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Oncohematologias Diagnóstico das Leucemias Agudas e Crônicas Profª Drª Karla Ribeiro LEUCEMIAS LEUCEMIAS AGUDAS • Se não tratadas: - São rapidamente fatais; - São as mais fáceis de curar que as leucemias crônicas. • São definidas pela presença de mais de 20% de blastos no sangue ou na medula óssea: - Mielóide (Mieloblastos): LMA - Linfóide (Linfoblastos): LLA-B ou LLA-T Leucemias Agudas Medula óssea leucêmica Mielograma - Leishman Leucemias Agudas CONTAGEM DIFERENCIAL DE LEUCÓCITOS • Presença de blastos em circulação. OMS: ≥ 20% • Hiato leucêmico Leucemias Agudas Hiato Leucêmico • Corresponde à ausência de células intermediárias entre os blastos e os neutrófilos maduros. Imagens: Paciente, 59 anos, com contagem de leucócitos de 208.000/mm3 e com 100% de blastos mieloides no diferencial! Neste caso nem neutrófilos maduros foram! FONTE: Portal LabCursos Leucemias AgudasSangue Periférico Copyright © 2021 American Society of Hematology. Copyright restrictions may apply. Blasto Nucléolos evidentes Bastonete de Auer Cromatina nuclear fina e alta proporção núcleo - citoplasma Citoplasma escasso e ligeiramente basofílico Leucemia Linfóide Aguda (LLA) Leucemia Linfóide Aguda (LLA) Características gerais • Predomínio na população pediátrica (75% com menos de 6 anos); • 85% da linhagem B e 15% da linhagem T; • Taxas de cura são maiores na pop. pediátrica (85% dos casos); • Infiltração de SNC e Testículos; • LLA-B: adenomegalia, esplenomegalia e hepatomegalia • LLA-T: massa mediastinal Leucemia Linfóide Aguda (LLA) Caracterizada pela proliferação anormal de células progenitoras da linhagem linfóide. Leucemia Linfóide Aguda (LLA) LLA- L1 (Crianças 85% casos; Adultos 30-40% casos) Classificada morfologicamente em 3 categorias, sendo que cada subtipo apresenta linfoblastos leucêmicos com características próprias: Blastos pequenos, cromatina com padrão homogêneo, núcleo regular, citoplasma apresenta uma fraca basofilia e raras vacuolizações. CLASSIFICAÇÃO FAB (French–American–British) Leucemia Linfóide Aguda (LLA) LLA- L1 LLA- L2 (Crianças 14% casos; Adultos 50-60% casos) Classificada morfologicamente em 3 categorias, sendo que cada subtipo apresenta linfoblastos leucêmicos com características próprias: •Tamanho do blasto, padrão da cromatina, relação núcleo/citoplasma são variáveis. • Formato do núcleo é irregular e pode apresentar-se clivado, núcleolo múltiplo e proeminente. CLASSIFICAÇÃO FAB (French–American–British) Leucemia Linfóide Aguda (LLA) LLA- L1 LLA- L2 LLA- L3 (Crianças 1% casos; Adultos 5% casos) Classificada morfologicamente em 3 categorias, sendo que cada subtipo apresenta linfoblastos leucêmicos com características próprias: Blastos grandes, padrão da cromatina variável, relação núcleo/citoplasma baixa, formato do núcleo geralmente ovalado, presença de vacuolizações. CLASSIFICAÇÃO FAB (French–American–British) Leucemia Mielóide Aguda (LMA) Caracterizadapela proliferação anormal de células progenitoras da linhagem mielóide. Blasto Mielóide Hoffbrand et al., Color Atlas of Clinical Hematology: Expert Consult. 4ª Edição Leucemias Agudas Leucemia Mielóide Aguda (LMA) LMA INDIFERENCIADA (LMA- M0) LMA MIELOBLÁSTICA (LMA- M1) LMA MIELOBLÁSTICA COM MATURAÇÃO (LMA- M2) CD33, CD13 ou CD11b -5/del (5q) -7/del (7q) +8 e del (11q) Presença de pelo menos 3 marcadores: CD33, CD13,CD34, CD7, CD4, CD11b Translocação: t(6;9) Positividade: CD33, CD13 CD117, CDw65 Translocação: t(8;21) GV 3,1 x 106/µL GB 21,2 x 103/µL Série vermelha: Hemácias normocíticas e normocrômicas Hb 5,2 g/dL Blastos 11,6 x 103/µL 55% Ht 15,6% Neutrófilos 0,53 x 103/µL 2,5% VCM 80 fL Eosinófilos 0,31 x 103/µL 1,5% Série branca: Presença de blastos HCM 27 pg Basófilos 0,10 x 103/µL 0,5% CHCM 25 g/dL Linfócitos 7,60 x 103/µL 37% Série plaquetária: Plaquetas diminuídas em número RDW 15 Monócitos 0,74 x 103/µL 3,5% Ret 1,0% Plaquetas 15 x 103/µL Hemograma Leucemias Agudas Imunofenotipagem: CD34 + CD33 + CD13 + CD117 + CD19 + CD56 + Leucemia Mielóide Aguda Bom prognóstico! 52% blastos Citogenética: t(8;21)Mieloperoxidase: DIAGNÓSTICO RT-PCR p/ AML1-ETO: POSITIVO Leucemias Agudas Leucemia Mielóide Aguda (LMA) LMA PROMIELOCÍTICA HIPERGRANULAR (LMA- M3) LMA MIELOMONOCÍTICA (LMA- M4) Positividade: CD33 e CD13 Sudan black e Peroxidase Cariótipo: t(15;17) Positividade: Antígeno mielóides: CD33, CD13 Antígenos monocíticos: CD4, CD14, CD15 , CD11b Cariótipo: Inversão 16 (p13;q22) Leucemia Mielóide Aguda (LMA) Positividade: CD33 Negatividade: CD13 Cariótipo: t(9;11) Positividade: CD33 Fraca positividade: CD4 Negatividade: CD13 e CD34 Cariótipo: Duplicação crom. 13 Leucemia Mielóide Aguda (LMA) Positividade: CD33, CD13, anti-MPO Expressão de GLICOFORINA A *Não está associado à anomalias cromossômicas específicas. Positividade: Antígeno mielóides: CD33, CD13 Antígenos megacariocíticos: CD41, CD42 e CD61 Aberrações complexas e anormalidades envolvendo os cromossomos 5 e 7. LEUCEMIAS CRÔNICAS São distintas das leucemias agudas pela sua progressão mais lenta. Paradoxalmente, também são mais difíceis de curar. • Linfocitose crônica persistente; • Distinção entre os subtipos realizada através da morfologia, imunofenotipagem e citogenética. Leucemia Linfóide Crônica (LLC) >70% de linfócitos maduros, pequenos, com núcleos redondos, cromatina densa e pouco citoplasma. Leucemia Linfóide Crônica (LLC) Leucemia Linfóide Crônica (LLC) Sangue Periférico: - Linfócitos maduros, pequenos, cromatina condensada sem nucléolo evidente; - Maioria dos linfócitos com alta relação N:C e monotonia celular; - Cromatina com padrão craquelado tipo “bola de futebol”; - Manchas de Gumprecht. Leucemia Mielóide Crônica (LMC) Grande acúmulo de granulócitos jovens e maduros no sangue periférico. Leucemia Mielóide Crônica (LMC) Oncohematologias Diagnóstico de Linfomas Profª Drª Karla Ribeiro • Classificados: Hodgkin e não Hodgkin LINFOMAS O linfoma ocorre quando uma célula normal do sistema linfático se transforma, cresce sem parar e se dissemina pelo organismo. “Linfoma é o nome de um conjunto de cânceres que atacam o sistema responsável por ajudar a combater infecções.” • 3 tipos de células no linfonodo e em outros tecidos linfoides: - Linfoblastos - Linfócitos - Células reticulares LINFOMAS LINFOMA de Hodgkin • Neoplasia maligna associada à linfoadenomegalia; • Localização mais frequente: Região acima do diafragma (linfonodos cervicais altos e supraclaviculares); • Pode ocorrer em qualquer idade ( maior incidência em adultos sexo masculino); BOA RESPOSTA À TERAPIA: Cura chega a 80% dos casos. • LOCAIS DE SURGIMENTO: - Linfonodos cervicais altos; - Linfonodos supraclaviculares; - Linfonodos abdominais; - Linfonodos axilares; - Baço; - Estrutura mediastínica LINFOMA de Hodgkin • CLÍNICA: - Manifestação mais comum: 1 ou + linfonodos cervicais aumentados e indolores LINFOMA de Hodgkin • ESTADIAMENTO CLÍNICO LINFOMA de Hodgkin Envolvimento de 1 única região de linfonodos ou estrutura linfóide Envolvimento de 2 ou mais regiões de linfonodos Envolvimento de regiões de linfonodos ou estruturas em ambos os lados do diafragma Envolvimento do sítio extranodal LINFOMA de Hodgkin LINFOMA de Hodgkin • Presença da célula de REED STERNBERG: - Linhagem celular maligna em infiltrados inflamatórios reacionais; - Origem de célula linfoide imatura de linhagem B. - Essa célula não é encontrada em sangue periférico! Célula de Reed- Sternberg • Células grandes de núcleos polilobulados ou multinucleados,nucléolos grandes e com afinidade eosinofilica, zona mais clara na cromatina e são vistas frequentemente figuras de mitose e apoptose. Conhecidas como “Olho de coruja” Célula de Reed- Sternberg • Características laboratoriais: - Reticulócitos é normal ou diminuída; - Leucometria normal ou aumentada; - Eosinofilia rara; - Monócitos, neutrófilos e basófilos discretamente aumentados; - Plasmócitos e linfócitos com nucleólos; - Contagem de plaquetas normal (quando diminuída há envolvimento da MO, o que é raro). LINFOMA de Hodgkin • + de 20 tipos de linfomas NÃO Hodgkin; • 5ª causa de morte por câncer; • Alto grau de malignidade, LINFOMAS AGRESSIVOS; •Acometem o SNC em 60 % dos pacientes com AIDS; • Alta incidência em pacientes que utilizam medicamentos imunossupressores pós-transplantes de órgãos; • Situações de imunodeficiência forte associação ao Epstein- Barr. LINFOMA NÃO Hodgkin • Sítios envolvidos: Linfonodos, pele e ossos; • Geralmente progride para a forma leucêmica: MO e SP envolvidos; • Cels blásticas maiores que os peq. Linfócitos, núcleo ovalado, nucléolos pequenos e cromatina delicada. Positividade: TdT Antígenos de cels. B: CD19, CD 22 e CD79a Negatividade: CD20 LINFOMA NÃO HODGKIN DE CÉLULAS B: LINFOMA LINFOBLÁSTICO B (LLA) LINFOMA de Burkitt Expressão do antígeno Ki-67 Positividade Antígenos de cels. B: CD19, CD 20, CD 22, CD10 e CD79a Negatividade: CD5 e CD23 Cariótipo: t(2;8); t( 8;22) ou t(8;14) • Neoplasia de crescimento rápido (35% casos crianças); • Massa ileocecal, porém rins, ovários e mama são acometidos; • Comumente associado ao HIV. • Linfoma cutâneo ( acometimento difuso da pele); • No SP são chamadas de células de Sezary; • Linfócitos cerebriformes (evidente pleomorfismo celular) com cromatina grossa e grumosa, sem nucléolo. Positividade Antígenos de cels. T: CD2, CD 3 e CD5 Negatividade: CD7 LINFOMA NÃO HODGKIN DE CÉLULAS T: Síndrome de Sezáry / Micose Fungoide • Associada ao retrovírus HTLV-1; • Quadro leucêmico e linfoadenopatia generalizada; • Cels. pequenas com núcleos densos ou grandes com nucleo hiperlobulado ( Flower cell – céls em trevo). Expressam grande qntdd de CD25 Positividade Antígenos de cels. T: CD2, CD 3 e CD4 Negatividade: CD7 e CD8 LINFOMA / LEUCEMIA DE CÉLULAS T DO ADULTO (ATLL) Oncohematologias Diagnóstico de Mieloma Múltiplo Profª Drª Karla Ribeiro GAMOPATIAS MONOCLONAIS Grupo de doenças caracterizadas pela proliferação de um único clone de plasmócitos que produz uma proteína monoclonal (M). PROTEÍNA M CADEIA POLIPEPTÍDEO PESADA CADEIA POLIPEPTÍDEO PESADA CADEIA POLIPEPTÍDEO LEVE CADEIA POLIPEPTÍDEO LEVE GAMOPATIAS MONOCLONAIS IMUNOGLOBULINAS MONOCLONAIS Clones de PLASMÓCITOS Gama (γ) : Imunoglobulina IgG Produzem Vários tipos representados por letras gregas Alfa (α) : Imunoglobulina IgA Mu (μ) : Imunoglobulina IgM Delta (δ) : Imunoglobulina IgD CADEIAS PESADAS CADEIAS LEVES Épsilon (ε) : Imunoglobulina IgE Kappa (κ) Lambda (λ) GAMOPATIAS MONOCLONAIS IMUNOGLOBULINAS POLICLONAIS Processos reacionais e inflamatórios Causa Processos clonais malignos ou potencialmente malignos IMUNOGLOBULINAS MONOCLONAIS Causa GAMOPATIAS MONOCLONAIS o Análise do soro ou urina para detectar a proteína M: - Eletroforese de Zona Capilar: Identifica banda monoclonal e quantifica proteína M. o Após reconhecer a banda localizada na eletroforese... - Técnica de imunofixação de proteínas: Confirmar a presença da proteína M e determinar tipo de cadeia pesada e leve envolvida. Mieloma Múltiplo o Crescimento desordenado de células plasmáticas maduras e imaturas com substituição medular. • Anteriormente era chamada de Leucemia de células imortais; • Durante o desenvolvimento: - Aumento de osteoclastos ( produzem enzimas que degradam a matriz óssea); - Aumento de lesões líticas dos pacientes portadores de mieloma. Mieloma Múltiplo Paciente 59 anos, com evidente anemia, apresentou no hemograma apenas rouleaux eritrocitário, entretanto após contagem foi observado um plasmócito. Mielograma (foto): Medula óssea apresentou uma contagem superior a 50% de plasmócitos. Diagnóstico de M. Múltiplo confirmado pela eletroforese das proteínas. FONTE: Portal LabCursos Mieloma Múltiplo Neoplasia maligna hematológica caracterizada pela proliferação clonal de plasmócitos malignos na MO. • Ocorre com maior frequência em homens; • Idade média de surgimento >60 anos; • Maior incidência em pacientes de raça negra; • Representa 1% de todos os cânceres e 10% de todos os casos de doenças hematológicas. Mieloma Múltiplo • SINAIS CLÍNICOS: Mieloma Múltiplo o Imunoglobulinas séricas alteradas: Interferência no VSH por: - Formar Rouleaux eritrócitário ( decorrente anulação fator “zeta”*) * Fator zeta: carga elétrica entre as hemácias que evita o empilhamento. Mieloma Múltiplo • EXAMES LABORATORIAIS: - Anemia normocrômica e normocítica; - Hb entre 7 a 10 g/dL; - Presença de rouleaux eritrócitário; - Contagem de reticulócitos diminuída; - Contagem de leucócitos geralmente normal (presença de células plasmáticas e linfócitos aparência imatura); Mieloma Múltiplo o Imunoglobulinas séricas alteradas ( pico monoclonal): Eletroforese de proteínas mostra: - Aspecto em espiga Mieloma Múltiplo o Classificação do Mieloma de acordo com o tipo de imunoglobulina presente: IgG: - Mais de 60% dos mielomas; - Infecções e crescimento tumoral são frequentes; - Calcemia é mais baixa; - [ ] sérica alta de proteína M. IgA: - Apresentam-se em mais de 20% dos casos; - Aumento da viscosidade do sangue (componentes M da IgA formam polímeros); - Hipercalcemia; - Infecções complicadas são observadas; - Amiloidose não é frequente; IgD e IgE: - Mielomas raros, menos de 1% dos casos; - Lesão extraóssea; - Proteinúria; - Proteinemia de Bence Jones; - Sobrevida dos pacientes é curta. Mieloma Múltiplo • Proteína de Bence Jones - 70% dos pacientes apresentam: Mieloma Múltiplo • Aspirado de MO é necessário para diagnóstico: Presença de grande quantidade de células plasmáticas (> de 10%) com aparência maligna e morfologia bizarra Mieloma Múltiplo • CAUSA DE MORTE MAIS FREQUENTE: - Infecções recorrentes ( surtos repetidos de sepse) por: Streptococus pneumoniae e Haemophilus influenzae; Relacionadas a : - Produção insuficiente de anticorpos; - Imunidade celular; - Neutropenia. Mieloma Múltiplo PLASMÓCITOS NORMAIS x PLASMÓCITOS MIELOMA: • Imunofenotipagem, plasmóscitos Mieloma apresentam os marcadores: CD45+, CD19+, CD20+, CD38+, CD138+ e CD56- • Plasmóscitos MALIGNOS apresentam os marcadores: CD19- e CD56+ (80% dos casos); CD19- e CD56- ( 20% dos casos). • IL-6 potente fator de crescimento para células plasmáticas - Ativa no Mieloma Múltiplo Bons estudos!