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1 
 
 
Teologia Wesleyana – A graça na visão Wesleyana. 
 
Greice Cristiane Da Silva Ferreira1 
Jaqueline Dos Santos Dornellas Da Silva2 
Levy Bastos3 
 
RESUMO 
 
O artigo coloca ideias sobre a graça de Deus ao longo do tempo. Nele 
observaremos a necessidade do ser humano acerca de Deus e da sua graça 
demonstrados através de uma perspectiva teológica, prática, sólida e doutrinária na 
visão da Bíblia, na história do cristianismo e na teologia Wesleyana no contexto 
anterior e atual. Abordaremos de forma simples e direta essa Teologia, de maneira 
que compreendam essa identidade no modo de pensar a graça em John Wesley. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Graça; salvação; visão bíblica da graça; teologia wesleyana; 
metodismo. 
 
1 INTRODUÇÃO 
Quando falamos sobre a graça de Deus pensamos em como ela muitas vezes 
está tão perto e ao mesmo tempo tão distante da humanidade, e como essa graça 
tão genuína é apresentada aos homens, levando-os a refletir naquilo que esse favor 
imerecido provoca na vida de quem o alcança, mudando e oferecendo um novo 
sentido de vida ao ser humano. 
Esta pesquisa tem o objetivo de analisar a Teologia da graça de Deus na visão 
Bíblica, na história do cristianismo e na visão de John Wesley. Concluindo com uma 
reflexão acerca da graça na visão Wesleyana de pensar, apresentando conteúdos 
analisados bibliograficamente e informações levantadas ao longo da história em 
John Wesley já publicadas por diversos autores. 
 
1Graduando do curso de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo. 
2 Graduando do curso de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo. 
3 Professor Orientador. 
2 
 
 
A primeira seção refere-se à Teologia Bíblica da graça no Antigo e Novo 
Testamentos que retrata de maneira muito transparente e simples a visão da graça 
de Deus, no Antigo testamento destacando essa graça manifestada desde o princípio 
e ao longo de toda a história do homem como presença salvadora de Deus e no 
Novo Testamento sendo revelada ao homem através da nova aliança em Cristo que 
trouxe a ação resgatadora de Deus através da reconciliação. 
A segunda seção tem por objetivo demonstrar que ao longo dos séculos a 
história do cristianismo sinalizou homens que buscaram justificar em suas teorias a 
salvação do ser humano através da graça divina, citamos nessa seção homens como 
Agostinho de Hipona e Martinho Lutero, que através de suas teologias e experiências 
de vida deixaram como legado convicções acerca da salvação e da justificação 
através da fé, mediante a graça. 
A terceira e última seção refere-se à Teologia Wesleyana e tem como objetivo 
detalhar a salvação através da graça, retratando de maneira muito transparente essa 
graça e apresentando a reflexão de que Deus chama o ser humano como autor na 
construção de sua redenção. Na visão de John Wesley é através da fé e experiência 
pessoal que todos aqueles que querem alcançam a salvação por meio da graça de 
um pai amoroso e que se importa com todos os seres humanos. 
 
2 TEOLOGIA BÍBLICA DA GRAÇA 
 
2.1 A graça no Antigo Testamento 
 
A graça de Deus tem se manifestado desde o princípio de todas as coisas, na 
criação do mundo quando Deus disse haja luz, na criação do homem, dos animais e 
da natureza. Segundo o autor e escritor D. A. Delafield (2006, p.13), “A graça é um 
canal no qual as pessoas podem ser puras, bondosas e leais. Algo que pode fazer 
qualquer indivíduo ser diferente daquilo que é”. Deus sempre priorizou o 
relacionamento com sua criação, e em tudo é possível enxergar a manifestação 
desta graça tão genuína ao ponto de nos mínimos detalhes ser revelada a nós. 
No livro de Gênesis e no Êxodo é possível ver de perto o cuidado de Deus 
com a sua criação através do pacto feito com o homem quando o introduziu no Éden, 
onde a obediência era o elo principal desse acordo. Para John Murray (2001, p.51), 
3 
 
 
“Um pacto divino é uma administração soberana de graça e promessa.” No entanto, 
pode-se ir mais a fundo em tal definição de acordo com o pai do puritanismo, William 
Perkins (1558-1602), citado por John Murray (2001, p.10), quando diz que “O pacto 
da graça nada mais é do que um acordo feito entre Deus e os homens referente à 
reconciliação e vida eterna através de Cristo”. 
Foi no Éden, onde tudo começou, e mesmo diante da ingratidão expressada 
pelo casal que Deus havia criado com suas próprias mãos, o Senhor não hesitou em 
preparar túnicas para que Adão e Eva se vestissem quando sentiram vergonha por 
desobedecerem à ordenança de não comerem do fruto da árvore do conhecimento 
do bem e do mal. 
Durante os dias que o Senhor precisou para criar todas as coisas, Ele olhava 
para tudo que criava e dizia que tudo era muito bom, mas por causa da 
desobediência, e com o aumento da iniquidade, o temor já não existia mais, a 
maldade corrompeu a humanidade, e com o arrependimento de ter feito o homem e 
pesar no coração, Deus decidiu então, destruir a terra e tudo que nela existia. 
Diante do episódio ocorrido no Éden e com o objetivo de destruir o que havia 
criado, Deus acha graça em um homem chamado Noé e confirma seu pacto de amor 
com a humanidade através de sua vida estabelecendo com o mesmo uma aliança, 
instruindo-o a construir uma arca que seria abrigo para ele e sua família durante o 
dilúvio que o próprio Deus enviaria para acabar com a raça humana que havia se 
corrompido. 
 O versículo de Gênesis “Porém Noé encontrou favor aos olhos do Senhor” 
(Gn 6,8) nos revela que um homem alcançou graça e misericórdia para ele e sua 
família sendo parte fundamental de um pacto feito pelo próprio Deus que o 
possibilitava de desfrutar do favor imerecido dado por ele, no entanto, essa graça 
estava presente no Antigo Testamento de diversas formas como uma oportunidade 
de vida plena com o criador de todas as coisas. 
A arca foi uma das maiores oportunidades que o homem teve de experimentar 
o novo de Deus, de poder recomeçar e desfrutar da sua bondade. Nem todos 
puderam tomar posse desse presente divino, por causa das escolhas equivocadas 
que lhes custaram muito caro, desde o Éden quando Eva comeu o fruto proibido 
achando que seus olhos seriam abertos para conhecimentos maiores, querendo ser 
4 
 
 
como Deus, do mesmo modo o povo dos tempos de Noé achando que não choveria, 
impediram com suas atitudes a manifestação da graça em suas vidas. 
 Após o dilúvio, Deus estabeleceu uma aliança com Noé, com sua geração e 
com todo ser vivente, dando a garantia de que não enviaria em hipótese alguma um 
dilúvio como aquele, ao ponto de destruir o homem. Esse acordo trouxe conforto, e 
segurança na certeza de que através da graça de Deus essa aliança estaria presente 
na vida do homem eternamente. Sobre tal afirmativa é possível citar John Murray 
(2001, p.23), onde o mesmo menciona: 
Não será destruída toda carne por águas de dilúvio (Gn 9,11). A 
perpetuidade está atrelada ao caráter divinamente unilateral e monergista 
do pacto. Ele pode ser perpétuo porque é divino em sua origem, 
administração, estabelecimento e ratificação. E nós podemos dizer que a 
perpetuidade tanto se origina na divindade como dá testemunho dela. 
 
O tempo todo, o bom Deus criava e cria até os dias atuais oportunidades para 
a humanidade desfrutar do seu amor e graça dando a todos a liberdade de escolha. 
Adão e Eva escolheram pecar, a humanidade no tempo de Noé escolheu 
permanecer na maldade, ou seja, nunca seremos obrigados a nada e jamais 
encontraremos nas escrituras relatos de pessoas que foram obrigadas. No entanto, 
Deus dá ao homem o direito de decisão e sempre espera que a faça da melhor forma. 
Segundo D. A. Delafield (2006, p.17): 
A graça de Deus faz por você somente aquilo que você mesmo não pode 
fazer sozinho. Embora seja verdade que ninguém pode mudar o próprio 
coração - só Deus o pode- o fato é que você precisa agir de acordo com 
que lhe dizem os impulsos de um coração convertido, e tomar cada diaa 
decisão de proceder corretamente e de obedecer a Deus. 
 
Foi assim também com os hebreus que viviam escravos no Egito, o livro de 
Êxodo nos relata detalhes do chamado de Moisés e do seu envio como salvador de 
um povo que era mantido na escravidão durante muito tempo por Faraó. Desde o 
nascimento de Moisés tudo sempre foi muito complicado para ele e sua família, pois 
na época o rei do Egito, havia mandado matar todas as crianças do sexo masculino 
que nascessem pois temia o crescimento exagerado dos hebreus. Após nascer e 
livre da morte, com apenas três meses de vida, ele foi enviado pelo rio em direção a 
casa de Faraó onde foi encontrado e criado como príncipe. 
A chegada de Moisés ainda bebê ao palácio de Faraó não foi por acaso, foi 
pela graça de Deus para que se cumprisse o propósito do Senhor na vida daqueles 
que viviam oprimidos no Egito e também em sua vida que não escaparia da morte 
5 
 
 
se não fosse o Senhor ter o livrado e o colocado entre os príncipes para que pudesse 
crescer no lugar onde seria usado como instrumento de Deus para libertar os cativos. 
O povo que era mantido em dura servidão, sujeitos às ordens de faraó, 
sonhava com a liberdade, mas quando a mesma é conquistada e finalmente 
conseguem sair do Egito, eles não entendem o propósito do Senhor, e esmorecem 
na caminhada. Nota-se, portanto, que para John Murray (2001, p.33), “O pacto 
mosaico dá um apoio à concepção de pacto mais aceitável do que qualquer outra 
aliança de Deus com os homens”. Os propósitos do Eterno Deus não precisam ser 
compreendidos e sim vividos conforme a sua vontade, mas o povo não compreendia 
isso. 
Conforme John Murray (2001, p.37), “O pacto mosaico com respeito à 
condição de obediência não é uma categoria diferente das outras”. Com muita 
frequência se presume que as condições prescritas no pacto mosaico colocam a 
dispensação mosaica em uma categoria totalmente diferente. Com relação a graça 
por um lado e exigência ou obrigação por outro. 
Durante toda caminhada em direção a terra prometida, o criador concedeu 
inúmeras demonstrações do seu amor e da sua genuína graça. No deserto durante 
o dia com a nuvem dando refrigério em meio ao calor extremo, e a noite com a coluna 
de fogo para aquecer do frio e principalmente ao enviar o maná todos os dias para 
saciar a fome do seu povo. 
De acordo com Leonardo Boff (1976, p.20-21): 
A graça cria situações Kairológicas que fundam marcos referenciais, para a 
memória histórica da graça divina como bondade concreta de Deus na 
libertação do Egito, no exílio babilônico, no culto, na tranquilidade da paz e 
da ordem. 
 
Contudo, sabemos que a graça é um presente recebido, não por obras ou por 
mérito, mas por amor, essa dádiva está disponível a humanidade desde a fundação 
do mundo, no Antigo Testamento havia a presença salvadora de Deus, independente 
de cor, raça ou posição social, cabia ao homem desfrutar ou não desse privilégio. 
Assim, é nítido o que afirma Wilhelmus À Brakel (1635-1711), mencionado por 
Christopher Vicente (2019, p.10): 
De tudo isso é evidente que os crentes sob o antigo testamento desfrutavam 
dos benefícios da aliança da graça, tinham a aliança e eram participantes 
da mesma aliança conosco tendo todos comido a mesma carne espiritual e 
tendo bebido a mesma bebida espiritual. 
 
6 
 
 
2.2 A graça no Novo Testamento 
 
A Bíblia apesar de ser um único livro, contém livros que carregam histórias de 
muitos homens e mulheres, ela revela principalmente a história da salvação do ser 
humano através da manifestação da graça de Deus. O Novo testamento ou nova 
aliança revela ao ser humano a manifestação dessa ação de Deus através da fé. A 
graça é a fonte e a fé é a condição para o ser humano ser alcançado por essa 
salvação. 
O termo “Graça” no Antigo Testamento significa “favor”, bondade de Deus, 
esse termo no Novo Testamento refere-se aquele favor que o homem não merece, 
benefício, um presente que Deus lhe concede em Jesus Cristo, essa graça é perdão, 
justificação, redenção, um amor incondicional que não depende da pessoa que o 
recebe, mas que para receber essa graça é necessário crer, definição de acordo com 
o Vocabulário Bíblico ALLMEN J.J Von (1972, p.158): “As consequências da 
encarnação são a graça e a verdade: todo amor do Deus que dá e perdoa, toda a 
revelação, conhecimento de Deus, estão em Jesus Cristo para serem comunicados 
aos homens, a fim de tirá-los das trevas.” 
A graça de Deus possui suas multifaces que atestam misericórdia e amor 
demonstrados por Jesus Cristo que pagou todo o preço pelo pecado humano, Deus 
abençoa o ser humano através de Cristo apesar de não merecer. 
A Bíblia aborda que todos os homens por si só são pecadores e carecem da 
glória de Deus e de sua justificação, ela nos leva a compreender que os seres 
humanos carecem dessa redenção e libertação, sendo ela a graça a base dessa 
condição salvífica como diz na carta de Efésios "Porque pela graça vocês são salvos, 
mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2,8). 
O Novo Comentário Bíblico NT (2010, p. 505) define Efésios 2, versículo 8: 
Os cristãos foram salvos pela graça. A graça de Deus é a fonte de salvação, 
a fé é o meio para obtê-la, não a causa. A salvação não provém dos esforços 
das pessoas; ela é fruto da benignidade de Deus. Na verdade, Deus é quem 
nos salva - do Senhor vem a salvação. O particípio do verbo salvar (salvos) 
nesta passagem indica que a salvação do cristão já ocorreu no passado, 
quando Jesus morreu por nós na cruz. 
 
Somente com a manifestação e a entrega sacrificial de Jesus é possível que 
o ser humano seja justificado, pois é através da graça “o que não merecia” que Deus 
nos salva da morte e nos restitui gratuitamente. 
7 
 
 
O ser humano é um pecador e completamente incompatível com a natureza 
bondosa de Deus, sozinho não pode alcançar esse estado de graça e perdão, Deus 
é o único que pode conduzi-lo a esse caminho de amor inexplicável que se ofereceu 
perdoando a ofensa recebida manifestada através da redenção em Jesus Cristo. 
A graça no Novo Testamento pode ser comparada a uma nova atmosfera 
salvífica, a esperança para o destino humano e do mundo encontram no presente 
um fim fora da ira de Deus, através da salvação de Jesus Cristo. 
A graça é assim uma nova atmosfera salvífica, um acontecer escatológico 
que nos faz participar da realidade definitiva do Reino e da vida mesma de 
Deus. Por isso a graça que foi Jesus Cristo, como a salvação presente de 
Deus, encarnada e feita história, deslanchou esperanças escatológicas para 
a irrupção próxima da total comunicação amorosa de Deus. (BOFF, 1976, 
P.21). 
 
A graça de Deus é de graça para todas as pessoas, agindo sobre a vida do 
homem em muitas formas, manifestando-se e trazendo salvação, redimindo o ser 
humano e os ensinando a caminhar em santidade, observaremos um escrito de 
Paulo na carta direcionada a Tito irmão e colaborador na expansão do evangelho da 
graça “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos” (Tt 2,11). 
Foi tão unicamente através de um amor incondicional como esse, capaz de 
se manifestar de tal maneira e oferecer-se sem que se fosse feito absolutamente 
nada para ser alvo dessa maravilhosa graça, que o ser humano recebeu liberdade e 
uma nova história para o seu destino. Um Deus tão humano e presente que se tornou 
carne e veio habitar em nosso meio, cheio de graça e verdade, doando-se, 
identificando-se com o homem, tornando-se maldição em seu lugar, é nesse Deus 
que encontraremos acesso ao trono da graça. De acordo com Boff (1976, p.15), “Por 
isso a graça fala da reconciliação do céu e da terra.” 
A graça é a fonte que a humanidade pode beber, Jesus se manifestou em 
graça sendo Ele mesmo o caminho; e dotado de grande compaixão tornou-se esse 
acesso de graça para aqueles e por aqueles que outrora estavam sentenciados à 
perdição. “A saber, que Deus estava em Cristoreconciliando consigo o mundo, não 
levando em conta os pecados dos seres humanos e nos confiando a palavra da 
reconciliação.” (2 Co 5,19). 
Diante de um Deus que manifestou reconciliação a cada pessoa e salvação 
como oportunidade de um novo nascimento, podemos acreditar que o Novo 
Testamento afirma em Cristo essa intenção da essência do Pai, que foi sempre a de 
8 
 
 
redimir o ser humano de suas ações pecaminosas e o resgatar de sua condição de 
morte. E mesmo o ser humano não merecendo, Deus em seu infinito amor e 
misericórdia faz o convite para que a humanidade através do filho experimente essa 
graça e convencido pelo Espírito Santo identifique que a salvação imerecida nos 
alcança e nos justifica ao longo do caminho. 
JOINER, Eduardo (2004, p. 390) descreve em Manual Prático de Teologia que 
o motivo da justificação do homem provém exclusivamente da imensa graça de 
Deus. “A causa original da justificação é o livre e imerecido amor de Deus: Porque 
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo 
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” 
 
3 A TEOLOGIA DA GRAÇA NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 
 
O objetivo desta seção é sinalizar que ao longo da experiência histórica do 
Cristianismo podemos observar homens buscando teorias que justifiquem o destino 
do ser humano em relação ao plano de salvação. Homens que fizeram reformas e 
através de suas vidas, trouxeram convicções sobre sua salvação mediante a graça 
divina. 
Portanto, usaremos duas figuras importantes em nossa história cristã, 
reformadores que se converteram e vivenciaram em sua fé a ação salvadora de Deus 
em suas vidas, observaremos questões relevantes na vida de Agostinho e Martinho 
Lutero e o que foi deixado como herança de graça para a história do cristianismo. 
 
3.1 A graça em Agostinho de Hipona 
 
Agostinho de Hipona é conhecido como o pai teológico da Reforma 
Protestante pelos calvinistas, e alguns teólogos afirmam que Agostinho entendia que 
todo antigo testamento apontava o caminho para Jesus. Sendo conhecido como 
doutor da graça, o teólogo da patrística mais citado pelos reformadores pelo fato de 
sintetizar fé e razão e entender que todo pecador é incapaz de ter um relacionamento 
com Deus se não for pela fé através da razão. 
Agostinho buscava na razão a justificativa para a fé e defendia que só 
podemos encontrar a verdadeira liberdade através da graça, pois o homem não a 
9 
 
 
alcança por merecimento, e sim pela fé, destacando que a vida eterna também é 
alcançada pela graça de Deus como recompensa pela vida de retidão na terra. Todos 
podem optar pelo livre arbítrio, escolhendo ser escravo do pecado ou desfrutar da 
graça de Deus. Santo Agostinho (1999, p.23) declara: “Irmãos, é vosso dever pelo 
livre arbítrio não fazer o mal, mas praticar o bem.” 
De acordo com o antigo testamento, os judeus viviam sob o jugo da lei e não 
sob a graça, por isso eram dominados pelo pecado, por que a lei não liberta, mas 
sim a graça. É possível encontrar no relato de Santo Agostinho (1998, p.17): 
Se o caminho da verdade permanecer oculto, de nada vale a liberdade, a 
não ser para pecar. E quando começará se manifestar o que se deve fazer 
e para onde se dirige, não se age, não se abraça o bem, não se vive 
retamente, se com o bem não se deleita, e não se o ama. 
 
Agostinho abandona a fé maniqueísta depois de repensar sobre o caráter de 
Deus. No maniqueísmo as pessoas acreditavam existir no universo duas forças 
iguais e opostas, uma boa e outra ruim, e quanto mais Agostinho se aprofundava 
nessas teorias, mas ele entendia que precisava se afastar deles, e quando se 
converteu de vez ao cristianismo sendo impactado pela carta aos Romanos 
entendeu que precisava priorizar outras linhas de pensamento se colocando também 
em oposição aos pelagianos, monges que ensinavam que o homem não carregava 
a mancha do pecado original herdada de Adão e Eva, afirmando não existir pecado 
original. 
A ideia do pecado original é bastante presente no pensamento agostiniano, 
enquanto Pelágio afirmava que o ser humano possui uma capacidade natural para 
fazer o bem, no pensamento agostiniano aprendemos que o ser humano não é assim 
tão livre, sendo totalmente dependente da graça de Deus. 
Pelágio incomodava muito Agostinho com o conceito que tinha sobre a graça, 
afirmando que a mesma era um socorro divino de acordo com os méritos dos homens 
e para alcançar a salvação bastava apenas ser bom e fazer o bem levando Agostinho 
a enfatizar com mais veemência a doutrina do pecado original. 
Com a sua conversão Agostinho chegou à conclusão de que o mal não existe, 
sendo assim, fruto das ações do homem, entendendo ser o livre arbítrio a 
oportunidade de o homem encontrar a felicidade e andar em retidão, sem ficar refém 
da lei ao contrário de algumas teorias como a de Pelágio onde afirmava que salvação 
não dependia da Graça. Santo Agostinho (1998, p.106) afirma: 
10 
 
 
Desse modo, são tão diferentes as características da lei e da graça, que a 
lei não apenas em nada ajuda, mas, pelo contrário, é um grande dano, não 
havendo a ajuda da graça. Percebe-se a utilidade da lei, quando ela obriga 
os seus transgressores a recorrerem a graça para se libertarem do pecado 
e para superarem a má concupiscência mediante a ajuda. 
 
Para Agostinho não basta ter o conhecimento da lei sem o auxílio da graça de 
Deus. A lei como um fardo de um castigo a ser carregado só traz ruínas. O homem 
sempre sentiu necessidade de ser livre e a lei aprisiona, mas a graça liberta. O 
pecado é sem dúvida o que destrói o homem e por causa disso todos sofrem, o 
homem, os animais a natureza que clama por socorro, necessitando da graça de 
Deus. De acordo com Santo Agostinho (1998, p.54): 
 Neste estado, o homem não teria salvação se não lhe fosse dada a graça 
de Deus. Esta é dom gratuito. Não é devida aos méritos humanos. “Gratia 
gratis data, unde etGratia nomiatur” (a graça é dada de graça, pelo que esse 
nome lhe é dado). Agostinho insiste em que a graça não é dada em 
recompensa a nossos méritos ou devido à nossa dignidade. 
 
Portanto, esse teólogo tão respeitado em seu tempo deixou um legado muito 
importante para a história da igreja defendendo a importância da fé, da dependência 
de Deus, do livre arbítrio e da graça como o ponto de partida para uma vida plena. 
No entanto, é preciso ressaltar a relevância da carta aos Romanos e suas influências 
nos pensamentos de Agostinho que foram a alavanca para que ele defendesse com 
tanta precisão a salvação através da graça. 
 
3.2 A graça em Martinho Lutero 
 
Martinho Lutero monge de ordem agostiniana (1483 – 1546) que após uma 
caminhada de muitas lutas enfrentadas em seu tempo, desenvolveu ao longo de sua 
história uma compreensão acerca de Deus, da igreja e de sua fé. 
O centro de sua teologia era o grandioso amor de Deus revelado aos seres 
humanos através do sacrifício de Jesus Cristo. Timothy George em seu livro Teologia 
dos Reformadores (1993, p.61) traz a seguinte afirmação: “O âmago da teologia de 
Lutero era que, em Jesus Cristo, Deus deu-se a si mesmo, absolutamente e sem 
reservas, para nós.” 
Para Lutero Deus era soberano na salvação do ser humano, seus conflitos 
espirituais eram imensos em relação a busca de um Deus misericordioso, medo da 
morte e julgamento após ela, era algo que o perseguia em seus caminhos. Vicente 
11 
 
 
Themudo Lessa descreve em Lutero: sua vida e obra, acerca desse momento de 
muitos conflitos de Lutero (2017, p.36): “Gemia Lutero procurando obter perdão de 
seus pecados e a purificação de suas culpas, voltando-se a todo gênero de 
penitências.” 
Lutero era interrogado muitas vezes sobre a natureza de seus conflitos 
espirituais e alguns conselhos e instruções que recebia eram como Bálsamo para a 
sua alma pesada. Em sua Teologia compreendeu a importância da graça de Deus, 
e que os cristãos são salvos poressa graça. 
Não importava o quão pecador Lutero sentia-se ser, ele entendeu que nada 
do que fizesse era capaz de torná-lo justo diante de Deus, a justiça de Deus vinha 
somente através do sacrifício de Cristo na cruz e não das suas obras. De acordo 
com o texto bíblico que trazia paz e luz a Lutero, Jesus Cristo é aquele que nos 
declara justos mediante a fé, logo nos tornamos justos quando olhamos para o seu 
sacrifício. 
Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da verdade 
e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos 
Romanos (1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque – “o justo pela 
fé viverá”, texto que lhe acudira ao subir a Scala Sancta, segundo a versão 
tradicional. (LESSA, 2017, p.64). 
 
Esse episódio de encontro com o texto Paulino na vida de Lutero foi bastante 
decisivo em sua certeza sobre a justiça de Deus, justiça essa que não desenvolve o 
papel de julgar e exigir sacrifícios, e sim uma justiça baseada no amor dado em 
graça, essa afirmação o fez entender que seus pecados e toda a sua inquietação 
tinham sido levados por Cristo em sua cruz, esse texto o liberta de todo peso que 
carregava trazendo-lhe a convicção de paz espiritual e inspiração para uma 
caminhada cristã na história da Igreja. 
Lessa (2017, p.64) define: 
Seus pecados, suas angústias, seus sofrimentos, haviam caído sobre os 
ombros de Cristo na cruz. Cristo fizera o que ao pecador teria sido 
impossível fazer com suas penitências e méritos pessoais. A certeza do 
perdão trouxe-lhe a paz espiritual e imprimiu uma nova direção ao seu 
ensino na universidade e no púlpito. Foi grande a inspiração de sua vida. 
 
Lutero estava convencido de que a salvação se dá unicamente pela graça de 
Deus sem mérito algum humano, sua doutrina acerca do entendimento da 
justificação criou raízes e assumiu forma definitiva em seu tempo. Segundo Timothy 
12 
 
 
George (1994, p. 65): “Ele estava certo de que o perdão era dom de Deus, não 
resultado do mérito humano.” 
Lutero defendia que a vitória do filho de Deus era o caráter definitivo de 
justificação, somos salvos unicamente pela graça de Deus e é exatamente por isso 
que somos declarados justos, somente pela fé, tendo como fruto de justificação e 
graça uma fé ativa no amor, no mesmo amor que concedeu a ele o entendimento de 
salvação e base para suas pregações e teologia. 
O fruto da justificação é a fé ativa no amor. Tal amor é dirigido em primeiro 
lugar não a Deus, na esperança de conseguir algum mérito para a salvação, 
mas ao próximo, porque “o cristão vive não em si mesmo, mas em Cristo e 
em seu próximo”. Lutero incitava os cristãos a realizar boas obras, a partir 
de um amor espontâneo, em obediência a Deus por causa dos outros. Por 
outras palavras, a justificação pela fé somente liberta-me para amar meu 
próximo desinteressadamente, por causa dele mesmo, como meu irmão ou 
irmã, não como meio calculado para meus próprios objetos desejados. Visto 
que não mais carregamos o insuportável peso da autojustificação, estamos 
livres “para ser de Cristo uns para os outros”, para nos consumirmos em 
favor dos outros, mesmo como Cristo também nos amou e deu a si mesmo 
por nós. (GEORGE, 1994, P.74). 
 
A vida de Lutero não somente deixou um legado em suas muitas realizações 
no campo da teologia e reforma como também de acordo com o que GEORGE, 
Timothy (1994, p.106) declara “O verdadeiro legado de Lutero é sua percepção 
espiritual do caráter gracioso de Deus, em Jesus Cristo, o Deus que nos ama e nos 
sustenta até a morte e de novo até a vida.” 
Assim a epístola de Paulo aos Romanos, influencia uma das principais 
composições da Teologia de Martinho Lutero ao longo da história do cristianismo, 
Deus é aquele que por sua justiça verdadeira julga o ser humano, ninguém merece 
a salvação Deus faz isso livremente e através da sua bondade faz expiação de todas 
as nossas iniquidades, não justificando por meio de obras, mas pela fé perante Ele. 
 
4 A TEOLOGIA WESLEYANA 
 
A teologia de John Wesley sempre foi considerada como a teologia do 
caminho por ser fundamentada na leitura da bíblia, nas práticas sociais e no 
testemunho do evangelho. Wesley sentia-se extremamente incomodado com as 
questões sociais principalmente diante do cenário vivido em meio ao período que 
13 
 
 
envolvia a Revolução Industrial onde ocasionou desemprego, fome e muita 
desigualdade social. 
Diante desse cenário, o jovem anglicano sentiu um profundo interesse pelos 
menos favorecidos, e como a igreja da Inglaterra passava por um momento muito 
difícil, Wesley acabou sendo o precursor de um grande avivamento religioso. Em 
concordância, é possível mencionar Antônio Gouvêa Mendonça (1984, p.40) que 
aborda tal momento vivido por John Wesley: 
Na segunda metade do século XVII a Igreja da Inglaterra entrou em declínio. 
No século XVII dá-se o grande avivamento de João Wesley (1703­-1791), 
que já na Universidade de Oxford, onde estudara, manifestara preocupação 
com a santificação da vida religiosa. Ministro da Igreja Anglicana estivera 
na Geórgia onde teve contato com os Moravianos, cuja doutrina influiu sobre 
ele. Em 1738 “converteu-se” em Londres durante um movimento religioso. 
Wesley, por cinquenta anos, viajou por toda a Inglaterra, Irlanda e Escócia, 
pregando e organizando sociedades metodistas, verdadeiras igrejas, 
embora não reconhecidas. 
 
No período mencionado acima, muitas pessoas não tinham acesso as 
escrituras sagradas e ainda viviam em grande pobreza, no entanto, após sentir o 
coração extremamente aquecido pela palavra de Deus, Wesley decide sair da sua 
zona de conforto e liderar um movimento em prol dos menos favorecidos 
apresentando um evangelho simples e equilibrado que respeitava a diversidade e 
conduzia a sociedade ao centro da vontade de Deus. 
John Wesley e Carlos Wesley, filhos de Samuel e Suzana Wesley, com outros 
jovens foram impulsionados pelo Senhor para fazerem a diferença em meio ao caos 
que vivia a Inglaterra fundando uma associação que com o tempo foi chamada de 
Metodista. 
Durante sua missão como precursor desse movimento Wesley sofreu 
algumas influências em seus pensamentos sobre a graça de Deus, principalmente 
no âmbito familiar o qual era dividido entre puritanos e anglicanos de origem 
reformada. Assim, fica evidente o que Antônio Gouvêa Mendonça (1984, p.42) 
destaca sobre tal informação: 
O misticismo e o pietismo fazem, portanto, parte da herança religiosa de 
Wesley, assim como isto também é verdade em relação ao puritanismo. 
Ocorre que Wesley soube fazer uma produtiva síntese dessas três 
correntes, o que valeu ao seu movimento religioso e social um extraordinário 
crescimento na Inglaterra e ainda mais extraordinário na América. 
 
14 
 
 
Nota-se, portanto, que John Wesley era totalmente aberto a qualquer tipo de 
pensamento, levando sempre em consideração a palavra de Deus, respondia as 
questões sociais que mais afligia os que estavam ao seu alcance, por isso em seus 
sermões procurava usar palavras simples e de fácil compreensão. 
Segundo José Carlos de Souza (2003, p.127): 
Wesley estava profundamente integrado à sua época e procurou, em nome 
do evangelho, responder às questões que a sociedade inglesa 
contemporânea consciente ou inconsciente levantava. Com efeito, é 
impossível arrancá-lo da rede de relações que estabeleceu no século XVIII. 
 
4.1 O Modo de pensar a Graça em John Wesley 
 
John Wesley buscava a santidade e entendia que uma vida mais próxima de 
Deus traria mudanças de dentro para fora, e orientava a todos que estavam ao seu 
redor a buscarem a santificação com novas atitudes e novos posicionamentos. Para 
ele, sem a graça não seria possível ter um relacionamento íntimo com Deus. 
Ter uma identidade de filho de Deus para Wesley só seria possível com ajuda 
do Espírito santo através da oração, do estudo da palavra, dos sacramentos e da 
comunhão com os santos.É possível concretizar tal pensamento testificando-o com 
a própria escrita de Wesley (sermão 16; II- 1): 
No discurso que se segue proponho-me examinar mais minuciosamente se 
há quaisquer meios de graça. Por “meios de graça” entendo os sinais 
exteriores, palavras ou ações, ordenados por Deus, e designados para esse 
fim, para serem canais ordinários pelos quais Ele comunica aos homens a 
graça preventiva, justificadora e santificante. Uso a expressão – “meios de 
graça” – porque não conheço outra melhor e porque ela tem sido geralmente 
usada na Igreja Cristã através de muitas gerações, em particular por nossa 
própria Igreja, que nos dirige no louvor de Deus pelos meios de graça e pela 
esperança da glória, ensinando-nos também que o sacramento é “o sinal 
exterior de uma graça interior, e um meio pelo qual recebemos a mesma 
graça. Os principais desses meios são a oração, seja secreta ou juntamente 
com a congregação; o estudo das Escrituras (que compreende a leitura, 
audição e meditação delas); e a participação da Ceia do Senhor, comendo 
o pão e bebendo o vinho em memória de Cristo: cremos que tais meios 
foram ordenados por Deus, como canais ordinários pelos quais Ele 
comunica sua graça à alma dos homens. 
 
Wesley entendia que a graça de Deus ocupava um lugar insubstituível na vida 
do ser humano, e que seria possível evidenciar isso antes da sua conversão ao gerar 
frutos de arrependimento através do Espírito santo que convence do pecado, do juízo 
e da justiça. E é através das escrituras sagradas que o leitor é conduzido ao 
15 
 
 
momento de remissão de seus pecados para que tudo se faça novo, nascendo uma 
nova criatura. 
Essa nova criatura morta para os pecados da carne e justificada diante de 
Deus só nasce através da fé para um processo de santificação e maturidade em um 
relacionamento íntimo com Ele, tendo como destino o céu. Para Wesley toda graça 
de Deus teria fins salvíficos sendo enviada a humanidade como um presente 
imerecido, não por obras e méritos, mas por amor incondicional do Criador. 
 
4.2 Os Caminhos de Graça 
 
A Graça de Deus na Teologia Wesleyana é para todos e não depende 
exclusivamente de mérito humano, Wesley acreditava na necessidade que o homem 
possui de receber a graça, o processo de salvação do homem se desenvolve a partir 
de sua resposta e responsabilidade à obra de redenção do perdão de Deus através 
de Jesus Cristo e da ação capacitadora e convencedora do Espírito Santo. 
De acordo com Maddox (2019, p.381): 
Wesley considerava a presente salvação humana fundamentalmente como 
um processo terapêutico gradual, que se desenvolve a partir da nossa 
participação responsiva na graça perdoadora e capacitadora de Deus. No 
seu sentido mais normativo, a salvação não aparece nem unilateralmente 
nem espontaneamente em nossas vidas; ela deve ser progressivamente 
capacitada e responsavelmente nutrida ao longo do Caminho da Salvação. 
 
A graça não é somente para aqueles que são intitulados eleitos, ela é 
alimentada e gerada de maneira gradual no decorrer da caminhada do ser humano 
e do seu reconhecimento a extrema necessidade de se reconciliar e aproximar do 
seu criador. 
Todas as necessidades do ser humano são envolvidas por esses caminhos e 
meios de salvação que seguiram Wesley ao longo de toda sua história de vida. 
Maddox (2019, p.381), destaca o ponto de que “Ele os discutiu em vários contextos, 
com listas ligeiramente diferentes em quase todos os casos.” 
A graça para Wesley está disponível universalmente e existem alguns 
caminhos específicos que desenvolvem compreensões fundamentais para a 
caminhada e vida cristã. Para Wesley são essas práticas que despertam a 
humanidade ao convencimento da sua necessidade de Deus, esses sãos meios 
capazes de transmitir a graça salvadora (preveniente) ao ser humano. 
16 
 
 
Maddox (2019, p. 383) define: 
Wesley não teve reservas quanto a encorajar o seu povo a buscar a graça 
de Deus por intermédio dos vários sinais, palavras e ações externas que 
Deus determinou como canais “ordinários” para a transmissão da graça 
salvadora à humanidade. 
 
Na visão Wesleyana os caminhos de graça mostravam-se exteriores aos 
homens e eram ordenados por Deus a fim de serem canais de comunicação do seu 
amor e da sua ação de justificação, a igreja, a oração pessoal e comunitária, o estudo 
das escrituras sagradas são meios de caminhar em uma graça preventiva tornando 
assim o homem santificado na sua caminhada de fé. 
Maddox (2019, p.381) descreve esses papéis dos meios de graça da seguinte 
forma: 
Os itens incluídos nessas listas variam de práticas cristãs universais, tais 
como jejum, oração, eucaristia e leituras devocionais, a práticas mais 
caracteristicamente metodistas, como reuniões de classe, festas do amor e 
regras especiais do viver santo. 
 
Resta saber, que tudo isso não torna Deus preso e sujeito a esses caminhos 
para operar sua salvação, a graça não é confinada a regras, mas entende-se que é 
somente através de Deus e da sua graça que chegamos ao pleno conhecimento da 
verdade, é através do criador e Pai que o homem alcança essa graça divina, esse 
favor ativo universalmente na vida até mesmo daqueles que não estão debaixo 
desses meios de graça. 
 
4.3 A salvação através da Graça 
 
O ser humano na visão de Wesley é um pecador e completamente 
incompatível com a natureza de Deus, sozinho não pode alcançar esse estado de 
graça e perdão, Deus é o único que pode levá-lo a salvação, pois a iniciativa de Deus 
é o que move o plano salvífico na vida do ser humano transformando a sua condição 
decaída através da graça permitindo com que os mesmos respondam a oferta de 
graça salvadora de Deus. 
De acordo com Maddox (2019, p.281): 
Wesley estava firmemente convencido da primazia da graça divina na obra 
da salvação. Ao mesmo tempo, ele frequentemente achava importante em 
sua atividade teológico-prática esclarecer o papel da participação humana 
responsável nessa obra graciosa. 
17 
 
 
Deus é aquele que governa e facilita a obediência do homem, porém não o 
força a obedecer, o ser humano pode crer e confiar se quiser ou até mesmo resistir 
à graça, na compreensão de Wesley a graça é resistível a uma pessoa e que essas 
pessoas são colocadas ou encontram-se diante dos meios de graça, e que a ação 
do Espírito Santo pode trazer a elas o convencimento fazendo com que elas 
cooperem ou não com esse momento, ele acreditava que se alguém resistir a essa 
graça torna-se cada vez mais longe dela. 
Maddox (2019, p. 290), menciona: 
Mas, mesmo na sua formulação mais forte, tais afirmações estavam ligadas 
a um reconhecimento de que os seres humanos (infelizmente) podem 
resistir às aberturas graciosas de Deus, pois sua graça restauradora é 
cooperante. 
 
Na visão Wesleyana as pessoas podem rejeitar ou aceitar a graça divina, um 
pecador pode ao receber essa graça oferecida usufruir de cada um dos seus efeitos. 
E Deus de forma alguma seria incapaz de salvar ou reprovar alguém sem oferecer a 
ele a capacidade de resposta de amá-lo ou servi-lo por escolha própria, Deus é 
aquele que encoraja o homem a se esforçar no desenvolvimento da salvação que 
Cristo conquistou. 
Assim, meus amados, como vocês sempre obedeceram, não só na minha 
presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvam a sua 
salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vocês tanto 
o quere como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Fp 2,12-13) 
 
A graça para Wesley está disponível universalmente. Uma participação 
humana necessária, mas não forçada, o homem é despertado e convencido a sua 
necessidade de Deus e da capacidade de resposta aos caminhos de graça salvadora 
(preveniente) ao ser humano. 
De acordo com Maddox (2019, p.290): 
Posto em termos ligeiramente diferentes, Wesley estava convencido de 
que, embora não possamos alcançar a santidade (e completude) à parte da 
graça de Deus, Deus não efetuará a santidadeà parte da nossa salvação 
responsiva 
 
O homem convertido para Wesley precisava lembrar-se do momento em que 
experimentou do amor e da graça justificadora de Deus, em uma visão pastoral como 
a de Wesley precisamos aplicar e alinhar as experiências pessoais a toda prática 
18 
 
 
aprendida, somado a uma vida de renúncia e conversão. Isso deve estar implícito 
em cada ser humano que se arrepende e nasce de novo. 
 
 Os esforços de avivamento iniciais de Wesley refletiam esses pressupostos 
do "nascido duas vezes". Ele duvidava da realidade da conversão de 
qualquer um que não pudesse identificar o momento exato em que 
experimentou o amor justificador de Deus (MADDOX, 2019, p. 301). 
 
Contudo Deus em seu infinito amor nos convida a vivenciar experiências mais 
práticas que teóricas, à parte dos livros, artigos e papéis. A Teologia Wesleyana é 
um processo que articula e insere no ser humano uma relação pessoal de igreja 
versus mundo na prática. No sentir e no ser, essa Teologia revela a graça de Deus 
e identifica que a salvação imerecida nos alcança e nos justifica ao longo do 
caminho. 
 
 
5 CONCLUSÃO 
 
Ao final deste artigo, afirmamos que a graça é um tema central na Teologia 
Wesleyana do início ao fim, mediante o exposto essa graça é resistível e nos foi dada 
a liberdade pelo criador de aceitá-la ou não. A graça é sem dúvida o maior presente 
deixado para criatura, sendo ela algo incomparável e insubstituível ao homem, é 
exatamente por isso que sempre haverá um equilíbrio entre a iniciativa do ser 
humano e a resposta de Deus a humanidade. 
Somos justificados pela graça de Deus, no Deus presente no Antigo 
Testamento e no Novo Testamento no Cristo que se deu pelo homem e assumiu o 
pagamento de uma dívida. Tendo em vista os aspectos observados nesse projeto, 
entendemos que a justificação não é um fim em si mesmo como muitos defendem; 
mas sim; a salvação é o começo de uma jornada de santidade e santificação, pois a 
salvação na perspectiva bíblica é o começo do relacionamento entre Deus e sua 
criação. 
As experiências da graça na história do Cristianismo através de homens que 
buscaram teorias para justificar o destino humano em relação ao plano de salvação 
e a experiência de John Wesley são sem sombra de dúvidas positivas e servem de 
referência para o próximo, principalmente em momentos difíceis, mas não podemos 
19 
 
 
viver baseados somente nesses fatos e sim é preciso buscar resposta e auxílio para 
qualquer situação em Deus que está sempre pronto a nos responder. 
A grande preocupação de Wesley através de sua Teologia não era a de 
exaltar uma ortodoxia doutrinária, mas, atender as necessidades humanas 
principalmente dos que são menos favorecidos que precisam ter acesso à palavra e 
ao conhecimento para mudar de vida e sair da situação de desigualdade que se 
encontram assolados. 
Portanto, esse é o modo de pensar a graça na visão Wesleyana, revelar em 
sua Teologia um Deus disposto a reconciliar consigo a sua criação e revelar o seu 
amor nas páginas e ensinamentos Bíblicos vistos como caminhos de graça e 
salvação. 
 
REFERÊNCIAS 
 
À BRAKEL, Wilhelmus. O Pacto da Graça tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. 
Natal: Nadere Reformatie Publicações, 2019. 
 
AGOSTINHO, Santo. A Graça I. Tradução: Agostinho Belmonte. São Paulo, SP: 1998. 
 
AGOSTINHO, Santo. A Graça II. Tradução: Agostinho Belmonte. São Paulo, SP: 1999. 
 
ALLMEN, J.J Von. Vocabulário Bíblico. São Paulo, SP: Associação de Seminários 
Teológicos Evangélicos, 1972. 
 
BÍBLIA, A. T. Provérbios. In BÍBLIA. Português. Sagrada Bíblia Católica: Antigo e Novo 
Testamentos. Tradução de José Simão. São Paulo: Sociedade Bíblica de Aparecida, 2008. 
p. 202-203. 
 
BÍBLIA, Bíblia de estudo John Wesley. Nova Almeida Atualizada. Tradução de João 
Ferreira de Almeida. Edição Revista e Atualizada, 3ª edição. SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 
2020. 
 
BOFF, Leonardo. A graça libertadora no mundo. 4. ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 
1976. 
 
Cf. Sermão 16: “Os meios de Graça”, incluída no livro Obras de Wesley 
 
DELAFIELD, D.A. Pela graça de Deus: como cumprir o voto e a lei do Desbravador/D. 
A Delafield; tradução de Renato E. Oberg. -6. ed. - Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 
2004. 
GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1994. 
 
GOUVÊA MENDONÇA, Antônio. O celeste Porvir: A Inserção do protestantismo no 
Brasil. São Paulo: Ed. Paulinas, 1984. 
20 
 
 
 
JOINER, Eduardo. Manual Prático de Teologia. Rio de Janeiro, RJ: Editora Central Gospel, 
2004. 
 
LESSA, Vicente Themudo. Lutero: sua vida e obra. Brasília, DF: Editora Monergismo, 
2017. 
 
MADOXX, L. Randy. Graça Responsável. São Bernardo do Campo/SP: Editeo, 2019. 
 
MURRAY, John. O Pacto da Graça. São Paulo, SP: Facioli Gráfica e Editora Ltda, 2001. 
 
PERKINS, William. O Pacto da Graça. Natal: Nadere Reformatie Publicações, 2019. 
 
RADMACHER, Earl; ALLEN, Ronald B e HOUSE, H. Wayne. O Novo Comentário Bíblico 
NT, com recursos adicionais. Rio de Janeiro, RJ: Editora Central Gospel, 2010. 
 
SOUZA, José Carlos de. Fazendo teologia numa perspectiva wesleyana. In: 
Caminhando, 300 Anos de John Wesley. Ano VIII, no12 – 2o Semestre de 2003. p. 127.

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