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SÍNDROME MONO-LIKE EPIDEMIOLOGIA: • Idade de prevalência: adolescentes -10 a 19 anos: 6 a 8 casos/ 1000 hab/ano -19 anos: menos de 1caso/1000 hab/ano • 15% dos adultos excretam EBV (vírus Epstein Barr) pela orofaringe na fase de latência (por isso que é tão difícil prevenir, mesmo com máscaras, etc) • >90% dos adultos já foram expostos TRANSMISSÃO: gotículas de saliva de pessoas com doença ativa ou latência • TRÍADE: FEBRE + LINFONODOMEGALIA + LINFÓCITOS ATÍPICOS • Febre mais prolongada, 3-5 dias +odinofagia + linfonodomegalia cervical posterior + esplenomegalia + linfócitos atípicos • Linfócito B: Epstein-Barr fica lá (monomorfonuclear) – vê no hemograma • Linfonodomegalia (resposta generalizada, mas mais presente na cadeia cervical posterior) -só cervical anterior: não deve ser monolike • Mononucleose: alteração de garganta + exantema não aparece em todos os pacientes não é uma doença exantemática • Diagnósticos diferenciais: mononucleose, citomegalovírus, herpes, HIV fase aguda, toxoplasmose da fase aguda (desencadeia resposta nos linfócitos, mas não fica lá), rubéola, dengue, sífilis 2rio (não mono-like) • EBV: linfócito B>>>> • CMV: todos os linfócitos MONONUCLEOSE INFECCIOSA CLÍNICA E EPIDEMIOLOGIA • É uma doença aguda, de curso normalmente benigno e autolimitado, que acomete mais frequentemente crianças (quadro mais leve), adolescentes (pico) e adultos jovens (com quadro mais sintomático • Entrada pelas amigdalas (adquirida pela saliva – doença do beijo) -pode ser adquirido via transfusão sanguínea ou transplante de medula • Células epiteliais – tecido linfático – células b- morte de células B- medula reage liberando os linfócitos atípicos • Causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV 1 e 2) da família herpesviridae (HHV-4) – DNA de fita dupla – glicoproteína gp350 se liga ao receptor celular CD21 na superfície de linfócitos B – latência em linfócitos B • Nessa latência, 50% dos pacientes liberam vírus: transmissão assintomática • Mais de 90% dos indivíduos soropositivos assintomáticos excretam o vírus nas secreções orofaríngeas • Período de incubação: longo (de 30 a 45 dias/ 4 a 6 semanas) • Apresentação variável entre assintomático e sintomático • Anticorpos heterófilos positivos FISIOPATOLOGIA: • Aquisição do vírus pela saliva • Vírus invade as células epiteliais orofaríngeas → inicia primeira fase de replicação ativa → subsequentemente se disseminam para glândulas salivares e tecidos linfoides orofaríngeos • Seguidamente infecta os linfócitos B (alvo principal) → desencadeia intensa resposta celular citotóxica T-mediada → surgimento de linfócitos atípicos (mononucleares) em sangue periférico • Proliferação e expansao das células B infectadas + células T reativas = aumento do tecido linfoide = aumento das cadeias linfonoidais • Ativação dos linfócitos B desencadeia a producao de anticorpos • Durante a MI, há inversao da razao de células TCD4+/TCD8+ = menos TCD4+ e mais TCD8+ durante infecção aguda • Vírus permanece latente em alguns linfócitos B por toda a vida do indivíduo (capacidade de latência ao longo da vida é característica comum a todos os vírus da família Herpesviridae) -tratamento com aciclovir: impede excreção do EBV pela orofaringe, mas não elimina eles das células B, tanto que elas secretam Ig e uma pequena parcela produz vírus • A infecção latente pode ter **reativação (**ocorrem em pessoas saudáveis, mas são mais comuns em imunossuprimidos) → assintomática em imunocompetentes e pode desencadear **patologias graves (**doenças linfoproliferativas) em imunossuprimidos → transmissível em ambos • Vírus possuí capacidade de induzir doenças linfoproliferativas, doenças autoimunines e malignidades (capacidade oncogênica em imunocompetentes) → causa multifatorial Resposta imune: acreditam ser a responsável pelos sintomas, principalmente a imunidade celular • NK, Células T supressoras e citotóxicas inespecíficas: atuam no controle da proliferação das células B infecctadas por EBV, principalmente na fase inicial • Fase subsequente: produção de células T citotóxicas restritas ao antígeno leucocitário humano que reconhecem os EBNAs e as LMPs e destroem as células infectadas pelo EBV. • Inata: NK, neutrófilos, monócitos/ macrófaos, linfócitos, citocinas pró-inflamatórias, receptores TLRs • Adaptativa: humoral (antígenos EBNA-1 e EBNA-2; IgM (declinam 2 a 6m após infecção); IgG (pico em 2 a 4m e persistem toda a vida - apenas anti-EBNA1; anticorpos neutralizantes) e celular (TCD8; hiperplasia linfoide, linfocitose acentuada, linfócitos T atípicos, TCD4 normal ou pouco elevado) • Níveis séricos elevados de citocinas pró-inflamatórias e imunorreguladoras que contribuem para os sintomas Por que adultos tem sintomas mais fortes? • Maior carga viral e resposta imunológica • Imunidade pré-existente a outros vírus com resposta cruzada (imunidade heterogênica), desencadeando resposta celular aumentada • Início da doença aguda é marcada por altas cargas virais na cavidade oral e sangue • Carga viral oral é mais elevada e tem depuração mais lenta, podendo persistir por mais de 1 ano transmitindo o vírus MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS • Lactentes e crianças: assintomática ou apresenta-se como uma faringite leve, com ou sem tonsilite • Idosos: sintomas inespecíficos, como febre prolongada, fadiga, mialgias e mal-estar. São raras as manifestações típicas, como: faringite, linfadenopatia, esplenomegalia e linfócitos atípicos Período de estado da doença “síndrome mononucleose” • Síndrome autolimita e benigna (duração média dos sintomas: 2 a 4 semanas), com linfadenopatia cervical e fadiga persistentes por mais de 3 semanas • Período prodrômico: inespecífico (fadiga, mal-estar e mialgia), antecedem em 7 a 14 dias os sintomas clássicos (febre, faringite e linfadenopatia) e podem permanecer por mais de 6 meses • Quadro clássico: febre + faringite + linfadenopatia + linfocitose atípica TRÍADE CLÁSSICA: febre + linfadenopatia cervical (posterior) + linfocitose atípica • FEBRE: geralmente baixa, ocorrendo nas primeiras 2 semanas da doenca, podendo persistir por mais de 1 mês • LINFADENOPATIA: ocorre geralmente nas 2 primeiras semanas da doença, tipicamente simétrica, principalmente cervical posterior, podendo ser generalizada (retroauricular, axilar e inguinal), hiperssensível/dolorosa • FARINGITE/ODINOFAGIA INTENSA com edema de amígdalas e úvula + exsudato membranoso branco/acinzentado: ocorre geralmente nas 2 primeiras semanas da doença. -Podem haver petéquias no palato; nem sempre tem mas pode ter - Erupção morbiliforme ou papulosa, geralmente nos braços ou no tronco -Amigdalite estreptocócica – principal diferencial tem muito exsudato - Neutrófilo faz o pus, linfócito não faz • Exantema pós beta-lactâmico (nem todos)/ rash pós betalactamico em 90% dos casos -tratados erroneamente com beta-lactâmicos - hipersensibilidade transitória a penicilinas induzida pela desregulação imunológica pela infecção) • Plaquetopenia (alteração da medula ou baço capta mais plaquetas) e anemia (processo imunológico de anticorpos) • Esplenomegalia (por infiltração linfocitária, geralmente na 3ª semana) em 50% dos casos e menos comum, hepatomegalia -pode ter ruptura de baço devido ao esforço • Outros sinais e sintomas mais frequentes: cefaleia, anorexia, hepatite subclínica (elevação de transaminases, com ausência de icterícia e dor abdominal) • Outros sinais e sintomas menos frequentes ainda: náuseas, vômitos, dor abdominal, edema periorbital, edema bilateral da pálpebra superior (sinal de Hoagland COMPLICAÇÕES • Maioria dos casos tem evolução benigna e não deixam sequelas aparentes • Principais causas de morte incluem complicações no SNC, ruptura esplênica, obstrução de via aérea ou infecção bacteriana secundária Hematológicas: • Até 3% dos casos, entre a 2ª e 3ª semana: anemia hemolítica autoimune(teste de coombs positivo), trombocitopenia severa e sangramentos, neutropenia severa ( (anamnese e exame físico) Suspeita: indivíduos (especialmente adolescentes e adultos jovens) com quadro clínico de doença aguda com odinofagia, linfadenopatia cervical, febre e fadiga Sinais clínicos: faringite exsudativa com petéquias em palato, edema bilateral da pálpebra superior, linfadenopatia cervical posterior simétrica, axilar e inguinal, esplenomegalia EXAMES LABORATORIAIS GERAIS INESPECÍFICOS: Alterações hematológicas • Linfocitose: >50% do número de leucócitos totais (pico de 10.000 a 20.000 μL) -mais intenso na 2ª e 3ª semana, diferencial com reação leucemóide -linfócitos atípicos: > 10% são linfócitos maiores com citoplasma abundante, vacúolos e indentações da membrana celular. Os TCD8+ são os principais linfócitos atípicos -comuns, mas não patognomônicos • PCR, formas jovens do linfócito atípico • Neutropenia e trombocitopenia (plaquetas AST, pico na 2ª semana da doença, normalizando em 3 a 4 semanas e aumento de fosfatase alcalina e bilirrubina aumentada em 40% dos casos PESQUISA DE ANTICORPOS/ TESTES SOROLÓGICOS Inespecíficos: • Autoanticorpos heterófilos – título: maior diluição do soro capaz de aglutinar eritrócitos de ovinos, equinos ou bovinos, começando em 40. Ele não interage com as proteínas do EBV -positivos em 40% dos pacientes na 1ª semana e 80-90% na 3ª semana -criançascom ampla variedade de síndromes clínicas causadas pelo protozoário Toxoplasma gondii, um parasita intracelular obrigatório. • Geralmente assintomática, benigna e autolimitada em indivíduos sadios, mas com apresentação aguda ou crônica em infecção congênita, pós-natal ou em imunocomprometidos ASPECTOS GERAIS • Possui 3 genótipos principais de T. gondii, que se diferenciam quanto à patogenicidade e prevalência. • A imunidade é duradoura, porém genótipo-específica, o que permite a ocorrência de reinfecção em indivíduos imunocompetentes. • Alta prevalência no Brasil Hospedeiro definitivo: felinos • Adquirem por ingestão de carne crua (aves ou ratos) favorecendo o ciclo reprodutivo do protozoário e liberando milhões de oocistos por semanas. Ciclo assexual/Hospedeiro intermediário: outros mamíferos (humanos) e aves • Entram em contato com oocistos (formas de resistência) liberados nas fezes dos gatos e depositados no solo, ou consumo de água e alimentos contaminada. Os oocistos liberam esporozoítas que infectam células do TGI e evoluem para taquizoítas e bradizoítas, sendo todas elas formas infectantes. • Ingestão de ovos em alimentos contaminados, contato com o gato ou conter carne de um animal que comeu o oocisto contaminado Apresenta-se sob 3 formas • Taquizoítos: forma invasiva, na infecção ativa primária ou nos tecidos de reativação de replicação rápida (vacúolo parasitóforo), em quase todos os tecidos (só não se replicam em hemácias) • Bradizoítos: forma latente, de replicação lenta nos cistos, responsáveis pela reativação, + cérebro, retina, músculo, coração. Podem ser ingeridos na ingestão de carne contaminada • Esporozoítos: no interior dos oocistos, forma encontrada no trato gastrointestinal de felinos – passa pela placenta e podem ser ingeridos pela ingestão de alimentos ou água contaminados pelas fezes dos gatos contaminados TRANSMISSÃO VERTICAL • Taquizoítas por via transplacentária, a partir de infecção materna primária OUTRAS FORMAS DE TRANSMISSÃO (RARAS) • Inalação de aerossóis contaminados, inoculação acidental, transfusão sanguínea ou transplante de órgãos, consumo de carnes de animais exóticos contaminados (formas mais graves), contato com animais silvestres como capivaras • Sem transmissão interpessoal Período de incubação: 1 a 4 semanas FISIOPATOLOGIA/PATOGÊNESE • Os parasitas são liberados pelo processo digestivo: bradizoítos ou esporozoítos (resistentes a pepsina) entram no TGI enterócitos viram taquizoítos disseminação para outros tecidos, principalmente tecido linfático, músculo esquelético, miocárdio, retina, placenta e SNC • Destruição direta das células parasitadas pelos taquizoítos, principalmente em tecidos com1º trimestre se não tratada quanto mais cedo adquire a infecção, piores são as manifestações Transmissão: • Pode ocorrer via transplacentária ou no parto vaginal. • Mães infectadas previamente à gestação não apresentam risco de transmissão vertical se imunocompetentes - no caso de reativação da doença, há risco • Tratamento com espiramicina reduz risco de transmissão em até 60% → 85% das crianças infectadas manifestam a doença quando não há tratamento Risco de transmissão: -1º trimestre: 5 a 10% de chance de passar- se passar, causa lesões graves no feto: perda visual, surdez, demência • Tétrade de Sabin: microcefalia com hidrocefalia, coriorretinite, retardo mental e calcificações intracranianas -2º trimestre: 30 a 65% chance de passar -3º trimestre: >70 a 80% chance de passar • Se estiver negativo no 1º trim, mas depois + investiga • IgM + tem gânglio? Tem dor? – trata; se não sentir nada não se sabe se é recente ou de 3 a 4 meses atrás porque IgM perdura por 2 meses na toxo • Teste para saber se faz mais de 3 meses que a mãe tem IgM+ : IgG AVIDEZ Quanto maior o IgG mais ávido é toxo mais antiga • Se tiver clínica, nem precisa do IgG de avidez Linfadenomegalias • Toxoplasmose causa 3 a 7% das linfonodomegalias • Etiologias não infecciosas e tuberculose apresentam curso subagudo a crônico • DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS: EBV, CMV, toxoplasmose aguda, HHV-6, esporotricose, tuberculose, taluremia, linfoma de Hodgkin e não Hodgkin, leucemia, sarcoidose e carcinoma metastático TOXOPLASMOSE OCULAR • Pode ter em paciente imunocompetente • Lesões retinianas • Uveíte e coriorretinite (60% dos casos): crianças podem não perceber em fase aguda • Vitreíte • Podem ser resultados de infecção aguda ou por reativação • Retinite aguda ou crônica: sinais e sintomas: embaçamento visual, escotomas, dor ocular, fotofobia, epífora • Complicações: complicações: déficit visual irreversível e glaucoma, catarata, perda de visão central, nistagmo secundário a má fixação, descolamento da retina, oclusão arterial ou venosa em vasos de retina, edema macular, perivasculite retiniana, atrofia ótica e outras. -pode acometer os músculos extraoculares, gerando distúrbios de convergência e estrabismo • Na fase de inflamação: compensa fazer remédio – em conjunto com o oftalmologista TOXOPLASMOSE EM IMUNODEPRIMIDOS: • Imunocomprometido: parece um abcesso cerebral, confunde com AVC encefalite característica, principalmente quando o TCD4+ cai paralíquor, sangue ou urina da criança • Resultados de anticorpos IgM ou IgA e IgG reagente até 6 meses de vida • IgG em ascensão em pelo menos 2 amostras seriadas com intervalo de 3 semanas durante os 12 primeiros meses de vida. • IgG persistentemente reagente após 12 meses de idade. • Retinocoroidite ou hidrocefalia ou calcificação cerebral com IgG reagente e afastadas outras causas de infecções congênitas e mãe com toxo confirmada na gestação. Caso descartado: • Negativação de IgG durante os 12 primeiros meses de idade • Nas crianças tratadas, considerar soronegativação definitiva apenas 2 meses após a suspensão das drogas antiparasitárias. • Negativação de IgG após 12 meses Testes sorológicos: • Teste de hemaglutinação • Teste de imunofluorescência indireta (IFI) • Teste imunoenzimático (ELISA) • Teste de avidez do IgG avidez com que o anticorpo IgG ligam-se aos seus antígenos gestantes • PCR pouco sensível nesse caso • Teste de corante de Sabin-Feldman Biópsia: apenas para diferenciar de neoplasia, mas para diagnóstico de toxo em si não pede PCR: não é muito sensível; usado em suspeita de reativação em imunossuprimidos Anticorpos: • IgA: marca infecção hiperaguda: mais precoce, mas desaparece rápido (as vezes, antes da clínica) • IgM: infecção aguda, fica mais uns meses • IgG: baixa avidez até 3 meses e alta avidez após 3 meses • IgG com > 60% de avidez: infecção antiga • Em fase aguda, pode-se ter: 1) IgM +, IgG -; 2) IgG e IgM +; 3) IgM –, IgG +, com avidez de IgG 30%. • Em fase latente: IgG de alta avidez, IgM e IgA ausentes • Quanto ao teste de avidez, se for menos que 20%, a afinidade é baixa e indica caso agudo; entre 20- 30% é indeterminado; e 30% ou mais é considerado crônico. • Para gestantes se IgM + e IgG - tem que repetir o teste em 15d; se ela tem clínica tem que pedir avidez GESTANTES • IgG e IgM não reagentes: gestante suscetível, nunca foi infectada • IgG reagente e IgM não reagente: gestante com doença antiga (faz avidez) • IgG não reagente e IgM reagente: provável doença recente, repetir sorologia em 15 dias (IgG e IgM) • IgG reagente e IgM reagente: provável doença recente neste caso. O laboratório municipal realiza automaticamente a avidez de IgG • Gestante pode não saber o que esta acontecendo • Na gravida: difícil fazer remédio: pede para não se expor ao risco • Gestante IgM positivo: 3 a 6 meses da doenca ou IgM que durou pouco mais: pergunta se teve sintomas/clinica (linfonodo + mal estar+ febre)- faz medicação: laboratorial + clínica • Doença nova: remédio • Doença velha: ano passado: alta avidez de IgG: não faz nada, foi no passado • Evitar problemas de gravidez Teste de avidez: • Avidez fraca ou intermediária: doença recente, iniciar o tratamento e encaminhar para referência • Avidez forte: avaliar idade gestacional (IG) quando da realização do exame -IG maior que 17 semanas: possível doença recente, encaminhar para referencia -IG menor ou igual a 17 semanas: doença antiga ACOMPANHAMENTO • Indicações de internação - infecção congênita, imunocomprometimento com toxo aguda e suspeita de neurotoxo • Indicações de alta - estabilidade clínica, laboratorial e hemodinâmica com tratamento adequado. Deve seguir acompanhamento quinzenal até estabilidade completa. Hemograma, hepatograma e função renal feitos mensalmente durante a terapia • NOTIFICAÇÃO - MS recomenda notificação semanal de toxo gestacional e congênita. TRATAMENTO: Quando tratar? • Pacientes de forma ocular em atividade • Imunodeprimido com doença ativa (neurotoxo) • Infecção recente em gestante/congênita • Paciente muito sintomático (em imunocompetentes, é encorajado a não tratar) Com o que tratar? Adquirida/ocular e imunodeprimido • SULFADIAZINA + PIRIMITAMINA (como é muito mielotóxico) faz ÁCIDO FOLINICO • Gestantes até 18ª semana: ESPIRAMICINA • Sulfadiazina pode ser substituído pela clindamicina na forma ocular • Atovaquona: imunocomprometidos • Tempo: 4 a 8 semanas • As vezes, pode precisar fazer corticoide TRATAMENTOS ESPECÍFICOS: Neurotoxo na AIDS: se melhora suspenso em 4 a 6 sem; acompanhamento por exames de imagem; uso de corticoides sistêmicos indicado para edema importante; profilaxia secundária é mantida com as mesmas drogas do tratamento mas em doses menores para evitar reativação Toxo ocular: tx normal por 4 a 6 sem + formulações tópicas oftálmicas de corticoesteroides; corticoesteroides sistêmicos são recomendados quando há envolvimento da mácula, disco óptico e feixe maculopapular Congênita: quando há evidencias de que a infecção já ocorreu → sulfadizina + pirimetamina + ácido folínico (apenas após 14ª semana de gestação) Gestantes: Pirimetamina é teratogênica (não utilizar no 1º trimestre); Sulfadiazina contra-indicada após 35ª semana pelo risco de Kernicterus → alternância entre Espiramicina e Sulfadiazina (troca a cada 4 semanas) Imunossuprimidos: → Ganciclovir • Dia que a lesão parou de ficar inflamada (oftalmo): 4 a 8 e faz mais um mês • Neurotóxico: começou a melhorar: faz mais oito semanas • Pirimetamina é teratogênica, não sendo usada no 1º trimestre de gravidez. Pode trocar por espiramicina PROFILAXIA • Higiene e alimentos (cuidar com alimentos crus) • Não há vacina • Evitar ingestão de carne crua/mal passada • Lavar a mão após contato com animais domésticos CITOMEGALOVÍRUS/CMV • Família Herpesviridae- DNA vírus • Soroprevalência em países em desenvolvimento: 80 a 100% • Na gestação pode causar púrpura, surdez, alterações oculares e do SNC • Pode ficar em latência e reativar em imunossuprimidos Forma de transmissão • Contato com secreções corporais (secreção de orofaringe, urina e transmissão sexual, pode ser congênita – aborto), transfusão sanguínea e transplantes, transplacentária e perinatal • O CMV pode estar presente no leite materno, na saliva, nas fezes e na urina. • Primoinfecção normalmente assintomática • Não se propaga facilmente por contato casual, exigindo exposição intima prolongada • Associado a doença primária grave e reativação em grupos de risco (quando há imunidade T comprometida após transplante de órgãos, nas neoplasias linfoides e certas imunodeficiências adquiridas (em particular, infecção pelo HIV) • Uma vez infectado, o indivíduo se torna portador pelo resto da vida Patogênese • Invade células epiteliais de orofaringe • Disseminação hematogênica • Latência em linfócitos e neutrófilos com reativação esporádica • Tem neurotropismo: latência em linfócitos e neutrófilos • Bem sistêmico: comum fazer lesão do SNC, TGI e pulmonar • Células em aspecto de olho de coruja: células citomegalicas com uma inclusão intranuclear de 8 a 10 μm, de localização excêntrica e circundada por um halo claro podem ser encontradas em glândulas salivares, pulmão, fígado, rim, intestino, pâncreas, glândulas suprarrenais e sistema nervoso central. CLÍNICA • Maioria dos casos são assintomáticos • Sintomáticos: febre prolongada, astenia, hepatoesplenomegalia (50%), benigna e autolimitada • Odinofagia/exsudato e linfoadenomegalia mais comuns em crianças • Complicações: raras em imunocompetentes – encefalite, polirradiculoneurite, miocardite e penumonite • Clinica idêntica a mononucleose • Faz menos amigdalite: não entra só pela amigdala, pode entrar por outras vias • Infecção em imunodeprimidos: reativação • Linfócitos atípicos no sangue, principalmente TCD8+ Infecção congênita/perinatal • Risco de transmissão durante toda a gestação • Apenas 10% são sintomáticos. Variam de subclínicas a graves e disseminadas • Hepatoesplenomegalia, icterícia e petéquias erupções purpúricas hemorrágicas tipo “bolo de mirtilo”, eritropoiese dérmica • Infecções do 1º trimestre: complicações neurossensoriais: microcefalia, com ousem calcificações cerebrais, retardo do crescimento intrauterino e prematuridade • Sequelas: déficit auditivo/visual e intelectual importante • Anormalidades laboratoriais: níveis elevados de alanina-aminotransferase no soro, trombocitopenia, hiperbilirrubinemia conjugada, hemólise e níveis elevados de proteína no líquido cerebrospinal (LCS) • DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: sífilis, toxoplasmose, sepse bacteriana e infecção por uma variedade de vírus, incluindo rubéola, zika ou herpes-vírus. Mononucleose por CMV: • Síndrome de mononucleose negativa para anticorpos heterófilos • Adultos jovens sexualmente ativos • Sintomas: febre alta e prolongada, às vezes com calafrios, fadiga profunda e mal-estar, mialgias, cefaleia e esplenomegalia • Diferença da mononucleose causada por EBV: quase não tem faringite exsudativa e a linfadenopatia cervical • Podem ter erupções rubeoliformes após exposição a betalactamico • Menos comuns são pneumonia intersticial ou segmentar, miocardite, pleurite, artrite, trombose de veia esplâncnica e encefalite. • Linfocitose relativa no sangue periférico, com > 10% de linfócitos atípicos • Astenia pós viral pode persistir por meses • A excreção do CMV na urina, nas secreções genitais e/ou na saliva costuma manter-se por vários meses ou anos. CMV EM IMUNOCOMPROMETIDO: • É o patógeno viral mais comum complicando o transplante de órgãos • Pode se manifestar com febre com leucopenia, hepatite, colite, pneumonite, esofagite, gastrite e retinite • O risco é maior nos primeiros 100 dias após o transplante, e os fatores de risco identificados incluem certos tipos de terapia imunossupressora, enxerto alogênico (em comparação com autólogo), doença aguda do enxerto versus hospedeiro, idade avançada e soropositividade do receptor pré-transplante. • Em pacientes com HIV avançado:r etinite ou doença disseminada, em particular quando as contagens das células T CD4+ no sangue periférico caem abaixo de 50/μL • SÍNDROME DO CMV: fadiga, febre, mal-estar, anorexia, sudorese noturna e artralgias ou mialgias anormalidades da função hepática, leucopenia, trombocitopenia e linfocitose atípica • Sem tratamento, a infecção pelo CMV pode progredir para doença mais grave em órgãos-alvo. • Comprometimento respiratório: taquipneia, hipoxemia e tosse improdutiva; infiltrados intersticiais ou reticulonodulares bilaterais que surgem na periferia dos lobos inferiores e disseminam-se para as áreas central e superior • Colite: imunossuprimidos ou podem resultar em exacerbações de retocolite ulcerativa subjacente • Retinite: pequenas áreas esbranquiçadas e opacas de necrose retiniana granulosa que se propagam de modo centrífugo e que mais tarde são acompanhadas de hemorragias, bainhas perivasculares e edema da retina HIV: 2 tipos principais de encefalite: • Demência progressiva • Ventriculoencefalite: caracterizada por déficits de nervos cranianos, nistagmo, desorientação, letargia e ventriculomegalia DIAGNÓSTICO • Linfocitose, linfócitos atípicos, aumento de transaminases • Sorologias para CMV IgG e IgM em recém nascidos, IgG pode ser materno • Isolamento em secreções (recém-nascidos urina) • PCR: sensível e específico, quantitativo • Reativação: não usa IgM ou IgG • Imunofluorescência: antígenos do CMV (pp65) em leucócitos do sangue periférico SIDA/AIDS e transplantados • teste de genoma (reativação- não usa anticorpo) antigenemia • PCR • Sorologia com perfil de latência pois em geral é uma reativação = IgG TRATAMENTO • DROGAS: Valganciclovir e ganciclovir (inibidor seletivo da DNA-polimerase do CMV) • Ciclo de indução de 14 a 21 dias (ganciclovir 5 mg/kg, IV, 2 ×/dia; ou valganciclovir 900 mg, VO, 2 ×/dia), algumas vezes seguido de tratamento de manutenção (p. ex., valganciclovir 900 mg/dia • Resistência ao ganciclovir: foscarnete ou cidofovir • Indicado: CMV em imunodeprimidos, congênita e perinatal -Não usa para síndrome aguda- usa só em reativação de imunossuprimido • Pode usar em gestante • Drogas mielotóxicas e nefrotóxicas Profilaxia • Não tem vacina • Usar precauções padrão com pacientes em fase aguda, não há indicação de precaução respiratória • Tratamento preemptivo em transplantados • Profilaxia com Letermovir em TMO halogênico • Profilaxia secundária em pacientes com AIDS • Precaução de contato na doenca congênita excreção urinária HIV AGUDO/ SÍNDROME RETROVIRAL AGUDA • Vírus RNA (transcriptase reversa) vira DNA • Transmissão sexual, vertical e parenteral • Após fagocitose tecidual por macrófagos infecta linfócitos TCD4 e seus precursores de forma permanente por integração no DNA -Macrófago tecidual – apresenta para o TCD4: fase aguda, pode ter linfócitos atípicos • Depleta a imunidade celular e ao longo dos anos promove imunodeficiência e doenças oportunistas • TCD4 morrendo: aviso chega tarde • Linfócito B: faz anticorpo mais rápido • Atraso porque infecta a célula que faria o anticorpo • Síndrome de soroconversao: demora para fazer a conversão • Na FASE AGUDA pode apresentar síndrome monolike, como febre, linfadenopatia cervical posterior generalizada, linfocitose atípica, odinofagia com amigdalite, exantema e outros sintomas constitucionais e sistêmicos fase de ALTA carga viral e um período de janela imunológica • Faringite + exantema + linfonodo cervical anterior • Mialgia, artralgia, cefaleia tudo pode acontecer • Alta carga viral: não tem IgM e IgG das outras síndromes monolike (+ clínica Herpesvírus Humano tipo 6 (HHV-6) • HHV-6A infecta imunocomprometidos • HHV-6B infecta imunocompetentes • Bastante comum em crianças pequenas (exantema súbito durante 5d e febre alta) -saliva e secreções genitais - lactância (9 a 21 meses) - febre, irritação e diarreia ou exantema súbito, convulsoes febris sem exantema -persiste nas células mononucleares do sangue periférico, bem como no sistema nervoso central, nas glândulas salivares e no trato genital feminino. -faixa etária mais alta: síndrome mononucleosa -imunossuprimidos: encefalite, pneumonite, hepatite de células gigantes sinciciais e doença disseminada • 95% da população é soropositiva • Primoinfecção rara em adultos imunocompetentes → forma leve a autolimitada da síndrome e pior quadro em imunossuprimidos HHV-7: crianças: febre, convulsões, infecções do TGI, e sintomas respiratórios HHV-8: vírus em sarcoma de Kaposi (SK) e do linfoma em cavidade corporal, em pacientes com HIV. -infância: febre e exantema maculopapular. -imunocomprometidos: febre, esplenomegalia, hiperplasia linfoide, pancitopenia ou SK de início rápido. • A síndrome de citocinas inflamatórias do herpes-vírus associada ao SK (KICS, do inglês KS-associated herpesvirus inflammatory cytokine syndrome) – que consiste em febre, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, citopenias e níveis elevados de HHV-8, IL 6 humana e viral e IL 10 humana Herpesvírus Simplex Tipo 1 (HSV1) • Infância • Erupções vesiculares mucocutâneas na mucosa oro-labial; gengivoestomatite herpética; fase prodrômica • Primoinfecção normalmente assintomática ou inespecífica • Menos frequentemente causa síndrome mono-like Adenovírus Humanos (HAdVs) • Autolimitada • Faringite, coriza, febre e linfadenopatia cervical • Mais graves em imunossuprimidos, RN e lactentes • Transmissão inter-pessoal e fecal-oral Streptococcus pyogenes b-hemolíticos do grupo A • Normalmente atinge TRS e pele (faringite, escarlatina, impetigo, celulite ou erisipela) • Incidência maior: 5 a 15a • Transmissão: contato direto • Quadro: febre, mal-estar, intensa odinofagia, linfadenopatia cervical anterior, cefaleias, petéquias no palato, TGI Síndrome DRESS (Drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms) • Reação de hipersensibilidade retardada (2m após uso) a fármacos, rara, grave e fatal • Maior frequência 2 a 6 sem após início do tx • Quadro: erupção cutânea grave e generalizada,febre, linfadenopatia, eosinofilia, linfócitos atípicos • antiepiléticos aromáticos (carbamazepina, fenobarbital, fenitoína) • Alopurinol, lamotrigina, sulfassalazina, nevirapina, dapsona • Podem reativar infecções (HHV são os mais associados à DRESS)