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Fraturas expostas 1. Definição Uma fratura exposta implica em comunicação entre o meio ambiente externo e a fratura e têm sido definidas como lesão de partes moles, complicada por um osso quebrado. É importante lembrar que quando uma fratura ocorre no mesmo segmento do membro de uma ferida, ela deverá ser considerada exposta até que se prove o contrário; O prognóstico da fratura dependera: o Volume de tecido mole desvitalizado o Nível da lesão o Tipo de contaminação bacteriana 2. Etiologia As fraturas expostas habitualmente são resultado de traumas diretos de alta energia, por acidentes automobilísticos ou de altura; Em geral, fraturas de alta energia causam lesões múltiplas e graves em outras partes do corpo, como cabeça, tórax e abdômen, cujo manejo por ter prioridade sobre a fratura exposta; Portanto, sempre começar com o ATLS! Microbiologia o efeito imediato de uma lesão de alta velocidade que produz uma fratura exposta é a contaminação dos tecidos moles e duros, somado a isso, pode haver também a interrupção do suprimento sanguíneo para o osso e dos músculos durante algum período, resultando em uma oxigenação deficiente e consequentemente na desvitalização dos tecidos circulantes incluindo o osso, promovendo um meio perfeito para a infecção e multiplicação de bactérias; 3. Diagnóstico Importante começar com o ATLS uma vez que, as lesões que colocam em risco a vida devem ser priorizadas Durante o exame o médico avaliador deve testar a função neurológica de cada extremidade. Muitos membros durante a avaliação inicial apresentam sinais de insuficiência vascular antes da redução, recuperam assim que o membro é realinhado. Em caso em que a insuficiência persistir, devera se verificar e afastar a hipótese de lesão vascular (chama o vascular!) Após a avaliação inicial, o ferimento deverá ser coberto com curativo estéril e imobilização provisória para a realização de exames complementares; Importante não se deve mexer na fratura antes dos exames o que não se deve fazer na sala de emergência: o Não pode jogar soro fisiológico pode contaminar o Não se deve explorar o ferimento pode contaminar o NÃO PODE REDUZIR A FRATURA pode contaminar o Não pode avaliar e reavaliar várias vezes Pessoas expostas a fezes ou sujeira das zonas rurais devem ser tratadas com antibióticos adicionais (penicilina), devido ao risco de contaminação por clostridios. Além disso, deve ser feito um desbridamento mais agressivo. Radiografias deveram ser realizadas em AP e PERFIL incluindo a articulação acima e abaixo do foco da fratura. A TC das extremidades lesionadas deverá ser adiada, até que seja concluído o tratamento inicial da fratura exposta; 4. Classificação A classificação mais utilizada é a de Gustilo e Anderson, que foi posteriormente alterada por Gustilo, que acrescentou as 3 subfases das fraturas expostas grau III; Essa classificação usa como critérios de avaliação os seguintes fatores: o Tamanho da lesão o Grau de contaminação o Necrose muscular o Grau de desvitalização óssea Segundo a classificação as fraturas são divididas em três tipo, em ordem ascendente de gravidade: o I – São ocasionadas por traumatismos de baixa energia e têm normalmente lesões de partes moles com menos de 1cm, baixa contaminação bacteriana e padrão de fratura simples (só para relembrar – simples, em cunha ou complexa) o II – Tem uma lesão maior que 1cm (entre 1 e 10cm), possui maior lesão de partes moles, moderado grau de contaminação e padrão de fraturas simples o III – São decorrentes de traumatismos de alta energia, tem lesão maiores que 10cm, extensa desvitalização de musculo e alto grau de contaminação. É subdividida em: IIIA – Há lesão de tecidos moles intensa, mas existem condições de cobertura óssea; IIIB – Há desvitalização e/ou perda de tecidos, o que exigira retalhos de pele ou de tecidos para recobrir o osso, tendão ou feixe neuro vascular – TEM QUE SABER RODAR RETALHO! IIIC – Há lesão vascular que necessita de reconstrução vascular para salvar a extremidade lesionada – TEM QUE CHAMAR O VASCULAR! o Existem lesões que já são classificadas diretamente como tipo 3 Fraturas ocasionadas por PAF Fraturas segmentares expostas Fraturas da diáfise com perda óssea segmentar Fraturas associadas à lesão vascular Lesões em ambientes rurais Fraturas com síndrome compartimental associada QUESTÃO DE PROVA 5. Tratamento Os objetivos do tratamento são: o Prevenção da infecção o Estabilização da fratura o Cobertura de partes moles O uso de antibiótico sistêmico precoce é essencial fraturas expostas de qualquer grau devem ser consideradas como feridas cirúrgicas grau III, isto é, feridas contaminadas, que consistem em feridas acidentais recentes ou quando ocorre contaminação evidente em ambiente previamente limpo de cirurgia eletiva. Portanto, os pacientes vítimas de fraturas expostas devem receber antibióticos com OBJETIVO TERAPEUTICO e não profilático; O momento ideal para a cirurgia é entre 6 a 8h após a lesão, entretanto, com a aplicação da antibiótico terapia esse tempo pode se estender; Itens mais importante que devem ser levados em consideração no lugar desse tempo ideal para a cirurgia (das 6 a 8h) o Lesão Gravidade da lesão Tecidos moles Contaminação o Tratamento Antibiótico precoce Limpeza Desbridamento Diversas bactérias causam infecção, porém o germe mais comum é o S. aureus. Tem-se percebido também o aumento da infecção por gram-negativos e infecções mistas. Desse modo, o esquema antibiótico mais usado com base na classificação de gustillo: o É a associação de Cefalosporina de terceira geração + aminoglicosídeo para fraturas expostas de MMSS e MMIIS grau II e grau III e uma cefalosporina de 1° geração para fraturas expostas de MMSS e MMII de grau I; o Detalhado pelo professor em sala (anotações da carol hehe) Grau 1 – Cefazolina 1 g EV de 8/8h Grau 2 e 3 – Clindamicina 600mg EV 6/6h + Gentamicina 240 mg EV 1/dia Terapia por 7 dias Tratamento cirúrgico o As fraturas do tipo I pode ser tratada da mesma forma de uma fratura fechada o Fraturas de grau II e III são instáveis e desviadas e requerem fixação cirúrgica o As fraturas articulares requerem redução anatômica com estabilidade absoluta, enquanto no segmento não articular pode ser alinhado com fixador com estabilidade relativa o Os fixadores externos podem ser usados para manter o comprimento e o alinhamento até que o edema diminua e a condição do tecido mole tenha melhorado. o Dentro do centro cirúrgico a equipe irá limpar e preparar o foco da fratura para a fixação, seguindo a seguinte sequência Paramentação – assepsia e antissepsia Ampliação do ferimento – para melhor visualização do dano Lavagem com soro fisiológico – em média 10l de SF Desbridamento Limpa tudo de novo e monta tudo para a fixação após a limpeza o O objetivo da lavagem com soro Permitir melhor avaliação Reduzir bactérias Reduzir sangue e contaminantes Lavar tecidos profundos o Objetivo do desbridamento Retirar todo o tecido morto Retirar contaminantes Reduzir bactérias no local Ter ferida limpa no fim o O desbridamento consiste na retirada de pele/fáscia que possam estar necrosados e/ou contaminados é essencial a retirada de tudo que está contaminado o O músculo que será retirado pelo desbridamento deve ser analisado de acordo com os 4Cs: (QUESTÃO DE PROVA) Contratilidade se não tem contratilidade retira! Capacidade de sangramento se não sangra indica necrose retira! Consistência se não está boa retira! Coloração se não estiver boa retira! 6. Complicações Síndrome compartimental Deformidade Comprometimento vascular – principalmente em PAF Comprometimento nervoso Infecção Perda óssea Amputação