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A CLÍNICA DO SUICÍDIO 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Giseli Cipriano Rodacoski 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, vamos finalizar o estudo dando destaque para intervenções 
de prevenção e posvenção. 
Importante pesquisa iniciada pela psicanalista Marie-Christine Laznik, na 
França, resultou em uma pesquisa multicêntrica, envolvendo psicanalistas 
brasileiros, que validou indicadores de risco para o desenvolvimento infantil. 
Sabemos que transtorno mental é um dos principais fatores de risco para o 
suicídio, de modo que, intervir precocemente é uma oportunidade de promover 
e prevenir. 
O objetivo desta etapa é demonstrar como o psicanalista pode atuar em 
programas de saúde com pesquisa e políticas públicas. 
TEMA 1 – INTERVENÇÃO PRECOCE 
A psicanalista Marie-Christine Laznik (2004) identifica a importância de 
observar precocemente indicadores de risco de psíquico nos bebês, de modo 
que seja possível atuar em uma janela de intervenção, ou seja, quando ainda dá 
tempo de estimular para que os riscos sejam minimizados. 
Nos termos da psicanalista Marie-Christine Laznik (2004), isso se 
revelaria na ausência do olhar, na não inscrição do outro, na ausência 
do terceiro tempo do circuito pulsional e na falta da representação dos 
representantes, ou seja, da formação de redes entre as inscrições 
psíquicas. A partir dessa definição, Laznik constrói sua proposta clínica 
baseada numa intervenção no laço: Outro primordial/criança, isto 
porque considera o Outro como fundador do aparelho psíquico. (Visani, 
2012, p. 295) 
Laznik se dedicou especialmente ao estudo observacional da relação 
entre o Outro primordial e a criança, seu entorno, considerando também a 
cultura. Com isso, ela conseguiu identificar indicadores que poderiam interferir 
na constituição do sujeito. A partir de então ela propõe intervenções dirigidas à 
estimulação precoce de bebês para proteção do laço. Alfredo Jerusalinsky 
também se dedicou a intervir na clínica com bebês considerando que a 
intervenção precoce pode minimizar problemas no desenvolvimento infantil, 
especialmente a psicose. 
Laznik (2004) destaca três tempos no circuito pulsional: 
• 1º tempo do circuito pulsional – o bebê vai à busca do objeto oral. 
 
 
3 
• 2º tempo do circuito pulsional – é a experiência alucinatória de satisfação, 
intimamente relacionada com o autoerotismo. 
• 3º tempo do circuito pulsional – é nesse momento que acontece o remate 
pulsional, ou seja, a pulsão alcança sua meta, que é a satisfação. A 
criança vai se fazer objeto de um novo sujeito. 
Para que esse processo aconteça, é fundamental a disponibilidade do 
cuidador (função materna) para entrar nesse circuito pulsional. Na observação 
caseira da interação mãe-bebê, é possível perceber que, durante os cuidados, a 
mãe vai marcando o corpo do bebê: dá beijo nas mãozinhas e nos pezinhos, faz 
carícias na barriguinha enquanto troca as fraldas, por exemplo. Além disso, fala 
com o bebê de maneira diferente da que fala com os adultos, utiliza-se de picos 
prosódicos e faz o “mamanhês”, como se fosse um idioma ou um dialeto só dela 
e do bebê. Esse ambiente favorece para que se feche o circuito pulsional: sem 
que a mãe faça nada, o bebê levanta o pezinho até a boca da mãe. Ele se 
oferece ao desejo dela, faz-se objeto. 
Além dessa evidência que pode ser claramente observada em ambientes 
domésticos, também se pode identificar se a mãe insere a criança na sua família, 
dando mostras de uma parentalidade simbólica. Podemos observar que algumas 
gestantes não falam do bebê que está por nascer, como se não estivesse 
grávida. Quando perguntada, responde com algum conteúdo de ordem prática e 
não afetiva. Ao nascer, ocupa-se apenas das coisas do bebê. Diferente de mães 
que imaginam com quem será parecido, demonstram prazer em organizar as 
roupinhas e, além de querer ter o enxoval pronto, imaginam o bebê usando. 
Quando não se observa essa antecipação da existência do bebê no discurso 
materno, já é um sinal de alerta. Essa disponibilidade afetiva não se processa de 
uma hora para outra – e pode ser por isso que a gestação dura 9 (nove) meses 
–, logo é esperado que antes do parto já esteja presente. Mesmo que a gravidez 
não tenha sido planejada, ela pode ser desejada. 
Intervir precocemente na relação mãe-bebê é uma maneira de prevenir 
sofrimentos ou transtornos mentais. 
TEMA 2 – INDICADORES RISCO DESENVOLVIMENTO INFANTIL: IRDI 
Com base nos estudos iniciados por Laznik na França, a psicanalista 
brasileira Maria Cristina Machado Kupfer e colaboradores (2007) concluíram 
 
 
4 
uma importante investigação científica multicêntrica que resultou em um 
instrumento com capacidade para predizer risco psíquico para a constituição 
subjetiva. O instrumento direciona indicadores a serem observados em crianças 
de 0 a 18 meses. Os autores do Instrumento de Identificação de Risco para o 
Desenvolvimento Infantil – IRDI advertem que ele não pode ser aplicado como 
um roteiro de observação passiva, nem como um checklist a ser preenchido, e 
sim deve ser usado para orientar a clínica psicanalítica. Uma pesquisa, orientada 
por Bernardino e Mariotto (2009) em Curitiba e por Kupfer et al. (2007) em São 
Paulo, demonstrou a aplicabilidade do IRDI em creches e indicou uma formação 
baseada na Metodologia IRDI para aguçar o olhar do educador e favorecer a 
promoção de saúde mental dos bebês (Cortezia; Donelli, 2022, p. 290). Os 
IRDIs, quando presentes, são indicadores de desenvolvimento e, quando 
ausentes, de risco para o desenvolvimento. 
Tabela 1 – Indicadores clínicos de risco para desenvolvimento infantil 
Idade em 
meses 
Indicadores 
0 a 4 
meses 
incompletos 
1. Quando a criança chora ou grita, a mãe sabe o que ela quer. 
2. A mãe fala com a criança num estilo particularmente dirigido a ela 
(manhês). 
3. A criança reage ao manhês. 
4. A mãe propõe algo à criança e aguarda a sua reação. 
5. Há trocas de olhares entre a criança e a mãe. 
4 a 8 
meses 
incompletos 
6. A criança começa a diferenciar o dia da noite. 
7. A criança utiliza sinais diferentes para expressar suas diferentes 
necessidades. 
8. A criança solicita a mãe e faz um intervalo para aguardar sua resposta. 
9. A mãe fala com a criança dirigindo-lhe pequenas frases. 
10. A criança reage (sorri, vocaliza) quando a mãe ou outra pessoa está se 
dirigindo a ela. 
11. A criança procura ativamente o olhar da mãe. 
12. A mãe dá suporte às iniciativas da criança sem poupar-lhe o esforço. 
13. A criança pede a ajuda de outra pessoa sem ficar passiva. 
8 a 12 
meses 
incompletos 
14. A mãe percebe que alguns pedidos da criança podem ser uma forma 
de chamar a sua atenção. 
15. Durante os cuidados corporais, a criança busca ativamente jogos e 
brincadeiras amorosas com a mãe. 
16. A criança demonstra gostar ou não de alguma coisa. 
17. Mãe e criança compartilham uma linguagem particular. 
18. A criança estranha pessoas desconhecidas para ela. 
19. A criança possui objetos prediletos. 
20. A criança faz gracinhas. 
21. A criança busca o olhar de aprovação do adulto. 
22. A criança aceita alimentação semissólida, sólida e variada. 
De 12 a 18 
meses 
23. A mãe alterna momentos de dedicação à criança com outros 
interesses. 
 
 
5 
24. A criança suporta bem as breves ausências da mãe e reage às 
ausências prolongadas. 
25. A mãe oferece brinquedos como alternativas para o interesse da 
criança pelo corpo materno. 
26. A mãe já não se sente mais obrigada a satisfazer tudo que a criança 
pede. 
27. A criança olha com curiosidade para o que interessa à mãe. 
28. A criança gosta de brincar com objetos usados pela mãe e pelo pai. 
29. A mãe começa a pedir à criança que nomeie o que deseja, não se 
contentando apenas com gestos. 
30. Os pais colocam pequenas regras de comportamento para a criança. 
31. A criança diferencia objetos maternos, paternose próprios. 
Fonte: Kupfer et al., 2009, p. 54. 
Os sintomas clínicos ou indicadores de risco psíquico indicam detenções 
ou ausência de processos que deveriam estar em curso. 
A Pesquisa Multicêntrica de Indicadores de risco para o 
desenvolvimento infantil validou o IRDI como instrumento com 
capacidade preditiva de problemas de desenvolvimento em crianças 
aos três anos. O instrumento pode indicar que uma criança está 
apresentando problemas de desenvolvimento, mas não aponta uma 
tendência, aos três anos, em direção a transtornos graves. Da 
perspectiva da noção de desenvolvimento utilizada na presente 
pesquisa, o valor do instrumento IRDI está em permitir a localização a 
tempo de problemas que, uma vez detectados e adequadamente 
tratados, permitirão à criança um processo de desenvolvimento mais 
rico e criativo, com muito menos sofrimento. (Kupfer et al., 2009, p. 53) 
A análise estatística apontou que os 31 indicadores do IRDI possuem uma 
capacidade maior de predizer problemas de desenvolvimento, e 4 deles foram 
significativamente relacionados com risco psíquico: 
7. A criança utiliza sinais diferentes para expressar suas diferentes 
necessidades. 
18. A criança estranha pessoas desconhecidas para ela. 
22. A criança aceita alimentação semissólida, sólida e variada. 
30. Os pais colocam pequenas regras de comportamento para a criança. 
Os indicadores com maior fator preditivo se referem ao momento em que 
a função paterna passa a operar de maneira significativa na relação mãe-bebê 
(12 aos 18 meses). “A prática clínica nos ensina como as instaurações do 
aparelho psíquico se fazem precocemente, o que nos faz lamentar não tê-las [as 
crianças] encontrado mais cedo, quando o jogo ainda não estava decidido” 
(Laznik, 2004, p. 22). As possibilidades de intervenção precoce como ação de 
promoção e prevenção da saúde mental abrem novos contextos e cenários de 
 
 
6 
atuação para psicanalistas, especialmente em creches, serviços de atenção 
primária, maternidades e até em ambientes domésticos onde se pode atuar no 
período sensível para a constituição do sujeito. 
TEMA 3 – TIPOS DE PREVENÇÃO 
É preciso considerar que fenômenos complexos exigem soluções 
complexas. Não se pode resolver com respostas simples. Dessa maneira, a 
prevenção do suicídio envolve questões no âmbito individual, familiar, 
comunitário, organizacional, institucional e nas políticas públicas. 
As ações podem ser planejadas considerando: 
• Promoção – destacam-se ações que promovam vínculos saudáveis, 
informações úteis, valorização da cultura, respeito aos direitos humanos. 
São voltadas a toda a população. 
• Prevenção universal – quando se identifica que há risco, já estamos 
falando em prevenção. Como sabemos, especialmente com base na 
teoria psicanalítica, não há vida sem sofrimento. O conflito faz parte da 
constituição do sujeito desde a teorização sobre regulação entre prazer e 
desprazer. Não apenas entre psicanalistas, o consenso é de que ações 
de prevenção do suicídio devem ser universais e não apenas a um grupo 
de risco identificado. 
• Prevenção seletiva – ações direcionadas a um público-alvo, 
reconhecidamente identificado. Ações são direcionadas – por exemplo, 
policiais militares e pessoas enlutadas por suicídio. 
• Prevenção indicada – ações direcionadas para pessoas em alto risco. 
Intervenções podem ser coletivas, mas em geral são individuais. 
Estudos apontam que, se houver intervenção precoce, as tentativas de 
suicídio diminuem (Fleischmann et al., 2009). 
O termo em inglês Gatekeeper tem sido relacionado com a função de elo 
entre um grupo grande de pessoas e um grupo mais restrito, como se fosse o 
porteiro de um condomínio que identifica quem precisa ter acesso ao prédio. A 
expressão formação de gatekeepers sugere que pessoas comuns recebam 
preparação para identificar o comportamento suicida, de modo que possam 
perceber quem precisa de ajuda e de que seja facilitado o contato com o serviço 
em que pode ser atendido. Por exemplo, em um contexto universitário, um 
 
 
7 
gatekeeper pode observar sinais de alerta em um colega e se aproximar dele 
para identificar se precisa de ajuda. O aluno abordado poderia nunca pedir ajuda, 
mas o gatekeeper o motiva a acessar o serviço de apoio, geralmente já com o 
número de telefone ou o endereço para onde o colega deve se dirigir. Além disso, 
pode fornecer dicas e sugestões de material informativo. Seria um elo para 
intervir precocemente, incentivar e facilitar a busca de ajuda. 
TEMA 4 – POSVENÇÃO 
As intervenções para o manejo do suicídio envolvem ações de: 
• Prevenção 
o Promoção 
o Universal 
o Seletiva 
o Indicada 
• Posvenção 
o Para pessoas com diferentes níveis de exposição ao evento. 
As ações de posvenção são planejadas para dar continência imediata e 
ou continuadas àqueles que de alguma maneira foram afetados pelo suicídio, 
por terem presenciado, terem relação afetiva ou alguma identificação com quem 
morreu, ou em função da profissão. 
Dar continência é suportar ouvir e estar com o sujeito acolhendo o que 
escapa à palavra, o que não é possível dar contorno, o intolerável. Sabemos o 
quanto os serviços de atenção à saúde mental são escassos para a população 
em geral. Kreuz (2024) apresenta os objetivos das ações de posvenção: 
• Limitar o efeito contágio (efeito Werther); 
• Minimizar efeitos adversos, incluindo danos emocionais; 
• Fornecer suporte ao processo de luto, apoio à comunidade, 
reestabelecimento de rotinas, promoção do crescimento pós-traumático 
nos indivíduos afetados; 
• Catalizar resultados positivos – conscientização, informação qualificada, 
compartilhamento e expressão de sentimentos. 
 
 
8 
Sabemos o quanto os serviços de atenção à saúde mental são escassos 
para a população em geral. Kreuz, (2024) apresenta quais poderiam ser as 
ações que deveriam ser minimamente oferecidas na posvenção: 
• Folhetos, livros, brochuras, fichas informativas, cartazes e informações 
online (esse nível de serviço é suficiente para a maioria das pessoas que 
experimentam um nível normal/esperado de angústia); 
• Assistência, incluindo serviços de apoio, grupos de apoio, grupos de 
autoajuda, linhas de apoio, apoio comunitário, apoio educacional (reações 
moderadas); 
• Aconselhamento (reações graves); 
• Psicoterapia (saúde mental e reações complicadas de luto). 
Em um projeto de intervenção, é importante que o profissional tenha 
clareza sobre: 
• Quem é a pessoa que faleceu e quem são as pessoas expostas? 
• Quantas são as pessoas impactadas? Expostas, afetadas, enlutadas? 
• Quando aconteceu e quando intervir? 
• Onde aconteceu e onde intervir? 
• O quê aconteceu e o quê fazer? 
• Para quê? Qual o objetivo? 
• Para quem? Qual a população especificamente? 
• Quem está preparado para intervir? 
• De que maneira vamos intervir? 
Os instrumentos de gestão de projetos são muito úteis para planejar ações 
com o cuidado necessário a fim de que não sejam iatrogênicas, ou seja, quando 
a intervenção trata de um problema, mas causa outros. 
As pessoas afetadas por suicídio são consideradas sobreviventes: 
• Sobrevivente enlutado pelo suicídio; 
• Sobrevivente testemunha; 
• Sobrevivente de tentativa. 
Algumas profissões são frequentemente expostas por razão da função: 
bombeiros, socorristas, policiais, equipes de saúde, por exemplo. Os estressores 
vividos no ambiente profissional podem ter efeito cumulativo ao ponto de passar 
a ser uma ocorrência banal. Podem ser percebidas como falta de sensibilidade 
 
 
9 
quando podem ser uma reação crônica de defesa emocional, por isolamento do 
afeto. O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) tem uma especificidade 
que o classifica como complexo (TEPT-C) para a compreensão da 
psicopatologia de exposições prolongadas ao evento traumático. Mesmo não 
sendo afetados de modo intenso, podem desenvolver estresse em função da 
frequência com quesão afetados. 
TEMA 5 – SOBRE A MORTE E O MORRER 
Tradicionalmente, as mortes são catalogadas pela categoria NASH: 
natural, acidental, suicídio e homicídio (Worden, 2013, p. 37). 
O suicídio causa um grande impacto nos sobreviventes, levando com que 
as questões sobre a morte e o morrer fiquem explícitas. A psiquiatra americana 
Elisabeth Kübler-Ross escreveu o livro Sobre a morte e o morrer (1996) para 
apresentar o que ela observava no atendimento de pessoas que estavam de 
alguma maneira enfrentando situações de morte. Ela identificou cinco estágios: 
1. Negação 
2. Raiva 
3. Barganha 
4. Depressão 
5. Aceitação 
A autora escreve considerando o enfrentamento de uma doença grave em 
que a morte é iminente, mas também se aplica a outras pessoas que de alguma 
forma estão afetadas pela morte, como o enfrentamento do luto pela família de 
alguém que morreu por suicídio: 
Negação: “Não, eu não, não pode ser verdade” (Kübler-Ross, 1996, p. 
51). Com base na teoria de Kübler-Ross (1996), nessa primeira fase reativa e 
adaptativa no enfrentamento da morte, o paciente tende a questionar, desconfiar 
e mesmo negar a situação com forte repressão do sentimento e do afeto, 
fazendo uso inconsciente de mecanismos de defesa do ego. 
O que os pacientes comunicam com esse comportamento é que eles 
precisam de tempo para elaborar o que está acontecendo. Eles vivem um misto 
de emoções difíceis de serem colocadas em palavras. Por vezes eles têm medo 
de começar a falar e “perder o controle” com o choro. Podem se isolar, 
 
 
10 
permanecer muito tempo em silêncio ou falando sobre outras coisas. É comum 
parecer que há um pacto de silêncio. 
Raiva: nessa fase, Kübler-Ross (1996) observou que os pacientes se 
mostram irritados, podem questionar sua própria fé e até sua relação com Deus. 
Barganha: nessa fase, as pessoas podem buscar explicações e culpar-
se porque não foram boas o suficiente, como se pensassem em termos de uma 
troca – aconteceu porque eu mereci –, sentindo remorso. Fazem promessas para 
se livrar do sofrimento. 
Depressão: fase em que pode chegar a um desgaste físico e emocional 
e evoluir para depressão ou até melancolia. 
Aceitação: fase que se caracteriza por um apaziguamento do sofrimento 
e da luta. 
No processo saudável do luto, há o 
reconhecimento do sofrimento que a perda acarretou, sem utilizar 
subterfúgios, [...] há adaptação ao contexto de vida sem a presença da 
pessoa falecida, o que demanda assumir funções que ela 
desempenhava anteriormente na família; e, reposicionamento 
emocional da pessoa falecida, ou seja, organização de um espaço 
emocional para lembrar dela, de modo que se possa dar continuidade 
à vida. (Worden, 2018 citado por Crepaldi et al., 2020, p. 6) 
O luto complicado, por sua vez, “envolve a intensificação do sofrimento, 
sem progressão para resolução ao longo do tempo, de forma que a pessoa se 
sente sobrecarregada e passa a apresentar comportamentos desadaptativos 
que a prejudicam na vida diária” (Worden, 2018 citado por Crepaldi et al., 2020, 
p. 6). Entre os sinais e sintomas de luto complicado destacam-se “pensamentos 
invasivos, recorrentes e persistentes sobre a pessoa que morreu; tristeza 
intensa; afastamento de outras relações interpessoais; e, percepção de falta de 
sentido na vida” (Wallace et al., 2020 citado por Crepaldi et al., 2020, p. 6). 
NA PRÁTICA 
O Centro de Valorização da Vida – CVV coordena e orienta ações de 
prevenção do suicídio. Pelo telefone 188 é possível pedir ajuda mesmo em 
situação de crise. O contato pode ser por ligação, por chat, por e-mail ou até 
pessoalmente em alguns endereços informados no site cvv.org.br. 
A equipe do CVV é formada exclusivamente por voluntários que oferecem 
apoio emocional gratuitamente. É garantido o sigilo, e a conversa é desprovida 
de julgamentos, comparações, críticas, cunho religioso, partidário ou 
 
 
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empresarial. O CVV é uma entidade nacional fundada em 1962, financeira e 
ideologicamente independente. O atendimento funciona 24 horas por dia em 
território nacional. Em contato por meio do site é possível saber como faz para 
ser um voluntário. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, falamos sobre intervenções de prevenção e posvenção, com 
destaque para o IRDI – Indicador de risco para o desenvolvimento infantil. Os 
sofrimentos psíquicos podem ser potencializados por fatores de risco e podem 
ser minimizados por fatores de proteção. 
A psicanálise nos fornece teoria sobre a psicodinâmica dos sofrimentos 
humanos que pode ser a base para se pensar em processos de intervenção para 
a prevenção do suicídio. No entanto, para a prática clínica da psicanálise é 
indispensável que se tenha, além da teoria, condições emocionais a fim de lidar 
com questões tão sensíveis. A análise de pessoas e a supervisão da prática 
clínica são complementares à teoria. 
 
 
 
 
 
 
 
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