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Formação de custos 
na importação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever os elementos formadores do custo final na importação.
  Identificar os custos na origem relacionados à importação.
  Detalhar os custos no destino envolvidos na importação.
Introdução
No intuito de aumentar sua vantagem competitiva, empresas estão 
sempre pesquisando oportunidades comerciais para minimizar custos 
e otimizar lucratividade. Uma das possibilidades proporcionadas pelo 
mercado externo é de outsourcing, ou globalsourcing, que é o desenvol-
vimento de fornecedores para a aquisição de matérias-primas, produtos 
acabados ou semiacabados provenientes do exterior. 
Para que a operação seja viável e financeiramente lucrativa para a 
empresa, é necessário um profundo conhecimento de todos os aspectos 
que permeiam uma importação.
Neste capítulo, você vai ler sobre os elementos formadores do custo final 
da importação, identificando os custos na origem e os custos no destino.
1 Elementos formadores de custo 
nas importações
Ao experimentar uma roupa ou comprar calçado, provavelmente você já encon-
trou uma etiqueta com os dizeres Made in China. Com o avanço da globalização e 
a facilitação dos transportes internacionais, diversas empresas buscaram a China 
como fornecedor de matéria-prima ou de oportunidades comerciais (comprar 
para revender). Mas quais os custos que estão por trás desse produto? Existem 
diversos fatores que infl uenciam os custos das importações, como:
  a modalidade de pagamento;
  os Termos Internacionais de Comércio (Incoterm); 
  o tipo de frete (aéreo, marítimo, rodoviário, entre outros); 
  o regime aduaneiro;
  o tratamento administrativo que os órgãos intervenientes impõem sobre 
os produtos importados, para que tenham um tratamento isonômico em 
comparação aos itens produzidos no mercado interno.
Quanto custa um produto no Brasil? Essa questão é uma das primordiais 
que um comprador deve analisar, cuja resposta não é tão simples por dizer 
respeito às peculiaridades do mercado e do produto. A essência dos custos gira 
em torno do preço da mercadoria, do valor de transporte e da carga tributária 
brasileira, que corresponde ao maior índice de custo na importação, por aplicar 
alguns impostos em cascata (um sobre o outro), tendo como base o preço da 
mercadoria do fornecedor (LUDOVICO, 2010). Com isso, em termos gerais, 
temos as seguintes cargas tributárias sobre as importações:
  Imposto de Importação — trata-se de um imposto federal e, segundo o 
Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 6.759, de 5 de fevereiro de 2009), 
é incidente sobre mercadorias estrangeiras, nacionais ou nacionalizadas 
que tenham sido exportadas e estejam retornando ao País, exceto nas 
seguintes condições: 
Art. 70 [...]
I — enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; 
II — devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou para substituição; 
III — por motivo de modificações na sistemática de importação por parte 
do país importador; 
IV — por motivo de guerra ou de calamidade pública; 
V — por outros fatores alheios à vontade do exportador (BRASIL, 2009, 
documento on-line). 
O fato gerador para o Imposto de Importação é a entrada do produto 
no território aduaneiro, porém, no caso das importações, aplicamos o 
elemento temporal do fato gerador, que é o registro da declaração de im-
portação. Segundo a Receita Federal do Brasil (2018, documento on-line):
[...] o Imposto de Importação é seletivo, pois varia de acordo com o país de origem 
das mercadorias (devido aos acordos comerciais) e com as características do produ-
to. Suas alíquotas estão definidas na Tarifa Externa Comum (TEC), que é a tarifa 
Formação de custos na importação2
aduaneira utilizada pelos países do Mercosul e é baseada na Nomenclatura Comum 
do Mercosul (NCM). A base de cálculo do imposto de importação é chamado de 
Valor Aduaneiro da Mercadoria, que é composta do valor da mercadoria, acres-
cida do frete internacional e de valor de seguro, caso este tenha sido contratado.
Para saber mais sobre o Imposto de Importação, acesse o site do Invest Export Brasil 
no seu mecanismo de busca e procure por “Imposto de Importação”.
  Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) — é outro imposto 
federal que incide sobre produtos industrializados de procedência es-
trangeira. O seu fato gerador também é o registro da declaração de 
importação. Entretanto, a sua base de cálculo é composta do valor 
aduaneiro da mercadoria (valor da mercadoria + seguro internacional 
+ frete internacional), assim como do valor do Imposto de Importação. 
Aqui se inicia o que se chama de efeito em cascata dos impostos, o que 
interfere no custeio das mercadorias (LUZ, 2006; BRASIL, [2018a?]).
  Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — é 
um tributo de competência estadual, em que cada unidade da federação 
legisla de forma distinta. Ele incide sobre a movimentação de produtos 
no mercado interno, assim como sobre serviços de transporte interesta-
dual. Trata-se de um imposto não cumulativo, sendo que o valor pago 
pelo importador pode ser compensado contabilmente em operações 
posteriores. Cada Estado possui alíquota diferenciada, porém cabe 
à Receita Federal do Brasil liberar a retirada de mercadorias após o 
desembaraço aduaneiro, mediante comprovação do recolhimento desse 
imposto. Segundo a Receita Federal do Brasil ([2004?], documento on-
-line), o “IPI na importação, além da função arrecadatória, visa atender 
aos objetivos da política industrial, especialmente no que diz respeito 
à promoção de tratamento tributário isonômico para a importação e a 
produção nacional”.
  Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patri-
mônio do Servidor Público (PIS/Pasep)/Importação e Contribuição 
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)/Importação 
— são contribuições federais. A Lei nº. 10.865, de 30 de abril de 2004, 
estabelece que as importações recolham essas contribuições, cujas 
3Formação de custos na importação
alíquotas básicas são de 1,65% para o PIS/Pasep Importação e 7,6% 
para o Cofins Importação. Esse é um dos impostos mais complexos, 
pois sua base de cálculo é composta do: valor aduaneiro + valor do 
Imposto de Importação + valor do IPI + valor do ICMS + valor do PIS 
+ valor do Cofins (o próprio valor do imposto faz parte do cálculo!) 
(REGULAMENTO ADUANEIRO, 2009). No entanto, pelo fato de o 
IPI, o ICMS, o PIS e a Cofins não serem impostos cumulativos, isto é, 
serem passíveis de compensação contábil, em lançamentos de crédito 
e débito, estes poderão não compor custos de importação em si, caso 
sejam creditados em operações futuras. Já o Imposto de Importação 
se trata de um custo efetivo a ser considerado para a compra. Cada 
imposto possui sua regra tributária própria, que demandaria um estudo 
aprofundado sobre cada um deles em outra oportunidade.
Outro fator importante para o custeio de importações refere-se a eventuais acordos 
internacionais dos quais o Brasil faça parte. Esses acordos trazem padronizações, 
simplificações e tarifas preferenciais no comércio entre os países que possuem esses 
acordos. Um exemplo é o Mercado Comum do Sul (Mercosul), no qual, se importarmos 
uma mercadoria produzida em um dos países membros do bloco, o Imposto de 
Importação tem alíquota zero (LUDOVICO, 2010).
Outro fator influente sobre o custo de uma importação, que também se 
relaciona com o câmbio, é a forma de pagamento, uma vez que sobre ela incidirá 
o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é um imposto federal, cujo 
fato gerador ocorre quando da liquidação de operação de compra e venda de 
moeda estrangeira. Ela também faz parte da garantia de que o importador 
receberá o produto negociado, dentro do prazo adequado e nas características 
estabelecidas na negociação. De forma resumida, vejamos as principais formas 
de pagamento (LUDOVICO, 2010):
  Pagamento antecipado — ocorre quando o importadorrealiza o pa-
gamento antes de receber a mercadoria. No momento em que o ex-
portador recebe o pagamento, promove a entrega ao importador ou ao 
transportador designado.
Formação de custos na importação4
  Remessa sem saque — ocorre quando o exportador entrega a merca-
doria e envia um saque ao importador (que é um documento de com-
promisso de pagamento). Este, ao receber a mercadoria, dirige-se ao 
banco e faz o pagamento da operação.
  Cobrança documentária — esse sistema é semelhante ao anterior, no 
qual um saque é emitido, porém o importador deverá pagar para retirar 
a documentação da operação de comércio exterior junto ao banco do 
exportador ou a realizar o pagamento no prazo de vencimento estipulado.
  Carta de crédito — nesse sistema, ocorre a intermediação de bancos, 
em que o exportador só entrega a mercadoria se existirem garantias 
bancárias do banco do país do importador. Para tanto, é emitida uma carta 
de crédito, em que o banco se torna uma espécie de fiador da operação. 
A Figura 1 mostra o fluxo simplificado de uma carta de crédito.
Figura 1. Fluxo de uma carta de crédito.
Fonte: Brasil ([20--?], documento on-line).
Outro custo a ser considerado na formação de custos para importação, 
especialmente para aquelas por via marítima, é o Adicional ao Frete para a 
Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). Trata-se de uma contribuição de 
intervenção no domínio econômico com a finalidade de atender às necessidades 
da União em desenvolver a marinha mercante e a indústria naval brasileira. O 
fato gerador é o início efetivo da operação de descarregamento da embarcação 
em porto no Brasil. Ele é calculado sobre o valor de frete, sendo sua alíquota 
fixa de 25% na navegação de longo curso (BRASIL, [2018a?]).
5Formação de custos na importação
Como saber quais são as alíquotas a serem pagas em uma importação? 
Como começar? Antes desse passo, precisamos conhecer um aspecto essencial 
a qualquer importador: o produto importado. Para saber quais as alíquotas de 
impostos e o tratamento administrativo que a Receita Federal do Brasil irá 
aplicar ao produto (para também auxiliar na sua estimativa de custos de impor-
tação), precisamos saber qual é a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 
do produto. Também conhecida como Tarifa Externa Comum (TEC), é uma 
linguagem padrão de mercadorias de uso internacional. Ela é estabelecida por 
meio de algarismos numéricos, em que cada código corresponde a um produto 
ou vários em um único código. A Figura 2 mostra a composição da NCM.
Figura 2. Composição da NCM.
Fonte: Brasil ([201-a?], documento on-line).
A NCM é composta por 99 capítulos, que teoricamente abarcam todos os 
itens comercializáveis e produtivos. Em caso de dúvidas, existe a possibili-
dade de submeter um processo de pesquisa junto à Receita Federal do Brasil, 
instruída por documentos e fichas técnicas do produto, para que ela indique 
a NCM mais apropriada. O correto enquadramento da NCM é de responsa-
bilidade do importador, que fica sujeito a multas e penalidades em caso de 
enquadramentos incorretos nas importações (LUDOVICO, 2010). 
Formação de custos na importação6
Para uma melhor compreensão, a Figura 3 mostra uma parte do capítulo 
8 da TEC. Vamos supor que uma empresa deseja importar amêndoas secas e 
precisa saber a NCM do item.
Figura 3. Exemplo de NCM.
Fonte: Brasil ([201-b?], documento on-line).
7Formação de custos na importação
Com base na Figura 3, as amêndoas se encaixam no capítulo 8 — Frutas, 
cascas de frutos cítricos e melões. A posição 08.01 inclui cocos, castanha-
-do-pará e castanha de caju, frescos ou secos, mesmo em casca ou pelados, 
o que não é o seu produto. Já a posição 08.02 engloba “Outra fruta de casca 
rija, fresca ou seca, mesmo com casca ou pelada” e, dentro dela, há uma 
subposição, item e subitem específicos: 0802.12.00, amêndoas: sem casca. 
Portanto, a NCM procurada é classificada sob o número 0802.12.00.
Para saber mais sobre como funciona o processo de classificação de NCM, acesse o 
site do Invest Export Brasil no seu mecanismo de busca e procure por “NCM”.
Há outros elementos que também interferem na formação de custos das 
importações. Para tanto, vejamos o Quadro 1, que indica os demais custos 
que precisam ser considerados. 
Elemento Descrição
Seguro 
internacional
  A base de cálculo dos impostos parte sempre do valor aduaneiro, 
que é o valor da mercadoria, do seguro e do frete. 
  O custo do seguro é proporcional ao risco a que o objeto segu-
rado está sujeito. 
  O valor cobrado pela companhia seguradora é chamado de 
prêmio, que deve ser pago ao segurador para que possa ter 
cobertura da mercadoria. 
  Trata-se de um custo que pode ser tanto na origem (quando o 
exportador contrata e vende a mercadoria já segurada) ou no 
destino (quando o importador faz a contratação do seguro no 
país de destino). 
  O seguro pode, inclusive, não ser contratado, desde que o impor-
tador esteja ciente dos riscos que a carga fica sujeita. 
  Um bom seguro cobre, em geral, valor do objeto, frete in-
ternacional, AFRMM, capatazia, lucros esperados e impostos 
(SEGRE, 2006).
 Quadro 1. Demais elementos de custos em uma importação 
(Continua)
Formação de custos na importação8
Elemento Descrição
Transporte 
internacional
  Além de ser um dos componentes da valoração aduaneira, o 
modal de transporte caracteriza a entrada da mercadoria de 
procedência do exterior. 
  Ele é um dos custos mais importantes, uma vez que determina 
quando seu produto deverá chegar, em qual estado de conserva-
ção e exerce influência direta nos custos, em razão de fazer parte 
do cálculo de todos os impostos. 
  O transporte internacional apresenta-se em cinco principais mo-
dalidades: marítimo, aéreo, ferroviário, rodoviário ou multimodal. 
  A utilização fica condicionada pela localização geográfica e 
pela relação custo versus benefício, além das características do 
produto. 
  Para a composição do frete, são considerados os seguintes aspec-
tos da mercadoria: tipo de mercadoria, origem e destino, peso 
líquido e bruto, volume e peso, embalagem, valor da mercadoria 
e grau de periculosidade. 
  Os tipos mais comuns de frete são prepaid (pré-pago) e collect (a 
pagar). 
  Via de regra, está atrelado, em termos de responsabilidade, ao 
Incoterm definido na negociação (LUDOVICO, 2010). 
Transporte 
nacional
  O transporte rodoviário é aquele efetuado por caminhões e 
carretas, realizado em curtas distâncias. 
  Flexível e ágil, faz a conexão entre as zonas primárias, que são os 
portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados, isto é, sob 
controle aduaneiro, e as zonas secundárias, que abrangem portos 
secos e o restante do território nacional. 
  O frete rodoviário é composto de: frete básico, taxa ad valorem 
(cobre o seguro rodoviário, calculado sobre o valor da mercado-
ria, valores de pedágios e auxiliares) (LUDOVICO, 2010). 
Armazenagem
  Esse custo corresponde ao depósito ou à guarda das mercadorias 
em armazéns, pátios, terminais de carga e recintos alfandegados 
das administrações portuárias ou aeroportuárias, abrangendo, 
inclusive, as empresas privadas que exploram esses serviços. 
  Os valores são fixados por esses operadores.
  A mercadoria importada gera custo ao importador pelo tempo 
de permanência no armazém. 
  A forma de cobrança, em geral, ocorre sobre o valor da mercado-
ria importada e pelo período de permanência (LUDOVICO, 2010).
 Quadro 1. Demais elementos de custos em uma importação 
(Continuação)
(Continua)
9Formação de custos na importação
2 Tratamento administrativo das importações
Os principais elementos formadores de custo nas importações podem ser 
divididos em custos na origem (no país do exportador) ou no destino (país do 
importador). No destino, citamos:
  Impostos federais — onde o Imposto de Importação é o principal 
deles, já que o IPI, PIS/Cofins Importação e ICMS são não cumulativos, 
isto é, o importador pode se creditar desse valor contabilmente.Esses 
valores são conhecidos por meio da NCM, que classifica o produto e 
Elemento Descrição
Capatazia
  É uma taxa paga ao armazém portuário ou aeroportuário que 
corresponde ao manuseio das mercadorias dentro das instala-
ções alfandegadas. 
  Tem como finalidade cobrir custos de aparelhagem e manuten-
ção da infraestrutura que faz a movimentação das cargas. 
  A remuneração é estabelecida a partir do peso bruto (composta 
do peso do produto + embalagens) da mercadoria ou por sua 
cubagem (volume da mercadoria) (LUDOVICO, 2010).
Despachante 
aduaneiro
  Trata-se do profissional habilitado a fazer os serviços e trâmites de 
liberação de mercadorias junto à Receita Federal do Brasil. 
  Ele representa os importadores e exportadores frente aos 
órgãos governamentais e demais intervenientes do comércio 
exterior, como bancos, empresas de logística, portos, aeropor-
tos, entre outros. 
  Em geral, cobra por processo de importação (LUDOVICO, 2010; 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CONSULTORIA E ASSESSORIA EM 
COMÉRCIO EXTERIOR, 2018).
Quadro 1. Demais elementos de custos em uma importação
(Continuação)
Formação de custos na importação10
permite conhecer as alíquotas de impostos aplicáveis sobre eles, além 
do tratamento administrativo ao qual a mercadoria fica sujeita frente 
aos órgãos governamentais e alfandegários.
  AFRMM — cobrado sobre fretes marítimos, no percentual de 25%.
  Despesas portuárias ou aeroportuárias, como armazenagem e ca-
patazia — referem-se a custos de armazenamento e movimentação 
internas das mercadorias.
  Despesa com despachante aduaneiro — é o profissional que representa 
sua organização frente aos órgãos alfandegários e demais intervenientes 
no comércio exterior.
Na origem ou no destino, dependendo da negociação e do Incoterm, fazem 
parte o frete internacional e o seguro, que integram o valor aduaneiro da 
mercadoria, sobre os quais os impostos incidem em cascata. Este último item 
apresentado, sobre a NCM, ganha destaque especial no processo de formação 
de custo e na própria importação de determinado produto.
Uma distribuidora de medicamentos, que possui uma grande rede de farmácias, tem como 
incumbência fazer uma estimativa de custos de importação de U$ 10.000,00 (com frete e 
seguro inclusos) para a aquisição de 15 mil fraldas infantis descartáveis por via marítima, para 
que a rede importe e coloque sua marca própria no produto. Será que é só encomendar, 
mandar embarcar a mercadoria e recolhê-la no porto ou aeroporto de destino?
Antes de responder a essa questão, primeiro precisamos saber que existem 
diversos órgãos governamentais que intervêm no comércio exterior brasileiro, 
isto é, que analisem se determinadas mercadorias podem entrar no país, quais 
os requisitos técnicos, as características, entre outros. Vejamos a listagem de 
alguns anuentes das importações (BRASIL, [2018b?]):
11Formação de custos na importação
  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
  Agência Nacional do Cinema (Ancine);
  Comando do Exército (Comexe);
  Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex);
  Departamento de Polícia Federal (DPF);
  Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM);
  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Reno-
váveis (Ibama);
  Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(CNPq);
  Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBC);
  Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial 
(Inmetro);
  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa);
  Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT);
  Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). 
Como esses órgãos podem intervir? Segundo o Ministério da Economia 
(BRASIL, [2018a?], documento on-line), “[...] o Controle Administrativo 
nas importações atualmente é realizado por meio da Licença de Impor-
tação (LI) sujeita a anuência de órgãos governamentais”. A Licença de 
Importação é um tipo de controle específico, autorizada pela Organização 
Mundial do Comércio (OMC), desde que não ocorra de forma abusiva ou 
excessiva, caracterizando-se em uma barreira não tarifária (MORINI; 
SIMÕES; DAINEZ, 2006).
Via de regra, as importações brasileiras estão dispensadas de licencia-
mento, porém as outras modalidades são licenciamento automático, não 
automático ou impedimento, quando determina que certas mercadorias 
são de importação proibida. Existem licenciamentos que precisam ser 
analisados pelos órgãos anuentes e aprovados antes do embarque, enquanto 
alguns ocorrem após a chegada da mercadoria no Brasil (MORINI; SI-
MÕES; DAINEZ, 2006).
Formação de custos na importação12
Voltando à importação de fraldas infantis, é só mandar embarcar a mercadoria e 
recolhê-la no porto ou aeroporto de destino? A resposta é clara: não. Primeiro, devemos 
conhecer o seu produto, pesquisar a NCM adequada, que classifica o produto, para 
então conhecer quais são os tributos aplicáveis e a sua estimativa de custos. 
Nesse caso, a NCM aplicável a fraldas descartáveis infantis é a 9619.0000 (absorventes 
e tampões higiênicos, cueiros e fraldas para bebês e artigos higiênicos semelhantes, de 
qualquer matéria). De posse desse número, podemos iniciar uma consulta ao simulador de 
tratamento administrativo da Receita Federal do Brasil. Para fazer uma consulta ao simulador 
de tratamento administrativo, acesse o site da Receita Federal do Brasil no seu mecanismo 
de busca e procure por “Simulador tratamento tributário/administrativo importações”.
Por meio do simulador de tratamento administrativo das importações, não 
existem medidas compensatórias, antidumping ou Contribuições de Interven-
ção no Domínio Econômico (CIDE) que acarretem aumento de custo para o 
aumento desse item. No entanto, as fraldas estão sujeitas ao licenciamento 
pelo Fundo Nacional da Saúde, o que ensejará o aumento de tempo e alguns 
trâmites burocráticos a mais junto a esse órgão interveniente, de forma que 
sua Licença de Importação seja autorizada/deferida. A Figura 4 exemplifica 
o tratamento administrativo de importação.
Figura 4. Tratamento administrativo de importação.
Fonte: Receita Federal ([20--?], documento on-line).
13Formação de custos na importação
Sobre as alíquotas de impostos que incidirão em uma eventual importação, 
observamos que a alíquota do Imposto de Importação é de 12%, de IPI é zero 
e as alíquotas PIS/Cofins são de 2,10% e 9,65%, respectivamente. A Figura 5 
mostra um exemplo de tratamento administrativo de importação.
Figura 5. Tratamento administrativo de importação.
Fonte: Receita Federal ([20--?], documento on-line).
Com isso, temos informações suficientes para traçar um cenário e saber 
quanto a empresa importadora deverá desembolsar para a aquisição do pro-
duto no exterior, assim como os impostos. Porém, além dos tributos, existem 
outras despesas incidentes, as quais elevarão a formação do seu custo. Com 
isso, vamos partir de valores fictícios para elaborar uma planilha de custos 
de importação, considerando uma taxa do dólar de R$ 4,7379 por cada dólar. 
O Quadro 2 mostra uma simulação de custos de importação.
Formação de custos na importação14
Item Valor
Valor aduaneiro (mercadoria + seguro + frete) R$ 47.379,00
Imposto de Importação R$ 5.685,48
AFRMM (25% sobre o valor do frete) R$ 900,00
Armazenagem portuária e capatazia R$ 500,00
Transporte rodoviário nacional R$ 1.500,00
Despachante aduaneiro R$ 1.500,00 
(R$ 500,00 para a confecção da Licença 
de Importação e R$ 1.000,00 para a 
liberação aduaneira)
Total R$ 57.464,48
 Quadro 2. Simulação de custos de importação 
Para simplificar o cálculo, partimos da compreensão de que o PIS/Cofins e o 
ICMS são creditáveis contabilmente, isto é, não irão compor o custo do produto. 
De volta ao exemplo das fraldas, desejamos importar 15 mil fraldas. Para essa quantidade, 
o total de gastos será de R$ 57.464,48,e o custo unitário estimado de cada fralda fica em 
torno de R$ 3,83 (R$ 57.464,48 divididos por 15.000). Essa se trata de uma estimativa de 
custos, na qual custos extras e não previstos poderão incorrer, como um aumento de 
armazenagem, a avaria de produto, alguma eventual multa da Receita Federal do Brasil 
por inconsistência de informações, entre outros. Por essa razão, recomenda-se sempre 
aplicar uma margem maior nos custos para evitar sustos durante a sua importação, 
além de buscar profissionais qualificados para assessorar a organização nos caminhos 
da importação, tanto nos aspectos logísticos quanto aduaneiros.
15Formação de custos na importação