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Aula 02 - PDFLASH - Direito Civil - Pessoa Natural

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Questões resolvidas

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AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 
 
DIREITO CIVIL 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 
 
 
 
 
Prezado aluno, antes de iniciarmos nossos estudos de hoje, 
precisamos ter uma conversa séria. Trata-se do respeito aos nossos 
esforços na produção deste curso, a que temos dedicado todas 
nossas energias nos últimos meses. 
 Saiba que nosso objetivo é sempre oferecer o melhor produto 
possível e que realmente faça a diferença na sua caminhada rumo à 
aprovação. Mas, para que nós consigamos atingir essa meta, sua 
ajuda é imprescindível. 
 Então, sempre que algum amigo ou conhecido falar “será que 
você passa para mim aquele material do Revisão Ensino Jurídico que 
você tem?”, lembre desta nossa conversa. Todos os nossos produtos 
são tutelados pela legislação civil (como a Lei 9.610/98 e o Código 
Civil) e pela legislação penal (especialmente pelo art. 184 do Código 
Penal). 
 Para que não reste dúvida: este curso se destina ao uso 
exclusivo do aluno que o adquirir em nosso site, e sua aquisição não 
autoriza sua reprodução. Ok? 
 Sabemos que falar isso parece pouco amigável, mas só estamos 
tendo este “papo reto” porque queremos de você justamente um ato 
de amizade: não participar, de forma alguma, da pirataria deste curso. 
Se isso acontecer, o fornecimento das aulas a você será interrompido 
e nenhum valor pago será restituído, sem prejuízo, evidentemente, de 
toda a responsabilização cabível nos âmbitos civil e penal. 
 Bem, o recado era esse. Agora podemos voltar às boas e meter 
a cara nos livros! Ops... nos PDFs! 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 
 
PESSOA NATURAL _____________________________________________________ 4 
Personalidade jurídica ________________________________________________ 4 
Capacidade _______________________________________________________ 5 
Legitimação _______________________________________________________ 5 
Aquisição da personalidade e a situação jurídica do nascituro _______________ 6 
TEORIA DAS INCAPACIDADES __________________________________________ 9 
O rol legal de incapazes e o impacto do Estatuto da Pessoa com Deficiência ___ 10 
O absolutamente incapaz (menos de dezesseis anos) _____________________ 11 
Os relativamente incapazes _________________________________________ 12 
Maiores de 16 e menores de 18 anos (menores púberes) __________________ 12 
Os ébrios habituais e os viciados em tóxico _____________________________ 13 
Aquele que, por causa transitória ou permanente, não possa exprimir sua vontade
 ________________________________________________________________ 13 
Os pródigos ______________________________________________________ 13 
Da capacidade dos indígenas ________________________________________ 14 
EMANCIPAÇÃO _____________________________________________________ 15 
DIREITOS DA PERSONALIDADE ________________________________________ 17 
EXTINÇÃO DA PESSOA NATURAL _______________________________________ 19 
Morte presumida SEM declaração de ausência __________________________ 19 
Morte presumida COM declaração de ausência __________________________ 20 
Morte simultânea (comoriência) _____________________________________ 21 
 
 
 
 
 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 
 
 
 O Direito Civil é um ramo do direito privado tendente a reger as relações 
humanas. É, pois, o direito da vida do homem. 
 Até mesmo após a morte, o direito civil protege o ser humano, resguardando, 
por exemplo, sua memória e a integridade de seu corpo. 
 O Direito Civil passou por um processo de despatrimonialização com o advento 
da CF/88, o que foi consolidado com o CC/2002. Trata-se da personificação do 
direito civil, que tem como eixo central a proteção do ser humano. 
 Essa nova concepção do Direito Civil é corolário do princípio da dignidade 
humana (CF, art. 1º, III). Há uma a valorização do ser humano e a proteção de 
seus atributos intrínsecos, inerentes à sua dignidade. 
 Todos os seres humanos fazem jus à proteção fornecida por esse novo Direito 
Civil. Com efeito, não se admite a divisão entre pessoas “menos” ou “mais” 
humanas, sob a perspectiva ética e jurídica. Destaca-se que nem sempre foi 
assim, sendo possível mencionar a época do Brasil colonial, na qual os escravos 
eram considerados “coisas”. 
 Para a doutrina, a pessoa natural é “o ente dotado de estrutura e de 
complexidade biopsicológica, sendo dotado de personalidade jurídica e de 
capacidade de direito”. 
 O fato de se tratar de um ente dotado de estrutura e complexidade 
biopsicológica é um dos pontos diferenciais entre as pessoas naturais e as 
pessoas jurídicas, visto que estas também possuem personalidade jurídica. 
 As pessoas naturais também se diferenciam dos demais integrantes do reino 
animal, os quais, embora possuam estrutura e complexidade biopsicológicas, 
não são dotados de personalidade jurídica. 
 Pessoa natural = reunião da estrutura biopsicológica + personalidade jurídica. 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 A pessoa natural também é chamada de pessoa física. Parte da doutrina critica 
essa expressão tendo em vista que ela apenas designa o aspecto material e físico 
do homem. 
 Toda pessoa natural possui personalidade jurídica, que significa a aptidão 
genérica para titularizar direitos e contrair deveres (CC, art. 1º). 
 O Código Civil não se utilizou da expressão “personalidade”, tendo adotado a 
locução “toda pessoa é capaz”, sendo imprescindível entender a capacidade. 
 Há entes sem personalidade jurídica, mas que possuem capacidade jurídica (v. 
g., condomínio edilício). Segundo o STJ (REsp 1736593-SP) o condomínio não 
pode sofrer dano moral. 
CAPACIDADE 
 
 Para TARTUCE, “a capacidade é a medida da personalidade”. 
 O art. 1º do CC, que afirma que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na 
ordem civil, refere-se à capacidade de direito (também denominada capacidade 
de gozo) e cujo conceito é idêntico ao de personalidade. 
 O art. 1º do Código Civil, portanto, atrela o conceito de personalidade ao de 
capacidade de direito, na medida em esta é decorrência necessária da primeira. 
Não há personalidade sem capacidade de direito e vice-versa. 
 Existe também a capacidade de fato (também chamada de capacidade de 
exercício), que significa a possibilidade de o sujeito praticar, pessoalmente, os 
atos da vida civil. 
 Quem possui capacidade de fato pode exercitar pessoalmente os direitos que 
titulariza, ao passo que os incapazes (detentores de capacidade de direito, mas 
desprovidos de capacidade de fato) precisam ser representados ou assistidos. 
 Quando a pessoa natural reúne a capacidade de direito e a capacidade de fato, 
diz-se que ela é dotada de capacidade plena. 
LEGITIMAÇÃO 
 
 A legitimação é a capacidade especial para a prática de determinados atos ou 
negócios jurídicos, quando a lei assim o exigir. 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 Trata-se de um plus à capacidade, associado a uma autorização exigida pela lei 
para que a pessoa possa praticar algum ato ou negócio jurídico específico. 
 Como exemplo de legitimação, cita-se o art. 1.749 do CC, o qual dispõe que o 
tutor não pode comprar ou doar bens pertencentes ao menor, tampouco 
constituir-se cessionário de créditos ou direitos pertencentes ao tutelado. A 
situação nada diz respeito à capacidade de direito ou de fato do tutor: ainda que 
este possua capacidade civil plena, ele não possui a capacidade especial (a 
legitimação) exigida para a prática dos atos ou negócios jurídicos mencionados. 
PERSONALIDADE 
Atributo inerente a toda pessoa natural. É a 
aptidão genérica para titularizar direitos e 
contrair deveres na ordem jurídica. 
CAPACIDADE 
É a medida jurídica da personalidade. 
▪ Capacidade de direito (gozo): decorre 
diretamente da personalidade. Também é 
entendida como a aptidão que toda pessoa 
natural tem para titularizar direitos e contrair 
deveres. 
▪ Capacidade de fato (exercício): possibilidadede a pessoa exercer pessoalmente os atos da 
vida civil, sem necessidade de representação 
ou assistência. 
A capacidade civil plena é a coexistência da 
capacidade de direito e da capacidade de 
fato, de modo que o sujeito pode exercer, 
pessoalmente, todos os atos da vida civil. 
A capacidade limitada é a daquele que tem 
capacidade de direito, mas não possui total 
capacidade de fato, necessitando de 
representação ou de assistência para praticar 
alguns ou todos os atos da vida civil. 
LEGITIMAÇÃO 
É a capacidade especial para a prática de 
determinados atos ou negócios jurídicos, em 
hipóteses nas quais a lei exige uma 
autorização ou requisito específico. É um plus 
à capacidade. 
 
AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE E A SITUAÇÃO JURÍDICA DO 
NASCITURO 
 
 A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida (CC, art. 2º). 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 O nascimento significa a saída do feto do interior da mãe para o mundo externo. 
Entretanto, para adquirir a personalidade não basta apenas o nascimento, mas 
é necessário que se nasça com vida. O que define o nascimento com vida é o 
fato de o recém-nascido ter respirado, ainda que venha a falecer logo em 
seguida (funcionamento do aparelho cardiorrespiratório da criança). 
 Se não há respiração, fala-se em nascimento sem vida (natimorto). 
 A lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro (CC, art. 2º). O 
nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu. 
 Existem três teorias acerca da aquisição da personalidade da pessoa natural e do 
tratamento jurídico do nascituro: (I) teoria natalista: baseada na interpretação 
literal do art. 2º, primeira parte, do CC, afirma que a personalidade apenas é 
adquirida a partir do nascimento com vida, de modo que o nascituro não possui 
aptidão para titularizar quaisquer espécies de direito (possuindo apenas 
expectativas); (II) teoria condicionalista: defende que, embora o nascituro não 
tenha personalidade, possui direitos submetidos a condição suspensiva – o 
nascimento com vida; (III) teoria concepcionista: afirma que a personalidade é 
adquirida desde a concepção, de modo que o nascituro seria apto, portanto, a 
titularizar direitos na ordem jurídica. 
 A teoria natalista não tem sido muito acolhida pela doutrina moderna e pela 
escola do Direito Civil Constitucional. Isso porque ela passa a ideia de que o 
nascituro seria uma “coisa”, despersonalizado e desmerecedor de tutela jurídica. 
Entretanto, é indiscutível que há vida, no mínimo, em estado de potência, de 
modo que o nascituro não pode ter meras expectativas de direito. Entender 
diferente vai de encontro ao princípio do respeito à vida e à dignidade humana. 
 MARIA HELENA DINIZ desenvolveu os conceitos de personalidade jurídica 
formal e personalidade jurídica material. A primeira é relacionada aos direitos 
da personalidade, que o nascituro já tem desde a concepção, enquanto a 
segunda diz respeito aos direitos patrimoniais, adquiridos com o nascimento 
com vida. 
 A teoria concepcionista tem ganhado muita força nas últimas décadas, tanto 
na legislação quanto na jurisprudência, em um processo de superação gradativa 
da clássica teoria natalista. Prevalece na doutrina o entendimento moderado de 
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AULA 2 
DIREITO CIVIL 
que o nascituro titulariza desde a concepção os direitos extrapatrimoniais, 
personalíssimos ou da personalidade, enquanto os direitos patrimoniais (de 
cunho econômico), ficam condicionados ao nascimento com vida. 
 Exemplos da atual prevalência da teoria concepcionista no ordenamento jurídico 
brasileiro: (I) art. 7º do ECA, que consagra o direito à assistência pré-natal e ao 
nascimento sadio; (II) art. 4º da Convenção Americana dos Direitos do Homem 
(Pacto de San José da Costa Rica), que foi recebida pelo ordenamento jurídico 
interno com o status de norma supralegal (STF, RE 466.343 e HC 95.967), que 
afirma que o direito de respeito à vida deve ser protegido pela lei desde o 
momento da concepção; (III) Lei nº 11.804/2008, que regulamentou a 
possibilidade de concessão dos alimentos gravídicos em favor do nascituro, 
desde a concepção até o parto. 
 No âmbito judicial, a adoção da teoria concepcionista pode ser percebida pela: 
(I) estabilidade provisória da gestante (art. 10, II, b, do ADCT), que se inicia desde 
a confirmação da gravidez, independentemente da ciência do empregador 
(Súmula 244 do TST); (II) indenização do seguro DPVAT aos pais de feto morto 
em acidente de trânsito, o que implica o reconhecimento expresso do direito à 
vida do nascituro. (STJ. REsp 1120676-SC, Julgamento em 07/12/2010) 
 Há hipóteses no ordenamento jurídico brasileiro em que é admitida a 
relativização do direito à vida do nascituro. Nos termos do art. 128 do CP, é 
permitido o aborto caso esta medida seja necessária para salvar a vida da 
gestante (aborto necessário/terapêutico), e na hipótese de gravidez resultante 
de estupro (aborto sentimental/humanitário). Há, ainda, a possibilidade de 
aborto de feto anencéfalo, fundamentada na ausência de viabilidade potencial 
de vida humana (STF. ADPF 54, Julgamento em 12/04/2012). 
 Os direitos do nascituro não são extensíveis aos embriões de laboratório 
(doutrina majoritária). 
 Concepturo é a prole eventual. Pode ser beneficiário de testamento (arts. 1.800, 
§4º e 1.799, I, ambos do CC). Não deve ser confundido com nascituro. 
 A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que 
concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. 
(Enunciado nº I do CJF). 
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AULA 2 
DIREITO CIVIL 
QUADRO-RESUMO 
QUANDO A PERSONALIDADE 
JURÍDICA É ADQUIRIDA? 
(da pessoa natural) 
 
À luz do CC/2002 a personalidade civil é 
adquirida somente a partir do nascimento 
com vida. Para o Código Civil, portanto, o 
nascituro não é considerado expressamente 
uma pessoa natural. 
E à luz da doutrina? 
O assunto não é pacífico. Há corrente de 
destaque (teoria concepcionista) que 
defende que a personalidade é adquirida 
desde a concepção. 
QUAL É O TRATAMENTO 
JURÍDICO DO NASCITURO? 
Embora afirme que o nascituro não tem 
personalidade, o CC/2002 dispõe que ele 
possui direitos que devem ser salvaguardados 
desde a concepção. 
E qual é exatamente o regime de proteção 
dos direitos do nascituro? 
Prevalece o entendimento de que o nascituro 
titulariza de forma plena, desde a concepção, 
os direitos da personalidade (personalidade 
jurídica formal), ao passo que a aquisição dos 
direitos patrimoniais (personalidade jurídica 
material) fica condicionada ao nascimento 
com vida. O natimorto goza dessa mesma 
proteção. 
 
 A incapacidade é uma situação excepcional, cujas hipóteses são previstas 
taxativamente em lei – a regra é a capacidade civil plena. 
 A incapacidade pode ser: (I) absoluta: o incapaz é considerado inapto para 
praticar todos os atos da vida civil e o suprimento de sua incapacidade é feito 
pelo instituto da representação. Acaso seja praticado um ato ou negócio sem 
intermédio do representante legal, a consequência é a nulidade do ato praticado 
pelo absolutamente incapaz; (II) relativa: a limitação da capacidade é parcial, 
preservando-se a possibilidade de o relativamente incapaz praticar, 
pessoalmente, alguns atos ou negócios específicos. O suprimento desta espécie 
de incapacidade é feito pelo instituto da assistência, ao passo que a 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
consequência dos atos indevidamente praticados pelo relativamente incapaz é a 
respectiva anulabilidade dos mesmos. 
 A afirmação de que a incapacidade absoluta gera proibição total do exercício dos 
direitos do incapaz deve ser lida com cautela. Isso porque existem alguns casos 
em que os atos praticados pelos absolutamente incapazes são válidos e eficazes, 
mesmo sem a intermediação de um representante legal. Exemplo: compra e 
venda realizada entre uma criança eum comerciante em um contexto 
socialmente aceito e desde haja boa-fé de ambas as partes. 
 A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do art. 3º é 
juridicamente relevante na concretização de situações existenciais a eles 
concernentes, desde que demonstrem discernimento bastante para tanto 
(Enunciado nº 138 da III JDC, do CJF). 
 No caso dos relativamente incapazes, há mais exceções nas quais se admite a 
prática pessoal de atos e negócios. A limitação da capacidade de fato, portanto, 
é menos intensa do que na incapacidade absoluta. Exemplos: ser testemunha, 
aceitar mandato, fazer testamento, casar, entre outros. 
 A diferença entre a representação e a assistência é que, no primeiro caso, o 
absolutamente incapaz atua por intermédio, de seu representante legal. No 
segundo caso, o ato ou negócio jurídico é praticado em conjunto pelo 
relativamente incapaz e o seu assistente. 
O ROL LEGAL DE INCAPAZES E O IMPACTO DO ESTATUTO DA PESSOA 
COM DEFICIÊNCIA 
 
 O Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD) teve por objetivo a plena inclusão da 
pessoa com deficiência. Com efeito, tais pessoas deixam de ser vistas como 
vulneráveis e a dignidade-liberdade substitui a dignidade-vulnerabilidade. 
 Foram afastados os dispositivos do Código Civil que apresentavam tratamento 
discriminatório em relação às pessoas com deficiência, as quais passaram a ser 
plenamente capazes. 
 A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua 
capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas (EPD, art. 
84). A curatela passou a ser uma medida protetiva extraordinária. 
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AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 A fim de se assegurar o pleno exercício dos direitos da pessoa com deficiência, 
sem a necessidade de se recorrer à curatela, inseriu-se no sistema o instituto da 
tomada de decisão apoiada (CC, art. 1.783-A). Os apoiadores não são 
representantes ou assistentes, pois não há incapacidade. Tem validade e efeito 
contra terceiros, sem restrições. Em caso de divergência, a decisão cabe ao Juiz 
(ouvido o MP). 
 Parte dos doutrinadores criticam essa noção trazida pela EPD, tendo em vista 
desproteger aqueles que merecem proteção legal, sobretudo no que se refere 
aos casos mais intensos de deficiência, as quais impedem a pessoa de praticar 
quaisquer atos da vida civil. 
 Em uma visão conciliatória, entende-se que o EPD pretendeu que a pessoa com 
deficiência deixasse de ser rotulada como incapaz para ser considerada uma 
pessoa dotada de plena capacidade legal, ainda quando haja a necessidade de 
adoção de institutos assistenciais específicos, como a tomada de decisão apoiada 
ou a curatela. 
 
 
 No REsp 1927423/SP, julgado em 27/04/2021, o STJ seguiu a nova orientação 
legislativa e entendeu que “não é mais possível declarar como absolutamente 
incapaz o maior de 16 anos que, em razão de enfermidade permanente, 
encontra-se inapto para gerir sua pessoa e administrar seus bens de modo 
voluntário e consciente”. 
 
O ABSOLUTAMENTE INCAPAZ (MENOS DE DEZESSEIS ANOS) 
 
 Considerando os ensinamentos do ECA, é possível afirmar que a criança é a 
pessoa com idade entre zero e doze anos incompletos, enquanto que o 
adolescente é a pessoa entre doze anos e dezoito anos de idade. Sendo assim, 
toda criança é absolutamente incapaz, e o adolescente pode ser absoluta (12-
15 anos) ou relativamente incapaz (16-18 anos). 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 A incapacidade absoluta decorre de um critério objetivo (cronológico ou 
etário), aferida mediante a simples apresentação de documento comprobatório 
da idade do indivíduo (certidão de nascimento, RG, CPF, etc.). 
OS RELATIVAMENTE INCAPAZES 
 
 As incapacidades relativas podem decorrer tanto de um critério objetivo 
(cronológico ou etário) quanto de um critério subjetivo (psicológico ou 
psíquico). O primeiro diz respeito à hipótese do menor entre 16 e 18 anos, 
também chamado de menor púbere. Todas as demais hipóteses de 
incapacidade relativa decorrem de um fator psicológico ou psíquico. 
 As incapacidades decorrentes de fatores psicológicos precisam ser declaradas 
formalmente em juízo. É o procedimento de interdição (CPC, arts. 747-758). 
 O termo “interdição” vem sofrendo duras críticas pela doutrina moderna, 
mormente por ser contrário às novas diretrizes do EPD. Entretanto, o termo 
continua sendo utilizado pela legislação processual, de modo que deve ser 
considerado para as provas. 
 Discute-se acerca da natureza da sentença proferida no processo de interdição 
– se teria natureza declaratória ou constitutiva. Considerando que o 
relativamente incapaz já se encontra em sua condição antes do ajuizamento da 
ação de interdição, a sentença proferida neste processo apenas declara sua 
incapacidade preexistente. Todavia, a pessoa só passa a ser formalmente privada 
de exercer pessoalmente os atos da vida civil após essa declaração formal de sua 
incapacidade relativa. Para MARIA HELENA DINIZ, a natureza é mista. 
 A validade dos atos praticados antes da interdição deve ser discutida no 
processo, avaliando a boa-fé do terceiro que contratou com o relativamente 
incapaz. Havendo omissão na sentença, e não sendo opostos embargos de 
declaração, o tema poderá ser discutido em ações autônomas. 
 Os atos pretéritos à interdição padecem do vício da anulabilidade, tendo em 
vista que a interdição apenas pode ocorrer com os relativamente incapazes. 
MAIORES DE 16 E MENORES DE 18 ANOS (MENORES PÚBERES) 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
 O menor púbere não pode, maliciosamente, esconder sua idade para, 
posteriormente, alegá-la a fim de se eximir de obrigação firmada perante 
terceiro de boa-fé (CC, art. 180). 
 Trata-se do princípio geral do direito segundo o qual ninguém pode se valer da 
própria torpeza, bem como da proibição ao comportamento contraditório 
(venire contra factum proprium). 
OS ÉBRIOS HABITUAIS E OS VICIADOS EM TÓXICO 
 
 Somente se enquadram nessa categoria as pessoas que efetivamente têm seu 
discernimento afetado, de maneira contínua, pela dependência de bebidas 
alcoólicas ou de quaisquer substâncias entorpecentes. 
 A afetação do discernimento deve ser aferida por meio da ação de interdição. É 
por isso que, às vezes, o processo de interdição pode apresentar notas 
contenciosas, embora seja tido como um procedimento de jurisdição voluntária. 
Por exemplo, o interditado pode tentar provar que seu discernimento não foi 
afetado por seus hábitos etílicos. 
 Só aquele que tem seu discernimento comprometido de maneira habitual se 
enquadra na hipótese ora comentada. Exclui-se, por exemplo, aquele que possui 
episódio isolado de embriaguez. 
AQUELE QUE, POR CAUSA TRANSITÓRIA OU PERMANENTE, NÃO POSSA 
EXPRIMIR SUA VONTADE 
 
 Antes do Estatuto da Pessoa com Deficiência, esta hipótese era tratada como 
espécie de incapacidade absoluta, que migrou para o rol de incapacidades 
relativas. 
OS PRÓDIGOS 
 
 Pródigo é aquele que desordenadamente gasta e destrói sua fazenda, reduzindo-
se à miséria por sua culpa. 
 A interdição do pródigo e a declaração de sua incapacidade relativa visa proteger 
não somente a sua pessoa, como sua família e a própria sociedade, que, 
erikasf3@gmail.com
 
 
AULA 2 
DIREITO CIVIL 
eventualmente, seria chamada a arcar com os custos do sustento da pessoa que, 
em razão da dilapidação sistemática do próprio patrimônio, reduziu-se à miséria. 
 A incapacidade relativa do pródigo recai apenas sob os atos de disposição do 
patrimônio. Com efeito, a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, 
emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser 
demandado e praticar atos que não sejam de mera administração (CC, art. 1.782) 
 Embora haja essa limitação de maneira expressa apenas para os pródigos, em 
todos os casos de incapacidade relativa decorrente de fator psicológico deve ser 
fixada a extensãoda limitação de sua capacidade. A interdição, em tese, deve 
ser determinada “sob medida”. 
 Enquanto a interdição não for formalmente levantada em juízo, o relativamente 
incapaz deverá ser auxiliado por seu curador, não cabendo averiguar se houve 
melhoras momentâneas em seu discernimento. Não se admite a tese dos 
intervalos lúcidos. 
DA CAPACIDADE DOS INDÍGENAS 
 
 No Código Civil de 1916, como regra, os índios eram considerados relativamente 
incapazes, podendo se sujeitar a regime tutelar estabelecido em leis ou 
regulamentos especiais. 
 O Código de 2002 não faz nenhum juízo sobre a capacidade civil dos indígenas, 
afirmando que a matéria deve ser regulada em legislação especial. 
 A Lei n.º 6.001/1973 (Estatuto do Índio), no seu art. 4º, utiliza uma classificação 
baseada no grau de integração do índio, sendo: isolados, em vias de integração 
ou integrados. 
 Grande parte da doutrina afirma que os índios não integrados à sociedade são 
considerados absolutamente incapazes, já que seus atos são considerados 
nulos quando praticados sem a assistência do órgão tutelar competente (FUNAI), 
nos termos do art. 8º do Estatuto do Índio. 
 A nulidade não se opera caso não haja prejuízo ao índio e este tenha consciência 
e conhecimento acerca do ato praticado. 
 O indígena pode requerer judicialmente a sua liberação do referido regime 
tutelar, investindo-se de capacidade civil plena, desde que preencha os 
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AULA 2 
DIREITO CIVIL 
requisitos do art. 9º do Estatuto do Índio: a) idade mínima de 21 anos; b) 
conhecimento da língua portuguesa; c) habilitação para o exercício de atividade 
útil, na comunhão nacional; d) razoável compreensão dos usos e costumes da 
comunhão nacional. 
 Há, entretanto, parcela da doutrina que defende a não recepção pela CF/88 dos 
dispositivos relacionados à capacidade dos indígenas constantes do Estatuto do 
Índio. Segundo EDILSON VITORELLI: “Se, com o advento da Constituição de 1988, 
é conferida ao indígena, de modo expresso, a capacidade processual (art. 232), a 
qual é um atributo da personalidade, é possível concluir, por interpretação, que 
a norma também lhes concedeu a plena capacidade civil, uma vez que a 
capacidade processual decorre da possibilidade de contrair direitos e assumir 
obrigações na ordem jurídica”. 
 Apesar disso, não consta na jurisprudência do STF, até o momento, qualquer 
decisão do plenário declarando a não recepção dos dispositivos do Estatuto do 
Índio, tampouco a superação do regime tutelar da FUNAI. 
 Dessa forma, em provas objetivas é necessário atentar-se ao enunciado, caso 
cobre a letra da lei ou a visão sob o prisma constitucional. Em provas subjetivas 
é importante ressaltar a existência dessa perspectiva constitucional, onde se 
reconhece a capacidade plena dos índios, apesar de se manter um sistema de 
proteção. 
 No âmbito da capacidade processual, importante lembrar a redação do art. 232 
da CF/88: Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes 
legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, 
intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. 
 É o ato jurídico que antecipa os efeitos da maioridade e da consequente 
capacidade civil plena para aqueles que ainda não completaram 18 anos. 
 O menor emancipado adquire capacidade civil plena, mas não deixa de ser 
menor. Antecipa-se apenas os efeitos da maioridade para fins civis, e não a 
própria maioridade em si. 
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 A emancipação, por si só, não elide a incidência do Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Enunciado nº 530, da VI JDC, do CJF). 
 As hipóteses de emancipação previstas no Código Civil são: (I) emancipação 
voluntária ou parental (realizada pelos pais do menor que já tenha completado 
16 anos, mediante instrumento público registrado no Cartório de Registro Civil 
das Pessoas Naturais – procedimento extrajudicial); (II) emancipação judicial 
(concedida especificamente ao menor que já tenha completado 16 anos, 
submetido a regime de tutela, ouvido o tutor); (III) emancipação legal ou tácita 
(produz efeitos independentemente de registro e ocorre nas hipóteses de 
casamento, exercício de emprego público efetivo, colação de grau em ensino 
superior, estabelecimento civil/comercial ou relação de emprego em função do 
qual o menor com 16 anos completos tenha economia própria). 
 Não é possível o curador realizar a emancipação voluntária. 
 Já se admitiu a investidura de menor de 18 anos em cargo público, com 
fundamento na natureza das atribuições do cargo, bem como no fato de, no caso 
concreto, a menor já se encontrar emancipada voluntariamente pelos pais (STJ, 
REsp 1.462.659). 
 A emancipação, em regra, é definitiva, irrevogável e irretratável. Entretanto, a 
emancipação voluntária (parental) “está sujeita à desconstituição por vício de 
vontade” (enunciado nº 397 da V JDC, do CJF). 
 Quanto à emancipação em razão do casamento, frisa-se que a sua dissolução em 
razão de divórcio ou morte de um dos cônjuges não acarreta o retorno à situação 
anterior de incapacidade do menor. 
 Em caso de casamento nulo, porém, há duas correntes: (I) defende-se que o 
menor se torna novamente incapaz, eis que os efeitos da nulidade retroagem 
para nulificar o próprio ato de emancipação; (II) defende-se que sendo nulo ou 
anulável o casamento, a decretação da nulidade só repercutirá sob a 
emancipação se o matrimônio tiver sido contraído de má-fé. 
 A única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 
18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo 
único, inc. I, do Código Civil (enunciado nº 41 da I JDC, do CJF). 
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 O STJ já afirmou em mais de uma oportunidade que a emancipação voluntária 
não exonera os pais da responsabilidade civil pelos atos praticados pelo filho 
emancipado, diversamente do que ocorre com a emancipação operada por força 
de lei (STJ, AgRg no Ag 1239557-RJ, julgamento em 09/10/2012). 
 A doutrina afirma que nos casos de emancipação judicial ou legal os 
responsáveis são efetivamente exonerados de qualquer responsabilidade por 
atos praticados pelo menor, pois a emancipação não decorre de sua vontade, 
mas sim da vontade do Estado (juiz ou legislador). 
 Os direitos da personalidade são direitos subjetivos que têm por objeto os bens 
e valores essenciais da pessoa, no seu aspecto físico, moral e intelectual. 
 Diferentemente do Código Civil de 1916, o CC/2002 possui capítulo próprio que 
trata dos direitos da personalidade (arts. 11 a 21). Ressalta-se, contudo, que o 
rol de direitos da personalidade constante do CC/2002 é meramente 
exemplificativo. 
 Os direitos da personalidade, regulados de maneira não exaustiva pelo Código 
Civil, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida no 
art. 1º, III, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso 
de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar 
a técnica da ponderação (enunciado nº 274 da IV JDC, do CJF). 
 A doutrina classifica os direitos da personalidade em três grupos, referentes à: 
(I) vida e integridade física; (II) integridade psíquica e criações intelectuais; (III) 
integridade moral. 
 Considerando a estreita correlação com os direitos fundamentais, é possível que 
em alguns casos concretos (hard cases) haja uma colisão entre os direitos da 
personalidade, conflito que deve ser solucionado por meio da ponderação. 
 A ponderação nada mais é do que a aplicação da máxima da proporcionalidade 
para se verificar qual princípio possui maior peso no caso concreto, devendo, 
portanto, ser tutelado na maior medida possível (sem sacrifício do outro 
princípio, que será tutelado em menor medida). 
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 Exemplo de aplicação da técnica da ponderaçãopara resolver conflitos entre 
direitos da personalidade diz respeito ao caso em que o STF decidiu ser 
desnecessária a autorização prévia do biografado para a publicação de 
biografias. (STF, ADI 4815. Julgamento em 10/06/2015) 
 Os direitos da personalidade são: (I) absolutos; (II) extrapatrimoniais; (III) 
indisponíveis e irrenunciáveis; (IV) imprescritíveis; (V) impenhoráveis; e (VI) 
vitalícios. 
 É preciso ler com cuidado a afirmação de que os direitos fundamentais da 
personalidade são absolutos, já que, como afirmado, eles podem ser objeto de 
ponderação e concretizados em diferentes medidas. Na verdade, essa 
característica está relacionada à sua oponibilidade erga omnes, e não à 
impossibilidade de sua relativização perante outros direitos. 
 O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de disposição 
voluntária, desde que não permanente nem geral, estando condicionado à 
prévia autorização do titular e devendo sua utilização estar de acordo com o 
contrato estabelecido entre as partes (STJ, REsp 1.630.851-SP). 
 Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não 
especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de 
direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes 
(enunciado nº 139 da III JDC, do CJF). Assim, é mais correto falar em 
indisponibilidade relativa dos direitos patrimoniais. 
 O dano moral pode ser: a) direto, quanto atinge a própria pessoa; b) indireto (ou 
em ricochete), quando atinge a pessoa de forma reflexa, como na lesão à 
personalidade do morto (art. 12, parágrafo único, do CC). 
 Merece destaque a recente alteração feita pela Lei nº 14.382/22 que, entre 
outras disposições, alterou o art. 56 da Lei nº 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) 
para permitir que, a partir dos 18 anos, qualquer pessoa possa solicitar uma 
única vez em cartório a alteração do seu primeiro nome (prenome) sem 
precisar apresentar justificativa. 
 Importante julgado relativo aos direitos da personalidade é o de que o transexual 
tem o direito de promover a alteração de seu prenome e de seu gênero no 
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registro civil, independentemente de autorização judicial ou de prévia cirurgia 
de transgenitalização. (STF. RE 670422-RS, julgamento em 15/08/2018). 
 Além da decisão acima mencionada, a 3ª Turma do STJ, por decisão unanime, 
em processo que tramita em segredo de justiça, julgado em 6/5/2025, entendeu 
que, deve ser reconhecido o direito ao livre desenvolvimento da personalidade 
da pessoa transgênera não-binária de autodeterminar-se, possibilitando-se a 
retificação do registro civil para que conste gênero neutro. 
 A Lei nº 13.709/2018 (Lei de Proteção de Dados Pessoais – LGPD) e a Emenda 
Constitucional 115/22 deram proteção normativa aos dados pessoais, os quais 
estão inseridos dentro dos direitos da personalidade. Destaca-se a inclusão do 
inciso LXXXIX no art. 5º da CF/88, incluindo a proteção de dados pessoais 
(inclusive nos meios digitais) ao catálogo constitucional de direitos 
fundamentais. 
 Termina a existência da pessoa natural com a morte (CC, art. 6º). 
 Ao passo que o conceito legal de vida está atrelado à respiração do recém-
nascido, o conceito legal de morte diz respeito à morte cerebral (morte 
encefálica, denominada morte real) (Lei 9.434/97, art. 3º). 
 O atestado de óbito deve ser levado a registro no Cartório Civil de Registro das 
Pessoas Naturais (CC, art. 9º, I). 
 Os principais efeitos da morte são: (I) extinção do poder familiar; (II) dissolução 
do vínculo conjugal; (III) abertura da sucessão; e (IV) extinção do contrato 
personalíssimo. 
 Para FLÁVIO TARTUCE, o morto tem resquícios de personalidade civil, não se 
aplicando o art. 6º do CC aos direitos da personalidade. 
MORTE PRESUMIDA SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA 
 
 Pode ser declarada nas seguintes situações: (I) se for extremamente provável a 
morte de quem estava em perigo de vida; (II) se alguém, desaparecido em 
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campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término 
da guerra. 
 Deve-se realizar o procedimento de justificação, previsto no art. 88 da Lei de 
Registros Públicos, que tem por finalidade proceder ao assento da própria 
presunção de existência da morte. 
 Em qualquer caso, a morte presumida sem decretação de ausência só pode ser 
requerida depois de esgotadas as buscas pela pessoa, devendo a sentença fixar 
a data provável do falecimento (CC, art. 7º, parágrafo único). 
MORTE PRESUMIDA COM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA 
 
 Trata-se de um estado de fato, em que uma pessoa desaparece de seu domicílio 
sem deixar qualquer notícia. 
 No CC/16, os ausentes eram tratados como absolutamente incapazes. 
Atualmente, a ausência é reconhecida como hipótese de morte presumida, 
desde que cumpridas as regras previstas nos arts. 22 a 39 do CC. 
 Devem ser observadas três fases: (I) curadoria dos bens do ausente (declaração 
judicial da ausência da pessoa desaparecida, arrecadação de seus bens e 
nomeação de curador para administrá-los); (II) Sucessão provisória; (III) 
sucessão definitiva. 
 No que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem 
apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o 
companheiro, como por exemplo na hipótese de nomeação de curador dos bens 
do ausente. (Enunciado nº 97 da I JDC, do CJF) 
 Há uma distinção no efeito jurídico do regresso do ausente conforme este se 
ocorra durante o período de sucessão provisória ou de sucessão definitiva. No 
primeiro caso, cessam imediatamente as vantagens dos herdeiros 
provisoriamente imitidos na posse dos bens do ausente. No segundo caso, o 
ausente apenas terá direito sobre os bens existentes no estado em que se 
acharem, sobre os sub-rogados ou sobre o preço que os herdeiros e demais 
interessados houverem por eles recebido. 
 Caso o ausente não regresse após um decênio contado da abertura da sucessão 
definitiva, não tendo deixado qualquer herdeiro, seus bens serão considerados 
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vagos, passando ao domínio do Município (ou do DF) em cuja circunscrição se 
localizarem, ou ao domínio da União, se situados em território federal. 
MORTE SIMULTÂNEA (COMORIÊNCIA) 
 
 É o caso em que não se pode precisar a ordem cronológica das mortes dos 
comorientes. Há uma presunção de haverem falecido no mesmo instante. 
 A consequência prática da comoriência é observada principalmente no campo 
do direito sucessório: não tendo havido tempo ou oportunidade para a 
transferência de bens entre os comorientes, um não herda do outro. 
 Embora o texto legal se refira à hipótese de duas ou mais pessoas terem falecido 
“na mesma ocasião”, parte da doutrina afirma que o fenômeno da comoriência 
pode ocorrer ainda que a morte dos envolvidos suceda-se em locais ou eventos 
distintos, desde que seja impossível precisar o instante em que se deu o óbito 
de cada pessoa. Para eles, o que importa para a definição da comoriência é o 
fator cronológico. 
 
 
 
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