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PSICOLOGIA - definição
· A definição da Psicologia varia de acordo com a área de estudo.
· A psicologia é a ciência do estudo do comportamento humano e o seu objeto de estudo é o que as pessoas fazem e como e por que o fazem.
· Segundo HEBB ,a psicologia deve ser definida como estudo das formas mais complexas de integração ou organização do comportamento.
· O método da psicologia é trabalhar objetivamente construindo uma teoria da mente baseada em fatos objetivos do comportamento .
· Existem várias e diferentes definições de psicologia,de seus objetos, métodos e campos de atuação
· A história dos saberes psicológicos acompanha alguns conceitos básicos da psicologia, a psique, a pessoa, a mente, o comportamento, emoções, memória, cognição, 
· vontade, psicossomática, etc...
· O marco inicial do surgimento da psicologia experimental é meados do século XIX.
· O conhecimento da história da psicologia torna o psicólogo capaz de autoavaliação crítica no que diz respeito a procedimentos e técnicas a serem utilizadas. 
Conceitos de psique, pessoa, mens, corpo 
· Os conceitos resultam da articulação de alguns eixos estruturantes que surgiram nas culturas greco-romana medieval, humanista-renascentista e na época moderna. Questionamentos: 
· Como posso representar minha condição existencial humana para refletir sobre eu mesmo e os outros?
· Quem sou eu, e posso conhecer a mim mesmo, e de que modo?
· O que define este ser que sou eu mesmo e o diferencia dos demais seres?
· Qual a causa dos desequilíbrios que experimentamos?
Sócrates
· Sócrates nasceu em 470/469 a.C. em Atenas, na Grécia. 
· Seus pais eram Sophroniscus e Phaenarete. Foi casado com Xantipa. Teve três filhos: Lamprocles, Sophroniscus e Menexenus.
· Nasceu em uma família humilde, com poucos recursos financeiros. 
· Seu pai era escultor e apresentou ao filho esse ofício, com o qual trabalhou durante a juventude. 
Além de escultor, Sócrates serviu ao exército ateniense durante três temporadas. Depois que se aposentou, passou a exercer os dons pelos quais é mais conhecido: o de educador e de filósofo.
Segundo relatos, Sócrates levava uma vida simples. Participou ativamente da democracia da cidade de Atenas. Inclusive, serviu aos militares como um soldado durante três anos, chegando a participar da guerra do peloponeso (431-404 a.C.). 
· Ao contrário dos pré-socráticos, que discutiam questões relacionadas à natureza, Sócrates e os socráticos apreciavam analisar questões humanas, seus valores, verdades e fundamentos.
· Para os socráticos, os homens fariam melhor se investigassem a si mesmos: a verdadeira descoberta estava no interior da alma humana, e não fora dela.
· O filósofo foi tido por muitos como um homem sábio justamente por assumir não saber de nada. A frase mais célebre atribuída a ele é:
“só sei que nada sei”
· Considerado por alguns como o primeiro a ter pensamentos humanistas, Sócrates gostava de desenvolver suas reflexões filosóficas em praças públicas de Atenas. 
· Conversava com jovens, em especial sobre política e religião, buscando saber o que pensavam.
· Conhecido por ser questionador, Sócrates apreciava formular perguntas para saber quem sabia o quê. Acreditava que, ao dialogar, chegava-se ao conhecimento. Algumas vezes, apontava falhas no raciocínio alheio. Segundo o filósofo, não saber algo era positivo, pois assim seria possível caminhar em direção ao saber e, com isso, alcançar um conhecimento seguro. 
Sócrates e a Ciência
· O modo como nosso filósofo procedia era inédito até então e ficou conhecido como dialética. Inicialmente, pedia a seu interlocutor que discorresse sobre um assunto qualquer como a justiça, a coragem, a escolha de uma profissão, etc. Em seguida, a partir dos pensamentos mal formulados e expressos, Sócrates ia demolindo os argumentos um a um, de modo que seu oponente ficava frequentemente sem respostas. 
· A ciência socrática é o resultado do método. Segundo Aristóteles, tal ciência visa encontrar as definições universais e necessárias das coisas, ou a essência universal delas, fazendo desta um conceito, uma ideia da razão (CHAUÍ, 1994, p. 145).
· Por operar com o exame de opiniões – isto é, definições parciais, definições subjetivas, definições confusas, definições contraditórias – para chegar à definição universal e necessária, a mesma para todos, pois a razão é a mesma para todos, Sócrates dá início ao que Aristóteles chama de indução (CHAUÍ, 1994, p. 145).
Fundador da Academia de Atenas, Platão, aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, é um dos filósofos gregos mais conhecidos e estudados até os dias atuais, especialmente por sua obra ter sobrevivido praticamente intacta mais de 2400 anos, o que não aconteceu com a grande maioria de seus contemporâneos.
O Problema do conhecimento - A teoria do conhecimento na Antiguidade e na Idade Média
Platão 
· Nascido em uma família ateniense nobre, Platão tinha parentesco com 
membros do governo aristocrático dos Trinta Tiranos (404-403 a.C.).
· Em sua maioria, as obras de Platão têm a forma de diálogos e são tradicionalmente divididas em diálogos iniciais, médios e tardios. 
· Os diálogos iniciais têm Sócrates como protagonista e considera-se que retratam bem o pensamento do seu mentor. Nos diálogos médios começa a desenvolver doutrinas positivas. Os diálogos tardios são críticas às teorias
anteriores formuladas.
· Platão pensava que as coisas percebidas pelos sentidos estão sempre se tornando outra coisa. Por mais duradouras que sejam, os fatos sobre a realidade física um dia cessarão. 
· Mas o conhecimento, concluiu ele, tem que ser daquilo que é plenamente, o que significa que não podemos ter, de fato, conhecimento do mundo dos sentidos. 
· Platão divide a realidade em dois reinos, o mundo físico do “vir-a-ser” e um mundo do ser, constituído por ideias eternas e perfeitas.
· Para Platão, em geral, temos apenas conhecimento implícito das ideias e cabe à filosofia levar à consciência o conhecimento que em nós é latente. Portanto, aprender não é realmente descobrir algo novo, mas recordar.
· Para Platão, o mundo sensível é o nosso mundo material, é o mundo das aparências, que é múltiplo, mutável – regido pela doxa (opinião). Já o mundo das ideias é idêntico e permanente – regido pela episteme (conhecimento). Dessa forma, é necessário sair do mundo das aparências e ascender até o mundo verdadeiro das ideias.
· Segundo Platão, atingir o conhecimento implica converter o sensível e inteligível, ou seja, despertar, reviver e relembrar esse conhecimento esquecido. Dessa forma, a alma se liberta das aparências.
· Em A República, a caverna é uma alegoria ao modo como homens permanecem antes da filosofia, tal como sua subida ao mundo superior. O homem comum, prisioneiro de hábitos, preconceitos, costumes e práticas que adquiriu desde a infância, é um homem que está na caverna e só consegue enxergar as coisas de maneira parcial, limitada, incompleta e distorcida, como “sombras”. Na caverna, os homens só veriam as sombras, ou seja, estariam presos nas correntes da ignorância, não entendendo o mundo em que vivem.
· Discípulo de Platão e preceptor de Alexandre Magno, Aristóteles foi um filósofo grego do século V a.C. cujo trabalho se estende por todas as áreas da filosofia e ciência conhecidas no mundo grego, sendo ainda o autor do primeiro sistema abrangente de filosofia ocidental.
· Chegamos a Aristóteles (384-322 a.C.) e a um novo conceito. Com o objetivo de assegurar a harmonia das funções vitais, a alma é a causa e o princípio do corpo vivo, e é uma essência presente em cada indivíduo em particular, desaparecendo com a morte desse indivíduo. Ela é a mesma em todos os indivíduos de uma mesma espécie porque todos são formados por dois co-princípios básicos: a matéria-prima e a forma-específica, que, unidos, formam a substância do ser” (Severino, 1992, pp 57,8).
· Para Aristóteles, a alma assim se define: “Fosse o olho um ser vivo, a visão seria a sua alma: pois a visão é a essência do olho… A alma é no sentido primordial,aquilo por que vivemos, percebemos e pensamos… É com razão que pensadores têm julgado que a alma não pode existir sem um corpo, nem ser um corpo; pois não é um corpo, mas algo do corpo; e essa é a razão por que está em um corpo…” (De anima, II, 2, 414 a 15-20)
A IDEIA DE ALMA NA ANTIGUIDADE E IDADE MÉDIA
· Os romanos apropriaram-se da cultura grega (helenismo), e neste contexto surgiram pequenas escolas, tais como: estoicismo e sua preocupação com a ética, acentuando a vontade humana como capacidade de negar impulsos, objetivando a firmeza da alma.
· o ceticismo defendendo que é impossível tentar encontrar o conhecimento; o neo-platonismo, com Plotino: “A alma não está no mundo; mas o mundo está nela; pois o corpo não é um lugar para alma.
· o cristianismo surge em um momento bastante conturbado, conforme podemos observar nessa descrição feita pelo apóstolo Paulo: “Nós (os cristãos) pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Porém, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (I Coríntios, 1). O cristianismo passa a ver a alma do ponto de vista da redenção: “a origem e destino da alma estão ligados às ideias de uma vida eterna, da vitória sobre o pecado pelas obras e pela Graça, e da suprema dignidade da vida em Jesus Cristo” (Mueller, 1975, p.80).
· O cristianismo funciona como uma “síntese cultural”, pois ele origina-se como um movimento social e religioso dissidente do judaísmo, incorpora o pensamento grego e romano.
· Entre os séculos V e XIV (Idade Média), a igreja exerce um papel de domínio, pois ela toma a responsabilidade de sistematizar e organizar a doutrina cristã, e divulgá-la aos habitantes do Império Romano, com o objetivo de enfraquecer o paganismo romano, contrapor-se ao pensamento grego e impor-se ao mundo judeu. É um período longo, caracterizado por conflitos de todas as naturezas. Do pensamento medieval sobre a alma, destacamos Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.
· Apoiado pelas ideias de Platão, Santo Agostinho (354-430) é responsável por uma grande modificação das idéias ao inserir “no lugar de mundo das ideias, a consciência de Deus, que assume as qualidades prerrogativas da Ideia do Bem” (Severino, 1992, p.59); para Santo Agostinho, a alma está acima da razão, da moral e da ciência. Ela é a realidade primeira, possui diferentes graus e tem diferentes funções, participando não só do mundo sensível, mas também possuindo conhecimentos que não passam pelos sentidos; é capaz portanto de intuições que a colocam em contato com as coisas eternas, em presença da realidade espiritual de Deus.
· São Tomás de Aquino (1225-1274), de influência aristotélica, discute a alma de forma tão interessante, que essa discussão é considerada a base filosófica da teologia da Igreja Católica.
· Não é corpo, mas o ato de um corpo, o princípio de que dependem os seus movimentos suas ações… é incorporal e insubstancial… não se dissolve com o organismo, e o desejo de imortalidade sentido pelo homem se justifica ontologicamente.
· Entende-se que dessa forma que o sentido não pode se tornar intelecto, pois são ambos fenômenos de naturezas diferentes. Não pode haver sensação sem objeto, ou pensamento sem conteúdo. O dualismo só é superado pela fé, através do poder de Deus
As mudanças na modernidade
· Característica do pensamento da modernidade – racionalismo (confiança no poder da razão)
· Interesse pelo método
· Destaques:
-Filosofia – René Descartes, Francis Bacon, John Locke e Immanuel Kant
-Ciência – Galileu Galileu, Johannes Kepler e Isaac Newton
A questão do método
· Revolução científica – quebrou o modelo de inteligibilidade do aristotelismo
· Principal indagação do pensamento moderno – questão do método
· Indagação na modernidade:
-O que é possível conhecer?
-Qual é o critério de certeza para saber se há adequação entre o pensamento e o objeto?
· Na Idade Moderna a atenção se volta para o sujeito que conhece
· Origem de duas correntes filosóficas:
-Racionalismo – engloba as doutrinas que enfatizam o papel da razão no processo do conhecimento. Destacam-se: René Descarte, Baruch Espinosa e Gottifried Leibniz
-Empirismo – é a tendência que enfatiza o papel da experiência sensível no processo do conhecimento. Destacam-se: Francis Bacon, John Locke e David Hume 
René Descartes
· Nasceu no Reino da França
· 1607-1615 – estudou no colégio Jesuíta Royal Henry
· Cursou direito – mas nunca exerceu
· Rompeu com a filosofia escolástica 
· Frase famosa “Penso, logo existo”
· Um dos filósofos que mais contribuiu para o avanço da ciência, postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o homem possui uma substância material é uma substância pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina. 
· Esse dualismo mente-corpo torna possível o estudo do corpo humano morto, o que era impensável nos séculos anteriores (o corpo era considerado sagrado pela Igreja, por ser a sede da alma), e dessa forma possibilita o avanço da Anatomia e da Fisiologia, que iria contribuir em muito para o progresso da própria Psicologia. 
Discurso do método:
· René Descartes (1596-1650)
· Discurso do Método: primeiro livro não escrito em latim e sim na língua francesa do autor - a racionalidade estava no caminho de se tornar mais difundida e integrada à vida comum.
· Descartes refere-se à verdade enquanto tal e o caminho encontra-se no correto uso das leis matemáticas e geométricas.
· Seu pensamento associa-se à origem do iluminismo, e posteriormente da ciência. Por outro lado o tomam como o criador de um racionalismo exagerado, distante da experiência.
· Exclui o corpo e seus impulsos > causa e efeito
· Descartes iniciou um processo de dúvida metódica
· Método semelhante a matemática e geometria: uma vez firmado um ponto de referência, tudo mais deverá vir por dedução.
· Busca por ideias claras e distintas
· O incerto também é visto como falso
O racionalismo cartesiano: a dúvida metódica
· René Descartes (1596-1650)
· Considerado o pai da filosofia moderna
· Abriu caminho para a discussão sobre ciência e ética (capacidade humana de construir o próprio conhecimento)
· Seu propósito era encontrar um método que conduzisse a verdade indubitável
· Procura um ideal matemático, uma ciência que seja mathesis universalis (matemática universal), o que não significa aplicar a matemática no conhecimento do mundo, mas usar o tipo de conhecimento que é peculiar da matemática
· Há 4 regras para estabelecer cadeias de razão:
· Evidência – acolher apenas o que aparece ao espírito como ideia clara e distinta
· Análise – dividir cada dificuldade em parcelas menores para resolvê-las por partes
· Ordem – conduzir por ordem os pensamentos, começando por objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para só depois lançar-se aos mais compostos
· Enumeração – fazer revisões gerais para ter certeza de que nada foi omitido
Eu pensante
· Diante de toda dúvida do mundo o ponto de segurança é de um “EU”
· Um “EU” pensante – uma alma racional capaz de produzir representações corretas do mundo
Cogito, ergo sum (penso, logo existo)
· Distingue três tipos de ideias:
· As que “parecem ter nascido comigo” (inatas)
· As que vieram de fora (adventícias)
· As que foram “feitas e inventadas por mim mesmo” (factícias)
· O cogito já se encontra no espírito como fundamento para a apreensão de outras verdades, não sujeitas ao erro, pois vem da razão
· Estabelecer fundamentos do conhecimento e, portanto, a possibilidade do saber científico
· Estabelecer uma verdade primeira que não pudesse ser colocada em dúvida
· Tem como objetivo apontar aos sujeitos a necessidade de conhecimento verdadeiro
Suas consequências:
· Caráter absoluto e universal da razão
· Dualismo psicofísico – (dualismo corpo-consciência) o ser humano é um ser duplo, composto de substância pensante e substância extensa – assim se estabelece dois domínios diferentes o corpo (objeto de estudo das ciências) e a mente (objeto dereflexão filosófica)
A Desrazão
· Séc. XVII - Loucura como desrazão – forma atual
· Época Medieval – se alguém perdia a razão era um problema que não afetava a ninguém
· Após Descartes – qualquer questão que podia colocar em questão a lucidez e/ou a estabilidade do eu era entendido como ameaçador.
“...o nascimento de nossa representação moderna da loucura é contemporâneo e correlato ao momento de maior afirmação do eu, enquanto sujeito consciente e livre para conhecer a verdade” (Santi, 1998, p. 69)
Autocrítica da razão
· Séc XVIII – início do processo de crise da noção de subjetividade
· Immanuel Kant – o próprio pensamento é tomado como objeto de investigação
· O pensar é organizado por categorias
· Nunca temos acesso as coisas em si, mas a fenômenos
· A razão deve se abster-se de questões transcendentais – existência de Deus, da alma e da liberdade
· Tarefa da razão – produzir hipóteses, produzir modelos teóricos que organizará e dará sentido aos fenômenos
· - Com Kant o próprio pensamento será tomado como objeto de investigação “A razão pensa sobre si - possibilidades e limites da razão”
· A Psychologia Rationalis é um dos alvos centrais da Crítica da Razão Pura (1871/1994). É possível estabelecer que a finalidade desta Crítica é demarcar os limites para o nosso conhecimento legítimo, especialmente em relação à metafísica, balizada pela nossa Razão Pura.
· A Razão é a faculdade do incondicionado e seu limite para conhecer é o fenômeno. Logo, sem função na área do conhecimento, a Razão pensa objetos, ainda que não possam ser conhecidos. 
· As principais ideias listadas por Kant são as de Deus, de Alma e de Mundo como totalidade metafísica, isto é, como um todo. 
· A ideia psicológica ou de Alma vem da tradição que acredita que somos seres não somente materiais, mas dotados de uma entidade metafísica, a alma, pertencente ao reino dos fins e não das coisas. 
· A alma não pode ser conhecida (pois não se tem fenômeno), mas as aflições, angústias, as escolhas, enfim, o drama humano, fazem crer que há uma alma e que é nela que devemos buscar princípios que forneçam leis para regular as ações entre os homens. 
· O homem é livre, por isso não pode ser conhecido (tal como o modelo hipotético-dedutivo), mas somente apreciado em suas ações exteriorizadas.
· Portanto, o estudo da alma diz respeito à Ética e não à psicologia, pois esta é impossível. 
· Do mesmo modo, a ideia Teológica ou de Deus, tradicionalmente em debate, não é objeto de conhecimento humano. Deus não é fenômeno, não é objeto de ciência, mas sim de crença. E a crença, isto é, aquilo que é verdade para alguém, depende da autoridade transmitida ou revelada. Deus não pode ser conhecido, mas norteia as ações e condutas humanas.
· Dessa forma, é possível pensar em como uma ética pode ser universal sem cair no empirismo ou num dogmatismo exagerado. Conforme Kant, deve-se usar a mesma solução da ciência: os juízos sintéticos a priori. Nesse caso, seria necessário um esquema que auxiliasse na construção de leis válidas universalmente. 
· 
Immanuel Kant
· Filósofo prussiano
· Famoso pelo elaboração do idealismo transcendental (trazemos formas e conceitos a priori que são impossíveis de determinar
· Conhecido pela filosofia moral 
· É um filósofo alemão que questionou se era possível a elaboração de uma "razão pura", independente das experiências. Em sua filosofia ele julga o que pode ser conhecido e quais são os conhecimentos não possuem fundamento, buscando superar a dicotomia entre racionalismo e empirismo.
· Para Kant, esclarecer-se é emancipar-se, e isto significa conquistar autonomia racional marcada pelo uso desta razão especialmente em domínio público. 
· Atingimos nosso principal objetivo quando abordamos mais pontualmente as noções de uso público e privado. Com estas, o filósofo nos permite inferir que, embora distintas, as mesmas podem e necessitam coexistir.
· Para Kant, a Razão não constitui objetos, mas tem uma função reguladora das ações humanas. 
· Após ter assim apresentado a boa vontade, Kant passa a argumentar em favor daquilo que propriamente já anuncia uma das principais figuras de pensamento em sua moral, ou seja, a razão é a governante da nossa vontade. 
· A liberdade possui papel central na temática do esclarecimento. A liberdade (bem como a razão) é condição de possibilidade das realizações do homem. 
· Em sentido mais estreito, Kant ainda compreende a liberdade como autonomia, atributo que faz com que cada indivíduo esclarecido dispense qualquer figura que lhe venha fazer de tutor. 
· Liberdade pensada na condição de autonomia é um das muitas atribuições espirituais (assinaladas tanto por Kant quanto por Foucault) conjugadas no processo denominado “esclarecimento”.
Relação mente-corpo
· Metafísica de Descartes: homem é composto pelo corpo e pela mente (dualismo)
· A comunicação entre mente e corpo se dá na glândula pineal (no meio do cérebro: irradiando ao corpo inteiro por meio dos espíritos, nervos e do sangue que, ao participar das impressões dos espíritos, pode levá-los pelas artérias a todos os membros)
Loucura como desrazão
· A loucura surgiu no século XVII.
· Antes
· Não tinha medo do louco, a ideia de que fosse uma doença ou de que devesse ser afastado. 
· Podia ser tomado como um visionário que transcende a experiência imediata, possesso pelo demônio ou como um bobo.
Por que surgiu o medo da loucura?
· No mundo medieval , a garantia sobre a ordem era dada por algo externo ao próprio homem, por Deus. Se um homem perdia a razão era um problema dele que não afetava os demais, pois deveria estar tomado pelo demônio.
· A situação mudou depois de Descartes pois o único ponto de referência é a sua crença em um “eu pensante”, então qualquer coisa que coloque em questão a lucidez é altamente ameaçador
Thomas Hobbes
· O homem distingue-se dos outros animais, não tendo contato com as leis naturais como aqueles, como sugere que aquilo que caracteriza a natureza humana - razão, fala e ânsia por glória - é o que torna o homem inapto para a vida social.
· Filósofo Inglês
· Afirmou que o que interessa ao Estado é controlar as ações, os pensamentos são livres
· A modernidade assiste a uma dessacralização do mundo e imposição de valores cada vez mais pragmáticos e fundados no homem. 
Os moralistas do século XVII
· A valorização do eu livre e indeterminado impõe a tarefa de sua formação.
· Sua educação implicará no aprendizado e adaptação a determinadas normas de conduta.
· O comportamento humano passa a ser alvo de uma observação rigorosa
· São pessoas dedicadas a observação do comportamento humano e controle do comportamento (relação com os procedimentos de Santo Inácio e o manual de boas maneiras
· Observação acurada de costumes e motivos
Moralista:
· O termo tem um sentido próprio em nosso contexto.
· Na medida em que a referência moral vai deixando de ser a igreja e a própria concepção de autocontrole refere-se cada vez a Deus, é na própria sociedade que se produzirão normas e mecanismos de vigia sobre seu cumprimento.
Dois autores moralistas:
· LA FONTAINE
-Conhecido pela literatura infantil, mas pretendia atingir adultos com seu humor e referência a figuras sociais
-Moral da história de conteúdo edificante
-Recompensa X punição de comportamentos
-Imposição de certo e errado, formação moral para crianças
-Animais como personagens para disfarçar
-Ataque às instituições e natureza humana
-Não denuncia frontalmente ninguém
· LA ROCHEFOUCAULD
-Crítica ao ponto crucial
-Texto de um único parágrafo, que funciona como um provérbio
-Suas ideias acabam retornando ao mesmo tempo: o motor principal da vida humana é a vaidade
-Denúncia com humor irônico o quanto o eu é pretensioso e iludido sobre si
-O eu não é neutro, mas interessado e desejante, o que coloca em xeque o projeto científico de descartes
· Século das luzes (racionalismo cartesiano) também é o século do artifício (ex: das roupas e aspecto real do corpo que a veste, etiquetas e regras de conduta > hierarquiae procedência)
· Imagem social X máscaras
Renascimento
· O mercantilismo leva à descoberta de novas terras (a América, o caminho para as Índias, a rota do Pacífico), e isto propicia a acumulação de riquezas pelas nações em formação, como França, Itália, Espanha e Inglaterra.
· Retomada da cultura clássica: Os pensadores do Renascimento queriam , acima de tudo, conhecer, estudar e aprender os textos da cultura clássica, vistos como portadores de reflexões e conhecimentos que mereciam ser recuperados
· As transformações ocorrem em todos os setores da produção humana. 
· Por volta de 1300, Dante escreve A Divina Comédia; entre 1475 e 1478- 
A Divina Comédia é basicamente a história da conversão de um pecador ao caminho de Deus. Os versos sublinham a necessidade de se seguir o caminho do bem e da ética. O protagonista é o símbolo do ser humano vulgar e representa o cidadão comum, que tem dúvidas, hesita, é tentado pelo mal.
· Em 1543, Copérnico causa uma revolução no conhecimento humano mostrando que o nosso planeta não é o centro do universo.
· Em 1610, Galileu estuda a queda dos corpos, realizando as primeiras experiências da Física moderna. Esse avanço na produção de conhecimentos propicia o início da sistematização do conhecimento científico — começam a se estabelecer métodos e regras básicas para a construção do conhecimento científico.
Sistema Cartesiano:
· Segundo o sistema cartesiano, concebemos clara e distintamente a alma sem o corpo e o corpo sem a alma. 
· A clareza e a distinção das idéias constituem os critérios básicos de verdade, visto que, neste sistema, o verdadeiro é aquilo que é evidente para o espírito, isto é, aquilo que é intuível com clareza e distinção. Trata-se, portanto, de uma concepção pura da razão e não de qualquer recurso à experiência sensível. 
· Percebemos clara e distintamente a alma como coisa pensante e não-extensa, e, por outro lado, concebemos com a mesma clareza e distinção que o corpo é uma coisa extensa e não-pensante. 
· Isto significa que, do ponto de vista do puro entendimento, matéria e espírito são realmente distintos, ou seja, podem existir independentemente um do outro; são, de direito, separáveis. 
· O que a doutrina cartesiana tomará em consideração quanto à coisa pensante dizia respeito ao âmbito da atividade mental consciente . 
· Neste contexto, a alma é uma entidade especialmente criada por Deus, e, portanto, não é algo produzido ou uma função de qualquer parte física de nosso corpo, nem mesmo do cérebro; ela não tem materialidade e, por isso, não ocupa lugar no espaço, não pode ser mensurada ou quantificada.
· À mente pertencem apenas os pensamentos, os quais são elementos de natureza incorpórea, ou seja, são livres de qualquer constituição material. 
· Esta concepção mostra que, do ponto de vista cartesiano, existem no ser humano capacidades e processos que não são de natureza física e, portanto, não podem ser explicados da mesma forma que explicamos os eventos no mundo natural. 
· Atos como duvidar, conceber, afirmar, negar, querer, imaginar e sentir, são atos de consciência, isto é, são apenas formas de pensar. Nada há na mente que não sejam pensamentos.
· Por outro lado, segundo a posição cartesiana, o corpo tem suas funções submetidas a leis mecânicas e produzidas sem qualquer referência ao pensamento, como por exemplo, a digestão, a respiração e o movimento dos nervos. 
· De acordo com Descartes, estas ações podem ser exercidas sem a determinação de nossa vontade, pois, querendo ou não, os processos digestivo, respiratório e de estimulação nervosa acontecem no corpo, como os movimentos de um relógio, realizados somente pela força de suas molas e roldanas, e sem requerer uma consciência para o fazer trabalhar.
As paixões e o ser humano
· Muito embora o dualismo cartesiano distinga os eventos da mente e do corpo, existe, nos seres humanos, uma classe de eventos que não permite ser enquadrada como modos exclusivos do corpo ou da alma. 
· Nossas emoções, sensações e apetites constituem fenômenos que não atestam a separação mente-corpo, mas, ao contrário, explicitam uma relação entre essas substâncias. 
· Frio, calor, som, fome, sede, alegria e raiva, por exemplo, são fruto da relação entre a mente e o corpo – seja o corpo do próprio sujeito ou algum objeto (corpo) externo, e por isso podemos denominá-las experiências de interação psicofísica, ou simplesmente paixões. 
· Segundo Descartes, a paixão é um evento que acontece na alma, pois é uma experiência que não tem existência fora da mente. 
· Quando ouvimos um ruído, ou sentimos frio, o que temos é uma percepção do som, uma sensação de frio, e isto nada mais é do que uma forma de pensar, pois tudo que há na alma é pensamento. 
· Se devêssemos enquadrar as paixões de um dos lados da dicotomia físico-mental, seria do lado dos eventos da mente. 
· Contudo, a paixão tem uma singularidade: ela não é pensamento puro, intelectual; ela é um modo de pensar misto, cuja origem está no corpo.
· A paixão pode, assim, ser definida como uma percepção da alma causada pelo corpo, entendendo a percepção como um ato de consciência que, neste caso, tem no físico a sua gênese. 
· Ela não é um pensamento que a própria mente espontaneamente concebe; como percepção, ela é uma afecção do espírito, isto é, é uma modificação passiva da alma, indicando a recepção de uma ação externa à mente, e não uma produção mental. 
· Em outras palavras, em geral, uma paixão não pode ser provocada pela própria mente, mas por algo que seja externo à alma. Neste sentido, as paixões indicam o corpo como sua condição. 
· Deste modo, as paixões não podem ser enquadradas como puramente espirituais, pois se relacionam com o corpo, e tampouco podem ser consideradas como movimentos corporais, já que são percepções da alma, e é nela que primeiramente se manifestam. São causadas pelo corpo, mas sentidas no espírito. Não podem ser classificadas como puramente mentais ou puramente físicas. Neste sentido, escapam à dicotomia físico-mental e expressam o fato da união entre a mente e o corpo. 
As leis universais
· - Máxima: a máxima moral é a pergunta que um ser consciente deve se fazer para saber se deve ou não agir de uma forma e não de outra. Ex.: “Posso, em uma dificuldade, roubar?”.
· - Lei: a lei é a constatação do interesse egoísta, visto que a contradição expressa na máxima deverá sair do particular para o universal. A lei é a expressão do interesse universal, evidenciando que é possível pensar em leis racionais válidas universalmente. Ex.: “Nenhum ladrão, por mais que roube, aceita ser roubado”
· - Ação: após este exercício de consciência, o agente moral age segundo a escolha que fizer. Para ser uma escolha moral, a ação deve ser conforme a lei, isto é, conforme o dever. No entanto, Kant entende que é possível agir somente por dever, isto é, obedecer à lei a contragosto, forçado ou constrangido. Ainda assim, a ação é moral. Essa distinção é importante, justamente para mostrar que a lei, sendo racional, deve ter força para obrigar os indivíduos a obedecê-la, sem o que nenhuma convivência seria possível. É o fundamento da organização social, que começa nos hábitos, costumes e cultura de um povo, mas deve passar pelo crivo da reflexão crítica do ser racional e consciente. 
Iluminismo, liberalismo e ciência
· O Iluminismo é um movimento intelectual e filosófico que surge na Europa entre os séculos XVII e XVIII, que acreditava no papel da razão e do conhecimento para entender o mundo e possibilitar uma vida melhor.
· Tratava-se de um entendimento e ao mesmo tempo uma valoração sobre a vida. No mesmo período em que a classe burguesa estava em ascensão.
· Neste momento houve uma grande expansão do capitalismo, contrariando a monarquia e o absolutismo no campo político e econômico. 
· O Iluminismo exaltava a confiança na razão a partir dos avanços técnicos, passando a olhar para o ser o humano e para o mundo como algo a ser estudado e modificado segundo interesses específicos.
· A influência dos ideais iluministasno século XVIII foi tão grande que ele recebeu a alcunha de “século das luzes”.
· Também chamado de Ilustração, o Iluminismo é entendido como o responsável por promover uma série de mudanças em diversos sentidos. Áreas como a religião, a cultura, a economia, a política, a sociedade, entre outras, sofreram influência dessas ideias. O Iluminismo foi resultado de uma renovação intelectual que já estava em curso na Europa desde o século XVII.
· Um dos itens de maior importância para o pensamento iluminista foi a valorização da razão. Os iluministas acreditavam que o progresso da humanidade aconteceria por meio da razão, considerando que ela deveria ter valor maior do que a fé.
· A valorização da razão pelos iluministas fez com que eles enalteceram o conhecimento científico, e eles sempre procuravam estudar os fenômenos da natureza a fim de dar-lhes uma explicação racional.
· Assim, as crenças populares e lendas eram vistas com menosprezo, pois os iluministas prezavam pelo racionalismo, e não pelas crendices. Por conta disso, eles teciam fortes críticas à Igreja, questionando a forma como essa instituição controlava a vida das pessoas naquele período. Além disso, os iluministas eram críticos da intolerância religiosa, que motivava conflitos por diversas partes da Europa.
· Os iluministas acreditavam que a aplicabilidade da razão levaria a humanidade a um progresso que seria capaz de formar uma sociedade perfeita. Nessa sociedade, haveria justiça e não haveria espaço para a tirania (representada pelo poder absolutista) e para a superstição (representada pelo controle da Igreja).
· Esses intelectuais também acreditavam em ideias que falavam de liberdade e igualdade entre os seres humanos. Os iluministas propunham a superação do modelo absolutista e do mercantilismo e também defendiam a separação entre Estado e Igreja para estabelecer o que conhecemos atualmente como Estado laico.
· O Iluminismo ficou marcado por uma série de pensadores que deixaram grandes contribuições para a humanidade. Alguns dos iluministas de destaque foram:
· Voltaire; Denis Diderot; David Hume; Immanuel Kant; Adam Smith; Jean-Jacques Rousseau e Montesquieu
Características do Iluminismo
· Uma das características mais fortes do Iluminismo foi a crítica que eles realizavam ao absolutismo, forma de governo marcada pela concentração de poder na figura do monarca. Essa forma de governo foi muito comum no século XVIII e gerava uma sociedade extremamente desigual, em que um grupo minoritário gozava de uma série de privilégios e de uma vida luxuosa.
· Os iluministas defendiam a ideia de que era necessário criar formas de limitar o domínio real, dando mais poder para um parlamento ou então elaborando uma constituição que estabelecesse limites ao poder do rei. Outras críticas eram realizadas ao absolutismo e à sociedade daquele período.
· Uma delas afirmava que no absolutismo não havia muita liberdade, uma vez que não existia liberdade de expressão, liberdade de reunião e nem liberdade religiosa, por exemplo. A crítica à falta de liberdade e ao absolutismo fez com que os ideais iluministas gozassem de grande apoio da burguesia, classe interessada em acabar com as limitações do Antigo Regime sobre suas vidas e, principalmente, sobre seus negócios.
· Em relação à economia, os iluministas não concordavam com o conjunto de práticas do período absolutista. Essas práticas receberam o nome de mercantilismo, caracterizado pela procura do Estado por acúmulo de riquezas e pelo seu intenso controle sobre a economia.
· Os iluministas desejavam ter mais liberdade econômica, portanto não concordavam com o controle do Estado absolutista. Grande parte dos iluministas afirmavam que deveria existir mais liberdade na economia e afirmavam que o mercado deveria regular a si mesmo por meio do livre comércio e da livre iniciativa.
· Eles acreditavam que essas duas eram as chaves para o enriquecimento da sociedade, e a defesa dessas ideias recebeu o nome de liberalismo econômico. Esse pensamento foi bastante influente na economia global até o começo do século XX.
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