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Metodologia do 
ensino de atletismo 
Antenor de Oliveira Silva Neto
SUMÁRIO
1 Introdução ao atletismo 9
1.1 Conhecendo o atletismo 9
1.2 Provas oficiais 14
1.3 Instalações 22
2 Atletismo na escola 30
2.1 Aspectos didáticos e metodológicos 30
2.2 Atletismo e a Base Nacional Comum Curricular 35
2.3 O papel do professor no ensino do atletismo 41
3 Corridas e saltos 47
3.1 Corridas rasas, meio-fundo e fundo 47
3.2 Corridas com barreiras e obstáculos 55
3.3 Revezamentos 61
3.4 Saltos horizontais e verticais 63
4 Lançamentos e arremesso 72
4.1 Lançamento de disco 72
4.2 Lançamento de dardo 75
4.3 Lançamento de martelo 78
4.4 Arremesso de peso 80
5 Provas combinadas e marcha atlética 85
5.1 Provas combinadas: heptatlo e decatlo 85
5.2 Marcha atlética 89
6 Paratletismo 94
6.1 Paratletismo e inclusão 94
6.2 Classificação funcional 96
6.3 Provas 99
 
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Introdução ao atletismo 9
1
Introdução ao atletismo
Antes de conhecer a história do mais tradicional e secular dos 
esportes, é interessante perguntar: você sabia que o atletismo é um 
conjunto de modalidades esportivas? Isso mesmo! O atletismo se 
divide em corridas, lançamentos, arremessos e saltos. Geralmente, 
essas modalidades são praticadas em estádios, exceto a maratona 
– por ser uma corrida de longa distância – e as corridas de rua.
Com origem na Grécia, o atletismo é um dos esportes mais anti-
gos, com a primeira competição de que se tem registro ocorrendo 
em 776 a.C., na cidade de Olímpia. É considerado um esporte de 
base, pois sua prática possui a extensão dos movimentos funda-
mentais do ser humano: caminhar, correr, saltar e lançar.
Neste capítulo, conheceremos a origem do atletismo e o seu 
processo histórico no Brasil e no mundo. Veremos, também, os 
principais órgãos responsáveis por esse esporte, as competições 
oficiais, as instalações e os equipamentos necessários.
1.1 Conhecendo o atletismo 
O atletismo é inerente ao homem , afinal , nossos ancestrais já anda - vam e 
precisavam correr , saltar e lançar como uma forma primitiva de 
sobrevivência , numa luta constante de busca por alimentos e contra 
predadores. Podemos dizer que, a partir disso, o homem desenvolveu
 
habilidades que explicam o surgimento das primeiras competições es-
portivas atléticas , já que elas nasceram da imitação dos movimentos 
naturais do ser humano.
Nesse sentido, o atletismo é considerado o esporte mais antigo do 
mundo. Trata-se de um conjunto de modalidades esportivas que envol-
ve corridas, saltos, lançamentos e arremessos. No início de sua prática, 
essas atividades eram consideradas preparação para a guerra.
10 Metodologia do ensino de atletismo
De acordo com Oliveira (2006), há evidências de que a origem do 
atletismo aconteceu por volta de 4 mil anos atrás, no Antigo Egito, onde 
os homens realizavam corridas. Já na Grécia Antiga, surgiram jogos re-
gulares, com disputas de corrida, arremesso de objetos diversos e sal-
tos. Porém, os registros efetuados na Grécia, em 776 a.C., indicam que 
somente a corrida existiu no estádio.
EUPHILETOS. Ânfora do prêmio Panathenaic de terracota. 
c. 530 a.C., 62,2 cm. Terracota. Metropolitan Museum of 
Art, Nova York.
Pharos//W
ikimedia Commons
Os Jogos Olímpicos da antiguidade tiveram início no ano de 776 a.C., 
sendo realizados até 393 d.C., quando foram suspensos por meio de 
uma proibição expressa do imperador romano Teodósio I. Este impe-
diu a realização das competições por motivos religiosos. Por ser cristão, 
o imperador combatia qualquer movimentação, reunião ou culto que 
promovesse práticas não cristãs, e os torneios olímpicos estavam en-
tre os eventos que mais agrupavam pessoas, sendo considerados uma 
atividade pagã.
A decisão fez com que o templo dedicado a Zeus, em Olímpia, fos-
se fechado para os Jogos Olímpicos, interrompendo-se, assim, uma 
tradição depois de mais de mil anos. Mariano (2012) afirma que essa 
decisão gerou muita revolta no povo, pois não se tratavam apenas de 
competições, os jogos eram também um momento festivo. Entretanto, 
eles nada puderam fazer para combater a proibição.
Já na era moderna, mais precisamente em 1892, Pierre de Frédy, 
mais conhecido como Barão de Coubertin, apresentou um projeto de 
Figura 1
Ânfora grega com repre-
sentação de práticas de 
atletismo
Introdução ao atletismo 11
restituição da tradição para se realizar um evento desportivo periódico, 
tal qual se fazia na Grécia Antiga. Sua intenção era criar um movimento 
internacional, chamado por ele de olimpismo, com o intuito de promo-
ver a união entre os povos por meio do esporte. Além disso, Pierre 
queria formar o caráter dos jovens com a prática esportiva, a disciplina 
e o autoconhecimento, para que conseguissem dominar a si mesmo, 
ter espírito de equipe e disposição para competir.
O projeto, entretanto, só foi colocado em prática no ano de 1894, 
após a realização de um congresso esportivo na cidade de Paris, que 
contou com a participação de 14 países. Nesse mesmo encontro, foi 
criado o Comitê Olímpico Internacional (COI), com sede na Suíça. O 
COI criou as normas para que fossem realizados os primeiros jogos 
em 1896, e Atenas foi escolhida como cidade-sede, por sentimento de 
valor histórico e representativo.
O programa de atletismo dos Jogos Olímpicos de 1896, em Atenas, 
foi composto por corridas de 100 m, 400 m, 800 m e 1.500 m; além de 
110 m com barreiras, saltos em distância, altura, triplo e com vara, e, 
ainda, arremesso de peso e lançamentos de disco. Uma maratona es-
pecial foi sugerida pelo francês Michel Bréal para recordar o soldado 
Fidípedes, que correu da cidade de Maratona até Atenas para anunciar 
aos gregos a vitória de Milcíades sobre os persas em 490 a.C. O percur-
so foi de 42 km, que compreendia a distância aproximada percorrida 
por Fidípedes, e teve como vencedor o grego Louís Spýros.
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Figura 2
Pierre de Frédy, fundador 
dos Jogos Olímpicos da era 
moderna
Materialscientist /
Wikimedia Commons
Figura 3
Cerimônia de abertura 
dos Jogos Olímpicos de 
Atenas, 1896
12 Metodologia do ensino de atletismo
Primeiramente aberto apenas a competidores do sexo masculino, o 
programa de atletismo olímpico foi modificado com o tempo. Em 1900, 
por exemplo, foram introduzidas as seguintes provas: 400 m com bar-
reiras, 2.500 m com obstáculos e lançamento de martelo. Dentre as 
modalidades clássicas, as últimas a aparecerem no programa dos Jogos 
Olímpicos modernos foram o lançamento de dardo, em 1908, e o pen-
tatlo, em 1912. Nesse ano, realizaram-se também o primeiro decatlo e 
os revezamentos de 4×100 metros e 4×400 metros.
É importante destacar que o programa original olímpico era ex-
clusividade dos homens, e a cada ano foram sendo acrescentadas as 
modalidades; a última prova clássica a ser inserida foi o lançamento 
de dardo, oficialmente disputado em 1908. As mulheres vieram a par-
ticipar das provas de atletismo dos Jogos Olímpicos somente em 1928.
No Brasil, o atletismo surgiu no final do século XIX. Em meados dos 
anos 1880, os resultados de competições de várias modalidades do 
atletismo no Rio de Janeiro eram anunciados no Jornal do Commercio 
da capital carioca.
Entre os anos de 1900 a 1930, o atletismo teve uma ascensão mui-
to significativa, chamando a atenção de muitos atletas da época para 
a sua prática. Sendo assim, ele foi consolidado no país pela antiga 
Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que era a responsável por 
praticamente todos os esportes no Brasil.
De acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), a CBD 
see humanizada.
De acordo com Matthiesen (2017), para que o atletismo ganhe mais 
espaço na escola, é necessário, por exemplo, que o professor não tra-
balhe o correr simplesmente por correr, assim como o saltar por saltar 
e o arremessar e lançar como atos simples e sem significados. Estes 
devem ser contextualizados, discutidos, refletidos e analisados sob a 
ótica da integralidade e interdisciplinaridade.
O artigo Atletismo Escolar: possibilidades e estratégias de objetivo, conteúdo 
e método em aulas de Educação Física, publicado por Carmen Marques e 
Jacob iora na revista Movimento em 2009, apresenta uma crítica sobre a 
utilização do atletismo apenas com métodos que visam ao alto rendimento, 
desprezando criatividade, novas formas de movimento e inserção destas no 
contexto dos esportes. Propõe-se o ensino do esporte na escola com fins 
pedagógicos e utilizando metodologias que se adequem tanto à realidade 
escolar quanto aos espaços disponíveis para as aulas práticas.
Acesso em: 18 maio 2020.
https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/3078
Artigo
44 Metodologia do ensino de atletismo
Portanto, é fundamental que, na escolha dos conteúdos curriculares 
da escola, seja ponderado que a função do professor não é somente a 
transmissão do conhecimento, e cabe à escola abordar a complexida-
de de valores que precisam ser trabalhados no ambiente educacional. 
Nesse contexto, o atletismo apresenta-se como um importante aliado 
pelas particularidades do seu surgimento aos dias atuais.
Sempre que os professores pensam em conteúdos clássicos nas aulas 
de Educação Física, remetem-se ao atletismo pela característica de partici-
pação e compreensão dos indivíduos, independentemente de classe social, 
etnia ou sexualidade. Afinal, por meio do atletismo, o professor discute es-
sas questões por diferentes vieses, dentre os quais podemos citar as dife-
renças de pesos, distâncias e tempos de provas masculinas e femininas.
Um elemento que merece maior atenção do professor é a competi-
tividade. A competição e a individualidade são inerentes ao atletismo, 
mas o professor pode trabalhá-las em grupos e promover a socializa-
ção, comunicação e cooperação com atividades lúdicas, principalmente 
nos primeiros anos do ensino fundamental.
Assim, os alunos apoderam-se de competências e habilidades 
fundamentais das corridas, saltos, lançamentos e arremessos, mas 
especialmente das experiências que esses movimentos naturais e a 
execução do gesto técnico podem proporcionar. Essa máxima só é 
possível quando o professor se coloca dentro do processo como um 
facilitador das descobertas do aluno.
Contudo, para que o ensino do atletismo tome essa dimensão de 
espaço e acontecimento, é preciso que a participação de todos seja o 
princípio das ações. Aquele atletismo que apenas seleciona os mais ha-
bilidosos e de alto desempenho não deve fazer parte do esporte com 
caráter educacional, participativo e inclusivo. Isso requer do professor 
habilidade e mediação de conflitos entre os alunos que possuem uma 
predisposição para competição como único fator motivador.
Matthiesen (2017) afirma que a habilidade do professor em traba-
lhar novas perspectivas pedagógicas para o ensino do atletismo é de 
extrema importância, pois exige flexibilidade na condução das aulas, 
de modo que todo trabalho voltado às questões de formação integral 
do aluno não perca a essência da origem, da especificidade técnica e 
normativa que coloca o atletismo em condição privilegiada dentre os 
demais esportes.
Atletismo na escola 45
Enfim, podemos perceber que o atletismo possui um grande po-
tencial no contexto escolar com vistas a garantir o desenvolvimento 
coletivo e individual indispensável para o convívio em sociedade. Dessa 
maneira, o papel do professor no ensino dessa modalidade é oferecer 
condições para que isso ocorra.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É inegável que o atletismo dispõe de movimentos que motivam todos 
que o praticam; afinal, consiste nos movimentos naturais do ser humano. 
No âmbito escolar, especificamente nas aulas de Educação Física, os mo-
vimentos de correr, saltar, arremessar e lançar ganham a compreensão 
da cultura corporal do movimento e dimensão, com a reflexão e análise 
de movimentos adaptados, técnicos e específicos da modalidade, possibi-
litando um acervo cultural de movimento ainda mais amplo.
O fomento da prática de movimentos direcionados no contexto esco-
lar é legítimo e duradouro, possibilitando ao aluno um repertório motor 
diversificado, como também o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social. 
Nesse sentido, a escola assume um compromisso de educar para a vida 
que vai além da transmissão de conteúdo específico e, muitas vezes, sem 
sentido algum para o aluno.
Nessa perspectiva, quando trabalhado corretamente na escola, o 
atletismo correlaciona valores sociais importantes diante do cenário do 
esporte com poder de transformação social. Com uma visão crítica, cola-
borativa e reflexiva, o aluno consegue transportar a situação de jogo para 
uma situação real, superar as dificuldades e vencer.
Por fim, para que todos os benefícios da prática do atletismo vistos até 
aqui sejam possíveis, é preciso que os professores dediquem-se ao ensino, 
incentivando e conduzindo os alunos a um novo pensar e um novo agir.
ATIVIDADES
1. Existe uma relação entre o baixo interesse dos acadêmicos na 
modalidade do atletismo e o desenvolvimento dessa prática no âmbito 
profissional. De que forma podemos reverter esse quadro?
2. Quais as principais características que o professor de Educação Física 
precisa saber sobre a BNCC?
46 Metodologia do ensino de atletismo
3. Qual é a importância, do ponto de vista do processo de ensino-
aprendizagem, da formação de professores que visam formar cidadãos 
por meio da cultura corporal do movimento, tornando-os alunos 
autônomos, críticos e instruídos a cuidar de si mesmos e identificando 
diferenças étnicas, sociais e culturais?
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular do Ensino Fundamental. Brasília, DF: Ministério da 
Educação, 2018a. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_
EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 18 maio 2020.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio. Brasília, DF: Ministério da 
Educação, 2018b. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/
historico/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_site_110518.pdf. Acesso em: 18 maio 2020.
LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora: novas exigências educacionais e profissão 
docente. São Paulo: Cortez, 1998.
MARIANO, C. Educação Física: o atletismo no currículo escolar. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak, 
2012.
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2017.
OLIVEIRA, M. C. M. de. Atletismo escolar: uma proposta de ensino na educação infantil. Rio 
de Janeiro: Sprint, 2006.
PENTEADO, F. BNCC: O que é a Base Nacional Comum Curricular e qual é o seu objetivo. 
SAE Digital, 9 jan. 2019. Disponível em: https://sae.digital/bncc-o-que-e-qual-e-o-seu-
objetivo/. Acesso em: 18 maio 2020.
Corridas e saltos 47
3
Corridas e saltos
Neste capítulo, você conhecerá os exercícios coordenativos 
do atletismo fundamentais para o desenvolvimento da corrida, a 
classificação das corridas, bem como as categorias dos saltos e 
suas divisões.
Nas corridas, você conhecerá as exigências físicas e estruturais, se-
quências de movimentos, entre outras. Já nos saltos, verá a divisão e 
os aspectos relacionados com os saltos em distância, triplo, em altura 
e com vara. Ainda, entenderá o encadeamento de cada um deles, que, 
apesar das semelhanças, possuem especificidades em suas práticas.
O ponto em comum entre as corridas e os saltos está na pre-
missa do correr, mudando apenas os requisitos desse ato.
3.1 Corridas rasas, meio-fundo e fundo
A corrida é considerada uma extensão natural da caminhada . A 
locomoção é caracterizada por passadas em três fases: apoio e impul-
são, voo com balanço e recuperação, eapoio e impulsão novamente
. Já os braços têm o papel fundamental de manutenção do equilíbrio 
do corpo durante a corrida.
Todos nós corremos desde cedo, sem nos preocuparmos em como 
estamos correndo; afinal, não somos ensinados a correr, nós simples-
mente corremos. Mas em se tratando da corrida no atletismo, temos 
uma técnica mais adequada e uma divisão da modalidade.
As corridas rasas do atletismo dividem-se em: corridas de veloci-
dade, caracterizadas por curtas distâncias; corridas de meio-fundo, ou 
médio-fundo, que têm distâncias com percursos intermediários; e corri-
das de fundo ou longa distância, que compreendem maiores distâncias. 
São corridas de velocidade: 100 m, 200 m e 400 m; meio-fundo: 800 m 
e 1.500 m; e fundo: 5.000 m, 10.000 m, 21.097,5 m (meia-maratona), 
42.195 m (maratonas) e ultramaratonas (distâncias acima da maratona).
48 Metodologia do ensino de atletismo
Antes mesmo de conhecer as especificidades 
de cada corrida de acordo com a sua divisão, é 
imprescindível compreender que existem movi-
mentos básicos para o desenvolvimento e apri-
moramento da corrida de maneira geral. Estamos 
nos referindo aos exercícios educativos e coorde-
nativos, como são conhecidos. Esses exercícios 
são responsáveis por melhorar a biomecânica, 
equilíbrio e postura durante a corrida, proporcio-
nando melhoria das capacidades físicas e coorde-
nação motora e evitando maior desgaste muscular 
e cardiovascular pela economia de energia nas 
passadas.
CORRIDAS 
RASAS
100 m – 200 m 
– 400 m
800 m – 
1.500m
5.000 m ou 
mais
Velocidade ou 
curta distância Médio-fundo
Longa 
distância 
 ou fundo
Subdividem-se em 3 grupos
Figura 1
Classificação das corridas rasas
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
São vários os exercícios utilizados na aprendizagem das técnicas de 
corrida e melhoria do desempenho motor. Mas, ao contrário do que 
muitos pensam, os exercícios educativos não são exclusividade para 
atletas de alto rendimento ou apenas para melhorar o desempenho. 
Eles são essenciais para a aquisição de habilidades motoras, impor-
tantes para a fase de desenvolvimento do aluno, como o trabalho de 
lateralidade, coordenação dos membros, noção espacial e temporal. 
Na escola, os exercícios educativos podem ser executados de manei-
ra lúdica, no aquecimento, durante o alongamento ou como parte 
específica do treinamento.
Dentre os exercícios educativos e coordenativos de corrida, pode-
mos destacar os seguintes:
Figura 2
Skipping
Skipping 
Deslocamento com base na ele-
vação alternada dos joelhos até 
a altura do quadril, mantendo o 
tronco ereto e os membros supe-
riores no sentido anteroposterior, 
sempre priorizando a frequência 
do movimento da corrida.
IESDE
O livro Atletismo: teoria 
e prática apresenta de 
maneira clara, objetiva 
e didática o ensino de 
atletismo na escola, con-
textualizando o esporte 
quanto aos aspectos 
históricos, fundamentos 
básicos, técnicas de exe-
cução, principais regras, 
bem como sugestões de 
atividades e adaptações 
para iniciação do atletis-
mo no âmbito escolar.
MATTHIESEN, S. Q. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
Livro
Corridas e saltos 49
Figura 3
Dribbling
IESDE
IESDE
IESDE
Dribbling 
Deslocamento com movimento 
curto, em que uma perna é ligei-
ramente elevada e flexionada, 
enquanto a outra permanece 
estendida com o pé tocando no 
chão, apoiando os pés alternada-
mente. Os membros superiores 
acompanham o movimento da 
corrida, priorizando a frequência 
na execução.
Figura 4
Anfesen
Anfesen 
Deslocamento com base na flexão 
alternada dos membros inferiores 
de modo que os calcanhares toquem 
os glúteos, mantendo o tronco 
ligeiramente inclinado para a frente 
e os membros superiores realizando 
o movimento da corrida.
Figura 5
Kick Out
Kick Out 
Deslocamento com base no mo-
vimento do dribbling; a cada três 
passos, realiza-se a elevação al-
ternada do joelho com extensão 
da perna para a frente.
50 Metodologia do ensino de atletismo
Halpserlauf 
Deslocamentos acompanhados de 
saltos duplos, tanto na perna livre 
quanto na de impulsão. O tronco 
deve permanecer ereto, enquanto 
os movimentos dos membros 
inferiores e superiores são realizados 
alternadamente.
Figura 6
Halpserlauf
IESDE
Os exercícios educativos de corrida são realizados em distâncias cur-
tas, entre 20 m e 40 m com, no máximo, duas repetições e podem ser 
desenvolvidos em ritmos diferentes, de acordo com as individualidades 
dos alunos. Independentemente da técnica de execução do exercício, o 
professor pode desenvolver os movimentos de modo lúdico dentro de 
algum jogo, por exemplo, o pega descola, gerando o fator motivacional.
As corridas de velocidade certamente são as que mais chamam a 
atenção das crianças nas aulas de Educação Física devido à sua alta 
disposição e à necessidade de liberação de energia, aliadas, princi-
palmente, ao aspecto competitivo, comum na fase de aprendizagem 
em que se encontram. Dessa maneira, na escola, o professor precisa 
explorar ao máximo os jogos que necessitem da corrida, mas com o 
cuidado para que a competição não seja exclusividade e trabalhando, 
sobretudo, a cooperação.
As corridas rasas possuem características e especificidades nas téc-
nicas de execução do movimento e regras, além das diferenças de dis-
tâncias. Logo, mesmo considerando um trabalho pedagógico com base 
no atletismo, é necessário conhecer de modo aprofundado todas as 
particularidades, sendo assim possível realizar uma prática direcionada 
da atividade lúdica à técnica correta do movimento e aos espaços espe-
cíficos para sua realização.
Então, é importante destacar algumas regras básicas dessas corridas, 
de acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt (2020):
Corridas e saltos 51
 • É obrigatória, em todas as provas até 400 m, a saída baixa, ou 
seja, com a utilização do bloco de partida.
O bloco de partida é um equipamento que, antes de qualquer coisa, deve garantir a segurança do indivíduo. 
Um bloco de partida alternativo geralmente é feito com madeira, parafusos e trena (o recorte da madeira é feito 
com serrote ou em uma marcenaria). Mas não é tão simples. Na escola, utilizamos dois métodos alternativos, 
ambos realizados em duplas. 
Apoio de joelhos de costas: o aluno “bloco de 
partida” se posiciona de costas, com os joelhos 
apoiados no chão, e os pés oferecem a base para 
o colega que correrá.
Apoio sentado de frente: o aluno “bloco de 
partida” posiciona-se sentado, com as pernas fle-
xionadas de modo que os pés ofereçam suporte 
para o colega que correrá.
IESDE
Na escola
 • Todas as provas deverão ser realizadas em raias separadas; caso 
um atleta invada a raia de outro corredor, atrapalhando-o, será 
desclassificado.
 • A saída só poderá acontecer após o tiro de partida; uma largada 
antes do sinal implicará na desclassificação do atleta, exceto para 
as provas combinadas.
 • Os atletas devem ser classificados na ordem em que qualquer 
parte do seu corpo (ou seja, tronco, ficando excluídos cabeça, 
pescoço, braços, pernas, mãos ou pés) atinja o plano vertical que 
passa pela borda anterior da linha de chegada.
 • Os atletas podem competir com os pés descalços, ou com calça-
dos em um ou ambos os pés.
IESDE
Assim como existem as regras básicas para realização das pro-
vas, há técnicas para melhor execução das corridas de velocidade. 
De acordo com Matthiesen (2017, p. 41), “quando falamos em corri-
Figura 7
Saída baixa no bloco de 
partida
52 Metodologia do ensino de atletismo
das, é comum observarmos que a frequência e amplitude das pas-
sadas são determinantes para o rendimento final”. Nesse sentido, 
quanto maior a velocidade na corrida, o tronco será mais inclinado, 
o movimento dos membros superiores será mais forte e o tempo de 
contato dos pés no solo será menor.
Apoio
apoio - impulsão balanço – recuperação apoio - impulsão
ApoioVoo
IESDE
As corridas, de maneira geral, possuem a mesma característi-
ca quanto à sua execução. Segundo Vidigal (2012), a fase deapoio 
acontece com o contato do pé no solo, e a fase de impulsão ocorre 
ainda com o apoio do pé no solo, sendo entendida como o momento 
de preparação para as demais fases. Na impulsão, acontece o movi-
mento de extensão das articulações do tornozelo, joelho e quadril. 
Nessa ação, o atleta realiza força contra o solo, para frente e para 
cima. Já na fase de voo, o corpo é projetado para frente devido ao 
impulso.
Meio-fundo e fundo:
Corridas de meio-fundo e fundo diferenciam-se das corridas de 
velocidade em vários aspectos. Conforme Matthiesen (2017, p. 51), “a 
definição do ritmo, da técnica, do tempo, da distância e das fontes ener-
géticas empregadas no desenvolvimento das corridas é fundamental 
para sua classificação em provas de velocidade, meio-fundo e fundo”. 
Nesse sentido, é importante elencar algumas considerações a respeito 
das corridas de meio-fundo:
 • Provas realizadas com saída alta, ou seja, sem bloco de partida, e 
em raias livres. São conhecidas como provas não raiadas.
 • Esse tipo de prova já consiste na resistência do atleta, logo não 
necessita de bloco de partida; afinal, a largada não é garantia de 
que o atleta vença a prova, mas sim o conjunto de sua realização.;
Figura 8
Técnica da corrida de 
velocidade
Corridas e saltos 53
 • O atleta se mantém em pé com os pés atrás da linha de partida já 
em posição de corrida.
 • A prova pode ser dividida em largada, regularidade e chegada. A re-
gularidade é classificada por ritmo constante durante toda prova.
 • No treinamento, os tempos parciais, isto é, em cada volta, são 
anotados para controle e escolha da estratégia e melhoria do 
tempo total.
 • Um erro comum de atletas iniciantes nesse tipo de prova é a larga-
da em ritmo muito forte, não conseguindo manter-se nas demais 
voltas a ponto de apresentar considerável queda de velocidade.
Da mesma forma, as corridas de fundo, ou corridas de longa distân-
cia, são divididas em largada, regularidade e chegada. A principal dife-
rença entre as corridas de meio-fundo e de fundo consiste no maior 
tempo de regularidade. Isso quer dizer que o atleta deve manter um rit-
mo constante por muito mais tempo, no qual atinge o estado estável; 
dependendo da prova, esse período é maior. O sistema aeróbico é o 
principal meio para a produção energética.
Assim como as demais corridas, as de fundo possuem caracterís-
ticas quanto à técnica, aos passos e à tática. De acordo com Vidigal 
(2012), são elas:
Técnica: é necessário que os movimentos sejam executados 
com excelência, descontraídos e ritmados, tendo como finalidade 
mostrar a maneira pela qual se economiza energia, afastando a 
fadiga muscular.
Passos: precisam ser desprendidos, regulares, tocando ligeiramen-
te o solo primeiramente com o calcanhar, finalizando com a ponta do 
pé. A corrida é feita com o máximo de relaxamento muscular a fim de 
não gastar energia desnecessariamente.
Tática: as táticas das corridas de fundo são muito peculiares; ne-
las, os atletas precisam poupar energia o tempo todo e, ter mais 
cuidado com a hidratação e nutrientes, pois, ao final, mesmo com 
o desgaste da corrida, os atletas aumentam o ritmo, momento cha-
mado de tiro.
estado estável: equilíbrio 
existente entre a energia 
requerida pelos músculos que 
trabalham durante a corrida e o 
ritmo de produção de substratos 
energéticos.
Glossário
54 Metodologia do ensino de atletismo
Quadro 1
Características e técnicas básicas das corridas
Corridas com 
velocidade elevada
Corridas com 
velocidade média
Corridas com 
velocidade moderada
Posicionamento da 
cabeça
Estável; fixa; no prolongamento do tronco; olhar direcionado à frente e um pouco 
para baixo.
Posição no tronco
Inclinado à frente no 
trecho inicial.
Na vertical. Na vertical.
Movimentação dos 
braços – plano frontal
Os braços cruzam pouco 
o corpo no plano frontal; 
braços paralelos.
Reduzido cruzamento dos 
braços no plano frontal.
Cruzamento considerável 
dos braços no plano 
frontal.
Movimentação dos 
braços no plano 
sagital (movimentos 
laterais em relação 
ao tronco)
Grande amplitude. Média amplitude. Pequena amplitude.
Ângulo entre o ante-
braço e o braço
90º
Ângulo pouco menor 
que 90º.
Menor angulação dos 
braços.
Contato dos pés no 
solo (direcionados p/
frente)
Contato pela ponta do pé.
Contato pela parte me-
dial e ponta do pé.
Apoio passando pelo 
calcanhar, planta e pon-
ta do pé
Movimentação do 
calcanhar (perna 
livre)
Alto; próximo ao glúteo; 
movimento circular.
Movimento intermediá-
rio.
Menor elevação; movi-
mento pendular.
Elevação da perna li-
vre à frente do corpo 
(elevação dos joelhos)
Próximo à horizontal 
(aproximadamente 80º).
Aproximadamente 70º. 
Elevação superior às 
corridas de fundo.
Menor elevação.
Impulsão (intensi-
dade da força de 
impulso)
Muito forte (com máxima 
intensidade).
Forte. Média.
Distância percorrida 
durante a fase de sus-
pensão (comprimento 
dos passos)
Masc.: ≅ 2,40 m.
Fem.: ≅ 2,00 m.
Grande comprimento.
Masc.: ≅ 1,70 m.
Fem.: ≅ 1,50 m.
Médio comprimento.
Masc.: ≅ 1,30 m.
Fem.: ≅ 1,10 m.
Pequeno comprimento.
Frequência dos 
passos
Muito alta. Alta. Média.
Fonte: Vidigal, 2012, p. 11.
Como podemos ver no Quadro 1, cada tipo de corrida apresenta 
uma característica corporal no movimento. As corridas de velocidade 
exigem maior amplitude nas passadas, inclinação do tronco, angulação 
do braço em 90º em relação ao antebraço e maior tempo de suspensão 
Corridas e saltos 55
nas passadas, entre outras características. Já as corridas de meio-fundo 
e fundo possuem movimentos parecidos no que se refere à posição do 
tronco, média e pequena amplitude nas passadas, menor elevação da 
perna livre, e suspensão alta e média.
Quadro 2
Classificação das corridas e vias energéticas
Provas
Classificação 
básica
Sub 
classificação
Via energética 
predominante
100 m
Velocidade
Velocidade intensa Anaeróbia
200 m Velocidade intensa Anaeróbia
400 m Velocidade prolongada curta Anaeróbia
800 m Velocidade prolongada longa Anaeróbia / Aeróbia
1.500 m Meio-fundo Meio-fundo curto Anaeróbia / Aeróbia
5.000 m
Fundo
Fundo curto Aeróbia
10.000 m Fundo Aeróbia
42.195 m Fundo longo Aeróbia
Fonte: Vidigal, 2012, p. 11.
Para ajudar na classificação das corridas, um dos principais mé-
todos utilizados é a predominância da via energética utilizada. Nas 
corridas de velocidade, como 100 m, 200 m e 400 m, prevalece a via 
anaeróbica 1 ; já nas corridas de meio-fundo, como 800 m e 1.500 m, 
são utilizadas as vias anaeróbica e aeróbica 2 ; embora atualmente se 
discuta que, nas corridas de 800 m, predomine a via anaeróbica e as 
corridas de fundo utilizem a via aeróbica.
Via anaeróbica não utiliza o 
oxigênio como fonte de energia e 
é caracterizada por exercícios de 
alta intensidade e curta duração.
1
Via aeróbica utiliza o oxigênio 
como principal fonte de energia e 
queima de gordura e é caracteriza-
da por exercícios de longa duração.
2
3.2 Corridas com barreiras e obstáculos
Já vimos que as corridas de até 400 m são categorizadas como de 
velocidade, logo as corridas com barreiras estão empregadas nessa 
categoria. Entretanto, os três tipos de provas com barreiras (100 m, 
110 m e 400 m) possuem particularidades quanto à distância entre 
uma barreira e outra, à altura entre elas e à técnica de passagem.
56 Metodologia do ensino de atletismo
Corridas com barreiras
1,07 m – masculino
0,84 m – feminino
0,91 m – masculino
0,76 m – feminino
 Saltar mais de 
10 barreiras
100 m 110 m 400 m
Têm por 
objetivo
Barreiras medem Barreiras medem
Figura 9
Classificação das provas com barreiras
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
A corrida com barreiras combina corrida e salto, embora a técnica in-
forme que a barreira precisa ser passada e não saltada, pois não se perde 
o ritmo da corrida. É realizada na pista de atletismo, com os atletas em 
suas raias e cada raia com dez barreiras dispostas ao longo do percurso.
As provas de 100 m são exclusivas para as mulheres, as de 110m 
são para os homens e as de 400 m para ambos os sexos. Nas provas 
de 100 m e 110 m, as barreiras medem 1,07 m para homens e 0,84 m 
para mulheres, e nos 400 m, são um pouco menores: 0,91 m para 
homens e 0,76 m para as mulheres.
Segundo Matthiesen (2017), nas provas de 
100 m e 110 m, no caso dos homens, a primei-
ra barreira fica a 13,72 m da largada e as outras 
nove ficam a uma distância de 9,14 m umas das 
outras. Da última barreira até a chegada, existe 
uma distância de 14,02 m. No caso das mulhe-
res, a primeira barreira fica a 13 m da largada e 
as demais a uma distância de 8,5 m entre elas. 
Da última barreira até a linha de chegada, a 
distância é de 10,5 m. Nas provas de 400 m, os 
atletas percorrem uma distância de 45 m até a 
primeira barreira; a distância entre uma e outra é 
de 35 m e da última barreira até a linha de chega-
da são 40 m, sem diferença para ambos os sexos.
Figura 10
Barreira
IES
DE
Provas 100 m e 
110 m 
107 m homens
84 cm mulheres
Provas 400 m
91 cm homens
76 cm mulheres
No vídeo Elaboração 
de materiais para mini 
atletismo, publicado pelo 
canal da treinadora More 
Galetovic, vemos como 
fazer um kit para atletismo 
com materiais reciclados. 
O vídeo é em espanhol, 
mas você pode utilizar a 
ferramenta de tradução 
do próprio YouTube.
Disponível em: https://youtu.
be/LeVE1rUNvyY. Acesso em: 18 
maio 2020.
Vídeo
Corridas e saltos 57
Figura 11
Distribuição das barreiras nas provas de 100 m feminino
8,5 m13 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 10,5 m
9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m13,72 m 14,02 m
IESDE
8,5 m13 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 8,5 m 10,5 m
9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m 9,14 m13,72 m 14,02 m
Figura 12
Distribuição das barreiras nas provas de 110 m masculino
IESDE
A barreira oficial é feita de alumínio, um material leve, portanto 
pode acontecer de o atleta derrubá-la e continuar a prova normal-
mente. Essa ação não é considerada infração, desde que aconteça de 
maneira involuntária; quando identificado que foi derrubada de modo 
intencional – usando as mãos, por exemplo –, o atleta é desclassificado.
Vidigal (2012) divide a corrida com barreiras em seis fases para fins 
didáticos: partida, abordagem (ataque) da barreira, passagem sobre a 
barreira, apoio após a passagem, corrida entre as barreiras, e corrida 
final para a chegada. Vejamos cada uma delas a seguir:
Partida: a primeira barreira fica a 13 m ou 13,72 m da linha de lar-
gada. Nesse caso, é preciso verificar quantos passos o atleta consegue 
dar até a primeira barreira para transpor com a perna de apoio ou, no 
bloco de partida, mudar a perna de abordagem, ou seja, a perna de 
maior domínio e força.
Abordagem: a perna que fica à frente para realizar o chamado ata-
que é a perna de abordagem; ela fica à frente e estendida para realizar 
a passagem. A perna de impulsão só deixa de tocar o chão quando 
a perna de abordagem estiver totalmente estendida. Contudo, pode 
acontecer de o atleta realizar a passagem com pernas alternadas devi-
do à distância entre as barreiras e à velocidade empregada.
58 Metodologia do ensino de atletismo
Inspiring/Shutterstock
Passagem sobre a barreira: deve ser realizada o mais rápido pos-
sível. Para isso, o atleta precisa estender a perna de abordagem e logo 
descê-la procurando apoiá-la ao chão; ao mesmo tempo, a perna de 
impulsão deixa o solo e flexiona o máximo paralelamente ao solo para 
ultrapassar a barreira. O tronco é posicionado com inclinação para a 
frente e o braço, contrário à perna de abordagem, fica lançado à frente, 
promovendo o equilíbrio para continuar a corrida logo após a passa-
gem da barreira.
Apoio após a passagem: o pé de abordagem desce próximo à 
passagem e a perna de impulsão vai em direção ao solo, tocando o 
mais distante possível da barreira. Enquanto a perna de abordagem 
passa pela barreira estendida, a perna de impulso passa flexionada.
Corrida entre as barreiras: o treino deve considerar a velocidade, 
a distância das barreiras e o número de passadas para garantir que 
as abordagens sejam com a mesma perna, embora nem sempre isso 
seja possível.
Corrida final: após ultrapassar a última barreira, o atleta faz a 
explosão de velocidade, conhecida como tiro final, até cruzar a linha 
de chegada.
Após conhecermos as corridas com barreiras, vamos conhecer 
as corridas com obstáculos. Muitos pensam que são a mesma coisa, 
apenas acrescentando obstáculos, mas não é simples assim. As provas 
com obstáculos têm outra configuração e origem nas provas de campo. 
Suas distâncias são bem diferentes em relação às provas com barreiras 
e configuram-se em provas de meio-fundo, diferentemente das provas 
com barreiras, que são de velocidade.
Esse tipo de corrida possui obstáculos ao longo do percurso, e os 
atletas precisam saltar e passar por eles. É realizada nas distâncias 
de 3.000 m e 2.000 m nas categorias masculina e feminina, exigindo 
de ambos uma preparação, como nos demais tipos de corridas, mas 
com a inserção da superação de obstáculos com ritmo compatível à 
Figura 13
Corrida com barreira
Na escola, os obstáculos podem 
ser feitos com diversos materiais 
e objetos, como cones, em que 
os alunos precisem passar entre 
eles, ou até mesmo um circuito 
de atividades que envolva cordas 
para que os alunos passem por 
baixo, com cones em zigue-za-
gue, arcos no chão para os alunos 
pisarem dentro etc. O objetivo é 
que, durante a corrida, os alunos 
precisem ultrapassar os obstácu-
los dispostos no percurso.
Na escola
Corridas e saltos 59
dificuldade enfrentada durante a execução. Isto quer dizer que, na 
passagem pelos obstáculos, o atleta não pode comprometer o ritmo 
ditado pela corrida.
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Corridas com obstáculos
Fosso de água 
de 70 cm
Saltar obstáculos
 0,91 m de altura 0,76 m de alturaPodem ter
Têm por objetivo
FemininoMasculino
Figura 14
Organização das corridas com obstáculos
Conforme Matthiesen (2017), para fins didáticos, apresentaremos 
na sequência a divisão da corrida com obstáculos em três fases: cor-
rida, passagem pelos obstáculos, incluindo o fosso 3 , e percurso final, 
que compreende a chegada.
Corrida: como falamos anteriormente, a corrida com obstáculos pos-
sui duas distâncias. Nos 3.000 m, ao longo do percurso, os atletas saltam 
28 vezes sobre os obstáculos e 7 vezes sobre o fosso de água. Já nos 
2.000 m, os atletas precisam saltar 18 vezes sobre os obstáculos e 5 ve-
zes sobre o fosso. De acordo com as regras oficiais da CBAt (2020, p. 107), 
nas provas com obstáculos, “haverá 5 saltos por volta após a linha de 
chegada ter sido passada pela primeira vez, sendo a passagem do fosso 
o quarto obstáculo. [...] a distância entre os saltos deve ser aproximada-
mente a quinta parte do comprimento normal de uma volta”.
Ainda de acordo com a CBAt (2020), na prova de 3.000 m, a distância 
da saída ao começo da primeira volta não deve incluir nenhum salto e, 
na de 2.000 m, o primeiro salto é o terceiro obstáculo de uma volta nor-
mal. Os obstáculos anteriores serão removidos depois que os atletas 
tenham passado por eles pela primeira vez.
Fosso é uma cavidade na pista 
com 70 cm de profundidade com 
água no nível da superfície da 
pista. Antes dele, há uma barreira 
fixa, em que os atletas precisam 
saltar e passar pelo fosso.
3
O livro Atletismo: desen-
volvimento humano e 
aprendizagem esportiva 
apresenta uma abor-
dagem contextualizada 
sobre o desenvolvimento 
humano e o ensino e a 
aprendizagem da moda-
lidade atletismo. Além 
disso, trata da modali-
dade como intervenção 
social, uma vez que pode 
melhorar a qualidade de 
vida e o desenvolvimento 
dos seus praticantes.
SANTOS, A. S.; VAGETTI, G. C.; 
OLIVEIRA, V. Curitiba: Appris, 2007.
Livro
60 Metodologia do ensino de atletismo
Passagem pelos obstáculos e fosso: a técnica de passagem pelos 
obstáculos e pelo fosso é a mesma empregada na prova com barreiras, 
incluindo a preparação,impulsão, ataque e ultrapassagem. Com rela-
ção à transposição do fosso, quando ultrapassa o quarto obstáculo, o 
atleta pode realizar a impulsão apoiando-se no obstáculo; embora, com 
o aumento da técnica de transposição, os atletas venham fazendo a 
passagem sem tocá-lo, evitando, assim, perder ritmo e tempo de prova.
12,7 cm 12,7 cm
3,66m
3,66m
Linha de chegada
Obstáculo
Obstáculo
Obstáculo
Partida
Obstáculo 
e fosso
Obstáculo
Yuliya
n V
elc
he
v/
Sh
ut
te
rs
to
ck
Figura 16
Pista com obstáculos e 
fosso
Percurso final e chegada: após a passagem do último obstáculo, o 
corredor terá um percurso para desenvolver o máximo de sua veloci-
dade; afinal, não existem mais obstáculos e ele precisa cruzar a linha de 
chegada. Esse momento também é chamado de sprint final, palavra de 
origem inglesa que se refere à aceleração de um competidor quando 
está próximo da chegada.
Figura 15
Modelos de obstáculos e 
fosso
Corridas e saltos 61
3.3 Revezamentos 
As corridas de revezamento possuem duas modalidades: 4x100 me-
tros e 4x400 metros. Na primeira, são quatro atletas que correm um 
percurso de 100 m cada na raia específica de cada equipe. Já na segun-
da, os competidores percorrem 400 m cada, sendo que o primeiro cor-
redor completa a volta na raia específica e, a partir do segundo atleta 
da equipe, pode-se correr em qualquer raia após cruzar a linha livre 
de raia. Por essa característica, a prova de 4x400 metros é uma prova 
parcialmente raiada, isto é, a corrida inicia em raia específica, mas, de-
pois, é desenvolvida em qualquer raia. Não há nenhuma diferença de 
distância entre homens e mulheres.
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Corridas 
de revezamento
4x100 metros 4x400 metros
Equipes de atletas 
ocupam uma raia 
apenas
Há troca de 
posse do bastão
Podem ser
Figura17
Classificação das corridas de revezamento
Na segunda volta, 
ocupam qualquer raia
Obrigatoriamente, todos os atletas das equipes devem percorrer 
trechos com distâncias iguais, transportando um bastão do início ao 
fim da prova, com a passagem do bastão entre os componentes na 
zona de passagem do bastão, área de 20 m específica para realizar a 
transferência do bastão.
Nos revezamentos, é possível notar a prevalência do trabalho em 
equipe com bastante entrosamento, técnica de passagem e recepção, 
e velocidade na transposição. Por esse aspecto coletivo, é importante 
cada atleta ter um perfil específico para as exigências do momento da 
prova. Vejamos algumas capacidades físicas dos corredores, de acordo 
com Vidigal (2012, p. 22):
1º. atleta: saída rápida – melhor rendimento em corrida na curva;
2º. atleta: bom rendimento em corrida na reta e habilidade para 
receber e passar o bastão;
62 Metodologia do ensino de atletismo
3º. atleta: bom rendimento em corrida na curva – habilidade para 
receber e passar o bastão – maior capacidade de recuperação;
4º. atleta: atleta mais veloz e com grande capacidade para a fina-
lização da prova/chegada.
Segundo Matthiesen (2017), a passagem do bastão é um momento 
crucial na prova e, por isso, é muito treinada pelas equipes e pode ser 
dividida em dois tipos básicos: a passagem visual, utilizada nas provas 
de revezamento de 4x400 metros, e a passagem não visual, utilizada 
nas provas curtas de 4x100 metros. Tanto na passagem visual quanto 
na não visual, existem duas técnicas mais aplicadas: a passagem as-
cendente, conhecida como passagem de baixo para cima, e a passagem 
descendente, conhecida, também, como passagem de cima para baixo.
IESDE
Figura 19
Passagem descendente
IESDE
Na passagem visual, como o nome já sugere, os atletas conseguem ver 
a aproximação do componente da equipe e visualizam o bastão. Todos 
recebem o bastão com a mão esquerda e passam para o companheiro 
com a mão direita. É bastante usada na fase de iniciação a modalidade.
StockphotoVideo/Shutterstock
Figura 18
Passagem ascendente
Figura 20
 Passagem do bastão visual
Corridas e saltos 63
A passagem não visual é utilizada nas provas de 4x100 metros; todos 
correm na raia e permanecem de costas para o colega de equipe, posicio-
nando o braço e a mão para receber o bastão na zona de passagem de 
bastão. Nessa área, os atletas já podem iniciar a corrida, mas não devem 
ultrapassar sem que estejam com o bastão em mãos. Caso o bastão caia 
da mão de um competidor, este pode pegá-lo desde que não atrapalhe o 
membro de outra equipe. Correr sem o bastão desclassifica a equipe.
Quanto ao bastão, é um tubo circular, geralmente oco e liso, confeccio-
nado em madeira ou metal rígido, com apenas um material por peça. Seu 
comprimento mede 30 cm, diâmetro externo 40 mm e não pode pesar 
menos que 50 g. Deve ser colorido para visualização durante a corrida.
Por fim, é importante destacar que o bastão dever ser carregado na 
mão durante toda a prova, não sendo possível prendê-lo em nenhuma 
outra parte do corpo ou fazer uso de outros materiais, como luvas, 
para melhorar a adesão ao bastão. Caso seja derrubado, 
pode ser recuperado apenas pelo atleta que o deixou 
cair, mas não pode configurar vantagem com a queda 
do bastão, por exemplo: se o bastão cair bem em fren-
te do local onde deveria ter acontecido a passagem.
Figura 21
Passagem do bastão não 
visual
W
ill
ia
m
 P
er
ug
in
i/S
hu
tte
rs
to
ck
Figura 22
Bastão
vectorfusionart/Shutterstock
3.4 Saltos horizontais e verticais
Os saltos são classificados em dois tipos: saltos horizontais, dividi-
dos salto em distância e triplo, e saltos verticais, divididos em salto em 
altura e com vara. Os horizontais têm por objetivo atingir a maior dis-
tância – embora a angulação realizada na direção vertical seja parte 
importante na técnica para atingir melhores distâncias – e os verticais 
visam atingir a maior altura possível.
64 Metodologia do ensino de atletismo
Figura 23
Classificação dos saltos
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Saltos
3 tentativas para 
 cada altura.
3 faltas seguidas 
levam à eliminação.
3 tentativas para 
 cada altura.
3 faltas seguidas 
levam à eliminação.
3 tentativas para saltar 
o mais longe possível.
Saltam sobre uma 
barra horizontal.
 Enterram uma vara de 
fibra de vidro flexível.
 Pegam impulso em 
pista de cerca de 40 m.
Aterrissam em um 
banco de areia.
3 tentativas para saltar 
o mais alto possível.
Saltam sobre uma 
barra horizontal.
Tocam o solo 2 vezes, 
uma com cada pé.
Pegam impulso em 
pista de cerca de 40m.
Horizontais
Os atletas
Os atletas
Verticais
Salto com vara
Salto em distância
Salto em altura
Salto triplo
De maneira geral, a mecânica dos saltos é compreendida pela proje-
ção do corpo no espaço para cima e para frente. O atleta se lança no ar, 
ficando suspenso por determinado período; quanto maior for o inter-
valo de suspensão, melhor é o salto, porque quanto maior for o tempo 
Corridas e saltos 65
de suspensão, mais tempo ele terá para executar a técnica de projeção 
do corpo para realizar a passagem pelo sarrafo. Em todos os saltos, a 
velocidade de execução da corrida é fundamental.
Para fins de organização didática, apresentaremos os saltos na se-
guinte ordem: salto em distância e salto triplo (horizontais), salto em 
altura e salto com vara (verticais).
Figura 24
Técnica de movimento do 
salto em distância
IESDE
Salto em distância
Nesse tipo de salto, o atleta corre com velocidade máxima na pista 
de salto, que mede entre 40 e 45 m e, ao final, realiza o salto na tábua 
de impulsão. À frente fica a caixa de areia, que serve de amortecimento 
de queda e marcação da distância atingida. É impor-
tante destacar que o atleta salta apenas com um pé, 
não podendo ultrapassar a tábua de impulsão, mas 
cai com os dois.
São três estilos básicos na técnica de movimento 
utilizada no desenvolvimento do salto em distância: 
passada no ar, arco e grupado. Porém, o ensino deve 
ser concentrado inicialmente no grupado e após 
aperfeiçoado, deve-se inserir a passada, seguida do 
arco, até realizar o movimento por completo.
De acordo com Matthiesen(2017), independente-
mente do estilo e técnica do salto em distância, todos eles apresentam 
uma fase de preparação, que envolve a concentração para realização 
da chamada corrida de aproximação até a tábua de impulsão, uma fase 
de suspensão, podendo ser chamada também de deslocamento ou flu-
tuação, e uma fase de queda, que é a conclusão do salto.
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Figura 25
Movimento do salto em 
distância
66 Metodologia do ensino de atletismo
A medição da distância do salto é feita a partir da marca de 
areia mais próxima da tábua de impulsão (faixa vermelha, con-
forme Figura 25). Após o salto, o corpo precisa ser projetado o 
máximo possível para frente.
O salto em distância desenvolve muito a velocidade, impulsão e 
força. Nesse sentido, um trabalho de lateralidade é fundamental, não 
apenas para descobrir o lado dominante do aluno, mas, sobretudo, 
para estimular de igual forma os membros inferiores. Obviamente, um 
programa específico de treino exigirá aprimorar o salto com base na 
perna dominante.
Salto triplo
Nesse salto, o atleta deve executar a corrida similar ao salto em dis-
tância, porém, existe a técnica de preparação para o salto, a realização de 
três impulsos e a queda, finalizando o salto. A pista é a mesma do salto 
em distância, mas, de acordo com as regras oficiais, a distância da linha de 
impulsão até a borda mais próxima da caixa de areia é maior, com 21 m., 
A mesma regra orienta que as competições não podem ter essa distância 
menor que 13 m para homens e 11 m para mulheres.
IESDE
Pé esquerdo
1.º Salto (Hop) 2.º Salto (Step)
21 m
3.º Salto (Jump)
Pé esquerdo Pé direito
3 º Salto (Jump( )
eito
No salto triplo, o atleta realiza a corrida de preparação até a linha 
de impulsão; nela, ele executa o primeiro salto. Na sequência, usan-
do a mesma perna em ritmo de corrida, faz o segundo salto tentando 
chegar o mais próximo possível da caixa de areia, em que realizará o 
terceiro salto com a perna contrária aos dois primeiros saltos para fi-
nalizar com a queda.
É importe ressaltar que, para melhor aproveitamento do salto, é ne-
cessário que o primeiro salto seja realizado o mais próximo da tábua 
Figura 26
Execução do salto triplo
Corridas e saltos 67
ou linha de impulsão, pois, a partir dela, o atleta executará os demais 
saltos. Quanto mais próximo da linha, mais próximo ele chegará da caixa 
de areia, atingindo, assim, maior distância. Saltar antes da linha não é 
infração, mas além da linha é inválido. Em resumo, o salto consiste em: 
1º. salto com uma perna, 2º salto com a mesma perna e 3º. salto com 
uma perna diferente.
Salto em altura 
O princípio desse salto é não ter nenhum auxílio para impulsão, 
consistindo em transpor o sarrafo posicionado horizontalmente, apoia-
do nos saltômetros, mais conhecidos popularmente como postes de 
sustentação. Para isso, o atleta tem três tentativas para saltar. O toque 
no sarrafo ou barra, como também pode ser chamado, não configura 
infração, mas caso caia (o que facilmente acontece com o toque), o sal-
to é invalidado.
A técnica do salto em altura é dividida em quatro momentos, são 
eles: corrida de balanço (que é a preparação para o salto), chamada de 
impulsão para o salto, voo (caracterizado pelo momento da transposi-
ção ao sarrafo) e queda no colchão de amortecimento.
Queda Voo Chamada Corrida de 
balanço
IESDE
Existem três técnicas básicas para transposição do sarrafo; a primei-
ra, e mais simples, é utilizada para iniciantes, chamada de estilo tesoura. 
A segunda é o estilo rolo ventral, considerada como intermediária, e o 
estilo fosbury flop, que emprega uma técnica mais apurada.
O estilo tesoura é o primeiro estilo a ser ensinado, 
pois não oferece riscos na execução e pode ser apren-
dido facilmente. A elevação do sarrafo é baixa, 
pois, nesse estilo, o aluno não consegue atingir 
Na escola, os próprios alunos 
podem fazer o sarrafo segurando 
uma corda elástica, cordas 
elásticas amarradas em cones, 
latas grandes de tinta e cabos 
de vassouras emendados, pneus 
preenchidos com espuma e 
revestidos com uma lona.
Na escola
Figura 27
Técnica de execução do 
salto em altura
Figura 28
Salto em altura
sp
or
tp
oi
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tte
rs
to
ck
68 Metodologia do ensino de atletismo
muita altura. No estilo tesoura, a passagem pelo sarrafo é feita primei-
ramente com a perna contrária à de impulsão; em seguida, a outra. A 
perna de impulsão é a externa ao sarrafo. Logo, se a perna de apoio 
for à direita inicia-se a corrida pela esquerda, mas se for à esquerda a 
corrida inicia-se pela direita.
IESDE
No rolo ventral, já é possível atingir uma altura maior. Para essa 
técnica, a corrida deve ser iniciada pelo lado que propicie ao atleta 
chegar com a perna de impulsão para o salto mais próximo ao sar-
rafo. Por exemplo, se a perna de impulsão for a direita, o atleta deve 
realizar a corrida de aproximação pelo lado direito; caso a perna de 
impulsão seja a esquerda, a corrida é iniciada pela esquerda. Para fins 
de esclarecimento, a perna interna é a de impulsão e a externa é a de 
manutenção do equilíbrio.
Figura 30
Rolo ventral
IESDE
O estilo fosbury flop tem uma característica maior de velocidade. 
Para a execução dele, o atleta precisa realizar uma corrida veloz e em 
curva para chegar paralelamente ao sarrafo. O impulso, diferentemen-
te do rolo ventral, é realizado com a perna externa em relação à posi-
ção do sarrafo. Enquanto isso, a perna interna é flexionada, seguindo 
o movimento de projeção para transposição do sarrafo no mesmo mo-
mento em que o quadril é elevado. Durante a passagem pelo sarrafo, 
as costas fazem um movimento de arco. A complexidade desse estilo 
Figura 29
Estilo tesoura
No vídeo As técnicas de 
salto em altura, publicado 
pelo canal da Agence 
France-Presse (AFP), é 
possível conhecer as va-
riadas técnicas utilizadas 
no salto em altura.
Disponível em: https://youtu.be/
EFjDyyB2MOA. Acesso em: 18 
maio 2020.
Vídeo
Corridas e saltos 69
finaliza com a queda no colchão, que se torna imprescindível pela posi-
ção em que o atleta cai.
IESDE
Como pudemos ver, existem diferentes estilos técnicos para execu-
ção do salto em altura; cada um deles possui suas especificidades. Para 
um primeiro contato, é indicado o estilo tesoura, pelos motivos men-
cionados de simplificação e facilidade de adaptação. Os outros dois já 
exigem um pouco mais de técnica e equipamentos de proteção, como 
é o caso do colchão de queda.
Salto com vara 
No salto com vara, o atleta percorre uma distância em velocidade 
para ganhar força para impulsão no momento em que colocar a vara 
na área de encaixe, localizada ao final do corredor. O espaço para de-
senvolvimento da corrida mede entre 40 e 45 m. Nesse salto, tal qual o 
nome já sugere, o atleta faz uso de uma vara para realizar a impulsão e 
transposição do sarrafo.
Sobre a vara, inicialmente era feita de material rígido, como o bam-
bu e, depois, o alumínio. Hoje, ela é flexível e pode ser confeccionada 
de qualquer material ou combinação de materiais, embora as va-
ras utilizadas por atletas de alto rendimento sejam feitas de fi-
bra de vidro ou de carbono, pois são mais leves e resistentes. 
Não há normas quanto ao tamanho, diâmetro e peso; geral-
mente, as varas seguem o tamanho e característica do atle-
ta, sendo de sua livre escolha.
A técnica básica de movimento está dividida em três 
fases que consistem em: a empunhadura, 
junto à corrida de preparação 
para o salto, o salto, que en-
volve impulsão, elevação, giro 
e transposição, e a queda, fi-
nalização do salto.
Figura 31
 Fosbury flop
Na escola, podem ser utilizados 
cabos de vassoura feitos de 
madeira ou varas de bambu.
Na escola
Figura 32
Movimento do salto com 
vara
Inspiring/Shutterstock
70 Metodologia do ensino de atletismo
A empunhadura é feita com a vara na posi-
ção horizontal, a ponta ligeiramente elevada, 
realizando a pegada com as mãos, uma com a palma 
voltada para cima e a outra para baixo. A corri-
da inicia lenta e vai aumentandode velocidade à 
medida que o atleta se aproxima da área de en-
caixe. A vara fica posicionada elevada e ao lado 
da perna contrária à perna de impulsão; com o 
desenvolvimento da corrida, vai abaixando, ten-
do em vista o momento de encaixe.
No momento do encaixe da vara, o atleta rea-
liza a impulsão com a perna que está à frente na 
corrida, enquanto a outra é semiflexionada para elevação do quadril. 
Ao mesmo tempo em que ocorre a inversão do corpo e extensão das 
pernas no ar, o atleta empurra a vara para a frente, resultando na trans-
posição do sarrafo. Assim como no salto em altura, o colchão de queda 
é indispensável para amortecimento do atleta.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foi possível conhecer os exercícios educativos e coor-
denativos do atletismo. Vimos que eles são fundamentais para o aprimo-
ramento da corrida e melhoramento da postura, podendo evitar lesões. 
Esses mesmos exercícios são trabalhados na perspectiva de desenvolvi-
mento de habilidades motoras básicas, tão exigidas no atletismo.
Também, conhecemos as corridas, suas características e especificida-
des quanto aos espaços necessários à prática, princípios fundamentais, 
sequências didáticas de ensino, principais regras básicas, classificação e 
técnicas de execução das corridas de velocidade, meio-fundo e fundo, e 
saltos horizontais e verticais.
É importante, com base nas modalidades apresentadas, você perceber 
que o atletismo possui um repertório de categorias esportivas que podem 
e devem ser trabalhadas com os alunos na escola, pois são movimentos 
motores básicos, fundamentais para o crescimento, amadurecimento e 
desenvolvimento humano.
Ovcharenko Boris/Shutterstock
Figura 33
Salto com vara
Corridas e saltos 71
É preciso lembrar que, na escola, o professor deve trabalhar o atletismo 
na perspectiva educacional, ou seja, utilizar os valores presentes nos espor-
tes para promover o ensino e a formação do indivíduo. Portanto, não ter 
uma infraestrutura de uma pista olímpica ou equipamentos e implementos 
oficiais não pode e nem deve ser motivo para deixar de ensinar o atletismo 
aos alunos, uma vez que há a possibilidade de se adaptar as atividades. A 
concepção do esporte na escola é educativa, não de alto rendimento.
ATIVIDADES
1. As provas de corrida com obstáculos são realizadas nas distâncias de 
3.000 m e 2.000 m, nas categorias masculina e feminina. Explique as 
características das seguintes fases da corrida com obstáculos: corrida, 
passagem pelos obstáculos, incluindo o fosso, e percurso final, que 
compreende a chegada.
2. As corridas de revezamento são divididas em duas modalidades: 
4x100 metros e 4x400 metros. As duas são disputadas por equipes, em 
que cada atleta percorre distâncias iguais para poder passar o bastão 
ao companheiro de equipe. Explique as características da passagem 
de bastão nas duas provas de revezamento. 
3. Sabe-se que existem características semelhantes na execução de 
alguns tipos de saltos. Explique a diferença entre o salto em distância 
e o salto triplo.
REFERÊNCIAS
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO - CBAt. Regras De Competição e Regras Técnicas 
– 2020: Edição Oficial para o Brasil. São Paulo: CBAt, 2020. Disponível em: http://www.cbat.
org.br/repositorio/cbat/documentos_oficiais/regras/regrasdecompeticaoeregrastecnicas_
edicao2020.pdf. Acesso em 18 maio 2020. 
DICIONÁRIO OLÍMPICO. Atletismo. 2020. Disponível em: http://www.dicionarioolimpico.
com.br/. Acesso em: 18 maio 2020. 
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2017.
SANTOS, A. S.; VAGETTI, G. C.; OLIVEIRA, V. Atletismo: desenvolvimento humano e 
aprendizagem esportiva. Curitiba: Appris, 2007.
72 Metodologia do ensino de atletismo
4
Lançamentos e arremesso
Neste capítulo, conheceremos os aspectos técnicos, metodoló-
gicos e didáticos, assim como as principais regras dos lançamentos 
de disco, dardo, martelo e do arremesso de peso. Lançamentos 
e arremessos exigem muita técnica de execução e, portanto, é 
preciso conhecer ainda – e de maneira detalhada – as sequências 
pedagógicas necessárias no desenvolvimento das modalidades, 
para iniciar o esporte na escola, inclusive por meio da adaptação 
de materiais.
É importante destacar que temos três tipos de lançamentos e 
um tipo de arremesso. Apesar de as palavras serem sinônimas e, 
no dicionário, estarem relacionadas à ação de atirar com força al-
gum objeto, no atletismo, elas possuem características diferentes 
quanto ao contexto de execução do movimento e ao manuseio 
do implemento.
Nos lançamentos, o atleta realiza o gesto de projeção do imple-
mento no ar; já no arremesso, o peso é empurrado. A análise bio-
mecânica do movimento define outra característica que diferencia 
essas modalidades: enquanto os lançamentos possuem projeção 
angular, o arremesso apresenta projeção linear.
4.1 Lançamento de disco
O lançamento de disco é considerado uma das provas mais clássi-
cas do atletismo, pois foi um dos primeiros implementos que os gregos 
utilizaram nas competições, nos Jogos Olímpicos da antiguidade. Ob-
viamente, esse esporte passou por mudanças até chegar ao formato 
que conhecemos hoje. Um exemplo disso é o material do disco que, 
inicialmente, era feito de pedra, depois, passou a ser de bronze e, hoje, 
é fabricado em aço.
Lançamentos e arremesso 73
Lançamento de disco 
Feminino Masculino
3 tentativas Zona de 
lançamento
Categorias
Disco 2 kgDisco 1 kg
Figura 1
Classificação do lançamento de disco
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
A prova de lançamento de disco consiste em lançar um disco o mais 
longe possível. O lançamento é realizado dentro de um círculo 
no chão de 2,5 m de diâmetro com um anteparo na frente do 
círculo; este configura o limite da área de lançamento. Para a rea-
lização do lançamento, o atleta segura o disco com a mão e o antebra-
ço e, após o movimento de giro sobre si, lança o disco, executando a 
extensão do braço.
É importante destacar que, de acordo com a regra, o lançamento 
precisa ser feito em direção a uma área demarcada no campo, e o 
atleta deve permanecer no círculo de lançamento até que o disco 
caia. Só então ele pode sair pela parte traseira do círculo.
Figura 2
Área de lançamento
Círculo de lançamento 
2,5 m
Anteparo
IE
SD
E
Você sabia que o símbolo da 
Educação Física é o Discóbolo, 
de Míron? O Discóbolo é uma 
estátua do escultor grego Míron, 
construída em bronze, em 455 
a.C.; ela representa um atleta em 
preparação para lançar um disco.
O Discóbolo foi escolhido como 
símbolo da Educação Física em 
2002, pelo Conselho Federal de 
Educação Física (CONFEF), porque 
a estátua apresenta os movimen-
tos do corpo humano em ação 
com vigor, energia e vitalidade. 
Além disso, foi escolhida por ser 
considerado a mais clássica das 
estátuas atléticas.
Ainda de acordo com o CONFEF, 
a imagem mostra um cuidadoso 
estudo de todos os movimentos 
musculares, assim como dos 
tendões e dos 
ossos que 
fazem parte 
da ação. As 
pernas, os braços 
e o tronco se incli-
nam para imprimir 
maior impulso ao 
golpe; o rosto não 
parece contorcido pelo 
esforço, mas calmo e 
confiante na vitória.
CCCCCC CCCCCSCCCCCCCCCCC
Curiosidade
74 Metodologia do ensino de atletismo
Matthiesen (2017) classifica a técnica básica de 
movimento da seguinte forma: preparação para 
lançamento e empunhadura, balanceios e giros, 
lançamento em si, e conclusão.
A preparação para lançamento e empunhadura 
tem início na posição estacionária, dentro do círculo 
e de costas para a direção do lançamento. Nessa fase, 
o atleta se posiciona com as pernas afastadas, coloca 
o disco sob as mãos, segura-o com os dedos e apoia-o 
no antebraço. O braço que tem o disco fica estendido 
para trás e o outro braço, para frente.
IC
Cp
CCC
Cg
CS
CC
CCC
CC
CC
CC
Com balanceios e giros, o atleta movimenta o disco de um lado para 
o outro. Esse momento serve de preparação para a realização do giro 
de lançamento, que projeta o disco para a frente.
Figura 5
Técnicade balanceios
A B C
D E F
IE
SD
E
1
1
3
3
2
Figura 3
Empunhadura
IE
SD
E
Figura 4
Técnica básica de movimento
Lançamentos e arremesso 75
Quanto ao lançamento em si, os movimentos dos braços permane-
cem contrários um ao outro, enquanto seguem a projeção do giro cor-
poral. O disco deve permanecer na altura do ombro e deve ser lançado 
sempre a partir do dedo indicador, saindo da mão, de dentro para fora; 
ou seja, no sentido horário, com a ponta dos dedos voltada para a frente.
Figura 6
Lançamento
PC
CC
Cp
CC
 CC
CC
CC
CC
CC
SC
CC
CC
CC
CC
CC
Na conclusão do lançamento do disco, o atleta imprime tanta força 
que, normalmente, continua a girar sobre a perna de apoio, acontecen-
do, assim, uma troca desse apoio no momento do giro, para manter o 
equilíbrio e não cair ou sair do círculo.
Na escola, o disco pode ser facilmente adaptado utilizando pratos 
descartáveis, pratos plásticos, CDs e, até mesmo, madeira; isso quando 
for atingido um nível considerável de segurança. Há também inúmeros 
exercícios para iniciação e desenvolvimento do lançamento de disco, 
tanto de modo individual como em duplas, com ou sem objeto.
No vídeo Lançamento 
de Disco com Andressa 
Oliveira (21/06/15), 
publicado pelo canal 
Vida de Atleta, podemos 
ver a atleta brasileira, já 
classificada para os Jogos 
do Rio 2016, contar a 
sua trajetória no esporte, 
a sua rotina de treino 
e a expectativa para as 
Olimpíadas. Ela também 
explica tudo sobre o 
lançamento de disco.
Disponível em: https://youtu.
be/jglpxoQ-qWU. Acesso em: 18 
maio 2020.
Vídeo
4.2 Lançamento de dardo
O lançamento de dardo é uma prova nobre no atletismo e consiste em lançar 
um implemento em formato de lança pela maior distância possível. 
Como em outras modalidades , o peso , o tamanho , o centro de 
gravidade e o material do dardo sofreram alterações ao longo dos 
76 Metodologia do ensino de atletismo
anos. Existem dardos de bambu, de fibra de carbono, de fibra de vidro, 
de alumínio e de inox. A medida oficial do objeto para o masculino é de 
2,60 m no mínimo e 2,70 m no máximo, e para o feminino 2,20 m no 
mínimo e 2,30 m no máximo, pesando 800 g e 600 g, respectivamente.
Para lançar o dardo, o atleta precisa realizar uma corrida por uma 
pista de 36,5 m, onde, ao final, fica o círculo de lançamento. O atleta 
não pode ultrapassar a linha limite para lançar o implemento; tam-
bém, não pode virar o rosto na mesma direção do dardo. Ele pre-
cisa manter o rosto na posição contrária à lança.
Figura 8
Classificação do lançamento de dardo
Lançamento 
de dardo 
Feminino Masculino
Pista de corrida e 
lançamento
36,5 m de 
comprimento 
4 m de largura
Categorias
Dardo 800 gDardo 600 g
Ocorre em
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Matthiesen (2017) classifica, também, a técnica básica de movi-
mento em: preparação para lançamento e empunhadura, corrida de 
aproximação e preparação para o lançamento, lançamento em si, e 
conclusão do lançamento.
A B C D E
F G H I
IE
SD
E
Figura 7
Lançamento de dardo
EE
CCC
ECEC
CE
CC
CC
CSCC
CCC
CCC
CC
C
Figura 9
Técnica básica de movimento
Lançamentos e arremesso 77
A preparação para lançamento e empunhadura é realizada no 
corredor de lançamento. O atleta escolhe um tipo de empunhadura, 
que pode ser: alemã em “V”, com o dardo entre os dedos indicador e 
médio; finlandesa, com apoio do indicador; ou americana, com apoio 
do indicador e do polegar. O competidor segura o dardo na altura da 
cabeça ou um pouco acima dela e dá início à corrida de aproximação.
Figura 10
Tipos de empunhadura
IE
SD
E
Empunhadura Filandesa Empunhadura Americana Empunhadura Alemã em “V”
Para a realização da corrida de aproximação e de preparação 
para o lançamento, é necessário que o atleta segure o dardo e posi-
cione-o na horizontal, na altura da cabeça ou um pouco acima dela. 
A corrida acontece com velocidade progressiva e não prejudicial ao 
lançamento em si.
Durante a fase da corrida, o competidor se prepara para a chamada 
passada cruzada, no momento final antes do lançamento. Na medida em 
que ele se aproxima da linha de lançamento, é necessário realizar a pro-
jeção do corpo para o lançamento propriamente dito. Normalmente, são 
cinco passos finais. De acordo com Matthiesen (2017), nos três primei-
ros passos finais, o atleta leva o dardo para trás, continua na altura dos 
ombros e rotaciona o tronco para o lado que segura o dardo. No quar-
to passo, acontece a passada cruzada, em que o lançador realiza uma 
passada rasante da perna de ataque para a frente; com isso, promove 
um atraso do tronco e do braço, ganhando força de impulsão no lança-
mento. Com esse movimento, o atleta realiza o quinto passo, apoiando o 
pé esquerdo no solo e realizando o lançamento.
IC
Cp
CCC
Cg
CS
CC
CCC
CC
CC
CC
Figura 11
Passadas finais do lançamento
78 Metodologia do ensino de atletismo
A conclusão do lançamento, também conhecida como arremate, ca-
racteriza-se pela recuperação do equilíbrio, uma vez que o atleta pro-
jeta seu corpo para a realização do lançamento com muita impulsão e 
concentra a força no braço de lançamento. Todavia, ele precisa ter o 
controle para não invadir o setor de queda do dardo, limitado ao arco 
de lançamento, este feito, normalmente, com uma linha branca pinta-
da no solo.
Na escola, o dardo pode ser facilmente adaptado utilizando boli-
nhas de meia, bolinhas de jornal, cabos de vassoura ou tubos plásticos, 
desde que se observe o nível dos praticantes e um grau considerável de 
segurança seja levado em conta. Há também inúmeros exercícios para 
iniciação e desenvolvimento do lançamento de dardo, tanto de modo 
individual como em duplas.
4.3 Lançamento de martelo
O lançamento de martelo ocorre no mesmo local do lançamento de 
disco, isto é, dentro da gaiola de lançamento, que é revestida por tela ou 
rede, para oferecer segurança ao público presente. Assim como a gaiola, 
a área de lançamento é a mesma, composta por um círculo de 2,135 m 
feito de concreto. O atleta não pode deixar o círculo até que o martelo 
tenha contato com o chão após o lançamento; depois que o implemento 
tocar o chão, o competidor deve sair pela parte de trás do círculo.
SC
CC
jC
CC
CC
SC
CC
CC
CC
CC
CC
Figura 12
Lançamento de martelo
Lançamentos e arremesso 79
Antigamente, o martelo era feito de pedra com um cabo de madeira 
rígida. Hoje, é composto de uma esfera de metal presa a um cabo em 
aço com empunhadura/manopla. O peso é de 7,26 kg para os homens 
e de 4 kg para as mulheres, enquanto o comprimeto é de no máximo 
1,215 m para o masculino e 1,195 m para o feminino. 
Figura 14
Classificação do lançamento de martelo
Lançamento 
de martelo 
Feminino Masculino
Categorias
Fixadas em cabo 
de aço
Bola 7,2 kgBola 4 kg
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Matthiesen (2017) classifica, didaticamente, o passo a passo da 
técnica básica de movimento em: preparação para lançamento e em-
punhadura, sendo a preparação para o lançamento dividida em moli-
nete e giro, lançamento em si, e conclusão do lançamento.
IC
Cp
CCC
Cg
CS
CC
CCC
CC
CC
CC
Na preparação para lançamento e empunhadura, o atleta se po-
siciona na parte traseira do círculo, de costas para a área de queda 
e com as pernas na largura dos ombros; ele realiza a empunhadura 
segurando a manopla do martelo. A partir desse momento, realiza os 
balanceios para dar início aos molinetes (giros de preparação para o 
lançamento). Para tanto, com o martelo à frente do corpo, executa ba-
lanceios para a direita e para a esquerda e inicia o molinete.
Figura 13
Pesos oficiais do martelo
IE
SD
E
1,215 m
7,26 kg
4,00 kg
1,195 m
M
asculino
Fem
inino
Figura 15
Técnica básica de movimento
A preparação para o lançamento se caracteriza 
pelo molinete e pelos giros, consequência dos balan-
ceios realizados na fase anterior. Geralmente, são 
executados dois ou três molinetes, seguidos de qua-
tro giros que antecedem o lançamento.
O lançamento em si acontece após o terceiro giro. 
Na sequência, iniciao lançamento com o quarto giro. 
Já a conclusão do lançamento é feita por meio da ve-
locidade de giro atingida na fase de lançamento.
No ambiente escolar, as adaptações e confecções 
de materiais alternativos para a iniciação do lançamento de martelo 
são extremamente importantes, pois o manuseio e a técnica de execu-
ção têm sido muito discutidos e relacionados à segurança dos alunos. 
Nesse sentido, o martelo pode ser construído pelos próprios alunos, 
com elásticos ou meias para fazer o cabo, com anéis de papelão reves-
tidos com fita adesiva ou outro material, como borracha, para criar a 
empunhadura/manopla, e com meias ou tecido revestido de fita adesi-
va e areia dentro. Assim, o lançamento de martelo poderá ser trabalha-
do em atividades lúdicas para iniciação à modalidade.
4.4 Arremesso de peso
O arremesso de peso consiste em arremessar um implemento de 
aço em formato esférico e totalmente liso; mas esse esporte nem sem-
pre foi dessa forma e não era realizado como é atualmente. Antes de 
fazer parte dos Jogos Olímpicos, o arremesso era estático, praticado 
com pedra ou bala de canhão, que se aproxima mais do modelo atual.
Nas competições oficiais com até oito atletas, cada um pode rea-
lizar seis arremessos; já nas competições com mais de oito esportis-
tas, são três arremessos. Estes são executados dentro do círculo de 
arremesso, com um anteparo à frente. Não é permitido que o 
competidor pise fora do círculo, sobre o anteparo, ou deixe a 
área antes que o peso toque o chão, no setor de queda após o 
arremesso. A saída do círculo de arremesso deve acontecer pela 
parte posterior. Nas competições oficiais para adultos, o peso 
do implemento para os homens é de 7,26 kg e para 
as mulheres é de 4 kg.
Figura 16
Empunhadura
IE
SD
E
DCCCC ECECCECSCCCCCCCCCCC
Figura 17
Arremesso de peso
80 Metodologia do ensino de atletismo
Lançamentos e arremesso 81
O arremesso de peso possui várias formas de execução, mas todas 
elas consistem em posicionar o implemento junto ao pescoço. Nesse 
sentido, temos três estilos técni-
cos mais utilizados: ortodoxo ou 
sem deslocamento; giro rotacio-
nal ou com deslocamento; e 
O’Brien. A seguir, conheceremos 
cada um deles.
O estilo ortodoxo é caracteri-
zado pelo arremesso sem deslo-
camento. É muito utilizado para a 
iniciação no esporte, pois é mais 
simples de ser realizado. Por meio 
desse estilo, o aluno poderá desenvolver a técnica com deslocamento.
IE
SD
E
Na preparação para arremesso e empunhadura desse estilo, o atle-
ta se posiciona lateralmente ao círculo, com as pernas afastadas, se-
gurando o peso junto ao pescoço do lado contrário à parte frontal do 
círculo. Ele mantém o braço que segura o peso flexionado e o outro, 
estendido. A empunhadura é feita pelo contato do peso com a mão e 
com os dedos.
O arremesso em si é feito sem deslocamento, empurrando o peso 
com o braço o mais distante possível. Na conclusão, há uma tendência, 
principalmente de iniciantes, em projetar o corpo para fora do círculo, 
o que não é permitido pela regra.
A técnica ortodoxa é a mais indicada para iniciar a aprendizagem 
dessa modalidade por ser de simples execução, mesmo quando se uti-
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Arremesso 
de peso 
Feminino Masculino
Tem 3 tentativas
Usa a técnica do 
giroCategorias
Peso 7,2 kgPeso 4 kg
O atleta
Figura 18
Classificação do arremesso 
de peso
Figura 19
Arremesso do peso estilo 
ortodoxo
82 Metodologia do ensino de atletismo
liza os implementos de aço. Porém, é sempre recomendável que a ini-
ciação seja feita com materiais adaptados.
A B C D E
IE
SD
E
Na preparação para arremesso e empunhadura do peso no estilo ro-
tacional, o atleta se posiciona de costas para o setor de queda, com as 
pernas afastadas, mantendo o peso do corpo sobre perna direita, se for 
destro, ou sobre a esquerda, se for canhoto. O braço que leva o objeto fica 
flexionado e o outro, estendido. A empunhadura é realizada da mesma 
forma que no estilo anterior.
O deslocamento do arremesso em si acontece com deslocamen-
to da ponta dos pés e rotação do tronco para realização do giro, até 
o corpo ser projetado para frente e o peso empurrado, realizando o 
arremesso. Da mesma forma que no estilo ortodoxo, há uma tendência 
de o atleta se projetar para a parte de fora do círculo devido ao impulso 
tomado para efetuar o arremesso.
A técnica rotacional também é indicada para a iniciação no esporte, 
considerando a fase de aprendizado como nível intermediário e para 
alunos maiores, que já tenham consciência corporal. O estilo rotacional 
já exige uma técnica mais desenvolvida que o estilo ortodoxo e é bas-
tante importante para o aprimoramento do arremesso.
A B C D E F
IE
SD
E
Figura 20
Arremesso de peso estilo 
rotacional
Figura 21
Estilo O’Brien
Lançamentos e arremesso 83
Esse estilo carrega o nome de Parry O’Brien, campeão olímpico 
norte-americano que, no início dos anos 1950, desenvolveu esse méto-
do pessoal de lançamento do peso.
A preparação para arremesso e empunhadura do peso, nessa 
técnica, consiste em se posicionar dentro do círculo, de costas para o 
setor de queda, mantendo o peso do corpo sobre a perna direita, se o 
atleta for destro, ou sobre a esquerda, se for canhoto; a outra perna 
deve ficar um pouco afastada para trás, apoiada com a ponta do pé, 
e os dois braços à frente do corpo, um realizando a empunhadura e o 
outro ficando estendido.
O deslocamento em si está dividido em três fases. Na Fase 1, o tron-
co é ligeiramente flexionado para a frente; na Fase 2, ocorre a flexão e a 
aproximação das duas pernas; e na Fase 3, inicia-se o deslocamento do 
corpo para trás, com o movimento rasante da perna direita em direção 
ao centro do círculo (Figura C e D), enquanto a perna esquerda é deslo-
cada para baixo, próxima ao anteparo (Figura E e F). Nesse momento, 
acontece o arremesso do peso.
Na conclusão, dentre os estilos, esse é o que exige maior cuidado para 
não sair do círculo de lançamento. Portanto, a técnica deve ser bem apura-
da, para que o arremessador não cometa infração pisando fora do círculo.
Como vimos, dentre a técnicas, a de O’Brien é a que mais recruta 
consciência corporal, equilíbrio e articulação entre corpo e membros, 
para gerar força, potência e impulso. Desse modo, para aplicar uma se-
quência didática adequada, sugerimos iniciar o aprendizado pelo estilo 
ortodoxo, passando para o rotacional até chegar no estilo O’Brien.
Independentemente das técnicas utilizadas, existem, para todas 
elas, exercícios de iniciação e métodos para a confecção de implemen-
tos adaptados, todos voltados à introdução e ao desenvolvimento do 
esporte no contexto escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, vimos que, nos lançamentos de disco, dardo e martelo, 
os implementos são projetados de modo diferente dos utilizados no arre-
messo de peso; neste, o implemento é empurrado.
Em cada um desse esportes, pudemos observar as técnicas e as se-
quências didáticas para facilitar a aprendizagem. Ainda, vimos o modo de 
84 Metodologia do ensino de atletismo
inserir essas práticas esportivas na escola. Detalhamos, também, as fases 
de preparação para lançamento e empunhadura, as execuções dos movi-
mentos, os lançamentos e o arremesso em si, bem como suas conclusões.
O importante a ser destacado é a possibilidade de trabalhar com essas 
modalidades na escola. Independentemente da faixa etária e da série, po-
demos incluir os lançamentos e os arremessos no ambiente escolar por 
meio da construção de implementos adaptados com materiais reciclados, 
de jogos pré-desportivos que possuam características de movimentos se-
melhantes aos realizados no esporte propriamente dito ou, até mesmo, 
por meio de atividades lúdicas.
ATIVIDADES
1. Qual é a principal diferença entre as provas de arremesso e de 
lançamento na modalidade atletismo?
2. No atletismo, existem instrumentos que são utilizados em provas de 
lançamento e de arremesso. Quais são esses instrumentos e de que 
material eles são feitos?3. Nas provas de lançamento e de arremesso, no atletismo, a forma e 
as medidas dos implementos variam, adequando-se às características 
dos atletas de gênero feminino e masculino. Quais são as principais 
diferenças apresentadas?
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO OLÍMPICO. Atletismo. 2020. Disponível em: http://www.dicionarioolimpico.
com.br/. Acesso em: 18 maio 2020.
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2017.
SANTOS, A. S. dos; VAGETTI, G. C.; OLIVEIRA, V. Atletismo: desenvolvimento humano e 
aprendizagem esportiva. Curitiba: Appris, 2007.
VIDIGAL, J. M. S. Apostila Disciplina de Atletismo. Minas Gerais: PUC Minas ICBS, 2012.
Provas combinadas e marcha atlética 85
5
Provas combinadas e 
marcha atlética
Neste capítulo, você conhecerá as provas combinadas do atle-
tismo, que compreendem um conjunto de esportes. Elas são divi-
didas em heptatlo para a modalidade feminina, com sete provas, e 
decatlo para a modalidade masculina, com dez provas.
Destacamos que existem outras modalidades de provas com-
binadas, como o pentatlo moderno, o pentatlo clássico, o heptatlo 
e o decatlo para ambos os sexos. Entretanto, aqui, abordaremos 
o heptatlo e o decatlo conforme a classificação da Confederação 
Brasileira de Atletismo (CBAt), uma vez que, por serem as únicas 
modalidades olímpicas, são as mais praticadas.
Você conhecerá, também, a marcha atlética, bem como sua 
classificação, a técnica de execução do movimento de marcha, os 
erros mais comuns e os exercícios para a correção deles. Além 
disso, discutiremos acerca do processo didático-pedagógico para 
início da modalidade na escola.
5.1 Provas combinadas: heptatlo e decatlo
Nas provas combinadas, o objetivo não é simplesmente vencer to-
das as provas, mas, sobretudo, somar o maior número de pontos em 
cada uma delas; ou seja, o atleta precisa se preocupar em vencer as 
provas, mas precisa manter uma regularidade. Por exemplo, se um 
atleta vence uma prova e reúne resultados ruins nas demais, poderá fi-
car atrás de um atleta que não ganhe nenhuma prova, mas tenha bons 
resultados no geral. Os pontos são atribuídos pela tabela de pontos da 
World Athletics.
86 Metodologia do ensino de atletismo
Provas 
combinadas
HeptatloFeminino Masculino
2 dias 
consecutivos
Decatlo
10 provas7 provas
ocorrem em
são tipos de
Figura 1
Classificação das provas combinadas
composto por composto por
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Os atletas do heptatlo e do decatlo precisam ter versatilidade e bom 
desempenho em todas as provas. O conjunto dessa competição exige 
muita resistência, assim como habilidades e harmonia nas diferentes 
aptidões e valências físicas, como força, velocidade, coordenação, entre 
outras. Não é à toa que os vencedores recebem o título simbólico de 
maior atleta do mundo.
Figura 2
Organização das provas de heptatlo e decatlo
Provas combinadas
Heptatlo
200 m rasos
Arremesso de 
peso
Lançamento 
de dardo
Salto em 
distância
100 m com 
barreiras
Salto em altura 800 m rasos
é uma das
composto por
Provas combinadas
Decatlo
100 m rasos
Salto em 
distância
Lançamento 
de dardo
Salto em 
altura
Lançamento 
de disco
Arremesso 
de peso
Salto com 
vara
100 m com 
barreiras
1 500 m 
rasos
400 m rasos
é uma das
composto por
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Provas combinadas e marcha atlética 87
No primeiro dia do heptatlo, são realizadas as provas de 100 m com 
barreiras, salto em altura, arremesso de peso e 200 m rasos; no se-
gundo dia, acontecem as provas de salto em distância, lançamento de 
dardo e 800 m rasos.
Figura 3
Provas de cada dia no heptatlo
IE
SD
E
13s85
Performance
necessária
para marcar
1 000 pontos
em cada
prova
Salto em distância
100 m com barreira Salto em altura Arremesso de peso 200 m
Lançamento de dardo 800 m
Heptatlo
Primeiro dia
Segundo dia
1,82 m 17,07 m 23s79
6,48 m 57,18 m 2min07s63
Já no decatlo, no primeiro dia de competição, são realizadas as pro-
vas de 100 m rasos, salto em distância, arremesso de peso, salto em 
altura e 400 m rasos; no segundo dia, ocorrem as provas de 110 m com 
barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo 
e 1.500 m rasos.
Figura 4
Provas de cada dia no decatlo
IE
SD
E
10s39
Performance
necessária
para marcar
1 000 pontos
em cada
prova
Salto em distância100 m Salto em alturaArremesso de peso
Decatlo
Primeiro dia
Segundo dia
7,76 m 18,4 m 2,21 m
400 m
100 m com barreira
46s17
13s80
Lançamento de dardoLançamento de disco Salto com vara
56,18 m 5,29 m 77,20 m
1 500 m
3min53s79
88 Metodologia do ensino de atletismo
Cada prova possui suas próprias regras, como já vimos separada-
mente nos capítulos anteriores. Contudo, de forma geral, as provas 
combinadas possuem regras específicas, que destacaremos a seguir. 
De acordo com a CBAt (2020):
 • O intervalo deve ser de pelo menos 30 minutos entre o término 
de uma prova e o início da próxima, para qualquer atleta.
 • O tempo entre o fim da última prova do primeiro dia e o início 
da primeira do segundo dia deverá ser de pelo menos 10 horas.
 • A ordem dos participantes deverá ser feita por sorteio, antes da 
prova.
 • As regras das provas são as mesmas definidas pela World Athletics 
para provas individuais, exceto nas provas de salto em distância, 
arremesso e lançamento, nas quais o atleta terá três tentativas, a 
depender da quantidade de competidores.
 • Não havendo cronometragem automática, a aferição pode ser 
realizada por três árbitros cronometristas.
 • Nas provas de pista, o atleta será desclassificado se cometer duas 
faltas, ou seja, sair antes do tiro de partida.
 • É necessário que o atleta participe de todas a provas e pontue em 
todas elas.
 • A pontuação é definida pela tabela da World Athletics.
As provas combinadas nos oferecem um leque de possibilidades para 
desenvolver essas práticas no ambiente escolar, uma vez que possuem 
um conjunto de esportes com opções de adaptação aos espaços e aos 
recursos disponíveis na escola.
Já conhecemos tais formas quando trabalhamos com as modali-
dades de maneira individualizada nos capítulos anteriores; vimos as 
técnicas e a organização didática e pedagógica para o processo de 
inserção do esporte. Mas, além desse conhecimento, é importante 
destacar que, mesmo que a regra do heptatlo e do decatlo espe-
cifique o quantitativo de sete e dez provas, em cada modalidade, 
respectivamente, podemos trabalhar com no mínimo três ou quatro 
provas no âmbito escolar; esta última é classificada como tetratlo. 
Desse modo, podemos escolher provas em que os alunos estejam 
mais aptos ou em que as condições estruturais sejam melhores para 
o desenvolvimento da modalidade.
Provas combinadas e marcha atlética 89
Vale destacar que o tetratlo é um conjunto de provas da categoria 
Sub-14, de acordo com as regras da CBAt, e é disputado nos Jogos Es-
colares da Juventude. Ele compreende as modalidades de 80 m com 
barreiras, arremesso de peso, salto em distância e 600 m rasos.
5.2 Marcha atlética
A marcha atlética teve origem na Inglaterra, entre os séculos XVII 
e XVIII, porque, nesse período, os caminhantes percorriam longas dis-
tâncias. Obviamente, a prática passou por muitas modificações até ser 
compreendida e institucionalizada como esporte olímpico.
A marcha atlética é caracterizada por uma sucessão de passos, em 
que, alternadamente, pelo menos um dos pés do atleta sempre man-
tém contato com o solo. A perna de avanço toca o solo de maneira 
reta até a posição vertical. As distâncias das provas de marcha atlé-
tica são 20 km na categoria feminina e 20 km ou 50 km na categoria 
masculina. São aspectos fundamentais nesse tipo de prova a técnica 
apurada e a resistência.
Figura 5
Classificação da marcha atlética
Provas de rua
Marcha atlética
Categorias
Feminino Masculino
20 km 20 km 50 km
é uma das
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
90 Metodologia do ensino de atletismo
De acordo com as regras oficiais da CBAt (2020, p. 183), “a marchafiliou, em 1914, à Federação Internacional de Atletismo Amador, cria-
da em 1912. Em 2001 mudou para Associação Internacional das Fede-
rações de Atletismo, mas permaneceu com a mesma sigla (IAAF) – vale 
ressaltar que a IAAF mudou de nome e logomarca em 2019, passando 
a se chamar World Athletics; em português, Atletismo Mundial. Essa fi-
liação foi o que possibilitou a primeira participação brasileira em um 
torneio olímpico, nos Jogos de Paris, em 1924, conhecidos como Jogos 
de Verão. O primeiro campeonato nacional no Brasil foi o Campeonato 
Brasileiro de Seleções Estaduais, no ano de 1925 (CBAt, 2008).
Em 1931, liderada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), 
a seleção nacional começou a disputar os Campeonatos Sul-America-
decatlo: competição de 
atletismo composta por dez 
provas. Nos Jogos Olímpicos, é 
exclusivamente praticada por 
homens. O equivalente feminino 
dessa prova é o heptatlo, com 
sete provas.
Glossário
Introdução ao atletismo 13
nos. Segundo dados da CBAt (2008), “em 1932, Clovis Rapozo (oitavo no 
salto em distância) e Lúcio de Castro (sexto no salto com vara) chega-
ram às finais nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos. 
Quatro anos depois, Sylvio de Magalhães Padilha foi o quinto nos 400 
m com barreiras nos Jogos de Berlim, na Alemanha”.
Em 1945, foi criado o Troféu Brasil de Atletismo, que contou com 
a participação de clubes representando todos os estados brasileiros. 
Hoje, é a maior competição nacional de atletismo do calendário do 
país. Ainda de acordo com a CBAt (2008, on-line), “em 1952, nos Jo-
gos de Helsinque, na Finlândia, Adhemar Ferreira da Silva conquistou 
a medalha de ouro no salto triplo, em 23 de julho”, batendo o recorde 
mundial com um salto de 16,22 m.
Arquivo Nacional/W
ikim
edia Com
m
ons
Visando a uma maior atenção e um maior foco na disseminação do 
esporte, em 1977, o atletismo se desliga oficialmente da CBD e passa 
a ser coordenado pela CBAt, órgão criado especificamente para cuidar 
do atletismo em todas as esferas, da base nas escolas até o alto ren-
dimento. A CBAt teve origem no Rio de Janeiro em 1977, mudou para 
Manaus em 1994 e, em 2013, transferiu-se para São Paulo.
Para resumir o processo histórico do atletismo que vimos até aqui, 
destacamos algumas datas importantes na linha do tempo a seguir.
No início, as competições eram 
realizadas em um conjunto de 
modalidades, que envolviam 
atletismo, futebol, remo, entre 
outras. Acesse o QR Code a 
seguir e veja uma fotografia do 
evento realizado na época.
Curiosidade
Figura 4
Adhemar Ferreira da 
Silva durante os Jogos de 
Helsinque, em 1952
14 Metodologia do ensino de atletismo
1.2 Provas oficiais
Vídeo Uma característica imprescindível para que um esporte seja con-
siderado como oficial é a existência de um órgão regulamentador ao 
qual esteja associado e subordinado. Assim é o papel das federações, 
confederações, associações e comitês, que são responsáveis por orga-
nizar eventos e, principalmente, elaborar as regras de cada esporte.
776 a.C. 
Primeira prova olímpica, uma 
corrida de 200 m chamada 
de stadium.
1896 
Retorno das competições de 
estádio – atletismo moderno 
(corridas, saltos, lançamentos 
e combinadas).
394 d.C. 
 Interrupção dos Jogos 
Olímpicos.
1910
Primeiras competições de 
atletismo no Brasil sob a 
responsabilidade da Confederação 
Brasileira de Desporto (CBD).
1914
CBD filia-se à IAAF.
1924
Primeira participação do Brasil 
em Jogos Olímpicos (Paris).
1928
Primeira participação 
das mulheres em Jogos 
Olímpicos (Amsterdã).
1929
Primeira competição oficial de 
atletismo no Brasil – Campeonato 
Brasileiro de Seleções Estaduais.
1945
Primeira edição do Troféu 
Brasil de Atletismo. Hoje, é a 
principal competição nacional do 
calendário da CBAt.
1952
Primeira medalha no atletismo do 
Brasil, com Adhemar Ferreira da 
Silva no salto triplo (estabelecendo 
o novo recorde mundial).
2001
A IAAF altera sua denominação 
para Associação Internacional 
das Federações de Atletismo.
2019
A IAAF muda a logomarca e 
o nome para World Athletics.
1912
Criação da Federação 
Internacional de Atletismo 
Amador (IAAF).
1977
Criação da CBAt no 
Rio de Janeiro.
Introdução ao atletismo 15
Sem as entidades representativas não seria possível estabelecer 
normas, padrões e regras para cada modalidade. Imagine cada país 
criando sua própria regra para uma mesma prática; seria um caos para 
realizar uma competição internacional, não é mesmo? Portanto, a se-
guir, conheceremos algumas dessas organizações para depois saber 
quais são as provas oficiais e as instalações determinadas por elas.
O atletismo não é diferente de outros esportes, isto é, possui mui-
tas instituições responsáveis por ele e que vão de abrangência nacio-
nal à internacional.
Entidade máxima responsável 
por organizar competições 
mundiais e coordenar 
federações e confederações.
WORLD ATHLETICS
Com sede em Manaus, este é o 
órgão responsável por organizar 
competições em seu domínio na 
América do Sul.
CONFEDERAÇÃO 
SUL-AMERICANA DE 
ATLETISMO (CONSUDATLE)
Responsável pela administração, 
organização e realização das 
Olimpíadas. Seleciona e acompanha 
o país-sede dos Jogos em sua 
organização.
COMITÊ OLÍMPICO 
INTERNACIONAL (COI)
Atua diretamente com 
a CONSUDATLE no 
atendimento das federações 
regionais filiadas. Mantém 
relacionamento com os 
clubes e atletas, além de 
coordenar o esporte em 
nível estadual.
CONFEDERAÇÃO 
BRASILEIRA DE 
ATLETISMO (CBAt)
Instituição máxima no 
esporte do Brasil. Todas a 
federações com esportes 
olímpicos e algumas que não 
possuem esporte nos Jogos 
Olímpicos são subordinadas 
ao COB.
COMITÊ OLÍMPICO 
DO BRASIL (COB)
Quando falamos em esporte adaptado, surgem órgãos específicos 
em função das especificidades de cada deficiência, que exigem atenção 
especial e um conjunto de regras ajustadas.
Entidade máxima responsável, que 
tem, entre suas principais funções, 
organizar as Paralimpíadas.
Responsável por coordenar 
todos os esportes que fazem 
parte das Paralimpíadas.
COMITÊ PARALÍMPICO 
INTERNACIONAL (IPC)
COMITÊ PARALÍMPICO 
BRASILEIRO (CPB)
16 Metodologia do ensino de atletismo
Após conhecermos as entidades responsáveis pelo atletismo em ní-
vel nacional e internacional, é hora de saber quais são as provas oficiais 
e suas classificações. As provas oficiais do atletismo são classificadas 
em diferentes grupos, de acordo com as capacidades e habilidades 
atléticas utilizadas pelos praticantes na competição. O conjunto de mo-
dalidades é dividido em quatro grupos: provas de pista, provas de cam-
po, provas de rua e provas combinadas.
Figura 5
Organograma de provas oficiais
PROVAS DE PISTA
PROVAS 
DE CAMPO
PROVAS DE RUA
PROVAS 
COMBINADAS
Lançamento de 
disco
Salto em altura
Maratona
Lançamento de 
martelo
Salto com vara
Marcha
Lançamento de 
dardo
Salto em distância
Arremesso de peso Salto triplo
100 m com barreiras 
Salto em distância
 Arremesso de peso 
 400 m rasos
 110 m com barreiras
Arremesso de disco
Salto com vara
Lançamento de dardo
1.500 m rasos
100 m com barreiras 
Salto em altura 
Arremesso de peso
200 m rasos 
Salto em distância 
Lançamento de dardo
800 m rasos 
Fonte: Dicionário Olímpico, 2020.
Corridas rasas
Provas de 
lançamento
Heptatlo
Provas de salto
Decatlo
Corridas de 
revezamento
Corridas com 
barreiras
Corridas com 
obstáculos
Dividem-se em:Dividem-se em:
Dividem-se em: Dividem-se em:
PISTAS
Ocorrem 
em
IMPLEMENTOS
São 
usados
ESTÁDIOS
Ocorrem 
em
PERCURSO
Tem
Dividem-se em:
São tipos de 
7 provas 10 provas
MasculinoFeminino
Ink
on
g B
ou
tch
ale
rn/
Sh
utt
ers
toc
k
Introdução ao atletismo 17
Como podemos ver, nas provas de pista, acontecem corridas ra-
sas e revezamento, com barreiras e obstáculos. Já nas provas de cam-
po, temos os lançamentos de dardo, disco e martelo, o arremesso de 
peso, os saltos em altura, com vara, em distância e triplo. Nas provas 
de rua, os atletas participam da maratona e da marcha atlética.atlética é uma progressão de passos, executados de tal modo que o 
atleta mantenha um contato contínuo com o solo, não podendo ocor-
rer (a olho nu) a perda do contato com o mesmo. A perna que avança 
não deve estar flexionada”.
Nesse sentido, além da técnica de execução da marcha aplicada ao 
movimento da perna, outros elementos são imprescindíveis para a di-
nâmica da marcha, como os membros superiores e o tronco.
A análise da biomecânica da marcha compreende os braços fle-
xionados a 90º, com movimentação alternada para frente e para trás, 
impulsionando o corpo para a frente. Quanto mais rápidos forem os 
passos, mais rápido os braços são movimentados; semelhante à ca-
minhada comum. O tronco se mantém ligeiramente inclinado para a 
frente, não havendo rotação exagerada do quadril.
Com relação ao movimento dos membros inferiores, Matthiesen 
(2017) o define em duas fases de apoio: simples e duplo. Na simples, 
acontece o rolamento do pé sobre o solo, ou seja, há a entrada com 
o calcanhar; em seguida, toda a planta do pé é apoiada sobre o solo 
e, na finalização, a ponta do pé realiza a impulsão para a passada se-
guinte. Na fase de duplo apoio, a ponta do pé posterior está tocando o 
solo, realizando a impulsão, enquanto o pé anterior realiza a entrada 
no solo, iniciando o movimento descrito no apoio simples. Perceba que 
o movimento da marcha mantém sempre os dois pés ou pelo menos 
um deles em contato com o solo; essa é a regra básica da modalidade.
Figura 6
Marcha atlética
Ev
re
nK
al
in
ba
ca
k/
Sh
ut
te
rs
to
ck
O resgate do atletismo 
praticado na escola, nas 
aulas de Educação Física, 
é a perspectiva principal 
do livro Atletismo se apren-
de na escola. Além da 
abordagem leve e acessí-
vel dos conteúdos, a obra 
apresenta sugestões e 
orientações para iniciação 
da modalidade na escola, 
por meio de brincadeiras 
e jogos pré-desportivos.
MATTHIESEN, S. Q. (org.). 2. ed. São 
Paulo: Fontoura, 2009.
Livro
Provas combinadas e marcha atlética 91
Pode acontecer, principalmente na fase inicial, de o aluno realizar 
movimentos desnecessários e/ou cometer erro na execução da mar-
cha. Pensando nisso, a seguir, apresentamos alguns erros comuns.
Quadro 1
Erros comuns e respectivas correções
Erros Correções
Perda de contato com o solo ou “flutua-
ção”, provocando a fase aérea proibida 
na marcha atlética.
Realizar movimento de forma mais lenta, 
dando ênfase ao movimento do quadril, 
em boa sincronia com os ombros para 
garantir que isso não aconteça.
Insuficiente movimentação de membros 
superiores.
Segurar um bastão em cada uma das 
mãos e exagerar o movimento dos 
braços, aumentando a amplitude e a 
frequência da passada.
Flexão do(s) membro(s) inferior(es) ou 
“desbloqueio”.
Realizar o movimento de forma lenta, 
com passadas curtas, no plano e em leve 
aclive, de modo que o machador possa 
sentir a total extensão das articulações 
dos joelhos.
Movimento do quadril para os lados.
Andar sobre uma linha reta, com um 
colega monitorando o movimento do 
quadril, com dois bastões colocados na 
lateral da pelve do marchador.
Excessiva projeção do tronco.
Marchador segurando um bastão atrás 
do corpo com os braços posicionados 
a 90º.
Fonte: Matthiesen, 2017, p. 26.
Como foi apresentado anteriormente, é preceito básico manter o 
contato com o solo, portanto é preciso que o pé dianteiro toque o solo 
antes que o traseiro perca esse contato. Assim, a perna que avança 
deve estar estendida, sem que haja flexão do joelho do primeiro con-
tato até a perna ficar na posição vertical. A saída acontece da mesma 
forma que nas provas de longa distância, ou seja, em pé, atrás da linha 
de largada, e sob os comandos de “às suas marcas” e tiro de partida. O 
atleta pode ser advertido por cada árbitro uma única vez; quando este 
somar três advertências, de três árbitros, por não realizar o movimento 
de marcha, é desqualificado.
92 Metodologia do ensino de atletismo
Para o processo de ensino da modalidade na escola, de modo a 
atender aos requisitos didático-pedagógicos, é importante a utilização 
de método simplificado. O professor deve torná-lo o mais fácil possível 
e fazer uso de atividades lúdicas, como uma brincadeira de pega-pega 
em que os alunos só possam caminhar. Assim, deve levantar uma dis-
cussão acerca da diferença entre caminhar, andar e correr, observando 
os variados tipos de ritmos em cada uma delas.
Com base na marcha atlética, é possível discutir temas transversais, 
uma vez que existe uma desinformação quanto ao movimento do qua-
dril durante a marcha. Muitos creem que esse movimento está relacio-
nado ao público feminino, como se homens não pudessem realizá-lo. 
Nesse sentido, vale destacar que a prova de marcha atlética foi criada so-
mente para os homens. As mulheres passaram a integrar os campeona-
tos mundiais somente no ano de 1991, e os Jogos Olímpicos ocorreram 
em 1992. Para homens, a marcha atlética foi inserida nos Jogos Olímpi-
cos de 1908.
É importante considerar, ainda, que, mesmo sendo a marcha atlé-
tica uma prova de fundo, ou seja, de longa distância, a metodologia de 
ensino requer um aprendizado com atividades curtas e variação entre 
andar lento e rápido, inserindo, aos poucos, os movimentos específicos 
da marcha.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, foi possível conhecer as provas combinadas e a marcha 
atlética. Vimos, também, que o heptatlo e o decatlo são conjuntos de pro-
vas que os atletas realizam em dois dias de competição, sendo o heptatlo 
voltado para as mulheres e o decatlo, para os homens. Atualmente, há 
um movimento para que os Jogos Olímpicos passem a ter o decatlo para 
homens e mulheres, substituindo o heptatlo.
Foi possível aprender, também, sobre o tetratlo, que, por sua vez, 
corresponde a uma modalidade específica para os Jogos Escolares, ten-
do em vista as limitações físicas de jovens na realização do conjunto de 
provas da categoria Adulto. Além disso, o heptatlo e o decatlo para jovens 
exige maiores investimentos em instalação, tempo e organização.
Por fim, sempre frisamos o quanto é importante disseminar essa prá-
tica por sua representatividade no conjunto de provas do atletismo, bem 
como por sua contribuição na melhoria das habilidades motoras, da coor-
denação e do desenvolvimento global do aluno.
O material Aprendendo 
a marcha atlética é um 
Projeto de Intervenção Pe-
dagógica na escola apre-
sentado como Plano de 
Formação Continuada do 
Programa de Desenvolvi-
mento Educacional. Com 
uma linguagem objetiva e 
acessível, apresenta todos 
os aspectos da marcha 
atlética, como o histórico 
da modalidade, as regras 
e a metodologia de 
ensino. Conta, ainda, com 
exemplos de aulas prá-
ticas com processos peda-
gógicos globais, parciais e 
mistos, além de atividades 
para sala de aula.
OLIVEIRA, I. T. São José dos Pinhais: 
Secretaria de Estado da Educação/
Universidade Federal do Paraná, 
2008. Disponível em: http://www.
diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/
pde/arquivos/1836-6.pdf. Acesso 
em: 18 maio 2020.
Leitura
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1836-6.pdf
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1836-6.pdf
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1836-6.pdf
Provas combinadas e marcha atlética 93
ATIVIDADES
1. O heptatlo é uma competição de atletismo que reúne sete provas, 
cujo objetivo não é simplesmente vencer todas, mas, sobretudo, 
somar o maior número de pontos em cada uma delas. Diante do 
que foi apresentado, explique como funciona e quais são as provas 
disputadas no heptatlo.
2. Quais são as diferenças básicas nas provas de decatlo e heptatlo?
3. Quais são as principais características da marcha atlética? E quais são 
as distâncias para as provas das categorias feminina e masculina?
REFERÊNCIAS
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO - CBAt. Regras De Competição e Regras Técnicas 
– 2020: Edição Oficial para o Brasil. São Paulo: CBAt, 2020. Disponível em: http://www.cbat.
org.br/repositorio/cbat/documentos_oficiais/regras/regrasdecompeticaoeregrastecnicas_edicao2020.pdf. Acesso em 18 maio 2020. 
DICIONÁRIO OLÍMPICO. Atletismo. 2020. Disponível em: http://www.dicionarioolimpico.
com.br/. Acesso em: 18 maio 2020.
MATTHIESEN, S. Q. (org.). Atletismo se aprende na escola. 2. ed. São Paulo: Fontoura, 2009.
MATTHIESEN, S. Q. (org.). Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2017.
VIDIGAL, J. M. S. Apostila Disciplina de Atletismo. Minas Gerais: PUC Minas, ICBS, 2012.
94 Metodologia do ensino de atletismo
6
Paratletismo
Neste capítulo, você conhecerá o histórico da prática esportiva 
para pessoas com deficiência, bem como do esporte adaptado e 
da evolução das Paralimpíadas até chegarem à compreensão e à 
regulamentação que temos atualmente, com classificação funcio-
nal, classe e provas.
Na classificação funcional, conheceremos como são realizadas as 
avaliações em cada etapa, e as classes nas quais os atletas podem 
participar após o laudo da avaliação. Veremos também as provas 
oficiais do paratletismo separadas por pista e campo.
Além dos aspectos gerais, das especificidades do esporte e das 
principais regras, abordaremos a importância das modalidades 
para a inclusão social de pessoas com deficiência e dos valores 
presentes nessa prática, que representa lições para a vida.
6.1 Paratletismo e inclusão
Na história, há indícios de práticas esportivas com pessoas com de-
ficiências auditivas e visuais na natação e no atletismo no início do sé-
culo XX. Entretanto, o esporte adaptado para esse público surgiu após 
a Segunda Guerra Mundial com o médico Ludwig Guttmann, que orga-
nizou competições de arco e flecha entre pacientes cadeirantes do hos-
pital de Stoke Mandeville, na Inglaterra, no ano de 1948, como forma 
de reabilitação e de inclusão social para soldados que foram mutilados 
durante a guerra.
Esse evento chamou a atenção do mundo, principalmente do co-
mitê organizador dos Jogos Olímpicos. Essa iniciativa de promover 
competições entre pacientes, organizada pelo médico, impulsionou 
os estudos e competições entre pessoas com deficiência e, no ano 
de 1960, foram realizados os primeiros jogos Paralímpicos em Roma. 
Paratletismo 95
Essa edição contou com cerca de quatrocentos atletas de vinte e três 
países, competindo em oito modalidades.
Figura 1
Corrida com atleta amputado de braço
CH
EN
 W
S/
Sh
ut
te
rs
to
ck
O atletismo adaptado é institucionalizado pelo Comitê Paralímpico 
Internacional (IPC). O paratletismo é voltado a pessoas com deficiên-
cias física, visual e intelectual e é a maior modalidade em quantidade 
de atletas nas Paralimpíadas. As provas são separadas por pista, rua 
e campo, e contemplam corridas, saltos, lançamentos e arremessos 
nas categorias masculino e feminino. No Brasil, o paratletismo, assim 
como outros esportes paralímpicos, é gerido pelo Comitê Paralímpico 
Brasileiro (CPB). Todas as provas apresentam adaptações e possuem 
regras específicas, mas a infraestrutura é a mesma utilizada por atle-
tas sem deficiência.
O paratletismo carrega consigo a capacidade de superação constan-
te; as histórias dos paratletas são das mais diversas, com muitos desa-
fios e conquistas. São pessoas que encontraram no esporte uma forma 
de melhorar a autoestima, a independência e a socialização; afinal, 
qualquer deficiência, seja ela congênita (que já nasce com o indivíduo) 
ou adquirida (que ocorre depois do nascimento), provoca barreiras que 
precisam ser vencidas.
Nesse sentido, podemos perceber como é importante a aplicação 
do esporte para a educação inclusiva na escola. Com base no atletismo, 
1960
Roma – Itália
1964
Tóquio – Japão
1968
Tel Aviv – Israel
1976
Toronto – Canadá
1980
Arnhem – Países Baixos
1988
Seoul – Coreia do Sul
1992
Barcelona – Espanha
1996
Atlanta – Estados Unidos
2000
Sydney – Austrália
2004
Atenas – Grécia
2008
Pequim – China
2012
Londres – Grã-Bretanha
2016
Rio de Janeiro – Brasil
2020
Tóquio – Japão (adiado 
para 2021 devido à 
pandemia de COVID-19)
1984
Stoke Mandeville – 
Inglaterra e Nova York 
– Estados Unidos
1972
Heidelberg – Alemanha 
Ocidental
96 Metodologia do ensino de atletismo
o professor pode iniciar um trabalho voltado à inclusão de alunos com 
algum tipo de deficiência, promovendo o bem-estar e a qualidade de 
vida. Além disso, pode desenvolver capacidades motoras e físicas, 
como coordenação, equilíbrio, força e resistência.
A pesquisa O esporte adaptado como fator de inclusão social para pessoas 
com deficiência física, de Everson Grubano, contextualiza o esporte adaptado 
como agente de inclusão e transformação social para pessoas com deficiên-
cia. A metodologia de perguntas e respostas apresenta de maneira objetiva 
os tipos de deficiência, a classificação da modalidade e os benefícios da práti-
ca esportiva para a vida das pessoas que possuem algum tipo de deficiência.
Acesso em: 18 maio 2020. 
http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/3075/1/Everson%20Cardoso%20Grubano.pdf
Pesquisa
A prática do atletismo para alunos com deficiência representa a 
educação inclusiva, possibilitando a transformação para uma 
sociedade inclusiva, em que se amplia a participação de todos 
os alunos nas atividades. Assim, com base nessa perspectiva, 
espera-se reestruturação da cultura e das práticas nas escolas 
de maneira a atender a diversidade e as necessidades dos alunos.
Portanto, o paratletismo pode contribuir significativamente com o 
desenvolvimento e o aperfeiçoamento de habilidades para esse pú-
blico que convive com limitações, mas que busca se auto superar dia-
riamente. As pessoas com deficiência, inclusive intelectual, geralmente 
possuem algum comprometimento motor, e o atletismo ajuda na flexi-
bilidade, no equilíbrio, na agilidade, na força, na orientação espacial e na 
coordenação motora. Entretanto, os benefícios da prática 
vão além desses; a conquista da independência, resgate 
da autonomia e estabelecimento de vínculos estão rela-
cionados aos mais importantes ganhos para a vida.
6.2 Classificação funcional
A classificação funcional existe para garantir a legítima participação 
de todos os atletas com deficiências. Assim, de acordo com a classi-
ficação, há um nivelamento entre os aspectos relacionados aos tipos 
de deficiência, então os atletas são colocados em grupos equivalentes.
Figura 2
Salto em altura no 
paratletismo
CHEN W
S/Shutterstock
http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/3075/1/Everson%20Cardoso%20Grubano.pdf
Paratletismo 97
Essa organização permite uma competição justa e igualitária entre 
os indivíduos, pois a classificação atribuída ao atleta é pré-requisito. O 
sistema de classificação funcional é fundamental em todas as modali-
dades paralímpicas, visto que garante direitos iguais e, consequente-
mente, impede que injustiças aconteçam.
A divisão por grupos está entre os critérios essenciais no parades-
porto, tanto é que sua atualização se tornou constante com o passar 
dos anos, por isso os atletas são avaliados periodicamente. É comum 
uma pessoa com deficiência entrar em uma classificação e, em nova 
avaliação (chamada de revisão), mudar de categoria. Isso ocorre nor-
malmente por dois motivos; o primeiro, e mais comum, é o atleta me-
lhorar sua capacidade funcional com os treinamentos, fazendo com 
que ele realize os movimentos de modo muito superior aos da catego-
ria atual. A segunda pode acontecer por uma regressão no quadro da 
deficiência que o limite ainda mais ao realizar os movimentos.
É importante destacar que a avaliação acontece em três fases: ava-
liação médica, com laudo específico da deficiência; funcional, que é a 
especificidade do esporte, ou seja, se a deficiência está relacionada 
com a modalidade; e observação, que ocorre dentro e fora da compe-
tição, evitando, assim, injustiças e fraudes. Os profissionais envolvidos 
na avaliação, conhecidos como classificadores, são: médico, fisiotera-
peuta e profissional de Educação Física, considerando respectivamente 
os estágios médico, funcional e técnico.
O médico avalia, com base em exames,a patologia que causa de-
terminada impossibilidade ou limitação. O fisioterapeuta aplica testes 
de amplitude de movimento articular (força muscular, coordenação 
motora, mensuração de membros e troncos) a fim de identificar pos-
síveis ações musculares utilizadas na prática esportiva. O objetivo é 
verificar se o atleta realmente não tem resíduos dessas ações que o 
coloque em vantagem em relação aos demais. O profissional de Edu-
cação Física é o responsável por acompanhar a execução em prova 
teste, observando os movimentos do atleta, possibilidades de adap-
tações, utilização de próteses (aparelhos de uso permanente) ou ór-
teses (aparelhos de uso provisório).
Durante uma prova, é possível identificar algo que tenha ficado 
obscuro durante o processo de avaliação para classificação funcional. 
Figura 3
Atleta 
anão de 
lançamento 
de dardo
Sh
ShS
ehS
S/S
hut
ter
sto
ck
O livro Atividade física 
adaptada: qualidade de 
vida para pessoas com 
necessidades especiais traz 
uma abordagem dinâmica 
sobre as possibilidades 
da inserção da prática 
esportiva para pessoas 
com deficiência, ofere-
cendo subsídios, com 
informações atualizadas 
acerca das especificidades 
de diversas modalidades 
esportivas e enfatizando 
os benefícios sociais para 
esse público.
GREGOUL, M.; COSTA, R. F. (orgs.). 4. 
ed. rev. ampl. Barueri, SP: Manole, 
2018.
Livro
98 Metodologia do ensino de atletismo
Muitas vezes, com o intuito de vencer inerente à competição, o atleta 
mostra todo o seu potencial funcional, por isso existem classificadores 
monitorando os atletas em várias competições. Vale ressaltar que um 
atleta pode pertencer a vários grupos e classificações, ou seja, pode ter 
deficiência visual e possuir também deficiência física motora.
Nesse contexto, de acordo com a classificação funcional, os atletas 
são categorizados por classes. Essas classes variam de 11 a 64, conside-
rando pista (track), identificada pela letra T, e campo (field), identificado 
pela letra F.
Figura 4
Classes do paratletismo
IPC Atlhetics
Deficiência intelectual
Classe 20
Amputados e outros
Classes 40 - 41 (anões)
Classes 42 - 44 (amp. 
de perna)
Classes 45 - 47 (amp. de 
braço)
Deficiência visual
Classes 11 - 13
Paralisados cerebrais
Classes 31 - 34 
(cadeirantes)
Classes 35 - 38 
(ambulantes)
Paraplégicos e 
tetraplégicos
Classes T51 - T54 (pista)
Classes F51 - F57 
(campo)
Todos os cadeirantes
Amputados de perna
Classe 61 - 64 (com 
prótese)
Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro, 2019.
Como vimos, para que uma pessoa seja considerada elegível ao 
paratletismo, precisa passar por rigorosa avaliação a fim de definir a 
classe a que o paratleta pertencerá; cada classe apresenta e classifica o 
paratleta de acordo com a deficiência.
No vídeo Atletismo para 
pessoas com deficiência, 
publicado pelo canal 
kalebeps, conheça o 
projeto de atletismo para 
pessoas com deficiên-
cia da Universidade do 
Estado de Santa Catarina, 
que visa desde o trabalho 
de iniciação e desenvolvi-
mento até a formação de 
paratletas para disputar 
competições.
Disponível em: https://youtu.be/
AMVVzRuuZBA. Acesso em: 18 
maio 2020.
Vídeo
O Regulamento Geral de 
Paralimpíadas Escolares 
apresenta as normas 
gerais para a organização 
de eventos esportivos 
para pessoas com defi-
ciência: finalidade, objeti-
vos e justificativa. Ainda, 
descreve detalhadamente 
as especificações de cada 
modalidade.
COMITÊ PARALÍMPICO BRASILEIRO. 
Paralimpíadas Escolares. São Paulo: 
CPB, 2019. Disponível em: https://
cpb.org.br/upload/document-
s/5cea47bc4cb64b47bec3624ee-
3fb6bba.pdf 
Acesso em: 18 maio 2020.
Leitura
Paratletismo 99
A classificação funcional é primordial na prática esportiva de qual-
quer modalidade esportiva para pessoas com deficiência, pois promo-
ve igualdade e inclusão dentro e fora da competição.
6.6.3 Provas
Como vimos anteriormente, as provas são classificadas da mesma 
forma que no atletismo convencional, com estrutura e equipamen-
tos esportivos adequados; nesse último, são incluídos itens a mais, 
como cadeiras adaptadas, faixas de amarração para oferecer maior 
segurança, próteses e óculos escuros para deficientes visuais na clas-
se T11 para evitar percepção luminosa. Também, são alterados os 
pesos dos implementos.
Conforme o regulamento do CPB (2019), as provas são para ambos 
os sexos e estão divididas em pista, rua e campo.
Rua
Maratona (42 km)
Meia-maratona (21 km)
Campo
Lançamento de disco 
e club
Lançamento de dardo
Arremesso de peso
Pista
Velocidades: 100 m, 
200 m, 400 m, rev. 
4x400 m e rev. 4x100 m
Meio fundo: 800 m, 
1.500 m
Fundo: 5.000 m, 
10.000 m
Salto em distância
Salto em altura
Salto triplo
Figura 5
Classificação das provas paralímpicas
Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro, 2020.
As provas de pista são: velocidade 100 m, 200 m, 400 m, 
4x100 metros e 4x400 metros; meio-fundo 800 m e 1.500 m; fundo 
5.000 m e 10.000 m; e saltos em distância, em altura e triplo. As provas 
de rua são: meia-maratona (21 km) e maratona (42 km). Já as provas de 
campo são os lançamentos de dardo, disco e club e arremesso de peso. 
O club é um implemento alternativo e específico do paratletismo para 
pessoas que não conseguem segurar o disco, pertencentes às classes 
31, 32 e 51. Além do peso mínimo do club ser de 397 g, ele deve ser 
feito de madeira e estar em conformidade com as especificações de 
tamanho apresentadas na Figura 6.
Diâmetro: 
1,8 - 2,0 cm
Diâmetro: 
5 - 6 cm
Peso: 397 g
Extremidade de 
metal: 3,8 cm de 
diâmetro
Comprimento total: 
35 - 39 cm 
IESDE
Figura 6
Club
Em todas as provas de pista, atletas da classe T11 devem correr 
com o atleta guia, utilizando uma corda que une as mãos dos dois. A 
principal regra é que atleta e guia devem sempre correr juntos; em 
hipótese alguma, o guia poderá correr à frente do atleta, muito menos 
puxá-lo. O guia pode dar instruções verbais, pois ele é uma extensão 
do paratleta devido à sua deficiência visual. Para isso, são disponibili-
zadas duas raias para o atleta e o guia e eles serão tratados como uma 
só pessoa. Para as demais classes (T12 e T13), o guia poderá dar ins-
truções e acompanhar o atleta até a pista, área de lançamento ou sal-
to, devidamente identificado com uso de um colete laranja fornecido 
pela comissão organizadora.
Nas corridas de revezamento, a 
passagem do bastão deve ser realiza-
da dentro da zona de passagem. Tan-
to o atleta como o guia devem 
estar dentro da zona de pas-
sagem quando ela ocorrer e 
o bastão pode ser passado 
pelo atleta ou pelo guia, 
mas o atleta deve entrar 
na zona de passagem 
primeiro.
No vídeo Esporte Paralím-
pico: Lançamento de Club, 
Suellen Gomes Calixto, 
a Suh do canal O Nerd e 
a Cadeirante, entrevista 
Diego Cascardo, treinador 
de paratletas, sobre o 
lançamento de club no 
Programa Esporte para 
Todos, na Cidade de 
Taubaté-SP.
Disponível em: https://youtu.
be/1ES-FCanzOc. Acesso em: 18 
maio 2020.
Vídeo
Figura 7
Corrida de atletas cegos 
com guia
CH
EN
 W
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Sh
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te
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to
ck
100 Metodologia do ensino de atletismo
Figura 8
Corrida de atletas cadeirantes
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rs
to
ck
Os atletas com paralisia cerebral estão entre as classes 31 e 38. As clas-
ses 31 a 34 são os cadeirantes e as 35 a 38 são os andantes. As cadeiras de-
vem, obrigatoriamente, ter duas rodas grandes e uma pequena na frente.
No caso dos atletas andantes, ou seja, que possuem dificuldade de 
locomoção, mas não precisam de cadeiras, não é preciso utilizar bloco 
de partida, podendo realizar saída alta ou baixa com ou sem bloco; 
embora todos os atletas utilizem o bloco pela influência em melhorar o 
desempenho na largada. É importante destacar que a prótese é de res-
ponsabilidade do atleta e deve estar com ele do início ao fim da prova.
Os atletas com deficiência física seguem as mesmas regras conven-
cionais. No caso dos atletas com deficiência visual, também é permitido 
o uso do guia. Na classe 11, o guia dá instruções em todas as etapas 
dos saltostriplos, em distância e em altura. Já nas classes 12 e 13, o 
guia apenas acompanha o atleta até a área dos saltos, sendo permitida 
a orientação apenas nesse local; após posicionar o atleta e sinalizar que 
a orientação foi concluída, o contato entre os dois não pode ser manti-
do, sob pena de desclassificação.
Os lançamentos e arremessos seguem as mesmas regras quanto 
ao guia para os deficientes visuais, além das adaptações neces-
sárias para que os atletas consigam realizar as tentativas com 
sucesso e segurança. Para isso, os atletas com paralisia que não 
são andantes podem utilizar cadeiras adaptadas para os lançamentos 
de dardo, disco e club e arremesso de peso, bem como uso de tiras 
para prendê-los à cadeira.
No vídeo Conheça a 
atleta que é esperança de 
medalha no atletismo das 
Paralímpiadas, publicado 
pelo canal do Jornal da 
Record, veja a história de 
vida, dificuldades, supe-
ração, rotina de treinos 
e perspectivas da atleta 
paralímpica Terezinha 
Guilhermina, que compe-
te como corredora nos 
100 m, 200 m e 400m.
Disponível em: https://youtu.be/
ZIIGKnqajN0. Acesso em: 18 maio 
2020.
Vídeo
Figura 9
Salto em distância de atleta 
com membro amputado
CC DC Cress/Shutterstock
101Paratletismo
102 Metodologia do ensino de atletismo
As regras para utilização da cadeira, como tam-
bém a localização, o posicionamento, a amarração e 
as dimensões, são as mesmas para os lançamentos 
de dardo, disco e club e o arremesso de peso.
No contexto escolar, as regras e os implementos 
podem ser facilmente adaptados pelo professor. O 
atletismo para pessoas com deficiência é totalmente 
possível de ser trabalhado na escola, visto que são uti-
lizados os mesmos espaços do atletismo convencional. 
Porém, ele requer a adaptação das atividades e da in-
fraestrutura, tornando a escola acessível para garantir 
a participação dos alunos.
Portanto, é imprescindível que o professor de Edu-
cação Física compreenda a classificação funcional 
com clareza para assegurar igualdade em suas au-
las, atendendo à função social da escola e aos 
objetivos da classificação no esporte paralím-
pico: promover a participação e igualdade na 
competição, estimular o envolvimento e 
encorajar alunos e atletas a outros ní-
veis de desempenho.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Trabalhar o paratletismo na escola significa estimular a participação 
dos alunos com deficiência em atividades esportivas. Educar o aluno com 
base na prática esportiva na escola reforça a construção de valores funda-
mentais para o desenvolvimento de uma sociedade melhor, pacífica, livre 
de discriminação, solidária e, acima de tudo, que respeita as diferenças.
A inserção do paratletismo na escola promove um ambiente demo-
crático, onde os alunos se sentem parte integrante. Além disso, viabiliza o 
acesso e a permanência do aluno no contexto escolar e prepara todos os 
envolvidos no processo para o pleno exercício da cidadania.
Figura 10
Arremesso de 
peso na cadeira 
de lançamento
ShShSehSS/Shutterstock
O Comitê Paralímpico 
Brasileiro (CPB) possui 
um canal no YouTube 
no qual você encontra 
tudo sobre paradesporto 
e Paralimpíadas de alto 
rendimento e escolares, 
histórias, treinos, além de 
orientações para profes-
sores e muito mais.
Disponível em: https://www.youtu-
be.com/user/cpboficial. Acesso em: 
18 maio 2020.
Vídeo
https://www.youtube.com/user/cpboficial
https://www.youtube.com/user/cpboficial
Paratletismo 103
 
 
 
REFERÊNCIAS
COMITÊ PARALÍMPICO BRASILEIRO. Paralimpíadas Escolares. São Paulo: CPB, 2019. Disponível 
em: https://cpb.org.br/upload/documents/5cea47bc4cb64b47bec3624ee3fb6bba.pdf. 
Acesso em: 18 maio 2020. 
GREGOUL, M.; COSTA, R. F. Atividade física adaptada: qualidade de vida para pessoas com 
necessidades especiais. 4. ed. ver. ampl. Barueri, SP: Manole, 2018.
MELLO, M. T.; WINCKLER, C. Esporte Paralímpico. Rio de Janeiro: Atheneu, 2012.
SILVA NETO, A. de O. Educação inclusiva: uma escola para todos. Revista Educação 
Especial, v. 31, n. 60, p. 81-92, jan./mar. 2018. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/
educacaoespecial/article/view/24091/pdf. Acesso em: 18 maio 2020.
https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/24091/pdf
https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/24091/pdfPor 
fim, nas provas combinadas, os atletas realizam o heptatlo (conjunto 
de sete provas) para o feminino e o decatlo (conjunto de dez provas) 
para o masculino.
Percebemos que há uma classificação por gênero masculino e fe-
minino nas provas; isso acontece devido à diferença nas capacidades 
de proficiência física entre homens e mulheres, que são muito utiliza-
das no atletismo. Dentre elas, podemos citar força, velocidade e re-
sistência. Quando comparamos os resultados das provas, fica muito 
evidente essa diferenciação. Por exemplo, no masculino, o recorde 
mundial de uma maratona (42.195 m) é do queniano Eliud Kipchoge, 
com o tempo de 01:59:40; já no feminino, o recorde é da queniana 
Brigid Kosgei, com 02:14:04.
As diferenças nos resultados seguem nos saltos, lançamentos, ar-
remessos e demais provas. Por isso, a forma mais justa é separar as 
categorias por gênero na fase adulta. Já no processo de crescimento, 
maturação e desenvolvimento, o jovem possui diferenças morfológi-
cas, psicofisiológicas, cognitivas, afetivas e sociais que ainda estão em 
formação; por isso, existe a classificação por faixa etária.
A Norma 12, art. 1º da CBAt (2020), aprovada pela Assembleia Geral 
em 26 de abril de 2014 e atualizada pelo Departamento Técnico em 26 
agosto de 2019, refere-se às categorias e respectivas faixas etárias ofi-
ciais do atletismo no Brasil, em consonância com as normas e regras 
da World Athletics e da CONSUDATLE, devendo ser aplicada obrigatoria-
mente no atletismo brasileiro. Vamos ver, a seguir, quais são elas.
a. Categoria Sub-14: atletas com 12 e 13 anos no ano da competição.
b. Categoria Sub-16: atletas com 14 e 15 anos no ano da competição.
c. Categoria Sub-18: atletas com 16 e 17 anos no ano da competição.
d. Categoria Sub-20: atletas com 16, 17, 18 e 19 anos no ano da 
competição.
e. Categoria Sub-23: atletas com 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22 anos no 
ano da competição.
f. Categoria de Adultos: atletas de 16 anos em diante no ano da 
competição.
O filme Raça retrata 
a vida do norte-ame-
ricano Jesse Owens, 
corredor que, durante 
as Olimpíadas de 1936, 
mostrou ao mundo que 
a ideia de supremacia 
ariana construída por 
Hitler era apenas uma 
ideia racista.
Direção: Stephen Hopkins. Canadá: 
Diamonds Films, 2016.
Filme
18 Metodologia do ensino de atletismo
g. Categoria de Masters: atletas de 35 anos em diante (idade a ser 
considerada no dia da competição).
É importante destacar que, além das categorias definidas pelos ór-
gãos regulamentadores, existe a divisão por faixa etária dentro das ca-
tegorias, que é apresentada no Quadro 1.
Quadro 1
Categorias e faixas etárias da CBAt
Idade Masculino – Faixa etária Feminino – Faixa etária
35 a 39 anos M35 F35
40 a 44 anos M40 F40
45 a 49 anos M45 F45
50 a 54 anos M50 F50
55 a 59 anos M55 F55
60 a 64 anos M60 F60
65 a 69 anos M65 F65
70 a 74 anos M70 F70
75 a 79 anos M75 F75
80 a 84 anos M80 F80
85 a 89 anos M85 F85
90 a 94 anos M90 F90
95 a 99 anos M95 F95
100 anos e acima M100 F100
Fonte: CBAt, 2020.
Ainda de acordo a Norma 12 da CBAt (2020), para as provas serem 
validadas e terem seus resultados homologados, a aplicação dessa 
norma é condição básica obrigatória em todas as competições oficiais 
de atletismo realizadas no Brasil. Além da classificação descrita no 
Quadro 1, a mesma norma da CBAt permite que as competições ofi-
ciais, no Brasil, sejam subdivididas em:
 • Competições Sub-14: os atletas não podem participar em mais 
de duas provas, sendo uma individual e outra no revezamento. 
É vedada a participação de atletas menores de 11 anos de idade; 
para essa faixa etária, é recomendado o Programa Miniatletismo 
da CBAt/Word Athletics.
Introdução ao atletismo 19
 • Competições Sub-16: podem participar atletas com 14 e 15 anos 
de idade no ano da competição.
 • Competições Sub-18: podem participar atletas com 16 e 17 anos 
de idade no ano da competição.
 • Competições Sub-20: podem participar atletas com 16, 17, 18 e 
19 anos de idade no ano da competição.
 • Categoria Sub-23: atletas com 16 e 17 anos de idade não podem 
participar das provas de arremesso, lançamentos e decatlos, no 
masculino, e das provas de 10.000 metros, maratona e marcha 
atlética, no masculino ou feminino. Atletas da categoria Sub-20 
com 18 e 19 anos podem participar das competições Sub-23, 
exceto das provas de maratona e 50 km marcha atlética.
A Norma 12 da CBAt (2020), ainda, estabelece idades mínimas para 
a participação de atletas em corridas de rua. São elas:
 • Provas com percurso de até 5 km: 14 (catorze) anos completos 
até 31 de dezembro do ano da prova.
 • Provas com percurso menor que 10 km: 16 (dezesseis) anos com-
pletos até 31 de dezembro do ano da prova.
 • Provas com percurso de 10 km a 30 km: 18 (dezoito) anos com-
pletos até 31 de dezembro do ano da prova.
 • Maratona e acima: 20 (vinte) anos completos até 31 de dezembro 
do ano da prova.
Essa definição considera os fatores biológicos e fisiológicos dos in-
divíduos, principalmente quanto aos estágios de desenvolvimento e 
maturação. É importante que qualquer prática esportiva seja benéfica 
aos atletas e não o contrário. O crescimento das corridas de rua e o 
aumento no número de praticantes não pode ser motivo para a prática 
indiscriminada e sem o devido cuidado com a saúde.
A seguir, apresentaremos o quadro de provas oficiais do atletismo 
na categoria masculina. Da categoria Sub-16 à categoria Adulto são rea-
lizadas todas as provas com variação de distâncias nas corridas, altura 
nos saltos e peso nos arremessos e lançamentos. A categoria Sub-14 
segue os mesmos critérios e provas, exceto a corrida com obstáculos, 
que não há.
No documentário Town 
of runners, a paixão 
pela corrida é o viés da 
história de duas meninas 
na Etiópia que buscam, 
no esporte, uma vida 
diferente. O filme retrata 
três anos de treinamento 
dessas corredoras e seus 
altos e baixos para se 
tornarem atletas profis-
sionais.
Direção: Jerry Rothwrll. Etiópia; EUA: 
Met Film Production, 2012.
Filme
20 Metodologia do ensino de atletismo
Quadro 2
Provas oficiais do atletismo masculino
Provas Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14
Corridas rasas
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
5.000 m
10.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
5.000 m
10.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
3.000 m
5.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
3.000 m
75 m 
250 m
1.000 m
60 m 
150 m
800 m
Corridas com 
barreiras
110 m
400 m
110 m
400 m
110 m
400 m
110 m
400 m
100 m
300 m
60 m
Corrida com 
obstáculos
3.000 m 3.000 m 3.000 m 2.000 m 1.000 m Não há
Marcha atlética
20.000 m
50.000 m
20.000 m 10.000 m 10.000 m 5.000 m 2.000 m
Revezamentos
4×100 m 
4×400 m
4×100 m 
4×400 m
4×100 m 
4×400 m
4×400 m 
Misto****
4×75 m 4×60 m
Saltos
Distância 
Altura
Triplo 
Vara
Distância 
Altura 
Triplo 
Vara
Distância 
Altura
Triplo 
Vara
Distância 
Altura
Triplo 
Vara
Distância 
Altura
Triplo 
Vara
Distância 
Altura
Vara **
Arremesso 
Lançamentos
Peso (7,26 kg)
Disco (2 kg) 
Dardo (800 g) 
Martelo
(7,26 kg)
Peso (7,26 kg) 
Disco (2 kg) 
Dardo (800 g) 
Martelo 
(7,26 kg)
Peso (6 kg) 
Disco 
(1,75 kg) 
Dardo (800 g) 
Martelo (6 kg)
Peso (5 kg) 
Disco (1,5 kg)
Dardo (700 g) 
Martelo (5 kg)
Peso (4 kg) 
Disco (1 kg) 
Dardo (600 g) 
Martelo (4 kg)
Peso (3 kg) 
Disco (750 g) 
Dardo (500 g)
Martelo (3 kg) 
***
Combinada Decatlo Decatlo Decatlo Decatlo Pentatlo Tetratlo
** A vara dever ter comprimento de 2,80 m a 3,40 m.
*** Cabo com comprimento de 90 cm.
**** Prova realizada com dois atletas do naipe masculino e dois atletas do naipe feminino.
Fonte: Elaborado pelo autor com base em CBAt, 2020.
As provas oficiais de corrida para o feminino apresentam a mesma 
classificação nas categorias Sub-16 até a categoria Adulto do masculi-
no. Assim como nas provas masculinas, as diferenças estão nas pro-
vas de arremesso e lançamentos. Observe que os pesos são diferentes 
entre o masculino e o feminino e existe diferençado decatlo para os 
Introdução ao atletismo 21
homens e heptatlo para as mulheres. Com relação à categoria Sub-14 
feminino, esta segue a mesma divisão de provas; as únicas alterações 
são no peso do dardo e do martelo, com 100 g a menos.
Quadro 3
Provas oficiais do atletismo feminino
Provas Adulto Sub-23 Sub-20 Sub-18 Sub-16 Sub-14
Corridas
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
5.000 m
10.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
5.000 m
10.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
3.000 m
5.000 m
100 m
200 m
400 m
800 m
1.500 m
3.000 m
75m 
250 m
1.000 m
60 m 
150 m
800 m
Corridas com 
barreiras
100 m
400 m
100 m
400 m
100 m
400 m
100 m
400 m
80 m 
300 m
60 m
Corrida com 
obstáculos
3.000 m 3.000 m 3.000 m 2.000 m 1.000 m Não há
Marcha atlética 20.000 m 20.000 m 10.000 m 5.000 m 3.000 m 2.000 m
Revezamentos
4×100 m 
4×400 m
4×100 m 
4×400 m
4×100 m 
4×400 m
4×400 m 
Misto****
4×75 m 4×60 m
Saltos
Distância
Altura
Triplo 
Vara
Distância
Altura
Triplo 
Vara
Distância
Altura
Triplo 
Vara
Distância
Altura
Triplo 
Vara
Distância
Altura 
Triplo
Vara
Distância 
Altura 
Vara **
Arremesso
Lançamentos
Peso (4 kg)
Disco (1 kg)
Dardo (600 g)
Martelo (4 kg)
Peso (4 kg)
Disco (1 kg)
Dardo (600 g)
Martelo (4 kg)
Peso (4 kg)
Disco (1 kg)
Dardo (600 g)
Martelo (4 kg)
Peso (3 kg)
Disco (1 kg)
Dardo (500 g)
Martelo (3 kg) 
Peso (3 kg)
Disco (750 g)
Dardo (500 g)
Martelo (3 kg)
Peso (3 kg) 
Disco (750 g) 
Dardo (400 g) 
Martelo 
(2 kg) ***
Combinada Heptatlo Heptatlo Heptatlo Heptatlo Pentatlo Tetratlo
** A vara deve ter comprimento de 2,80 m a 3,40 m.
*** Cabo com comprimento de 80 cm.
**** Prova realizada com dois atletas do naipe masculino e dois atletas do naipe feminino.
Fonte: Elaborado pelo autor com base em CBAt, 2020.
22 Metodologia do ensino de atletismo
Como falamos no início do capítulo, o atletismo é um conjunto de mo-
dalidades esportivas. Cada uma dessas modalidade possui características, 
especificidades e, ainda, é dividida por gênero e idade; isso torna esse es-
porte ainda mais completo e possibilita inúmeras maneiras de trabalhá-lo 
em espaços escolares. Com tantas opções, imagine o que podemos de-
senvolver na escola com corridas, saltos, arremesso e lançamentos!
1.3 Instalações
Para a execução das provas de atletismo, assim como em outros es-
portes, é necessário um espaço específico. Nesse sentido, o conjunto 
de modalidades é praticado na pista e no campo, exceto as corridas de 
rua e as provas combinadas, como vimos anteriormente. Na pista, são 
realizadas as provas de corridas e a marcha, enquanto, no campo, acon-
tecem os saltos, lançamentos e o arremesso. Podemos encontrar pistas 
com tamanhos diversos, entretanto, focaremos nas medidas oficiais.
Figura 6
Pista e campo de atletismo
Áreas para saltos horizontais
• Salto em distância
• Salto triplo
Áreas para 
lançamento 
de dardo
Pistas para 
corridas
Áreas para 
arremesso 
de peso
 200 m
 5.000 m 1.500 m
 800 m
400 m, 400 m 
com barreiras 
e revezamento 
4x100 m10.000 m e 
revezamento 
4x400 m 
3.000 m com 
obstáculos
100 m e 100 m 
com barreiras
110 m com 
barreiras
Áreas para 
lançamento 
de disco e martelo
Áreas para saltos verticais
• Salto em altura
• Salto com vara
Pontos de partida
Ponto de chegada de 
todas as modalidades 
de corrida
Yuliya
n V
elc
he
v/
Sh
ut
te
rs
to
ck
Introdução ao atletismo 23
As pistas de atletismo, geralmente, ficam dentro de estádios, 
principalmente as que são utilizadas em competições internacio-
nais; isso se deve ao fato de possuírem arquibancada para o públi-
co e estrutura para recepção e acomodação dos atletas. As provas 
acontecem simultaneamente e, por isso, a pista e o campo possuem 
distribuição organizada para atender a modalidades diferentes ao 
mesmo tempo, ficando apenas as finais com exclusividade.
As pistas de atletismo possuem pisos e tamanhos diferentes, 
mas, de acordo com as regras oficiais da CBAt (2020), a pista deve 
ser construída em formato oval, com duas curvas em formato de 
meia lua que liguem as duas retas. A reta principal pode ser identi-
ficada, na Figura 6, pela linha de chegada (padrão em todas as pro-
vas) e pelo prolongamento, onde acontecem as provas de 100 m; ela 
também atende às corridas com barreiras. Para uma pista receber 
provas oficiais, ela precisa ter certificado de aprovação emitido pela 
World Athletics.
As marcações oficiais determinam que deve haver oito raias me-
dindo 1,22 metros de largura e separadas por faixas de 5 centíme-
tros de largura. Uma volta completa na raia interna (raia 1) mede 
400 metros; a raia mais externa (raia 8) mede 449 metros de exten-
são. Por conta dessa diferença de comprimento entre as raias, nas 
provas acima de 200 metros, que passam pelas curvas, foram fei-
tos os escalonamentos no ponto de partida da prova, assim há uma 
compensação e as distâncias ficam iguais.
No campo, são realizadas as provas de salto em distância, tri-
plo, em altura e com vara, lançamento de disco, martelo e dardo, e 
arremesso de peso. Vamos conhecer as áreas de execução dessas 
modalidades?
Os saltos estão divididos em horizontal (salto triplo e em distân-
cia) e vertical (salto com vara e em altura). Consequentemente, estes 
necessitam de quatros instalações, de acordo com as regras oficiais 
da CBAt (2020).
As provas sempre são realizadas 
em sentido anti-horário. A curva 
logo após a largada é chamada 
de primeira curva e a outra, 
segunda curva.
Importante
24 Metodologia do ensino de atletismo
Para essa modalidade, é necessário um corredor (pista de balanço)me-
dindo entre 40 e 45 metros de comprimento, com largura de 1,22 metros, 
demarcado com linhas brancas de 5 centímetros de largura (a mesma 
dimensão da pista). Além disso, deve haver a tábua de impulsão, que é 
feita de madeira, com 1,22 metros de largura e 20 centímetros de com-
primento; ela deve ser fixada no mesmo nível da pista. Na sequência, 
deve existir um espaço de 1 a 3 metros entre a tábua e a área de queda. 
Esta deve medir entre 2,75 e 3 metros e ser preenchida com areia fofa e 
molhada; sua superfície deve estar no mesmo nível da pista.
SALTO EM DISTÂNCIA
Possui as mesmas medidas da instalação para o salto em distân-
cia. As diferenças ficam por conta da tábua de impulsão, que deve ter 
distância da área de queda de, no mínimo, 13 metros para homens e 
11 metros para mulheres. Além disso, precisa ter, pelo menos, 21 me-
tros até o final da área de queda.
SALTO TRIPLO
Petrovic Igor/Shutterstock
Pe
tro
vic
 Ig
or/
Sh
utt
ers
tock
Figura 7
Área do salto 
em distância
Área de queda
2,75 e 3 m
Tábua 
de impulsão
(1,22 m x 20 cm)
de 1 a 3 m
1,22m
Pista de balanço
(entre 40 e 45 m)
Linha branca 
de demarcação 
da pista
(5 cm)
IESDE21m
Figura 8
Área do salto triplo
13 m para homens
11 m para mulheres
Tábua 
de impulsão
Pista de 
balanço
IESDE
Área de queda
2,75 e 3 m 21m
Introdução ao atletismo 25
A instalação dessa modalidade é formada por um corredor com lar-
gura mínima de 16 metros e extensão entre 15 e 25 metros. A área de 
queda deve ter de 5 a 6 metros de comprimento, 3 a 4 metros de largura 
e 70 centímetros de altura. O colchão fica posicionado atrás da fasquia.
SALTO EM ALTURA
Figura 9
 Corredor do salto em altura
Postes
Fasquia
Pista de 
balanço
Colchão de 
queda
Petrovic Igor/Shutterstock
Pe
tro
vic
 Ig
or
/S
hu
tte
rs
to
ck
IESDE70 cm
3 a 4 m
5 a 6 m
15 a 25 m
16 m
 Para essa modalidade, é necessário um corredor medindo entre 40 e 
45 metros de comprimento, com largura de 1,22 metros, demarcado com 
linhas brancas de 5 centímetros de largura (a mesma dimensão da pista). 
O encaixe da vara deve ser enterrado a 20 centímetros de profundidade e 
com a borda visível no mesmo nível da superfície. Em seu início, a caixa de 
apoio da vara tem largura de 60 centímetros e, ao final, 40,8 centímetros 
de altura. O colchão da área de recepção deve medir entre5 e 6 metros 
quadrados. Nas laterais da abertura de encaixe da vara, encontram-se 
dois apêndices do colchão com 2 metros de comprimento.
SALTO COM VARA
Pista de corrida
(entre 40 e 45 m)
Cerca de 4 m
Caixa de apoio
40,8 cm
20 cm
60 cm
Colchão de
recepção
(entre 5 e 6 m)
Área de aterrissagem
Figura 10
Corredor de 
salto com vara IESDE
1,22 m
26 Metodologia do ensino de atletismo
Para os lançamentos e arremessos, são necessários três espaços. 
Suas respectivas características são apresentadas a seguir.
Compreende um círculo de lançamento com diâmetro interno de 
2,5 metros, com borda na cor branca de 6 centímetros de espessura. 
Nessa modalidade, deve haver uma linha com 75 centímetros de com-
primento e 5 centímetros de largura que vai da borda do círculo em 
direção à área de queda. Ela marca o local de saída das duas linhas 
perpendiculares ao eixo central da área de queda. Esta, por sua vez, 
é constituída de duas linhas brancas de 5 centímetros, formando um 
ângulo de 34,92º. Para que o disco não atinja outras pessoas, no mo-
mento do lançamento, há uma tela de proteção chamada gaiola.
LANÇAMENTO DE DISCO
Figura 11
Gaiola de lançamento de disco
Gaiola
34,92°
Linhas local de saída 
(75 cm)
Formado por um círculo, o local de lançamento conta com diâmetro 
interno de 2,13 metros e borda na cor branca de 6 centímetros de es-
pessura. A frente possui o setor de queda, que é representado por duas 
linhas brancas de 5 centímetros de largura e, assim como no lançamento 
de disco, essas duas linhas formam um ângulo de 34,92º. Para evitar que 
o martelo toque o árbitro ou a plateia, existe a gaiola de proteção.
LANÇAMENTO DE MARTELO
Petrovic Igor/Shutterstock
Petrovic Igor/Shutterstock
IESDE
Círculo de lançamento
(2,5 m)
Introdução ao atletismo 27
Figura 12
Corredor de 
lançamento de 
dardo
Nessa modalidade, há um corredor medindo de 30 a 36 metros de 
comprimento, com 4 metros de largura, e marcado com linhas brancas 
de 5 centímetros de largura. No final desse corredor, fica a área de 
lançamento com 8 metros de diâmetro e no mesmo nível do solo. Duas 
linhas brancas de 5 centímetros de largura, com ângulo de 28,96°, for-
mam o setor de queda.
LANÇAMENTO DE DARDO
O círculo do arremesso possui diâmetro interno de 2,13 metros, 
borda com 5 centímetros de largura e na cor branca. Na parte frontal, 
deve ser fixado um anteparo, normalmente feito de madeira ou aço, 
em formato de meia lua na parte interna, acompanhando o formato 
do círculo. Seu tamanho varia entre 9 e 10 centímetros de altura, apro-
ximadamente, com 1,22 metros de comprimento e 11 a 30 centímetros 
de largura. A área de queda contém duas linhas de 5 centímetros de 
largura, na cor branca, que formam um ângulo de 34,92°.
ARREMESSO DE PESO
Petrovic Igor/Shutterstock
Petrovic Igor/Shutterstock
Figura 13
Círculo do arremesso de peso
Eixo 
central
Linha branca
34,92°
IESDECírculo de arremesso 
2,13 m
Anteparo
9-10x1,22x11-30
Ângulo de 
lançamento 
28,96°
Pista: de 30 a 36 m
Área de lançamento 
8m
Posição de saída
O atleta não deve 
passar desta linha
Alumínio Área de contato
4 m
Dardo feminino Peso: 600 g | Comprimento: 2,20/2,30 m
Dardo masculino Peso: 800 g | Comprimento: 2,60/2,70 m
IESDE
28 Metodologia do ensino de atletismo
Neste capítulo, pudemos compreender a história do atletismo e a 
sua execução até os dias atuais. Com esse conhecimento, foi possível 
abordar a constituição dos órgãos responsáveis pelo esporte no Bra-
sil e no mundo, bem como a institucionalização de diretrizes e regras. 
Foi possível, ainda, conhecer sobre as instalações e competições e, 
dessa forma, compreender a categorização, os métodos e as técnicas 
de cada modalidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O atletismo é um dos esportes mais clássicos que existem, pois pos-
sui os movimentos elementares que representam o comportamento do 
ser humano, como andar, correr, saltar, segurar, lançar e arremessar; 
movimentos estes que, em determinado período da evolução, estavam 
associados à caça e à busca pela sobrevivência, passando para forma-
ção e preparação do homem para guerras e competições, até ganhar o 
status de esporte, com o surgimento das entidades regulamentadoras 
e, por conseguinte, das regras e dos padrões para sua prática.
Observando a peculiaridade do surgimento do atletismo, sua evo-
lução no decorrer dos anos e o status que carrega nos dias atuais, 
podemos considerá-lo como um esporte nobre. Isso se prova ao ve-
rificarmos a mobilização de um evento olímpico e, principalmente, da 
ascensão das corridas de rua.
Pensando na magnitude do atletismo, a quantidade de modalida-
des, classificações, provas, regras e instalações não poderiam ser menos 
complexas. Estamos diante de um esporte que traz um conjunto de ati-
vidades capaz de atender a todos os públicos. É com essa máxima que 
o professor deve iniciar o trabalho no contexto escolar, independente-
mente de espaços (que podem ser facilmente adaptados) e da heteroge-
neidade de capacidades, habilidades e potencialidades dos alunos.
ATIVIDADES
1. O atletismo é uma modalidade que consiste em um conjunto de provas 
esportivas (corridas, saltos, lançamentos e arremessos); existem 
também as provas combinadas, em que os atletas realizam o heptatlo 
(conjunto de sete provas) para o feminino e o decatlo (conjunto de dez 
provas) para o masculino. Explique por que acontece essa classificação 
por gênero masculino e feminino nas provas.
Introdução ao atletismo 29
2. Em uma competição de atletismo, observa-se que, nas provas de 
200 m e 400 m, os atletas não saem da mesma posição na largada. Por 
que ocorrem os escalonamentos no ponto de partida da prova?
3. Em se tratando de saltos horizontais, quais são as principais 
semelhanças e diferenças existentes entre o salto em distância e o 
salto triplo?
REFERÊNCIAS
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO. História do Atletismo. São Paulo: CBAt, 2008. 
Disponível em: http://www.cbat.org.br/acbat/historico.asp acesso em: 24 maio 2020. 
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO - CBAt. Regras De Competição e Regras Técnicas 
– 2020: Edição Oficial para o Brasil. São Paulo: CBAt, 2020. Disponível em: http://www.cbat.
org.br/repositorio/cbat/documentos_oficiais/regras/regrasdecompeticaoeregrastecnicas_
edicao2020.pdf. Acesso em 18 maio 2020.
DICIONÁRIO OLÍMPICO. Atletismo. 2020. Disponível em: http://www.dicionarioolimpico.
com.br/. Acesso em: 18 maio 2020.
MARIANO, C. Educação Física: o atletismo no currículo escolar. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak, 
2012.
OLIVEIRA, M. C. Atletismo Escolar: uma proposta de ensino na educação infantil. Rio de 
Janeiro: Sprint, 2006.
30 Metodologia do ensino de atletismo
2
Atletismo na escola
Neste capítulo, abordaremos os aspectos didáticos e metodo-
lógicos do atletismo no contexto escolar, a influência da mídia na 
disseminação da prática esportiva, do seu reconhecimento nas 
aulas de Educação Física e como o professor poderá fazer o seu 
planejamento para que o atletismo se torne prazeroso para o alu-
no e contribua na sua formação enquanto cidadão.
Discutiremos, também, a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), principalmente com relação às competências gerais e 
específicas, bem como as habilidades a serem desenvolvidas pe-
los alunos nas aulas de Educação Física no ensino fundamental e 
médio. Ainda, discorreremos a respeito do papel do professor no 
ensino do atletismo como um facilitador e mediador da aprendiza-
gem do aluno.
2.1 Aspectos didáticos e metodológicos
O atletismo, por muito tempo, foi negligenciado na Educação Fí-
sica escolar e os motivos são diversos. Dentre eles, podemos citar a 
infraestrutura inadequada das escolas, a predominância dos esportes 
coletivos (como futsal, vôlei, handebol e jogo de queimada), o desin-
teresse dos professores e alunos em trabalhar e praticar o atletismo, 
entre outros.
Os esportes possuem papel importante na cultura de uma socie-
dade. Sendo muitas vezes fatores determinantes na sociedade, assim 
também é possível afirmarque os esportes em alta na mídia, que fazem 
parte da grade de transmissão televisiva, representam uma espécie de 
hierarquia em relação aos demais. Os esportes citados anteriormente 
representam o topo dessa hierarquização, já o atletismo figura abaixo 
nesse cenário.
Atletismo na escola 31
Entre vários aspectos, podemos considerar que se o atletismo ti-
vesse maior espaço nos veículos de comunicação, despertaria maior 
interesse. Esse primeiro ponto não seria significativo se a cultura es-
colar influenciasse a mídia e não o contrário. Outro ponto que merece 
atenção, relacionado também à divulgação da modalidade pela mídia, 
é a falta de espaço adequado, incentivos à prática, parcerias e persona-
lidades desse esporte.
Matthiesen (2017) aponta que a mudança desse cenário começa a 
partir da formação superior, isto é, os graduandos precisam aumentar 
o interesse na modalidade para poder desenvolver um trabalho que 
discuta todas as vertentes educativas do atletismo, desde técnicas até 
os aspectos sociais. O baixo interesse dos acadêmicos resulta em difi-
culdades ligadas diretamente ao modo como os conteúdos são plane-
jados e, consequentemente, conduzidos durante as aulas.
Ainda de acordo com Matthiesen (2017), o processo de ensino-
-aprendizagem do atletismo e seus aspectos didáticos e metodológicos 
evidenciam a necessidade de entendimento desse esporte como um 
conjunto de modalidades esportivas de iniciação, devido aos seus fun-
damentos básicos, como correr, saltar, lançar e arremessar.
Atualmente, a esportivização impõe a competição e a vitória como 
os fatores mais importantes de sua prática. Embora reconheçamos 
que o atletismo esteja ligado historicamente ao alto rendimento, na 
escola, precisamos trabalhá-lo de maneira lúdica e recreativa também. 
É importante que esse esporte seja vivenciado no contexto educacio-
nal além do tradicional; isso significa dizer que os valores, tais quais 
respeito, disciplina, ética, espírito de equipe, entre outros, precisam 
fazer parte da formação dos alunos enquanto sujeitos em fase de 
desenvolvimento. Para tanto, partimos do pressuposto de que a maio-
ria dos alunos não se tornarão atletas de alto nível.
Alguns autores, como Matthiesen (2017), consideram que o 
atletismo pode ser organizado na escola em três etapas. A primeira 
seria uma espécie de “pré-atletismo”, em que os alunos correm, saltam, 
caminham e arremessam de maneira natural e espontânea, com base 
em jogos e brincadeiras, executando movimentos básicos. A segunda 
etapa compreende o desenvolvimento desses mesmos movimentos, 
porém, com um nível de dificuldade maior para que sejam aprimora-
das as capacidades motoras, inserindo exercícios mais complexos e 
esportivização: prática de 
transformar jogos e outras 
práticas corporais em esporte 
institucionalizado, ou seja, com 
característica competitiva.
Glossário
32 Metodologia do ensino de atletismo
exigindo maior destreza e habilidade. Na terceira etapa, são realizados 
os movimentos com a intencionalidade e a prática do atletismo, sem 
que haja uma cobrança excessiva para execução do movimento com 
perfeito gesto técnico, pois isso cabe a um programa específico de trei-
namento do atletismo.
Essa abordagem metodológica, possibilitada por meio do brincar, 
garante que o atletismo seja trabalhado na escola de modo prazeroso e 
que atenda a cada estágio do indivíduo, favorecendo o desenvolvimen-
to integral da criança. A prática dos jogos é importante para aperfeiçoar 
a compreensão de convivência e respeito pelo próximo, além de pos-
sibilitar o trabalho de conceitos, ética e cidadania. No jogo, a criança 
expõe seus sentimentos e emoções, promovendo relação constante de 
diversão e interação social.
Os jogos são metodologias e estratégias pedagógicas fundamentais 
que permitem momentos de diálogo, análise e reflexão do que está 
sendo realizado. Assim, é possível construir o conhecimento e traba-
lhar valores, como respeito, responsabilidade, união e cooperação, que 
são importantes para a vida em sociedade.
É por meio dos jogos que a criança aprende a conviver com outras 
pessoas, trocando experiências e ampliando o seu conhecimento. 
Mas, para isso, é importante destacar aqueles em que os participan-
tes jogam uns com os outros e não contra; eles são exercícios para 
compartilhar, unir pessoas e despertar a coragem para assumir riscos, 
tendo pouca preocupação com o fracasso e o sucesso em si.
Durante o jogo, a criança se manifesta com uma naturalidade rara-
mente observada em outras atividades. Na educação infantil, deve-se 
fazer uso dos jogos e brincadeiras na prática pedagógica, pois essas 
atividades fomentam o pensamento da criança.
Com base na concepção do jogo, entende-se que o brincar é par-
te integrante do desenvolvimento infantil; por meio dele, as crianças 
expressam o que vivem e sentem. A brincadeira deve ser encarada 
como algo sério na infância, pois é uma forma natural de as crian-
ças externarem medos, problemas e angústias que enfrentam ou já 
enfrentaram. Ao brincar, a criança adquire a capacidade de simboli-
zação e segue para novos espaços e construção da realidade; duran-
te a brincadeira, ela desenvolve uma atitude positiva diante da vida. 
Nesse ato, o adulto ou criança faz coisas, não se trata apenas de 
Atletismo na escola 33
pensar ou desejar, o brincar é fazer; isso é prático e envolve corpo, 
objetos, tempo e espaço.
O brincar desenvolve capacidades sensoriais, cognitivas, sociais, 
afetivas e psicomotoras na criança, facilitando a construção do apren-
dizado, seja em grupo ou individualmente. É necessário que brinquem 
e vivenciem, em nível simbólico, suas ideias para a compreensão das 
experiências vividas. A brincadeira é caracterizada pela ludicidade e a 
atividade lúdica apresenta aspectos importantes a serem levados em 
consideração, tais como: o tempo e o espaço, os jogadores, os brinque-
dos e objetos, e as ações e reações dos envolvidos.
Com base na compreensão do jogo e da brincadeira, entendemos 
a importância do atletismo experimentado de modo lúdico no âmbito 
escolar. Ao propormos atividades divertidas, os alunos se entregam e 
as fazem com empenho, gerando experiência coletiva e individual, cada 
um com suas próprias impressões no contexto de vida e dos funda-
mentos básicos do esporte.
Segundo Mariano (2012), é preciso rever o atletismo lecionado no 
formato tradicional, que super valoriza a performance, e passar a vê-lo 
como prática educativa que, além de ensinar regras, gestos e técnicas, 
visa à formação global dos alunos, em que todos possam congregar, 
socializar, participar e incluir, para que não seja um esporte apenas 
para os mais habilidosos.
Para promover aspectos didáticos e metodológicos, o professor 
precisa oferecer diversidade nas atividades do atletismo. Nesse senti-
do, as práticas corporais lúdicas, culturais e psicológicas constituem-se 
como parte fundamental nesse processo.
De acordo com Oliveira (2006), ainda existem barreiras para o ensi-
no do atletismo, apresentadas com caráter didático-pedagógico, o que 
implica dizer que os profissionais priorizam outros esportes em detri-
mento do atletismo, deixando de trabalhar o valor cultural do espor-
te. Para o autor, essa escolha evidencia a fragilidade no planejamento 
das aulas de Educação Física na escola, visto que não aborda todos os 
conteúdos propostos pela BNCC e, mais grave, o aluno não vivencia 
a cultura corporal do movimento por meio desse esporte, que possui 
dinâmica indispensável às demais modalidades esportivas.
Precisamos entender o atletismo, além da prática específica da mo-
dalidade, como um importante aliado pedagógico no desenvolvimento 
34 Metodologia do ensino de atletismo
de habilidades para os demais esportes. É um erro acreditar que o atle-
tismo está restrito à pista, ao campo e às regras oficiais; muito pelo 
contrário, ele pode ser trabalhado em quadras, pátios, espaços com 
areia e, até mesmo, dentro da sala de aula, por meio de jogos de mími-
ca, desenhos,maquetes, pinturas, questionários, entre outros. A reali-
dade das escolas brasileiras não garante espaços oficiais para todos os 
esportes, entretanto, é possível desenvolvê-los pedagogicamente.
O artigo Atletismo na escola é possível! Experiência do ensino do atletismo 
em aulas de Educação Física, de João Bressen et al., publicado na revista 
Corpoconsciência em 2018, trata de uma investigação a respeito da pre-
sença do atletismo como conteúdo das aulas de Educação Física em uma 
escola pública. Os autores observam a compreensão limitada de alunos e 
professores acerca de saberes que fundamentam o atletismo em detrimento 
de outros esportes e mostram possibilidades do ensino da modalidade com 
base nas situações diagnosticadas.
Acesso em: 18 maio 2020.
http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/corpoconsciencia/article/view/5760
Artigo
Fundamentados por Oliveira (2006), o estímulo e a inserção do atletismo 
na escola necessita da criatividade do professor na utilização de ativida-
des prazerosas que atraiam os alunos, assim todos podem participar. 
Na escola, os movimentos devem ser naturais, com base no que os edu-
candos já fazem, para que eles se sintam motivados nas aulas práticas. 
O planejamento não pode ser complexo a nível dos alunos não consegui-
rem executar movimentos básicos; assim, uma estratégia é a utilização de 
materiais alternativos e que os próprios alunos possam construir.
Sabemos que toda prática esportiva carrega um viés competitivo. 
O direcionamento didático dado na escola, muitas vezes, prioriza 
provas de acordo com o esporte e suas regras oficiais. É importante 
deixar claro que isso não é proibido, porém, o problema é quando o 
professor compreende apenas dessa forma. A consequência disso é 
uma prática que não se torna saudável, com tendência a ser seletiva 
para os mais habilidosos e segregadora para os demais, tornando o 
atletismo desinteressante para os alunos.
Ademais, a popularidade de um esporte influencia bastante em 
sua prática no ambiente escolar e nas preferências dos alunos. Por 
Atletismo na escola 35
isso, orientamos que o professor inicie o conteúdo sob o olhar das 
coberturas dos eventos, dos ídolos dos esportes e de suas marcas e, 
ainda, aborde temas relacionados à modalidade, como as vestimentas, 
marcas, patrocinadores e movimentação do mercado. Dessa forma, os 
alunos poderão ser envolvidos no esporte antes mesmo da prática pro-
priamente dita.
Quanto mais o conteúdo for atraente e envolvente para os alunos 
nas discussões externas, maior será a chance de sucesso dentro da 
escola. Isso exige do professor habilidade de criar, pensar e agir de ma-
neira didática, metodológica e pedagógica em seu planejamento, para 
que o atletismo, no contexto educacional, possa influenciar a vida dos 
alunos e, consequentemente, a sociedade.
2.2 Atletismo e a Base Nacional 
Comum Curricular
Que o atletismo é conteúdo da Educação Física nós já sabemos, en-
tretanto, alguns questionamentos surgem naturalmente, tais quais: o 
que ensinar? Quando ensinar? Qual é a fundamentação e quais são os 
documentos norteadores? Tais perguntas podem ser respondidas com 
base na BNCC. Logo, antes mesmo de dialogar sobre as possibilidades 
de ensino do atletismo no contexto escolar, é fundamental conhecê-la.
A BNCC é um documento que define as principais competências (ge-
rais e específicas), habilidades e aprendizagens que todos os alunos 
precisam desenvolver ao longo da educação básica, nos níveis de ensi-
no infantil, fundamental e médio. Ela assegura que os conteúdos e suas 
respectivas competências e habilidades sejam trabalhados em todo o 
território nacional, desde as escolas dos grandes centros, até aquelas 
localizadas em regiões mais afastadas.
É importante destacar que a BNCC é um documento basilar, não um 
currículo cujo conteúdo deve ser reproduzido nas escolas; mesmo por-
que ela não traz uma matriz curricular do que precisa ser ensinado aos 
alunos, e sim oferece um conjunto de orientações com vistas a nortear 
os professores na construção dos currículos, entendendo as especifici-
dades de cada região e local.
36 Metodologia do ensino de atletismo
A criação de um documento que determinasse princípios para a edu-
cação básica estava prevista há décadas. Segundo Penteado (2019), uma 
base comum estava prevista desde 1988. O discurso ressurgiu com a 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) no ano de 1996, 
mas somente em 2014 ganhou força, após a proposta ser incluída 
como meta no Plano Nacional de Educação (PNE).
Ainda de acordo com Penteado (2019), a criação de uma Base 
Nacional Comum Curricular visa garantir que todos os estudantes 
possam aprender com base em um conjunto fundamental de conhe-
cimentos comuns, independentemente das escolas serem públicas ou 
privadas, urbanas ou rurais. Espera-se que os riscos de desigualdades 
educacionais sejam reduzidos e, com isso, eleve-se a qualidade da edu-
cação e do ensino no país.
A BNCC estabelece ao longo dos anos da educação básica as apren-
dizagens essenciais, que asseguram aos estudantes o desenvolvimento 
de dez competências gerais. Ela também esclarece o conceito de com-
petência na qual as orientações estão pautadas:
competência é definida como a mobilização de conhecimentos 
(conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas 
e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas 
complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e 
do mundo do trabalho. (BRASIL, 2018a, p. 8)
Nesse sentido, com base nas competências, os alunos podem desen-
volver habilidades por meio da mobilização de conhecimentos, atitudes 
e valores que a própria BNCC ressalta, como a resolução de questões 
do cotidiano, do mundo do trabalho e para exercer a cidadania.
Vale ressaltar que a BNCC é classificada em parte Comum e parte 
Diversificada. A primeira contempla conhecimentos em comum a todos 
os estudantes e a segunda atende a conteúdos complementares, com 
as especificidades e particularidades de cada região, e pode ser defini-
da por instituições, redes e sistemas de ensino.
Após conhecer brevemente a BNCC, listamos as dez competências 
gerais que o documento apresenta com algumas competências que po-
dem ser desenvolvidas por meio do atletismo. Na coluna à esquerda, 
temos as competências gerais da BNCC e, na coluna à direita, algumas 
características do conteúdo de atletismo.
Atletismo na escola 37
Quadro 1
Competências gerais da educação básica e características do conteúdo de atletismo
Competências gerais da BNCC Características do conteúdo de atletismo
Valorizar e utilizar os conhecimentos histori-
camente construídos sobre o mundo físico, 
social, cultural e digital para entender e explicar 
a realidade, continuar aprendendo e colaborar 
para a construção de uma sociedade justa, 
democrática e inclusiva.
Refletir sobre o processo histórico do atletismo, 
desde as habilidades fundamentais do ser hu-
mano na caça e na pesca como elementos de 
sobrevivência, perpassando pelas competições 
na Grécia e preparação para a guerra, até o 
esporte como é visto e praticado atualmente.
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à 
abordagem própria das ciências, incluindo a in-
vestigação, reflexão, análise crítica, imaginação 
e criatividade, para investigar causas, elaborar e 
testar hipóteses, formular e resolver proble-
mas, e criar soluções (inclusive tecnológicas) 
com base nos conhecimentos das diferentes 
áreas.
Refletir e problematizar a evolução do atle-
tismo, considerando sua institucionalização, 
modernização e conjunto de modalidades 
esportivas com análise das áreas educacionais, 
tecnológicas, da saúde e do esporte.
Valorizar e fruir as diversas manifestações ar-
tísticas e culturais, das locais às mundiais, e par-
ticipar de práticas diversificadas da produção 
artístico-cultural.
Praticar as modalidades do atletismo enquan-
to cultura corporal do movimento nas mais 
diversas formas de expressão do ser humano. 
Observar quaisas modalidades mais praticadas 
e as diferenças locais, regionais e mundiais.
Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou 
visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, 
visual, sonora e digital –, bem como conhecer 
as linguagens artística, matemática e científica, 
para se expressar e partilhar informações, ex-
periências, ideias e sentimentos em diferentes 
contextos e produzir sentidos que levem ao 
entendimento mútuo.
Entender o movimento humano como forma 
de comunicação e expressão de sentimentos. 
O corpo que corre, salta, lança e arremessa 
é o mesmo que fala, sente, responde e se 
comunica. Por meio dos movimentos presentes 
no atletismo, é possível fazer a correlação com 
as configurações necessárias para a Língua 
Brasileira de Sinais (Libras).
Compreender, utilizar e criar tecnologias digi-
tais de informação e comunicação de maneira 
crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas 
práticas sociais (incluindo as escolares) para se 
comunicar, acessar e disseminar informações, 
produzir conhecimentos, resolver problemas, e 
exercer protagonismo e autoria na vida pessoal 
e coletiva.
Praticar e discutir os jogos eletrônicos que 
simulam as modalidades, em que, para o 
personagem do jogo correr, saltar, lançar e 
arremessar, é necessário que o jogador faça 
os mesmos movimentos em perfeita harmonia 
entre a máquina e o homem. Com base nisso, 
uma série de discussões pode ser estabelecida.
(Continua)
38 Metodologia do ensino de atletismo
Competências gerais da BNCC Características do conteúdo de atletismo
Valorizar a diversidade de saberes e vivências 
culturais, apropriar-se de conhecimentos e 
experiências que possibilitem entender as 
relações próprias do mundo do trabalho e fazer 
escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e 
ao seu projeto de vida, com liberdade, autono-
mia, consciência crítica e responsabilidade.
Resgatar os jogos e brincadeiras populares que 
acontecem no município, estado ou país, re-
fletindo sobre suas origens e valores culturais. 
Com isso, disseminar os conhecimentos daque-
la comunidade e conhecer outros pertencentes 
a outras comunidades.
Argumentar com base em fatos, dados e infor-
mações confiáveis, para formular, negociar e de-
fender ideias, pontos de vista e decisões comuns 
que respeitem e promovam os direitos huma-
nos, a consciência socioambiental e o consumo 
responsável em âmbito local, regional e global, 
com posicionamento ético com relação ao cuida-
do de si mesmo, dos outros e do planeta.
Conhecer os valores éticos e morais necessários 
à prática do esporte e traçar um paralelo com os 
avanços tecnológicos dos equipamentos, análises 
de desempenho e construção de estádios, muitas 
vezes instalados em locais de preservações 
ambientais. É importante também considerar a 
matéria-prima utilizada na fabricação dos equipa-
mentos e o descarte de copos de água mineral 
nas corridas de rua, entre outros fatores.
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde 
física e emocional, compreendendo-se na diver-
sidade humana e reconhecendo suas emoções 
e as dos outros, com autocrítica e capacidade 
para lidar com elas.
Exercitar o autoconhecimento, a autopercepção 
e a relação da prática esportiva com o seu 
bem-estar físico, social e mental. O saber ven-
cer e perder faz parte do processo de formação 
dos estudantes e precisa ser trabalhado desde 
a educação infantil.
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de 
conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e 
promovendo o respeito ao próximo e aos direi-
tos humanos, com acolhimento e valorização da 
diversidade de indivíduos e de grupos sociais, 
seus saberes, identidades, culturas e potenciali-
dades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Praticar o atletismo não é apenas um ato com-
petitivo; antes de qualquer coisa é um ato co-
letivo. Com base nesse entendimento, o aluno 
percebe que não é simplesmente jogar contra 
o outro, mas sim jogar com o outro, partindo 
do princípio de que se o importante é competir, 
o fundamental é cooperar.
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, 
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e 
determinação, tomando decisões com base 
em princípios éticos, democráticos, inclusivos, 
sustentáveis e solidários.
Valorizar a garra, determinação, foco, disciplina, 
força de vontade e respeitar o próximo são 
atitudes indispensáveis na prática esportiva. A 
capacidade de perceber que aprendemos com 
as diferenças presentes em nosso dia a dia faz 
de nós indivíduos melhores.
Fonte: Organizado pelo autor com base na BNCC, 2018a.
Atletismo na escola 39
Podemos observar, no quadro, as competências gerais da BNCC 
e como o atletismo se correlaciona com a proposta do documento 
norteador. Esse é um exemplo do que se espera das equipes pedagó-
gicas na formulação da proposta curricular, isto é, que estabeleçam os 
conteúdos a serem trabalhados com os estudantes, fundamentados e 
direcionados pelas competências.
De acordo com a BNCC (2018a, p. 213), a Educação Física se apre-
senta como “o componente curricular que tematiza as práticas corporais 
em suas diversas formas de codificação e significação social, entendidas 
como manifestações das possibilidades expressivas dos sujeitos, pro-
duzidas por diversos grupos sociais no decorrer da história”. Parte-se, 
assim, do pressuposto de que o movimento humano está inserido na 
cultura, não sendo limitado a um período de tempo, nem ao corpo.
Nesse contexto, entende-se que as práticas corporais desenvolvidas 
na escola devem ser abordadas como um fenômeno cultural dinâmico. 
Desse modo, os alunos poderão construir e reconstruir conhecimen-
tos que possibilitem a ampliação de sua consciência a respeito de seus 
movimentos e dos recursos para o cuidado de si e dos outros, além de 
desenvolver autonomia para apropriação e utilização da cultura corpo-
ral de movimento em diversas finalidades, favorecendo a participação 
de modo confiante e autoral na sociedade (BRASIL, 2018a).
A BNCC classifica os conteúdos da Educação Física na educação básica 
em seis unidades temáticas: Jogos e Brincadeiras, Esportes, Ginástica, 
Danças, Lutas, e Práticas Corporais de Aventura. O atletismo está cate-
gorizado em Esportes, precisamente como Esporte de Marca e Precisão, 
conceituado como o “conjunto de modalidades que se caracterizam por 
comparar os resultados registrados em segundos, metros ou quilos (pa-
tinação de velocidade, todas as provas do atletismo, remo, ciclismo, le-
vantamento de peso etc.)” (BRASIL, 2018a, p. 214).
O atletismo é contemplado na unidade temática de Jogos e Brin-
cadeiras pelas atividades de iniciação, pelos jogos populares e muitos 
outros, trabalhando os movimentos básicos da modalidade; e na uni-
dade de Práticas Corporais de Aventura, principalmente pela crescente 
prática de trail run (corrida de trilha) e trekking (caminhada realizada em 
montanhas, serras etc).
Com base nas competências gerais, é possível chegar às competências 
específicas da Educação Física na BNCC, para compreender o atletismo e 
40 Metodologia do ensino de atletismo
seu encaixe de maneira singular na educação básica para o desenvol-
vimento das habilidades previstas. As cinco primeiras competências 
buscam: compreender a origem da cultura corporal do movimento, 
planejar e empregar estratégias para resolver desafios e aumentar as 
possibilidades de aprendizagem das práticas corporais, refletir critica-
mente sobre as relações entre a realização das práticas corporais e os 
processos de saúde/doença, identificar a multiplicidade de padrões de 
desempenho, saúde, beleza e estética corporal, e identificar as formas 
de produção dos preconceitos (BRASIL, 2018a).
Portanto, considerando essas competências específicas, podemos 
incluir o atletismo com caráter de iniciação nas unidades temáticas de 
Jogos e Brincadeiras e Esportes de Marca e Precisão nos 1º e 2º anos 
do ensino fundamental, de acordo com os objetos de conhecimento 
previstos e classificados pela Base.
Já as outras cinco competênciasespecíficas visam interpretar e re-
criar os valores, os sentidos e os significados atribuídos às diferentes 
práticas corporais, reconhecer as práticas corporais como elementos 
constitutivos da identidade cultural dos povos e grupos, usufruir das 
práticas corporais de maneira autônoma para potencializar o envol-
vimento em contextos de lazer, reconhecer o acesso às práticas cor-
porais como direito do cidadão, e experimentar, desfrutar, apreciar e 
criar diferentes brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes, lutas 
e práticas corporais de aventura, valorizando o trabalho coletivo e o 
protagonismo (BRASIL, 2018a).
Nesse sentido, a aplicação do atletismo pode acontecer nas unidades 
temáticas de Jogos e Brincadeiras, Esportes de Marca e Precisão e Prá-
ticas Corporais de Aventura. O trabalho com o atletismo está presente 
nos 6º e 7º anos do ensino fundamental com foco no aprofundamento 
das práticas corporais, bem como na sua compreensão e realização nos 
contextos de lazer e saúde, dentro e fora da escola.
Na etapa do ensino médio, compreende-se que os estudantes já 
possuem um nível maior de habilidades, pensamento crítico e abstrato. 
Por isso, os conteúdos são constituídos por áreas temáticas, e a Edu-
cação Física faz parte da área de Linguagens e suas Tecnologias, 
que, de acordo com a própria BNCC – Ensino Médio (2018b, p. 473), 
“busca consolidar e ampliar as aprendizagens previstas na BNCC de 
Ensino Fundamental nos componentes Língua Portuguesa, Arte, 
Educação Física e Língua Inglesa”.
Ao ler o seguinte QR Code com 
seu celular, você pode acessar 
o documento da BNCC. As habili-
dades específicas do atletismo 
na Educação Física escolar para 
o ensino fundamental estão da 
página 227 em diante.
Dica
Atletismo na escola 41
Logo, ao trabalhar o atletismo nessa etapa da educação básica, os 
alunos são capazes não apenas de desenvolver condicionamento físico, 
consciência corporal, lazer e saúde, mas de se movimentar “com dife-
rentes intencionalidades, construídas em suas experiências pessoais e 
sociais com a cultura corporal de movimento” (BRASIL, 2018b, p. 475).
Dessa forma, a Educação Física tem um papel fundamental na for-
mação de sujeitos capazes de desfrutar, construir e transformar com 
base na cultura corporal do movimento, tornando-se responsáveis por 
tomar decisões conscientes, éticas e reflexivas diante das práticas cor-
porais em sua vida e na sociedade.
Partindo desse pressuposto, a forma de abordagem do atletismo 
contribui de maneira significativa para a constituição de valores como 
ética, respeito, altruísmo, determinação, disciplina e foco, indispensá-
veis para a vida acadêmica, pessoal e profissional.
Ao ler o seguinte QR Code com 
seu celular, você pode acessar o 
documento da BNCC. Na página 
483, já na parte que trata do 
ensino médio, você encontrará as 
habilidades específicas da área.
Dica
2.3 O papel do professor no ensino do atletismo
As constantes mudanças das práticas metodológicas , que vem 
acompanhando a evolução tecnológica e as necessidades dos atuais 
estudantes, têm sido de grande importância para um ensino adequa
- do à realidade educacional . Entretanto , tais mudanças exigem do 
pro - fessor cada vez mais criatividade e atualização para 
desenvolver sua
 
práxis docente.
O papel do professor está ainda mais desafiador na medida em 
que sua finalidade se expande de maneira síncrona aos avanços tec-
nológicos, com a inserção de elementos mais dinâmicos e atraentes ao 
mundo do aluno. Dessa maneira, o professor precisa tornar o conteú-
do prazeroso, chamando a atenção dos estudantes, considerando suas 
experiências e o contexto no qual estão inseridos.
A contemporaneidade não admite mais a transmissão de conteúdo; o 
professor não é apenas aquele que transfere conhecimento e o aluno não 
é o reprodutor desse conhecimento engessado. Nos dias atuais, o profes-
sor media e conduz o aluno ao saber e esse aluno descobre, cria, recria 
e adquire novos conhecimentos, com base no que já está consolidado.
Segundo Libâneo (1998, p. 29), a função do educador vai além de 
depositar conhecimento, “ele deve se envolver no universo dos edu-
candos para poder pinçar temas que fazem parte dos seus saberes, 
42 Metodologia do ensino de atletismo
para então situar novos assuntos no grupo de informações que já esta-
vam preestabelecidas”.
Todo material produzido, a exemplo dos livros didáticos, pode e deve 
ser considerado, uma vez que fazem parte da produção do conhecimen-
to materializado; mas, antes de qualquer coisa, precisa ser entendido 
como a partida para o descobrimento de outros conhecimentos.
O papel do professor não é reproduzir, repetir ou revisar conteú-
do; a prática do ensinar requer renovação, criatividade e utilização de 
novos componentes que levem o aluno a pensamentos mais críticos, 
reflexivos e práticos. Podemos usar como exemplo o ensino da mo-
dalidade corrida de rua: além de trabalhar o conhecimento técnico de 
distâncias, passadas e exercícios coordenativos, é fundamental que o 
professor conduza os alunos a uma análise dos fatores sociais, políticos 
e econômicos presentes na corrida, tais como lazer, saúde, meio am-
biente, investimentos para a prática, entre outros.
Nesse sentido, cabe ao professor a responsabilidade da dissemina-
ção e estímulo do pensamento crítico e reflexivo do aluno na relação 
entre o conteúdo específico, a abordagem básica de compreensão do 
assunto e as análises da utilização e importância desse conhecimento 
para as situações de vida e aplicabilidade na sociedade.
Quando o professor assume o papel de mediar a aprendizagem dos 
alunos, já trata-se de uma situação inovadora, pois, historicamente, 
ele foi visto como o detentor de todo o saber. Portanto, é indispen-
sável que o docente renove sua metodologia e atualize o processo 
didático-pedagógico de ensinar e aprender.
Ao mediar, o professor facilita o processo de maneira que a informação 
se converta em conhecimento e novas aprendizagens. Ter a resposta para 
todas as perguntas não se trata de, necessariamente, ser o melhor, mas 
sim de descobrir com o estudante e, principalmente, fazer boas pergun-
tas, levando em conta a experiência do aluno além dos muros da escola.
Quando, por exemplo, um aluno questiona sobre o recorde do salto 
em altura, é apenas uma curiosidade, porém, quando o professor leva 
o aluno a refletir sobre a altura atingida e faz perguntas do tipo: quais 
fatores podem influenciar a altura desse recorde? Por que antigamente 
não chegaram a essa marca? Os tênis, equipamentos e treinos eram di-
ferentes? Foi devido aos avanços tecnológicos e da medicina esportiva? 
Questionamentos como esses elevam o conhecimento a outro pata-
Atletismo na escola 43
mar e, por consequência, a aprendizagem torna-se mais significativa e 
transcende a sala de aula.
Chamamos isso de intencionalidade. Para colocar o aluno como 
protagonista do seu aprendizado, ele precisa adotar uma postura de 
proatividade, mas o professor deve encaminhá-lo ao conhecimento 
provocando reflexões, despertando o desejo pelo que está sendo es-
tudado e relacionando o conteúdo com outras situações por meio de 
uma construção autônoma e crítica.
Antes de tudo, o professor precisa ter em mente que sua função é 
formar cidadãos por meio da cultura corporal do movimento, tornan-
do-os sujeitos autônomos, críticos e instruídos ao cuidar de si mesmos, 
identificando diferenças étnicas, sociais e culturais. Nessa perspectiva, 
o papel do professor no ensino do atletismo é utilizar a história e os fun-
damentos e técnicas das modalidades para promover a construção do 
conhecimento e contribuir com a formação do indivíduo na sociedade.
É importante que o professor observe o leque de opções no atle-
tismo para despertar o prazer e um novo significado para o aprendi-
zado no aluno. Independentemente se o conteúdo for técnico ou não, 
ele precisa desenvolver capacidades físicas, motoras, afetivas e sociais 
para que haja uma formação integral

Mais conteúdos dessa disciplina