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DERMATOLOGIA
EM CÃES E GATOS
GUIA PRÁTICO DE
Método completo e simplificado
www.vet360.online
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Thales Vinícius Antunes Marques
Autor
DERMATOLOGIA
EM CÃES E GATOS
GUIA PRÁTICO DE
Método completo e simplificado
Introdução01
Começando do início: Semiologia e Semiotécnica
dermatológica02
Lesõs Primárias05
Dermatologia Laboratorial09
Raspado Cutâneo Superficial/Profundo09
Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF)13
Tricograma15
Biópsia Cutânea16
Lâmpada de Wood19
Fita de Acetato20
Diascopia21
Ácaros de Ouvido/Sarna Otodécia/Otocaríase22
Adenite Sebácea24
Alopecia X/Aprisionamento do folículo piloso26
Atopia/Dermatite Atópica Canina28
Hipersensibilidade Alimentar em Cães44
Lúpus Eritematoso Sistêmico47
Miíase50
Otite Externa51
Pênfigo Foliáceo52
Sarna Sarcóptica/Escabiose57
Referências Bibliográficas58
Mande seu Feedback e conheça nossos materiais!60
Demodiciose Canina/Sarna Demodécica31
Dermatite alérgica a picada de Pulgas/DAPP32
Dermatite causada por Malassezia/Malasseziose33
Dermatite de Contato35
Dermatite de Dobras Cutâneas/Intertrigo36
Dermatite Piotraumática/Hot Spot37
Dermatite Superficial Pustular/Impetigo38
Dermatofitose39
Esporotricose40
Farmacodermia/Erupção Medicamentosa41
Swab Otológico11
Índice
Lesões Secundárias07
Técnicas de Cultura12
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
K
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
W
X
Y
Z
★
✎
Se você é um profissional da área ou um estudante dedicado, certamente
já se deparou com uma realidade desafiadora: a quantidade
avassaladora de informações e prescrições necessárias para garantir a
saúde e o bem-estar de nossos pacientes.
A prescrição de medicamentos é uma parte essencial do cuidado clínico
para cães e gatos. No entanto, com o avanço rápido da ciência veterinária
e a constante introdução de novos produtos farmacêuticos, decorar todas
as prescrições e dosagens pode se tornar um verdadeiro desafio. A
memória pode ser uma aliada fiel, mas é preciso reconhecer que é
impossível armazenar tantas informações na mente e manter-se
atualizado constantemente.
É nesse contexto que surge um guia prático para te guiar em suas
consultas dermatológicas, uma verdadeira "mão na roda" na rotina
clínica de pequenos animais. Este livro tem como objetivo fornecer um
recurso confiável e acessível, repleto de informações atualizadas sobre
as doenças mais vistas e os medicamentos mais comumente utilizados
em nossa prática diária.
Imagine ter, em suas mãos, um manual completo com orientações sobre
a doença, como diagnosticar corretamente e ainda, como estipular
protocolos e dosagens adequadas para cada condição de saúde
específica. Esse guia será seu companheiro constante, fornecendo uma
base sólida para a tomada de decisões e garantindo a segurança dos
pacientes que dependem de sua expertise.
Portanto, convido você a embarcar nesta jornada de aprendizado e
aprimoramento, onde você encontrará um tesouro de conhecimento e
uma ferramenta indispensável para a sua rotina. Abrace a oportunidade
de se tornar um profissional mais confiante e competente, capaz de
proporcionar cuidados excepcionais aos animais de estimação que tanto
amamos.
001Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos: Introdução
Introdução
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
002Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
O atendimento dermatológico pode ser desafiador de inúmeras formas. Por ser o maior órgão do
corpo, a pele traz consigo uma série de possíveis alterações de grande importância para o
indivíduo examinado.
Contudo, costuma-se observar certo padrão no que se diz respeito às lesões apresentadas e quais
pacientes as demonstram (Idade, Raça, Sexo, Cor do Pelo e Origem). Diante disto, no momento da
obtenção e organização destas informações é imprescindível o conhecimento e familiarização das
terminologias comuns para transmiti-las de forma clara e objetiva aos tutores e colegas de rotina.
Para se destacar a importância de tal conhecimento, diante de uma simples descrição
macroscópica, um profissional experiente e a partir de agora você, conseguirá de forma rápida
identificar o suposto problema, "desenhando em sua mente" uma lista enorme de possíveis
diagnósticos diferenciais.
A tutora se queixou de
lambedura frequente das
patas, com hiperqueratose
e hiperpigmentação.
Atopia
Malasseziose
Complexo Pênfigo
Distúrbios Comportamentais
Dermatite de contato
Endocrinopatias
Hipersensibilidade
Alimentar
Outro ponto chave no atendimento dermatológico, não diz respeito diretamente ao paciente, mas
sim ao tutor. A maioria das vezes, você se deparará com pacientes encaminhados, apresentando
quadros crônicos, que já passaram por diversos profissionais e que ainda não tiveram seu
problema solucionado. Paralelamente, encontrará um tutor cansado, irritado e ansioso, muitas
vezes desacreditado de que o quadro do seu animal tenha realmente uma solução.
É a partir deste momento que você aplicará tudo que o que vai aprender neste e-book, se
mostrando um profissional completo, confiante e assertivo.
Um bom atendimento dermatológico, se inicia através da obtenção de todas as informações
necessárias para formular um pensamento clínico crítico e chegar ao diagnóstico definitivo. Pode-
se dividir a consulta da seguinte forma: Identificação Completa
Anamnese/Histórico Clínico
Exame Físico Completo
Exames Complementares
1.
2.
3.
4.
Jovens:
Parasitismo (Demodiciose, Sarna
Sarcóptica,Otocaríase,
Pediculose)
3-5 Anos:
Atopia
Dape
>6 Anos:
Endocrinopatias
Idosos:
Neoplasias
Idade
Dermatite atópica: Labrador, Pastor
alemão, Terriers, Shih-tzu, Poodles
Dermatofitose: Gatos persa, York Shire
(sub clínico)
Fístula Perianal Autoimune: Pastor
alemão
Adenite Sebácea: Akita
SarnaDemodécica: Bullterriers, Scotish
Terrier, Shar pei
Raça
Queixa principal
Apresenta Lesões em algum local específico?
Lambe alguma região de forma contínua?
O problema maior é a coceira?
Sazonalidade
As lesões permanecem de forma contínua, ou vão e voltam?
Observa se aparecem em alguma época ou momento específico?
Sobre o Prurido
Peça ao tutor para graduar o prurido do paciente entre 1-10 (Sendo 1
prurido leve e 10 o grau mais severo).
Como o paciente se coça:
Lambe,Morde,Arranha?
Se arrasta/atrita contra objetos?
Contactantes
Há lesões em animais contactantes?
Já observou nos humanos da casa, lesões parecidas?
Ectoparasitas
Realiza controle de pulgas e carrapatos?
Já observou pulga ou carrapato no paciente em algum momento? Qual a
última vez?
Faz o controle ambiental também?
Histórico:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
003Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Identificação: A obtenção de informações básicas do paciente, são indispensáveis no
momento de sua avaliação geral, detalhes como idade, raça e sexo do paciente
devem ser imediatamente conhecidos. Será através destas informações que o
esboço diagnóstico começará a se formar em sua cabeça.
Dermatose causada por hormônio sexual
Alopecia X
Sertolioma
Acne Felina
Piodermite Interdigital
Dermatite Eosinofílica
Sexo
Sempre realizar o exame físico completo, avaliando o paciente como um todo,
não somente a pele.
Durante o exame físico específico, será possível identificar e classificar as
lesões dermatológicas apresentadas pelo paciente. Pode-se dividir a
classificação de acordo com:
Exame Físico
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
004Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Saúde Geral:
Como está o apetite do paciente? (Hiporexia? Polifagia?)
Está se hidratando espontaneamente? (Poliúria? Polidpsia?)
Apresenta intolerância ao exercício?
Tem tosse? Espirro? Dispneia?
Houve Vômito ou Diarreia em algum momento?
O paciente é castrado? Quando foi o último cio?
Tem alguma doença conhecida?
Usa alguma droga de maneira frequente ou utilizou algum medicamento
recentemente?
Conduta:
O que o animal come? Comida humana? Petiscos?
Como é o ambiente em que o paciente vive?
Casa?alérgenos mais comuns são: Carne Bovina; Laticínios; Frango;
Ovos; Soja; Milho e Trigo
Dermatite perianal com ou sem otite recorrente é o mais comum sinal da
doença.
Triagem dermatológica
Descarte de outros diferenciais
Teste com dieta hipoalergênica
Dieta caseira (1 fonte proteica e 1 fonte de carboidrato da qual o animal
nunca fez uso)
Dieta comercial (proteína nova para o animal)
Nenhum petisco é permitido durante a terapia
Teste desafio: Recorrência dos sintomas, dentro de horas a dias após
reintrodução do alérgeno suspeito à dieta do paciente.
Diagnóstico:
044Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Reação adversa a um alimento ou a um aditivo
alimentar. Pode acontecer em animais de
qualquer idade, desde filhotes até cães mais
velhos que vem comendo a mesma comida
durante anos.
Prurido constante (responsivo ou
não a terapia com corticoides)
Eritema
Pápulas
Alopecia
Escoriações
Descamação
Crostas
Hiperpigmentação
Liquenificação
Piodermite e otite recorrente
A doença é caracterizada por:
Evacuação frequente
Vômito
Diarreia
Flatulência
Pode haver sinais gastrintestinais concorrentes incluindo:
Hipersensibilidade Alimentar em Cães
H
045Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Algoritmo Desordens de Hipersensibilidade
Gerenciamento da Crise
FASE 1
Corticóide sistêmico
Antibioticoterapia
Controle de Ectoparasitas
Controle medicamentoso do prurido
Revisar dieta de eliminação
Cão bem (Inicia dieta de eliminação)
Cão se coçando (Iniciar dieta com medicação)
Apoquel
Cortiócides
Retorno em 20 dias
FASE 2
Reavaliação do quadro
Suspender medicação neste
momento.
FASE 3
Mantém dieta sem
medicações e o
animal volta bem
Novo retorno em 20 dias
Hipersensibildiade
Alimentar
Dermatite atópica
canina
Mantém dieta sem
medicações e o
animal volta mal
PONTO CHAVE
Em cães que chegam em péssimas condições, é interessante a adição de uma fase
inicial para tratamento prévio, com retorno em 20 dias, para dar sequência
normalmente à triagem.
H
Terapêutica: Tratamento e prevenção de qualquer infecção secundária:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Sulfa+Trimetoprim (15-30 mg/Kg, BID)
Clindamicina (11 mg/Kg, BID)
Banhos a cada 7 dias, seguido de secagem correta dos ouvidos auxilia na
retirada de pólen e outros possíveis alérgenos do pelo.
Shampoo antimicrobiano:
Cloresten®
Hexadene Spherulites®
Manipulação
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Apoquel (1-2 semanas) 0,4 – 0,6 mg/kg, BID depois 14 dias SID
Controle de pulgas e carrapatos
Advocate®
Bravecto®
Revolution®
Simparic®
Nexgard®
Seresto®
Scalibor®
Antihistamínico sistêmico (reduzir prurido)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Prometazina 0.2-0.4 mg/Kg, BID
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Terapia Alimentar
Dieta caseira (carne de rã, coelho, carneiro, cordeiro + arroz integral + óleo
de canola). Para dietas naturais, indica-se suporte de nutricionista
especializado.
Dieta comercial hipoalergênica
Hypoallergenic Royal Canin
Hill's Prescription Derm Complete
Quatree Supreme Dermato
Proplan Skin & Coat Formula Purina
Alergia alimentar
Escabiose
Dermatite por malassezia
Piodermite bacteriana
Hipersensibilidade (contato, picada de pulgas e carrapatos)
Parasitas
Foliculite (dermatófitos, Demodex)
Diferenciais:
PONTO CHAVE
Para até 20% dos animais com HA, as dietas
comerciais serão ineficazes!
Hipersensibilidade Alimentar em Cães
046Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Suporte:
https://app.vetalfa.com/#/categories/1/drugs/sulfametoxazol+trimetoprima
https://app.vetalfa.com/#/categories/1/drugs/sulfametoxazol+trimetoprima
Lúpus Eritematoso Sistêmico
L
O problema:
Febre
Poliartrite
Polimiosite
Falha renal
Pleurite
Pneumonia
Miocardite
Neuropatia
Linfedema
Vasculite
Cães - Sinais Sistêmicos
Anormalidades
comportamentais
Anormalidades
neurológicas
Discrasias sanguíneas
Falha renal
Miopatias
Poliartrite
Úlceras orais
Vasculite
Gatos - Sinais Sistêmicos
Doença autoimune crônica que afeta cães e gatos, assim como ocorre em
humanos. No LES, o próprio sistema imunológico do indivíduo, ataca seus
tecidos saudáveis, incluindo células sanguíneas, rins, articulações, pele, coração,
pulmões e sistema nervoso. Isso leva à inflamação, dano tecidual e sintomas
variados, que podem incluir lesões multifocais ou difusas, atingindo mais
comumente a face, orelhas, e extremidades distais, além de linfadenomegalia
periférica.
047Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Alopecia
Crostas
Eritema
Erosões
Úlceras
Cães - Lesões Dermatológicas
Descartar todos os demais diferenciais
Hemograma:
Anemia (Coombs normal ou negativo)
Trombocitopenia
Leucopenia ou Leucocitose
Urinálise
Proteinúria (Glomeruolefrite)
Artrocentese:
Inflamação purulenta estéril
Descartar Doenças transmitidas por carrapatos
Sorologia Erlichia, Babesia e Borrelia
Dermatohistopatologia:
Dermatite liquenoide de interface linfocítica com incontinência pigmentar,
apoptose proeminente de células basais, com graus variáveis de mucina
dérmica e atrofia epidérmica.
Obter amostras da lesão e/ou das regiões perilesionais.
Deve haver repetição seriada de Hemograma, Bioquímica Sérica e Urinálise.
Diagnóstico:
Alopecia
Crostas
Cicatrizes
Eritema
Escama
Gatos - Lesões Dermatológicas
Lesão por Vasculite em
pina de orelha.
Lúpus Eritematoso Discóide, é considerada uma forma benigna do LES. É de ocorrência comum em
cães e rara em gatos, se diferenciando da forma mais grave, principalmente pela apresentação, que
afeta somente a pele, gerando lesões em região periocular, focinho e mais raramente região genital. O
tratamento das duas afecções deve ser realizado de forma semelhante.
Lúpus Eritematoso Sistêmico
Tacrolimo 0,1% (Protopic®)
Aplicar moderadamente SID, 14 dias; depois, a cada dois dias ou duas vezes por semana.
Tratamento sistêmico CONSERVATIVO: tentativa de terapia para doenças leves, com pequena
chance de aparecimento de efeitos adversos.
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Vitamina E
Manipulação 400 UI, SID
Doxiciclina (Doxitrat®; Doxifin® Tabs; Doxy® Solução/Comprimidos)
5-10 mg/Kg, BID
Tetraciclina (Farmácia humana)
Cães > 10 Kg (500 mg, TID, diminuindo posteriormente para BID e finalmente SID)
Cãesremissão 1.5–2.5 mg/kg, q48-72h)
PONTO CHAVE
Todas as drogas sistêmicas devem ter suas doses constantemente reavaliadas, para
diminuição destas, até alcançar a menor dose efetiva possível.
Lúpus Eritematoso Sistêmico
L
049Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Alguns animais podem se beneficiar de cobertura analgésica:
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Terapia tópica com shampoo para retirada de crostas e desinfecção da pele:
Cloresten®
Hexadene Spherulites®
Antibioticoterapia sistêmica, até que a terapia imunossupressora controle a
doença:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Cefalexina (10-30 mg/Kg, BID)
Protetor solar: Protetores solares com um fator de proteção solar (FPS) de 30
ou mais devem ser aplicados no nariz se houver probabilidade de exposição
ao sol. A exposição ao sol deve ser evitada e os animais afetados devem ser
mantidos fora da luz solar intensa entre as 10h e as 16h.
Suporte:
Dia 0 4 semanas 8 semanas
Doenças do Complexo Pênfigo
Lúpus eritematoso Discoide
Erupção Medicamentosa
Infecções por Riquetsias
Eritema multiforme
Dermatomiosite
Piodermite Nasal
Dermatofitose nasal
Diferenciais: Hipersensibilidade a insetos
Alergia de contato
Dermatose responsiva ao zinco
Linfoma epiteliotrópico
Carcinoma de células escamosas
Leucodermia Leucotriquia Idiopática (vitiligo)
Vasculite induzida por neoplasia.
Leishmaniose
O problema:
Alguns animais podem se beneficiar de controle antiinflamatório e cobertura
analgésica.
Meloxicam (0.05-0.1 mg/Kg, SID)
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Antibioticoterapia sistêmica:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Cefalexina (10-30 mg/Kg, BID)
M
Adulto
Vive 25-45 dias
Ovos
Larva
Pupa
3-5 dias 12-24 horas
5-6 dias5-6 dias
Miíase
050Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Invasão de tecidos por larvas de dípteros (Moscas Cochliomyia hominivorax).
As larvas nutrem-se de tecidos vivos secretando enzimas proteolíticas, que
destroem os tecidos adjacentes.
As lesões são crateriformes, irregulares e ulceradas, frequentemente
encontradas ao redor do nariz, olhos, ânus, genitália ou buracos
negligenciados (feridas preexistentes).
São postos cerca e 200 ovos nas feridas, que eclodem dentro de 24 horas. Em
5-7 dias as larvas soltam-se para empupar.
Visualização direta das larvas em
lesões abertas.
Pode haver: Anorexia, Apatia,
Toxemia, Hemorragia e Infecções
secundárias
Diagnóstico:
Suporte:
Terapêutica: Identificar e tratar a causa da ferida
primária;
Retirada das larvas com auxílio de
pinça;
Tricotomia ampla da região e limpeza copiosa das lesões
(Preferencialmente com o paciente sob sedação ou
anestesia).
Tratamento Ectoparasiticida:
Capstar®/Invicto® 11,4 ou 57mg SID 3 dias;
Tratamento Tópico (Repelente; Antibiótico; Cicatrizante)
Unguento Vansil®
Alantol®
Vetaglós® Pomada
O problema:
Pina Auricular
Canal Vertical
Canal Horizontal
Glândula Parótidda
Glândula Mandibular
Meato Acústico Externo
Meato Acústico Externo
Tuba de Eustáquio
Bula Timpânica
Ossículos
Cóclea
Canais Semicirculares
Gordura Subcutânea
Crânio
Músculo Temporal e da
Pina
Parasitas
Hipersensibilidades
Endocrinopatias
Corpos Estranhos
Desordens de Queratinização
Doenças Imunomediadas
Pólipos Inflamatórios (Gatos)
Neoplasias
Conformação do Conduto
Causas Primárias:
Pode ser causada por inúmeros fatores, que quase sempre estão associadas a uma doença
primária concomitante, que altera a estrutura e função normais do canal, resultando em uma
infecção secundária.
Otite Externa
051Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Pavilhão Auricular
Canais Horizontais
Canais Verticais
Parede externa da membrana timpânica
Inflamação do canal auditivo, que acomete estruturas
anatômicas, incluindo:
Infecções Bacterianas
Infecções por Leveduras
Otite Média
Alterações Crônicas
Inflamação crônica
Fibrose
Causas Secundárias
Pode ser causada por inúmeros fatores, que quase sempre estão associadas a uma doença
primária concomitante, que altera a estrutura e função normais do canal, resultando em uma
infecção secundária.
Dor
Prurido de nível variado
Exsudatos de aspecto variado
Chacoalhar a Cabeça
Vermelhidão Visível na região
Inclinação da Cabeça pro lado
afetado
Otohematoma
Sinais Clínicos:
O
Terapêutica: Caso tenha sido identificada, é de suma importância o tratamento da causa base.
O tratamento será realizado em casa, por isso, o tutor responsável deve ser
Limpeza Otológica:
Aurivet Clean®; Clean-up®; Dermogen Oto®; Epiotic Spherulites®; Limp e
Hidrat®; Phisio Anti-odor®; Oto Clean Up®
Sobre a aplicação, geralmente indica-se a instilação de número X de gotas
no conduto auditivo afetado. Devido a notável dificuldade de aplicação em
alguns pacientes, o autor, prefere indicar a instilação até que se veja
transbordar o produto.
Na sequência massagear a base da orelha do animal durante cerca de 1
minuto para melhor distribuição do produto no interior do ouvido.
Com ajuda de gaze ou algodão, realizar limpeza externa com o produto
transbordado.
A limpeza deverá ser realizada diariamente no início, sempre antes da
aplicação do outro agente terapêutico. Alguns animais necessitarão ou se
beneficiarão de limpeza semanal pro resto da vida.
Tratamento Tópico:
Natalene®; Otodex®; Otoguard®; Posatex®; Zelotril® Oto; Otocalm®; EasOtic®
Sobre a aplicação, seguir a mesma indicação citada acima.
Na sequência massagear a base da orelha do animal durante cerca de 1
minuto para melhor distribuição do produto no interior do ouvido.
A aplicação deverá ser realizada sempre após a limpeza, seguindo o tempo de
tratamento necessário, proposto por cada produto.
A maioria dos produtos terapêuticos possuem em sua composição todos os
efeitos necessários (Antibiótico, Antifúngico, Antiinflamatório e Analgésico).
devidamente instruído sobre a aplicação das medicações de forma correta. O
Exsudato Massa Obstrutiva Malassezia Cocos e Bastonetes
Histórico Clínico e Avaliação Física
Otoscopia: Inflamação; Estenose; Cerúmen/Exsudato excessivo; Ectoparasitas;
Corpo Estranho; Pólipos/Massas. Avaliar integridade da membrana timpânica.
Citologia (Sab Otológico): Bactérias; Fungos; Hifas; Leucócitos; Células
Neoplásicas
Cultura bacteriana: indicada quando bactérias são vistas na citologia, mesmo
após o tratamento com antibiótico tópico.
Cultura fúngica: é indicada quando se suspeita de otite por dermatófitos,
especialmente em gatos de pelos longos que apresentam otite ceruminosa.
Histopatologia: Casos de Suspeita de Neoplasia; Visualização de Pólipos; Casos
graves que necessitam de Ablação do conduto; Pode ser útil para elucidar a
causa base (Hipersensibilidade; Doenças Autoimunes p.ex.)
Diagnóstico:
Otite Externa
052Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Produtos mais utilizados
Ácaros de ouvido (Otodectes cynotis)
Infecções bacterianas secundárias
Infecções fúngicas (como a otomicose)
Alergias
Corpos estranhos
Neoplasias de ouvido
PONTO CHAVE
Em alguns casos, pode ser necessária lavagem otológica cirúrgica,
principalmente naqueles cães que apresentam secreção purulenta em grande
quantidade e àqueles com temperamento difícil, que dificultará a limpeza
domiciliar.
O não tratamento, a falha no tratamento e quadros mais crônicos podem
evoluir para quadros de otite média/interna, estenose do conduto e por fim
necessidade de ablação parcial/total do conduto auditivo.
Todos os animais se beneficiarão de controle
antiinflamatório e cobertura analgésica sistêmica:
Meloxicam (0.05-0.1 mg/Kg, SID)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID) - Os
corticóides são muitas vezes preferidos pele rápido
alívio do prurido e melhora da inflamação.
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Suporte:
Diferenciais:
O
Otite Externa053Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
O tratamento para otite em casa pode ser bastante estressante tanto para o
animal quanto para o tutor, com isso, a maioria dos proprietários preferem um
tratamento rápido e assertivo. Medicações como o EasOtic® (Aplicação SID, 5 dias),
pode ajudar nestes casos.
Há ainda opções mais simples, como Osurnia® e Neptra®. As duas medicações são
administradas pelo veterinário, no ambulatório.
Osurnia® (2 aplicações intervaladas por 7 dias).
Neptra® (1 aplicação somente)
É interessante realizar limpeza prévia dos condutos antes da aplicação
destas medicações.
Nos 2 casos, não há indicação de limpeza com outros produtos, durante 30
dias após a primeira aplicação.
Em casos de otite por parasitas (ácaros):
Produtos otológicos acaricidas (Natalene®)
Antiparasitários Sistêmicos (Advocate®; Bravecto®; Revolution®; Simparic®)
Antibioticoterapia Sistêmica pode ser necessária, nestes casos, guiar-se por uma
otocultura com antibiograma será o melhor caminho.
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID);
Cefalexina (22 mg/kg, BID);
Clindamicina (11 mg/kg, BID);
Cloranfenicol (55 mg/kg, TID) Somente quando indicado por cultura e teste
de sensibilidade;
Enrofloxacino (Cães: 5-10 mg/Kg,SID) ; Gatos: máximo 5 mg/kg,SID);
Marbofloxacino (5,5 mg/kg/dia) Dosagens maiores são recomendadas para
infecção por Pseudomonas;
Otite média (infecção do ouvido médio)
Hipersensibilidade a medicamentos
Doenças autoimunes
Endocrinopatias (Hipotireoidismo)
Pênfigo Foliáceo
P
O problema: Doença de caráter autoimune, caracterizada pela produção de anticorpos contra
um componente de adesão das moléculas nos queratinócitos
A disposição dos anticorpos nos espaços intracelulares, faz com que as células
presentes na epiderme superior se separem uma das outras. A perda desta
coesão intracelular produz vesículas, pústulas e/ou bolhas.
É provavelmente a doença dermatológica autoimune mais comum em cães e
gatos.
Afeta cães e gatos de qualquer idade, sexo ou raça. (Akita e Chow Chow parece
ser as raças com maior predisposição)
Na maioria dos casos é idiopática, mas pode ser induzida por drogas ou doenças
de pele inflamatórias de caráter crônico.
Células presentes na epiderme
(A camada mais externa da pele);
organizam-se em diferentes camadas
e tem a função de revestimento de
tecidos.
Pústulas Superficiais
Erosões Superficiais
Crostas
Colarestes Epidérmicos
Áreas de alopecia
Lesões incluem:
Em Gatos, lesões no leito
ungueal e em volta dos
mamilos, são vistas com
maior frequência.
PONTO CHAVE
Lesões na pina e nos coxins são características de doenças
autoimunes.
054Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Pele Normal Desarranjo das células pela presença
de anticorpos.
Linfadenomegalia
Edema de membros
Febre
Anorexia
Depressão
Na doença Generalizada:
Descartar todos os demais diferenciais
Citologia (pústulas ou crostas): neutrófilos e células acantolíticas pode sem vistas.
Eosinófilos também podem estar presentes.
Dermatohistopatologia: pústulas subcorneais contendo neutrófilos e células
acantolíticas com número variável de eosinófilos.
Obter amostras da lesão e/ou das regiões perilesionais.
Diagnóstico:
P
Terapêutica: Terapia tópica: Tem como finalidade, além da redução da inflamação local,
ajudar na diminuição das doses dos imunossupressores sistêmicos. Deverá ser
realizado sempre como adjuvante ao tratamento sistêmico.
Dipropionato de Betametasona (Dermotrat® creme/spray)
Inicialmente SID, 14 dias; depois, a cada dois dias, até alcançar remissão;
se em remissão, trocar por um produto menos potente (por exemplo,
Hidrocortisona (Cortavance®)).
Pênfigo Foliáceo
055Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Tacrolimo 0,1% (Protopic®)
Aplicar moderadamente SID, 14 dias; depois, a cada dois dias ou duas vezes por semana.
Tratamento sistêmico CONSERVATIVO: tentativa de terapia para doenças leves, com pequena
chance de aparecimento de efeitos adversos.
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Vitamina E
Manipulação 400 UI, SID
Doxiciclina (Doxitrat®; Doxifin® Tabs; Doxy® Solução/Comprimidos)
5-10 mg/Kg, BID
Tetraciclina (Farmácia humana)
Cães > 10 Kg (500 mg, TID, diminuindo posteriormente para BID e finalmente SID)
CãesHistórico, achados clínicos e resposta ao tratamento scabicida
Reflexo otopodal: altamente sugestivo de escabiose com aproximadamente 80%
de precisão.
Raspado cutâneo SUPERFICIAL: detecção de ácaros Sarcoptes, ninfas, larvas ou
ovos. Resultados falso negativos são comuns pois os ácaros são difíceis de serem
encontrados.
Diagnóstico:
Terapêutica: O animal infectado e todos seus contatantes devem ser tratados com escabicidas. A
falha em tratar todos os animais resulta em reinfestação e prurido persistente.
Shampoo antimicrobiano (Cloresten®; Hexadene Spherulites®; Manipulação) a cada 3-
7 dias vai acelerar a cura.
Tratamento sistêmico são mais efetivos pois a dose é mais precisa e há melhor
resposta, um bom tratamento sistêmico inclui:
Revolution® (a cada 15 dias) ou Simparic® (3 comprimidos com intervalos
de 30 dias) ou Bravecto® (1 comprimido no mínimo, ideal a cada 30-60 dias) e Prednisolona
(0,5 mg/kg, SID, 2-5 dias)
Pápulas
Alopecia
Eritema
Crostas
Escoriações
Lesões incluem:
Jarretes
Cotovelos
Pina de orelhas
Abdome ventral
Tórax
Face
Pavilhão auricular
Acometendo inicialmente:
S
FOSTER, Andrew P.; CARLSON, Richard. Clinical Atlas of Canine and Feline
Dermatology. 2nd ed. Ames: Wiley-Blackwell, 2019.
FOSTER, Andrew P.; HELLMANN, Klaus; PATTERSON, Alex J. Colour Handbook Skin
Diseases of the Dog and Cat. 3rd ed. Boca Raton: CRC Press, 2009.
MULLER, Keith A.; KIRK, Robert W. Small Animal Dermatology. 3rd ed. Ames: Wiley
Blackwell, 2011.
MULLER, Keith A. Small Animal Dermatology: A Color Atlas and Therapeutic Guide.
4th ed. St. Louis: Elsevier, 2017.
MULLER, William H.; KIRK, Robert W.; SCOTT, Danny W.; et al. Muller and Kirk's
Small Animal Dermatology. 7th ed. St. Louis: Elsevier, 2012.
REZENDE, HD; SANTOS, BO; ELIAS, BM; DINATO, SLM; DIAS, MFRG; TRÜEB, RM. How
to prepare a trichogram with transparent enamel base coat? Surg Cosmet
Dermatol. 2021;13:20210037.
TAYLOR, Thomas J. Semiotécnica de Pequenos Animais. 2. ed. São Paulo: Roca,
2018.
058Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Referências Bibliográficas
059Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
DERMATOLOGIA
EM CÃES E GATOS
GUIA PRÁTICO DE
Método completo e simplificado
DERMATOLOGIA
EM CÃES E GATOS
GUIA PRÁTICO DE
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060Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
https://www.instagram.com/interna.vet/Apartamento? Roça?
Tem acesso à grama? Poeira? Mofo? Cheiro Forte?
Há algum fumante na casa?
O paciente tem acesso à rua?
Tem histórico de viagem recente?
Qual a origem do paciente?
Quais os tratamentos já administrados?
A vacinação está em dia?
Qual a frequência de banho do paciente?
Localizada:
1-5 Lesões individualizadas
Disseminada:
+5 Lesões individualizadas
Generalizada:
Acometimento Difuso
+60% da superfície corporal
Universal
Acometimento de toda superfície
corpórea.
Simetria:
Simétrica/Assimétrica
Distribuição
Lesões Primárias:
Desenvolvimento espontâneo, ligado
diretamente ao processo patológico
subjacente.
Lesões Secundárias:
Evoluem das lesões primárias.
Frequentemente são induzidas pelo
paciente ou ambiente.
Origem
Lesões Superficiais
Lesões Profundas
Profundidade
Cisto: Cavidade repleta de fluido ou
material semissólido, delineada por
epitélio secretor.
Equimose: Alteração da coloração da
pele, por extravasamento de sangue dos
vasos. Geralmente com mais de 1 cm de
extensão. Pode ser de coloração roxa,
vermelha ou azulada.
Mácula: Alteração não palpável de
coloração da pele, circunscrita e plana.
Nódulo: Elevação sólida e palpável da
pele, resultado de infiltrado de células
inflamatórias ou neoplásicas. Tem de 1-3
cm de diâmetro, podendo se estender à
camadas mais profundas da pele.
Pápula: Lesão sólida circunscrita,
elevada, superficial de até 1cm de
diâmetro.
Lesões Primárias
Bolha: Grande acúmulo de líquido,
geralmente soro, com 1 cm ou mais de
extensão, que geralmente se extende pra
derme.
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
005Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Placa: Elevação sólida, superficial, plana
e circunscrita, com mais de 1cm de
diâmetro. O aumento de uma pápula, dá
origem à uma placa.
Pústula: Lesão circunscrita e elevada,
contendo em seu interior, conteúdo
purulento.
Vesícula: Elevação circunscrita, com
fluido seroso em seu interior, podendo
medir até 1 cm de diâmetro. Geralmente
altera rapidamente seu aspecto para
erosões e crostas.
Urticária: Lesão edematosa, circunscrita
e elevada que descora à vitropressão.
Causada por vasodilatação, quando
comprimida com lâmina de vidro, se
torna branca.
Tumor: Grande massa sólida, palpável e
aumentada, com mais de 5 cm de
diâmetro. Pode se desenvolver na pele
ou em suas camadas subjacentes.
Petéquia: Lesão pequena e puntiforme
que aparece na pele ou nas mucosas,
como resultado do extravasamento de
sangue de pequenos vasos sanguíneos.
Tem de um 1 a 3 milímetros de diâmetro.
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
006Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Lesões Secundárias
Alopecia: Área com perda parcial ou
total de pelos.
Colaretes Epidérmicos: Fragmento
de epiderme circular que se adere à
pele após ruptura de vesículas,
bolhas ou pústulas. Comumente
vistos em piodermites.
Eritema: Coloração avermelhada da
pele decorrente da vasodilatação.
Volta a coloração normal quando
submetido à vitropressão.
Comedos: Dilatação do folículo
piloso em virtude de bloqueio por
secreção sebácea ou outros debris
celulares.
Descamação: Acúmulo superficial de
corneócitos frouxos, na superfície da
epiderme. Se apresenta como flocos
de queratina variando em cor de
branco/cinza.
Crosta: Acúmulo espesso de
células, com exsudato formado por
ressecamento de soro, sangue,
detritos purulentos ou medicações.
Crosta Hemática ou Melicérica.
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
007Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Erosão: É uma lesão confinada
apenas à epiderme não atingindo a
membrana basal. Assim, ocorre
regeneração dos estratos sem que se
forme uma cicatriz. São bastante
frequentes em auto traumatismos.
Escoriação: Erosão linear com
eritema e crostas resultantes de
auto traumatismo. Pode ser vista
com frequência nas áreas de união
mucocutânea e comissuras labiais.
Úlcera: É uma lesão mais profunda
que a erosão, em que a derme
também é afetada, formando-se
uma cicatriz para que a pele se
encerre.
Hiperpigmentação: Processo de
escurecimento da pele em razão do
aumento de produção ou deposição
de melanina. Normalmente visto em
processos neoplásicos, traumáticos
ou endócrinos.
Liquenificação: Espessamento da pele
com aumento acentuado de suas
pregas. Normalmente cursa com
hiperpigmentação por inflamação
crónica.
Hiperqueratose: Consiste em um
processo de liquenificação própria
do plano nasal ou almofada
plantar.
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
008Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
TÉCNICAS FREQUENTEMENTE UTILIZADAS
RASPADOS DE PELE PAAF/PAF FITA DE ACETATO
SWAB OTOLÓGICO TRICOGRAMA LÂMPADA DE WOOD
CULTURA BIÓPSIA DIASCOPIA
Dermatologia Laboratorial
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
009Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
A obtenção e preparação adequada de amostras lesionais são aspectos técnicos de
grande importância para a interpretação correta dos resultados e estabelecimento de
um diagnóstico assertivo.
Diversas técnicas citológicas são frequentemente utilizadas em dermatologia, sendo
cada uma dessas técnicas empregadas em situações diferentes, dependendo do tipo
de lesão cutânea e da informação clínica disponível.
Escolher a técnica adequada pra cada situação, coletar e preparar as amostras da
forma correta, são passos essenciais para obtenção de resultados citológicos
confiáveis, que auxiliem no diagnóstico e no planejamento do tratamento
dermatológico e é da responsabilidade do clínico desempenhar seu papel da melhor
forma possível.
Amostra de fácil obtenção e grande valor diagnóstico. Utilizada para identificação de
parasitas, como: Cheyletiella, Demodex; Linognathus; Otodectes, Notoedris;
Sarcoptes; Trichodectes; Trombicula.
Tesoura
Lâminas de Vidro
Óleo mineral
Lâmina de Bisturi Nº 10
Solução Degermante
Lamínulas
Microscópio
Materiais Necessários:
Raspado Cutâneo Superficial/Profundo
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
010Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada (Pode ser interessante pelo
menos 3 regiões diferentes).
Coloque na região selecionada uma pequena quantidade de óleo mineral.
Para realizar a raspagem, utilize uma lâmina de bisturi nº 10.
Mergulhe a parte cortante ou a base da lâmina em óleo mineral.
Em caso de a área escolhida ter pelos, deve-se realizar uma tricotomia prévia para
melhor obtenção da amostra.
Já com a lâmina em posição, iniciar a raspagem no sentido à favor do crescimento
dos pelos, até que haja exsudação de conteúdo e preferencialmente sangramento
em pequena quantidade. Dependendo do tipo de ácaro suspeito (Demodex p.ex.),
é interessante pinçar a região com os dedos.
Depositar o material sobre a lâmina previamente preparada.
Repetir raspado até obtenção de material suficiente.
Após raspagem, higienizar as regiões examinadas com solução degermante.
Caso vá realizar você mesmo a análise, sobrepor a amostra com uma lamínula e
levar ao microscópio (Aumento de 40x). Caso for enviar para um laboratório
externo, acondicionar as lâminas em um pote próprio e manter em temperatura
ambiente até que seja analisada.
Procedimento:
Após, colocar o material inicialmente obtido na lâmina, o local lesionado deverá
ser espremido para que os ácaros mais profundos se direcionem à superfície.
O objetivo desta técnica é diagnosticar ácaros que não poderão ser vistos na
modalidade superficial, como Demodex canis, Demodex injai e Demodex cati.
Para realização do raspado profundo, deve-se seguir o mesmo passo a passo, com
acréscimo de uma etapa:
Swab Otológico
Swab Estéril
Lâminas de Vidro
Corante Wright
Microscópio
Materiais Necessários:
Inicialmente, introduzir o swab gentilmente através do início do canal vertical,
prolongando-se até o canal horizontal (Ângulo de 75º aproximadamente).
Já com o swab avançado, realizar movimentos circulares e verticais, para
obtenção de uma amostra repleta de celularidade.
Transferira amostra para uma lâmina, apoiando a porção do swab que contém o
material e realizando na sequência movimentos giratórios contínuos, por toda a
extensão da mesma.
Utilizar o lado direito da lâmina para a orelha direita e o lado esquerdo para a
orelha esquerda.
Identificar os lados para excluir a possibilidade de erros analíticos.
Com ajuda de uma chama quente, fixar a amostra na lâmina, passando-a sobre a
fonte de calor por cerca de 3 segundos.
Caso vá realizar você mesmo a análise, enxaguar a lâmina levemente com corante
Wright e levar ao microscópio (Aumento de 40x e 100x). Caso for enviar para um
laboratório externo, acondicionar as lâminas em um pote próprio e manter em
temperatura ambiente até que seja analisada.
Procedimento:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
011Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Caso durante a obtenção das amostras seja visualizado conteúdo purulento, deve-se
solicitar análise citológica do conteúdo conjuntamente.
Técnicas de Cultura
Swab com meio de Cultura
Meios de cultura fungo específicos (Ágar-Dextrose de Sabourand p.ex.)
Escova de Dentes Nova
Lâmpada de Wood
Coletor Universal
Agulha Hipodérmica
Pinça Estéril
Materiais Necessários:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
012Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
A coleta de amostras para cultura bacteriana ou fúngica geralmente envolve a
obtenção de material de lesões cutâneas suspeitas, como pústulas, úlceras ou áreas
com descamação. A amostra é coletada com técnicas assépticas e transferida para um
meio de cultura apropriado.
Além do diagnóstico de infecções cutâneas, as culturas bacterianas e fúngicas
também desempenham um papel importante no monitoramento da eficácia do
tratamento ao longo do tempo. Realizar culturas de acompanhamento ajuda a avaliar
se o agente infeccioso foi eliminado ou se ocorreu resistência aos medicamentos
utilizados.
Inicialmente, deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra:
Pelos
Pústulas
Colaretes Epidérmicos
Lesões Secas
Lesões com Crostas
Lesões Profundas
Pelos
Com ajuda de uma pinça estéril ou utilizando as próprias mãos enluvadas,
arranca-se os pelos, preferencialmente àqueles posicionados na periferia das
lesões.
Pode-se utilizar também para obtenção da amostra, uma escova de dentes
estéril.
Realizar este procedimento guiado por uma lâmpada de Wood pode
aumentar as chances de sucesso terapêutico.
Caso vá realizar você mesmo a análise, transfira a amostra para o meio de
cultura respectivo. Caso vá enviar para um laboratório, pode-se guardar a
amostra em um coletor universal. Lembrando-se que neste caso é importante
não fechar totalmente a tampa do coletor até que a amostra seja analisada.
Pústulas
Identificação de uma pústula intacta.
Tricotomia adequada em volta da lesão.
Higienização da superfície pustular com álcool 70%, deixando a região secar
espontaneamente.
Com a ajuda de uma agulha hipodérmica, perfurar a pele que recobre o
material purulento.
Procedimento:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
013Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Colher o pus com swab estéril e acondicionar o material em meio de cultura
adequado.
Caso sobre material, é interessante solicitar análise citológica conjuntamente.
Lesões Secas/Crostosas
No caso de lesões secas, é possível utilizar um swab umedecido com solução
salina para esfregar suavemente sob a borda da epiderme ou realizar uma
esfregação vigorosa em várias áreas escamosas.
Em caso de lesões com crosta, pode-se levantar/retirar o envoltório e coletar,
com ajuda de um swab, o material anteriormente coberto.
Lesões Profundas
Em casos de lesões nas camadas mais profundas da pele, o método de
obtenção da amostra escolhido, será o de biópsia. (Discutido mais a frente
neste mesmo capítulo).
Lâminas de Vidro
Seringa 3-5mL
Agulha hipodérmica
Corantes
Microscópio
Materiais Necessários:
Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF)
Método muito utilizado para obtenção de amostras de lesões como nódulos ou
tumores macios e firmes.
Através da técnica, é possível identificar agentes como bactérias, cocos, fungos e
protozoários (Leishmania p.ex.)
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra.
Realizar a limpeza da região com solução degermante ou álcool 70%.
Utilizando uma das mãos, deve-se segurar de forma firme a lesão entre os dedos.
Com uma agulha de calibre médio, anexada à uma seringa de 3-5mL, introduza a
agulha na lesão.
Puxe o êmbolo da seringa, de forma a criar pressão negativa, em seguida
reposicione a agulha dentro da lesão, solte o êmbolo, reposicione a agulha e faça
novamente pressão negativa. Deve-se repetir algumas vezes este procedimento
até que haja amostra suficiente.
Pode-se realizar movimentos em formato de leque para alcance de uma área
maior da lesão.
Antes de retirar a agulha da lesão, deve-se soltar o êmbolo para que a amostra
permaneça dentro do canhão da agulha. Caso durante o procedimento, seja visto
sangue no canhão da agulha, deve-se suspender a aspiração para evitar diluição
da amostra.
Retirar agora a agulha da seringa, puxar o êmbolo para encher a agulha de ar,
reconectar a agulha à seringa e empurrar o êmbolo para pulverizar as células em
uma lâmina de vidro.
Utilizando uma outra lâmina de vidro, posicione-a sobre o material pulverizado e
distribua-o sobre a lâmina para melhor visualização.
Caso vá realizar você mesmo a análise, corar as lâminas com o corante respectivo
e levar ao microscópio (Aumento de 40x e 100x). Caso for enviar para um
laboratório externo, acondicionar as lâminas em um pote próprio e manter em
temperatura ambiente até que seja analisada.
Procedimento:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
014Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Uma técnica alternativa chamada PAF (Punção por Agulha Fina), envolve a inserção
repetida da agulha na lesão sem criação de pressão negativa. Essa técnica reduz a
frequência de diluição da amostra com sangue e funciona melhor para massas
macias.
Lâminas de Vidro
Lamínulas
Pinça Estéril
Óleo Mineral
Microscópio
Materiais Necessários:
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra.
Preparar previamente uma lâmina de vidro com uma gota de óleo mineral sobre ela.
Retirar por arrancamento, com ajuda de uma pinça ou mão enluvada, uma pequena
amostra de pelos da região lesionada ou da periferia da lesão e colocar diretamente
sobre o óleo mineral. Pode ser feito o uso de lamínulas sobre a amostra.
Caso vá realizar você mesmo a análise, levar ao microscópio (Aumento de 10x). Caso
for enviar para um laboratório externo, acondicionar as lâminas em um pote próprio
e manter em temperatura ambiente até que seja analisada.
Procedimento:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
015Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Tricograma
Técnica utilizada para a avaliação dos pelos e do couro cabeludo. É uma ferramenta
diagnóstica importante para identificar problemas dermatológicos relacionados aos
pelos, como alopecia (perda de pelos), alterações no crescimento dos pelos,
inflamação, infecções fúngicas ou bacterianas, e infestações por parasitas.
Biópsia Cutânea
Tipos de Sedação/Anestesia Indicação Posologia e Via de administração
Anestesia local SC e conteção
manual
Biopsia simples com punch. Cães muito
tranquilos ou doentes.
Infiltração SC de 1-2 mL de lidocaína 1-2%.
Dose máxima de lidocaína: 8 mg/Kg, (cães),
4 mg/kg (gatos).
Anestesia local SC e
sedação.
Biopsia simples com punch. É a técnica
mais comum.
Infiltração SC de 1-2 mL de lidocaína 1-2%.
Dose máxima de lidocaína: 8 mg/kg (cães),
4 mg/kg (gatos).
Anestesia geral (Propofol)
Biopsia de membranas mucosas e nariz.
Leito ungueal (amputação).Tumores
grandes. Pacientes cardiopatas
Normal, de acordo com o protocolo
É ideal a coleta de múltiplas lesões representativas. Se possível sempre coletar
lesões recentes e crônicas.
Pode ser interessante o envio de fragmentosde pele normal, identificados como
tal, para fator de comparação pelo histopatologista responsável.
Geralmente, áreas com bastante descamação são potencialmente diagnósticas.
A amostra deve ser coletada da parte central da lesão.
Uma citologia da região a ser biopsiada, pode trazer informações importantes,
tanto para guiar o diagnóstico final, quanto para uma preparação prévia.
Infecções secundárias, podem atrapalhar o resultado da cultura, com isso, tratar
antes poderá evitar erros diagnósticos.
Tratamentos prévios, contudo, também podem interferir nos resultados. O
tratamento com corticoides deve ser interrompido pelo menos 2-3 semanas antes
da biópsia.
Por mais que pareça incorreto, a região a ser biopsiada não deve ser
preparada/desinfetada, uma vez que tal processo pode retirar da pele, detritos
importantes para o diagnóstico.
Importante saber:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
016Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
É uma das mais importantes ferramentas diagnósticas na dermatologia, constituindo
muitas vezes último método de escolha para pesquisa em casos refratários. Apesar de
ser um método de execução relativamente simples, é importante atenção em alguns
pontos específicos para maximizar os benefícios potenciais dessa ferramenta.
Basicamente, precisa-se de uma equipe preparada, composta por um clínico que
tenha selecionado, obtido e preservado as amostras cuidadosamente, e um
patologista que tenha processado, examinado e interpretado as amostras com
atenção.
Na maior parte dos casos, uma sedação simples ou apenas a dessensibilização
local já é o suficiente para realização de uma biópsia cutânea.
A decisão entre sedar ou anestesiar o paciente, deverá levar em conta,
principalmente:
Região a ser biopsiada
Riscos inerentes a cada procedimento
Comportamento do paciente
Regiões como focinho e coxins costumam doer bastante, podendo nestes casos,
já ser preferido anestesiar o paciente de forma geral.
Sedação, Anestesia Local ou Geral:
Sedação: agonista α2 (p.ex.,
dexmedetomidina), ou protocolos
envolvendo múltiplas drogas.
Tesoura
Luvas
Lâmina de Bisturi
Pinça Estéril
Coletor Universal
Formalina 10%
Punch 4-6mm
Porta Agulha
Fio Cirúrgico não absorvível
Materiais Necessários:
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra. Não
realizar higienização prévia da região.
Em caso de haver pelos longos ao redor da lesão, pode-se aparar tais pelos,
evitando que a tesoura encoste no local.
Realizar o bloqueio anestésico da região perilesional (Solução de lidocaína
geralmente) ou protocolo anestésico adotado e aguardar o tempo necessário
para dessensibilização completa.
Já com as mãos enluvadas, após escolher o melhor instrumento para coleta,
dirija-se ao paciente:
Punch:
Pressione de forma firme sobre o local escolhido, aplicando uma força
contínua, enquanto rotaciona o punch.
Após total corte da lesão, descarte o punch e com ajuda de uma pinça e
lâmina de bisturi, incise o tecido subcutâneo que ainda segura o
fragmento. É importante neste passo, tomar cuidado com o uso da pinça,
evitando esmagar a amostra.
Coloque a amostra imediatamente em formalina 10%. Em alguns casos,
amostras pequenas, devem ser colocadas sobre filtro de papel e
posteriormente na formalina, para que não flutuem.
Em caso de sangramento , realize a hemostasia utilizando gaze estéril
Finalmente, suture a região.
Lâmina de Bisturi:
Realize uma incisão em formato de cunha na pele. Essa incisão é mais
profunda na base e se estende até a superfície da pele, criando uma
amostra de tecido em formato triangular, permitindo assim a retirada de
um fragmento cuneiforme da região.
Após o corte, recolha a amostra com ajuda de uma pinça e coloque a
imediatamente em formalina 10%. Em alguns casos, amostras pequenas,
devem ser colocadas sobre filtro de papel e posteriormente na formalina,
para que não flutuem.
Em caso de sangramento , realize a hemostasia utilizando gaze estéril.
Finalmente, suture a região.
Procedimento:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
017Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
2023
G U I A P R Á T I C O D E
SEDAÇÃO
ANALGESIA
NA ROTINA DE CÃES E GATOS
e
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Incisão
Margem de pele saudável
Nódulo ou lesão a ser submetida a
biopsia
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
018Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Além disso, o patologista pode mencionar possíveis artefatos observados durante a
análise ou a necessidade de realizar colorações especiais, imunohistoquímica ou
outras técnicas diagnósticas.
O laudo histopatológico:
É o resultado obtido a partir de uma biópsia de pele. Geralmente, esse laudo é
dividido em três partes principais: descrição das lesões microscópicas, diagnóstico
morfológico e diagnóstico etiológico, juntamente com comentários adicionais.
Na primeira parte do laudo, é feita uma descrição objetiva e organizada das lesões
microscópicas encontradas nas amostras de biópsia examinadas. Embora essa parte
possa parecer complexa e repleta de termos técnicos, é fundamental para o
diagnóstico histopatológico.
O diagnóstico morfológico na dermatopatologia segue geralmente um sistema de
padrões lesionais, como "dermatite perivascular" ou "dermatite nodular
piogranulomatosa". A parte final do laudo inclui o diagnóstico etiológico, como
dermatofitose, linfoma cutâneo epiteliotrópico ou leishmaniose. No entanto, em
alguns casos, as lesões observadas podem não permitir um diagnóstico definitivo.
Nessas situações, o patologista inclui no laudo doenças compatíveis com as lesões
encontradas.
Se o laudo do patologista não estiver claro ou se o diagnóstico morfológico não estiver
em conformidade com o quadro clínico do paciente, é importante discutir o caso com o
patologista. Os patologistas não são infalíveis e, às vezes, ao revisar o caso a pedido do
clínico, podem identificar alterações ou indícios que passaram despercebidos
anteriormente.
Lâmpada de Wood
Luvas
Pote Coletor
Microscópio
Materiais Necessários:
É importante ligar a lâmpada pelo menos 5-10 minutos antes do exame.
O teste deverá ser realizado em uma sala totalmente escura.
Calçar as luvas antes de ter contato com o paciente.
Exponha a região escolhida por três a cinco minutos, algumas micoses e cepas
podem ser lentas para fluorescer, além disso é importante acostumar seus olhos à
escuridão.
A lâmpada deve ser segurada a poucos centímetros da pele do paciente.
Ao se identificar a lesão, espera-se que em casos positivos para M. canis, seja
visualizada fluorescência de cor verde maçã.
Colete a amostra para realização da cultura fúngica.
Procedimento:
Lâmpada de Wood
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
019Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Técnica que utiliza uma lâmpada ultravioleta, com jato de luz filtrado por filtro de
cobalto ou níquel. Tem como finalidade, o diagnóstico de infecções por Microsporum
canis. Todas as lesões suspeitas independentemente se positivas ou não à lâmpada,
devem ser submetidas à cultura. A obtenção de amostras em combinação com o
teste, pode aumentar muito o sucesso da coleta de amostras positivas.
O produto metabólico fluorescente é um pigmento que se incorpora aos pelos e
permanecerá nestes, mesmo quando o fungo já está morto. À medida que a infecção
desaparece, a fluorescência é perdida na região da base dos pelos e começa a ser
visualizada na ponta destes. Neste momento a cultura já é negativa.
Resultados falsos negativos podem ocorrer em até 50% dos casos de Microsporum
canis (geralmente devido a erro do usuário). Casos falso positivos também são
possíveis, a maioria das vezes por uso de produtos tópicos e presença de crostas.
Fita de acetato
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra.
Preparar previamente uma lâmina de vidro com uma gota de óleo mineral sobre ela.
A gota de óleo melhora a análisea maioria das vezes. Pode-se realizar o exame sem a
gota também.
Retirar uma porção da fita adesiva e aplicar sobre a região escolhida com a parte
colante para baixo, de modo que as amostras grudem na fita.
Aplica-se a fita agora, na lâmina, também com o lado adesivo pra baixo. Caso a
suspeita for de Malassezia, aplica-se uma gota da solução III do corante Diff-Quick na
lâmina e, só então, coloca-se a fita por cima.
Caso vá realizar você mesmo a análise, levar ao microscópio (Aumento de 40-100x).
Caso for enviar para um laboratório externo, acondicionar as lâminas em um pote
próprio e manter em temperatura ambiente até que seja analisada.
Procedimento:
Lâminas de Vidro
Óleo mineral
Fita de Acetato
Corante Diff-Quick
Microscópio
Materiais Necessários:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
020Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Técnica simples e barata que utiliza fita adesiva de celofane (durex transparente),
para coleta de parasitos da pele.
É indicada para qualquer animal com prurido generalizado, principalmente naqueles
onde é possível observar resíduos sobre o pelo e pele.
Pode ser usada para pesquisa de Malassezia caso a amostra seja corada com corante
Diff-Quick.
Diascopia
Inicialmente deve-se selecionar a área desejada para obtenção da amostra.
Uma lâmina de vidro é usada para aplicar pressão a uma lesão eritematosa.
Se a lesão for causada por vasodilatação (urticária), ela ficará esbranquiçada.
Se as lesões forem petequiais ou equimóticas (causadas por vazamento de
sangue dos vasos [vasculite]), elas não ficarão esbranquiçadas)
Procedimento:
Lâminas de Vidro
Materiais Necessários:
Começando do início: Semiologia e
Semiotécnica dermatológica
021Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
A diascopia é um procedimento simples que envolve a aplicação de uma lâmina de
vidro sobre uma lesão avermelhada e a aplicação de uma pressão moderada. Esse
teste é útil para distinguir o eritema causado por vasodilatação da púrpura ou
equimose causada por vasculite.
As lesões urticariformes são caracterizadas por vasos sanguíneos dilatados que
extravasam fluido, mas não células vermelhas, portanto, quando pressionadas, essas
lesões avermelhadas se tornam pálidas. Por outro lado, a equimose (que é típica de
vasculite) ocorre devido ao extravasamento de células vermelhas do sangue para fora
dos vasos. Nesse caso, as lesões avermelhadas não ficam pálidas quando submetidas
à pressão, pois as células estão localizadas dentro da derme.
Ácaros de Ouvido/Sarna Otodécia/Otocaríase A
PONTO CHAVE
Terapias sistêmicas são mais eficazes devido à migração dos
parasitas sobre a pele.
Otoscopia (Visualização direta dos ácaros se movimentando)
Em gatos, pode ser visto reflexo otopodal positivo: O animal se
coça com o membro do mesmo lado onde estão os ácaros.
Microscopia (Swabs otológicos, raspado cutâneo superficial)
Detecção por este método, de ácaros adultos, ninfas, larvas ou
ovos.
Alguns animais podem se beneficiar de controle anti-inflamatório e cobertura
analgésica.
Meloxicam (0.05-0.1 mg/Kg, SID)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID)
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Todas as causas de Otite em geral.
Limpeza com Solução Otológica (Aurivet® Clean; Epiotic® Spherulites; Phisio
Anti Odor®; Oto Clean Up®)
Produtos otológicos acaricidas (Natalene®)
Antiparasitários Sistêmicos (Advocate®; Bravecto®; Revolution®; Simparic®)
O problema:
Diagnóstico:
Terapêutica:
Suporte:
Diferenciais:
022Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Infecção causada por uma infestação de
Octodectes cynotis (ácaro de ouvido), que vive
na superfície da pele do conduto auditivo e no
meato acústico.
Pode haver acúmulo de exsudato ceruminoso de
coloração marrom escura a preta nos meatos
acústicos. A descarga otológica pode se tornar
purulenta em caso de coinfecção por bactérias.
A
PONTO CHAVE
Os proprietários devem ser
informados de que a acne
felina é uma condição que
geralmente não é curada, mas
apenas controlada com
tratamento periódico ou
contínuo.
Descartar todos os demais diferenciais.
Histórico e achados do exame físico.
Dermatohistopatologia:
Folículos pilosos dilatados e cheios de queratina
levando a obstrução e dilatação (comedões).
Perifoliculite, foliculite e furunculose.
Fibrose em casos crônicos.
Alguns animais podem se beneficiar de controle anti-inflamatório e de prurido:
Meloxicam (0.05-0.1 mg/Kg, SID)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID)
Para casos refratários e graves:
Vitamina A
400 UI/KG (Manipulação)
Dermatofitose
Demodiciose
Dermatite de contato
Granuloma eosinofílico
Celulite juvenil
Dermatite por Malassezia
Tosa dos pelos em volta das lesões.
Tratamento direcionado à causa base, caso seja identificada.
No caso de acne idiopática, considerar:
Comedões em pequena quantidade: tratamento desnecessário.
Comedões em quantidade considerável, terapia completa.
Instrua os proprietários a evitarem esfregar ou espremer as lesões, pela
chance de causar ruptura interna (furunculose) da pápula/pústula e criar
uma inflamação acentuada.
Limpeza frequente com shampoo antibacteriano, lenço umedecido ou
pomadas para reduzir o número de bactérias na superfície da pele.
Clorexidine (Sept Clean®; Periovet® spray/gel)
Mupirocina (Bactroban®)
Peróxido de Benzoíla (Peroxydex®Spherulites) - irritante pra alguns
gatos
O problema:
Diagnóstico:
Terapêutica:
Suporte:
Diferenciais:
Acne Felina
023Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Desordem inflamatória crônica do queixo e lábios de animais jovens.
O corre a formação de comedões assintomáticos (pontos negros), no
queixo, lábio inferior e às vezes, lábios superiores.
Pode haver o desenvolvimento de pápulas e raramente furunculose,
caso haja infecção secundária.
Resolução das
lesões pode
demorar de 2-8
semanas.
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A
Descartar todos os demais diferenciais.
Levar em conta histórico clínico, raça e achados do exame físico.
Quando os pelos são ARRANCADOS, moldes foliculares aderem ao eixo
do pelo, alteração clássica para defeitos de queratinização primária.
Dermatohistopatologia:
Reação inflamatória nodular granulomatosa a piogranulomatosa no
nível das glândulas sebáceas (região do istmo dos folículos pilosos).
Hiperqueratose ortoqueratótica e formação de rolhas foliculares; mais
proeminente em raças de pelo longo.
Estágio avançado da doença:
Perda completa das glândulas sebáceas
Granulomas perifoliculares e fibrose.
O problema:
Diagnóstico:
Adenite Sebácea
024Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Genético: destruição herdada/congênita das glândulas sebáceas.
Poodles
Akita
Imunomediada
Reação mediada por células a um componente da glândula sebácea.
Metabólica:
Distúrbio de queratinização.
Anormalidade no metabolismo lipídico.
Distúrbio da pele que causa descamação e prurido variável, de origem incerta. A
doença resulta na inflamação e destruição das glândulas sebáceas.
Há algumas teorias para o desenvolvimento da afecção, sendo elas:
Alopecia ("Caminho de Traças")
Eritema
Descamação
Foliculite bacteriana secundária
Lesões Pelo curto - Afetando principalmente Tronco, Cabeça e Pina de Orelha.
Alopecia simétrica (Parcial a Difusa)
Pelo fraco e quebradiço
Pelos com escamas branco-prateadas bem aderentes
Tufos de cabelo emaranhados com escamas na cauda ("Cauda de Rato")
Foliculite bacteriana secundária
Prurido
Mau cheiro
Lesões Pelo longo - Afetando principalmente Tronco e parte dorsal da cabeça.
A
PONTO CHAVE
A adenite sebácea é uma doença incurável
que provavelmente exigirá manejo ao longo
da vida.
Na maioria dos casos, os sintomas podem ser
controlados satisfatoriamente.
Embora os cães possam ter prurido que afete
a qualidade de vida, não há envolvimento
sistêmico.
A doença tende a ter períodosde melhora e
piora e a interpretação de qualquer aparente
resposta ao tratamento deve levar isso em
consideração.
Alguns animais podem se beneficiar de cobertura analgésica:
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Controle de Prurido:
Apoquel® (0.4–0.6 mg/kg,BID, 1-2 semanas, depois 14 dias SID)
Antibioticoterapia sistêmica em casos de foliculite bacteriana secundária:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Cefalexina (10-30 mg/Kg, BID)
Demodicose
Dermatofitose
Pioderma
Foliculite por Staphylococcus
Displasia folicular
Doença piogranulomatosa estéril
Hipotireoidismo
Hiperadrenocorticismo
Linfoma cutâneo.
Suporte:
Diferenciais:
Terapia Imunossupressora:
Ciclosporina (Cyclavance®)
5 mg/Kg, SID-BID
Único tratamento que demonstrou capacidade de regeneração das
glândulas sebáceas.
Terapia com Corticóides:
Prednisolona
0.5 - 1 mg/Kg, SID a BID
Glicocorticoides sistêmicos administrados em regime antiinflamatório
podem ser úteis em quadros iniciais e de menor valor em casos crônicos e
minimamente inflamados.
Terapêutica: Terapia tópica com shampoos antisseborréicos (q2 dias):
Peroxydex Spherulites®
Sebotrat O®
Sanadog®
Terapia Tópica diária com hidratação diária do pelo:
Humilac®
Bris® Spray Equilíbrio Pele Oleosa
Hidrapet® Skin On
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Vitamina A
Manipulação 8000-30.000 UI/Cão
Doxiciclina (Doxitrat®; Doxifin® Tabs; Doxy® Solução)
5-10 mg/Kg, BID
Adenite Sebácea
025Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Evolução após 6 meses
de terapia.
AAlopecia X/Aprisionamento do folículo piloso
026Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Leve variante de hiperadrenocorticismo, sendo
causado por esteroidogênese adrenal anormal.
Deficiência do hormônio do crescimento (GH)
Desrregulação de receptores foliculares.
Doença de causa ainda não muito bem esclarecida,
algumas teorias tem sido propostas, incluindo:
O problema:
Descarte de outras causas de alopecia endócrina (hiperadrenocorticismo,
hipotireoidismo, hiperestrogenismo, neoplasias gonadais com desequilíbrio
de hormônios sexuais)
Dermatohistopatologia: Alterações endócrinas inespecíficas, com exceção
dos “folículos em chama”, que ocorrem mais frequentemente na alopecia X;
Áreas alopécicas não devem incluir membros anteriores e extremidades dos
membros posteriores;
Não deve haver prurido;
Diagnóstico:
Terapêutica: Como é uma doença puramente estética, é razoável levar em consideração
o não tratamento.
A castração pode induzir temporariamente ou de forma permanente o
crescimento de novos pelos.
Melatonina (3-12 mg/animal, SID-BID); Deve ser utilizada, somente até que
todo o pelo do paciente cresça novamente, o que pode ocorrer dentro de 3
meses em média. Desta forma, caso haja recidiva, será possível repetir a
medicação.
Trilostano (Vetoryl®) - administrar sempre com alimentos.
20 mg, SID, para cães menores que 2.5 Kg;
30 mg, SID, para cães com peso entre 2.5 - 5 Kg;
60 mg, SID, para cães com peso entre 5 -10 Kg;
Em caso de não haver crescimento após 2 meses de tratamento, pode-
se fazer BID;
É de incidência incomum, acontecendo porém com maior frequência em cães adultos (2-5
anos), especialmente Chow chow, Lulus da Pomerânia, Samoiedas, Huskies Siberianos,
Malamutess do Alaska e Poodles miniatura.
PONTO CHAVE
É importante monitorar sinais de Insuficiência Adrenal
(Depressão, inapetência, vômito e dirarréia)
A
Alguns animais podem se beneficiar de hidratação dérmica intensa, já que a
pele afetada se torna mais sensível.
Allerderm®Spot-on
Allermyl®Glyco
Episoothe® Shampoo e Condicionador
Hidrapet®
Hidrapet® Skin on
Há relatos de sucesso terapêutico com o uso de microagulhamento, sendo esta
técnica uma alternativa complementar aos demais tratamentos.
PONTO CHAVE
Independentemente da terapia utilizada, o crescimento do pelo pode ser
incompleto ou transitório.
O crescimento inicial do pelo deve ser visto dentro de 4 a 8 semanas. Se nenhuma
resposta for observada após 3 meses de tratamento, um ajuste de dose ou outro
agente terapêutico deve ser considerado.
O proprietário deve ser informado sobre os riscos potenciais dos medicamentos
antes de qualquer tratamento ser iniciado, além de estar ciente da possibilidade
de recidivas.
Alopecia X/Aprisionamento do folículo piloso
027Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Suporte:
Hiperadrenocorticismo
Hipotireoidismo
Hiperestrogenismo
Neoplasias gonadais com desequilíbrio de hormônios sexuais
Deficiência de GH
Adenite Sebácea
Displasias Foliculares
Diferenciais:
Mitotano - administrar sempre com alimentos.
15-20 mg/Kg, SID por 5 dias; seguido por administração única a cada 1-2
semanas, apenas para manuntenção;
Um teste de estimulação por ACTH no dia 7 pode mostrar níveis de
corstisol pós, entre 5-7 mg/dL)
AAtopia/Dermatite Atópica Canina
028Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Reação de hipersensibilidade a alérgenos ambientais
inalados ou absorvidos cutaneamente em indivíduos
geneticamente predispostos. É comum em cães, com
idade de início variando de 6 meses a 6 anos. No entanto,
na maioria dos cães atópicos, os sintomas aparecem pela
primeira vez entre 1 e 3 anos de idade.
O problema:
Testes alérgicos (intradérmicos ou sorológicos): testes alérgenos
podem variar muito de acordo com o método utilizado. É observado
reações positivas para grama, relva, mofo, insetos, pelo ou alérgenos
domésticos como poeira, ácaros, etc.
Lambedura de patas sazonal é o mais único e típico sintoma de
atopia visualizado.
Avaliar de forma conjunta possibilidade diagnóstica de:
Hipersensibilidade Alimentar
Dermatite alérgica a picada de ectoparasitas (DAPE)
Dermatohistopatologia (não diagnóstica): dermatite perivascular
superficial que pode ser espongiótica ou hiperplásica. As células
inflamatórias são predominantemente linfócitos e histiócitos.
Eosinófilos são raros. Neutrófilos ou células plasmáticas sugerem
infecção secundária.
Sempre realizar os exames de triagem dermatológica simples:
Cultura Fúngica
Raspado Cutâneo
Diagnóstico:
Espaço interdigital
Carpo
Tarso
Focinho
Região periocular
Axila
Flanco
Face
Pina da orelha
Região inguinal
Afeta áreas como:
Eritema + prurido
Pústulas
Coloração por saliva
Crostas
Alopecia
Hiperpigmentação
Seborréia seca/oleosa
Escoriações
Pode haver infecção secundária
Apresenta-se como:
AAtopia/Dermatite Atópica Canina
029Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
PONTO CHAVE
Em cães que chegam em péssimas condições, é interessante a adição de uma fase
inicial para tratamento prévio, com retorno em 20 dias, para dar sequência
normalmente à triagem.
Gerenciamento da Crise
FASE 1
Corticóide sistêmico
Antibioticoterapia
Controle de Ectoparasitas
Controle medicamentoso do prurido
Revisar dieta de eliminação
Cão bem (Inicia dieta de eliminação)
Cão se coçando (Iniciar dieta com medicação)
Apoquel
Cortiócides
Retorno em 20 dias
FASE 2
Reavaliação do quadro
Suspender medicação neste
momento.
FASE 3
Mantém dieta sem
medicações e o
animal volta bem
Novo retorno em 20 dias
Hipersensibildiade
Alimentar
Dermatite atópica
canina
Mantém dieta sem
medicações e o
animal volta mal
Algoritmo Desordens de Hipersensibilidade
A
Terapêutica: Tratamento e prevenção de qualquer infecção secundária:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Sulfa + Trimetoprim (15-30 mg/Kg, BID)
Clindamicina (11 mg/Kg, BID)
Banhos a cada 7 dias, seguido de secagem correta dos ouvidos, auxilia na
retirada de pólen e outros possíveis alérgenos do pelo.
Shampoo antimicrobiano:
Cloresten®
Hexadene Spherulites®
Manipulação
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Apoquel (1-2 semanas) 0,4 – 0,6 mg/kg, BID depois 14 dias SID
Controle de pulgas e carrapatos
Advocate®Bravecto®
Revolution®
Simparic®
Nexgard®
Seresto®
Scalibor®
Antihistamínico sistêmico (reduzir prurido)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Prometazina 0.2-0.4 mg/Kg, BID
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Atopia/Dermatite Atópica Canina
030Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Imunomodulação
Redução de exposição aos alérgenos do ambiente
Filtros de partículas ambientais
Lavagem frequente de tapetes, carpetes, e cama do animal
Ciclosporina 5 mg/kg, SID, 4-6 semanas, até ser administrado à cada 48-72
horas
Lokivetmab (Cytopoint®) (0.5-3.3 mg/Kg, SC a cada 28 dias)
Suporte:
Alergia alimentar
Escabiose
Dermatite por malassezia
Piodermite bacteriana
Hipersensibilidade (contato, picada de pulgas e carrapatos, alimentar)
Parasitas
Foliculite (dermatófitos, Demodex)
Diferenciais:
https://app.vetalfa.com/#/categories/1/drugs/sulfametoxazol+trimetoprima
PONTO CHAVE
Não há prurido, a não ser que haja infecção
secundária!
A maioria dos cães têm prurido pois 70% cursam
com piodermite/piodermatite concomitante.
D
Demodiciose Canina/Sarna Demodécica
031Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
É causada por um ácaro comensal normal da pele dos
cães, o Demodex canis.
Ocorre quando, por algum motivo, há um aumento
excessivo da população destes parasitas em uma região
da pele.
Geralmente, está associada a fatores predisponentes,
como: Endocrinopatias; Dieta Pobre; Terapia
Imunossupressora; Estresse Transitório, entre outros.
O problema:
Toda e qualquer terapia contendo corticóides devem ser descontinuadas pois
a administração destes medicamentos, é a causa mais comum do quadro em
animais adultos.
Animais inteiros devem ser castrados uma vez que a prenhez ou estro são
situações imunossupressoras.
Em casos generalizados, será necessário antibioticoterapia sistêmica por 28
dias + 14 dias após cura clínica.
Suporte:
Piodermite (superficial ou profunda)
Dermatofitose
Hipersensibildiade (Pulga, Alimentar, Atopia)
Desordens Autoimunes
Diferenciais:
Raspado cutâneo PROFUNDO
Possível observar alguns ácaros adultos, ninfas, larvas ou ovos.
Dermatohistopatologia
Ácaros intrafoliculares com graus variáveis de foliculite ou
furunculose.
Diagnóstico:
Terapêutica: Identificar e tratar doenças de base e possíveis infecções secundárias;
Antiparasitários Sistêmicos (Advocate®; Bravecto®; Simparic®; Nexgard®)
Terapia tópica com shampoos a base de Peróxido de Benzoíla (Dermagard
shampoo®; Peroxydex Spherulites®) por no mínimo 3-4 semanas.
Para animais com pelos médios/longos é interessante a tosa total.
É mais comum em cães jovens, principalmente aqueles entre 3-6 meses de idade.
Áreas de alopecia irregular
Eritema
Hiperpigmentação
Descamação
Apresenta-se como:
D
O problema:
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Antibioticoterapia Sistêmica em caso de Piodermite 2ª:
Tratamento obrigatório de todos os animais contactantes.
PONTO CHAVE
Apenas 5% das pulgas estão presentes nos animais, os outros 95% estão espalhadas por
sofás; tapetes e outros ambientes. Desta forma o controle ambiental é imprescindível na
terapia destes animais.
Suporte:
Atopia/Alergia alimentar
Piodermite superficial
Dermatofitose
Demodiciose
Dermatite por Malassezia
Diferenciais:
Dermatite lombar em cães é o mais consistente sinal característico
Em gatos DAPE deve ser o diferencial em qualquer doença de pele
Visualização de pulgas ou fezes de pulgas
Resposta clínica positiva a um controle agressivo de pulgas
Diagnóstico:
Terapêutica: Controle agressivo de pulgas (Ambiente e Animal)
Antiparasitários Sistêmicos (Advocate®; Bravecto®; Simparic®, Capstar®)
Antiparasitários Tópicos (Seresto®; Scalibor®; Revolution®, Frontmax®)
Controle AMBIENTAL (Butox®)
Dermatite alérgica a picada de Pulgas/DAPP
032Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Doença comum em cães e gatos sensíveis à
proteínas/antígenos presentes na saliva de pulgas, iniciada
por repetidas picadas de pulga no animal. Basta apenas uma
pulga para o início da reação alérgica.
Dermatite miliar pruriginosa com escoriações;
Região lombossacra dorsal, coxa, abdome ventral e
pescoço;
Alopecia devido ao ''grooming" excessivo;
Lesões do complexo granuloma eosinofílico.
Em Gatos:
Área triangular na região lombossacra dorsocaudal;
Região caudal das coxas;
Parte caudal do abdome e região inguinal;
Pápulas, crostas, eritema, alopecia, descamação;
Foliculite, furunculose e dermatite úmida aguda
secundários podem ocorrer.
Em cães:
D
O problema:
Dermatite causada por Malassezia/Malasseziose
033Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Atopia
Alergia alimentar
Endocrinopatias
Distúrbios de queratinização
Distúrbios metabólicos
Terapias com corticóides
Malassezia pachydermatis é uma levedura normalmente encontrada no
meato acústico externo, áreas periorais, perianais e dobras cutâneas.
A doença ocorre quando há uma reação de hipersensibilidade ao
organismo ou quando por algum motivo há um superdesenvolvimento na
pele. Tal supercrescimento geralmente está associado a fatores como:
FIV
Diabetes M.
Alopecia Paraneoplásica
Timomas
FELINOS
Otite externa (cerúmen negro)
Acne de queixo crônica
Alopecia
Eritema e seborreia multifocal
generalizada
Em Gatos:
Prurido severo/moderado
Alopecia regional a generalizada
Escoriações
Eritema
Seborréia
Liquenificação, hiperpigmentação, hiperqueratose
Mau cheiro
Paroníquia (inclui coloração amarronzada das unhas)
Otite concomitante
Em cães:
D
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Antibioticoterapia Sistêmica em caso de Piodermite 2ª:
Tratamento obrigatório de todos os animais contactantes.
Suporte:
Parasitas (Escabiose;Demodiciose)
Atopia/Hipersensibilidade Alimentar
Piodermite
Dermatofitose
Malasseziose
Diferenciais:
Descartar todos os possíveis diferenciais.
Histórico clínico (Doenças Concomitantes; Terapias recentes).
Citologia: visualização do supercrescimento através do microscópio.
Dermatohistopatologia: dermatite superficial perivascular com
leveduras ou pseudohifas em queratina.
Cultura fúngica: M. pachydermatis
Diagnóstico:
Dermatite causada por Malassezia/Malasseziose
034Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Terapêutica: Identificar e tratar causa primária
(alergias, endocrinopatias, defeitos
de queratinização)
Para casos leves, a terapia tópica já é efetiva :
Mycolitic® (BID, até resolução)
Dermotrat®Creme/Spray (BID, até resolução)
Cloresten® (q3 dias, até resolução)
Cloreximicol® (q3 dias, até resolução)
Duração da terapia variável de semanas a meses, continuando 1 mês após a
cura clínica completa (Citologia + Cultura Negativas).
Tratamento para casos moderados/severos, exige terapia tópica + sistêmica,
incluindo:
Cetoconazol (Cetomed®) 5-15 mg/kg, com comida, SID/BID
Itraconazol (ITL®; Sporanox®) 5-10 mg/kg, com comida, SID/BID (Escolha
mais comum para gatos
Importante manter avaliação hepática regular nos casos de tratamento
sistêmico.
PONTO CHAVE
A doença não é considerada contagiosa, exceto para animais e HUMANOS
imunocomprometidos.
Zoonos
e
D
O problema:
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Antibioticoterapia Sistêmica em caso de Piodermite 2ª:
Tratamento obrigatório de todos os animais contactantes.
Suporte:
Parasitas (Escabiose;Demodiciose)
Atopia/Hipersensibilidade Alimentar
Piodermite
Dermatofitose
Malasseziose
Diferenciais:
Histórico
Avaliação Clínica (Regiões predispostas)
Retirar o animal do local suspeito (Em 3-5 dias deverá ocorrer melhor clínica)
Após nova exposição ao ambiente/alérgeno, deve haver a volta das lesões.
Diagnóstico:
Terapêutica: Controle agressivo de pulgas (Ambiente e Animal)
Antiparasitários Sistêmicos (Advocate®; Bravecto®; Simparic®, Capstar®)
Antiparasitários Tópicos (Seresto®; Scalibor®; Revolution®, Frontmax®)
Banhos com shampoo hipoalergênico:Shampoo Hipoalergenico Ibasa®
Allermyl®Glyco
Episoothe® Shampoo e Condicionador
Hidrapet®
Tratamento de Piodermites ou dermatites por Malassezia
Identificar e evitar contato com o alérgeno
Solução tópica com Glicocorticoides
Cortavance®
Allerdog Flucort®
Terapia sintomática (controle do prurido)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID, 3-7 dias)
Hidroxizine 2 mg/Kg, VO, TID
Apoquel (1-2 semanas) 0,4 – 0,6 mg/kg, BID depois 14 dias SID
Dermatite de Contato
035Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Lesões com prurido variável, eritema, pápulas, alopecia, placas,
vesículas, escoriações, hiperpigmentação, liquenificação e crostas;
Ocorrem em áreas com pouco pelo e contato frequente com piso:
intedígitos, axilas, virilha, escroto, períneo, queixo, lábios e focinho.
Reação que geralmente exige um contato constante e prolongado com o
alérgeno. (Plantas, detergentes, ceras de piso, sabão em pó, água
sanitária, concreto, tapetes, couro cru, etc.)
Exposição à PlantasUso de inseticida Spot-onContato com sabão em póUso de Protetor Solar
PONTO CHAVE
Pentoxifilina pode ser utilizada
como terapia de longa
duração caso o alérgeno não seja
identificado 15-25mg/kg,VO, BID.
D
O problema:
Alguns animais podem se beneficiar de controle anti-inflamatório e cobertura
analgésica.
Meloxicam (0.05-0.1 mg/Kg, SID)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID)
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Histórico
Achados Clínicos
Raças Predispostas
Triagem Dermatológica básica
Pode ser comum a ocorrência concomitante de
Ceratite Traumática ou Úlceras de Córnea!
Diagnóstico:
Terapêutica: Para lesões moderadas a graves, a região afetada precisa ser tosada e limpa
com solução degermante (Sept Clean®). Pode-se manipular lenços umedecidos
com o princípio ativo e realizar manejo com intervalos de 12-24 horas.
Em casos de lesões extensas, principalmente em dobras corporais
disseminadas, pode-se realizar banhos a cada 72 horas, com shampoos a base
de Clorexidina (Cloresten®;Hexadene Spherulites®) ou Peróxiddo de Benzoila
(Dermagard shampoo®; Peroxydex Spherulites®).
Para lesões severas com piodermite associada, será necessário associação de
antibioticoterapia por um período de até 6 semanas.:
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Cefalexina (10-30 mg/Kg, BID)
Dermatite de Dobras Cutâneas/Intertrigo
Suporte:
Infecção bacteriana localizada da derme de cães, principalmente raças
com excesso de pele e consequente aumento das dobras cutâneas.
(Sharpei; Basset Hound; Dachsunh, Bulldogues, entre outros). Pode haver
maior incidência em cães obesos e fêmeas com vulva infantil.
036Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Piodermite superficial
Dermatite por Malassezia
Demodiciose
Dermatofitose
Irritação por urina, cistite primária descendente ou vaginite.
Diferenciais:
Eritematosas
Seborreicas
Fétidas
Pruriginosas
Em Tronco e Membros,
vê-se dobras:
Eritematosas
Indolores
Sem prurido
Em região facial, vê-se
dobras:
Dermatite Piotraumática/Hot Spot
D
Prurido Leve:
Analgésicos
Dipirona (10 mg/Kg - 25 mg/Kg, SID a TID)
Tramadol (2-6 mg/Kg - SID a TID)
Corticóides Tópicos
Dermotrat®Creme/Spray
Cortavance®
Crema®6A
Trok-N®
Prurido Grave:
Terapêutica anterior + Medicações Sistêmicas:
Apoquel® (0.4 a 0.6 mg/Kg, BID 14 dias)
Prednisolona (0.5-1 mg/Kg, SID a BID 5 a 10 dias.
CAUSAS PRINCIPAIS
Pulgas
Pediculose
Sarna
Hipersensibilidade
Doença do saco anal
Otite externa
Foliculite bacteriana
Foliculite fúngica
Dermatite de contato
Terapêutica: Antes de mais nada, a causa base
precisa ser identificada e tratada.
Iniciar controle de pulgas e
carrapatos ( Advocate®; Bravecto®;
Revolution®; Simparic®; Nexgard®).
Tricotomia e Limpeza da região
(Talvez seja necessário sedar o
paciente neste momento).
037Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
É uma infecção bacteriana de desenvolvimento agudo, situada na
derme superficial. Acontece secundariamente a traumatismos por
automutilação (animal coça, morde ou lambe um local em resposta a
um estímulo pruriginoso ou doloroso intenso). Ocorre prurido agudo e
intenso, eritema, alopecia, transudação e erosão com bordas bem
delimitadas.
O problema:
Histórico
Achados Clínicos
Descarte de demais diferenciais
Citologia (imprint)
Inflamação Supurativa
Diagnóstico:
Caso haja pápulas e pústulas ao redor da lesão, a antibioticoterapia deve ser
realizada de forma sistêmica por até 4 semanas.
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Sulfa+Trimetoprim (15-30 mg/Kg, BID)
Suporte:
Piodermite Superficial
Demodiciose
Dermatofitose
Diferenciais:
https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwietaeb2Y7_AhX9rZUCHY3zDQoQFnoECAoQAQ&url=https%3A%2F%2Feurofarma.com.br%2Fprodutos%2Ftrok-n-2&usg=AOvVaw3VZ_mwSD5CLZttyOrWa811
https://app.vetalfa.com/#/categories/1/drugs/sulfametoxazol+trimetoprima
DD
Dermatite Superficial Pustular/Impetigo
Doenças Predisponentes
Endoparasitismo
Ectoparasitismo
Má nutrição
Ambiente sujo
É uma infecção bacteriana superficial de pele glabra (sem pelos), que
ocorre comumente em cães jovens, após a puberdade. Sua causa
pode estar associada a:
É caracterizada por pequenas pústulas não foliculares, pápulas e
crostas limitadas às regiões inguinal e axilar.
O problema:
Histórico
Achados Clínicos
Descarte de demais diferenciais
Citologia (pústula)
Neutrófilos e Coco
Cultura Bacteriana
Staphylococcus
Terapêutica: Qualquer fator predisponente deve ser inicialmente identificado e corrigido.
Áreas afetadas devem ser limpas a cada 12-24 horas por 7-10 dias com
shampoo de clorexidina (Cloresten®; Hexadene Spherulites®; Manipulação)
Em caso de poucas lesões, pode-se abrir mão do uso de pomadas com
Mupirocina (Bactroban®; Manipulação) ou Neomicina (Panolog®; Nebacetin®;
Crema 6 A®), a cada 12 horas por 7-10 dias.
Caso a terapia tópica não resolva, a antibioticoterapia deve ser realizada de
forma sistêmica por até 4 semanas.
Amoxicilina + Clavulanato (12.5-25 mg/Kg, BID a TID)
Cefpodoxime (5-10 mg/Kg, SID)
Cefovecina (8 mg/Kg, SC, 2 doses com intervalo de 14 dias)
Cefalexina (10-30 mg/Kg, BID)
Diagnóstico:
Suporte:
038Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Piodermite Superficial
Demodiciose
Dermatofitose
Picada de Insetos
Diferenciais:
D
Zoonose
Lesões Localizadas ou generalizadas
Prurido de grau variável
Área de alopecia Circular
Descamação
Eritema
Pápulas
Pústulas
Seborreia
Paroníquia
Onicodistrofia
Apresentação:
PONTO CHAVE
O status de carreador
assintomático é comum
em gatos e cães da raça
York Shire
Descarte de demais diferenciais
Tricograma:
Procurar por pelos infiltrados com hifas e artrósporo.
Cultura Fúngica
Microsporum ou Trichophyton spp.
Lâmpada de Wood
Método rápido e barato, porém Falsos +/- podem ocorrer
Diagnóstico:
Terapêutica: Em casos de lesão focal, pode-se tentar o tratamento tópico com pomada à base
de Enilconazol ou Miconazol + Clorexidina (Mycolitic®; Dermotrat®Creme/Spray) à
cada 12 horas até a resolução da lesão.
Em caso de resposta pobre ao tratamento tópico deve-se iniciar tratamento
sistêmico, com:
Cetoconazol (Cetomed®) 10 mg/kg. SID, com comida
Itraconazol (ITL®; Sporanox®) 10 mg/kg, SID, com comida
Até que se obtenha 2 culturas fúngicas negativas em intervalos de 2-4 semanas.
Pode-se utilizar também: Terbinafina; Clotrimazol; Miconazol; Griseofulvina
O tempo médio de terapia, do início à cura, geralmente é de 2-3 meses.
Importante manter avaliação hepática regular nos casos de tratamento sistêmico.
Dermatofitose
039Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Todos os animais contatantes devem ser testados e
tratados. Até mesmo os assintomáticos devem ser
tratados de maneira profilática com antifúngico
tópico(banhos).
O ambiente deve ser totalmente limpo (alvejante)
somado à remoção de todos os materiais que tiveramcontato com o paciente. (roupas,brinquedos e tapetes)
É interessante tosar os animais de pelame grande.
Suporte:
Cães (Demodiciose; Piodermite Superficial; Neoplasia
Gatos (Parasitas; Alergias e Alopecia Psicogênica
Diferenciais:
Microsporum
Trichophyton
Epidermophyton
É uma infecção dos pelos e do estrato córneo,
causada por fungos queratinofílicos.
O problema:
Má nutrição
Doenças Debilitantes
Comprometimento
do sistema imune
Idade Jovem
Causas:
E
PONTO CHAVE
Gatos são altamente infectantes
para humanos!
Zoonose
Outras infecções fúngicas
Outras infecções bacterianas
Neoplasias
PONTO CHAVE
Gatos são altamente
infectantes para humanos
O problema:
Citologia (exsudato, aspiração de tecido): inflamação supurativa ou
piogranulomatosa. Geralmente é fácil a visualização de leveduras arredondadas,
ovaladas ou em forma de cigarros nos gatos, e difícil em cães.
Teste de Imunofluorescência: detecção de antígenos para Sporothrix em
exsudatos e tecidos.
Cultura fúngica: cultura é fácilmente realizada em gatos infectados mas
dificilmente isolada em cães.
Análise por PCR quando disponível pode facilitar o diagnóstico.
Diagnóstico:
Termoterapia: opção terapêutica barata, que pode ser usada como uma forma
alternativa de tratamento.
Bolsa de água quente (42º) aplicada na lesão, 2x ao dia durante 15
minutos! Reavaliar a cada 15 dias.
Sempre manter tratamento tópico de forma conjunta;
Esporotricose
040Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Causada pelo Sporothrix schenkii, um fungo
saprófita ambiental.
A infecção ocorre quando o fungo penetra no tecido
através de uma ferida pré-existente.
É mais comum em machos inteiros que tem acesso
à rua.
Suporte:
Diferenciais:
Terapêutica: Tratamento com duração variável de semanas a meses, continuando 1 mês após a
cura clínica completa.
Cetoconazol (Cetomed®) 5-15 mg/kg, com comida, SID/BID
Fluconazol (Zoltec®) 10 mg/kg, com comida, SID
Itraconazol (ITL®; Sporanox®) 5-10 mg/kg, com comida, SID/BID (Escolha mais
comum para gatos - 100 mg/animal).
Deve-se usar luvas e ter uma boa higiene para manusear o paciente. (é importante
comunicar-se bem com o proprietário).
Importante manter avaliação hepática regular nos casos de tratamento sistêmico.
Erosões não cicatrizantes
Abcessos
Nódulos crostosos
Ulcerações
Necrose tecidual
Letargia
Anorexia
Depressão
Febre
Em Gatos:
Múltiplos nódulos não dolorosos,
não pruriginosos, firmes e que
podem ulcerar drenando um
exsudato purulento com crostas
ao redor.
Linfadenomegalia (regional)
Letargia
Depressão
Anorexia
Febre
Em cães:
Lesões em região de focinho, são
popularmente conhecidas como
"Nariz de Palhaço"
F
O problema:
Farmacodermia/Erupção Medicamentosa
041Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
É uma resposta imunomediada a medicamentos, na qual o sistema
imunológico do animal reage de maneira inadequada a determinadas
substâncias farmacológicas. Diferentes classes de medicamentos podem
desencadear a reação, incluindo antibióticos, anti-inflamatórios não
esteroides, anticonvulsivantes e corticosteroides.
A patogênese da farmacodermia envolve mecanismos imunológicos
complexos. Acredita-se que a ativação de linfócitos e macrófagos
desempenhe um papel crucial na resposta alérgica, reconhecendo
erroneamente o medicamento como uma substância estranha,e
desencadeando uma cascata de eventos inflamatórios que resultam nas
lesões cutâneas características da farmacodermia.
Alopecia
Angiodema
Bolhas
Descamação
Eritema
Otite
Pápulas
Placas
Pústulas
Vesículas
Urticária
Sinais Dermatológicos
Depressão
Febre
Claudicação
Sinais Sistêmicos
Diagnóstico: Descartar todos os demais diferenciais.
Histórico de adminsitração recente de drogas.
Hemograma:
Anemia, Trombocitopenia, Leucopenia ou Leucocitose.
Bioquímica Sérica:
Potenciais alterações sugerindo Insuficiência Hepática/Renal.
Sorologia Erlichia, Babesia e Borrelia.
Em gatos, sorologia FIV/FeLV.
Dermatohistopatologia: Pode não ser específica.
Deve haver repetição seriada de Hemograma ; Bioquímica Sérica e Urinálise.
PONTO CHAVE
Algumas reações parecem ativar respostas imunes que se autoperpetuam.
Alguns metabólitos de drogas podem persistir por dias a semanas e provocar
uma resposta contínua.
F
Farmacodermia/Erupção Medicamentosa
042Guia Prático de Dermatologia em Cães e Gatos
Terapêutica: Terapia tópica: Tem como finalidade, além da redução da inflamação local,
ajudar na diminuição das doses dos imunossupressores sistêmicos. Deverá ser
realizado sempre como adjuvante ao tratamento sistêmico.
Dipropionato de Betametasona (Dermotrat® creme/spray)
Inicialmente SID, 14 dias; depois, a cada dois dias, até alcançar remissão;
se em remissão, trocar por um produto menos potente (por exemplo,
Hidrocortisona (Cortavance®).
Tacrolimo 0,1% (Protopic®)
Aplicar moderadamente SID, 14 dias; depois, a cada dois dias ou duas vezes por semana.
Tratamento sistêmico CONSERVATIVO: tentativa de terapia para doenças leves, com pequena
chance de aparecimento de efeitos adversos.
Ácidos graxos (ômega 3 e 6 na proporção de 5:1)
Ograx-3®
OMEGA TOP 3®
Omega3 + SE®
Vitta 3.6®
Vitamina E
Manipulação 400 UI, SID
Doxiciclina (Doxitrat®; Doxifin® Tabs; Doxy® Solução/Comprimidos)
5-10 mg/Kg, BID
Tetraciclina (Farmácia humana)
Cães > 10 Kg (500 mg, TID, diminuindo posteriormente para BID e finalmente SID)
Cães