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Na pancreatite aguda, os achados laboratoriais indicam a hiperamilasemia, processo inflamatório do pâncreas, que se apresenta edemaciado, hemorrágico e com necrose, e com os níveis de amilase sérica aumentados entre duas e doze horas. Além disso, há aumento de lipase entre quatro e oito horas após o início do quadro, podendo perdurar por até 24 horas. Os altos índices de amilase e lipase são marcadores laboratoriais, ainda que não exclusivos, mas que auxiliam no diagnóstico da pancreatite aguda. MÓDULO 2 Identificar os marcadores cardíacos laboratoriais do infarto agudo do miocárdio FISIOPATOLOGIA DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM) As doenças cardiovasculares podem afetar o coração e os vasos sanguíneos; grande destaque para a doença arterial coronariana, que envolve dor no peito e infarto agudo do miocárdio, sendo a maior causa de morbimortalidade no mundo. Segundo o Ministério da Saúde (2019), no Brasil, por ano, 300 mil pessoas sofrem IAM, ocorrendo óbito em 30% dos casos. MIOCÁRDIO O miocárdio é um tecido muscular cardíaco, formado por fibras musculares estriadas cardíacas, anastomosadas (Quando há comunicação entre dois vasos ou canais.) , compondo a parte contráctil do coração. Imagem: Shuttestock.com. Miocárdio e células cardíacas musculares. A região mais interna chama-se endocárdio e a mais externa, epicárdio. O músculo é envolto por um saco fibroso, o pericárdio, e por um líquido que forma uma barreira contra choques mecânicos, o líquido pericárdico. Pode ocorrer a morte do tecido (Necrose.) de parte do músculo cardíaco por carência de oxigênio, quando a artéria coronária fica obstruída. Tal evento é conhecido informalmente como “ataque cardíaco”. Essa obstrução pode ocorrer especialmente pela formação de um coágulo em uma área previamente comprometida por aterosclerose (Placa de ateroma.) , provocando estreitamentos do espaço interno dos vasos sanguíneos do coração. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO Observando os processos patológicos, ocorre a necrose irreversível do músculo cardíaco, como resultado de isquemia (perda do suprimento do sangue). Esse processo é ocasionado pela aterosclerose, um processo inflamatório localizado dentro da parede arterial na forma de placas de ateroma, que diminui o lúmen arterial, em geral, nas artérias coronárias e, consequentemente, o suprimento sanguíneo de determinada região tecidual. O rompimento da placa, gera a trombose no local da lesão vascular e formação dos êmbolos com a oclusão total do vaso, levando ao infarto ou falência do miocárdio. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. Infarto agudo do miocárdio. De início, o processo de isquemia (Ausência/má oxigenação.) é detectado e pode culminar no IAM. A extensão da lesão varia de acordo com a obstrução da coronária, o grau de circulação colateral do indivíduo e as demandas de oxigênio dos tecidos alimentados pela artéria. Existe uma tríade sintomatológica marcadora do IAM, que se dá pela presença de dor precordial, alterações no eletrocardiograma (ECG) – elevações dos segmentos ST e da onda Q – e enzimas cárdio-específicas elevadas na dosagem quali-quantitativa, sendo estes marcadores verificados rotineiramente em casos suspeitos de IAM. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. ECG normal. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. ECG de paciente com infarto do miocárdio com elevação do segmento ST. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. ECG de paciente com infarto do miocárdio sem elevação do segmento ST. Nem todos os pacientes manifestam os mesmos sintomas e os graus de intensidade podem variar; diante disso, há necessidade de se esclarecer possíveis suspeitas clínicas relacionadas a quadros de angina pectoris, ICC (Insuficiência cardíaca congestiva) e embolia pulmonar. A síndrome coronariana aguda (SCA) engloba os denominados eventos isquêmicos do miocárdio, desdobrando-se desde angina, injúria tecidual reversível e angina instável até infarto do miocárdio e extensa necrose tissular miocárdica. O desafio diagnóstico naqueles pacientes que referem queixa de dor precordial tem sido, tradicionalmente, o de firmar ou excluir a existência de lesão miocárdica. Para o diagnóstico de IAM, devem ser preenchidos, ao menos, dois dos seguintes requisitos: Sintomas clínicos sugestivos de isquemia miocárdica superiores a 30 minutos de permanência. Alterações no ECG correlacionáveis com lesão miocárdica. Ascensão seriada na atividade de enzimas cardíacas séricas dosadas. Cerca de 20% dos IAM não apresentam sintomas marcantes, além de ausência de ECG característico (sem elevação do segmento ST) em alguns pacientes. Na Enzimologia Clínica, são dosadas: a CK, LDH, e as isoenzimas de ambas, e menos frequentemente as transaminases (particularmente a AST, aspartato-aminotransferase). Há períodos específicos para os quais cada marcador enzimático se faz mais eficiente, após o surgimento dos primeiros sintomas do IAM. A relação tempo/detecção pode variar entre os pacientes, mas pode-se basear as análises em valores padrão. MARCADORES CLÁSSICOS DO IAM (ENZIMAS) Creatinoquinase total e CK-MB, lactato desidrogenase total e LDH-1 e aspartato- aminotransferase (AST) são marcadores clássicos do infarto agudo do miocárdio. Como visto anteriormente, a enzima CK catalisa a reação de fosforilação, reversível, da creatinina pelo ATP, formando creatina fosfato. Ela é distribuída amplamente nos tecidos e órgãos, mas mostra-se bastante elevada no músculo esquelético, cérebro e coração, e seus valores séricos podem variar com o sexo, idade, massa muscular, atividade física e etnia, elevando-se em diversas situações. A sua fração CK-MB ou CK-2 é a mais comum no coração/miocárdio. A CK-MB existe em grandes quantidades no miocárdio e pode ter seus níveis séricos aumentados de forma expressiva. Sua elevação média após o infarto é de 10 a 20 vezes o limite superior da normalidade e, devido à curta meia-vida, retorna rapidamente aos valores de normalidade. O CK-MB pode ser expresso por porcentagem do CK total – esses valores vão de 3 a 6. Apresenta alta especificidade, principalmente se há suspeita de IAM e se os valores começam a aumentar de 4 a 8 horas após a dor precordial, com pico máximo entre 12 e 24 horas. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. Marcadores cardíacos do IAM. ATENÇÃO É relevante ressaltar que nos casos mais brandos, sem complicações, os valores de CK-MB retornam aos níveis basais de 48 a 72 horas após o infarto. Para tornar ainda maior a especificidade no IAM, analisam-se outros marcadores, como as isoenzimas da LDH (LDH-1), que deve ser dosada periodicamente nas 48 horas ou mais após o episódio, para observar aumentos e diminuições típicas desse analito. ATENÇÃO Nos casos de câncer de pulmão, além dos casos de desordem cerebral aguda, entre outras condições, a CK-BB pode ser convertida em CK-MB. A CK-MB também pode elevar-se nas seguintes situações: angina severa, fibrilação muscular crônica, pericardite, desfibrilação, angiografia coronária, reanimação cardiopulmonar e processos malignos, dentre outras. A lactato desidrogenase total se encontra elevada de 8 a 12 horas após o IAM, considerando- se o início da dor precordial como marcador, podendo assim permanecer por uma semana, elevando-se de três a dez vezes mais do que os valores considerados normais/de referência. A fração LDH-1 é um excelente marcador por ser mais específica nesse caso; ela costuma exceder em 45% ou mais a atividade da LDH total. ATENÇÃO Em amostras hemolisadas e em casos de pacientes com válvula cardíaca prostética, a LDH-1 também pode estar aumentada. Aproximadamente 80% dos casos de IAM têm uma correlação de LDH-1/LDH-2, pois a LDH-2 não aumenta após o IAM, já a LDH-1 que em condições normais tem uma menor concentração que LDH-2, aumenta sua concentração de forma expressiva, ultrapassando os valores de LDH- 2, ficando assim uma razão com valores maioresque 1. Isso promove um percentual de especificidade diagnóstica próximo dos 99%. Em outras condições, essa relação também pode estar aumentada, a saber: infarto renal agudo, hemólise e processos malignos. A aspartato-aminotransferase (AST), quando correlata ao IAM, aumenta seus níveis séricos de 6 a 8 horas após a dor precordial, retornando aos níveis basais em quatro a cinco dias. Essa enzima não é específica do miocárdio; encontra-se em altas concentrações plasmáticas em condições patológicas do fígado, pulmões e músculo esquelético. É cada vez menos adotada como critério diagnóstico do IAM. Veja, a seguir, outros marcadores. Ainda que não enzimáticos, são essenciais e conferem maior velocidade e especificidade na detecção dessa condição clínica. MARCADORES MODERNOS DO IAM (ENZIMAS E OUTRAS PROTEÍNAS): MIOGLOBINAS E TROPONINAS Existem outros testes classificados como não enzimáticos para o IAM. A mioglobina, uma proteína do tipo heme, que se liga ao O2 nos músculos, compõe cerca de 2% das proteínas musculares e localiza-se no citoplasma dessas células. Logo, quando há lesão muscular durante o IAM, ocorre a liberação da mioglobina na circulação, cerca de 2 horas após a dor precordial. Seus picos máximos ocorrem de 6 a 9 horas após o evento, normalizando-se entre um e dois dias após o IAM. Outras situações em que a mioglobina está elevada no plasma: cirurgia de coração aberto, atividade física intensa, lesão muscular, atrofia muscular progressiva genética, deficiência renal grave e aplicação de injeção pela via IM (Via intramuscular) . A proteína deve ser dosada, para fins de diagnóstico do IAM, de 2 a 12 horas após o infarto, pois se difunde rapidamente pela circulação, devido o seu baixo peso molecular. A troponina, uma proteína importante para a contração muscular, tem sido utilizada como um excelente marcador do IAM. O aparelho miofibrilar das células musculares contráteis, o sarcômero, contém proteínas denominadas troponinas, com as seguintes subunidades: Troponina I, inibidora de actina, presente no músculo esquelético e coração. Troponina C, ligada ao cálcio e reguladora da contração. Troponina T, ligada à miosina, ou tropomiosina. Imagem: Shutterstock.com adaptada por Angelo Souza. Sarcômero no relaxamento e na contração muscular. A contração depende de íons cálcio. As isoformas da troponina mais usadas em diagnóstico do IAM são: troponina T (cTnT), que eleva-se por 4 a 6 horas, e fica aumentada de seis a dez dias após o infarto; e troponina I (cTnI), que aparece no plasma de 4 a 6 horas após o IAM, com pico de 10 a 12 horas, ficando elevada de quatro a sete dias. Elas são liberadas quase que simultaneamente à CK-MB. ATENÇÃO As dosagens de cTnT e cTnI são específicas ao músculo cardíaco, pois no músculo esquelético são encontradas as isoformas smTnT e smTnI. Além disso, o músculo liso não é regulado pelas troponinas T e I, assim as dosagens dessas isoformas são de grande utilidade, pela sua especificidade. A dosagem de TnC não é realizada na prática clínica, pois ela é encontrada tanto no músculo esquelético e cardíaco. DOSAGEM DE ENZIMAS CARDÍACAS NO IAM A especialista Jéssica Ribeiro Lima fala sobre os diferentes tempos de dosagens dos marcadores de IAM e sua correlação com a eficácia do atendimento clínico aos pacientes infartados. No gráfico a seguir, conseguimos ver o perfil de alteração das enzimas estudadas até aqui após um infarto não resolvido. Imagem: Bioquimica clínica, GAW, A. et at., 2015, pág 175. Adaptada por Angelo Souza. Enzimas no soro após um IAM não resolvido. Veja, agora, a prática aplicada à teoria que você estudou. CASO 1 Indivíduo do sexo masculino, 60 anos, apresentou-se no setor de emergência com forte dor precordial, presente há mais de uma hora. Previamente, foi atendido pela clínica cardiovascular. Tem histórico de quatro anos de angina durante o esforço. Que testes específicos deveriam ser solicitados ao laboratório de Bioquímica? Após uma hora do início dos sintomas específicos, as isoenzimas (como a creatinoquinase e a lactato desidrogenase) utilizadas para o diagnóstico de IAM, ainda não apresentam seus níveis elevados, mesmo que o indivíduo esteja de fato sofrendo um infarto. Porém, muitas vezes, o paciente relata queixa de dor sem conseguir precisar quando foi exatamente o início dos sintomas. Como a CK apresenta níveis altos com cerca de quatro horas após o início do evento miocárdico, este seria o teste mais preciso para se realizar nesse paciente, especialmente a investigação dos níveis da fração CK-MB, isoenzima específica do miocárdio. Se o exame for inconclusivo ou não se detectarem alterações, recomenda-se manter o paciente no hospital, repetir o exame após algumas horas e verificar novamente os níveis séricos dessa isoenzima. Atualmente, outros marcadores como a mioglobina e a troponina também são dosados, pois apresentam intervalos de tempo ainda menores e altamente específicos quando correlacionados com os demais marcadores do IAM. CASO 2 A.L.T., 70 anos, mulher, parda, deu entrada no serviço hospitalar com queixa de dor no peito com duas horas de duração. Paciente hipertensa e diabética, descreve dor intensa e aguda, irradiando para o membro superior esquerdo; informa que vomitou e teve episódio de sudorese fria. Relata ainda que já vinha sentindo dor torácica aos esforços (angina pectoris), mas dessa vez ocorreu quando se levantou, ao acordar de manhã. Nega histórico de doenças cardiovasculares familiares. Informa uso irregular de losartana (50 mg), e metformina (850 mg). Seu estado geral é regular, anictérico, acianótico, afebril ao toque, hidratado e pálido, com ritmo cardíaco regular e taquicárdico em dois tempos e pulsos palpáveis. Extremidades quentes e sudoreicas. Neste caso, a paciente exibe fatores de risco importantes, como diabetes e hipertensão, sendo de alto risco. Ela descreve a clássica dor torácica, uma dor ou desconforto ou queimação ou sensação opressiva localizada na região precordial, que irradia para o ombro e/ou braço esquerdo, braço direito, pescoço ou mandíbula, frequentemente com diaforese, náuseas, vômitos, ou dispneia, podendo durar alguns minutos (geralmente entre 10 e 20) e ceder, ou mais de 30 minutos, como nos casos de IAM. O ECG exerce papel fundamental na avaliação de pacientes com dor torácica e deve ser prontamente realizado, junto com os marcadores enzimáticos séricos de necrose miocárdica, que têm um papel importante não só no diagnóstico, como também no prognóstico da Síndrome Coronariana Aguda (SAC). A CK catalisa a formação de moléculas de alta energia e, por isso, é encontrada em tecidos que as consomem (músculos cardíaco e esquelético e tecido nervoso); a mais usada é a fração CK-MB, pois é a mais específica das CK para músculo cardíaco, devendo ser mensurada em laboratório o quanto antes. As troponinas cardíacas (cTnT e cTnI) são proteínas miofibrilares encontradas somente no músculo cardíaco. Há alta sensibilidade para esses analitos, e bastam discretas alterações para estabelecerem-se compatibilidades com pequenos infartos, ainda que não haja elevação da CK-MB. Por esse motivo, as troponinas são hoje consideradas o marcador padrão-ouro para o diagnóstico de IAM e devem ser requeridas em intervalos de tempo predeterminados, de acordo como protocolo do serviço, para acompanhar a evolução e a gravidade. Quanto maior a elevação da troponina, mais grave é o infarto e pior é o prognóstico (avaliação quantitativa). Deve-se usar também como importante selo diagnóstico, a fim de aumentar a sensibilidade dos exames, a dosagem da mioglobina em conjunto. O gráfico mostra a cinética da concentração plasmática das enzimas de mioglobina, CK, troponina e CK-MB, dias após o IAM. Imagem: Adaptado de Biomarkers in acute cardiac disease: the present and the future. JAFFE; BABUIN; APPLE, 2006, pág. 4. Cinética enzimática da troponina, mioglobina e CK-MB após o IAM. SAIBA MAIS Como mencionadoanteriormente, a SCA engloba os eventos isquêmicos do miocárdio, compreendendo o infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (IAM-SST), sem elevação do segmento ST (IAM-SSST) e angina instável (AI). A realização do ECG é essencial para a distinção de pacientes com ou sem elevação do segmento ST. Nos pacientes com elevação do segmento ST, a isquemia é grave, causada normalmente por trombos e êmbolos derivados da placa de ateroma, que, ao ocluir o vaso, produz lesão miocárdica, com liberação para a corrente sanguínea dos marcadores bioquímicos de necrose miocárdica. Nesses pacientes, é essencial iniciar, durante as primeiras oito horas do início dos sintomas, a terapia de reperfusão (com agentes trombolíticos) ou a intervenção coronariana percutânea, para dissolução do trombo, reperfusão do fluxo sanguíneo da artéria obstruída, diminuindo o grau de necrose tecidual. Após a utilização do agente trombolítico, há um aumento de mais de duas vezes no valor de CK-MB após 90 minutos. No acompanhamento das troponinas durante a reperfusão, a diferença entre o tempo zero e 90 minutos é muito maior do que a CK-MB. No entanto, a concentração plasmática das enzimas cai rapidamente após o IAM, diferentemente do observado quando não é realizada a reperfusão, conforme mostra o gráfico a seguir: Imagem: J. Heuser / Wikimedia commons / Licença (CC BY-SA 3.0). Concentração plasmática de CK-MB e troponina após IAM com e sem reperfusão. Atenção: O IAM-SSST e a AI são entidades relacionadas, porém, com diferentes graus de intensidade da isquemia. Caso seja demonstrada alteração no ECG sem a elevação dos níveis dos marcadores cardíacos, será estabelecido o diagnóstico de AI. SAIBA MAIS Atualmente, é muito comum a solicitação pelos cardiologistas durante os exames de sangue de rotina a dosagem da PCR-ultrassensível (PCR-us), que é um exame capaz de detectar baixas concentrações da proteína no soro. A proteína C-reativa é uma proteína de fase aguda, produzida no fígado, que é conhecida como um importante marcador de processos inflamatórios e/ou infecciosos. Com a descoberta do componente inflamatório na etiologia da aterosclerose, a dosagem do PCR-us tornou-se uma importante ferramenta como marcador do risco cardiovascular. Níveis de PCR aumentados estão associados com aumento no risco de doença arterial periférica, infarto do miocárdio, AVC e morte súbita cardiovascular. Os resultados são classificados em graus de risco, conforme observamos a seguir: Baixo risco: 3,0 mg/L ou >0,3 mg/dL. Muito alto risco: ≥10,0 mg/L ou ≥1,0 mg/dL. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. DIANTE DA GRANDE VARIEDADE DE MARCADORES LABORATORIAIS QUE PERMITEM ASSOCIAÇÃO POSITIVA DOS RESULTADOS ALTERADOS COM O IAM E SUA DETECÇÃO O QUANTO ANTES, APÓS A DOR PRECORDIAL, TEMOS UM MARCADOR MENOS ESPECÍFICO, A TRANSAMINASE AST. SOBRE ESSA ENZIMA, É CORRETO AFIRMAR QUE: A) Níveis séricos podem elevar-se em condições patológicas do fígado, pulmões e músculo esquelético; portanto, é cada vez menos empregada no diagnóstico do IAM. B) Cada vez mais é adotada como critério diagnóstico do IAM, em associação ao ECG, independentemente dos demais resultados e achados laboratoriais. C) Os níveis séricos retornam aos níveis normais nos indivíduos que sofreram IAM após 14 a 15 dias do evento, sendo altamente específica dessa condição. D) Nunca foi usada como analito relevante no diagnóstico de infarto, sendo apenas empregada para dosagem de condições hepáticas. E) Os níveis séricos retornam ao normal nos indivíduos que sofreram IAM após 2 a 3 dias do evento, sendo altamente específica dessa condição. 2. EM TODOS OS INDIVÍDUOS SUSPEITOS DE IAM, SÃO RECOMENDADAS DOSAGENS DE MARCADORES ENZIMÁTICOS E A REALIZAÇÃO DO ECG PARA CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO. NO SETOR DE BIOQUÍMICA CLÍNICA, QUAIS MARCADORES SE ALTERAM NAS PRIMEIRAS HORAS APÓS O INFARTO? A) CK-MB, AST e mioglobinas. B) CK-MB, LDH e mioglobinas. C) CK-MB, mioglobina, troponinas e AST. D) CK-MB, mioglobina e troponinas. E) CK-MB, GGT, LDH e mioglobinas. GABARITO 1. Diante da grande variedade de marcadores laboratoriais que permitem associação positiva dos resultados alterados com o IAM e sua detecção o quanto antes, após a dor precordial, temos um marcador menos específico, a transaminase AST. Sobre essa enzima, é correto afirmar que: A alternativa "A " está correta. A AST, aspartato-aminotransferase, é uma enzima presente em diferentes tecidos do organismo, como coração, pulmão, músculo esquelético, rim, pâncreas, baço, pulmão e nos