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Anatomia e Fisiologia 
• Níveis de organização 
Químico → Celular → Tecidual → Orgânico → Sistêmico → Organísmico 
• Posição anatômica 
Termos direcionais: 
Superior (cefálico ou cranial) Distal 
Inferior (caudal) Proximal 
Anterior (ventral) Ipsilateral 
Posterior (dorsal) Contralateral 
Lateral Superficial (externo) 
Intermediário Profundo (interno) 
 
Plano anatômicos: 
 
Cavidades: 
 
Regiões abdominais: 
 
 
 
Sistema Linfático 
O sistema linfático é um sistema de drenagem que remove excesso de fluido 
nos tecidos e o devolve à corrente sanguínea. Se trata de um subsistema dos 
sistemas circulatório e imune. 
O principal objetivo do sistema circulatório é levar oxigênio e nutriente aos 
tecidos e remover resíduos. Essa troca ocorre nos capilares sanguíneo, o plasma 
sanguíneo contendo nutrientes desloca-se para fora dos capilares na extremidade 
arterial dos leitos capilares, e o fluido de tecidos contendo resíduos é reabsorvido 
para dentro na extremidade venosa. Entretanto, nem todo o fluido retorna para a 
corrente sanguínea, cerca de 15% são deixados nos tecidos e, se acumulado, pode 
gerar inchaço. 
O sistema linfático capta o excesso de fluido e o devolve ao sistema 
circulatório. Diferentemente do circulatório, o sistema linfático não é fechado, se trata 
de uma rede unilateral e aberta de vasos. Os vasos linfáticos começam como 
capilares feitos de células endoteliais sobrepostas; as abas sobrepostas funcionam 
como uma válvula unilateral. Quando fluido é acumulado no tecido, a pressão 
intersticial aumenta, afastando as células e permitindo que o fluido entre no capilar. À 
medida que a pressão dentro do capilar aumenta, as células endoteliais se aderem e 
a saída do fluido é impedida. 
Os capilares linfáticos possuem um diâmetro maior quando comprados aos 
capilares sanguíneos, o que possibilita a entrada de células imunitárias (macrófagos), 
bactérias e macromoléculas (lipídeos e proteínas). 
Uma vez dentro dos vasos linfáticos, o fluido recuperado é chamado linfa. O 
fluxo da linfa é possibilitado pela contração da musculatura lisa das paredes dos vasos e 
compressão dos vasos. O trajeto pode ser descrito por: 
Capilares → Vasos linfáticos → Troncos linfáticos → Ductos linfáticos → Veia 
(corrente sanguínea) 
Ao longo do caminho, a linfa passa por vários gânglios linfáticos (linfonodos) que 
atuam como filtros, limpando o fluido antes deste atingir a corrente sanguínea. Os 
linfonodos são pequenas estruturas espalhadas ela rede linfática , sendo mais 
proeminentes nas áreas onde os vasos convergem; contêm macrófagos e células 
dendríticas que fagocitam quaisquer agentes patogênicos que possam ter sido coletados 
de um tecido infectado, além de linfócitos T e B (envolvidos nas respostas imunológicas 
adaptativas – processo que produz linfócitos ativos e anticorpos específicos para o agente 
patógeno; quando necessários pelo organismo, são transportados para o sistema 
circulatório pela linfa). 
Toda a linfa retorna ao sistema circulatório por meio dos ductos linfáticos: direito 
e torácico. 
O sistema linfático também inclui órgãos com tecido linfático, que se dividem em 
primários e secundários: 
• Primários – Timo e Medula óssea. São locais de produção, maturação e seleção 
de linfócitos. A medula óssea produz os linfócitos B e células pré-T e o Timo 
atua na maturação dos linfócitos T. 
A seleção é o processo no qual os linfócitos aprendem a distinguir os 
elementos pertencentes ou não ao organismo, para que possam reconhecer e 
destruir agentes patógenos sem destruir células do próprio corpo. Os 
linfócitos, então, partem em direção aos órgãos secundários, onde se 
encontram com patógenos e são ativados. 
• Secundários – responsáveis pela resposta imune (reconhecimento de antígeno 
e resposta celular ou humoral). 
o Linfonodos: filtram a linfa, eliminam agentes estranhos e armazenam 
células do sistema imune. 
o Baço: filtra e elimina agentes estranhos e armazenam células do sistema 
imune. 
o Nódulos linfáticos: revestem os sistemas digestório, urinário e genital, 
assim como as vias respiratórias. 
o Tonsilas: tonsilas palatina, lingual e adenoide (faríngea). Atuam contra 
substâncias estranhas inaladas ou ingeridas. 
 
Sistema Imune e Inflamação 
O sistema imunológico é essencial para manter o equilíbrio interno do corpo 
(homeostase), que garante a estabilidade das condições fisiológicas mesmo diante de 
mudanças no ambiente externo ou interno ao organismo. Quando esse equilíbrio é 
rompido por agentes agressores (como infecções, traumas ou toxinas), ocorre o que 
denominamos como doença: uma alteração não compensada na homeostase ou na 
morfostase (manutenção da forma e estrutura dos tecidos). 
Uma das primeiras consequências de agressões é a injúria celular, estado em que 
a célula sofre danos mas é capaz de se recuperar. A injúria celular pode se dar de diversas 
formas, como hipoxia, exposição a agentes físicos (como calor ou trauma) ou químicos 
(como poluentes ou medicamentos), microrganismos infecciosos, reações do próprio 
sistema imune (doenças autoimunes) ou, até mesmo, desequilíbrios nutricionais. Se o 
estímulo agressor for muito intensou ou prolongado, a célula pode atingir um estado 
irreversível que ocasiona em sua morte. 
Para defender o organismo contra esses agentes nocivos, o sistema imune conta 
com uma série de mecanismos. A imunidade, que é a capacidade de resistir a doenças, 
depende de células especializadas, proteínas de defesa, do sistema linfático e barreiras 
físicas (como pele e mucosas). A pele, por exemplo, age como uma barreira física graças 
às suas camadas de células bem aderidas e à presença de queratina . 
A resposta do sistema imune a agressões é dada e duas maneiras principais: 
resposta inata e resposta adaptativa. A resposta inata é rápida, inespecífica e está sempre 
pronta para agir. Ela inclui barreiras físicas, células como fagócitos (neutrófilos e 
macrófagos) e Natural Killer (NK), que identificam e destroem células infectadas ou 
tumorais, além de substâncias antimicrobianas como interferons (glicoproteínas 
secretadas pelas células do sistema imunológico com o objetivo de combater elementos 
estranhos ao organismo) e o sistema complemento (cascata de proteínas que marcam 
patógenos para facilitar a fagocitose, atraem células para o local da infecção e atuam para 
a lise celular). 
O processo de inflamação é caracterizado por eritema (vermelhidão), calor, dor, 
inchaço e, em alguns casos, perda de função. A inflamação começa com a liberação de 
mediadores químicos, como histamina, prostaglandinas e leucotrienos, que causam 
vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular, permitindo que células de def esa, 
tais como neutrófilos e macrófagos, migrem para o tecido afetado . A fagocitose é 
fundamental nesse processo, os leucócitos englobam e destroem microrganismos, 
enquanto citocinas regulam a intensidade da resposta. 
Por outro lado, a resposta adaptativa é mais lenta e altamente específica, sendo 
capaz de reconhecer e lembrar patógenos específicos para responder de forma mais 
eficiente em futuras exposições. O processo de resposta adaptativa inicia-se com a 
apresentação do antígeno por células especializadas, como as células dendríticas, que 
capturam, processam e apresentam fragmentos antigênicos aos linfócitos T nos órgãos 
linfoides. Essa apresentação, associada a sinais coestimulatórios, ativa os linfócitos T, que 
por sua vez estimulam a proliferação e diferenciação dos linfócitos B. À medida que a 
infecção é controlada, células de memória são geradas, proporcionando uma proteção 
duradoura. 
As duas principais modalidades da resposta adaptativa são a resposta humoral e 
a resposta celular. A resposta humoral é especialmente eficaz contra patógenos 
extracelulares que circulam nos fluidos corporais. Os linfócitos B, quando ativados, 
produzem grandes quantidadesde anticorpos específicos que são secretados na 
circulação e mucosas, neutralizando e eliminando microrganismos e toxinas microbianas 
no sangue e lúmen de órgãos mucosos. 
Já a resposta celular é mediada, principalmente, pelos linfócitos T e é crucial para 
combater patógenos intracelulares e células alteradas. Os linfó citos T citotóxicos 
reconhecem e destroem células infectadas através da indução de apoptose, enquanto os 
linfócitos T auxiliares coordenam a resposta imune pela liberação de citocinas que ativam 
outras células de defesa. As citocinas também ajudam a direcionar o tipo de resposta 
imune, determinando se o foco será na produção de anticorpos ou na ativação de 
macrófagos. 
A imunidade pode ser ativa, quando o próprio corpo produz uma resposta após 
infecção ou vacinação, gerando memória imunológica, ou passiva, quando anticorpos são 
transferidos de outra fonte, como na amamentação ou em tratamentos com soros, que 
oferecem proteção temporária. 
 
Sistema Endócrino 
O sistema endócrino é responsável pelo controle das funções metabólicas do 
organismo através da produção de hormônios. Essas substâncias regulam a velocidade 
das reações químicas nas células, o transporte de substâncias pelas membranas celulares 
e processos como crescimento, secreção e metabolismo. As glândulas endócrinas, que não 
possuem ductos, liberam hormônios diretamente no sangue, enquanto as glândulas 
exócrinas utilizam ductos para levar suas secreções a locais específicos. Algumas 
glândulas, como o pâncreas e as gônadas, são mistas, apresentando ambas as funções. 
Os hormônios são moléculas sinalizadoras que atuam em concentrações muito 
baixas, ligando-se a receptores específicos nas células-alvo. Essa interação desencadeia 
uma cascata de reações intracelulares, alterando a permeabilidade da membrana, 
ativando ou inibindo enzimas ou regulando a expressão gênica. Suas funçõ es básicas 
incluem controle da reprodução (ciclo menstrual, espermatogênese), crescimento e 
desenvolvimento (características sexuais secundárias), manutenção do ambiente interno 
(equilíbrio de fluidos, pressão arterial, cálcio), regulação do fluxo energético (produção 
de calor, consumo de energia) e modulação do comportamento (humor, apetite). 
A secreção hormonal é controlada principalmente por feedback negativo, em que 
o excesso de hormônio inibe sua própria produção, mantendo o equilíbrio. Com o 
feedback positivo, o oposto acontece. 
Principais glândulas e seus hormônios: 
• Glândula Pineal 
Localização: entre os hemisférios cerebrais. 
Função: regulação do ciclo circadiano, atividades sexuais e reprodução . 
Hormônios: melatonina. 
 
• Hipófise 
Localização: logo abaixo do cérebro, na cela túrcica do osso esfenoide . 
Função: 
→ (1) Adeno-hipófise – produz e secreta hormônios que regulam outras 
glândulas endócrinas e processos fisiológicos. 
→ (2) Neuro-hipófise – armazena e libera hormônios produzidos no 
hipotálamo. 
Hormônios: 
→ (1) – tróficos, que atuam sobre outras glândulas, ou não tróficos. GH 
(hormônio do crescimento), TSH (hormônio estimulante da tireoide), 
ACTH (hormônio adrenocorticotrófico, estimula o córtex adrenal a 
produzir cortisol), FSH (estimula o crescimento dos folículos ovarianos 
e produção de estrogênio em mulheres; estimula a espermatogênese 
em homens), LH (induz ovulação e formação do corpo lúteo; estimula a 
produção de testosterona - células de Leydig), PRL (estimula a 
produção de leite). 
→ (2) – ocitocina (contração uterina no trabalho de parto) e ADH 
(aumenta a reabsorção de água nos rins, vasoconstrição em altas 
doses). 
 
 
• Hipotálamo 
Localização: acima da hipófise. 
Função: controla a hipófise através de fatores liberadores e inibidores . 
Hormônios: 
→ Fatores liberadores – TRH (hormônio liberador de TSH), GnRH 
(liberador de gonadotrofinas – FSH e LH), GHRH (liberador do 
hormônio do crescimento) 
→ Fatores inibidores – somatostatina (inibe GH e TSH) e dopamina (inibe 
secreção de prolactina) 
 
• Tireoide 
Localização: porção anterior do pescoço, 2 lobos de cada lado da traqueia 
conectados por um istmo. 
Função: regulação do metabolismo basal, crescimento e desenvolvimento e 
controle do cálcio sanguíneo. 
Hormônios: T3 e T4 (controlam o metabolismo energético, temperatura 
corporal e síntese proteica) e calcitonina (reduz o cálcio no sangue, inibindo 
osteoclastos e aumentando excreção renal de cálcio). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Paratireoide 
Localização: quatro glândulas pequenas na porção anterior da tireoide. 
Função: regulação do cálcio e fósforo no sangue. 
Hormônios: PTH (aumenta o cálcio sanguíneo por ativação de osteoclastos, 
reabsorção de cálcio nos rins e ativação da vitamina D, que aumenta a absorção 
intestinal de cálcio, e reduz o fósforo na corrente sanguínea pelo aumento da 
excreção renal). 
 
 
 
 
 
 
• Timo 
Localização: entre os pulmões, à frente do coração. 
Função: maturação de linfócitos T. 
Hormônios: timosina (acredita-se estimular a manutenção dos linfócitos nos 
órgãos linfoides) 
 
• Suprarrenais (adrenais) 
Localização: parte superior de cada rim. 
Função: 
→ Manutenção do equilíbrio metabólico – cortisol 
→ Regulação da pressão arterial – aldosterona (reduz excreção de Na+ e 
aumenta a excreção de K+) 
→ Respostas ao estresse agudo – adrenalina/noradrenalina (ativação do 
sistema nervoso simpático) 
→ Produção de hormônios sexuais secundários – testosterona 
 
 
• Pâncreas 
Função: produção de hormônios que regulam a glicemia via ilhotas de 
Langerhans. 
Hormônios: insulina (produzida pelas células beta, atuação na redução de 
glicose no sangue, armazenando-a em forma de glicogênio/gordura) e 
glucagon (produzido pelas células alfa, aumenta a glicose no sangue, 
quebrando glicogênio/gordura). 
 
• Ovários 
Função: produção de óvulos (exócrina) e secreção de hormônios sexuais 
(endócrina). 
Hormônios: estrogênio (dominância na fase folicular, desenvolvimento de 
características sexuais femininas e regulação do ciclo menstrual – proliferação 
do endométrio) e progesterona (dominante na fase lútea, preparação do 
endométrio para implantação do embrião e manutenção da gravidez). 
 
• Testículos 
Função: produção de espermatozoides (exócrina) e secreção de hormônios 
sexuais (endócrina). 
Hormônios: testosterona (produzida por células de Leydig, desenvolvimento 
de características sexuais masculinas e atuação na espermatogênese, com 
FSH). 
 
• Placenta 
Função: troca de nutrientes/gases entre mãe e feto e produção hormonal para 
manutenção da gravidez. 
Hormônios: gonadotropina coriônica (mantém o corpo lúteo), progesterona 
(desenvolvimento do endométrio antes da implantação do óvulo fertilizado, 
previne contrações uterinas e mantém a gravidez), estrogênio (crescimento de 
órgãos sexuais da mãe e de alguns tecidos do feto), somatomamotropina 
(crescimento de alguns tecidos fetais e desenvolvimento das mamas da mãe). 
 
Diabetes 
A diabetes é um distúrbio metabólico caracterizado pelo aumento anormal das 
taxas de glicose no sangue (hiperglicemia), o que, com o tempo, pode levar a complicações 
neuropáticas e vasculares. Esse desequilíbrio está diretamente relacionado à ação de dois 
hormônios fundamentais no metabolismo energético: a insulina e o glucagon. 
A insulina é um hormônio associado à abundância de energia, sendo liberado 
principalmente em resposta à alta ingestão de carboidratos. Entre seus efeitos no 
metabolismo, é possível destacar o aumento da captação de glicose pelas células, a 
conversão de glicose em glicogênio no fígado e músculos e a transformação do excesso de 
carboidratos em gordura. 
Por outro lado, o glucagon está associado à escassez de energia e é liberado em 
situação de hipoglicemia, jejum prolongado ou exercícios intensos. Seus efeitos incluem 
a quebra do glicogênio em glicólise, a produção de glicose a partir de aminoácidose 
mobilização de gordura armazenada, liberando ácidos graxos como fonte alternativa de 
energia. 
Existem dois tipos principais de diabetes: tipo 1 e tipo 2. A diabetes do tipo 1 se 
trata de uma doença autoimune na qual ocorre a destruição das células beta do pâncreas, 
que são responsáveis pela produção de insulina. Isso leva a uma deficiência absoluta do 
hormônio, resultando em hiperglicemia, uma vez que a glicose não consegue entrar nas 
células. Como consequência, o organismo passa a utilizar gordura como fonte primá ria 
de energia, aumentando a lipólise e a formação de corpos cetônicos (que pode levar a 
cetoacidose diabética). Os sintomas incluem: 
• Poliúria 
• Polidipsia 
• Polifagia 
• Hiperglicemia 
• Perda de peso 
O tratamento exige reposição contínua de insulina por meio de injeções ou bombas 
de infusão. 
A diabetes do tipo 2 está associada à resistência à ação da insulina, 
frequentemente relacionada a fatores como obesidade, sedentarismo e predisposição 
genética. Nesse caso, o pâncreas pode até produzir insulina, mas as células não 
respondem adequadamente a ela, dificultando a entrada de glicose e mantendo os níveis 
de glicose elevados no sangue. Além da hiperglicemia crônica, pode ocorrer o acúmulo de 
gordura visceral e dislipidemia. O tratamento inclui mudanças no estilo de vida (dieta 
balanceada e exercícios físicos), medicamentos orais e, em casos mais avançados, 
insulina. 
Os efeitos nocivos da diabetes incluem: redução da captação de glicose pelas 
células, perda de glicose na urina (o excesso de glicose no sangue ultrapassa a capacidade 
de reabsorção renal) e desidratação devido à diurese osmótica. Em casos graves, a 
cetoacidose pode surgir devido ao uso intenso de gorduras, levando à acidose metabólica. 
As complicações crônicas da diabetes são graves e progressivas, afetando 
múltiplos sistemas: 
• Nefropatia diabética – leva à perda gradual da função renal, podendo evoluir 
para insuficiência renal. 
• Neuropatia diabética – causa danos aos nervos, prejudicando a sensibilidade e 
função motora. 
• Retinopatia diabética – provoca lesões vasculares na retina, podendo levar à 
cegueira. 
• Pé diabético – decorrente de má circulação e neuropatia, pode resultar em 
úlceras de difícil cicatrização. 
 O diagnóstico da diabetes é feito por meio de exames de urina e sangue, como a 
detecção de glicose na urina e a curva de tolerância à glicose, que revela níveis elevados 
de glicemia após a ingestão de carboidratos. O monitoramento contínuo é essencial, 
utilizando medidores de glicemia, lancetas e fitas reagentes para ajustar o tratamento. 
O tratamento visa manter o metabolismo normal de carboidratos, gorduras e 
proteínas, seja por meio de insulina exógena (no tipo 1) ou por medicamentos e 
mudanças no estilo de vida (no tipo 2). Bombas de insulina também são uma opção para 
controle mais preciso da glicemia. 
 
 
 
 
 
 
 
Sistema reprodutor masculino 
O sistema reprodutor masculina é um conjunto complexo de órgãos especializados 
na produção, armazenamento e transporte dos gametas masculinos, além da secreção de 
hormônios sexuais. É composto por gônadas (testículos), ductos, glândulas acessórias e 
estruturas de suporte. 
 
 
 
Os testículos (gônadas masculinas) estão alojados no escroto, uma bolsa de pele 
frouxa que mantém os testículos em temperatura abaixo da corporal (de 2°C a 3°C), 
essencial para a produção eficiente de espermatozoides. Internamente, os testículos 
contêm os túbulos seminíferos, onde ocorre o processo de espermatogênese, e células 
especializadas: células de Sertoli e células de Leydig. 
 
O sistema de ductos inclui o epidídimo, onde os espermatozoides adquirem 
motilidade e são transportados por contrações peristálticas; o ducto deferente (+ 
ampola), que armazena os espermatozoides por meses até condução para o ducto 
ejaculatório; ductos ejaculatórios, que iniciam acima da próstata, passam por ela e 
terminam na região prostática da uretra; e a uretra, que conduz o sêmen para o exterior, 
contendo um esfíncter interno que previne o refluxo. As glândulas acessórias (próstata, 
vesículas seminais e glândulas bulbouretrais) produzem secreções que compõem o 
sêmen. 
 
 
 
 
 
A espermatogênese ocorre em etapas sequenciais nos túbulos seminíferos: as 
espermatogônias diferenciam-se em espermatócitos primárias, que sofrem meiose I para 
formar espermatócitos secundários, os quais, por meiose II, originam espermátides que 
se diferenciam em espermatozoides maduros. Este processo é regulado pelo eixo 
hipotálamo-hipófise-testicular: o hipotálamo secreta GnRH, que estimula a hipófise a 
liberar LH (estimulando a produção de testosterona pelas células de Leydig) e FSH (que 
ativa as células de Sertoli). A testosterona e a inibina exercem feedback negativo sobre 
esse eixo. 
 
 
 
 
 
 
A testosterona é o principal hormônio androgênico, responsável pelo 
desenvolvimento das características sexuais primárias (órgãos genitais) e secundárias 
(crescimento muscular, pelos corporais, voz grave, aumento de secreções sebáceas - 
acne). Alterações nesse sistema podem levar à infertilidade masculina por orquite 
bilateral, criptorquidia (falha na descida testicular), exposição a altas temperaturas ou 
anormalidades espermáticas. 
As principais patologias prostáticas incluem prostatite (inflamação), a hiperplasia 
prostática benigna (crescimento não canceroso que pode obstruir a uretra) e o câncer de 
próstata, cujo crescimento é estimulado pela testosterona e pode metastizar para os 
ossos. A disfunção erétil, outra condição comum, pode ter causas vasculares, endócrinas 
(como diabetes) ou neurológicas, sendo tratada com terapia hormonal ou medicamentos 
específicos. 
Os métodos contraceptivos incluem opções hormonais, que inibem a produção de 
espermatozoides, ou não hormonais, como preservativos e vasectomia. 
 
Sistema reprodutor feminino 
O sistema reprodutor feminino é um conjunto integrado de órgãos especializados 
na produção de gametas, recepção de espermatozoides, nutrição embrionária e 
desenvolvimento fetal. Os ovários (gônadas femininas) possuem dupla função: produção 
de óvulos pelo processo de oogênese e secreção dos hormônios sexuais (estrogên io e 
progesterona). Esses órgãos mantêm em seu interior folículos em diversos estágios de 
desenvolvimento, desde os folículos primordiais (presentes desde o nascimento ) até os 
folículos maduros (de Graaf), que liberam o oócito durante a ovulação. 
 
 
As tubas uterinas (trompas de Falópio) são estruturas essenciais para o transporte 
do oócito e local onde ocorre a fecundação. Suas fímbrias, com movimentos ciliares 
característicos, captam o óvulo liberado pelo ovário e o conduzem até a ampola. O útero, 
órgão muscular com grande capacidade de expansão, possui um revestimento interno 
especializado (o endométrio) que sofre modificações cíclicas para receber o embrião em 
caso de fecundação. A vagina (com pH ácido) completa o trato repro dutivo interno, 
enquanto os órgãos genitais externos (vulva) incluem estruturas como clitóris e lábios. 
Os hormônios sexuais femininos são divididos em: 
• Hormônio hipotalâmico de liberação – hormônio de liberação das 
gonadotropinas e do hormônio luteinizante, 
• Hormônios adeno-hipofisários – gonadotrópicos. FSH e LH 
• Hormônios ovarianos – estrogênio e progesterona 
A regulação do sistema reprodutivo feminino ocorre através do eixo hipotálamo -
hipófise-ovários. O hipotálamo secreta o GnRH, que estimula a hipófise anterior a liberar 
FSH e LH. O FSH promove o crescimento folicular e a produção de estrogênio pelas células 
da granulosa, enquanto o LH induz a ovulação e a formação do corpo lúteo. O estrogênio, 
além de promover o desenvolvimento das características sexuais secundárias, atua no 
endométrio durante a fase proliferativa do ciclo menstrual. Já a progesterona, prod uzida 
pelo corpo lúteo,prepara o útero para a implantação embrionária durante a fase 
secretória. 
 
 
A oogênese, processo de formação dos óvulos, inicia-se ainda na vida fetal, quando 
as oogônias se transformam em oócitos primários que param na prófase da primeira 
divisão meiótica. Na puberdade, alguns desses oócitos completam a meiose I a cada ciclo 
menstrual, formando oócitos secundários que só finalizarão a meiose II se forem 
fecundados. O desenvolvimento folicular acompanha esse processo , começando com 
folículos primordiais que evoluem para folículos primários, secundários, terciários e 
finalmente o folículo maduro, pronto para ovular sob estímulo do pico de LH. 
 
 
 
O ciclo menstrual, com duração média de 28 dias, divide-se em três fases 
principais: 
• Fase folicular – crescimento folicular e aumento dos níveis de estrogênio. 
• Ovulação – desencadeada pelo pico de LH. 
• Fase lútea – secreção de progesterona pelo corpo lúteo. 
Se não ocorrer fecundação, a degeneração do corpo lúteo leva à queda hormonal e 
à menstruação, reiniciando o ciclo. 
 
 
 
 
Quando ocorre a fecundação, o zigoto resultante inicia uma série de divisões 
celulares enquanto migra para o útero. Após cerca de uma emanam o blastocisto formado 
implanta-se no endométrio, iniciando a gestação. O trofoblasto, camada externa do 
blastocisto, começa a produzir hCG, hormônio que mantém o corpo lúteo até que a 
placenta assuma a produção hormonal por volta da 16ª semana. A placenta, formada por 
tecidos maternos e fetais, torna-se o órgão central de trocas nutricionais e gasosas 
durante a gestação, além de produzir hormônios essenciais para sua manutenção . 
 
 
 
Ao longo da vida reprodutiva da mulher, esse sistema passa por transformações 
significativas. A puberdade marca o início da função reprodutivas com a menarca, 
enquanto a menopausa sinaliza seu término. Alterações neste sistema podem levar a 
condições como infertilidade, endometriose ou distúrbios menstruais, exigindo 
intervenção médica. 
As glândulas mamárias, embora não sejam parte direta do trato reprodutivo 
completam o sistema através da produção de leite sob regulação da prolactina e ocitocina, 
garantindo a nutrição do recém-nascido.