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Joana Moutinho 
 
Preparos 
 
As cerâmicas por serem mais rígidas precisam de espessura 
maior, logo o desgaste será maior que um preparo para resina 
que é mais resiliente e menos propensa a fratura. Já para as 
restaurações metálicas não há necessidade de desgaste das 
cúspides, já que a maioria dos metais resiste bem às cargas 
oclusais mesmo em pequena espessura. 
 
Classificação dos preparos 
 Parciais: somente parte das paredes da coroa. Podem 
ser extra ou intracoronários 
 Totais: todas as paredes coronárias. Somente 
extracoronários 
 
 Intracoronários ou tipo caixa : preparos que 
determinam formação de caixas e não envolvem 
cúspides. 
 Extracoronários ou proteção de cúspide: desgaste e 
envolvimento de cúspides 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fatores que determinam o tipo de preparo: 
o Presença de cárie ou restaurações antigas 
o Estrutura remanescente (dentina) que suporta as 
cúspides 
Quando houver 2mm ou mais de dentina sob uma 
cúspide, essa pode ser preservada 
o Qualidade do esmalte que recobre a dentina 
Presença de trincas ou defeitos que comprometam 
integridade 
o Função que a cúspide exerce 
o Tratamento endodôntico – dentina perde elasticidade, 
cúspides ganham em altura, as tornando mais expostas 
as forças mastigatórias 
o Presença de hábitos parafuncionais 
o Localização dos contatos oclusais 
Deve-se evitar que o contato oclusal recaia sobre a 
borda de restauração. Se necessário estender o 
preparo envolvendo cúspide 
o Estética 
 
Restaurações metálicas fundidas, possuem terminações em 
chanfrado, ombro biselado e contrabisel. Quando há 
envolvimento de cúspide deve-se optar pelo término do tipo 
chanfrado 
Quando o limite dente restauração coincide com o contato 
oclusal, além do bisel deve ser feito um contrabisel que permitirá 
que o contato seja realizado pelo metal e não sobre a interface. 
Caso não seja feito, pode ocorrer fratura do esmalte 
 
Técnica de preparo 
Parcial intracoronário – MOD Tipo caixa 
Caixa oclusal 
o 2mm de profundidade (1/3 da ponta ativa da broca nº 
170L) 
o Abertura vestíbulo lingual de ¼ 
o Paredes vestibular e lingual expulsivas no sentido 
oclusal 
o Parede pulpar deve ser plana 
o Ângulos definidos e ligeiramente obtusos 
o Ângulo cavossuperficial com 140º de inclinação em 
relação a superfície externa do dente, proporcionando 
borda de restauração com 40º de espessura, 
removendo prismas de esmalte friáveis, aumenta 
resistência possibilita brunidura e vedamento da 
interface dente/restauração 
Caso as vertentes sejam muito inclinadas, como em 
dentes jovens, o bisel curto não é necessário, 
somente o bisel total estabelecido pela expulsividade 
Caixa proximal 
o Paredes vestibular e lingual expulsivas no sentido 
gengivo-oclusal 
o Parede gengival com 2mm da parede pulpar 
o Bisel proximal com ponta diamantada troncocônica nº 
3203 ou tipo chama nº1111 com movimento de 
pincelamento para separação ao dente adjacente e 
efeito de expulsividade ou afloramento (alargamento 
para fora em forma de sino) no sentido axio-proximal 
e gengivo-oclusal que possibilita inserção e remoção 
o Parede axial expulsiva no sentido gêngivo-oclusal 
o O bisel marginal deve ter 40 graus para proporcionar 
espessura adequada de material, resistência e ajuste 
marginal 
o Margens estendidas ao dente vizinho com 0,5 a 
0,8mm para proporcionar volume de borda marginal, 
resistência, brunidura, melhor adaptação gengival 
porque preserva distância biológica horizontal 
o Pode-se criar um sulco em forma de “V” na junção da 
parede axial com a parede gengival da caixa proximal, 
chamado Canaleta de Minessota para aumentar a 
resistência ao deslocamento pelas forças oclusais 
o Dupla inclinação da parede gengival – impedir 
deslocamento proximal, estabilidade 
o Arredondamento do ângulo axiopulpar – evita fratura 
do material, melhor ajuste, adaptação do material e 
cimentação e evita que funcione como eixo de 
rotação 
 
MOD com proteção de cúspides 
Deve-se tomar cuidado com as cúspides funcionais ou de 
contenção cêntrica, necessitam de maior cobertura e proteção. 
São elas: 
-Inferiores: Cúspides vestibulares 
-Superiores; Cúspides linguais 
 
 Joana Moutinho 
 
o São feitos canais de orientação na parte interna das 
vertentes da superfície oclusal, a profundidade é igual 
ao diâmetro das brocas, em torno de 1mm. Esses 
canais são guias para que a redução seja uniforme. 
o É feita a caixa oclusal com abertura deve ficar no 
máximo 1/3 e profundidade de 1mm 
o A expulsividade é dada pela broca 
o São feitas as caixas proximais 
o Para se executar contrabisel utiliza-se ponta 
diamantada de extremo arredondado seguindo os 
canais de orientação, sendo ligeiramente menos 
profundos que os oclusais. O contra bisel termina em 
nível zero e forma um ângulo de 40º com a superfície 
externa. É indicado para paredes menos volumosas e 
que exija desgastes menos pronunciados 
Esses contrabiseis devem se encontrar com os biseis 
de forma contínua, sendo as arestas arredondadas 
o Em relação ao término das proteções cuspídeas, pode 
ser em chanfrado, ombro biselado ou chanfrarete. 
(0,5mm) 
Chanfado pode ser feito com a ponta diamantada de 
extremo arredondado 2135 e 2136 (1,5 mm) 
Ombro biselado pode-se utilizar a broca 170 L ou uma 
ponta diamantada de extremo plano. Para biselar o 
ombro utiliza-se uma ponta diamantada em forma de 
chama 
Pouca estrutura sadia remanescente nas paredes 
vestibular e lingual: Término em contrabisel 
Maior quantidade de estrutura sadia: chanfrado ou 
ombro biselado 
Grau de convergência das paredes vestibular e lingual 
acentuadas: ombro biselado. Paralelas: chanfrado 
 
Coroas totais 
Finalidade: 
-Terapêutica: quando a cárie é 
muito extensa e o dente 
necessita ser reconstruído 
-Protética: quando a coroa se 
destina a ser um retentor para 
PPR 
o É feito o desgaste oclusal com os sulcos de orientação 
com profundidade de 1,5 mm nas cúspides funcionais 
e 1,0 mm nas não funcionais. Esse desgaste permite 
obter espaço adequado para se ter volume da liga 
metálica, a omissão desse passo da lugar a 
restaurações finas 
o Nas faces externas também se faz esse desgaste, 
porém menos profundos e aquém da gengiva 
marginal (0,5mm) 
o As paredes axiais do preparo devem manter 5 graus 
de expulsividade para facilitar remoção e inserção da 
coroa e realizar retenção friccional 
o Término gengival na forma de chanfrado 
 
Princípios mecânicos 
Grau de inclinação ou Conicidade 
A condição das paredes paralelas seria o ideal para se obter o 
máximo de retenção, porém não haveria uma via de escape 
para o cimento, dificultando seu escoamento,. A película de 
cimento seria maior, dificultando o assentamento final, resultando 
em falta de ajuste cervical da coroa. 
A conicidade de aproximadamente 
6º proporciona retenção, além de 
permitir um melhor escoamento do 
cimento durante a cimentação (3º 
em cada face) 
 
Área de superfície preparada 
Esta resistência é conferida pela força friccional entre as paredes 
internas da peça fundida e as externas do dente preparado. 
Quanto maior a área de superfície preparada, para maior contato 
da peça e estrutura dentária, maior a retenção e maior adesão 
do cimento 
 
Textura da superfície do dente preparado 
O preparo não deve ser polido, mas deve receber acabamento 
com pontas de granulação fina ou multilaminadas para que 
apresente uma lisura adequada, ou seja, uma textura que 
favoreça adaptação da peça pelo bom escoamento do cimento 
e que ao mesmo tempo permita uma retenção friccional e 
mecânica do cimento e da peça fundida 
 
Meios auxiliares para retenção 
-Sulcos, cauda de andorinha e caixa oclusal e proximal 
Os sulcos da retenção, limitam o plano de retirada da prótese, 
aumentam a área de superfície e retençãofriccional da peça 
fundida 
 
Conicidade 
Quanto mais cônico o preparo, menor será sua resistência ao 
deslocamento. 
O ângulo de convergência deve estar entre 2,5 e 6,5º, não 
esquecendo, que a conicidade é diretamente proporcional à 
relação altura-largura do preparo. Um preparo alto e estreito 
pode ter maior conicidade que um preparo curto e calibroso, e 
ainda não comprometer a estabilidade. Um preparo curto e 
calibroso deve apresentar paredes paralelas para permitir 
estabilidade adequada 
 
Inclinação da parede gengival 
A dupla inclinação da parede gengival evitará o movimento de 
rotação, e consequentemente o deslocamento da restauração 
 
Biselamento do ângulo axio-pulpar 
Fator de estabilidade, reduz a concentração de stress, melhora 
adaptação da RMF 
 
Proteção de cúspide 
A resistência tanto da estrutura dentária quanto ao deslocamento 
proximal pode ser aumentada através da proteção de cúspide. 
Proteção de cúspide refere-se à cobertura completa da cúspide, 
de modo que as margens do preparo estendam-se as áreas que 
o stress não incide diretamente. Este bisel deve ser estabelecido 
 
 Joana Moutinho 
 
em ângulo reto com longo eixo do dente ou em leve direção 
reversa. É indicado nos casos de envolvimento estético 
Os istmos largos e profundos são reconhecidos como fatores 
que contribuem para falhas. 
 
Biselamento da cúspide funcional 
Nos preparos para coroa total e MOD com proteção de cúspide 
recomenda-se a confecção de bisel largo nas cúspides funcionais 
dos dentes posteriores para aumentar a espessura da liga 
metálica e durabilidade da restauração nesta área crítica de 
incidência de esforços. Promove o arredondamento da linha do 
ângulo cavossuperficial oclusal, reduzindo a concentração de 
stress. 
 
Slice ou Flair na caixa proximal 
Remover convexidade do dente 
Funções: 
1. Reduzir os defeitos na fundição e cimentação 
2. Proteger os prismas de esmalte nas margens 
3. Permitir brunidura depois da cimentação 
4. Desenvolver retenção circunferencial 
Uma película de cimento vai ficar exposta na área do bisel e a 
acentuação deste dificulta a penetração de fluidos bucais e 
bactérias pela interface 
Angulação adequada de 30 a 45º 
 
Linhas de terminação do preparo 
Deve-se dar preferência aos términos tipo chanfrado e do tipo 
arredondado, pois determinam menor e mais uniforme 
distribuição de stress na margem e na linha de cimento, além de 
permitir espessura adequada do material restaurador na margem 
O término em gume de faca não é recomendado pela 
dificuldade de se obter nitidez na terminação 
e no modelo, por conduzir a uma margem 
frágil da restauração e por aumentar a 
concentração de stress na linha do cimento. 
 
Nos preparos parciais para RMF o término cervical utilizado nas 
caixas proximais é o ombro biselado. 
O preparo de ombro está indicado para coroas de porcelana 
pura para proporcionar espessura suficiente à porcelana, a fim 
de resistir aos esforços sem se fraturar. Está contra-indicado para 
preparos em que o metal faça parte da coroa porque resulta 
em uma junção de topo que dificulta no escoamento do 
cimento, conduz maior stress e pior adaptação marginal, não 
permite brunidura 
 
 
Reconstrução de dentes tratados endodonticamente 
Após um tratamento endodôntico ocorre: 
 Diminuição da resistência a fratura 
 Comprometimento das estruturas de reforço como 
cristas marginais, pontes de esmalte, teto da câmara 
pulpar 
Recomendado que após tratamento endodôntico seja feita 
imediatamente reconstrução deste elemento para proteger as 
estruturas. Para isso é necessário utilizar no conduto radicular, 
fixação de pinos pré-fabricados, núcleos fundidos ou fibras de 
reforço para obter retenção para o material de reconstrução 
São separados em três categorias: 
1. Pré-fabricados – metálicos, resina reforçada com fibras 
ou cerâmica 
2. Metálicos fundidos 
3. Fibras envolvidas com resina 
 
Vantagens da fixação de pinos no conduto: 
o Aumento de retenção 
o Reter e estabilizar um componente coronário 
o Prevenir fratura do dente após o tratamento, por 
proporcionar apoio e resistência interna 
 
Em dentes anteriores ou posteriores tratados 
endodonticamente, que tiveram parte de suas estruturas de 
reforço eliminadas e que receberão restaurações indiretas, 
deve-se pensar na aplicação de ancoragem intracanal 
 
Os mais empregados são os pinos metálicos que são de 
fácil aplicação e tem custo baixo. Porém devido sua rigidez, 
há transmissão de forças para interface adesiva e estrutura 
dental remanescente 
Já os pinos de fibra de carbono, eliminam o risco de fratura 
radicular, uma vez que possuem propriedades semelhantes a 
dentina 
Fatores relacionados a fratura radicular de dentes tratados: 
✓ Remanescente dental – volume de dentina 
✓ Adaptação do pino – principalmente metálicos as 
paredes do canal 
 
Pinos pré-fabricados de resina reforçada com fibras 
Pinos de resina de reforço por: 
 Fibras de vidro 
 Fibras de carbono 
Maior facilidade de aplicação, custo baixo comparado aos pinos 
cerâmicos. Menor rigidez do pino, alta resistência flexural e a 
fadiga. Módulo de elasticidade semelhante da dentina, mais 
capacidade adesiva dos agentes de fixação, faz com que haja no 
canal radicular um corpo único capaz de assimilar os esforços 
 
Fixação – cimentos resinosos de dupla polimerização 
 
 Joana Moutinho 
 
Tratamento do pino: 
1. Asperização da superfície com jatos de óxido de 
alumínio, visando aumento do imbricamento mecânico 
entre a superfície do pino e o agente de fixação 
resinoso 
2. Condicionamento com ácido fosfórico para eliminar 
partículas que permaneceram aderidas a superfície 
(30 segundos) 
3. Lavagem com água 
4. Seca com jatos de ar 
5. Agente silano que melhora contato com o sistema 
adesivo 
Tratamento do canal: 
1. Condicionamento com ácido fosfórico para eliminar 
“smear layer”, abrir embocadura dos túbulos 
dentinários e desmineralizar a dentina peri e 
intertubular, visando a penetração dos agentes 
adesivos 
Há dificuldade da polimerização dos agentes de união, porque 
nas regiões mais profundas da embocadura, a luminosidade 
emitida é insuficiente para induzir conversão adequada Por isso 
a dupla polimerização 
 
2. Leva-se o cimento resinoso com brocas Lentulo 
3. Aplica-se também na extremidade do pino com 
movimentos de vai e vem, o pino é inserido no 
conduto 
4. Corta-se o pino da câmara 
5. Espaço remanescente é preenchido por uma resina 
composta restauradora 
Este pino não apresenta radiopacidade muito elevada – 
desfavorável 
Os reforçados por carbono são mais resistentes, porém tem a 
desvantagem de provocar escurecimento da restauração devido 
coloração. Deve ser reservado um espaço de pelo menos 2 mm 
para que se consiga mascarar sua presença 
 
Pinos pré-fabricados de cerâmica 
Resistência maior, porém rigidez acentuada, precisam estar bem 
ajustados as paredes dos condutos. Aspecto estético é uma 
vantagem, porém seu custo é mais elevado 
Preparo do canal radicular 
 Profundidade e extensão (largura) do preparo do 
conduto, espessura de 1,5mm de dentina preservada 
em toda periferia 
 O pino deve ter no mínimo 1,2 mm de diâmetro, a fim 
de evitar sua fratura 
 Altura de 4mm de material de obturação seja 
preservada na região apical para que um selamento 
adequado seja mantido para não permitir o ingresso 
de microorganismos 
 O pino deve ter sua altura igual ou superior a da coroa 
clínica, pois pode ter risco de fratura da raiz além de 
haver prejuízo na retenção. 
 A extremidade do pino no interior do conduto deve 
ser localizada sempre além do nível da crista óssea 
alveolar para evitar fratura da raiz 
Um pino com dimensões reduzidas, malajustado às dimensões 
do canal, perde sua função, devendo sempre haver melhor 
justaposição possível entre o pino e conduto 
 
OBSERVAÇÃO: A baixa viscosidade do agente cimentante 
permite um bom contato e retenção mecânica com as 
irregularidades da superfície do pino, provocadas pelo 
microjateamento 
 
Naqueles casos de destruição total da coroa clínica, onde o 
material de reconstrução depende exclusivamente da 
ancoragem intra-radicular, particularmente nos dentes 
posteriores, a indicação mais adequada parece ainda os núcleos 
metálicos fundidos 
 
Tipo de pino Sistema de fixação 
Pré-fabricados – 
resina/carbono 
Ionômero de vidro 
Cimento resinoso 
Fundidos Ionômero de vidro 
Fosfato de zinco 
Cimento resinoso 
 
Provisórios, moldagem e modelos 
 
Provisórios 
De fundamental importância para evitar danos à estrutura dental 
remanescente fragilizada pelo preparo e mante inalteradas suas 
relações oclusais e intreproximais 
 
Funções: 
 Estabilidade proximal 
 Manter espaço oclusal 
 Proteção do complexo dentina/polpa contra agressões 
externas 
 Manter e/ou promover a saúde periodontal 
 Checar a viabilidade do espaço para restauração 
 
Atualmente as siliconas são os materiais de uso mais difundido e 
que apresentam maior número destas características. 
Apresentam um material fluido hidrofílico que facilita reprodução 
do sulco gengival, mesmo na presença de exsudato 
Quando a cirurgia não está indicada, faz-se necessário o uso de 
manobras de afastamento gengival, a fim de manter o sulco 
seco, facilitar a penetração do material fluido e evidenciar os 
limites do preparo - Fio retrator embebido em líquidos 
hemostáticos 
 
Troquel 
 Permite visualização e acabamento em todas as 
margens do preparo com a peça posicionada sobre 
uma base sólida, minimizando os riscos de fraturas nas 
etapas de confecção

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