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Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 
EDUCAÇÃO 
AMBIENTAL
2025 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2025. Os autores. Copyright C Edição 2025 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
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 DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
 NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
 BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
 PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Maria Clara da Silva Costa
 Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Felipe Souza Oliveira
 Leandro Tenório
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 M425e Mataruco, Sônia Maria Crivelli
 Educação ambiental / Sônia Maria Crivelli Mataruco.
 Paranavaí: EduFatecie, 2025.
 146 p.: il. Color.
 1. Educação ambiental. I Centro Universitário UniFatecie.
 II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título
 DD: 23. ed. 363.07
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTORA
• Mestre na área de Educação pela Unespar Campus de Paranavaí (2015 - 2016);
• Graduada em Licenciatura em Matemática na Universidade Filadélfia de 
Londrina – Unifil (concluído em 2014); 
• Graduada em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Faculdade de Tecnologia e 
Ciências do Norte do Paraná – Fatecie (2009); 
• Graduada em bacharelado em Administração pela Faculdade Estadual de 
Educação Ciências e Letras de Paranavaí (1992); 
• Pós-graduada em Marketing e Gestão de pessoas pela Faculdade Estadual de 
Educação Ciências e Letras de Paranavaí; 
• Pós-graduada em Psicopedagogia Institucional pela Faculdade de Tecnologia e 
Ciências do Norte do Paraná – Fatecie; 
• Pós-graduada em Auditoria e Certificação Ambiental pela Faculdade de 
Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná – Fatecie; 
• Pós-graduada em Saneamento Ambiental pela UEMP 2018/2019.
Atualmente, é Gestora ambiental da Companhia de Saneamento do Paraná 
– Sanepar, além de professora e coordenadora de curso na Faculdade de Tecnologia e 
Ciências do Norte do Paraná - Fatecie, atuando, principalmente, nos seguintes temas: 
gerenciamento ambiental, recursos hídricos e hidrologia, sustentabilidade ambiental, 
responsabilidade socioambiental, poluição e resíduos, gestão de águas, saneamento, 
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco 
4
agronegócio, educação ambiental, gestão de negócios ambientais, fundamentos de 
marketing e administração de materiais e patrimônio, saneamento, agroecologia e gestão 
ambiental, tópicos especiais de administração.
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/0836891204233076
 
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APRESENTAÇÃO
Caro (a) aluno (a), seja muito bem-vindo (a) à leitura do livro que utilizaremos 
na disciplina Educação Ambiental aplicada à Pedagogia. Este livro foi carinhosamente 
planejado para que você possa ter um conhecimento geral dos principais assuntos sobre 
meio ambiente. Tal conteúdo servirá de base para compreensão dos temas abordados, 
com o objetivo de levá-lo a ter consciência dos problemas ambientais e perceber que, antes 
de qualquer ação, é preciso pensar na sustentabilidade do nosso planeta para o futuro das 
gerações futuras. 
A disciplina “Educação Ambiental” apresenta assuntos ligados ao meio ambiente. 
Neste sentido, para facilitar os estudos, dividimos este material em quatro unidades de acordo 
com os temas e suas relações entre si. Desta forma, na primeira unidade demonstraremos 
como os processos ecológicos são responsáveis pelo bom funcionamento dos ambientes 
naturais e como é alterado por ações antrópicas. Apresentaremos também os conceitos 
vitais necessários para que o homem possa trabalhar respeitando a natureza e proporcione 
equilíbrio do ecossistema, sabendo que este depende das ações diárias realizadas pelo 
homem. 
Nesta unidade, temos como objetivo levá-los a compreensão da importância de 
buscar integrar as dimensões ambientais, sociais e econômicas, transformando os atuais 
padrões de desenvolvimento em um novo modelo que, além de preservar os recursos 
naturais, possa reduzir a pobreza, as desigualdades de renda e de gênero, a exclusão 
social, promova a paz, a segurança alimentar, o uso eficiente dos recursos, dentre outros 
desafios comuns que os países enfrentam.
Entretanto, discutiremos os tópicos sobre as inter-relações ecológicas e o 
desenvolvimento sustentável e conceituaremos e contextualizaremos ecologia, espécie, 
população, comunidade, ecossistema. Além disso, abordaremos a importância do 
entendimento das relações entre sociedade e natureza, bem como a compreensão dos 
objetivos e as metas desenvolvimento sustentável (ODS) e seus benefícios para nossa 
sociedade. Explanaremos, ainda, os objetivos definidos pela ONU para o desenvolvimento 
sustentável, que trazem metas as quais deverão ser implementadas por todos os países 
até o ano de 2030. 
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propõem diversos assuntos de 
elevada importância para a humanidade a fim de transformar a vida no planeta. Garantir 
6
a sustentabilidade do meio ambiente é garantir, antes de qualquer coisa, que a fome, a 
pobreza e a miséria estarão afastadas definitivamente e, com isso, cessará a dura realidade 
que obriga as pessoas à exploração predatória dos recursos disponíveis em determinadas 
áreas. É importante destacar que apenas com uma situação de vida regular é que os 
habitantes de uma determinada região poderão tornar-se permeáveis as “novasempresas mineradoras 
também geram impactos ambientais significativos: além de removerem áreas verdes, 
costumam abrir grandes crateras no solo, provocando alterações na paisagem ambiental. 
Exemplos de áreas que sofrem com estes problemas no Brasil são: Pará (extração de 
bauxita, cobre, manganês, ouro e níquel), Minas Gerais (extração de ouro e manganês) e 
Goiás (extração de níquel e cobre).
Outro problema é a destinação de resíduos dos mais variados processos produtivos 
e a escassez e falta de qualidade da água, que constitui um importante elemento para vida 
dos seres. Compreender que a destinação final adequada dos resíduos, segundo Ibrahin 
(2014), inclui a reciclagem, a reutilização, a compostagem, o aproveitamento energético ou 
destinações diferentes admitidas por órgãos competentes, de modo que a evitar os riscos 
à saúde pública e minimizar os possíveis impactos ambientais adversos.
47
Para Franco (2013), a biodiversidade refere-se à quantidade de variedade biológica animal e vegetal 
existente em um ecossistema e que, automaticamente, constitui a biosfera. A biodiversidade se desenvolve a 
partir da inter-relação entre os seres vivos, seja animal ou vegetal, mais os elementos naturais indispensáveis 
ao desenvolvimento da vida, como sol, água e ar. 
 Exemplos da ação do homem e suas consequências na biodiversidade do planeta:
• Eliminação ou alteração do habitat pelo homem - é o principal fator da diminuição da biodiversidade. 
A retirada desordenada da camada de vegetação nativa para a construção de casas ou para a atividade 
agropecuária altera o meio ambiente. Em média, 90% das espécies extintas acabaram em consequência da 
destruição de seu habitat;
• Superexploração comercial - ameaça muitas espécies marinhas e alguns animais terrestres;
• Poluição das águas, solo e ar - estressam os ecossistemas e matam os organismos;
• Introdução de espécies exóticas - ameaçam os locais por predação, competição ou alteração do habitat 
natural.
Fonte: Franco (2013). 
SAIBA
MAIS
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
A problemática dos resíduos sólidos é um tanto complexa, pois envolve diversos 
atores de uma sociedade. Para programar ações de melhorias públicas, a população precisa 
estar consciente de todo o processo, pois somente assim teremos a colaboração de todos. 
Tal conscientização demanda tempo, pois envolve mudança comportamental e cultural das 
pessoas, o que é um processo lento.
Para Barbieri (2011), a escassez é o esgotamento das reservas naturais de água. 
É majorada, principalmente, pelo aumento populacional e pela industrialização, a exemplo 
das faltas de água nas grandes metrópoles. No Brasil, este problema ocorre também por 
conta da distribuição natural, haja vista que a região amazônica possui maior parte dos 
mananciais, aproximadamente 72%, a região Centro-Sul com 27% e o nordeste com apenas 
1%, região que sofre com as constantes secas.
48
Hoje, no mundo todo, as crianças e os adolescentes representam 31% da população. Eles estão 
crescendo num mundo mais acelerado do que aquele vivido por quem hoje possui uma idade superior aos 
70 anos, por exemplo. As informações chegam de forma global mais rapidamente e não se pode supor que 
eles não saibam dos perigos que corre o planeta Terra. Em ritmo igualmente acelerado, o desmatamento 
prossegue, colocando em risco todas as chances que terão de transformar o mundo para melhor.
Fonte: Alberto (2016).
REFLITA
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
 
49
INDUSTRIALIZAÇÃO E SEUS 
EFEITOS2
TÓPICO
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
No Brasil, somente no final do século XIX e começo do século XX é que 
grandes fazendeiros de São Paulo que enriqueceram com o café começaram a investir 
no setor industrial de forma significativa, havendo, desta forma, grande investimento no 
desenvolvimento industrial nas grandes cidades da região Sudeste. 
Além do capital interno investido pelos cafeicultores, houve a abertura da economia 
com incentivos fiscais para o capital internacional e muitas nações europeias investiram 
seu capital na produção agrícola, na urbanização e no extrativismo de riquezas naturais 
no Brasil. Diversas multinacionais, principalmente montadoras de veículos, construíram 
grandes fábricas em cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Santo 
André, Diadema, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. 
No século XX, o processo de industrialização e a mecanização da agricultura 
muitos trabalhadores rurais migraram para as cidades atraídos em busca de 
trabalho nas fábricas e melhores salários, e o resultado disso foi o êxodo rural 
do Nordeste para o Sudeste do país. Os migrantes nordestinos fugitivos da 
seca do Nordeste e do desemprego foram em busca de trabalho e melhores 
condições de vida nas grandes cidades do Sudeste (Silva, 2013, p. 166).
Com a industrialização, as cidades consolidaram ainda mais seu poder, concentrando 
um número ainda maior de habitantes e fortalecendo o papel na condução da vida social 
das nações. Esse fato acabou por gerar certo conforto para os empresários, que tinham 
à sua disposição grande massa de trabalhadores ou mão de obra disponível a um preço 
50PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
irrisório, intensificando a exploração humana por parte dos detentores emergentes dos 
novos meios de produção. 
Vale ressaltar que, agregado à Revolução Industrial, ocorreu também uma Revolução 
Agrícola. A utilização de novos métodos agrícolas, rotação de safras, sementes selecionadas 
e o surgimento de novos equipamentos agrícolas produziram um extraordinário aumento 
na produção de alimentos. Grandes proprietários rurais passaram a investir na tecnologia 
de produção agrícola, fato que levou a agricultura ter como fonte principal do progresso 
técnico a mecanização e o desenvolvimento de produtos químicos e biológicos, optando 
pela monocultura, ou seja, uma área de cultivo muito grande com uma mesma espécie.
Outro fato relacionado à migração interna ou ao êxodo rural ocorreu com a construção 
de Brasília, no final da década de 1950. Muitos migrantes do Norte e Nordeste do país 
foram em busca de empregos na região central do país, principalmente na construção 
civil. As cidades satélites de Brasília cresceram desordenadamente, causando problemas 
sociais que persistem até os dias de hoje.
Com o advento da Revolução Industrial, tornou-se possível adaptar à máquina a 
ferramenta antes empunhada pelo homem. A máquina pode, agora, executar trabalhos 
anteriormente executados de forma manual. A habilidade manual deixa de ser necessária; o 
trabalhador hábil, especializado e criativo nos padrões anteriores deixa de ter importância. 
A atividade do operário passa a ser a de vigiar e acompanhar as operações executadas 
pela máquina. 
O processo estendeu-se com força durante as décadas de 70 e 80. Entretanto, 
como as cidades não ofereciam infraestrutura adequada aos migrantes, eles passam a 
residir em habitações sem boas condições como favelas e cortiços. 
Além disso, como os empregos não eram suficientes para todos e, como agravante, 
a grande maioria dos imigrantes não possuía qualificação necessária para o trabalho 
especificado, muitos deles partiam para o mercado de trabalho informal e outros acabavam 
incorporando à grande massa dos mendigos.
Outro problema causado pela Revolução Industrial e, consequentemente, pelo 
do êxodo rural foi o agrupamento de pessoas na mesma área (urbana), aumentando a 
violência, principalmente nos bairros de periferia. Além disso, como são bairros carentes, 
sem hospitais e escolas, as populações destes locais acabaram sofrendo com o atendimento 
destes serviços. Escolas com excesso de alunos por sala de aula e hospitais superlotados 
foram e são as consequências deste fato.
51PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Os municípios rurais também acabam sendo afetados pelo êxodo rural. Com a 
diminuição da população local, reduz-se a arrecadação de impostos, a produção agrícola 
decresce e muitos municípiosacabam entrando em crise. Há casos de municípios que 
deixam de existir quando todos os habitantes deixam a região.
Desta forma, a disponibilidade de pessoas nas áreas rurais vem diminuindo 
constantemente nos últimos anos, chegando a taxas de urbanização de até 94% em alguns 
estados da região sul e sudeste do Brasil, de acordo com dados do IBGE, ou seja, de cada 
100 habitantes, apenas seis ainda vivem em áreas rurais nestas regiões. Além disso, a 
distância entre o campo e as cidades vem se encurtando e o acesso às tecnologias tem se 
tornado a cada dia mais evidente.
De acordo Antunes (2002), em 2050, 60% da população mundial residirá nas 
cidades, realidade muito diferente da década de 50, quando para cada dois moradores 
da zona rural existia aproximadamente um morador das cidades, conforme demonstra o 
gráfico abaixo.
GRÁFICO	2	-	ÊXODO	RURAL	NO	MUNDO	(1950 – 2030)
Fonte: ONU (2012).
Entretanto, os efeitos da Revolução Industrial no Brasil foram positivos em muitos 
aspectos, pois ocorreu um enorme aumento da produtividade, em função da utilização 
dos equipamentos mecânicos, da energia a vapor e, posteriormente, da eletricidade, que 
passaram a substituir a força animal. 
52PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
O processo de urbanização influiu positivamente em alguns indicadores 
nacionais, no decorrer do século XX. Os principais exemplos foram a queda 
da mortalidade infantil (que passou da taxa de 150 mortes para cada mil 
nascidos vivos em 1940 para 29,6 em 2000), o aumento da expectativa de 
vida (40,7 anos de vida média em 1940 para 70,5 em 2000), a queda da taxa 
de fertilidade (6,16 filhos por mulher em idade fértil em 1940 para 2,38 em 
2000) e o nível de escolaridade (55,9% de analfabetos em 1940 para 13,6% 
em 2000). Foi notável também a ampliação do saneamento e a ampliação 
da coleta de lixo domiciliar, mas apesar da melhora referida alguns desses 
indicadores ainda deixam muito a desejar (Maricato, 2005, p. 01).
Segundo Hobsbawm (1986), a Revolução Industrial foi provedora de conforto e 
transformações sociais para aquelas classes nas quais ocorreram as menores alterações 
na sua forma de vida. Paralelamente, elas receberam os maiores benefícios materiais 
decorrentes desse processo. Tal classe social tampouco percebeu que estava perturbando 
a classe operária com este novo modo de produção. 
Para os mais pobres, a Revolução Industrial destruiu hábitos de vida sem que fosse 
oferecida uma nova condição social: foi a própria desagregação social. Era o nascimento 
de uma sociedade industrial, na qual a maioria tinha como única fonte de renda o salário. 
Diferentemente, a sociedade pré-industrial detinha suas terras e oficinas artesanais que, de 
algum modo, suplementavam a renda obtida no trabalho fabril.
Relacionado à questão ambiental, um dos aspectos negativos é que a Revolução 
Industrial trouxe um aumento da poluição do ar e dos rios, pois muitas indústrias passaram 
a despejar produtos químicos e lixo em rios e córregos. Uso de mão de obra infantil 
(na primeira etapa da industrialização). A industrialização também trouxe um mundo de 
consumo, que convive com a miséria social, com o desprezo e com a falta das condições 
mínimas e até mesmo, muitas vezes, de sobrevivência. 
O Brasil possui uma grande quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha da 
pobreza. Assim, por representar um país subdesenvolvido emergente, a pobreza no Brasil 
apresenta elevados patamares.
Para Faleiros (2003, p. 32),
Pobreza é um conceito difícil de definir, mas que todo mundo entende quando 
se o menciona. Talvez porque cada qual, cada indivíduo sabe perfeitamente 
o que seria para ele e sua família uma situação de pobreza. Para um poderia 
ser não comer; para outro, vestir-se pobremente; para um terceiro, baixar seu 
nível de vida habitual. São muito imprecisas, portanto, as definições habituais 
sobre a pobreza. Fala-se que a ‘pobreza absoluta’ seria aquela em que a 
pessoa não pode alimentar-se com o mínimo suficiente para sua manutenção 
fisiológica. 
53PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Para Falcão e Costa (2014, p. 51), no livro “Brasil sem miséria”, a pobreza é 
entendida atende por diversos nomes:
Insuficiência de renda; acesso precário à água, energia elétrica, saúde e 
moradia; baixa escolaridade; insegurança alimentar e nutricional; formas 
precárias de inserção no mundo do trabalho, entre outros. As diversas 
características que traduzem as distintas manifestações da pobreza têm 
expressão no território e assim se pode afirmar que a miséria tem nome, 
endereço, cor e sexo e, embora a renda também seja um indicador de pobreza, 
trata-se de um mecanismo insuficiente para medir o bem-estar. A pobreza 
se manifesta, sobretudo, em privação do bem-estar. Com isto, afirmamos 
que a pobreza é um fenômeno multidimensional e, portanto, requer também 
indicadores não monetários para seu dimensionamento. 
No ano de 2011, foi anunciada a linha de extrema pobreza oficial do Plano Brasil 
sem miséria: renda familiar per capita de R$ 70 reais – posteriormente atualizada, em 
2014, para R$77 reais per capita. A linha de extrema pobreza foi estabelecida com base em 
parâmetros internacionais, como a linha do Banco Mundial de US$1,25 por dia. 
Segundo dados oficiais do Ministério de Desenvolvimento de Combate à fome, havia 
no Brasil até o ano de 2012 cerca de 16,27 milhões de pessoas em condição de “extrema 
pobreza”, ou seja, com uma renda familiar mensal abaixo dos R$70,00 por pessoa. 
O gráfico abaixo mostra a evolução da desigualdade de renda no Brasil desde 
1976. A medida adotada é o Coeficiente de GINI , tido como padrão internacional para 
mensurar a desigualdade de renda. 
GRÁFICO	3	-	EVOLUÇÃO	DA	DESIGUALDADE	DE	RENDA	NO	BRASIL	DESDE	1976
Fonte: IPEA (s.d.).
54PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Quanto menor o coeficiente de GINI, menor é a desigualdade de renda dentro de 
um país. Para que as pessoas melhorem de vida e o abismo entre ricos e pobres diminua, 
a renda das famílias mais pobres precisa crescer. Mas nada disso é possível se um país 
não se desenvolver como um todo. 
Devido a algumas políticas de combate à desigualdade social promovidas nos 
últimos anos, a desigualdade social no Brasil vem caindo, chegando em 2012 a níveis de 
1960. Em 2015, o coeficiente de desigualdade no Brasil atingiu 0,514. (PNAD, 2015). 
Vale lembrar que ultrapassar esse valor não significa abandonar a pobreza por 
completo, mas somente a pobreza extrema. 
FIGURA	2	-	DESIGUALDADE	DE	RENDA	NO	MUNDO
Fonte: Banco Mundial (2014).
De acordo com o artigo 3º da Constituição Federal, para a erradicação da pobreza 
e das desigualdades, objetivo fundamental da República constitucionalizado é necessário 
modificar-se os padrões de relações culturais e econômicas que as provocam e que 
aprofundam a exclusão, inclusive as sustentadas pela atividade estatal na implementação 
de políticas públicas, na formulação de leis e no julgamento das demandas levadas aos 
tribunais, como: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e 
regionais;
55PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
IV - promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e 
quaisquer outras formas de discriminação.
Complementando, Jamur (2000, p. 18-21) afirma, também, que:
A pobreza extrema e a exclusão social constituem uma violação da dignidade 
humana e que devem ser tomadas medidas urgentes para o conhecimento 
maior do problema da pobreza extrema e de suas causas, particularmente 
aquelas relacionadas ao problema do desenvolvimento, visando a promover 
os direitos das camadas mais pobres, pôr fim à extrema pobreza e à exclusão 
social e promover uma melhor distribuição dos frutos do progresso social. É 
essencial que os Estados estimulem a participação das camadas mais pobres 
nas decisões adotadas em relação às suas comunidades, à promoçãodos 
direitos humanos e aos esforços para combater a pobreza extrema. 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 30% das mortes que 
acontecem todos os dias estão relacionadas às causas da pobreza extrema, como fome, 
diarreia, pneumonia e tuberculose. Morre-se por doenças que poderiam ser prevenidas e 
curadas com custo muito baixo. Famílias que estão na linha da pobreza extrema convivem 
com um enorme sofrimento diário e podem estar em uma situação duplamente difícil 
ao verem suas crianças doentes e capturadas em um ciclo vicioso: miséria, internação, 
reinternação e até morte.
Como ressalta o Informe de Desenvolvimento Humano 2000 do PNUD, a erradicação 
da pobreza constitui uma tarefa importante dos direitos humanos no século XXI. Um nível 
decente de vida, nutrição suficiente, atenção à saúde, educação, trabalho e proteção contra 
as calamidades são, além de metas do desenvolvimento, direitos humanos.
A miséria traz ainda consequências como a violência, as drogas e a criminalidade, 
além de baixo desempenho nas escolas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define 
violência como o uso de força física ou poder, por ameaça ou, na prática, contra si próprio, 
outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resulte ou possa resultar em sofrimento, 
morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. Essa definição agrega 
a intencionalidade à prática do ato violento propriamente dito, desconsiderando o efeito 
produzido.
No tocante às drogas, seu uso causa problemas irreparáveis à saúde das pessoas 
e, para sua produção, muitas vezes, causa desmatamento e perda de biodiversidade. 
A poluição também pode ser gerada durante o processo de secagem das folhas 
de tabaco, feita em estufas que requerem a queima de madeira, nem sempre proveniente 
de reflorestamento. O problema do descarte inadequado engloba praticamente todas as 
drogas de origem química, com ênfase às bitucas de cigarro. 
56
De acordo com Lustosa (2011), a pobreza extrema e a exclusão social constituem uma violação da 
dignidade humana. Ninguém quer ser estigmatizado com a definição de carência; que não tem renda 
suficiente para sua manutenção. Ao aceitar a pobreza e assumi-la seria o mesmo que desistir de lutar. 
Entretanto, segundo um dado oficial do Ministério de Desenvolvimento de Combate à fome – 2012, havia 
no Brasil até esse ano cerca de 16,27 milhões de pessoas em condição de “extrema pobreza”, ou seja, com 
uma renda familiar mensal abaixo dos R$70,00 por pessoa. 
Em 2011 foi anunciada a linha de extrema pobreza oficial do Plano Brasil sem Miséria: renda familiar per 
capita de R$70 reais – posteriormente atualizada, em maio de 2014, para R$77 reais per capita. A linha de 
extrema pobreza foi estabelecida com base em parâmetros internacionais, como a linha do Banco Mundial 
de US$1,25 por dia.
Fonte: Lustosa (2011).
REFLITA
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
São consumidos cerca de 140 milhões de cigarros por ano no Brasil. O mau hábito 
de descartar bitucas no chão leva à contaminação pelo perigoso acetato de chumbo e 
nicotina, além de outras cerca de 50 substâncias comprovadamente cancerígenas a rios e 
mares. 
Desta forma, não é difícil de compreender a relação existente entre a ação do 
homem e o aumento do número de doenças. O impacto negativo do homem no ambiente 
tem relação direta com a saúde, uma vez que necessitamos dos componentes do meio 
ambiente para a nossa sobrevivência. É impossível sobreviver sem acesso à água e ao ar, 
por exemplo. Se esses elementos estão comprometidos, nossa saúde também ficará.
 
57
PRESSUPOSTOS TEÓRICO-
METODOLÓGICOS DA 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL3
TÓPICO
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Os aspectos pedagógicos e metodológicos devem possuir cunho participativo 
apoiado numa postura crítica, emancipadora e conscientizadora, através de uma abordagem 
sistêmica. 
A abordagem sistêmica nos permite ver “mais e melhor.” Nos permite ver e 
compreender a realidade que é sempre complexa. A realidade é feita de diferentes elementos 
que interagem permanentemente. Compõe sistema que, por sua vez, é constituído por 
conjunto de partes que são integradas e pressupõe um dado limite).
A realidade é complexa, pois é feita de múltiplas dimensões: ecológica , 
socioeconômica, cultural, política, jurídica, científica e tecnológica, etc. (Lévy, 2011, p. 190).
Para compreender esta realidade complexa a abordagem sistêmica é fundamental, 
assim como o “pensamento complexo”, para os quais os fundamentos pedagógicos e 
metodológicos são importantíssimos, assim como os aspectos da multidimensionalidade e 
interdisciplinaridade (Lévy, 2011, p. 188).
Portanto, para realizar avaliação de sustentabilidade é fundamental pensar no 
“sistema” como um todo, pensar no conjunto de elementos que compõem a realidade e na 
sua complexidade (Lévy, 2011, p. 188).
Um sistema é definido como um conjunto de componentes inter-relacionados 
e organizados dentro de uma estrutura autônoma, operando de acordo com objetivos 
determinados: componentes, interação, entradas, saídas e limites (Lévy, 2011, p. 188)
A teoria construtivista parte da premissa de que o conhecimento não é dado, nada 
está pronto, acabado, mas se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e 
58PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
social (Piaget, 1987). O ser humano é compreendido como ser histórico, que se constrói 
através das suas relações com o mundo natural e social, o que dá sentido à constituição 
do sujeito (Vygotsky, 1996).
Segundo Paulo Freire (2003), a educação deve ser vista como processo 
de emancipação e transformação do mundo, em que o papel do educador não é o de 
convencer o educando, mas de vencer com ele, construir junto. O grande desafio do 
educador está em, pela formação permanente, buscar subsídios teórico-práticos, para o 
exercício da docência, para a compreensão de que o conteúdo a ser trabalhado é uma 
síntese da humanidade e que, ao ser considerado relevante, conduz o aluno a transitar por 
ele, provocando inquietações que o fazem avançar ainda mais.
A educação é vista como acesso à construção de um processo emancipatório a 
partir da conscientização dos sujeitos (autoconhecimento e conhecimento da realidade). A 
participação é um pressuposto da própria aprendizagem. Você só conhece realmente o que 
construiu autonomamente. “Quanto mais ativamente uma pessoa participa da aquisição de 
um conhecimento, mais ela integrará e reterá aquilo que aprender” (Lévy, 2011, p. 198).
O papel do mediador é de fundamental importância, devendo promover o interesse 
e o empoderamento dos participantes. A abordagem sistêmica nos permite ver “mais e 
melhor”; nos permite ver e compreender a realidade que é sempre complexa. A realidade é 
feita de diferentes elementos que interagem permanentemente e compõem um sistema que, 
por sua vez, é constituído por um conjunto de partes que são integradas e pressupõem um 
dado limite. Um sistema é definido como um conjunto de componentes inter-relacionados 
e organizados dentro de uma estrutura autônoma, operando de acordo com objetivos 
determinados: componentes, interação, entradas, saídas e limites.
Poder perceber um dado sistema, permite identificar as relações entre seus 
componentes (suas interdependências). Assim, mais importante do que pensar em 
estratégias de desenvolvimento para um sistema é poder olhar sistemicamente o 
desenvolvimento como um processo em permanente construção.
A realidade é sempre complexa. É o resultado de um “tecer conjunto” da relação 
sociedade/natureza como “unicidade” que, em última análise, constitui o “sistema ambiente”, 
onde ocorrem fluxos permanentes de matéria e energia.
A abordagem sistêmica é fundamental, assim como o “pensamento complexo”, 
para os quais os fundamentos pedagógicos e metodológicos vistos anteriormente são 
importantíssimos, assim como os aspectos da multidimensionalidade e interdisciplinaridade. 
Portanto, para realizar avaliaçãode sustentabilidade é fundamental pensar no “sistema” 
59PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
como um todo, pensar no conjunto de elementos que compõem realidade e na sua 
complexidade
A realidade é complexa, pois é feita de múltiplas dimensões: ecológica, 
socioeconômica, cultural, política, jurídica, científica, tecnológica etc. Nos fundamentos do 
desenvolvimento sustentável, podemos perceber de modo bastante claro este entendimento. 
Os documentos da Eco-92, especialmente a Agenda-21, trazem com bastante propriedade 
este entendimento (você encontrará na internet um abundante material sobre este grande 
evento acontecido em 1992 no Rio de Janeiro e que trouxe grandes contribuições ao mundo 
com novas perspectivas de desenvolvimento e consciência planetária sobre o ambiente). 
O conhecimento para o materialismo-histórico é fruto da relação entre homem e 
natureza e das relações sociais mais amplas. As forças sociais que se materializam em 
instituições, grupos, formas de pensar e interpretar o mundo são a base sobre a qual se 
criam os instrumentos de apreensão dos fenômenos naturais e sociais. 
Quando se aborda o campo da educação ambiental, podemos nos dar conta de 
que, apesar de sua preocupação comum com o meio ambiente e do reconhecimento 
do papel central da educação para a melhoria da relação com este último, os diferentes 
autores (pesquisadores, professores, pedagogos, animadores, associações, organismos, 
etc.) adotam diferentes discursos sobre a EA e propõem diversas maneiras de conceber 
e de praticar a ação educativa neste campo. Cada um prédica sua própria visão e viu-
se, inclusive, formarem-se “igrejinhas” pedagógicas que propõem a maneira “correta” de 
educar, “o melhor” programa e o método “adequado”.
Quando nos referimos à educação ambiental, não estamos tratando apenas de 
natureza, como geralmente esse termo é concebido, mas a um conjunto de relações sociais, 
políticas, históricas e econômicas, cujo homem é sujeito participante, transformador, e 
consequentemente receptor de suas ações.
Philippi et al. (2014) aponta que a crise ambiental é uma leitura da crise da própria 
sociedade, uma vez que a gestão dos recursos naturais encontra-se muito além das 
questões técnicas, referindo-se também ao contexto econômico, social, político e cultural. 
A educação ambiental vista como um agente de transformação exige uma profunda 
mudança de valores e atitudes, “uma nova visão de mundo, o que ultrapassa bastante o 
universo meramente conservacionista” (Brügger, 1999, p. 34). Assim, essa educação não 
visa somente apontar os problemas de degradação ambiental, poluição, uso inadequado de 
recursos, mas, sim, entender o porquê desses problemas, suas raízes históricas, sociais, 
culturais e, no caso da sociedade capitalista, principalmente, a econômica. 
60PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
A realização de trabalhos na área da educação ambiental, assim como qualquer 
outro trabalho educativo, que envolva a formação de sujeitos, não pode ser realizada de 
maneira isolada ou mesmo constituída de práticas descontextualizadas. 
 A Constituição Brasileira, de 1988, incorporou em seu texto a Educação 
Ambiental, conforme o Art. 225, ressaltando a qualidade de vida como 
integrante da própria cidadania. Os Parâmetros Curriculares Nacionais 
apresentam a questão ambiental como um dos temas transversais do currículo 
do Ensino Fundamental, mas a sua efetivação no cotidiano escolar ainda 
deixa muito a desejar e, em muitos casos, tem se limitado a ações isoladas e/
ou a entendimentos parcializados sobre a questão ambiental, orientados por 
uma visão excessivamente biologizada, dentro de uma vertente ecológico-
preservacionista, e/ou fica restrita a eventos comemorativos (dia da árvore, 
dia do meio ambiente), ou ainda limitada à realização de algumas atividades 
práticas, denominadas extra-curriculares, eventuais (campanha do lixo, 
coleta para reciclagem, caminhadas ecológicas, visitas, plantio de hortas, 
etc.), sem a contextualização necessária e sem a internalização sobre o 
real entendimento da problemática ambiental no cotidiano das comunidades 
escolares (Soares et al., 2003, p. 9). 
A educação ambiental crítica deve então proporcionar aos sujeitos uma apropriação 
de conhecimentos capazes de gerar ações e jamais deve ser admitida como uma forma 
de adestramento, definida em “uma forma de adequação dos indivíduos ao sistema social 
vigente” (Brügger, 1999, p. 35). 
Rangel (2003) afirma que, apesar de alguns estudos demonstrarem a 
interdependência entre os elementos abióticos e bióticos, de maneira a enfocar a ecologia, 
quando se trata do ser humano, geralmente, este é visto como ameaça, ou como ameaçado. 
Nesta perspectiva, a educação ambiental só se refere à mudança de condutas. Entretanto, 
concebemos a educação ambiental como um processo que envolve o meio natural, cultural, 
político e social. 
[...] reafirma-se o homem, não como ser ameaçado e ameaçador, mas como 
ser integrante do meio ambiente, cuja reconstrução e preservação, não só 
reflete na vida humana, como necessita da vida humana de qualidade. [...] 
estendendo-se, então, os cuidados com o meio ambiente ao próprio homem 
e suas condições de vida. Esses cuidados contemplam, portanto, os valores 
da vida cidadã, a exemplo da saúde, sexualidade, família, trabalho, ciência e 
tecnologia, cultura, linguagens (Rangel, 2003, p. 136).
Portanto, é de indispensável necessidade que entendamos a educação ambiental, 
não somente como àquela referente ao meio ambiente, considerado como natureza, 
mas, sim, numa ótica mais ampla, que envolve o homem e suas relações estabelecidas 
socialmente. 
61PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Lima (2015) destaca que, para um programa de educação ambiental atingir seus 
objetivos, é preciso ocorrer o envolvimento coletivo. Para ele, os estudos de Paulo Freire, 
com a pedagogia crítica e libertadora, é o mais adequado para tal. O autor aponta, ainda, 
diversas estratégias de ensino para a prática da educação ambiental, tais como: discussão 
em classe, envolvendo todos; discussão em grupo; mutirão de ideias, quando pequenos 
grupos sugerem soluções para um dado problema, porém, sem se preocupar com análise 
crítica, num tempo de dez a 15 minutos; trabalho de grupos, em que quatro a oito membros se 
tornam responsáveis pela execução de uma tarefa; debate, com dois grupos de argumentos 
diferentes e um terceiro que avalia as ideias expostas; questionário; reflexão, que envolve a 
análise crítica; imitação da mídia, o grupo organiza sua própria versão de jornais, televisão, 
rádio e filmes; projetos; solução de problemas, que considera a apresentação e solução 
de problemas; jogos de simulação, operacionalização de situações reais referentes a um 
problema; exploração do ambiente local, por meio de observações. 
A escolha de uma ou outra estratégia deve considerar o perfil ambiental das 
comunidades a serem envolvidas (características sistêmicas de manutenção da vida e 
de seus valores) e seu respectivo metabolismo (desenvolvimento dos processos, seus 
movimentos e tendências). “Sem conhecer os objetivos, problemas, prioridades e valores 
de uma dada comunidade torna-se praticamente impossível planejar sem cometer gafes” 
(Dias, 2004, p. 219). 
62
CORRENTES DA 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL4
TÓPICO
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
A escola, com o ensino formal, volta-se para os processos de formação do cidadão. 
Em se tratando de EA, possui várias correntes e tendências entre pesquisadores, o que, 
infelizmente, não leva à unificação; aparentemente há divergência entre elas. Portanto, as 
divergências ferem diretamente seu princípio central, que é a convergência (união e esforços) 
para conservação dos recursos naturais, para o desenvolvimento com sustentabilidade e a 
qualidade de vida socioambiental. Porém, essas correntes podem ser unificadas frente ao 
objeto de estudo e ao problema enfrentado, que deve ser revertido.
Há 15 correntesde pensamento e atuação da Educação ambiental formal, desde 
as mais antigas, concebidas na década de 1970, até as atuais. Entre as correntes que 
têm uma longa tradição em educação ambiental, analisaremos as seguintes: a corrente 
naturalista, conservacionista/recursista, resolutiva, sistêmica, científica, humanista e moral/
ética. Já entre as correntes mais recentes estão: a corrente holística, biorregionalista, 
práxica, crítica, feminista, etnográfica, eco-educação e a sustentabilidade.
 
a. A corrente naturalista
Esta corrente é centrada na relação com a natureza. O enfoque educativo pode 
ser cognitivo (aprender com coisas sobre a natureza), experiencial (ver na natureza e 
aprender com ela), afetivo, espiritual ou artístico (associando a criatividade humana à da 
natureza). Na pedagogia para os adultos (andragogia), Phillip (2014) afirma igualmente 
que de nada serve querer resolver os problemas ambientais se não se compreende pelo 
63PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
menos como “funciona” a natureza; deve-se aprender a entrar em contato com ela, por 
intermédio de nossos sentidos e de outros meios sensíveis: o enfoque é sensualista, mas 
também espiritualista, pois se trata de explorar a dimensão simbólica de nossa relação com 
a natureza e de compreender que somos parte integrante dela. 
Também frente aos adultos, Phillip (2014) insiste sobre a importância de considerar 
a natureza como educadora e como um meio de aprendizagem; a educação ao ar livre 
(outdoor education) é um dos meios mais eficazes para aprender sobre o mundo natural e 
para fazer compreender os direitos inerentes da natureza a existir por e para ela mesma; o 
lugar ou papel, ou “nicho” do ser humano se define apenas nesta perspectiva ética.
Para Phillip (2014, p. 672): 
A educação ambiental é exemplo do que é realizado para incorporar 
valores relacionados às mudanças no desenvolvimento socioambiental, 
dando à sociedade oportunidade e informação para tomar decisões com 
responsabilidade, pautadas na ideia de território solidário. 
Para compreender melhor a sistemática da educação ambiental e suas vertentes 
pedagógicas, se faz necessário saber as principais correntes de pensamentos que 
contribuíram para consolidação desse processo pedagógico voltado à conservação do 
meio ambiente.
Primordialmente, tem-se a corrente naturalista, que, em sua essência, valoriza o 
contato direto com a natureza, para fortalecer os laços afetivos entre esta e o ser humano 
a partir de experiências intensas, elevadas a nível espiritual. 
b. A corrente conservacionista/recursista
Esta corrente agrupa as proposições centradas na “conservação” dos recursos, 
tanto no que concerne à sua qualidade como à sua quantidade: a água, o solo, a energia, as 
plantas (principalmente as plantas comestíveis e medicinais) e os animais (pelos recursos 
que podem ser obtidos deles), o patrimônio genético, o patrimônio construído, etc. Quando 
se fala de “conservação da natureza”, como da biodiversidade, trata-se, sobretudo, de 
uma natureza-recurso. Encontramos aqui uma preocupação com a “administração do meio 
ambiente”, ou melhor, dizendo, de gestão ambiental.
Os programas de educação ambiental centrados nos três “R” já clássicos, os da 
Redução, da Reutilização e da Reciclagem, ou aqueles centrados em preocupações de gestão 
ambiental (gestão da água, gestão do lixo, gestão da energia, por exemplo) se associam 
à corrente conservacionista/recursista. Geralmente se dá ênfase ao desenvolvimento de 
64PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
habilidades de gestão ambiental e ao ecocivismo. Encontram-se aqui imperativos de ação: 
comportamentos individuais e projetos coletivos. 
A corrente conservacionista prega o equilíbrio no uso dos recursos naturais em 
quantidade e qualidade no manejo. Há uma preocupação com a gestão ambiental. Aqui 
a educação é voltada para a conservação do meio ambiente. Surgiu em meio à Segunda 
Guerra Mundial, quando a escassez assolava os países envolvidos no conflito e a economia, 
a reutilização e a reciclagem dos recursos, tanto por parte dos soldados como da própria 
população atingida pelas consequências da luta bélica, foram as bases do pensamento 
conservador que deu origem a esta corrente.
c. A corrente resolutiva
A corrente resolutiva considera o Meio Ambiente como um conjunto de problemáticas 
que só é possível de se resolver através da informação e da capacitação das pessoas 
em solucionar esses problemas. Aqui adotou-se “um modelo pedagógico centrado no 
desenvolvimento sequencial de habilidades de resolução de problemas” (Sato, 2011, p. 
21). Assim, os educadores que utilizam esse pensamento se concentram no problema e 
envidam esforços nas soluções.
d. A corrente sistêmica
Pela corrente sistêmica, a educação ambiental é voltada para a análise estrutural 
do meio ambiente e seus componentes, bem como a relação dos elementos biofísicos e 
sociais, que permite uma visão conjunta da realidade ambiental e, assim, identificar os seus 
problemas e escolher soluções.
O processo de educação ambiental que partiu da análise das relações de causa e 
efeitos através de experimentos e observações dos resultados por eles obtidos, com o fim 
de obter a solução para os problemas ambientais, deu origem à corrente científica, que, a 
seu turno, está intimamente ligada às ciências do Meio Ambiente.
e.	 A	corrente	humanista
A corrente humanista enfatiza a dimensão humana do meio ambiente, e este último 
constituindo o meio de vida do Homem, considerando as dimensões históricas, sociais, 
culturais, políticas e econômicas. A educação ambiental por esta corrente se efetiva por 
meio das ciências humanas a partir de uma visão humanista de meio ambiente enquanto 
meio de sobrevivência do ser humano. O ambiente não é somente apreendido como um 
65PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
conjunto de elementos biofísicos, que basta ser abordado com objetividade e rigor para ser 
melhor compreendido, para interagir melhor. 
Corresponde a um meio de vida, com suas dimensões históricas, culturais, políticas, 
econômicas, estéticas, não pode ser abordada sem se levar em conta sua significação, seu 
valor simbólico. 
O patrimônio não é somente natural, é igualmente cultural: as construções e os 
ordenamentos humanos são testemunhos da aliança entre a criação humana e os materiais 
e as possibilidades da natureza. A arquitetura, entre outros elementos, se encontra no 
centro desta interação. Neste caso, a porta de entrada para apreender o meio ambiente é 
frequentemente a paisagem. Esta última é seguidamente modelada pela atividade humana; 
ela fala, ao mesmo tempo, da evolução dos sistemas naturais que a compõem e das 
populações humanas que estabeleceram nela suas trajetórias.
f.	 Corrente	ética	ou	moral
Por fim, entre as correntes clássicas, existe a corrente ética ou moral, em que os 
educadores se baseiam no fundamento de que as relações do homem com o meio ambiente 
devem ser pautadas por um conjunto de valores individuais e coletivos, prescrevendo um 
código de comportamentos socialmente desejáveis no manejo dos recursos naturais.
g.	 Corrente	científica
Algumas proposições de educação ambiental dão ênfase ao processo científico, 
com o objetivo de abordar com rigor as realidades e problemáticas ambientais e de 
compreendê-las melhor, identificando mais especificamente as relações de causa e efeito. 
O processo está centrado na indução de hipóteses a partir de observações e na 
verificação de hipóteses, por meio de novas observações ou por experimentação. Nesta 
corrente, a educação ambiental está seguidamente associada ao desenvolvimento de 
conhecimentos e de habilidades relativas às ciências do meio ambiente, do campo de 
pesquisa essencialmente interdisciplinar para a transdisciplinaridade. Como na corrente 
sistêmica, o enfoque é, sobretudo, cognitivo: o meio ambiente é objeto de conhecimento.
Não obstante os modelos pedagógicos de educação ambiental clássicos,desenvolvidos no decorrer do século XX, atualmente, destacam-se também algumas 
correntes mais recentes: holística, biorregionalista, práxica, crítica, feminista, etnográfica 
da ecoeducação, da sustentabilidade. 
66PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
h.	 A	Corrente	holística
O enfoque desta corrente do pensamento holístico é profundamente ecológico, e 
de acordo com ele, o indivíduo e a natureza não estão separados, mas formam um conjunto 
impossível de ser dissociado. Por isso é que qualquer forma de agressão à natureza e ao 
meio ambiente, para a abordagem holística, é pura e simplesmente uma forma de suicídio.
É preciso levar-se em conta não apenas o conjunto das múltiplas dimensões das 
realidades socioambientais, como também as diversas dimensões da pessoa que entra em 
relação com estas realidades, da globalidade e da complexidade de seu ser no mundo. O 
sentido global aqui é muito diferente do planetário: significa, antes, holístico, referindo-se à 
totalidade de cada ser, de cada realidade e à rede de relações que une os seres entre si em 
conjuntos nos quais eles adquirem sentido. 
A corrente holística não associa proposições necessariamente homogêneas, como 
é o caso das outras correntes. Algumas proposições, por exemplo, estão mais centradas 
em preocupações de tipo psicopedagógico apontando para o desenvolvimento global 
da pessoa em relação ao seu meio ambiente. Outras estão ancoradas numa verdadeira 
cosmologia (ou visão do mundo) em que todos os seres estão relacionados entre si, o 
que leva a um conhecimento orgânico do mundo e a um atuar participativo em e com o 
ambiente. 
Numa perspectiva holística mais fundamental ainda, Nigel Hoffmann (1994) se 
inspira no filósofo Heidegger e no poeta naturalista Goethe para propor um enfoque orgânico 
das realidades ambientais. Devem-se abordar, efetivamente, as realidades ambientais de 
uma maneira diferente daquelas que contribuíram para a deterioração do meio ambiente. 
O processo de investigação não consiste em conhecer as coisas a partir do exterior, para 
explicá-las, originando de uma solicitação, de um desejo de preservar seu ser essencial, 
permitindo-lhes revelar-se com sua própria linguagem. 
i. Corrente biorregionalista
A corrente biorregionalista se inspira geralmente numa ética ecocêntrica e centra a 
educação ambiental no desenvolvimento de uma relação preferencial com o meio local ou 
regional, no desenvolvimento de um sentimento de pertença a este último e no compromisso 
em favor da valorização deste meio.
 Sauvé (2005) reconhece aqui o caráter inoportuno desta pedagogia do além que 
baseia a educação em considerações exógenas ou em problemáticas planetárias que 
67PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
não são vistas em relação com as realidades do contexto de vida e que oferecem poucas 
ocasiões concretas para atuações responsáveis.
j. Corrente práxica
A ênfase desta corrente está na aprendizagem da ação, pela ação e para a melhoria 
desta. Não se trata de desenvolver a priori os conhecimentos e as habilidades com vistas 
a uma eventual ação, mas em pôr-se imediatamente em situação de ação e de aprender 
através do projeto por e para esse projeto. A aprendizagem convida a uma reflexão na 
ação, no projeto em curso. 
Lembremos que a práxis consiste essencialmente em integrar a reflexão e a ação, 
que, assim, se alimentam mutuamente. O processo da corrente práxica é, por excelência, 
o da pesquisa-ação, cujo objetivo essencial é o de operar uma mudança num meio (nas 
pessoas e no meio ambiente) e cuja dinâmica é participativa, envolvendo os diferentes 
atores de uma situação por transformar. Em educação ambiental, as mudanças previstas 
podem ser de ordem socioambiental e educacional.
k. Corrente de Crítica Social
Muitas vezes associada à da crítica social, se inspira no campo da “teoria crítica”, 
que foi inicialmente desenvolvida em ciências sociais e que integrou o campo da educação, 
para finalmente se encontrar com o da educação ambiental nos anos de 1980 (Robottom; 
Hart, 1993). Esta corrente insiste, essencialmente, na análise das dinâmicas sociais que 
se encontram na base das realidades e problemáticas ambientais: análise de intenções, de 
posições, de argumentos, de valores explícitos e implícitos, de decisões e de ações dos 
diferentes protagonistas de uma situação.
Para Robottom e Hart (10993, p. 24):
A postura crítica é igualmente aplicada às realidades educacionais.
A educação ambiental que se inscreve numa perspectiva sociocrítica (socially 
critical environmental education) convida os participantes a entrar num 
processo de pesquisa em relação a suas próprias atividades de educação 
ambiental [...]. É preciso considerar particularmente as rupturas entre o que o 
prático pensa que faz e o que na realidade faz e entre o que os participantes 
querem fazer e o que podem fazer em seu contexto de intervenção específica. 
O prático deve se comprometer neste questionamento, porque a busca de 
soluções válidas passa pela análise das relações entre a teoria e a prática. 
[...] A reflexão crítica deve abranger igualmente as premissas e valores que 
fundam as políticas educacionais, as estruturas organizacionais e as práticas 
em aula. O prático pode desenvolver, através deste enfoque crítico das 
realidades do meio, sua própria teoria da educação ambiental.
68PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
l. Corrente Feminista 
Em matéria de meio ambiente, uma ligação estreita ficou estabelecida entre a 
dominação das mulheres e a da natureza: trabalhar para restabelecer relações harmônicas 
com a natureza é indissociável de um projeto social que aponta para a harmonização das 
relações entre os humanos, mais especificamente entre os homens e as mulheres.
Tal corrente se opõe, no entanto, ao predomínio do enfoque racional das 
problemáticas ambientais, tal como frequentemente se observa nas teorias e práticas da 
corrente de crítica social. Os enfoques intuitivo, afetivo, simbólico, espiritual ou artístico 
das realidades do meio ambiente são igualmente valorizados. No contexto de uma ética 
da responsabilidade, a ênfase está na entrega: cuidar do outro humano e o outro como 
humano, com uma atenção permanente e afetuosa.
m.	 Corrente	etnográfica	
Dá ênfase ao caráter cultural da relação com o meio ambiente. A educação ambiental 
não deve impor uma visão de mundo, sendo preciso levar em conta a cultura de referência 
das populações ou das comunidades envolvidas. 
Propõe não somente adaptar a pedagogia às realidades culturais diferentes, como 
se inspirar nas pedagogias de diversas culturas.
n. Corrente da ecoeducação 
Está dominada pela perspectiva educacional da educação ambiental. Não se trata 
de resolver problemas, mas de aproveitar a relação com o meio ambiente como cadinho 
de desenvolvimento pessoal, para o fundamento de um atuar significativo e responsável. 
O meio ambiente é percebido aqui como uma esfera de interação essencial para 
a ecoformação ou para a ecoontogênese. Distinguiremos aqui estás duas proposições, 
muito próximas ambas, no entanto, distintas, principalmente em relação a seus respectivos 
contextos de referência.
o. Corrente da sustentabilidade 
A ideologia do desenvolvimento sustentável, que conheceu sua expansão em 
meados dos anos de 1980, penetrou pouco a pouco o movimento da educação ambiental 
e se impôs como uma perspectiva dominante. 
Para responder às recomendações do Capítulo 36 da Agenda 21, resultante da 
Cúpula da Terra em 1992, a UNESCO substituiu seu Programa Internacional de Educação 
69PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
Ambiental por um Programa de Educação para um futuro viável (Unesco, 1997), cujo objetivo 
é o de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável. Este último supõe que 
o desenvolvimento econômico, considerado como a base do desenvolvimento humano, é 
indissociável da conservação dos recursos naturais e de um compartilhar equitativo dos 
recursos. Trata-se de aprender a utilizarracionalmente os recursos de hoje para que haja 
suficientemente para todos e se possa assegurar as necessidades do amanhã. 
70
As florestas são imprescindíveis para a manutenção dos recursos hídricos ao 
abastecimento das cidades, onde vive a maioria da população. O desmatamento incontrolado 
e insano está causando a desertificação e levará fatalmente ao desabastecimento de água 
e à formação de solo improdutivo para a produção de alimentos. A natureza trabalha e 
produz na forma cíclica, mostrando o caminho para a atuação do homem.
Todos os tipos de plantas, sejam as rasteiras, os arbustos, as árvores ou as flores, 
têm uma importância indispensável para a nossa qualidade de vida. As plantas nutrem os 
solos e ajudam a produzir alimentos e água. Suas folhas servem como adubos para a terra 
e tornam a natureza rica e viva
Desta maneira, diante da intensa degradação da natureza, medidas urgentes 
devem ser tomadas por todos a benefício do homem e do próprio meio ambiente, a fim 
de minimizar os impactos negativos que têm levado os recursos naturais e a escassez em 
nome da melhoria da qualidade de vida.
Segundo Oliveira e Medeiros (2010), a educação ambiental não se refere apenas 
à ecologia e preservação do meio ambiente, indo muito além destes, abarcando a vivência 
do homem em sociedade e as relações estabelecidas por este. A transformação e a 
busca de superação de comportamentos destrutivos (matança de animais, queimadas, 
desflorestamento, desperdício de recursos naturais não renováveis como a água) são 
necessárias para o processo da própria humanização do homem. 
Para os autores, não se trata apenas de estudar, ou mesmo entender, o processo 
de degradação pela qual o planeta Terra vem passando. Além destes, é necessário que 
entendamos a educação ambiental, como educação política, que envolve escolhas, 
decisões e opções que não tomamos sozinhos, já que vivemos em sociedade – no nosso 
caso, a sociedade da informação. 
Portanto, fazer uma educação para o meio ambiente implica envolver todas as áreas 
do conhecimento em prol de um conhecimento comum: o de que somos parte, e como tal 
dependemos do todo. Mesmo em um mundo capitalista, conduzido pelo econômico, há a 
intensa necessidade de percebemos que há muito além do capital e que o desenvolvimento 
a qualquer custo gera o contrário: o retrocesso. Com isso, queremos dizer que não dá mais 
para mascararmos as ações do homem contra o meio ambiente, pois vivemos e vemos as 
consequências negativas de tais ações (Oliveira; Medeiros, 2010). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
71
 Enquanto seres produzidos historicamente, sabemos que muitas atitudes errôneas 
foram transmitidas e repassadas de geração para geração. Assim, o que temos visto no 
tempo atual é o acúmulo de séculos, décadas e anos de uma relação parasitária do homem 
para com o meio ambiente, no sentido de que este se torna hospedeiro, retirando e não 
devolvendo nada de bom em troca (OLIVEIRA; MEDEIROS, 2010).
Somente uma política concisa e bem planejada de Educação Ambiental é capaz 
de mudar essa terrível realidade, e temível futuro, pelo esgotamento dos recursos naturais 
e degradação do meio ambiente, dirimindo as consequências da ação devastadora do ser 
humano e proporcionando uma melhor qualidade de vida, bem como o equilíbrio entre 
desenvolvimento, progresso e sustentabilidade.
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
72
LEITURA COMPLEMENTAR
Resumo: O presente trabalho tem por finalidade apresentar alguns conceitos de 
Educação Ambiental e a relação com a Educação Infantil. Para gerar uma qualidade de 
vida sustentável, se faz necessário um (re) pensar sobre o meio ambiente; das ações do 
homem e o seu habitat. Tendo por base este contexto, faz-se necessário iniciar a formação 
de cidadãos conscientes com a preservação do meio ambiente desde a Educação Infantil, 
quando o principal objetivo é conscientizar o aluno da importância que o meio ambiente 
tem para a sua vida. Através do contato com o meio ambiente, associando a teoria à prática 
é que se assimila o conteúdo de forma ampla e contínua. Para realização deste trabalho, 
recorreu-se a pesquisas bibliográficas e estudo de caso, quando foram realizadas análises 
nas ações do projeto “A magia do plantar: reestruturando o espaço vazio trazendo cores, 
cheiros e sabores” dentro de um Centro Municipal de Educação Infantil na cidade de Ponta 
Grossa. O estudo da Educação Ambiental está voltado para a formação ética do cidadão.
Fonte: Grzebieluka, Kubiak e Schille (2014). 
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
73
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Impactos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável
• Ano: 2014
• Sinopse: fornece definições sobre conceitos de impacto, aspecto 
e poluição ambiental, falando-se sobre todos os tipos de poluição.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=QGHHhYCdErs. 
• FILME/VÍDEO
• Título: Documentário Mata Atlântica - Paulo Rufino-Produção 
Casa de Cinema RBMA Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
• Ano: 2013
• Sinopse: descreve as características da atlântica e a definição 
de seu clima e sua biodiversidade. 
• Link: https://abrir.link/hocRE
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
https://www.youtube.com/watch?v=QGHHhYCdErs. 
 https://abrir.link/hocRE
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
CONCEITOS E 
HISTÓRICOS 
DA EDUCAÇÃO 
AMBIENTAL3UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
75
Plano de Estudos
• Breve histórico da educação ambiental;
• Educação ambiental;
• A Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA (lei nº 9.795/1999);
• Transversalidade;
• Interdisciplinaridade da educação ambiental;
• A educação ambiental na Constituição de 1988. 
Objetivos da Aprendizagem
• O objeto deste capítulo é dar ênfase na importância da educação para 
desenvolver de forma sustentável, além de fazer uma reflexão dentro de uma 
visão ampla do surgimento da Educação Ambiental ao nível mundial e em nosso 
país e analisar problemas e possíveis soluções, bem como o papel da escola nas 
demandas ambientais contemporâneas.
• Além disso, o objetivo está em demonstrar que educar é um fenômeno típico, 
uma necessidade ontológica de nossa espécie e, assim, deve ser compreendido 
para que possa ser concretamente realizado. Refere-se, ainda, aos processos 
sociais relativos à aprendizagem – que se traduz na dimensão pessoal pela 
percepção sensível, capacidade reflexiva e atuação objetiva e dialógica na 
realidade. Ocorre por meio de múltiplas mediações sociais e ecológicas que se 
manifestam nas esferas individuais e coletivas por nós compartilhadas, o que 
pressupõe, em seu movimento constitutivo, os lugares e o momento histórico em 
que vivemos.
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
76
Nesta unidade, buscaremos desenvolver os principais conceitos que permitam a 
você, estudante, refletir nos fundamentos da educação ambiental, partindo da definição 
de educação e de ambiente, além de reconhecer os diferentes conceitos relacionados às 
questões de ordem ambiental e as relações que se estabelecem entre sociedade e natureza, 
assim como também a evidência clara de que o modo de produzir a vida em sociedade é o 
determinante da problemática ambiental, social e econômica.
O livro Primavera Silenciosa, publicado em 1962 pela jornalista norte-americana 
Rachel Carson, denunciou a ação impactante do homem sobre o ambiente, estimulou a 
discussão mundial sobre a necessidade de se proteger a natureza contra os humanos e 
promoveu a qualidade ambiental como pressuposto para a qualidade de vida dos homens. 
A obra trouxe à tona a necessidade de preocupar-se com o uso de agrotóxico na natureza 
e o quanto este traz prejuízos para a biodiversidade e para o recurso à água.
Educação Ambiental promove qualidade de vida e a Constituição Federal do 
Brasil, em seu artigo 225, afirma que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente 
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”.Trabalhar educação ambiental com os indivíduos significa educá-los e capacitá-lo 
para o uso sustentável dos recursos hídricos e demais recursos naturais, para a busca 
de alternativas de menor impacto ambiental e maior reflexão sobre os significados dos 
conceitos de qualidade hídrica, qualidade ambiental, qualidade de vida e sustentabilidade, 
evitando que, pela sua ganância, desencadeie uma série de eventos que coloque não só a 
sua vida em risco, mas também a vida do planeta.
Desta forma, falaremos também da transversalidade da Educação Ambiental e da 
forma como que é inserida na Constituição Federal de 1988, pela elucidação dos pontos 
mais importantes da Lei nº 9.795/99 (Lei de Educação Ambiental), pela importância da 
transversalidade e, por fim, por breves reflexões sobre o modo como que é aplicada nas 
escolas atualmente
INTRODUÇÃO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
77
A Educação Ambiental (EA) era um assunto o qual as pessoas não levavam tão 
a sério, pois era difícil encontrar referências que abordassem o tema citado e não havia 
cursos de especialização para capacitar profissionais na referida área. 
Diante disso, a preocupação com o meio ambiente se restringia somente a 
pequenos grupos de estudiosos e outros interessados em conhecer profundamente sobre 
meio ambiente que saíam a campo para pesquisar ou até mesmo passear e apreciar a 
natureza, que era de caráter exuberante. 
Daí por diante, começaram a ser divulgadas de maneira lenta as informações 
referentes à temática, o que despertou curiosidades em outros estudiosos que também 
pretendiam obter mais conhecimentos. Assim, eles poderiam compreender a história da 
educação ambiental, os acontecimentos e os conceitos, como bem a primeira grande 
catástrofe.
A primeira grande catástrofe ambiental, sintoma da inadequação do estilo de 
vida do ser humano - viria acontecer em Londres provocaria a morte de 1.600 
pessoas desencadeando o processo de sensibilização sobre a qualidade 
ambiental na Inglaterra, e culminando com aprovação da Lei de Ar Puro 
pelo Parlamento, em 1956. Esse fato desencadeou uma série de discussões 
em outros países, catalisando o surgimento do ambientalismo nos Estados 
Unidos a partir de 1960 (Dias, 2004, p. 77).
Assim, a Educação Ambiental tem seu surgimento a partir das preocupações de 
ecologistas em chamar a atenção para os problemas ambientais devido ao uso descontrolado 
BREVE HISTÓRICO DA 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL1
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
78CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
dos recursos naturais e destruição das florestas e, com isso, envolver a sociedade em 
ações ambientalmente corretas. 
No ano de 1962, a jornalista Rachel Carson lançava seu clássico livro Primavera 
Silenciosa, relatando o uso excessivo dos produtos químicos, logo o efeito maléfico sobre 
os recursos ambientais.
Devido à preocupação mundial com a educação ambiental, houve a reunião de 
1968, em Roma, quando alguns cientistas dos países desenvolvidos discutiram temas 
sobre o consumo, as reservas de recursos naturais não renováveis e o crescimento da 
população mundial. 
Em 1972, o Clube de Roma publicou um relatório chamado “Os Limites do 
Crescimento”, previsão bastante pessimista do futuro da humanidade, se o modelo de 
exploração dos recursos naturais não fosse modificado. Também em 1972, a Organização 
das Nações Unidas (ONU) realizou, em Estocolmo, Suécia, a Conferência das Nações 
Unidas sobre o Ambiente Humano. Nessa conferência, foi criado o Programa das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) (Marcatto, 2002).
Segundo Medina (2008), a Conferência de Estocolmo inspirou um interesse 
renovado na Educação Ambiental na década de 1970, tendo sido estabelecida uma série 
de princípios norteadores para um programa internacional e planejado um seminário 
internacional sobre o tema, que se realizou em Belgrado, em 1975. 
No ano de 1977, aconteceu a Conferência Intergovernamental de Educação 
Ambiental, em Tbilisi, ex-União Soviética. As definições dessa Conferência continuam 
muito atuais, sendo adotadas por governos, administradores, políticos e educadores em 
praticamente todo o mundo (Marcatto, 2002 apud Czapski, 1998). 
Segundo Leff (2001) em Tbilisi, na Geórgia, em 1977, aconteceu a conferência 
mais marcante da história da Educação Ambiental, em sua declaração, foram definidos 
princípios, estratégias, objetivos, funções, características e recomendações para a 
Educação Ambiental. Ali foi definido o seguinte: 
A Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e 
clarificação de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e 
modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as 
inter-relações entre os seres humanas, suas culturas e seus meios biofísicos. 
A Educação Ambiental também está relacionada com a prática das tomadas 
de decisões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida 
(Leff, 2001, p. 200).
79CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
No Brasil, em 1977, foi fundada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), 
que tem como objetivo formar um grupo para elaboração de um documento sobre EA, 
com o intuito de definir seu papel no contexto da realidade socioeconômico-educacional 
brasileira (Dias, 2001).
Em 1984, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) apresenta resolução 
estabelecendo diretrizes para as ações de EA, aprovada a Resolução 001/86 (1986) que 
estabelecia as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e 
implementação da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) como um dos instrumentos da 
Política Nacional do Meio Ambiente (Dias, 2001). 
Nos anos seguintes, ocorreram diversos eventos voltados para a Educação 
Ambiental, dentre os quais: Comissão Brundtland em 1987; definida como Nosso Futuro 
em Comum, a ECO 92 no Rio de Janeiro 1992, que definiu a Agenda 21 com destaque no 
dilema da relação homem-natureza e também no combate às desigualdades sociais; Viena 
1993; Cairo 1994; Copenhagem e Beijing 1995; Roma e Istambul 1996; Milênio em New 
York em 2000; a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo em 2002. 
No Brasil, pela primeira vez em sua história, era inserido um capítulo específico 
direcionado ao meio ambiente em sua Constituição Federal (1988, p. 103), Art. 225:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao 
poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações. 
O meio ambiente passa a ser considerado como um bem comum a todos.
Segundo Marcatto (2002), através da Lei Federal nº 9.795, sancionada em 1999 
e reformulada em 2002, por meio do Decreto nº 4.281, que define a “Política Nacional de 
Educação Ambiental”, a EA deverá estar presente em todos os níveis de ensino no âmbito 
escolar.
Através da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento ECO-92, ocorrida no Rio de Janeiro, o Brasil elaborou a Agenda 21, que 
tem como objetivo estabelecer equilíbrio entre as estratégias das políticas ambientais e 
o desenvolvimento econômico e social, para consolidar um desenvolvimento sustentável. 
Em 2002, realizou-se, em Johannesburgo, África do Sul, o Encontro da Terra, também 
denominado Rio+10, com a finalidade de avaliar as decisões tomadas na Conferência do 
Rio em 1992 (Marcatto, 2002).
80CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
Atualmente, no cenário ambiental, tivemos a Rio+20, cujo alvo, assim como as 
demais conferências, é pensar/discutir e elaborar metas que resultem em um objetivo 
final: a preservação do ambiente. O Rio+20 realizou-se no Rio de Janeiro e contou com 
aproximadamente 188 países. Ao que tange o Desenvolvimento Sustentável (DS), as 
principais metas são desenvolver uma economia verde com base no DS e a erradicaçãoda pobreza.
Nesta conferência, foi elaborado um relatório final designado como “O futuro que 
queremos”. Nesse compilado, ficaram definidas algumas ações que versam em: a) Lidar 
globalmente com a sustentabilidade; 
b) Produção e consumo sustentáveis; 
c) Tecnologias ambientalmente saudáveis e transferências destas;
d) Medir o crescimento sustentável;
e) Relatórios de sustentabilidade empresarial, entre outros.
Enfim, essa conferência foi alvo de muitas críticas, entre o emaranhado de 
questionamentos. Cabe ressaltar que as ações propostas serão trabalhadas/estudadas até 
2015 e que a partir desse ano ou da próxima conferência é que teremos algo objetivo, ou 
seja, por enquanto continuamos com as propostas, sem ações.
 
81
FIGURA	2	-	MÃOS	ADULTAS	E	CRIANÇAS	SEGURANDO	PLANTAS	
Fonte: Shutterstock (s.d.).
A ideia de a Terra ser fonte inesgotável de recursos para geração de riquezas e 
progresso material não deve existir mais, pois já presenciamos em muitos lugares que os 
recursos hídricos mundiais estão entrando em colapso, seja por quantidade ou qualidade. 
No relato de Adorno (2002), ele diz que a população tem aumentado 
consideravelmente e o problema desse aumento não é apenas o da falta de alimentos. 
Estes são e poderão ser produzidos em quantidades suficientes para abastecer o mundo. 
A grande questão é que temos explorado cada vez mais os recursos presentes na natureza 
e as fontes de água potável do planeta vêm diminuindo ano após ano, fato que ocorre não 
porque a natureza não consegue prover água suficiente para todos nós, mas porque a 
EDUCAÇÃO 
AMBIENTAL2
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
82CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
humanidade tem o péssimo hábito de poluir e destruir sistematicamente as nascentes e as 
reservas de água. 
Atualmente, encontrar o equilíbrio entre satisfação das necessidades e preservar 
o meio ambiente não é uma tarefa fácil, por vários fatores: falta de educação financeira e 
ambiental da população.
Os seres humanos enfrentaram, ao longo da sua história, inúmeras dificuldades 
e desafios ambientais e, para a superação desses desafios, surge a educação ambiental 
como um caminho para promoção de mudanças de valores, sentimentos, atitudes e, 
principalmente, para mostrar ao homem que ele faz parte do ecossistema, necessitando, 
dessa forma, cuidar do meio em que vive. 
Entretanto, é fato que o homem, em decorrência do crescimento populacional, 
precisou desenvolver tecnologias para melhorar o processo produtivo e, assim, produzir 
mais, no intuito de satisfazer suas necessidades. Porém, mesmo com novas tecnologias, 
não deixou de degradar, muito pelo contrário, poluiu ainda mais.
Acompanhando esse avanço tecnológico, o homem também se deparou com 
grandes problemas ambientais em decorrência da intensificação da exploração dos 
recursos naturais, geração de resíduos e maior produção de agrotóxicos. Assim, surge a 
necessidade de buscar soluções para os problemas ambientais no intuito de garantir um 
futuro melhor para a humanidade. Porém, falta clareza para entender que a educação é o 
melhor caminho para instruir as pessoas da necessidade de preservar o meio ambiente.
Para Taglieber (2004, p. 14), é preciso chamar a atenção para essa problemática, 
mostrando que:
Na atualidade, frente à problemática ambiental, a compreensão das limitações 
dos ecossistemas do Planeta, a educação geral passa necessariamente pelo 
foco da dimensão ambiental, isto é, para sobrevivência da humanidade é 
necessário que cada coletividade tome consciência desses limites e comece 
a valorizar, preservar, conservar e proteger seu meio ambiente. A educação 
precisa enfocar aspectos específicos da época e das necessidades expressas 
pela coletividade atual. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (1997) reforçam que as tecnologias 
podem ser usadas como metodologias para sensibilizar sobre determinada problemática e 
dentre os conteúdos que devem ser trabalhados em sala de aula, de forma transversal e 
interdisciplinar, está a Educação Ambiental (EA). 
Consideramos que um dos grandes desafios do século XXI é conseguir que o homem 
utilize as tecnologias como instrumento em suas práticas, entendendo as consequências 
83CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
das ações humanas sobre a natureza e quais caminhos seguir para preservar os recursos 
naturais necessários para sua própria sobrevivência. 
Segundo a resolução nº 2, de 15 de junho de 2012, estabelece as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental e em seu artigo segundo, p. 2, define a 
educação ambiental como::
uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que 
deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação 
com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa 
atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de 
ética ambiental.
De acordo com a Conferência sub-regional de Educação Ambiental para a Educação 
Secundária ocorrida em Chosica/Peru (1976, p. 1):
A educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a 
comunidade educativa tem a tomada de consciência de sua realidade global, 
do tipo de relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza, 
dos problemas derivados de ditas relações e suas causas profundas. Ela 
desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade, 
valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido a transformação 
superadora dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, 
desenvolvendo no educando as habilidades e atitudes necessárias para dita 
transformação Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a 
Educação Secundária.
Para Leff (2001, p. 188), “o ambiente não é a ecologia, mas a complexidade do 
mundo”, sendo preciso “aprender um novo saber sobre o ambiente”. O autor, em seu 
livro intitulado “Epistemologia Ambiental”, procura levar o leitor a uma reflexão sobre os 
fenômenos ambientais, mostrando que cabe a todas as pessoas buscar mudança de valores, 
comportamentos e estilos de vida voltados para a conservação dos recursos naturais para 
se ter qualidade de vida e deixar um ambiente ecologicamente sustentável para as futuras 
gerações. 
Desta forma, a relação sociedade-natureza evidencia os desafios para a construção 
de novos conhecimentos, novas formas de relação, novas concepções e novos valores. 
84CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
FIGURA	3	-	SOLUÇÕES	SUSTENTÁVEIS
Fonte: Dias (2001).
As práticas educativas ambientais devem proporcionar mudanças de hábitos, 
atitudes e práticas sociais, sendo, portanto, a Educação Ambiental o caminho para que as 
pessoas adquiram consciência da importância de terem atitudes sustentáveis. É inegável 
que a educação ambiental contribui significativamente para a proteção do meio ambiente e 
a melhoria da qualidade de vida.
Nesse sentido, Linhares e Piemonte (2010, p. 120) apontam que:
Há de se promover urgente conscientização social sobre a problemática 
do meio ambiente visando à educação e ética ambientais, proporcionando, 
por consequência, uma vida mais saudável para a população mundial, que 
esbarra com as novas tecnologias e o crescimento demográfico, que estão 
ocorrendo sem o devido cuidado com o meio ambiente. Imprescindível, 
portanto, um esforço para a educação em questões ambientais dirigidas 
tanto às gerações jovens como aos adultos e que se preste à devida atenção 
ao setor da população menos privilegiado, para fundamentar as bases de 
uma opinião pública bem informada e de uma conduta dos indivíduos, das 
empresas e das coletividades inspirada por sua responsabilidade sobre a 
proteção e melhoria do meio ambiente em toda sua dimensão humana. 
Mudança de paradigmas implica discutir valores para construir uma sociedade 
mais justa, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometera 
sobrevivência das futuras gerações.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2011), a atuação dos educadores ambientais 
nas políticas públicas de águas é portadora de um significativo potencial sinérgico capaz de 
incutir e sedimentar uma perspectiva realmente sistêmica, integradora e ambiental como 
85CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
diferencial para qualificar a gestão dos recursos hídricos no país e promover a efetiva 
melhoria nas condições de vida das pessoas e do meio com o qual convivem.
Para Medina (2001, p. 17), dentre várias definições sobre o que é EA, destaca-se:
 A Educação Ambiental como processo [...] consiste em propiciar às pessoas 
uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e 
desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e 
participativa a respeito das questões relacionadas com a conservação e a 
adequada utilização dos recursos naturais deve ter como objetivos a melhoria 
da qualidade de vida a eliminação da pobreza extrema e do consumismo 
desenfreado. 
Assim, a promoção de processos continuados e permanentes de desenvolvimento 
de capacidades e de Educação Ambiental para a Gestão de Águas constitui iniciativa 
estratégica fundamental para assegurar a sustentabilidade do crescimento da economia e 
a promoção do desenvolvimento sustentável (Ministério do Meio Ambiente, 2011).
Entendendo que educação ambiental é um processo que deve partir do interno 
para o externo, levando a mudanças de hábitos e comportamentos como pequenas 
iniciativas no lar, escola e bairro, até alcançar uma abrangência mais ampla, que envolva 
uma região, estado e país, beneficiando todo o ecossistema e a humanidade, a família e 
a escola figuram como os principais responsáveis por disseminar a importância dos bons 
hábitos e da consciência ambiental. Os resultados obtidos são levados pelo resto da vida 
e disseminados, garantindo a eficácia e a construção de uma sociedade mais responsável 
ecologicamente.
No Brasil, com a aprovação da Lei nº 9.795/1999, que institui a Política Nacional de 
Educação Ambiental, e dentre várias premissas, a lei afirma tratar-se de um componente 
essencial e permanente da educação no Brasil, que deve estar presente de forma articulada, 
em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.
 
86
FIGURA	4	-	EDUCAÇÃO	AMBIENTAL	FORMAL,	NÃO	FORMAL	E	INFORMAL
Fonte: CECIERJ (2014).
A Lei de Educação Ambiental, apesar de sua extrema importância para a educação, 
é de raro conhecimento do corpo docente. Em suma, a Lei nº 9.795/99 traz as linhas gerais 
do que deve tratar a Educação Ambiental, traçando, ainda, a maneira como deve ser 
trabalhada no ensino formal.
A Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA (Lei nº 9.795/1999) estabelece, 
como um dos objetivos estratégicos da EA, o incentivo à participação individual e coletiva, 
permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se 
a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. De 
A POLÍTICA NACIONAL DE 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL - 
PNEA (LEI Nº 9.795/1999)3
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
87CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
forma coerente com a política das águas, a construção de uma cultura da participação, 
qualificada com o diálogo, mostra-se como um dos eixos centrais da PNEA. 
Segundo o artigo 1º da Lei nº 9.795, entende-se por educação ambiental:
Os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem 
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências 
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, 
essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (Brasil, 1999, on-
line). 
O art. 1° define expressamente o conceito de Educação Ambiental, em que trata a 
Educação Ambiental como prática que condiz não apenas com o ensino formal, mas com 
um emaranhado de processos que leva os indivíduos a conservar o meio ambiente. Assim, 
deve-se destacar que o meio ambiente é composto não apenas pelo meio ambiente natural, 
pois, de acordo com o já versado em tópico precedente, é composto dos ambientes natural, 
cultural, artificial e laboral. 
O artigo 2° da Lei em análise trata da transversalidade da Educação Ambiental, 
motivo pelo qual será analisado em tópico específico. Já o art. 3°, por sua vez, 
repete as disposições do art. 225 da CRFB/88, deixando expresso que é dever do poder 
público e de toda a sociedade a promoção da Educação Ambiental. 
Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à Educação 
Ambiental, incumbindo:
I – ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, 
definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover 
a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da 
sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; II 
– às instituições educativas, promover a Educação Ambiental de maneira 
integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III – aos órgãos 
integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente – Sisnama, promover 
ações de Educação Ambiental integradas aos programas de conservação, 
recuperação e melhoria do meio ambiente; IV – aos meios de comunicação 
de massa, colaborar de maneira ativa e permanente na disseminação de 
informações e práticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a 
dimensão ambiental em sua programação; V – às empresas, entidades de 
classe, instituições públicas e privadas, promover programas destinados 
à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao controle efetivo 
sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo 
produtivo no meio ambiente; VI – à sociedade como um todo, manter atenção 
permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a 
atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a 
solução de problemas ambientais (Brasil, 1999, on-line).
No art. 4°, são expressos os princípios básicos da Educação Ambiental. É 
importantíssimo que tais princípios sejam levados ao conhecimento dos professores, 
88CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
para que, por meio deles, possam desenvolver suas práticas integradas à educação de 
convivência no meio. 
I – o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II – a concepção 
do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o 
meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; 
III – o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva 
da inter, multi e transdisciplinaridade; IV – a vinculação entre a ética, a 
educação, o trabalho e as práticas sociais; V – a garantia de continuidade e 
permanência do processo educativo; VI – a permanente avaliação crítica do 
processo educativo; VII – a abordagem articulada das questões ambientais 
locais, regionais, nacionais e globais; VIII – o reconhecimento e o respeito à 
pluralidade e à diversidade individual e cultural (Brasil, 1999, on-line).
Os princípios precisam ser trabalhados em conjunto com os objetivos da Educação 
Ambiental dispostos em seguida pela Lei nº 9.795/99. No seu artigo 5º, também como um dos 
seus objetivos fundamentais que a educação ambiental deve promover o desenvolvimento 
de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, 
envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, 
científicos, culturais e éticos.
Assim, segundo Tundisi (2006), o desenvolvimento econômico e a complexidade da 
organização das sociedades humanas produziram inúmeras alterações no ciclo hidrológico 
e na qualidade da água. Desta forma, urge a promoção de uma gestão de desenvolvimento 
que produza utilizando recursos hídricos de forma sustentável.
A EA é um caminho para reconstruir a relação serideias”.
Na segunda unidade, abordaremos os diversos problemas ambientais da atualidade, 
uma vez que o planeta é afetado por vários problemas ambientais, muitos deles provocados 
por diversas ações humanas. Estes problemas afetam a fauna, a flora, o solo, as águas, o 
ar etc. Assim, pretendemos chamar a atenção sobre os principais problemas que afetam 
o meio ambiente, demonstrando que são problemas sistêmicos, o que significa que estão 
interligados e são interdependentes. 
Citaremos, além disso, problemas ocasionados pelo desmatamento, suas 
consequências à biodiversidade, queimadas, êxodo rural, processo de industrialização, 
efeito estufa, entre outros. Relataremos sobre os Pressupostos teórico-metodológicos da 
Educação Ambiental, mostrando que, quando nos referimos à educação ambiental, não 
estamos tratando apenas de natureza, como geralmente esse termo é concebido, mas a 
um conjunto de relações sociais, políticas, históricas e econômicas, cujo homem é sujeito 
participante, transformador e, consequentemente, receptor de suas ações. 
Concluiremos citando as correntes que têm uma longa tradição em educação 
ambiental, como a corrente naturalista, conservacionista/recursista, resolutiva, sistêmica, 
científica, humanista, moral/ética e as correntes mais recentes, como a corrente holística, 
biorregionalista, práxica, crítica, feminista, etnográfica, eco-educação e a sustentabilidade.
Na terceira unidade, explanaremos sobre a importância da efetivação da política 
de educação ambiental, a qual visa, precipuamente, estabelecer um vínculo entre 
o indivíduo e o meio ambiente, tornando o primeiro responsável pela preservação e 
desenvolvimento. Para isto, conceituaremos e contextualizaremos Educação Ambiental, 
explanaremos resumidamente sobre os históricos da Educação Ambiental, bem como sua 
transversalidade, a Educação Ambiental na Constituição de 1988 e os pontos relevantes 
da Lei nº 9.795/99 (Lei de Educação Ambiental), no intuito de demonstrar que mudanças 
de paradigmas implicam discutir valores para a construção de uma sociedade mais justa, 
que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a sobrevivência das 
futuras gerações.
Para finalizar, na quarta unidade, com o tema Educação ambiental, relataremos a 
tão falada sustentabilidade e sua relação com o desenvolvimento. Enfatizaremos a diferença 
7
entre desenvolvimento e crescimento, conceituando-os e mostrando o papel da sociedade, 
do governo e das empresas na busca por um mundo mais sustentável em todas as suas 
dimensões: ambiental, social e econômico. 
Discutiremos os capítulos da Agenda 21 global e biodiversidade, que servem 
como instrumento de planejamento participativo em que se admite de forma explícita a 
responsabilidade dos governos em impulsionar programas e projetos ambientais através 
de políticas que visam a justiça social e a preservação do meio ambiente e deve ser 
implementada tanto pelos governos quanto pela sociedade, concretizando o lema da 
ECO92: “pensar globalmente, agir localmente”.
 Falaremos também sobre gerenciamento dos resíduos sólidos como sendo a 
garantia de sustentabilidade para as futuras gerações, uma vez que há uma crescente 
preocupação com a preservação dos recursos naturais e com a questão de saúde pública 
associada ao gerenciamento dos resíduos sólidos e almeja-se, por políticas públicas, 
atingir novos patamares de consciência ambiental, de tecnologia limpa e de crescimento 
sustentável.
Portanto, a partir dos estudos destes capítulos, que possamos cuidar do meio 
ambiente, utilizando mecanismos que permitam a proteção ambiental, assegurando a 
qualidade de vida das pessoas e, principalmente, a conservação dos recursos hídricos 
do solo e da biodiversidade, garantindo o desenvolvimento sustentável e a melhoria das 
condições de vida da sociedade, pois é da natureza que retiramos nossos alimentos e 
garantimos nossa sobrevivência e é possível o desenvolvimento de forma sustentável.
Bom estudo e que, a partir dessa leitura, você possa ser um agente em defesa 
do meio ambiente.
8
SUMÁRIO
Educação Ambiental 
Conceitos e Históricos da Educação Ambiental
Problemas Ambientais 
Princípios e Objetivos da Educação Ambiental
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
PRINCÍPIOS E 
OBJETIVOS DA 
EDUCAÇÃO 
AMBIENTAL1UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
10
Plano de Estudos
• Conceitos básicos da ecologia, espécie, população, comunidade, ecossistema 
e os níveis de organização;
• Os Níveis de Organização da Vida em um Ecossistema;
• Relações entre os seres vivos;
• A importância das inter-relações ecológicas;
• Objetivos do desenvolvimento sustentável. 
Objetivos da Aprendizagem
• Levar à compreensão da importância de buscar integrar as dimensões, 
ambientais, transformando os atuais padrões de desenvolvimento em um novo 
modelo que, além de preservar os recursos naturais, possa reduzir a pobreza, as 
desigualdades de renda e de gênero, a exclusão social, bem como promova a 
paz, a segurança alimentar, o uso eficiente dos recursos, dentre outros desafios 
comuns que os países enfrentam.
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
11
INTRODUÇÃO
A natureza é sábia e, através dos seus exemplos, ensina ao homem como proceder 
para estabelecer uma relação harmoniosa e saudável com o meio onde vive. O homem 
necessita da natureza para extrair os recursos naturais. Entretanto, na maioria das vezes, 
faz o uso de técnicas de manejo inadequadas, não preservando ou não promovendo meios 
para que haja reposição desses recursos de forma que possa suprir a atual e a futura 
geração.
Diante dessa preocupação com o meio ambiente e com os impactos da ação do 
homem na natureza, os estudos elaborados têm apontado que as consequências das 
extinções prematuras de espécies, causadas pelo homem, incidem diretamente sobre seus 
habitats e, também, sobre a qualidade de vida das populações. Assim, o conhecimento 
das inter-relações entre os organismos existentes é fator primordial para a boa relação 
homem-natureza.
Quando a sociedade analisa os problemas ambientais existentes e busca conhecer 
a forma como os organismos se relacionam entre si, dá um grande passo que conduz ao 
desenvolvimento sustentável, pois os organismos da Terra não vivem isolados: interagem 
entre si e com o meio ambiente.
Nesse intuito, os Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio (ODS) foram 
formulados no ano de 2015, visando conciliar economia, ecologia e direitos humanos. Tais 
objetivos foram propostos durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas 
(ONU, 2015), na qual seus 193 Estados-membros aprovaram, por unanimidade, uma nova 
Agenda global para os próximos 15 anos, baseada em 17 Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável (ODS), subdivididos em 169 metas concretas que serão monitoradas por 300 
indicadores. Para a aprovação desses objetivos, a ONU contou, além dos membros de 
Estados, com a colaboração de diversos stakeholders e consultas em mais de 100 países.
A proposta da ONU (2015) não é apenas combater a fome e proteger o meio ambiente, 
mas também inclui temas até então ausentes: energia limpa, cidades sustentáveis, consumo 
e produção responsáveis, redução de diferenças entre homens e mulheres, igualdade de 
gênero e raça, entre outros.
A Agenda 2030 deve ser amplamente discutida no meio acadêmico pelo fato de 
influenciar significativamente todos os seguimentos empresariais, os tomadores de decisão, 
sejam eles formuladores de políticas públicas governamentais ou do setor privado. 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
12
O mundo passa por um momento de transformações quais devem nos levar a um 
novo modelo de desenvolvimento, social e ambientalmente mais adequado às necessidades 
humanas, cujo sucesso só se alcançará se todos, tanto individual como coletivamente, seja 
nas corporações ou nos governos, se propuserem a fazer de forma diferente aquilo que 
estáhumana/natureza, contribuindo 
para o desenvolvimento de uma consciência social e planetária. De acordo com PCN 
(1998), durante muitos séculos, o ser humano se imaginou no centro do Universo, com a 
natureza à sua disposição, e apropriou-se de seus processos, alterou seus ciclos, redefiniu 
seus espaços, mas acabou deparando-se com uma crise ambiental que coloca em risco a 
vida do planeta, inclusive a humana.
O art. 10 (1999, on-line) ensina que a Educação Ambiental “[...] será desenvolvida 
como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e 
modalidades do ensino formal.” Isso apenas deixa claro o quanto deve ser cíclica e 
englobada em todas as séries desde o aprendizado escolar inicial. 
O art. 11, por sua vez, estabelece que a dimensão ambiental deve estar presente 
no currículo de formação de professores em todos os níveis e disciplinas. É certo que as 
reformas curriculares dos cursos de ensino superior até então não abrangeram efetivamente 
as questões ambientais, apesar da obrigatoriedade prevista no art. 12 da Lei nº 9.795/99 
(que determina às faculdades a observância do descrito nos arts. 10 e 11). Não são 
89CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
necessárias profundas pesquisas para que se comprove a lacuna presente na maioria dos 
cursos superiores, que sequer tratam do meio transversalmente. 
Seria indispensável pelo menos a inclusão de matéria voltada especificamente 
para o ensino de questões conexas ao ambiente na grade curricular dos cursos superiores, 
objetivando dar ciência aos alunos acerca de seu caráter transversal. Isso realmente precisa 
se efetivar, pois é importante que os futuros professores do ensino básico se gabaritem para 
ensinar Educação Ambiental, construindo os alicerces do conhecimento de seus alunos 
para uma compreensão acertada do que é o meio ambiente. 
Preocupado com a transmissão do conhecimento sobre o meio àqueles docentes 
mais antigos, o legislador inseriu no parágrafo único do art. 11 (1999, on-line) que “[...] os 
professores em atividade devem receber formação complementar em suas áreas de atuação 
[...]”. Ainda é desconhecida a maneira como se dará tal formação complementar e quais 
cursos serão disponibilizados pelo Poder Público para esse desiderato. Tal complementação 
é essencial para que saibam como transmitir o conhecimento sobre meio ambiente para 
seus alunos, independentemente do grau de desenvolvimento destes.
Trata o art. 13 da Educação Ambiental não-formal. Ele diz que por Educação Ambiental 
não-formal devem se entender as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da 
coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da 
qualidade do meio ambiente. Sob o enfoque informal, a Educação Ambiental está presente 
em todas as manifestações voltadas para o respeito e resguardo da coletividade. Abrange 
desde os aprendizados vindos da convivência parental, ao diálogo entre amigos no trabalho 
e em momentos de descontração, não havendo método específico para ensiná-la, tampouco 
para aprendê-la, devido a sua intensidade e abrangência. 
Assim, o Poder Público, em níveis federal, estadual e municipal, incentivará:
I – a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em 
espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações 
acerca de temas relacionados ao meio ambiente; II – a ampla participação 
da escola, da universidade e de organizações não-governamentais na 
formulação e execução de programas e atividades vinculadas à Educação 
Ambiental não-formal; III – a participação de empresas públicas e privadas 
no desenvolvimento de programas de Educação Ambiental em parceria 
com a escola, a universidade e as organizações não-governamentais; 
IV – a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de 
conservação; V – a sensibilização ambiental das populações tradicionais 
ligadas às unidades de conservação; VI – a sensibilização ambiental dos 
agricultores; VII – o ecoturismo (Brasil, 1999, on-line).
90CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
Em seguida, com o intuito de adentrar na problemática da transversalidade 
da Educação Ambiental nas escolas, será feita uma breve análise dos artigos da Lei nº 
9.795/99 que tratam expressamente do assunto e uma reflexão acerca da forma que o meio 
ambiente deve ser elucidado em sala de aula.
A Educação Ambiental é uma das mais importantes exigências educacionais da 
atualidade, não só no Brasil, mas também no mundo. Por isso, analisar suas finalidades e 
objetivos são fatores de destaque.
Segundo Dias (2001), a Educação Ambiental tem como finalidade: 
a) Ajudar a fazer compreender claramente a existência e a importância da 
interdependência econômica, social, política e ecológica nas zonas urbanas e rurais;
b) Proporcionar a todas as pessoas a possibilidade de adquirir os conhecimentos 
dos valores, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio 
ambiente;
c) Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na 
sociedade, em seu conjunto, a respeito do meio ambiente.
Os objetivos são: 
a) Consciência – ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem consciência 
do meio ambiente global e ajudar-lhes a sensibilizarem-se por essas questões;
b) Conhecimento – ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem diversidade 
de experiências e compreensão fundamental do meio ambiente e dos problemas anexos;
c) Comportamento – ajudar os grupos sociais e os indivíduos a comprometerem-
se com uma série de valores e a sentirem interesse e preocupação pelo meio ambiente, 
motivando-os de tal modo que possam participar ativamente da melhoria e da proteção do 
meio ambiente;
d) Habilidades – ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem as habilidades 
necessárias para determinar e resolver os problemas ambientais;
e) Participação – proporcionar aos grupos sociais e aos indivíduos a possibilidade 
de participarem ativamente das tarefas que tem por objetivo resolver problemas ambientais.
 
91
FIGURA	5	-	TEMAS	TRANSVERSAIS 
Fonte: Terra (2015).
Por transversalidade deve se entender aquilo que designa algo transversal, que 
“[...] passa, ou que está, de través ou obliquamente [...] Que atravessa perpendicularmente 
a superfície de um órgão” (Séguin, 2000, p. 67).
Aplicada na seara educacional, a transversalidade deve ser vista como uma forma 
de se tratarem temas que devem ser difundidos continuamente no ensino formal, através 
de todas as disciplinas e níveis de ensino. Esses assuntos são chamados pelos PCN’s 
(Parâmetros Curriculares Nacionais - uma série de cadernos que traçam as diretrizes do 
ensino formal pátrio) de “temas transversais”.
TRANSVERSALIDADE4
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
92CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
Por tratarem de questões sociais, os Temas Transversais têm natureza 
diferente das áreas convencionais. Sua complexidade faz com que nenhuma 
das áreas, isoladamente, seja suficiente para abordá-los. Ao contrário, a 
problemática dos Temas Transversais atravessa os diferentes campos do 
conhecimento. Por exemplo, a questão ambiental não é compreensível 
apenas a partir das contribuições da Geografia. Necessita de conhecimentos 
históricos, das Ciências Naturais, da Sociologia, da Demografia, da Economia, 
entre outros (Pereira; Terzi, 2009, p. 176). 
 
93
FIGURA	6	-	REPRESENTAÇÃO	ESQUEMÁTICA	DO	FAZER	INTERDISCIPLINAR	A	
PARTIR	DO	CONCEITO	DE	INTERDISCIPLINARIDADE	ADOTADO	NESTE	TRABALHO
Fonte: Diálogos interprofissionais e interdisciplinares, na prática extensionista: o caminho para a inserção do 
conceito ampliado de saúde na formação acadêmica (scielo.br). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S1414-32832019000100263&script=sci_arttext. Acesso: 24 nov. 2020
A Educação Ambiental (EA) é uma importante ferramenta para fortalecera educação 
nacional e sua integração de saberes objetiva-se o rompimento da perspectiva unilateral do 
conhecimento, por meio da interdisciplinaridade e da adoção dos Temas Transversais, em 
especial o tema Meio Ambiente.
INTERDISCIPLINARIDADE 
DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL5
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
94CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
A interdisciplinaridade surge em resposta à diversidade, à complexidade e à 
dinâmica do mundo atual e, apesar da contemporaneidade da discussão, não é uma 
proposta recente. Desde os anos de 1960, a proposta interdisciplinar tem sido apontada 
como alternativa à produção de conhecimento na busca de respostas não encontradas nos 
moldes do conhecimento simplificador, dicotômico e disciplinar da ciência moderna.
Para Almeida Filho (2014), o reconhecimento das limitações apresentadas pelo 
paradigma simplista ao desenvolvimento científico teria exaurido a capacidade de apreensão 
da complexidade das realidades concretas da natureza, da história e das culturas humanas. 
Neste sentido, reivindica a interdisciplinaridade que “[...] ao invés de se apresentar como 
alternativa para substituição de um jeito de produzir e transmitir conhecimento, se propõe a 
ampliar a nossa visão de mundo, de nós mesmos e da realidade, no propósito de superar 
a visão disciplinar” (Almeida Filho, 2014. p. 21).
A Interdisciplinaridade constitui-se quando cada profissional faz uma leitura do 
ambiente de acordo com o seu saber específico, contribuindo para desvendar o real e 
apontando para outras leituras realizadas pelos seus pare. O tema comum, extraído do 
cotidiano, integra e promove a interação de pessoas, áreas, disciplinas, produzindo um 
conhecimento mais amplo e coletivizado. As leituras, descrições, interpretações e análises 
diferentes do mesmo objeto de trabalho permitem a elaboração de um outro saber, que 
busca um entendimento e uma compreensão do ambiente por inteiro.
Porém, essa interação não deve ser buscada apenas ao nível de integração de 
conteúdos, mas, sim, ao nível de integração de conhecimentos parciais, específicos como 
os acima, buscando sempre uma visão de conhecimento local e global.
A Interdisciplinaridade pressupõe, basicamente,
[...] uma intersubjetividade, não pretende a construção de uma superciência, 
mas uma mudança de atitude frente ao problema do conhecimento, uma 
substituição da concepção fragmentária para a unitária do ser humano 
(Fazenda, 2002, p. 40).
A Interdisciplinaridade, ainda, é um termo utilizado para
[...] caracterizar a colaboração existente entre disciplinas diversas ou entre 
setores heterogêneos de uma mesma ciência (Exemplo: Psicologia e seus 
diferentes setores - Personalidade, Desenvolvimento Social, etc.). Caracteriza-
se por uma intensa reciprocidade nas trocas, visando um enriquecimento 
mútuo (Fazenda, 2002, p. 41).
95CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
A abordagem interdisciplinar pretende superar a fragmentação do conhecimento. 
Entretanto, esse é um importante viés a ser perseguido pelos educadores ambientais, no 
qual se permite, pela compreensão mais globalizada do ambiente, trabalhar a interação em 
equilíbrio dos seres humanos com a natureza.
Para Cascino (2000), lutar por uma Educação Ambiental que considere comunidade, 
política e transformação, preservação dos meios naturais, aspirações dos grupos, que 
consolide lutas efetivas na direção da diversidade, em todos os níveis e em todos os tipos 
de vida do planeta, é, indiscutivelmente, a luta por uma nova Educação Ambiental.
Dentro da generalização do discurso educacional presente na sociedade, escolher 
a concepção de educação que referenciará a prática educativa e interdisciplinar é uma 
decisão eminentemente política a ser tomada pelos educadores.
[...] a educação ambiental deve ser uma concepção totalizadora de educação 
e que é possível quando resulta de um projeto político pedagógico orgânico, 
construído coletivamente na interação escola e comunidade, e articulado com 
os movimentos populares organizados comprometidos com a preservação da 
vida em seu sentido mais profundo (Garcia apud Guimarães, 2000, p. 68).
Em Educação Ambiental, sempre se disse que o fundamento para o desenvolvimento 
de toda prática é sua característica interdisciplinar. Tal afirmação correta está fundada na 
análise de seu percurso histórico, inclusive como um poderoso instrumento para rever as 
práticas educacionais mais tradicionais.
Torna-se necessário pensar a Educação Ambiental/Interdisciplinaridade em termos 
de processo de formação total do homem como agente ambiental, quando é preciso sempre 
partir de um referencial seguro, galgado no suporte Teórico/Prático. 
A Educação Ambiental está também interligada ao método interdisciplinar. 
Entretanto, esse método está compreendido e aplicado numa perspectiva educativa.
[...] a Educação Ambiental, como perspectiva educativa, pode estar presente 
em todas as disciplinas, quando analisa temas que permitem enfocar as 
relações entre a humanidade e o meio natural, e as relações sociais, sem 
deixar de lado as suas especificidades (Reigota, 2001, p. 25).
A este respeito, Educação Ambiental e Interdisciplinaridade podem e devem 
realmente Constituir/Construir um motor de Transformação/Libertação pedagógica, em 
que, neste sentido, venham a agir como um integrador de criatividade, girando em torno 
desses vetores que questionam, sobretudo, e criticam uma realidade existente no processo 
educacional.
96CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
A Educação Ambiental como disciplina integradora nos vários segmentos 
educacionais pode ser um enriquecedor exercício que antecede a inclusão dessa perspectiva 
nas outras disciplinas clássicas do enfoque curricular.
Com uma percepção mais totalizadora, a Educação Ambiental/Interdisciplinaridade, 
busca, através de apostas metodológicas, informar e estimular a percepção dos educadores 
ambientais, profissionais e pessoas, de modo a sensibilizá-los para participar de ações 
das quais, num exercício pleno de cidadania, possam encontrar soluções sustentáveis 
que assegurem a manutenção e elevação da qualidade de vida e da qualidade que o ser 
humano tem de se integrar.
 
97
FIGURA	7	-	JUSTIÇA	AMBIENTAL
Fonte: Rusch (2019).
É importante destacar de início que a Carta Magna trouxe grande avanço no que toca 
às questões ambientais, pois foi uma das primeiras constituições do mundo a tratar do meio 
ambiente em capítulo próprio, o que veio a ser feito em demais países por meio de emendas, 
conforme lembra Édis Milaré (2004), ao referir-se às modificações nas Constituições do Chile 
e Panamá (1972), Iugoslávia (1974), Portugal (1976) e Espanha (1978).
Foi necessária uma longa espera para que surgisse, na seara nacional, 
regulamentação expressa da matéria. A norma do art. 225 §1°, VI, da CRFB/88 é de eficácia 
plena e, por isso, independente de regulamentação legal. Tem-se que, desde a previsão 
pela Lei Maior, a Educação Ambiental já tinha se inserido como assunto relevante no ensino, 
apesar da inexistência de previsões específicas e maior regulamentação no âmbito federal.
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
NA CONSTITUIÇÃO DE 19886
TÓPICO
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
98CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
Assim, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 225 entende: “meio ambiente” 
como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e 
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
A Constituição Federal (1988, p. 103), Art. 225, prevê que toda a coletividade tem 
responsabilidade na proteção do meio ambiente, visando garantir seu equilíbrio ecológico 
com “qualidade de vida a todos os seres vivos”, dando sustentação para o meio ambiente 
se recompor em caso de degradação. “Cabe ao poder público e à coletividade o dever de 
defendê-lo e preservá-lopara os presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988, on-line).
O § 1º, I ao VII da Constituição Federal incumbe ao poder público assegurar a 
efetividade do direito de:
 I. Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o 
manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II. Preservar a diversidade 
e a integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades 
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III. Definir, em todas 
as unidades da federação, espaços territoriais e seus componentes a serem 
especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente 
através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade 
dos atributos que justifiquem sua proteção; IV. Exigir, na forma da lei, para 
instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa 
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que 
se dará publicidade; V. Controlar a produção, a comercialização e o emprego 
de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a 
qualidade de vida e o meio ambiente; VI. Promover a educação ambiental em 
todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do 
meio ambiente; VII. Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as 
práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção 
de espécies ou submetam os animais à crueldade (Brasil, 1988, p. 103).
Após a previsão constitucional datada de 1988, somente depois de mais de dez 
anos, em 27 de abril de 1999, foi promulgada a Lei nº 9.795, que é pertinente ao assunto.
99
A Lei nº 6.938/1981- Política Nacional do Meio Ambiente no Brasil - tem por objetivo a preservação, a 
melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao 
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida 
humana. 
A educação ambiental deve ser trabalhada em todos os níveis de ensino, inclusive a educação da 
comunidade, objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente, e complementa 
em seu artigo quarto que deve haver a compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a 
preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.
Fonte: Brasil (1981).
A primeira visão quando se pensa em “meio ambiente” é de um lugar com muito verde, com muitos bichos 
ou, então, uma bela praia e que somente tais lugares merecem o respeito da educação ambiental. 
Porém, quero que você reflita o seguinte: educação ambiental é para todo ambiente e engloba tudo o que 
ele apresenta. Portanto, o ambiente doméstico, a escola, a faculdade e até mesmo o metrô/ônibus ou trem 
que você pega para chegar em qualquer lugar são lugares para a educação ambiental. 
Educação ambiental é para ser aplicada em todo ambiente. Produzir menos lixo é mais sustentável que 
reciclar. É preciso usar água somente quando for estritamente necessário.
Fonte: Lys (2019).
REFLITA
SAIBA
MAIS
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
100
A educação ambiental surgiu com uma ideia conservacionista, de preservação do 
meio ambiente tal como está. Tal ideia foi se modificando e agregando questões sociais, 
humanas e políticas. A evolução dos parâmetros de educação ambiental teve seu marco 
principalmente nas conferências internacionais do clima e do meio ambiente. As pressões 
populares durante a Rio+20, por exemplo, forçaram instituições governamentais a dar 
mais atenção às Metas do Milênio. A Carta da Terra foi outra iniciativa fortalecida por uma 
iniciativa de movimento popular.
No Brasil, a educação ambiental ainda é assunto periférico, apesar de seu 
crescimento nas agendas populares. A regulamentação da política de educação ambiental 
municipal da cidade é um dos objetivos previstos pela atual gestão.
A educação deve ser vista não como apenas um meio de repassar informações. 
Ela tem a capacidade e a postura perante a sociedade. É por meio da educação ambiental 
que se alcança o desenvolvimento de uma conscientização com foco no interesse do aluno 
pela preservação ambiental construída de forma conjunta. O objetivo maior da educação 
ambiental é promover no sujeito a adoção de uma nova postura em relação ao ambiente 
em que vive, a partir de suas experiências pessoais. 
O processo de orientação educacional é de suma importância na vida das 
pessoas, seja por meio das instituições educacionais, seja no seio familiar. De forma que o 
aprendizado passa por um conjunto de interações, sejam elas, professor/aluno ou familiar, 
o mais importante é que as transformações aconteçam de forma positiva na vida do sujeito.
Na leitura da Lei nº 9.795/99, depreende-se claramente o quanto enfatiza a 
importância do meio ambiente e sua contínua contextualização nos planos da educação 
formal e informal. Em que pese a não efetividade de muitas das disposições legais, é 
necessário que os problemas relacionados à Educação Ambiental sejam trazidos à tona. 
Dentre eles, o destaque para a transversalidade é dos mais imprescindíveis, porque, 
enquanto todos os professores não conseguirem perceber a abrangência e importância do 
meio ambiente, discutindo isso com os alunos, não haverá como se falar de um vigoroso 
processo de conscientização. Por causa da necessária reiteração da relevância e ocorrência 
desse processo é que o legislador, sabiamente, preferiu pela contextualização transversal, 
em vez de inserção do meio ambiente em disciplina específica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
101
MATERIAL COMPLEMENTAR
• WEB
• Título: Lei nº 12.305 - Política Nacional de Resíduos Sólidos
• Sinopse: no final do século passado e no início deste século, uma 
onda verde tomou conta de todo planeta. As pessoas começaram 
a perceber que os recursos naturais estavam se esgotando e que, 
para ter a preservação da vida na terra, é preciso a preservação do 
meio ambiente. No início, as discussões eram calorosas e o poder 
público não deu a devida importância ao tema, mas o que poderia 
causar um esfriamento na divulgação do assunto foi na verdade 
um combustível, para que a onda verde movimentasse o mundo.
• Link: http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/lei-12305-
pol%C3%ADtica-nacional-de-res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos.
• WEB
• Título: Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos 
Sólidos
• Sinopse: a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei 
nº 12.305/2010) estabelece em seu art. 8º um rol de instrumentos 
necessários para o alcance dos objetivos da política, sendo 
que os planos de resíduos sólidos são um dos principais e mais 
importantes instrumentos, podendo ser elaborados a nível 
nacional, estadual, microrregional, de regiões metropolitanas ou 
aglomerações urbanas, intermunicipal, municipal, bem como a 
nível dos geradores descritos no art. 20.
• Link: http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/
residuos-solidos/instrumentos-da-politica-de-residuos/planos-
municipais-de-gest%C3%A3o-integrada-de-res%C3%ADduos-
s%C3%B3lidos
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/lei-12305-pol%C3%ADtica-nacional-de-res%C3%ADduos-s%C3%B3lid
http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/lei-12305-pol%C3%ADtica-nacional-de-res%C3%ADduos-s%C3%B3lid
http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/instrumentos-da-politica-de-residuos/pla
http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/instrumentos-da-politica-de-residuos/pla
http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/instrumentos-da-politica-de-residuos/pla
http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/instrumentos-da-politica-de-residuos/pla
102
• FILME/VÍDEO
• Título: História e contexto da educação ambiental
• Ano: 2017
• Sinopse: lutas de convencimento das pessoas em relação 
ao meio ambiente através do processo educativo. Busca pela 
consciência ambiental e conservaçãoe preservação da natureza.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=Z1dTem-OhKU.
• FILME/VÍDEO
• Título: Educação Ambiental - Aula 3: Concepções de Educação 
ambiental
• Ano: 2018
• Sinopse: formas de trabalhar educação ambiental. Educação 
ambiental de aspecto ambiental no sentido cognitivo, sobre o 
ambiente, que informa sobre os elementos da natureza; a educação 
ambiental afetiva busca educação ambiental no ambiente, 
sensações sobre ecoturismo, paisagem que leva a sensibilização 
através da emoção, mostrando a realidade; educação ambiental 
participativa para o ambiente, trabalhando para a construção de 
políticas públicas que possibilite melhor qualidade de vida.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=YLqVMjmd6xM. 
CONCEITOS E HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 3
https://www.youtube.com/watch?v=Z1dTem-OhKU.
https://www.youtube.com/watch?v=YLqVMjmd6xM.
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
EDUCAÇÃO 
AMBIENTAL4UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
104
Plano de Estudos
• Agenda 21 global e Biodiversidade;
• Conceito de desenvolvimento sustentável;
• As dimensões do desenvolvimento sustentável;
• Gerenciamento dos resíduos sólidos.
Objetivos da Aprendizagem
• Contribuir de forma significante na compreensão do conceito de desenvolvimento 
e como a transição para sustentabilidade, entendendo o que as dimensões e os 
objetivos do desenvolvimento sustentável proporcionam para uma sociedade. 
E através da Educação ambiental, a sustentabilidade possa tornar uma prática 
diária proporcionando melhoria de qualidade da vida do homem e de todos os 
seres vivos na Terra e ao mesmo tempo respeitando a capacidade de produção 
dos ecossistemas nos quais vivemos.
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
105
A Agenda 21 é, sem dúvida, um dos grandes legados da Conferência das Nações 
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 
1992, que sistematiza um plano de ações com o objetivo de alcançar o desenvolvimento 
sustentável. Durante dois anos, governos e entidades de diversos países contribuíram com 
propostas para a criação deste plano de ações para concretizar o ideal de desenvolver sem 
agredir ao meio ambiente.
A inovação trazida por essa agenda foi colocar em primeira ordem o que geralmente 
costumava ficar sempre em último lugar quando o assunto era desenvolvimento: o meio 
ambiente. Até então, todas as políticas de desenvolvimento visavam sempre o crescimento 
econômico, legando ao último lugar a preocupação com o futuro ambiental do planeta, isso 
quando ainda se atribuía alguma preocupação a este assunto.
A partir de então, 179 países assumiram o compromisso de contribuir para a 
preservação do meio ambiente.
A Agenda 21 é um instrumento de planejamento participativo através do qual se 
admite de forma explícita a responsabilidade dos governos em impulsionar programas e 
projetos ambientais por meio de políticas que visam a justiça social e a preservação do 
meio ambiente e deve ser implementada tanto pelos governos quanto pela sociedade, 
concretizando o lema da ECO92: “pensar globalmente, agir localmente”.
Ao todo, 179 países participaram da Rio 92, acordaram e assinaram a Agenda 
21 Global, um programa de ação baseado num documento de 40 capítulos, que constitui 
a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo 
padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”. O termo “Agenda 
21” foi usado no sentido de intenções, desejo de mudança para esse novo modelo de 
desenvolvimento para o século XXI.
INTRODUÇÃO
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
106
A Agenda 21 Global foi o Documento assinado em 14 de junho de 1992, no Rio de 
Janeiro, por 179 países, resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento - Rio 92, podendo ser definida como um instrumento de planejamento 
para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que 
concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
Organizada por grupos temáticos em 40 capítulos, é dividida em quatro seções, 
onde são apontadas as bases para ações, os objetivos, as atividades e os meios de 
implementação de planos, programas e projetos direcionados à melhoria da qualidade de 
vida e às questões relativas à conservação e gestão de recursos para o desenvolvimento 
sustentável.
As experiências aprendidas com a construção da agenda 21 são de grande 
utilidade para a consecução dos Objetivos Desenvolvimento do Milênio - ODM. Essas 
lições decorrem do fato de a Agenda 21 funcionar como canal para envolver a sociedade, 
o que pode propiciar maior participação na consecução dos ODM; contribuir para agregar 
conceitos à aferição das Metas e à avaliação de tendências no horizonte de longo prazo; 
ajudar, por ter mais amplitude, na adaptação/adoção de Metas e indicadores apropriados 
à cada realidade e contribuir, avaliando se o que se faz para os ODM está no caminho da 
sustentabilidade do desenvolvimento. 
A Agenda está organizada em seções e capítulos, tratando das dimensões sociais 
e econômicas, nos quais são discutidas as políticas internacionais que podem ajudar a 
viabilizar o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, as estratégias 
AGENDA 21 GLOBAL E 
BIODIVERSIDADE1
TÓPICO
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
107EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
de combate à pobreza e à miséria, a necessidade de introduzir mudanças nos padrões de 
produção e consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica e 
as propostas para a melhoria da saúde pública e da qualidade de vida dos assentamentos 
humanos.
A referida agenda aponta, ainda, os graves problemas pelos quais passa a 
humanidade e faz uma conclamação a todas as nações para se unirem em prol do 
desenvolvimento sustentável. Adverte para o fato de que o êxito da sua execução é da 
responsabilidade dos governos e que, para concretizá-la, são cruciais as estratégias, 
os planos, as políticas e os processos nacionais, sendo que a cooperação internacional 
deverá complementar e apoiar esses esforços. O sistema da ONU e outras organizações 
internacionais devem desempenhar um papel importante nessa cooperação. A participação 
pública e o envolvimento das ONGs (Organizações Não Governamentais) devem ser 
estimulados. 
Relata também a importância da cooperação internacional para acelerar o 
desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento e políticas internas correlatas. 
Enfatiza, ainda, o combate à pobreza, buscando a capacitação dos pobres para a obtenção 
de meios de subsistência sustentáveis. É de importante destaque que, no capítulo quatro, 
demonstra a importância de buscar a mudança dos padrões de consumo. 
Também trata da dinâmica demográfica e sustentabilidade, fazendo exame 
dos padrões insustentáveis de produção e consumo e estabelecendo a importância de 
desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais para estimular mudanças nos padrões 
insustentáveis de consumo. Além disso, fala da proteção e promoção das condições da 
saúde humana, enfatizando a satisfação das necessidades de atendimento primário da 
saúde, especialmente nas zonas rurais, controle das moléstias contagiosas, proteção 
dos grupos vulneráveis, o desafio da saúde urbana e redução dos riscos para a saúde 
decorrentes da poluição e dos perigos ambientais. 
Trata ainda da promoção do desenvolvimento sustentável dos assentamentos 
humanos: promover a existência integrada de infraestrutura ambiental (água, saneamento, 
drenagem e manejo de resíduos sólidos); promover sistemas sustentáveis de energia 
e transporte nos assentamentos humanos; promover o planejamento e o manejo dos 
assentamentos humanos localizados em áreas sujeitas a desastres; promover atividades 
sustentáveis na indústria da construção.
Já a seção II trata da conservação e do gerenciamento dos recursos para o 
desenvolvimento, possui 14 capítulos e diz respeito ao manejodos recursos naturais 
108EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
(incluindo solos, água, mares e energia) e de resíduos e substâncias tóxicas de forma 
a assegurar o desenvolvimento sustentável. Em seu capítulo nove, trata da proteção da 
atmosfera. No capítulo dez, faz a abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento 
dos recursos terrestres e relata a abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento 
dos recursos terrestres.
Relata também a importância do combate ao desflorestamento: estabelecimento 
e/ou fortalecimento das capacidades de planejamento, avaliação e acompanhamento 
de programas, projetos e atividades da área florestal, ou conexos, inclusive comércio e 
operações comerciais.
●	 Capítulo	12	Manejo de ecossistemas frágeis: a luta contra a desertificação e a 
seca, entre outros, estabelece o fortalecimento da base de conhecimentos e desenvolvimento 
de sistemas de informação e monitoramento para regiões propensas à desertificação e 
seca, sem esquecer os aspectos econômicos e sociais desses ecossistemas e o combate 
à degradação do solo por meio da intensificação das atividades de conservação do solo, 
florestamento e reflorestamento.
●	 Capítulo	 13	 Gerenciamento de ecossistemas frágeis: desenvolvimento 
sustentável das montanhas - geração e fortalecimento dos conhecimentos relativos à 
ecologia e ao Desenvolvimento Sustentável dos ecossistemas das montanhas e promoção 
do desenvolvimento integrado das bacias hidrográficas e de meios alternativos de 
subsistência.
●	 Capítulo	 14: promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável, 
relata a importância em rever, planejamento e programação integrada da política agrícola 
à luz do aspecto multifuncional da agricultura, em especial no que diz respeito à segurança 
alimentar e ao Desenvolvimento Sustentável; obtenção da participação popular e promoção 
do desenvolvimento de recursos humanos para a agricultura sustentável e melhoria na 
produção agrícola e dos sistemas de cultivo por meio da diversificação do emprego não 
agrícola e do desenvolvimento da infraestrutura. 
●	 Capítulo	 15: conservação da diversidade biológica - conservação da 
diversidade biológica.
●	 Capítulo	16:	manejo ambientalmente saudável da biotecnologia; aumento da 
disponibilidade de alimentos, forragens e matérias-primas renováveis; melhoria da saúde 
humana; aumento da proteção do meio ambiente e aumento da segurança e desenvolvimento 
de mecanismos de cooperação internacional.
109EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
●	 Capítulo	17:	proteção dos oceanos, de todos os tipos de mares – inclusive 
mares fechados e semifechados – e das zonas costeiras, e proteção, uso racional e 
desenvolvimento de seus recursos vivos; gerenciamento integrado e desenvolvimento 
sustentável das zonas costeiras, inclusive zonas econômicas exclusivas e entre outros a 
proteção do meio ambiente marinho e uso sustentável e conservação dos recursos marinhos 
vivos de alto-mar.
●	 Capítulo	18: proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos: 
aplicação de critérios integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos recursos hídricos; 
desenvolvimento e manejo integrado dos recursos hídricos; avaliação dos recursos hídricos; 
proteção dos recursos hídricos, da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos; 
abastecimento de água potável e saneamento; água e desenvolvimento urbano sustentável; 
água para produção sustentável de alimentos e desenvolvimento rural sustentável; impactos 
da mudança do clima sobre os recursos hídricos.
●	 Capítulo	 19: manejo ecologicamente saudável das substâncias químicas 
tóxicas, incluída a prevenção do tráfico internacional ilegal dos produtos tóxicos e perigosos-
expansão e aceleração da avaliação internacional dos riscos químicos; harmonização da 
classificação e da rotulagem dos produtos químicos; intercâmbio de informações sobre os 
produtos químicos tóxicos e os riscos químicos; implantação de programas de redução dos 
riscos; fortalecimento das capacidades e potenciais nacionais para o manejo dos produtos 
químicos; prevenção do tráfico internacional ilegal dos produtos tóxicos e perigosos.
●	 Capítulo	 20:	 manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e 
questões relacionadas do tráfico internacional ilícito de resíduos perigosos; promoção da 
prevenção e redução ao mínimo dos resíduos perigosos e promoção e fortalecimento da 
cooperação internacional para o manejo dos movimentos transfronteiriços de resíduos 
perigosos; além da prevenção do tráfico internacional ilícito de resíduos perigosos.
●	 Capítulo	 21: manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e 
questões relacionadas com os esgotos, proteção da qualidade e da oferta dos recursos de 
água doce.
●	 Capítulo	 22: manejo seguro e ambientalmente saudável dos resíduos 
radioativos; promoção do manejo seguro e ambientalmente saudável dos resíduos 
radioativos.
A seção III relata o fortalecimento do papel dos grupos principais e aborda as 
ações necessárias para promover a participação, nos processos decisórios, de alguns dos 
segmentos sociais mais relevantes. O compromisso e a participação genuína de todos os 
110EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
grupos sociais terão uma importância decisiva na implementação eficaz dos objetivos, das 
políticas e dos mecanismos ajustados pelos Governos em todas as áreas de programas da 
Agenda 21. Como pré-requisito fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável, 
fica estabelecida a ampla participação da opinião pública na tomada de decisões. Portanto, 
a necessidade de uma sociedade consciente exige que se preparem indivíduos, grupos e 
organizações para participarem em procedimentos de avaliação do impacto ambiental, bem 
como conhecer e participar das decisões, principalmente aquelas que possam vir a afetar 
as comunidades nas quais vivem e trabalham.
Os próximos capítulos estão estruturados de forma a avançar na direção de uma 
autêntica participação pública em apoio aos esforços comuns pelo desenvolvimento 
sustentável. O capítulo 23 traz em seu preâmbulo o compromisso e a participação de todos 
os grupos sociais são de fundamental importância na implementação dos objetivos da 
Agenda 21.
Indivíduos, grupos e organizações devem ter acesso à informação pertinente ao 
meio ambiente e desenvolvimento, detidas pelas autoridades nacionais.
Toda política, definição ou norma que afete o acesso das ONGs ao trabalho das 
instituições e organismos das Nações Unidas relacionado com a implantação da Agenda 
21, ou a participação dela neste trabalho, deve aplicar-se igualmente a todos os grupos 
importantes.
●	 Capítulo	24: ação mundial pela mulher, com vistas a um desenvolvimento 
sustentável e equitativo, o foco está no endosso estabelecido pela Comunidade 
Internacional, quanto aos vários planos de ação, e convenções que permitem a integração 
plena, equitativa e benéfica da mulher em todas as atividades relativas ao desenvolvimento. 
O objetivo é propor aos Governos nacionais a implementação de estratégias prospectivas 
para o progresso da mulher, particularmente em relação à participação da mulher no manejo 
nacional dos ecossistemas e no controle da degradação ambiental. Ao lado disso, pretende-
se aumentar a proporção de mulheres nos postos de decisão, planejamento, assessoria 
técnica, manejo e divulgação no campo de meio ambiente e desenvolvimento.
Os Governos devem se dedicar ativamente a implementar as atividades elencadas 
pela Agenda 21, entre elas:
• Medidas para examinar políticas e estabelecer planos a fim de aumentar 
a proporção de mulheres que participem como responsáveis pela tomada de decisões, 
planejadoras, gerentes, cientistas e assessoras técnicas na formulação, no desenvolvimento 
e na implementação de políticas e programas para o desenvolvimento sustentável;
111EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
• Medidas para fortalecer e dar poderes a organismos, organizações não 
governamentais e grupos femininos a fimde aumentar o fortalecimento institucional para o 
desenvolvimento sustentável;
• Programas para apoiar e aumentar as oportunidades de emprego em condições 
de igualdade e remuneração equitativa da mulher nos setores formal e informal, com 
sistemas e serviços de apoio econômico, político e sociais adequados que compreendam o 
cuidado das crianças, em particular creches e licença para os pais, e acesso igual a crédito, 
terra e outros recursos naturais.
●	 Capítulo	 25: a infância e a juventude no desenvolvimento sustentável; 
promoção do papel da juventude e de sua participação ativa na proteção do meio ambiente 
e no fomento do desenvolvimento econômico e social; e a criança no desenvolvimento 
sustentável.
●	 Capítulo	 26: reconhecimento e fortalecimento do papel das populações 
indígenas e suas comunidades; as populações indígenas e suas comunidades, que 
representam um percentual significativo da população mundial, têm uma relação histórica 
com suas terras e, em geral, descendem dos habitantes originais dessas terras. As 
populações indígenas e suas comunidades devem desfrutar a plenitude dos direitos 
humanos e das liberdades fundamentais, sem impedimentos ou discriminações. 
Sua capacidade de participar plenamente das práticas de desenvolvimento 
sustentável em suas terras tendeu a ser limitada, em consequência de fatores de natureza 
econômica, social e histórica. 
Tendo em vista a inter-relação entre o meio natural, seu desenvolvimento sustentável 
e o bem-estar cultural, social, econômico e físico das populações indígenas, os esforços 
nacionais e internacionais de implementação de um desenvolvimento ambientalmente 
saudável e sustentável devem reconhecer, acomodar, promover e fortalecer o papel das 
populações indígenas e suas comunidades, tomando por base os instrumentos de política 
pública para implementar e aperfeiçoar a Convenção sobre a Diversidade Biológica.
●	 Capítulo	27: fortalecimento do papel das organizações não governamentais: 
parceiros para um desenvolvimento sustentável; a democracia participativa tem se 
fortalecido com o papel que as organizações não-governamentais vêm desempenhando, 
na modelagem e implementação. A sua credibilidade está sustentada sobre o papel 
responsável e construtivo que desempenham na sociedade. As organizações formais e 
informais, bem como os movimentos populares, devem ser reconhecidas como parceiras 
na implementação da Agenda 21. A comunidade mundial vem enfrentando um grande 
112EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
desafio na busca da substituição dos padrões de desenvolvimento insustentável por um 
desenvolvimento ambientalmente saudável e sustentável.
O objetivo é fazer com que a sociedade, os governos e os organismos internacionais 
desenvolvam mecanismos para permitir que as organizações não governamentais 
desempenhem seu papel de parcerias com responsabilidade e eficácia no processo de 
desenvolvimento sustentável e ambientalmente saudável.
●	 Capítulo	28: iniciativas das autoridades locais em apoio à Agenda 21; como 
muitos dos problemas e soluções tratados na Agenda 21 têm suas raízes nas atividades 
locais, é necessário o envolvimento das autoridades das próprias regiões nos processos 
de planejamento. Como nível de governo mais próximo do povo, desempenham um 
papel fundamental na educação, mobilização e resposta ao público, em favor de um 
desenvolvimento sustentável. Deve-se fomentar parceria entre órgãos internacionais com 
o objetivo de melhorar e ampliar as instituições já existentes que trabalham nos campos da 
capacitação institucional e técnica das autoridades locais e no manejo do meio ambiente. 
Todas as autoridades locais de cada país devem ser estimuladas a implementar e movimentar 
programas a assegurar a representação da mulher e da juventude nos processos de tomada 
de decisões, planejamento e implementação. O intercâmbio de informações, experiências e 
assistência técnica deve ser incentivado.
●	 Capítulo	29: fortalecimento do papel dos Trabalhadores e de seus sindicatos; 
para a implementação do desenvolvimento sustentável, cabe o envolvimento e ajustes de 
oportunidades aos níveis nacionais e empresariais e à classe dos trabalhadores, que estará 
entre os primeiros interessados. O objetivo é abrandar a pobreza e o emprego pleno e 
sustentável, que contribui para ambientes seguros, limpos e saudáveis.
Para esse fim, são necessárias as seguintes ações: promover a ratificação das 
convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a promulgação de legislações 
em apoio a elas; estabelecer mecanismos bipartites e tripartites sobre segurança, saúde 
e desenvolvimento sustentável; aumentar o número de acordos ambientais coletivos; 
reduzir os acidentes, ferimentos e moléstias do trabalho; aumentar a oferta de educação, 
capacitação e atualização para os trabalhadores, em particular nas áreas de saúde e 
segurança.
Os trabalhadores devem ser envolvidos a participar plenamente da implementação 
e avaliação das atividades relacionadas com a Agenda 21.
●	 Capítulo	 30:	 fortalecimento do papel do comércio e da indústria; para o 
desenvolvimento econômico e social de um país, o papel do comércio e da indústria é 
113EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
de fundamental importância. O objetivo principal do processo de desenvolvimento é, sem 
dúvida, o resultado das atividades do comércio e da indústria. As empresas comerciais, 
grandes e pequenas, formais e informais, proporcionam oportunidades importantes de 
intercâmbio, emprego e subsistência. As oportunidades comerciais disponíveis para 
a mulher estão contribuindo para o desenvolvimento profissional dela, fortalecendo seu 
papel econômico e transformando os sistemas sociais. O comércio e a indústria, inclusive 
as empresas transnacionais e suas organizações representativas, devem participar 
plenamente da implementação e avaliação das atividades da Agenda 21. O objetivo é 
aumentar a eficiência da utilização de recursos, inclusive com o aumento da reutilização e 
reciclagem de resíduos.
Como área de programas, fica estabelecido o que segue:
• Promoção de uma população mais limpa;
• Promoção da responsabilidade empresarial.
● Capítulo 31: a comunidade científica e tecnológica; melhoria da comunicação 
e cooperação entre a comunidade científica e tecnológica, os responsáveis por decisões 
e o público e promoção de códigos de conduta e diretrizes relacionados com ciência e 
tecnologia.
●	 Capítulo	32: fortalecimento do papel dos agricultores; um terço da superfície 
da Terra é ocupada pela agricultura, que constitui a atividade central de grande parte da 
população mundial. As atividades agrícolas estão intimamente ligadas com a natureza, 
agregando valor por meio da produção de recursos renováveis, ao mesmo tempo em que 
se tornam vulneráveis à exploração excessiva e ao manejo inadequado. A área de programa 
traz como proposta uma abordagem centrada no agricultor, que é a chave para alcançar 
a sustentabilidade tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento. 
O ponto fundamental é a motivação dos agricultores, e as políticas governamentais que 
proporcionam incentivos para que sejam gerenciados recursos naturais de maneira eficiente 
e sustentável.
Os trabalhos da Agenda 21 contemplam também o desenvolvimento sustentável das 
populações que vivem em ecossistemas marginais e frágeis. Os governos e as organizações 
de agricultores têm o papel de criar mecanismos para documentar, sintetizar e difundir 
experiências locais de conhecimentos, práticas e projetos. Também o estabelecimento de 
redes, visando ao intercâmbio de experiências relacionadas com a agricultura, que ajudem 
a conservar os recursos do solo, hídricos e florestais, a reduzir ao mínimo o uso de produtos 
químicos e reduzir ou reutilizar os resíduos agrícolas.
114EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
A seção IV, sobre meios de Implementação, discorre sobre mecanismos financeiros 
e instrumentos jurídicosnacionais e internacionais existentes e a serem criados, com vistas 
à implementação de programas e projetos orientados para a sustentabilidade.
●	 Capítulo	33:	recursos e mecanismos de financiamento; o foco deste capítulo 
está na identificação de meios que proporcionam recursos financeiros novos e adicionais, 
principalmente para os países em desenvolvimento. A Agenda 21 trabalha em torno do 
crescimento econômico, do desenvolvimento social e da erradicação da pobreza, como 
prioridades absolutas dos países em desenvolvimento, que são essenciais para alcançar 
os objetivos nacionais e mundiais de sustentabilidade. 
●	 Capítulo	34:	transferência de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação 
e fortalecimento institucional - a necessidade de acesso a tecnologias ambientalmente 
saudáveis e de sua transferência em condições favoráveis é de grande importância. A 
cooperação tecnológica supõe esforços comuns das empresas e dos Governos, ambos 
provedores e receptores de tecnologia. As disponibilidades de informação científicas e 
tecnológicas são requisitos essenciais para o desenvolvimento sustentável. O provimento 
de informação adequada sobre os aspectos ambientais das tecnologias atuais tem dois 
componentes inter-relacionados, ou seja, aperfeiçoar a informação sobre as tecnologias 
atuais e as mais modernas, inclusive sobre seus riscos ambientais, e facilitar o acesso 
às tecnologias ambientalmente saudáveis. O objetivo principal de um melhor acesso à 
informação tecnológica é permitir escolhas com conhecimento de causa que facilitem aos 
países o acesso ou a transferência de tecnologias e o fortalecimento de suas capacidades 
tecnológicas.
● Capítulo 35: a ciência para o desenvolvimento sustentável; fortalecimento da 
base científica para o manejo sustentável; aumento do conhecimento científico; melhora da 
avaliação científica de longo prazo; aumento das capacidades e potenciais científicos.
●	 Capítulo	 36:	 promoção do ensino, da conscientização e do treinamento; 
a Agenda 21 não poderia deixar de contemplar uma área de programa de fundamental 
importância para o desenvolvimento do ser humano. E por meio do processo de ensino, 
conscientização e treinamento que procuramos satisfazer as necessidades básicas, o 
fortalecimento institucional e técnico, dados e informações, ciência e papel dos principais 
grupos. As áreas de programas deste capítulo tratam da:
• Reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável;
• Aumento da consciência pública;
• Promoção do treinamento.
115EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
●	 Capítulo	37: Mecanismos nacionais e cooperação Internacional para 
fortalecimento institucional nos países em desenvolvimento.
Este capítulo nos mostra como desenvolver e melhorar as capacidades nacionais e 
as sub-regionais e regionais conexas de desenvolvimento sustentável, com a participação 
dos setores não-governamentais. O programa tem como foco a prestação de apoio 
por meio de promoção de um processo constante de participação para determinar as 
necessidades e prioridades dos países, relacionadas com a promoção da Agenda 21. É 
de grande importância o desenvolvimento dos recursos humanos, técnicos, profissionais, 
e o desenvolvimento das capacidades institucionais na agenda dos países, assim como a 
melhoria da eficácia das instituições existentes e das organizações não governamentais, 
inclusive das instituições científicas e tecnológicas.
●	 Capítulo	 38: arranjos institucionais internacionais, tem como objetivo a 
integração das questões de meio ambiente e desenvolvimento nos planos nacional, sub-
regional, regional e internacional, inclusive nos arranjos institucionais do sistema das 
Nações Unidas. Como objetivo específico, foram elencados:
• Assegurar e examinar a implementação da Agenda 21 de forma a alcançar 
o desenvolvimento sustentável em todos os países; realçar o papel e funcionamento do 
sistema das Nações Unidas no campo do meio ambiente e desenvolvimento.
• Todos os organismos, organizações e programas pertinentes do sistema 
devem adotar programas concretos para a implementação da Agenda 21. E, em suas 
respectivas áreas de competência, devem proporcionar orientação para as atividades das 
Nações Unidas ou assessoramento aos Governos, quando solicitado.
●	 Capítulo	 39:	 instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais; deve-
se levar em consideração o avanço do desenvolvimento do Direito Internacional para o 
desenvolvimento sustentável, com especial atenção para o delicado equilíbrio entre as 
preocupações com o meio ambiente e com o desenvolvimento. Também há a necessidade 
de esclarecer e reforçar a relação entre instrumentos ou acordos internacionais existentes 
no campo do meio ambiente. Deve-se considerar sempre as necessidades especiais dos 
países em desenvolvimento.
Conforme descrito no documento da Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 2001, no capítulo 40 são descritas as informações 
para a tomada de decisões - no desenvolvimento sustentável, cada pessoa é usuária e 
provedora de informação, considerada em sentido amplo, o que inclui dados, informações 
e experiências de conhecimentos adequadamente apresentados. A necessidade de 
116
A Agenda enumera os objetivos a serem atingidos pelas sociedades para atingir a sustentabilidade: 
● Parceria e conscientização: a Agenda 21 é um processo público e participativo para o planejamento 
e a implementação das políticas e ações para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, ela é um 
importante instrumento para a conscientização ambiental e para a mobilização de cidadãos e cidadãs na 
formulação de políticas, na consolidação da responsabilidade social e no fortalecimento dos mecanismos 
participativos e democráticos. 
● Comprometimento com soluções: é um documento que estabeleceu a importância de cada país se 
comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações 
não-governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os 
problemas socioambientais. 
● Definição de prioridades: a Agenda 21 resulta na análise da situação atual de um país, estado, município, 
região e setor e planeja o futuro de forma sustentável. Este esforço de planejar o futuro gera oportunidades 
para que as sociedades e os governos possam definir prioridades nas políticas públicas. 
● Questões social, ambiental e econômica: a Agenda 21 não está restrita às questões ligadas à preservação 
e conservação da natureza, mas, sim, a uma proposta que rompe com o desenvolvimento dominante, onde 
predomina o econômico, dando lugar à sustentabilidade ampliada, que une a Agenda ambiental e a Agenda 
social, ao enunciar a indissociabilidade entre os fatores sociais e ambientais e a necessidade de que a 
degradação do meio ambiente seja enfrentada com o problema mundial da pobreza. 
● A responsabilidade dos governos: os governos têm o compromisso e a responsabilidade de deslanchar 
e facilitar o processo de implementação em todas as escalas. Além dos governos, a convocação da Agenda 
21 visa mobilizar todos os segmentos da sociedade, chamando-os de “atores relevantes” e “parceiros do 
desenvolvimento sustentável”. 
● Um processo social: torná-la realidade é, antes de tudo, um processo social no qual todos os envolvidos 
vão pactuando paulatinamente novos consensos e montando uma Agenda possível rumo ao futuro que se 
deseja sustentável.
Fonte: Bezerra, Facchina e Ribas (2002). 
SAIBA
MAIS
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
informação surge em todos os níveis, desde o de tomada de decisões superiores, nos 
planos nacional e internacional, ao comunitário e individual. As áreas de programas 
buscam desenvolver as seguintes questões: redução das diferenças em matéria de dados 
e melhoria de disponibilidade da informação. 
Fonte: Senado Federal (2001).
117
Segundo Bezerra (2002), a Agenda 21 é um plano de ação formulado internacionalmentepara ser 
adotado em escala global, nacional e localmente por organizações do sistema das Nações Unidas, pelos 
governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. 
Reflete um consenso mundial e compromisso político, que estabelece um diálogo permanente e construtivo 
inspirado na necessidade de atingir uma economia em nível mundial mais eficiente e equitativa. Constitui a 
mais abrangente tentativa já realizada de orientação para um novo padrão de desenvolvimento no século 21, 
cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, perpassando em todas as suas 
ações propostas. A Agenda 21 segue o princípio de “Pensar globalmente, agir localmente”.
Fonte: Bezerra, Facchina e Ribas (2002). 
REFLITA
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
 
 
118
CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL2
TÓPICO
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
Existem diferentes interpretações para o termo desenvolvimento sustentável. 
No entanto, o governo brasileiro adota a definição apresentada no documento Nosso 
futuro comum, publicado em 1987, também conhecido como Relatório Bruntland, no 
qual desenvolvimento sustentável é concebido como “o desenvolvimento que satisfaz as 
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir 
suas próprias necessidades”.
O Relatório Bruntland – elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente 
e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas e presidida pela então Primeira-Ministra 
da Noruega, Gro-Bruntland – faz parte de uma série de iniciativas, anteriores à Agenda 
21, as quais reafirmam uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos 
países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento, e que ressaltam 
os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte 
dos ecossistemas. O relatório aponta para a incompatibilidade entre desenvolvimento 
sustentável e os padrões de produção e consumo vigentes. 
O ser humano, desde a sua existência, busca transformar os recursos naturais a seu 
favor, pois desenvolver, transformar, progredir faz parte da sua natureza. Entretanto, ao longo 
da história, o próprio conceito de desenvolvimento tem sofrido diversas alterações. Quando 
falávamos em crescimento econômico, entendíamos que estávamos desenvolvendo, e 
nem se quer imaginar que uma simples palavra como desenvolvimento pudesse significar 
tanto para uma nação como para o meio ambiente. Dizer que uma nação cresceu, significa 
que ela realmente está progredindo, avançando, mas não necessariamente significa que 
119EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
está desenvolvendo, pois desenvolvimento engloba crescer além do aspecto geográfico, 
econômico, mas também social, dando condições dignas para que a população possa ter 
moradia, alimento, saúde, lazer, educação, etc. Importante ressaltar que o aspecto ambiental 
nem era comentado, neste conceito de desenvolvimento implantado. Entre os indicadores 
de mensuração do crescimento econômico, está o Produto Interno Bruto (PIB), que pode 
ser definido como “o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos em 
um país em um dado período de tempo” (Sales, 2013, p. 62) nos setores de agropecuária, 
serviços e indústria. 
Dessa forma, quando comparado o PIB de um ano e este é superior ao anterior, houve 
crescimento do país; o oposto, recessão (Passos, 2012). Já o conceito de Desenvolvimento 
Econômico está relacionado à melhoria do bem-estar da população.
Furtado (1983, p. 90) distingue os conceitos de crescimento e desenvolvimento da 
seguinte forma:
Assim, o conceito de desenvolvimento compreende a ideia de crescimento, 
superando-a., Com efeito: ele se refere ao crescimento de um conjunto de 
estrutura complexa. Essa complexidade estrutural não é uma questão de 
nível tecnológico. Na verdade, ela traduz a diversidade das formas sociais 
e econômicas engendrada pela divisão do trabalho social. Porque deve 
satisfazer às múltiplas necessidades de uma coletividade é que o conjunto 
econômico nacional apresenta sua grande complexidade de estrutura. 
Esta sofre a ação permanente de uma multiplicidade de fatores sociais e 
institucionais que escapam à análise econômica corrente […]. O conceito 
de crescimento deve ser reservado para exprimir a expansão da produção 
real no quadro de um subconjunto econômico. Esse crescimento não implica, 
necessariamente, modificações nas funções de produção, isto é, na forma 
em que se combinam os fatores no setor produtivo em questão. 
Com a definição dada pelo autor, constata-se que o crescimento econômico nem 
sempre garante o desenvolvimento, ou seja, mesmo que haja crescimento na geração de 
riqueza, se esta não for distribuída de forma justa, não necessariamente trará melhorias na 
qualidade de vida da população em geral.
Sachs (2014, p. 13) avalia que:
[...] os objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera multiplicação da 
riqueza material. O crescimento é uma condição necessária, mas de forma 
alguma suficiente (muito menos é um objetivo em si mesmo), para se alcançar 
à meta de uma vida melhor, mais feliz e mais completa para todos.
Para o autor, o termo desenvolvimento sustentável abrange oito dimensões da 
sustentabilidade, pois somente se considera desenvolvimento sustentável quando há 
120
REFLITA
Para Furtado (1983), garantir a sustentabilidade do meio ambiente é garantir, antes de qualquer coisa, 
que a fome, a pobreza e a miséria estarão afastadas definitivamente e, com isso, terminará a dura realidade 
que força as pessoas a praticar a exploração predatória dos recursos disponíveis em determinadas áreas. 
Pois só com uma situação de vida regular os habitantes de uma determinada região poderão tornar-se 
permeáveis às “novas ideias”.
Assim, será que estamos próximos de uma sociedade que realmente possui um desenvolvimento 
sustentável e vive com sustentabilidade? 
Fonte: Furtado (1983).
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
o atendimento de todas as dimensões: ambiental, econômica, social, cultural, espacial, 
psicológica, política nacional e internacional.
Brasileiro (2006, p. 88) aponta que: 
Embora tenha ocorrido uma evolução sobre o conceito nas últimas décadas, 
a atual busca pelo desenvolvimento continua primando pelo crescimento 
econômico, em primeiro plano, continuando a negligenciar a distribuição 
desigual das riquezas; o agravamento da pobreza e exclusão social; a 
precarização das relações de trabalho; e o esgotamento dos recursos 
naturais.
Já o termo “desenvolvimento sustentável” surgiu a partir de estudos da Organização 
das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. Nasceu com a intenção de dar uma 
resposta para a humanidade diante da crise social e ambiental pela qual o mundo passava. 
O Conceito de desenvolvimento sustentável, conforme o Relatório de Brundtland1 
de 1991, pressupõe um modelo de desenvolvimento que “atenda às necessidades da atual 
geração, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias 
necessidades”. Desenvolvimento sustentável traz melhoria na qualidade de vida de todos 
os habitantes do mundo sem aumentar o uso de recursos naturais além da capacidade da 
Terra.
A construção do conceito de desenvolvimento sustentável continuou durante a 
Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, da ONU, realizada em Joanesburgo, 
África do Sul, em 2002.
 
 
121
AS DIMENSÕES DO 
DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL3
TÓPICO
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
A Declaração de Joanesburgo estabelece que o desenvolvimento sustentável se 
baseia em três pilares: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção 
ambiental, conforme demonstrado na figura abaixo.
FIGURA	1:	DESENHO	ESQUEMÁTICO	RELACIONANDO	PARÂMETROS	PARA	SE	
ALCANÇAR	O	DESENVOLVIMENTO	SUSTENTÁVEL
Fonte: Barbosa (2008). 
122EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
Segundo Cavalcanti (2003), o desenvolvimento sustentável pode requerer 
ações distintas em cada regiãodo mundo. Os esforços para construir um modo de vida 
verdadeiramente sustentável requerem a integração entre:
●	 Crescimento	e	equidade	econômica: lançar os olhos para todas as nações 
de forma que possam estar integradas promovendo um crescimento responsável.
Saber usar os recursos do planeta de forma eficiente, visando um mercado competitivo 
que busque a internacionalização de custos ambientais. Assim, a sustentabilidade seria 
alcançada pela racionalização econômica local, nacional e planetária. Para se implementar 
a sustentabilidade necessária, seria a racionalização econômica local e nacional (Rattner, 
1999).
●	 Conservação	de	Recursos	Naturais	e	do	Meio	Ambiente:	buscar reduzir o 
consumo de recursos e diminuir a poluição, conservando os habitats naturais.
●	 Desenvolvimento	 Social: buscar a igualdade de condições, de acesso a 
bens, da boa qualidade dos serviços necessários para uma vida digna, onde as pessoas 
possam ter emprego, alimento, educação, energia, serviço de saúde, água e saneamento, 
respeito aos seus direitos trabalhistas e às suas diversidades culturais.
Satterthwaite (2004) entende que, para atingirmos a sustentabilidade do 
ecodesenvolvimento, precisamos contemplar cinco dimensões:
a) Sustentabilidade social: o processo deve se dar de maneira que reduza 
substancialmente as diferenças sociais;
b) Sustentabilidade econômica: define-se por uma “alocação e gestão mais 
eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado”. A eficiência 
econômica deve ser medida, sobretudo em termos de critérios macrossociais;
c) Sustentabilidade ecológica: compreende o uso dos potenciais inerentes aos 
variados ecossistemas compatíveis com sua mínima deterioração;
d)	 Sustentabilidade	 espacial/geográfica: pressupõe evitar a excessiva 
concentração geográfica de populações, de atividades e do poder. Busca uma relação mais 
equilibrada cidade/campo;
e) Sustentabilidade cultural: significa traduzir o “conceito normativo de 
ecodesenvolvimento em uma pluralidade de soluções particulares, que respeitem as 
especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local”;
Lemos (2012) concorda com todas as dimensões anteriormente citadas e 
complementa que é necessário incorporar entre elas o fim da pobreza, da tirania, da carência 
123EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
de oportunidades econômicas e o fim da negligência dos serviços públicos, da intolerância 
ou interferência excessiva de Estados repressivos.
Segundo o Relatório da Comissão Brundtland, uma série de medidas deve ser 
tomada pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. Entre elas:
● Limitação do crescimento populacional;
● Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;
● Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
● Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com 
uso de fontes energéticas renováveis;
● Aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base 
em tecnologias ecologicamente adaptadas;
● Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades 
menores;
● Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).
Já em âmbito internacional, as metas propostas pelo Relatório da Comissão 
Brundtland estabelecem:
 ◦ Adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações de 
desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais de financiamento);
 ◦ Proteção dos ecossistemas supra-nacionais, como a Antártica, oceanos, etc. 
pela comunidade internacional;
 ◦ Banimento das guerras;
 ◦ Implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela 
Organização das Nações Unidas (ONU).
Algumas outras medidas para a implantação de um programa minimamente 
adequado de desenvolvimento sustentável são:
● Uso de novos materiais na construção;
● Reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;
● Aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a 
eólica e a geotérmica;
● Reciclagem de materiais reaproveitáveis;
● Consumo racional de água e de alimentos;
124
 Para Sarti (2011), com o desenvolvimento das atividades industriais vieram grandes impactos ambientais 
e isso não é nenhum segredo. O ritmo acelerado dessas atividades impede que o meio ambiente tenha 
tempo necessário para se recuperar do consumo dos seus recursos pelo homem e dos resíduos gerados por 
eles. 
Para tentar diminuir esse impacto, vários estudos e discussões vêm sendo realizados há mais de duas 
décadas pelos países, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável. Isso trouxe 
algumas melhorias ao longo dos anos, mas muito ainda tem que ser feito diante desse problema global 
visando atitudes mais sustentáveis. Desenvolvimento sustentável e sustentabilidade, esses dois termos por 
muitas vezes se confundem, mas têm significados distintos. 
Fonte: Sarti e Hiratuka (2011). 
REFLITA
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
● Redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção de 
alimentos. 
125
 Para Mota (2001), a sustentabilidade é a capacidade de se sustentar, de se manter. Já o desenvolvimento 
sustentável pode ser entendido como desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações presentes 
sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.
Esses termos foram inicialmente discutidos na Conferência de Estocolmo (1972) e vêm sendo discutido 
nas últimas décadas, mas foi na World Commission on Environment and Development (WCED, 1987) que 
se tornou conhecido e posteriormente popular na Eco 92.
O termo sustentável tem sentido amplo, sendo um adjetivo derivado do verbo latino sustentare, que 
significa o que pode ser mantido, que pode ser perpetuado, estando implícito o fator tempo. O termo 
desenvolvimento sustentável foi divulgado no informativo nosso futuro comum (WCED, 1987), o qual cita 
também três fatores dos quais o desenvolvimento sustentável depende completamente:
1) Um alto valor deve ser dado aos recursos naturais, à biodiversidade biológica e à purificação da água 
e do ar, promovida pelo meio ambiente natural;
2) Pessoas devem descobrir e trocar informações sobre novas tecnologias que resultem em mais trabalho, 
aperfeiçoem o uso de recursos naturais renováveis e aumentem a produção de alimentos;
3) Igualdade e justiça devem ser promovidas entre todas as pessoas e gerações para reduzir a pobreza, 
a violência e construir melhores comunidades.
Esses três fatores podem ser resumidos no tripé do desenvolvimento: eficiência (sustentabilidade 
econômica), equidade (sustentabilidade social) e conservação (sustentabilidade ambiental).
No Southern African Perspectives (1997), foram reunidos outros seis aspectos do desenvolvimento 
sustentável:
1. Ênfase na interdependência entre desenvolvimento e a conservação de recursos;
2. Um horizonte de longo tempo;
3. A natureza multidimensional do conceito que implica na dificuldade para conciliar interesses 
governamentais e instituições acadêmicas;
4. Incorpora externalidades ambientais (no tempo, no espaço, de um setor para outro, de uma população 
para outra), tratando-as como problemas não resolvidos;
5. Possui enfoque participativo;
6. Defende uma estreita relação entre pesquisa e política.
A conceitualização de desenvolvimento sustentável se baseia, em grande parte, das inúmeras tentativas 
de enfrentar os erros, deficiências e injustiças do sistema industrializado imposto no período pós-guerra.
O desenvolvimento sustentável é o que promove a sustentabilidade. Os planos de desenvolvimento 
sustentável buscam a sustentabilidade de duas maneiras:
a) Sustentabilidade tecnológica - são planos baseados na crença de que a tecnologia pode expandir os 
limites das atividades econômicas e solucionar a escassez de recursos, compensando danos ambientais. 
Esses planos baseiam-se na inovação tecnológica acoplada a um sistema de avaliação que reflete o 
verdadeiro custo de usoe disponibilização dos recursos naturais, e são desenvolvidos em resposta ao 
inevitável crescimento da população humana, a urgente necessidade de mais trabalho e ao desejo de 
melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os economistas referem-se à sustentabilidade tecnológica como 
uma fraca sustentabilidade, pois é alcançada pela manutenção ou perpetuação do estoque de capital total, 
ou seja, dos serviços e bens que satisfaçam as necessidades e desejos humanos.
SAIBA
MAIS
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
126
b) Sustentabilidade ecológica - são os planos que se fundamentam nos avanços do conhecimento ecológico e 
de proteção ambiental, requerendo níveis reduzidos ou estáveis de crescimento populacional e de uso dos recursos 
naturais, para manter as atividades humanas dentro dos limites impostos pelo meio ambiente. Isso significa viver 
dentro da capacidade de suporte do meio ou sustentação ecológica, onde os sistemas naturais norteiam o modelo 
de desenvolvimento econômico, como, por exemplo: resíduos da construção civil torna-se matéria-prima para outras 
atividades; uso dos recursos naturais a taxas renováveis, sem exceder a capacidade natural de purificação da água 
e do ar.
A sustentabilidade é promovida pelo desenvolvimento sustentável e é determinada pelo anseio de condições sociais 
e econômicas tais como altos níveis de participação da população e baixos níveis de desemprego. Sustentabilidade 
é um processo que envolve várias vertentes, precisando ainda de muitos debates em todos os níveis da sociedade, 
buscando:
a) reconhecer a necessidade de reduzir seu excesso de consumo em benefício daqueles que não possuem 
condições de consumir o mínimo necessário;
b) a mudança do modo de vida, privilegiando a redução ou eliminação de insumos não renováveis;
c) reciclagem em geral;
d) a educação ambiental em todas as suas facetas;
e) a conservação dos recursos hídricos, florestais e solos.
Fonte: Mota (2001). 
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
127
GERENCIAMENTO DOS 
RESÍDUOS SÓLIDOS 4
TÓPICO
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
A crescente preocupação com a preservação dos recursos naturais e com a questão 
de saúde pública associada ao gerenciamento dos resíduos sólidos almeja-se por políticas 
públicas que permitam atingir novos patamares de consciência ambiental, de tecnologia 
limpa e de crescimento sustentável. Nesse sentido, no ano de 2010 foi sancionada a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei nº 12.305, entendida como um instrumento indutor do 
desenvolvimento social, econômico e ambiental.
A Lei nº 12.305/2010, no art. 9º, descreve que, na gestão e gerenciamento de 
resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, 
reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente 
adequada dos rejeitos.
A legislação traz ainda um tema que deve ser bastante difundido no meio empresarial: 
a logística reversa associada à gestão de resíduos sólidos, a aplicação de técnicas do 
programa de Produção Mais Limpa e programas de gerenciamento que visam o Resíduo 
Zero. 
Logística reversa são ações, procedimentos e meios relacionados com a coleta 
e restituição dos resíduos sólidos (restos, embalagens, materiais desgastados, produtos 
vencidos e/ou obsoletos, etc.) aos setores empresariais para reaproveitamento em seu ciclo 
ou novos ciclos de produção ou, ainda, outras destinações ambientalmente adequadas. A 
logística reversa é um instrumento importante de desenvolvimento econômico e social, 
devendo ser operacionalizada através de cooperativas e associações de trabalhadores 
em reciclagem e reaproveitamento de resíduos em parceria com os poderes públicos 
128EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
e os setores empresariais. É, ainda, uma ferramenta relacionada diretamente com a 
implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre 
fabricantes, importadores, distribuidores, comércio, poderes públicos e consumidores (Lei 
12.305/2010, artigo 3º, incisos XII, XVII; artigo 8º, incisos III, IV e VI).
Tal logística será detalhada através de acordos setoriais e termos de compromissos 
das empresas e setores empresariais com os poderes públicos. As empresas também terão 
que elaborar planos de gerenciamento dos seus resíduos. 
Os poderes públicos podem (e devem) implantar medidas de apoio à adequação 
das empresas através de incentivos fiscais, financiamentos e créditos para a prevenção e 
redução de resíduos nos processos produtivos, implantação de programas de gerenciamento 
e estruturação da logística reversa, inclusive no desenvolvimento de sistemas de gestão 
empresarial, voltados à capacitação de recursos humanos para a otimização no uso, 
reaproveitamento e reinserção de matérias-primas nos ciclos de produção (Lei 12.305/2010, 
artigos 42-46, 55,56).
A lei trata ainda da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, 
a ser implementada de forma individualizada e encadeada, abrangendo os fabricantes, 
importadores, distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços 
públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos (toda a seção II do capítulo III 
da Lei 12.305).
A Lei 12.305/2010 considera gestão integrada de resíduos sólidos o conjunto de 
ações voltadas para a busca de soluções para os problemas decorrentes do descarte de 
tais resíduos, de forma a se considerarem as dimensões política, econômica, ambiental, 
cultural e social, sob a premissa do desenvolvimento sustentável.
Um conceito de sustentabilidade muito aplicado visando o gerenciamento dos 
resíduos sólidos é o conceito dos 3 R’s que tange tanto a área ambiental quanto a econômica 
e a social. 
Conforme citado anteriormente, o primeiro passo para a sustentabilidade é a não 
geração do resíduo, mas buscas implantar os 3 R’s da sustentabilidade (reduzir, reutilizar 
e reciclar) caso sua geração seja inevitável. Essas três ações ajudam a minimizar o 
desperdício de materiais e produtos, além de poupar a natureza da extração inesgotável de 
recursos. Adotando estas práticas, é possível diminuir o custo de vida, reduzindo gastos, 
além de favorecer o desenvolvimento sustentável.
129
De acordo com Ministério da Saúde, no projeto de coleta seletiva e educação ambiental (2005), a política 
dos 3 R’s da sustentabilidade – reciclar, reutilizar e reduzir – é uma medida criada para que as pessoas 
diminuam a produção de lixo. É claro que essa não é a única medida de preservar a natureza, mas, com 
certeza, é um importante passo para garantir um mundo melhor para as gerações futuras. 
O “reduzir” engloba economia de todas as formas possíveis, o “reutilizar” envolve o reaproveitamento do 
produto e o “reciclar” remete à separação do que é e não é lixo e ao envio de embalagens para a reciclagem.
1. Reutilizar: não jogue fora o que ainda pode ser utilizado – roupas, sapatos, móveis, bijuterias, brinquedos 
e livros podem ser doados;
2. Reciclar: faça a coleta seletiva em casa; encaminhe o lixo para empresas recicladoras – garrafas de 
plástico, embalagens de produtos de limpeza e higiene, latinhas de ferro e alumínio, embalagens longa vida, 
jornais, revistas, folhetos, papéis e óleo vegetal podem ser reaproveitados.
Fonte: Ministério da Saúde (2005). 
SAIBA
MAIS
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
130
O desenvolvimento sustentável não é um estado permanente de equilíbrio, mas, 
sim, de mudanças quanto ao acesso aos recursos e quanto à distribuição de custos e 
benefícios. Controlar e destinar de forma inadequada os resíduos sólidos podem causar 
inúmeras consequências negativas à economia, ao setor social e ambiental. 
A Agenda 21 traduz em ações o conceito de desenvolvimento sustentável. Os 
princípios e estratégias da Agenda 21 Brasileira serviram de subsídio para a Conferência 
Nacional de Meio Ambiente, Conferência das Cidades e Conferência da Saúde. As atividades 
que contribuirão para a promoção integrada de meios de subsistênciaao alcance de suas ações. 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
13
Preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de 
todos os seres vivos que moram nele. Os seres humanos só conseguem sobreviver graças 
à natureza, afinal usamos os animais e plantas para nos alimentar, água para beber e tomar 
banho, além de muitos outros recursos que nem percebemos. 
A ecologia é a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e os meios onde 
vivem. A palavra deriva do grego oikos, que significa lugar onde se vive, ou seja, meio 
ambiente. 
Para melhor compreensão do mundo vivo, são usados os níveis de organização. 
A ecologia moderna usa como base de estudo os ecossistemas, mas estuda também os 
organismos. 
CONCEITOS BÁSICOS DA ECOLOGIA, 
ESPÉCIE, POPULAÇÃO, COMUNIDADE, 
ECOSSISTEMA E OS NÍVEIS DE 
ORGANIZAÇÃO1
TÓPICO
1
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
14
●	 Espécie:	organismos com características genéticas semelhantes. Com isso, 
o cruzamento de indivíduos da mesma espécie gera descendentes férteis. Exemplos: 
caranguejos, ursos, pau-brasil, etc.;
●	 População: termo que designa o conjunto de organismos da mesma espécie. 
Inicialmente usado para grupos humanos, depois ampliados para qualquer organismo. 
Exemplo: grupo de peixes-palhaço;
●	 Comunidade: conjunto das populações que vivem numa mesma região, 
também chamado de “comunidade biológica”, “biocenose” ou “biótopo”. Exemplo: aves, 
insetos e plantas de uma região;
o Biocenose: são as diversas espécies que vivem em determinado local e 
interagem entre si.
o Biótopo: corresponde a uma parte do habitat. É uma área com condições 
ambientais específicas que permitem a vida de determinadas espécies. Exemplo: trecho de 
uma floresta ou de uma lagoa;
●	 Ecossistema: conjunto de comunidades que interagem entre si e com o 
ambiente. Formado pela interação de biocenoses e biótopos. Exemplos: pode ser uma 
lagoa, uma floresta ou até um aquário;
●	 Bioma: reunião de ecossistemas com características próprias de diversidade 
biológica e condições ambientais. Exemplos: a Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia são 
alguns dos biomas brasileiros;
OS NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO 
DA VIDA EM UM ECOSSISTEMA2
TÓPICO
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
15
●	 Biosfera:	 conjunto de todos os ecossistemas das diferentes regiões do 
planeta. É a reunião de toda a biodiversidade existente na Terra.
Nesse contexto, há interações entre as comunidades bióticas que compõem um 
ecossistema, as quais são chamadas de “interações biológicas” ou “relações ecológicas” e 
determinam relações dos seres vivos entre si e o meio em que habitam para sobreviverem 
e se reproduzirem. 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
16
Esta comunidade, formada por todos os indivíduos que fazem parte de um 
determinado ecossistema, possui diversas formas de interações entre os seres que a 
constituem, geralmente relacionadas à obtenção de alimento, abrigo, proteção, reprodução, 
etc., conforme Freire, Castro e Motokane (2016).
As relações ecológicas podem ser classificadas segundo o nível de interdependência:
●	 Intraespecíficas	ou	homotípicas:	para seres da mesma espécie;
●	 Interespecíficas	ou	heterotípicas: para seres de espécies diferentes.
Também podem ser classificadas de acordo com os benefícios ou prejuízos que 
apresentam:
●	 Relações	harmônicas: quando a resultada da associação entre as espécies 
é positiva, na qual um ou os dois são beneficiados sem o prejuízo de nenhum deles.
●	 Relações	desarmônicas: quando o resultado desta relação for negativo, ou 
seja, se houver prejuízos para uma ou ambas as espécies envolvidas.
Para Freire, Castro e Motokane (2016), deixando de observar essas relações, 
podemos extinguir espécies ou deixá-las em vias de extinção, o que interfere na cadeia 
alimentar, afetando suas predadoras, que passarão a ter dificuldades para arranjar 
alimentos, bem com as suas presas naturais, que terão desenvolvimento desenfreado. Isso 
constitui um ciclo vicioso de desequilíbrio ambiental que chegará às espécies da flora, 
as quais também sofrerão com o desequilíbrio, tanto de predadores naturais quanto de 
espécies polinizadoras.
RELAÇÕES ENTRE OS 
SERES VIVOS3
TÓPICO
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
17
Preservar os animais, portanto, não é só uma questão ecológica e cultural. A 
interferência da destruição e extinção prematura de espécies da fauna incide diretamente 
na vegetação e, por consequência, em todo o bioma, afetando também os rios e cursos 
d’água e a qualidade do ar, além das populações que estão economicamente ligadas à 
pesca, à caça ou ao extrativismo.
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
18
Conhecer e compreender as inter-relações existentes entre os inúmeros seres 
vivos existentes na terra é fundamental para a sobrevivência e desenvolvimento da espécie 
humana. 
As relações ecológicas se particularizam pela forma de interação que os seres 
vivos mantêm entre si, sendo categorizadas de acordo com os benefícios e/ou prejuízos 
que trazem aos organismos. A espécie humana construiu, desde sua origem, uma relação 
ímpar com a natureza para suprir suas necessidades. Essa convivência necessita ser 
harmoniosa e organizada.
Antunes (2002) diz que a história tem demonstrado que o homem consegue, 
durante um período, viver isolado, mas não durante toda a sua existência, pois o homem 
é, por sua natureza, animal social e político, vivendo em multidão, ainda mais que todos os 
outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade. Portanto, é na sociedade que 
o homem encontra condições favoráveis para o seu desenvolvimento.
Os organismos estabelecem relações mútuas entre si e com o ambiente físico, 
baseados nas interações que ocorrem no mundo natural. 
O entendimento dos diferentes fenômenos que englobam essas relações e 
interações entre seres vivos (incluindo o homem) e os componentes abióticos 
é amplamente discutido à luz de teorias ecológicas. O ambiente é alterado, 
físico e quimicamente, pela maneira como os indivíduos realizam suas 
atividades. Também as interações entre organismos, têm influência na vida 
de outros seres, da mesma espécie e de espécies diferentes (Begon, 2007, 
p. 223).
A IMPORTÂNCIA DAS INTER-
RELAÇÕES ECOLÓGICAS4
TÓPICO
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
19
Na natureza os seres vivos mantêm entre si vários tipos de interações ecológicas 
que podem ser consideradas como sendo harmônicas ou positivas e desarmônicas ou 
negativas: as interações harmônicas ou positivas são aquelas nas quais não há prejuízo 
para as espécies participantes e vantagem para, pelo menos, uma delas; as interações 
desarmônicas ou negativas são aquelas nas quais pelo menos uma das espécies 
participantes é prejudicada, podendo existir benefício para uma delas.
Com a exploração de determinado conjunto de recursos, cada espécie define o 
seu nicho ecológico, também entendido como o papel desempenhado por esta espécie no 
ecossistema. Se não existissem competidores, predadores e parasitas em seu ambiente, 
uma espécie seria capaz de viver sob maior amplitude de condições ambientais (seu nicho 
fundamental) do que faria na presença de outras espécies que a afetam negativamente 
(seu nicho realizado). Por outro lado, a presença de espécies benéficas pode aumentar a 
gama de condições em que uma espécie consegue sobreviver.
Dentro de cada um dos tipos de interações mencionados acima, ainda podemos 
classificá-las em interações intraespecíficas e interespecíficas, conforme ocorre entre 
indivíduos da mesma espécie ou entre espécies diferentes respectivamente, conforme 
tabela abaixo que mostra os principais tipos de interações ecológicas possíveis de ocorrer 
entre organismos de duas espécies.
Essas relações ecológicas são muito importantes, pois garantem a sobrevivência 
dos diferentes seressustentáveis e para a 
proteção do meio ambiente incluem diversas intervenções setoriais que envolvem uma série 
de atores – de locais a globais – e que são essenciais em todos os planos, especialmente no 
nível da comunidade e no nível local. Nos planos nacional e internacional serão necessárias 
ações habilitadoras que levem plenamente em conta as situações regionais e sub-regionais, 
pois elas apoiarão umas abordagens em nível local, adaptada às especificidades de cada 
país. 
As ações prioritárias da Agenda 21 Brasileira são os programas de inclusão 
social (com o acesso de toda a população à educação, saúde e distribuição de renda), a 
sustentabilidade urbana e rural, a preservação dos recursos naturais e minerais e a ética 
política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Mas o mais importante 
ponto dessas ações prioritárias, segundo este estudo, é o planejamento de sistema de 
produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
131
MATERIAL COMPLEMENTAR
• WEB
• Título: O que é 5S 
• Sinopse: 5S, antes de mais nada, é uma ferramenta baseada 
na organização de métodos e preceitos que visa tornar o ambiente 
de trabalho mais organizado, simples, seguro e, principalmente, 
eficiente. O conceito vem quebrar um antigo paradigma utilizado 
por muitas pessoas, principalmente por funcionários já antigos de 
uma empresa, que há anos exercem a mesma função, aquele tal: 
“a minha bagunça é organizada” ou “eu me encontro na minha 
bagunça”. Tais afirmativas são rigorosamente combatidas quando 
se pensa em aplicar os passos 5s dentro de uma empresa, uma vez 
que, logo de princípio, é usada uma palavra que deve ser abolida 
do vocabulário de uma empresa, a palavra “bagunça”.
• Link: https://administradores.com.br/artigos/o-que-e-5s. 
• WEB
• Título: O Brasil na Conferência de Estocolmo
• Sinopse: em Estocolmo, o maior problema consistiu no fato 
de que a absoluta maioria das decisões a serem tomadas para a 
compatibilização entre desenvolvimento e meio ambiente pertencia 
à esfera da soberania nacional. A decisão de não se tocar em 
recomendações de caráter nacional esvaziou esse problema de 
seu significado, simplificando sensivelmente os debates.
• Link: https://amaliagodoy.blogspot.com/2015/12/o-brasil-na-
conferencia-de-estocolmo.html
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
https://administradores.com.br/artigos/o-que-e-5s. 
https://amaliagodoy.blogspot.com/2015/12/o-brasil-na-conferencia-de-estocolmo.html
https://amaliagodoy.blogspot.com/2015/12/o-brasil-na-conferencia-de-estocolmo.html
132
• WEB
• Título: Princípio dos 3 R’s
• Sinopse: a gestão sustentável dos resíduos sólidos pressupõe 
uma abordagem que tenha como referência o princípio dos 3R´s, 
apresentado na Agenda 21: redução (do uso de matérias-primas e 
energia e do desperdício nas fontes geradoras), reutilização direta 
dos produtos e reciclagem de materiais.
• A hierarquia dos 3R´s segue o princípio de que causa menor 
impacto evitar a geração do lixo do que reciclar os materiais após 
seu descarte. A reciclagem de materiais polui menos o ambiente 
e envolve menor uso de recursos naturais, mas raramente 
questiona o atual padrão de produção, não levando à diminuição 
do desperdício nem da produção desenfreada de lixo.
• Link: https://dgi.unifesp.br/ecounifesp/index.php?option=com_
content&view=article&id=10&Itemid=8. 
• FILME/VÍDEO
• Título: Compreendendo as dimensões do desenvolvimento 
sustentável
• Ano: 2013
• Sinopse: o vídeo demonstra os desafios dos problemas e a 
busca por soluções, mostrando as vertentes do desenvolvimento 
sustentável e a importância como estes devem estar engajados. 
Nesse contexto, traz os objetivos do desenvolvimento sustentável. 
• Link: https://encurtador.com.br/OZtvY
• FILME/VÍDEO
• Título: Chuva ácida
• Ano: 2016
• Sinopse: o vídeo fala sobre questões climáticas demonstrando 
conteúdos de várias áreas. Relata que a chuva naturalmente 
é ácida, porém acentua-se com atividades a que geram grande 
quantidade de poluição.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=SBX59YJ_vNU.
EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 4
https://dgi.unifesp.br/ecounifesp/index.php?option=com_content&view=article&id=10&Itemid=8. 
https://dgi.unifesp.br/ecounifesp/index.php?option=com_content&view=article&id=10&Itemid=8. 
https://www.youtube.com/watch?v=SBX59YJ_vNU.
133
CONCLUSÃO GERAL
Como podemos observar, a educação ambiental tornou-se uma ferramenta 
importantíssima a serviço do desenvolvimento sustentável, uma vez que tem como objetivo 
tornar as pessoas mais conscientes sobre a importância de construir um futuro mais limpo 
para as próximas gerações. Construir valores sociais, habilidades, competências, métodos 
e conhecimentos que são os pilares da educação ambiental.
Destacamos que o ensino desenvolvido numa perspectiva interdisciplinar, além de 
superar a fragmentação e linearidade dos conteúdos escolares, permite formar conceitos 
de procedimentos, atitudes e habilidades e competências para tomadas de decisões 
qualificadas e responsáveis quanto às intervenções futuras no ambiente.
Faz-se necessário formar um sujeito consciente e capaz de efetuar mudanças, nas 
suas atitudes, de maneira a interferir positivamente no meio, com acesso à informação clara 
e objetiva para a formação de uma consciência crítica, capaz de levar às comunidades a se 
mobilizarem por um ambiente mais digno e saudável
A formação de uma consciência ambiental depende das interações entre os sujeitos 
nos diferentes espaços e, independentemente de qual corrente adotada, a educação 
ambiental será sempre um sistema mais eficaz a médio e longo prazo para se construir uma 
sociedade mais sustentável, haja vista que tem seu foco na construção de uma consciência 
ambiental sólida, determinando valores e modo de agir que garantam que as relações 
homem-natureza se perpetuaram equilibradas no decorrer do tempo, fazendo com que as 
futuras gerações tenham acesso aos recursos naturais de hoje.
Para isso, a Agenda 21 foi constituída como um dos principais resultados da Eco-92 
para o desenvolvimento e o meio ambiente, tendo como ambição acabar primeiramente 
com a pobreza, que atinge milhares de pessoas em diversos países. Para acabá-la, é 
preciso dar aos pobres: cultura, ensino para que consigam se incluir na sociedade e poder 
ter uma vida sustentável, além de ter como objetivo que os países consigam se desenvolver 
sustentavelmente com equilíbrio nos setores de educação, economia, agricultura e social 
sem agredir a natureza.
Para finalizar, precisamos estar atentos aos objetivos e metas estabelecidos pela 
ONU - (ODS), que devem ser implementados por todos os países até 2030. Essas decisões 
determinarão o curso global de ação para acabar com a pobreza, promover a prosperidade 
e o bem-estar para todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas.
134
Uma das formas de levar educação ambiental à comunidade é pela ação direta do 
professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. Através de atividades como 
leitura, trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas 
que afetam a comunidade onde vivem; instados a refletir e criticar as ações de desrespeito à 
ecologia, a essa riqueza que é patrimônio do planeta e de todos os que nele se encontram. 
Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da 
sociedade dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver em seus alunos hábitos 
e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em 
cidadãos conscientes e comprometidos com o futuro do país. 
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ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
TELEFONE (44) 3045 - 9898
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	Unidade 2 - 2024
	Unidade 3 - 2024
	Unidade 4 - 2024
	Site UniFatecie 3: 
	Botão 19: 
	Botão 18: 
	Botão 17: 
	Botão 16:vivos e ajudam no combate da densidade populacional, de modo que 
favorecem o equilíbrio ecológico.
Para Leripio (2001), ecossistema é o conjunto formado pelo meio ambiente, pelos 
seres que aí vivem e pela dependência recíproca. É a unidade fundamental da ecologia. 
São exemplos de ecossistemas: uma floresta, uma lagoa, uma campina, um aquário etc.
Quando não se consegue repor os recursos, ou quando sua reposição é menor que 
o consumo, considera-se que este recurso é limitado. A abundância ou escassez influencia 
a distribuição das espécies e no desenvolvimento de uma sociedade. Por exemplo, uma 
pequena quantidade de água doce em um determinado ambiente poderá limitar o interesse 
de investimentos na área.
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
20
TABELA	1	-	PRINCIPAIS	TIPOS	DE	INTERAÇÕES	ECOLÓGICAS	POSSÍVEIS	DE	
OCORRER	ENTRE	ORGANISMOS	DE	DUAS	ESPÉCIES
Relações Interações Harmônicas Interações	Desarmônicas
Intra Específica
Colônia (+)
Sociedade (+)
Competição.
Principais tipos de interações ecoló-
gicas entre os seres vivos (-)
Inter Específica
Mutualismo (+ +)
Cooperação (+ +)
Comensalismo (+0)
Inquilinismo (+0)
Epifitismo (+ 0)
Competição (- -)
Parasitismo (+ -)
Predatismo (+ -)
Amensalismo (+ -)
Fonte: Biomania (s.d.).
Essa relação de escassez e/ou abundância nos leva a refletir sobre como se dá 
o equilíbrio ecológico que consiste na relação entre os organismos vivos entre si com o 
ecossistema, assegurando a sobrevivência das espécies, bem como a preservação dos 
recursos naturais. 
A sociedade que apresentar um ecossistema perturbado e não buscar um equilíbrio 
ecológico receberá, cedo ou tarde, resposta pelos seus atos, uma vez que a espécie humana 
não é só a que mais contribui para esse desequilíbrio, mas também a mais atingida pelas 
alterações ambientais. 
Vale lembrar que o ecossistema com sua capacidade de resiliência tende a reverter 
naturalmente um quadro de desequilíbrio. No entanto, nem sempre isso é possível ou o 
tempo necessário para que o equilíbrio ecológico seja estabelecido novamente é muito 
grande, o que pode causar outras alterações ainda mais graves. Portanto, para se garantir 
equilíbrio ambiental, basta proteger o ecossistema. 
Os ecossistemas são sistemas equilibrados e cada espécie viva tem o seu papel 
no funcionamento do ecossistema que pertence. Para Leripio (2001), a existência da 
cobertura vegetal e diversidade genética da flora local depende diretamente da ação de 
alguns integrantes da fauna silvestre, sendo os insetos voadores e pássaros os maiores 
protagonistas dessas ações, pois, através de suas estratégias de obtenção de alimento 
em busca do néctar das flores é que se procede à polinização, na qual grãos de pólen são 
carregados involuntariamente em seus corpos, o que possibilita que esses grãos fecundem 
flores de outras árvores da mesma espécie em áreas diferentes. 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
21
O autor citado complementa que as aves e mamíferos frutívoros são considerados 
os “plantadores da mata”, pois se alimentam dos frutos nativos, processo a partir do qual se 
procede à dispersão das sementes pelas fezes em todas as áreas de sua existência. 
O controle populacional é outra importante função dos animais silvestres na 
natureza, pois eles integram uma cadeia alimentar bem organizada, n qual os consumidores 
primários dependem da flora em equilíbrio para a sobrevivência, por se tratarem de animais 
herbívoros que servem de alimento para os consumidores secundários (algumas espécies de 
serpentes, corujas e mamíferos carnívoros de médio porte), que, por sua vez, são predados 
pelos consumidores terciários ou os chamados “animais topo de cadeia”, representados 
pelas aves de rapina, répteis e mamíferos carnívoros de grande porte.
 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
22
Durante a realização da Cúpula do Milênio, reunião promovida pela Organização 
das Nações Unidas, em Nova York, em setembro de 2000, líderes de 189 países firmaram 
um pacto. Desse pacto, cujo foco principal era o compromisso de combater a pobreza e 
a fome no mundo, nasceu um documento chamado Declaração do Milênio. Ficou, assim, 
estabelecido como prioridade eliminar a extrema pobreza e a fome do mundo até 2015. A 
realização da Cúpula do Milênio representou um momento de síntese na história das ONU. 
Nas reflexões que se deram em decorrência da sua convocação e preparação da Cúpula, 
pôde ser confirmada a gravidade da pobreza que assolava o mundo e a necessidade de 
se conseguir maior visibilidade para o problema e maior compromisso dos países no seu 
combate. 
Para a Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD, 1991), 
os objetivos que derivam do conceito de desenvolvimento sustentável estão relacionados 
com o processo de crescimento da cidade e objetiva a conservação do uso racional dos 
recursos naturais incorporados às atividades produtivas. Entre esses objetivos estão:
1. Crescimento renovável;
2. Mudança de qualidade do crescimento;
3. Satisfação das necessidades essenciais por emprego, água, energia, alimento 
e saneamento básico;
4. Garantia de um nível sustentável da população;
5. Conservação e proteção da base de recursos;
6. Reorientação da tecnologia e do gerenciamento de risco.
OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL5
TÓPICO
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
23
De acordo com o Guia sobre Desenvolvimento Sustentável, no ano de 2016 
entrou em vigor a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU, 2015) intitulada 
“Transformar o nosso mundo: agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”. 
Para Alves (2015), “a concepção dos cinco P’s é eloquente, pois estabelece cinco 
prioridades equidistantes, projetadas dentro de um círculo, cujo centro é um pentágono, 
representando o “desenvolvimento sustentável”. No topo do desenho estão colocadas 
as Pessoas (erradicação da pobreza), no nível intermediário estão o Planeta (recursos 
naturais e clima) e a Prosperidade (bem-estar humano) e na base do círculo estão a Paz 
(sociedades pacíficas, justas e inclusivas) e as Parcerias (governança global sólida).
Os cinco componentes, por sua vez, sustentam o acordo com o estabelecido nos 
17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS). Os temas definidos como ODS são 
muitos, mas, basicamente, têm um ponto em comum: tornar o desenvolvimento humano 
mais seguro e garantir condições de vida adequadas sob o ponto de vista social, ambiental 
e econômico.
No coração da Agenda 2030 estão cinco eixos de atuação para o Desenvolvimento 
Sustentável (5 P’s da sustentabilidade), sendo pessoas, prosperidade, paz, parcerias e 
planeta, conforme demonstrado na figura abaixo: 
FIGURA	1	-	OS	CINCO	P’S	DA	AGENDA	AMBIENTAL
Fonte: Os cinco P’s da Agenda 2030 (ONU, 2015). Disponível em: Plataforma Agenda 2030. Acesso: 24 nov. 
2020.
Encontrar as interdependências entre os 17 objetivos nos ajuda a encontrar as 
raízes dos problemas e criar soluções sustentáveis de longo prazo. 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
24
O objetivo de uma agenda é sempre, em primeiro lugar, organizar os temas e facilitar 
o entendimento das pessoas para, em seguida, mobilizar, engajar e convocar à ação. O 
desejo da Organização das Nações Unidas com o estabelecimento dessa Agenda é levar 
todos os países a aspirar o desenvolvimento, mas não há qualquer custo, em prejuízo de 
pessoas e do planeta.
Para a ONU (2015, s/p):
é fundamental que a agenda seja “sustentável”, isto é, equilibre novas 
respostas e soluções econômicas, ambientais e sociais, algo que apenas será 
possível se cada indivíduo, e cada uma das instituições (governos, empresas, 
organizações da sociedade civil) mudem atitudes e comportamentos na 
direção de um jeito melhor de viver no planeta no século 21.
Para melhor entendimento, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 
significam: 
1. Erradicação da pobreza:“acabar com a pobreza em todas as suas 
formas, em todos os lugares”;
Para a ONU (2015), este constitui o maior desafio entre todos para o atendimento 
do desenvolvimento sustentável. 
A ONU (2015) demonstra muita preocupação com o assunto e entende que um dos 
caminhos para solucionar este sério problema é o estabelecimento parcerias que viabilizem 
a mobilização de recursos para a criação de programas e políticas que erradiquem a pobreza 
em todos os sentidos.
Esses programas devem oferecer as populações vulneráveis condições mínimas 
de sobrevivência e seja possível reduzir à metade a proporção de pessoas que vivem em 
situação de pobreza.
Estabelecer parcerias e programas não significa fornecer cestas básicas, pois não 
resolverá a situação. É preciso oferecer condições para que o cidadão tenha possibilidade 
de se autossustentar por meio de um trabalho e uma remuneração digna (ONU, 2015).
2. Fome zero e agricultura sustentável: “acabar com a fome, alcançar a 
segurança	alimentar	e	melhoria	da	nutrição	e	promover	a	agricultura	sustentável”;
Segundo a ONU (2015), existem mais de 500 milhões de pessoas em situação de 
desnutrição no planeta. A meta do segundo objetivo do desenvolvimento sustentável é que, 
até 2030, os países desenvolvam programas e políticas que possam dobrar a produtividade 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
25
dos pequenos agricultores, incluindo mulheres e povos indígenas, de modo a aumentar a 
renda de suas famílias.
Esperamos que sejam realmente estabelecidos programas para este fim, que 
mostrem a importância de produzir de forma sustentável, respeitando o meio ambiente, ou 
seja, produzir mais alimento na mesma área e não provocar ainda mais desmatamentos. 
De todo alimento produzido no mundo, mais de um terço é desperdiçado, custando 
aproximadamente US$750 bilhões à economia global anualmente. Entretanto, as perdas 
não se limitam apenas a esfera econômica, mas também de outros insumos que foram 
necessários para a produção, como a água, energia e trabalho, emitindo, ainda, gases 
estufa ao longo do processo.
Segundo o relatório “O Caminho para a Dignidade até 2030” (2015), as possíveis 
causas para a deficiência no sistema de distribuição e a consequente insegurança alimentar 
são: conflitos, terrorismo, corrupção, mudanças climáticas, degradação do meio ambiente e 
a pobreza, citada anteriormente como sendo a principal raiz do problema de acessibilidade 
a alimentos no mundo. A declaração afirma ainda que nenhum ser humano em estado de 
fome terá preocupação com o meio ambiente.
3. Saúde e bem-estar: “assegurar uma vida saudável e promover o bem-
estar para todos, em todas as idades”;
As metas da Agenda 2030 estão não apenas na redução da mortalidade neonatal, 
da obesidade e na erradicação de doenças como o HIV, tuberculose e malária, mas também 
na conscientização quanto ao uso de álcool e drogas e no esclarecimento cada vez maior 
em torno da saúde mental e da importância do bem-estar psicológico e físico (ONU, 2015). 
Segundo a Organização das Nações Unidas - (ONU 2015) a saúde pode ser definida 
como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência 
de doença ou enfermidades”. Sendo assim, não basta apenas estar sem nenhuma doença: 
é necessário estar bem consigo mesmo e com o corpo, sem sentir dores ou, até mesmo, 
tristeza.
4. Educação de qualidade: “assegurar a educação inclusiva e equitativa de 
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”;
Este objetivo trata de todos os níveis educacionais, desde a primeira infância até 
a vida adulta, e tem como de suas metas garantir que a educação seja viável para todas 
e todos, sem discriminação de gênero. Isso é importante pelo fato de que as meninas 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
26
são as principais prejudicadas em seu desenvolvimento educacional, pois, em comparação 
aos meninos, a educação delas costuma ficar em segundo plano. Além disso, muitas são 
obrigadas a abandonar os estudos em função de casamentos e gestações precoces (ONU, 
2015).
Relacionado a este fato, Philippi Jr. et al. (2002, p. 42) fala da importância da 
educação para o desenvolvimento sustentável:
Falta evidentemente mais educação: educação do empresário, para que não 
despeje o resíduo industrial nos rios; educação dos investidores imobiliários, 
para que respeitem as leis de zoneamento e orientem os projetos de modo 
a preservar a qualidade de vida do povo; educação dos comerciantes, para 
que não se estabeleçam onde a lei não permite e comprovem a conivência de 
autoridades públicas para a continuação de suas práticas ilegais, educação 
do político, para que não venda leis e decisões administrativas, para que não 
estimule e nem acoberte ilegalidades, para que não faça 
barganhas contra os interesses do povo; educação do povo, para que tome 
consciência de que cada situação danosa para o meio ambiente é uma 
agressão aos seus direitos comunitários e agressão aos direitos de cada um.
5. Igualdade de gênero: “alcançar a igualdade de gênero e empoderar 
todas	as	mulheres	e	meninas”;
Objetivando a erradicação de todas as formas de violência contra meninas e 
mulheres, uma das metas da Agenda 2030 é viabilizar que meninas e mulheres recebam os 
mesmos incentivos e oportunidades educacionais, profissionais e de participação política 
que meninos e homens, bem como o igual acesso a serviços de saúde e segurança (ONU, 
2015). 
6. Água potável e saneamento: “assegurar a disponibilidade e gestão 
sustentável da água e saneamento para todos”;
Saneamento básico, como o próprio nome já diz, é muito básico para que todas as 
pessoas não tenham acesso. 
A Agenda 2030 prevê como meta uma gestão mais responsável dos recursos 
hídricos, incluindo a implementação de saneamento básico em todas as regiões vulneráveis 
e a proteção dos ecossistemas relacionados à água, como rios e florestas (ONU, 2015).
O gráfico abaixo traz as principais metas para saneamento básico no Brasil, que é 
fornecer água tratada a 99 % da população, esgoto sanitário a 93% e diminuir as perdas de 
água tratada para 31%.
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
27
GRÁFICO	1	-	PRINCIPAIS	METAS	PARA	SANEAMENTO	BÁSICO	NO	BRASIL
Fonte: Plano Nacional de Saneamento Básico (2013).
7.	 Energia	 acessível	 e	 limpa:	 “assegurar	 o	 acesso	 confiável,	 sustentável,	
moderno e a preço acessível à energia, para todos”;
Mais do que oferecer a todas as pessoas acesso à energia, é garantir que a energia 
fornecida também seja limpa e barata, para que não haja prejuízos ao meio ambiente 
durante a sua produção e, também, dificuldades de acesso pelas pessoas de baixa renda 
e em situação de vulnerabilidade (ONU, 2015).
No setor elétrico brasileiro, o ano de 2016 foi marcado pela entrada de fonte 
solar fotovoltaica (FV) no Balanço Energético Nacional. O Brasil possui um quadro de 
dependência energética da geração das hidrelétricas e essa é uma questão que traz 
inúmeras complicações para o sistema de energia brasileiro. 
De acordo com o último Balanço Energético Nacional, realizado pelo Ministério 
de Minas e Energia, em 2016, a geração hidráulica corresponde a 64% da Matriz Elétrica 
Brasileira e, ainda segundo o documento, pelo terceiro ano consecutivo houve redução da 
oferta de energia hidráulica devido às condições hidrológicas desfavoráveis.
8.	 Trabalho	 decente	 e	 crescimento	 econômico:	 “promover	 o	 crescimento	
econômico	sustentado,	inclusivo	e	sustentável,	emprego	pleno	e	produtivo,	e	trabalho	
decente para todos”;
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
28
Para garantir emprego, principalmente para os jovens sem formação, a Agenda 
estimula o empreendedorismo, a criatividade e a inovação, além de incentivar a formalização 
e o crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a 
serviços financeiros (ONU,2015). 
9. Indústria, inovação e infraestrutura: “promover o crescimento econômico 
sustentado,	inclusivo	e	sustentável,	emprego	pleno	e	produtivo,	e	trabalho	decente	
para todos”;
Buscar incentivar os países para promover as pesquisas científicas, dar condições 
para as pessoas terem acesso à internet e, assim, obterem conhecimento de todas as 
novidades tecnológicas de produção, para que os países menos desenvolvidos possam 
crescer na sua capacidade produtiva de forma que garanta sustentabilidade (ONU, 2015). 
10.	Redução	das	desigualdades:	“reduzir	a	desigualdade	dentro	dos	países	e	
entre eles”;
Reduzir desigualdades é mais do que promover uma melhor distribuição de renda 
dentro das nações ou de romper com os privilégios comerciais de nações ricas em relação 
às mais pobres. Está em estreitar os laços entre as pessoas que ocupam os territórios do 
planeta, sejam elas nativas ou imigrantes. A xenofobia é um problema grave, causador de 
diversas violências, que faz com que várias pessoas se vejam marginalizadas e com menos 
oportunidades somente por pertencerem a um território ou etnia diferente (ONU, 2015).
 
11. Cidades e comunidades sustentáveis: “reduzir a desigualdade dentro dos 
países e entre eles”;
É visível a urbanidade do mundo e essa situação ocasiona diversos problemas 
ambientais como: doenças, impermeabilização do solo, acúmulo de lixo, poluição atmosférica 
e dos recursos hídricos, etc.
12. Consumo e produção responsáveis: “assegurar padrões de produção e 
de consumo sustentáveis”;
Com o consumismo e a exaustão dos recursos naturais, teremos não apenas 
falta de água, mas também a falta de outros recursos, como alimentos, minerais, energia, 
etc. Nesse caso, a Agenda estimula a redução da geração de resíduos e reutilização e 
reciclagem (ONU,2015). 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
29
13. Ação contra mudança global do clima: “tomar medidas urgentes para 
combater a mudança do clima e seus impactos”;
Apesar da diminuição do aumento do buraco na camada de ozônio, ainda estamos 
cada vez mais aumentando o desmatamento a poluição do ar, fatores que influenciam 
diretamente no aquecimento do planeta. As metas da Agenda 2030 consistem em aumentar 
os investimentos dos países no desenvolvimento de tecnologias que permitam reduzir o 
desgaste do planeta (ONU, 2015). 
14.	Vida	na	água:	“conservar	e	usar	sustentavelmente	os	oceanos,	os	mares	
e	os	recursos	marinhos	para	o	desenvolvimento	sustentável”;
De acordo com a ONU, há 13 mil pedaços de plástico em cada quilômetro quadrado 
do oceano. Uma das metas da Agenda para este objetivo é aumentar a conscientização 
quanto à poluição dos oceanos. Para isso, ela prevê para 2030 o fim de todas as práticas 
ilegais de pescaria que prejudicam o ecossistema marinho (ONU, 2015).
15.	 Vida	 terrestre:	 proteger,	 recuperar	 e	 promover	 o	 uso	 sustentável	 dos	
ecossistemas	 terrestres,	 gerir	 de	 forma	 sustentável	 as	 florestas,	 combater	 a	
desertificação,	deter	e	reverter	a	degradação	da	terra,	e	deter	a	perda	de	biodiversidade;
Com o aumento dos desastres ambientais em diversas regiões do planeta, como 
vazamentos de substâncias químicas, rompimento de barragens e incêndios, a Agenda 
2030 tem como meta aumentar a mobilização para reverter as consequências dessas 
degradações e também para prevenir novos desastres (ONU, 2015).
16.	 Paz,	 justiça	 e	 instituições	 eficazes:	 promover	 sociedades	 pacíficas	 e	
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para 
todos	e	construir	instituições	eficazes,	responsáveis	e	inclusivas	em	todos	os	níveis;
A Agenda prevê que os países combatam a corrupção, a impunidade, as práticas 
abusivas e discriminatórias, a tortura, bem como todas as formas de restrição das liberdades 
individuais (ONU, 2015).
17. Parcerias e meios de implementação: fortalecer os meios de implementação 
e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável;
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
30
Para que todos esses objetivos se tornem realidade, é importante que haja relações 
de parceria e cooperação entre as nações. Por isso, uma das metas da Agenda 2030 é que 
os países em melhores condições financeiras ajudem os países em desenvolvimento a 
alcançar a sustentabilidade da dívida de longo prazo, por meio de políticas coordenadas 
destinadas a promover o financiamento, a redução e a reestruturação da dívida, conforme 
apropriado, e tratar da dívida externa dos países pobres altamente endividados para reduzir 
o superendividamento (ONU, 2015).
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil é uma contribuição ímpar para a avaliação dos ODM, 
pois seus dados desagregados vão além das médias, permitindo verificar o ponto de partida e a evolução do 
bem-estar das populações de cada porção do território brasileiro. 
Trata-se de um banco de dados georreferenciado, contendo informações socioeconômicas para os 5.507 
municípios brasileiros: são dezenas de indicadores, tais como população (total, rural, urbana, por gênero, por 
faixa etária, etc.), renda per capita (individual, familiar, total, oriunda do trabalho, etc.), taxa de alfabetização 
(por gênero, raça, faixa etária, etc.), taxa de mortalidade, IDH e outros. 
O software gera mapas (Brasil, regiões e estados), perfis municipais, tabelas, análises estatísticas, etc., 
a partir dos dados censitários (IBGE) de 1991 e 2000 (Pnuma, 2015).
O Projeto do Milênio recomenda uma estratégia global para auxiliar as nações a mudar o curso contra a 
pobreza. Usando as metas determinadas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, as recomendações 
de políticas feitas pelo Projeto são centradas em:
• Planejamento para o horizonte temporal de 2015; 
• Busca dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio como metas mínimas nos países em desenvolvimento; 
• Especificações de como os países doadores devem agir em relação a seus compromissos de ajuda, 
comércio e alívio da dívida externa para coerentemente apoiar os países mais pobres do mundo no alcance 
dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. 
A maior parte do trabalho do Projeto é levada a cabo por dez forças-tarefa temáticas, totalizando mais 
de 250 especialistas de todo o mundo, incluindo: pesquisadores e cientistas, formuladores de políticas, 
representantes de ONGs, agências da ONU, Banco Mundial, FMI e o setor privado. Nos últimos três anos, 
as forças-tarefa conduziram extensas pesquisas em suas áreas de perícia, a fim de produzir recomendações 
para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A recomendação principal do Projeto do Milênio é a de que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 
devem estar no centro das estratégias nacionais e internacionais de combate à pobreza. Para que isso 
aconteça, os países em desenvolvimento precisam administrar vigorosas “avaliações de necessidades”, 
para identificar em que ponto eles estão posicionados em relação aos Objetivos e quais as intervenções 
necessárias para que se entre no eixo para 2015.
Porém, para que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sejam alcançados, os países doadores 
também devem fazer sua parte neste acordo global. Os objetivos contêm uma meta específica para que 
seja estabelecida uma “parceria global para o desenvolvimento”, que detalha o que é necessário dos países 
SAIBA
MAIS
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
31
mais ricos para que seja financiada a luta contra a pobreza no mundo em desenvolvimento. Alcançar os objetivos de 
desenvolvimento do Milênio requer um aumento marcante no volume de Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (ODA).
As descobertas do Projeto demonstram que, nos países em desenvolvimento, com “estratégias de redução da 
pobreza baseadas nos ODM” e em consonância com o compromisso de 0,7% do PIB feito pelos países desenvolvidos, 
os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio podem ser alcançados, mesmo nos países mais pobres, até 2015 
(Pnuma, 2015).Fonte: Biomania (s. d.).
LEITURA COMPLEMENTAR
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
36
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Este texto traz os objetivos do desenvolvimento sustentável, demonstrando suas 
metas dentro de cada objetivo.
Fonte: Itamaraty (2019).
Novas propostas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Em 2015 termina o prazo estabelecido para o cumprimento das metas dos oito 
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que foram definidos na Cúpula do Milênio, 
da Organização das Nações Unidas (ONU), no ano 2000, em Nova Iorque.
Atualmente, a ONU está realizando um debate global para definir quais serão as 
novas metas que substituirão os ODMs, entre 2015 e 2030, e que vão dar continuidade às 
decisões da Conferência do Meio Ambiente de 2012, a Rio + 20.
 
Fonte: Alves (2014).
 
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
37
MATERIAL COMPLEMENTAR
• FILME/VÍDEO
• Título: Relações Ecológicas
• Ano: 2013
• Sinopse: recortes de filmes mostrando diferentes Relações 
ecológicas intraespecíficas e interespecíficas.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=SB5jkiM4R8g. 
• FILME/VÍDEO	
• Título: Relações ecológicas
• Ano: 2016
• Sinopse: a vida na terra, seja ao nível de uma pequena poça 
ou ao nível de um ecossistema que abrange um continente, se 
resume em interações. Além de interagirem com o meio físico, os 
organismos interagem com indivíduos da sua espécie e com outras 
espécies, estabelecendo o que chamamos de relações ecológicas. 
As relações ecológicas podem ser harmônicas (quando não há 
prejuízo para nenhum indivíduo) ou desarmônicas (quando um 
indivíduo é prejudicado por outro). Ambas ocorrem tanto ao nível 
intra-específico (entre indivíduos da mesma espécie) quanto ao 
nível interespecífico (entre espécies diferentes).
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U.
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
https://www.youtube.com/watch?v=SB5jkiM4R8g. 
https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U. 
38
• FILME/VÍDEO	
• Título: Conheça os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável 
• Ano: 2017
• Sinopse: relata os problemas da revolução devido à produção 
em massa e consumismo e as propostas do ODS.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=_3ejiX6AvLY. 
• FILME/VÍDEO	
• Título: O que é essa tal de sustentabilidade?
• Ano: 2016
• Sinopse: o que é essa tal de sustentabilidade traz uma provocação 
sobre o tema e o autor Saulo, com este vídeo, inicia uma série de 
quebras de paradigmas sobre o tema.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=tBr6GvbeJvo. 
• FILME/VÍDEO	
• Título: Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável – 
Unidade I
• Ano: 2013
• Sinopse: o vídeo traz conceitos sobre meio ambiente, ecologia, 
interações ecológicas, explicando as inter-relações ecossistêmicas 
e equilíbrio ecológico. 
• Link: https://abrir.link/DzyiU
PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTALUNIDADE 1
https://www.youtube.com/watch?v=_3ejiX6AvLY. 
https://www.youtube.com/watch?v=tBr6GvbeJvo. 
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
PROBLEMAS 
AMBIENTAIS2UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
40
Plano de Estudos
• Problemas ambientais que afetam o planeta - introdução da relação de 
depredação do ser humano sobre o meio ambiente;
• Industrialização e seus efeitos;
• Pressupostos teórico-metodológicos da Educação Ambiental;
• Correntes da educação ambiental.
Objetivos da Aprendizagem
• Apresentar a evolução do processo de degradação ambiental, analisando os 
impactos decorrentes dos fatores de produção e as alternativas para mitigar tais 
impactos; 
• Gerar informações e abordagens de como intensificar as oportunidades para 
melhor conservar o ambiente e para a escolha de alternativas para resolução 
de problemas socioambientais, tanto para os presentes como para as futuras 
gerações; 
• Despertar a consciência ambiental das pessoas para a necessidade de uma 
preservação ambiental. 
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
41
Modernamente, as relações estabelecidas entre os indivíduos e os recursos 
naturais, levando-se em conta, como não poderia deixar de ser, fatores como o consumismo 
desenfreado, o desenvolvimento capitalista, bem como a expansão populacional, têm 
levado o meio ambiente a atual situação de crise.
A interferência desordenada humana no meio ambiente é a grande causadora da 
perda da biodiversidade mundial. Desta forma, a importância de preservar as plantas e 
os animais tem sido cada vez mais discutida na atualidade. Plantas e animais têm sido 
exterminados de maneira muito rápida pela ação humana, quando as matas e florestas são de 
extrema importância para o equilíbrio ecológico do planeta Terra e para o bom funcionamento 
climático. Desse modo, dentre as principais causas da perda de biodiversidade, destaca-se 
a destruição de habitat, a introdução de espécies exóticas e o uso exagerado de recursos 
naturais.
A biodiversidade é ameaçada pela introdução de espécies exóticas: ao inserirmos 
uma espécie nova em um ambiente que não é o seu, ela pode competir com as outras, 
predar fortemente algumas espécies, reproduzir-se exageradamente e até mesmo provocar 
doenças. Percebe-se, portanto, que essa ação pode provocar a destruição de algumas 
espécies, afetando diretamente o equilíbrio daquele ecossistema.
Consequentemente, posterior a estes fatos, no Brasil, o desenvolvimento de 
atividades industriais gerou diversos problemas para a economia, com destaque para o 
encarecimento dos alimentos e o agravamento do problema de escassez de mão de obra. 
INTRODUÇÃO
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
42
Se voltássemos na história, perceberíamos que o homem sempre estabeleceu uma 
relação de dominação com a natureza e, com o passar dos tempos, cada geração viveu em 
realidades sociais e culturais diferentes. No entanto, a descrição dos relatos de um passado 
distante pode favorecer o enriquecimento dos argumentos nas discussões e reflexões sobre 
a relação sociedade natureza no tempo e no espaço, buscando impedir a devastação de 
toda forma de vida no planeta.
Por volta de 1966, o governo criou uma política de incentivos fiscais em nome 
do desenvolvimento econômico. Na época, os agricultores, para terem direito de receber 
o incentivo financeiro para plantar e adquirir equipamentos, necessitavam assumir o 
compromisso de desmatar. O governo entendia que, para desenvolver, havia a necessidade 
do desmatamento no intuito de expandir atividades produtivas e maior obtenção de solo 
para a agropecuária, uso das árvores na indústria madeireira e a especulação imobiliária. 
Após anos de incentivos à produção e à ocupação de terras, os sinais de destruição 
ficam mais claros. Em 1978, a área desmatada chegou a 14 milhões de hectares, processo 
de desmatamento que trouxe prejuízos ambientais e socioeconômicos muito significativos, 
como:
● A ocorrência de desequilíbrios climáticos com a diminuição das chuvas devido 
à alteração das áreas de mata e do clima, causando grandes períodos de estiagem e 
redução da umidade relativa do ar, pois, com a remoção das folhagens, há uma queda da 
regulação da temperatura ambiental, deixando-a mais alta e instável;
PROBLEMAS AMBIENTAIS QUE AFETAM O 
PLANETA - INTRODUÇÃO DA RELAÇÃO DE 
DEPREDAÇÃO DO SER HUMANO SOBRE O 
MEIO AMBIENTE1
TÓPICO
PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
43PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
● Perda de biodiversidade da fauna e flora nativas, podendo o equilíbrio 
ecológico tornar-se ameaçado;
● Degradação de mananciais pela remoção da proteção das nascentes, 
prejudicando a impermeabilização do solo em torno da água;
● O esgotamento dos solos com a intensificação de processos de erosão e 
desertificação.
Além dos problemas anteriormente citados, para a sociedade, o desmatamento 
ainda traz diversos prejuízos, como o enfraquecimento do ecoturismo, a diminuição das 
possibilidades de pesquisas para a área de fármaco, a perda qualidade da água e o aumento 
da resistência a doençase pragas na agricultura que provém, muitas vezes, do cruzamento 
entre espécies nativas próximas.
Segundo Castro (2005), a exploração de madeiras no Brasil foi responsável 
pelo desaparecimento de espécies de árvores e animais que perderam seu habitat. A 
pecuária, para Margulis (2003), constitui a principal atividade responsável pela maior parte 
do desmatamento. Nesse sentido, Castro (2007) complementa que uma das principais 
soluções a serem adotadas para a preservação do meio ambiente seria a implantação de 
políticas que visem o desenvolvimento sustentável, através do fortalecimento do comércio 
de carbono.
O desmatamento, também chamado de desflorestamento, nas florestas brasileiras 
começou no instante da chegada dos portugueses ao nosso país, no ano de 1500. 
Interessados no lucro com a venda do pau-Brasil na Europa, os portugueses iniciaram 
a exploração da Mata Atlântica. As caravelas portuguesas partiam do litoral brasileiro, 
carregadas de toras de pau-Brasil para serem vendidas no mercado europeu. Enquanto 
a madeira era utilizada para a confecção de móveis e instrumentos musicais, a seiva 
avermelhada do pau-Brasil era usada para tingir tecidos.
Desde então, o desmatamento em nosso país foi uma constante. Depois da Mata 
Atlântica, foi a vez da Floresta Amazônica sofrer as consequências da derrubada ilegal de 
árvores. Em busca de madeiras de lei como o mogno, por exemplo, empresas madeireiras 
instalaram-se na região amazônica para fazer a exploração ilegal. Embora os casos da 
Floresta Amazônica e da Mata Atlântica sejam os mais problemáticos, o desmatamento 
ocorre nos quatro cantos do país.
Além da derrubada predatória para fins econômicos, outras formas de atuação do 
ser humano têm provocado o desmatamento. A derrubada de matas tem ocorrido também 
44PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
nas chamadas frentes agrícolas. Para aumentar a quantidade de áreas para a agricultura, 
muitos fazendeiros derrubam quilômetros de árvores para o plantio. 
O crescimento das cidades sem que haja planejamento urbano adequado, por 
sua vez, pode ser causador de vários impactos ambientais. Um dos principais é a retirada 
de áreas verdes para a construção de prédios, residências, fábricas e outros tipos de 
construção. Com pouca área verde, aumenta-se muito a poluição atmosférica, além de ser 
um fator determinante no aumento de enchentes e alagamentos em períodos de grande 
quantidade de chuvas.
O crescimento populacional e o desenvolvimento das indústrias demandam áreas 
amplas nas cidades e arredores. Áreas enormes de matas são derrubadas para a construção 
de condomínios residenciais e polos industriais. Rodovias também seguem neste sentido. 
Cruzando os quatro cantos do país, estes projetos rodoviários provocam a derrubada de 
grandes faixas de florestas.
Outro problema sério, que provoca a destruição do verde, são as queimadas e 
incêndios florestais. Muitos deles ocorrem por motivos econômicos. Proibidos de queimar 
matas protegidas por lei, muitos fazendeiros provocam estes incêndios para ampliar as 
áreas para a criação de gado ou para o cultivo. Além disso, também ocorrem incêndios por 
pura irresponsabilidade de motoristas: bombeiros afirmam que muitos incêndios têm como 
causa inicial as pontas de cigarros jogadas nas beiradas das rodovias. 
	GRÁFICO	1	-	DESMATAMENTO	DA	AMAZÔNIA	LEGAL (1988 - 2016)
 Fonte: INPE (2019).
Segundo dados do relatório de organizações como Greenpeace (2017), o 
desmatamento da floresta amazônica no Brasil é contínuo, mas o tamanho das áreas 
afetadas vive uma rotina de altos e baixos nas últimas duas décadas. A prática na região já 
45PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
teve crescimento de 29% (entre 2012 e 2013), bem como reduções de até 42% (entre 2008 
e 2009).
Segundo Luzzi, (2015), os principais problemas ambientais atuais são: poluição 
do ar por gases poluentes gerados, principalmente, pela queima de combustíveis fósseis 
(carvão mineral, gasolina e diesel) e indústrias; poluição de rios, lagos, mares e oceanos 
provocados por despejos de esgotos e lixo, acidentes ambientais (vazamento de petróleo), 
etc. Essa poluição leva à eutrofização, que pode ter causas naturais ou ser provocado por 
uma ação humana negativa nas águas (causas artificiais). Atualmente, tem se tornado um 
problema ambiental grave, derivado do aumento do descarte de lixo, esgoto e substâncias 
químicas, principalmente nas águas de lagos do Brasil próximos ou dentro de grandes 
centros urbanos. Como consequência, a água perde sua transparência natural e, em muitos 
casos, ela adquire uma tonalidade esverdeada ou até azulada. 
A mudança de coloração é provocada, principalmente:
● Pelo aumento de algas;
● Pelo envelhecimento da água represada;
● Pelo crescimento da quantidade de vegetais na água (principalmente plantas 
que vivem na superfície);
● Pela redução do oxigênio na água.
As mudanças ocorridas no processo de eutrofização podem prejudicar o equilíbrio 
ecológico do ecossistema existente nas águas do local, provocando a morte de peixes e o 
aumento de outras formas de vida, como, por exemplo, algas. O aumento de cianobactérias 
(organismos tóxicos), por exemplo, compromete a qualidade da água destinada ao 
abastecimento público.
Outro impacto da atualidade, segundo Luzzi (2015), é a poluição do solo provocada 
por contaminação (agrotóxicos, fertilizantes e produtos químicos) e o descarte incorreto de 
lixo. A Agropecuária tem causado impactos ambientais significativos no cerrado, no Pantanal 
e na Floresta Amazônica. Grandes áreas verdes têm sido desmatadas para a criação de 
gado e o plantio de soja. Estes problemas têm prejudicado os ecossistemas destas regiões, 
além da diminuição das áreas verdes que deveriam ser preservadas. 
Alguns climatologistas afirmam que o desmatamento na Floresta Amazônica pode 
ocasionar a diminuição das chuvas na região sudeste do Brasil, o aumento dos processos 
de desertificação e a erosão do solo. Exemplos de áreas que sofrem com estes problemas 
no Brasil são o Sul da Amazônia, o norte do Pantanal Mato-grossense e o norte do cerrado. 
Assim, há o esgotamento do solo (perda da fertilidade para a agricultura), provocado pelo 
46PROBLEMAS AMBIENTAISUNIDADE 2
uso incorreto, além de queimadas em matas e florestas como forma de ampliar áreas para 
pasto ou agricultura e o desmatamento com o corte ilegal de árvores para comercialização 
de madeira, causando a diminuição e extinção de espécies animais, provocadas pela caça 
predatória e destruição de ecossistemas. 
Não poderíamos deixar de relatar a falta de água para o consumo humano, causada 
pelo uso irracional (desperdício), contaminação e poluição dos recursos hídricos, além do 
aquecimento global, causado pela grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa, 
entre outros.
Segundo relatório de 2014 da Organização Mundial da Saúde - OMS, em 2012, 
cerca de Sete milhões de pessoas morreram no mundo por causa da poluição do ar. 
Percebe-se que esses problemas estão interligados, uma vez que todos contribuem para 
alteração do clima e, consequentemente, para o aquecimento global.
O aquecimento global é o aumento da temperatura média do planeta devido à 
maior absorção da radiação infravermelha térmica na atmosfera. As consequências são 
desastrosas, como o degelo, fenômeno que derrete as camadas de gelo e aumenta o nível 
dos oceanos, ameaçando, assim, a existência das cidades costeiras. As espécies marinhas 
também são atingidas. A desertificação, alteração do regime de chuvas, tempestades, 
furacões, inundações e a redução da biodiversidade são consequências desse problema, 
e, sem dúvidas, o aquecimento global é a maior ameaça à sobrevivência dos seres (Pinotti, 
2016).
A mineração é uma outra atividade causadora de vários impactos ambientais no 
Brasil. O pequeno garimpo irregular pode provocar contaminação, principalmente por 
mercúrio, nas águas de rios, lagos e também no solo. As grandesconstruindo metodologias e práticas 
participativas. 2003. Disponível em: http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro2/
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