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GERÊNCIA DE RISCOS
UNIDADE I
REVISÃO ESTATÍSTICA E 
INTRODUÇÃO A RISCOS
Autoria
Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................4
UNIDADE I
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS ....................................................................................................7
CAPÍTULO 1 
ESTATÍSTICA DESCRITIVA ............................................................................................................................................... 7
CAPÍTULO 2 
ESTATÍSTICA INFERENCIAL ......................................................................................................................................... 15
CAPÍTULO 3 
ÁLGEBRA BOOLEANA .................................................................................................................................................... 32
CAPÍTULO 4 
ASPECTOS BÁSICOS: O QUE É E COMO MEDIR O RISCO? .......................................................................... 34
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................48
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INTRODUÇÃO
Bem-vindo(a) à disciplina “Gerência de Riscos”. Este é o nosso caderno de estudos 
e pesquisa, material básico para os conhecimentos exigidos na área da saúde do 
trabalhador e meio ambiente do trabalho. Você já fez uma análise de risco? Ela está 
presente em muitas cenas cotidianas, como as listadas a seguir.
 » Ao olhar o céu, decidir por levar ou não o guarda-chuva.
 » Ao comprar um imóvel ou um ônibus.
 » Ao decidir por autorizar ou não os filhos a viajarem com os amigos.
 » Ao escolher entre tirar nota baixa ou colar em uma prova.
 » Ao atravessar a rua.
 » Ao aceitar ou não uma proposta de emprego.
 » Ao encontrar um caminhão bastante lento em aclive sinuoso: ultrapassar ou 
frear forte?
 » Ao dizer sim no casamento!
 » Ao planejar uma viagem de férias.
Muito provavelmente sim. Faz-se análise de risco o tempo todo, porém de maneira 
aleatória e, muitas vezes, involuntariamente. As decisões mudam e nem sempre todos 
os aspectos são considerados. Esta disciplina – mediante as técnicas de análise de risco 
– ajudará a decifrar, entender e avaliar o meio ambiente do trabalho sob a perspectiva 
da prevenção. 
A ênfase deste curso está na abordagem estatístico-probabilística juntamente às técnicas 
de análise de risco difundidas pela Engenharia de Segurança de Sistemas. Esta disciplina 
faz uso de todos os recursos da engenharia oferece, preocupando-se em detectar toda 
a probabilidade de incidentes críticos que possam inibir ou degradar um sistema de 
produção, com o objetivo de identificar esses incidentes críticos, controlar ou minimizar 
sua ocorrência e seus possíveis efeitos. 
Considerando que este curso é uma especialização em nível superior, registre-se, 
de pronto, de que este material de estatística apenas introduz o suporte teórico 
às análises e decisões que devem ser tomadas no âmbito da gerência do risco. Por 
isso, o cursista deve procurar revisar livros de estatística básica para complementar 
o conteúdo aqui iniciado. 
Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados! 
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INTRODUÇÃO
Objetivos
 » Apresentar e discutir aspectos teóricos e práticos sobre o gerenciamento de riscos, 
utilizando ferramentas para análise de riscos e tomadas de decisão voltadas à 
engenharia de segurança do trabalho.
 » Apresentar e discutir aspectos teóricos e práticos sobre o gerenciamento de riscos, 
utilizando ferramentas para análise de riscos e tomadas de decisão voltadas à 
engenharia de segurança do trabalho.
 » Conhecer e utilizar as técnicas de análise de riscos como ferramentas para uma 
gestão de riscos.
 » Apropriar-se dos mecanismos de controle para intervenção ambiental.
 » Entender as definições básicas ao classificar e identificar perigo, risco e fator de 
risco ambiental.
 » Capacitar-se para avaliação e gestão de riscos.
 » Conhecer e interpretar corretamente técnicas, métodos e testes estatísticos e 
probabilísticos que instrumentalizam a engenharia de segurança do trabalho.
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UNIDADE IREVISÃO ESTATÍSTICA E 
INTRODUÇÃO A RISCOS
Ao considerar a destinação deste material a profissionais graduados, faz-se a seguir um 
apanhado superficial sobre estatística para fins de nivelamento. Será necessário que 
o leitor recorra aos materiais da graduação para uma revisão mais profunda, inclusive 
para fins de resolução de exercícios e atividades. Isso se deve ao fato de que, mais à 
frente, serão fundamentadas as técnicas de engenharia de risco.
CAPÍTULO 1 
ESTATÍSTICA DESCRITIVA
 » Estatística descritiva: é a apresentação, organização, sumarização e descrição de um 
conjunto de dados. Está relacionada a gráficos, tabelas e cálculos de medidas com 
base em uma coleção de dados numéricos. Encarrega-se de descrever um conjunto 
de dados desde a elaboração da pesquisa até o cálculo de determinada medida.
Figura 1. Fluxograma de apresentação e organização de um conjunto de dados.
Coleta de
dados
Crítica dos
dados
Apresentação 
dos dados
Tabelas
Gráficos
Análise
Fonte: elaborada pelo autor.
 » Estatística inferencial: é o método que torna possível a estimativa de características 
de uma população com base em resultados amostrais. Seu início deu-se sobre a 
formulação matemática da teoria da probabilidade em jogos de azar. 
 » Indivíduos: são os objetos descritos por um conjunto de dados. Os indivíduos 
podem ser pessoas, mas podem também ser animais ou objetos.
 » Variável: é qualquer característica de um indivíduo. Uma variável pode tomar 
valores diferentes para indivíduos distintos.
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UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
 » População: é o conjunto de indivíduos, podendo ser finita ou não.
 » Amostra: é a parte finita e representativa da população, capaz de reproduzir as 
suas características. Subconjunto da população. O processo de extração da amostra 
é chamado amostragem.
 » Variável categórica: indica a qual de diversos grupos ou categorias um indivíduo 
pertence.
 » Variável quantitativa: toma valores numéricos com os quais tem sentido efetuar 
operações aritméticas, como somar ou tomar médias.
 » Amostra aleatória simples (AAS) de tamanho n: consiste em n indivíduos, ou 
elementos, da população, escolhidos de maneira que qualquer conjunto de n 
indivíduos tenha a mesma chance de constituir a amostra extraída.
 » Teorema central do limite: afirma que, quando o tamanho da amostra aumenta, a 
distribuição amostral da sua média se aproxima cada vez mais de uma distribuição 
normal. Esse resultado é fundamental na teoria da inferência estatística. Na 
inferência estatística, a utilidade do teorema central do limite vai desde estimar os 
parâmetros como a média populacional ou o desvio padrão da média populacional, 
a partir de uma amostra aleatória dessa população, ou seja, da média amostral e 
do desvio padrão da média amostral até calcular a probabilidade de um parâmetro 
ocorrer dado um intervalo, sua média amostral e o desvio padrão da média 
amostral.
 » Valor P: do teste é a probabilidade – supondo-se H0 (hipótese nula) verdadeira – 
de estatística de um teste assumir um valor no mínimo tão extremo quanto o valor 
efetivamente observado. Quanto menor for o valor P, mais forte será a evidência 
contra H0 fornecida pelos dados.
 » Nível de significância: é o valor decisivo de P representado por α.
1.1. Medidas de tendência central
O objetivo de utilizar as medidas de tendência central é caracterizar o centro de uma 
distribuição de uma variável. As principais medidas utilizadas são: moda, mediana e média.
1.1.1. Moda
Quando a variável é qualitativa, a única medida que se pode utilizar é a moda. Essa 
medida é a categoria da variável mais frequente em uma distribuição,mecânicas altas. Depende sempre do critério adotado!
Se o ambiente do trabalho for identificado como fonte de estresse e medo nas relações 
interpessoais, a consequência pode ser a incapacidade laboral, frequentemente associada 
a transtornos mentais. Dado que a incidência desses transtornos é alta, os riscos nesse 
cenário seriam consideráveis – até maiores do que na construção civil.
Em termos analíticos e quantitativos, é mais arriscado, da perspectiva do empregado, 
desenvolver transtorno mental (F22) como bancário em uma agência financeira (CNAE 
6422) do que em uma obra de construção civil (CNAE 4210). Isso ocorre porque, no 
primeiro caso, a probabilidade é de 50 x 10-4, enquanto no segundo caso é de 5 x 10-4, 
ou seja, a probabilidade de desenvolver transtornos mentais é dez vezes maior no setor 
bancário. Por outro lado, ao considerar o risco de acidentes com perfurocortantes, a 
construção civil apresenta um risco maior.
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REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
O risco poderá ter, pelo menos, três significados:
 » Hazard: uma ou mais condições de uma variável com potencial necessário para 
causar danos como lesões pessoais, danos a equipamentos e instalações, danos 
ao meio-ambiente, perda de material em processo ou redução da capacidade 
de produção. A existência do risco implica a possibilidade de existência de 
efeitos adversos.
 » Risk: expressa uma probabilidade de possíveis danos em um período específico 
de tempo ou número de ciclos operacionais, podendo ser indicado pela 
probabilidade de um acidente multiplicado pelo dano em valores monetários, 
vidas ou unidades operacionais.
 » Incerteza: quanto à ocorrência de um determinado acidente. Para a SST, o 
risco expressa uma probabilidade de possíveis danos em um período específico 
de tempo ou número de ciclos operacionais, ou seja, representa o potencial 
de ocorrência de consequências indesejáveis.
O risco pode ser calculado por meio da identificação dos efeitos adversos potenciais 
de um fenômeno a ser analisado, com a compreensão da estimativa de sua 
probabilidade e da magnitude de seus efeitos. 
Risco = Probabilidade x Impacto.
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	_Hlk17202338
	_Hlk17202632
	_Hlk181573199
	_Hlk181873523
	Introdução
	UNIDADE i
	Revisão Estatística e Introdução a Riscos
	Capítulo 1 
	Estatística descritiva
	Capítulo 2 
	Estatística inferencial
	Capítulo 3 
	Álgebra booleana
	Capítulo 4 
	Aspectos básicos: o que é e como medir o risco?
	Referênciasou seja, é o valor 
da variável mais comum.
9
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Tabela 1. Distribuição de motoristas de ônibus segundo o local de refeição, São Paulo. 1991.
Local N.
No bar 169
No ônibus 125
Em casa 78
Não comeu 64
Outro 28
Total 464
Fonte: elaborada pelo autor.
No exemplo anterior, a moda do local de refeição é “No bar”, pois esta é a categoria 
da variável que apresentou a maior frequência (f = 169), indicando que o mais comum 
é os motoristas realizarem as suas refeições no bar.
1.1.2. Média
A medida de tendência central mais comum é a média aritmética, também chamada 
simplesmente de média. Veja um exemplo na tabela subsequente:
Tabela 2. Planilha dos números de benefícios por incapacidade pelo INSS.
CONCESSÃO POR ESPÉCIE DE BENEFÍCIO
Ano Vínculos
Auxílio incapacidade temporária Aposentadoria Incapacidade 
permanente
Total
Previdenciário 
– B31
Acidentário 
– B91 Total Previdenciário 
– B32
Acidentário 
– B92 Total
2000 20.127.919 766.888 142.588 909.476 148.414 8.801 157.215 1.976.167
2001 22.370.733 793.825 130.960 924.785 125.020 7.173 132.193 1.981.763
2002 23.023.983 1.288.270 180.335 1.468.605 174.554 9.687 184.241 3.121.451
2003 24.095.161 1.371.221 145.769 1.516.990 174.687 8.504 183.191 3.217.171
2004 27.382.468 1.725.781 165.219 1.891.000 214.530 9.069 223.599 4.005.599
2005 28.651.996 1.860.695 156.168 2.016.863 265.543 9.658 275.201 4.308.927
2006 29.962.595 2.188.671 140.998 2.329.669 171.853 5.854 177.707 4.837.045
2007 32.483.290 1.825.508 274.946 2.100.454 135.211 4.495 139.706 4.340.614
2008 35.597.544 1.806.727 356.336 2.163.063 195.451 7.839 203.290 4.529.416
2009 36.862.893 1.713.115 329.914 2.043.029 179.021 8.940 187.961 4.274.019
2010 39.856.448 1.900.728 327.894 2.228.622 183.678 10.261 193.939 4.651.183
2011 42.848.536 2.022.613 319.445 2.342.058 183.301 11.108 194.409 4.878.525
2012 45.507.491 2.158.346 305.208 2.463.554 187.263 11.948 199.211 5.126.319
2013 47.203.526 2.273.074 304.217 2.577.291 197.744 12.181 209.925 5.364.507
2014 48.273.733 2.328.151 279.868 2.608.019 189.651 10.877 200.528 5.416.566
2015 47.222.802 1.828.337 196.761 2.025.098 161.849 8.782 170.631 4.220.827
2016 44.999.256 2.190.808 223.668 2.414.476 169.575 9.220 178.795 5.007.747
2017 43.729.511 1.988.169 191.118 2.179.287 202.481 9.319 211.800 4.570.374
Total 640.199.885 32.030.927 4.171.412 36.202.339 3.259.826 163.716 3.423.542 75.828.220
Média 35.566.660 1.779.496 231.745 181.101 9.095 4.212.679
Proporção 88% 12% 95% 5%
8 vezes 20 vezes
Fonte: elaborada pelo autor.
Essa medida sempre existe e, ao ser calculada, admite um único valor. Porém, 
sofre grande influência de valores discrepantes, podendo ser influenciada por eles, 
especialmente quando a frequência dos dados é baixa.
10
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
É muito importante observar que a média aritmética só se aplica às distribuições lineares. 
A média geométrica é usada quando os dados têm uma distribuição multiplicativa, 
como taxas de crescimento (por exemplo, o crescimento médio de uma população 
ao longo do tempo). Já a média logarítmica é útil para dados que seguem uma escala 
logarítmica, como níveis de som. 
Exemplo de crescimento populacional: imagine que a população de uma 
cidade cresceu nos últimos três anos da seguinte forma: ano 1: 1000 pessoas; 
ano 2: 1400 pessoas; ano 3: 1540 pessoas. Para calcular a média geométrica do 
crescimento populacional: divide-se a população de cada ano pela população do 
ano anterior: 1400/1000 = 1,4 e 1540/1400 = 1,1. Encontra-se a raiz quadrada da 
soma quadrática desses valores, pois em uma série de três anos, há duas variações 
de crescimento: do ano 1 para o ano 2 e do ano 2 para o ano 3. Tem-se então: 
2 21, 4 1,1x = + = 1,24. Assim, a média geométrica do crescimento populacional 
é 1,24, indicando um crescimento médio de 24% por ano.
Exemplo de níveis de som: suponha que há três níveis sonoros – NS com 
intensidades diferentes: 82 dB; 88 dB e 91 dB. Para calcular a média logarítmica, 
converta os níveis de decibéis para uma escala linear usando a fórmula 
82 /10 8,210 1 0dB
linearNS = =
88 /10 8,810 1 0dB
linearNS = =
91 /10 9,110 1 0dB
linearNS = =
Calcule a média aritmética desses valores na escala linear: 
(108,2+108,8+109,1)/3 = 682.790.691,84. Converte-se de volta para decibéis: 
10-log10(682.790.691,84) = 88,34 dB
1.1.3. Mediana
A mediana é o “valor do meio”. Ela divide a distribuição de frequências em duas partes, 
permanecendo 50% abaixo e 50% acima do valor mediano. Utiliza-se o seguinte 
procedimento para encontrar a mediana:
 » verificar se os intervalos estão em ordem crescente;
 » construir a frequência acumulada;
 » encontrar a posição da mediana;
 » se n for par, a posição será: 
11
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
 » se n for ímpar: 
 » quando a variável é contínua, deve-se aplicar a seguinte fórmula, baseando-se 
nos valores da classe mediana:
Li = limite inferior da classe mediana;
n = tamanho da amostra ou número de elementos;
Σf = soma das frequências anteriores à classe mediana;
H = amplitude da classe mediana;
Fmd = frequência da classe mediana.
Tabela 3. Exposição a poeiras e fumos de chumbo.
Anos (x) F F acumulada
0 – 2 8 8
2 – 4 15 23
4 – 6 7 30
6 – 8 4 34
Fonte: elaborada pelo autor.
Posição da mediana: n=34, então p= 34/2 = 17 e o intervalo mediano é o segundo, 
pois, antes deste na frequência acumulada, há 8 elementos da distribuição e o valor 17 
está contido no intervalo que vai de 2 anos a 4 anos. Assim, para utilizar a fórmula da 
mediana, trabalhamos com os valores desse intervalo:
Li = 2;
Σf= 8;
H = 4 – 2 =2;
Fmd= 15.
12
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
1.2. Medidas de dispersão
1.2.1. Quartis
Os quartis delimitam a metade central dos dados. Fazendo a contagem na lista 
ordenada de observações, a partir da menor, o primeiro quartil está no primeiro 
quarto do caminho. 
O terceiro quartil está a três quartos do caminho. Em outras palavras, o primeiro quartil 
supera 25%, e o terceiro quartil supera 75% das observações. O segundo quartil é a 
mediana, que supera 50% das observações.
Para calcular os quartis, dispõem-se as observações em ordem crescente e 
localiza-se a mediana Md na lista ordenada de observações. O primeiro quartil 
Q1 é a mediana das observações que estão à esquerda da mediana global na lista 
ordenada de observações. 
O terceiro quartil Q3 é a mediana das observações que estão à direita da mediana global 
na lista ordenada de observações.
A melhor representação para os quartis é o diagrama em caixa (box-plot), como se segue:
Figura 2. Diagrama em caixa (box-plot).
Valor Máximo 
75° Percentil = Q3 
50° Percentil = Q2 = Mediana 
25° Percentil = Q1 
Valor Mínimo 
Fonte: elaborada pelo autor.
13
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
1.2.2. Variação amostral
Como se deseja medir a dispersão dos dados em relação à média, é interessante analisar 
os desvios de cada valor (xi) em relação à média x , isto é: di = (xi - x ). A variância, 
S2, de uma amostra de n medidas é igual à soma dos quadrados dos desvios dividida 
por (n-1). Assim:
2 2
2 ( )
=
1 1
i id x X
S
n n
−
=
− −
∑ ∑
1.2.3. Desvio padrão amostral
Para melhor entender a dispersão de uma variável, calcula-se a raiz quadrada da 
variância, obtendo-se o desvio padrão que será expresso na unidade de medida 
original. Assim:
2
2 ( )
=
1
ix X
S S
n
−
=
−
∑
 » Regra empírica: para qualquer distribuição amostral com média x e desvio 
padrão S, tem-se:
 › O intervalo x ± S contém entre 60% e 80% de todas as observações amostrais. 
A percentagem aproxima-se de 70% para distribuições aproximadamente 
simétricas, chegando a 90% para distribuições fortemente assimétricas.
 › O intervalo x ± 2S contém aproximadamente 95% das observações amostrais 
para distribuições simétricas e aproximadamente 100% para distribuições com 
assimetria elevada.
 › O intervalo x± 3S contém aproximadamente 100% das observações amostrais, 
para distribuições simétricas.
 » Teorema de Tchebycheff: para qualquer distribuição amostral com média e desvio 
padrão S, tem-se:
 › O intervalo x ± 2S contém, no mínimo, 75% de todas as observações amostrais.
 › O intervalo x ± 3S contém, no mínimo, 89% de todas as observações amostrais.
14
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
1.3. Coeficiente de variação de Pearson
Trata-se de uma medida relativa de dispersão. 
. .=
SC V 100
X
⋅
Eis algumas regras empíricas para interpretações do coeficiente de variação:
Se: C.V. 30%, tem-se muito alta dispersão.
1.4. Escore padronizado
Outra medida relativa de dispersão é o escore padronizado para uma medida xi, 
dado por:
= ix X
iZ
S
−
Para detectar observações que fogem das dimensões esperadas (outliers), pode-se 
calcular o escore padronizado (Zi) e considerar como outliers as observações cujos 
escores, em valor absoluto (em módulo), sejam maiores do que 3. 
15
CAPÍTULO 2 
ESTATÍSTICA INFERENCIAL
Antes de adentrar na inferência, é importante destacar a população e os conjuntos 
populacionais relacionados ao meio ambiente do trabalho. Usa-se a seguir um diagrama 
de Venn, conforme a figura, para melhor visualizar essas dimensões.
Figura 3. Diagrama de Venn com as populações externa, alvo, real e estudo.
Fonte: elaborada pelo autor.
A População Economicamente Ativa (PEA), área (2) do diagrama, também denominada 
de população-alvo ou base populacional é constituída pela população ocupada e pela 
população desocupada. A população ocupada compreende as pessoas que trabalham – 
os indivíduos que têm patrão; os que exploram seu próprio negócio e os que trabalham 
sem remuneração em ajuda a membros da família – nos setores públicos e privados e 
nos serviços domésticos remunerados. 
A população desocupada compreende as pessoas que não têm ou efetivamente estão 
procurando ocupação, em um determinado período de referência e incorpora o conceito 
de disponibilidade para assumir o trabalho.
A População Real (3), normalmente alvo de estudos na área de saúde do trabalhador, 
denominada universo amostral, censitária (N), em acinzentado no diagrama, está 
contida na PEA e é constituída por vínculos empregatícios que foram declarados 
mensalmente no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) pelas empresas por 
intermédio da Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias 
e Trabalhistas (eSocial).
A População de Estudo (4) – amostral (n) –, subconjunto da população real, é constituída 
por vínculos empregatícios das empresas pertencentes a uma determinada Classificação 
Nacional de Atividades Econômicas (CNAE-Classe). O somatório das populações de 
estudo resulta na População Real. Essa é a mais importante para o prevencionista, pois 
é aquela que normalmente está disponível, cujos números são compatíveis com as 
quantidades de empregados listadas no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) 
e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). 
16
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Finalmente, há ainda a População Externa (1) formada pelos demais cidadãos brasileiros 
cujos indivíduos não guardam conexão nem interesses afins com esse estudo, todavia 
é possível lhes fazer alguma extrapolação. 
De volta à inferência, normalmente parte-se das características amostrais para 
inferi-las na população, daí o nome inferência. A estatística inferencial pode ser 
indutiva (da amostra para população) ou dedutiva (da população para amostra).
2.1. Distribuição normal
As distribuições normais são descritas por uma família especial de curvas de densidade 
simétricas, em forma de sino, chamadas curvas normais. A média μ e o desvio padrão 
σ especificam completamente uma distribuição normal N(μ,σ). A média é o centro da 
curva, e o σ é a distância de μ aos pontos de mudança da curvatura da curva de cada 
lado da média.
Todas as curvas normais são as mesmas, quando as medidas são tomadas em unidades 
de σ em torno da média. Tais medidas chamam-se observações padronizadas. O valor 
padronizado z de uma observação x é: 
 xZ µ
σ
−
=
Figura 4. Distribuição normal.
Fonte: Pagano, 2004.
17
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Em particular, todas as distribuições normais satisfazem a regra 68-95-99,7, a qual 
descreve as percentagens de observações que estão a um, dois ou três desvios padrões 
a contar da média.
Se x tem a distribuição N(μ,σ) com a média 0 e desvio padrão 1. A tabela “Probabilidades 
normais padronizadas” dá as proporções de observações normais padronizadas que 
são menores que z, para diversos valores de z. Ao padronizar, podemos utilizar a tabela 
“Probabilidades normais padronizadas” para qualquer distribuição normal.
2.2. Amostragem aleatória simples
Esse método permite que cada elemento da população tenha a mesma chance de ser 
incluído na amostra. A amostragem aleatória simples é a mais elementar técnica de 
amostragem aleatória. Nela, n é usado para representar o tamanho da amostra e N 
representa o tamanho da população. Todo item ou pessoa na população é numerado 
de 1 a N. A chance de ser selecionado no primeiro sorteio é de 1/N. Pode-se utilizar 
também a tábua de números aleatórios para o sorteio dos elementos que irão compor 
a amostra.
Existem dois métodos básicos pelos quais as amostras são selecionadas: com reposição 
ou sem reposição. Na amostragem sem reposição a chance de qualquer indivíduo não 
previamente selecionado ser escolhido no segundo sorteio é de 1/N -1. 
O intervalo de confiança tem como objetivo estimar um parâmetro desconhecido, 
com uma identificação da previsão da estimativa e de quão confiantes estamos na 
correção do resultado. Por exemplo, se escolhemos um grau de confiança de 95%, 
definimos que, estatisticamente, 95% de todas as amostras tomadas estarão nesse 
intervalo de confiança.
Qualquer intervalo de confiança compreende duas partes: um intervalo baseado nos 
dados e um nível de certeza. O intervalo em geral tem a fórmula: estimativa ± margem 
de erro.
O nível de confiança (C) indica a probabilidade de o método dar uma resposta correta. 
Isto é, se usarmos intervalos de 95% de confiança, em longo prazo, 95% dos nossos 
intervalos conterão o verdadeiro valor do parâmetro. Não sabemos se um intervalo de 
95% de confiança, calculado com base em determinado conjunto de dados, contém o 
verdadeiro valor do parâmetro.
18
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Figura 5. Vinte e cinco amostras da mesma população originam esses intervalos de 95% de 
confiança.
Fonte: Pagano, 2004.
A longo prazo, 95% de todas as amostras dão um intervalo que contém a média 
populacional. Um intervalo de confiança de nível – C – para a média populacional μ de 
uma população normal com desvio padrão σ conhecido, baseado em AAS de tamanho 
n, é dado por:
 X z
n
σ
±
Em que:
x – média da amostra (estimativa);
σ – desvio padrão da população;
n
σ
 – Desvio padrão de x .
Não é realista supor conhecido o desvio padrão da população. Mais à frente veremos 
como proceder quando σ é desconhecido. Aqui, z* é escolhido de modo que a curva 
normal padronizada tenha área C entre –z* e z*. Em virtude do teorema central do limite, 
esse intervalo é aproximadamente correto para grandes amostras quando a população 
não é normal. 
19
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Figura 6. Probabilidade central C sob uma curva normal padronizada encontrada entre -z* 
e z.
Probabilidade = C 
Curva normal padronizada
Fonte: Pagano, 2004.
O número z* é chamado valor crítico p superior da distribuição normal padronizada 
para p= (1-C)/2. A tabela de distribuição t contém os valores críticos para vários níveis 
de confiança.
Figura 7. Curva de probabilidade p.
Fonte: Pagano, 2004.
Mantidassem alteração as outras condições, a margem de erro de um intervalo de 
confiança diminui quando:
 » o nível de confiança z* diminui;
 » o desvio padrão populacional σ diminui; 
 » o tamanho n da amostra aumenta.
20
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
O tamanho da amostra necessária para obter um intervalo de confiança com margem 
de erro especificada E para uma média normal é:
Em que:
z* é o valor crítico para o nível de confiança desejado. 
n = número de indivíduos na amostra.
Zα/2 = valor crítico que corresponde ao grau de confiança desejado. 
σ = desvio-padrão populacional da variável estudada (por exemplo, acidentes 
do trabalho). 
E = margem de erro ou erro máximo de estimativa. Identifica a diferença máxima entre 
a média amostral (x) e a verdadeira média populacional. Arredonde n sempre para cima 
quando aplicar esta fórmula.
Os valores de confiança mais utilizados e os valores de Z correspondentes podem 
ser encontrados na tabela de valores críticos associados ao grau de confiança 
na amostra.
Tabela 4. Os valores de confiança mais utilizados e os valores de Z correspondentes
Grau de confiança α Valor crítico Z α/2
90% 0,1 1,645
95% 0,05 1,960
99% 0,01 2,575
Fonte: Pagano, 2004.
 » Aplicação prática: um prevencionista deseja estimar a quantidade média de 
quase-acidentes em um determinado CNAE-Classe em um período de 5 anos. 
Quantos quase-acidentes devem ser considerados para garantir, com 95% de 
confiança, que a média amostral esteja a menos de 500,00 da verdadeira média 
populacional? Suponha que, com base em um estudo prévio, o desvio padrão 
desses quase-acidentes seja σ = 6.250.
21
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
 » Solução: necessita-se determinar o tamanho n da amostra, dado que α = 0,05 
(95% de confiança). A média amostral seja a menos de 500 da média populacional, 
de forma que E = 500. Supondo σ = 6.250. Na Equação, obtém-se:
Deve-se, portanto, obter uma amostra de, pelo menos, 601 quase-acidentes, selecionados 
aleatoriamente entre as empresas de um determinado CNAE-Classe. Com tal amostra, 
haverá 95% de confiança de que a média amostral (x) diferirá em menos de 500,00 da 
verdadeira média populacional (µ).
E se σ não for conhecido? A equação exige que se substitua por algum valor o desvio-
padrão populacional σ, mas se este for desconhecido, deve-se utilizar um valor preliminar 
obtido por processos como os que se seguem: 
 » Utilizar a aproximação σ ≈ amplitude/4. 
 » Realizar um estudo-piloto, iniciando o processo de amostragem. Com base na 
primeira coleção de, pelo menos, 31 valores amostrais selecionados aleatoriamente, 
calcular o desvio-padrão amostral S e utilizá-lo em lugar de σ. Este valor pode ser 
refinado com a obtenção de mais dados amostrais. 
Outro parâmetro estatístico cuja determinação afeta o tamanho da amostra é a 
proporção populacional. Tomemos como exemplo a necessidade de determinar a 
proporção de pessoas atendidas por uma Unidade de Saúde, originárias do município de 
Cariacica. A fórmula para cálculo do tamanho da amostra para uma estimativa confiável 
da proporção populacional (p) é dada por: 
Em que: 
n = número de indivíduos na amostra. 
Zα/2 = valor crítico que corresponde ao grau de confiança desejado. 
p = proporção populacional de indivíduos que pertence a categoria que estamos 
interessados em estudar. 
22
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
q = proporção populacional de indivíduos que não pertence à categoria que estamos 
interessados em estudar (q = 1 – p). 
E = margem de erro ou erro máximo de estimativa. Identifica a diferença máxima entre 
a proporção amostral e a verdadeira proporção populacional (p). 
E se “p” e “q” não forem conhecidos? A Equação exige que se substituam os 
valores populacionais p e q, por valores amostrais pˆ e qˆ. Se estes também forem 
desconhecidos, substitui-se pˆ e qˆ por 0,5, obtendo a seguinte estimativa:
 » Aplicação prática: uma prevencionista deseja saber o tamanho da amostra (n) 
necessário para determinar a proporção da população trabalhadora atendida por 
uma Unidade de Saúde pertencente ao município de Recife-PE. Não foi feito um 
levantamento prévio da proporção amostral e, portanto, seu valor é desconhecido. 
Ela quer ter 90% de confiança de que seu erro máximo de estimativa (E) seja de 
±5% (ou 0,05). Quantas pessoas necessitam ser entrevistadas? 
 » Solução: considerando que o valor da proporção amostral de atendimentos 
para pessoas de Recife-PE não é conhecido, deve-se usar a equação anterior 
para determinar o tamanho da amostra. Sabe-se, pela tabela de valores críticos 
supracitada, que para 90% de confiança, o valor crítico (Zα/2) = 1,645. Resolvendo 
a equação, tem-se:
Deve-se, portanto, obter uma amostra de 271 pessoas para determinar a proporção da 
população trabalhadora atendida na Unidade de Saúde, que se origina do município 
de Recife-PE. 
As fórmulas para a determinação do tamanho da amostra, apresentadas anteriormente, 
baseavam-se na suposição de que a população da qual a amostra era retirada era tão 
grande que poderia ser considerada infinita. Entretanto, a maior parte das populações, 
principalmente no contexto de saúde do trabalhador, não é tão extensa em comparação 
com as amostras. Normalmente, as populações são aquelas empregadas nas empresas. 
Assim, caso a amostra tenha um tamanho (n) maior ou igual a 5% do tamanho da 
população (N), considera-se que a população seja finita. 
23
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Tem-se então a determinação do tamanho da amostra para populações finitas, que 
ocorre mediante aplicação de um fator de correção às fórmulas vistas anteriormente, 
resultando nas seguintes equações corrigidas: 
 » Fórmula para determinação do tamanho da amostra (n) com base na estimativa 
da média populacional:
 » Fórmula para determinação do tamanho da amostra (n) com base na estimativa 
da proporção populacional:
Fechada esta breve revisão sobre cálculo de tamanho de amostra, vamos avançar. Uma 
diretriz para um determinado intervalo de confiança é correta somente sob condições 
específicas. As condições mais importantes dizem respeito ao método para gerar os 
dados. Entretanto, são também importantes outros fatores, tais como a forma da 
distribuição da população.
A realização do teste de significância tem por objetivo avaliar a evidência proporcionada 
pelos dados contra uma hipótese nula H0 em favor de uma hipótese alternativa Ha.
As hipóteses são formuladas em termos de parâmetros populacionais. Em geral, H0 é 
uma afirmação de que não há efeitos presentes, e Ha afirma que um parâmetro difere 
do seu valor nulo em uma direção específica (alternativa unicaudal) ou em duas direções 
(alternativa bicaudal).
Essencialmente, o raciocínio de um teste de significância é o seguinte: suponha, por 
questão de argumento, que a hipótese nula seja verdadeira. Se repetirmos muitas vezes 
a nossa produção de dados e obtermos frequentemente dados inconsistentes com H0, 
há a observação de que a hipótese nula seja pouco provável, dando evidência contra Ho.
Para auxiliar uma decisão com base na inferência, utiliza-se um nível de significância - 
α. Por exemplo, se escolhermos α = 0,05, estamos impondo que os dados apresentem 
contra Ho uma evidência tão forte que o fato não ocorreria mais de 5% das vezes (5 em 
cada 100) quando Ho fosse verdadeiro. Se escolhermos α = 0,01, estamos impondo uma 
evidência ainda mais forte contra Ho, uma evidência tão forte que o fato só ocorreria 
1% das vezes (1 em cada 100) no caso de Ho ser verdadeira.
24
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Se o valor P é, no máximo, igual a um valor específico α, os dados são estatisticamente 
significantes no nível α de significância. O fato de ser “significante” no sentido estatístico 
não quer dizer “importante”, mas simplesmente “que é pouco provável ocorrer apenas 
por acaso”.
Os testes de significância para a hipótese H0: μ=μ0, relativa àmédia desconhecida μ de 
uma população, baseiam-se na estatística z:
O teste z pressupõe uma AAS de tamanho n, um desvio padrão populacional σ 
conhecido, e uma população normal ou uma amostra grande. Os valores P são calculados 
a partir da distribuição normal (tabela de probabilidade normal padronizada). Nos testes 
com α fixo, utiliza-se tabela de valores críticos normais padronizados (linha inferior da 
tabela de valores críticos de distribuição t).
Eis o esboço do raciocínio de um teste de significância:
Formular as hipóteses: H0: μ=μ0, ou H0: μ≠μ0.
Calcular a estatística de teste z.
Determinar o valor P (neste caso para um valor de P para um teste de H0 contra).
Ha: μ>μ0  P(Z ≥ z);
Ha: μμantes.
Em que:
μantes: produtividade média dos funcionários antes do treinamento. 
μdepois: produtividade média dos funcionários depois do treinamento. Para colocar H0 à 
prova, vamos observar os n = 10 funcionários, antes e depois de receberem o programa 
de treinamento. Os dados estão na tabela a seguir:
Tabela 5. Planilha de produtividade por empregado – teste de significância.
Empregado Produtividade
Antes Depois Diferença
João 22 25 3
Maria 21 28 7
José 28 26 -2
Pedro 30 36 6
Rita 33 32 -1
Joana 33 39 6
Flávio 26 28 2
Paulo 24 33 9
Catarina 31 30 -1
Felipe 22 27 5
Média 27 30,4 -
Fonte: elaborada pelo autor.
Aplicando a fórmula: com um nível de 5% de significância e σ = 3,81 (não é 
realista supor conhecido o desvio padrão da população), tem-se:
 x = 28,981.
Como a média está superior aos x = 28,981, então a hipótese H0 é falsa. Dessa forma, 
o aumento da produção é resultado do programa de treinamento estabelecido pela 
empresa. Uma alternativa para os testes de significância considera H0 e Ha como duas 
afirmativas de igual status, entre as quais devemos decidir. Esse ponto de vista de análise 
de decisão focaliza a inferência estatística, de modo geral, como fonte de regras para 
as tomadas de decisão em presença da incerteza.
26
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
No caso de teste, H0 contra Ha, a análise de decisão escolhe uma regra de decisão com 
base nas probabilidades de dois tipos de erro. Ocorre um erro tipo I se rejeitarmos H0 
quando ela é, na verdade, verdadeira. Ocorre um erro tipo II se aceitarmos H0 quando 
Ha é verdadeira.
Quadro 1. Contingência 2 x 2. 
Verdade sobre a população
H0 verdadeira Ha verdadeira
Decisão baseada na amostra Rejeitar H0 Erro tipo I Decisão correta
Aceitar H0 Decisão Correta Erro tipo II
Fonte: elaborado pelo autor.
O nível α de significância de qualquer teste de nível fixo é a probabilidade de um erro 
tipo I. Ou seja, α é a probabilidade de o teste rejeitar a hipótese nula H0 quando ela é, 
na verdade, verdadeira. O poder de um teste de significância mede a sua capacidade 
de detectar uma hipótese alternativa. O poder contra uma alternativa específica é a 
probabilidade de este rejeitar H0 quando a alternativa é verdadeira.
Para um teste de significância de nível α, esse nível é a probabilidade de um erro tipo I, 
e o poder contra uma alternativa específica é 1 menos a probabilidade de um erro tipo 
II para essa alternativa. O aumento do tamanho da amostra acarreta aumento do poder 
(reduz a probabilidade de um erro tipo II) quando o nível de significância permanece fixo.
2.4. Teste de média
Uma importante aplicação é o teste de média. Os testes e os intervalos de confiança 
para a média de uma população normal baseiam-se na média amostral de uma 
AAS. Como consequência do teorema central do limite, os processos resultantes são 
aproximadamente corretos para outras distribuições populacionais quando a amostra 
é grande. A média amostral padronizada é a estatística z de uma amostra:
xz
n
−µ
=
σ
Quando conhecemos σ, utilizamos a estatística z e a distribuição normal padronizada. 
Na prática, não conhecemos o desvio padrão σ. Substituímos o desvio padrão pelo erro 
padrão /s n para obter a estatística t de uma amostra:
xt
s
n
−µ
=
27
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
A estatística t tem a distribuição t com n -1 grau de liberdade. Há uma distribuição t 
para cada número positivo k de graus de liberdade. Todas são simétricas e têm forma 
semelhante à da distribuição normal padronizada. A distribuição t(k) tende para a 
distribuição N(0,1) na medida em que k aumenta.
* sx t
n
±
É um intervalo de confiança exato de nível de confiança – C – para a média μ de uma 
população normal; t* é o valor crítico (1-C)/2 superior da distribuição t(n-1). Os testes 
de significância para H0: μ=μ0 baseiam-se na estatística t. Utilize valores P ou níveis fixos 
de significância da distribuição t(n-1). 
Aplique esses processos de uma amostra para analisar pares de dados tomando, 
primeiro, a diferença dentro de cada par para gerar uma única amostra. Os processos 
t são relativamente robustos quando a população é não normal, especialmente para 
maiores tamanhos de amostra. Os processos t são úteis para dados não normais quando 
n ≥ 15, a menos que os dados apresentam outliers ou assimetria acentuada.
2.5. Exemplo de teste de significância
Um estudo foi realizado com 10 funcionários para avaliar se um programa de 
treinamento realizado por uma empresa estava tendo efeito positivo sobre a produção. 
Foi utilizado um esquema de teste antes e depois. Para aplicar o teste, deveremos 
formular as hipóteses:
Ou seja: 
H0: μ antes = μ depois 
Ha: μ depois > μ antes.
Em que: 
μ antes: produtividade média dos funcionários antes do treinamento. 
μ depois: produtividade média dos funcionários depois do treinamento. 
Conforme os dados da pesquisa, para colocar H0 à prova, vamos observar os n = 10 
funcionários, antes e depois de receberem o programa de treinamento. Os dados estão 
na tabela a seguir:
28
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Tabela 6. Planilha de produtividade por empregado – teste de significância.
Empregado Produtividade
Antes Depois Diferença
João 22 25 3
Maria 21 28 7
José 28 26 -2
Pedro 30 36 6
Rita 33 32 -1
Joana 33 39 6
Flávio 26 28 2
Paulo 24 33 9
Catarina 31 30 -1
Felipe 22 27 5
Média 27 30,4 -
Fonte: elaborada pelo autor.
0xt
s
n
−µ
=
Aplicando a fórmula: com um nível de 5% de significância, 9 graus de liberdade e s = 3,81, 
tem-se:
27
1,833 29,208
3,81
10
xt x−
= = → =
Como a média está superior aos x = 29,208, então a hipótese H0 é falsa. Dessa 
forma, o aumento da produção é resultado do programa de treinamento 
estabelecido pela empresa.
2.6. Comparação de duas médias
Os dados em um problema de duas amostras constituem duas AAS independentes, cada 
qual extraída de uma população normal separada. Os testes e intervalos de confiança 
para a diferença 1 2x x− entre as médias μ1 e μ2 das duas populações partem da 
diferença entre as duas médias amostrais. Em razão do teorema central do limite, 
os processos resultantes são aproximadamente corretos para outras distribuições 
populacionais, quando os tamanhos das amostras são grandes.
Extrai AASs independentes, de tamanhos n1 e n2, de duas populações normais com 
parâmetros μ1, σ1 e μ2, σ2. A estatística t de duas amostras é:
( ) ( )1 2 1 2
2 2
1 2
1 2
x x
t
s s
n n
− − µ −µ
=
+
29
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
A estatística t não tem precisamente uma distribuição t. A estatística de inferência 
compara μ1 e μ2. Devemos utilizar a estatística t deduas amostras com distribuições t(k). 
O número k de graus de liberdade é o menor dos valores n1 – 1 ou n2 – 1. Para valores 
probabilísticos mais precisos, devemos utilizar a distribuição t(gl), com os graus de 
liberdade gl estimados com base nos dados. Esse é o procedimento usual nos pacotes 
estatísticos.
Intervalo de confiança para μ1 - μ2, dado por:
2 2
* 1 2
1 2
1 2
( )
s sx x t
n n
− ± +
Tem nível de confiança ao menos C, se t* é o valor crítico (1-C)/2 superior para t(k), 
sendo k o menor dos valores n1 – 1 ou n2 – 1. Os testes de significância para H0: μ1 = μ2 
baseados em
1 2
2 2
1 2
1 2
x xt
s s
n n
−
=
+
têm um valor P verdadeiro não superior ao calculado a partir de t(k). As diretrizes 
para o uso prático dos processos t de duas amostras são análogas às diretrizes para os 
processos t para uma amostra. Recomendam-se tamanhos iguais de amostras.
2.7. Inferência para tabelas de dupla entrada
Os processos z de duas amostras permitem-nos comparar as proporções de sucessos 
em dois grupos, sejam eles duas populações ou dois grupos de tratamentos em um 
experimento. As tabelas de dupla entrada descrevem relações entre duas variáveis 
categóricas quaisquer.
O primeiro passo para um teste global para a comparação de várias proporções consiste 
em dispor os dados em uma tabela de dupla entrada que dê os números de sucessos e 
as falhas. Eis uma tabela de dupla entrada para os dados referentes a usuários crônicos 
de cocaína que usaram antidepressivo por três anos para tentar livrar-se do vício:
Tabela 7. Resultados com usuários crônicos de cocaína. 
Não Sim
Desipramina 14 10
Lítio 6 18
Placebo 4 20
Fonte: elaborada pelo autor.
30
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Pretende-se testar a hipótese nula de que não há diferença entre as proporções de 
sucessos para os viciados que recebem os três tratamentos (não há relação entre duas 
variáveis categóricas): H0: p1 = p2 = p3.
A hipótese alternativa sugere que existe alguma diferença entre as três proporções: 
Ha: p1, p2 e p3 não são todas iguais.
Para testar H0, comparamos os valores observados em uma tabela de dupla entrada 
com os valores esperados, isto é, os valores que esperaríamos se H0 fosse verdadeiro. Se 
os valores observados se revelam muito diferentes dos valores esperados, há evidência 
contra H0.
Eis os valores observados e esperados, lado a lado.
Tabela 8. Resultados observados e esperados com os usuários de cocaína.
Observados Esperados
Não Sim Não Sim
Desipramina 14 10 8 16
Lítio 6 18 8 16
Placebo 4 20 8 16
Fonte: elaborada pelo autor.
Como 2/3 de todos os indivíduos sofreram recaídas, esperamos que 2/3 dos 24 
indivíduos de cada grupo experimentem recaída, caso não haja diferença entre os 
tratamentos. O teste estatístico que nos indica se essas diferenças são estatisticamente 
significantes não utiliza proporções amostrais, mas compara os valores observados com 
os valores esperados.
2.8. Qui-quadrado
O somatório se estende a todas as r x c celas da tabela. Portanto:
31
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Os valores do qui-quadrado como medida de distância entre valores sempre 
apresentarão valores iguais ou superiores a zero, sendo que grandes valores indicam 
que os valores observados são muito distantes dos valores que deveríamos esperar e 
evidência que H0 não é verdadeira. Os valores pequenos de X2 não constituem evidência 
contra H0. X2 apresenta (r-1) (c-1) graus de liberdade.
A distribuição qui-quadrado é uma aproximação da distribuição da estatística X2. 
Podemos aplicar com segurança essa aproximação quando os valores esperados das 
celas são superiores a 1, e não mais de 20% são inferiores a 5.
Se o teste qui-quadrado acusa uma relação estatisticamente significante entre variáveis 
linha e coluna em uma tabela de dupla entrada, prossiga a análise para descrever a 
natureza da relação. Uma análise informal compara percentagens bem escolhidas, 
compara valores observados com valores esperados e procura os maiores componentes 
de qui-quadrado.
32
CAPÍTULO 3 
ÁLGEBRA BOOLEANA
A Álgebra Booleana foi desenvolvida pelo matemático George Boole para o estudo 
da lógica. Suas regras e expressões aclararam e simplificaram problemas complexos. É 
bastante útil em condições expressas por apenas dois valores: sim ou não, 0 ou 1 etc.
A Lógica Booleana é aplicada em áreas como a de informática e montagens 
eletromecânicas, que incorporam muitos liga e desliga. É também utilizada em análise de 
probabilidade, em estudos que envolvam decisões e em segurança de sistemas. Usam-se 
Diagramas de Venn na matemática para simbolizar graficamente propriedades, axiomas 
e problemas relativos à teoria dos conjuntos, que podem ter operações representadas 
a seguir:
Figura 8. Diagramas com axiomas e problemas relativos à teoria dos conjuntos.
Diferença de A para B
A \ B
Diferença de B para A
B \ A
Interseção A Ո B Complementar
U \ (A Ս B)
Diferença simétrica
A Δ B
Complementar
BC = U \ B
União
(A Ս B)
Complementar
AC = U\A
Fonte: Teoria, 2013.
Várias outras identidades podem ser expressas pela Lógica Booleana:
Quadro 2. Identidades lógicas expressas pela Lógica Booleana.
Identidade Lei Explicação
A·1=A
Conjunto 
complemento ou 
vazio
A única parte dentro de 1, que é 1 e A, é aquela dentro do próprio A.
A·0=0 Condição impossível; se está dentro do conjunto, não pode estar fora 
dele.
A+0=A O elemento em um conjunto, mais alguma coisa fora do conjunto, terá 
somente as características do subconjunto.
A+1=1 O todo expresso por 1 não pode ser ultrapassado.
t A A= Lei de involução Complemento do complemento de A é o próprio A.
A·A=0 Relações 
complementares
Impossibilidade. A condição não pode ser A e A simultaneamente.
A+ A=1 Soma dos elementos de um conjunto e todos fora deste.
33
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Identidade Lei Explicação
A·A=A
Lei de idempotência
Postulado
A+A=A Postulado
A·B = B·A
Lei comutativa
Os elementos serão os independentes da ordem expressa.
A+B = B+A O total de elementos será o mesmo, independentemente da ordem.
A(B·C) = (A·B)C
Lei associativa
Os elementos que têm todas as características A, B e C as terão em 
qualquer ordem expressa.
A+(B+C) = 
(A+B)+C
O total de elementos será o mesmo, não importando a ordem na qual 
estão expressos.
A·(B+C) = (A·B) 
+ (A·C)
Lei distributiva
A interseção de um subconjunto com a união de dois outros também 
pode ser expressa como a união de suas intersecções.
A+(B·C) = 
(A+B) · (A+C)
A união de um subconjunto com a interseção de dois outros também 
pode ser expressa pela interseção das uniões do subconjunto comum 
com os outros dois.
A(A+B) =A
Lei de absorção
A(A+B) = AA+AB = A+AB, desde que AA = A A+AB = A(1+B) = A, 
desde que B esteja incluído em 1.
A+(A·B) =A A+(A·B) = A+A·B= A(1+B)=A.
A B A B⋅ = + Lei de dualização (de 
De Morgan)
O complemento de uma interseção é a união dos complementos 
individuais.
A B A B+ = ⋅ O complemento da união é a interseção dos complementos.
Fonte: Álgebra, 2012.
34
CAPÍTULO 4 
ASPECTOS BÁSICOS: O QUE É E COMO MEDIR O 
RISCO?
Neste capítulo, serão discutidos os riscos, os sistemas, as falhas e a confiabilidade que são 
essenciais para emoldurar a gerência de risco e a Engenharia de Segurança do Trabalho. 
No contexto empresarial, suscita integração necessária entre as diversas áreas, em um 
ambiente de produção competitivo e exigente, visando à sobrevivência da organização 
e às múltiplas interfaces internas e externas, como ilustrado nas figuras seguintes.
Figura 9. Integração necessária, múltiplas interfaces internas e externas.
Sindicatos 
Mídia 
ONGs 
Fornecedores 
Clientes 
consumidores 
Acionistas 
Seguradores 
Comunidade 
Ag. Financiamento 
Organismos 
certificadores 
Fonte: elaborada pelo autor.
Figura 10. Competição e sobrevivência.
Projeto 
perfeito 
Fabricação
perfeita 
Segurança 
do cliente 
Assistência
perfeita 
Entrega 
no prazo 
Custo 
baixo 
Segurança,meio ambiente, saúde, higiene e 
ergonomia 
Outros 
Sobrevivência
Competitividade
Produtividade
Qualidade total
Fonte: elaborada pelo autor.
35
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Figura 3. Áreas e processos organizacionais relacionados à SST.
SegurançaQualidade
Gestão do
negócio
SaúdeMeio ambiente
Fonte: elaborada pelo autor.
Incidem em todas as áreas da gestão de negócios os fatores tecnológicos, econômicos 
e sociais que determinam esse entrelaçamento de áreas ao passo que repercutem no 
controle de perdas: 
 » Tecnológicas: 
 › desenvolvimento de processos mais complexos; 
 › uso de novos materiais e produtos químicos; 
 › condições operacionais (pressão, temperatura etc.) mais severas. 
 » Econômicas: aumento de escala das plantas industriais. 
 » Sociais: maior concentração demográfica próximo a áreas industriais;
 › organização da sociedade; 
 › preocupação quanto ao meio ambiente, a segurança e a saúde. 
As consequências são: 
 » reformulação das práticas de gerenciamento de segurança industrial; 
 » revisão de práticas tradicionais e de códigos, padrões e regulamentações obsoletas;
 » desenvolvimento de técnicas para a identificação e quantificação de perigos;
 » formulação de critérios de aceitabilidade de riscos; 
 » elaboração de modelos de gestão para o gerenciamento da SMS; 
 » elaboração e implantação de sistemas de resposta para emergências.
36
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Tem-se que as perdas, chamadas de desfalques, possuem naturezas: humanas, 
patrimoniais e ambientais, conforme figura seguinte:
Figura 12. Perdas humanas, patrimoniais e ambientais.
Impactos: 
à flora, à fauna, à 
água, ao solo e ao ar. 
Ao meio ambiente 
Lesão: 
leve, importante ou 
séria e/ou doença 
ocupacional Humanas 
Danos ou prejuízos: 
menor, importante, sério 
ou catastrófico Ao patrimônio 
Fonte: elaborada pelo autor.
4.1. Primeiras definições
4.1.1. Risco 
Risco é a avaliação do perigo, associando a probabilidade de ocorrência de um evento 
adverso e a gravidade das suas consequências. Pode ser definido, de forma geral, como 
a possibilidade de ocorrência de um evento incerto, fortuito e com consequências 
negativas ou danosas, especialmente em contextos de seguro. Trata-se de uma 
possibilidade que implica a viabilidade do evento, sem a certeza de sua ocorrência. 
Além disso, o risco é fortuito ou acidental, ou seja, não depende da vontade humana. 
Por fim, o evento deve causar consequências prejudiciais, como perdas humanas ou 
materiais, que possam ser cobertas por um seguro.
Observação: no mercado de seguros, é comum também utilizar o termo “risco” 
para se referir ao local onde os bens segurados estão situados (local do risco) e ao 
próprio evento que se quer garantir, como no caso de risco de incêndio; de roubo, 
entre outros.
Vamos antecipar a definição basilar sobre risco. Afirma-se que as perdas decorrem da 
probabilidade de consumação do perigo (risco), como se visualiza na figura seguinte:
37
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Figura 13. Cenários de perigo (1), risco (2), acidente (3) e incidente (4).
1 2 
3 4 
Fonte: elaborada pelo autor.
Em que:
 » Fator de risco: é o elemento associado positivamente ao risco. 
 » Fator de proteção: é o elemento associado negativamente ao risco. 
 » Perigo: é uma situação ou condição potencialmente capaz de provocar perdas. 
 » Incidente: é o evento indesejável que poderia causar uma perda.
 » Acidente: é o evento indesejável que causa perdas, ou seja, danos pessoais, danos 
materiais, danos ao meio ambiente, perdas no processo, perdas de produtos etc.
Então o que é risco?
Não existe uma definição universalmente reconhecida para a palavra risco. Assim, os 
significados associados a essa palavra diferem na semântica, em função de suas origens. 
Segundo Ansell e Wharton (1992), a palavra risq, em árabe, significa algo que lhe foi 
dado (por Deus) e do qual é possível tirar proveito, possuindo um significado de algo 
inesperado e favorável ao indivíduo. Em latim, riscum conota algo também inesperado, 
38
UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
mas desfavorável ao indivíduo. Em grego, uma derivação do árabe risq, relata a 
probabilidade de um resultado sem imposições positivas ou negativas. 
O francês risque tem significado negativo, mas ocasionalmente possui conotações 
positivas, enquanto em inglês, risk possui associações negativas bem definidas. 
Portanto, a palavra “risco” pode se referir tanto a um resultado inesperado de uma 
ação ou decisão, seja este positivo, seja negativo, quanto – sob uma perspectiva mais 
científica – a um resultado não desejado e à probabilidade de sua ocorrência. 
Vejamos uma curiosidade: os atois, arrecifes, cobertos por uma vegetação de algas 
esverdeadas chamadas risk, serviam como referência para os capitães em busca 
de portos seguros após longo curso oceânico. Eles miravam essas formações 
rochosas na linha d’água e observavam a variação da maré para decidir quando 
aportar, levando em conta o peso, o tamanho, a envergadura da embarcação e o 
calado. Literalmente, assumia-se o risco – passar sobre as algas ou colidir com as 
rochas – ficando à deriva, à mercê dos ventos e correntezas, ou tentando cruzar 
as pedras na maré alta. 
Ousa aquele que se arrisca! A palavra “riscos” deriva do italiano antigo resicare, que 
significa ousar. Nesse sentido, risco é uma opção e não um destino. Correr riscos faz 
parte da história antiga e sua origem no sistema de numeração indo-arábico alcançou 
o ocidente há cerca de setecentos a oitocentos anos (Bernstein, 1997).
Segundo (Molak, 1997), as aplicações de riscos são muito antigas e, provavelmente, 
surgiram ao redor de 3200 a.C. no vale dos rios Tigre-Eufrates, quando um grupo 
chamado Asipu serviu como consultor para traduzir os sinais dos deuses para pessoas 
que trabalhavam com riscos, incertezas ou dificuldades de decisões.
Uma importante linha que originou a moderna Análise de Riscos quantitativa pode ser 
direcionada às primeiras ideias religiosas referentes às probabilidades de vida pós-morte. 
Isso dificilmente seria uma surpresa, considerando-se a importância e a seriedade dos 
riscos envolvidos (pelo menos, para os verdadeiros crentes). A partir de Phaedo de Platão, 
no século 4 a.C., numerosas obras foram escritas discutindo os riscos das almas após 
vida, baseados na conduta que os seres tiveram no mundo (Covello; Mumpower, 1985).
Uma das mais sofisticadas análises sobre o tema foi realizada por Arnobius, o Velho, 
que viveu no século 4 depois de Cristo, no norte da África. Pode-se considerar Arnobius 
como a maior figura da igreja pagã que esteve competindo, ao mesmo tempo, com a 
inexperiente igreja cristã. Membros da igreja de Arnobius, que mantiveram um templo 
39
REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
completo para Vênus com sacrifícios de virgens e templos de prostituição, levaram uma 
vida decadente em comparação a das pessoas ligadas ao cristianismo austero. 
Arnobius (Silva, 2020) zombou dos cristãos no que diz respeito ao tipo de vida que 
levavam, por abnegarem a sua própria personalidade, mas, depois de uma visão 
reveladora, renunciou às suas crenças e tentou se converter ao cristianismo. O bispo 
da igreja católica suspeitou dos motivos de Arnobius e da sinceridade da sua conversão, 
recusando-lhe o rito do batismo. Em uma tentativa de demonstrar a autenticidade da 
sua conversão, Arnobius escreveu uma monografia intitulada “Contra os pagãos”. 
Nesse trabalho, Arnobius propôs vários argumentos pró-Cristianismo, um dos quais é 
particularmente relevante para a história da Análise de Riscos probabilística. Depois de 
discutir os riscos e as incertezas associados às decisões que afetam um espírito, Arnobius 
sugeriu uma matriz 2 x 2. Dessa forma, expôs duas alternativas: aceita o Cristianismo 
ou permanece como um pagão.
Ele também discutiu duas possibilidades: “Deus existe” e “Deus nãoexiste”. Chegou 
à seguinte conclusão: se Deus não existe, não há diferença entre as duas alternativas. 
Entretanto, se Deus existe, ser um Cristão é muito melhor à alma do que ser um pagão.
O argumento de Arnobius marca a primeira aparição registrada do princípio de 
dominância, uma heurística para tomar decisões sob condições de riscos e incerteza. 
Blaise Pascal introduziu a teoria da probabilidade em 1657 e uma de suas primeiras 
aplicações foi estender a matriz de Arnobius. 
Dada a distribuição de probabilidade para a existência de Deus, Pascal concluiu que o 
valor esperado de ser cristão era maior do que o valor esperado de ser ateu. Em 1692, 
John (Arbuthnot,1700) argumentou que a probabilidade de causas potencialmente 
diferentes de um evento podia ser calculada. Um ano depois, Edmond Halley propôs 
tabelas de expectativa de vida. 
Em 1728, Hutchinson examinou a troca entre probabilidade e utilidade de situações de 
escolha sob incerteza. Pierre Simon de LaPlace desenvolveu, em 1972, um protótipo da 
moderna análise de riscos quantitativa com o cálculo de probabilidade de morte por 
varíola com e sem vacinação (Molak, 1997; Covello; Mumpower, 1985). 
Com a ascensão do capitalismo, do uso de dinheiro e das taxas de lucro ocorreu um 
aumento do uso dos métodos matemáticos com probabilidades. O que se usava 
apenas para estimar tempo de vida passou a ser empregado de forma mais ampla, 
como ferramenta financeira e controle de perigo nas mais diversas áreas, tais como: 
doenças naturais, doenças epidêmicas, poluição, construção e código de fogo, acidentes 
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UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
em transporte, injúrias ocupacionais, contaminação de meio ambiente do trabalho e 
adulteração, entre outras. 
A palavra “riscos” vem sendo amplamente utilizada na literatura com objetivos distintos, 
tais como: risco de negócios, social, econômico, segurança, investimentos, limitar, político 
etc. (Kaplan; Garrick, 1981). A sua aplicação está voltada para a questão da segurança, 
estando intimamente ligada ao termo “perigo”. 
A segurança não é um fator isolado, mas o grau de segurança de uma organização 
depende do resultado das atividades inter-relacionadas de pessoas, projeto da 
organização, gerenciamento e processo.
No entanto, aborda-se o risco como a incerteza de ocorrência de um evento indesejado 
em um sistema industrial. Nesse sentido, diversas são as definições encontradas que 
buscam um significado mais completo para a palavra risco.
De acordo com Bastias (1977):
[...] risco é uma ou mais condições de uma variável que possuem o 
potencial suficiente para degradar um sistema, seja interrompendo e/
ou ocasionando o desvio das metas, em termos de produto, de maneira 
total ou parcial, e/ou aumentando os esforços programados em termos 
de pessoal, equipamentos, instalações, materiais, recursos financeiros etc. 
Desse modo, os riscos assinalam a probabilidade de perdas em um determinado período 
específico de atividade de um sistema, e podem ser expressos como a probabilidade 
de ocorrência de acidentes e/ou danos a pessoas, ao patrimônio, ou de prejuízos 
financeiros. Bastias também salienta que todos os elementos de um sistema apresentam 
um potencial de riscos que podem resultar na destruição do próprio sistema. 
Cicco e Fantazzini (2003) atribuem dois significados à palavra risco. O primeiro, 
influenciado pelo trabalho de Bastias, associa o risco a “uma ou mais condições de 
uma variável com o potencial necessário para causar danos, que podem ser entendidos 
como lesões a pessoas, danos a equipamentos e instalações, danos ao meio ambiente, 
perda de material em processo ou redução da capacidade de produção”.
Dessa forma, a um risco sempre estará associada uma possibilidade de ocorrência 
de efeitos adversos. No segundo significado atribuído à palavra, risco “expressa uma 
probabilidade de possíveis danos dentro de um período específico de tempo ou número 
de ciclos operacionais”, e pode ser relacionado à probabilidade de ocorrência de um 
acidente multiplicado pelo dano decorrente deste acidente, em unidades operacionais, 
monetárias ou humanas.
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REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Jackson e Carter (2005) concordam com o fato de que o conceito de risco está associado 
com a falha de um sistema, sendo a possibilidade de um sistema falhar usualmente 
entendida em termos de probabilidades. No entanto, preferem trabalhar com a 
possibilidade de falha de um sistema em vez da probabilidade, alegando que a visão 
probabilística somente se preocupa com a ocorrência de um evento em uma população, 
enquanto, ao analisarmos a possibilidade de falha, estamos nos preocupando com um 
evento particular. 
Há, ainda, sugestões que definem risco como a possibilidade de um evento adverso que 
possa afetar negativamente a capacidade de uma organização para alcançar os seus 
objetivos. Em tal acepção, o risco é considerado um evento indesejável. 
4.1.2. Medir risco
Risco, para um conjunto de eventos distintos, é dado por: Risco = F x C, sendo expresso 
em fatalidades/ano; dias parados/mês; R$/ano; mortes/ano. 
Em que: 
 » Frequência (F): pode ser expressa em eventos/ano; acidentes/mês.
 » Consequência (C): é a decorrência direta do perigo e pode ser expressa em 
fatalidades/evento; morte/acidente; R$/evento; dias perdidos/acidente etc. 
Vamos aplicar o cálculo de risco para dimensionar a segurança de uma estrada. 
Sabe-se que ocorrem 100 acidentes por ano, e a média é de 1 morte a cada 10 acidentes. 
Assim, temos:
 » F = 100 acidentes/ano. 
 » Como há, em média, 1 morte a cada 10 acidentes, isso implica C = 0,1 morte/
acidente. 
Voltando à formulação (Risco = F x C), obtemos:
Risco coletivo Rcol = 100 x 0,1 = 10 morte/ano. 
A estrada opera trânsito de 100.000 pessoas por ano, portanto, o Risco Individual para 
cada pessoa é: Rind = 10/100.000 = 0,0001.
Há algumas indicações de riscos de fatalidade para alguns riscos voluntários e 
involuntários, bem como um ranking de riscos individuais de mortes, conforme 
apresentado a seguir.
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UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
Tabela 9. Fatalidade para alguns riscos voluntários e involuntários.
Taxa de Frequência (TF) Mortes por pessoa por ano
Riscos voluntários
Praticar alpinismo 0,00004
Dirigir automóvel 0,00017
Fumar (20 cigarros/dia) 0,005
Riscos involuntários
Acidente aérea (Reino Unido) 0,00000002
Explosão de vaso sob pressão (EUA) 0,00000004
Incêndio (Reino Unido) 0,000015
Atropelamento 0,00006
Descarga atmosférica (Reino Unido) 0,0000001
Fonte: Cicco, 2003.
Tabela 10. Ranking de riscos individuais de mortes.
Causa Probabilidade
Todas as causas 9,0 x 10-3
Doenças do coração 3,4 x 10-3
Câncer 1,6 x 10-3
Todos os acidentes 4,8 x 10-4
Acidentes do trabalho 1,5 x 10-4
Veículos automotivos 2,1 x 10-4
Homicídios 9,3 x 10-5
Quedas 7,4 x 10-5
Afogamentos 3,7 x 10-5
Queimaduras 3,0 x 10-5
Envenenamento por líquido 1,7 x 10-5
Sufocação (objetos engolidos) 1,3 x 10-5
Acidentes com armas e esportes 1,1 x 10-5
Trens 9,0 x 10-6
Aviação civil 8,0 x 10-6
Transporte marítimo 7,8 x 10-6
Envenenamento a gás 7,7 x 10-6
Mordeduras 2,2 x 10-7
Fonte: Souza, 1995.
Como visto, é importante ter parâmetros de comparação para poder elaborar um estudo 
de análise de riscos. As formas de medir o grau de importância dos riscos são as mais 
variadas e dependem diretamente do objetivo das análises. 
Há vários padrões internacionais que podem ser adotados para definir se um risco é 
aceitável ou não, passando, como sempre, pela avaliação da probabilidade de ocorrência 
de um evento acidental e pela extensão das suas consequências. A tabela a seguir 
fornece uma ideia genérica dos limites de aceitabilidade dos riscos para diversas áreas.
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REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Tabela 11. Limites de aceitabilidade dos riscos para diversas áreas. 
Riscos Probabilidade de 
ocorrência Extensão das consequências
Risco social
1x10-4 (EUA) a
1x10-6 (Holanda)Perda de vida humana
Risco aeronáutico 1 x 10-8 Perda da aeronave e de vidas humanas
Risco mecânico – 
Industrial 1x10-4 Perda do sistema ou acidente envolvendo vidas humanas
Seguros Riscos de alta 
frequência
Riscos cuja perda acumulada ou unitária exceda o prêmio 
pago, já descontados os custos operacionais e comerciais
Fonte: WHO, 1995.
O que determina a importância de um risco é a combinação dos fatores (F x C). Para 
seguros, por exemplo, se um determinado tipo de acidente é bastante frequente, mas 
traz perdas associadas muito pequenas, poderá ser mais bem suportado pela seguradora 
do que um risco pouco frequente que traz consequências mais importantes. 
Portanto, avaliar esses parâmetros com a máxima cautela e critério é o segredo de um 
estudo de sucesso. O que é pior: alta frequência de ocorrência (motores elétricos) ou 
alta consequência (explosão de um botijão de gás)?
A percepção de risco inclina o ser humano às consequências (perigos), porém isso 
é um erro; eventos frequentes podem ser mais arriscados. Todavia o julgamento 
sempre dependerá dos critérios escolhidos de comparação. Observe o exemplo da 
tabela seguinte.
Tabela 12. Cidades mais arriscadas pelo critério de acidente fatal.
Cidade Probabilidade de ocorrência 
(acidente por ano)
Gravidade do acidente 
(morte por acidente)
Risco do acidente 
(mortes/ano)
A 1.000 1 1.000
B 0,10 10.000 1.000
Fonte: Wilson; Cummins, 2010.
Em qual cidade você gostaria de morar? Se sua resposta for A, você estará de acordo 
com a maioria, que considera “normal” a morte de 1.000 pessoas por ano em acidentes 
de trânsito. Já na cidade B, um único acidente pode gerar 10.000 mortes, embora a 
probabilidade de isso acontecer seja baixa.
Quando se analisa um determinado risco, a primeira ação a fazer é descobrir se há 
alguma estatística relacionada à ocorrência de eventos anteriores, seja no local em 
que este risco ocorre ou em outros locais. Entender o porquê de sua ocorrência é 
fundamental para analistas de risco de várias áreas de atuação como forma de 
dimensionar probabilidades e consequências. A experiência, mesmo absorvida de 
outros, bem como a revisão de literatura especializada, são os primeiros instrumentos 
da análise de riscos.
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UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
E quando não se dispõe de dados ou da experiência necessária? A solução é construir 
cenários acidentais e discutir com as outras pessoas envolvidas o grau de importância 
das possibilidades, vislumbrando se realmente se constituem em probabilidades. Em 
relação às consequências, ocorre exatamente a mesma coisa. Pode-se aprender com 
outros eventos ou construir os cenários acidentais.
Em análises singelas, a construção de um ou dois cenários acidentais é bastante simples 
e geralmente não requer maiores auxílios. As formas de medição da probabilidade de 
ocorrência e da magnitude das consequências é que precisam ser melhor investigadas. 
A seguir, indica-se a amplitude das medições:
 » Probabilidade:
 › de falha; de ocorrer um evento indesejável e de algo dar errado. 
 » Consequências:
 › perda de vidas humanas; 
 › perda financeira;
 › perda patrimonial;
 › perda de imagem; 
 › perda de capacidade temporária.
O que é mais perigoso, viajar de ônibus ou de avião a jato?
O perigo é maior em avião, pois as energias (potencial e cinética) relacionadas ao 
deslocamento aéreo são milhares de vezes maiores que as terrestres, situação que torna 
milagre a possibilidade de haver sobrevivente pós-acidente aeronáutico. Com base nos 
dados de avião e ônibus (comercial e regular) e utilizando o sistema internacional de 
unidades SI, segundo a física envolvida, tem-se a tabela seguinte:
Tabela 13. Comparação das energias de deslocamento entre avião e ônibus.
Parâmetro Avião Ônibus Avião/Ônibus
Massa [kg] 80.000,00 15.000,00 5,33
Velocidade [m/s] 238,89 22,22 10,75
Altura do passageiro ao nível chão [m] 11.000,00 2,00 5.500,00
Energia potencial gravitacional (Epg)
 m x g x h
Epg = 80.000 x 9,8 x 11.000 Epg = 15.000 x 9,8 x 2
Epg = 8.624 MJ Epg = 294 KJ 29.333,33
Energia cinética (Ec)
m x V²/2
Ec = 80.000 x (238,89)²/2 Ec = 15.000 x (22,22)²/2
Ec = 2.282,74 MJ Ec = 3.702,96 KJ 616,42
Energia mecânica total 10.906,00 3.996,00 2.729,23
Fonte: elaborada pelo autor.
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REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS | UNIDADE I
Percebe-se que a energia potencial do avião é mais de 29.333,33 vezes maior que a do 
ônibus. Fácil de perceber, pois o avião possui muito mais desprendimento de energia 
e, portanto, um potencial maior de destruição que o ônibus. 
Ao comparar a energia cinética de ambos, percebe-se que, a bordo do avião, a energia 
cinética é cerca de 616,42 vezes maior que a de um ônibus. Fechada essa etapa do cálculo, 
o avião é 2.729,23 vezes mais perigoso quando o critério é energia mecânica total. 
Mas o que é mais arriscado: viajar de ônibus ou de avião?
Com base nesses cálculos exemplificativos, utilizando o Sistema Internacional de 
Unidades (SI) e considerando um avião e um ônibus comerciais e regulares, podemos 
concluir que o perigo é maior no transporte aéreo. Isso ocorre porque as energias 
potencial e cinética associadas ao deslocamento aéreo são milhares de vezes superiores 
às terrestres, o que torna a sobrevivência em um acidente aeronáutico algo próximo 
de um milagre.
4.2. O que é mais arriscado?
Pelo critério de acidentes fatais por quilômetros percorridos, o avião aparece facilmente 
como meio de transporte mais seguro. Isso ocorre porque ele percorre mais quilômetros 
por hora transportada, em comparação com ônibus, navios ou até com o ato de caminhar 
pelas ruas. Devido à sua alta velocidade relativa, em uma viagem aérea, percorrem-se 
trechos que, por terra, poderiam significar horas ou dias de deslocamento. 
Ao avaliar o risco dessa forma, caminhar torna-se um dos meios de transporte mais 
arriscados. Quanto tempo seria necessário andando pelas ruas para alcançar o 
equivalente a 100 mil quilômetros percorridos de avião? 
Utilizar quilômetros percorridos para medir riscos pode não fazer muito sentido 
no caso do avião, pois a probabilidade de acidente depende mais do número de 
escalas do que da distância (mais de 90% dos acidentes acontecem no final ou 
no início do voo). Ao aprofundar agora essa questão, percebe-se que a resposta 
correta, em relação ao que é mais arriscado, é: depende! Depende do que se quer 
medir e do valor que é dado às diferentes opções, pois há estatísticas que afirmam 
exatamente o oposto. 
Especialistas, como Souza (1995), garantem que a frequência de acidentes fatais em 
viagens aéreas é quatro vezes maior do que em viagens de ônibus. Enquanto no 
transporte terrestre por ônibus a taxa de fatalidade é de 0,6 mortos a cada milhão de 
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UNIDADE I | REVISÃO ESTATÍSTICA E INTRODUÇÃO A RISCOS
horas de exposição, no transporte aéreo esse número sobe para 2,4 mortos a cada 
milhão de horas de exposição.
O fato de o ônibus causar mais vítimas não implica automaticamente menor segurança 
em relação ao avião, pois o tempo de exposição do passageiro em uma viagem aérea 
é muito menor do que em um deslocamento terrestre para a mesma distância. 
O critério correto então não seria quilômetro percorrido ou voo, mas sim as vítimas por 
tempo de exposição? A pergunta refeita seria: 
 » Há mais probabilidade de acidente fatal, passando-se uma hora de viagem em 
um avião ou em um ônibus? 
Finalmente, considerando as energias mecânicas totais (perigo) do avião e do ônibus, 
percebem-se duas conclusões possíveis sobre o risco, a depender do critério utilizado: 
 » quilômetros percorridos; ou 
 » tempo de exposição. 
Para o primeiro critério, o avião é menos arriscado; para o segundo, o ônibus!
Esse exercício de raciocínio foi feito para que você perceba e amplie as perspectivas 
de abordagens sem cair nas armadilhas. Isso porque, por exemplo, trabalhar em banco 
(entidade financeira) é mais arriscado que trabalhar em construção civil, apesar desta 
última operar com energias