Prévia do material em texto
Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 1. Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI) • É um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por limitações no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo. • O termo equivalente é deficiência intelectual. • Todas as referências ao termo retardo mental, em leis federais dos EUA, foram substituídas pelo termo TDI. • Os vários níveis de gravidade dos especificadores são definidos com base no funcionamento adaptativo, e não em escores de QI. Critérios/Características Diagnósticos (DSM-5-TR) Para o diagnóstico, devem estar presentes os seguintes critérios: Critério A – Déficits nas Funções Intelectuais • Envolvem dificuldades significativas em: o Raciocínio o Resolução de problemas o Planejamento o Pensamento abstrato o Julgamento o Aprendizado acadêmico o Aprendizado pela experiência • Medido por avaliação clínica e testes padronizados (como testes de QI). Critério B – Déficits no Funcionamento Adaptativo • Prejuízos que limitam a independência e a responsabilidade social em pelo menos um dos seguintes domínios: o Conceitual: linguagem, leitura, escrita, matemática, raciocínio. o Social: percepção de pensamentos, sentimentos e experiências dos outros; comunicação interpessoal, empatia, amizade, julgamento social. o Prático: autocuidados, organização da vida diária, trabalho, dinheiro; autogestão em todos os cenários de vida. • Esses déficits afetam o funcionamento em diversos contextos (casa, escola, trabalho, comunidade). Critério C – Início Durante o Período do Desenvolvimento • Os sinais e sintomas devem estar presentes desde a infância ou adolescência. Observações Importantes • O diagnóstico não se baseia apenas no QI. O funcionamento adaptativo tem peso decisivo. • É necessária uma avaliação clínica cuidadosa, considerando o ambiente cultural, linguístico e social para avaliação de todos os critérios descritos acima. Classificação por Gravidade A gravidade do TDI é determinada pelo grau de comprometimento funcional, não apenas pelo QI: Leve: pode desenvolver autonomia básica e trabalhar com apoio. Moderado: precisa de supervisão regular em atividades cotidianas (alimentar-se, vestir-se, eliminações e higiene como adulto). Grave: necessita de apoio contínuo e cuidados intensivos, a linguagem falada é bastante limitada em termos de vocabulário e gramática. Profundo: funcionamento extremamente limitado, precisa de apoio total. Características Associadas • Condição heterogênea com múltiplas causas. • Dificuldades no julgamento social, autocontrole e motivação. • Comunicação prejudicada → comportamento agressivo/disruptivo. • Credulidade → risco de vitimização, exploração e falsas confissões. • Pode haver sofrimento emocional com as próprias limitações. Prevalência • Média: 10 por 1.000 habitantes. • Mais alta em países de renda média. • Mais comum em jovens do que em adultos. Desenvolvimento e Curso • Início no período do desenvolvimento. • Atrasos evidentes em casos graves já nos primeiros 2 anos. • Em formas leves, diagnóstico pode ocorrer apenas na idade escolar. • Curso geralmente não progressivo, mas pode variar em síndromes genéticas. • Intervenções precoces melhoram prognóstico. Fatores de Risco e Prognóstico • Pré-natais: síndromes genéticas, doenças maternas, exposição a drogas. • Perinatais: lesões no parto. • Pós-natais: traumas, infecções, intoxicações, privações sociais. Causas Possíveis Fatores genéticos (síndrome de Down, síndrome do X frágil). Complicações na gestação (infecções, uso de álcool ou drogas). Problemas durante o parto (hipóxia). Exposição a toxinas ou traumas na infância. Questões Culturais • Ocorre em todos os grupos étnicos. • Diferenças culturais podem afetar diagnóstico e prevalência. • Crenças culturais podem gerar subnotificação. Sexo e Gênero • Mais comum em homens. • Razão masculino/feminino: o Leve: 1,6:1 o Grave: 1,2:1 Pensamentos e Comportamentos Suicidas • Maior risco com: o Intelecto mais preservado. o Estressores recentes. o Transtornos mentais comórbidos. Diagnóstico Diferencial • Transtornos neuro cognitivos: envolvem perda de função (vs. desenvolvimento limitado no TDI). • Transtornos da comunicação/aprendizagem: déficits específicos, sem prejuízo intelectual. • Transtorno do espectro autista: pode coexistir com o TDI; avaliação cuidadosa necessária. Comorbidades • Frequentes: TDAH, transtornos de humor, ansiedade, epilepsia, paralisia cerebral. • Mais problemas físicos e de saúde geral. • Dificuldades em relatar sintomas → risco de subdiagnóstico. Tratamento e Intervenção • Avaliação multiprofissional: psicólogo, fonoaudiólogo, pedagogo, neurologista, etc. • Estimulação precoce e educação especial. • Intervenções comportamentais e pedagógicas adaptadas. • Apoio familiar e acesso a políticas públicas de inclusão. Classificações Relacionadas • CID-11: quatro níveis – leve, moderado, grave, profundo. • AAIDD: foca no perfil de apoio e funcionalidade, não apenas diagnóstico categórico. Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 2. Transtornos da Comunicação • Fala: Produção expressiva de sons (articulação, fluência, voz e ressonância). • Linguagem: Uso de símbolos (palavras, sinais, figuras) com regras gramaticais. • Comunicação: Comportamento verbal e não verbal que influencia outros. - Avaliação deve considerar o contexto cultural e linguístico, principalmente em ambientes bilíngues. 1. Transtornos incluídos: • Transtorno da linguagem • Transtorno da fala • Transtorno da fluência com início na infância (gagueira) • Transtorno da comunicação social (pragmática) • Transtornos da comunicação não especificados. Fatores importantes: • Prevalência maior em meninos • Alta comorbidade com: TEA, TDAH, transtornos de aprendizagem, TDI, ansiedade, epilepsia. 2.1 Transtorno da Linguagem: Critérios Diagnósticos A. Dificuldades persistentes em: • Vocabulário reduzido • Estrutura limitada de frases • Prejuízos no discurso B. Déficits causam prejuízo funcional em: Comunicação | Socialização | Acadêmico | Profissional C. Início precoce no desenvolvimento D. Não atribuível a: surdez, deficiência motora, TDI ou outra condição neurológica Características Diagnósticas • Déficits em vocabulário, gramática e discurso (falado, escrito ou sinais) • Afetam linguagem receptiva (compreensão) e expressiva (produção) • Podem surgir com atraso nas primeiras palavras e frases • Compreensão pode parecer melhor por inferência de contexto • Dificuldades em: - Recordar informações verbais - Compreensão de sinônimos e múltiplos significados - Narrar histórias e descrever eventos Características Associadas • Crianças podem parecer tímidas ou falar pouco • Preferência por se comunicar com familiares próximos • Comportamento social reservado pode indicar necessidade de avaliação Desenvolvimento e Curso • Início na infância; mais estável a partir dos 4 anos • Persistência dos déficits ao longo da vida, com mudanças no perfil • Risco de vitimização por pares na infância • Mulheres com histórico de transtorno da linguagem têm maior risco de abuso sexual. Fatores de Risco e Prognóstico 1. Prejuízos receptivos têm pior prognóstico 2. Ser bilíngue não causa o transtorno, mas pode mascarar atrasos 3. Fatores genéticos importantes (herdabilidade alta, múltiplos genes envolvidos). Diagnóstico Diferencial 1. Variações normais da linguagem (especialmenteespecíficos 5. Distúrbios neurológicos: como afasia adquirida, síndrome de Landau-Kleffner 6. Regressão da linguagem: investigar epilepsia e TEA Comorbidades 1. Frequente com: o Transtornos de aprendizagem (leitura, escrita, cálculo) o TDI (desenvolvimento intelectual) o TDAH o TEA o Transtorno do desenvolvimento da coordenação o Transtorno da comunicação social (pragmática) 2. Pode coexistir com transtorno da fluência (embora raro) 2.2. Transtorno da Fala Critérios Diagnósticos A. Dificuldade persistente na produção da fala, comprometendo a inteligibilidade ou comunicação verbal. B. Prejuízos na comunicação eficaz, afetando vida social, acadêmica ou profissional. C. Início precoce, durante o desenvolvimento. D. Não atribuível a causas médicas, neurológicas ou estruturais (ex.: paralisia cerebral, fenda palatina, surdez). Características Diagnósticas o Produção da fala exige conhecimento fonológico e coordenação dos articuladores (mandíbula, língua, lábios). o Crianças com esse transtorno têm dificuldades com sons ou coordenação motora da fala. o Diagnóstico ocorre quando a fala é inadequada para a idade, sem causa física ou auditiva. o Espera-se que a fala seja compreensível aos 3 anos (50% compreensível aos 2 anos). o Mais comum em meninos (proporção de 1,5–1,8:1). Características Associadas o Comorbidade frequente com transtorno da linguagem. o História familiar de transtornos da fala ou linguagem. o Pode haver atraso em funções motoras faciais (ex.: mastigação, assuar o nariz). o Termos relacionados: apraxia da fala na infância e dispraxia verbal. Desenvolvimento e Curso • A produção da fala segue um padrão de desenvolvimento. • Processos imaturos de fala devem desaparecer até os 3 anos. • Aos 5 anos, a maioria dos sons deve ser produzida com clareza. • Os "8 sons atrasados" (ex. l, r, s, z, th, ch) podem ter erros até os 8 anos. • O ceceio é comum e pode refletir alterações na deglutição. • Prognóstico geralmente bom com tratamento, mas piora com comorbidade em linguagem. Diagnóstico Diferencial 1. Variações normais de fala (regionais, sociais, culturais). 2. Bilíngues podem apresentar erros diferentes, mas não patológicos. 3. Deficiência auditiva ou sensorial pode causar erros, mas se forem excessivos, considerar transtorno. 4. Déficits estruturais, como fenda palatina. 5. Disartria: alteração motora da fala, distinguível por sinais neurológicos. 6. Mutismo seletivo: ausência de fala por ansiedade, não por incapacidade fonológica. Comorbidades Possíveis • Condições genéticas como: o Síndrome de Down o Síndrome da deleção 22q o Mutação no gene FOXP2 2.3 Transtorno da Fluência com Início na Infância (gagueira) Critérios Diagnósticos A. Perturbações frequentes e marcantes na fluência e no padrão temporal da fala, como: • Repetição de sons e sílabas • Prolongamento de sons • Palavras interrompidas • Bloqueios audíveis ou silenciosos • Circunlocuções • Palavras com tensão física excessiva • Repetição de palavras monossilábicas B. Causa ansiedade ou prejuízo na comunicação, vida social, acadêmica ou profissional C. Início precoce no desenvolvimento D. Não atribuível a causas motoras, sensoriais, neurológicas ou outro transtorno mental Características Diagnósticas 1. A disfluência excede o esperado para a idade. 2. Interfere na comunicação social e desempenho acadêmico/profissional. 3. Pode variar conforme o contexto (ex.: piora sob pressão). 4. Geralmente ausente em leitura em voz alta, canto ou fala com objetos/animais. Características Associadas • Medo antecipatório, esquiva de palavras/situações, tensão emocional. • Movimentos motores associados (piscadas, tremores, etc.). • Fatores genéticos e diferenças neurológicas envolvidas. • Mais comum em meninos. Desenvolvimento e Curso • Início entre 2 e 7 anos, geralmente antes dos 6. • Pode começar gradualmente, com repetições simples. • Evolui para maior frequência e impacto social. • Muitos se recuperam espontaneamente (65 a 85%). • Gravidade aos 8 anos é preditora de persistência. Fatores de Risco e Prognóstico • História familiar aumenta risco (até 3x). • Quatro genes associados já foram identificados. Consequências Funcionais • Estresse e ansiedade podem agravar a gagueira. • Impacto social e desenvolvimento de atitudes comunicativas negativas desde a infância. Diagnóstico Diferencial • Déficits sensoriais/motores: quando disfluência vai além do esperado. • Disfluências normais da infância: quando repetição e pausas são típicas da idade. • Transtorno de leitura: diferenciar dificuldades ao ler em voz alta. • Bilinguismo: distinguir dificuldades normais da aquisição de língua. • Medicamentos: avaliar efeitos colaterais. • Disfluência na idade adulta: associada a lesões neurológicas. • Transtorno de Tourette: diferenciar pela natureza e momento dos tiques. Comorbidade • Pode coexistir com TDAH, TEA, deficiência intelectual, transtornos de linguagem, ansiedade social, epilepsia e outros transtornos do desenvolvimento. 2.4 Transtorno da Comunicação Social (Pragmática) Critérios Diagnósticos A. Dificuldades persistentes no uso social da comunicação verbal e não verbal, incluindo: • Dificuldade em usar a linguagem para fins sociais (ex: saudações, troca de informações). • Incapacidade de adaptar a comunicação ao contexto ou ao ouvinte (ex: linguagem diferente com adultos e crianças). • Dificuldades em seguir regras de conversação e narrativa (ex: esperar a vez, reparar mal-entendidos). • Problemas para entender mensagens implícitas, ambíguas, humor e metáforas. B. Prejuízos na comunicação funcional, participação social, relações, desempenho acadêmico ou profissional. C. Início dos sintomas na infância, mesmo que só se tornem evidentes mais tarde. D. Não explicável por outros transtornos, como TEA, deficiência intelectual ou problemas neurológicos. Características Diagnósticas • Déficits na pragmática da linguagem (uso social da linguagem). • Limitações funcionais amplas (social, acadêmica, ocupacional). • Não explicável por dificuldades cognitivas, estruturais de linguagem ou TEA. Características Associadas • Atraso no desenvolvimento da linguagem. • Tendência ao isolamento social. • Frequente associação com: o TDAH o Transtornos de aprendizagem o Alterações comportamentais Desenvolvimento e Curso • Raro diagnóstico antes dos 4 anos. • Geralmente identificado entre 4 e 5 anos. • Formas mais leves podem surgir apenas na adolescência. • Prognóstico variável: o Algumas crianças melhoram com o tempo. o Outras mantêm dificuldades até a vida adulta. • Possíveis impactos duradouros nas relações sociais e na expressão escrita. Fatores de Risco e Prognóstico • Genéticos/familiares: o Histórico familiar de TEA, transtornos da comunicação ou da aprendizagem aumentam o risco. o Irmãos de crianças com esses transtornos podem mostrar sinais precoces. Diagnóstico Diferencial • Transtorno do Espectro Autista (TEA) o Sem comportamentos restritos/repetitivos no transtorno da comunicação social. o História completa é essencial. • TDAH o Déficits de atenção podem impactar a comunicação social. • Transtorno de Ansiedade Social o Diferença está na origem dos sintomas: ▪ Comunicação social nunca se desenvolveu no transtorno da comunicação. ▪ Está presente, mas inibida no transtorno de ansiedade social. • Transtorno do Desenvolvimento Intelectual / Atraso Global do Desenvolvimento o Só se diagnostica separadamente se os déficits excedem as limitações intelectuais. Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 3. Transtorno do Espectro Autista (TEA) Critérios Diagnósticos - Critério A: Déficits persistentes na comunicaçãoe interação social em múltiplos contextos, manifestados por: • Dificuldades na reciprocidade socioemocional. • Déficits em comportamentos comunicativos não verbais. • Dificuldades em desenvolver, manter e compreender relacionamentos. - Critério B: Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, evidenciados por pelo menos dois dos seguintes: • Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos. • Insistência em mesmice, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal. • Interesses altamente restritos e fixos, anormais em intensidade ou foco. • Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente. - Critério C: Os sintomas devem estar presentes desde o período do desenvolvimento inicial. - Critério D: Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. - Critério E: Esses distúrbios não são mais bem explicados por deficiência intelectual ou atraso global do desenvolvimento. Procedimentos para Registro Ao registrar o diagnóstico de TEA, especificar: • Com ou sem deficiência intelectual associada. • Com ou sem comprometimento da linguagem associada. • Associado a condição médica ou genética conhecida ou fator ambiental. • Associado a outro transtorno do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental. • Com catatonia (usar código adicional 293.89 [F06.1] para indicar catatonia associada ao TEA). Tabela 2 – Níveis de Gravidade para o TEA Nível de Suporte Necessário Comunicação Social Comportamentos Restritivos/Repetitivos Nível 1 – Requer apoio Dificuldades notáveis sem apoio; problemas em iniciar interações sociais; respostas atípicas. Interferência significativa em um ou mais contextos; dificuldade em mudar de foco ou ação. Nível 2 – Requer apoio substancial Déficits marcantes na comunicação verbal e não verbal; iniciações limitadas de interações sociais; respostas reduzidas. Comportamentos restritivos/repetitivos frequentes que interferem visivelmente em vários contextos. Nível 3 – Requer apoio muito substancial Déficits severos na comunicação verbal e não verbal; iniciações muito limitadas de interações sociais; respostas mínimas. Comportamentos restritivos/repetitivos interferem significativamente em todos os contextos; extrema dificuldade em lidar com mudanças. Especificadores Ao diagnosticar o TEA, é importante especificar: • Com ou sem deficiência intelectual associada. • Com ou sem comprometimento da linguagem associada. • Associado a condição médica ou genética conhecida ou fator ambiental. • Associado a outro transtorno do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental. • Com catatonia Características Diagnósticas O TEA é caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, juntamente com padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Esses sintomas devem estar presentes desde o início do desenvolvimento e causar prejuízos significativos no funcionamento diário. Características Associadas Indivíduos com TEA podem apresentar: • Déficits motores, como coordenação motora atípica ou movimentos estereotipados. • Distúrbios do sono e da alimentação. • Comportamentos autolesivos. • Ansiedade, depressão e outros transtornos psiquiátricos. • Habilidades cognitivas desiguais, com pontos fortes em áreas específicas. Prevalência Estudos indicam que aproximadamente 1% da população apresenta TEA. A prevalência é consistentemente maior em homens do que em mulheres, com uma proporção de cerca de 4:1. Desenvolvimento e Curso Os sintomas do TEA geralmente se manifestam nos primeiros anos de vida. Alguns indivíduos podem mostrar regressão nas habilidades sociais e de linguagem entre 12 e 24 meses de idade. O curso do TEA é variável; enquanto alguns indivíduos mostram melhorias significativas com intervenção, outros podem permanecer com déficits ao longo da vida. Fatores de Risco e Prognóstico • Genéticos e fisiológicos: Estudos sugerem uma forte contribuição genética para o TEA, com estimativas de herdabilidade variando de 37% a mais de 90%. Mutações genéticas específicas foram identificadas em até 15% dos casos. • Ambientais: Fatores como idade parental avançada, baixo peso ao nascer e exposição fetal a substâncias como o ácido valproico podem aumentar o risco de TEA. • Prognóstico: Melhores resultados estão associados à ausência de deficiência intelectual e ao desenvolvimento de linguagem funcional até os 5 anos de idade. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura Normas culturais influenciam as expectativas de comportamento social e comunicação. Portanto, é essencial considerar o contexto cultural ao avaliar déficits em interação social e comunicação. Fatores culturais e socioeconômicos também podem afetar a idade de identificação e diagnóstico do TEA. Questões Diagnósticas Relativas ao Sexo e ao Gênero O TEA é diagnosticado com mais frequência em homens do que em mulheres. Mulheres com TEA podem apresentar sintomas mais sutis ou diferentes, o que pode levar a subdiagnóstico ou diagnóstico tardio. Associação com Pensamentos ou Comportamentos Suicidas Indivíduos com TEA têm um risco aumentado de pensamentos e comportamentos suicidas, especialmente aqueles com inteligência média ou acima da média e que têm maior consciência de suas dificuldades sociais. Consequências Funcionais do TEA O TEA pode impactar significativamente várias áreas da vida, incluindo: • Aprendizado e desempenho acadêmico. • Emprego e vida profissional. • Relacionamentos sociais e familiares. • Autonomia e vida independente. Mesmo indivíduos com habilidades cognitivas médias ou altas podem enfrentar desafios substanciais na vida diária devido às dificuldades de interação social e comunicação. Diagnóstico Diferencial O diagnóstico de TEA deve ser diferenciado de: • Transtorno da Comunicação Social (Pragmático): Caracterizado por déficits na comunicação social sem comportamentos restritos e repetitivos. • Deficiência Intelectual: Embora possa haver sobreposição, o TEA apresenta déficits específicos na interação social e comunicação além do esperado para o nível de desenvolvimento intelectual. • Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): Pode coexistir com o TEA, mas os déficits de atenção e hiperatividade são distintos dos déficits sociais do TEA. • Esquizofrenia: Embora possa haver sintomas semelhantes, como isolamento social, a esquizofrenia geralmente envolve delírios e alucinações, ausentes no TEA. Comorbidade O TEA frequentemente coexiste com outras condições, incluindo: 1. Deficiência intelectual. 2. Transtornos de linguagem. 3. Transtornos de ansiedade e depressão. 4. TDAH. 5. Epilepsia. 6. Transtornos do sono e da alimentação. Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 4. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) Critérios Diagnósticos A. Padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, que interfere no funcionamento: - Desatenção (≥ 6 sintomas por pelo menos 6 meses): • Distração frequente, erros por descuido. • Dificuldade em manter atenção em tarefas. • Não parece escutar quando se fala diretamente. • Não segue instruções; tarefas não concluídas. • Dificuldade de organização. • Evita tarefas que exigem esforço mental. • Perde objetos necessários. • Se distrai facilmente. • Esquecimento em atividades diárias. - Hiperatividade e impulsividade (≥ 6 sintomas por pelo menos 6 meses): • Agitação motora (mãos, pés). • Levanta-se quando se espera que permaneça sentado. • Corre ou sobe em locais inapropriados. • Incapaz de brincar calmamente. • "A mil por hora" ou "a todo vapor".• Fala excessivamente. • Responde antes das perguntas serem concluídas. • Dificuldade em esperar sua vez. • Interrompe os outros frequentemente. B. Os sintomas estavam presentes antes dos 12 anos. C. Ocorrência em dois ou mais contextos (escola, casa, trabalho). D. Prejuízo funcional claro. E. Não é explicado exclusivamente por outro transtorno. Características Diagnósticas • Envolve padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade- impulsividade. • Os sintomas variam com a idade: crianças tendem a ser mais hiperativas; adultos, mais desatentos. • O comportamento deve ser crônico e desproporcional ao nível de desenvolvimento. Características Associadas • Baixo desempenho acadêmico. • Rejeição por colegas e dificuldades sociais. • Baixa autoestima. • Maior risco de acidentes. • Condutas desafiadoras ou oposição. Prevalência • Estima-se prevalência global de 5% em crianças e 2,5% em adultos. • Mais comum em meninos (2:1); em meninas, frequentemente predomina o tipo desatento. Desenvolvimento e Curso • Os sintomas geralmente surgem antes dos 12 anos, muitas vezes aos 3-6 anos. • Hiperatividade tende a diminuir com a idade, mas desatenção pode persistir. • Muitos continuam apresentando sintomas na adolescência e idade adulta, embora com apresentação diferente. Fatores de Risco e Prognóstico Genéticos: • Alta herdabilidade (~76%). • Parentes de 1º grau têm maior risco. Ambientais: • Baixo peso ao nascer. • Exposição pré-natal a álcool, tabaco, drogas. • Ambientes familiares adversos. Prognóstico: • Melhor quando há suporte familiar, diagnóstico precoce e intervenção apropriada. • Pior quando há comorbidades, ambientes desfavoráveis e persistência de sintomas. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura • A percepção do comportamento hiperativo varia entre culturas. • Algumas culturas toleram mais a agitação infantil do que outras. • Pode haver subdiagnóstico em contextos onde o comportamento agitado é menos notado ou atribuído a outros fatores. Questões Diagnósticas Relativas ao Sexo e ao Gênero • Meninos tendem a apresentar mais sintomas de hiperatividade/impulsividade. • Meninas frequentemente apresentam mais sintomas de desatenção, o que pode levar ao subdiagnóstico. • Mulheres adultas com TDAH muitas vezes não foram diagnosticadas na infância. Marcadores Diagnósticos • Não há biomarcadores laboratoriais específicos. • Análises de neuroimagem mostram alterações em circuitos cerebrais relacionados à atenção e ao controle inibitório (ex.: córtex pré-frontal). • Avaliação clínica e comportamental ainda é o principal meio diagnóstico. Associação com Pensamentos ou Comportamentos Suicidas • Maior risco de comportamentos suicidas, especialmente quando associado a depressão, transtornos de conduta ou uso de substâncias. • A impulsividade pode contribuir para tentativas impulsivas de suicídio. Consequências Funcionais do TDAH • Dificuldades acadêmicas e de aprendizado. • Problemas em manter emprego ou relacionamentos estáveis. • Comportamentos de risco (acidentes, direção perigosa). • Maior risco de uso de substâncias. • Impacto significativo na autoestima e qualidade de vida. Diagnóstico Diferencial • Transtorno de oposição desafiante: Comportamento desafiante, mas não impulsividade generalizada. • Transtorno de ansiedade: Pode causar desatenção, mas por preocupação excessiva. • Transtorno do humor: Oscilações de humor e irritabilidade, mas sem histórico persistente de TDAH. • Transtorno do espectro autista: Pode apresentar desatenção e hiperatividade, mas com déficits sociais centrais. • Transtorno da aprendizagem: Déficits específicos no aprendizado, sem sintomas generalizados de desatenção/hiperatividade. Comorbidade • Frequente com: • Transtornos de aprendizagem. • Transtorno de oposição desafiante. • Transtorno de conduta. • Transtornos de ansiedade e depressão. • Transtorno do uso de substâncias. • Transtornos do sono. • Transtorno do espectro autista. Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 5. Transtorno Específico da Aprendizagem Critérios Diagnósticos A. Dificuldades na aprendizagem e uso de habilidades acadêmicas (por ≥ 6 meses), apesar de intervenções: 1. Leitura imprecisa ou lenta. 2. Dificuldade de compreensão do que é lido. 3. Dificuldade com ortografia. 4. Dificuldade com expressão escrita. 5. Dificuldade com senso numérico, memorização de fatos matemáticos. 6. Dificuldade em raciocinar matematicamente. B. As habilidades acadêmicas estão abaixo do esperado para a idade e interferem no desempenho escolar/profissional. C. Os problemas começaram na idade escolar, mesmo que só se tornem evidentes mais tarde. D. As dificuldades não são explicadas por deficiência intelectual, problemas visuais/auditivos, outros transtornos neurológicos ou condições adversas. Procedimentos para Registro Registrar com especificadores: • Com prejuízo na leitura (dislexia) • Com prejuízo na expressão escrita • Com prejuízo na matemática (discalculia) Especificar também o nível de gravidade: • Leve: algumas dificuldades em uma ou duas áreas. • Moderado: intervenção intensiva é necessária. • Grave: precisa de ensino individualizado contínuo. Características Diagnósticas • Envolve dificuldades persistentes e específicas em leitura, escrita e/ou matemática. • O QI é geralmente normal ou acima da média. • O problema não é global, mas localizado em áreas específicas da aprendizagem. • Sintomas devem persistir por pelo menos 6 meses, mesmo após ajuda adequada. Características Associadas • Baixa autoestima e autoconfiança. • Ansiedade em contextos escolares. • Evitação de tarefas escolares. • Pode haver histórico familiar da condição. • Dificuldades em funções executivas (ex: planejamento, organização). Prevalência • Aproximadamente 5% a 15% das crianças em idade escolar. • Dislexia é o tipo mais comum. • Maior prevalência em meninos, mas pode ser subdiagnosticado em meninas. Desenvolvimento e Curso • Começa na infância e persiste até a vida adulta. • Sinais podem ser observados nos primeiros anos escolares. • A intensidade dos sintomas pode mudar ao longo do tempo, mas dificuldades costumam permanecer. Fatores de Risco e Prognóstico Genéticos: • Forte componente hereditário. • Maior risco se houver histórico familiar. Ambientais: 1. Prematuridade, baixo peso ao nascer. 2. Exposição pré-natal a álcool ou nicotina. 3. Estímulos educacionais precários. Prognóstico: • Melhor com diagnóstico precoce e intervenção adequada. • Dificuldades não tratadas podem impactar a escolaridade, autoestima e vida profissional. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura • Avaliação deve considerar diferenças linguísticas e educacionais. • Crianças bilíngues podem apresentar dificuldades que não caracterizam um transtorno. • Importância de avaliações padronizadas e sensíveis à cultura. Questões Diagnósticas Relativas ao Sexo e ao Gênero • Mais frequentemente diagnosticado em meninos. • Meninas podem ter sintomas menos disruptivos e por isso são menos diagnosticadas. • Diferenças comportamentais e sociais influenciam a detecção. Associação com Pensamentos ou Comportamentos Suicidas • Pode haver maior risco de pensamentos ou comportamentos suicidas, especialmente quando há: o Baixa autoestima o Transtornos depressivos ou de ansiedade comórbidos Consequências Funcionais 1. Baixo desempenho escolar persistente. 2. Problemas na progressão acadêmica e nas oportunidades de trabalho. 3. Pode afetar autoestima, motivação e relações sociais. 4. Risco aumentado de evasão escolar. Diagnóstico Diferencial • Transtorno do desenvolvimento intelectual: prejuízo global em múltiplas áreas. • Transtorno de déficitde atenção/hiperatividade (TDAH): dificuldades atencionais, mas não específicas na aprendizagem. • Transtornos neurológicos (ex: epilepsia): se há prejuízo cognitivo generalizado. • Fatores psicossociais ou ambientais: falta de acesso à educação de qualidade. • Diferença linguística (ex: aprender em segunda língua): não configura transtorno. Comorbidade • Frequentemente associado a: o TDAH o Transtornos de ansiedade o Transtornos depressivos o Transtornos da comunicação o Transtorno do espectro autista Capítulo – Transtornos do Neurodesenvolvimento Livro: do DSM-5-TR (páginas 35 a 99) 6. Transtornos Motores 1. Incluem: o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação o Transtorno de Movimentos Estereotipados o Transtornos de Tiques (como a Síndrome de Tourette) 6.1 Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Critérios Diagnósticos A. Aquisição e execução de habilidades motoras coordenadas estão substancialmente abaixo do esperado para a idade, interferindo nas atividades diárias (ex: quedas, dificuldade com escrita, amarrar sapatos). B. O prejuízo interfere significativamente no desempenho acadêmico, ocupacional ou em atividades da vida diária. C. O início dos sintomas ocorre na infância (primeiros anos do desenvolvimento). D. As dificuldades não são explicadas por deficiência intelectual, condição neurológica ou transtorno visual. Características Diagnósticas • Déficits significativos na coordenação motora fina e/ou grossa. • Crianças podem parecer desajeitadas, descoordenadas ou lentas. • Dificuldades comuns: vestir-se, usar talheres, correr, pular, andar de bicicleta, escrever. • O QI é geralmente normal, mas a motricidade está abaixo da média. Características Associadas • Baixa autoestima, frustração com tarefas motoras. • Evitação de atividades físicas ou esportes. • Dificuldades sociais por fraco desempenho em atividades em grupo. • Pode haver atraso no desenvolvimento de marcos motores (ex: engatinhar, andar). Prevalência • Estima-se entre 5% e 6% das crianças em idade escolar. • Mais comum em meninos. • Pode persistir na adolescência e vida adulta em até 50-70% dos casos. Desenvolvimento e Curso • Os primeiros sinais aparecem nos primeiros anos escolares. • O transtorno é geralmente persistente, mas a gravidade pode diminuir com o tempo. • Intervenções precoces ajudam na adaptação e no desenvolvimento de estratégias compensatórias. Fatores de Risco e Prognóstico Genéticos e fisiológicos: • Mais comum em crianças com parto prematuro ou baixo peso ao nascer. • Frequente em crianças com história familiar de transtornos do neurodesenvolvimento. Prognóstico: • Melhora com terapias ocupacionais e físicas. • Persistência está relacionada à gravidade e ao acesso à intervenção. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura • A avaliação deve considerar o contexto cultural e oportunidades de desenvolvimento motor. • Atrasos motores só devem ser considerados clinicamente relevantes se afetarem o funcionamento adaptativo esperado culturalmente. Consequências Funcionais • Dificuldade em atividades acadêmicas (escrever, recortar). • Problemas com tarefas cotidianas (vestir-se, higiene pessoal). • Exclusão social e bullying. • Impacto emocional (vergonha, ansiedade, evitação de atividades em grupo). Diagnóstico Diferencial • Transtorno do desenvolvimento intelectual: prejuízo global, não apenas motor. • Transtornos neurológicos (ex: paralisia cerebral): presença de sinais neurológicos evidentes. • Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH): desatenção e impulsividade predominam. • Transtorno do espectro autista: déficits na interação social e comportamentos repetitivos além das dificuldades motoras. • Transtorno específico de aprendizagem: prejuízos mais acadêmicos do que motores. Comorbidade • Frequentemente associado a: o TDAH o Transtornos da comunicação o Transtornos específicos da aprendizagem o Transtorno do espectro autista o Transtornos ansiosos e depressivos (por consequências psicossociais) 6.2 Transtorno do Movimento Estereotipado Critérios Diagnósticos A. Comportamentos motores estereotipados repetitivos, aparentemente impulsivos e não funcionais (ex: acenar com as mãos, bater a cabeça, balançar o corpo). B. Os comportamentos interferem significativamente nas atividades sociais, acadêmicas ou outras, ou resultam em lesão física. C. O início ocorre no período do desenvolvimento (geralmente antes dos 3 anos). D. Os comportamentos não são atribuíveis aos efeitos fisiológicos de uma substância ou condição neurológica (ex: lesão cerebral). E. Se ocorrem em contexto de transtorno do desenvolvimento intelectual ou do espectro autista, devem ser suficientemente graves para justificar um diagnóstico adicional. Procedimentos para Registro Registrar da seguinte forma: • Transtorno do Movimento Estereotipado, com/sem comportamento autolesivo, com/sem transtorno associado (ex: deficiência intelectual, autismo) Exemplo: • Transtorno do movimento estereotipado, com comportamento autolesivo, associado ao transtorno do espectro autista, de gravidade moderada. Especificadores • Com comportamento autolesivo • Sem comportamento autolesivo • Associado a condição médica ou ao neurodesenvolvimento (ex: autismo, deficiência intelectual) • Gravidade: leve, moderada ou grave Características Diagnósticas • Movimentos são ritmados, repetitivos e previsíveis. • Comuns: bater as mãos, balançar o corpo, bater cabeça. • Podem ser provocados por excitação, estresse, frustração ou tédio. • Alguns indivíduos conseguem suprimir os movimentos por curtos períodos. Prevalência • Mais comum em crianças com deficiência intelectual severa ou transtorno do espectro autista. • Também pode ocorrer em crianças com desenvolvimento típico (prevalência mais baixa). Desenvolvimento e Curso • Início precoce: geralmente antes dos 3 anos. • Pode diminuir com a idade, mas persiste em alguns casos. • Em crianças com desenvolvimento típico, tende a desaparecer espontaneamente. • Persistência e gravidade maiores em casos associados a transtornos do neurodesenvolvimento. Fatores de Risco e Prognóstico • Neurobiológicos: • Associado a deficiência intelectual e transtorno do espectro autista. • Lesões precoces do sistema nervoso central aumentam o risco. Prognóstico: • Melhor quando o transtorno não está associado a outras condições. • Risco de lesão física se os comportamentos forem autolesivos e frequentes. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura • Movimentos rituais ou tradicionais em determinados contextos culturais não devem ser confundidos com comportamentos patológicos. • É fundamental avaliar o impacto funcional para determinar se é clinicamente significativo. Diagnóstico Diferencial • Transtorno do espectro autista: os movimentos estereotipados fazem parte dos critérios, mas, se forem acentuados e causarem prejuízo, pode haver diagnóstico adicional. • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): as ações são menos rítmicas e mais baseadas em pensamentos obsessivos. • Transtornos de tiques: movimentos são mais rápidos, súbitos e variados. • Síndrome de Rett: envolve perda de habilidades, além de estereotipias manuais específicas. • Condições médicas neurológicas: como epilepsia, distonias, ou efeitos colaterais de medicamentos. Comorbidade • Comum com: o Transtorno do espectro autista o Transtorno do desenvolvimento intelectual o Transtornos de comunicação o Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) 6.3 Transtornos de Tiques (como a Síndrome de Tourette) Critérios Diagnósticos • Tique: movimento ou vocalização súbito, rápido, recorrente, não rítmico, que pode ser: o Motores (ex: piscar, sacudir a cabeça, dar saltos) o Vocais (ex: pigarrear, grunhir, repetir palavras) Há quatrotranstornos principais: 1. Transtorno de Tourette • Múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal (não precisam ocorrer ao mesmo tempo). • Duração de mais de 1 ano. • Início antes dos 18 anos. 2. Transtorno de Tiques Motores ou Vocais Persistentes • Tiques somente motores ou somente vocais (não ambos). • Duração de mais de 1 ano. • Início antes dos 18 anos. 3. Transtorno de Tiques Transitórios 1. Um ou mais tiques motores e/ou vocais. 2. Duração inferior a 12 meses. 3. Início antes dos 18 anos. 4. Transtorno de Tiques Indiferenciado (F95.9) • Quando não se enquadra nos critérios acima, mas ainda se trata de um transtorno de tique. Especificadores • Com início precoce (antes dos 6 anos) • Gravidade: leve, moderado ou grave • Com ou sem comprometimento funcional Características Diagnósticas • Tiques são involuntários, mas alguns indivíduos relatam impulsos premonitórios (sensações antes do tique). • Podem ser suprimidos temporariamente, mas causam desconforto. • Estresse, ansiedade ou excitação geralmente agravam os sintomas. Prevalência • Transtorno de Tourette: 0,3% a 0,8% em crianças. • Mais comum em meninos (3 a 4 vezes mais do que em meninas). • Tiques transitórios são comuns na infância. Desenvolvimento e Curso • Início entre 4-6 anos, com pico de gravidade entre 10-12 anos. • Em muitos casos, os tiques diminuem na adolescência. • Alguns persistem na vida adulta, especialmente quando há comorbidades (ex: TDAH). Fatores de Risco e Prognóstico • Genéticos: Forte componente hereditário, especialmente em Tourette. • Neurobiológicos: Anormalidades nos circuitos cortico-estriado-talâmicos. • Psicossociais: Estresse e ansiedade podem agravar os sintomas. Questões Diagnósticas Relativas à Cultura • A expressão e interpretação dos tiques pode variar entre culturas. • Pode haver estigmatização ou incompreensão cultural, dificultando o diagnóstico. Questões Diagnósticas Relativas ao Sexo e ao Gênero • Mais comum em meninos, mas meninas tendem a ter comorbidades emocionais mais severas, como ansiedade e depressão. Associação com Pensamentos ou Comportamentos Suicidas • Indivíduos com Tourette, especialmente com comorbidades psiquiátricas, têm maior risco de ideação e comportamento suicida. • Importante monitorar sofrimento emocional e oferecer suporte. Consequências Funcionais dos Transtornos de Tique • Podem causar: o Dificuldades sociais o Problemas escolares o Estigma e bullying o Vergonha ou retraimento • A gravidade depende do tipo, frequência e impacto dos tiques. Diagnóstico Diferencial • Transtorno do movimento estereotipado: tiques são mais súbitos e variáveis. • Mioclonia: movimentos mais rítmicos. • Coreia ou distonias: geralmente mais lentos e contínuos. • Transtornos compulsivos: os comportamentos são intencionais e ligados a pensamentos obsessivos. Comorbidade • Comum com: o TDAH (até 60%) o TOC o Transtornos de ansiedade e de aprendizagem o Transtornos do humor