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Introdução à Fonética e à Fonologia 03

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Introdução à Fonética e à
Fonologia
AUTORIA
Sérgio Aparecido Carneiro
08/06/2025, 23:16 Introdução à Fonética e à Fonologia
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Sumário
Introdução
1 - Fonética e Fonologia: questões gerais
2 - O Alfabeto Fonético
3 - A relação de correspondência entre letra e som no português
brasileiro
Considerações Finais
Introdução
Caro (a) aluno (a), você está iniciando comigo os estudos sobre Fonética e Fonologia
com destaque à Língua Portuguesa falada no Brasil. O que será apresentado nesta
primeira unidade ajudará você a compreender melhor as unidades seguintes. Sem
descuidar do rigor teórico, procuro facilitar a linguagem para tornar seu estudo bem
produtivo.
Esta unidade é composta por três tópicos. No primeiro, “Fonética e Fonologia:
questões gerais”, procuro mostrar os campos de estudo específicos da Fonética e da
Fonologia e a aplicação atual desses estudos. Apresento também alguns
questionamentos importantes sobre o marco histórico da Linguística, com Ferdinand
de Saussure e o início do Estruturalismo.
No segundo tópico, “O alfabeto fonético”, apresento as consoantes, as semivogais e as
vogais do Português do Brasil. E mostro como se faz a transcrição dos sons (fones) de
nosso idioma, obedecendo ao Alfabeto Fonético Internacional (AFI). É uma primeira
noção que será desenvolvida nas próximas unidades. Com esse estudo, você terá uma
visão ampliada da variedade de sons do Português do Brasil e até passará a entender
melhor os dicionários de língua estrangeira quando explicam o funcionamento de
alguma pronúncia.
No terceiro tópico, “A relação de correspondência entre letra e som no português
brasileiro”, eu começo a mostrar as relações óbvias e as mais curiosas entre letra e
som (fone, fonema) no nosso idioma. Esse tópico é bem interessante e objetiva
também levar você e eu à consciência de que estudar Fonética e Fonologia pode
melhor nossa compreensão da ortografia e auxiliar o trabalho do professor que
alfabetiza.
Os estudos dessa unidade iniciam um processo seu de maior conhecimento do
idioma usado no Brasil. Eu garanto a você que essa é uma viagem que vale a pena...
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Plano de Estudo:
1. Fonética e Fonologia: questões gerais;
2. O alfabeto fonético;
3. A relação de correspondência entre letra e som no português brasileiro.
Objetivos de Aprendizagem:
1. Conceituar Fonética e Fonologia;
2. Delimitar o campo de análise linguística da Fonética e da Fonologia;
3. Discutir tópicos sobre o Estruturalismo em Ferdinand de Saussure;
4. Apresentar o alfabeto fonético, destacando os fones do Português do Brasil;
5. Discutir a relação entre letra e som no Português do Brasil;
6. Iniciar a discussão sobre os desafios da alfabetização ligados à relação entre letra
e som no Português do Brasil.
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Fonética e Fonologia: questões
gerais
Fonética e Fonologia são estudos linguísticos inter-relacionados. Ambas “investigam
como os seres humanos produzem e ouvem os sons da fala” (SEARA; NUNES;
LAZZAROTO-VOLÇÃO, 2011, p.11).   É claro que cada uma delas tem suas
especificidades. E, dependendo da corrente linguística e das evoluções históricas dos
estudos, os enfoques podem mudar também.
Pense em todos os órgãos e regiões anatômicas envolvidos na produção da fala
humana. Diafragma, pulmões, traqueia, laringe, glote, cordas vocais, cavidade oral e
cavidades nasais, língua, palato duro (céu da boca) e palato mole (parte traseira do
céu da boca), dentes, alvéolos que envolvem os dentes, boca, língua, lábios e
principalmente o cérebro. Todos eles colaboram na produção dos sons da fala. Já para
entender uma mensagem, a audição e o cérebro entram em cena. E só vai haver
comunicação se falante e ouvinte dominarem a mesma língua. Entender esse
funcionamento é objeto de estudo da fonética, que obviamente vai precisar de
outros conhecimentos auxiliares, como a anatomia humana, a acústica da física para
analisar sons em laboratórios, a psicologia, a neurociência, eventualmente até a
filosofia, a sociologia etc.. Os aspectos fundamentais da articulação e produção dos
sons da fala humana serão detalhados nas Unidades II e III, priorizando os sons (fones
e fonemas) em Português do Brasil (PB).
Assim, a fonética estuda como se dá a produção dos sons da fala humana e a
recepção desses sons, os chamados fones.   Isso seria possível dentro do estudo das
mais variadas línguas. Em se tratando de uma língua específica, como é o meu e o
seu interesse, caro aluno, neste estudo sobre o Português do Brasil (PB), as
investigações da fonética focalizadas serão principalmente as variações de produção
de um mesmo som (fone) do nosso idioma. Por exemplo, as ocorrências de
pronúncias variadas no PB do som representado pela letra “r” em final de sílaba,
como ocorre com a palavra “amor”. Aqui haveria um encontro constante de
perspectivas da Fonética e da Fonologia.
“É a partir do século XIX que a fonética, entendida como ciência dos sons e sua
classificação, começa a se constituir como um domínio definido nos estudos das
línguas [...]” (CALLOU; LEITE, 2009, p. 48).
E, ainda segundo CALLOU e LEITE (2009, p. 53), há necessidade de avançarem os
estudos fonéticos:
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Apesar de todo esse progresso, ainda permanecem não de todo claras,
dada a sua complexidade, as inter-relações entre a produção da fala e o
sinal acústico dela resultante, principalmente no que diz respeito ao
mapeamento entre o sinal e a sequência de símbolos discretos, tal como
os propostos pela fonética articulatória nos alfabetos fonéticos. Ainda
não estão completamente resolvidos os princípios de segmentação e de
discriminação de um registro acústico. (CALLOU; LEITE, 2009, p. 48).
Pensemos um pouco agora na Fonologia. Ela também se ocupa da produção e
recepção dos sons da fala. Mas há uma mudança de perspectiva. A fonologia focaliza
os traços distintivos de uma língua, os chamados fonemas. Ela se ocupa de estudar as
diferenças sonoras capazes de alterar o significado de palavras. Por exemplo, as
palavras “mata” e “nata” têm significados diferentes devido ao primeiro som / m / e / n
/, que respectivamente (são lidos como fonemas “mê” e “nê”). Aqui não interessa a
letra, mas o som representado. Ela vai investigar onde estão os traços distintivos entre
essas duas palavras e vai descrever isso. E vai também postular regras que expliquem
as situações linguísticas capazes de promover distinção de significado.
Um fato atual importante é que o interesse de várias profissões tem crescido em
relação aos estudos da Fonética e da Fonologia:
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Ainda citando Seara, Nunes e Lazzarato-Volção (2011, p.15 e 16), o estudo de línguas, a
fonoaudiologia, a fonética forense, a tradução e as tecnologias de fala (criação de
tecnologias para mediar a comunicação através da fala entre o homem e a máquina)
são estudos que têm espaço na atualidade e que precisam da Fonética e da
Fonologia.
Um Marco Histórico nos Estudos
Linguísticos
Segundo Rodrigues (2008,p. 1-4), o conhecimento linguístico do século XX teve
grande influência da obra Curso de Linguística Geral, lançada na França, em 1916.
Essa obra é trabalho de discípulos do linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857 –
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1913), que havia ministrado três cursos de Linguística Geral a seus alunos da
Universidade de Genebra, entre 1907 e 1911. É a partir dessa obra dos discípulos de
Saussure, que toda a sua perspectiva frente aos estudos linguísticos ficará conhecida
e será ampliada, revisitada e até repensada pelos estudos linguísticos futuros.
Saussure viveu num momento em que se buscava dar rigor científico aos estudos de
linguagem.  Utilizando a indução (parte-se da observação de fatos particulares até se
possibilitar generalizações), chegou ao método chamado de Estruturalismo e definiu
o objeto de estudo da Linguística: a língua.
Saussure dedicou toda a sua vida à produção de uma obra que
implantasse nos estudos linguísticos um modelo metodológico capaz de
imprimir a tais estudos o rigor científico almejado. A precisão na
delimitação do objeto dessa ciência é parte fundamental desse processo
de constituição. É exatamente por isso que ele é considerado o linguista
cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística
científica e estabeleceram a base do pensamento sobre a linguagem no
século XX. Seja ao desenvolver o pensamento saussuriano, seja ao
questioná-lo, ou ambos, a produção teórica sobre língua e linguagem
durante todo o século passado esteve relacionada, de alguma maneira, à
obra do linguista genebrino. (RODRIGUES, 2008, p. 7).
Ele utiliza o conceito marxista de “fato social” adaptado também ao funcionamento
da língua enquanto um sistema maior ao qual o indivíduo pertence, está sujeito e não
consegue mudar sozinho. Pelo menos uma de suas maneiras de conceituar “língua”
relaciona-se ao “fato social”:
Para ser um fato social o fenômeno teria de atender às características de
generalidade, exterioridade e coercitividade, fazendo com que as
pessoas sintam, pensem e façam aquilo que já é esperado delas pela
sociedade. Esse conceito está na base do aspecto social da língua, e se
traduz pelo conceito de sistema presente na obra saussuriana.
(RODRIGUES, 2008, p. 5)
Quero aqui destacar os conceitos de “língua” e “fala” segundo o Curso de Linguística
Geral. Rodrigues (2008, p. 8), mostrando a importância dos estudos de Saussure,
destaca “língua” e “fala” como conceitos que se opõem:
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Tal obra divulga, assim, os conceitos basilares de uma nova ciência, a
linguística. Define o objeto dessa ciência, a língua. Isola, ou distingue
esse objeto dos demais fatos da linguagem. Caracteriza linguagem em
oposição à língua. Caracteriza a língua em oposição à fala, à escrita e a
outros códigos de linguagem. Ademais, ao estabelecer toda essa
abstração teórica, suscita um método capaz de imprimir rigor aos
estudos linguísticos, até então orientados pela subjetividade ou pela
inadequação do método empregado nas ciências naturais, a saber, um
método adequado aos estudos sociais, o estruturalismo. (RODRIGUES,
2008, p. 8).                  
A “língua” (langue – termo em francês normalmente usado) aparece como um
sistema abstrato de possibilidades de comunicação, derivada de um contrato social,
ou como um “sistema virtual que existe no cérebro” (SILVA; MILANI, 2011, p. 9-11). Por
um lado, a língua é apresentada como social, coletiva e externa ao indivíduo; mas,  por
outro lado, também aparece como um sistema linguístico internalizado pelo
indivíduo. Essa dualidade apresentada pelo conceito de “língua” no Curso de
Linguística Geral já rendeu muita discussão teórica, mas extrapola os objetivos do
nosso estudo neste material.
A “fala” (parole - termo em italiano normalmente usado) seria a realização da “língua”,
ocorre na hora em que o indivíduo faz uso pessoal de um sistema linguístico abstrato.
É o momento em que pela inteligência e vontade o indivíduo faz uso real da “língua”.
E Silva e Milani (2011, p. 15) contribuem para esclarecer o conceito de “ fala”:   “[...]
poderá escolher o que dizer e como dizer. Poderá selecionar algumas palavras e não
outras; poderá escolher um tom mais alto ou mais baixo; poderá escolher entre uma
variante mais ou menos formal; poderá ser criativo no uso da língua”.
Saussure define o signo linguístico como portador de “significado” (o que a palavra
quer dizer) e “significante” (a imagem acústica, o som). Haveria uma ligação arbitrária
entre o significado e o som, para cada palavra dentro de uma língua. E, com a
evolução da história de cada palavra numa língua, o significado pode ser alterado:
Em consequência ao princípio de arbitrariedade, podemos dizer que um
signo pode desfazer a sua união, que um significante pode unir-se a
outro significado qualquer, reciprocamente. Dessa forma a união que
resulta num signo não é eterna, um significante não está colado a um
significado, isso permite que uma língua se transforme, permite a
variabilidade de sons e sentidos (CUNHA, 2008, p. 4)
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O Alfabeto Fonético
O Alfabeto Fonético Internacional (AFI) ou em inglês (IPA – International Phonetic
Alphabet) foi criado pela Associação Fonética Internacional como forma de
padronizar a representação dos sons das línguas humanas. E vem sendo
constantemente atualizado e aprimorado.
Ele foi desenvolvido por foneticistas com o patrocínio da Associação Fonética
Internacional. Apresenta uma notação padrão para a representação fonética de todas
as línguas do mundo. A maior parte de suas letras originaram-se do alfabeto romano,
e algumas do grego. Seus símbolos dividem-se em três categorias: letras
(representando sons básicos), diacríticos (que auxiliam a melhor especificar esses
sons básicos) e suprassegmentos (que denotam características como: velocidade, tom
e acento tônico). (SEARA; NUNES; LAZZAROTO-VOLÇÃO, 2011, p. 62)
Nesta unidade, priorizei os fones (sons) do Português do Brasil (PB). Serão
apresentadas as consoantes, as vogais e as semivogais. A transcrição desses sons é
feita entre colchetes. A transcrição fonética envolve, dependendo da discussão feita e
do som em questão, uma série de pronúncias possíveis. Isso será feito, nas unidades
seguintes. Aqui será apresentada apenas uma pronúncia ampla dos fones. Observe
que estamos falando de sons. Normalmente, esses sons são representados por letras
que já usamos no nosso alfabeto. Mas, eventualmente, aparecem outros símbolos
para darem conta da variedade sonora do Português do Brasil. Caro aluno, o que pode
lhe parecer complexo, num primeiro momento, com um pouco de estudo e
acompanhando o direcionamento das quatro unidades deste estudo, você verá que é
relativamente simples compreender o sistema fonético e fonológico em nosso
idioma.
A divisão tradicional entre vogais e consoantes em nível de articulação deve ser
entendida a partir da liberação do fluxo de ar dos pulmões. Nas vogais, não há
nenhum impedimento a essa passagem de ar, ou seja, os segmentos vocálicos são
produzidos com o fluxo de ar passando livremente ou praticamente sem obstáculos
(obstruções ou constrições) no trato vocal. Já as consoantes são articuladas a partir
de alguma obstrução no trato oral, seja ela parcial ou total. Uma outra diferença entre
esses dois tipos de sons é que as vogais são vozeadas, isto é, são produzidas com a
vibração das pregas vocais, enquanto as consoantes podem ou não ser produzidas
com vibração das pregas vocais.Assim podem ser vozeados ou não-vozeados.
(SEARA; NUNES; LAZZAROTO-VOLÇÃO, 2011, p. 25)
As consoantes, semivogais e vogais apresentadas a seguir tiveram como fonte de
pesquisa a obra “Fonética e fonologia do português brasileiro: 2º período” (SEARA;
NUNES; LAZZAROTO-VOLÇÃO, 2011, p. 25 - 61), com exemplificações e mínimas
adaptações criadas por este autor.
As consoantes do português do Brasil
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As semivogais do português do Brasil
As semivogais ocorrem quando existe mais de som de vogal na mesma sílaba: mei-
ga, mau, i-guais. Esses sons serão representados aqui por [ y ] para o som de “i” e [w]
para o som de “u”. Optei pelo símbolo [ y ], que por vezes é representado por [ j ], para
facilitar nosso trabalho aqui. Esses fones apresentam-se como mais breves que as
vogais. E, numa sílaba em Língua Portuguesa, só há uma vogal, que será o núcleo
dessa sílaba. Portanto se aparentemente houver mais de uma vogal numa mesma
sílaba, na verdade só uma desempenha o papel de vogal formadora da sílaba e os
demais sons de vogais são as chamadas “semivogais”. Isso será detalhado nas
unidades seguintes.
As vogais do português do Brasil
A análise dos sons vocálicos no Português do Brasil requer um estudo abrangente
que leva em consideração uma série de caraterísticas desses sons. Uma das primeiras
questões é o tipo de sílaba em que a vogal ocorre: tônica, pretônica, postônica,
subtônica. Isso será assunto para as unidades seguintes. Aqui somente
apresentaremos essas vogais e sua transcrição fonética ampla.
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A relação de correspondência
entre letra e som no português
brasileiro
A correspondência entre letra (grafema) e os sons (fonemas e fones) é o objeto desta
seção do nosso estudo. Há várias situações que merecem ser observadas. Entendê-las
pode auxiliar a diminuir dúvidas ortográfica na hora de escrever. Uma primeira
situação é quando há exata correspondência entre letra e som. “É o caso das
consoantes ‘p’, ‘b’, ‘t’, ‘d’, ‘f ’, ‘v’, ‘m’ e ‘n’ em início de sílaba, e dos dígrafos ‘nh’ e ‘lh’
(HAUPT, 2012, p.240):
Nesses casos acima, as letras representam sempre o mesmo som. Poderá haver, no
entanto, pequenas alterações de pronúncia sem modificarem o significado das
palavras e isso será detalhado nas próximas unidades.
Mas nem sempre há essa correspondência. Às vezes o mesmo som pode ser
representado por letras diferentes:
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Há também situações em que um único som é representado por duas letras. São os
chamados dígrafos:
Existem letras que não representam fonema algum. É o caso do “h’ em início de
palavras, apenas é usado porque deriva de alguma palavra que possuía “h”. As letras
“m” e “n” em final de sílabas também não representam som, só nasalizam a vogal
anterior:
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Pode ocorrer de uma letra representar sons diferentes, dependendo do contexto
linguístico em que ela esteja inserida:
A letra “x”, em algumas palavras, pode representar dois sons [ks]: perplexo, anexo,
prolixo, sexo, conexão, maxilar, intoxicar...
Uma questão relevante é que o número de letras pode ou não coincidir com o
número de fonemas (sons que ainda serão detalhados nas unidades seguintes). Isso
pode se dar por vários motivos. A seguir apresento a palavra, a transcrição dos
fonemas e o motivo por não haver correspondência entre o número de letras e de
fonemas:
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Há casos dependentes do contexto fonético (HAUPT, 2012, p. 240 e 241), que poderiam
ser destacados aqui. Por exemplo, o som [ k ], quando seguido das letras “a”, “o”, “u”
(ou dos sons [ a ], [ ɔ ], [ o ], [ u ]) será grafado com a letra “c”: casa, coisa, cunhado. Se
aparecem as vogais “e”, “i”, já vai haver necessidade do grupo de duas letras (dígrafo)
“qu” para produzir o mesmo som: aquele [ a’ keli ], máquina [  ‘makinɐ ].
O som [ g ] aparece seguido das vogais “a”, “o”, “u”: gato, goela, guarda. Para
representar o mesmo som seguido das vogais “e”, “i”, será necessário o grupo de letras
“gu”: gueto [  ‘getʊ ], guinada [ gi’ nadɐ ].
Sem querer aqui estender a lista em detalhes, ainda posso levantar casos
interessantes, (HAUPT, 2012, p. 241) como o som [ z ] em início de palavra que sempre
será representado pela letra “z”: zebra, zangão, zoada, zangar... E o som [ ∫ ]
representado pela letra “x”, depois de ditongo: caixa, ameixa, feixe, faixa...
Relação entre letra e som no Português do
Brasil: um desafio à alfabetização
Dependendo do tipo de variação linguística a que a criança em fase de alfabetização
esteja exposta, existirão dificuldades específicas para ela entender a relação entre o
som das palavras e a escrita. Esse é um fato importante, principalmente porque há
várias maneiras de pronunciar um  vocábulo e só uma  forma oficial de escrevê-lo.
Muitas podem ser as dificuldades nessa área.  As palavras terminadas com a letra “e”
ou a letra “o” átonas normalmente são pronunciadas com os fones [ i ], [ ʊ ]. Então,
“osso” soa como [ ‘osu ] ou [ ‘osʊ ], como se costuma representar, e “pele” soa como [ ‘
pɛli ]. É comum, durante o processo de alfabetização, a criança grafar o final das
palavras “osso” e “pele”, respectivamente, com as letras “u”, “i”. A criança vai precisar
entender que se pronuncia de uma forma, mas se escreve de outra.
Outra situação em que crianças se veem em dificuldades, é com o som   de “r” em
finais de verbos no infinitivo. Em muitas localidades brasileiras esse som não é
pronunciado. Daí a grafia, por exemplo, de “falar”, “comprar”, “vender”, poder ser feita,
respectivamente, como “falá”, “comprá”, “vendê”.
Outra situação é quando alguns grupos de vogais (ditongos) são desfeitos na fala. Por
exemplo, “peixe’ soa como [‘peʃi ] ou [ ‘peʃe ]. O resultado pode ser a grafia “pexe” ou
“pexi”. O mesmo pode ocorrer com vocábulos como “faixa”, “caixa”, trouxe”, “couro”,
“ouro”... Novamente, a criança vai precisar entender que se pronuncia de uma forma,
mas se escreve de outra.
Outra dificuldade é o “h” no início de palavras. Ele só tem valor etimológico (quer
lembrar a origem do vocábulo). Como ele não representa nenhum som, saber
empregá-lo será mais um exercício de memorização. Dentre outras atividades úteis
para usar esse “h”, a leitura de textos variados auxilia a conhecer palavras como
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“haver”, “hífen”, “herói”, “honra”... Nessa questão, a criança precisará entender esse
fenômeno da Língua Portuguesa: uma letra que se coloca na palavra sem que ela
represente som.
Não quero aqui fazer uma lista exaustiva. Mas muitas são as situações linguísticas que
precisam ser conhecidaspelo professor que alfabetiza e pelo professor de língua
materna no Brasil. A nasalidade conferida, por exemplo, pelo til, na palavra “maçã”, e
pela letra “n”, na palavra “hífen”, é idêntica, embora sejam soluções ortográficas
diferentes.   A pronúncia do “lh”, na palavra “palha”, por exemplo, é próxima da
pronúncia das letras “li”, na palavra “família”. O que pode levar uma criança a escrever
“familha”. Aqui a consciência dos sons da língua, a repetição, as brincadeiras com
esses sons e uma série de palavras para ilustrar as duas situações linguísticas podem
ajudar a criança a alicerçar uma crença adequada para esses sons e para as letras
correspondentes.
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Conhecer essas características do sistema ortográfico do português
brasileiro, de suas regularidades e irregularidades, é fundamental para o
professor de língua. Além disso, é também fundamental que o professor
conheça as diferentes variedades e os diversos falares de seus alunos.
Consideramos que debruçar-se sobre essas variedades é o primeiro
passo para se fazer um bom trabalho com a ortografia. Nessa
perspectiva, o professor poderá entender o que há por trás dos desvios
ortográficos de seus alunos decorrentes das transcrições da fala e de
analogias que resultam em casos de hipercorreção, por exemplo.
(HAUPT, 2012, p. 242).
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