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Aspectos 
Semânticos 
na Construção 
da Escrita em 
Português
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Sumário
Texto e Argumentação: A Construção Semântica nos Escritos em 
Português
 A Construção Semântica nos Escritos em Português 
Relacionados ao Texto e à Argumentação 
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: Fundamentos para 
a Formação do Leitor 
 Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa 
Práticas de leitura semântica portuguesa na escola e no 
cotidiano 
 Práticas de Leitura Semântica no Contexto Escolar e 
Cotidiano 
Sujeito, Sentido e Enunciação no Estudo da Língua Portuguesa
 Sujeito, Sentido e Enunciação no Estudo da Língua 
Portuguesa
Referências
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
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.
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29
41
42
52
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
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@faculdadelibano_
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Texto e 
Argumentação: 
A Construção 
Semântica nos 
Escritos em 
Português
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Aspectos Semânticos na Construção da Escrita em Português Capitulo 1
Texto e Argumentação: A 
Construção Semântica nos 
Escritos em Português
A Construção Semântica nos Escritos em Português Relacionados 
ao Texto e à Argumentação
Conforme Moretto e Wittke (2019), o texto é uma demonstração material da língua 
derivada da organização discursiva estabelecida por circunstâncias de comunicação, é 
também construído para proferir alguma coisa dentro de um evento social, sendo assim, 
o motivo de intertextualidade do conjunto de fatores que tornam um texto relevante para 
a situação confirma sua funcionalidade, dada a adaptação às necessidades atribuídas 
por uma determinada efetivação comunicativa, o que demonstra que a manifestação 
textual é, na verdade manifestação de linguagem.
Sampaio (2019) considera o texto como uma unidade semântica que constitui sentido 
independentemente de sua extensão, em que as relações entre suas partes cooperam 
para esse processo. Desse modo, compreender essas relações, que são tanto lógicas 
quanto semânticas permite reconhecer propriamente a construção de sentido almejado 
na produção do texto.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funciona a 
análise da construção semântica dos escritos em português relacionados 
ao texto e à argumentação. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então vamos lá. Avante!
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Os textos exibem uma forma de organização composicional de sua estrutura, na qual 
acontecem várias tipologias de sequências, entre as quais se destaca a argumentativa, 
explícita Capistrano Júnior, Elias e Lins (2017).
“A argumentação é o exercício da formulação de ideias que se relaciona ao raciocínio, 
na produção textual e na fala” (KOBS, 2012, p. 11).
Mas como podemos saber o que é um texto na prática?
Para Dietzsch (2005) na era da informação tudo é texto, podendo apresentar-se em um 
slogan político ou publicitário, um anúncio visual sem nenhuma palavra, uma canção, 
um filme, um gráfico, um discurso oral que nunca foi escrito, enfim, as mais diversas 
composições organizadas para informar, comunicar, veicular sentidos são textos.
Nota
Cada texto proporciona um nível de informatividade que deve estimular 
ou não o interesse de seu destinatário (MORETTO; WITTKE, 2019).
FIGURA 1
Tudo é texto
FONTE
Pixabay
Pauliuronis (2013) afirma que segundo os conceitos de uma semântica discursiva 
argumentativa, não existem textos inocentes, pois todos dividem uma intencionalidade, 
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
cuja decifração deriva do reconhecimento de diversos fatores determinantes: o 
contexto extralinguístico, o contrato comunicativo que prevalece entre os parceiros, suas 
identidades sociais, as marcas linguísticas, “intencionais” ou não, deixadas pelo autor no 
texto, além da noção básica de gênero textual e formas de organização de discurso.
Moretto e Wittke (2019) explicam que a textualidade é estabelecida mediante os 
processos semânticos e as atividades comunicativas entre os interlocutores, ou seja, 
a textualidade envolve as condições situadas no texto e situadas no usuário, portanto 
verifica-las de uma sequência enunciativa materializada, exige compreender a relação 
entre os elementos linguísticos e não linguísticos.
Essa perspectiva do texto como fruto de um processo de construção interativa e 
intencional entre um emissor e um real ou virtual receptor, que se executa sempre 
através da composição de elementos linguísticos e não linguísticos, não é frequente 
nos nossos manuais didáticos e também não nas práticas interpretativas que possuem 
como foco os elementos constitutivos da gramática, de acordo com Pauliuronis (2013).
Para a autora, se produzir um texto é, de acordo com os conceitos das teorias discursivas, 
agir argumentativamente, podemos adicionar que interpretá-lo é reconhecer, desmontar 
essa atividade e construir outra, processo do qual sempre resulta em uma unidade 
textual diferente. 
Desse modo, ela explica que decifrar um texto é compreender um dos sentidos possíveis 
para o qual os operadores ou as marcas argumentativas direcionam o raciocínio do 
leitor.
Importante
Argumentar tem relação com um desejo de fazer crer ou de fazer agir 
o interlocutor e esse desejo se consegue por meio detextos, falados ou 
escritos. (CAPISTRANO JÚNIOR; ELIAS; LINS, 2017).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
A união entre as partes do texto constitui não exclusivamente um vínculo presente na 
superfície do texto, mas uma relação entre conceitos, tratando-se da ordem de uma 
relação não somente no nível sintático, mas no nível semântico, fatores que causam 
influência para a continuidade textual esclarece Moretto e Wittkel (2019).
De acordo com a Teoria da Argumentação na língua proposta por Ducrot, na construção 
de um texto, a escolha de cada palavra tem efeito sobre as demais, isto é, nada pode 
ser aleatório no texto, pois todos os elementos que compõem a textualidade concorrem 
juntos para a construção de sentidos orientando argumentativamente em determinada 
direção, descreve Capistrano Júnior, Elias e Lins (2017).
Por isso deve-se observar bem o que se está inserindo em um texto,
Importante
A argumentação é o que constitui o verdadeiro encadeamento de 
sentido, ela prepara a estrutura semântica em uma determinada criação 
(ABRAHÃO, 2008).
FIGURA 2
União entre as partes do texto
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Dentro da Teoria da Argumentação na língua de Ducrot uma fase merece destaque 
é a que trata da Teoria dos Blocos Semânticos, que, segundo Costa (2013, p. 26), “se 
sustenta na ideia de que os sentidossão produzidos na relação que ocorre entre os 
encadeamentos argumentativos”.
A Teoria do Blocos semânticos, conforme Pereira e Guaresi (2012), tem início a partir do 
princípio de que o sentido está situado na língua, nos fatores linguísticos próprios ao 
texto, de modo que esses aspectos devem ser os primeiros a serem considerados na 
leitura, afirma ainda, que todo texto é argumentativo, por isso, para o seu estudo, são 
criados encadeamentos argumentativos que são responsáveis pela compreensão do 
sentido no texto.
Mas, você sabe o que são encadeamentos argumentativos?
Um encadeamento argumentativo é “qualquer sequência de dois segmentos que são, 
de certo modo, dependentes” (CAREL, 2005, p.80).
Costa (2013) complementa afirmando que os dois segmentos que constituem o 
encadeamento não podem ser entendidos de forma isolada, mas sim a partir da relação 
singular que preserva um com o outro.
Nota
A teoria da argumentação na língua estabelece que um enunciado 
diz para o ouvinte procurar no mundo os sentidos colocados pela fala, 
respeitando a semântica produzida no texto, nesse caso, o próprio texto 
produzido pela fala, informa Abrahão (2008).
Importante
Os encadeamentos argumentativos encontram-se como sustentação 
de qualquer construção semântica, cita Carel (2012).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Pereira e Guaresi (2012) explicam que um encadeamento argumentativo é formado 
por um primeiro segmento chamado de ‘suporte’ e um segundo chamado de ‘aporte’, 
ligados por um conector, e este conector pode acontecer de duas formas:
• Uma normativa – representada por donc (DC).
• Uma transgressiva – representada por pourtant (PT).
Os encadeamentos possuirão uma interdependência semântica, isto é, o sentido 
estabelecido por esses encadeamentos necessita possuir a mesma significação 
independente dos conectores usados, explica Pereira e Guaresi (2012).
Observe o seguinte exemplo citado por Pereira e Guaresi (2012): Pedro é feliz. Ele tem 
muito dinheiro.
Nesta situação verificamos o seguinte encadeamento argumentativo: dinheiro DC 
felicidade, no qual se encontra o dinheiro como o suporte e a felicidade como aporte.
Pereira e Guaresi (2012, p. 177) informam que esta situação “criaria um bloco semântico 
em que a ideia de felicidade está condicionada, isto é, para ser feliz é preciso ter 
dinheiro”.
FIGURA 1
Carteira de trabalho
FONTE
Freepik
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Partindo dessa mesma situação, ainda podemos identificar outros encadeamentos que 
seriam: ‘neg-dinheiro PT felicidade’, ‘dinheiro PT neg-felicidade’ e ainda ‘neg-dinheiro DC 
neg-felicidade’. Demonstrando, assim que a negação de um ou de ambos os segmentos 
é parte essencial na construção dos blocos semânticos, pois se temos apenas uma 
negação, teremos o sentido transgressivo, mas se os dois segmentos forem negados 
voltaremos a ter o segmento normativo, esclarece Pereira e Guaresi (2012).
Dessa forma, Costa (2013) explana que fica perceptível que a interdependência semântica 
acaba fazendo com que o sentido de cada um dos segmentos seja concedido através 
da relação com o outro segmento do encadeamento, portanto, o sentido de cada um 
dos segmentos é influenciado pela relação dos dois.
A Teoria dos Blocos Semânticos ainda diferencia, segundo Carel (2012), duas formas 
de associações entre um vocábulo e os aspectos argumentativos que este significa, 
estando relacionadas ao estudo das frases sintáticas e devendo acontecer por causa 
da conexão que existe entre os enunciados e as entidades semânticas que tanto podem 
ser internas quanto externas.
Vejamos como são essas argumentações:
A argumentação interna, conforme Carel (2005, p. 64) “está constituída por um certo 
número de aspectos os quais pertencem os encadeamentos que parafraseiam essa 
entidade”, isto é, a argumentação interna se refere às paráfrases que poderão ser 
produzidas diante de um elemento lexical.
Já as argumentações externas apresentam chances de ligação de uma certa entidade. 
Conforme Carel (2005), as argumentações externas são estruturais e constituem-se à 
significação linguística de uma entidade.
Importante
Os encadeamentos exprimem de maneira argumentativa o que está 
contido no texto.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
A autora exemplifica com a situação de: “Pedro é prudente, portanto não terá acidente” 
e “Pedro é prudente, portanto estará seguro”, assim, prudente DC segurança/prudente 
PT segurança, demonstrando dessa forma que os dois aspectos fazem parte da 
significação de “prudente” pelo fato de que essa palavra está vinculada à “segurança” 
por um DC e por Neg-segurança por um PT.
Partindo destas informações iremos analisar uma parábola chamada de “Parábola do 
Bom Samaritano”, segundo Andersen (2006, p.13) na qual explica que as parábolas são 
uma comparação produzida em pequeno conto em que se manifesta uma verdade, 
um ensinamento.
Saiba Mais
Aprofunde-se mais nesse tema lendo o artigo A argumentação na 
língua como subsídio para avaliação de leitura e produção de textos 
dissertativo-argumentativos, disponível aqui. http://www.revistas.usp.br/
linhadagua/ article/view/119698/147258
FIGURA 4
Um ensinamento
FONTE
Pixabay
http://www.revistas.usp.br/linhadagua/ article/view/119698/147258
http://www.revistas.usp.br/linhadagua/ article/view/119698/147258
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Vamos observar o texto extraído do trabalho de Elenice Andersen, intitulado Fábulas 
e parábolas: um esboço para a interpretação de textos à luz da Teoria dos Blocos 
Semânticos, com publicação em 2006:
Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, 
os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. 
E ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, 
passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, 
vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé 
dele, e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando- se, atou-lhe 
as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, 
levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo ao outro dia, tirou dois 
dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais 
gastares eu te pagarei quando voltar (ANDERSEN, 2006, s. p.).
Andersen (2006) inicia explicando sobre o enunciado que se introduz “Descia um homem 
de Jerusalém para Jericó”, no qual é acionado um discurso em donc: “O homem vinha 
de Jerusalém DC era judeu”. 
Os enunciados seguintes “e caiu nas mãos dos salteadores”, “os quais o despojaram 
e, espancando-o, se retiraram” e “deixando-o meio morto” têm a função de organizar 
o discurso para a argumentação a ser defendida. Eles sintetizam encadeamentos em 
donc que colaboram para o desenvolvimento da narrativa:
O homem caiu nas mãos dos salteadores DC precisa de ajuda. 
O homem foi despojado DC precisa de ajuda.
E, enfim: O homem ficou meio morto DC precisa de ajuda.
Na ordem, o texto traz uma série de três personagens apresentando a atitude de 
cada uma relacionada ao judeu ferido. Nesta ocasião, é interessante ressaltar que 
cada personagem é identificada particularmente por uma palavra que existe na sua 
argumentação interna um encadeamento do tipo normativo, esclarece Andersen (2006).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Na primeira situação, é interior à palavra ‘sacerdote’ o encadeamento é um ministrode Deus DC ajudará o ferido. Na segunda, também é interior à palavra ‘levita’ um 
encadeamento emdonc: é um servo de Deus DC ajudará o ferido. Essas argumentações 
internas são corroboradas, nas duas situações, pela oração “descia pelo mesmo 
caminho”. Agora, essa oração mostra que o sacerdote e o levita desciam de Jerusalém 
para Jericó e, assim, também eram judeus, elucida Andersen (2006).
Efetivamente, a oração guia o discurso para o encadeamento normativo o sacerdote e 
o levita são judeus DC ajudarão outro judeu. No entanto, esses encadeamentos que são 
esperados por possuírem vinculação à norma são contrariados no transcorrer de cada 
passagem do texto. 
Os enunciados “vendo-o [o sacerdote] passou de largo” e “vendo-o [o levita] passou de 
largo” iniciam discursos em pourtant: era um sacerdote PT não ajudou o homem ferido, 
era um levita PT não ajudou o homem ferido e eram judeus [sacerdote e levita] PT não 
ajudaram um irmão da mesma pátria, explana Andersen (2006).
Em seguida, Andersen (2006) explica que é colocado um enunciado que mostra a próxima 
personagem descrita como samaritano. A língua tem como uma das explicações 
possíveis para essa palavra o discurso é samaritano DC desprezado pelos judeus que, 
pelo contexto, dirige para o discurso normativo é samaritano DC não ajudará o judeu 
ferido. 
Contudo, essa norma é corroborada pelos enunciados finais, tais como, “chegou ao 
pé dele, e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão”, “E, aproximando- se, atou-lhe as 
feridas, deitando-lhes azeite e vinho” e “E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e 
deu-os ao hospedeiro” que terminam esta interpretação: é um samaritano PT ajudou o 
judeu ferido.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Merece destaque, também, que o realce a essa interpretação é permitida pela oração 
referente “que ia de viagem”. Essa oração não possui um valor simplesmente descritivo, 
mas está exercendo um papel argumentativo, ilustra Andersen (2006). A autora ainda 
afirma que através dessa expressão, tem-se fortificada a ideia de que a personagem 
não era um judeu: descia de Jerusalém para Jericó PT estava de viagem.
O caráter distintivo que o texto constitui entre o bloco esperado e o bloco que se 
estabelece de maneira efetiva deve ser citado. Perceba que o léxico utilizado para 
descrever as personagens, pelo uso trivial na língua, leva à espera de discursos emdonc: 
sacerdote DC ajuda, levita DC ajuda, samaritano DC não-ajuda. Não inocentemente, 
esses três discursos sofrem transgressão à norma no transcorrer do texto: sacerdote PT 
não- ajuda, levita PT não-ajuda, samaritano PT ajuda.
Dessa forma, podemos perceber como funciona a Teoria dos Blocos Semânticos 
analisando textos e observando a compatibilidade efetiva desta teoria empregando 
sentidos que fogem ao falante comum.
FIGURA 5
Ajudou o judeu ferido
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Texto e Argumentação: A Construção 
Semântica nos Escritos em Português
Capitulo 1
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Neste capítulo você deve ter compreendido que o texto é considerado 
uma unidade semântica que constitui sentido independentemente de 
sua extensão e compreender as relações lógicas e semânticas permitem 
reconhecer a construção do sentido almejado na produção do texto e 
que a união entre as partes do texto constitui uma relação entre conceitos 
tratando-se da organização de uma relação no nível sintático e no nível 
semântico. Viu também que dentro da Teoria da Argumentação na língua 
existe uma fase que trata da Teoria dos Blocos Semânticos, no qual os 
sentidos são produzidos na relação existente entre os encadeamentos 
argumentativos e que existem dois tipos de conectores, os normativos 
representados pelo donc (DC) e os transgressivos representados 
pelo pourtant (PT), como também existe a argumentação interna e a 
argumentação externa. Por fim, você observou uma análise de uma 
parábola realizada com a Teoria dos Blocos semânticos.
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@faculdadelibano_
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Aspectos 
Semânticos 
da Língua 
Portuguesa: 
Fundamentos 
para a Formação 
do Leitor
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Aspectos Semânticos na Construção da Escrita em Português Capitulo 2
Aspectos Semânticos 
da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a 
Formação do Leitor
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa
O estudo da Semântica é fundamental para uma eficiente compreensão dos sentidos e 
significados que as expressões podem assumir em um contexto, seja ela com alterações 
ocorridas como o tempo, ou com o enriquecimento da língua.
Para Chierchia (2003, p. 7), a Semântica é entendida como “o estudo do significado das 
expressões das línguas naturais”.
Os significados das palavras e sentenças em uma língua podem ser apresentados 
como um elemento do conhecimento do falante daquele idioma. Os falantes nativos da 
língua são a fonte primária da informação sobre o significado, contudo, o estudante de 
Semântica, ou até mesmo o professor de Semântica pode saber descrever muito bem 
o significado de uma forma geral, mas não possui vantagem alguma sobre qualquer 
falante nativo de uma determinada língua quando falamos em acesso aos elementos 
básicos referentes ao significado, esclarece Hurford e Heasley (2004). 
Objetivos
Neste capítulo, você compreenderá a introdução dos fundamentos da 
semântica no processo de formação do leitor e sua importância para 
uma boa compreensão das sentenças..
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
De acordo com Macedo (2013), o significado é importante para os estudos gramaticais, 
especialmente se o estudo estiver situado no nível da frase, pois não se pode construir 
uma gramática sem levar em consideração o seu significado.
Dessa forma, para que o leitor compreenda as expressões existentes em um determinado 
texto, ele deverá compreender também o significado das sentenças das línguas naturais, 
ou seja, da Semântica.
Hurford e Heasley (2004, p. 33) entendem por sentença como sendo uma “série completa 
de palavras do ponto de vista gramatical, que expressa um pensamento completo”.
Nota
Não é papel da semântica determinar modelos de autocorreção, indicar 
que significados as palavras devam apresentar, ou como devam ser 
usadas. (HURFORD; HEASLEY 2004).
Importante
Espera-se que o aluno leia textos cujo assunto e forma já sejam conhecidos 
por ele, conseguindo resgatar o seu significado e compreender a ideia 
global. (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997).
Azeredo (2010) esclarece que uma sequência de frases só pode construir um texto 
se elas estiverem estruturadas de forma coerente e coesa. Coerência e coesão são 
aspectos de um mesmo princípio organizador, chamado de integração, graças ao 
qual a sequência de frases que integram o texto se espalha e se estrutura como uma 
combinação aceitável (possível) de conteúdo. Se esse princípio é violado, cria-se uma 
combinação incoerente de conteúdo.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
Marcuschi (2012, p. 69) ilustra que “esses fatores dão conta da estruturação da sequência 
superficial do texto; não são simplesmente princípios sintáticos e sim uma espécie de 
semântica da sintaxe textual”.
Mas como podemos compreender as expressões em uma determinada leitura?
Foucambert (1998) propõe o modelo interacionista no qual:
Coloca, portanto, como hipótese, que a compreensão não é produto da 
atividade de leitura, mas a atividade em si, pela qual se operam a construção 
dos conteúdos semânticos e a abordagem das unidades gráficas. A 
compreensão é, nesse caso, um processo, não um resultado; é o processo 
de questionamento recíproco de um papel gráfico dos olhos. O resultado 
é a significaçãoatribuída ao texto, a mudança que o texto provocou nas 
representações do leitor (FOUCAMBERT, 1998, p. 120).
Para Barbosa (2006, p. 415), esse modelo interacionista leva a reflexão para três posições 
importantes que são a de que “a compreensão não é produto da atividade de ler; 
a compreensão é um processo; e a significação atribuída ao texto é o resultado do 
processo de compreensão”, ou seja, de um processo recíproco de perguntas e respostas 
entre um acúmulo pessoal de conhecimentos e um acúmulo gráfico-semântico ao que 
tudo indica estático pela linguagem escrita sobre um suporte.
FIGURA 6
Processo de compreensão
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
Barbosa (2006) ainda explica que a compreensão não é um produto, pois é um propósito 
em que o leitor parte ao elaborar, em suas relações históricas, culturais e sociais, 
concepções interrogativas, mesmo que tracejadas, com a esperança de encontrar 
respostas, sólidas ou não. 
No decorrer do processo de compreensão, estabelecido pela conduta do leitor na sua 
comunicação com o texto, as elaborações encontram respostas pouco claras, mas que 
acabam causando novos traços de elaborações à procura de novas respostas devido 
a sua própria natureza.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), faz-se necessário que no processo 
de ensino e aprendizagem, sejam averiguadas:
• A aprendizagem de metodologias que esteja apta a dar prioridade a construção 
de estratégias de verificação e comprovação de hipóteses na construção do 
conhecimento.
• A construção de argumentação capaz de ter controle dos resultados desse processo.
• O desenvolvimento do espírito crítico capaz de favorecer a criatividade, a compreensão 
dos limites e alcances lógicos das explicações propostas.
A compreensão é suporte, é processo, é intenção que são procedimentos constituintes 
da ação de ler, e criadores de produtores de um objeto imaterial, existente nessa relação 
efêmera entre o leitor e o texto a que se dá o nome de ‘leitura’. 
A leitura, assim compreendida, não estaria fora do sujeito, materializada nos livros ou 
em qualquer outro material impresso, mas sim, na relação do homem com o mundo do 
Importante
A leitura entendida dessa forma, não se representa como material 
estático para ser adquirido ou estimulado ou ensinado, mas um conjunto 
de dados, procedimentos, elaboraçõesmentais, diálogos construídos e 
desconstruídos (BARBOSA, 2006).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
impresso. Virtual e imaterial, é criada pela intenção que tem o leitor por compreender e 
se transforma ao transformar o próprio modo de pensar e de organizar o conhecimento 
desse leitor. 
O processo de ler não atingiria o seu ponto quando ele atribui, no limite do seu 
conhecimento e de suas capacidades, sentido no texto, mas quando transforma o 
pensamento e o modo de pensar do leitor, porque, se assim, não fosse, de pouco serviria 
aprender e saber ler, ilustra Barbosa (2006).
Capello et. al. (2008) descreve que existem diferentes pontos de vista que operam no 
processo de formação de leitores. Assim, podemos observar que o contexto local e as 
experiências prévias desempenham um papel fundamental na construção do leitor. 
Através destes princípios, constata-se, então, que os sujeitos-leitores “se formam”, a 
partir dessa realidade local, que é múltipla, heterogênea e rica.
Para os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), o trabalho com leitura tem como 
propósito a formação de leitores competentes e, por conseguinte, a formação de 
escritores, pois a possibilidade de construir textos eficazes se origina na prática de leitura, 
ambiente de construção da intertextualidade e fonte de referências modalizadoras.
FIGURA 7
Transforma o pensamento
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
As primeiras experiências de relação com o mundo da literatura geralmente acontecem 
nos contextos familiares, por adultos leitores do mundo e da palavra que através das 
suas narrativas mágicas e repletas de encantamento, fornecem ao leitor iniciante o livro 
e a literatura como “passaportes, bilhetes de partida”, lembra Capello et. al. (2008).
E a escola, qual a importância dela para a leitura?
A escola, entre outros espaços educativos formais e informais, realiza uma função 
privilegiada no processo de formação de futuros leitores, pois como instituição dedicada 
ao mundo das letras, que vincula as diferentes áreas do conhecimento, a escola adota o 
papel de transmitir as primeiras marcas experienciais que descrevem o perfil de futuros 
leitores, informa Capello (2008).
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), a relação estabelecida entre a 
leitura e a escrita, entre o papel de leitor e de escritor, não é mecânica, pois alguém que 
lê muito não é, automaticamente, alguém que escreve bem. Pode-se dizer que existe 
uma grande possibilidade de que assim seja. 
Dessa forma, é nessa situação, considerando que o ensino deve ter como finalidade 
formar leitores, que sejam também capazes de produzir textos coerentes, coesos, 
adequados e ortograficamente escritos, que a relação entre essas duas atividades deve 
ser compreendida.
Nota
A leitura, por um lado, nos fornece a matéria-prima para a escrita, ou 
seja, o que escrever e por outro, auxilia para a construção de modelos, 
como escrever (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997).
25
Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
Formar um leitor competente pressupõe formar alguém que compreenda aquilo que 
está lendo; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando 
elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já 
lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga 
justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos explícita 
os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997).
Para que se alcance esses resultados, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) 
descrevem que é preciso ofertar aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a 
ler utilizando as ferramentas que os bons leitores utilizam. É indispensável que antecipem, 
que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que são donos, 
que examinem suas suposições, tanto em relação à escrita, propriamente dita, quanto 
ao significado.
 
FIGURA 8
Produzir textos
FONTE
Pixabay
Saiba Mais
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso ao artigo 
Texto como discurso: a formação do leitor crítico, disponível aqui. http://
seer.upf.br/index.php/rd/article/ view/3532.
http://seer.upf.br/index.php/rd/article/ view/3532.
http://seer.upf.br/index.php/rd/article/ view/3532.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
Lima (2008) esclarece que o campo semântico aborda vocábulos dentro do texto e 
compreende uma série de palavras que apresentam em si uma relação significativa 
ou nocional. As palavras englobadas referem-se a uma ou outra que lhes dá a ideia 
comum com certas características que lhe são específicas.
Por isso a Semântica se apresenta com tanta importância, você percebe? Dessa 
forma, Macedo (2013) explica que o clarão que a Semântica lança sobre assuntos que 
parecem à primeira vista, confusos tem uma importância didática que não pode de 
alguma forma ser ignorada, pois ela presta uma contribuição valiosíssima ao ensino 
da Língua Portuguesa. Lima (2008) considera que a maior importância da Semântica 
estána diferenciação entre sinônimos e antônimos e entre homônimos, parônimos e 
palavras polissêmicas.
FIGURA 9
Palavras dentro do texto
FONTE
Pixabay
Importante
Existem outros pontos que possuem grande relevância no estudo da 
Semântica, como no caso da metáfora, da ambiguidade, da implicatura, 
da pressuposição e das teorias dos Atos da Fala, por exemplo. Conhecer 
esses elementos e saber identificá-los no texto é de fundamental 
importância para a compreensão do seu significado.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: 
Fundamentos para a Formação do Leitor
Capitulo 2
Halliday (1994) afirma que o que colabora para que os textos sejam capazes de 
manifestar ou não seus significados, realizando padrões semânticos para proporcionar 
a interação e comunicação entre os indivíduos, estaria essencialmente na implicação 
entre discurso e gramática, ainda que, no seu entendimento, qualquer análise 
do discurso deva representar as relações gramaticais a fim de não passar de um 
comentário aleatório.
Resumindo
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que a Semântica estuda o significado das sentenças das 
línguas naturais, deste modo, para que o leitor compreenda as expressões 
existentes em um determinado texto ele deverá ter esse conhecimento, 
por isso que compreender as relações tanto lógicas quanto semânticas, 
permite reconhecer a construção do sentido almejado na construção do 
texto, como também, o modelo interacionista na qual a compreensão 
é a atividade em si, pela qual se operam a construção dos conteúdos 
semânticos e a abordagem das unidades gráficas, sendo o resultado 
da significação atribuída ao texto, ou seja, a mudança que o texto 
provocou nas representações do leitor. Viu também que o contexto local 
e as experiências prévias desempenham um papel fundamental na 
construção do leitor e que formá- lo de maneira competente pressupõe 
formar alguém que compreenda aquilo que está lendo, assim como é 
indispensável que antecipem e examinem suas suposições tanto em 
relação à escrita quanto ao significado. Por fim, você entendeu que 
o campo semântico aborda as palavras que apresentam em si uma 
relação significativa ou nocional e que o conhecimento de sinônimos, 
antônimos, homônimos, parônimos, polissemia, metáfora, ambiguidade, 
pressuposição, teoria das falas possuem grande relevância para a 
compreensão do significado e para a formação do leitor.
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@faculdadelibano_
3
Práticas de 
leitura semântica 
portuguesa 
na escola e no 
cotidiano
29
Aspectos Semânticos na Construção da Escrita em Português Capitulo 3
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no 
cotidiano
Práticas de Leitura Semântica no Contexto Escolar e Cotidiano
De acordo com Yunes (2002), os antigos etimologistas diziam que alguém só poderia 
ter conhecimento de fato sobre um objeto, uma pessoa ou uma noção abstrata se esse 
alguém apresentasse domínio do nome daquilo que almejava conhecer. Para a autora, 
Yunes (2002, p. 69), “a base etimológica da palavra leitura é o verbo ler”. Assim, a leitura 
significa o ato de ler.
Mas o que é “ler”? Você já se questionou sobre isso?
Segundo Lauriti e Molinari (2013), ler não é apenas decifrar fonemas e sílabas, falando-as 
em voz alta, mas conceder um significado a um conjunto de letras que já são conhecidas 
do leitor. 
Devido a esse entendimento de leitura inadequado, a escola vem formando grande 
quantidade de leitores capazes de decifrar qualquer texto, mas com enormes dificuldades 
para compreender o que tentam ler.
Objetivos
Neste capítulo, você irá identificar práticas de leitura semântica no 
contexto cotidiano e escolar observando a importância do significado 
para a compreensão da leitura..
30
Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Para Marcuschi (2008) os efeitos de sentido são determinados pelos leitores ou ouvintes 
nas associações com os textos, de maneira que as compreensões daí resultantes são 
obra do trabalho conjunto entre produtores e receptores em circunstâncias reais de uso 
da língua.
O leitor aciona seu conhecimento prévio para conceder intencionalidade ao texto, 
estabelecendo relação da leitura aos contextos. Portanto, quanto mais conhecimento 
de mundo o leitor possui, mais facilmente ele estabelecerá relações mentais entre as 
suas informações já conhecidas e o que o texto novo apresenta, esclarece Lauriti e 
Molinari (2013).
Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos, não é possível 
tomar como unidade básica de ensino nem a letra, nem a sílaba, nem a palavra, 
nem a frase que, descontextualizadas, pouco têm a ver com a competência 
discursiva, que é questão central. 
Dentro desse marco, a unidade básica de ensino só pode ser o texto, mas isso 
não significa que não se enfoquem palavras ou frases nas situações didáticas 
específicas que o exijam (PARÂMETROS NACIONAIS CURRICULARES, 1997, p. 29).
Dessa forma, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), a leitura 
apresenta-se como um processo em que o leitor desempenha um trabalho ativo de 
construção do significado do texto, a partir de elementos como os seus objetivos, do 
seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: 
características do gênero, do portador, do sistema de escrita, entre vários outros.
Importante
Um leitor capaz não lê apenas o que está escrito de forma explícita, 
mas até aquilo que está implícito e é conhecido por causa do contexto 
comunicativo. (LAURITI; MOLINARI, 2013).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Lauriti e Molinari (2013, p. 36) lembram que “compreender é recriar sentidos a partir das 
informações do texto e do conhecimento de mundo, inferindo elementos implícitos do 
texto”.
Qualquer leitor que possua experiência e que consiga examinar sua própria leitura 
verificará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que emprega quando 
lê, pois, a leitura realizada de forma fluente envolve uma série de outras estratégias 
como seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível rapidez 
e proficiência, explícita os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997).
Nota
Não se trata puramente de retirar informação da escrita, decifrando-a 
letra por letra, palavra por palavra. Refere-se a uma atividade que 
implica, essencialmente, compreensão na qual os sentidos começam 
a ser estabelecidos antes da leitura propriamente dita (PARÂMETROS 
NACIONAIS CURRICULARES, 1997).
FIGURA 10
Elementos implícitos do texto
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Marcuschi (2003, p. 25) lembra que “o estudo da oralidade pode mostrar que a fala 
mantém com a escrita relações mútuas e diferenciadas, influenciando uma a outra nas 
diversas fases da aquisição da escrita.”
Conforme Barbosa (2006) nesse processo de formação de leitores, a didática na escola, 
de modo generalizado, não se importa com o domínio desse processo, nem tampouco 
com as modificações da maneira de pensar, razão primeira da criação da leitura, da 
sua vida e de sua transformação. 
Atenta-se com as respostas que o aluno oferece às perguntas elaboradas com a 
intenção de analisar apenas essa relação entre pergunta e resposta, mas não atua 
sobre as transformações de modo de pensar. O homem que tenta compreender o 
mundo pelo gráfico que desenvolve um modo muito mais elaborado para operar o 
pensamento, à procura de novas funções, entre elas, o desenvolvimento predominante 
da reflexão, em relação à memorização.
Importante
É a utilização desses procedimentos que permitecontrolar o que vai 
sendo lido, tomar decisões perante as dificuldades de compreensão, 
arriscar-se diante do desconhecido, procurar no texto a comprovação 
das suposições realizadas etc. (PARÂMETROS NACIONAIS CURRICULARES, 
1997).
Nota
Ao saber construir e criar leitura, baseada na compreensão, o homem 
transforma seu próprio cérebro e sua maneira de agir (BARBOSA, 2006).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
“Com a leitura colhemos conhecimentos que são armazenados na memória” (YUNES, 
2002 p. 72).
A tradição de se amparar na memória, concretizada na criação de gêneros textuais 
como a poesia, as fábulas, as parábolas, os versículos, com os esquemas rigorosos 
de construção, dão lugar para a criação de gêneros abertos, com estruturas pouco 
elaboradas ou permutáveis, porque a função do homem do mundo gráfico e eletrônico 
é a da reflexão, pois esta admite a leitura modificar-se em argumentos, conhecimentos, 
ideias, signos, descreve Barbosa (2006).’
Marcuschi (2008) defende que o trabalho da escola, ao atuar com a língua como atividade 
interacional situada sócio historicamente, deve introduzir o aluno em circunstâncias reais 
de produção e emprego do idioma, ou seja, o domínio de uma língua é desenvolvido na 
escola a partir de aprendizados contextualizados e significativos.
Refletir sobre o significado, como ele é construído, quais os processos mentais envolvidos, 
retira o aluno do lugar de familiaridade que ele habita na linguagem, produz afastamento 
da sua língua, permitindo observá-la como um objeto do qual ele está desligado, explica 
Oliveira (2012)
FIGURA 11
Leitura modificar-se
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Gonçalves (2008) informa que se nos centralizarmos na compreensão da leitura é 
porque atendemos a outra indicação sobre o ato de ler que nem sempre fez jus ao 
necessário reconhecimento, pois não basta apenas aprender a ler, é indispensável 
que se aprenda com o que se lê, assim como é necessário interpretar os conteúdos e 
conceder-lhes significado, para que a leitura, como exercício de inteligência, execute o 
seu papel. 
Esta interpretação não se apresenta como um ato mecânico de unir letras e formar 
palavras, mas um verdadeiro diálogo do leitor com o autor, em que aquele coparticipa 
na produção de sentido do texto.
Gonçalves (2008) ainda explica que compreender um texto acarreta num processo 
mental em que o leitor procura esquemas, em sua memória, que correspondam a cada 
trecho lido, fazendo interpretações preliminares que são analisadas gradativamente 
objetivando uma interpretação final correspondente.
A semântica pode ser um instrumento para aperfeiçoarmos não apenas a leitura e a 
escrita, mas para consentir a reflexão sobre a linguagem, entende Oliveira (2012).
Nota
Essa atitude de observar sem estar envolvido é fundamental para que 
ele possa ser um melhor avaliador de seu próprio texto (OLIVEIRA, 2012).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Oliveira (2012) exemplifica alguns casos interessantes da colocação da Semântica na 
sala de aula, como a situação ocorrida de alunos de faixa etária de 11 anos, no qual 
a professora realizou um projeto de pesquisas sobre propagandas em que os alunos 
deveriam trazer como resultado publicidades que continham ambiguidades. Uma das 
propagandas era sobre um sorteio que possuía como lema:
Todos os ganhadores recebem uma moto.
O que você entende ao ler essa sentença? Pra você, existe ambiguidade?
A discussão gerada ficou em torno de: seria apenas uma moto para todos os ganhadores 
ou uma moto para cada ganhador?
A interpretação aparentemente mais adequada é a segunda, mas quem garante que 
quem está promovendo o sorteio não tenha em mente a primeira? Questiona Oliveira 
(2012).
FIGURA 1
Carteira de trabalho
FONTE
Freepik
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Oliveira (2012) ainda exemplifica outra experiência curiosa que acabou resultando em 
uma dissertação de mestrado, na qual a autora se preocupou em analisar as questões de 
provas organizadas pelos professores das diferentes disciplinas e verificar as respostas 
dos alunos. 
Através dessa análise, ela percebeu que existiam questões ambíguas o que acabava 
causando uma interpretação dos alunos divergente da do professor e que este não 
percebia.
Observe a seguinte pergunta:
Minhocas são anelídeos. Qual é a importância disso para a sua vida?
Oliveira (2012) esclarece que o problema apresentado nessa situação está no pronome 
‘sua’, que pode receber duas interpretações:
• Se ele for anafórico, então ele está recuperando ‘minhocas’. Assim, neste caso, a 
pergunta seria: qual é a importância de ser anelídeo para a vida das minhocas.
• Se ele for dêitico, ele será interpretado como referente ao leitor/ ouvinte, sendo a 
seguinte: qual a importância para a vida do leitor/ ouvinte o fato de as minhocas 
serem anelídeos.
Sem perceber a presença da ambiguidade na sua pergunta, o professor acaba 
avaliando como incorretas as respostas que são orientadas pela interpretação que ele 
(o professor) não percebeu, esclarece Oliveira (2012).
Definição
A ambiguidade é uma propriedade semântica estruturada em situações 
que podem ser interpretadas de mais de uma maneira, descreve Pinto 
et. al. (2016).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Uma música interessante para analisarmos é a de Vinicius de Moraes, observe:
Onde anda você?
E por falar em saudade 
Onde anda você
Onde andam seus olhos 
Que a gente não vê 
Onde anda esse corpo 
Que me deixou morto 
De tanto prazer.
(Vinicius de Moraes)
Analisando a música podemos perceber a ocorrência da polissemia na palavra ‘andar’ 
e ‘morto’ na qual aparecem com linguagem figurada adquirindo sentido metafórico.
Definição
A ambiguidade semântica é gerada pelo fato de os pronomes 
terem diversos antecedentes, sendo uma questão relacionada à 
correferencialidade e às interpretações possíveis que são atribuídas 
ao tipo de ligação entre os pronomes das sentenças, explica Cançado 
(2008).
Definição
A polissemia ocorre quando os possíveis sentidos da palavra ambígua 
têm alguma relação entre si, descreve Cançado (2008).
Outro cenário que podemos observar, está relacionado com atividades que apontam 
para o estudo das conjunções, a partir do valor ou dos valores semânticos desta classe. 
Olivan (2009) cita como exemplo o exercício que apresenta ao aluno a leitura de vários 
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
períodos compostos, conectados pela conjunção ‘e’, com a finalidade de que reflitam 
sobre os diferentes sentidos que esta conjunção adota em cada contexto.
Assim, observe os seguintes exemplos retirado de Cereja e Magalhães (2006):
a) Disseram estar famintos e não comeram nada.
b) Luciana saiu de casa bem cedo e já deve estar chegando ao interior.
c) Pensou em comprar flores e dá-las de presente para a mãe.
d) O garoto disse: “Não vou dar banho no cachorro hoje.” “E eu, nunca”, respondeu 
a irmã”. (CEREJA; MARALHÃES, 2006, p. 218)
Percebe que cada vez que o ‘e’ aparece nestas sentenças ele possui um sentido 
diferente? A presença de ‘e’ indica, respectivamente, ideia de adversidade, conclusão, 
finalidade e explicação enfática.
Um ponto fundamental que precisamos entender é sobre as provas do Enem, pois 
de acordo com o professor Murilo Coelho, na obra Superguia Completo para passar 
no Enem (2017), essas provas não apresentam questões apenaspara avaliar o 
conhecimento da gramática normativa dos estudantes, mas será analisado também 
o conhecimento semântico, visto que o estudante terá que apontar a alternativa 
correta nas questões elaboradas sobre as relações entre o sistema linguístico e a 
realidade de mundo (Figura 13), ou seja, a sua representação do mundo através da 
linguagem. 
O estudante também terá que demonstrar domínio da Pragmática, isto é, a relação 
entre o sistema linguístico e a ação do sujeito em situações concretas de uso da 
língua.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
O autor, Coelho (2017), ainda explica que o estudo do significado existente na relação 
entre as palavras e aquilo que elas significam (a ligação natural entre os nomes e as 
coisas nomeadas ou mero resultado de convenção), precisa levar em consideração 
também as mudanças de sentido e o aparecimento de novas expressões. 
A leitura de um texto não conduz a significados únicos, existem muitas possibilidades de 
significação, mas é necessário pôr a gramática em prática. Por isso, é preciso procurar 
conhecer em qual contexto social e até mesmo histórico, além das variedades regionais 
e sociais da língua em que a narrativa foi escrita.
Para compreender a significação de um texto, Coelho (2017), descreve que primeiramente 
o estudante deverá analisar que todo texto possui significado a partir das intenções 
de um determinado falante ou escritor, que emprega elementos linguísticos. Como 
nas obras de escritores consagrados como “José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Érico 
Veríssimo, Raquel de Queirós e Guimaraes Rosa, entre outros, temos regionalismo na 
prosa literária” (COELHO, 1997, p. 89).
Pensemos no caso de polissemia que é determinada pelo contexto, ou seja, a significação 
pode estar na linguagem figurada, dessa forma, o leitor ou ouvinte precisa selecionar 
entre as distintas significações a partir do cenário em que aquela palavra tenha sido 
empregada, informa Coelho (2017).
FIGURA 13
Realidade de mundo
FONTE
Pixabay
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Práticas de leitura semântica 
portuguesa na escola e no cotidiano
Capitulo 3
Resumindo
Neste capítulo, você deve ter aprendido que os efeitos dos sentidos 
são determinados pelos leitores nas associações com os textos e que 
quanto mais conhecimento de mundo o leitor possui, mais facilmente 
estabelecerá relações mentais entre as informações já conhecidas e 
o que o texto novo apresenta, assim, a leitura apresenta-se como um 
processo em que o leitor desempenha um trabalho ativo na construção do 
significado do texto. Viu também que o domínio da língua é desenvolvido 
na escola a partir de aprendizados contextualizados e significativos 
e que não basta apenas aprender a ler, é necessário interpretar os 
conteúdos e conceder o significado adequado, e a Semântica pode ser 
um instrumento para aperfeiçoarmos não apenas a leitura e a escrita, 
mas para consentir a reflexão sobre a linguagem. Verificou algumas 
análises realizadas em salas de aula voltadas para a ambiguidade e 
polissemia, por fim a importância da Semântica nas provas do Enem.
41
@faculdadelibano_
4
Sujeito, Sentido 
e Enunciação no 
Estudo da Língua 
Portuguesa
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Aspectos Semânticos na Construção da Escrita em Português Capitulo 4
Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua 
Portuguesa
Sujeito, Sentido e Enunciação no Estudo da Língua Portuguesa
Segundo Pinto et. al. (2016) o contexto social reflete a situação em que os sujeitos que se 
relacionam, desempenham papéis e exercem funções.
De acordo com Abrahão (2018), uma das diferenças mais acentuadas na abordagem 
da perspectiva da produção do sentido é a ideia de sujeito. Nesse entendimento não 
existe alguém que se aposse de uma linguagem pronta para transmitir suas ideias e 
sentimentos (o falante). A linguagem nesse ponto é entendida como elemento que 
constitui a construção da subjetividade.
Objetivos
Neste capítulo, você irá entender a relação entre o sujeito, sentido e 
enunciação no estudo da Língua Portuguesa, a correlação entre esses 
elementos e suas principais características..
Importante
Assim, não existe linguagem sem sujeito como também não existe sujeito 
sem linguagem.
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua Portuguesa
Capitulo 4
Nas teorias que apontam a linguagem como ferramenta de comunicação, o sentido 
deriva da ordem das frases e das unidades lexicais. Assim, estas já estariam determinadas 
fora de qualquer contexto, e é garantida a prioridade do significado no dicionário em 
desvantagem do sentido que as expressões recebem no uso. O efeito é um produto final 
previsível, com poucas modificações, afirma Abrahão (2018).
 
Para Mari (1991) se percebermos que sem o sujeito não existe linguagem, isto é, que 
ela não está pronta antes do uso, o sujeito pode ser entendido como um privilégio de 
linguagem. 
Dessa forma, ele deve ser o interesse primeiro daqueles que almejam encarar a 
significação. A importância dessa categoria se deve ao fato de ela adotar o ponto da 
produção de sentido em linguagem de uma maneira não presa, não imaginável.
Não há como conceber um sujeito autônomo, cuja vontade e intenção determinam 
o sentido do discurso. Em cada contexto interativo, um ato comunicativo tem o 
sentido ali construído, negociado, partilhado pelos interlocutores. Esse será o seu 
sentido, o seu valor interativo (SALIM MIRANDA, 2001, p. 67).
Você percebe, assim, a importância do sujeito na sentença?
Nota
O sujeito não se refere somente a um emissor ou um falante, nem a 
uma pessoa que tem a intenção de informar determinados fatos ou 
sentimentos de uma forma mais clara possível, desejando diminuir o 
nível de repetições, para que o ouvinte tenha a compreensão completa 
da mensagem (MARI, 1991).
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Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua Portuguesa
Capitulo 4
Assim, Mari (1991) acredita que o sentido não se garante só no sistema linguístico, já que 
uma mesma frase pode ser percebida de diversas maneiras, nem apenas em relação 
ao momento histórico, e a significação sugerida nunca é da ordem do imaginável, do 
contextualmente determinado.
Conforme Mari (1991), o sujeito é constituído em três momentos:
• Linguagem como condição: o sujeito depende do sistema linguístico para se 
estabelecer em um discurso. Assim, ele aprende uma língua, como também se 
confronta com ela. E a determinação do sistema é necessária, pois é através dela 
que o sujeito encontra apoio para se estabilizar.
• Condição para linguagem: apesar de ser, de alguma forma, determinado pelas 
condições históricas e pelo sistema linguístico, existe um espaço em que o sujeito é 
ativo, autônomo. Assim, a linguagem não se apresenta como reprodução em que ele 
fala de um objeto, mas sim como reflexo no qual um sujeito elabora em linguagem o 
seu mundo visível e, também, o mundo possível.
• Condição na linguagem: o sujeito eleva-se de acordo com as condições históricas 
que pronunciam formações discursivas. Ele tem que “aceitar” e se “adequar”, até 
certo ponto, a essas formações, porque elas determinam o que pode e o que deve 
ser falado, mas o limite entre os dois polos é opaco.
Pinto et. al. (2016) explica que levando em consideração que todo texto é uma interlocução, 
a sua implicação de sentido é originada na influência mútua entre dois sujeitos: o sujeito 
da enunciação e o sujeito da leitura. 
Portanto, ao estabelecer um enunciado, o sujeito da enunciação assume três funções:
• A de configurar um locutor (ou locutores) para o texto.
• A de construir um enunciador (ou enunciadores) para orientar a fala do (s) locutor 
(es).
Nota
O sentido passa a estabelecer uma realidade que nem sempre se 
apresenta como uma verificação baseada em fatos (MARI, 1991).
45Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua Portuguesa
Capitulo 4
• A de se inscrever no texto como seu autor.
Essas três funções acontecem de forma simultânea e originam os sujeitos da leitura: o 
alocutário e o destinatário, ou leitor virtual (PINTO et. al. (2016).
FIGURA 14
Sujeitos da leitura
FONTE
Pixabay
Mas quais as funções desses sujeitos da leitura?
O locutor representa a voz que fala no texto, desempenhando a função do ‘eu’, ao mesmo 
tempo que estabelece um você (ou tu), isto é, o alocutário do texto, manifestado pelo 
paradigma da 2ª pessoa, relata Pinto et. al. (2016).
EXEMPLO:
Na sentença “Nós gostaríamos que você concordasse em ser madrinha do nosso 
filho”, o locutor é a voz q fala, representado linguisticamente pelo pronome pessoal ‘nós’ 
e reforçado na flexão verbal e no pronome possessivo ‘nosso’. Já o alocutário tem a 
representação linguística do interlocutor com o ‘você’ do enunciado, explanam Pinto et. 
al. (2016).
A figura do enunciador compõe o ponto de vista da enunciação, ou seja, aquilo que faz 
com que essa fala seja a representação ou defesa de uma perspectiva A e não B. Existe 
46
Aspectos Semânticos na 
Construção da Escrita em Português
Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua Portuguesa
Capitulo 4
um enunciador na fala de todo locutor, que pode ser individual, coletivo, ou genérico, 
dependendo do grau de generalidade que possua numa comunidade. 
É o enunciador por trás do locutor que faz com que o usuário reconheça, entre outros 
aspectos, a função social (mãe, pai, médico, professor, por exemplo), a crença religiosa, 
o partido político de um locutor de um texto oral e escrito. Isso faz com que o usuário 
consiga reconhecer que aquilo que está sendo falado tem relação ideológica com uma 
determinada teoria científica ou social, mencionam Pinto et. al. (2016).
Pinto et. al. (2016) ainda lembram que para se chegar à compreensão que o autor 
pretende sobre o efeito do sentido é preciso tratar o texto, detectando as estratégias 
discursivas nele utilizadas, seu locutor ou locutores, seus enunciadores, seu leitor virtual 
ou implícito. 
Dessa forma, o leitor apresenta-se como aquele que constrói uma unidade de sentido 
para o texto, considerando não apenas o seu conhecimento prévio, como também as 
manobras discursivas do autor implícito no texto. 
Desta maneira, é possível se identificar com o que o autor apresenta ou não, convencendo-
se através da sua argumentação.
Pinto et. al. (2016) mencionam os estudos de Ducrot (1988) relacionados à polifonia 
questionando a unicidade do sujeito falante em que pretende provar que o enunciado 
pode ser perpassado por mais de uma voz, ou seja, ele defende que o autor não se 
expressa diretamente, mas sim, coloca em cena diferentes personagens linguísticos no 
qual pode ser observado por meio de sentenças simples e cotidianas a existência de 
uma espécie de diálogo imaginário.
EXEMPLO:
Alice parou de cantar.
Podemos entender desta sentença que o enunciador comunica simultaneamente que 
Alice antes cantava, e que hoje não canta mais.
Em uma espécie de diálogo imaginário, o enunciador se interroga se Alice parou de 
cantar e se ela cantava antes. Para Pinto et. al. (2016) a primeira informação é chamada 
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Sujeito, Sentido e Enunciação 
no Estudo da Língua Portuguesa
Capitulo 4
Shaffer, Flores e Barbisan (2002) esclarecem que Ducrot em seu esboço da Teoria 
Polifônica da Enunciação, criado a partir do conceito de polifonia desenvolvido 
inicialmente por Bakhtin, propõe-se a contrapor a tese de que na base de cada 
enunciado se submete um único autor. Diferencia-se de Bakhtin por conduzir sua 
pesquisa no nível linguístico, aplicando-se a enunciados e não a discursos.
Conforme Pinto et. al. (2016), Ducrot, com a Teoria Polifônica de Enunciação, propõe que 
a origem da enunciação seja designada a um ou vários sujeitos e indica a existência de 
três funções diferentes: Locutor (L), sujeito empírico (SE) e enunciador (E).
• O locutor (L) é aquele que se mostra como responsável pelo enunciado, a quem são 
declarados o pronome eu e as marcas de primeira pessoa do enunciado.
• O sujeito empírico (SE) é aquele que se aponta como o produtor do enunciado.
• Os enunciadores (E) são os diversos pontos de vista indicados pelo locutor, em seu 
discurso, que assume determinadas posições em relação a esses enunciadores.
FIGURA 15
Alice cantava
FONTE
Pixabay
de posto e a segunda de pressuposto. Assim, é possível pressupor que Alice cantava 
antes, uma vez que foi dito que ela parou de cantar.
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Capitulo 4
Ducrot ainda identifica dois tipos de polifonia presentes nos enunciados que são a 
polifonia de locutores e a de enunciadores, lembra Pinto et. al. (2016).
O locutor é declarado como o ser responsável pela enunciação, alguém a quem devemos 
atribuir a responsabilidade da sua produção. Diferente do autor empírico, trata-se de 
uma ficção discursiva, apesar de comumente coincidir com este no discurso oral. É ao 
locutor que encaminham as marcas de primeira pessoa inclusa no enunciado. Essa 
definição difere o falante do autor e este do locutor, descreve Shaffer, Flores e Barbisan 
(2002).
FIGURA 1
Funções para a enunciação
FONTE
Adaptado de Pinto et. al. 
(2016).
Importante
Segundo Ducrot o sujeito é visto como sendo a origem dos atos 
ilocutórios produzidos através do enunciado e acredita que ele pode ser 
identificado apenas pelas marcas de primeira pessoa, explícita Shaffer, 
Flores e Barbisan (2002).
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Sujeito, Sentido e Enunciação 
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Capitulo 4
Para Shaffer, Flores e Barbisan (2002) o locutor é ampliado para esclarecer o fato 
de surgirem em uma enunciação marcas de primeira pessoa atribuível a diferentes 
locutores. 
Para isso, Ducrot considera o locutor-enquanto-tal (L), estabelecido no nível do dizer 
e responsável pela enunciação, e o locutor-enquanto-ser-no-mundo (Y), origem do 
enunciado, que constitui discursivamente o ser empírico, identificável por meio de(L) e 
formado no nível do dito. Os dois se apresentam como seres do enunciado, diferentes 
do sujeito-falante, elemento não-enunciativo.
Já os enunciadores, apontam uma segunda forma de polifonia, pois representam, de 
uma forma geral, para o locutor, o que corresponde ao personagem para o autor em 
uma obra de ficção. 
O enunciador é uma concepção expressa através da enunciação, ele não ‘fala’, mas sim 
tem seu ponto de vista colocado sem que seja conferida exatidão nas suas palavras. 
O locutor oferece uma enunciação de que se declara responsável e o enunciador existe 
em função da imagem que (L) oferece das vozes presentes no enunciado. Assim, a 
identificação de (E) só é possível por meio de(L) que pode ou não concordar com (E), 
explana Schaffer, Flores e Barbisan (2012).
Conforme Pinto et. al. (2016) a noção de polifonia de Ducrot explica diversos fenômenos 
discursivos, vejamos alguns dos indicadores da polifonia:
• Pressuposição – opera como uma das vozes presentes, que induz o ouvinte a aceitar 
a pressuposição e a não poder negá-la. Alguns advérbios ou verbos que demonstram 
mudança/permanência, sentimento, entre outras marcas linguísticas, declaram o ponto 
Nota
Essa distinção justifica o fato de Ducrot não ter escolhido um conceito 
de enunciação comprometida com o produtor/autor, nem dirigida a 
alguém (SHAFFER; FLORES; BARBISAN, 2002).
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Sujeito, Sentido e Enunciação 
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Capitulo 4
de vista de outro enunciador, que pode ser, até mesmo o senso comum, uma crença.
E
XEMPLO:
Enunciador 2 (E2): O país ainda espera por mudanças. Enunciador 1 (E1): O país esperavapor mudanças antes.
Podemos observar neste enunciado mais de um enunciador, ou seja, mais de uma voz 
de diálogo (E1 e E2). E1 é o pressuposto, o que está por trás do enunciado produzido, a 
voz pressuposta; já o E2 é o posto, o conteúdo explícito que foi efetivamente produzido, 
exemplifica Pinto et. al. (2016).
• Uso metafórico do futuro do pretérito – alguns tempos verbais são mais utilizados 
para narrar e outros mais para comentar, porém, às vezes acontece o inverso por um 
propósito. Esse emprego é muito frequente no discurso jornalístico.
EXEMPLO:
E2: Policiais corruptos teriam cobrado propina dos comerciantes.
E1: Fonte (não informada) afirma que os policiais corruptos cobraram propina de 
comerciantes. Exemplificam Pinto et. al. (2016).
• Operadores conclusivos – introduzem uma voz, geralmente de um enunciador 
genérico (sabedoria popular, provérbios, valores de uma cultura etc.) para argumentar 
a partir dela.
EXEMPLO:
E2: Levantou-se, vestiu o uniforme e saiu. Portanto, deve ter ido trabalhar.
E1: Quem se levanta, veste o uniforme e sai vai trabalhar (voz geral). (PINTO ET. AL. 2016).
• Expressões como “parece que”, “segundo fulano” – introduzem a voz de um enunciador 
externo para encadear um ponto de vista pessoal
 
EXEMPLO:
E2: Parece que a inflação voltou.
E1: A inflação voltou. (PINTO et. al., 2016).
Esses fenômenos demonstrados são situações em que o locutor segue as perspectivas 
dos enunciadores.
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Capitulo 4
Resumindo
Neste capítulo, você deve ter entendido que na abordagem da 
perspectiva da produção de sentido, a ideia de sujeito apresenta-se 
como uma das diferenças mais acentuadas, que sem sujeito não existe 
linguagem e que ele é constituído em três momentos sendo linguagem 
como condição, condição para linguagem e condição na linguagem. 
Você viu que a Teoria Polifônica de Enunciação indica a existência de três 
funções diferentes para a enunciação que é o locutor, o responsável pelo 
enunciado; o sujeito empírico, produtor do enunciado; e o enunciador, 
que sãos pontos de vista indicados pelo locutor; e que existem dois tipos 
de polifonia presentes nos enunciados que são a polifonia de locutores 
e a de enunciadores. Por fim você conheceu alguns dos indicadores de 
polifonia como a pressuposição, o uso metafórico do futuro do pretérito, 
os operadores conclusivos e as expressões como “parece que”, “segundo 
fulano”.
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Aspectos Semânticos na Construção da Escrita em Português
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	Texto e Argumentação: A Construção Semântica nos Escritos em Português
	A Construção Semântica nos Escritos em Português Relacionados ao Texto e à Argumentação
	Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa: Fundamentos para a Formação do Leitor
	Aspectos Semânticos da Língua Portuguesa
	Práticas de leitura semântica portuguesa na escola e no cotidiano
	Práticas de Leitura Semântica no Contexto Escolar e Cotidiano
	Sujeito, Sentido e Enunciação no Estudo da Língua Portuguesa
	Sujeito, Sentido e Enunciação no Estudo da Língua Portuguesa
	Referências

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