Prévia do material em texto
PAPILOSCOPIA 1 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 3 1. INTRODUÇÃO ................................................................................ 4 2. ENTENDA MAIS SOBRE ESTA CIÊNCIA ..................................... 6 3. O CASO WILL & WILLIAM WEST .................................................. 7 4. FUNÇÃO DO PAPILOSCOPISTA .................................................. 9 4.1 QUAIS AS ÁREAS DE ATUAÇÃO ............................................ 10 4.2 DIFERENÇA ENTRE O PERITO CRIMINAL E O PAPILOSCOPISTA ....................................................................................... 10 4.3 A IMPORTÂNCIA DA PAPILOSCOPIA FORENSE .................. 12 4.4 COMO SE TORNAR UM PROFISSIONAL DA ÁREA ............... 12 5. PRÁTICA SOBRE PAPILOSCOPIA ............................................. 13 5.1 QUIROSCOPIA ......................................................................... 14 6.0 PROPRIEDADES DAS IMPRESSÕES DIGITAIS ........................... 20 6.1 Perenidade ................................................................................... 20 6.2 Imutabilidade ................................................................................ 20 6.3 Variabilidade ................................................................................ 21 6.4 CARATERÍSTICAS TÉCNICAS: .................................................. 21 7.0 FORMAÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL ......................................... 22 7.1 A ESTRUTURA DA PELE HUMANA ........................................... 22 7.2 A IMPRESSÃO DIGITAL E SEUS ELEMENTOS ........................ 24 7.3 TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL ............................................... 24 7.4 COMPOSIÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL ................................. 25 7.4.1 SISTEMAS DE LINHAS ............................................................ 26 7.4.2 LINHAS DIRETRIZES ............................................................... 27 7.4.3 DELTA ....................................................................................... 28 7.4.4 NÚCLEO ................................................................................... 28 7.4.5 PONTOS CARACTERÍSTICOS ................................................ 29 7.4.6 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DATILOSCÓPICA DE VUCETICH ................................................................................................... 30 2 2 8.0 TESTES DE REVELAÇÃO DE DIGITAIS ........................................ 33 9.0 CONCLUSÃO .................................................................................. 36 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 37 3 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 4 1. INTRODUÇÃO Uma das áreas de atividade da Perícia Criminal é a Papiloscopia. O policial que atua neste campo é chamado de papiloscopista. Além da atuação profissional, o papiloscopista tem uma formação educacional específica, e sua atuação é diferente da de um perito criminal. Papiloscopia é a ciência forense que trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas. A palavra Papiloscopia é resultante de um hibridismo greco-latino (Papilla = papila e Skopêin = examinar). Papilas são pequenas saliências de natureza neurovascular, localizadas na parte externa (superficial) da derme, estando os seus ápices reproduzidos pelos relevos observáveis na epiderme. Ela estuda a identificação humana pelas digitais, presentes nas palmas das mãos e na sola dos pés. Tem como propósito a perícia e o estudo a fim de pesquisas técnico-científicas, visando a identificação em indivíduos vivos ou mortos. A coleta, identificação e arquivamento das impressões digitais humanas acontecem muitas vezes em casos de crime nos quais é necessário a verificação de provas que envolvem as digitais humanas na cena. Podem também ser utilizadas as técnicas da papiloscopia para a identificação de corpos que sofreram decomposição ou estão em estado de difícil identificação. Em meio a inúmeros procedimentos e processos voltados à apuração de provas criminais, e também ligados à veracidade de um fato, a prova judicial é o objeto mais importante da ciência processual, já que ela constitui os olhos do processo. Assim, a impressão digital deixada num local de crime é a prova mais direta e incontestável da indicação da presença do indivíduo ou até mesmo da https://blog.ipog.edu.br/tecnologia/impressao-digital/ https://blog.ipog.edu.br/direito/crime-tributario/ https://blog.ipog.edu.br/tecnologia/mercado-em-ascensao-computacao-forense/ 5 5 autoria do delito, tornando a papiloscopia uma grande ferramenta judicial e investigatória nesse sentido. Para entendermos melhor o que é a Papiloscopia, como atuar nessa área e quais os principais desafios, é importante saber um pouco da sua história, conforme veremos a seguir. https://blog.ipog.edu.br/tecnologia/principais-ferramentas-utilizadas-na-investigacao-forense-computacional/ 6 6 2. ENTENDA MAIS SOBRE ESTA CIÊNCIA A investigação das papilas dérmicas, evidentes na palma das mãos e na sola dos pés (impressões digitais) no Brasil começou por volta de 1901. Tem suas divisões de pesquisa da seguinte maneira: datiloscopia, quiroscopia, podoscopia, poroscopia. A datiloscopia é o processo de identificação humana pelas impressões digitais (dedos). Já quiroscopia é o processo de identificação humana pelas impressões palmares (mãos). A podoscopia é o processo de identificação humana pelas impressões plantares (pés). A poroscopia é o processo de identificação humana dos poros. Temos também a necropapiloscopia que é a perícia realizada em cadáveres, que tem como finalidade identificar pessoas falecidas cuja identidade é desconhecida; a sua identificação será feita pelo confronto das impressões papilares. Para que seja feita essa identificação de cadáveres existem técnicas adequadas para cada circunstância em que se encontra o corpo. Todas essas técnicas fazem parte da Papiloscopia e da atividade do profissional papiloscopista. Na área Criminal, a Papiloscopia trata da identificação de pessoas indiciadas em inquéritos ou acusadas em processo, confeccionando o Boletim de Identificação Criminal (BIC) por força do Código de Processo Penal, o que constitui uma forma de identificação obrigatória, bem como o levantamento de impressões digitais emou seja, do prolongamento do dedo mínimo, ocupando uma posição oposta à região tenar. Superior ou Infra-Digital : É a região situada imediatamente abaixo dos dedos indicadores, médio, anular e mínimo. 1 6 16 5.2 PODOSCOPIA Podoscopia (podo =pé + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas plantares (impressões plantares). A podoscopia é o processo de identificação humana através das impressões da sola dos pés. Esse tipo é mais aplicado em maternidades, na identificação dos recém-nascidos. O desenho podoscópico é construído por cristas e sulcos interpapilares, apresentando deltas, pontos característicos e poros, possuindo os requisitos unicidade, perenidade, imutabilidade e variabilidade. A podoscopia é utilizada com maior frequências pelas maternidades, na identificação dos recém-nascidos, e ainda no confronto de impressões podoscópicas encontradas em locais de crime. Com o intuito de identificação a coleta de impressões plantares, podemos dividir a planta dos pés em cinco regiões, a saber (fig.): 1- Região do grande artelho (dedão); 2- Região do segundo ao quinto artelho; 3- Região fibular (fíbula), lado externo do pé; 4- Região tibial, lado interno (arco do pé); 5- Região do calcanhar. 1 7 17 5.3 POROSCOPIA Poroscopia (poro + Skopën =examinar): ciência que trata da identificação humana através dos poros encontrados nas cristas papilares. A poroscopia é o tipo de identificação que utiliza os poros digitais. Em papiloscopia, os desenhos formados pelos poros nos papilogramas (fig.), servem como meio complementar e seguro para estabelecer a identidade, quando o número de pontos característicos encontrados em uma impressão ou fragmento de impressão papilar for insuficiente, pois também possuem as mesmas propriedades que as papilas dérmicas – perenidade, imutabilidade e variabilidade. Na poroscopia, estuda-se: O número – varia segundo a distância de um para outro orifício (poro), de 9 a 18 por mm2. Posição – localiza-se na parte central e periférica das cristas papilares. Dimensões – variam em regra de 80 a 250 micromilímetros. 1 8 18 Forma – os poros apresentam as seguintes configurações: circular, oval, estrelário e triangular. O exame de confronto consiste na tomada das mensurações com a ajuda de um compasso, a fim de obter-se todas as medidas necessárias além do levantamento da forma e localização do poro nas peças negativas das fotografias ampliadas 45 vezes. As cristas aumentam 10 a 15 mm de largura e os orifícios sudoríparos surgem nítidos, discerníveis nas suas minudências, no diâmetro de seis a oito milímetros. 5.4 DATILOSCOPIA Dactiloscopia : ciência que trata da identificação humana através das papilas dérmicas digitais (impressões digitais). A datiloscopia estuda a identificação e exame das impressões digitais e se divide em datiloscopia civil (que identifica pessoas para fins civis, como expedição de documentos, etc.) e datiloscopia criminal (que identifica pessoas indiciadas em inquéritos, acusadas em processos ou em crimes). 1 9 19 Um ser humano normal possui cinco dedos em cada mão, dispostos em fileira, na ordem convencional de polegar, indicador, médio, anular e mínimo, formados pelos ossos da falange, falanginha, falangeta,(fig.) a contar da base onde se articulam com os ossos metacarpianos correspondentes, que os sustentam e dão articulação. O polegar possui apenas falange e falangeta e se destaca dos demais por ser o mais grosso e curto da mão. Os dedos apresentam duas faces; palmar e dorsal além dos bordos externo, interno e distal. A dactiloscopia estuda as papilas localizadas na falangeta ou falange distal, as quais formam desenhos distintos que permite sua classificação e arquivamento. Vantagens da dactiloscopia sobre os demais ramos da papiloscopia A dactiloscopia, além dos requisitos fundamentais da identificação humana - perenidade, imutabilidade e variabilidade - possui também: Classificabilidade: permite que os desenhos digitais sejam facilmente classificados para o arquivamento. 2 0 20 Praticidade: a obtenção das impressões digitais é simples, rápida e de baixo custo. 6.0 PROPRIEDADES DAS IMPRESSÕES DIGITAIS Para que um processo de identificação (estabelecimento da identidade) possa ser considerado convincente, é necessário que obedeça a alguns princípios fundamentais, que são: 6.1 Perenidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de se manifestarem definidos, desde a vida intra- uterina (entre o quarto e o sexto mês) até a completa putrefação cadavérica. O desenho papilar observado num recém- nascido permanece até a sua velhice, com a única diferença do aumento de tamanho, como se fosse uma ampliação fotográfica. Apesar disso, observa-se que os pontos característicos continuam os mesmos. Exceção: perda completa dos tecidos da pele em virtude do processo de decomposição. 6.2 Imutabilidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de não mudarem a forma original, desde o seu surgimento até a completa decomposição cadavérica. O desenho conserva-se idêntico a si mesmo, não mudando durante a sua existência. Exceção: linhas interpapilares – relação com o envelhecimento humano. 2 1 21 6.3 Variabilidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de não se repetirem, variando, portanto, de região para região papilar e de pessoa para pessoa. Não há possibilidade de se encontrar duas impressões papilares idênticas, nem mesmo numa mesma pessoa. Exceção: semelhanças notáveis entre impressões de gêmeos monozigóticos. 6.4 CARATERÍSTICAS TÉCNICAS: 6.4.1 Praticabilidade: qualidade que indica a facilidade de obtenção e registro da característica analisada. Envolve custo, tempo, quantidade e complexidade dos instrumentos utilizados, etc. Com apenas uma ficha de papel e tinta é possível obter impressões papilares. 6.4.2 Classificabilidade: qualidade que se refere à possibilidade de classificação para fins de arquivamento e consulta. A classificação das impressões papilares, principalmente as digitais, cria uma sequência numérica, ou alfanumérica, que possibilita buscas em arquivos com muitos milhões de fichas. 2 2 22 O sistema dactiloscópico pode ser utilizado como Elemento de Prova, no Caso de Crimes - As impressões papilares são comumente deixadas em locais de crime. Uma vez localizadas e identificadas, estas impressões constituem-se em elementos de maior convencimento da autoria de delitos, nos tribunais. 7.0 FORMAÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL 7.1 A ESTRUTURA DA PELE HUMANA A pele é o maior órgão do corpo humano e sua espessura varia de 0,5 a 6 mm.22. Ela é de máxima importância, envolvendo todo o nosso corpo e determinando o nosso limite com o meio externo, protegendo nossos órgãos internos como uma capa protetora. Nossa pele é formada por três camadas: Hipoderme, derme e epiderme, respectivamente da parte mais profunda para a mais externa (Fig.). 2 3 23 A hipoderme é a camada mais profunda da pele. Ela é formada por feixes de tecido conjuntivo e é nela que se encontram as células de gordura do corpo, as veias e os músculos. A derme, a camada entre a hipoderme e a epiderme, contém a raiz dos pelos, nervos, terminações nervosas e vasos sanguíneos e linfáticos. A epiderme é a camada superior e visível da pele, que é cerca de 15 a 40 vezes mais fina que a derme. Ela é constituída por15 a 20 camadas de células mortas ou que estão próximas do fim de sua vida celular que são regularmente vertidas. O local de interseção da derme e a epiderme não é regular, pois se interpenetram formando ondulações que são chamadas de papilas dérmicas. As papilas dérmicas são formadas por cristas papilares e sulcos interpapilares. Elas são responsáveis pelos desenhos em relevo, observáveis a olho nu, que originam as impressões papilares (impressões digitais). Estas ondulações se tornam mais evidentes onde a pele é mais espessa, como nos pés e palmas das mãos, dando origem às nossas digitais. Além disso, as papilas dérmicas contêm formas distintas para cada pessoa e esta é a característica mais importante que faz com que as digitais possam ser usadas como método de identificação humana, nenhuma digital é idêntica à outra, 2 4 24 mesmo no caso de irmãos gêmeos. As papilas dérmicas se desenvolvem no feto após 11 semanas de idade gestacional. 7.2 A IMPRESSÃO DIGITAL E SEUS ELEMENTOS As linhas papilares da polpa digital (parte carnuda da ponta dos dedos onde se retira a impressão digital) são as partes que mais interessam no aprendizado das impressões digitais. As extremidades das pontas dos dedos possibilitam o desenho digital. Elas oferecem maior utilidade quanto à sua forma de reprodução, seja em uma tinta ou como naquelas deixadas acidentalmente em um local de crime. Portanto, pode-se determinar que a impressão digital ou datilograma. 7.3 TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL Existem três tipos de impressão digital que podem ser identificadas em uma cena de crime. São elas: Impressões visíveis ou patentes: São as impressões digitais reproduzidas diretamente com o contato em uma superfície, como por exemplo tintas, pós, sangue ou algum outro tipo de material que possa se depositar sobre as cristas papilares. Por serem visíveis, esse tipo de impressão digital não necessita de aplicação técnica para ser revelada e é geralmente fotografada para ser analisada futuramente. Impressões latentes ou invisíveis: São as impressões deixadas pela transferência de óleos e outras secreções corporais em uma superfície. Elas podem se tornar visíveis através de técnicas elétricas, químicas ou físicas. As impressões latentes apresentam uma parte diminuta da superfície do dedo e podem ser muito difíceis de se manter sua integridade. Por essas razões, as impressões latentes ocasionam inúmeros erros nos processos de comparação 2 5 25 de digitais pois contém menos detalhes do que as impressões retiradas em condições controladas. Impressões modeladas ou plásticas: São as impressões digitais depositadas em algum material macio que possa registrar seus detalhes. Temos como exemplos de materiais que podem gerar esse tipo de impressão a argila, cera e depósitos de gordura nas peças de carros. 7.4 COMPOSIÇÃO DA IMPRESSÃO DIGITAL É nomeado desenho digital (fig.) a nomenclatura usada para a reprodução das formações papilares existentes na polpa digital. Ele é projetado na parte mais externa da pele humana e pode ser observado diretamente nos dedos à olho nu. O desenho digital serve de matriz para a formação da impressão digital, através da pele humana. Esse desenho é formado por linhas negras, brancas e poros. O conjunto e disposição desse desenho formam a impressão digital. 2 6 26 7.4.1 SISTEMAS DE LINHAS A impressão digital se divide em três regiões ou sistemas de linhas (Marginal, Nuclear e Basilar) que são perfeitamente caracterizados e limitados por linhas chamadas de diretrizes, com exceção do tipo de impressão digital Arco, que apresenta apenas dois sistemas, o marginal e o basilar. Assim temos: Sistema Marginal ou linhas marginais É a região que se localiza acima do ramo superior das linhas diretrizes até a base da unha do dedo. Suas linhas seguem de um lado ao outro do dedo quase paralelamente, gerando uma forma abaulada. Sistema Nuclear ou linhas nucleares É a região localizada entre os ramos superior e inferior das linhas diretrizes. A performance de suas linhas juntamente com a posição onde se encontra o delta determina qual é o tipo e subtipo da impressão digital. Sistema Basilar ou linhas basilares É a região localizada entre a prega interfalangeana e o ramo inferior das linhas diretrizes. Suas linhas seguem de um lado ao outro do dedo mais ou menos paralelas como as linhas marginais. Na figura, temos a representação das três regiões citadas. 2 7 27 7.4.2 LINHAS DIRETRIZES As linhas diretrizes são as linhas que, partindo do delta, limitam os sistemas basilar e marginal, envolvendo o sistema nuclear. Estas linhas são linhas imaginárias criadas para classificar a maioria dos datilogramas. São elas as linhas: Diretriz Basilar: É a linha que limita o sistema nuclear e o basilar Diretriz Marginal: É a linha que limita o sistema nucelar do marginal. As linhas diretrizes são linhas que se encurvam nos seus pontos de divergência. Além disso, não pode ser tomada como uma linha diretriz se ela for uma linha quebrada que forma um ângulo, nem os ramos de uma bifurcação que se abre para o núcleo, salvo se houver um curso paralelo entre a bifurcação e o ponto de divergência. Na figura, temos a representação das linhas diretrizes, delimitando os sistemas de linhas. 2 8 28 7.4.3 DELTA Os deltas são os pontos de encontro que podem estar presentes em uma digital. O delta é um espaço triangular formado pelos três sistemas de linhas e localizasse no quadrante inferior da impressão digital. O prolongamento de sua forma gera as linhas diretrizes que define a divisão de cada uma das regiões ou grupo de linhas. Sua principal função é definir o tipo fundamental da impressão digital do sistema Vucetich. Na figura temos exemplos de tipos de delta que podem ser encontrados entre os sistemas de linhas de impressão digital. 7.4.4 NÚCLEO O núcleo (figura) é a área circunscrita pelo prolongamento dos “braços” de um ou mais deltas, ou seja, ele é formado pelas linhas diretrizes. Ele tem grande importância no processo de classificação de impressões digitais, pois ele está subordinado a condições de suficiência específica para cada tipo de impressão digital. 2 9 29 7.4.5 PONTOS CARACTERÍSTICOS Os pontos característicos são as particularidades das linhas dos datilogramas, consideradas isoladamente ou em conjunto, que permitem diferenciar as impressões digitais. A legislação brasileira exige que pelo menos doze pontos característicos sejam comparados para confirmar a identificação das digitais. Para atestar uma identidade, os pontos característicos precisam estar na mesma localização e com a mesma nomenclatura, sem nenhum ponto discrepante. Seguem abaixo as principais figuras denominadas de pontos característicos. 3 0 30 Para assinalar os pontos característicos em uma impressão digital, os pontos são enumerados seguindo o sentido horário, como mostrado na figura abaixo. 7.4.6 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DATILOSCÓPICA DE VUCETICH O sistema de Vucetich é o sistema de classificação originado na Argentina em 1891 e que posteriormente foi adotado no Brasil. As classificações são realizadas de forma numérica para facilitar o arquivamento e pesquisa no arquivo datiloscópico. As classificações consistem em quatro grupos fundamentais: Arco: O Arco é o datilograma que normalmente não apresenta delta, formado por linhas que atravessam ou tendem a atravessar o campo digital. Este tipo de digital apresenta em sua trajetória formas quase paralelase abauladas 3 1 31 ou alterações características. No sistema de Vucetich ele é representado pela letra “A” para os polegares e número 1 para os demais dedos. A figura abaixo mostra tipos de digitais do tipo Arco. Presilha Interna: A Presilha Interna é o datilograma que apresenta delta localizado à direita da impressão digital exposta e apresenta um núcleo formado por uma ou mais laçadas abertas para o lado esquerdo do observador. Ela é representada pela letra “I” para os polegares e pelo número 2 para os demais dedos. Abaixo segue a imagem de exemplos de presilha interna. 3 2 32 Presilha Externa: Assim como na Presilha Interna, a Presilha Externa apresenta um delta, porém desta vez ele é situado à direita do observador. Esta presilha apresenta linhas que, partido da direita, vão ao centro do desenho, curvam-se e voltam ou tendem a voltar ao lado de origem, formando uma ou mais laçadas. A Presilha Externa é representada pela letra “E” para os polegares e o número 3 para os demais dedos. A figura abaixo mostra exemplos de presilhas externas. Verticilo: Verticilo é o datilograma que é caracterizado pela presença de um delta à esquerda e outro à direita do observador e um núcleo de forma variada, apresentando no mínimo uma linha curva à frente de cada delta. Ele é representado pela letra V para os polegares e pelo número 4 para os demais dedos. A figura abaixo apresenta alguns exemplos de Verticilos. 3 3 33 As pesquisas indicam que cerca de 60% dos datilogramas arquivados no Brasil sejam de digitais do tipo Presilha, 35% do tipo Verticilo e apenas 5% do tipo Arco. Outro sistema muito semelhante para classificação de digitais é o proposto por Edward Henry na Inglaterra que, diferente do sistema de Vucetich, faz a divisão do grupamento do tipo arco em arco plano e arco angular. 8.0 TESTES DE REVELAÇÃO DE DIGITAIS Os testes de detecção de digitais são aplicados para revelar impressões papilares latentes. Ao entrar em uma cena de crime, a perícia observa os objetos deslocados da posição original para verificar se há vestígios papilares. A detecção de digitais envolve três passos principais: localizar a digital, desenvolver ou aprimorar suas propriedades e preservar a digital. Um dos pontos mais cruciais que afetam a revelação das digitais é o tipo de superfície em que as digitais estão depositadas pois o tipo de material poderá definir qual a melhor técnica a ser utilizada. 3 4 34 O princípio básico da revelação digital é o fato de que quando uma pessoa toca em uma superfície com seus dedos, uma pequena quantidade de secreção de suor das glândulas sudoríparas é deixada na superfície de uma digital. Este resíduo humano consiste majoritariamente de água, que dissolve um pequeno percentual de uma variedade de sólidos. A tabela abaixo mostra a composição química que normalmente pode ser encontrada na secreção das glândulas sudoríparas. Apesar da concentração destes compostos serem muito baixas, com exceção da água, eles são de grande importância pois podem ser relevantes em certas reações químicas características onde a impressão digital possa ser revelada. Técnica do pó: A Técnica mais utilizada entre os peritos é a técnica do pó. Ela consiste na aplicação de uma fina camada de pó sobre o local onde a perícia acredita que possa haver vestígios de impressões digitai. O pó determinado adere-se sobre os compostos químicos presentes na secreção do suor humano e pode interagir como ligação de hidrogênio ou força de van der Walls. Entretanto, a técnica do pó precisa ser realizada com cautela pois sem o devido cuidado as cerdas do pincel podem danificar a impressão digital, o que 3 5 35 pode torná-la inviável. Outros instrumentos para promover a aderência do pó nas digitais podem ser utilizados, como por exemplo o spray de aerossol. A tabela 2 mostra os pós mais utilizados pelos peritos e suas composições. Tabela 2: Pós mais utilizados na revelação de impressões digitais latentes. A figura mostra a aplicação da técnica do pó para a revelação de uma impressão digital latente. 3 6 36 O uso do pó ideal varia de acordo com a superfície e condições climáticas que se encontra a impressão digital latente. Por isso, a variedade existente de pós permite ao perito a melhor aplicação para reservar a integridade da digital. 9.0 CONCLUSÃO De acordo com o que foi examinado, é inegável o fato de que a química forense é uma área extensiva e de extrema importância no que diz respeito de identificação de criminosos. Os postulados da datiloscopia permitem a confiabilidade no sistema, visto que nunca foi encontrado na história da humanidade uma impressão digital igual à outra. Com o avanço tecnológico, a aplicação da datiloscopia ganhou uma nova dimensão e a informatização do sistema tornou-se algo fundamental devido ao crescimento populacional. Apesar destes avanços, a identificação no Brasil é feita separadamente por cada estado, o que impede que um indivíduo tenha identidades em vários estados do país devido à falta de interação dos institutos de identificação. Com isso, a interação dos institutos de identificação torna-se essencial para o melhor aproveitamento desta arma tão poderosa que é a impressão digital. 3 7 37 REFERÊNCIAS APPES – Associação dos Papiloscopistas do Espírito Santo. Espírito Santo, 2004. Disponível em: http://appes.com.br Acesso em: 10 de agosto de 2016. BRASIL; Constituição (1988). Constituição federal, Código Penal, Código de Processo Penal. 5. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. decreto lei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto- Lei/Del3689.htm. E. CHEMELLO; Ciência Forense: Impressões digitais, Química Virtual, Dezembro 2006. FARIAS, Robson Fernandes: Introdução à QUÍMICA FORENSE, 2008 Forense e da Investigação Criminal como estratégia didática na compreensão de conceitos científicos, Didáctica de la química, 2013. IIFP; MANUAL TÉCNICO DE DATILOSCOPIA, Rio de Janeiro, 2002. Instituto Nacional de Identificação; Manual de Identificação Papiloscópica, 1987. KHAN, JaVed I.; KENNEDY, Thomas J.; JR, DONNEL R. Christian. Basic Principles of Forensic Chemistry: Humana Press, 2012. MOLICK, MAX M.; Forensic Fingerprints – Advanced Forensic Science Series, 2016. NEWTON, David E. Forensic Chemistry: Facts On File, 2007. S. Ana P., P. Michelle C., P. José C. D., S. Tania D. M.; A utilização da Ciência. http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.htm http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.htme abauladas 3 1 31 ou alterações características. No sistema de Vucetich ele é representado pela letra “A” para os polegares e número 1 para os demais dedos. A figura abaixo mostra tipos de digitais do tipo Arco. Presilha Interna: A Presilha Interna é o datilograma que apresenta delta localizado à direita da impressão digital exposta e apresenta um núcleo formado por uma ou mais laçadas abertas para o lado esquerdo do observador. Ela é representada pela letra “I” para os polegares e pelo número 2 para os demais dedos. Abaixo segue a imagem de exemplos de presilha interna. 3 2 32 Presilha Externa: Assim como na Presilha Interna, a Presilha Externa apresenta um delta, porém desta vez ele é situado à direita do observador. Esta presilha apresenta linhas que, partido da direita, vão ao centro do desenho, curvam-se e voltam ou tendem a voltar ao lado de origem, formando uma ou mais laçadas. A Presilha Externa é representada pela letra “E” para os polegares e o número 3 para os demais dedos. A figura abaixo mostra exemplos de presilhas externas. Verticilo: Verticilo é o datilograma que é caracterizado pela presença de um delta à esquerda e outro à direita do observador e um núcleo de forma variada, apresentando no mínimo uma linha curva à frente de cada delta. Ele é representado pela letra V para os polegares e pelo número 4 para os demais dedos. A figura abaixo apresenta alguns exemplos de Verticilos. 3 3 33 As pesquisas indicam que cerca de 60% dos datilogramas arquivados no Brasil sejam de digitais do tipo Presilha, 35% do tipo Verticilo e apenas 5% do tipo Arco. Outro sistema muito semelhante para classificação de digitais é o proposto por Edward Henry na Inglaterra que, diferente do sistema de Vucetich, faz a divisão do grupamento do tipo arco em arco plano e arco angular. 8.0 TESTES DE REVELAÇÃO DE DIGITAIS Os testes de detecção de digitais são aplicados para revelar impressões papilares latentes. Ao entrar em uma cena de crime, a perícia observa os objetos deslocados da posição original para verificar se há vestígios papilares. A detecção de digitais envolve três passos principais: localizar a digital, desenvolver ou aprimorar suas propriedades e preservar a digital. Um dos pontos mais cruciais que afetam a revelação das digitais é o tipo de superfície em que as digitais estão depositadas pois o tipo de material poderá definir qual a melhor técnica a ser utilizada. 3 4 34 O princípio básico da revelação digital é o fato de que quando uma pessoa toca em uma superfície com seus dedos, uma pequena quantidade de secreção de suor das glândulas sudoríparas é deixada na superfície de uma digital. Este resíduo humano consiste majoritariamente de água, que dissolve um pequeno percentual de uma variedade de sólidos. A tabela abaixo mostra a composição química que normalmente pode ser encontrada na secreção das glândulas sudoríparas. Apesar da concentração destes compostos serem muito baixas, com exceção da água, eles são de grande importância pois podem ser relevantes em certas reações químicas características onde a impressão digital possa ser revelada. Técnica do pó: A Técnica mais utilizada entre os peritos é a técnica do pó. Ela consiste na aplicação de uma fina camada de pó sobre o local onde a perícia acredita que possa haver vestígios de impressões digitai. O pó determinado adere-se sobre os compostos químicos presentes na secreção do suor humano e pode interagir como ligação de hidrogênio ou força de van der Walls. Entretanto, a técnica do pó precisa ser realizada com cautela pois sem o devido cuidado as cerdas do pincel podem danificar a impressão digital, o que 3 5 35 pode torná-la inviável. Outros instrumentos para promover a aderência do pó nas digitais podem ser utilizados, como por exemplo o spray de aerossol. A tabela 2 mostra os pós mais utilizados pelos peritos e suas composições. Tabela 2: Pós mais utilizados na revelação de impressões digitais latentes. A figura mostra a aplicação da técnica do pó para a revelação de uma impressão digital latente. 3 6 36 O uso do pó ideal varia de acordo com a superfície e condições climáticas que se encontra a impressão digital latente. Por isso, a variedade existente de pós permite ao perito a melhor aplicação para reservar a integridade da digital. 9.0 CONCLUSÃO De acordo com o que foi examinado, é inegável o fato de que a química forense é uma área extensiva e de extrema importância no que diz respeito de identificação de criminosos. Os postulados da datiloscopia permitem a confiabilidade no sistema, visto que nunca foi encontrado na história da humanidade uma impressão digital igual à outra. Com o avanço tecnológico, a aplicação da datiloscopia ganhou uma nova dimensão e a informatização do sistema tornou-se algo fundamental devido ao crescimento populacional. Apesar destes avanços, a identificação no Brasil é feita separadamente por cada estado, o que impede que um indivíduo tenha identidades em vários estados do país devido à falta de interação dos institutos de identificação. Com isso, a interação dos institutos de identificação torna-se essencial para o melhor aproveitamento desta arma tão poderosa que é a impressão digital. 3 7 37 REFERÊNCIAS APPES – Associação dos Papiloscopistas do Espírito Santo. Espírito Santo, 2004. Disponível em: http://appes.com.br Acesso em: 10 de agosto de 2016. BRASIL; Constituição (1988). Constituição federal, Código Penal, Código de Processo Penal. 5. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. decreto lei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto- Lei/Del3689.htm. E. CHEMELLO; Ciência Forense: Impressões digitais, Química Virtual, Dezembro 2006. FARIAS, Robson Fernandes: Introdução à QUÍMICA FORENSE, 2008 Forense e da Investigação Criminal como estratégia didática na compreensão de conceitos científicos, Didáctica de la química, 2013. IIFP; MANUAL TÉCNICO DE DATILOSCOPIA, Rio de Janeiro, 2002. Instituto Nacional de Identificação; Manual de Identificação Papiloscópica, 1987. KHAN, JaVed I.; KENNEDY, Thomas J.; JR, DONNEL R. Christian. Basic Principles of Forensic Chemistry: Humana Press, 2012. MOLICK, MAX M.; Forensic Fingerprints – Advanced Forensic Science Series, 2016. NEWTON, David E. Forensic Chemistry: Facts On File, 2007. S. Ana P., P. Michelle C., P. José C. D., S. Tania D. M.; A utilização da Ciência. http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.htm http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.htm