Prévia do material em texto
TÍTULO IX DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Prof.º Edigardo Neto Dos Crimes Contra a Paz Pública Incitação ao Crime Art. 286 Apologia ao Crime ou Criminoso Art. 287 Associação Criminosa Art. 288 Constituição de Milícia Privada Art. 288 - A Dos Crimes Contra a Paz Pública Ordem Pública (excessivamente abrangente e vaga) X Paz Pública Obs.: diferente dos crimes contra a incolumidade pública Paz Pública (dois sentidos) Objetivo – ordem social – ordem nas relações em sociedade Subjetivo – sentimento de confiança na ordem jurídica Obs.: Não há necessidade de uma perturbação efetiva da paz pública. Sendo suficiente que produza aquele sentimento generalizado de alarma, vindo a comprometer a paz e a tranquilidade da coletividade. Crimes Vagos. Crimes de Perigo. Alguns doutrinadores sinalizam que estes crimes seriam exemplos do que se chama de “Direito Penal do Inimigo”, pois o se tem são Atos de Preparação e não de Execução. Dos Crimes Contra a Paz Pública Incitação ao crime Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade. (Incluído pela Lei nº 14.197, de 2021) Bem Jurídico (exceção à regra do Art. 31, CP) – Pune-se a instigação de crime que nem mesmo chega a ser tentado. Elementos do Tipo Verbo – incitar (instigar, induzir, excitar, provocar, etc.) Ação livre (pode ser praticado por qualquer meio: palavras, gestos ou atitudes); Pune-se o incitamento público à prática, imediata ou futura, do crime – contravenção não!!; Não basta a incitação genérica. É preciso o estímulo de pessoas a prática de fato determinado, sem apontar os meios de execução ou a pessoa contra quem deve ser praticado. Sujeito ativo – crime comum. Sujeito passivo – coletividade (crimes vagos). Elemento subjetivo – Dolo. Exige-se que provoque a ciência de um número indeterminado de pessoas. Dos Crimes Contra a Paz Pública Incitação ao crime Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade. (Incluído pela Lei nº 14.197, de 2021) Consumação e Tentativa Consuma-se com a prática da incitação, desde que percebida por um número indeterminado de pessoas. Obs.: O crime será diverso a depender do bem jurídico. Crime formal – Não é necessário que se pratique o crime incitado. Caso contrário, configura a participação ou tentativo no crime incitado. Ação Penal – Pública incondicionada. ANPP - É cabível (pena mínima inferior a 4 anos), desde que preenchidos os de mais requisitos do art. 28-A do CPP. Obs.: Em virtude da pena máxima ser de detenção, de 03 a 06 meses, ou multa, aplica-se os benefícios da Lei 9.099/95. Obs.: se a pessoa é incitada a praticar o suicídio o crime é o do Art. 122. se estimulada a prostituir-se o do Art. 228, CP. Dos Crimes Contra a Paz Pública Incitação ao crime Dos Crimes Contra a Paz Pública Apologia de crime ou criminoso Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. Elementos do Tipo Verbo – apologia (louvar, elogiar, enaltecer) Obs.: Estamos diante de mais uma forma de incitação de crime, contudo se cuida da forma indireta. Fato criminoso – Previsto na lei, contudo não abrange a contravenção ou crime culposo. Tem que ser determinado e já ocorrido. Autor do crime – Não importa se já condenado ou não. Também não importa se já há ação penal proposta ou não. Sujeito ativo - crime comum. Sujeito passivo – a coletividade (crime vago). Elemento Subjetivo – Dolo Consumação e Tentativa – Crime formal – consuma-se com a apologia. Dos Crimes Contra a Paz Pública Apologia de crime ou criminoso Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. Concurso de crimes Concurso formal – se o agente, em um mesmo contexto, fizer apologia de vários fatos ou de diversos autores de crimes. Ação penal – Pública incondicionada Obs.: Em virtude da pena máxima ser de detenção, de 03 a 06 meses, ou multa, aplica-se os benefícios da Lei 9.099/95. Obs.: a apologia deve ser dirigida a um número indeterminado de pessoas, pois exige a publicidade. Marcha da maconha?? ADPF 187. Dos Crimes Contra a Paz Pública Dos Crimes Contra a Paz Pública Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Em 1995 entrou em vigor a Lei 9.034, tendo como finalidade, dispor sobre os meios operacionais para prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Buscando preencher esse vácuo legislativo, diversos doutrinadores e julgadores passaram a adotar a conceituação prevista na convenção das Nações Unidas contra o crime Transnacional, convenção esta homologada no Brasil pelo Decreto 5.015 de 2004 (mais conhecida como Convenção de Palermo). Aliás, esse foi o entendimento da 5ª Turma do STJ, no HC 77.771-SP. O STF, no HC 96.007-SP - “Sem a definição da conduta e a apenação, não há prática criminosa glosada penalmente”, referiu o iminente Ministro Marco Aurélio. Dos Crimes Contra a Paz Pública Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pouco mais de um mês após, em 24 de julho, foi publicada a Lei 12.694, que enfim trouxe um conceito para as organizações criminosas, colocando por terra qualquer discussão a esse respeito. Além dessa nova definição, a citada lei trouxe disposições referentes ao processo e julgamento colegiado em primeiro grau de jurisdição de crimes praticados por tais “empresas do crime”. A lei mais recente, exige a participação de no mínimo 4 (quatro) pessoas na organização, enquanto a lei anterior exigia a participação mínima de 3 (três) pessoas. A Lei 12.850/13 revogou ou não o conceito dado pela Lei 12.694/12? Dos Crimes Contra a Paz Pública Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) A nova lei regulou a matéria (organização criminosa) de forma integral. Essa é uma das formas de revogação da lei anterior. Dois conceitos sobre a mesma essência só gera confusão. Também por esse motivo é melhor a interpretação do conceito único: o novo. Agregue-se um outro argumento, de política criminal: se o legislador, por razões de política criminal, optou na nova configuração legal pelo número mínimo de 4pessoas, é preciso respeitar essa decisão política. E se ela integra o conceito de crime organizado, não há como o juiz aplicar o conceito anterior da Lei 12.684/12, que foi construído sob a égide de outras escolhas de política criminal. A posterior derroga a anterior. Dos Crimes Contra a Paz Pública Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência) A reunião do número mínimo determinado pela lei, exige a ESTABILIDADE e a PERMANÊNCIA, para o fim de perpetração de uma indeterminada serie de crimes. Não servem as contravenções, atos morais, culposos ou preterdolosos. Os inimputáveis são computados para configurar o número mínimo da lei. No caso da majorante do parágrafo único, basta que a arma (própria ou imprópria) esteja apenas com um dos membros, mas do conhecimento de todos. Da mesma forma a criança e o adolescente. Dos Crimes Contra a Paz Pública Constituição de milícia privada (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) O legislador teve o intuito de endurecer a repressão aos grupos de extermínio e as milícias privadas. Não se admite qualquer medida dos Juizados Especiais. É crime comum. De concurso necessário. Quantas pessoas?? Para Bitencourt, deve ser interpretado de acordo com o Art. 288, exigindo mais de três pessoas. Para Nucci, duas pessoas. Para Rogério Sanches, deve-se usar o mesmo conceito de grupo trazido no Art. 2º, da Lei 12.850/13, que se contenta com a reunião de três ou mais pessoas. São requisitos distintivos do mero concurso de pessoas a estabilidade e a durabilidade da associação. Dos Crimes Contra a Paz Pública Constituição de milícia privada (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Elementos: Organização Paramilitar – são associações civis, armadas e com estrutura semelhante à militar. Milícia Particular – grupo de pessoas, civis ou não, tendo como finalidade devolver a segurança retirada das comunidades mais carentes, restaurando a paz. Grupo ou Esquadrão (grupo de Extermínio) – reunião de pessoas, matadores, justiceiros que atuam na ausência ou inércia do poder público, tendo como finalidade a matança generalizada, chacina de pessoas supostamente rotuladas como marginais ou perigosas. Rogério Greco faz o alerta que os crimes realizados neste tipo devem ser aqueles normalmente praticados pelas milícias, a exemplo do homicídio, lesão corporal, extorsão etc... Dos Crimes Contra a Paz Pública Constituição de milícia privada (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Consumação – em relação aos fundadores, no momento em que aperfeiçoada a convergência de vontades entre os agentes para a constituição e demais verbos do tipo. Quanto aos demais que venham integrar ao grupo já formado, na adesão de cada qual. É crime permanente. Dos Crimes Contra a Paz Pública image1.png image2.png image3.png