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2ª Edição Contabilidade Fiscal Autoria: Ivone Ascar Sauáia Guimarães EXPEDIENTE EDITORIAL Reitor: Janes Fidelis Tomelin Diretor Pós-Graduação: Tiago Lorenzo Stachon Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Tiago Lorenzo Stachon Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins Marcio Kisner Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Núcleo de educação a Distância Diagramação e Capa: Núcleo de educação a Distância V848 Venâncio, Patrícia Fernanda Guimarães Contabilidade Fiscal. / Patrícia Fernanda Guimarães Venâncio — Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 160 p. ISBN Digital XXX-XX-XXXX-XXX-X 1. Contabilidade. 2. Fiscal. 3. Fundamentos. 4. Tributos. CDD 657 FICHA CATALOGRÁFICA SUMÁRIO Capítulo 1 ............................7 Fundamentos da Contabilidade Fiscal Capítulo 2 ...........................54 Contabilidade Fiscal Avançada Capítulo 3 ...........................111 Contabilidade Fiscal Estratégica APRESENTAÇÃO A Contabilidade Tributária é um segmento da contabilidade que se de- dica à aplicação simultânea e adequada dos fundamentos da contabilidade e da legislação tributária. No âmbito da contabilidade como um todo, seu objetivo é destacar de forma precisa e clara a situação patrimonial e os resultados obtidos durante o exercício, respeitando os princípios e as normas contábeis fundamentais. O resultado deve refletir a precisão do ponto de vista econômico. Contudo, é comum que a legislação tributária, frequentemente, altere os resultados econômicos para adequá-los às suas demandas legais, resultando em um valor fiscal divergente do resultado contábil, o qual nem sempre condiz com a realidade econômica. Visando a harmonização da contabilidade nacional com os Padrões Internacionais de Contabilidade, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) emitiu novos direcionamentos nos anos de 2009 e 2010. Essas medidas tinham o propósito de estabelecer critérios e procedimentos contábeis ali- nhados aos padrões internacionais para atender às necessidades de todos os usuários da contabilidade. Nesse contexto, a Receita Federal instituiu a MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, visando não tornar obri- gatórios os ajustes resultantes da legislação tributária para fins de registro contábil, permitindo que fossem controlados por registros auxiliares ou no Lalur, dependendo da situação. Esse regime vigorou temporariamente nos anos de 2009 e 2010, enquanto a Receita Federal estudava um procedimen- to para implementá-lo permanentemente. É frequente, como mencionado anteriormente, que empresas que re- gistram prejuízo econômico, adotando o Regime Lucro Real, sejam obriga- das pelo Fisco a considerar despesas como indedutíveis, resultando em um lucro fiscal chamado “lucro real”, mesmo em cenário de prejuízo econômico. Esse fenômeno caracteriza o nome do regime. Portanto, os sócios ou acionistas têm o direito de conhecer o real resul- tado econômico, o qual não deve ser manipulado para atender às exigências fiscais. A contabilidade deve retratar com precisão a situação patrimonial e os resultados obtidos no exercício. No entanto, as obrigações fiscais estipuladas por lei devem ser cumpri- das e administradas por meio de controles fiscais externos à contabilidade. Os tributos são devidos conforme a legislação vigente, desde que devida- mente respaldados legalmente. Para esclarecer, na demonstração do resultado do exercício, é neces- sário provisionar valores para pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). A diferença entre o resultado do exercício após essas provisões representa o lucro líquido dis- ponível para a sociedade. Se um sócio verificar a provisão do IRPJ e calcular com as alíquotas correspondentes, podem surgir divergências. Por isso, é essencial que as demonstrações financeiras, na nota explicativa, detalhem como o IRPJ foi calculado conforme a legislação (resultado do exercício + adições - exclusões - compensações), ou seja, o lucro real, um valor diver- gente do resultado econômico antes dessa provisão, refletindo o resultado fiscal para melhor adequação aos padrões internacionais. Com o advento da adoção dos padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS) no Brasil, foi efetivada legal- mente por meio da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que introduziu inúmeras e profundas modificações na Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e, sobretudo, na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das S.A.), que passaram a surtir seus efeitos a partir de 1º de janeiro de 2008. Tais alte- rações, bem como aquelas decorrentes de todo o processo de harmonização das normas contábeis domésticas com os IFRS, afetaram não só os métodos e critérios contábeis, mas também o modelo político-normativo contábil na- cional e, porque não dizer, a própria cultura contábil brasileira. A Lei nº 11.638/2007 é a culminância de um conjunto de ações que já vinham sendo desenvolvidas desde a década de 1990, a fim de criar um ambiente político-institucional que permitisse a adoção dos IFRS. O próprio Projeto de Lei nº 3.741/2000, do qual essa lei é originada; às de- mais ações institucionais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no sentido de aprimorar as normas contábeis domésticas com a introdu- ção de preceitos oriundos dos IFRS; e, mais recentemente, a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), são exemplos dos esforços empreendidos na busca pela adoção dos IFRS. No Brasil, até então, dispunha-se de diversos conjuntos de padrões de contabilidade, emanados por inúmeros órgãos reguladores (CVM, Banco Central do Brasil – BCB etc.), além da forte influência tributária, tanto na normatização quanto na própria prática contábil. A abertura da economia brasileira expôs as companhias nacionais ao contexto global e evidenciou a necessidade de contar com padrões contábeis harmônicos, que ofereces- sem um maior grau de comparabilidade, bem como proporcionassem, nes- se novo ambiente, a redução de custos operacionais e de capital, de modo a tornar as companhias mais atraentes para o investimento estrangeiro. Uma das questões mais relevantes nesse processo foi a garantia da neu- tralidade tributária, ou seja, a garantia de que a adoção dos IFRS não repercu- tisse efeitos na carga tributária das pessoas jurídicas (PJ) envolvidas. A fim de resolver essa questão, por meio da Medida Provisória nº 449/2008, conver- tida posteriormente na Lei nº 11.941/2009, foi instituído o Regime Tributário de Transição (RTT), que contemplou o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o PIS-Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Com esse regime, foi possível reduzir sensivelmente, pelo menos no plano legal, a influência das normas tributárias sobre a prática contábil, bem como dos incentivos tributários sobre a divulgação financeira, permitindo a adoção plena dos IFRS sem a existência de efeitos tributários. Assim, nesses capítulos você verá a contabilidade em seus aspectos tributários, aplicará casos tributários na contabilidade, conhecerá e enten- derá as situações das operações na empresa que devem ser evitadas para que não se onere a formação de passivo, devido a implicações legais. Bons estudos! 7 CAPÍTULO 1 FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE FISCAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Sistematizar e aprofundar conhecimentos específicos à área tributá- ria e refletir sobre a realidade brasileira; • Habilitar, capacitar e formar um profissional da ciência contábil e de áreas afins, tornando-o competente e com plenas condições de satisfazer as exigências do mercado de trabalho e dos usuários pre- ferenciais das informaçõesuma mesa de madeira, um dos homens está com uma folha de papel com um texto escrito e apontan- do o texto com uma caneta. A mulher está com uma folha de papel com vários números, o outro homem está apontando para os papéis com um lápis. A qualidade das informações contábeis e fiscais influencia diretamen- te as decisões estratégicas das empresas. Por meio de análises precisas e relatórios gerenciais, a Contabilidade Fiscal fornece dados relevantes para a gestão financeira, planejamento de investimentos, avaliação de rentabili- dade de projetos e a tomada de decisões estratégicas. Olhando para o futuro, espera-se que a Contabilidade Fiscal continue a enfrentar desafios, como a adaptação a mudanças rápidas na legislação tributária, a incorporação de novas tecnologias, a gestão de riscos fiscais e a busca por profissionais capacitados para lidar com esse ambiente em constante transformação. Assim, a Contabilidade Fiscal é um campo dinâmico e essencial para as organizações, impactando diretamente sua performance financeira, sua conformidade legal e sua competitividade no mercado. Dominar os conceitos fundamentais e acompanhar as tendências e mudanças nessa área é crucial para os profissionais contábeis que desejam atuar nesse campo com excelência. 51 ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Qual é a principal função da Contabilidade Fiscal em uma empresa? a. Emitir notas fiscais. b. Realizar auditorias internas. c. Registrar e controlar informações relacionadas a tributos. d. Elaborar relatórios de vendas. e. Gerenciar o departamento de recursos humanos. 2. O que pode ocorrer caso uma empresa não cumpra as normas de emissão e registro de documentos fiscais? a. Redução dos custos tributários. b. Aumento da credibilidade perante os fornecedores. c. Multas e penalidades legais. d. Melhoria na gestão de estoque. e. Benefícios fiscais adicionais. 3. Qual é a importância das ferramentas tecnológicas na gestão tributá- ria das empresas? a. Não têm impacto na gestão tributária. b. Reduzem a complexidade das obrigações fiscais. c. Aumentam os custos operacionais. d. Aumentam a carga tributária. e. Reduzem a conformidade fiscal. 52 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Altera a Legislação Tributária Federal. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718compilada.htm. Acesso em: 01 out. 2023. BRASIL. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a não-cu- mulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/leis/2002/l10637.htm. Acesso em: 01 out. 2023. BRASIL. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833. htm. Acesso em: 01 out. 2023. BRASIL. Lei nº 10.898, de 08 de janeiro de 2009. Institui o Regime de Tributação Unificada – RTU na importação, por via terrestre, de mercadorias procedentes do Paraguai; e altera as Leis nº. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Brasília: Presidência da República, 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/ lei/L11898.htm. Acesso em: 01 out. 2023. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade fiscal e tributária. 2. ed. [S. l.]: Saraiva, 2019a. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/ books/9788553131983. Acesso em: 18 nov. 2023. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Auditoria fiscal e tributária. 2. ed. [S. l.]: Saraiva, 2019b. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/ books/9788553131921. 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O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) revolucionou a maneira como as informações contábeis são registradas e com- partilhadas. Ele abrange diversos módulos, como o Sped Contábil, que padroniza o envio de dados contábeis às autoridades fiscais; o Sped Fiscal, que concentra informações sobre movimentações fiscais; e o e-Lalur, destinado ao controle das adições e exclusões na apuração do lucro real. A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) é outra vertente importante da Contabilidade Fiscal. Esse documento digital substitui as antigas notas fiscais impressas, simplificando os processos de emissão, transmissão e armazenamento das informações, o que resulta em maior agilidade e segurança nas transações comerciais. No âmbito das obrigações acessórias, a Contabilidade Fiscal demanda o cumprimento de diversas declarações e registros específicos. A Declaração Anual do Simples Nacional é um exemplo direcionado a empresas que adotam esse regime tributário simplificado, enquan- to o Livro de Registro de Inventário é responsável por registrar os estoques no encerramento do exercício, fornecendo um panorama preciso dos bens existentes na empresa. A transformação digital e a adoção de soluções tecnológicas na Contabilidade Fiscal são fundamentais para simplificar proces- sos, reduzir erros e garantir conformidade com as regulamenta- ções fiscais em constante evolução. Por meio dessas ferramentas e procedimentos, as organizações têm a oportunidade de otimizar 57 Capítulo 2 suas operações contábeis, minimizar riscos fiscais e tomar decisões estratégicas mais embasadas. A formação e o desenvolvimento profissional em Contabilidade Fiscal são fundamentais para capacitar os profissionais a analisar criticamente o cenário tributário em constante evolução. O obje- tivo é proporcionar uma compreensão aprofundada das nuances da legislação fiscal, capacitando-os a aplicar práticas de gestão tributária eficientes e estratégicas. Por meio de um programa de Contabilidade Tributária contemporâneo, os profissionais são in- centivados ao autodesenvolvimento e à busca contínua por conhe- cimento, estimulando a competência técnica e a capacidade analí- tica para lidar com as complexidades do ambiente fiscal. Um dos pontos cruciais é a diferenciação entre empresas ap- tas e não aptas a optar pelo Simples Nacional. Esse regime tribu- tário simplificado é uma opção vantajosa para micro e pequenas empresas, proporcionando benefícios fiscais, redução de encargos tributários e simplificação de obrigações acessórias. No entanto, nem todas as empresas se enquadram nos critérios estabelecidos para aderir a esse regime, sendo essencial compreender os requi- sitos e as limitações para fazer a escolha mais adequada ao perfil e às necessidades específicas de cada negócio. Dessa forma, a capacitação e a atualização contínua dos profis- sionais de Contabilidade Fiscal não apenas reforçam suas compe- tências técnicas, mas também os preparam para identificar opor- tunidades tributárias e tomar decisões estratégicas que impactam diretamente na saúde financeira e na conformidade tributária das empresas. 58 O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) é fundamental para compreender e operar os aspectos contábeis desse sistema que revolu- cionou a forma como as informações contábeis e fiscais são registradas e enviadas eletronicamente. O Sped representa uma iniciativa que visa mo- dernizar e simplificar as obrigações acessórias das empresas perante os fiscos Federal, Estadual e Municipal. No contexto contábil, compreender os detalhes e nuances do Sped é crucial para a correta escrituração e envio eletrônico das informações contábeis. Lidar com as exigências do Sped Fiscal implica não apenas regis- trar corretamente as transações fiscais, mas também compreender as normativas vigentes e as particularidades de cada obrigação fiscal eletrônica. Isso envolve desde a escrituração fiscal digital até o envio preciso e em conformidade com as regras estabelecidas pelos órgãos competentes. Nesse contexto, a capacidade de operar e compreender os aspectos contábeis do Sped não apenas simplifica os processos con- tábeis e fiscais das empresas, mas também promove a adequação às exigências legais, evitando possíveis penalidades por descumprimento das obrigações fiscais estabelecidas. 1.1 SPED: SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), regulamentado pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, tem como principais objetivos os listados a seguir. 11. O SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL (SPED): CONTÁBIL, FISCAL, E-LALUR, NOTA FISCAL ELETRÔNICA, FCONT, CERTIFICAÇÃO DIGITAL 59 Capítulo 2 Integração dos fiscos Visa a padronização e o compartilhamento de informações contábeis e fiscais entre os órgãos fiscalizadores, quando permitido por lei. Racionalização e uniformização das obrigações acessórias Estabelece a transmissão única de diferentes obrigações acessórias de órgãos fiscalizadores distintos, simplificando os procedimentos para os contribuintes. Identificação ágil de ilícitos tributários Agiliza a identificação de práticas irregulares, melhora o controle dos proces- sos, proporciona rápido acesso às informações e torna a fiscalização mais efi- ciente por meio do cruzamento de dados e auditoria eletrônica. Site Conheça, no site da Receita Federal, a página do SPED. Figura 1. Página do Sped Fonte: Sped (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra a página inicial do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. http://sped.rfb.gov.br/ 60 Capítulo 2 O Sped foi criado em conjunto com o projeto da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e inclui, entre outras, as obrigações acessórias listadas a seguir. • Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e): versão digital de documentos fiscais utilizados em diferentes modalidades de trans- porte de cargas; Vídeo Assista ao vídeo O que é a ECD? Tudo sobre a escri- turação contábil digital! • Escrituração Contábil Digital (ECD): versão digital dos Livros Diário, Razão e Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento; • Escrituração Contábil Fiscal (ECF): substituiu a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ); Vídeo Outra dica: assista ao vídeo Escrituração Contábil Fiscal - ECF para conhecer essa escrituração tão importante. • Escrituração Fiscal Digital (EFD) ICMS IPI: compreenderegistros de documentos fiscais e informações de interesse dos fiscos, além dos registros de apuração de impostos referentes às operações pra- ticadas pelo contribuinte; • EFD-Contribuições: utilizada para escrituração da contribuição para o PIS-Pasep e da Cofins; • Escrituração Fiscal Digital das Retenções e Informações da Contribuição Previdenciária Substituída (EFD-Reinf): abrange as retenções e informações sobre a receita bruta para a apuração das contribuições previdenciárias substituídas; • e-Financeira: obrigatoriedade para instituições financeiras apre- sentarem saldos de contas-correntes e outras informações financei- ras previstas na IN RFB 1.571, de 2 de julho de 2015; https://youtu.be/JGKI3JrwFJI https://www.youtube.com/watch?v=ke4bo3MXDk0 61 Capítulo 2 • e-Social: unificação das informações referentes às obrigações fis- cais, previdenciárias e trabalhistas em um ambiente nacional. 1.2 PRINCIPAIS DECLARAÇÕES FISCAIS A legislação tributária brasileira demanda uma série de declarações, confira a seguir. • DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais): apresentada à Receita Federal para informar tributos e contribui- ções apurados pela empresa; • DIPJ (Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica): substituí- da pela ECF a partir de 2014, registrava os rendimentos e resultados das operações da PJ; • ECF (Escrituração Contábil Fiscal): substituiu a DIPJ, e deve ser entregue até 30 de setembro do ano seguinte ao período da escrituração; • EFD – Contribuições: escrituração do PIS-Pasep, Cofins e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB); • PER/Dcomp: utilizado para requerer restituição e/ou compensação de tributos recolhidos à RFB; • e-Lalur: substituiu o Lalur físico e é parte das normas da ECF, re- gistrando a apuração do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Artigo Leiam o artigo As obrigações acessórias e as novas tendências em matéria de cumprimento cooperativo na administração tributária do estado de São Paulo, que explica as obrigações que as empresas têm que cumprir. https://encurtador.com.br/eBJM3 62 Capítulo 2 1.2.1 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): Contábil A Responsabilidade Legal na escrituração contábil, para a escrituração contábil das pessoas jurídicas, é uma responsabilidade atribuída ao conta- bilista devidamente habilitado, conforme a legislação vigente. É dever do contabilista assinar as demonstrações contábeis obrigatórias, em conjunto com os sócios ou administradores encarregados da empresa. A contabilidade empresarial é, primeiramente, uma exigência da legislação comercial e societária, estando voltada para atender aos inte- resses dos sócios ou acionistas, bem como dos credores envolvidos na atividade empresarial, como instituições financeiras e fornecedores. Essa prática visa garantir a transparência e idoneidade das operações financei- ras, assegurando uma base sólida para as relações comerciais e a saúde financeira da empresa. Figura 2. Empresários Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma calculadora em cima de folhas de cálculos com setas coloridas apontando a um resultado, ao lado uma caneta. Para atender aos interesses da arrecadação dos tributos, a fiscalização também dispõe sobre a matéria, reportando-se às disposições da legislação comercial, aos Princípios de Contabilidade e acrescentando outras normas de caráter fiscal que algumas vezes atropelam as normas contábeis. Nesse sentido, a legislação do Imposto de Renda determina que a pessoa jurídi- ca deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, devendo a escrituração abranger todas as operações realizadas pelo contri- buinte, bem como todos os resultados obtidos em suas atividades. 63 Capítulo 2 Dessa forma, a legislação do Imposto de Renda determina que a pes- soa jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, devendo a escrituração abranger todas as operações realizadas pelo contribuinte, bem como todos os resultados obtidos em suas atividades. Caracteriza-se como ato criminoso, para todos os efeitos legais e judiciais, a elaboração e assinatura de qualquer documento ou demonstração contábil contendo informações inverídicas, tendenciosas ou preparadas de má-fé. Figura 3. Legislação Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra uma balança simbolizando a lei com um martelo a frente e uma caixa aberta atrás. Saiba Mais Essas duas normas tratam de todo objeto e objetivo contábil financeiro. CPC 00 (R2): Estrutura conceitual para relatório financeiro. ITG 2000 (R1) – Escrituração contábil. Artigo Leia o artigo SPED – Sistema Público de Escrituração Digital: Percepção dos contribuintes em relação aos impactos da adoção do SPED. Nele, verifica-se a rela- ção dos impactos da adoção do Sped nos processos operacionais e na redução de custos das empresas. https://encurtador.com.br/coEZ5 https://encurtador.com.br/wDGN9 https://congressousp.fipecafi.org/anais/artigos102010/248.pdf 64 Capítulo 2 A Resolução nº 563, de 28 de outubro de 1983, do Conselho Federal de Contabilidade, aprovou a NBC (Norma Brasileira de Contabilidade) T 2.1, que determina as formalidades da escrituração contábil, cujo texto apresen- tamos a seguir: “NBC T 2 – DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL NBC T 2.1 – DAS FORMALIDADES DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL 2.1.1 – A Entidade deve man- ter um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrati- vos, através de processo manual, mecanizado ou eletrônico” (Brasil, 1983). Figura 4. Escrituração Contábil Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: calculadora em cima de papéis e uma caneta. Requisitos dos arquivos magnéticos e Escrituração Contábil Digital (ECD) Os arquivos magnéticos devem ser apresentados mediante solicitação das autoridades fiscais e devem conter informações claras e completas so- bre os negócios e atividades econômicas, abrangendo: • Contabilidade, registros e documentos; • Relações com fornecedores e clientes; • Documentos contábeis e fiscais; • Controle de estoque e registros de inventário; • Atualização monetária do balanço e controle patrimonial; • Folha de pagamento de funcionários e relação insumos/produtos e custos; 65 Capítulo 2 • Cadastro de pessoas físicas e jurídicas aplicadas nos arquivos fornecidos; • Tabelas de códigos utilizados nos arquivos fornecidos. Escrituração Contábil Digital (ECD) A Instrução Normativa RFB nº 1.420, de 19 de dezembro de 2013, estabe- lece diretrizes sobre a Escrituração Contábil Digital (ECD). Conforme o artigo 3º, a entrega da ECD é obrigatória para diversas pessoas jurídicas, incluindo: 1. Pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro real; 2. Pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido que distribuem lucros superiores ao valor base de cálculo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), descontados todos os impostos e contribui- ções incidentes; 3. Pessoas jurídicas imunes e isentas. A obrigatoriedade abrange os fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, visando à transparência e à conformidade fiscal das em- presas, assegurando a adequada prestação de informações às autoridades competentes. Figura 5. Auditoria Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mulher de óculos em frente ao computador com uma agenda. 66 Capítulo 2 Obrigatoriedade da Escrituração Contábil Digital (ECD) para diversas categorias empresariais Todas as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real são obrigadas a entregar a ECD, independentemente de serem sociedades simples, coope- rativas ou empresas. Essa norma estabelece a obrigatoriedade da escritu- ração contábil completa, especialmente para pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Presumido que distribuam lucros isentos de imposto de renda aos empresários, sócios ou acionistas, incluindo proprietários de Eireli, em valores superiores à base de cálculodo IR, descontados os tributos devidos (IR, CSLL, Cofins e PIS-Pasep). A partir de 1º de janeiro de 2014, ficaram também obrigadas à es- crituração e entrega da ECD as sociedades imunes e isentas do Imposto de Renda. As empresas imunes podem incluir, principalmente, as cate- gorias a seguir. • Instituições de educação ou assistência social que oferecem servi- ços de interesse público, complementando as atividades do Estado, sem fins lucrativos. Figura 6. Instituição de ensino Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: imagem mostra um professor ministrando aula em um projetor de tela, com crianças sentadas em carteiras escolares. 67 Capítulo 2 • Templos de qualquer culto. Figura 7. Templos religiosos Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma Bíblia fechada sobre um pedestal dourado. • Os sindicatos dos trabalhadores. Figura 8. Sindicato dos trabalhadores Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra 6 Trabalhadores carregando bacias na cabeça em uma es- trutura frágil, ao fundo vários navios ancorados. 68 Capítulo 2 • Os partidos políticos. Figura 9. Partidos políticos Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra homens vestidos de terno preto, camisa social e gravata, aplaudindo uma mulher com um terno preto. Ao fundo, há três bandeiras em mastros, com papéis picados coloridos caindo sobre todos. 1.2.2 Isenções concedidas a diversas entidades e suas obrigações contábeis Normalmente, a isenção é concedida, principalmente, a entidades que devem manter uma escrituração completa de suas receitas e despesas. É crucial que esses registros sejam feitos em livros que garantam sua preci- são, seguindo formalidades que assegurem a fidedignidade das informações. Além disso, essas entidades são obrigadas a manter, por um período de cinco anos, os documentos que comprovem os fatos contábeis em boa ordem. Estão incluídas entre as entidades que usufruem dessa isenção: • Instituições com caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico; • Associações civis que oferecem serviços específicos para o grupo de pessoas ao qual se destinam, sem objetivos lucrativos; 69 Capítulo 2 • Sindicatos de empregadores; • Entidades de previdência complementar abertas (sem fins lucrativos); • Entidades de previdência complementar fechadas. 1.2.3 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): Fiscal A Instrução Normativa RFB nº 1.422 determina que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar de maneira centra- lizada na matriz a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) integrante do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) em 2014. Figura 10. Impostos Fonte: Pixabay (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra duas mãos estendidas para o lado em formato de concha, parte do braço aparece mostrando o punho de um terno azul com uma blusa branca por baixo, entre as duas mãos está escrito Administração fiscal. Na escrituração fiscal eletrônica, conforme estabelecido no art. 2º da instrução, o contribuinte deverá informar todas as operações que influen- ciem a composição da base de cálculo e o valor devido do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A ECF será transmitida ao Sped até o último dia útil do mês de julho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira. A não entrega no prazo ou a sua apresentação com incorreções, ou omissões, acarreta as penalidades previstas na legislação tributária. Por fim, a norma estabelece que as pessoas jurídicas ficam dispensadas da escrituração do Livro de Apuração de Lucro Real (Lalur) e da entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais 70 Capítulo 2 da Pessoa Jurídica (DIPJ), e passa a ser uma escrituração, exclusivamente, para fins fiscais. 1.2.4 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): e-Lalur O Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) é uma ferramenta fiscal fundamental. Sua finalidade principal é demonstrar a transição do lucro contábil para o lucro fiscal. Atualmente, o e-Lalur, sendo eletrônico, é com- posto por duas partes distintas: Parte A e Parte B. A Lei nº 12.973/2014 trouxe modificações ao artigo 8º do Decreto-Lei nº 1.598/77 em relação ao Lalur, destacando o seguinte: Art. 8° O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros reque- ridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I – De apuração do lucro real, que será entregue em meio digital e no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2° e 3° do artigo 6°; b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do IR; c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subsequentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pes- soas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). II – REVOGADO. § 1º Completada a ocorrência de cada fato gerador do imposto, o contri- buinte deverá elaborar o livro de que trata o inciso I do caput (e-LALUR), de forma integrada às escriturações comercial e fiscal, que discriminará: a) o lucro líquido do exercício do período-base de incidência; b) os registros de ajuste do lucro líquido, com identificação das contas ana- líticas do plano de contas e indicação discriminada por lançamento corres- pondente na escrituração comercial, quando presentes; 71 Capítulo 2 c) o lucro real. d) a apuração do IR devido, com a discriminação das deduções quando apli- cáveis; e e) demais informações econômico-fiscais da pessoa jurídica. § 3° O disposto neste artigo será disciplinado em ato normativo da RFB. § 4° Para fins do disposto na alínea “b” do § 1º, considera-se conta analítica aquela que registra em último nível os lançamentos contábeis. § 2° Para fins da escrituração contábil, inclusive da aplicação do disposto no § 2° do art. 177 da Lei n° 6.404/76, os registros contábeis que forem neces- sários para a observância das disposições tributárias relativos à determi- nação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tri- butos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em: I – Livros ou registros contábeis auxiliares; ou II – Livros fiscais, inclusive no livro de que trata o inciso I do caput deste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.941/09) § 3° O disposto no § 2° deste artigo será disciplinado pela RFB. § 4° Para fins do disposto na alínea “b” do § 1º, considera-se conta analíti- ca aquela que registra em último nível os lançamentos contábeis (Brasil, 2014, on-line). O artigo 18 da Lei nº 8.218/91 já mencionava que o Lalur poderia ser mantido via sistema eletrônico, seguindo as diretrizes estabelecidas pela Receita Federal. Com a Lei nº 12.973/2014, foi acrescentado o artigo 8-A, que impõe multas em caso de entrega atrasada ou com erros no Lalur eletrônico. Embora a lei torne o e-Lalur um livro obrigatório, sujeito a multas por atraso ou incorreções, a Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013 instituiu a Escrituração Contábil Fiscal (ECF). O documento informa sobre a extinção da DIPJ e, consequentemente, não exige a entrega do Lalur isoladamente, sendo integrado à ECF. A Instrução Normativa RFB nº 1.574/2015 esclarece que tanto o e-Lalur quanto o e-Lacs (Livro Eletrônico de Apuração da Base de Cálculo da CSLL) compõem a ECF. 72 Capítulo 2 Vamos compreender como as duas partes do Lalur são compostas. • Parte A: do lucro contábil ao lucro real Na Parte A do Lalur, a empresa deve transcrever a apuração do lucro fiscal a partir do resultado obtido pela escrituração contábil, conforme es- tabelecido no artigo 8º do Decreto-Lei nº 1.598/77. Inicialmente, todas as despesasa serem adicionadas e as receitas a serem excluídas devem ser informadas, detalhando a conta contábil (de forma analítica) referente ao ajuste, justificando a adição ou exclusão. Em seguida, é necessário demonstrar a apuração do lucro fiscal, deno- minado pela legislação tributária como lucro real. Essa apuração é realizada conforme mostrado a seguir. Tabela 1. Apuração do lucro real a) Lucro líquido antes do IR b) (+) Adições ao lucro líquido c) (–) Exclusões ao lucro líquido d) Lucro antes da compensação de prejuízos fiscais (a + b – c) e) (–) Compensação de prejuízos fiscais f) Lucro real (d – e) g) IR – Alíquota básica (15% de 6) h) IR – Adicional (10% s/ 6 menos R$ 20 mil/mês) i) (–) Incentivos fiscais j) IR devido (g + h – i) Fonte: Elaboração própria (2023). 1.2.5 e-Lalur: uma análise detalhada das partes A e B A apresentação da Parte A do Lalur nos deixa com uma questão em aberto: a eventual compensação do IRRF também deve ser incluída nessa seção? Após uma análise preliminar, concluímos que não. 73 Capítulo 2 Parte B: registros que afetam o resultado fiscal em períodos posteriores A Parte B do e-Lalur transcreve todos os registros, incluídos ou não na Parte A, que possam ou devam impactar a base fiscal em períodos futuros. Por exemplo, todas as despesas que representaram adições temporárias devem ser registradas na Parte B. Isso porque, em algum momento subse- quente, essas despesas serão dedutíveis para fins fiscais. Com um controle apropriado na Parte B do e-Lalur, a exclusão desses valores pode ser reali- zada sem contratempos. Tomemos como exemplo uma despesa de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD): embora não seja dedutível no momento de sua constitui- ção, ela representa uma adição temporária. Se o cliente pagá-la, a provisão poderá ser revertida, gerando uma receita de reversão. Esse valor, não exi- gido pelo fisco, pode ser excluído no e-Lalur, desde que a despesa de PDD esteja registrada na Parte B. Se o cliente não pagar, a empresa confirmará a despesa e reconhecerá a provisão, realizando a baixa da conta retificadora do ativo (PDD) contra a conta de ativo (contas a receber) e deduzirá essa despesa na base do IR, assim que alcançar os prazos definidos na Lei nº 9.430/96. Esses prazos e detalhes adicionais sobre a adição da PDD são abordados no Capítulo 20, que trata das adições ao lucro líquido. Na Parte B, são mantidos os prejuízos fiscais apurados, passíveis de compensação em períodos subsequentes. Com a limitação de compensa- ção em 30% do lucro do período seguinte, a manutenção desses registros na Parte B do e-Lalur ganhou relevância adicional. Além disso, na Parte B, são registrados os valores referentes ao incen- tivo fiscal do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Esses valores, limitados percentualmente, podem ser utilizados nos dois anos seguintes. Um controle eficaz do PAT na Parte B pode resultar em economias significa- tivas para as empresas. 1.2.6 Livro Eletrônico de Apuração da Base da Contribuição Social (e-Lacs) A Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.700/2017 estabeleceu detalhes sobre as bases da contribuição social, tanto no lucro presumido quanto no lucro real. A Lei nº 12.973/2014 determina que a base da CSLL deve ser transcrita no e-Lalur a partir da adoção da lei em 2014 ou 2015, a critério da empresa. A IN RFB nº 1.574/2015 estabelece que o Livro Eletrônico de Apuração da Base de Cálculo da CSLL (e-Lacs) faz parte da ECF juntamente 74 Capítulo 2 com o e-Lalur. Dessa forma, é essencial realizar no e-Lacs o mesmo tipo de controle executado no e-Lalur. O e-Lalur, ou Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real, e o e-Lacs, referente à Apuração da Base de Cálculo da CSLL, são documentos essen- cialmente fiscais destinados à apuração extracontábil do Lucro Real, sujeito à tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em cada período de apuração (Jornal Contábil, 2023). Uma das inovações da ECF, para empresas obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) é a utilização dos saldos e contas da ECD para preenchimento inicial da ECF. Além disso, a ECF recuperará os saldos finais das ECF anteriores a partir do ano-calendário 2015. 1.2.7 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): Nota Fiscal Eletrônica O Sped teve origem em abril de 2006, quando a Secretaria da Fazenda de São Paulo lançou um projeto pioneiro para emissão de notas fiscais ele- trônicas, com a colaboração de 19 empresas que voluntariamente aderiram à iniciativa. Esse projeto foi concebido principalmente para eliminar o uso de papel e reduzir significativamente os custos associados. Algumas empresas emitem até 1 milhão de notas por mês, resultando em um estoque considerável de 60 milhões de documentos ao longo do pe- ríodo de cinco anos, conforme estabelecido pela legislação tributária para a guarda dos comprovantes. O objetivo central é digitalizar especialmente as notas referentes à compra e venda de mercadorias entre empresas, conhe- cidas como notas fiscais 1A. O processo de funcionamento da nota fiscal eletrônica segue as etapas a seguir. 1. A empresa, por meio da internet, envia um arquivo eletrônico à Secretaria da Fazenda do Estado, contendo as informações da transação; 2. Ao ser recebido, o documento é instantaneamente verificado quan- to à autenticidade e integridade por meio de certificação digital; 3. Após a confirmação, a nota fiscal fica disponível para o comprador, permitindo que ele a acesse via web, no site fiscal; 75 Capítulo 2 4. Para o transporte das mercadorias, é utilizada uma simples folha de papel contendo um código de barras impresso para a verificação nos postos fiscais; Este processo, além de simplificar a emissão e o acesso às notas fiscais, contribui para a eficiência nos registros contábeis e para a redução do im- pacto ambiental pela diminuição do uso de papel. 1.2.8 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): Fcont • Encerramento do Fcont O Fcont, que se refere à escrituração fiscal digital e foi obrigató- rio para empresas tributadas pelo lucro real, teve seu último ano de entrega em 2015, referente ao período do ano-calendário 2014. Essa obrigação se aplicava somente às empresas que não haviam optado pela extinção do Regime Tributário de Transição (RTT) no ano de 2014, conforme estipulado pela Instrução Normativa RFB nº 1.492, de 17 de setembro de 2014. A partir do ano-calendário de 2016 (e subsequentes, ou seja, a partir do ano-calendário 2015), não é mais exigida a entrega do Fcont conforme a normativa da Receita Federal de 2016. 1.2.9 Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): Certificação Digital É um serviço que disponibiliza documento eletrônico como uma iden- tidade eletrônica por conter, digitalmente, os dados da própria pessoa física ou jurídica. Como Autoridade Certificadora, o Serpro emite essa identificação virtual que permite troca segura de informações ao certifi- car a identidade do emissor e garantir integridade e confidencialidade da mensagem. Com procedimentos lógicos e complexos, o certificado digital confere validade e segurança em transações digitais (Serpro, [202-]). São três tipos de certificados. • O certificado do tipo A1 tem validade de um ano e, por ser um arqui- vo, pode ser instalado facilmente em vários computadores median- te cópia de segurança (backup) do arquivo; 76 Capítulo 2 • O certificado do tipo A3, com validade de até cinco anos, é usado geralmente por meio de mídia criptográfica (token ou cartão USB) que precisa estar conectada em computador para cada uso. O cer- tificado só pode ser baixado no token uma única vez e, em caso de perda da mídia, perde-se também o certificado digital; • O Certificado em Nuvem (NeoID) diminui o risco dessa perda por estar armazenado na nuvem do Serpro e ser usado no smartphone. Pode ser instalado em vários computadores e vários celulares, mas, para cada uso, é encaminhado um pedido de autorização para o celular (Serpro,[202-]). Figura 11. Entenda o fluxo de emissão de um Certificado Digital Fonte: Serpro [202-]. #ParaTodosVerem: a imagem mostra o fluxo de emissão de certificado digital – Escolha seu cer- tificado, realize o pagamento, agende a certificação, validação documental e instalação do certifi- cado digital. O Sped representa um marco na modernização e simplificação das obrigações contábeis e fiscais das empresas. Dividido em diversas verten- tes, o Sped abrange áreas como contabilidade, escrituração fiscal, e-Lalur, Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), FCONT e Certificação Digital, trazendo consigo uma revolução na forma como as informações contábeis e fiscais são regis- tradas, armazenadas e transmitidas. 77 Capítulo 2 O Sped contábil simplifica e padroniza os processos contábeis, tor- nando obrigatória a escrituração digital das informações contábeis das empresas, promovendo maior transparência e segurança nos registros. Já o Sped Fiscal engloba a escrituração e envio eletrônico de informações fiscais, assegurando a adequação e conformidade das empresas às nor- mativas vigentes. A implementação da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) trouxe agilidade e praticidade nas transações comerciais, eliminando a necessidade de emis- são e armazenamento físico das notas fiscais, enquanto o e-Lalur é respon- sável por detalhar as adições e exclusões ao lucro líquido, agregando trans- parência e controle aos tributos. O FCONT, por sua vez, é uma escrituração fiscal em formato eletrônico que visa a conciliação entre a contabilidade societária e a fiscal, evitando divergências entre os dados apresentados à Receita Federal. Por fim, a Certificação Digital é uma ferramenta fundamental para a autenticação de documentos e transmissão de informações de forma se- gura e legalmente válida no ambiente digital, garantindo a integridade e a autenticidade das operações realizadas. O conjunto de vertentes do Sped representa não apenas uma modernização nos processos contábeis e fis- cais, mas também uma revolução na forma como as empresas lidam com suas obrigações perante os órgãos reguladores, promovendo maior eficiên- cia, transparência e conformidade legal. 78 As obrigações acessórias da Contabilidade Fiscal são um conjunto de deveres e procedimentos impostos pela legislação tributária que comple- mentam as informações fiscais e contábeis das empresas. Essas obrigações são essenciais para garantir a transparência, a conformidade e o controle das operações comerciais junto aos órgãos fiscalizadores. No contexto da Contabilidade Fiscal, as obrigações acessórias incluem uma variedade de documentos, declarações, registros e demonstrativos que devem ser entregues periodicamente aos órgãos governamentais. Elas visam proporcionar maior controle e acompanhamento das transações co- merciais, permitindo o monitoramento fiscal e o cumprimento das norma- tivas tributárias estabelecidas pelos órgãos competentes, como a Receita Federal e as Secretarias da Fazenda estaduais e municipais. Figura 12. Controle fiscal Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: mulher sentada em frente a uma mesa de escritório, segurando várias notas fiscais em uma mão enquanto a outra digita em uma calculadora. À frente há uma pilha de pastas e envelopes. 22. AS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DA CONTABILIDADE FISCAL 79 Capítulo 2 Essas obrigações são fundamentais para uma gestão tributária eficien- te, pois a partir delas as empresas prestam informações detalhadas sobre suas operações, como o registro de entrada e saída de mercadorias, tran- sações financeiras, cálculo e pagamento de impostos, entre outros dados relevantes para a correta apuração dos tributos devidos. Nesse contexto, compreender e cumprir adequadamente as obriga- ções acessórias da Contabilidade Fiscal é crucial para garantir a conformi- dade legal das empresas, evitando problemas fiscais, multas e sanções por parte dos órgãos fiscalizadores. Essas obrigações representam uma peça fundamental no arcabouço tributário, contribuindo para a transparência e a regularidade das atividades empresariais perante o fisco. Livros contábeis O DL nº 1.598, em seu art. 7º, exige que o lucro real seja determinado com base na escrituração que a PJ contribuinte do IRPJ é obrigada a manter, em atendimento e com observância às leis comerciais e fiscais. Além disso, o lucro líquido do exercício de cada período de apuração deverá ser apu- rado por meio da elaboração do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumula- dos, nos termos da lei comercial. Embora represente uma obrigação tributária acessória fundamental para o IRPJ, a obrigatoriedade de escriturar os livros contábeis, na verdade, é uma exigência de natureza comercial contida no art. 1.179 do CC: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escritura- ção uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação res- pectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico (Brasil, 2002, on-line). Os livros da escrituração comercial estão entre os instrumentos de es- crituração definidos na Instrução Normativa DREI nº 82/2021, que prevê a possibilidade de tais livros se apresentarem em meio digital, nesse caso, sendo denominados “livros digitais”. 80 Capítulo 2 Figura 13. Livro contábil Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: livro marrom com capa dura sobre uma mesa branca. Ao lado, há um lápis amare- lo e uma caneta azul. Atrás, há uma pilha de livros com um bloco de anotações com folhas em branco. Tais livros também são obrigatórios para as pessoas jurídicas tributa- das com base no lucro real. Por meio da IN RFB nº 787/2007, foi instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), no âmbito do Sped, instituído pelo Decreto nº 6.022/2007. A ECD compreende a versão digital dos seguintes livros: a) livro Diário e seus auxiliares, se houver; b) livro Razão e seus auxiliares, se houver; c) livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento compro- batórias dos assentamentos nele transcritos. Vídeo A importância dos livros contábeis você verá no ví- deo Tudo sobre Autenticação de Livros Contábeis. Dentre os livros contábeis obrigatórios, o Diário e o Razão podem ser considerados os mais importantes e os que recebem maior atenção da legislação comercial (Código Civil; Resolução CFC nº 1.330/2011; IN DREI nº 82/2021) https://youtu.be/8v2rxwIfLTg 81 Capítulo 2 Inicialmente, o Decreto nº 6.022/2007 definia o alcance do Sped apenas para os livros e documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal dos empresários e das sociedades empresárias. Desse modo, em um primeiro momento, nos termos da IN RFB nº 787/2007, a ECD passou a ser exigida somente para tais entidades, conforme segue: a) A partir do ano-calendário 2008, para as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômico-tributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211/2007, e sujeitas à tributação com base no lucro real; e b) A partir do ano-calendário 2009, para as demais sociedades empre- sárias sujeitas à tributação com base no lucro real. Posteriormente, com as alterações promovidas pelo Decreto nº 7.979/2013 no Decreto nº 6.022/2007, o alcance do Sped foi ampliado, pas- sando a contemplar os livros e documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes e isentas. Sendo assim, conforme a IN RFB nº 1.420/2013 (que revogou a IN RFB nº 787/2007), alterada pelas IN RFB nº 1.486/2014 e IN RFB nº 1.510/2014, a partir do AC 2014, ficam obrigadas a adotar a ECD: a) As PJ sujeitas a tributação com base no lucro real; b) As PJ tributadas com base no lucro presumido, que distribuírem par- cela de lucros ou dividendos, sem incidência do IRRF, superior ao valor da base de cálculo do IRPJ diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita;c) As PJ imunes e isentas que, em relação aos fatos ocorridos no ano- -calendário, tenham sido obrigadas à apresentação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012; e d) As Sociedades em Conta de Participação (SCP), como livros auxilia- res do sócio ostensivo. Com o intuito de atualizar e harmonizar a legislação do IRPJ ante as inovações do Sped, a Lei nº 12.973 inseriu o § 6º no art. 7º do DL 1.598, que dispõe: “§ 6º A escrituração prevista neste artigo deverá ser entregue em meio digital ao Sistema Público de Escrituração Digital – Sped” (Brasil, 2014). Assim, a escrituração-base para a apuração do lucro real passa a ser, necessariamente, a ECD. Essa determinação, na prática, já é obrigatória 82 Capítulo 2 desde o ano-calendário 2009 para todos os empresários e sociedades em- presárias tributados com base no lucro real e, a partir do ano-calendário 2014, para todas as pessoas jurídicas sujeitas a essa forma de tributação, mas que agora passa a ser uma determinação legal. Livro de apuração do lucro real A legislação tributária, no que se refere ao lucro para fins do IRPJ, busca definir uma medida capaz de mensurar a aquisição (econômica ou jurídica) de renda durante um determinado período de apuração, a qual será objeto de tributação. Figura 14. Lucro Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: calculadora com moedas em volta e por cima; abaixo das moedas há notas de dinheiro. Essa definição é norteada por diversos princípios constitucionais, como legalidade e respeito à capacidade contributiva. Consequentemente, o lucro tributável deverá ser apurado por meio de critérios objetivos e verificáveis ao longo do tempo, capazes de caracterizar a efetividade da aquisição de renda nas transações realizadas pelas PJ. 83 Capítulo 2 Figura 15. Recursos econômicos Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: mão segurando uma seta de crescimento vermelha, sobre quatro pilhas de moedas em cima de uma mesa de madeira; ao fundo uma, há calculadora e um copo marrom com tampa preta. Em razão dessa distinção de propósitos, é (e sempre foi) natural que existam diferenças, temporárias ou permanentes, entre o lucro apurado de acordo com os padrões contábeis e aquele apurado nos termos da legislação tributária. Atualmente, dada a maior ênfase na neutralidade tributária, e como veremos nas seções seguintes, essas diferenças se am- pliaram sensivelmente. O Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), nos termos do art. 8º do DL 1.598, destina-se à escrituração e ao controle das adições, exclusões e siste- mática; no entanto, deu nova redação ao art. 8º, assim, tem-se que o Lalur: a) passa a ser entregue em meio digital (art. 8º, I); b) também deverá conter a apuração do IRPJ, além da demonstração do lucro real (art. 8º, I, b); c) deverá ser elaborado de forma integrada às escriturações comercial e fiscal, devendo discriminar: • o lucro líquido do período de apuração; • os registros de ajuste ao lucro líquido com identificação das con- tas analíticas do plano de contas e indicação dos lançamentos contábeis correspondentes, quando presentes; 84 Capítulo 2 • o lucro real; • a apuração do IRPJ devido, com a discriminação das deduções quando aplicáveis; e • demais informações econômico-fiscais. Como se vê, o Lalur passou a contemplar um maior espectro infor- macional, inclusive, alcançando informações até então exigidas na DIPJ e que, a partir do AC 2014, passaram a compor o rol de informações a serem prestadas via ECF, que será objeto da próxima seção. Site Confira as principais obrigações acessórias do lu- cro real e do lucro presumido. Independentemente do enquadramento ou da forma de tributação, pessoas jurídicas e equiparadas são obrigadas a cumprir uma série de exigências tributárias. Dentre elas, estão duas importantes obrigações, chamadas de “obrigações principais” e “obriga- ções acessórias”. https://www.crcsc.org.br/noticia/view/5897 85 A Declaração Anual do Simples Nacional e o Livro de Registro de Inventário são instrumentos de extrema importância no contexto da Contabilidade Fiscal, tendo relevância significativa para empresas que adotam o regime tributário do Simples Nacional e para o controle e gestão de estoques, respectivamente. A Declaração Anual do Simples Nacional é um documento obrigatório para as empresas que optam por este regime tributário simplificado. Trata- se de uma prestação de contas anual, na qual as empresas devem informar à Receita Federal dados sobre o faturamento bruto do ano anterior, além de informações sobre as atividades desenvolvidas. Essa declaração é essencial para a correta apuração dos impostos devidos dentro do Simples Nacional, fornecendo informações cruciais para a Receita Federal calcular os tributos devidos e verificar a conformidade fiscal das empresas. Figura 16. Inventário Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um cenário de estoque, uma mulher com uma prancheta na mão escrevendo, a frente uma estante com caixas, ao fundo um homem e uma mulher estão de costas. 33. DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL E LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO 86 Capítulo 2 Por outro lado, o Livro de Registro de Inventário é um documento contábil que desempenha um papel essencial na gestão dos estoques das empresas. Nele são registradas todas as mercadorias, matérias-primas, produtos em fabricação, produtos acabados e outros itens existentes no es- toque ao final do exercício contábil. Esse registro é fundamental para man- ter o controle preciso dos estoques, garantindo a transparência e a correta avaliação dos bens da empresa. Além disso, é um documento exigido pela legislação fiscal e contábil, sendo importante para a auditoria e para atestar a veracidade das informações apresentadas pelas empresas. Ambos os documentos, a Declaração Anual do Simples Nacional e o Livro de Registro de Inventário, têm relevância crucial no contexto da Contabilidade Fiscal, garantindo a conformidade tributária das empresas e possibilitando uma gestão eficiente dos estoques, elementos essenciais para a boa gover- nança corporativa e o cumprimento das obrigações fiscais e contábeis. Figura 17. Microempresa Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem sentado no chão, em uma mão segura um pa- cote e com a outra mão digita no notebook sobre uma mesa, ao fundo uma estante com caixas e pacotes em suas prateleiras. 3.1 DEFINIÇÃO DE MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE Conforme estabelecido pela LC 123/2006, são consideradas Microempresas (ME) ou Empresas de Pequeno Porte (EPP) as sociedades empresárias, sociedades simples, empresas individuais de responsabilidade 87 Capítulo 2 limitada e empresários devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, desde que: a) No caso da microempresa, apresentem, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e b) No caso de empresa de pequeno porte, possuam, em cada ano-calendá- rio, receita bruta: b.1) Até 31/12/2017: superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais); b.2) A partir de 1º/01/2018: superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) (Brasil, 2006). Caso a atividade empresarial inicie durante o próprio ano-calendário, a aplicação desses limites será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte estiver em atividade, consi- derando inclusive as frações de meses. 3.2 TRATAMENTO DIFERENCIADO E FAVORECIDO PARA ME E EPP A LC 123/2006 estabelece normas gerais relativas ao tratamento dife- renciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,especialmente no que se refere: a) à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; b) ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, inclusive obrigações acessórias; c) ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, ao asso- ciativismo e às regras de inclusão; d) ao cadastro nacional único de contribuintes a que se refere o inciso IV do parágrafo único do art. 146 da Constituição Federal (cadastro nacional único de contribuintes, adotado para a arrecadação, a fiscalização e a co- brança compartilhadas pelos entes federados) (Brasil, 2006). 88 Capítulo 2 Dica de Leitura Perguntas e Respostas Simples Nacional traz algumas questões que empresários e contadores tiveram ao longo dos anos, com respostas simples para auxiliá- -los na condução da empresa. Figura 18. Impostos e taxas Fonte: Freepik (2023). #ParatodosVerem: uma balança; de um lado estão as taxas; do outro, notas e moedas. O lado das taxas é mais pesado, acima de tudo uma mão coloca mais uma moeda no outro lado da balança. 3.3 O SIMPLES NACIONAL E OS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDOS NO DAS Simples Nacional é o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos ME e EPP. Esse regime foi instituído pela LC 123, de 14 de dezembro de 2006, e implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação (DAS), dos seguintes impostos e contribuições: http://www.google.com https://encurtador.com.br/BJSV3 89 Capítulo 2 i. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); ii. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) iii. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); iv. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) v. Contribuição para o PIS-Pasep vi. Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica vii. Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); viii. Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) (Brasil, 2006). Certifique-se de que o Simples Nacional não isenta a incidência dos impostos e contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) na qualidade de contribuinte ou responsável, especial- mente aqueles estabelecidos no § 1º do art. 12 da LC 123/2006. Isso inclui, por exemplo, FGTS, ITR e ICMS nas operações sujeitas ao regime de substitui- ção tributária, em relação aos quais a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas será observada. 3.4 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E FISCAIS (DEFIS) A partir do ano-calendário de 2012, as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) que aderiram ao Simples Nacional são obrigadas a apresentar a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (DEFIS). De acordo com o art. 66 da Resolução CGSN 94/2011, a Defis deve ser submetida à Receita Federal do Brasil (RFB) por meio do módulo disponível no aplicativo PGDAS-D. O prazo para a entrega da Defis é até o dia 31 de março do ano subsequente ao ano-calendário em que ocorreram os fatos geradores dos tributos abrangidos pelo Simples Nacional. 90 Capítulo 2 3.5 DISPENSA DA RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRRF) Os pagamentos realizados às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), optantes pelo Simples Nacional, estão isentos de so- frer retenção de imposto de renda na fonte. Esta isenção está prevista no art. 1º da Instrução Normativa SRF 765, de 2 de agosto de 2007: Art. 1º - Fica dispensada a retenção do imposto de renda na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas a pessoa jurídica inscrita no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) (Brasil, 2007c). 3.6 DISPENSA DA RETENÇÃO PIS, COFINS E CSLL A retenção de PIS, COFINS e CSLL, estabelecida pela Lei 10.833/2003, não é aplicável aos pagamentos efetuados às ME e EPP optantes pelo Simples Nacional, conforme disposto no inciso II do art. 3º da Instrução Normativa SRF 459, de 18 de outubro de 2004, com a redação dada pela IN RFB 765/2007: Art. 3º - A retenção de que trata o art. 1º não será exigida na hipótese de pagamentos efetuados a: I – empresas estrangeiras de transporte de va- lores; II – pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata o art. 12 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em relação às suas receitas próprias (Brasil, 2007c). 3.7 DISPENSA DE RETENÇÃO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS FEDERAIS Os órgãos da administração pública federal estão dispensados de efetuar retenção de IR, PIS, COFINS e CSLL ao realizarem pagamentos a Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) optantes pelo Simples Nacional, conforme estabelecido no inciso XI do art. 4º da Instrução Normativa RFB 1.234, de 11 de janeiro de 2012: 91 Capítulo 2 Art. 4º - Não serão retidos os valores correspondentes ao IR e às contri- buições de que trata esta Instrução Normativa, nos pagamentos efetuados a: [...] XI – pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata o art. 12 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em relação às suas receitas próprias (Brasil, 2012a). Figura 19. Fonte pagadora Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: ilustração de um calendário de mesa com uma data marcada de vermelho. À frente, há moedas e um envelope amarelo com notas de dinheiro. 3.8 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO À FONTE PAGADORA Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) são reque- ridas a fornecer à fonte pagadora, em duas vias, a declaração conforme estabelecido no art. 11 da Instrução Normativa SRF 459, cujo modelo está disponível no Anexo I da referida IN SRF: 92 Capítulo 2 Art. 11. Para cumprir o disposto no inciso II do art. 3º, a pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional deve fornecer à pessoa jurídica tomadora dos serviços uma declaração, em duas vias, assinadas por seu represen- tante legal. Parágrafo único. A primeira via da declaração será arquivada pela pessoa jurídica tomadora dos serviços, disponível para a Secretaria da Receita Federal, enquanto a segunda via será devolvida ao interessado como reci- bo (Brasil, 2007c). 3.8.1 Limites e tributos integrados ao SIMPLES Para adesão ao SIMPLES, são estabelecidos dois critérios distintos, confira a seguir. 1. Natureza Jurídica: deve ser uma sociedade empresária, sociedade simples, empresa individual de responsabilidade limitada ou em- presário individual; 2. Receita Bruta: o limite anual é de R$ 4,8 milhões. No entanto, se de- sejar incluir todos os tributos no recolhimento unificado, incluindo ICMS e ISS, o limite passa a ser de R$ 3,6 milhões/ano. Se a empresa começar a atividade durante o ano, o limite será proporcional, por exemplo, R$ 300 mil por mês para aderir ao SIMPLES com todos os tributos incluídos e R$ 400 mil/mês, desde que pague o imposto estadual ou municipal separadamente. O pagamento mensal unificado é realizado por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que substitui os tributos a seguir. • Renda: IR e CSLL; • Consumo: PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI; • Encargos sociais: contribuição previdenciária patronal, Risco Ambiental do Trabalho (RAT) para empresas enquadradas nos Anexos I, II, III e V, e o Sistema S para todas as empresas. Entretanto, há diversos tributos que não são inclusos no Simples, con- tinuando a ser obrigação da empresa calcular e pagar/recolher: a)IRRF e INSS retido dos empregados e terceiros, pessoa física; 93 Capítulo 2 b) IRRF em receitas oriundas de aplicações financeiras; c) IR sobre ganho de capital, calculado à parte e será explicado adiante; d) Impostos sobre patrimônio: IPTU, IPVA, ITBI, ITCMD e ITR; e) IOF em operações de seguro e de financiamentos obtidos; f) Impostos (IPI, ICMS e II), taxas e contribuições (PIS e COFINS) pagos na importação, mesmo de mercadorias para revenda; g) PIS-Pasep e Cofins no modelo monofásico/concentrado nas empre- sas de pequeno porte industriais de produtos de higiene, beleza, cosméticos, bebidas e alguns outros setores; h) FGTS dos empregados; i) Contribuições assistenciais e confederativas, taxas e contribuições diversas. Além disso, empresas inscritas no Simples devem pagar o ICMS: 1. Nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária; 2. Por terceiro, a que o contribuinte se ache obrigado, por força da legislação estadual ou distrital vigente; 3. Na entrada, no território do estado ou do Distrito Federal, de pe- tróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, bem como energia elétrica, quando não destinados à co- mercialização ou industrialização; 4. Por ocasião do desembaraço aduaneiro; 5. Na aquisição ou manutenção em estoque de mercadoria desaco- bertada de documento fiscal; 6. Nas operações com bens ou mercadorias sujeitas ao regime de an- tecipação do recolhimento do imposto, nas aquisições em outros estados e Distrito Federal: • Com encerramento da tributação, observado o modelo de tribu- tação separada dos valores de ICMS ST; e 94 Capítulo 2 • Sem encerramento da tributação, hipótese em que será cobra- da a diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sendo vedada a agregação de qualquer valor. 7. Nas aquisições em outros estados e Distrito Federal de bens ou mer- cadorias, não sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto, relativo à diferença entre a alíquota interna e a interestadual. É importante ressaltar que empresas no SIMPLES estão isentas de con- tribuições para órgãos como Sesc, Sesi ou Sest (1,5%), Senac, Senai ou Senat (1%), Sebrae (0,6%), Incra (0,2%), além do salário educação (2,5%), que com- põem o Sistema S (5,8% sobre a folha de pagamento mensal). Essa isenção é aplicável a todas as empresas enquadradas no Simples Nacional, inclusive prestadores de serviços que pagam INSS e RAT fora do modelo simplificado (Anexo IV), conforme previsto na LC no 123/2006, art. 13, § 3º. 3.8.2 Obrigações acessórias A Resolução CGSN nº 140/2018 traz, em seu art. 63, as obrigações aces- sórias exigidas para as empresas do Simples. O objetivo do legislador foi reduzir a burocracia. • Escrituração Contábil No âmbito fiscal, o contribuinte é dispensado da obrigatoriedade da escrituração contábil, bastando a utilização do livro Caixa (obrigatório) e o registro de inventário, no qual devem constar os estoques existentes no final de cada ano. Empresas que possuem a Escrituração Contábil Digital (ECD) podem dispensar o livro Caixa. É essencial ressaltar que, embora a legislação fiscal permita a não es- crituração contábil para empresas tributadas pelo Simples Nacional (e pelo lucro presumido), manter a escrituração contábil é fundamental por diver- sos motivos, confira a seguir. a) O Código Comercial Brasileiro requer a escrituração contábil com- pleta como instrumento de prova em litígios e para acertos de direi- tos dos sócios, acionistas, herdeiros ou sucessores; b) No livro Caixa, apenas a movimentação financeira pode ser regis- trada, excluindo compras e vendas a prazo, empréstimos e outros valores a pagar ou a receber; 95 Capítulo 2 c) A elaboração adequada de balancetes e balanços reduz a insegu- rança e os prejuízos decorrentes da ausência de registro de direitos e obrigações. A Lei nº 10.406/2002 estabelece tratamento favorecido, diferen- ciado e simplificado ao pequeno empresário (art. 970). Dessa forma, o pequeno empresário (art. 1.179, § 2º) é dispensado da escrituração con- tábil regular. O legislador se preocupou em equilibrar os custos e be- nefícios ao permitir que empresas de pequeno porte e microempresas não sejam obrigadas à escrituração contábil regular. A LC nº 123/2006 foi além, definindo, em seu artigo 18-A, o pequeno empresário como aquele que obtém faturamento anual até R$ 81 mil, equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês. Mas, mesmo assim, é fundamental destacar a importância da contabi- lidade organizada como instrumento de tomada de decisões, inclusive em relação a empresas de menor investimento. Fico imaginando uma pequena empresa que promove festas infantis, por exemplo. A receita, pelo regime de competência, acontece apenas no dia do evento realizado, quando o serviço é produzido e prestado ao cliente. No entanto, o recebimento dos clientes normalmente vem antes, por vezes com grande antecedência. Sem escrituração contábil regular, o pequeno empresário vai pagar tributos an- tecipadamente, sem necessidade e pode se perder em relação à correta apuração do resultado empresarial. • Emissão de nota fiscal A normatização de documentos fiscais relativos ao ICMS e ISS será de responsabilidade dos estados e municípios, respectivamente. Em relação ao ICMS, o Confaz diz que estão obrigadas à emissão de NF-e as ME e EPP que se enquadrem nos critérios estabelecidos pelos Protocolos ICMS 10/2007 e 42/2009, bem como suas alterações. Nos municípios, deve-se observar o que diz a legislação local. O Microempreendedor Individual (MEI) não poderá ser obrigado à emissão da NF-e e a NFS-e, podendo fazê-lo caso tenha interesse e haja previsão na legislação estadual ou municipal. 96 Capítulo 2 Figura 20. Nota fiscal eletrônica Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: tablet sobre uma mesa de escritório em cima de uma pilha de folhas; sobre a mesa, há uma caneca com o que parece ser café, um teclado de computador e algumas pastas organizadoras. • Certificado digital A ME ou EPP optante pelo Simples Nacional não estará obrigada ao uso de certificação digital para cumprimento de obrigações principais ou acessórias, exceto em casos específicos. Para acessar as informações do contribuinte no portal do Simples, é necessária a geração de um código de acesso simplificado. • Declaração anual As empresas inscritas no Simples devem entregar a declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais (Defis) até o último dia útil de março do ano seguinte (art. 72 da Resolução nº 140/2018). 97 Capítulo 2 • Exclusão por receita bruta acima do limite e sublimites A Lei Complementar no 155/2016 elevou o limite de uso do Simples Nacional para R$ 4,8 milhões, mas manteve ICMS e ISS dentro do modelo simplificado apenas até R$ 3,6 milhões. Assim, na prática, a percepção é que o limite efetivo do modelo simplificado é de R$ 3,6 milhões, pois entre esse valor e a receita de R$ 4,8 milhões, a empresa deverá pagar ICMS e ISS pelo modelo tradicional, o que acarreta grau de complexidade bem maior, principalmente nas empresas comerciais e industriais. Anualmente, o CGSN esclarece quais estados aplicam o sublimite in- ferior. Para 2021, apenas os estados do Acre e Amapá (Portaria CGSN nº 30/2020) têm sub limite inferior, de R$ 1.800 mil, com os demais aplicando o sublimite de R$ 3,6 milhões. Para organizar o processo, vamos entender primeiro se a empresa po- derá utilizar o Simples Nacional no início do ano. Suponha uma empresa que faça avaliação no início de 2022. A decisão dependerá de quanto foi sua receita bruta total (RBT) nos últimos 12 meses, ou seja, entre janeiro e dezembro de 2021. 1. Se a RBT em 2021 foi igual ou menor do que R$ 3,6 milhões, a em- presa poderá utilizar o Simples Nacional, incluindo todos os tributos no pagamento mensal durante todo o ano de 2022; 2. Se a RBT foi superior a R$ 3,6 milhões em 2021, mas inferior a R$ 4,8 milhões, ela poderá utilizar o Simples Nacional durantetodo o ano, mas deverá pagar desde o início do ano (janeiro) o ICMS/ISS separadamente; 3. Se em 2021 a RBT foi superior a R$ 4,8 milhões, a empresa não poderá utilizar o Simples Nacional durante todo o ano de 2022, de- vendo escolher entre o lucro presumido ou o lucro real. Depois, a análise não levará em conta a RBT dos últimos 12 meses du- rante todo o ano de 2022 para a avaliação, tanto do pagamento separado de ICMS/ISS quanto da continuidade no Simples. Assim, para as empresas do item 1, se, em determinado mês do ano, a RBT dos últimos 12 meses al- cançar R$ 4 milhões (ou mais), por exemplo, o cálculo do Simples continuará incluindo o ICMS/ISS no DAS, desde que a receita bruta do ano não ultrapasse o sublimite de R$ 3,6 milhões. Nesse caso, a EPP poderá até continuar no Simples Nacional em 2023, com todos seus tributos incluídos em uma única guia (DAS) caso a receita bruta do ano fique nesse limite de R$ 3,6 milhões. 98 Capítulo 2 Se a empresa ultrapassar o limite de R$ 3,6 milhões em 2022, deverá voltar as linhas anteriores e verificar os itens 2 e 3, para entender se perma- nece no Simples (item 2), mas pagando ICMS/ISS separadamente ou estará impedida de permanecer no modelo simplificado (item 3). • Exemplo Simples, lucro presumido ou lucro real? Em tese, o Simples será sempre a melhor opção, pela sua simplicidade e praticidade. Porém, por conta da enorme confusão que temos na legisla- ção tributária brasileira, alguns casos devem ser analisados com um pouco mais de cuidado. Vamos a um exemplo numérico. Considere a situação a seguir, conforme Pêgas (2022). A Drogaz Ltda., que trabalha em um mercado de muita concorrência no estado de Minas Gerais, tem dois sócios farmacêuticos, cada um com 50% das cotas. Sua receita bruta mensal estimada é de R$ 150 mil, sendo 92% de produtos com tributação monofásica e substituição tributária de ICMS (R$ 138 mil), e apenas 8% (R$ 12 mil) de produtos com tributação nor- mal, com alíquota de ICMS de 18% (alíquota igual na compra e na venda). Suas despesas, sem considerar impostos e contribuições, montam R$ 135 mil, conforme detalhado a seguir. • CMV dos produtos com tributação monofásica R$ 97 mil • CMV dos produtos com tributação normal R$ 6 mil • Despesa de aluguel e energia elétrica R$ 11 mil • Salários e verbas salariais (empregados) R$ 10 mil • Pró-Labore (dois sócios) R$ 6 mil • Outras despesas R$ 5 mil Vamos analisar como seria a tributação da Drogaz Ltda. pelo lucro real, presumido e a cobrança dos tributos pelo Simples Nacional. A parcela previdenciária foi igual nas opções pelo lucro presumido e pelo lucro real, com detalhamento do valor de R$ 3.980 apresentado a seguir. 99 Capítulo 2 • CPP de 20% sobre verbas salariais + pró-labore de R$ 16 mil = R$ 3.200; • RAT de 2% + Sistema S de 5,8% sobre verbas salariais de R$ 10 mil = R$ 780. O IR + CSLL foi apurado da seguinte forma: • LUCRO PRESUMIDO: IR de R$ 1.800 (1,2% (15% de 8%) sobre R$ 150 mil); • LUCRO PRESUMIDO: CSLL de R$ 1.620 (1,08% (9% de 12%) sobre R$ 150 mil); • LUCRO REAL: IR + CSLL de R$ 2.386 (24% sobre o LAIR de R$ 9.940). Observe que mesmo com o resultado e a folha de pagamento reduzi- dos, o resultado da simulação da Drogaz apontou para o Lucro Real como melhor opção, com economia mensal de apenas R$ 339 em relação ao Simples Nacional. Com os números apresentados, recomendaria à Drogaz a utilização do modelo simplificado, por conta da simplicidade na sua apuração e do menor custo de conformidade. Contudo, veja como é importante ter bom controle de entrada e saída de mercadorias para reduzir o percentual apli- cado sobre a receita bruta no Simples Nacional (Pêgas, 2022). • Exclusão do Simples Nacional A exclusão do regime do Simples Nacional pode ser realizada de duas maneiras: por comunicação do próprio contribuinte ou por procedimento de ofício. No caso da exclusão por parte do próprio contribuinte, ela pode ocor- rer de forma voluntária ou obrigatória, quando ele incorrer em uma das vedações anteriormente mencionadas. A exclusão é formalizada pela em- presa por meio de alteração cadastral, assinada por seu representante legal e apresentada à unidade da RFB de sua jurisdição, seguindo as regras esta- belecidas no art. 30 da LC nº 123/2006. Por outro lado, a exclusão por iniciativa da administração tributária se dá quando a pessoa jurídica incorre em uma das situações a seguir. 100 Capítulo 2 a) Não comunica a exclusão obrigatória; b) Dificulta a fiscalização, seja negando-se injustificadamente a apre- sentar livros e documentos, fornecer informações requisitadas ou permitir o acesso aos locais de atividade; c) Apresenta resistência à fiscalização, negando o acesso aos locais de suas atividades; d) Possui constituição por interpostas pessoas; d) Apresenta práticas reiteradas de infração à legislação vigente; e) É declarada inapta nos termos da Lei nº 9.430/1996 e alterações subsequentes; f) Comercializa produtos de contrabando ou descaminho; g) Não mantém escrituração do livro Caixa ou impossibilita a identifi- cação da movimentação financeira, incluindo a bancária; h) No decorrer do ano-calendário, as despesas pagas ultrapassam em 20% os recursos recebidos, excluindo o ano de início de atividade; i) Durante o ano-calendário, as aquisições de mercadorias para co- mercialização ou industrialização, exceto em casos justificados de aumento de estoque, superam 80% dos recursos recebidos, excluin- do o ano de início de atividade. A exclusão de ofício, com exceção da mencionada no item (a), produzirá efeitos a partir do mês em que incorrida, impedindo a opção pelo Simples Nacional nos três anos-calendário subsequentes. Em caso de utilização de artifícios fraudulentos para suprimir ou reduzir o pagamento de tributos incluídos no Simples Nacional, o prazo é ampliado para 10 anos, além da incidência de efeitos legais. Ainda temos outros benefícios da LC nº 123/2006. A Lei Complementar nº 123/2006 é extensa e complexa, contendo 89 artigos, 147 parágrafos, 174 incisos e cinco anexos, com interpretação por vezes confusa e diversos aspectos a serem regulamentados pelo Comitê Gestor. Apesar disso, apre- senta alguns aspectos interessantes, confira a seguir. • Estabelece o limite preferencial de R$ 80.000,00 para compras de Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), sempre que elas estiverem em condições de fornecer a preços competitivos; 101 Capítulo 2 • Prevê ainda a simplificação na participação em licitações e a possibi- lidade de fornecimento parcial de grandes lotes, desde que respeita- da a legislação local. Também contempla a negociação de empenho com instituições bancárias; • Cooperativas de crédito que contem com a participação de ME e EPP terão acesso direto a recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o que tornará os financiamentos mais acessíveis e fortalecerá o setor. Há também linhas de crédito específicas para esse segmento; • Prevê a portabilidade das informações cadastrais da empresa em caso de mudança de banco; • Determina que 20% dos recursos destinados à tecnologia em órgãos e entidades sejam direcionados a ME e EPP, além de propor políticas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico para essas empresas; • Faculta o uso dos Juizados Especiais Cíveis e Federais para ME e EPP, promovendo o uso de mecanismos de conciliação prévia, mediação e arbitragem na solução de conflitos desses negócios; • Dispensa ME e EPP da realização de reuniões, assembleias e publi- cações de atos empresariais, simplificando suas rotinas; • Oferece um parcelamento específico para Micro e Pequenas Empresas, nas mesmas condições proporcionadas pela Receita Federal do Brasil para outras empresas, com prazos de até 120 meses. 102 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término deste capítulo, evidenciam-se aspectos fundamen- tais da Contabilidade Fiscal, abrangendo tantocontábeis; • Possibilitar a evolução do desempenho das funções ligadas à conta- bilidade tributária; • Atualizar o conhecimento do estudante da área contábil a partir do ponto de vista dos novos procedimentos e rotinas junto às entidades dos governos federal, estadual e municipal; • Entender os fundamentos e compreender os princípios básicos da contabilidade fiscal; • Desenvolver habilidades de interpretar e aplicar as normas fiscais vigentes; • Identificar documentos fiscais; • Assegurar a correta aplicação das conformidades fiscais; • Registrar adequadamente as transações comerciais nos livros fiscais; • Elaborar, preparar e apresentar obrigações acessórias; • Analisar e interpretar dados. 8 CONTEXTUALIZAÇÃO A Contabilidade Fiscal é um ramo da contabilidade que se concentra na análise, no registro e no controle das informações relacionadas aos aspectos tributários de uma empresa ou entida- de. É uma área fundamental para a compreensão e gestão dos tri- butos que incidem sobre as atividades econômicas, sendo crucial para a tomada de decisões estratégicas e para o cumprimento das obrigações fiscais. Engloba processos de registro, apuração e controle de todos os tributos que uma organização deve pagar, bem como a gestão dos benefícios fiscais aos quais ela pode ter direito. Isso inclui impostos, taxas, contribuições e quaisquer ou- tras obrigações fiscais determinadas pela legislação vigente. Essa área busca não somente o registro contábil dos tribu- tos, mas também a aplicação correta das normas tributárias, visando reduzir a carga fiscal nos limites legais, evitando con- tingências fiscais e planejando a melhor estratégia tributária para a empresa. A gestão tributária eficiente, embasada pela Contabilidade Fiscal, é crucial para a saúde financeira e legal de qualquer organização. Ela permite a adequada avaliação dos impactos dos tributos sobre o lucro, facilitando a tomada de decisões estratégicas que minimizem o impacto tributário e maximizem os resultados financeiros. Além disso, desempenha um papel estratégico na identificação de oportunidades de eco- nomia tributária, a partir do conhecimento aprofundado das le- gislações fiscais e das possibilidades de utilização de incentivos e benefícios fiscais disponíveis. A Contabilidade Fiscal evoluiu consideravelmente ao longo dos anos, sendo influenciada pelas mudanças na legislação tributária e pelo desenvolvimento econômico do país. Desde os primórdios da 9 Capítulo 1 legislação tributária, a contabilidade sempre foi um instrumento es- sencial para a adequada apuração e pagamento dos tributos devidos. Com o passar do tempo, a complexidade da legislação tributária aumentou, demandando uma contabilidade cada vez mais especiali- zada e precisa para atender às exigências legais e garantir a conformi- dade fiscal das empresas. O contexto tributário brasileiro é desafiador, caracterizado pela alta carga tributária e por uma legislação complexa e em constante mudança. A diversidade de tributos, a burocracia e a necessidade de atualização constante representam grandes desafios para as empresas e para os profissionais da Contabilidade Fiscal. Atualmente, os avanços tecnológicos têm impactado signifi- cativamente a área, com a implementação de sistemas digitais de escrituração e transmissão de informações fiscais, como o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), visando à simplificação e à maior transparência das operações fiscais. A compreensão detalha- da desse contexto é essencial para que os profissionais contábeis atuem de forma eficaz na gestão tributária das organizações, ga- rantindo a conformidade fiscal e a otimização dos recursos finan- ceiros. Assim, a Contabilidade Fiscal desempenha um papel crucial na gestão das empresas, contribuindo para a sua sustentabilidade, conformidade legal e competitividade no mercado. Figura 1. Profissional contábil Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a figura mostra uma pessoa com uma caneta na mão direita, digi- tando na calculadora, com um caderno aberto embaixo da mão esquerda. 10 11. INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE FISCAL O contexto da contabilidade tem acompanhado de perto as mudanças decorrentes do avanço dos negócios, das organizações e da crescente inter- conexão da economia global. Ao longo da história, diversas correntes con- tábeis emergiram, oferecendo definições distintas e enriquecendo o campo com sua diversidade de perspectivas, desde o contismo ao aziendalismo, cada uma com seu rigor científico e contribuição singular. No entanto, aqui não se propõe simplesmente listar e debater essas múlti- plas definições. O objetivo principal é apresentar os conceitos essenciais, os prin- cípios fundamentais e as normas básicas que regem a contabilidade e a legisla- ção tributária. Em vez de uma discussão exaustiva sobre as diversas correntes, o foco é proporcionar uma compreensão introdutória sólida, oferecendo fontes bibliográficas ao final para aqueles que desejarem se aprofundar no assunto. Com uma abordagem didática e fundamentada na primeira definição ofi- cial, o autor propõe uma perspectiva que agrega elementos, delineando um ca- minho claro para uma compreensão inicial e consistente do universo contábil. 1.1 UMA SÍNTESE CONCISA O conceito de contabilidade tem progredido em sintonia com as trans- formações resultantes do avanço dos negócios, das organizações e da glo- balização econômica. Diversas correntes contábeis surgiram ao longo da história (como contismo, personalismo, controlismo, aziendalismo, patri- monialismo, entre outras), e foram propostas inúmeras definições distintas, todas válidas por seu rigor científico. No entanto, o intuito desta obra não é listar e debater essas definições variadas. Em vez disso, visa introduzir o leitor aos conceitos, princípios e 11 Capítulo 1 normas fundamentais da contabilidade e da legislação tributária. Para aten- der aos interessados no estudo mais aprofundado do tema, são recomen- dadas fontes bibliográficas ao final deste livro. Com propósitos didáticos e com base na primeira definição oficial, agregando alguns elementos, o autor propõe: Conceito Contabilidade é a ciência que estuda, registra e controla o patri- mônio e as mutações que nele operam os atos e fatos administra- tivos, demonstrando no final de cada exercício social o resultado obtido e a situação econômico-financeira da entidade. Figura 2. Contadores fazendo o controle Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: imagem de um homem e uma mulher sentados à mesa, com vários papéis e uma calculadora. Eles estão escrevendo em um papel. • Definição do âmbito da legislação tributária O conceito apresentado pelo CTN (Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172/66), em seu artigo 96, é considerado apropriado e abrangente para nossa abordagem: “Art. 96. A legislação tributária compreende as leis, 12 Capítulo 1 tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que abordam, total ou parcialmente, questões relacionadas a tributos e as relações jurídicas correlatas”. 1.1.1 Objetivo da Contabilidade Tributária A finalidade primordial da contabilidade tributária é precisar com exa- tidão o desempenho econômico no período contábil, apresentando-o de maneira clara e concisa. Em seguida, essa informação é utilizada fora do âmbito contábil para atender às demandas das legislações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro, com o propósito de determinar a base de cálculo fiscal para a constituição das provisões destinadas ao pagamento desses tributos. Essas provisões são então deduzidas do resultado econômico (contábil), resultando no lucro líquido disponível para os acionistas, sócios ou titulares de firma individual. Para alcançar plenamente essa meta, é essencial estudar, registrar e mo- nitorar os eventos administrativos que geram alterações no patrimônio, im- pactando diretamente no resultado econômico, seja ele positivo (lucro) ou ne- gativoos procedimentos vinculados ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) – con- tábil, fiscal, e-Lalur, Nota Fiscal Eletrônica, FCONT, Certificação Digital – quanto às obrigações acessórias. A compreensão adqui- rida ao longo deste estudo proporciona a formação de um conhe- cimento sólido e crítico voltado à gestão tributária. Capacita-se o profissional não apenas para lidar com as exigências do Sped e para a correta elaboração das obrigações acessórias, mas também para realizar análises aprofundadas e implementar estratégias efi- cazes na área tributária. O programa de Contabilidade Tributária contemporâneo pro- picia não apenas o desenvolvimento técnico, mas também estimu- la o autodesenvolvimento e a competência profissional. Destaca- se a diferenciação entre empresas aptas e inaptas para a opção pelo Simples Nacional, permitindo uma compreensão abrangente e fundamentada das condições e critérios estabelecidos pela le- gislação tributária. Além disso, a capacidade de calcular mensal- mente o Simples Nacional, compreendendo suas nuances em di- ferentes cenários empresariais, inclusive em situações específicas como vendas ao exterior, ultrapassagem de limites e atividades comerciais específicas, é uma habilidade essencial adquirida neste processo de aprendizagem. Por fim, compreender quando o Simples Nacional pode repre- sentar a melhor opção para profissionais liberais que atuam dire- tamente como pessoa física é um diferencial crucial na orientação estratégica, possibilitando escolhas tributárias mais assertivas e ali- nhadas com os objetivos financeiros e fiscais desses profissionais. 103 Capítulo 2 Este conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos ao lon- go deste estudo proporciona não apenas uma visão detalhada da Contabilidade Fiscal e suas obrigações acessórias, mas também capacita o profissional a atuar de forma proativa e estratégica no complexo cenário tributário, contribuindo para o sucesso e confor- midade das operações empresariais. 104 ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Qual é a finalidade do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) Contábil? a. Registrar operações fiscais. b. Centralizar informações tributárias. c. Padronizar relatórios contábeis. d. Automatizar processos de certificação. 2. Qual é a finalidade da Declaração de Informes Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)? a. Registrar informações sobre movimentações bancárias das empresas. b. Declarar dados contábeis e econômicos das empresas. c. Emitir recibos de pagamentos de impostos. d. Controlar o estoque de mercadorias das organizações. 3. Como é calculado o Simples Nacional para empresas comerciais, in- dustriais e prestadoras de serviços? a. Utilizando alíquotas fixas sobre o faturamento mensal. b. Com base no lucro líquido anual. c. De acordo com a quantidade de funcionários. d. Levando em consideração a área física ocupada pela empresa. 105 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Altera a legis- lação do imposto sobre a renda. Brasília: Presidência da República, 1977. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598. htm#:~:text=DECRETA%3A,as%20altera%C3%A7%C3%B5es%20deste%20 Decreto%2Dlei. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Resolução CFC nº 563 de 28 de outubro de 1983. Aprova a Norma NBC T 2.1, que trata das Formalidades da Escrituração Contábil. Rio de Janeiro, 28 out. 1983. Disponível em: https://www.normasbrasil.com.br/nor- ma/resolucao-563-1983_94884.html#:~:text=Aprova%20a%20Norma%20 NBC%20T,2011%2C%20DOU%2022.03.2011. Acesso em: 03 abr. 2024. BRASIL. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade so- cial, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%20 9.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=- Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%- C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAn- cias. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, 10 jan. 2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Brasília: Presidência da República, 2006. Disponível em: https://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm. Acesso em: 04 abr. 2024. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm#:~:text=DECRETA%3A,as%20altera%C3%A7%C3%B5es%20deste%20Decreto%2Dlei https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm#:~:text=DECRETA%3A,as%20altera%C3%A7%C3%B5es%20deste%20Decreto%2Dlei https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1598.htm#:~:text=DECRETA%3A,as%20altera%C3%A7%C3%B5es%20deste%20Decreto%2Dlei https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-563-1983_94884.html#:~:text=Aprova%20a%20Norma%20NBC%20T,2011%2C%20DOU%2022.03.2011 https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-563-1983_94884.html#:~:text=Aprova%20a%20Norma%20NBC%20T,2011%2C%20DOU%2022.03.2011 https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-563-1983_94884.html#:~:text=Aprova%20a%20Norma%20NBC%20T,2011%2C%20DOU%2022.03.2011 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.430%2C%20DE%2027%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20tribut%C3%A1ria,consulta%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm 106 Capítulo 2 BRASIL. Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. Institui o Sistema Público de Escrituração Digital - Sped. Brasília: Presidência da República, 2007a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/decreto/d6022.htm. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007. Institui a Escrituração Contábil Digital. Diário Oficial da União: seção 1, p. 49, 20 nov. 2007b. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov. br/sijut2consulta/link.action?idAto=15739&visao=original. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 765, de 02 de agosto de 2007. Dispõe sobre a dispensa de retenção do imposto de renda na fonte sobre as im- portâncias pagas ou creditadas a pessoas jurídicas inscritas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidospe- las Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e alte- ra o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, e o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004. Diário Oficial da União: seção 1, p. 32, 09 ago. 2007c. Disponível em: http:// normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15713#. Acesso em: 08 abr. 2024. BRASIL. Portaria RFB nº 11.211, de 25 de julho de 2007. Retificação. Diário Oficial da União: seção 1, p. 52, 28 dez. 2007c. Disponível em: http://nor- mas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=30839. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011. Dispõe sobre o Simples Nacional e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, p. 50, 01 dez. 2011. Disponível em: http://normas.recei- ta.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=36833. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012. Dispõe sobre a retenção de tributos incidentes sobre pagamentos efetuados a pes- soas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços pelos órgãos da administração pública federal direta, autarquias, fundações, em- presas públicas federais, sociedades de economia mista e demais entidades que menciona, e pelos órgãos da administração pública direta dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, inclusive suas autarquias e fundações. Diário Oficial da União: seção 1, p. 22, 12 jan. 2012a. Disponível em: http:// normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=37200#. Acesso em: 08 abr. 2024. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6022.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6022.htm http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15739&visao=original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15739&visao=original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15713#:~:text=IN%20RFB%20n%C2%BA%20765%2F2007&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20dispensa%20de http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15713#:~:text=IN%20RFB%20n%C2%BA%20765%2F2007&text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20dispensa%20de http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=30839 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=30839 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=36833 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=36833 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=37200# http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=37200# 107 Capítulo 2 BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 1º de março de 2012. Dispõe sobre a Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita (EFD-Contribuições). Diário Oficial da União: seção 1, p. 31, 02 mar. 2012b. Disponível em: http://nor- mas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idA- to=37466. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 1.422, de 19 de dezembro de 2013. Dispõe sobre a Escrituração Contábil Fiscal (ECF). Diário Oficial da União: seção 1, p. 38, 20 dez. 2013a. Disponível em: http://normas. receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=48711. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 1.420, de 19 de dezembro de 2013. Dispõe sobre a Escrituração Contábil Digital (ECD). Diário Oficial da União: seção 1, p. 37, 20 dez. 2013b. 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Disponível em: http:// normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=92278#:~:- text=CGSN%20n%C2%BA%20140%2F2018&text=Disp%C3%B5e%20 sobre%20o%20Regime%20Especial,Pequeno%20Porte%20(Simples%20 Nacional). Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 2.003, de 18 de janeiro de 2021. Dispõe sobre a Escrituração Contábil Digital (ECD). Diário Oficial da União: seção 1, p. 46, 20 jan. 2021a. Disponível em: http://normas.re- ceita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=114965#2223870. Acesso em: 04 abr. 2024. BRASIL. Instrução Normativa DREI nº 82, de 19 de fevereiro de 2021. Institui os procedimentos para autenticação dos livros contábeis ou não dos empresários individuais, das empresas individuais de responsabili- dade limitada – Eireli, das sociedades, bem como dos livros dos agentes auxiliares do comércio. Diário Oficial da União: seção 1, 20 fev. 2021b. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=409611. Acesso em: 04 abr. 2024. 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Entenda o fluxo de emissão de um Certificado Digital, [202-]. Disponível em: https://www.loja.serpro.gov.br/certificacao. Acesso: 06 dez. 2023. SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL. Fcont – Controle Fiscal Contábil de Transição. SPED, 04 abr. 2016. Disponível em: http://sped.rfb.gov. br/pagina/show/1835. Acesso em: 06 dez. 2023. SOUSA, E. P. D. Contabilidade Tributária: aspectos práticos e conceituais. [S. l.]: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/ books/9788597018493. 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Essa área não apenas se dedica à conformidade legal, mas também visa otimizar a estrutura fiscal de uma empresa, garantindo não só a regularidade fiscal do contri- buinte, mas também maximizando o aproveitamento de incentivos fiscais e a minimização de custos tributários. Dentro desse contexto, o planejamento fiscal se destaca como uma ferramenta essencial, permitindo antecipar cenários, explorar oportunidades legais e estruturar operações de modo a alcançar eficiência fiscal, sempre em conformidade com as normas e legis- lações vigentes. Nesse contexto, as operações especiais fiscais e a manutenção da regularidade fiscal se tornam pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade e competitividade das empresas no mercado atual. Este texto explora a importância e as nuances desses conceitos na gestão tributária das organizações. A Contabilidade Fiscal Estratégica abrange uma série de as- pectos cruciais para a gestão tributária de uma empresa, incluindo a identificação e a compreensão das operações especiais fiscais. Esta disciplina requer uma análise detalhada das particularida- des e implicações legais dessas operações, visando não apenas o cumprimento das normativas, mas também a avaliação dos riscos associados, com o intuito de assegurar a conformidade fiscal e minimizar passivos. Além disso, parte fundamental desse processo é a análise minuciosa da situação fiscal do contribuinte. Isso envolve a ve- rificação de certidões negativas, identificação de pendências e 113 Capítulo 3 o entendimento das obrigações fiscais em curso. A partir dessa avaliação, estratégias para a regularização fiscal podem ser desen- volvidas, incluindo a negociação de débitos e ações proativas para evitar complicações legais. O profissional especializado nesse campo também se dedica a realizar análises tributárias detalhadas, buscando identificar opor- tunidades legais para a otimização fiscal. Esse olhar estratégico visa desenvolver práticas fiscais eficientes, alinhadas aos objetivos da organização e sempre em conformidade com a legislação vigente. Assim, ao dominar os conceitos e práticas da Contabilidade Fiscal Estratégica, o profissional se torna apto a gerir operações especiais fiscais de forma eficiente, garantindo conformidade e mi- nimizando riscos. Além disso, poderá contribuir para assegurar a regularidade fiscal da empresa, adotando medidas proativas para evitar problemas legais e participando ativamente do planejamento fiscal estratégico, buscando otimizar a carga tributária e alinhar as práticas fiscais aos objetivos organizacionais. Dessa forma, estará capacitado a tomar decisões embasadas em estratégias fiscais só- lidas, considerando tanto a eficiência operacional quanto a confor- midade legal, contribuindo significativamente para o sucesso e a sustentabilidade financeira da empresa. 114 11. OPERAÇÕES ESPECIAIS FISCAIS Operações especiais fiscais são uma parte crucial da gestão tributária de empresas, especialmente no que diz respeito a impostos como ICMS, IPI, PIS, Cofins e IPVA. Esses tributos compõem uma parte significativa do sistema tributário brasileiro e requerem atenção especial devido à comple- xidade de suas regulamentações e suas nuances legais. Figura 1. Profissional especializado Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: fotografia de uma mulher negra trajando uma roupa social, de braços cruza- dos, ao fundo um cenário de escritório. 115 Capítulo 3 O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é um tributo estadual que incide sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços. Devido à sua aplicação em operações interestaduais, o ICMS apresenta particularidades que demandam análises específicas, como a aplicação de diferentes alíquotas de acordo com cada estado. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é um imposto federal que incide sobre a produção e a comercialização de produtos industrializa- dos. Suas regras abrangem desde a classificação dos produtos até a defini- ção de alíquotas, que variam conforme a natureza do produto. Figura 2. Planejamento fiscal estratégico Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem usando uma calculadora com uma mão e segu- rando vários papéis com a outra. O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são contribuições federais que inci- dem sobre o faturamento das empresas. Ambos possuem regimes de apu- ração distintos, como o cumulativo e o não cumulativo, cada um com suas particularidades e impactos no recolhimento desses tributos. 116 Capítulo 3 Para lidar com esses tributos de forma eficiente e estratégica, é funda- mental compreender as particularidades de cada um, considerando suas bases legais, alíquotas, regimes de apuração e possíveis benefícios fiscais. As operações especiais fiscais nesses casos envolvem desde a correta apu- ração e recolhimento dos tributos até o acompanhamento das constantes alterações na legislação, garantindo a conformidade fiscal da empresa. Figura 3. Sistema tributário Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mulher de alto ângulo no escritório, sentada em frente a sua mesa tem uma calculadora, ela está escrevendo com uma caneta em um bloco na frente de um notebook. Ademais, é imprescindível estar atento a possíveis oportunidades le- gais para otimização fiscal, seja por meio de incentivos fiscais previstos na legislação ou pela identificação de erros na apuração tributária que possam gerar créditos para compensação. Portanto, diante da complexidadee da constante evolução das normas fiscais, a expertise na gestão de operações especiais fiscais referentes a ICMS, IPI, PIS, Cofins e IPVA é essencial para garantir não apenas a conformidade, mas também a eficiência e a susten- tabilidade financeira das empresas. 117 Capítulo 3 1.1 ICMS – IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MER- CADORIAS E SERVIÇOS O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é um imposto estadual no Brasil que incide sobre a circulação de mercado- rias, serviços de transporte interestadual e intermunicipal, além de co- municação. Sua característica de incidência na formação do preço de um produto ou serviço é um aspecto crucial a ser compreendido pelas empresas e consumidores. • Incidente na formação do preço O ICMS é um imposto que faz parte do custo do produto ou serviço ao longo da cadeia de produção e comercialização. Em geral, é calculado sobre o valor da operação e repassado ao consumidor final. Isso significa que, ao adquirir um produto ou serviço, o valor do ICMS está embutido no preço final que o consumidor paga, já que os contribuintes desse imposto repassam o custo tributário aos seus produtos ou serviços. Figura 4. Planejamento empresarial Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: imagem de uma mulher digitando em uma calculadora, e na mesa várias notas fiscais. 118 Capítulo 3 • Crédito de ICMS A legislação permite que as empresas que estão sujeitas ao ICMS possam descontar o valor do imposto pago na aquisição de insumos, mercadorias ou serviços utilizados em suas atividades econômicas. Esse mecanismo é conhe- cido como crédito de ICMS. Assim, as empresas podem compensar parte do imposto que foi cobrado nas etapas anteriores da cadeia produtiva, reduzin- do o montante a ser recolhido ou compensando-o em períodos futuros. • Não cumulatividade do ICMS A não cumulatividade é um princípio adotado pelo ICMS que permite a compensação do imposto pago nas etapas anteriores. Isso significa que o valor do ICMS pago na compra de insumos ou produtos é descontado do valor a ser pago na venda final. Dessa forma, o imposto incide apenas sobre o valor adicionado em cada etapa do processo produtivo ou de comerciali- zação, evitando a incidência em cascata sobre o mesmo valor ao longo da cadeia produtiva (Fabretti, 2016). • Exemplo Imagine uma empresa que produz e vende móveis. Ela compra madeira e outros insumos para fabricação, nos quais incide um valor de ICMS. Suponha que o valor do ICMS pago na compra desses insumos seja R$ 1.000,00. Figura 5. Tributarista Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra as mãos de um homem trajando terno e blusa social azul, digitando um uma calculadora e segurando uma lupa. 119 Capítulo 3 Ao vender os móveis, a empresa cobra o ICMS do comprador, por exemplo, R$ 2.000,00. Nesse caso, ela tem um débito de R$ 2.000,00 de ICMS a recolher. Entretanto, ela pode abater o crédito de R$ 1.000,00 (re- ferente ao ICMS pago na compra dos insumos) desse débito. Portanto, ela precisará recolher apenas R$ 1.000,00 aos cofres públicos. Saiba Mais Essa é uma explicação simplificada, já que a legislação do ICMS pode ter particularidades e variações de acordo com cada esta- do brasileiro, mas ilustra o funcionamento básico do crédito e da não cumulatividade desse imposto na formação do preço de produtos ou serviços. 1.2 DIFAL (DIFERENCIAL DE ALÍQUOTA) A Difal (Diferencial de Alíquota) é um dispositivo tributário aplicado em operações interestaduais, criado para equilibrar a carga tributária entre os estados brasileiros. Ela foi instituída pela Emenda Constitucional 87/2015, visando a repartição do ICMS entre o estado de origem e o estado de desti- no das mercadorias e serviços. Figura 6. Carga tributária Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem de terno azul debruçado sobre uma mesa es- crevendo em uma folha na prancheta; com a outra mão, ele digita em uma calculadora; ao seu lado tem um notebook. 120 Capítulo 3 Saiba Mais Antes da Emenda Constitucional 87/2015, nas operações interes- taduais destinadas a consumidores finais não contribuintes do ICMS (pessoas físicas ou empresas não inscritas no cadastro do imposto), o imposto era recolhido apenas para o estado de ori- gem da mercadoria. Isso gerava uma desigualdade tributária, pois o estado de destino, onde o produto era consumido, não recebia parte do imposto. Com a Difal, passou a existir a partilha do ICMS entre o estado de origem e o estado de destino, ou seja, parte do ICMS passou a ser destinada ao esta- do de destino das mercadorias ou serviços. O cálculo da Difal é feito quando a operação é destinada a um consumidor final não contribuinte do ICMS (como uma pessoa física ou empresa não inscrita no cadastro do imposto) e envolve produtos vindos de outro estado. Nesse caso, é calculada a diferença entre a alíquota interestadual e a alíquota interna do estado de destino. A alíquota interestadual é definida pelo Convênio ICMS 93/2015 para produtos importados de outros estados, enquanto a alíquota interna é a alíquota que o estado de destino cobra sobre o produto. O valor resultante da diferença entre essas alíquotas é o montante que deve ser repassado ao estado de destino como parte do ICMS. Esse valor é recolhido pelo re- metente da mercadoria ou pelo prestador do serviço, e o estado de destino recebe essa parcela do ICMS. Vale ressaltar que a aplicação da Difal pode variar conforme a legisla- ção específica de cada estado e depende do tipo de operação realizada. A Emenda Constitucional 87/2015 trouxe mudanças significativas no que diz respeito à distribuição do ICMS em operações interestaduais e impactou principalmente o comércio eletrônico, trazendo a necessidade de adapta- ção por parte das empresas para calcular e recolher o imposto de forma adequada (Fabretti, 2016). 121 Capítulo 3 Figura 7. Reunião de empresários Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma visão superior de dois homens e uma mulher senta- dos ao redor de uma mesa, um homem está escrevendo em um bloco e ao seu lado tem um note- book, a mulher está segurando folhas de relatórios e o homem está com o lápis na mão. 1.3 IPI – IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é um imposto federal aplicado sobre a industrialização de produtos no território nacional, inciden- te sobre produtos industrializados, nacionais ou estrangeiros. Ele é regula- mentado pelo Decreto nº 7.212/2010, que trata da tributação, fiscalização, arrecadação e administração desse imposto. • Conceito e sistemática O IPI incide sobre produtos industrializados, ou seja, sobre aqueles que so- frem qualquer processo de industrialização, modificando sua natureza, funcio- nalidade, finalidade ou aperfeiçoando-os para o consumo. Sua base de cálculo, geralmente, é o valor do produto, seja ele produzido no Brasil ou importado. A alíquota do IPI varia conforme a classificação fiscal do produto, sendo estabelecida pela Tabela de Incidência do IPI (TIPI), que atribui um código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) a cada tipo de produto e define a alíquota correspondente. 122 Capítulo 3 • Fato gerador O fato gerador do IPI ocorre quando há a saída do produto do esta- belecimento industrial ou equiparado ao industrial, ou seja, quando ele é vendido ou transferido para outro estabelecimento. No caso de produtos importados, o fato gerador é a sua entrada no território nacional. • Créditos de IPI As empresas têm direito a créditos de IPI referentes aos valores pagos na aquisição de insumos, matéria-prima, produtos intermediários e embalagens utilizados no processo de industrialização. Esses créditos podem ser desconta- dos do valor do IPI a recolher, reduzindo o montante a ser pago ao governo. É importante ressaltar que os créditos de IPI estão sujeitos a legislações específi- cas que determinam quais itens geram esse direito e em qual proporção. As empresas devem estaratentas às normativas e procedimentos para a correta apuração e recolhimento desse imposto, evitando irregularidades fiscais. Assim, o IPI é um tributo relevante na economia brasileira, contribuindo para a arrecadação do governo e sendo aplicado sobre uma ampla gama de produtos industrializados, com suas regras e particularidades específicas que devem ser observadas pelas empresas para garantir a conformidade fiscal. • Exemplo Suponha uma indústria que produz e comercializa televisores. Para esse exemplo, considere que a alíquota do IPI para televisores seja de 10%. Artigo Leia o artigo intitulado Imposto sobre produtos in- dustrializados: carga setorial e aspectos distributi- vos, que analisa a tributação do IPI sob a ótica da incidência tributária. É importante considerar que o IPI possui uma sistemática de recolhi- mento e apuração própria, variando conforme o tipo de operação reali- zada e os produtos envolvidos. https://encurtador.com.br/egqFG 123 Capítulo 3 Figura 8. Aparelhos eletrônicos Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um tablet, dois celulares, um cabo carregador, dois fones de ouvido sem fio, um óculos de realidade aumentada, um notebook, uma agenda de capa preta, um lápis branco, um relógio smartwatch e um envelope preto sobre um fundo amarelo. A empresa adquire insumos e realiza a industrialização para fabricar televisores. Ela pagou um total de R$ 50.000,00 em insumos sujeitos ao IPI, como componentes eletrônicos, plástico para a carcaça, tela, entre outros. O valor total dos televisores fabricados foi de R$ 150.000,00. • Cálculo do IPI a recolher • Cálculo dos créditos de IPI A empresa tem direito a créditos de IPI sobre os insumos adquiridos. Considerando a alíquota de 10% do IPI, o crédito seria calculado sobre o valor dos insumos: Valor dos insumos * Alíquota de IPI R$ 50.000,00 * 10% = R$ 5.000,00 Portanto, a empresa teria um crédito de R$ 5.000,00 de IPI. 124 Capítulo 3 • Cálculo do IPI a recolher: O IPI a recolher é calculado sobre o valor total dos produtos fabricados, já descontando os créditos de IPI: Valor total dos televisores * Alíquota de IPI R$ 150.000,00 * 10% = R$ 15.000,00 Como a empresa possui um crédito de R$ 5.000,00 de IPI, esse valor será deduzido do montante a recolher: IPI a recolher - Créditos de IPI R$ 15.000,00 - R$ 5.000,00 = R$ 10.000,00 Portanto, nesse exemplo hipotético, a empresa teria que recolher um total de R$ 10.000,00 de IPI ao governo referente à venda dos te- levisores, após descontar os créditos de IPI provenientes dos insumos utilizados na fabricação. 1.4 PIS – PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL O PIS (Programa de Integração Social) é um programa do governo bra- sileiro que visa a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, contribuindo para o pagamento de benefícios do trabalha- dor e fomentando o desenvolvimento econômico do país. A seguir, são apresentados conceitos, sistemática, fato gerador, créditos e um exemplo relacionado ao PIS. Artigo No Portal da Indústria há um artigo interessante sobre a Reforma Tributária com o tema O que é Reforma Tributária e que muda?. Informe-se so- bre como será esse imposto, visto que o Brasil possui um dos sistemas tributários mais comple- xos do mundo. Leia a matéria completa https://encurtador.com.br/ackO5 125 Capítulo 3 • Conceito O PIS é um tributo de contribuição social de responsabilidade das em- presas, incidente sobre a folha de pagamento, com o objetivo de financiar o pagamento do seguro-desemprego, abono salarial e outros programas sociais. Figura 9. Contribuição social Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma de um adulto com uma mãe de criança com as palmas voltadas para cima segurando um sinal de cifrão amarelo. • Sistemática A contribuição ao PIS é calculada sobre a folha de pagamento da em- presa e varia de acordo com a atividade exercida e o regime tributário em que a empresa está enquadrada. O recolhimento é feito mensalmente por meio de guias específicas, sendo destinado aos cofres públicos para poste- rior distribuição aos beneficiários. • Fato gerador O fato gerador do PIS ocorre mensalmente e está relacionado à folha de pagamento da empresa. Ou seja, é a remuneração paga ou creditada a empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais que pres- tem serviços, cuja folha de salários é a base de cálculo para o imposto. 126 Capítulo 3 • Créditos As empresas têm direito a créditos do PIS, podendo descontá-los do valor a ser recolhido. Esses créditos podem ser gerados a partir de despe- sas específicas realizadas pela empresa, como, por exemplo, despesas com insumos, energia elétrica, aluguéis, entre outras. • Exemplo Nesse caso, empresas tributadas pelo regime do lucro real podem se benefi- ciar desse sistema, em que o tributo incide sobre o faturamento da empresa, per- mitindo o aproveitamento de créditos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Suponha que uma empresa venda um produto por R$ 1.000,00 e tenha incorrido em despesas de compra de insumos tributados no valor de R$ 600,00, com alíquota do PIS de 1,65%. No sistema não cumulativo do PIS, a empresa pode descontar o valor pago na compra de insumos (R$ 600,00) da sua receita de vendas (R$ 1.000,00), considerando a alíquota do imposto. Assim: PIS a recolher sobre as vendas: R$ 1.000,00 x 1,65% = R$ 16,50 Crédito do PIS sobre a compra de insumos: R$ 600,00 x 1,65% = R$ 9,90 Portanto, o valor a recolher de PIS seria R$ 16,50 (sobre as vendas) menos o crédito de R$ 9,90 (sobre a compra de insumos), resultando em um valor líquido a pagar de R$ 6,60. Esse sistema não cumulativo do PIS permite que a empresa abata o valor pago na aquisição de insumos do montante devido sobre a receita de vendas, reduzindo, assim, a carga tributária total. Além disso, se a empresa tiver direito a créditos do PIS por despesas permitidas, ela pode deduzir esse valor do montante a ser recolhido, redu- zindo assim o valor final a pagar ao governo. 1.4.1 Cumulatividade e não cumulatividade O PIS pode ser recolhido de duas formas: cumulativa e não cumulativa. Essas modalidades se referem à forma como as empresas calculam e com- pensam os créditos do PIS. 127 Capítulo 3 • PIS cumulativo No regime cumulativo do PIS, as empresas não têm direito a créditos para abater do valor devido do tributo. Isso significa que elas são obrigadas a reco- lher o valor correspondente ao PIS sobre a folha de pagamento, sem a possibi- lidade de compensar despesas ou custos para reduzir o montante a ser pago. • PIS não cumulativo No regime não cumulativo do PIS, as empresas têm direito a créditos do PIS, permitindo a compensação de valores. Elas podem descontar créditos ge- rados a partir de despesas consideradas como insumos, por exemplo, despesas com materiais, energia elétrica, aluguéis, entre outras despesas operacionais. Esses créditos podem ser utilizados para abater o valor do PIS a ser recolhido. 1.4.2 Diferenças entre cumulativo e não cumulativo • PIS cumulativo Não permite a utilização de créditos para abater o valor do PIS a ser recolhido. A alíquota é aplicada diretamente sobre a folha de pagamento ou receita bruta, dependendo do regime tributário. • PIS não cumulativo Permite a utilização de créditos decorrentes de despesas permitidas para abater o valor do PIS a ser recolhido. As empresas podem abater parte do PIS devido, utilizando os créditos gerados a partir de despesas específicas. • Escolha do regime A escolha entre o regime cumulativo ou não cumulativo do PIS depende de diversos fatores, como o tipo de despesas que a empresa tem e seu en- quadramento tributário. Empresas que possuem mais despesas passíveis de gerar créditos costumam optar pelo regime não cumulativo, buscando reduzir o montante a ser recolhido. Já empresas com menor volume de despesas de- dutíveis podem preferir o regime cumulativo por sua simplicidade de cálculo. Cabe ressaltar que a escolhado regime tributário e a forma de paga- mento do PIS têm impactos diretos na carga tributária e na gestão financeira da empresa; por isso, é importante analisar as especificidades de cada caso antes de fazer a opção pelo regime cumulativo ou não cumulativo do PIS. 128 Capítulo 3 1.4.3 Exemplo de aplicação do PIS cumulativo e do PIS não cumulativo Exemplo do PIS cumulativo PIS Cumulativo com base na receita. Suponha uma empresa que está enquadrada no regime cumulativo do PIS e possui uma receita bruta mensal de R$ 200.000,00. A alíquota do PIS cumulativo para essa empresa é de 0,65%. Figura 10. Empresária Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mulher segurando um gráfico, na frente de um note- book, ao fundo um cenário de uma cozinha com armários na cor cinza. O cálculo do PIS cumulativo sobre a receita bruta seria: PIS = Receita Bruta x Alíquota do PIS PIS = R$ 200.000,00 x 0,65% PIS = R$ 200.000,00 x 0,0065 PIS = R$ 1.300,00 Nesse caso, a empresa teria que recolher R$ 1.300,00 mensalmente a título de PIS sobre a receita bruta, sem a possibilidade de utilizar créditos 129 Capítulo 3 para abater esse valor. Essa é a característica do regime cumulativo do PIS, em que o tributo incide diretamente sobre a receita bruta ou folha de paga- mento, sem deduções ou compensações de créditos. Exemplo do PIS não cumulativo Agora, considere outra empresa enquadrada no regime não cumulativo do PIS. Essa empresa possui despesas que geram créditos de PIS, por exemplo, despesas com insumos (R$ 10.000,00) que são passíveis de crédito no PIS. A alíquota do PIS não cumulativo para essa empresa é a mesma, 1,65%. O cálculo do PIS Não Cumulativo com utilização de créditos seria: PIS = (Folha de Pagamento x Alíquota do PIS) - Créditos de PIS PIS = (R$ 80.000,00 x 1,65%) - R$ 10.000,00 PIS = (R$ 80.000,00 x 0,0165) - R$ 10.000,00 PIS = R$ 1.320,00 - R$ 10.000,00 PIS = R$ 1.320,00 - R$ 10.000,00 PIS = - R$ 8.680,00 (o valor é negativo, indicando que a empresa pode utilizar o crédito para compensar o PIS a recolher) Nesse caso, a empresa teria um crédito de R$ 8.680,00, o que significa que não precisaria pagar o PIS naquele mês e ainda teria um saldo rema- nescente para compensar em meses seguintes. Esses exemplos simplificados demonstram a diferença no cálculo do PIS entre os regimes cumulativo e não cumulativo, destacando a possibili- dade de utilização de créditos no segundo modelo, o que pode afetar dire- tamente a carga tributária das empresas. 1.5 COFINS – CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL O Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), in- cluindo seu conceito, sistemática, fato gerador, os regimes de cumulatividade e não cumulatividade, créditos e um exemplo para ilustrar seu funcionamento. 130 Capítulo 3 • Conceito e sistemática O Cofins é uma contribuição social de natureza tributária no Brasil. Ele tem como objetivo financiar a seguridade social, incluindo a Previdência Social, a Saúde e a Assistência Social. Incide sobre o faturamento das em- presas, ou seja, sobre a receita bruta auferida pela venda de bens e serviços. • Fato gerador O fato gerador do Cofins é a receita bruta proveniente da venda de produtos ou da prestação de serviços pela pessoa jurídica, inclusive as re- ceitas financeiras e outras atividades relacionadas ao seu objeto social. • Créditos No regime não cumulativo, as empresas podem descontar créditos do Cofins calculados sobre determinadas despesas permitidas. Esses créditos são utilizados para abater o valor do Cofins a ser recolhido. • Exemplo Vamos considerar uma empresa que está no regime não cumulativo do Cofins. Essa empresa possui despesas que geram créditos de Cofins, por exem- plo, despesas com insumos (R$ 15.000,00) que são passíveis de crédito no Cofins. A alíquota do Cofins não cumulativo para essa empresa é de 7,6%. O cálculo do Cofins não cumulativo com utilização de créditos seria: Cofins = (Receita Bruta X Alíquota do Cofins) - Créditos de Cofins Cofins = (R$ 200.000,00 X 7,6%) - R$ 15.000,00 Cofins = (R$ 200.000,00 X 0,076) - R$ 15.000,00 Cofins = R$ 15.200,00 - R$ 15.000,00 Cofins = R$ 200,00 Nesse caso, a empresa teria um valor a recolher de Cofins de R$ 200,00, utilizando os créditos gerados pelas despesas permitidas para abater do valor total devido do tributo. 131 Capítulo 3 1.5.1 Cumulatividade e não cumulatividade • Cumulatividade: no regime cumulativo do Cofins, as empresas não têm direito a créditos para abater do valor devido do tributo. Isso significa que elas são obrigadas a recolher o valor correspondente ao Cofins sobre o faturamento, sem a possibilidade de compensar despesas ou custos para reduzir o montante a ser pago; • Não cumulatividade: no regime não cumulativo do Cofins, as em- presas têm direito a créditos do Cofins, permitindo a compensação de valores. Elas podem descontar créditos gerados a partir de des- pesas consideradas insumos, como despesas com materiais, ener- gia elétrica, aluguéis, entre outras despesas operacionais. 1.5.2 Exemplo de aplicação do Cofins nos regimes cumulativo e não cumulativo • Exemplo do Cofins cumulativo. Figura 11. Cálculos Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra as mãos de uma mulher segurando um relatório de núme- ros; à sua frente, há um notebook. 132 Capítulo 3 Suponha uma empresa que está enquadrada no regime cumulativo do Cofins. Essa empresa tem uma receita bruta mensal de R$ 150.000,00. A alíquota do Cofins cumulativo para essa empresa é de 3%. O cálculo do Cofins cumulativo sobre a receita bruta seria: Cofins = Receita Bruta X Alíquota do Cofins Cofins = R$ 150.000,00 X 3% Cofins = R$ 150.000,00 X 0,03 Cofins = R$ 4.500,00 Nesse caso, a empresa teria que recolher R$ 4.500,00 mensalmente a título de Cofins sobre a receita bruta, sem a possibilidade de utilizar crédi- tos para abater esse valor. Isso ocorre porque no regime cumulativo não há a compensação de créditos. • Exemplo do Cofins não cumulativo. Agora, considere outra empresa enquadrada no regime não cumulativo do Cofins. Essa empresa possui despesas que geram créditos de Cofins, por exem- plo, despesas com insumos (R$ 20.000,00) que são passíveis de crédito no Cofins. A alíquota do Cofins não cumulativo para essa empresa é de 7,6%. O cálculo do Cofins não cumulativo com utilização de créditos seria: Cofins = (Receita Bruta X Alíquota do Cofins) - Créditos de Cofins Cofins = (R$ 150.000,00 X 7,6%) - R$ 20.000,00 Cofins = (R$ 150.000,00 X 0,076) - R$ 20.000,00 Cofins = R$ 11.400,00 - R$ 20.000,00 Cofins = - R$ 8.600,00 (O valor é negativo, indicando que a empresa pode utilizar o crédito para compensar o Cofins a recolher) Nesse caso, a empresa teria um crédito de R$ 8.600,00, o que significa que não precisaria pagar o Cofins naquele mês e ainda teria um saldo rema- nescente para compensar em meses seguintes. Isso demonstra a diferença 133 Capítulo 3 no cálculo do Cofins entre os regimes cumulativo e não cumulativo, desta- cando a possibilidade de utilização de créditos no segundo modelo, afetan- do diretamente a carga tributária das empresas. Saiba Mais Veja a mudança que ocorreu na tributação do PIS-Co- fins na IN RFB nº 2152, de 14 de julho de 2023. Essa lei trata da alteração da Instrução Normativa RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022, que consolida as normas sobre a apuração, a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e a administração da contribuição para o PIS-Pasep, da Cofins, da contribuição para o PIS-Pa- sep-Importação e da Cofins-Importação. Veja a pes- quisa completa. 1.6 INCENTIVOS FISCAIS Os impostos são criados com o propósito de arrecadação. No entanto, o Estado pode abrir mão de parte dessa arrecadação para atingir outros obje- tivos de interesse público, incentivando atividades específicas (como cultura, programas especiais, alimentação do trabalhador, desenvolvimento tecnoló- gico industrial ou agrícola) ou impulsionando o crescimentode determinadas regiões. Essa renúncia recebe o nome técnico de Extrafiscalidade, denotando o uso do imposto para fins que não apenas a obtenção de recursos. https://encurtador.com.br/msEY6 134 Capítulo 3 Figura 12. Cálculo de tributos Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: mão de homem segurando um lápis enquanto a outra mão pega moedas em um pote de vidro; à sua frente, há três pilhas pequenas de moedas. Claramente, para compensar a perda na arrecadação decorrente da re- núncia fiscal, a Receita Federal é obrigada a aumentar a carga tributária para aqueles que não se beneficiam desses incentivos fiscais. Aqui o tema trata de Contabilidade Tributária, portanto, trata exclusivamente da contabilidade e tributação das pessoas jurídicas. Por esse motivo, não abordaremos os in- centivos fiscais relacionados ao Imposto de Renda das pessoas físicas. 1.6.1 Incentivos fiscais relativos ao imposto O Poder Executivo pode, por meio de legislação, renunciar a parte da arrecadação de um imposto específico para estimular certas atividades ou regiões. Em contrapartida, essa renúncia fiscal do Executivo se traduz em um benefício fiscal para o contribuinte, desde que ele cumpra rigorosamen- te os requisitos estabelecidos pela lei para poder usufruí-lo. Isso pode ocor- rer por meio de dedução do imposto devido, entre outras possibilidades. 1.6.2 Incentivos fiscais por isenção Isenção fiscal é um benefício concedido por meio da dispensa total ou parcial do pagamento de determinado tributo. Esse benefício é concedido por meio de lei e tem como objetivo incentivar atividades específicas, seto- res da economia ou regiões geográficas. 135 Capítulo 3 Exemplos de isenção fiscal podem incluir a dispensa do pagamento de impostos sobre produtos destinados à exportação, a isenção de impos- tos sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento ou a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para veículos de transporte público. Figura 13. Benefício fiscal Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem trajando terno azul marinho e blusa branca digitando em um computador; ao lado tem uma calculadora, um bloco de anotações, uma cratera de couro marrom, uma caneta preta e uma pequena pilha de livros. 1.6.3 Imunidade fiscal A imunidade fiscal é uma garantia prevista na Constituição Federal que isenta certas entidades, atividades ou produtos do pagamento de impostos. Diferentemente da isenção, a imunidade é estabelecida na Constituição e não depende de regulamentação por meio de lei ordinária. 136 Capítulo 3 Figura 14. Créditos fiscais Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem segurando um documento fiscal e sobre a mesa uma xícara de café, documentos. Exemplos comuns de imunidade fiscal são a imunidade de templos de qualquer culto em relação a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços relacionados às suas finalidades essenciais, e a imunidade de livros, jornais e periódicos em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e impostos semelhantes. 1.6.4 Diferenças entre isenção e imunidade Imunidade É uma garantia constitucional que isenta certas entidades, ativida- des ou produtos do pagamento de impostos. A imunidade é estabe- lecida na Constituição Federal e não depende de regulamentação por meio de lei ordinária. Isenção É um benefício concedido por lei ordinária, permitindo ao Estado abrir mão da cobrança total ou parcial de um tributo em determi- nadas situações ou para ativida- des específicas. 137 Capítulo 3 Ambos os mecanismos, isenção e imunidade, visam estimular setores da economia, atividades específicas ou garantir certos princípios constitu- cionais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país. As operações especiais fiscais desempenham um papel crucial na gestão tri- butária das empresas, especialmente no contexto de impostos como ICMS, IPI, PIS, COFINS e IPVA. Esses tributos são componentes vitais do sistema tributário brasileiro e demandam atenção especial devido à complexidade de suas regulamentações e às nuances legais que os cercam. Para uma gestão tributária eficiente e estratégica, é essencial com- preender as particularidades de cada tributo, considerando suas bases legais, alíquotas, regimes de apuração e possíveis benefícios fiscais. As ope- rações especiais fiscais abrangem desde a correta apuração e recolhimento dos tributos até o acompanhamento das constantes alterações na legisla- ção, assegurando a conformidade fiscal da empresa. Além disso, é fundamental estar atento a oportunidades legais para otimização fiscal, seja por meio de incentivos fiscais previstos na legisla- ção ou pela identificação de erros na apuração tributária que possam gerar créditos para compensação. Assim, diante da complexidade e da evolução contínua das normas fiscais, a expertise na gestão de operações especiais fiscais relacionadas ao ICMS, IPI, PIS, COFINS e IPVA é essencial para garantir não apenas a conformidade, mas também a eficiência e a sustentabilidade financeira das empresas. Polêmica STF decide que entidades religiosas que prestam assistência social podem ter imunidade tributária. Além da renda e do patrimônio da entidade, a imu- nidade pode alcançar impostos sobre importação de bens para atividades institucionais. Leia a repor- tagem e discuta com seus colegas sobre o assunto. https://encurtador.com.br/rtRXZ https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=483815&ori=1 138 22. REGULARIDADE FISCAL DO CONTRIBUINTE A regularidade fiscal do contribuinte é um aspecto fundamental para a saúde financeira e legal de empresas e pessoas físicas. Refere-se ao cumprimento das obrigações tributárias, ou seja, estar em dia com o pagamento de impostos, contribuições e demais obrigações fiscais exigidas pela legislação. Manter a regularidade fiscal é essencial para evitar penalidades, multas e restrições legais que podem impactar negativamente as ati- vidades empresariais ou financeiras de um indivíduo. Além disso, é um requisito muitas vezes necessário para participar de licitações, realizar contratos com o poder público e até mesmo obter certos ti- pos de crédito. A garantia da regularidade fiscal envolve o cumprimento correto das obrigações tributárias, o acompanhamento das mudanças na legislação e a adoção de práticas transparentes e éticas na gestão fiscal. Nesse con- texto, compreender os mecanismos legais e administrativos para man- ter a regularidade fiscal é essencial para o sucesso e a sustentabilidade financeira de empresas e indivíduos. 2.1 CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL Certidão de regularidade fiscal: um documento crucial na comple- xa legislação tributária nacional, atestando o cumprimento das obri- gações tributárias de pessoas físicas e jurídicas. Este documento é im- prescindível para legalizar e comprovar o pagamento de impostos em diversas situações, como licitações, contratos com o poder público e outras transações. 139 Capítulo 3 Figura 15. Documentos fiscais Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem trajando terno preto segurando um celular e em uma mão; na outra, há uma caneta e uma folha. À frente, há um notebook e vários relatórios com gráficos. A certidão de regularidade fiscal assegura que o contribuinte está em dia com seus débitos junto aos órgãos públicos. Emitida pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional e pela Receita Federal, é exigida para garantir a segurança nas relações jurídicas, como participação em licitações, obtenção de licenças, solicitação de créditos em bancos públicos e celebração de con- tratos com entidades da administração pública. Existem diferentes tipos de certidões para atender às exigências de cada esfera governamental. Certidão de regularidade fiscal para pessoas físicas Atenta aos débitos de um indivíduo perante órgãos públicos. 140 Capítulo 3 Certidão de débitos relativos a créditos tributários federaise à dívida ativa da União Destinada a pessoas físicas ou jurídicas para comprovar débitos junto à União e tributos devidos a ela. Certidão negativa de débito estadual Comprova a regularidade em impostos estaduais, variando conforme a Unida- de da Federação. Certidão de débitos mobiliários municipal Atesta a quitação de dívidas com o município, incluindo impostos sobre patri- mônio e serviços. Certidão de regularidade do FGTS Garante a regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Essas certidões podem ser de três tipos: Negativa de Débito, Positiva (com ou sem efeitos de negativa), cada uma refletindo a situação dos dé- bitos do contribuinte. Para emitir uma certidão de regularidade fiscal, o contribuinte deve acessar o site da Receita Federal, informar o CPF ou CNPJ, selecionar o tipo de pesquisa desejada e o período a ser certificado, e então emitir a segunda via, disponibilizada em formato PDF. Exemplos mostrados nas figuras 16 e 17. 141 Capítulo 3 Figura 16. Certidão de débitos Fonte: Receita Federal (2023). #ParaTodosVerem: imagem da página do site da receita federal mostrando o formulário para certi- dão de débitos relativos a créditos tributários federais e à dívida ativa da União para Pessoa Jurídica. Figura 17. Consulta Certidão de débitos Fonte: Receita Federal (2023). #ParaTodosVerem: imagem da página do site da receita federal mostrando a relação de certidões de débitos emitidas. Portanto, garantir a regularidade fiscal é crucial para participar de pro- cessos licitatórios, contratos públicos e outras transações, sendo essencial que as empresas, independentemente do porte, estejam em conformidade com suas obrigações junto aos órgãos fiscais. 142 Capítulo 3 Figura 18. Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União Fonte: Receita Federal (2023). #ParaTodosVerem: imagem da página do site da receita federal mostrando o formulário para certidão de débitos relativos a créditos tributários federais e à dívida ativa da União. Figura 19. Consulta Regularidade do Empregador Fonte: Caixa (2023). #ParaTodosVerem: imagem da página do site da Caixa Econômica Federal mostrando a consulta de regularidade do empregador. 143 Capítulo 3 Figura 20. Emissão da Certidão de Regularidade Fiscal – Estadual – RJ Fonte: Fazenda-RJ (2023). #ParaTodosVerem: imagem da página do site do Estado do Rio de Janeiro mostrando o formulá- rio para emissão de certidão de regularidade fiscal. 144 O Planejamento Tributário constitui um estudo preventivo, realizado antes da concretização de um evento administrativo, a fim de analisar seus efeitos jurídicos e econômicos, bem como identificar alternativas legais me- nos onerosas. É imprescindível que o planejador possua um senso de equi- líbrio e racionalidade ao buscar soluções. Alternativas viáveis para grandes corporações podem ser excessivamente dispendiosas para empresas de médio e pequeno porte, devido aos custos associados às operações neces- sárias para implementar tais estratégias. Avaliar criteriosamente a relação custo/benefício é essencial. Não há fórmulas mágicas no planejamento tributário; existem apenas opções, cujas viabilidades variam amplamente conforme os valores envolvidos, o contexto temporal, geográfico, entre outros fatores. Ao analisar alternati- vas e brechas na legislação, nota-se que o fisco tem buscado eliminá-las ao longo dos anos, por meio de sucessivas alterações nas leis. No entanto, a globalização e a abertura econômica, juntamente com a formação de mercados regionais como o Mercosul, têm promovido mudan- ças rápidas, criando novas oportunidades e brechas na legislação, as quais geralmente são mais lentas para se adaptar à dinâmica dos acontecimen- tos econômicos. O Planejamento Tributário preventivo, realizado antes da ocorrência do fato gerador do tributo, busca a elisão fiscal, isto é, a redução da carga tributária de acordo com a legalidade vigente. É importante ressaltar que um planejamento inadequado pode resultar em evasão fiscal, caracterizada pela redução da carga tributária através do descumprimento das disposições legais, enquadrando-se como cri- me de sonegação fiscal (Lei nº 8.137/90). 33. PLANEJAMENTO FISCAL 145 Capítulo 3 Além das diversas atribuições que recaem sobre os ombros do conta- dor, desempenhar o papel de gestor tributário lhe concede uma oportuni- dade ímpar de contribuir significativamente para a alta direção da empresa. Enquanto debatemos a necessidade urgente de mudanças em nosso siste- ma tributário e a implementação de novos mecanismos para simplificar as rotinas fiscais, as empresas buscam cada vez mais um planejamento tribu- tário criterioso e inovador. Diante de uma economia globalizada e instável, em que a redução de custos é uma estratégia amplamente adotada, destaca-se o planejamento tributário como uma ferramenta de relevância ímpar. Em um contexto brasi- leiro com altas taxas de tributação, é essencial que as empresas encontrem maneiras de racionalizar seus custos tributários sem violar as complexas legislações tributárias vigentes. O planejamento tributário consiste em um estudo prévio minucioso dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos das decisões gerenciais, visando encontrar alternativas legais menos onerosas para os contribuintes. Esse processo não apenas busca reduzir a carga fiscal, mas demanda um ele- vado conhecimento técnico e discernimento por parte dos tomadores de decisão no ambiente corporativo. Saiba Mais Veja nas reportagens a seguir maneiras de redu- ção com o Planejamento Tributário. 1. O que é Planejamento tributário? Veja Como fazer e Confira o Passo a Passo Aqui. 2. O Planejamento Tributário e a Elisão Fiscal. É fundamental aplicar estratégias de planejamento tributário em todas as etapas da cadeia de valor do ciclo produtivo e comercial. Isso permite que as empresas atuem em conformidade com as leis tributárias, otimizan- do seus processos e protegendo seu patrimônio. Com isso, o planejamento tributário não apenas visa a redução dos encargos fiscais, mas também se mostra como uma ferramenta estratégica para empresas que buscam uma gestão tributária eficiente, responsável e alinhada às exigências legais vi- gentes (Latorraca, 2000). https://encurtador.com.br/acqrD https://bit.ly/3Jx9sqV 146 Capítulo 3 Figura 21. Reunião de equipe Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um cenário de uma sala de reunião com cinco pessoas sen- tadas ao redor da mesa a sua frente uma mulher jovem mostra gráficos em formato de colunas na tela da televisão. Geralmente, é descrito como Planejamento Tributário a atividade empresarial que se desenvolve de maneira preventiva, antecipando e deli- neando os eventos administrativos para determinar os encargos tributários inerentes a cada uma das alternativas legais disponíveis. Em essência, o objetivo central do planejamento tributário é alcançar a economia fiscal. Ao comparar diversas alternativas legais, os gestores procuram direcionar suas ações de forma a evitar, sempre que viável, os caminhos mais dispen- diosos do ponto de vista fiscal. A essência do Planejamento Fiscal, também conhecido como tributá- rio, consiste em organizar as atividades econômicas e comerciais de uma empresa por meio do uso de estruturas e formas jurídicas. Essas estraté- gias têm o objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador do tributo ou de postergar sua concretização para um momento ou condições mais favo- ráveis. Esse é um comportamento técnico-funcional adotado no âmbito dos negócios, buscando eliminar, diminuir ou retardar os encargos tributários correspondentes (Borges, 2003). O planejamento tributário envolve a análise das opções legais para formalizar uma operação específica antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu propósito é permitir que o contribuinte opte pela 147 Capítulo 3 alternativa que acarrete o menor ônus tributário. É crucial destacar que pla- nejamento tributárionão se assemelha à sonegação fiscal. Planejar, nesse contexto, é a escolha entre opções legais para encontrar aquela que resulte no menor imposto a ser pago. Por outro lado, sonegar envolve o uso de métodos ilegais, como fraude, simulação, dissimulação, entre outros, para evitar o pagamento do tributo devido. Figura 22. Reunião de negócios Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um cenário de uma sala de reunião com cinco pessoas sentadas ao redor da mesa; à frente, um homem mostra gráficos em formato de pizza na tela de uma televisão. Além disso, considera-se sonegação qualquer ação intencional ou omissão deliberada com o propósito de impedir ou atrasar, parcial ou in- tegralmente, o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do evento que gera a obrigação tributária principal. Independentemente da escolha da forma de tributação pela empre- sa, é evidente que a ausência de um planejamento estratégico tributário pode deixar a organização despreparada para investimentos futuros. Isso pode acarretar uma possível escassez de recursos financeiros, re- sultando em pressões financeiras indesejadas para cobrir gastos não 148 Capítulo 3 previstos. Para garantir a adequada condução das atividades ineren- tes ao planejamento tributário, o contador, desempenhando o papel de gestor tributário, precisa empregar seu amplo conhecimento sobre a legislação tributária pertinente, permitindo antecipar e planejar com antecedência as melhores alternativas para a execução das operações comerciais da empresa. O principal objetivo de um planejamento tributário eficaz é, sem dú- vida, a redução dos encargos fiscais, sem infringir as disposições legais vi- gentes. Esse conceito reflete a ideia de taxa saving, amplamente praticada nos Estados Unidos. A aplicação de um planejamento tributário estratégico não apenas contribui para uma melhor saúde financeira da empresa, mas também proporciona maior previsibilidade e viabilidade para seus investi- mentos futuros. Segundo Oliveira (2015, p. 24), o contador precisa saber com profundidade: • Conhecer todas as situações em que é possível o crédito tributário, principalmente com relação aos chamados impostos não cumulati- vos – ICMS e IPI – além das contribuições para o PIS e a COFINS; • Conhecer todas as situações em que é possível o diferimento (pos- tergação) dos recolhimentos dos impostos, permitindo melhor ge- renciamento do fluxo de caixa; • Conhecer todas as despesas e provisões permitidas pelo fisco como dedutíveis no cálculo do lucro tributável; • Ser oportuno e aproveitar as lacunas deixadas pela legislação, para tanto ficando atento às mudanças nas normas e aos impactos nos resultados da empresa, observando criteriosamente as atividades desenvolvidas; • Identificar todos os incentivos e benefícios fiscais concedidos pelos governos federal, estadual e municipal. 149 Capítulo 3 Figura 23. Reunião de empresários Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um cenário de uma sala de reunião com três pessoas sen- tadas ao redor da mesa; à sua frente, um homem mostra gráficos em formato de colunas na tela de uma televisão. De acordo com os princípios tributários, a vontade das partes não pode ser modificada após a ocorrência do fato gerador. No entanto, é possível que o contribuinte antecipe o momento do fato gerador e comece a plane- já-lo, buscando otimizar a economia de impostos. Ao adotar essa prática, o contribuinte tem a vantagem de escolher entre as opções legais disponíveis aquelas que mais se adequam às suas necessidades. O fato gerador representa a obrigação tributária principal, destinada ao pagamento do tributo. Trata-se de uma situação definida em lei que, uma vez concretizada no tempo e no espaço, implica na transferência ju- rídica, para o Estado, da titularidade de uma determinada quantia. Nesse momento, o indivíduo responsável pelo ato previsto em lei deixa de ser o titular desse valor. 150 Capítulo 3 No contexto de um planejamento tributário estratégico, a empresa passa a agir de forma preventiva, antecipando e delineando claramente os eventos administrativos. Esse procedimento busca tornar transparentes para todos os envolvidos os ônus tributários em cada uma das opções le- gais disponíveis. O objetivo principal do planejamento tributário estratégico é buscar a economia tributária, respeitando as diferentes formas da legisla- ção fiscal, evitando perdas desnecessárias para a organização. Mesmo operações de planejamento tributário realizadas de maneira legí- tima e legal estão sendo questionadas pelas autoridades fiscais. Essas, muitas vezes, optam por desconsiderar tais operações, utilizando justificativas sub- jetivas para alegar redução de tributos. Isso resulta na cobrança dos tributos acrescidos de multas, podendo, inclusive, desencadear processos penais. Algumas das operações que têm sido minuciosamente investigadas pelo fisco incluem: a) Apuração de ágio e sua utilização fiscal, bem como contratos cujo valor pago supera o preço de mercado; b) Incorporação de empresa lucrativa por empresa deficitária (incor- poração inversa); c) Dedução de despesas com juros decorrentes de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, coligadas ou controladas; d) Optar por realizar empréstimos ao invés de aumentar o capital; e) Práticas conhecidas como “casa e separa”, utilizadas na aquisição de ações com posterior venda imediata; f) Compensação de créditos e prejuízos fiscais; g) Ausência de causa e/ou propósito negocial claro por trás da operação; É essencial ressaltar que não se caracteriza como planejamento qual- quer procedimento ilícito, o que configura evasão fiscal. Além de preju- dicar as finanças públicas, essas práticas distorcem a concorrência entre empresas, proporcionando vantagens a alguns em detrimento daqueles que cumprem suas obrigações tributárias. 151 Capítulo 3 h) Visualização pela fiscalização de operações separadas como etapas de um mesmo planejamento tributário; i) Responsabilização e direcionamento da fiscalização para pessoas físicas, de sócios e/ou administradores. Além dessas operações, outros aspectos também chamam a atenção das autoridades quando se busca redução tributária: a) Falta de justificativa extra tributária ou fundamentação econômica; b) Sequência de operações; c) Operações realizadas e desfeitas em curto espaço de tempo; d) Inatividade da sociedade por parte de alguns sócios; e) Comportamentos de gestão fora do comum; f) Indícios de que a operação não reflete a realidade dos fatos; g) Despesas consideradas indedutíveis de acordo com interpretação subjetiva do caso. Por essa razão, é crucial que os profissionais encarregados da estraté- gia tributária na empresa estejam atentos e preparados para elaborar todas as operações de forma preventiva, visando evitar futuras implicações tanto no âmbito societário quanto fiscal. É essencial que considerem sempre a responsabilidade dos administradores e da empresa diante do mercado, uma vez que irregularidades fiscais podem resultar em responsabilização não somente da pessoa jurídica, mas também dos sócios, administradores e dirigentes. Destacamos, por fim, que todas as medidas preventivas devem ser acompanhadas e implementadas desde o início da concepção das opera- ções e realização dos negócios. Isso visa garantir que as alternativas con- siderem todas as possibilidades viáveis e evitem ser posteriormente des- consideradas ou interpretadas como realizadas unicamente para reduzir o pagamento de tributos. Para garantir o pleno aproveitamento de todas as formas legais de planejamento tributário, é fundamental que o contribuinte conte com uma equipe especializada. Essa equipe deve ser capaz de realizar o planejamento 152 Capítulo 3 tributário sem distorcer, alterar ou ocultar obrigações quando o fato gera- dor assim o exigir. Elisão e evasão fiscal são conceitos cruciais dentro do sistema tributá- rio, que tem como função primordial(prejuízo). Esse processo é realizado por meio da escrituração contábil. Figura 3. Lucro ou prejuízo Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a figura mostra quatro pilhas de moedas na cor dourada que vão diminuindo de tamanho da direita para a esquerda, sobre as pilhas de moedas uma seta verde que vem reta da direita para a esquerda e em cima da terceira pilha de moedas ela desce. 13 Capítulo 1 A determinação das bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para atender às obrigações fiscais é conduzida fora do âmbito da contabilidade, especificamente no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), atualmente elaborado de forma eletrônica. Uma vez determinados os valores das pro- visões destinadas ao pagamento do IRPJ e da CSLL, eles são registrados na contabilidade, reduzindo-os do resultado econômico (contábil). 1.1.2 Método da Contabilidade Tributária O método empregado na Contabilidade Tributária compreende essencialmente: a) Um planejamento tributário adequado, exigindo conhecimento de- talhado da legislação tributária; b) Utilização de relatórios contábeis eficientes para evidenciar a exata condição das contas patrimoniais e dos resultados, demandando compreensão sólida em contabilidade; c) Controle meticuloso das despesas não dedutíveis e das receitas não tributáveis, temporárias ou definitivas, visando calcular a base de incidência dos tributos. • Estratégia de planejamento tributário O planejamento tributário é conduzido de forma preventiva, anteci- pando-se aos eventos administrativos para examinar seus desdobramen- tos jurídicos e econômicos, buscando alternativas legais menos onerosas. Esse procedimento é conhecido como Planejamento Tributário e, primor- dialmente, demanda discernimento do planejador para avaliar as opções disponíveis. 14 Capítulo 1 Figura 4. Planejamento Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma pessoa digitando em um notebook com um calendário na tela ao lado uma tela de computador mostrando vários arquivos, na mesa ao lado do notebook tem uma xícara, atrás da xícara tem um robozinho verde ao lado de uma planta no vaso, do outro lado do notebook um headphone preto. Para grandes corporações, há alternativas legais viáveis que podem ser inviáveis para médias e pequenas empresas, dadas as operações complexas e seus custos associados necessários para a implementação dessas estra- tégias de planejamento tributário. A avaliação da relação custo/benefício é de suma importância. O planejamento tributário não é uma fórmula mágica; trata-se, na verdade, de explorar alternativas que variam consideravelmente em termos de custo/benefício, dependendo dos montantes envolvidos, do momento, do contexto local e outros fatores relevantes. Um marco significativo na literatura sobre planejamento tributário é o livro Legislação Tributária: Uma Introdução ao Planejamento Tributário, de autoria do saudoso Nilton Latorraca, publicado inicialmente pela editora Atlas em 1971. Esse trabalho, de grande mérito, teve várias edições, com o autor posteriormente renomeando-o como Direito Tributário: Imposto de Renda das Empresas, sendo altamente recomendado para leitura. Ao analisar as alternativas e brechas na legislação, observa-se que, ao longo dos anos, o Fisco tem buscado eliminar essas oportunidades por meio de sucessivas alterações nas leis. No entanto, o cenário da globalização, com abertura de mercados regionais (como o Mercosul), induz mudanças extremamente dinâmicas que podem criar novas oportunidades e falhas na legislação, sempre se movendo mais rapidamente do que as adaptações legislativas frente à dinâmica dos fatos econômicos. 15 Capítulo 1 A abordagem preventiva do planejamento tributário, realizada antes da ocorrência do fato gerador do tributo, visa à elisão fiscal, ou seja, à re- dução da carga tributária nos limites legais. No entanto, um planejamen- to inadequado pode levar à evasão fiscal, caracterizada pela redução dos impostos de maneira contrária às normas legais, sendo classificada como crime de sonegação fiscal conforme a Lei nº 8.137/90. • Planejamento contábil: a importância dos registros precisos A precisão e a eficácia dos registros contábeis são elementos cruciais para embasar o planejamento estratégico de uma administração. A conta- bilidade, entre suas diversas finalidades, funciona como uma ferramenta gerencial primordial para embasar as decisões. Nesse sentido, é vital que a contabilidade esteja constantemente atualizada, gerando relatórios claros e acessíveis para os gestores. Figura 5. Educação e Economia Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma calculadora ao lado de um cofre em formato de porco na cor rosa em cima de folhas com desenhos de gráficos em formato de pizza e em formato de gráfico de colunas. A contabilidade desempenha uma gama diversificada de funções vitais para a administração empresarial: • Registro de eventos administrativos para manter um histórico preciso; • Demonstração e monitoramento das mudanças no patrimônio; • Utilização como evidência em disputas legais; 16 Capítulo 1 • Fornecimento de subsídios para análise das contas pela diretoria ou acionistas (direção); • Confirmação da conformidade com a legislação tributária perante as autoridades fiscais (fiscal); • Provisão de dados pertinentes para a tomada de decisões estraté- gicas (gestão); • Lidar com as crescentes obrigações acessórias impostas pela legis- lação tributária, acarretando custos administrativos significativos. Ademais, é crucial apresentar com precisão o valor justo dos ativos e passivos da empresa, assim como sua capacidade de gerar benefícios eco- nômicos futuros, especialmente ao elaborar as demonstrações contábeis. Assim, para um planejamento contábil eficaz, é essencial adotar tecnologias modernas que atendam às necessidades específicas da empresa e estejam alinhadas com sua capacidade financeira. O foco central dessa função é prover informações cruciais para uma gestão eficaz do negócio, permitindo decisões assertivas. Figura 6. Eficiência e eficácia Fonte: Freepik (2024). #Paratodosverem: a figura de um alvo em preto e branco com o centro vermelho, com dardos vermelhos e amarelos cravados nos números oito, nove e no centro. É importante ressaltar a distinção entre eficiência, relacionada a reali- zar algo de forma adequada, e eficácia, que se concentra em fazer o que precisa ser feito da melhor maneira possível e no momento oportuno. 17 Capítulo 1 • Controle O cálculo do Imposto de Renda pelo Lucro Real demanda controles eficazes das despesas e receitas. Esses controles não apenas garantem o registro preciso dos eventos contábeis, revelando o real desempenho da empresa, mas também permitem a identificação e gestão das despesas não dedutíveis e receitas não tributáveis. Essa precisão é essencial para a corre- ta apuração do Lucro Real. Além disso, surge a relevante questão da tributação dos resultados obtidos no exterior e da definição dos critérios utilizados para estabelecer os preços de transferência, distribuição de dividendos/juros sobre o capital próprio e os pagamentos de royalties. Conceito Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações perten- centes a uma entidade. No entanto, em conformidade com a nova estrutura conceitual contábil, para que seja reconhecido como um elemento do patrimônio, deve ter a condição de trazer bene- fícios econômicos para a empresa, no presente ou no futuro. Um dos princípios fundamentais na contabilidade é o da entidade, que estipula a separação entre a pessoa jurídica e seu patrimônio em rela- ção às pessoas físicas ou jurídicas de seus proprietários, assim como seus respectivos patrimônios individuais. Para ilustrar esse princípio, considere duas pessoas físicas (J e B) que decidem empreender no comércio, esta- belecendo uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada. Cada uma delas investetransferir recursos do setor privado para o público, viabilizando as ações do estado. No contexto das possibi- lidades legais de estruturar uma operação, o contribuinte deve optar pela maneira menos onerosa, característica fundamental para um bom planeja- mento tributário. A obrigação do contribuinte é pagar os tributos conforme a lei vigente. Porém, a legislação tributária frequentemente requer uma interpretação minuciosa para ser corretamente aplicada às atividades empresariais. Nesse sentido, a elisão fiscal representa um recurso usado pelos contribuintes para alcançar uma carga tributária menor. Consiste em atos ou negócios jurídicos reais, verdadeiros, sem vícios no suporte fático ou na manifesta- ção de vontade, lícitos e aceitos pelo sistema jurídico brasileiro. A elisão fiscal, se realizada de forma adequada, pode contribuir para a redução da carga tributária. Pressupõe a licitude do comportamento do contribuinte, sendo uma maneira honesta de evitar a submissão a uma situação tributá- ria desfavorável. É importante diferenciar a elisão fiscal da evasão fiscal. Na evasão fiscal, são utilizados meios ilegais para descaracterizar o fato gerador do tributo. O contribuinte busca, antes ou depois da submissão a uma situação tributá- ria desfavorável, maneiras fraudulentas de mascarar seu comportamento. A distinção entre evasão e elisão está no momento em que se pratica o ato ou a omissão. Se o ato é realizado após a ocorrência do fato gerador, caracteriza-se como evasão fiscal. Por outro lado, se o ato ou a omissão são realizados antes da ocorrência do fato gerador, está-se diante de elisão ou planejamento tributário. A distinção entre fraude e elisão baseia-se no caráter lícito ou ilícito dos atos praticados. Na fraude à lei, há ato ilícito violador de um bem ético fundamental previsto em norma. Exemplos de atos ilícitos (evasão fiscal) incluem omitir informações ou prestar declarações falsas às autoridades fazendárias, falsificar ou alterar documentos fiscais, entre outros. 153 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Contabilidade Fiscal Estratégica é uma área essencial para a gestão tributária das organizações, compreendendo três seções fundamentais: Operações Especiais Fiscais, Regularidade Fiscal do Contribuinte e Planejamento Fiscal. Cada seção desempenha um papel crucial na estratégia fiscal de uma empresa, contribuindo para a conformidade com a legislação e a maximização dos resul- tados financeiros. Nas operações especiais estratégicas, esse segmento aborda as particularidades e complexidades das operações fiscais especiais. A análise minuciosa dessas operações é fundamental para com- preender os mecanismos tributários excepcionais, como fusões, aquisições, incorporações, entre outros processos. O entendimento detalhado dessas operações possibilita a otimização da estrutura tributária e a redução de passivos fiscais, quando realizadas de acordo com a legislação vigente. Já na regularidade fiscal do contribuinte, manter a regularidade fiscal é um pilar central da sustentabilidade empresarial. A seção de- dicada à regularidade fiscal aborda a importância de estar em con- formidade com todas as obrigações tributárias, assegurando que a empresa esteja em dia com os pagamentos de impostos, evitando multas, autuações e outras penalidades. A obtenção de certidões negativas e a comprovação de regularidade fiscal são essenciais para participar de licitações, celebrar contratos e obter créditos jun- to a instituições financeiras. E o planejamento fiscal representa a estratégia proativa para minimizar a carga tributária de uma empresa, por meio da utili- zação de alternativas legais. Essa seção destaca a importância de 154 Capítulo 3 um planejamento tributário eficaz, que envolve a identificação de oportunidades de economia tributária, considerando diferentes ce- nários e estruturas empresariais. O planejamento fiscal é uma fer- ramenta valiosa para a gestão financeira, pois possibilita escolhas inteligentes e legais que visam à redução de custos fiscais. A Contabilidade Fiscal Estratégica desempenha um papel fun- damental na gestão financeira das organizações, garantindo sua competitividade no mercado. Por meio da compreensão e aplicação das operações especiais fiscais, da busca pela regularidade fiscal do contribuinte e da implementação de um planejamento tributário eficaz, as empresas podem não apenas cumprir suas obrigações legais, mas também otimizar sua estrutura tributária, garantindo maior eficiência financeira e, consequentemente, alcançando seus objetivos estratégicos no cenário empresarial. 155 ATIVIDADES DE ESTUDO 1. O que é a Difal (diferencial de alíquota) no contexto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)? a. Uma alíquota aplicada sobre produtos industrializados. b. Um mecanismo que equilibra a carga tributária entre estados em operações interestaduais. c. Um imposto estadual cobrado sobre serviços de transporte intermunicipal. d. Uma contribuição federal sobre o faturamento das empresas. 2. Qual é a importância da Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União? a. Comprovar a inexistência de débitos fiscais junto aos órgãos públicos. b. Atestar a regularidade em tributos devidos à União. c. Garantir a regularidade em impostos estaduais. d. Permitir a obtenção de créditos em instituições financeiras privadas. 3. O que é elisão fiscal? a. É um procedimento legalmente autorizado para reduzir a carga tributária. b. É uma forma de evasão fiscal que busca mascarar comportamentos de forma fraudulenta. c. É o ato praticado posteriormente à ocorrência do fato gerador, ca- racterizando uma evasão fiscal. d. Refere-se à omissão de informações às autoridades fiscais. 156 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. C. Contabilidade Societária. 3. ed. [S. l.]: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/books/9788597017007. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 9.718. de 27 de novembro de 1998. Altera a Legislação Tributária Federal. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: http://www.pla- nalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718compilada.htm. Acesso em: 11 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 8.137, de 27 d dezembro de 1990. Define crimes contra a or- dem tributária, econômica e contra as relações de consumo, e dá outras provi- dências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8137.htm. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a não-cu- mulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/leis/2002/l10637.htm. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833. htm. Acesso em: 12 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 10.898, de 08 de janeiro de 2009. Institui o Regime de Tributação Unificada – RTU na importação, por via terrestre, de mercadorias https://app.minhabiblioteca.com.br/books/9788597017007 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9718compilada.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8137.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8137.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10637.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm 157 Capítulo 3 procedentes do Paraguai; e altera as Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Brasília: Presidência da República, 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/ lei/L11898.htm. Acesso em: 10 dez. 2023. BRASIL. Decreto nº 7212, de 15 de junho de 2010. Regulamenta a cobran- ça, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Brasília: Presidência da República, 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm. Acesso em: 08 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Tabela 4.3.14: tabela operações com isenção da contribuição social (CST 07). Brasília: MF, 2013. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/arquivo/ show/1616. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Tabela 4.3.10: tabela produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas: Incidência Monofásica e por pautas (bebidas frias) (CST 02 e 04). Brasília: MF, 2018. Disponível em: http://sped.rfb. gov.br/arquivo/show/1638. Acesso em: 14 dez. 2023. BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa nº 1.911, de 11 de outubro de 2019. Regulamenta a apura- ção, a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e a administração da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação. Diário Oficial da União, Brasília, ed. 200, seção 1, p. 27. BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Tabela 4.3.13: tabela produtos sujeitos à alíquota zero da contribuição social (CST 06). Brasília: MF, 2020. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/arqui- vo/show/1643. Acesso em: 14 dez. 2023. BORGES, H. B. Auditoria de tributos: IPI, ICMS e ISS. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003 FABRETTI, C. L. Contabilidade Tributária. 16. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2016. LATORRACA, N. Direito tributário: Imposto de Renda das empresas. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2000. OLIVEIRA, L. M. D. Manual de Contabilidade Tributária: textos e testes com respostas. 14. ed. [S. l.]: Grupo GEN, 2015. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/L11898.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/L11898.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/1616 http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/1616 http://gov.br/arquivo/show/1638 http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/1643 http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/1643 158 CAPÍTULO 1 Questão 1 c) Registrar e controlar informações relacionadas a tributos. Questão 2 c) Multas e penalidades legais. Questão 3 b) Reduzem a complexidade das obrigações fiscais. CAPÍTULO 2 Questão 1 c) Padronizar relatórios contábeis. Questão 2 b) Declarar dados contábeis e econômicos das empresas. Questão 3 a) Utilizando alíquotas fixas sobre o faturamento mensal. GABARITO GERAL 159 Gabarito Geral CAPÍTULO 3 Questão 1 b) Um mecanismo que equilibra a carga tributária entre estados em opera- ções interestaduais. Questão 2 b) Atestar a regularidade em tributos devidos à União Questão 3 a) É um procedimento legalmente autorizado para reduzir a carga tributária. Capítulo 1 FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE FISCAL Capítulo 2 CONTABILIDADE FISCAL AVANÇADA Capítulo 3 CONTABILIDADE FISCAL ESTRATÉGICAuma parte de seu patrimônio pessoal para integralizar o capital da nova entidade. Esse investimento inicial pode ocorrer por meio de dinheiro (em es- pécie) ou mediante a contribuição de outros bens e direitos, como veícu- los ou máquinas, por exemplo. A partir desse momento, os bens e direi- tos aportados na sociedade se tornam exclusivos da entidade. Enquanto isso, no patrimônio pessoal de cada sócio, constarão suas respectivas quotas de capital na sociedade e demais bens e direitos não investidos no negócio. O princípio da entidade não apenas é um princípio contábil fundamen- tal, mas também é considerado na legislação tributária. As entidades podem se classificar em direito privado (firmas individuais, sociedades, associações, 18 Capítulo 1 fundações etc.) e de direito público (União, Estados, Municípios, autarquias como o INSS, empresas públicas como a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT, entre outras). a) Reconhecimento do ativo no Balanço Patrimonial O ativo deve ser incluído no Balanço Patrimonial quando existir uma provável condição para gerar benefícios econômicos futuros e seu custo ou valor justo puder ser determinado de maneira confiável. Caso contrário, deve ser registrado como despesa no resultado. Figura 7. Balanço Patrimonial Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a figura mostra uma balança cinza com livros de uma lado e moedas do outro, ambos os lados estão na mesma direção. b) Reconhecimento de passivos no Balanço Patrimonial Os passivos devem ser registrados no Balanço Patrimonial quando existir uma expectativa provável de que haverá saída de recursos para a quitação de uma obrigação presente e for possível estimar com confiabi- lidade o valor dessa liquidação. Seguindo as novas premissas contábeis, a quitação desses passivos deve resultar em benefícios econômicos futuros. 19 Capítulo 1 c) Patrimônio Líquido O Patrimônio Líquido representa o aporte inicial de capital na entidade e suas variações. Quando positivas, essas variações representam lucros; quando negativas, prejuízos. Em algumas instituições, os termos utilizados para demonstrar essa diferença podem ser Ganhos ou Perdas, Sobras ou Perdas, ou ainda Superavit, ou Déficit, dependendo da estrutura jurídica. De maneira resumida, o Patrimônio Líquido reflete a trajetória de êxito ou fracasso da entidade, partindo de um capital inicial e acumulando lucros ou prejuízos ao longo do tempo. É importante destacar que o Patrimônio Líquido não se configura como um passivo; ele representa a diferença positi- va entre o total do ativo (bens e direitos) e o valor real do passivo (obrigações). Embora essa diferença seja apresentada no lado dos passivos, é ape- nas para compor a equação contábil de débito e crédito. A equação patri- monial fundamental é: Ativo (bens/direitos) – Passivo Real (obrigações) = Patrimônio Líquido (CPC 00 - R2). Figura 8. Patrimônio líquido Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a figura mostra uma pilha de moedas douradas com um porquinho dourado em cima de uma delas atrás da pilha, uma seta dourada em zigue-zague com uma pequena coroa em cima da ponta da seta. 20 Capítulo 1 • Mutações patrimoniais Os atos e fatos administrativos: os negócios das empresas são efetuados por meio de atos e fatos administrativos. Para efeito contábil, consideram-se atos administrativos os que, embora necessários e visam a resultados, não provocam de imediato alteração na composição do patrimônio. São exem- plos de atos administrativos: nomeação de diretores, conselheiros, corres- pondências, elaboração de planos de marketing, de vendas, exigência de uso de uniforme ou vestuários não fornecidos pelas empresas etc. Figura 9. Fatos administrativos Fonte: Freepik (2024). #ParaTodosVerem: a figura mostra uma mulher olhando uma pilha de papéis que estão sobre a mesa. São considerados fatos administrativos aqueles que, quando pratica- dos, importam numa alteração (mutação) imediata do patrimônio da entidade, ou seja, quando alteram a quantidade de bens, direitos ou obrigações das empresas, ou ainda geram receitas, ou despesas. 21 Capítulo 1 a) Fatos permutativos São aqueles que alteram a estrutura do patrimônio sem, contudo, alte- rar seu patrimônio líquido. Apenas permutam, naquele momento, valores patrimoniais. Tome-se o seguinte exemplo no Quadro 1: uma empresa ini- cia sua atividade com 1.000 em dinheiro. Quadro 1. Atividade de início da empresa Ativo Passivo + Patrimônio Líquido Bens – Caixa $ 1.000 Patrimônio Líquido Capital Inicial $ 1.000 Total Ativo $ 1.000 Total Passivo $ 1.000 Fonte: Elaborado pela autora (2023). Em seguida, essa empresa compra 300 de mercadoria a prazo. Quadro 2. Atividade de compras da empresa Ativo Passivo + Patrimônio Líquido Bens Obrigações – Caixa $ 1.000 – Fornecedores $ 300 Mercadorias $ 300 Patrimônio Líquido Capital Inicial $ 1.000 Total Ativo $ 1.300 Total Passivo $ 1.300 Fonte: Elaborado pela autora (2023). 22 Capítulo 1 b) Fatos modificativos São os que, quando praticados, modificam o patrimônio líquido, para mais (aumentativo) ou para menos (diminutivo). São aqueles em que há uma entrada de valor no patrimônio sem que saia outro para compensá- -lo. Logo, representa um acréscimo no patrimônio líquido. Exemplifique-se com os juros de uma aplicação financeira da seguinte forma: aplicam-se R$ 500 em RDB e, após um mês, são recebidos R$ 20 de juros. Retornando ao exemplo. • Aplicação (fato permutativo) de 500. Quadro 3. Atividade de aplicação da empresa Ativo Passivo + Patrimônio Líquido Bens Obrigações Caixa $ 500 – Fornecedores $ 300 Bancos $ 500 Mercadorias $ 300 Patrimônio Líquido Capital Inicial $ 1.000 Total Ativo $ 1.300 Total Passivo $ 1.300 Fonte: Elaborado pela autora (2023). • Pelo recebimento dos juros (fato modificativo aumentativo). 23 Capítulo 1 Quadro 4. Atividade de recebimento de juros da empresa Ativo Passivo + Patrimônio Líquido Bens Obrigações Caixa $ 500 – Fornecedores $ 300 Bancos $ 520 Mercadorias $ 300 Patrimônio Líquido Capital Inicial $ 1.000 Juros $ 20 Total Ativo $ 1.300 Total Passivo $ 1.300 Fonte: Elaborado pela autora (2023) c) Fatos mistos São aqueles que produzem, ao mesmo tempo, uma permuta e uma modi- ficação do Patrimônio Líquido, para mais ou para menos. Esses demonstrativos têm a finalidade didática de chamar a atenção do leitor para o fato de que, com meia dúzia de operações, as mutações produzidas no patrimônio, anotadas como foram, embora reflitam sua exata situação, ressaltam a necessidade de demonstrações financeiras mais simples de entender. Isso só é possível pelo registro dos fatos administrativos, por métodos apropriados, como serão de- monstrados nos próximos capítulos. São os métodos contábeis. 1.1.3 Regimes contábeis Denomina-se regime contábil a maneira de reconhecer o resultado das operações em razão do período em que foram efetuadas ou do pe- ríodo em que foram realizadas, ou seja, no mês do efetivo pagamento ou recebimento. 24 Capítulo 1 • Regime de caixa É aquele em que se consideram as receitas e despesas na data em que foram efetivamente realizadas (recebidas ou pagas). Figura 10. Regime de caixa Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra um homem sentado em frente a uma mesa, digitando em uma calculadora, com papel na outra mão, ao lado um notebook, sobre a mesa há vários papéis e uma caneta. • Regime de competência É aquele que determina que os resultados sejam reconhecidos (con- siderados) no mês da operação, independentemente de sua efetiva reali- zação (recebimento). Por exemplo: o faturamento das vendas a prazo para dezembro de 2013 deve ser considerado na Receita Bruta de Vendas desse mês, embora os vencimentos das duplicatas sejam para janeiro, fevereiro e março de 2014. No entanto, é importante ressaltar que as novas normas contábeis introduziram novos procedimentos para o reconhecimento da receita no resultado, nãopodendo ser utilizado unicamente o faturamento como preceito para realização da mesma. 25 Capítulo 1 É necessário ter atenção especial às empresas prestadoras de serviços e exerçam atividades no ramo da construção civil, afetadas significativamen- te por esse novo procedimento. O tratamento tributário para esses proce- dimentos, a princípio pelo RTT, não afetava a tributação. Para o exercício de 2013/2014 a Receita Federal vem se manifestando com relação a como as empresas devem proceder no que diz respeito a esses ajustes decorrentes das novas normas contábeis, inclusive estabelecendo procedimentos con- tábeis para que os lançamentos decorrentes das novas normas contábeis não impactem na determinação do Lucro Real. Importa ressaltar que essas manifestações devem atender ao princípio da legalidade em matéria tributária. Assim, a autoridade administrativa não poderá ultrapassar os limites legais estabelecendo exigências que impli- quem em aumento da carga tributária. 1.1.4 Princípios fundamentais da contabilidade São diretrizes lógicas que norteiam a escrituração e as demonstra- ções contábeis. Obedecidos aos princípios, pode-se comparar e analisar as demonstrações financeiras de diversos períodos, entidades, setores etc. Sem essa unidade lógica no trato da contabilidade, não haverá cer- teza de que se estão analisando elementos e valores do mesmo gênero e espécie. Os novos pronunciamentos contábeis são norteados por uma estrutura conceitual básica (CPC “00” R2), em que são estabelecidos os fundamentos da contabilidade. A nova estrutura conceitual não subdivide esses fundamentos em prin- cípios, convenções, pressupostos e características, mas engloba de forma parcial ou total esses fundamentos em sua estrutura. Sua versão imple- mentada no Brasil ainda não reflete a íntegra editada internacionalmente, estando passiva de complementação e revisão. Podemos evidenciar na úl- tima versão (CPC00 R2) que há previsão para elaboração do Capítulo 2, que abordará a “entidade que reporta a informação”. O pronunciamento estabelece diretrizes lógicas que norteiam os objeti- vos das demonstrações financeiras, define os usuários, estabelece a forma de escrituração e as demonstrações contábeis que devem ser elaboradas de for- ma obrigatória ou complementar. Obedecidos esses princípios, convenções, pressupostos, características e fundamentos presentes na estrutura concei- tual, presume-se a possibilidade de comparar e analisar as demonstrações financeiras de diversos períodos, entidades, setores etc. estabelecidos no Brasil, ou em quaisquer outros países que adotem as normas internacionais. 26 Capítulo 1 Ainda, cabe ressaltar que não se deve confundir a uniformidade na aplicação dos princípios, convenções, pressupostos e características com a manutenção ou aplicação de taxas, índices e outros, pelas empresas de forma igual (ou seja, pelo valor absoluto). Como exemplo, pode-se citar uma entidade do setor financeiro de varejo. Certamente sofrerá um desgaste diferente (maior) de seus computadores em função de sua obsolescência, uso e evolução tecnológica, do que eventualmente uma entidade do mes- mo setor que atue no atacado, ou que tenha portes diferentes, ou que atue em mercados diferentes. Dessa forma, certamente, suas taxas de depreciação serão necessa- riamente diferentes em valores absolutos (10%, 15%, 25% ou outra taxa) para expressar sua vida útil econômica, e consequentemente seu desgaste efetivo. Esse procedimento não distorce a uniformidade do critério, que é efetivamente a aplicação do conceito de vida útil econômica. A ideia de que a manutenção de taxas iguais (10% de depreciação) para ambas as instituições financeiras mantinha a uniformidade é uma visão equivocada de uniformidade. Assim, é necessário manter essa unidade lógi- ca no trato da contabilidade, para ter certeza de que estão sendo analisados elementos e valores do mesmo gênero e espécie. A seguir, relacionaremos os antigos princípios e convenções aos novos pressupostos e características contábeis já pronunciados. Identificamos também aqueles que não se cor- relacionam diretamente ou inovaram conceitualmente. 27 22. AS CODIFICAÇÕES DO DOCUMENTO FISCAL Algumas ferramentas contábeis utilizadas para produzir uma boa escri- turação contábil são indispensáveis instrumentos e métodos adequados. A correta codificação do documento fiscal desempenha um papel importante na escrituração contábil, sendo essencial para a organização e análise, que precisa das transações financeiras de uma empresa para garantir uma es- crituração contábil eficiente. Assim, é imperativo utilizar ferramentas contá- beis modernas e seguir métodos adequados. 2.1 LIVROS DE ESCRITURAÇÃO A legislação comercial e fiscal exige a escrituração dos atos e fatos ad- ministrativos da empresa em livros próprios. O Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), por meio da IN nº 107/08, dando continuidade ao processo de simplificação e modernização da escrita fiscal, veio permitir a validade de arquivamento de documentos e livros na forma eletrônica, desde que assinados com certificado da ICP-Brasil, atendendo, assim, ao projeto maior do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), inclusive incluindo nesse processo o Livro Diário e o Razão. 28 Capítulo 1 Figura 11. Documentos fiscais Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra papéis com relatórios sobre a mesa ao lado de uma calcu- ladora e duas canetas. A IN RFB nº 787/07 estabelece também a obrigatoriedade da Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e previdenciários, para as empresas que apuram seus impostos pelo lucro real, a partir de 2009. Para os demais regimes, a partir de 2014. A não apresentação dos arquivos escriturados está sujeita a multa de R$ 5.000,00 por mês ou fração. 2.1.1 Diário É o livro mais antigo, exigido como obrigatório pelo Código Comercial (Lei nº 556, de 1850) em seus arts. 11 e 12. No mesmo Diário, será lan- çado também, em resumo, o balanço geral (art. 10, IV), devendo aquele conter todas as verbas deste, apresentando cada verba a soma total das respectivas parcelas; e será assinado na mesma data do balanço geral. Note-se que, em decorrência do Código Comercial, escrituração mer- cantil ou comercial são sinônimos de escrituração contábil. São emprega- das nesse sentido também na legislação tributária. O novo Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, publicada no DOU de 11 de janeiro de 2002, revoga a Parte Primeira do Código Comercial, em que se encontravam as supracitadas normas sobre a escrituração e o livro Diário (art. 2.045). 29 Capítulo 1 De acordo com as leis em vigor, tanto os empresários individuais quan- to as empresas devem manter um sistema contábil regular, registrando suas operações e elaborando balanços anuais. Como é o caso das leis: Lei 10.406/2002 (Novo Código Civil), art. 1.179; Lei complementar 123/2006, art. 27; Resolução 10/2007 do Comitê Gestor Simples Nacional , art. 3º. Como citam, as microempresas e empresas de pequeno porte que optam pelo Simples Nacional têm a opção de adotar uma contabilidade simplificada, conforme regulamentação específica. Para as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, a apresentação da escrituração contábil dispensa a ne- cessidade de manter o livro caixa. O único caso em que a manutenção da contabilidade não é obrigatória é para o microempreendedor individual, desde que este tenha auferido receita bruta de até R$ 36.000,00 no ano-ca- lendário anterior e esteja optante pelo Simples Nacional. O microempreendedor individual é dispensado de várias obrigações contábeis, como apresentação de escrituração contábil, desde que faça a comprovação da receita bruta através do registro de vendas ou serviços prestados, conforme regulamentação específica. Figura 12. Livros e malhete de madeira Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra livros abertos sobre mesa de madeira, tendoà frente um martelo de juiz. 30 Capítulo 1 Introduziu no Livro II – Do Direito de Empresa – as normas sobre o empresário, as sociedades, o estabelecimento, o nome empresarial, os pro- postos (entre eles, o contabilista) e a escrituração. Transcrevem-se, a seguir, os artigos mais importantes do NCC para o propósito deste livro. Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uni- forme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico. [...] Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em bran- co, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviatu- ras, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracteri- zação do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não exce- dam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utili- zados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individuali- zado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado eco- nômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. 31 Capítulo 1 Dica de Leitura Para o leitor que desejar se aprofundar nessa matéria, recomenda-se o livro Direito de empresa no novo Código Civil, escrito por Fábio Ulhoa Coelho. O autor é um renomado jurista brasileiro, professor e autor de diversas obras na área do direito empresarial. O livro aborda temas relacionados ao direito de empresa à luz do Código Civil brasileiro. 2.1.2 Razão Tornou-se obrigatório pela legislação do IRPJ, a partir do ano-calendá- rio de 1992, por determinação das Leis 8.218/91, art. 14, e 8.383/91, art. 62, consolidada no art. 259 do RIR. Antes era facultativo. Na realidade, para o gerenciamento da contabilidade, é o livro principal, porque permite a visualização imediata da posição de cada elemento do pa- trimônio e de suas mutações. É um livro de ordem sistemática, classificado por contas e subcontas, com os respectivos débitos e créditos escriturados em ordem cronológica. Conceito Assim, o livro razão, na contabilidade, tem como função principal demonstrar a situação de cada conta e subconta e, secundaria- mente, os respectivos lançamentos em ordem cronológica. Figura 13. Lançamentos em ordem cronológica Fonte: Elaboração própria (2023). #ParaTodosVerem: figura com conta: 1º grau. Subconta: 2º grau. Despesas de vendas, comissões, propagandas, fretes e carretos. 32 Capítulo 1 Seu nome “Razão” (do italiano ragione) deriva de sua ordem lógica e sistemática que permite raciocinar (ragionare) sobre o estado de contas da entidade. Saiba Mais Frei Luca Pacioli é considerado o pai da contabili- dade. Na Itália, berço da contabilidade, o contador é denominado ragionieri (o que organiza a razão). Esse é o método das partidas dobradas. 2.1.3 Caixa É um livro facultativo em que é registrado o movimento financeiro da empresa. Se autenticado na forma que adiante se expor, passa a ter valor de livro auxiliar, e podem ser lançados, no livro Diário, os totais mensais do caixa, conforme disposto no art. 258, § 5º, do RIR. No entanto, tornou-se obrigatório para a pessoa jurídica que optar pelo lucro presumido a partir de 1º de janeiro de 1995, como dispõe o art. 45, parágrafo único, da Lei nº 8.981/95, bem como para as micro e pequenas empresas que se enquadra- rem no SIMPLES (Lei nº 9.317/96, art. 7º, § 1º, letra “a”). A legislação do IR exige, tanto para o lucro presumido como para o SIMPLES, a escrituração de todo o movimento financeiro, inclusive o ban- cário. Escriturar o livro Caixa com todo o movimento financeiro, inclusive o movimento bancário, é preparar 90% da contabilidade. Os lançamentos que faltam para a contabilidade completa podem ser feitos por partidas mensais, desde que registrados como livros auxiliares alguns livros fiscais, como os do ICMS (o de entrada e o de saída), cujos totais podem ser lança- dos, indicando as folhas dos livros de origem. 2.1.4 Outros livros auxiliares da contabilidade Atualmente, nas empresas de maior porte, trabalha-se com programas específicos de contas a receber e contas a pagar por computação eletrô- nica. Essa escrituração, depois de impressa, encadernada e registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, passa a ter valor de livro auxiliar. Seu movimento pode ser lançado por totais mensais no livro Diário, conforme disposto no art. 258, § 1º, do RIR. O mesmo procedimento se aplica aos programas de folha de pagamento, escrituração fiscal e estoques. https://encurtador.com.br/cJSX7 33 Capítulo 1 Essas medidas visam descentralizar o registro e o controle das opera- ções contábeis em diferentes programas, operados por diferentes pessoas. No final de cada mês, são integrados à contabilidade os seus resultados totais, agilizando-a e evitando a repetição de registros e controles. Esse mé- todo dá mais certeza da exatidão de cálculos feitos por computação regis- trados no Diário e no Razão ao mesmo tempo, o que evita a possibilidade de erros de transcrição. 2.2 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Com o processo de harmonização das normas contábeis brasileiras às normas internacionais, uma grande quantidade de normas foi elaborada pelos órgãos regulamentadores e fiscalizadores, e tem sido revisada para permitir sua adequação. No entanto, pontos importantes da estrutura das demonstrações contábeis ainda não foram adequados e alguns conceitos, por existirem características especiais nas operações praticadas pelas em- presas no Brasil, ainda são objeto de uma análise mais profunda. Dessa forma, apresentaremos as estruturas atualmente vigentes, fazendo inicial- mente a definição das estruturas das demonstrações contábeis. Figura 14. Relatório contábil Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: imagem de papéis com relatórios financeiros, com uma calculadora e uma caneta em cima deles. 34 Capítulo 1 2.2.1 Conceito A Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), com suas respec- tivas alterações (Leis 8.021/1990, 9.457/1997, 10.303/2001, 11.638/2007 e 11.941/2009), dispõe sobre as demonstrações contábeis que devem ser elaboradas pelas Companhias de Capital Aberto e Fechado, bem como es- tabelece o conceito de Empresas de Grande Porte. As demonstrações con- tábeis elaboradas por essas empresas deverão ser auditadas por auditores independentes registrados na CVM. Assim, as demonstrações deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício. Devem ser elaboradas ao menos no final de cada exercício social, com base na escritu- ração mercantil (contábil), e são as seguintes: a) balanço patrimonial; b) demonstração do resultado do exercício; c) demonstração dos lucros e prejuízos acumulados; d) demonstração das mutações do patrimônio líquido;e) demonstração do fluxo de caixa; f) se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. Cabe ressaltar que o Conselho Federal de Contabilidade, na definição da estrutura conceitual, estabelece que também englobam as demonstra- ções financeiras: a) notas explicativas; b) quadros suplementares; c) e outras informações. As informações decorrentes das mutações na posição financeira da em- presa podem ser apresentadas pela demonstração do balanço patrimonial. Embora a exigência dessas demonstrações seja para as S.A., a legislação do IRPJ tornou obrigatórias para todos os contribuintes sujeitos ao regime de apu- ração pelo Lucro Real as demonstrações do balanço patrimonial, do resultado do período-base e de lucros e prejuízos acumulados, determinando ainda que 35 Capítulo 1 o lucro líquido do período-base deverá ser apurado com observância das dis- posições da Lei nº 6.404/76 e suas respectivas alterações (art. 274 do RIR). 2.2.2 Balanço patrimonial A Lei das Sociedades por Ações foi muito bem elaborada quanto aos conceitos e classificação dos ativos e passivos (art. 178), ou seja, deixava claro o que juridicamente é ativo real e passivo real. No entanto, a evolução nas atividades econômicas e nos mercados financeiros levou à necessidade de reformulação e revisão dos conceitos e na estrutura, para adequá-la aos novos tempos. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), após a edição da Lei nº 11.638/2007 e MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio estabelecer, por meio do CPC 13 e demais, a nova estruturação patrimonial, apresentada a seguir. a) No Ativo I – Ativo Circulante; e II – Ativo Não Circulante • Ativo Realizável a Longo Prazo • Investimento • Imobilizado • Intangível Percebe-se que, na nova estrutura, não há mais a divisão que identi- ficava o Permanente, em virtude de se entender ser importante identificar os itens que estão ligados ao ciclo operacional da empresa (atividade ope- racional) e dos demais que comporiam o Ativo Não Circulante. Para algu- mas instituições supervisionadas por agências reguladoras ou por outras Por essa razão, a Lei das Sociedades por Ações é a lei comercial básica para a contabilidade. Assim, conclui-se que Lei Societária é a lei comer- cial básica para a contabilidade. 36 Capítulo 1 entidades de supervisão, como o Bacen, parte da estrutura permanece sem alteração ou com alterações parciais. Outra inovação é a divisão dos bens tangíveis e intangíveis, identificados como Imobilizado e Intangível. O Ativo Diferido deixa de existir, e os saldos existentes deverão ser reclassificados para outras contas do ativo, quando pertinentes; ou, na impossibilidade de reclassificação ou de geração de bene- fícios futuros, deverão ser levados a resultado. A MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/2009, faculta às empresas manterem o saldo do ativo diferido que em 31 de dezembro de 2008 não puder ter sido reclassificado, até sua total amortização. b) No passivo I – Passivo Circulante; e II – Passivo Não Circulante; III – Patrimônio Líquido, dividido em: • Capital Social; • Reservas de Capital; • Ajuste de Avaliação Patrimonial; • Reservas de Lucros; • Ações em Tesouraria; • Prejuízos Acumulados. 2.3 DOCUMENTOS FISCAIS 2.3.1 Documentos fiscais exigidos pela legislação do ICMS e do IPI A pessoa jurídica contribuinte do IPI e/ou do ICMS deve emitir, conforme as operações ou prestações que realizar, os documentos fiscais do Quadro 5. 37 Capítulo 1 Quadro 5. Documentos fiscais emitidos por contribuintes do ICMS e do IPI Documento Modelo Quem deve emitir Nota Fiscal 1 ou 1-A Contribuintes do ICMS e do IPI. Nota Fiscal de Venda a Consumidor 2 Contribuintes do ICMS e do IPI. Cupom Fiscal 1 – Contribuintes do ICMS e do IPI. Nota Fiscal de Produtor 4 Estabelecimento rural de produtor. Nota Fiscal/Conta de Ener- gia Elétrica 6 Contribuinte que promover a saída de energia elétrica. Nota Fiscal de Serviço de Transporte 7 Agência de viagem ou por transpor- tador de passageiros, de bens ou mercadorias, de valores ou ferroviá- rio de cargas. Conhecimento de Trans- porte Rodoviário de Cargas 8 Transportador que executar serviço de transporte rodoviário interesta- dual ou intermunicipal de carga. Conhecimento de Trans- porte Aquaviário de Cargas 9 Transportador que executar serviço de transporte aquaviário interesta- dual ou intermunicipal de carga. Conhecimento Aéreo 10 Transportador que executar serviço de transporte aeroviário interesta- dual ou intermunicipal de carga. Conhecimento de Trans- porte Ferroviário de Cargas 11 Transportador que executar serviço de transporte ferroviário interesta- dual ou intermunicipal de carga. Bilhete de Passagem Rodoviário 13 Transportador que executar serviço de transporte rodoviário interestadu- al ou intermunicipal de passageiros. 38 Capítulo 1 Documento Modelo Quem deve emitir Bilhete de Passagem Aquaviário 14 Transportador que executar serviço de transporte aquaviário interestadu- al ou intermunicipal de passageiros. Bilhete de Passagem e Nota de Bagagem 15 Transportador que executar serviço de transporte aeroviário interestadu- al ou intermunicipal de passageiros. Bilhete de Passagem Ferroviário 16 Transportador que executar serviço de transporte ferroviário interestadu- al ou intermunicipal de passageiros. Despacho de Transporte 17 Transportadora que contratar trans- portador autônomo para concluir a execução de serviço de transporte de carga em meio de transporte diverso do original, cujo preço tiver sido cobrado até o destino da carga. Resumo de Movimento Diário 18 Contribuinte que prestar serviço de transporte de passageiros, possui- dor de inscrição única abrangendo mais de um estabelecimento. Ordem de Coleta de Carga 20 Transportador que coletar carga desde o endereço do remetente até o seu endereço. Nota Fiscal de Serviço de Comunicação 21 Estabelecimento que prestar serviço de comunicação. Nota Fiscal de Serviço de Telecomunicações 22 Estabelecimento que prestar serviço de telecomunicação. Manifesto de Carga 25 Transportador que realiza transpor- te de carga fracionada. Fonte: Adaptado de Sousa (2018). 39 Capítulo 1 2.3.2 Documentos fiscais exigidos pela legislação do ISS O ISS é um tributo municipal, portanto, os documentos fiscais a serem emitidos pelos contribuintes desse imposto são disciplinados pela legisla- ção de cada município. É comum que essa legislação exija que seus contri- buintes emitam Nota Fiscal de Serviços (NFS). Inclusive, muitos municípios já adotaram a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e). Quadro 6. ISS Documentos fiscais exigidos pelo município do Rio de Janeiro Documento Quem deve emitir Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) Prestadores de serviços, exceto os que obtiverem regime especial expressamente desobrigando-os e as instituições financeiras e assemelhadas. Cupom de Estacionamento Contribuintes que realizarem operações relati- vas à prestação de serviços de guarda e estacio- namento de veículos terrestres automotores, do tipo valet service. Nota Fiscal Eletrônica do Tomador/Intermediário de Serviços Pessoas jurídicas e condomínios, edifícios resi- denciais ou comerciais por ocasião da contra- tação de serviços sob determinadas hipóteses estabelecidas na legislação do município do Rio de Janeiro. Fonte: Adaptado de Sousa (2018) As implicações legais e tributárias dos documentos fiscais são de ex- trema importância para as empresas, pois estão diretamente ligadas à con- formidade legal e ao cumprimento das obrigações fiscais. A seguir estão algumas informações adicionais sobre esse tema. Site Acesse o site da Receita Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) e vá na aba de NF-e para en- tender a importância da NF-e em toda a cadeia do Sped para a transparência da tributação. https://encurtador.com.br/dqxCK 40 Capítulo 1 1. Conformidade legal Os documentos fiscais são essenciais para a conformidade legaldas empresas. Eles representam a comprovação das operações comerciais realizadas e servem como base para o recolhimento de impostos, taxas e contribuições. A legislação tributária estabelece regras específicas para a emissão, va- lidade e conservação dos documentos fiscais. O não cumprimento dessas normas pode acarretar multas, penalidades e até mesmo impedimentos legais para a continuidade das atividades da empresa. 2. Impacto tributário Os documentos fiscais têm um impacto direto nos tributos que uma empresa deve pagar. A correta emissão e o registro desses documentos influenciam na apuração dos impostos devidos, como ICMS (Imposto so- bre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e outros. A falta de documentação adequada ou erros nos registros podem levar a pagamentos indevidos de impostos, ou até mesmo a problemas com a fiscalização, resultando em autuações fiscais e exigências de recolhimento retroativo de tributos. 3. Validade jurídica das transações comerciais Os documentos fiscais conferem validade jurídica às transações co- merciais realizadas entre as empresas e seus clientes ou fornecedores. Eles representam a comprovação oficial dessas operações, assegurando os direitos e deveres das partes envolvidas. A falta ou irregularidade nos do- cumentos fiscais pode gerar dúvidas quanto à legitimidade das transações, o que pode afetar negativamente a credibilidade da empresa perante seus parceiros comerciais. 4. Controle e gestão empresarial Além das implicações legais e tributárias, os documentos fiscais de- sempenham um papel fundamental no controle e na gestão empresarial. Eles são fontes importantes de informações para o acompanhamento de vendas, compras, estoque, faturamento e demais operações financeiras, auxiliando na tomada de decisões estratégicas. 41 Capítulo 1 Em resumo, as implicações legais e tributárias dos documentos fiscais são cruciais para a conformidade legal, a correta apuração dos tributos, a validade das transações comerciais e o controle interno das empresas. Portanto, é fundamental que as organizações estejam atentas à correta emissão, registro e arquivamento desses documentos, garantindo sua con- formidade com a legislação vigente. Saiba Mais A Nota Fiscal Carioca segue alguns procedimentos, entre eles o pedido de autorização para impressão de documentos fiscais, consulte o link e verifique as perguntas e respostas para essa autorização. https://encurtador.com.br/cquEG 42 A escrituração contábil é o principal instrumento de controle das ope- rações das empresas e base para apuração de resultados e situação pa- trimonial que serão utilizados para diversas finalidades, tais como análise gerencial, distribuição de lucros, cálculo de impostos, decisão de investi- mentos, entre outros. No meio empresarial, escrituração é a denominação que a legislação societária, contábil e tributária escolheu para expressar o ato de se efetuarem registros em livros contábeis, fiscais ou em fichas. Assim, é comum o uso de termos e expressões como “escrituração mercan- til ou comercial”, “escrituração tributária ou fiscal” e outras. 3.1 RESPONSABILIDADES LEGAIS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A responsabilidade pela escrituração contábil das pessoas jurídicas recai sobre o contabilista legalmente habilitado, conforme preconizado pela legisla- ção. Esse profissional é responsável por assinar as demonstrações contábeis obrigatórias, em conjunto com os sócios ou administradores da empresa. A contabilidade das empresas é uma exigência primordial estabeleci- da pela legislação comercial e societária. Ela é voltada para atender aos interesses dos sócios ou acionistas e também dos credores envolvidos na atividade empresarial, tais como bancos e fornecedores. Além dos requisitos comerciais e societários, as demandas fiscais também têm influência sobre a contabilidade. A fiscalização tributária atua com base nas disposições da legislação comercial, nos Princípios de Contabilidade, e inclui outras normativas de cunho fiscal. Por vezes, essas normas adicionais podem conflitar com as práticas contábeis estabelecidas. 33. ESCRITURAÇÃO FISCAL 43 Capítulo 1 Figura 15. Cálculos para imposto de renda Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a figura mostra um homem com papéis na mão na outra digitando em uma calculadora com uma caneta na mão, embaixo da calculadora há um caderno de anotações. A legislação referente ao Imposto de Renda determina que as pes- soas jurídicas mantenham uma escrituração em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Essa escrituração deve abranger todas as operações realizadas pelo contribuinte, bem como os resultados obtidos em suas atividades. É considerada crime a elaboração e assinatura de documentos ou de- monstrações contábeis com informações falsas, tendenciosas ou prepara- das de má-fé. Da mesma forma, constitui delito a criação de demonstrações contábeis sem respaldo em documentos ou informações válidas, ou com valores discrepantes dos registros nos livros oficiais da empresa. Além de atender aos requisitos das legislações tributárias, fiscais e so- cietárias, é fundamental destacar que os relatórios e demonstrações contá- beis são amplamente utilizados pelo mercado financeiro e de capitais para obtenção de informações sobre a empresa. Fraudes ou irregularidades na escrituração contábil e fiscal podem prejudicar ou enganar instituições fi- nanceiras, fornecedores, acionistas minoritários, autoridades fiscais e in- vestidores do mercado de capitais. 44 Capítulo 1 Portanto, a apresentação de demonstrações elaboradas com infor- mações falsas pode ocasionar prejuízos a terceiros, influenciando nas de- cisões comerciais ou financeiras. Empresas e profissionais responsáveis por tais práticas, independentemente de má-fé, podem ser alvo de pro- cessos legais e condenados. Conceito Conforme o Regulamento do Imposto de Renda, a falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração contábil, que tenha por objetivo eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamen- to, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber. A escrituração de livros fiscais é uma das obrigações tributárias aces- sórias, compreendendo o registro minucioso, nos livros exigidos pelo órgão tributário, de todas as transações realizadas pela empresa. 3.2 OS LIVROS FISCAIS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO DO ICMS E DO IPI COMPREENDEM O Livro Registro de Entrada se destina à anotação das aquisições de mercadorias, insumos e bens do ativo imobilizado recebidos pela empresa. Além disso, devem ser registrados nele os itens recebidos por devolução de vendas da empresa. Sua escrituração é diária e deve ser totalizada ao fim de cada mês. No Livro Registro de Entradas são registrados: o total de créditos de ICMS e IPI obtidos pela empresa como resultado da aquisição de merca- dorias, produtos e insumos; as devoluções de suas vendas; e quaisquer outros créditos permitidos pela legislação tributária. Segundo Sousa (2018, p. 75): Existem dois modelos para o Livro Registro de Entradas: Modelo 1 e Modelo 1-A [...]. O Modelo 1 é utilizado por contribuinte sujeito, simultaneamente, à legislação do IPI e à do ICMS. Já o Modelo 1-A é utilizado por contribuintes sujeitos apenas à legislação do ICMS. A Escrituração Fiscal Digital (EFD – ICMS) substitui a escrituração do Livro Registro de Entradas. A esse respei- to, ver o Convênio ICMS 143/2006. 45 Capítulo 1 Figura 16. Livro de registro Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: imagem de uma mulher segurando uma calculadora fazendo anotações em um livro, em frente há um notebook. O Livro Registro de Saídas de Mercadorias tem como finalidade regis- trar todas as saídas de produtos, mercadorias e bens do ativo imobilizado que foram comercializadospela empresa. Nele também são registradas as saídas decorrentes da devolução de itens recebidos pela empresa. Sua es- crituração é diária e deve ser totalizada ao término de cada mês. Sousa (2018, p. 78) afirma que: Existem dois modelos para o Livro Registro de Saídas: Modelo 2 e Modelo 2-A [...]. O Modelo 2 é utilizado por contribuinte sujeito, simultaneamente, à legislação do IPI e à do ICMS. Já o Modelo 2-A(conforme tabela 1) é utilizado por contribuintes sujeitos apenas à legislação do ICMS. A Escrituração Fiscal Digital (EFD – ICMS) substitui a escrituração do Livro Registro de Saídas. A esse respeito, ver o Convênio ICMS 143/2006. O Registro de Controle da Produção e do Estoque, Modelo 3, é essencial para estabelecimentos industriais ou equiparados pela legislação federal, assim como para os atacadistas. O fisco também pode, a seu critério, solici- tar esse registro de contribuintes de outros setores, devidamente adaptado às suas necessidades. Seu propósito principal é monitorar quantitativamen- te a produção e o estoque de mercadorias. Esse livro é utilizado para registrar os documentos fiscais e internos correspondentes às entradas, saídas, produção e quantidades relaciona- das ao estoque de mercadorias. Caso o contribuinte mantenha mais de um estabelecimento, como filiais, sucursais ou agências, é obrigatória a 46 Capítulo 1 manutenção de um registro distinto em cada um, sendo proibida a centra- lização das informações. A escrituração deve ser realizada de forma detalhada, dedicando uma folha para cada tipo, marca, modelo ou espécie de mercadoria. O fisco pode permitir a substituição do livro por fichas. É importante ressaltar que o regis- tro ou as fichas não devem ter atrasos superiores a 15 dias. A Escrituração Fiscal Digital (EFD – ICMS) substitui o Livro Registro de Entradas, conforme disposto no Convênio ICMS 143/2006. O Livro Registro do Selo Especial de Controle, Modelo 4, destina-se à anotação de dados relativos ao recebimento e uso do selo especial de con- trole previsto pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Já o Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais, Modelo 5, é usado por estabelecimentos que confeccionam impressos de documentos fiscais para terceiros ou uso próprio. Destina-se a registrar a confecção des- ses documentos fiscais impressos. O Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Modelo 6, tem como objetivo registrar a entrada de impressos de documentos fiscais, confeccionados por estabelecimentos gráficos ou pelo próprio contribuinte, além de documentar as ocorrências pelo fisco. Figura 17. Livro registro de utilização de documentos fiscais e termos de ocorrências Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra o livro de capa preta com uma caneta em cima, sobre uma mesa. Os registros devem ser feitos operação a operação, seguindo a ordem cronológica das saídas dos impressos fiscais confeccionados ou, se fo- rem utilizados pelo próprio estabelecimento, sua elaboração 47 Capítulo 1 Os registros devem ser feitos, passo a passo, respeitando a ordem cro- nológica de aquisição ou produção própria, sendo recomendado o uso de uma folha específica para cada tipo, série e subsérie do documento fiscal impresso. O Livro Registro de Inventário, Modelo 7, requer o detalhamento dos itens presentes no estabelecimento no momento do balanço, espe- cificando valores e informações para identificação precisa. Caso não haja estoque, essa condição deve ser indicada na primeira linha, logo após o preenchimento do cabeçalho da página. A escrituração precisa ser realizada no prazo de 60 (sessenta) dias, con- tados a partir da data do balanço. Caso a empresa não mantenha um regis- tro contábil, o inventário precisa ser realizado em cada estabelecimento no último dia do ano civil. O Livro Registro de Apuração do IPI se destina ao registro dos valores fiscais totais das operações de entrada e saída, previamente registrados nos livros de Registro de Entradas e de Registro de Saídas. Esse livro detalha os débitos e créditos do imposto, calculando o saldo a ser pago ou acumulado para o período seguinte, além de outros valores contábeis e fiscais. Já no Livro Registro de Apuração do ICMS, são confrontados mensal- mente o montante de ICMS a favor da empresa, registrado no Livro de Registro de Entradas de Mercadorias, com o montante de ICMS desfavorá- vel da empresa, presente no Livro de Registro de Saída de Mercadorias. Isso permite à empresa calcular, mês a mês, o valor a ser recolhido aos cofres públicos ou o montante de créditos acumulados. Além disso, são registra- das nesse livro as informações sobre as guias de informação e de recolhi- mento do imposto. O Livro Registro do Selo Especial de Controle é utilizado conforme as situações previstas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 73 do Convênio SINIEF, de 15 de dezembro de 1970). 48 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Contabilidade Fiscal é um campo essencial para a compreensão e gestão dos aspectos tributários de uma empresa. Esse segmento da con- tabilidade se concentra na análise, no registro e no controle das informa- ções relacionadas aos tributos e obrigações fiscais. Ao longo deste capítulo, exploramos os conceitos fundamentais da Contabilidade Fiscal, discutimos sua importância na gestão tributária, examinamos a evolução histórica no contexto brasileiro e analisamos a complexa legislação tributária atual. Aprofundando os conhecimentos específicos da área tributária, este capítulo proporcionou uma reflexão sobre a realidade brasileira, destacan- do a diversidade e complexidade dos tributos existentes no país, bem como as mudanças significativas na legislação fiscal ao longo do tempo. Figura 18. Contabilidade Fiscal Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: imagem mostra folhas de relatórios financeiros com uma calculadora em cima, embaixo da calculadora algumas notas de dinheiro. 49 Capítulo 1 A evolução tecnológica tem desempenhado um papel crucial na área da Contabilidade Fiscal. A automação de processos contábeis e a utilização de softwares especializados facilitaram significativamente a gestão tributá- ria das empresas. Sistemas integrados ajudam na elaboração de relatórios, na análise de dados e no cumprimento das obrigações fiscais, agilizando procedimentos e minimizando erros. Figura 19. Tecnologia e contabilidade Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: imagem mostra uma mulher segurando uma folha de papel com vários grá- ficos impressos, digitando em um notebook com vários gráficos em formato de pizza e coluna na tela, ao lado outras folhas de papel com gráficos coloridos. Com a globalização, as empresas muitas vezes realizam operações em diferentes jurisdições, o que implica a necessidade de entender e cumprir as legislações fiscais de cada país. Isso amplia a complexidade da Contabilidade Fiscal, exigindo profissionais altamente capacitados e atualizados para lidar com essas nuances. Além de lidar com o cumprimento das obrigações fiscais, a Contabilidade Fiscal desempenha um papel fundamental no planejamento tributário. Isso envolve a busca por estratégias legais que possam reduzir a carga tribu- tária, de forma ética e dentro dos limites legais, otimizando os recursos financeiros da empresa. Além disso, garantir o compliance, ou seja, a con- formidade com as leis e regulamentações tributárias, é essencial para evitar penalidades e problemas legais. A auditoria fiscal é uma prática comum nas empresas, realizada para garantir a conformidade das informações contábeis e fiscais. Ela envolve a revisão minuciosa dos registros contábeis, dos procedimentos fiscais e do cumprimento das obrigações tributárias, ajudando a identificar possíveis erros ou irregularidades que precisam ser corrigidos. 50 Capítulo 1 Figura 20. Auditores fiscais Fonte: Freepik (2023). #ParaTodosVerem: a imagem mostra dois homens e uma mulher sentados ao redor de