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TEORIA DO DIREITO INTRODUÇÃO Direito é o conjunto das regras sociais que disciplinam as obrigações e poderes referentes à questão do meu e do seu, sancionadas pela força do Estado e dos grupos intermediários. CONCEITO DIREITO OBJETIVO (norma agendi): Conjunto de normas jurídicas escritas e não escritas, independente do momento do seu exercício e aplicação concreta, para reger as relações humanas, e que são impostas, coercitivamente à obediência de todos. Obrigatório DIREITO SUBJETIVO (Facultas agendi): É a faculdade de buscar uma garantia jurídica em face de um interesse protegido pelo Direito. Corresponde às possibilidades ou poderes de agir e de exigir de outrem determinado comportamento. Prerrogativa do Sujeito. DIREITO PÚBLICO: aquele que regula as relações em que o Estado é parte e atua na tutela do bem coletivo. DIREITO PRIVADO: é o que disciplina as relações entre particulares. Norma é expressão formal do direito, disciplinadora de condutas. Classificação das Normas Imperatividade impõe um dever aos indivíduos. Ex.: Art. 5º, II – CRFB/88: “II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” Quanto à Imperatividade: - Impositivas: de caráter absoluto; de observância obrigatória. Ordenam ou proíbem alguma coisa de modo absoluto. Ex.: Art. 3º (CC) – “São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.” Quanto à Imperatividade: Dispositivas: regras permissivas ou supletivas. Ex.: Art. 1.640 (CC) – Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial. Quanto ao Autorizamento Autoriza e legitima o uso da faculdade de coagir. Perfeitas: regras cuja violação autoriza simplesmente a declaração de nulidade (absoluta ou relativa) do ato e não aplicação de pena ao violador. Ex. Art. 166 (CC) - É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; Quanto ao Autorizamento - Mais que Perfeitas: são as que por sua violação autorizam a aplicação de duas sanções: a nulidade do ato praticado ou o restabelecimento da situação anterior e ainda a aplicação de uma pena ao violador. Ex1.: CC - Art. 1.521: Não podem casar: VI - as pessoas casadas; Ex2.: CC - Art. 1.548. É nulo o casamento contraído: II - por infringência de impedimento. Pena ao transgressor: Art. 235 (CP) - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena - reclusão, de dois a seis anos. Quanto ao Autorizamento - Menos que Perfeitas: são as que autorizam, na sua violação, a aplicação de uma sanção ao violador, mas não a nulidade do ato. Art. 1.523. Não devem casar: I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros; Sanção: Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; Quanto ao Autorizamento - Imperfeitas: regras Legais sui generis, não prescrevem nulidade para seu descumprimento, nem qualquer sanção direta. Ex.: Art. 74 (CC) - Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar. Quanto à Sistematização: - Codificadas: são aquelas normas jurídicas que perfazem uma lei única que dispõe sistematicamente sobre um dado ramo jurídico, fixando seus princípios e diretrizes gerais. Exs.: Código Civil, Código Tributário Nacional, Código Penal. Quanto à Sistematização: Esparsas: são normas jurídicas que pertencem a diplomas legislativos isolados, que tratam fragmentariamente de ramos específicos do conhecimento jurídico, desdobrando os comandos genéricos estabelecidos em Codificações, a exemplo da Lei de União estável, da Lei de Crimes Hediondos, do Estatuto do Idoso ou da Lei Maria da Penha. Quanto a sua Natureza e disposições: - Substantivas: as que definem direitos e deveres e estabelecem os seus requisitos e forma de exercício. Também chamadas de materiais. Quanto a sua Natureza e disposições: - Adjetivas: regulam o procedimento e processo aplicáveis para fazer cumprir as normas jurídicas substantivas. Também chamadas de processuais ou formais. VALIDADE DA LEI Requisitos: 1) elaboração por um órgão competente (ratione materiae) 2) observância dos procedimentos estabelecidos em lei para a sua produção (processo legislativo) VIGÊNCIA Vigência da lei no tempo: Tempo no qual a lei é obrigatória. A vigência pode coincidir com a validade da norma, mas nem sempre isso ocorre, pois nada obsta que uma norma válida tenha sua vigência postergada para uma data posterior. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-lei 4657/42) Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. § 1o Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada. Correção ao Texto da Lei § 3o Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. § 4o As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Contagem do Prazo - LC 95/98 Art. 8o A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. § 1o A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. § 2o As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a cláusula ‘esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação oficial. INESCUSABILIDADE POR ALEGAÇÃO DE IGNORÂNCIA DA LEI Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. LINDB CESSAÇÃO DA VIGÊNCIA DA LEI Quando cessa a obrigatoriedade de uma lei: - a norma pode ter vigência temporária, quando o elaborador fixa o tempo de sua duração. Ex. Leis Orçamentárias. - a norma pode ter vigência para o futuro sem prazo determinado (Princípio da continuidade), durando até que seja modificada ou revogada por outra Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. LINDB Art. 2º - § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. LINDB CONCEITO DE REVOGAÇÃO: tornar sem efeito uma norma, retirando a sua obrigatoriedade, ou seja, declarar que uma norma não está mais em vigor. - ab-rogação: supressão total da norma anterior - derrogação: torna sem efeito uma parte da norma A revogação pode ser: - expressa: quando o legislador declara extinta a lei velha. Ex.: art. 2.045 CC - tácita: quando houver incompatibilidade entre a lei velha e a nova ou quando a lei nova regular inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior ART. 2º, § 2º - A LEI NOVA, QUE ESTABELEÇA DISPOSIÇÕES GERAIS OU ESPECIAIS A PAR DAS JÁ EXISTENTES, NÃO REVOGA NEM MODIFICA A LEI ANTERIOR. EX.: DUAS LEIS QUE ABRANGEM O TRATAMENTO PRIORITÁRIO AO IDOSO. - PRINCÍPIO DA NÃO-REPRISTINAÇÃO DAS LEIS Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Ex.: benefício concedido e modificado por nova lei. DIREITO INTERTEMPORAL Regra Geral: aplica-se ao fato a lei vigente a época de sua ocorrência. Obrigatoriedade da lei: A lei obriga a partir do diade sua entrada em vigor. A obrigatoriedade da lei incide sobre todos os fatos e situações a que ela se refere. Princípio da Irretroatividade das leis Em regra, deve prevalecer o princípio da irretroatividade das leis, ou seja, as leis não tem efeitos pretéritos, são feitas para regular casos futuros. Contudo, existem casos, em que a lei nova retroage no passado, alcançando consequências jurídicas de fatos efetuados sob a égide da lei anterior. A retroatividade é exceção e não se presume. Existem limites à obrigatoriedade da lei Por imposição constitucional, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” (CF, art. 5º, XXXVI; art. 6º LINDB) - Direito adquirido - Ato jurídico perfeito (sujeito capaz; objeto lícito; forma prescrita em lei) - Coisa julgada (imutabilidade da decisão judicial – não cabe mais recurso) Princípio da Ultratividade das leis Uma norma não mais vigente continua a vincular os fatos anteriores a sua saída do sistema. O Princípio da Ultratividade é a aplicação da lei, mesmo revogada, para fatos ocorridos na época em que ela surtia efeitos. Ex.: Súmula 112 do STF: o imposto de transmissão causa mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão . EFICÁCIA: a eficácia da lei depende do fato de sua observância no meio social no qual é vigente. Eficaz é o direito efetivamente observado e que atinge a sua finalidade. A eficácia da norma jurídica diz respeito a questão de se saber se os seus destinatários cumprem ou não os comandos jurídicos, se os aplicam ou não.