comerciais .............. ... .. ... ................................ .. ...... ......... 223
7. 7. Exercícios Propostos ............................................................................. 224
Capítulo 8 - Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais ... .... 225
8.1 . Introdução ............................................................................................ 225
8.2. Projeto de Comandos Combinatórios .......... ......................................... 225
14 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
8.2.1. Comandos Combinatórios Simples .............................................. 226
8.2.2. Comandos Combinatórios com Memória ..................................... 233
8.2.3. Generalização da Função Memória .............................................. 240
8.2.4. Travamento e Intertravamento da Função Memória .................... 240
8.2.5. Comandos Combinatórios com Temporizadores e Contadores .... 241
8.3. Projeto de Comandos Seqüenciais ....................................................... 249
8.3.1. Análise de Comando Seqüencial. ................................................. 250
8.3.2. Esquema de Processo .................................................................. 250
8.3.3. Formulação Verbal do Problema .................................................. 252
8.3.4. Representação Gráfica do Comando Seqüencial ......................... 253
8.3.5. Diagrama Funcional ..................................................................... 254
8.3.6. O Método Passo a Passo e Diagrama Funcional em
Comandos Seqüenciais .......................................................................... 256
8.3.7. Diagramas e Circuito do Dispositivo de Termoformagem ............... 264
8.3.8. Diagramas Funcional e Lógico do Dispositivo de Dobra do
Capítulo 1 .............................................................................................. 267
8.4. Exercícios ............................................................................................. 269
Apêndice A - Normas e Tabelas ................................................................. 271
A.1. Simbologia Pneumática Normalizada ..................................................EXECUÇÃO FÍSICA DO COMANDO
Etapa em que é escolhida a tecnologia a ser aplicada na
execução física do comando, se por pneumática pura,
eletropneumática (solenóides e relés), ou pneutrônica
(CLP, sensores, microprocessadores, etc.).
Figura 8. i - Etapas de um comando combinatório simples.
226 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Recordemos, pois, as etapas citadas, aplicadas a um novo exemplo:
8.2.1.1. Projeto de um Dispositivo de Fechar Caixas de Madeira
Formulação Verbal do Problema e Ilustração
O dispositivo deve consistir em um atuador linear pneumático de duplo
efeito, fixo na vertical, para baixo, ao centro de uma estrutura. Na extremidade
do atuador, haverá fixada uma grade dotada de rodízios os quais possibilitam seu
deslocamento, centrado, no sentido ascendente e descente. A grade possui
adaptados a ela, quatro grampeadores pneumáticos, abastecidos cada um com
um pente de 200 grampos.
O sistema pode ser acionado por comando bimanual ou por pedal,
entretanto, no compartimento de grampos de cada grampeador, existirá um
sensor que indica se há presença ou não de grampos em cada um deles. Os
sensores são ligados em série, resultando assim em um único sinal de entrada;
portanto, caso algum deles detecte a falta de grampos, o sinal será cortado,
bloqueando qualquer possibilidade de comando, além de uma luz amarela de
alarme que será ligada. Somente com o abastecimento do grampeador ou
grampeadores o sistema será desbloqueado e a luz desligada.
Figura 8.2a - A caixa de madeira com a
tampa sobreposta é posicionada
manualmente entre as cantoneiras.
Figura 8.2b - O botão ou pedal de disparo
é acionado. Se houver grampos nos
grampeadores, eles serão baixados sobre
a tampa e disparados, fixando-a na caixa.
O sistema proposto em verdade é seqüencial, pois o disparo de grampos
dos grampadores para a fixação da tampa dar-se-á somente após eles atingirem a
superfície da tampa. Esse acionamento é, portanto, uma entrada interna, que
nesse caso representaremos por "E6", mas não participa do cálculo.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 227
r
Elaboração da Tabela de Correspondência Lógica
Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica
Acionamento bimanual (botão 1) El Botão acionado El=l
Acionamento bimanual (botão 2) E2 Botão acionado E2=1
Acionamento por pedal E3 Pedal acionado E3=1
Detector de grampos E4 Grampeador abastecido E4=1
Sistema ligado (Chave geral) E5 Botão-chave acionado E5=1
Variáveis de saída
Atuador pneumático Sl Haste avança Sl=l
Lâmpada de alarme S2 Ligada S2=1
Elaboração da Tabela-Verdade
L E5 E4 E3 E2 El Sl S2 L E5 E4 E3 E2 El Sl S2
00 o o o o o o o 16 1 o o o o o 1
01 o o o o 1 o o 17 1 o o o 1 o 1
02 o o o 1 o o o 18 1 o o 1 o o 1
03 o o o 1 1 o o 19 1 o o 1 1 o 1
04 o o 1 o o o o 20 1 o 1 o o o 1
05 o o 1 o 1 o o 21 1 o 1 o 1 o 1
06 o o 1 1 o o o 22 1 o 1 1 o o 1
07 o o 1 1 1 o o 23 1 o 1 1 1 o 1
08 o 1 o o o o o 24 1 1 o o o o o
09 o 1 o o 1 o o 25 1 1 o o 1 o o
10 o 1 o 1 o o o 26 1 1 o 1 o o o
11 o 1 o 1 1 o o 27 1 1 o 1 1 1 o
12 o 1 1 o o o o 28 1 1 1 o o 1 o
13 o 1 1 o 1 o o 29 1 1 1 o 1 1 o
14 o 1 1 1 o o o 30 1 1 1 1 o 1 o
15 o 1 1 1 1 o o 31 1 1 1 1 1 1 o
228 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
.. ··- ., .. ' ., ''' , .. ' ' ' .
Elaboração do Diagrama de Karnaugh- Veitch
Diagrama 1
Para que ocorra a alimentação do atuador, a saída Sl = 1 estará ativa nas
linhas 27, 28, 29, 30 e 31.
A A
1
' 8 B ' B 8 1
e - 1 - e e e e: e ~e e
E o 4 12 8 2• 28 20 16
õ 1
1 5 13 9 2 29 21 17
E 1
E
3 7 15 11 r i-H 23 19
D 1
E
2 6 14 10 :ti $0 22 18
1
'--"
Figura 8.3
Equação minimizada:
Sl = f Termon =ABC+ ABDE = AB (C +DE), (8.3)
n=l
Diagrama 2
Para que ocorra o bloqueio de sistema mediante o sinal dos detectores de
grampos, a saída S2= 1 estará ativa nas linhas 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23.
A
' 1
8 B ' B 8 ' e - ' - e e e c:c e e
E o 4 12 8 24 28 20 16
õ 1 1
1 5 13 9 25 29 21 17
E 1 1
E
3 7 15 11 27 31 123 119
D
2 6 14 10 26 30 22 18 E 1 1
Figura 8.4
Equação minimizada:
S2 = f Termon = AB (8.4)
n=l
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 229
Elaboração do Diagrama Lógico
E5
A
AB
E4
B AB(C+DE)
51
e
E3 C+DE
D
E2
El
E
AB
t-------52
Figura 8.5
Execução Física do Comando (Solução Pneumática)
230
.g iã
e 'O
"' 3-E ...
8 8.
o -;a
'O ::i
§ ~
§ .ê
u.o
Chave geral
(Travamento com chave) 53
Grampeadores
(Fim de curso) ,------------..-----•--- ..... ----,
E~~!~ ----------: é (5) ~ ~
~-~ ___________ ; ________ ;
1 1
1 1
+.---- :
1 :
-----:::i..lr'1rl-i :
1 1
mx_::~; __ _
-----E3---~,----~r-- --- _ ' y
1 1
1 '
1 1
1 1
1 '
1 1
1 '
' 1
1 1
' 1
1 1
' 1
E2
~:-
' y
Lâmpada amarela
(Alarme visual)
+
!__: ~ (1) (2) (3) (4)
-Re~:~-n~~::L~~-0~' 1 cp cp pcp cpG) 151
Figura 8.6 - Comando Pneumático.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Execução Física do Comando (Solução Eletropneumática 1)
o-
"O "' e: "O
E ~
8 8.
.g i6
e:" "'e:
§ .ê
u .D
Chave geral
(Travamento com chave)
(Fim de curso micro-swi!ch) 53
Grampeadores
.----- - ----- --t-----·- - -+- ---.
1 1 1 1
' ~~~~) ;v
1
~---- ----------
'
~-~ ----------- -------- ..
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1 1
~r:~; __ _
+~,----------, 1 y
E3
1 1
- 1 1
1 1
50~ l :
1 1
+~ • (2) ;· L- ________ ]
1 1
1 1
1 :
1
1
1
52 1
1
1
1
1
1 r-----------
1 1
: ! :
1 1 1
1 1 1
-----~
El
+
Lâmpada amarela
(Alarme visual)
'
1 1 1
i-+~ (1) (2) (3) (4)
-R:-d~-;~~~~~tica~,....,.-!-0--.,'I cpcppcp P0151
+--
Figura 8. 7 - Comando eletropneumático.
Execução Física do Comando (Solução Eletropneumática 2)
K2NA
Atuador
(1) (2)
00
-Rede pneumática~
Figura 8.8 - Comando eletropneumático.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 231
Execução Física do Comando (Solução Pneutrônica - CLP)
232
i
ES E4 El E2 Sl
s~~rl
ES E4 El E2 Sl
5 4 1 2 2
~~~r~
Figura 8.9 - Digrama Ladder do comando proposto.
Dtl Dt2 Dt3 Dt4
2 3 4 5 6 7 8
12345678
DDDDDDDDIN
D POWER
DRUN
D FAULT
D FORCE
D D D D D D D D OUT
12345678
3 4 5 6 7 8
Alimentação
24Vcc / 127/240Vca
i Saídas
Figura 8.10 - Esquema de ligações do CLP.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
..... -- -· - .. ·-'' ........ ,. --- ...... ,., '' "' .. , . ' . .
Conclusão
Como o leitor pôde perceber, na última etapa do projeto proposto, foram
apresentadas quatro possíveis soluções para a execução física do comando,
sendo de fácil percepção que a mais dispendiosa economicamente e de maior
manutenibilidade é a solução eletropneumática 1, dado ser utilizada nela seis
eletroválvulas. Já a de segundo maior custo é a solução pneumática, seguida da
solução pneutrônica e a solução eletropneumática 2. Entretanto, a solução
pneutrônica (uso de CLP) torna-se recomendável em circuitos que necessitariam
de três ou mais relés16
•
É claro que, como mencionado no capítulo 6, há no mercado CLPs de
número mais reduzido de entradas e saídas, alguns inclusive aceitam expansão
dobrando sua capacidade, e que o custo final do equipamento, representa 403
de um CLP com número mais expressivo de entradas e saídas, mas em
aplicações mais simples, poderia ter sua capacidade ociosa em função da não
-necessidade de todo o recurso que disponibiliza.
8.2.2. Comandos Combinatórios com Memória
Vimos no capítulo 6 (item 6.4.2.7) que a função lógic& memória RS é
binária e apresenta saídas com valores diferentes para a mesma combinação dos
valores dos sinais de entrada. O que significa que não existe relação unívoca
entre os valores dos sinais de entrada e os valores das variáveis de saída. Ou seja,
sendo a memória RS uma função binária, faz-se necessário criar uma nova
variável de entrada quea mantenha como binária e possa representar o estado
interno de não-univocidade do sistema de comando. Sendo assim, o proce
dimento mais usual é fazer com que o sinal de saída, por meio de um ramal,
retorne à entrada, com o valor anterior ao da atual combinação de sinais de
entrada a ser considerado, ou seja, o valor da nova saída.
A figura 8.11 mostra o diagrama lógico de como isso pode ser feito, e sua
simplificação já apresentada no item referido .
•
El
E2
Sa
El -----fSl
E2~S
Figura 8.11 - Função lógica memória RS.
16 Esta afirmação é baseada no MTIF e MTBF (tempo médio de falha e entre falhas) dos
relés que acabam necessitando de uma maior manutenibilidade ao longo do tempo e,
por conseguinte, constantes paradas, resultando assim em elevação de custos.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 233
Perceba o leitor, que foi criada a variável Sa, que é a mesma variável S
redirecionada e que provocará o efeito MEMÓRIA com apenas duas entradas,
liga e desliga, ou ativa e desativa. Na linguagem técnica é conhecida como
MEMÓRIA RS (Memória Set-Reset).
8.2.2.1. Projeto de um Selecionador de La.ranjas para Exportação e
Consumo Interno
Formulação Verbal do Problema e Ilustração
O equipamento apresentado na figura 8.12 destina-se a selecionar laranjas,
pelo diâmetro, para exportação e para consumo interno.
El E2 E3
Laranja pequena e média
0f--3 E----3 1--[ --~--+
e~
EI E2 E3 SI
1---~/lf--~[---Y[~~~~~~--+
e~
Figura 8.18 - Solução pneutrônica - Programa em Ladder para CLP, utilizando bloco de memória RS.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 239
8.2.3. Generalização da Função Memória
A generalização da função memória RS permite que o sinal de retenção
seja estendido a várias saídas de um comando, otimizando assim sua aplicação.
El---t
E2---t
: Comando
1-+---Sl
~--s2
En---1 binário >-+-...-..-- Sn
Figura 8.19 - Generalização da função memória em um comando binário.
8.2.4. Travamento e Intertravamento da Função Memória
Travar uma memória significa estabelecer certas condições para que ela
possa ser ativada. Já intertravar uma memória significa estabelecer o seu
travamento através de outra memória, ou outras.
Em se tratando de memória RS os travamentos podem ser tanto na entrada
ativa (set) quanto na entrada desativada (reset). Todos os elementos lógicos
estudados no capítulo 6 podem ser utilizados para o intertravamento de
memórias.
Veja os e~emplos seguintes.
8.2.4.1. Intertravamento por meio da Memória Ativar (set)
Observando a figura, é possível
verificar que a ativação da memória Sl
pela entrada El só será possível se não
houver sinal em S2, ou seja, (S2=0).
Havendo sinal de saída em S2 (S2= 1),
a memória Sl pode ser ativada. De
forma análoga, também ocorre o
travamento da memória S2.
El---i
E2 Sl
E3 ---1
Sl ---a
~-~
E4 52
Figura 8.20 - Intertravamento da memória ativar
com o uso de função lógica E.
240 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
8.2.4.2. Intertravamento por meio da Memória Desativar (reset)
A primeira memória só pode ser
ativada pela entrada El, se E2=0 e
S2=0. A existência de E3= 1 ativa S2
(S2= 1) que, por sua vez, desativa Sl.
Da mesma forma, a memória S2 está
intertravada com a memória Sl.
8.2.4.3. Intertravamentos Seqüenciais
Seu objetivo é garantir nos pro
jetos de comandos seqüenciais, que
determinada seqüência de movimentos
ocorra. Na figura, observa-se que a
entrada El ativa a memória Sl, permi
tindo assim que ocorra um primeiro
evento qualquer. Já um segundo even
to qualquer, e que seja uma seqüência
do primeiro, só será possível se E3= 1
e se tiver havido o primeiro evento
(Sl=l). Caso não exista o sinal Sl=l,
o segundo evento da seqüência não
ocorrerá.
E2--~
52---a
E4--~
51--.a
El
~1
E3
~1
.___ _ _.
5
R 51
5
R 52
Figura 8.21 - Intertravamento da memória
ativar com o uso de função lógica OU.
El
E3---t__~
E4 R 52
Figura 8.22 - Intertravamentos seqüenciais.
8.2.5. Comandos Combinatórios com Temporizadores e
Contadores
No capítulo 4, vimos a concepção e uso de uma válvula pneumática
híbrida dotada de um pequeno reservatório que possibilita, por meio de um
sistema de ajuste, obter retardes em sua comutação. Também vimos no capítulo
5 que é possível obter retardo na comutação de válvulas eletropneumáticas por
meio de relés especiais, e no capítulo 7, no estudo de CLPs, vimos que existem
funções específicas, variando sua estrutura conforme o fabricante do CLP, que
podem produzir uma saída de sinal com o retardo programado. Dos capítulos
citados, o mesmo pode ser dito com relação a contadores.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 241
Assim como as funções lógicas no capítulo 6 possuem representações
simbólicas para elaboração do diagrama lógico, os temporizadores e contadores
também possuem sua representação simbólica (ver quadro em seguida).
Tabela 8.1- Temporizadores.
Temporizador de Pulso
t
E- _n_ -s
Limitado no tempo
A resposta (S) do temporizador é menor ou igual
1 t 1
LlL_____J---L__
1
(limitado) ao tempo T do sinal de entrada.
~
1 1
>--t--t
Temporizador com Tempo Definido
t
E- _n_ -s
O tempo de resposta da saída S é constante ou
definido, independente do tempo de duração do
1 t 1
~
sinal de entrada.
i--t----4 - t ----4
Temporizador de Duração t Após o Desligamento
1
t
E- _n_ .--s
to A saída fica energizada durante um tempo t após
1 t 1
~
a desenergização da entrada.
~
' ' ' 1
o-t--tl i rizadores anteriores.
'1 o 1 o 1
22 1 o 1 1 o o 1 1 o 1
23 1 o 1 1 1 1 1 1 o 1
24 1 1 o o o o o o 1 1
25 1 1 o o 1 1 o o 1 1
,
26 1 1 o 1 o o 1 o 1 1
27 1 1 o 1 1 1 1 o 1 1
28 1 1 1 o o o o 1 1 1
29 1 1 1 o 1 1 o 1 1 1
30 , 1 1 1 1 o o 1 1 1 1
31 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
Teremos então para cada uma das saídas os seguintes campos:
• 51---7(1,3,5, 7,9, 11, 13, 15, 17, 19,21,23,25,27,29,31)
• 52---7(2,3,6, 7, 10, 11, 14, 15, 18, 19,22,23,26,27,30,31)
• 53---7(4,5,6, 7, 12, 13, 14, 15,20,21,22,23,28,29,30,31)
• 54---7(8,9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,24,25,26,27,28,29,30,31)
• 55---7(16, 17, 18, 19,20,21,22,23,24,25,26,27,28,29,30,31)
Aplicando Karnaugh a cada uma delas {figuras 8.24 a 8.28) e lembrando
das seguintes relações:
• E5 =A= Ct (contador)
• E2 = D = Tl (temporizador 1)
246 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
• E4 = B = T3 (temporizador 3)
• El = E = Ss (sensor de presença)
• E3 = C = T2 (temporizador 2)
A A
1
1
8 B 1 B 8 1 8 B B 8
e - 1 - e e e c:c e e e e e e e e e e
E o 4 12 8 24 28 20 16
i5 1 ~ 1~ o "~ nn 'J1 17
E ( 1 1 1 1 1 1 1
>9 l
D
E l 1 3 1 7 115 111 127 131 123
E
2 6 14 10 26 30 22 18
E o 4 12 8 24 28 20 16
i5 1 5 13 9 25 29 21 17
E
" '7 '" -- o "" '"
D :r 1 1 1 1 1 1 1
~ 18 l 1 2, 6 14 10 26 30 22
1 1 1 1 1 1
Figura 8.24 - Karnaugh para S 1. Figura 8.25 - Karnaugh para S2.
A A
1 1
1 1
8 B 1 B 8 1 8 B 1 B 8 1
E
i5
E
D E
E
e
o
1
3
2
e e
4 12
5 13
7 15
6 14
- 1 -c:c e e
8 24 28 o
1 1
9 25 29 1
1 1
11 27 31 3
1
10 26 30 2
1 1
e
16
17
19
18
E
i5
E
D E
E
e
o
1
3
2
e e
4 12
1
5 13
1
7 15
1
6 14
1
- ' -C'C e e
8 24 )8 20
1 1 1
9 '25 )9 21
1 1 1
11 27 n 23
1 1 1
10 26 j0 22
1 1 1
Figura 8.26 - Karnaugh para S3. Figura 8.27 - Karnaugh para S4.
A
1
1
8 B 1 B 8 1
e - 1 - e e e c:c e e
E o 4 12 8 24 28 20 16
1 1 1 1 i5 1 5 13 9 25 29 21 17
E 1 1 1 1
3 7 15 11 27 31 23 19
D
E 1 1 1 1
2 6 14 10 26 30 22 18
E 1 1 1 1
Figura 8.28 - Karnaugh para SS.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais
e
16
17
19
18
247
Solução de Karnaugh
A solução dos diagramas de kamaugh, como pode ser visto, é bastante
elementar, sendo:
Sl =E= Ss (8.10)
S2 =D= Tl (8.11)
S3 = C = T2 (8.12)
S4 = B = Tl (8.13)
SS =A= Ct (8.14)
Diagrama Lógico
t1 o Ss
Ss 1---i Tl Manual KC
RS Cl
t1 o
1---i T2 CD
t1 o
1---i T3
Ct
Ss -8-s1
n-8-s2
T2-8-S3
T3-8-S4
ct-8-ss
Figura 8.29
248 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Solução Pneumática
Desbloqueio
M otores destl'ltivados
Motores travados
;-·-·-·-·--r- --- ~-~)
Atuador
Temporizador 1
(Fecho molde em T=Ss))
Temporizador2
(Abre molde em T= !Ss))
12
Figura 8.30 - Solução pneumática para o sistema de conformação de bandejas.
8.3. Projeto de Comandos Seqüenciais
Tradicionalmente, na pneumática são utilizados os conhecidos "método de
cascata" e "método passo a passo", bem como na eletropneumática, os métodos
"seqüência mínima" e "seqüência máxima". O método aqui apresentado engloba
estes outros citados, tendo-os como casos particulares, facilitando sua integração
com a microeletrônica e informática, além de permitir o projeto de sistemas
seqüenciais mais complexos.
Como já fora mencionado na introdução do capítulo, o assunto será
abordado apenas de forma superficial, possibilitando assim uma visão básica do
vasto universo da automação avançada, havendo, porém, disponível no
mercado, principalmente o internacional, literaturas apropriadas que exploram
detalhadamente este tema.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 249
Todo comando seqüencial deve iniciar com a análise do sistema e das
ações do comando desejado através de esquemas e da formulação verbal do
problema, para em seguida sistematizar essas informações com alguma forma de
representação gráfica.
A seguir, serão listados os passos necessários para o correto e otimizado
projeto de comandos seqüenciais.
8.3.1. Análise de Comando Seqüencial
Consiste no fornecimento de todas as tarefas previstas para o sistema, na
seqüência e no tempo, bem como deve se fazer acrescentar, sempre que possível,
os limites de condições ambientais que possam influir no desempenho dos
componentes, a flexibilidade quanto a trocas de programas, fontes de energia
alternativa para os casos de emergência, enfim, todo e qualquer detalhe que
possa vir a ser pertinente ao longo do funcionamento do sistema.
8.3.2. Esquema de Processo
Consiste na elaboração de um esboço físico com algumas dimensões, pelo
menos as estruturais, cuja finalidade é dar ao projetista condição de estabelecer
relações espaciais entre os vários componentes, formas de fixação dos atuadores,
bem como permitir uma melhor clareza na formulação verbal do problema.
8.3.2.1. Projeto de um Dispositivo para Termoformagem
f
A figura 8.31 apresenta, a título de exemplo, um esboço (esquema de
processo) de um sistema seqüencial utilizado para confecção de peças plásticas
por termoformagem.
~ seqüênçia deste projeto é_gpresentada nos i~ns 8.3.3, 8.3.4 e 8.3. 7.
250 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Chapa de plástico
aquecida ----
Atuador A
Movimenta a chapa
a)
AtuadorC
Baixa o plugue fêmea
Raios infravermelhos
Raios infravermelhos
Plugue macho
AtuadorB
Elevação do plugue macho
Raios infravermelhos
\.. li\ li\ li\ li\)
b)
Raios infravermelhos
Plugue macho
Sobe
•
Plugue fêmea
-E4
E2
1
E6
Cl)
-o o
Jl '§o
E ::i
o "' c:o
Plugue fêmea
Desce
Cl)
-o o
Jl '§o
E ::i
o "' c:o
Figura 8.31 - (a) Lâmina plástica sendo aquecida para o processo de termoformagem -
(b) lâmina plástica sendo termoformada.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 251
8.3.3. Formulação Verbal do Problema
Através do esquema de processo inicia-se a formulação verbal do problema
que tem por objetivo responder a uma série de questões referente à composição
geral do processo em si.
Veja em seguida algumas dessas questões que devem estar presentes em
todo tipo de projeto de automação pneumática:
•
•
•
•
•
•
•
Que ações devem ocorrer durante a realização do processo e em que
seqüência?
De que forma essas ações se relacionam no tempo?
Quais são as condições previstas para o início do comando seqüencial?
Que tipos de elementos de sinais se fazem necessários para
operacionalidade do comando (botões, fins de curso, sensores)?
Quais e como são os movimentos, e que elementos de trabalho (tipos
de acionamento) se pretende usar no projeto?
De que forma devem ocorrer as relações operador-comando?
Quais são os esforços, velocidades e precisão necessários?
No exemplo citado, a formulação verbal do problema poderia ser a
seguinte:
252
1. A chapa plástica é afixada manualmente a uma moldura posicionada
entre os refletores infravermelhos (figura 8.31a).
f
2. Um botão manual EO dispara o processo, ativando os refletores
infravermelhos que irão aquecer a chapa até a temperatura de
termoformagem.
3. Um temporizador Tl é acionado, controlando a exposição da chapa ao
aquecimento que, uma vez atingida a temperatura de termoformagem,
libera um sinal sonoro SS, desliga os refletores e ativa o atuador A,
fazendo que sua haste distenda-se e posicione a chapa entre os plugues
macho e fêmea (figura 8.3lb).
4. Ao final de seu curso (E2 pressionado), é ativada a subida do plugue
macho e descida do plugue fêmea.
5. Ao se dar o fechamento do molde (encontro dos plugues), E4 e E6
acionarão simultaneamente um temporizador T2 que irá temporizar a
duração de fechamento dos plugues, bem como uma bomba de sucção
instalada no plugue fêmea cuja função é succionar a chapa, por meio
dos canais de sucção, obtendo assim uniformidade na moldagem.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
6. Decorridoo tempo de termoformagem programado no temporizador
T2, os plugues retornarão (E3 e ES pressionados), provocando o
retorno do atuador A que pressionará El encerrando o ciclo, e
permitindo assim novo ciclo.
7. Com relação ao ambiente de trabalho, o sistema pode ser montado em
qualquer ambiente, necessitando, porém, de uma área de
aproximadamente 9m2
•
8. Com relação à precisão das dobras, é uma função da cavidade, da
força de fechamento dos plugues e da espessura da chapa.
9. Os atuadores serão dotados de válvulas controladoras de fluxo para o
controle de velocidade.
10. Os fins de curso podem ser mecânicos, elétricos (micro-switchs) ou até
mesmo eletrônicos (sensores).
8.3.4. Representação Gráfica do Comando Seqüencial
Sua função é representar graficamente, de forma sistemática, o desenvol
vimento do processo funcional, demonstrando de forma clara, como um mapa,
todos os passos necessários para a realização do ciclo. '
Em conjunto com o esquema do processo e a formulação verbal, permite
um claro entendimento do ciclo, mesmo por quem pouco entenda de automação,
como no caso, muitas vezes, o cliente.
Em automação pneumática, existem cinco representações gráficas pos
síveis, porém, das cinco, duas são mais exploradas, e dessas duas, uma grande
maioria dos projetistas e técnicos acaba por utilizar somente a que mais se
popularizou (o diagrama trajeto-passo), talvez porque seja a mais ensinada nos
bancos escolares e acadêmicos, bem como nos cursos básicos de pneumática.
As representações gráficas são as seguintes:
1. Diagrama trajeto-passo;
2. Diagrama de posicionamento dos atuadores;
3. Diagrama de atuação dos sensores;
4. Diagrama de comando dos atuadores;
5. Diagrama funcional.
A figura 8.32 apresentada em seguida ilustra os diagramas de 1 a 4 do
equipamento anteriormente apresentado.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 253
Designação
Atuador A
Atuador B
AtuadorC
.9 V> Atuador A e !!!
AtuadorC "' o & -o
o
'5, EO
«l
"' El
~ !!!
o E2
= 1), etc.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 255
8.3.6. O Método Passo a Passo e Diagrama Funcional em
Comandos Seqüenciais
O método passo a passo tem por função sistematizar o projeto de
comandos seqüenciais, subdividindo-os em passos e associando-os à memória do
tipo RS. A ativação de cada memória e a conseqüente realização das ações do
passo correspondente a essa memória ocorrem com o comprimento de
determinadas condições de transição de um passo a outro.
8.3.6.1. Características do Método
O método passo a passo tem como ferramentas de representação gráfica
basicamente os diagramas trajeto-passo e diagrama funcional, além, claro, do
digrama lógico de comandos, sendo que o primeiro passa a ser até desnecessário
diante da grande variedade de informações possíveis de ser agregada ao
diagrama funcional.
A seqüência de passos ao projeto de um comando seqüencial será então:
• Análise do comando seqüencial (item 8.3.1).
• Esquema de processo (item 8.3.2).
• Formulação verbal do problema (item 8.3.3).
• Elaboração do diagrama funcional (item 8.3.5), definindo de forma
clara e detalhando o melhor possível os seus passos e suas ações
correspondentes.
f
• Associar a cada passo, configurado no diagrama funcional, uma
memória RS ("Set-Reset") do tipo desligar dominante.
• A entrada Set da memória RS produzirá sempre um sinal de comando
para a realização das ações do passo correspondente.
• As memórias devem ser intertravadas de forma que, ao ativar uma
memória n, será desativada a memória n-1 e ativada a memória n+l.
Ou seja, a memória n + 1 já receberá um sinal que a coloca de
"prontidão" para ser ativada.
Para que uma memória seja ativada, é necessário que, além da habilitação, seja
satisfeita uma condição lógica relacionando sinais externos de botões, sensores,
fins de curso, e qualquer outro elemento de controle. Ou seja, a ocorrência da
transição de um passo a outro só será possível se a condição lógica associada a
essa transição for satisfeita, além da habilitação da memória do passo
subseqüente.
256 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
·-- .
8.3.6.2. Módulo Lógico
Cada passo do comando seqüencial será então representado por um
módulo lógico de memória RS intertravada seqüencialmente com os módulos de
memória dos passos anterior e posterior, conforme ilustra a figura 8.34.
Passo
n-1
El ---çt___.:==
E6-LJ ,------'---~
Passo
n
E3----
Passo
n+l
Mn-1
Figura 8 .34 - Representação de um modulo lógico
básico de memória RS com intertravamento seqüencial.
Mn
Observe que a memória RS da figura terá saída Mn quando houver na
' entrada Set uma condição lógica do tipo [(Mn-1).E2.(El+E6)], em que o sinal
(Mn-1) representa a saída do módulo de memória anterior, e El, E2, E6 são
sinais de sensores, fins de curso, etc. O módulo será desativado quando houver
na entrada Reset a combinação lógica [(Mn+l)+(E3.Extl)], em que (Mn+l)
representa a saída do módulo de memória posterior, E3 é um sinal de fim de
curso e Extl pode ser um sinal externo como o de um botão de parada de
emergência.
É importante ressaltar que as saídas Mn dos módulos de memória RS podem
acionar diretamente os atuadores externos, acionando relés amplificadores de
potência, ou ainda, nos Controladores Lógicos Programáveis podem representar.
as saídas destes, bem como saídas internas (f/ags) que posteriormente se,
comuniçam com as safr;!.as ext.,;;;.,,;e""'r""'na;:;;;;s"" • ..._..._ __ __,...._ ___________ _
8.3.6.3. Projeto de um Dispositivo de Furar Peças
Elaborar os diagramas trajeto-passo, funcional, lógico, pneumático,
eltropneumático e em ladder do dispositivo para furação de peças conforme
esboço em seguida.O dispositivo é acionado manualmente por um botão do tipo impulso EO,
sendo que a partida só ocorrerá se um sensor El acusar a existência de peça.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 257
1
Passo 1 - Sensor El detecta presença de peça
e o atuador A posiciona-a sob o cabeçote de~
furação (atuador B).
El
Passo 2 - Cabeçote de furação (atuador B)
avança e realiza operação de furação. ~
1
1
Passo 3 - Cabeçote de furação retorna e
atuador A avança para descarregar peça.
El
Passo 4 - Atuador A retorna ao ponto inicial
para recomeçar novo ciclo. ~
Figura 8.35 - Dispositivo de furação de peças.
Diagrama Trajeto-passo
1
Na composição do dispositivo foi utilizado um atuador pneumático do tipo
Duplex geminado de hastes com igual curso (Ver capítulo 3 - Item 3.4.3), que
possibilita movimento de extensão em dois estágios de igual deslocamento. A
descrição dos passos encontra-se na própria figura
258
1 Designação
Atuador A
(Impulsor)
Atuador B
(Cabeçote)
Tempo (s)
o o
] .~ i--~~ ..... ~--..... ~----~----~--~~ ...... ~~-t
Jí ~ Passo
1 2 3 4 5 6=1
1
1 1 1 1 1 1
1+ -----~-----~------:------~----- '-----~-----
• 1 1 1 1
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
1 -----~----- 1 1 --f------
1 1
EO : :
1 1
1 1 1 1 1 1 º ----- -----~------~-----r-----~----- ------
1
o
-----r-----1-----+------
' 1 1
1 1 1
1 1 1
1 1 1
1 1 1
Figura 8.36 - Diagrama trajeto-passo.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Diagrama Funcional
Na composição do dispositivo foi utilizado um atuador pneumático do tipo
Duplex geminado de hastes com igual curso (Ver capítulo 3 - Item 3.4.3), que
possibilita movimento de extensão em dois estágios de igual deslocamento.
s Avança 1 ° estágio
E3 do atuador A
E3
-1 Avança atuador B IE6 I
.g E6 éJ
-is! Recua atuador B iEs i
ES
Avança 2° estágio
E4 do atuador A
E4
s Recuo total do E2 atuador A
=1
Figura 8.37 - Diagrama funcional do comando seqüencial para furação de peças.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 259
Diagrama Lógico
260
A-
EO
El
E2
Passo 1
B+
E7 A+
A+
E3
Passo 2
B-
E7 B+
B+
E6
Passo 3
A++
E7 B-
B-
ES
Passo 4
A-
E7 A++
Passo 5 A--
A-
Figura 8 .38 - Diagrama lógico do comando seqüencial para furação de peças
(E7 representa um botão para retomo de Emergência e Reset) .
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
··-·-- - '' .. ·-· . ····- - . ·- ·- - . -· ... ---- .
Figura 8.39 - Circuito pneumático do dispositivo de furação de peças.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 261
Diagrama Elétrico (Solução Eletropneumática)
Lembrando que o método passo a passo aqui demonstrado foi associado a
memórias do tipo RS, e a memória RS pode ser representada eletricamente por
um relé com um contato NA e outro NF (Ver tabela 6.13 - capítulo 6). Nessa
aplicação, porém, o contato NF do relé será representado pelo relé Kn+ 1 do
passo posterior, e o contato NA pelo relé Kn-1 do passo anterior, além dos
contatos El, E2, ... Ej, representando as entradas externas ou internas do passo n
em questão.
A figura 8.40 apresenta o diagrama elétrico (solução eletropneumática)
para o exemplo dado.
262
Passo n
Ej ~ Kn
r
Kn
Kn-1
Kn+l
Yn
Figura 8 .40 - Representação elétrica do método passo a passo, por relé básico,
de um elemento de memória RS do diagrama lógico de comando seqüencial.
(Observe que na composição aparecem o relé do passo anterior Kn-1 e o relé do
passo posterior Kn + 1, sendo Kn o relé do passo representado) .
K4 1 K5 1
Yl=A+ Y4 =A++
Y2 = B+ Y5=A
Y3= B- Y6=A--
Figura 8.41 - Diagrama elétrico do dispositivo de furar peças (solução eletropneumática) .
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Como o leitor pode ver, o cirêüíto apresentadonecessita de cinco relés para sua
execução, o que torna essa solução não muito indicada, pois conforme jái
mencionado em nota de rodapé (15) neste capítulo, o tempo médio de falha e,
entre falhas (MITF e MTBF) diminui com o aumento do número de r~~. _J
Diagrama Ladder (Solução Pneutrônica - CLP)
EO El E2 A- E7 B+ A+
HHE J
A+
E
E3 A+ E7 B- B+
E J
B+
E6 B+ E7 A++ B-
E J
B-
E
ES B- E7 A++
E J E }f--(
B-
E
E4 A+ A++ A--
E7 A-
A-- A-
H~--
Figura 8.42 - Diagrama de contatos do dispositivo de furação .
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 263
r
8.3.7. Diagramas e Circuito do Dispositivo de Termoformagem
São apresentados em seguida o diagrama funcional, diagrama lógico e
circuito pneumático do dispositivo de termoformagem visto no item 8.3.2.1.
Deixamos ao leitor tentar elaborar a solução eletopneumática e o diagrama em
ladder.
Diagrama Funcional
Liga aquecimento e EO Fixa e aquece tw temporizador T1
chapa Temporizador finaliza
T1
Liga alarme e desliga
T1 aquecimento
s Avança atuador A e
E2 desliga alarme
E2
.g
a Início da Avança atuador B E6
termoformagem Avança atuador C E4
Liga a sucção se+ E6
tw Liga temporizador T2 E4
T2
Fim da Temporizador finaliza
E3 ~form.,em s Retorna atuador B ES
s Retorna atuador C E3
ES s Desliga a sucção SC- ES
6
Peça s Retorna atuador A El
termoformada
Figura 8 .43 - Diagrama funcional do dispositivo de TERMOFORMAGEM.
264 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Diagrama Lógico
Passo 1
A-
EO
El
24V
Passo 2
B+
e+
E2
Passo 3
Passo 4
B-
C-
A+
E2
T2
E7
B+
e+
E4
E6
Liga calor Q (Lâmpadas infravermelhas)
E2 Liga alarme L
Desliga calor Q
~--45 ~---lS
A+ E2
T1
B+ C+i
Desliga
alarme L
T2 (Tempo de termoformagem)
Passo 5
Passo 6
A
E2
B
C
E3
ES -L___,.---, S
El
B- C-
A-
Figura 8.44 - Diagrama lógico do dispositivo de termoformagem.
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 265
t\J
O\
O\
~
õ
3
O>
o.()
O>• o
;:'
(1)
e
3
~
@•
1.
(1)
~~
o
§º
(1)
:J
V>
õº
:J
O>
3
(1)
:J
õ
(1)
5>
°'' ~
(1)
o..
(1)
()
~-
E.
~
'Tl
e@'
@
00
~
()
~
E.
õ
'O
:J
(1)
e
3
~ r;·
o
o.. o
o..
(;;º
'8
~
§º
o..
(1)
ro-
3
o
õ
3
O>
'2
3
1213141516171819202122
Rede pneumática -mnovamente El, encerra o ciclo.
Diagrama Funcional
B
EO~ ~ &
s Avança atuador A E2
E3
Avança atuador B E4
E6
o
ü s Recua atuador B E3 o
ES
Avança atuador C E6
E4
Recua atuador C ES
ES
Recua atuador A El
=1
Figura 8.47 - Diagrama funcional do dispositivo de dobra.
268 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Dia.grama Lógico
Passo 1
Passo 2
Passo 3
Passo 4
Passo 5
Passo 6
C
ES
EO
El
E3
E5
B+
E7 A+
A+
E2
& s
B-
E7 B+
B+
E4
e+
E7 B-
B-
E3
e+
E7 e+
e+
E6
A-
E7 C-
A-
Figura 8.48 - Diagrama lógico do dispositivo de dobra.
8.4. Exercícios
1) Numa esteira transportadora devem ser separadas as peças maiores das
menores, sendo depositadas em contêineres. Um sistema montado sobre a
esteira, dotado de 4 sensores, deve fazer a seleção, sendo que o sensor El
Projeto de Comandos Combinatórios e Seqüenciais 269
seleciona as menores e E2, as maiores. E3 é um contador que conta a
quantidade de peças menores que passa pelo sensor El, e está programado
para soar um alarme a cada 50 peças que entram no contêiner 1 (carga
máxima); a mesma função tem E4 com relação a E2. Os sensores El e E2
controlam os atuadores A e B, que são disparados por temporizadores Tl e
T2, sendo Tl programado para 4 segundos (peças menores) e T2 para 8
segundos (peças maiores). Elabore o diagrama lógico de comandos e o
diagrama de contatos ladder.
Figura 8.49 - Dispositivo de separar peças.
2) Elabore o circuito pneumático, eletropneumático e diagrama de contatos
(diagrama ladder) do dispositivo de dobra da figura 8.46.
3) Elabore o diagrama trajeto-passo, funcional, e lógico do dispositivo abaixo.
Fixação Corte Dobra
fil
Figura 8.50 - Dispositivo de fazer cantoneiras.
270 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
APÊNDICE A~
Normas e Tabelas
....... ________________ .......
A.l. Simbologia Pneumática Normalizada
A simbologia apresentada em seguida está de acordo com a norma
DIN/ISO 1929 de agosto de 1978, ainda hoje vigente.
A.1.1. Transformadores de Energia
Denominação Característica Símbolo
Compressor
Produz ar comprimido (sempre um Q= sentido de fluxo).
Bomba de vácuo V
Deslocamento fixo e um sentido de Q= rotação.
Motor pneumático
Q= Deslocamento fixo e dois sentidos de
rotação.
Apêndice A - Normas e Tabelas 271
Denominação Característica Símbolo
Deslocamento variável e um sentido $= de rotação.
Motor pneumático
Deslocamento variável e dois $= sentidos de rotação.
Campo de deslocamento limitado - =D= ângulo de giro (Oscilador).
1 11
Cilindro de simples ação com 1
retorno por força externa.
1
1 1
~ 16í A-8 Pí ~ Cilindro de simples ação com 1
retorno por mola.
V V-V V V
/'
1
~I : Cilindro de simples ação com 1
avanço por mola .
1 11 : Cilindro de dupla ação com haste 1
• unilateral.
1 1 Cilindro
pneumático
: 11 : Cilindro de dupla ação com haste 1 1
passante.
1 1
1 11 : Cilindro de dupla ação diferencial t
com haste reforçada.
1
1 1 ~ :
Cilindro de dupla ação com 1
amortecimento fixo no avanço.
1
1 ~ 1 : Cilindro de dupla ação com 1
amortecimento fixo no recuo.
1
272 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Denominação
Cilindro
pneumático
Cilindro
hidropneumático
Característica
Cilindro de dupla ação com
amortecimento fixo no recuo.
Cilindro de dupla ação com
amortecimento regulável no
avanço.
Cilindro de dupla ação com
amortecimento regulável no
recuo.
Cilindro de dupla ação com
amortecimento regulável no
avanço e recuo.
Controlador hidráulico de
velocidade (Hidro-Check).
Multiplicador de pressão para
o mesmo fluido .
Multiplicador de pressão para
fluidos diferentes (ar e óleo) .
Conversor do meio de
pressão ar para óleo.
Apêndice A - Normas e Tabelas
1
Símbolo
rl 1
1 /\ /\ /\ /\ /\ /\ 1
rvvvvvi
!· - · ;:,:~- · -·~· - · :
1 1 n
1 1
1111-------,------l: 11 1
4x 4 Yv
1111-------,-----l: 11 1
4x 4 fv
~X
273
A.1.2. Comando de Regulagem de Energia
Denominação Característica Símbolo
Válvula direcional com duas vias
Comando de regulagem de energia. e duas posições.
Posição normal, fechada .
2(A)
Válvula direcional com duas vias e cm duas posições. Posição normal,
aberta.
l(P)
2(A)
Válvula direcional com três vias e DJSJ duas posições. Posição normal,
fechada .
l(P) 3(R)
2(A)
Válvula direcional com três vias e CSJ[J . duas posições. Posição normal,
Válvulas de aberta.
comando l(P) 3(R)
2(A)
Válvula direcional com três vias e
1 u:+l~I três posições. Posição intermediária,
1 fechada .
l(P) 3(R)
2(A) 4(A)
Válvula direcional com quatro vias e ITIIZJ duas posições.
l(P) 3(R)
2(A) 4(8)
Válvula direcional com quatro vias e
1 I I 1: :1x1 três posições. Posição intermediária
fechada (Centro fechado) .
l(P) 3(R)
274 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Denominação Característica Símbolo
2(A) 4(8)
Válvula direcional com quatro vias e
1 I 1 IS IXI três posições. Posição intermediária
com saídas em exaustão (Centro
aberto negativo) .
l(P) 3(R)
2(A) 4(8)
Válvula direcional com quatro vias e
1 II 1 V:IXI três posições. Posição intermediária,
com saídas em pressão (Centro
aberto positivo) .
l(P) 3(R)
2(A) 4(8)
Válvula direcional com cinco vias e ·1
duas posições. T ,. T
3(R) S(S)
l(P)
Válvulas de
2(A), 4(8)
comando
..L ..L
.. l Válvula direcional com cinco vias e
três posições. Posição intermediária T ,. TTT
fechada (Centro fechado) .
3(R) S(S)
l(P)
2(A) 4(8)
Válvula direcional com cinco vias e \! .. l três posições. Posição intermediária
T ,, T T
com saídas em pressão (Centro
aberto positivo) . 3(R) S(S)
l(P)
2(A) 4(8)
Válvula direcional com cinco vias e l três posições. Posição intermediária
T r ,,-
com saídas em exaustão (Centro
aberto negativo) . 3(R) S(S)
l(P)
Apêndice A - Normas e Tabelas 275
Denominação Característica Símbolo
Válvula direcional com posições
1 1 1
intermediárias de comando e com a b
duas posições finais .
Válvula de retenção com e sem =-pneumática
1
Linha de trabalho
Linha para transmissão de
energia.
Linha para transmissão de
Linha de comando energia de comando (inclusive ---------ajustagem e regulagem).
Linha de dreno ou
Linha para exaustão.
sangria ------ -- --- --- ·
Mangueiras flexíveis Para conexão de partes móveis. \..___..!
Linha elétrica
Linha para transmissão de _J_ energia elétrica.
União fixa, por exemplo, solda-
+-1-União de linhas
da, chumbada, parafusada
(inclusive conexões e uniões
rosqueadas) .
Linhas c'ruzadas
Cruzamento de linhas não -+--conectadas.
Ponto de escape Sangria de ar. I
Simples, não conectável p (escape livre) .
Conexão de descarga
Rosqueado por conexão ~--t> (canalizadoou dirigido) .
Apêndice A- Normas e Tabelas 277
Denominação Característica Símbolo
Ponto de ligação de pressão
. /
bloqueado. .,
Tornada de potência Ponto de ligação de pressão com 7 1 ~ conexão (conectada) .
Ponto de ligação de pressão com 7 li~ conexão (desconectada).
Conexão rápida acoplada, com
-O>-t-
Reservatório de ar -cJ-comprimido
Filtro de ar --
278 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Denominação Característica Símbolo
Com dreno manual. ------Separador de água
(purgador)
------Com dreno automático.
Com dreno manual. -V-Filtro com separador
de água (purgador)
--Q-Com dreno automático.
Secador de ar -V-
Unidade à qual se adicionam -o-Lubrificador
pequenas quantidades de óleo
ao ar passante para a
lubrificação dos equipamentos.
---~
/
Unidade composta de filtro ,
Conjunto de
válvula reguladora de pressão,
manômetro e lubrificador. 1
condicionamento de ar 1
1
1
(LIBREFIL) 1 1
1 1
1 1
Simplificado ~
A.1.4. Mecanismos de Comandos
Denominação Característica Símbolo
Geral (sem identificação do ~ modo de operação).
Por ação muscular
~ Botão
Apêndice A - Normas e Tabelas 279
Denominação Característica Símbolo
Alavanca ~
Por ação muscular
~ Pedal
Apalpador ou pino 9
Por mola ,
Por ação mecânica
~ Rolete
Rolete operando num único r=1 sentido.
Acionamento direto por
---~ acréscimo de pressão (piloto
-· positivo).
Por alívio de pressão --~ (Piloto negativo),
Acionamento Por aplicação de pressão
--~ ~--pneumático (Piloto positivo) com diferença
de área.
1
--~ Por acréscimo de pressão da
válvula servopilotada.
Por alívio de pressão da --~ válvula servopilotada.
Por solenóide com uma ~ bobina.
Acionamento elétrico
Com duas bobinas operando 1#1 em um único sentido.
Com duas bobinas operando ~ em sentidos opostos.
280 Automação !Jneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Denominação Característica Símbolo
Acionamento pneumático -e= Acionamento por
indireto por aplicação de
pressão (servopiloto positivo).
servopiloto e
Acionamento pneumático
~
combinado
indireto por alívio de pressão
(servopiloto negativo) .
Acionamento combinado ~ (solenóide e piloto positivo) .
Acionamento combinado ~ Acionamento
(solenóide e piloto negativo) .
combinado Acionamento combinado ~ (botão e piloto positivo).
Acionamento combinado
~ (solenóide e piloto positivo ou
botão).
Acionamento a
Símbolo explicativo para
acionamento (especificar no * determinar rodapé) .
Acionamento de centralização
no caso de válvulas de três _:1 1 1 1: Acionamento de
posições, centragem por ar
comprimido.
centralização
Acionamento de centralização j 1 1 ~ no caso de válvulas de três
posições, centragem por molas.
A.1.5. Aparelhos de Controle
Denominação Característica Símbolo
Manômetro Instrumento de medir pressão. T
Vacuômetro Instrumento de medir vácuo. T
Apêndice A - Normas e Tabelas 281
Denominação Característica Símbolo
Rotâmetro Instrumento de medir fluxo . T
Termômetro Instrumento de medir temperatura . ~
1 1
Conversor de
Converte uma ação mecânica em um 0= \º + sinal elétrico
sinal elétrico.
pneumático 1
\
1 1
Converte um sinal pneumático em um --{>-- \º + Pressostato
sinal elétrico.
1
\ ...
A.1.6. Elementos Especiais
Denominação Característica Símbolo
f Cilindro de dupla ação do
tipo Duplex contínuo
1 11 : 11 : (permite o 1
desenvolvimento de 1 1 1 1
Cilindro Duplex
forças maiores).
Cilindro de dupla ação do
tipo Duplex geminado
1 11 1 11 1
(permite obter três ou
quatro posições (cursos)
1 1 1 1
distintos).
Cilindro de simples ação
1 :
do tipo telescópico
: 1
(permite obter cursos 1
longos com tamanho de
Cilindro camisa reduzido). 1
telescópico Cilindro de dupla ação do
1 : :
tipo telescópico (permite
1 : obter cursos longos com 1
tamanho de camisa
reduzido) . 1 1
282 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. . - - - . . . . . . . .
Denominação
Cilindro de alto
impacto
Válvula
temporizadora
Característica
Cilindro de dupla ação do
tipo impacto (permite
desenvolver forças
maiores que a força de
um cilindro normal).
Válvula direcional
temporizada com retardo
na atuação, com três vias
e duas posições; normal,
fechada.
Válvula direcional
temporizada com retardo
na atuação, com três vias
e duas posições; normal,
aberta.
Válvula direcional
temporizada com retardo
na desativação, com três
vias e duas posições;
normal, fechada.
Válvula direcional
temporizada com retardo
na desativação, com três
vias e duas posições;
normal, aberta.
Apêndice A- Normas e Tabelas
z
z
z
z
Símbolo
1 ~11--------.----1
1 1
-· - ·-·-· -·- ·-·-·-· -·-·-·-·-·- ·-·-·- ·-·- ·-·- ?.(~)- ·-
l(P)
1
1
1 ·-·r·-·-·
: 3(R)
2(A)
i-· -· -·- · - ·-·-·- ·-·- ·- · - ·-·-·- ·-· -·-·-·-·- -·-·-· -·-·!
• 1
~. - . - . - . - . - . - . - . - . -· - . - . - . - . -'-. - . - . - . - . - .
l(P)
1
1
1
!
1
·- ·r·-·-·'
i 3(R)
2(A)
-· - . -·-· -·- ·- ·-·-·-·-·-·-·-' -· -·-· -· -· -·-·- -·-·- ·-·.
1
1
1
. - . -. -. -. - . -. -. -. -. -. -. - ·-. -. -. -. -. -. - ·-. . -. t. -. -. '
l(P) : 3(R)
2(A) ·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-· -·-·- ·-·-·-·- ·-·-·- -·-·- · -·-··
1
1
1
·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-· ·-·r·- ·-·'
l(P) i 3(R)
283
A.1. 7. Cores Técnicas
Cor Aplicação Exemplo
Vermelho
Utilizado para tubulações que operam com pressão
Compressor
normal do sistema.
Violeta Indica que a pressão do sistema foi intensificada. Multiplicador de pressão
Laranja
Tubulações ou linha de comando, pilotagem ou
Pilotagem da válvula
pressão reduzida.
Amarelo
Indica linha com passagem de fluxo restringida ou
Válvulas controladoras de fluxo
controlada.
Azul Fluxo em descarga, escape rápido.
Verde Indica sucção ou dreno. Sucção dos compressores
Branco Fluido inativo. Armazenagem
A.1.8. Identificação de Orifícios
Denominação/ Aplicação Símbolo
Orifício de suprimento principal (alimentação). 1 ou p
Orifício de aplicação (utilização ou saída) para válvulas de quatro e cinco
2e4
ou
vias.
AeB
Orifício de liberação do ar utilizado (escape ou exaustão} para válvulas de
3 ou R
duas e três vias.
1 3e5
Orifício de liberação do ar utilizado (escape ou exaustão} para válvulas de
ou
quatro e cinco vias.
ReS
Orifício de pilotagem (Piloto)
No caso de válvulas que, ao alimentar o piloto, bloqueiam o orifício de 1.4
alimentação.
No caso de válvulas que, ao alimentar o piloto, abrem o orifício de
1.4 ou 1.2
alimentação.
No caso de identificação por letras. X, YouZ
284 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
.. - . ·- ----- -- -· . - .. . . . .,
A.2. Transformações de Unidades
A.2.1. Unidades de Área
1 m2 1 µm2 1 mm2 1 cm2 1 dm2 1 km2
1 m2 = 1 1012 106 104 102 10-6
1 µm2 = 10-12 1 10-6 10-8 10-10 10-18
1 mm2 = 10-6 106 1 10-2 10-4 10-12
1 cm2 = 10-4 108 102 1 10-2 10-10
1 dm2 = 10-2 1010 104 102 1 10-8
1 km2 = 106 1018 1012 1010 108 1
A.2.2. Unidades de Volume
1 m3 1 mm3 1 cm3 ldm3 =11 1 km3
1 m3 = 1 109 106 103 109
1 mm3 = rn-9 1 10-3 10-6 ' 10-18
lcm3 = 10-6 lü3 1 10-3 10-15
ldm3=11 10-3 106 103 1 10-12
1 km3 = 109 1018 101s 1012 1
A.2.3. Unidades de Força (Peso)
N kN MN kp dina
1N= lkgm/s2 1 10-3 10-6 0,102 10s
1 kN = 103 1 10-3 0,102x103 108
lMN = 106103 1 0,102xl06 1011
1 kp = 9,81 9,81xl0-3 9,81x10-6 1 9,8lx105
1 dina = 10-s rn-8 10-11 0,102xl0-5 1
Apêndice A - Normas e Tabelas 285
A.2.4. Unidades de Pressão
Pa N/mm2 bar kp/cm2 psi
1Pa=lN/m2 1 10-6 10-s 1,02x10-5 1,450xl04
1 N/mm2 = 106 1 10 10,2 145,03
1 bar= 10s 0,1 1 1,02 14,503
1 kp/cm2 9,8lx103 9,8lx10-2 0,981 1 14,228
1 psi= 6,895xl03 6,895x10-3 6,895x10-2 6,804xI0-2 1
A.3. Características Mecânicas dos Aços
Society of Automotive Engineers (SAE)
Classificação
Tensões de
Tração (MPa) Observações
SAE
Ge ª·
1010 220 380 Laminado a quente
1020 340 540 Estirado
1020 295 400 Laminado
1030 360 560 Laminado
1035 380 590 Recozido
1040 420 630 Recozido
1040 560 770 Temperado e revenido a 450ºC.
1045 410 670 Laminado
1050 360 670 Recozido
1095 560 990 Normalizado
1095 420 840 Recozido
2340 840 960 Temperado e revenido a 540°C.
2340 390 660 Recozido
3150 900 1050 Temperado e revenido a 550°C.
4130 950 1050
Normalizado a 870°C, temperado em óleo a 840°C e
revenido por 2 horas.
4320 1050 1180
4340 1180 1320 Normalizado a 840°C, cementado a 920°C, tempera-
5135 1050 1250 do em óleo e revenido por 2 horas a 450ºC.
5160 1300 1500
8620 700 860
Normalizado a 840°C, cementado a 920ºC, tempera-
do em óleo e revenido por 2 horas a 400°C.
286 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Classificação
Tensões de
Tração (MPa) Observações
SAE
ae ar
8640 1250 1400
Normalizado a 840ºC, cementado a 920ºC, tempera-
do em óleo a 850°C e revenido por 2 horas a 450ºC.
9315 1050 1200
Normalizado a 860°C, cementado a 920ºC, tempera-
do em óleo a 800°C e revenido por 2 horas a 450ºC.
Fonte : Carvalho, J . R. e Moraes, P . Órgãos de Máquinas -
Dimensionamento. Livros Técnicos e Científicos, 1970.
• a. - tensão de escoamento na tração;
• a, - tensão de ruptura na tração;
• Módulo de Young (E= 205.000 MPa);
• Módulo de elasticidade transversal (G = 80.500 MPa).
Conversão:
• 1 MPa = 106 N/m2
A.4. Propriedades Mecânicas de Materiais Diversos
Material ae ar E G a y V
Acrílico 50 - 80 2.7 - 3.2 0.6 1200 0.4
Alumínio (puro) 40 200 70 26 23 2710 0.33
Alumínio (liga) 250-450 320-450 70-72 26-28 23 2700 0.33
Latão 259 427 101 38 18.5 8430 0.34
Bronze 280 546 122 47 17.5 7601 0.34
Ferro fundido --- 280 175 --- 12 7352 0.2-0.3
Ferro fundido 175 --- 12 7352 0.2-0.3
Cobre (puro) 60 735 110-120 40-46 17 8900 0.33-0.36
Vidro --- 400 50-80 20-35 5-11 2400-2800 0.2-0.27
Magnésio (liga) 245 30-1000 45 16.5 26 1825 0.35
Náilon --- 343 2.0-2.8 --- 0.8-1.0 1150 0.4
Policarbonato --- 65-86 2.0-3.0 --- 0.4-0.7 1100-1250 0.4
uPVC --- 56-66 1.0-3.5 --- 0.5-1.0 1300-1500 0.41
Carvalho (seco) 59 30-70 12.5 --- 691
Borracha (dura) --- 132 0.004 --- 130-200 860-2000 0.45-0.5
Aço inox 1120 5-32 196 87 17.3 7905 0.27-0.3
Apêndice A - Normas e Tabelas 287
Material Oe ar E G a y V
Titânio (puro) 400 1295 110 40 8-10 4500 0.33
Titânio (liga) 750-910 500 106 40 8-10 4470-4500 0.33
Tungstênio 1000 900-1040 360 150 4.3 1900 0.2
Fonte: Benham & Crawford - Mechanics of Engineering Material. Longman Scientific & Technical. .
A tabela exprime apenas valores médios - tomar como indicativos.
• ae - Tensão de escoamento (MPa);
• a, - Tensão de ruptura (MPa);
• E- Módulo de Youmg (GPa);
• G - Módulo de elasticidade transversal (Gpa);
• a - Coeficiente de dilatação térmica linear (xl0-6ºC-1
);
• y - Massa específica (kg/m3
);
• v - Coeficiente de Poisson.
Conversão:
• 1 MPá-= 106 N/m2
• 1 Gpa = 109 N/m2
A.5. Norma ASTM A 120 Schedule 40
Tubo de aço para condução de fluidos e outros fins
Diâmetro
Peso Teórico do
Tubo Preto
Espessura de
Com Parede Pontas
Nominal Externo Interno Roscas e
Lisas
Luvas 17
in in mm mm in mm Kg/m Kg/m
1/4 0,540 13,7 9,2 0,088 2,24 0,63 0,66
3/8 0,675 17,2 12,6 0,091 2,31 0,85 0,88
1/2 0,840 21,3 15,8 0,109 2,77 1,27 1,29
3/4 1,050 26,7 21,0 0,113 2,87 1,68 1,72
17 O peso corresponde a um comprimento médio de 6m.
Pressão
de
Ensaio
Kgt'cm2
50
50
50
50
288 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Diâmetro
Peso Teórico do
Tubo Preto Pressão
Espessura de
Com de
Parede
Nominal Externo Interno
Pontas
Roscas e Ensaio
Lisas
Luvas 17
in in mm mm in mm Kglm Kglm Kgf/cm2
1 1,315 33,4 26,1 0,133 3,38 2,50 2,56 50
1.1/4 1,660 42,2 35,1 0,140 3,56 3,38 3,45 70
1. 1/2 1,900 48,3 40,9 0,145 3,68 4,05 4,18 70
2 2,375 60,3 52,5 0,154 3,91 5,43 5,60 70
2.1/2 2,875 73,0 62,7 0,203 5,16 8,62 8,76 70
3 3,500 88,9 77,9 0,216 5,49 11,28 11,60 70
3.1/2 4,000 101,6 90,1 0,226 5,74 13,56 14,11 85
4 4,500 114,3 102,3 0,237 6,02 16,06 16,81 85
5 5,563 141,3 128,2 0,258 6,55 21,76 22,67 85
6 6,625 168,3 154,1 0,280 7,11 28,23 29,59 85
8 8,625 219,1 202,7 0,322 8,18 42,49 44,66 90
10 10,75 273,0 254,5 0,365 9,27 60,23 - 1 85
Dados técnicos dos tubos de aço para condução de fluidos e outros fins
1) Aço de baixo carbono sem especificação de análise.
2) Rosca conforme ASA B 2.1 - 1960.
Cone 1:16.
Rosca cilíndrica p/luvas Sch 40 até inclusive 2in.
Rosca duplo-cônica p/luvas Sch40 maior que 2in e todas as bitolas
Sch80.
3) Estados de fornecimento preto ou galvanizado com roscas e luvas ou
pontas lisas ou chanfradas 30°.
Apêndice A - Normas e Tabelas 289
A. 6. Comprimento de Tubo Equivalente à Perda de
Carga por Singularidades - [ m]
Conexões
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 1,1 1,34 1,58 2 2,25 2,6 2,8
@ FL.AN. 0,30 0,37 0,50 0,62 0,73 0,95 1,1
Diâmetro Nominal (in)
90° Cotovelo
3 3.1/2 4 5 6 8 10
comum ROSQ. 3,4 3,7 4,0 - - - -
FL.AN. 1,3 1,55 1,8 2,2 2,7 3,7 4,3
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 0,67 0,70 0,83 0,98 1,0 1,1 1,1
(jf8 FL.AN. 0,33 0,40 0,49 0,61 0,70 0,83 0,88 .
I Diâmetro Nominal (in)
,·
1
3 3.1/2 4 5 6 8 10
Curva 90°
ROSQ. 1,2 1,3 1,4 raio longo - - - -
FL.AN. 1,0 1,15 1,3 1,5 1,7 2,1 2,4
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 0,21 0,28 0,39 0,52 0,64 0,83 0,97
rl
FL.AN. 0,14 0,18 0,25 0,34 0,40 0,52 0,61
Diâmetro Nominal (in)
3 3.1/2 4 5 6 8 10
Curva 45° ROSQ. 1,2 1,45 1,7 - - - -
FL.AN. 0,8 0,95 1,1 1,4 1,7 2,3 2,7
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 1,1 1,3 1,6 2,0 2,3 2,6 2,8
~
FL.AN. 0,34 0,40 0,49 0,61 0,70 0,83 0,88
Diâmetro Nominal (in)
1 3 3.1/2 4 5 6 8 10
Curva 180°
ROSQ. 3,4 3,7 4,0 raio longo - - - -
FL.AN. 1,00 1,15 1,3 1,5 1,7 2,1 2,4
290 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 0,52 0,73 0,99 1,4 1,7 2,3 2,8
-·ç+ FLAN. 0,21 0,25 0,30 0,4 0,45 0,55 0,58
Diâmetro Nominal (in)
1 3 3.1/2 4 5 6 8 10
Tê fluxo
ROSQ. 3,7 4,45 5,2 em linha - - - -
FLAN. 0,67 0,74 0,85 1,0 1,2 1,4 1,6
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 1,3 1,6 2,0 2,7 3,0 3,7 3,9
-~ FLAN. 0,61 0,80 1,0 1,3 1,6 2,0 2,3
Diâmetro Nominal (in)
3 3.1/2 4 5 6 8 10
Tê fluxo
pelo ramal ROSQ. 5,2 5,8 6,4 - - - -
FLAN. 2,9 3,3 3,7 4,6 5,5 7,3 9,1
Conexão
Diâmetro Nominal (in) 1
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 0,17 0,20 0,25 0,34 0,37 0,46 0,52
~-
FLAN. - - - - - 0,80 0,83
Diâmetro Nominal (in)
3 3.1/2 4 5 6 8 10
Válvula
gaveta ROSQ. 0,58 0,67 0,76 - - - -
FLAN. 0,85 0,86 0,88 0,95 0,98 0,98 0,98
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 6,7 7,3 8,8 11,3 12,8 16,5 18,9
l- FLAN. 11,6 12,2 13,7 16,5 18,0 21,4 23,5
Diâmetro Nominal (in)
3 3.1/2 4 5 6 8 10
Válvula
ROSQ. 24,0 27,25 33,5 globo - - - -
FLAN. 28, 7 32,65 36,6 45,7 47,9 49,3 94,5
Apêndice A - Normas e Tabelas 291
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 4,6 4,6 5,2 5,5 5,5 5,55 5,55
ê FLAN. 4,6 4,6 5,2 5,5 5,5 6,4 6,7
Diâmetro Nominal (in)
3 3.1/2 4 5 6 8 10Válvula
ROSQ. 5,55 5,55 5,55 angular - - - -
FLAN. 8,5 10,05 11,6 15,2 19,2 27,4 36,6
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
ROSQ. 2,4 2,7 3,4 4,0 4,6 5,8 6,7
FLAN. 1,2 1,6 2,2 3,0 3,7 5,2 6,4
Válvula Diâmetro Nominal (in)
Retenção
Portinhola 3 3.1/2 4 5 6 8 10
, ROSQ. 8,2 9,7 11,6 - - - -
FLAN. 8,3 9,6 11,6 15,2 19,2 27,4 36,6
Conexão
Diâmetro Nominal (in)
1/2 3/4 1 1.1/4 1.1/2 2 2.1/2
f
ROSQ. 0,07 0,07 0,08 0,11 0,12 0,14 0,14
FLAN. 1,5 2,0 2,3 5,5 8,1 8,3 8,8
União Diâmetro Nominal (in)
FiltroY 3 3.1/2 4 5 6 8 10
ROSQ. 0,16 0,175 0,19 - - - -
FLAN. 10,4 11,6 12,8 16,2 18,6 - -
292 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A. 7. Nomograma para Determinação de Diâmetro de
Tubo de Linhas Pneumáticas
1
Comprimento da
tubulação (m)
10
20
2000
5000
A
200
100
B
Apêndice A - Normas e Tabelas
Eixo 1
e
Diâmetro interno
do tubo (mm)
500
400
300
250 Pressão de
regime
200 (bar)
150
40
30
25
20
D
2
E
Eixo 2
F
Queda de
pressão
(bar)
0,03
0,04
0,05
0,1
0,15
0,2
0,4
0,5
15
G
293
A.8. Cilindros Normalizados ISO - FESTO
Curo
Cursos Força de Força de
0 do
padrão mín. Avanço Retorno
Conexão cilindro máx. (mm)
(mm) N Kp N Kp
Cilindros de Simples Efeito - tipo ESN-... P/ESNU-... -P-A
8 20 2 M5
10 35 3,5 M5
12
10
50 5 M5
25 - - -
16
50
90 9 M5
20 148 14,8 Gl/8
25 250 25 Gl/8
Cilindros de Duplo Efeito - Tipo DSN - ... - DNSU - ... - P-A
8 24 2,4 16 1,6 M5
- 10 - 100
10 40 4 32 3,2 M5
12 ,• 55 5,5 68 3,8 M5
10 - 100
16 104 10,4 87 8,7 M5
20 - 10 - 320 170 17 140 - Gl/8
25 - 10 - 500 267 26,7 220 - Gl/8
Cilindros Duplo Efeito - Tipo DNG - ... - DNSU - ... - PPV-A
32 482 48,2 415 41,5 Gl/8
40 23 753 75,3 633 63,3 Gl/4
50 50 1178 117,8 990 99,0 Gl/4
63 80 1870 187,0 1682 168,2 G3/8
80 100 1a2000 3015 301,5 2720 272,0 G3/8
100 125 4712 471,2 4418 441,8 Gl/2
125 7360 736,0 6880 688,0 Gl/2
160 12064 1206,4 11310 1131,0 G3/4
200 18850 1885,0 18096 1809,6 G3/4
250 29450 2945,0
1a1000
28250 2825,0 Gl
320 48250 4825,0 46380 4638,0 Gl
Fonte: Catálogo de cilindros normalizados ISO - FESTO do BRASIL.
294 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A.9. Cilindros Normalizados ISO - PARKER
Dp dh Força Pressão (bar)
(mm) (mm) (N) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Avanço 64 129 193 257 332 386 450 515 579 643
32 12
Retomo 55 100 166 221 276 322 387 442 498 553
Avanço 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
40 16
Retomo 87 174 262 349 436 523 610 698 785 872
Avanço 157 314 470 627 784 941 1098 1254 1411 1508
50 20
Retomo 137 274 410 547 684 821 958 1094 1231 1368
Avanço 249 498 746 999,5 1244 1493 1742 1990 2239 2488
63 20
Retomo 218 437 655 875 1092 1310 1529 1747 1966 2184
Avanço 402 803 1205 1606 2008 2410 2811 3212 3614 4016
80 25
Retomo 371 742 1114 1495 1856 2227 2598 2970 3341 3712
Avanço 628 1256 1884 2512 3140 3768 4396 5024 5652 6080
100 25
Retomo 564 1128 1692 2320 2884 3448 4012 4640 5268 5896
Avanço 982 1963 2945 3927 4909 5890 6872 7854 8836 9817
125 32
7339 Retomo 917 1835 2752 3670 4587 5504 6422 8257 9174
Avanço 1608 3217 4825 6434 8042 9651 11259 12868 14476 16085
160 40
Retomo 1508 3016 4524 6032 7540 9048 10556 12064 13257 15080
Avanço 2513 5027 7540 10053 12556 15080 17593 20106 22619 25133
200 40
Retomo 2413 4825 7238 9651 12064 14476 16889 19302 21715 24127
Fonte: Catálogo de cilindros normalizados ISO - PARKER AUTOMATION.
Apêndice A- Normas e Tabelas 295
A.10. Exemplos de Cargas de Euler
...
QI
= LLI
QI
"O
l'CI
~
u
"' l'CI ....
Q z
296
Caso 1
Uma extremidade
livre, a outra fixa.
À.= 2 L
11
Cargas de Euler
Caso2
(Caso básico)
Duas extremidades
articuladas
Caso3
Uma extremidade
articulada e outra fixa .
Comprimento Livre de Flambagem
À. = L
Guiar a carga i:om
cuidado, porque há
possibilidade de
travamento.
Caso4
Duas extremidades
fixas .
À. = U2
Inadequado,
provável
ocorrência de
travamento.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. - - - -· .
APÊNDICE 1 B ~
Respostas dos Exercícios
....... ________________ .....
CapJtulo 1
1) e)
2) e)
3) b)
4) b)
5) a) 4905N/m2 e b) 32,7cm;
6) T2=81ºC
7) e)
8) a) P2=1,48Atm e b) V2 =2,35mm3
9) d)
10) b)
11) e)
________ --..;C;;..;.::a.p_ítulo 2
1) e)
2) b)
3) b)
4) e)
5) b)
Apêndice B - Respostas dos Exercícios 297
6), 7), 8) e 9) Questão dissertativa
10) Tubulação TRONCO= 03in
Linha secundária e de alimentação 01/2in
Capítulo 3
1) e)
2) b)
3) e)
4) Fa = 2721,4N e Va = 70mm/s
5) Questão dissertativa
6) Conforme tabela abaixo
Atuador Atuador
~% Duplex Comum
Fa(N) 5737,3 3016 +90
Fr(N) 5442,8 2721,4 +100
7) Questão dissertativa
8) Va=0,49m/s
9) Fa=30279,5N
10) Fa=283,3Nç Dp=32mm; dh= 12mm - Tabela A.9.
Capúulo 4
1) e)
2) e)
3) b)
4) b)
5) e)
6) b)
7) e)
8) b)
9) e 10) Questão dissertativa
298 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Exercício 1
a) Solução Eletropneumática
+-Pa-
271
A.1.1. Transformadores de Energia ........................................................ 271
A.1.2. Comando de Regulagem de Energia ........................................... 274
A.1.3. Transmissão e Condicionamento de Energia ............................... 277
A.1.4. Mecanismos de Comandos .......................................................... 279
A.1.5. Aparelhos de Controle ................................................................. 281
A.1.6. Elementos Especiais ..................................................................... 282
A.1.7. Cores Técnicas ............................................................................. 284
A.1.8. Identificação de Orifícios .............................................................. 284
A.2. Transformações de Unidades .............................................................. 285
A.2.1. Unidades de Área ........................................................................ 285
A.2.2. Unidades de Volume ................................................................... 285
A.2.3. Unidades de Força (Peso) ............................................................ 285
A.2.4. Unidades de Pressão .................................................................... 286
A.3. Características Mecânicas dos Aços ..................................................... 286
A.4. Propriedades Mecânicas de Materiais Diversos .................................... 287
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos 15
A.5. Norma ASTM A 120 Schedule 40 ........................................................ 288
A.6. Comprimento de Tubo Equivalente à Perda de Carga por
Singularidades - [m] .. ........ ................ ... ............ .. ............... ............. .. ... ....... . 290
A.7. Nomograma para Determinação de Diâmetro de Tubo de
Linhas Pneumáticas .... .. ..................... .............. ........ .... .... ............... ... ..... ... .. 293
A.8. Cilindros Normalizados ISO - FEST0 ... ...... ...... .. .. .. .............. ................ 294
A.9. Cilindros Normalizados ISO - PARKER ................................................ 295
A.10. Exemplos de Cargas de Euler. ............................................................ 296
Apêndice B - Respostas dos Exercícios ................................ .... ...... ...... .. .. 297
Índice Remissivo ........................................................................................... 317
Referências Bibliográficas ............................ ........ ..... ........ ........ ... .... ...... ... .. 323
16 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
. - . . ... - ...
CAPÍTULO L
----------02 o o o 1
04 o o 1 o
05 o o 1 o
06 o o 1 1
07 o o 1 1
09 o 1 o o
10 o 1 o 1
14 o 1 o 1
19 1 o o 1
20 1 o 1 o
21 1 o 1 o
22 1 o 1 1
23 1 o 1 1
27 1 1 o 1
31 1 1 1 1
Apêndice B - Respostas dos Exercícios
e
16
17
19
1
18
El=E s
o 1
o 1
1 1
o 1
1 1
1 1
o 1
o 1
1 1
o 1
1 1
o 1
1 1
1 1
1 1
305
Exercício 7
Mapa de Karnaugh:
E
õ
E
D E
E
8 B
e e e
o 4 12
1
1 5 13
1
3 7 15
1
[ 1
2
1
6 14
1
A
1
1
1 B 8 1
- 1 - e c:c e e
8 24 28 20 16
1
9 25 29 21 17
1 1
11 27 1 31 23 119
1 1
lU 26 30 22 18
1 1 -
Equação minimizada:
Exercício 8
ES :...:Ac__ __ ...n
E4 -=8'------------51
El.E2
&
E2 -+-.-----t___ _ _J
El.(E2+E3) (El.(E2+E3))T
>--~--52
.__ ____ ___,,, _________ E_1 __
53
El E2
[ J f----T--------1
El E2
El
T4:0/DN
El
E2
Temporizador de 15 segundos
TON-------,
1---...------,T!MER ON DELAY
Timer T4:0
E3 Time Base 1.0
Prese! 15
Accum O
51
52
53
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Cap,.ítulo 8-~----~~-----
Exercício 1
Passo 1 - Elaborar a tabela de correspondência:
Variáveis de Entrada Notação Correspondência Lógica
El El=l
Sensores eletrônicos E2 E2=1
Sensores acionados
E3 E3=1
E4 E4=1
Variáveis de Saída
Temporizador 1 Temp. acionado Tl=l
Contador 1 (conta peças pequenas) Contador acionado Cl=l
Temporizador 2 Temp. acionado T2=1
Contador 2 (conta peças grandes) Contador acionado C2=1
Passo 2 - Elaborar a tabela-verdade do(s) diagramas(s) de' Karnaugh
L E4 E3 E2 El T1 T2 Cl C2 L E4 E3 E2 El T1 T2 Cl C2
00 o o o o o o o o 08 1 o o o o o o o
01 o o o 1 o o o o 09 1 o o 1 o o o o
02 o o 1 o o o o o 10 1 o 1 o o o o o
03 o o 1 1 o o o o 11 1 o 1 1 o 1 o 1
04 o 1 o o o o o o 12 1 1 o o o o o o
05 o 1 o 1 1 o 1 o 13 1 1 o 1 1 o 1 o
06 o 1 1 o o o o o 14 1 1 1 o o o o o
07 o 1 1 1 o o o o 15 1 1 1 1 o 1 o 1
Passo 3 - Obter as equações dos diagramas de Karnaugh:
Observando a tabela verdade, verificamos que Tl e Cl são nas mesmas
linhas, bem como ocorre com T2 e C2. Assim o diagrama de Karnaugh para Tl
será o mesmo de Cl e o de T2, o mesmo de C2.
Apêndice B - Respostas dos Exercícios 309
310
e D
D
C D
D
A 1 A
B B B B
o 4 12 8
1 f-r--1l ~3 9
3 7 15 11
2 6 14 10
Equação de Tl=Cl
A A
8 B B 8
T1 D T2 e
D
1
Cl C2
e D
D
Tl = Cl = B.C.D = E3.E2.El
Equação de T2 = C2
T2 = C2 =AC.D = E4.E2.El
Passo 4 - Desenhar o diagrama lógico de comando
E3-+--+--1
E2 _.--+--a
El----1
&
&
T2
8s O
~
T1
4s O
~
Manual
CD
Llga alarme (caixa B cheia)
Dispara Atuador B (peças grandes)
Manual
CD
Liga alarme (caixa A cheia)
Dispara Atuador A (peças pequenas)
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
Passo 5 - Diagrama de contatos
El E2 E3 81
E-----j/E--------3 t------------i
El E2 E4 82
E-----j E--------3 1----------i
Temporizador de 4 segundos
81
TON
TIMER ON DELAY EN
Timer T4:0
Time Base 1.0 or9
Presei 4
Accum o
82
Temporizador de 8 segundos
[ TON
[---------~TIMER ON DELAY EN
Timer T5:0
Time Base 1.0
Presei 8
or9
Accum O
81 Contador de 50 peças
CTD CD
COUNTDOWN
Counler C4:0 D~ Presei 50
Accum o
82 Contador de 50 peças
CTD
COUNTDOWN
Counler C5:0
Presei 50
Accum o
T4:0/DN 51
[ Aciona atuador A e
TS:O/DN 52
[ Aciona atuador 8 e
C4:0/DN 53
[ Aciona alarme A e
CS:O/DN 54
[ Aciona alarme 8 e )-
ES Zera contador 1 e desliga alarme A C4:0
[ (RE5
E6
Zera contador 2 e desliga alarme 8
CS:O
[ (RE5
Apêndice B - Respostas dos Exercícios 311
Exercício 2
Circuito pneumático do dispositivo de dobra (figura 8.46).
"' w-
u
"' IJJ
'2
E ..
:>:
tn
"' w-
r:b
~
~
:>:
ai
....
IJJ
+ Gl u
'ó
E ..
:>:
f;:j
+
co
"' o
E .. Uj
:>:
312 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
-6'
til>
::i o.
2·
OJ
~
"d
~ s-
"' o.
~
[TI
~
(i
(i'
~·
w
1--'
w
EO~K,J E2JK2JE.Jlinterna
dele (figura 1.1). Sua unidade no S.I. é dada em N/m2 ou Pa (pascal), embora
seja comum ainda a utilização de unidades como (atrn, bar, kgf/mm2
, Psi, etc.).
' t t t /
Ar
+--- comprimido --+
/ ! ! ! "-..
Figura 1.1 - Recipiente com ar comprimido.
Conceitos e Princípios Básicos 19
1.1. 7. Pressão em um Atuador Pneumático
É a relação entre a força que se opõe ao movimento de extensão de um
atuador e a seção transversal interna dele (área do pistão Ap. figura 1.2).
Atuador
Figura 1.2 - Pressão em um atuador pneumático.
F
P=
Ap
1.2. Caracteristicas e Vantagens da Pneumática
(1.1)
Comparativamente à hidráulica, a pneumática é sem dúvida o elemento
mais simples, de maior rendimento e de menor custo que pode ser utilizado na
solução de muitos problemas de automatização. Fato este devido a uma série de
características próprias de seu fluido de utilização, que no caso é o ar.
Em seguida, serão apresentadas essas características.
1.2.1. Quantidade
O ar para s
1
er comprimido existe em quantidades ilimitadas.
1.2.2. Transporte
O ar comprimido é transportado por meio de tubulações, não existindo
para esse caso a necessidade de linhas de retomo, como é feito nos sistemas hi
dráulicos.
1.2.3. Armazenagem
Ao contrário da hidráulica em que durante o funcionamento do circuito
faz-se necessário o contínuo trabalho da bomba (na maioria dos casos) para a
circulação do fluido que se encontra armazenado em um tanque anexo ao equi
pamento, em pneumática o ar é comprimido por um compressor e armazenado
em um reservatório, não sendo assim necessário que o compressor trabalhe con-
20 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
tinuamente, mas sim, somente, quando a pressão cair a um determinado valor
mínimo ajustado em um pressostato.
1.2.4. Temperatura
Diferentemente do óleo que tem sua viscosidade afetada pela variação da
temperatura, o ar comprimento é insensível às oscilações desta, permitindo um
funcionamento seguro, mesmo em condições extremas.
1.2.5. Segurança
O ar comprimido não apresenta perigos de explosão ou incêndio, e mesmo
que houvesse explosão por falha estrutural de um componente, tubulação, man
gueira, ou mesmo do reservatório de ar comprimido, a pressão do ar utilizado em
pneumática é relativamente baixa (6 a 12bar), enquanto em hidráulica trabalha
-se com pressões que chegam à ordem de 350 bar.
1.2.6. Limpeza
Uma vez que o fluido de utilização é o ar comprimido, não há risco de po
luição ambiental, mesmo ocorrendo eventuais vazamentos nos elementos mal
vedados. Este fato toma a pneumática um sistema excelente e eficiente para apli
cação na indústria alimentícia e farmacêutica.
1.2. 7. Construção
Uma vez que as pressões de trabalho são relativamente baixas quando
comparadas à hidráulica, seus elementos de comando e ação são menos robustos
e mais leves, podendo ser construídos em liga de alumínio, tomando seu custo
relativamente menor, portanto mais vantajoso.
1.2.8. Velocitlade
É um meio de trabalho que permite alta velocidade de descolamento, em
condições normais entre 1 e 2m/s, podendo atingir lOm/s no caso de cilindros
especiais e 500.000 rpm no caso de turbinas pneumáticas.
Conceitos e Princípios Básicos 21
1.2.9. Regulagem
Não possuem escala de regulagem, isto é, os elementos são regulados em
velocidade e força, conforme a necessidade da aplicação, sendo da escala de zero
ao máximo do elemento.
1.2.1 O. Segurança contra Sobrecarga
Diferentemente dos sistemas puramente mecânicos ou eletroeletrônicos, os
elementos pneumáticos podem ser solicitados, em carga, até parar, sem sofrer
qualquer dano, voltando a funcionar normalmente tão logo cesse a resistência.
1.3. Desvantagens da Pneumática
1.3.1. Preparação
A fim de que o sistema possa ter um excelente rendimento, bem como uma
prolongada vida útil de seus componentes, o ar comprimido requer uma boa
preparação da qualidade do ar, isto é, isento de impurezas e umidade, o que é
possível com a utilização de filtros e purgadores, conforme será visto mais adian
te.
1.3.2. Compressibilidade
A compressibilidade é uma característica não apenas do ar, mas também
de todos os gases, que impossibilita a utilização da pneumática com velocidades
uniformes e constantes. Isto que dizer que diferentemente da hidráulica, ou mes
mo da eletrônica, em controle de servomotores para movimentos de precisão, a
pneumática não possibilita controle de velocidade preciso e constante durante
vários ciclos seguidos.
1.3.3. Força
Considerando a pressão normal de trabalho nas redes pneumáticas indus
triais, ou seja, uso econômico (6 bar), é possível, com o uso direto de cilindros,
chegar a forças de 48250 N (capacidade para erguer uma massa de 494kg) com
atuador linear ISO de Dp = 320mm - (tabela A.8 - Apêndice A).
22 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
1.3.4. Escape de Ar
Sempre que o ar é expulso de dentro de um atuador, após seu movimento
de expansão ou retração, ao passar pela válvula comutadora, espalhando-se na
atmosfera ambiente, provoca um ruído relativamente alto, apesar de que nos dias
de hoje, este problema foi quase totalmente eliminado com o desenvolvimento e
aplicação de silenciadores.
1.3.5. Custos
Quando levados em consideração os custos de implantação dentro de uma
indústria {produção, preparação, distribuição e manutenção), eles podem ser
considerados significativos. Entretanto, o custo da energia é em parte compensa
do pelos elementos de preços vantajosos e rentabilidade do equipamento.
1.4. Rentabilidade da Pneumática
O que fora exposto no parágrafo anterior (1.3.5), pode levar ao leitor a
pensar que a pneumática é uma energia caríssima, contudo convqm lembrar que,
ao efetuar um cálculo de rentabilidade real, consideram-se além do custo da
energia, os custos gerais acumulados. Analisando então, desta forma, verificar-se-á
que, na maioria dos casos, o custo da energia empregada para desempenhar um
dado trabalho é significantemente menor quando comparado aos salários, custos
de investimentos e manutenibilidade.
Entretanto, é de extrema importância que ao instalar uma rede de pneu
mática em uma indústria, em que haverá com certeza diversos pontos de utiliza
ção, conexões de derivação, engates rápidos, tubulações muitas vezes instaladas
em locais em que há a ação corrosiva de vapores, etc., tenha-se a certeza da ine
xistência de pontos de vazamento.
Por incrível que pareça, embora o fluido de utilização para o acionamento
dos atuadores seja o ar, portanto nada mais que a própria atmosfera de nosso
planeta, cuja existência é abundante, pequenos vazamentos podem tem impor
tância significativa em termos de custo, quando analisados frente à rentabilidade.
Imaginemos assim, uma rede pneumática instalada em uma indústria, e
que ao longo de seus mais de 200m de tubulações, existissem pequenos orifícios
de vazamento que somados totalizassem uma área de 20mm2 {área equivalente a
um furo de diâmetro Smm), a uma pressão de trabalho de 6 kgf/cm2 (:::6bar). De
acordo com diagrama de escape de ar (figura 1.3) apresentado em seguida, isto
representa, no sistema, uma perda de ar equivalente a lm3/min.
Conceitos e Princípios Básicos 23
Volume de
escapamento
(m3/min.)
·~
2 1
1
1
1
1
1
1
1,5
1
1
1
1
f
1 1
--r- - -
1
f
1
1
1
1
1
1
1
f
1
1
1
1
1
f
1
1
1
1
1
1
1
1
' 1
1
' 1
1 f
1
1
:
1 /
1 1 /
1 1 /
1 /
1 ./
y ./
:I/ ' ./
1 y 6K
1
gf/cm2
1 / ,
1
,,
1
f / 1
f
1 !/ ,-
1
'/ 1
/ ' y 4K gf/cm2
~" 1 / • 1
./ 1
1 1
1 V 1
/f 1
1
,,. " 1 1
1 J.,. 2 Kg
1 ._... .... f
-'-
f
f/cm2
J.-. ~ 1
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
1
f y y ._...,,.,.. f 1
1 1
1 ' v : ~
1
1 1 f
1 ~ / ' ~ 1 1
// .J...--""1 f ' 1 f
~ 1 ' 1 1 '
1
5 : io 15 20 25 : 30 35 i4o
2 3 3,5 4 5 6 7
Figura 1.3 - Diagrama de escape dear.
- Tamanho de
abertura (mm2)
Diâmetro de
abertura (mm)
A fim de podermos entender melhor o que representa esta perda em ter
mos de rentabilidade, ou seja, quantidade de trabalho produzido por metro cúbi
co de ar (ciclos/in3), imaginemos um dispositivo pneumático de dobra, tal qual o
representado na figura 1.4 em seguida.
24
Fixação
lil Dobra
B
r-~-:~bA:d~~~~~~~~~;;;;;;;±:~~~C::::::ihapadeaço2mm
2il Dobra
e
Figura 1.4 - Dispositivo de dobra.
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
A fim de tomar ao leitor o exemplo o mais real possível, os dados que serão
listados na tabela 1.1 em seguida, referentes aos cilindros pneumáticos do dispo
sitivo, correspondem às dimensões reais necessárias ao dobramento de uma cha
pa de aço SAE 1010/1020 de dimensões (2mm x lOOmm x 180mm).
Tabela 1.1 - Dados dos atuadores pneumáticos do dispositivo.
Cilindro
Diâmetro Diâmetro Curs·o L Fluxo de Ar (Q)
(função)
Pistão Dp Haste Dh (mm) p/1 ciclo
(mm) (mm) completo (l/seg)
A
40 16 10
Fixação da peça
0,0058
B
40 16 40 0,0581
1ª Dobra
e
40 16 80 0,1392
2ª Dobra
Tempo de 1 ciclo completo = 15 segundos Total: 0,20313
Conforme visto na tabela, são necessários 0,2031 Vseg de ar para execução
da tarefa. Ou seja, um ciclo completo de trabalho que consiste em:
1. Colocação manual da chapa no dispositivo;
2. Fixação dela por meio do avanço do atuador A;
3. Execução da 1 ~ dobra por meio do atuador B que se mantém distendi
do após finalização dela;
4. Execução da 2~ dobra por meio do atuador C que, ao finalizá-la, pro
voca o retomo do atuador B, bem como o próprio retomo;
5. Retomo do atuador A (liberação da peça), que se dá quando os atua
dores B e C estiverem finalmente em sua posição de repouso.
Convertendo assim os 0,2031 Vseg de ar à mesma unidade referida no dia
grama 1.3, teremos que para execução deste ciclo são necessanos
0,012186m3/min de ar. Desta forma teremos que o número de ciclos (NC) pos
sível de executar com a referida perda de 1 m3/min será:
3 Nos capítulos seguintes o leitor vai conhecer o equacionamento que toma possível
chegar ao conhecimento desta variável.
Conceitos e Princípios Básicos 25
NC= (1.2) = 82 ciclos
(
0,012183m.
3 )1( ~ 3
) m
3
mm ciclo
Apenas aprofundando um pouco mais nossa análise, admitamos que a
produção mensal necessária, dessa peça dobrada, seja de 2460 peças/mês, por
tanto 2460 ciclos Uá que para cada ciclo completo faz-se uma peça). Se dividir
mos este valor pelo obtido em (1.1), teremos a quantidade de metros cúbicos de
ar perdido durante essa pequena produção.
2460ciclos
[ 82c~l~s)
=30m 3 (1.3)
Volume este perdido em apenas 30 minutos, pois conforme havíamos visto,
a perda devido aos orifícios na tubulação chega a lm3/min. Imagine agora o lei
tor que se a rede permanecer alimentada com ar 24 horas por dia, o que isto
representa anualmente em termos de perda de rentabilidade.
Conclusão
A análise dp que fora exposto permite concluirmos o quanto é rentável a
pneumática e como ela se adapta a serviços monótonos, cansativos e repetitivos,
sendo, por isso, escolhida para tais casos em substituição à energia humana. Em
casos como este citado no exemplo, seria completamente antiprodutivo e nada
muito econômico colocar um funcionário operador de máquina viradeira (opera
dor de grande habilidade manual e com ótima técnica para ajustes da máquina) a
dobrar peça a peça. Opta-se então por um dispositivo pneumático - manual, que
pode ser operado por um simples ajudante, de custo relativamente mais baixo
que o primeiro.
1.5. Propriedades Físicas do Ar
A título de uma melhor compreensão das vantagens da utilização da
pneumática como meio de automação, serão estudadas em seguida as três pro
priedades físicas do ar que conferem à pneumática o status de meio de automati
zação de custo baixo, limpo e altamente rentável.
26 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
1.5.1. Expansibilidade
O ar, bem como todos os gases, não tem forma definida, o que lhe permite
adquirir a forma do recipiente que o contém, mudando-a ao menor esforço (figu
ra 1.5).
Ar
Figura 1.5 - Expansibilidade do ar nas diversas formas pelas quais circula.
1.5.2. Compressibilidade a Temperatura Constante (Isotermia)
Como fora visto, o ar expande-se ocupando totalmente o ambiente pelo
qual circule. Assim, pode-se concluir que por meios mecânicos é possível levá-lo à
condição oposta, ou seja, comprimi-lo. Desta forma, se tivermos um recipiente o
qual possa ser hermeticamente fechado, e o dotarmos de um mecanismo que
impeça a saída desse ar (válvula de retenção), poderemos insuflá-lo nesse reci
piente, em quantidade, tanto quanto se deseje, mantendo, é claro, o limite de
segurança (resistência mecânica do compartimento). Quanto mais fluido for insu
flado no recipiente, mais a pressão interna dele aumentará (figura 1.6).
o o P1
&~ ºo
P2>P1
(j & o é9 é9 o Injeção ~ ~ Jó>é8 o
Injeção
é9 & dJ é9 de ar ~J~tt~'lf de ar
&& & o o é9 +-- +--isotérmica.
Conceitos e Princípios Básicos
V
29
1.5.3. Elasticitlade
É a propriedade que possibilita ao ar retornar a seu volume inicial, uma vez
cessado o esforço que o havia comprimido (figura 1.9).
Figura 1.9 - Retorno do êmbolo à condição inicial cessada a força F (propriedade da elasticidade) .
1.6. Lei de Gay-Lussac
1.6.1. Transformação Isobárica
A figura 1.10 apresenta um recipiente dotado de um manômetro e de um
termômetro. No interior do recipiente, sob o êmbolo, há uma certa quantidade
fixa de gás a uma temperatura T 1 e pressão P 1. O recipiente é então aquecido,
elevando assim a temperatura do gás e causando com isso uma expansão térmica
dele. Essa expansão resulta na elevação do êmbolo. Entretanto, se não houver
nenhuma carga crescente atuando sobre o êmbolo, a pressão em P2 permanece
inalterada (constante --7 P 1=P2). Desta forma, o quociente entre V 1 e T 1, assim
como V2 e T2. será igual (equação 1.11).
QH
Figura 1.10 - Recipiente com gás submetido a uma variação de temperatura.
Como pode ser visto na figura (V1e) 318,lSK.
36 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
5) A figura seguinte representa um gás ideal contido num cilindro hermetica
mente fechado por um êmbolo que se pode mover livremente. A massa do
êmbolo é de 0,5Kg e a área em contato com o gás tem 10cm2. Admita
g=9,81m/s2.
a) Qual é a pressão que o êmbolo exerce sobre o gás?
b)
•
•
•
•
•
•
Se h=Scm a 27ºC, qual será essa altura se o gás for aquecido a 177ºC?
Massa do êmbolo = 0,5Kg
Gravidade g =9,81m/s
2
, 2
Area do êmbolo A = lücm
P1=?
T1 =27ºC ---7 h1 =Sem
T2 =177°C---7 h2 =?
Figura 1.14 - Cilindro com êmbolo.
6) Um recipiente que resiste até a pressão 3,0x105Pa contém ox1gemo sob
pressão de 1,0x105Pa e temperatura de 27°C. Desprezando o efeito da di
latação térmica do recipiente, calcule a máxima temperatura que o oxigênio
pode atingir antes da explosão eminente.
7) Um gás, suposto ideal, está contido num recipiente cujo volume se mantém
constante a qualquer temperatura. Se a pressão do gás é de 2,0x105Pa a
27°C, pode-se afirmar que a 327ºC essa pressão será, em bar, de:
a) 2·
'
b) 4·
'
e) fr
'
d) 8·
'
e) 24,2.
Conceitos e Princípios Básicos 37
8) Uma bolha de ar com 1,0mm3 de volume forma-se no fundo de um lago de
5,0m de profundidade e sobe à superfície. A temperatura no fundo do lago é
de 17°C e na superfície de 27°C.
a) Qual é a pressão no fundo do lago?
b) Admitindo que o ar seja um gás ideal, calcule o volume da bolha quan
do ela atingir a superfície do lago.
Considere os seguintes dados para a solução: P1 = latm, g=9,81m/s2
,
PH20= 1000Kg/m3
.
9) Um cilindro, de área de seção transversal reta A, é provido de um êmbolo
móvel, podendo-se variar, assim, o volume de um gás (ideal) contido no ci
lindro. Quando o êmbolo está na marca 0,30, como mostra a figura, a tem
peratura é de 300K e a pressão é P. Levando o êmbolo até a marca 0,20 e
aumentando a temperatura para 400K, a nova pressão do gás vale:
a)
p
2'
b) ~p.
4 '
e)
4
-P·
3 '
d) 2P;
e) P.
p
....
0,10 0,20 0,30
T1=300K
Figura 1.15 - Cilindro com gás sendo comprimido.
38 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
1 O) O gráfico seguinte representa transformações sofridas por um gás ideal. As
sinale a alternativa correta.
p
A
4P
lP
V 3V
Figura 1.16 - Gráfico de um processo.
a) A isoterma que passa por A passa por B.
b) A temperatura em A é mais elevada que em B.
e) A temperatura em B é igual em C.
d) A temperatura em B é maior que em C.
e) Não há informações sobre a temperatura do sistema, visto o gráfico
apresentar pressão versus volume.
11) Suponha que no exercício 5, quando o êmbolo atingir a altura h, seja então
preso por um pino, não mais podendo se -movimentar. O cilindro então é
imediatamente submerso em um tanque contendo nitrogênio a uma tempe
ratura (T= 450,15°K) . Determine o valor da nova pressão interna mediante
esta variação brusca de temperatura;
a) 1,35Pa
b) 8xl0-5bar
e) 797N/m2
d) 1,27N/cm2
e) 2Pa
Conceitos e Princípios Básicos 39
12) Uma certa quantidade de gás ideal se encontra em equilíbrio termodinâmico
no interior de um recipiente metálico. Esse recipiente é provido de um
êmbolo móvel, sem atrito, de massa m e de seção reta de área A Nessa situ
ação, o volume ocupado pelo gás é de cinco litros. Em seguida, coloca-se
um novo êmbolo, idêntico ao primeiro, sobre o conjunto. Restabelecido o
equilíbrio, o volume ocupado pelo gás diminui para 4,0 litros. A temperatura
e a pressão atmosféricas permanecem constantes no decorrer da experiência.
Assim, pede-se afirmar que a pressão atmosférica vale:
a) 1 mg/A
b) 2 mg/A
e) 3 mg/A
d) 4 mg/A
e) 5 mg/A
13) Um cilindro dotado de um êmbolo contém inicialmente em seu interior qua
tro litros de gás perfeito nas condições normais de temperatura e pressão
(CNTP) . Diminuindo a pressão do gás para 2/3 da inicial e aumentando sua
temperatura em 503, densidade do gás toma-se:
40
a) 4/9 da inicial
b) 5/9 da inicial
e) 2/3 da inicial
d) 7 /9 da inicial
1
e) 8/9 da inicial
Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento e Análise de Circuitos
CAPÍTULO
Produção e Distribuição do Ar Comprimido
...... __________________ ....
2.1. Introdução
Como já fora visto, a pneumática utiliza-se do ar como fonte de energia
para o acionamento de seus automatismos. Esse ar, entretanto, necessita ser co
locado em determinadas condições apropriadas para sua utili21ação. São elas:
pressão adequada e qualidade (isenção de impurezas e umidade). A condição de
pressão adequada é conseguida com a utilização de compressores, já a de quali
dade utiliza-se de recursos como purgadores, secadores e filtros, os quais serão
abordados mais adiante.
Dois são os princípios conceptivos em que se fundamentam todas as espé
cies de compressores de uso industrial: volumétrico e dinâmico.
Nos compressores volumétricos ou de deslocamento positivo, a eleva
ção de pressão é conseguida com a redução do volume ocupado pelo gás. Na
operação dessas máquinas podem ser identificadas diversas fases, que
constituem o ciclo de funcionamento: inicialmente, uma certa quantidade de
gás é admitida no interior de uma câmara de compressão, que então é cerrada e
sofre redução de volume. Finalmente, a câmara é aberta e o gás liberado para
consumo.
Trata-se, pois, de um processo intermitente, no qual a compressão propria
mente dita é efetuada em sistema fechado, isto é, sem qualquer contato com a
sucção e a descarga. Conforme iremos constatar logo adiante, pode haver algu
mas diferenças entre os ciclos de funcionamento das máquinas dessa espécie, em
função das características específicas de cada uma.
Os compressores dinâmicos ou turbocompressores possuem dois órgãos
principais: impelidor e difusor. O impelidor é um órgão rotativo munido de pás
Produção e Distribuição do Ar Comprimido 41
que transfere ao gás a energia recebida de um acionador. Essa transferência de
energia se faz em parte na forma cinética e em outra parte na forma de entalpia.
Posteriormente, o escoamento estabelecido no impelidor é recebido por um ór
gão fixo denominado difusor, cuja função é promover a transformação da ener
gia cinética do gás em entalpia, com conseqüente ganho de pressão.
Os compressores dinâmicos efetuam o processo de compressão de maneira
contínua, portanto corresponde exatamente ao que se denomina, em termodi
nâmica, um volume de controle.
Os compressores de maior uso na indústria são os alternativos, de palhetas,
de parafusos, de lóbulos, centrífugos e axiais. Num quadro geral (figura 2.1), es
sas espécies podem ser assim classificadas, de acordo com o princípio conceptiva:
Alternativos
Palhetas
Volumétricos
Rotativos Parafusos
Compressores
Lóbulos (roots)
Centrífugos
Dinâmicos
Axiais
Figura 2.1 - Quadro geral de compressores industriais.
Nas aplic9ções industriais, normalmente são previstos compressores com
grandes reservatórios a fim de atender à grande demanda de automatismos em
diversos pontos, que são interligados por meio de uma rede tubular, possibilitan
do assim sua distribuição de forma igualitária e sem perdas significativas.
No projeto de uma central de compressão, é sempre importante, quando
do dimensionamento, considerar a possibilidade e necessidade de uma futura
ampliação e aquisição de novos equipamentos pneumáticos, pois um aumento
na central de compressão "a posteriori" torna-se muito caro.
2.2. Processos de Compressão do Ar
Limitar-nos-emos, neste texto, a focalizar esses compressores, mesmo reco
nhecendo que outros podem ser eventualmente encontrados em aplicações in
dustriais, como, por exemplo, os compressores de anel líquido e de diafragma.
Especial atenção será dispensada aos compressores alternativos, centrífugos e
axiais, que são, sem dúvida, os mais empregados em processamento industrial.
42 Automação Pneumática - Projetos, Dimensionamento