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AULA 2 DIREITO CIVIL DIREITO CIVIL erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL Prezado aluno, antes de iniciarmos nossos estudos de hoje, precisamos ter uma conversa séria. Trata-se do respeito aos nossos esforços na produção deste curso, a que temos dedicado todas nossas energias nos últimos meses. Saiba que nosso objetivo é sempre oferecer o melhor produto possível e que realmente faça a diferença na sua caminhada rumo à aprovação. Mas, para que nós consigamos atingir essa meta, sua ajuda é imprescindível. Então, sempre que algum amigo ou conhecido falar “será que você passa para mim aquele material do Revisão Ensino Jurídico que você tem?”, lembre desta nossa conversa. Todos os nossos produtos são tutelados pela legislação civil (como a Lei 9.610/98 e o Código Civil) e pela legislação penal (especialmente pelo art. 184 do Código Penal). Para que não reste dúvida: este curso se destina ao uso exclusivo do aluno que o adquirir em nosso site, e sua aquisição não autoriza sua reprodução. Ok? Sabemos que falar isso parece pouco amigável, mas só estamos tendo este “papo reto” porque queremos de você justamente um ato de amizade: não participar, de forma alguma, da pirataria deste curso. Se isso acontecer, o fornecimento das aulas a você será interrompido e nenhum valor pago será restituído, sem prejuízo, evidentemente, de toda a responsabilização cabível nos âmbitos civil e penal. Bem, o recado era esse. Agora podemos voltar às boas e meter a cara nos livros! Ops... nos PDFs! erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL PESSOA NATURAL _____________________________________________________ 4 Personalidade jurídica ________________________________________________ 4 Capacidade _______________________________________________________ 5 Legitimação _______________________________________________________ 5 Aquisição da personalidade e a situação jurídica do nascituro _______________ 6 TEORIA DAS INCAPACIDADES __________________________________________ 9 O rol legal de incapazes e o impacto do Estatuto da Pessoa com Deficiência ___ 10 O absolutamente incapaz (menos de dezesseis anos) _____________________ 11 Os relativamente incapazes _________________________________________ 12 Maiores de 16 e menores de 18 anos (menores púberes) __________________ 12 Os ébrios habituais e os viciados em tóxico _____________________________ 13 Aquele que, por causa transitória ou permanente, não possa exprimir sua vontade ________________________________________________________________ 13 Os pródigos ______________________________________________________ 13 Da capacidade dos indígenas ________________________________________ 14 EMANCIPAÇÃO _____________________________________________________ 15 DIREITOS DA PERSONALIDADE ________________________________________ 17 EXTINÇÃO DA PESSOA NATURAL _______________________________________ 19 Morte presumida SEM declaração de ausência __________________________ 19 Morte presumida COM declaração de ausência __________________________ 20 Morte simultânea (comoriência) _____________________________________ 21 erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL O Direito Civil é um ramo do direito privado tendente a reger as relações humanas. É, pois, o direito da vida do homem. Até mesmo após a morte, o direito civil protege o ser humano, resguardando, por exemplo, sua memória e a integridade de seu corpo. O Direito Civil passou por um processo de despatrimonialização com o advento da CF/88, o que foi consolidado com o CC/2002. Trata-se da personificação do direito civil, que tem como eixo central a proteção do ser humano. Essa nova concepção do Direito Civil é corolário do princípio da dignidade humana (CF, art. 1º, III). Há uma a valorização do ser humano e a proteção de seus atributos intrínsecos, inerentes à sua dignidade. Todos os seres humanos fazem jus à proteção fornecida por esse novo Direito Civil. Com efeito, não se admite a divisão entre pessoas “menos” ou “mais” humanas, sob a perspectiva ética e jurídica. Destaca-se que nem sempre foi assim, sendo possível mencionar a época do Brasil colonial, na qual os escravos eram considerados “coisas”. Para a doutrina, a pessoa natural é “o ente dotado de estrutura e de complexidade biopsicológica, sendo dotado de personalidade jurídica e de capacidade de direito”. O fato de se tratar de um ente dotado de estrutura e complexidade biopsicológica é um dos pontos diferenciais entre as pessoas naturais e as pessoas jurídicas, visto que estas também possuem personalidade jurídica. As pessoas naturais também se diferenciam dos demais integrantes do reino animal, os quais, embora possuam estrutura e complexidade biopsicológicas, não são dotados de personalidade jurídica. Pessoa natural = reunião da estrutura biopsicológica + personalidade jurídica. erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL A pessoa natural também é chamada de pessoa física. Parte da doutrina critica essa expressão tendo em vista que ela apenas designa o aspecto material e físico do homem. Toda pessoa natural possui personalidade jurídica, que significa a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair deveres (CC, art. 1º). O Código Civil não se utilizou da expressão “personalidade”, tendo adotado a locução “toda pessoa é capaz”, sendo imprescindível entender a capacidade. Há entes sem personalidade jurídica, mas que possuem capacidade jurídica (v. g., condomínio edilício). Segundo o STJ (REsp 1736593-SP) o condomínio não pode sofrer dano moral. CAPACIDADE Para TARTUCE, “a capacidade é a medida da personalidade”. O art. 1º do CC, que afirma que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil, refere-se à capacidade de direito (também denominada capacidade de gozo) e cujo conceito é idêntico ao de personalidade. O art. 1º do Código Civil, portanto, atrela o conceito de personalidade ao de capacidade de direito, na medida em esta é decorrência necessária da primeira. Não há personalidade sem capacidade de direito e vice-versa. Existe também a capacidade de fato (também chamada de capacidade de exercício), que significa a possibilidade de o sujeito praticar, pessoalmente, os atos da vida civil. Quem possui capacidade de fato pode exercitar pessoalmente os direitos que titulariza, ao passo que os incapazes (detentores de capacidade de direito, mas desprovidos de capacidade de fato) precisam ser representados ou assistidos. Quando a pessoa natural reúne a capacidade de direito e a capacidade de fato, diz-se que ela é dotada de capacidade plena. LEGITIMAÇÃO A legitimação é a capacidade especial para a prática de determinados atos ou negócios jurídicos, quando a lei assim o exigir. erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL Trata-se de um plus à capacidade, associado a uma autorização exigida pela lei para que a pessoa possa praticar algum ato ou negócio jurídico específico. Como exemplo de legitimação, cita-se o art. 1.749 do CC, o qual dispõe que o tutor não pode comprar ou doar bens pertencentes ao menor, tampouco constituir-se cessionário de créditos ou direitos pertencentes ao tutelado. A situação nada diz respeito à capacidade de direito ou de fato do tutor: ainda que este possua capacidade civil plena, ele não possui a capacidade especial (a legitimação) exigida para a prática dos atos ou negócios jurídicos mencionados. PERSONALIDADE Atributo inerente a toda pessoa natural. É a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair deveres na ordem jurídica. CAPACIDADE É a medida jurídica da personalidade. ▪ Capacidade de direito (gozo): decorre diretamente da personalidade. Também é entendida como a aptidão que toda pessoa natural tem para titularizar direitos e contrair deveres. ▪ Capacidade de fato (exercício): possibilidadede a pessoa exercer pessoalmente os atos da vida civil, sem necessidade de representação ou assistência. A capacidade civil plena é a coexistência da capacidade de direito e da capacidade de fato, de modo que o sujeito pode exercer, pessoalmente, todos os atos da vida civil. A capacidade limitada é a daquele que tem capacidade de direito, mas não possui total capacidade de fato, necessitando de representação ou de assistência para praticar alguns ou todos os atos da vida civil. LEGITIMAÇÃO É a capacidade especial para a prática de determinados atos ou negócios jurídicos, em hipóteses nas quais a lei exige uma autorização ou requisito específico. É um plus à capacidade. AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE E A SITUAÇÃO JURÍDICA DO NASCITURO A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida (CC, art. 2º). erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL O nascimento significa a saída do feto do interior da mãe para o mundo externo. Entretanto, para adquirir a personalidade não basta apenas o nascimento, mas é necessário que se nasça com vida. O que define o nascimento com vida é o fato de o recém-nascido ter respirado, ainda que venha a falecer logo em seguida (funcionamento do aparelho cardiorrespiratório da criança). Se não há respiração, fala-se em nascimento sem vida (natimorto). A lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro (CC, art. 2º). O nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu. Existem três teorias acerca da aquisição da personalidade da pessoa natural e do tratamento jurídico do nascituro: (I) teoria natalista: baseada na interpretação literal do art. 2º, primeira parte, do CC, afirma que a personalidade apenas é adquirida a partir do nascimento com vida, de modo que o nascituro não possui aptidão para titularizar quaisquer espécies de direito (possuindo apenas expectativas); (II) teoria condicionalista: defende que, embora o nascituro não tenha personalidade, possui direitos submetidos a condição suspensiva – o nascimento com vida; (III) teoria concepcionista: afirma que a personalidade é adquirida desde a concepção, de modo que o nascituro seria apto, portanto, a titularizar direitos na ordem jurídica. A teoria natalista não tem sido muito acolhida pela doutrina moderna e pela escola do Direito Civil Constitucional. Isso porque ela passa a ideia de que o nascituro seria uma “coisa”, despersonalizado e desmerecedor de tutela jurídica. Entretanto, é indiscutível que há vida, no mínimo, em estado de potência, de modo que o nascituro não pode ter meras expectativas de direito. Entender diferente vai de encontro ao princípio do respeito à vida e à dignidade humana. MARIA HELENA DINIZ desenvolveu os conceitos de personalidade jurídica formal e personalidade jurídica material. A primeira é relacionada aos direitos da personalidade, que o nascituro já tem desde a concepção, enquanto a segunda diz respeito aos direitos patrimoniais, adquiridos com o nascimento com vida. A teoria concepcionista tem ganhado muita força nas últimas décadas, tanto na legislação quanto na jurisprudência, em um processo de superação gradativa da clássica teoria natalista. Prevalece na doutrina o entendimento moderado de erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL que o nascituro titulariza desde a concepção os direitos extrapatrimoniais, personalíssimos ou da personalidade, enquanto os direitos patrimoniais (de cunho econômico), ficam condicionados ao nascimento com vida. Exemplos da atual prevalência da teoria concepcionista no ordenamento jurídico brasileiro: (I) art. 7º do ECA, que consagra o direito à assistência pré-natal e ao nascimento sadio; (II) art. 4º da Convenção Americana dos Direitos do Homem (Pacto de San José da Costa Rica), que foi recebida pelo ordenamento jurídico interno com o status de norma supralegal (STF, RE 466.343 e HC 95.967), que afirma que o direito de respeito à vida deve ser protegido pela lei desde o momento da concepção; (III) Lei nº 11.804/2008, que regulamentou a possibilidade de concessão dos alimentos gravídicos em favor do nascituro, desde a concepção até o parto. No âmbito judicial, a adoção da teoria concepcionista pode ser percebida pela: (I) estabilidade provisória da gestante (art. 10, II, b, do ADCT), que se inicia desde a confirmação da gravidez, independentemente da ciência do empregador (Súmula 244 do TST); (II) indenização do seguro DPVAT aos pais de feto morto em acidente de trânsito, o que implica o reconhecimento expresso do direito à vida do nascituro. (STJ. REsp 1120676-SC, Julgamento em 07/12/2010) Há hipóteses no ordenamento jurídico brasileiro em que é admitida a relativização do direito à vida do nascituro. Nos termos do art. 128 do CP, é permitido o aborto caso esta medida seja necessária para salvar a vida da gestante (aborto necessário/terapêutico), e na hipótese de gravidez resultante de estupro (aborto sentimental/humanitário). Há, ainda, a possibilidade de aborto de feto anencéfalo, fundamentada na ausência de viabilidade potencial de vida humana (STF. ADPF 54, Julgamento em 12/04/2012). Os direitos do nascituro não são extensíveis aos embriões de laboratório (doutrina majoritária). Concepturo é a prole eventual. Pode ser beneficiário de testamento (arts. 1.800, §4º e 1.799, I, ambos do CC). Não deve ser confundido com nascituro. A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. (Enunciado nº I do CJF). erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL QUADRO-RESUMO QUANDO A PERSONALIDADE JURÍDICA É ADQUIRIDA? (da pessoa natural) À luz do CC/2002 a personalidade civil é adquirida somente a partir do nascimento com vida. Para o Código Civil, portanto, o nascituro não é considerado expressamente uma pessoa natural. E à luz da doutrina? O assunto não é pacífico. Há corrente de destaque (teoria concepcionista) que defende que a personalidade é adquirida desde a concepção. QUAL É O TRATAMENTO JURÍDICO DO NASCITURO? Embora afirme que o nascituro não tem personalidade, o CC/2002 dispõe que ele possui direitos que devem ser salvaguardados desde a concepção. E qual é exatamente o regime de proteção dos direitos do nascituro? Prevalece o entendimento de que o nascituro titulariza de forma plena, desde a concepção, os direitos da personalidade (personalidade jurídica formal), ao passo que a aquisição dos direitos patrimoniais (personalidade jurídica material) fica condicionada ao nascimento com vida. O natimorto goza dessa mesma proteção. A incapacidade é uma situação excepcional, cujas hipóteses são previstas taxativamente em lei – a regra é a capacidade civil plena. A incapacidade pode ser: (I) absoluta: o incapaz é considerado inapto para praticar todos os atos da vida civil e o suprimento de sua incapacidade é feito pelo instituto da representação. Acaso seja praticado um ato ou negócio sem intermédio do representante legal, a consequência é a nulidade do ato praticado pelo absolutamente incapaz; (II) relativa: a limitação da capacidade é parcial, preservando-se a possibilidade de o relativamente incapaz praticar, pessoalmente, alguns atos ou negócios específicos. O suprimento desta espécie de incapacidade é feito pelo instituto da assistência, ao passo que a erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL consequência dos atos indevidamente praticados pelo relativamente incapaz é a respectiva anulabilidade dos mesmos. A afirmação de que a incapacidade absoluta gera proibição total do exercício dos direitos do incapaz deve ser lida com cautela. Isso porque existem alguns casos em que os atos praticados pelos absolutamente incapazes são válidos e eficazes, mesmo sem a intermediação de um representante legal. Exemplo: compra e venda realizada entre uma criança eum comerciante em um contexto socialmente aceito e desde haja boa-fé de ambas as partes. A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do art. 3º é juridicamente relevante na concretização de situações existenciais a eles concernentes, desde que demonstrem discernimento bastante para tanto (Enunciado nº 138 da III JDC, do CJF). No caso dos relativamente incapazes, há mais exceções nas quais se admite a prática pessoal de atos e negócios. A limitação da capacidade de fato, portanto, é menos intensa do que na incapacidade absoluta. Exemplos: ser testemunha, aceitar mandato, fazer testamento, casar, entre outros. A diferença entre a representação e a assistência é que, no primeiro caso, o absolutamente incapaz atua por intermédio, de seu representante legal. No segundo caso, o ato ou negócio jurídico é praticado em conjunto pelo relativamente incapaz e o seu assistente. O ROL LEGAL DE INCAPAZES E O IMPACTO DO ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA O Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPD) teve por objetivo a plena inclusão da pessoa com deficiência. Com efeito, tais pessoas deixam de ser vistas como vulneráveis e a dignidade-liberdade substitui a dignidade-vulnerabilidade. Foram afastados os dispositivos do Código Civil que apresentavam tratamento discriminatório em relação às pessoas com deficiência, as quais passaram a ser plenamente capazes. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas (EPD, art. 84). A curatela passou a ser uma medida protetiva extraordinária. erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL A fim de se assegurar o pleno exercício dos direitos da pessoa com deficiência, sem a necessidade de se recorrer à curatela, inseriu-se no sistema o instituto da tomada de decisão apoiada (CC, art. 1.783-A). Os apoiadores não são representantes ou assistentes, pois não há incapacidade. Tem validade e efeito contra terceiros, sem restrições. Em caso de divergência, a decisão cabe ao Juiz (ouvido o MP). Parte dos doutrinadores criticam essa noção trazida pela EPD, tendo em vista desproteger aqueles que merecem proteção legal, sobretudo no que se refere aos casos mais intensos de deficiência, as quais impedem a pessoa de praticar quaisquer atos da vida civil. Em uma visão conciliatória, entende-se que o EPD pretendeu que a pessoa com deficiência deixasse de ser rotulada como incapaz para ser considerada uma pessoa dotada de plena capacidade legal, ainda quando haja a necessidade de adoção de institutos assistenciais específicos, como a tomada de decisão apoiada ou a curatela. No REsp 1927423/SP, julgado em 27/04/2021, o STJ seguiu a nova orientação legislativa e entendeu que “não é mais possível declarar como absolutamente incapaz o maior de 16 anos que, em razão de enfermidade permanente, encontra-se inapto para gerir sua pessoa e administrar seus bens de modo voluntário e consciente”. O ABSOLUTAMENTE INCAPAZ (MENOS DE DEZESSEIS ANOS) Considerando os ensinamentos do ECA, é possível afirmar que a criança é a pessoa com idade entre zero e doze anos incompletos, enquanto que o adolescente é a pessoa entre doze anos e dezoito anos de idade. Sendo assim, toda criança é absolutamente incapaz, e o adolescente pode ser absoluta (12- 15 anos) ou relativamente incapaz (16-18 anos). erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL A incapacidade absoluta decorre de um critério objetivo (cronológico ou etário), aferida mediante a simples apresentação de documento comprobatório da idade do indivíduo (certidão de nascimento, RG, CPF, etc.). OS RELATIVAMENTE INCAPAZES As incapacidades relativas podem decorrer tanto de um critério objetivo (cronológico ou etário) quanto de um critério subjetivo (psicológico ou psíquico). O primeiro diz respeito à hipótese do menor entre 16 e 18 anos, também chamado de menor púbere. Todas as demais hipóteses de incapacidade relativa decorrem de um fator psicológico ou psíquico. As incapacidades decorrentes de fatores psicológicos precisam ser declaradas formalmente em juízo. É o procedimento de interdição (CPC, arts. 747-758). O termo “interdição” vem sofrendo duras críticas pela doutrina moderna, mormente por ser contrário às novas diretrizes do EPD. Entretanto, o termo continua sendo utilizado pela legislação processual, de modo que deve ser considerado para as provas. Discute-se acerca da natureza da sentença proferida no processo de interdição – se teria natureza declaratória ou constitutiva. Considerando que o relativamente incapaz já se encontra em sua condição antes do ajuizamento da ação de interdição, a sentença proferida neste processo apenas declara sua incapacidade preexistente. Todavia, a pessoa só passa a ser formalmente privada de exercer pessoalmente os atos da vida civil após essa declaração formal de sua incapacidade relativa. Para MARIA HELENA DINIZ, a natureza é mista. A validade dos atos praticados antes da interdição deve ser discutida no processo, avaliando a boa-fé do terceiro que contratou com o relativamente incapaz. Havendo omissão na sentença, e não sendo opostos embargos de declaração, o tema poderá ser discutido em ações autônomas. Os atos pretéritos à interdição padecem do vício da anulabilidade, tendo em vista que a interdição apenas pode ocorrer com os relativamente incapazes. MAIORES DE 16 E MENORES DE 18 ANOS (MENORES PÚBERES) erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL O menor púbere não pode, maliciosamente, esconder sua idade para, posteriormente, alegá-la a fim de se eximir de obrigação firmada perante terceiro de boa-fé (CC, art. 180). Trata-se do princípio geral do direito segundo o qual ninguém pode se valer da própria torpeza, bem como da proibição ao comportamento contraditório (venire contra factum proprium). OS ÉBRIOS HABITUAIS E OS VICIADOS EM TÓXICO Somente se enquadram nessa categoria as pessoas que efetivamente têm seu discernimento afetado, de maneira contínua, pela dependência de bebidas alcoólicas ou de quaisquer substâncias entorpecentes. A afetação do discernimento deve ser aferida por meio da ação de interdição. É por isso que, às vezes, o processo de interdição pode apresentar notas contenciosas, embora seja tido como um procedimento de jurisdição voluntária. Por exemplo, o interditado pode tentar provar que seu discernimento não foi afetado por seus hábitos etílicos. Só aquele que tem seu discernimento comprometido de maneira habitual se enquadra na hipótese ora comentada. Exclui-se, por exemplo, aquele que possui episódio isolado de embriaguez. AQUELE QUE, POR CAUSA TRANSITÓRIA OU PERMANENTE, NÃO POSSA EXPRIMIR SUA VONTADE Antes do Estatuto da Pessoa com Deficiência, esta hipótese era tratada como espécie de incapacidade absoluta, que migrou para o rol de incapacidades relativas. OS PRÓDIGOS Pródigo é aquele que desordenadamente gasta e destrói sua fazenda, reduzindo- se à miséria por sua culpa. A interdição do pródigo e a declaração de sua incapacidade relativa visa proteger não somente a sua pessoa, como sua família e a própria sociedade, que, erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL eventualmente, seria chamada a arcar com os custos do sustento da pessoa que, em razão da dilapidação sistemática do próprio patrimônio, reduziu-se à miséria. A incapacidade relativa do pródigo recai apenas sob os atos de disposição do patrimônio. Com efeito, a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado e praticar atos que não sejam de mera administração (CC, art. 1.782) Embora haja essa limitação de maneira expressa apenas para os pródigos, em todos os casos de incapacidade relativa decorrente de fator psicológico deve ser fixada a extensãoda limitação de sua capacidade. A interdição, em tese, deve ser determinada “sob medida”. Enquanto a interdição não for formalmente levantada em juízo, o relativamente incapaz deverá ser auxiliado por seu curador, não cabendo averiguar se houve melhoras momentâneas em seu discernimento. Não se admite a tese dos intervalos lúcidos. DA CAPACIDADE DOS INDÍGENAS No Código Civil de 1916, como regra, os índios eram considerados relativamente incapazes, podendo se sujeitar a regime tutelar estabelecido em leis ou regulamentos especiais. O Código de 2002 não faz nenhum juízo sobre a capacidade civil dos indígenas, afirmando que a matéria deve ser regulada em legislação especial. A Lei n.º 6.001/1973 (Estatuto do Índio), no seu art. 4º, utiliza uma classificação baseada no grau de integração do índio, sendo: isolados, em vias de integração ou integrados. Grande parte da doutrina afirma que os índios não integrados à sociedade são considerados absolutamente incapazes, já que seus atos são considerados nulos quando praticados sem a assistência do órgão tutelar competente (FUNAI), nos termos do art. 8º do Estatuto do Índio. A nulidade não se opera caso não haja prejuízo ao índio e este tenha consciência e conhecimento acerca do ato praticado. O indígena pode requerer judicialmente a sua liberação do referido regime tutelar, investindo-se de capacidade civil plena, desde que preencha os erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL requisitos do art. 9º do Estatuto do Índio: a) idade mínima de 21 anos; b) conhecimento da língua portuguesa; c) habilitação para o exercício de atividade útil, na comunhão nacional; d) razoável compreensão dos usos e costumes da comunhão nacional. Há, entretanto, parcela da doutrina que defende a não recepção pela CF/88 dos dispositivos relacionados à capacidade dos indígenas constantes do Estatuto do Índio. Segundo EDILSON VITORELLI: “Se, com o advento da Constituição de 1988, é conferida ao indígena, de modo expresso, a capacidade processual (art. 232), a qual é um atributo da personalidade, é possível concluir, por interpretação, que a norma também lhes concedeu a plena capacidade civil, uma vez que a capacidade processual decorre da possibilidade de contrair direitos e assumir obrigações na ordem jurídica”. Apesar disso, não consta na jurisprudência do STF, até o momento, qualquer decisão do plenário declarando a não recepção dos dispositivos do Estatuto do Índio, tampouco a superação do regime tutelar da FUNAI. Dessa forma, em provas objetivas é necessário atentar-se ao enunciado, caso cobre a letra da lei ou a visão sob o prisma constitucional. Em provas subjetivas é importante ressaltar a existência dessa perspectiva constitucional, onde se reconhece a capacidade plena dos índios, apesar de se manter um sistema de proteção. No âmbito da capacidade processual, importante lembrar a redação do art. 232 da CF/88: Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. É o ato jurídico que antecipa os efeitos da maioridade e da consequente capacidade civil plena para aqueles que ainda não completaram 18 anos. O menor emancipado adquire capacidade civil plena, mas não deixa de ser menor. Antecipa-se apenas os efeitos da maioridade para fins civis, e não a própria maioridade em si. erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL A emancipação, por si só, não elide a incidência do Estatuto da Criança e do Adolescente (Enunciado nº 530, da VI JDC, do CJF). As hipóteses de emancipação previstas no Código Civil são: (I) emancipação voluntária ou parental (realizada pelos pais do menor que já tenha completado 16 anos, mediante instrumento público registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais – procedimento extrajudicial); (II) emancipação judicial (concedida especificamente ao menor que já tenha completado 16 anos, submetido a regime de tutela, ouvido o tutor); (III) emancipação legal ou tácita (produz efeitos independentemente de registro e ocorre nas hipóteses de casamento, exercício de emprego público efetivo, colação de grau em ensino superior, estabelecimento civil/comercial ou relação de emprego em função do qual o menor com 16 anos completos tenha economia própria). Não é possível o curador realizar a emancipação voluntária. Já se admitiu a investidura de menor de 18 anos em cargo público, com fundamento na natureza das atribuições do cargo, bem como no fato de, no caso concreto, a menor já se encontrar emancipada voluntariamente pelos pais (STJ, REsp 1.462.659). A emancipação, em regra, é definitiva, irrevogável e irretratável. Entretanto, a emancipação voluntária (parental) “está sujeita à desconstituição por vício de vontade” (enunciado nº 397 da V JDC, do CJF). Quanto à emancipação em razão do casamento, frisa-se que a sua dissolução em razão de divórcio ou morte de um dos cônjuges não acarreta o retorno à situação anterior de incapacidade do menor. Em caso de casamento nulo, porém, há duas correntes: (I) defende-se que o menor se torna novamente incapaz, eis que os efeitos da nulidade retroagem para nulificar o próprio ato de emancipação; (II) defende-se que sendo nulo ou anulável o casamento, a decretação da nulidade só repercutirá sob a emancipação se o matrimônio tiver sido contraído de má-fé. A única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo único, inc. I, do Código Civil (enunciado nº 41 da I JDC, do CJF). erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL O STJ já afirmou em mais de uma oportunidade que a emancipação voluntária não exonera os pais da responsabilidade civil pelos atos praticados pelo filho emancipado, diversamente do que ocorre com a emancipação operada por força de lei (STJ, AgRg no Ag 1239557-RJ, julgamento em 09/10/2012). A doutrina afirma que nos casos de emancipação judicial ou legal os responsáveis são efetivamente exonerados de qualquer responsabilidade por atos praticados pelo menor, pois a emancipação não decorre de sua vontade, mas sim da vontade do Estado (juiz ou legislador). Os direitos da personalidade são direitos subjetivos que têm por objeto os bens e valores essenciais da pessoa, no seu aspecto físico, moral e intelectual. Diferentemente do Código Civil de 1916, o CC/2002 possui capítulo próprio que trata dos direitos da personalidade (arts. 11 a 21). Ressalta-se, contudo, que o rol de direitos da personalidade constante do CC/2002 é meramente exemplificativo. Os direitos da personalidade, regulados de maneira não exaustiva pelo Código Civil, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art. 1º, III, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação (enunciado nº 274 da IV JDC, do CJF). A doutrina classifica os direitos da personalidade em três grupos, referentes à: (I) vida e integridade física; (II) integridade psíquica e criações intelectuais; (III) integridade moral. Considerando a estreita correlação com os direitos fundamentais, é possível que em alguns casos concretos (hard cases) haja uma colisão entre os direitos da personalidade, conflito que deve ser solucionado por meio da ponderação. A ponderação nada mais é do que a aplicação da máxima da proporcionalidade para se verificar qual princípio possui maior peso no caso concreto, devendo, portanto, ser tutelado na maior medida possível (sem sacrifício do outro princípio, que será tutelado em menor medida). erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL Exemplo de aplicação da técnica da ponderaçãopara resolver conflitos entre direitos da personalidade diz respeito ao caso em que o STF decidiu ser desnecessária a autorização prévia do biografado para a publicação de biografias. (STF, ADI 4815. Julgamento em 10/06/2015) Os direitos da personalidade são: (I) absolutos; (II) extrapatrimoniais; (III) indisponíveis e irrenunciáveis; (IV) imprescritíveis; (V) impenhoráveis; e (VI) vitalícios. É preciso ler com cuidado a afirmação de que os direitos fundamentais da personalidade são absolutos, já que, como afirmado, eles podem ser objeto de ponderação e concretizados em diferentes medidas. Na verdade, essa característica está relacionada à sua oponibilidade erga omnes, e não à impossibilidade de sua relativização perante outros direitos. O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de disposição voluntária, desde que não permanente nem geral, estando condicionado à prévia autorização do titular e devendo sua utilização estar de acordo com o contrato estabelecido entre as partes (STJ, REsp 1.630.851-SP). Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes (enunciado nº 139 da III JDC, do CJF). Assim, é mais correto falar em indisponibilidade relativa dos direitos patrimoniais. O dano moral pode ser: a) direto, quanto atinge a própria pessoa; b) indireto (ou em ricochete), quando atinge a pessoa de forma reflexa, como na lesão à personalidade do morto (art. 12, parágrafo único, do CC). Merece destaque a recente alteração feita pela Lei nº 14.382/22 que, entre outras disposições, alterou o art. 56 da Lei nº 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) para permitir que, a partir dos 18 anos, qualquer pessoa possa solicitar uma única vez em cartório a alteração do seu primeiro nome (prenome) sem precisar apresentar justificativa. Importante julgado relativo aos direitos da personalidade é o de que o transexual tem o direito de promover a alteração de seu prenome e de seu gênero no erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL registro civil, independentemente de autorização judicial ou de prévia cirurgia de transgenitalização. (STF. RE 670422-RS, julgamento em 15/08/2018). Além da decisão acima mencionada, a 3ª Turma do STJ, por decisão unanime, em processo que tramita em segredo de justiça, julgado em 6/5/2025, entendeu que, deve ser reconhecido o direito ao livre desenvolvimento da personalidade da pessoa transgênera não-binária de autodeterminar-se, possibilitando-se a retificação do registro civil para que conste gênero neutro. A Lei nº 13.709/2018 (Lei de Proteção de Dados Pessoais – LGPD) e a Emenda Constitucional 115/22 deram proteção normativa aos dados pessoais, os quais estão inseridos dentro dos direitos da personalidade. Destaca-se a inclusão do inciso LXXXIX no art. 5º da CF/88, incluindo a proteção de dados pessoais (inclusive nos meios digitais) ao catálogo constitucional de direitos fundamentais. Termina a existência da pessoa natural com a morte (CC, art. 6º). Ao passo que o conceito legal de vida está atrelado à respiração do recém- nascido, o conceito legal de morte diz respeito à morte cerebral (morte encefálica, denominada morte real) (Lei 9.434/97, art. 3º). O atestado de óbito deve ser levado a registro no Cartório Civil de Registro das Pessoas Naturais (CC, art. 9º, I). Os principais efeitos da morte são: (I) extinção do poder familiar; (II) dissolução do vínculo conjugal; (III) abertura da sucessão; e (IV) extinção do contrato personalíssimo. Para FLÁVIO TARTUCE, o morto tem resquícios de personalidade civil, não se aplicando o art. 6º do CC aos direitos da personalidade. MORTE PRESUMIDA SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA Pode ser declarada nas seguintes situações: (I) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; (II) se alguém, desaparecido em erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Deve-se realizar o procedimento de justificação, previsto no art. 88 da Lei de Registros Públicos, que tem por finalidade proceder ao assento da própria presunção de existência da morte. Em qualquer caso, a morte presumida sem decretação de ausência só pode ser requerida depois de esgotadas as buscas pela pessoa, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento (CC, art. 7º, parágrafo único). MORTE PRESUMIDA COM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA Trata-se de um estado de fato, em que uma pessoa desaparece de seu domicílio sem deixar qualquer notícia. No CC/16, os ausentes eram tratados como absolutamente incapazes. Atualmente, a ausência é reconhecida como hipótese de morte presumida, desde que cumpridas as regras previstas nos arts. 22 a 39 do CC. Devem ser observadas três fases: (I) curadoria dos bens do ausente (declaração judicial da ausência da pessoa desaparecida, arrecadação de seus bens e nomeação de curador para administrá-los); (II) Sucessão provisória; (III) sucessão definitiva. No que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companheiro, como por exemplo na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente. (Enunciado nº 97 da I JDC, do CJF) Há uma distinção no efeito jurídico do regresso do ausente conforme este se ocorra durante o período de sucessão provisória ou de sucessão definitiva. No primeiro caso, cessam imediatamente as vantagens dos herdeiros provisoriamente imitidos na posse dos bens do ausente. No segundo caso, o ausente apenas terá direito sobre os bens existentes no estado em que se acharem, sobre os sub-rogados ou sobre o preço que os herdeiros e demais interessados houverem por eles recebido. Caso o ausente não regresse após um decênio contado da abertura da sucessão definitiva, não tendo deixado qualquer herdeiro, seus bens serão considerados erikasf3@gmail.com AULA 2 DIREITO CIVIL vagos, passando ao domínio do Município (ou do DF) em cuja circunscrição se localizarem, ou ao domínio da União, se situados em território federal. MORTE SIMULTÂNEA (COMORIÊNCIA) É o caso em que não se pode precisar a ordem cronológica das mortes dos comorientes. Há uma presunção de haverem falecido no mesmo instante. A consequência prática da comoriência é observada principalmente no campo do direito sucessório: não tendo havido tempo ou oportunidade para a transferência de bens entre os comorientes, um não herda do outro. Embora o texto legal se refira à hipótese de duas ou mais pessoas terem falecido “na mesma ocasião”, parte da doutrina afirma que o fenômeno da comoriência pode ocorrer ainda que a morte dos envolvidos suceda-se em locais ou eventos distintos, desde que seja impossível precisar o instante em que se deu o óbito de cada pessoa. Para eles, o que importa para a definição da comoriência é o fator cronológico. erikasf3@gmail.com