Prévia do material em texto
1 Farmácia Integrada Prof° Dr° Alexandre Bechara Unidade I - Biotecnologia A biotecnologia é um conjunto de tecnologias que utilizam células, organelas celulares e moléculas biológicas, com o objetivo de solucionar problemas, bem como desenvolver e/ou melhorar produtos para a saúde humana. Ex: Produção de vacinas, produção de fármacos, análise de DNA, cultura de tecidos e células, clonagem, transformação genética. Diferenças entre Medicamentos Sintéticos (Fármacos) e Medicamentos Biológicos (Biofármacos) Medicamentos Sintéticos (Fármacos) Medicamentos Biológicos (Biofármacos) Moléculas pequenas (poucos átomos). Moléculas grandes (milhares de átomos). Estruturas simples e estáveis. Estruturas complexas e instáveis. Produzidos a partir de reações químicas. Produzidos por biossíntese de células vivas. É possível fazer cópias idênticas. Impossível fazer cópias idênticas. Não são imunogênicas. Frequentemente imunogênicas. Administração por via oral. Via parenteral. Medicamentos Biológicos (Biofármacos) Proteínas que são semelhantes às produzidas pelo nosso organismo. Ex: hormônio de crescimento. Proteínas de Fusão são criadas pela união de sequências de genes que codificam completamente ou parte de duas ou mais proteínas. Anticorpos Monoclonais são anticorpos semelhantes aos produzidos no corpo. Oferecem alta especificidade, permitindo o reconhecimento de um único epítopo. Insumos obtidos por Processos Biotecnológicos Insumos Produto Sistema de Produção Indicação Terapêutica Fatores de Coagulação Fator VIII (8) Cultura de células de mamíferos Hemofilia A Fator IX (9) Hemofilia B 2 Fator VIIa (7a) Certas formas de hemofilia Anticoagulantes Fator Ativador de Plasminogênio Cultura de células de mamíferos ou Escherichia coli Infarto agudo do miocárdio Hirudina Levedura Trombocitopenia e prevenção da trombose Hormônios Insulina Levedura / Escherichia coli Diabetes mellitus Hormônio do Crescimento Escherichia coli Deficiência do hormônio em crianças, acromegalia, síndrome de Turner Gonadotrofina Coriônica Cultura de células de mamíferos Reprodução assistida Paratormônio Escherichia coli Osteoporose Fatores Hematopoiéticos Eritropoietina Cultura de células de mamíferos Anemia Fator Estimulante de Colônia Escherichia coli Neutropenia, transplante autólogo de medula Interferonas Alfa-Interferona Escherichia coli Hepatite B e C Beta-Interferona Cultura de células de mamíferos Esclerose múltipla Interleucinas Interleucina 2 Escherichia coli Carcinoma de célula renal Anticorpos Monoclonais Bevacizumabe Cultura de células de mamíferos Carcinoma metastático do cólon ou do reto Etapas Gerais de um Bioprocesso 3 Upstream é a seleção do clone com vetor inserido em seu material genético, empregado no processo de fermentação Fermentação como Processo Unitário Fermentação é um processo em que microrganismos catalisam as transformações de um dado substrato em um produto desejado, ou, de modo mais amplo, todo processo no qual as células e/ou preparados enzimáticos provocam a transformação de substâncias. Pontos Fundamentais do Processo Fermentativo: ● Microrganismo; ● Meio de cultivo; ● Esterilização e desinfecção; ● Aparelhagem; ● Processo fermentativo; ● Separação de produto e subproduto. Características Gerais dos Microrganismos: ● Apresentar elevada eficiência na conversão do substrato em produto; ● Permitir o acúmulo do produto no meio, de forma a se ter elevada concentração do produto; ● Não produzir substância incompatíveis com o produto; ● Apresentar constância quanto ao comportamento fisiológico; ● Não ser patogênico; ● Não exigir condições de processo muito complexas; ● Não exigir meios de cultura dispendiosos. Os microrganismos utilizados em bioprocessos: Linhagem de células de mamíferos (56%), E. coli (24%), Leveduras (13%), Linhagem de células de insetos (4%) e Plantas e animais transgênicos (3%). Células bacterianas são utilizadas para a produção de moléculas simples, como a insulina, devido à sua facilidade de manipulação, rápido crescimento e maior resistência. Em contraste, moléculas mais complexas, que requerem modificações pós-traducionais como a glicosilação, precisam ser produzidas em células de mamíferos. No entanto, essas células são mais exigentes em termos nutricionais, o que torna os processos de cultivo mais caros e complexos. Meio de Cultura ou Meio de Cultivo Em relação ao meio de cultivo espera-se: ● Mais barato possível; ● Atender às necessidades nutricionais (substratos) para o crescimento do microrganismo; ● Auxiliar no controle do processo (substratos para reações químicas); ● Os componentes devem permitir algum tempo de armazenagem, a fim de estarem disponíveis todo o tempo; ● Ter composição razoavelmente fixa; ● Não causar dificuldades no tratamento final do efluente. 4 Aparelhagem Biorreatores ou reatores para processos biológicos são equipamentos (sistemas) que realizam um bioprocesso, capazes de transformar matérias-primas (substratos) em produtos, utilizando agentes biológicos como células, enzimas ou microrganismos. Existem diferentes tipos e tamanhos de biorreatores indicados para uma variedade de processos diferentes. Principal Função: Fornecer um ambiente controlado para o crescimento celular e síntese de um microrganismo para obter um produto desejado. Variáveis Medidas e Controladas de um Biorreator Convencional Tipos de Processos Fermentativos Processo Descontínuo (Batelada): Consiste na adição do meio de cultura e do microrganismo na dorna de fermentação no início do processo, sem haver adição de substrato e/ou retirada do produto até o final do processo fermentativo. Descontínuo Alimentado: Consiste na adição de substrato durante o processo fermentativo e os produtos formados permanecem dentro do reator até o final do processo. Contínuo: Adição do meio de cultura e a retirada do caldo fermentado continuamente, volume constante, o sistema atinge a condição de estado estacionário na qual não há variação da concentração celular, de nutrientes e de produto no meio em fermentação. Semicontínuo: Um processo em que, após o término da fermentação, parte do caldo fermentado é retirado para fins de separação do produto, sendo adicionado no biorreator o mesmo volume do meio de cultura, de modo a adicionar o substrato e, simultaneamente, restabelecer o volume de trabalho. O processo contínuo apresenta maior concentração de produto e de células comparando aos demais processos, isto é, ao descontínuo alimentado, que apresenta menor concentração de produto, porém, o risco de contaminação do processo contínuo é maior comparado aos processos descontínuos. Preparo do Inóculo 5 O microrganismo é inicialmente obtido a partir de uma cultura bacteriana pura, contendo poucas células. Essas células devem estar na fase exponencial de crescimento, fase em que há maior atividade metabólica e disponibilidade máxima de substratos para o crescimento microbiano. O inóculo é então cultivado sucessivamente, em volumes progressivamente maiores, sempre em meios de cultura adequados, com o objetivo de aumentar a quantidade de microrganismos. Esse processo de expansão do inóculo é feito até atingir um volume significativo, que poderá ser transferido para biorreatores ou dornas de fermentação industriais. Todo esse procedimento se inicia em ambiente laboratorial, garantindo a pureza e a viabilidade do microrganismo para o processo de produção em larga escala. Cinética de Processos Fermentativos A cinética de um bioprocesso consiste na análise da evolução dos valores de concentração de um ou mais componentes do sistema de produtivo, em função do tempo do bioprocesso. Durante o processo fermentativo, observa-se que a concentração de substrato (S) diminui continuamente, uma vez que ele é consumido pelos microrganismospara sustentar o crescimento bacteriano. À medida que o substrato é transformado, há o aumento da concentração celular (X) e da concentração de produtos (P). Enquanto houver substrato disponível no meio, o crescimento microbiano e a formação de produtos continuam ocorrendo. Controles de Bioprocessos e Otimização Diminuir o tempo e aumentar a produção, que aumenta a produtividade, pois são produtos dentro de um mercado competitivo. No processo produtivo deve-se medir, analisar dados e controlar. Controles importantes nos bioprocessos: Temperatura, pH, volume, espuma, pressão, agitação, viscosidade, gases. Produzir mais produtos em menos tempo, sem nenhuma intercorrência durante o bioprocesso. Separação do Produto e Subproduto Processo Downstream: As operações de recuperação e purificação, para obtenção do produto final de elevada qualidade. As etapas do processo de purificação dependem de algumas características do produto como: ● Localização do produto produzido pela célula; ● Características físico-químicas do produto, ou seja, tamanho molecular, densidade, concentração, solubilidade, carga elétrica, hidrofobicidade; ● Características físico-químicas do meio de cultura, como viscosidade, densidade, impurezas e partículas indesejáveis; e da aplicação final do produto. 6 Principais Etapas de Recuperação e Purificação de Biomoléculas O processo de purificação pode ser dividido em 4 etapas: Etapas do Processo Operações Unitárias Princípio Separação entre as células e seus fragmentos do meio líquido claro (Clarificação) Filtração Convencional Tamanho das células Centrifugação Tamanho e densidade das células Filtração Tangencial (Membranas) Tamanho das partículas Floculação Hidrofobicidade de partículas Purificação de BAIXA Resolução Precipitação Solubilidade Ultrafiltração (Membranas) Massa molar, raio hidrodinâmico e forma das moléculas Purificação de ALTA Resolução Cromatografia de Troca Iônica Tipo e densidade de carga na superfície da biomolécula Cromatografia de Afinidade Biológica ou Química Absorção em sítios específicos da superfície de uma proteína Cromatografia de Interação Hidrofóbica Hidrofobicidade Cromatografia de Exclusão Molecular Massa Molar Operações para Acondicionamento Final do Produto (Tratamentos Finais) Cristalização Solubilidade e propriedades do equilíbrio líquido-sólido Liofilização Propriedades do equilíbrio líquido-sólido Secagem Propriedades do equilíbrio líquido-sólido Após a clarificação é necessário realizar o rompimento celular por métodos mecânicos, físicos, químicos ou enzimáticos para então separar novamente o líquido do sólido, e em seguida, realizar a purificação de baixa resolução, purificação alta resolução e operações para o acondicionamento do produto final (conservar a estrutura do medicamento biológico, pois possuem maior instabilidade). Métodos de Rompimento Celular (Após a Clarificação): 7 ● Mecânicos (homogeneizador de alta pressão, moinho de bolas, prensa francesa e ultrassom). ● Físicos (choque osmótico, congelamento e descongelamento, aquecimento e secagem). ● Químicos (álcalis, solventes, detergentes e ácidos). ● Enzimáticos (lise enzimática ou inibição da síntese da parede celular). Biorreatores Enzimáticos Utilizar apenas uma cadeia enzimática existente na célula, responsável por uma biotransformação-alvo. As enzimas são catalisadores de alto custo utilizados em alguns processos para obtenção de uma molécula biológica. Para tornar o processo financeiramente viável são necessárias a recuperação e a reutilização das enzimas que podem ser feitas pela aplicação de enzimas na forma imobilizada. As técnicas de imobilização de enzimas podem alterar as propriedades da própria enzima, produzindo biocatalisadores com elevada atividade, especificidade e estabilidade. ● Aprisionamento em matriz (enredamento) ou confinamento. ● Aprisionamento em membranas (encapsulamento) ou encapsulação. ● Adsorção a um suporte. ● A ligação covalente a um suporte. ● A ligação covalente entre moléculas de enzima resultando em reticulação. Tipos de Biorreatores Enzimáticos Reator de Batelada: Terminada a reação, a enzima imobilizada pode ser separada da mistura final com relativa facilidade (filtração ou decantação, por exemplo). Reator de Leito Fixo: Neste tipo de reator, a enzima imobilizada é empacotada, permanecendo sempre estacionária, enquanto a solução de substrato é bombeada através dela. Reator de Leito Fluidizado: A enzima imobilizada neste caso encontra-se em suspensão no interior do reator, sendo a solução de substrato bombeada através dela. A velocidade de fluxo da solução de substrato é alta o suficiente para impedir a deposição das partículas no fundo do reator, e baixa o suficiente para evitar que estas sejam arrastadas no efluente. Reator Agitado Continuamente: Neste caso há entrada e saída contínua de fluido. Eventualmente certa quantidade de enzima pode ser arrastada no efluente, devendo-se, por isso, acoplar na saída um sistema que permita recuperá-la (filtração, por exemplo). Biossegurança Conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de: 8 ● Pesquisa; ● Produção; ● Ensino; ● Desenvolvimento Tecnológico; ● Prestação de serviços (laboratório clínico) capazes de comprometer a saúde do homem, animais, plantas, ambiente ou da qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Sob o ponto de vista da biossegurança, os microrganismos são classificados em dois grupos: Grupo I – Microrganismos não patogênicos. Grupo II – microrganismos patogênicos para o homem, animais e as plantas. São classificados de acordo com sua capacidade de causar infecção, patogenia, transmissão, morbidade, mortalidade, epidemia e por ter ou não tratamento. Classificação de Risco dos Agentes Biológicos: Classe de Risco 1; 2; 3 e 4. Níveis de Biossegurança (NB): NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4. Aprovação de Medicamentos Biológicos Resolução – RDC n° 55, de 16 de dezembro de 2010. Dispõe sobre o registro de produtos biológicos novos e produtos biológicos e dá outras providências. Art. 1° Esta Resolução possui o objetivo de estabelecer os requisitos mínimos para o registro de produtos biológicos novos e produtos biológicos no país (Brasil), visando garantir a qualidade, segurança e eficácia destes medicamentos. Art. 4° Produtos Biológicos ● I. Vacinas; ● II. Soros hiperimunes (RDC 187/17); ● III. Hemoderivados; ● IV. Biomedicamentos classificados em: ● a) medicamentos obtidos a partir de fluidos biológicos ou de tecidos de origem animal; ● b) medicamentos obtidos por procedimentos biotecnológicos. ● V. Anticorpos monoclonais; ● VI. Medicamentos contendo microrganismos vivos, atenuados ou mortos; Art. 18° Todas as indicações terapêuticas solicitadas no registro, para o produto biológico novo ou produto biológico, devem estar documentalmente demonstradas nos relatórios dos estudos clínicos, apensados ao dossiê de registro do produto. Os estudos clínicos devem ser conduzidos com o produto biológico novo ou produto biológico apresentado para o registro. Art. 28° Independentemente da via de desenvolvimento utilizada, no ato do protocolo do pedido de registro de um produto biológico, seja inovador ou biossimilar a empresa deverá apresentar relatório do estudo de imunogenicidade (habilidade de uma substância ativar uma resposta ou reação imune). 9 Vias para Registro de Produtos Biológicos no Brasil ● Produtos Biológicos Novos: Dossiê completo (conjunto de documentos) - Inclui estudos não clínicos e estudos clínicos das fases I, II e III. ● Produtos Biológicos: Via de desenvolvimento individual (obtenção de registro na ANVISA) - Estudos não clínicos reduzidos e estudos clínicos de fase III deverão ser comparativos. ● Produtos Biológicos: Via de desenvolvimentos por comparabilidade- Exercício de comparabilidade (estudos não clínicos e estudos clínicos comparativos). Em um produto biológico para ser comparável a um produto biológico comparador, para garantir que não existam diferenças detectáveis em termos de qualidade, eficácia e segurança entre os produtos. Unidade II Gene: É uma sequência ordenada de nucleotídeos localizada em uma posição particular em um cromossomo particular que codifica um produto funcional específico. Sendo, genes específicos, que vão codificar a síntese de biomoléculas específicas dentro do organismo. Nas células bacterianas contém os Plasmídeos são moléculas de DNA extracromossomal capazes de se reproduzir independentemente do DNA cromossômico e carregam consigo informações genéticas. Técnica para Produção de Medicamentos Biológicos DNA Recombinante: Bactérias ou leveduras são utilizadas para produzir substâncias que não fazem parte do seu metabolismo. Isso é realizado a partir da modificação genética dessas bactérias pelas técnicas de Biologia Molecular, com introdução de porções do genoma de plantas ou animais no genoma bacteriano. 1. Corte do plasmídeo por meio de uma enzima da restrição; 2. Um fragmento de DNA obtido de plantas ou animais (com o gene que se deseja clonar) com a mesma enzima de restrição, garantindo extremidades compatíveis com as do plasmídeo. 3. A DNA ligase é usada para unir o DNA a ser clonado no plasmídeo cortado, formando um DNA recombinante. 4. Introdução do DNA recombinante a uma célula hospedeira bacteriana (geralmente Escherichia coli), que passará a replicar o plasmídeo recombinante e produzir a proteína codificada pelo gene inserido. 10 As enzimas de restrição ou endonucleases de restrição são utilizadas para diversas técnicas de clonagem gênica e DNA recombinante, em que reconhecem pequenas sequências específicas de DNA e cortam em pontos específicos. Primeiro Medicamento Biológico Em 1982, a insulina humana produzida em cultura de uma bactéria geneticamente modificada. Na tecnologia do DNA recombinante, um gene exógeno (como o de uma célula pancreática humana) é inserido em um plasmídeo, formando um DNA recombinante. Esse plasmídeo é introduzido em bactérias ou leveduras, que passam a produzir substâncias que não fazem parte do seu metabolismo natural, como a insulina humana. Pode ser utilizado por paciente pois é idêntico àquela sintetizada pelo organismo humano, o que elimina o risco de reações de hipersensibilidade. Perfis de Ação das Diferentes Insulinas e Análogos de Insulinas Pequenas alterações na sequência gênica inserida (DNA que codifica a insulina) permitem a produção de análogos da insulina, por peptídeos com sequências de aminoácidos diferentes, o que modifica suas propriedades de absorção, ação e duração. ● Insulinas Ultra-Rápida: Ação quase imediata, usadas antes das refeições. Ex: Lispro, Aspart e Glulisina; ● Insulina Humana Regular: Insulina humana com ação curta; ● Insulina NPH - Neutral Protamine Hagedorn (Intermediária): Liberação mais lenta, muitas vezes associada à insulina rápida; ● Insulina Longa: Liberação constante, simulando a insulina basal. Ex: Detemir e Glargina U100; ● Insulina Ultra-Longa: Estabilidade prolongada, com duração >24h. Ex: Degludeca e Glargina U300. Medicamentos Biológicos Utilizados para o Diabetes mellitus Tipo 2 O GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) é um hormônio incretina secretado pelas células L do intestino delgado, principalmente em resposta à ingestão de alimentos. Ele exerce diversos efeitos benéficos sobre o metabolismo da glicose e o apetite: Principais ações do GLP-1: ● Estimula a secreção de insulina (dependente da glicose); ● Suprime a secreção de glucagon; ● Desacelera o esvaziamento gástrico; ● Reduz o apetite e o consumo de alimentos; ● Aumenta a massa e mantém a função das células β pancreáticas; ● Melhora a sensibilidade à insulina; ● Amplia a captação e eliminação da glicose. Análogos de GLP-1 que agem como agonistas do receptor de GLP-1: ● Liraglutida (Victoza®, Novo Nordisk). 11 ● Semaglutida (Ozempic®, Novo Nordisk). ● Dulaglutida (Trulicity®, Eli Lilly). Produzidos por técnica de DNA recombinante. Atualizações Canetas Emagrecedoras Mecanismo de Ação: Ligação aos receptores de GLP-1, os quais são acoplados à proteína G, com consequente aumento de monofosfato de adenosina cíclico (AMPC). Contém: 1 caneta com 4 agulhas, para tratamento por 4 semanas, com o ajuste de cliques dá pra usar por mais tempo. Administração por via subcutânea. Armazenar em geladeira de 2 á 8 °C. Para tratamento de Diabetes mellitus tipo 2, alguns com para controle da obesidade/ sobrepeso para uso off-label como no caso do Ozempic®. Tirzepatida (Mounjaro® , Eli Lilly): Agonista duplo dos receptores de GLP-1 e GIP. Aumenta a saciedade, reduz o apetite e melhora o controle glicêmico. Uso semanal, por caneta injetável de dose única, 4 canetas por mês = 1 aplicação por semana. Medicamento de venda sob prescrição médica com retenção de receita (tarja vermelha). Noticia: . Produção de Vacina por DNA Recombinante Vacina contra Hepatite B 1. Isolamento do gene que codifica o antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg). 2. Inserção do gene em plasmídeos (vetores genéticos). 3. Introdução do plasmídeo em uma célula hospedeira (bactéria). 4. A bactéria passa a produzir o antígeno HBsAg no tanque de fermentação. 5. O antígeno é então purificado e extraído e utilizado na formulação da vacina. Resposta Imunológica Imunização é o meio de prover proteção específica contra a maioria dos patógenos nocivos comuns. A imunidade pode ser adquirida de forma passiva ou ativa. A imunidade ativa é subdividida em natural ou artificial, sendo a natural adquirida a partir do contato com um patógeno e a artificial pela vacinação. Tecnologia das Vacinas As vacinas podem ser constituídas por microrganismos vivos atenuados, microrganismos mortos ou subunidades proteicas. De RNA ou DNA com vetor viral. As vacinas devem ser eficazes, seguras e apresentam poucos efeitos adversos e devem gerar células de memória de longa duração. 12 Medicamentos Biológicos nas Doenças Raras ● Considera-se doença rara aquela que afeta até 65 pessoas em cada 100.000 indivíduos, ou seja, 1,3 para cada 2 mil pessoas (OMS). ● Estima-se que, no Brasil, há 13 milhões de pessoas com doenças raras (Interfarma). ● O número exato de doenças raras não é conhecido. Estima-se que existam entre 6.000 a 8.000 tipos diferentes de doenças raras em todo o mundo. ● As doenças raras geralmente são crônicas, progressivas, degenerativas e, se não tratadas adequadamente, podem resultar em limitação física, redução importante da qualidade de vida e levar à morte. ● O tratamento é capaz de reduzir sintomas, impedir a evolução da doença e trazer qualidade de vida para os pacientes e evitar a morte precoce. ● Doença de Gaucher, hemofilia, acromegalia, angioedema hereditário, doença de Crohn. Doença de Gaucher Deficiência da enzima glicocerebrosidase, responsável por degradar glicocerebrosídeos (um tipo de lipídio) nos lisossomos. Como consequência ocorre o acúmulo de glicocerebrosídeos dentro dos lisossomos de macrófagos, que se transformam nas células chamadas de Gaucher. Se acumulam em órgãos como fígado, baço, pulmões e medula óssea. No tratamento, os biofarmacos repõem as enzimas para degradação dos glicocerebrosídeos. As enzimas recombinantes utilizadas são: ● Alfataliglicerase (Uplyso®, Pfizer): Células de cenoura. ● Imiglucerase (Cerezyme®, Sanofi): Células de ovário de hamster. ● Alfavelaglicerase(Vpriv®, Shire): Células de carcinoma humano. Mucopolissacaridoses É uma doença hereditária rara do metabolismo, de herança autossômica recessiva, causada pela formação irregularde enzimas que atuam nos lisossomos celulares. Tais enzimas estão envolvidas na degradação de glicosaminoglicanos (GAGs). A mucopolissacaridose é classificada de acordo com a enzima que o organismo não é capaz de produzir. Os tipos de MPS: ● MPS I (Síndrome de Hurler-Scheie) - Enzima: Alfa-iduronidase. ● MPS II (Síndrome de Hunter) - Enzima: Iduronatosulfatase. ● MPS III (Síndrome de Sanfilippo) - Enzimas: Heparan N-sulfatase, alfa-N-acetilglicosaminidase, acetil-coA. ● MPS IV (Síndrome de Morquio) - Enzimas: Galactose 6-sulfatase e Betagalactosidase. ● MPS VI (Síndrome de Maroteaux-Lamy) - Enzima: Arilsulfatase B. ● MPS VII (Síndrome de Sly) - Enzima: Beta-glicuronidase. ● MPS IX (Síndrome de Natowicz). Terapias de Reposição Enzimática ● MPS I: Laronidase (Aldurazyme®, Sanofi). 13 ● MPS II: Idursulfase (Elaprase®, Shire). ● MPS IV: Alfaelosulfase (Vimizim®, Biomarin). ● MPS VI: Galsulfase (Naglazyme®, Biomarin). Técnica para Produção de Biofármacos para Anticorpos Monoclonais São produzidos por um único clone de um linfócito B, sendo, idênticos, gerados em laboratório ligando-se especificamente a um único epítopo do antígeno de interesse. Utilizados no tratamento de doenças como câncer, doenças autoimunes, carreador biológico para fármacos e exames laboratoriais. Três principais tecnologias desenvolvidas para a produção de anticorpos monoclonais: hibridoma, phage display e camundongos transgênicos. Hibridoma: O antígeno é inoculado em um camundongo para estimular a produção de anticorpos. Os linfócitos B são coletados da célula do baço do animal. Esses linfócitos são fundidos com células de mieloma, formando os hibridomas, células imortalizadas produtoras de anticorpos. Anticorpos Policlonais: Anticorpos que se ligam ao mesmo antígeno, mas em diferentes epítopos. Anticorpos Monoclonais: Anticorpos com alta seletividade e especificidade, que reconhece exclusivamente um único epítopo. Anticorpos monoclonais murinos não possuem estrutura com composição humanizada e são os mais imunogênicos, com maior risco de imunogenicidade. Anticorpos monoclonais humanos são mais bem tolerados por apresentarem menor risco de imunogenicidade. Ocrelizumabe: Antagonista seletivo de linfócitos B que expressam o antígeno de superfície CD-20. Atua na depleção de células B CD-20+ periféricas, enquanto preserva a capacidade de reconstituição de células B e da imunidade humoral preexistente. Usado para tratamento da Esclerose Múltipla. Rituximabe (Linfoma não Hodgkin; leucemia linfocítica crônica; artrite reumatoide e vasculites), Trastuzumabe ou Pertuzumabe (câncer de mama; gástrico), Cetuximabe (Colorretal; cabeça e pescoço). Trastuzumabe deruxtecan: É um anticorpo conjugado composto por um anticorpo monoclonal específico para HER2 com um potente inibidor de topoisomerase I (como droga citotóxica). Os 3 Es da Progressão Tumoral ● Eliminação: O sistema imunológico reconhece e destroi células tumorais iniciais por meio de células e moléculas pró-inflamatórias. ● Equilíbrio: Células tumorais que sobreviveram entram em equilíbrio com o sistema imune e podem acumular mutações. 14 ● Escape: As células tumorais desenvolvem mecanismos para evitar a resposta imune, criando um microambiente imunossupressor e permitindo a progressão do tumor. Alguns anticorpos monoclonais se ligam a receptores inibitórios nas células imunológicas e impedem que a célula tumoral ative essas vias. Imunoterapia: Tratamento biológico que tem como objetivo potencializar o sistema imunológico de modo que este passe a destruir células tumorais e a combater infecções. Imunogenicidade: Os medicamentos biológicos, sendo macromoléculas, são, em geral, imunogênicos e podem desencadear uma resposta imune. A intensidade e as consequências da são variáveis e, muitas vezes, imprevisíveis. Podem ocorrer diminuição da eficácia, reações de hipersensibilidade ao produto e eventualmente haver a chamada quebra de tolerância imunológica, uma situação em que o organismo se confunde e passa a não tolerar as próprias proteínas. O potencial imunogênico é uma importante diferença entre os medicamentos sintéticos e biológicos. Biossimilares São medicamentos biológicos que são altamente semelhantes a um produto biológico de referência (inovador) já aprovado na ANVISA. 15 Comprovar alta similaridade do efeito/eficácia em comparação com o produto biológico de referência, frequentemente demanda inúmeras mudanças de processo e caracterizações físico-químicas. Apresenta estrutura molecular altamente semelhante. 1a ETAPA: Comparabilidade da qualidade (comparabilidade físico-química e biológica). 2a ETAPA: Comparabilidade não clínica (estudos não clínicos comparativos). 3a ETAPA: Comparabilidade clínica (estudos clínicos comparativos). Avaliação de um Biossimilar ● Caracterização físico-química – Compara estrutura e composição. ● Caracterização biológica – Verifica atividade funcional. ● Estudos pré-clínicos – Avalia toxicidade e segurança em animais. ● PK/PD – Compara farmacocinética e farmacodinâmica com o original. ● Estudos clínicos – Confirma eficácia, segurança e imunogenicidade em humanos. Apesar da similaridade e de testes de farmacocinética, farmacodinâmica e bioequivalência, os medicamentos similares não podem ser intercambiáveis. Caso o biológico originador tenha mais de uma indicação terapêutica, pode ser solicitada a aprovação dessas outras indicações para o biossimilar, sem a necessidade de novos estudos clínicos. Farmácia Integrada Unidade I - Biotecnologia Medicamentos Biológicos (Biofármacos) Insumos obtidos por Processos Biotecnológicos Etapas Gerais de um Bioprocesso Fermentação como Processo Unitário Meio de Cultura ou Meio de Cultivo Aparelhagem Tipos de Processos Fermentativos Separação do Produto e Subproduto Principais Etapas de Recuperação e Purificação de Biomoléculas Biorreatores Enzimáticos Tipos de Biorreatores Enzimáticos Biossegurança Aprovação de Medicamentos Biológicos Vias para Registro de Produtos Biológicos no Brasil Unidade II Técnica para Produção de Medicamentos Biológicos Primeiro Medicamento Biológico Perfis de Ação das Diferentes Insulinas e Análogos de Insulinas Medicamentos Biológicos Utilizados para o Diabetes mellitus Tipo 2 Atualizações Produção de Vacina por DNA Recombinante Medicamentos Biológicos nas Doenças Raras Mucopolissacaridoses Técnica para Produção de Biofármacos para Anticorpos Monoclonais Biossimilares