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Desenvolvimento na adolescência
Definição, conceituação histórica e fundamentos das teorias de desenvolvimento humano referentes ao
período da adolescência. Descrição das transformações físicas, cognitivas e psicossociais envolvidas na
puberdade.
Profa. Crismarie Casper Hackenberg
1. Itens iniciais
Propósito
O conhecimento sobre as teorias de desenvolvimento humano envolvidas no estudo da fase da adolescência
amplia a visão do psicólogo em sua prática profissional clínica e institucional, tornando sua prática e pesquisa
com profundidade.
Objetivos
Reconhecer os conceitos teóricos e históricos do desenvolvimento físico na adolescência e as 
diferenças e similaridades com a puberdade.
Identificar os fundamentos do desenvolvimento cognitivo na adolescência e as abordagens 
construtivistas aplicadas na Psicologia.
Distinguir as teorias do desenvolvimento psicossocial e as interpretações psicanalíticas da busca da 
identidade no período da adolescência.
Reconhecer os conceitos, pressupostos e as características da síndrome da adolescência normal.
Introdução
Há muito tempo, a adolescência não passava de uma sala de espera do mundo adulto. Contudo, o
desenvolvimento da sociedade, as complexidades e as mudanças sociais tornaram a duração da fase
adolescente prolongada. Nas sociedades tribais primitivas, a passagem do mundo infantil para o mundo adulto
era muito breve e seguia normas rígidas. O início e o final desse momento de passagem eram claramente
definidos por rituais. Em poucas semanas ou meses, o adolescente era instruído nas atividades necessárias
para obter alimento e defender seu povo. A jovem se casava com 13 anos, e o jovem assumia aos 14 anos a
condição de guerreiro e de adulto. 
À medida que a adolescência foi se prolongando, tornaram-se cada vez mais evidentes as características de
personalidade próprias dessa fase. Foi possível a ideação da formação de uma cultura adolescente que
guarda, muitas vezes, semelhanças com as subculturas dos grupos sociais marginalizados. Para defender-se,
o adolescente pode criar barreiras diante do mundo adulto, criando linguagem e subcultura peculiares que o
excluem desse mundo. 
Vamos aprofundar esses sintomas da puberdade e os conceitos da psicologia do adolescente. O período da
adolescência será apresentado por fases, por características e pelas teorias de diversos pensadores que
desenvolveram legados intelectuais de observação clínica, prática e modelos de tratamento. 
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1. Desenvolvimento físico: puberdade e adolescência
Conceitos básicos em puberdade e adolescência 
Puberdade e adolescência
Em geral, o período da adolescência começa com as mudanças corporais que ocorrem no início da puberdade
e termina com os acontecimentos da inserção social, profissional e econômica do jovem na sociedade adulta.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde [1965]): A adolescência é definida como um período
biopsicossocial que compreende a segunda década da vida, ou seja, dos 10 aos 20 anos. Esse também é
o critério adotado pelo Ministério da Saúde do Brasil e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o período vai dos 12 aos 18 anos.
(SCHOEN-FERREIRA et al., 2010, p. 227)
Inicialmente é importante compreendermos o seguinte:
A palavra "puberdade" vem do latim pubertate, que significa “idade viril”, e também encontramos
referência no verbo pubescere, que significa “cobrir-se de pelos na região púbica”. Podemos, então,
entender que a palavra puberdade, em geral, está vinculada ao início da adolescência, porque se refere
especificamente às mudanças corporais.
 
O termo "adolescência" vem da expressão adolescentia, que está relacionada ao período de crescer,
de se desenvolver, ou como diria a filosofia clássica com Aristóteles, a natureza humana em
florescimento.
Segundo Moragas (1970), não existe uma relação de causa-
efeito entre puberdade e adolescência. Mesmo que as duas
possam ocorrer ao mesmo tempo. 
Devemos considerar que a puberdade, uma fase
compreendida como uma mudança repentina nas estruturas
físicas e bioquímicas, pode ser precedida, acompanhada ou
seguida de um período adolescente. 
E se por algum evento biológico a puberdade não
acontecer, a adolescência não deixa de se manifestar no
indivíduo. Para Moragas, ser adolescente é estar no mundo
de outra maneira. A atitude do adolescente diante da
família, do estudo e dos amigos é diferente (GRIFFA; MORENO, 2001).
Mudanças físicas da puberdade
De acordo com Papalia et al. (2009), existe um período de aproximadamente sete anos para o início da
puberdade tanto em meninos como em meninas. O processo regularmente leva cerca de quatro anos para
ambos os sexos e tem início cerca de dois ou três anos mais cedo nas meninas do que nos meninos. Em
dados gerais e populacionais:
• 
• 
Contudo, os estudiosos do desenvolvimento constataram uma tendência secular no estabelecimento da
puberdade, relativa à diminuição da idade em que a puberdade se inicia. Isso quer dizer que os jovens estão
alcançando a estatura adulta e maturidade sexual cada vez mais cedo (PAPALIA et al., 2009). 
Tendência secular
Tendência que inclui diversas gerações. 
Saiba mais
Uma explicação muito provável é a melhora no padrão de vida da sociedade. Ou seja, as crianças que
são mais saudáveis, mais bem nutridas e mais bem cuidadas acabam amadurecendo mais cedo e
crescendo mais. 
No período da puberdade acontece um acelerado crescimento da estatura. O corpo do adolescente muda de
forma tão rápida e tão radical que não dá tempo para que ele possa se acostumar com as modificações.
Nesse período, podemos encontrar adolescentes com posturas desengonçadas, com movimentos pouco
harmoniosos dos braços e pernas, com um caminhar um pouco fora do ritmo (AMARAL, 2007). 
Gráfico mostra o crescimento que ocorre na adolescência.
Adolescência para meninos 
A idade mediana dos meninos para a
entrada na puberdade é 12 anos, mas eles
podem começar a apresentar mudanças
entre 9 e 16 anos.
Adolescência para meninas 
Em média, as meninas começam a
apresentar as mudanças da
puberdade dos 8 aos 10 anos.
Junto com essa fase de crescimento visível, uma série de outras modificações orgânicas devem surgir,
destacando-se os caracteres sexuais secundários que começam a aparecer. Em meninas, o surgimento das
mamas e nos meninos, o aumento dos testículos. Nos dois acontecerá o desenvolvimento dos pelos pubianos.
A partir dessas modificações orgânicas, começa a fase chamada puberdade marcada pelas características
físicas descritas a seguir:
Nos meninos
O aumento da largura dos ombros; a modificação no timbre da voz; o aparecimento de pelos no rosto,
axilas e região pubiana; o crescimento do pênis e dos testículos; e o surgimento da primeira
ejaculação.
Nas meninas
O aumento dos quadris; o desenvolvimento das glândulas mamárias; o aparecimento de pelos na
região pubiana; e o surgimento da primeira menstruação, chamada menarca. 
Nesse processo de desenvolvimento, os
hormônios serão muito importantes. Por causa
deles, as moças terão seus ovários aumentados
com a produção de estrogênio, além do
aumento dos genitais femininos e do
desenvolvimento dos seios.
Nos rapazes, os testículos aumentarão a
fabricação de androgênios, principalmente a
testosterona. Esse hormônio estimulará o
crescimento dos genitais masculinos, da massa
muscular e dos pelos do corpo.
Os hormônios na puberdade
De acordo com Papalia et al. (2009), saber o momento
preciso no qual ocorre a puberdade em um indivíduo é
importante, porque podemos considerar esse período como
o início da adolescência. Nesse momento de explosão da
atividade hormonal, as pesquisas têm mostrado que o peso
corporal está relacionado à puberdade.
Algumas pesquisas atribuem aos hormônios a falta de
regulação das emoções e a instabilidade de humor da
adolescência inicial, diz Papalia et al. (2009). Eles estão
associados à agressividade nos rapazes e tanto à
agressividade como à depressão nas moças. Entretanto,e a crítica à naturalização da formação do ser
humano: a adolescência em questão. Cad. CEDES, v. 24, n. 62, p. 26-43, abr. 2004.
CARVALHO, N. M. C. Psicologia da infância e da adolescência. Sobral, CE: Egus, 2015.
FRANK, A. The diary of a young girl. New York: Pocket, 1958.
GRIFFA, M. C.; MORENO, J. E. Chaves para a psicologia do desenvolvimento. Tomo 2: adolescência – vida
adulta – velhice. [S.l.: S.n.], 2001.
KNOBEL. M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Trad. S. M. G. Ballve. Porto Alegre: Artes Médicas,
1989.
LOCATELLI, A. C. D. A perspectiva de tempo futuro e a motivação do adolescente na escola. Dissertação
(Mestrado em Educação) – Centro de Educação, Comunicação e Artes, Universidade Estadual de Londrina,
Londrina, 2004.
MORAGAS, J. de. Psicologia dei nino y dei adolescente. Barcelona: Labor, 1970. p. 219-223.
PAPALIA, D. E. et al. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2009.
ROCHA, M. I. A.; FARIA, A. R. de; PIO, J. Psicologia do adolescente. [Belo Horizonte]: Faculdade de Educação
da Universidade Federal de Minas Gerais, 2009.
SCHOEN-FERREIRA, T. H.; AZNAR-FARIAS, M.; SILVARES, E. F. de M. Adolescência através dos séculos.
Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 26, n. 2, p. 227-234, 2010.
	Desenvolvimento na adolescência
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Desenvolvimento físico: puberdade e adolescência
	Conceitos básicos em puberdade e adolescência
	Puberdade e adolescência
	Mudanças físicas da puberdade
	Saiba mais
	Nos meninos
	Nas meninas
	Os hormônios na puberdade
	Adolescência e ritual de passagem
	A adolescência ao longo dos séculos
	Na Grécia Clássica
	Na Roma Antiga
	Na Idade Média
	No Iluminismo
	Nos séculos XIX e XX
	Adolescência no século XXI
	Evolução histórica do conceito de adolescência
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Os hormônios e as mudanças físicas
	Conteúdo interativo
	Rituais de passagem na adolescência
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. O desenvolvimento cognitivo
	Importância e fases da adolescência no desenvolvimento
	Importância da adolescência
	Fases da adolescência
	Baixa adolescência
	Adolescência
	Final do período
	As fases do desenvolvimento cognitivo
	Desenvolvimento cognitivo
	A teoria de Piaget e as operações formais
	Exemplo
	Dilema
	Experimento
	Conclusão
	A teoria de Elkind e a imaturidade do adolescente
	Tendência a discutir
	Indecisão
	Encontrar defeitos nas figuras de autoridade
	Hipocrisia aparente
	Autoconsciência
	Suposição de invulnerabilidade
	A teoria de Kohlberg e o julgamento moral
	Nível I
	Nível II
	Nível III
	Saiba mais
	A escolha vocacional
	Questões vocacionais e profissionais
	Importância da escolha vocacional
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Fases da adolescência
	Conteúdo interativo
	O pensamento hipotético-dedutivo
	Conteúdo interativo
	Desenvolvimento moral
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Desenvolvimento psicossocial
	Vivências na adolescência
	Com a palavra, uma adolescente: Anne Frank
	A estranheza da maioridade
	Identidade e adolescência
	Desenvolvimento psicossocial do adolescente: teorias
	A teoria psicossocial de Erikson
	A escolha de uma ocupação
	A adoção de valores nos quais acreditar e pautar o seu viver
	O desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória
	A teoria de Elkind
	Capacidade de lidar com a lógica combinatória
	Capacidade de usar a introspecção
	Capacidade de construir ideias
	Os relacionamentos na adolescência
	Relacionamentos na sociedade adulta: rebeldia, família e amigos
	Saiba mais
	Rebeldia adolescente: um mito?
	Conflito familiar
	Amizades
	Saiba mais
	Desenvolvimento psicossocial positivo
	Perspectivas para a adolescência saudável
	Os relacionamentos e a adolescência saudável
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	O período de moratória psicossocial
	Conteúdo interativo
	Elkind: o self como colcha de retalhos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. A síndrome da adolescência normal
	Etapas da adolescência
	Adolescência e sua cronologia
	Adolescência inicial: dos 10 anos completos aos 14 anos incompletos
	Adolescência média: dos 14 anos completos aos 17 anos incompletos
	Adolescência tardia ou final: dos 17 anos completos aos 20 anos incompletos
	Adolescência estendida: dos 20 anos completos aos 24 anos incompletos
	As características psicológicas da adolescência
	Atenção
	Características da síndrome da adolescência normal
	Busca de si mesmo e da identidade
	Tendência grupal
	Necessidade de intelectualizar e fantasiar
	Crises religiosas
	Deslocamento temporal
	Evolução sexual do autoerotismo à heterossexualidade
	Atitude social reivindicatória
	Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta
	Separação progressiva dos pais
	Constantes flutuações do humor
	O dilema: afinal, existe um "adolescente universal"?
	Resumindo
	As diferenças e igualdades dos adolescentes
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Os lutos da adolescência
	Conteúdo interativo
	Síndrome da adolescência normal
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasoutras influências, como o sexo, a idade, o
temperamento e o momento de ocorrência da puberdade, podem moderar ou até sobrepujar as influências
hormonais. A tabela a seguir explicita as mudanças fisiológicas na adolescência, vamos acompanhar:
Características Femininas Idade de Aparecimento
Crescimento dos seios 6-13
Crescimento dos pelos pubianos 6-14
Crescimento corporal 9,5-14,5
Menarca 10-16,5
Características Femininas Idade de Aparecimento
Pelos axilares
Cerca de dois anos após o aparecimento
de pelos pubianos
Aumento na produção das glândulas sebáceas
e sudoríparas (o que pode causar acne)
Aproximadamente na mesma época que o
aparecimento de pelos axilares
Tabela: Sequência Usual de Mudanças Fisiológicas na Adolescência (características femininas).
Características Masculinas Idade de Aparecimento
Crescimento dos testículos, escroto 10-13,5
Crescimento dos pelos pubianos 12-16
Crescimento corporal 10,5-16
Crescimento do pênis, da próstata, das
vesículas seminais
11-14,5
Alteração na voz
Aproximadamente na mesma época que o
crescimento do pênis
Primeira ejaculação de sêmen
Aproximadamente um ano depois do
início do crescimento do pênis
Pelos faciais e axilares
Aproximadamente dois anos após o
aparecimento de pelos pubianos
Aumento na produção das glândulas sebáceas
e sudoríparas (o que pode causar acne)
Aproximadamente a mesa época que o
aparecimento de pelos axilares
Tabela: Sequência Usual de Mudanças Fisiológicas na Adolescência (características masculinas).
Adolescência e ritual de passagem
Os ritos de passagem podem incluir bençãos e rituais religiosos, afastamento da criança da família, desafios
rigorosos de força e resistência, sinalização de uma marca no corpo de alguma forma e ainda rituais
mitológicos e de magia. 
Um ritual conhecido realizado em uma idade
determinada é o das cerimônias de bar mitzvah
(menino) e bat mitzvah (menina) na cultura
judaica, que marcam o ritual de chegada dos 13
anos. Nesse ritual, os jovens assumem a
responsabilidade de seguir a fé em observância
religiosa tradicional.
 
Outro ritual conhecido é a celebração da
primeira menstruação de uma moça. Nas tribos
Apache, a menarca é comemorada com um
ritual religioso de quatro dias de cânticos, que
vai do amanhecer ao pôr do sol.
Na sociedade ocidental, vamos encontrar alguns
marcadores legais para o ingresso na idade adulta. Aos 17
anos, os jovens poderão se alistar nas Forças Armadas. Aos
18 anos (em alguns países aos 16 anos), podem dirigir ou
votar. Em muitos países, a maioridade se dá aos 18 anos e
um jovem com essa idade pode se casar sem a permissão
dos pais.
Se usarmos as definições sociológicas, as pessoas podem
autodenominar-se adultos quando têm condição de se
sustentarem e escolherem uma profissão, quando podem se
casar e se apropriar de um relacionamento significativo ou começarem uma família. A palavra “emancipação”
significa a libertação ou independência de alguém. No direito brasileiro, a emancipação é o ato que faz com
que pessoas se tornem capazes na esfera civil antes de completar 18 anos.
A adolescência ao longo dos séculos 
Os autores Schoen-Ferreira e Aznar-Farias (2010) observam particularidades em diferentes etapas desde a
Grécia Antiga até os dias atuais:
1
Na Grécia Clássica
As crianças moravam no gineceu até completarem 7 anos. Depois os meninos estudavam em casa
com um adulto tutor e recebiam educação severa com ensinamentos cívicos e militares. A maioridade
era atingida aos 18 anos, quando o jovem entrava para a efebia: tempo de aprendizado de valores
morais e religiosos para se tornar um cidadão. As meninas até os 7 anos recebiam educação similar à
dos meninos. Após esse período, praticavam esportes com o propósito de reforçar a saúde vigorosa
para o exercício da maternidade.
 
Não existia adolescência nesse período da história, a fase adolescente ainda não estava delimitada.
2
Na Roma Antiga
A criança aos 12 anos vivia uma passagem para um novo estágio, tanto para os meninos quanto para
as meninas. Tão logo chegava a puberdade, trocavam as vestes infantis pelas dos adultos. As
meninas eram preparadas para casar-se com no máximo 14 anos.
 
Nesse período não existia o conceito de maioridade.
3
Na Idade Média
Com o surgimento das comunidades feudais e coletivas, existia um ambiente familiar que
possibilitava todos se conhecerem. A criança tinha condições de viver com cuidados maternos,
contudo, quando provasse que não precisava mais de cuidados, teria entrada plena no espaço dos
adultos. A partir disso, as atividades sociais, jogos, profissões e armas eram comuns a todos sem
distinção de idade. Nesse período foram resgatadas as ideias de Platão sobre os ciclos da vida
contados de 7 em 7 anos: primeira idade, infância (enfant), de 0 a 7 anos; segunda idade, puertitia,
de 7 a 14 anos; terceira idade, adolescência, de 14 a 21 anos. Depois viria a juventude até os 28 anos,
a fase adulta que duraria até 50 anos, e em seguida chegaria a velhice, com 50 anos para cima.
4No Iluminismo
O tempo novo do Iluminismo oferece a formação de um sentimento e de um tempo de adolescência
no século XVIII. Nasce um sentido e uma importância de proteção moral das crianças e de jovens.
5
Nos séculos XIX e XX
Cresce, no século XIX, o investimento das famílias nos filhos, pois os pais acreditavam que o filho é o
futuro familiar. A fase da infância começa a reconhecer a criança como uma pessoa. A adolescência é
reconhecida como uma etapa crítica. Surgem as Ciências Sociais, dentre elas, História, Sociologia,
Antropologia e Psicologia, que acabaram por legitimar essa fase humana da vida. No decorrer do
século XX, a década de 60 foi muito impactada com mobilizações e uma frequente contestação
social.
 
Podemos dizer que a adolescência, como fenômeno social, é um invento da sociedade moderna.
Adolescência no século XXI
Para Rocha, Faria e Pio (2009), o tempo em que vivemos é um período de velocidade nos avanços
tecnológicos e de uma sociedade globalizada e conectada, e os adolescentes estão vivendo nessa
modernidade. 
Como deve ser para um adolescente manifestar sua individualidade em um mundo tão tecnológico e
rápido? 
Segundo as autoras, existe uma tendência na atualidade de se tornarem mais misturadas as relações entre
adolescentes e adultos. As famílias atualmente são menos repressoras do que há 20 e 30 anos e, nesse
sentido, existe um diálogo proposto que possibilita uma convivência mais humana, compreensiva e amistosa. 
Contudo, a dinâmica social cotidiana mostra que, em algumas classes sociais, essa fase da adolescência não
é muito destacada. É muito comum, no Brasil, encontrarmos crianças trabalhando informalmente e se
ausentando da escola, porque buscam a sobrevivência nas ruas. 
Antigamente, o adolescente era encaminhado
para se dedicar aos estudos, tornando-se
capaz de conseguir um emprego e se casar.
Nos dias atuais, a nossa sociedade
contemporânea identifica uma adolescência
prolongada, pois os jovens permanecem mais
tempo com os pais e acabam tendo um maior
acúmulo de estudo.
 
Mesmo com uma idade biológica de juventude
ou vida adulta, não possuem independência
financeira e emprego. Existe uma ausência de
autonomia.
Nossa sociedade mudou. Atualmente, as características fundamentais são o consumo, o imediatismo, a
satisfação momentânea dos desejos, os novos arranjos familiares, a velocidade no dia a dia (ROCHA; FARIA;
PIO, 2009). Diferentemente de outros tempos, como vimos, nos quais as diferenças entre o que distinguia
crianças de adolescentes e de adultos era muito mais demarcado socialmente. 
Evolução histórica do conceito de adolescência
Neste vídeo, a especialista reflete sobre as mudanças do conceito de adolescência ao longo da história,
destacando as particularidades dessa fase no século XXI. Confira!
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Vem que eu te explico!
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Os hormônios e as mudanças físicas
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Rituais de passagem na adolescência
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O critério da adolescência como um período biopsicossocial que compreende a segunda década da vida, ou
seja, dos 10 aos 20 anos, foi adotado pela Organização Mundial de Saúde em 1965. Diversas outras
instituições brasileiras utilizam o mesmo critério de idade em suas legislações, como:
 
I. Ministério da Saúde do Brasil;
II. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
III. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Esse mesmo critério é realmente utilizado por:
A
I e II.
B
I, II e III.
C
III apenas.
D
I e III.
E
II e III.
A alternativa A está correta.
Em geral, o período da adolescência começa com as mudanças corporais que ocorrem no início da
puberdade e termina com os acontecimentos da inserção social, profissional e econômica do jovem na
sociedade adulta. Diversas outras instituições brasileiras também utilizam esse critério em suas legislações,
entre eles o Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), o período da adolescência vai dos 12 aos 18 anos.
Questão 2
Sobre a etimologia dos conceitos de puberdade e de adolescência, a palavra "puberdade" vem do latim 
pubertate, e quer dizer "idade viril". Podemos dizer que o que mais define a puberdade é a
A
alteração de humor.
B
mudança corporal.
• 
• 
• 
C
mudança psicológica.
D
mudança psicossocial.
E
busca de si mesmo e a identidade.
A alternativa B está correta.
Também encontramos referência da palavra "puberdade" no verbo pubescere, que significa "cobrir-se de
pelos na região púbica". Podemos, então, entender que a palavra puberdade, em geral, está vinculada ao
início da adolescência, porque se refere especificamente às mudanças corporais. O termo "adolescência"
vem da expressão adolescentia, que está relacionada ao período de crescer, de se desenvolver, ou como
diria a filosofia clássica com Aristóteles, a natureza humana em florescimento.
2. O desenvolvimento cognitivo 
Importância e fases da adolescência no desenvolvimento
Importância da adolescência
O processo de industrialização nas sociedades modernas
deixou o período da adolescência um pouco mais complexo,
pois o tempo entre a infância e a idade adulta foi sendo
alongado. Segundo Carvalho (2015, p. 61) “existe um
interesse em deixar um número razoável de pessoas fora do
mercado de trabalho. Isso daria a elas condições para fazer
a reciclagem da mão de obra, sem precisar criar um número
muito grande de novas vagas e empregos”. Com essa
argumentação, alguns teóricos analisam que a adolescência
não passa de uma invenção social.
Carvalho (2015) diz que existem outros teóricos que
defendem que a adolescência seria um estágio de
desenvolvimento do ego pessoal e das funções cognitivas.
Os argumentos nos fazem pensar que o fato de esse conceito não ter sido considerado ao longo da história
da humanidade não quer dizer que esse período de desenvolvimento não exista. 
Nesse sentido, a adolescência poderia ser um período no qual o indivíduo teria que realizar várias tarefas para
continuar o desenvolvimento harmonioso do ego. Entre elas estão a definição da identidade, a escolha
vocacional e a autonomia moral. Como veremos neste módulo, as fases da adolescência apresentam uma
evolução com mudanças marcantes na cognição e no julgamento.
Fases da adolescência
Sobre as fases da adolescência, podemos considerar:
Baixa adolescência
A adolescência inicial, também chamada de baixa adolescência, inclui a
puberdade. Nas meninas, pode ocorrer entre 11 e 12 anos e nos meninos,
entre 12 e 13 anos. A atenção e as energias do adolescente inicialmente
são absorvidas pela problemática narcisista, isto é, a reestruturação do
esquema corporal e a conquista da identidade. O outro sexo é percebido
como perigoso. O adolescente se relaciona em maior grau com indivíduos
de seu próprio sexo. A família continua a ser o centro da vida do
adolescente, embora ele comece a desprender-se dela.
Adolescência
A adolescência propriamente dita compreende o período entre 12-13 e 16
anos. É o estágio no qual se constrói a identidade sexual definitiva e se
desenvolve a identidade pessoal. O desenvolvimento corporal reduziu
seu ritmo e o indivíduo vai adquirindo proporções adultas. A pessoa tem
interesse pelo sexo oposto e forma grupos heterossexuais de amigos
para frequentar diversas atividades para se aproximar do outro sexo.
Nesse período, ocorre um distanciamento afetivo da família, que vai
deixando de ser o centro da existência da pessoa. Na tentativa de se
tornar independente dos pais, são frequentes os atos de rebeldia do
adolescente.
Final do período
O final do período adolescente é difícil de ser situado no tempo. Varia de
acordo com critérios adotados como mais importantes, como a inserção
no mundo do trabalho, a responsabilidade legal, a separação dos pais e a
capacitação profissional. É uma fase de consolidação e ensaio de modos
de vida e de relacionamento com os demais. É o período da escolha e da
decisão vocacional. A escolha de uma carreira ou de uma profissão é um
dos problemas mais importantes da existência humana.
As fases do desenvolvimento cognitivo
Desenvolvimento cognitivo
Paralelamente às mudanças físicas ocorrem as mudanças de pensamento. Embora “o pensamento dos
adolescentes possa permanecer imaturo em diversos aspectos, eles são capazes de raciocinar de maneira
abstrata e fazer juízos morais sofisticados, além de poderem planejar o futuro de maneira mais realista”
(PAPALIA et al., 2009, p. 455). 
A teoria de Piaget e as operações formais
Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual da criança se processa por meio de uma série de estágios e
cada estágio é identificado com base em uma estrutura cognitiva específica. Nesse contexto, os quatro
estágios principais, obedecendo a uma ordem sequencial, são: 
sensório-motor;
pré-operatório;
operações concretas; e
operações formais.
• 
• 
• 
• 
Os adolescentes iniciam seu nível mais elevado
de desenvolvimento cognitivo, entrando no 
estágio das operações formais, que seria a
capacidade de elaborar um pensamento
abstrato. Essa etapa geralmente é alcançada
em torno dos 11 anos e oferece um modo novo
e mais flexível de manipular as informações
(PAPALIA et al., 2009). 
Nesse estágio, são capazes de compreender o
tempo histórico e o espaço extraterrestre, por
exemplo. Podem utilizar símbolos para
representar outros símbolos (X e Y nas
equações matemáticas) e com isso aprender
álgebra e cálculo. Podem entender melhor uma metáfora e uma alegoria e compreender os significados mais
elaborados da literatura. Podem imaginar possibilidades e gerar hipóteses. 
Para Piaget, as transformações emocionais que acontecem na adolescência dependem das transformações
cognitivas, e uma das grandes mudanças no estágio de desenvolvimento operatório formal é o surgimento do 
pensamento hipotético-dedutivo.
Exemplo
Um bom exemplo da evolução para o estágio das operações formais é o problema do pêndulo piagetiano
clássico, que comparativamente mostra o progresso de uma criança até a adolescência. 
Problema do pêndulo de Piaget.
Dilema
Um pêndulo pendurado em um fio que pode
mudar sua trajetória com quatro fatores: o
comprimento do fio, o peso do objeto, a altura
da qual o objeto é solto e a quantidade de força
que pode ser usada para empurrar o objeto.
Que fator ou que combinação de fatores
determinam a rapidez com que o pêndulo
balança?
Experimento
O adolescente é capaz de abordar o problema
de maneira sistemática, montando um
experimento para testar todas as hipóteses
possíveis. Dessa forma, ele é capaz de
determinar que apenas um fator — o
comprimento do fio — determina a rapidez de
oscilação do pêndulo.
Conclusão
Por meio do raciocínio hipotético-dedutivo, o
adolescente consegue desenvolver uma
hipótese e criar um experimentopara testá-la.
O raciocínio hipotético-dedutivo lhe oferece um
instrumento para solucionar problemas. Ele
adquire a capacidade de ultrapassar, pelo
pensamento, situações vividas e a projetar
ideias para o futuro.
Na atualidade, os estudos microgenéticos que avaliam o comportamento e a resolução de problemas
confirmaram a análise de Piaget sobre como as operações concretas (dos 7 aos 12 anos) diferem das
operações formais (a partir dos 12 anos). 
Segundo Piaget, essa mudança é o resultado de um misto de maturação cerebral e de expansão das
oportunidades ambientais. Ambas são essenciais, pois mesmo com o desenvolvimento neurológico dos jovens
e sua evolução rápida que permite o raciocínio formal, eles só podem alcançá-lo com estimulação ambiental
apropriada. Uma forma de isso acontecer é mediante o esforço cooperativo. Piaget reconheceu que a
escolaridade e a cultura podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento humano (PAPALIA et
al., 2009).
A teoria de Elkind e a imaturidade do adolescente
O psicólogo David Elkind, com base em seu trabalho clínico com adolescentes e inspirado no trabalho de
Piaget, caracterizou as atitudes e comportamentos imaturos que podem ser provenientes dos pensamentos
abstratos dos adolescentes (PAPALIA et al., 2009). Ele ressaltou algumas atitudes observáveis:
Tendência a discutir
Os adolescentes estão sempre encontrando oportunidades para testar e exibir suas recém-
descobertas habilidades de raciocínio. 
Indecisão
Muitos adolescentes têm problemas para se decidir em relação a coisas simples, escolhas pessoais e
dilemas mais elaborados. 
Encontrar defeitos nas figuras de autoridade
Os adolescentes percebem que os adultos, que antes eram venerados, estão muito aquém de seus
ideais.
Hipocrisia aparente
Os jovens adolescentes, muitas vezes, não reconhecem a diferença entre expressar um ideal e fazer
os sacrifícios necessários para viver de acordo com ele, embora atitudes altruístas e de heroísmo
sejam comuns nesse período.
Autoconsciência
Funciona como um público imaginário, um "observador" mentalmente criado que está muito
preocupado com pensamentos e comportamentos. Os adolescentes, muitas vezes, supõem que todo
mundo está pensando sobre a mesma coisa que eles, ou seja, sobre si mesmos. A fantasia do público
imaginário é particularmente forte nos primeiros anos da adolescência.
Suposição de invulnerabilidade
Refere-se à crença dos adolescentes de que são especiais, de que sua experiência é única e de que
não estão sujeitos às regras que regem o resto do mundo. Segundo Elkind, esse tipo especial de
egocentrismo está na base de muitos comportamentos arriscados e autodestrutivos.
A teoria de Kohlberg e o julgamento moral
Vamos pensar no seguinte dilema:
Dilema de Kohlberg criado em 1969: Uma mulher está
próxima da morte por câncer. Um farmacêutico descobriu
um remédio que os médicos acham que poderia salvá-la. O
farmacêutico está cobrando 2 mil dólares por uma pequena
dose do remédio — 10 vezes mais do que lhe custa para
fabricá-lo. 
O marido da mulher enferma, Heinz, pede dinheiro
emprestado a todos que conhece, mas só consegue reunir
mil dólares. Ele implora ao farmacêutico que venda o
remédio por mil dólares ou que lhe permita pagar o resto
posteriormente. O farmacêutico recusa, dizendo: “Eu
descobri o remédio e pretendo lucrar com ele”. Em
desespero, Heinz arromba a loja do homem e rouba o remédio.
Julgamento moral: Heinz deveria ter feito isso? Por que sim ou por que não? 
O desenvolvimento moral proposto nos exercícios da teoria de Kohlberg guardam certa semelhança com a
teoria de Piaget, mas seu modelo é um pouco mais complexo. Ele estabelece três níveis de julgamento moral,
cada um dividido em dois estágios (PAPALIA et al., 2009). Assim, podemos reconhecer os seguintes níveis de
desenvolvimento moral segundo Kohlberg: 
Nível I
Moralidade pré-convencional. As pessoas agem sob os controles externos: obedecem a regras para
evitar punição, para obter recompensas ou por interesse próprio. Esse nível é típico de crianças de 4
a 10 anos de idade.
Nível II
Moralidade convencional (ou moralidade de conformidade ao papel convencional). As pessoas
internalizaram os padrões de figuras de autoridade: preocupam-se em ser "boas", em agradar aos
outros e em manter a ordem social. Esse nível geralmente é alcançado depois dos 10 anos; muitas
pessoas nunca o superam, mesmo na idade adulta.
Nível III
Moralidade pós-convencional (ou moralidade dos princípios morais autônomos). As pessoas agora
reconhecem conflitos entre os padrões morais e fazem seus próprios julgamentos com base nos
princípios de correção, de imparcialidade e de justiça. As pessoas geralmente só chegam a esse nível
de julgamento moral pelo menos no início da adolescência ou mais comumente no início da idade
adulta, podendo nunca o atingir.
Saiba mais
Posteriormente, Kohlberg acrescentou um nível de transição entre os níveis II e III, que se refere a
momentos nos quais as pessoas não se sentem mais tão limitadas pelos padrões morais da sociedade,
mas ainda não conseguem desenvolver princípios de justiça de origem racional. Ao contrário disso,
baseiam suas decisões morais em sentimentos pessoais. 
Uma das razões que tornam as idades associadas aos níveis de Kohlberg tão variáveis é que existem fatores
além da cognição, como o desenvolvimento emocional e as experiências de vida, que podem influenciar os
nossos julgamentos morais. 
Mesmo as pessoas que alcançaram um alto nível de desenvolvimento cognitivo nem sempre parecem alcançar
um nível comparavelmente alto de desenvolvimento moral. Veremos que certo nível de desenvolvimento
cognitivo é necessário na adolescência, mas ainda assim os níveis de julgamento moral poderão não ser
comparáveis com a cognição (PAPALIA et al., 2009). 
A escolha vocacional
Questões vocacionais e profissionais
Já sabemos que a escola é a “experiência
organizadora central” na vida acadêmica e
social da maioria dos adolescentes. Ela oferece
oportunidades para que informações sejam
adquiridas, para dominar novas habilidades e
aperfeiçoar as que foram adquiridas, para se
engajar e participar de atividades esportivas,
artísticas e de outra natureza. Especialmente,
são preocupações dessa fase o desejo de
explorar o conhecimento sobre as opções
vocacionais e a vontade de estar entre amigos.
A escola amplia os horizontes intelectuais e
sociais. 
Para alguns adolescentes, entretanto, a escola não é uma oportunidade, e sim mais um obstáculo no
caminho para a idade adulta (PAPALIA et al., 2009). 
De acordo com Griffa e Moreno (2001), a escolha de uma carreira ou profissão é muito importante, chegando
a ser vital para o adolescente. Pela primeira vez ele irá tomar uma decisão pessoal em relação a um dos
direcionamentos mais importantes para a sua existência: o caminho profissional ou da sua ocupação. 
Esse momento de escolha exige o conhecimento das próprias atitudes, dos seus interesses e dos seus
valores, além do autoconhecimento das características da sua personalidade, suas possibilidades e seus
limites. 
Na escolha profissional-ocupacional, deverá ser
considerado o plano ou o estilo de vida escolhido, além das
características da profissão a ser desempenhada e a sua
abrangência social. A influência de pais amigos é positiva
quando orientam e oferecem modelos profissionais ou
ocupacionais sem exercer pressões. 
O êxito ou fracasso dessa escolha afeta
profundamente o desenvolvimento pessoal de cada
indivíduo, além de repercutir na sociedade à qual ele
pertence. 
Por esse motivo a orientação profissional não pode ser reduzida apenas à aplicação de provas ou testes
psicométricos e de interesses. Deverá ser um processo longo, integrado por pais, docentes e amigos, e
vinculado à história das habilidades do indivíduo e ao próprio processo educativo. 
Importância da escolha vocacional
A especialista reflete agora sobre a importância da escolha vocacional na vida do adolescente e suas
implicações, além de destacar os fatores mais importantes que podem facilitarou dificultar esse processo.
Confira! 
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Fases da adolescência
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O pensamento hipotético-dedutivo
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Desenvolvimento moral
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Em qual dos estágios cognitivos de Piaget e seu modelo de transformações intelectuais está contida a fase da
adolescência, a partir dos 12 anos?
A
Estágio sensório-motor
B
Estágio pré-operatório
C
Estágio de operações concretas
D
Estágio de operações formais
E
Estágio pré-sensório
A alternativa D está correta.
Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual da criança se processa por meio de uma série de estágios e
cada estágio é identificado com base em uma estrutura cognitiva específica. No estágio de operações
formais, normalmente a partir dos 11 ou 12 anos, ocorre a passagem do pensamento concreto para o
pensamento abstrato, e desenvolve-se a capacidade de generalização própria do pensamento adulto. Os
jovens adolescentes já são capazes de lidar com conceitos como justiça e liberdade, de criar teorias a
respeito do mundo e têm a tendência a ler a realidade de acordo com seus próprios sistemas de
interpretação.
Questão 2
O termo “construtivismo” vem da teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget (1999) e também é conhecido
como cognitivismo, porque o verdadeiro conhecimento é fruto de uma elaboração (construção) pessoal,
resultado de um processo interno de pensamento durante o qual o sujeito coordena diferentes noções entre
si, atribuindo-lhes um significado, organizando-as e relacionando-as com outras anteriores. Esse processo é
inalienável e intransferível. No estágio das operações formais, o adolescente tem as seguintes capacidades:
 
I. Elaborar um pensamento abstrato.
II. Utilizar símbolos para representar outros símbolos.
III. Incapacidade de compreender o tempo histórico.
IV. Imaginar possibilidades e gerar hipóteses.
São capacidades do adolescente no estágio das operações formais as abordadas em
A
I, II, III.
B
I, III e IV.
C
I, II e IV.
D
I e III.
E
II e IV.
A alternativa C está correta.
Os adolescentes iniciam seu nível mais elevado de desenvolvimento cognitivo, entrando no estágio das
operações formais, que seria a capacidade de elaborar um pensamento abstrato. Essa etapa geralmente é
alcançada em torno dos 11 anos. São capazes de compreender o tempo histórico e o espaço extraterrestre,
por exemplo; podem utilizar símbolos para representar outros símbolos (X e Y nas equações matemáticas) e
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com isso aprender álgebra e cálculo; podem entender melhor uma metáfora e uma alegoria e compreender
os significados mais elaborados da literatura; e podem imaginar possibilidades e gerar hipóteses.
Anne Frank, 1942.
3. Desenvolvimento psicossocial
Vivências na adolescência
Com a palavra, uma adolescente: Anne Frank
Com uma percepção muito consciente de seu despertar sexual, Anne escreveu: 
Eu acho o que está acontecendo comigo tão maravilhoso, e não apenas o que pode ser visto em meu
corpo, mas tudo que está acontecendo dentro de mim... Cada vez que menstruo... tenho a sensação de
que... tenho um doce segredo, e... eu sempre anseio por momentos em que sinta esse segredo dentro de
mim outra vez.
(FRANK, 1958, p. 115-116) 
Anne Frank (1929-1945) era filha de pais judeus
e passou a se esconder com a sua família nos
andares superiores do prédio ocupado pela
empresa farmacêutica do pai quando, no verão
de 1942, os nazistas começaram a reunir os
judeus holandeses para enviá-los para os
campos de concentração. 
Foi no aniversário de 13 anos, em 12 de junho
de 1942, que Anne recebeu de seus pais um
diário. Esse pequeno volume encadernado com
tecido foi o primeiro dos diversos cadernos nos
quais Anne pôde registrar suas experiências e
suas reflexões durante os dois anos seguintes.
Ela jamais poderia imaginar que seus
apontamentos se tornariam um dos mais
célebres relatos publicados sobre as vítimas do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. 
Mesmo sendo judia, vivendo em confinamento por dois anos e em plena Segunda Guerra Mundial, Anne nos
revela, em seu diário, pensamentos, sentimentos, devaneios e alterações de humor de uma adolescente
comum. Uma menina introspectiva e bem-humorada amadurecendo sob condições traumáticas. 
A estranheza da maioridade
A adolescência é uma época de oportunidades e de riscos, segundo Papalia et al. (2009). Os adolescentes
estão no limiar do amor, da vida profissional e da participação na sociedade adulta. Mas a adolescência
também é uma época em que alguns jovens se comportam de maneiras que excluem opções e limitam suas
possibilidades. 
Alguns fatores físicos e cognitivos, como a aparência e o desempenho escolar contribuem para a
elaboração de um senso de identidade nos adolescentes. 
Os aspectos psicossociais da busca de identidade são muito relevantes, pois os adolescentes conciliam-se
com sua sexualidade. A individualidade florescente dos adolescentes se expressa nos relacionamentos com
os pais, com os irmãos e com os amigos. 
Identidade e adolescência
Desenvolvimento psicossocial do adolescente: teorias
Segundo Papalia et al. (2009), Freud sustentava que as experiências da infância e da adolescência moldavam
permanentemente a personalidade em estágios psicossexuais. Por sua vez, Piaget destacava a importância
do desenvolvimento da autonomia nas decisões alcançada pelos estágios cognitivos, que levaria o
adolescente a escolhas responsáveis. 
Na visão psicanalítica de Erikson (1902-1994), o desenvolvimento do ego é vitalício, passando por estágios
que envolveriam "crises" na personalidade. Essas crises que surgem de acordo com um cronograma de
maturação devem ser satisfatoriamente resolvidas para um saudável desenvolvimento do ego. Vamos
conhecer melhor algumas perspectivas teóricas na compreensão do desenvolvimento psicossocial na
adolescência. 
A teoria psicossocial de Erikson
Erik Erikson (1902-1994) aprofundou a teoria
Freudiana elaborando uma teoria sobre o
desenvolvimento da personalidade. A
adolescência, para Erikson, é um período
nomeado como “moratória psicossocial”. 
Nesse tempo, o indivíduo pode se preparar
para a autonomia ao mesmo tempo que ainda
recebe da família apoio, orientação e proteção,
e não é tão exigido socialmente como um
adulto. Contudo, é um tempo de dependência,
no qual o adolescente pode ensaiar modos de
viver e de se relacionar com as pessoas, pode
testar suas capacidades e seus limites. Os
compromissos com a vida adulta são adiados, pois será um tempo de reflexão para integrar a identidade do
ego (GRIFFA; MORENO, 2001). 
A crise de identidade raramente se resolve de forma plena na adolescência, essas questões relativas à
identidade aparecerão repetidas vezes durante a vida adulta. Para Erikson, os adolescentes não formam sua
própria identidade tomando outras pessoas como modelo. Isso acontece com crianças mais jovens. 
Para formar uma identidade, os adolescentes devem afirmar e organizar suas habilidades, seus
interesses, suas necessidades e seus desejos para que eles possam ser expressos em um ambiente
social.
Papalia et al. (2009) afirma que Erikson achava perigosa a fase da confusão de identidade, a qual poderia
retardar muito a conquista da maturidade psicológica, chamando esse evento de “a dolorosa autoconsciência
dos adolescentes”. As “panelinhas”, a intolerância e a infantilidade — que são marcos do ambiente social da
adolescência — atuam como defesas contra a confusão de identidade. 
Efetivamente, a identidade se forma a partir da resolução de três questões importantes:
A escolha de uma ocupação A adoção de valores nos quais acreditar
e pautar o seu viver
O desenvolvimento de uma identidade
sexual satisfatóriaNesse período da moratória psicossocial — um período de adiamento que a adolescência oferece —, muitos
jovens procuram formas de se comprometer com fidelidade. Papalia et al. (2009) acredita que o grau de
fidelidade dos jovens a esses comprometimentos influencia sua capacidade de resolver a crise de identidade. 
A fidelidade nesse caso é lealdade, fé em um conjunto de valores, uma ideologia, uma religião, um movimento
político, uma busca criativa ou um grupo étnico. Um sentimento de pertencer a alguém a quem se ama ou a
amigos e a companheiros.
A teoria de Elkind
Elkind elaborou um conjunto de consequências derivadas do desenvolvimento cognitivo do adolescente
segundo Piaget (LOCATELLI, 2004): 
Capacidade de lidar com a lógica combinatória
O adolescente é capaz de lidar com a lógica combinatória e resolve
problemas com muitos fatores ao mesmo tempo. Em situações sociais,
ele pode analisar as alternativas para solucionar um problema, mas tem
dificuldade em decidir. Não aceita mais de forma passiva a escolha dos
pais.
Capacidade de usar a introspecção
O adolescente é capaz de encarar seu próprio pensamento como um
objeto e pensar sobre ele, o que quer dizer que pode usar da
introspecção. Eles são mais flexíveis e as palavras podem ter duplo
sentido. Mas isso gera uma preocupação com a reação dos outros em
relação a si próprio. Pode criar disfarces sociais para obter uma imagem
pública mais favorável.
Capacidade de construir ideias
O pensamento do adolescente apresenta a capacidade de construir
ideias e de racionar em situações de contrariedade. Ele está habilitado a
pensar em uma família ideal, uma religião ideal e uma sociedade ideal.
Pode ser levado a criticar a realidade e a sociedade em que vive.
Existem duas formas de desenvolver a identidade, para Elkind: 
A primeira, e mais saudável, é um processo de diferenciação e de integração: tornar-se consciente dos
muitos aspectos em que se é diferente dos outros e depois integrar essas partes distintivas de si mesmo
em um todo unificado e único. 
(PAPALIA et al., 2009, p. 482)
Esse processo de introspecção exige tempo e reflexão, mas quando uma pessoa desenvolve seu senso de
identidade dessa forma é quase impossível de ele se romper.
O segundo caminho, inicialmente mais fácil, é o da substituição: substituir, de forma infantil, um conjunto
de ideias e de sentimentos a seu próprio respeito por outro simplesmente adotando as atitudes, as
crenças e os comprometimentos de outras pessoas como seus. 
(PAPALIA et al., 2009, p. 483)
O senso de identidade construído principalmente pelo processo da substituição é o que Elkind chama de 
identidade de colcha de retalhos, um self construído a partir de pedaços e de partes, muitas vezes,
conflitantes. 
Adolescentes com identidades "em retalhos" tendem a apresentar fraca autoestima. Apresentam dificuldade
para lidar com a liberdade, com as frustrações, perdas e fracassos. Podem ter um perfil ansioso. São
altamente suscetíveis à influência externa e altamente vulneráveis ao estresse, pois não possuem bússola
interior, nenhum senso distintivo de direção para se orientar. 
Elkind atribui os aumentos no abuso de drogas, na violência
com armas, no comportamento sexual de risco e no suicídio
na adolescência ao número crescente de jovens que
possuem elementos da identidade de colcha de retalhos. Se
os jovens virem seus pais agindo segundo princípios sólidos
e arraigados, terão mais chances de desenvolver seus
próprios princípios sólidos e arraigados. Uma criação
democrática pode ajudar se os pais mostrarem aos
adolescentes modos efetivos de lidar com o estresse,
assim, os jovens tenderão menos a sucumbir às pressões
que ameaçam sua identidade de colcha de retalhos.
Os relacionamentos na
adolescência
Relacionamentos na sociedade adulta: rebeldia, família e amigos
Os adolescentes passam muito mais tempo
com os amigos e menos com a família.
Entretanto, os valores fundamentais da maioria
dos adolescentes permanecem mais parecidos
com os de seus pais do que geralmente se
percebe. 
Contudo, o período da adolescência é chamado
de época de rebeldia adolescente. Nesse
período existe uma turbulência emocional,
podem acontecer muitos conflitos com a
família, alienação da sociedade adulta,
comportamento imprudente e rejeição dos
valores dos adultos.
Saiba mais
Pesquisas realizadas com adolescentes nos Estados Unidos e em outros países, contudo, sugerem que
menos de 20% dos adolescentes — pelo menos entre os que permanecem na escola — se encaixam
nesse padrão. 
A ideia da rebeldia adolescente pode ter nascido na primeira teoria formal da adolescência, do psicólogo G.
Stanley Hall, que acreditava que um grande esforço era feito pelos jovens para se adaptarem a seus corpos
durante a transformação. Esse processo adaptativo promovia, junto com as demandas da idade adulta, um
período de "tormenta e de estresse", o que produz o conflito entre as gerações (PAPALIA et al., 2009).
Rebeldia adolescente: um mito?
Conflito familiar
Da mesma forma como os adolescentes sentem tensão
entre a segurança e a dependência dos pais e uma latente
necessidade de se libertar, os pais também terão
sentimentos confusos. Eles desejam que seus filhos sejam
independentes, mas têm dificuldade de “deixá-los
seguirem”. Os pais precisam saber distinguir entre oferecer
aos adolescentes independência suficiente e protegê-los de
momentos de imaturidade e impulsividade. Essas tensões
costumam gerar muitos conflitos familiares, e os estilos
parentais de criação podem influenciar na forma e no
resultado das relações afetivas (PAPALIA et al., 2009).
Grande parte dos conflitos familiares acontecem
durante o processo de desenvolvimento dos adolescentes e sua intenção de independência. 
É comum observarmos discussões entre os adolescentes e seus pais e isso costuma se concentrar no grau de
liberdade que os adolescentes podem receber para planejar suas próprias atividades. A maioria das
discussões está relacionada muito mais a questões cotidianas do que a valores fundamentais. Entretanto,
algumas dessas questões do cotidiano podem se transformar em grandes preocupações, como o uso de
drogas, a direção segura e a proteção na prática sexual. 
Amizades
As amizades são fundamentalmente diferentes
dos relacionamentos familiares. Elas são mais
igualitárias do que as relações entre pais e
filhos e com irmãos, que geralmente são mais
velhos ou mais jovens. As amizades baseiam-se
em escolha e comprometimento. Pelo mesmo
motivo, são mais instáveis do que os
relacionamentos familiares. O tempo passado
com amigos é provavelmente maior na
adolescência do que em qualquer outra época
da vida, por isso a sua intensidade e a sua
importância. 
As amizades na adolescência tornam-se mais
recíprocas, pois envolvem a importância da
lealdade e o compartilhamento de confidências. A intimidade, a lealdade e o compartilhamento são
características da amizade adulta. A intimidade com amigos do mesmo sexo aumenta durante o processo da
adolescência e depois normalmente diminui à medida que a intimidade com o sexo oposto aumenta. A maior
intimidade da amizade adolescente reflete o desenvolvimento cognitivo.
Saiba mais
Na atualidade, os adolescentes são mais capazes de expressar seus pensamentos e seus sentimentos
privados. Também sabem considerar mais o ponto de vista de outra pessoa e, assim, é mais fácil para
eles assimilarem os pensamentos e os sentimentos de um amigo. 
Maiores intimidade e introspecção também refletem o interesse dos adolescentes em se reconhecerem e se
afirmarem. A capacidade de intimidade está relacionada com a adaptação psicológica e a competência social.
Os adolescentes que têm amizades próximas, estáveis e apoiadoras geralmente têm uma opinião favorável a
seu próprio respeito, saem-se bem na escola, são sociáveis e tendem a não ser hostis, ansiosos ou
deprimidos (PAPALIA et al., 2009).
Desenvolvimento psicossocial positivo
Perspectivas para a adolescência saudável
É difícil imaginar um período de desenvolvimento humano caracterizado por mudançaspsicossociais tão
intensas quanto a adolescência. O indivíduo que entra na puberdade e chega na adolescência é altamente
dependente dos pais. Mesmo com amigos, família e um ambiente escolar engajado, em sua maioria, os
adolescentes ainda carecem de intimidade e profundidade. 
No final dos anos de adolescência, no entanto, se tudo correr bem, o indivíduo adquire um senso de
independência saudável e responsável, além de senso de identidade e a capacidade de desenvolver
relacionamentos profundos e significativos com amigos e parceiros românticos. 
Embora o desenvolvimento psicossocial positivo seja construído a partir de uma base sólida na infância, as
experiências durante os anos da adolescência também são importantes. Os principais ingredientes para o
desenvolvimento psicossocial bem-sucedido são:
Um ambiente familiar em que os pais sejam responsivos e apoiem a necessidade de individuação do
adolescente.
Envolvimento em uma rede social de pares de sexo oposto e do mesmo sexo, que estejam em uma
trajetória de desenvolvimento psicossocial saudável.
Oportunidades para experimentar e explorar novas responsabilidades e relacionamentos.
Responsividade, na Psicologia, refere-se a atitudes compreensivas que visam, por meio do apoio emocional e
da bidirecionalidade na comunicação, favorecer o desenvolvimento da autonomia e da autoafirmação.
Os relacionamentos e a adolescência saudável
Veja agora uma reflexão sobre a importância dos relacionamentos com amigos e familiares e suas implicações
para o desenvolvimento de uma adolescência saudável. Vamos lá!
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O período de moratória psicossocial
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Elkind: o self como colcha de retalhos
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A adolescência para o psicanalista Erik Erikson é um período de preparação do indivíduo para um patamar de
autonomia. Com um conceito introduzido por Erikson, podemos entender que na adolescência se acentua a
necessidade de um tempo de reflexão, um adiamento para integrar os elementos da identidade do ego. Assim,
os compromissos que levam à vida adulta são adiados. Qual o nome dado por Erikson a este conceito?
A
Colcha de retalhos
B
Síndrome da adolescência normal
C
Moratória psicossocial
D
Busca de si mesmo
E
Adolescência tardia
A alternativa C está correta.
Moratória refere-se ao prazo ou extensão de tempo que é estabelecido entre as partes envolvidas para
realizar algo, geralmente pode ser o pagamento de uma dívida ou dívida vencida, o pagamento de
impostos. A adolescência, para Erikson, é um período nomeado como "moratória psicossocial". Erik Erikson
(1902-1994) foi um psicanalista nascido na Alemanha que fazia parte do círculo de amigos de Freud.
Aprofundou a teoria Freudiana elaborando uma teoria sobre o desenvolvimento da personalidade. Durante
a moratória psicossocial — o período de adiamento que a adolescência oferece —, muitos jovens procuram
formas de se comprometer com fidelidade. Esses comprometimentos dos jovens nesse estágio de vida,
tanto ideológicos quanto pessoais, podem moldar a vida de uma pessoa por muitos anos.
Questão 2
Papalia et al. (2009) acredita que, no processo chamado de diferenciação e integração por Elkind, os jovens
adolescentes se tornam conscientes de muitos aspectos em que são diferentes dos outros, e depois eles
integram suas partes distintas em si mesmo, tornando-se únicos. O que ocorre como resultado de um
processo de introspecção quando uma pessoa desenvolve seu senso de identidade?
A
Ocorre a síndrome da adolescência normal.
B
Cria-se a moratória psicossocial.
C
Será fácil de romper a identidade na vida adulta.
D
Ocorre a identidade colcha de retalhos.
E
Será muito difícil de romper a identidade na vida adulta.
A alternativa E está correta.
Elkind propôs duas formas de vivência da busca da identidade na adolescência. A primeira seria um
processo de diferenciação e de integração, com um formato mais saudável. O adolescente se torna
consciente dos muitos aspectos em que se é diferente dos outros e depois integra essas partes distintivas
de si mesmo em um todo unificado e único. Esse processo de introspecção exige tempo e reflexão, mas,
quando uma pessoa desenvolve seu senso de identidade dessa forma, é quase impossível de ele se
romper.
4. A síndrome da adolescência normal 
Etapas da adolescência
Adolescência e sua cronologia
Apesar de transitória e individual, a adolescência é extremamente importante, pois o indivíduo atravessa um
processo em que obtém as características físicas, psicológicas e sociais de um adulto. 
Essa jornada de mudanças pode não ocorrer de maneira uniforme e contínua, visto que os períodos
de crescimento podem ser intercalados com fases de regressão. 
Nessa transformação, se pudéssemos destacar as etapas das mudanças e os principais efeitos da fase da
adolescência, encontraríamos os seguintes temas: 
independência;
imagem corporal;
grupo social;
identidade própria.
O critério cronológico perde importância nessa fase, pois o estágio de maturação sexual será mais relevante.
No entanto, para compreendermos melhor a evolução dos efeitos e conquistas da adolescência, será
interessante analisarmos o desenvolvimento subdividindo-o por idade ou etapas:
Adolescência inicial: dos 10 anos completos aos 14 anos
incompletos
Este é um período marcado pelo rápido crescimento e pela entrada na
puberdade. Destacam-se: a independência (diminui o interesse pelas
atividades com os pais); a imagem corporal (existe uma insegurança
acerca da aparência); o grupo (existirá uma relação intensa com amigos
do mesmo sexo); e a identidade (aumenta a necessidade de privacidade
e a impulsividade).
Adolescência média: dos 14 anos completos aos 17 anos
incompletos
Este período é caracterizado pelo desenvolvimento intelectual e pela
maior valorização do grupo. Destacam-se: a independência (o conflito
com os pais); a imagem corporal (ocorre uma aceitação do corpo e um
interesse por ser atraente); o grupo (comportamento conforme valores
do grupo e prática da experiencia sexual); e a identidade
(desenvolvimento da habilidade intelectual, excesso de confiança,
comportamento de risco).
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Adolescência tardia ou final: dos 17 anos completos aos 20
anos incompletos
Período no qual as etapas anteriores se consolidam. Se todas as
transformações tiverem ocorrido conforme previsto, inclusive com uma
presença de suporte familiar e amigos, o adolescente estará pronto para
alcançar as responsabilidades da idade adulta.
Adolescência estendida: dos 20 anos completos aos 24 anos
incompletos
Alguns estudiosos sugerem estender a adolescência até os 24 anos de
idade, por questões fisiológicas e socioculturais.
As características psicológicas da adolescência
Segundo Aberastury e Knobel (1989), a criança entra na adolescência com muitos conflitos e incertezas e
precisa sair dela com sua maturidade estabilizada. Deverá apresentar caráter e personalidade adultos. 
A consequência final da adolescência seria um conhecimento de si mesmo como entidade biológica no
mundo, o todo biopsicossocial de cada ser nesse momento de vida.
(ABERASTURY; KNOBEL, 1989, p. 30)
Aberastury e Knobel identificaram a síndrome da adolescência normal, na qual diversos comportamentos
podem ser considerados patológicos em outros estágios do ciclo vital, contudo são considerados esperados e
normais no período da adolescência. 
O psiquiatra Maurício Knobel, argentino naturalizado brasileiro, definiu uma síndrome normal da adolescência
como uma representação esquemática de um fenômeno. A definição de uma “normal anormalidade”, para ele,
não significa que está identificando algo patológico, mas serve somente para facilitar a compreensão desse
período da vida. 
Assim,a síndrome da adolescência normal é o conjunto de comportamentos e mudanças que as crianças
apresentam ao chegar à adolescência entre 12 e 18 anos. 
Atenção
Os pais precisam compreender que esse é um momento natural, mas que deve ser observado e
conduzido para que não exista tendência a se tornar patológico. 
Para Knobel (1989), o adolescente tem que conviver com a superação de três lutos que correspondem à:
 
Perda do corpo infantil
Perda da identidade da infância
Perda da figura protetora dos pais
O que diferenciará cada processo de luto, maior ou menor
de “anormalidade” dessa síndrome normal, estará ligado aos
processos de elaboração dessa nova identificação e ao luto
que cada indivíduo tenha podido realizar quando
adolescente.
Uma vez que o adolescente elaborou os lutos, ele verá seu
mundo interno mais fortificado e, então, essa fase de
“normal anormalidade” será menos conflitiva e,
consequentemente, menos perturbadora.
Características da síndrome da
adolescência normal
Vamos sintetizar as características da adolescência que irão integrar a descrição da sintomatologia dessa
síndrome (AMARAL, 2007): 
1
Busca de si mesmo e da identidade
Todas as modificações corporais e as expectativas da sociedade com relação ao jovem podem levá-
lo a perceber que ele está vivenciando uma situação nova, com ansiedade pelo desconhecimento do
rumo que tudo irá tomar. A experiência de ter um corpo em mutação leva a conflitos com a
autoimagem, criando hora momentos de orgulho e outros de vergonha do próprio corpo. Apesar de
todas essas mudanças, o adolescente precisa transitar e evoluir sua personalidade, ou seja, precisa
saber quem ele é, em que está se transformando, para assim reconstruir sua identidade. É muito
comum os jovens passarem horas e horas em frente ao espelho e comparar-se uns aos outros,
buscando um padrão de normalidade e aceitação. Poderão ocorrer momentos de isolamento e
apropriação de identidades transitórias, como um esboço de desenho da própria identidade.
2
Tendência grupal
Durante a busca da identidade no adolescente, ele poderá recorrer a um comportamento defensivo
na busca pela uniformidade. Isso poderá lhe transmitir muita segurança e autoestima, gerando um
reforço para o nascimento do espírito de grupo. No grupo, haverá um processo massivo de
identificação coletiva. Se olharmos para um grupo de adolescentes, vamos ver como são
semelhantes as vestimentas, o modo de falar (podem criar um idioma próprio), os lugares
frequentados e os interesses. Nesse momento, o jovem se identifica muito mais com seu grupo do
que com os seus familiares. O grupo se constitui uma ponte de suporte necessária na transição entre
o mundo familiar e o mundo adulto.
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• 
• 
3Necessidade de intelectualizar e fantasiar
A realidade das mudanças vai se impor ao adolescente e ocorrerá uma necessidade de renunciar ao
corpo infantil e à proteção familiar. Tudo isso pode ser vivido como uma experiência de enorme
desamparo e impotência, que obrigará o adolescente a recorrer ao pensamento para compensar
essas perdas. O adolescente, então, tende a fugir para seu mundo interior, como uma forma de
buscar uma compensação emocional, um novo ajuste, e nessa tentativa de encontro consigo mesmo
começa a demonstrar preocupações de ordem ética, moral, social. Nesse momento, pode ocorrer a
elaboração de grandes “teorias” sobre o mundo com ideias fantasiosas infantis.
4
Crises religiosas
A conduta do adolescente pode variar de um total ateísmo até os comportamentos religiosos mais
fervorosos e engajados, indo do misticismo até o fanatismo. Nesse período, pode existir uma grande
variedade de posições religiosas e mudanças muito frequentes. A questão da religiosidade deve
emergir como decorrência dos questionamentos do adolescente sobre sua identidade: “quem sou?”,
“o que estou fazendo aqui?”, “qual o meu papel na vida?” serão perguntas que irão aparecer nesse
processo e ele tentará respondê-las.
5
Deslocamento temporal
As urgências do adolescente são tão grandes que haverá um grande conflito em “deixar para depois”
algo que é necessário e pungente. O adolescente não possui ainda as características adultas de
delimitar e discriminar, o que só vai adquirindo lentamente ao longo do seu desenvolvimento. À
medida que vai elaborando suas perdas, começa a surgir o conceito de tempo, que implica as noções
de passado, presente e futuro.
6
Evolução sexual do autoerotismo à heterossexualidade
Existe uma oscilação entre a atividade de masturbação e o começo dos exercícios genitais na vida do
adolescente, que se inicia e se forma basicamente exploratória até evoluir para a prática sexual na
vida adulta. O interesse por vídeos pornográficos e mesmo por experiências de ordem homossexual,
o exibicionismo e o voyerismo serão curiosidades sexuais que podem se manifestar. Despontará uma
evolução na intimidade, com contatos superficiais, depois profundos e mais íntimos, que preenchem
a sua vida sexual.
7
Atitude social reivindicatória
Essas atitudes muitas vezes serão respostas às restrições impostas pela sociedade e uma
demonstração do que está acontecendo com a capacidade cognitiva e o pensamento. Existe um
processo de intelectualização, e as fantasias conscientes que se reforçam nos grupos fazem com
que essas atitudes se transformem em pensamento ativo. Uma verdadeira ação social, política e
cultural. Muitas vezes, as reivindicações não são perdas vividas pelo adolescente diretamente, mas
da sociedade, dos seus pais, de sua família. Essa particular característica do adolescente é
aproveitada, em muitos casos, por certas seitas e grupos políticos ou religiosos para arregimentar
seguidores.
8Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta
A conduta do adolescente está diretamente relacionada com a ação, a impulsão e a expressão. O
adolescente não pode manter uma linha de conduta rígida, permanente, mesmo que tente. O jovem
terá uma personalidade permeável, absorvente, como uma esponja, que recebe e também projeta
tudo de forma grandiosa. Tudo isso irá refletir em uma conduta flutuante, contradições nos
adolescentes, identidades transitórias, uma resposta a uma atitude adulta para a qual ainda não
estão capacitados.
9
Separação progressiva dos pais
Essa é uma das perdas fundamentais que o adolescente necessita assumir internamente e que pode
gerar uma ansiedade muito intensa durante essa transição. Muitas vezes, os pais não aceitam e
negam o crescimento dos filhos, dificultando mais ainda a resolução dessa ansiedade. As boas
imagens parentais, com papéis bem definidos, sem ambiguidades ou encobrimentos, serão muito
importantes na internalização das percepções do cotidiano na vida dos adolescentes. A imagem de
pais com personalidades pouco consistentes forçam o adolescente a buscar identificação com outras
imagens adultas.
10
Constantes flutuações do humor
As modificações de hormônios e de humor podem desencadear um sentimento básico de ansiedade
e depressão que acompanhará a adolescência, dificultando ainda mais a elaboração das perdas que
sofre. A maneira como o adolescente compreende suas emoções determinará a maior ou menor
intensidade dessas flutuações. A realidade pode gerar muitas frustações e um sentimento de solidão
gerando isolamento. Contudo, da mesma maneira que se sente um “patinho feio” no mundo, um
gesto simples pode fazer com que se sinta a mais feliz das criaturas.
O dilema: afinal, existe um "adolescente universal"?
Uma pesquisa relevante foi feita por Daniel Offer e colaboradores em 1988 sobre as diferenças e igualdades
de autoimagem em adolescentes. Os pesquisadores ouviram 5.938 adolescentes em 10 países. Cinco
aspectos foram observados: 
identidade psicológica;
identidade social;
identidade sexual;
identidade familiar;
identidade de enfrentamento.
Dos resultados, cerca de 90% dos adolescentes de todos os países tinham sentimentos positivos em relação
aos pais, valorizavam o trabalho e a amizade, bem como tentavam aprender com os fracassos. Algumas
diferenças consistentes entreas culturas apareceram no que se refere ao sexo e à idade, mas em geral, esses
"adolescentes universais" consideravam-se felizes, sentiam-se capazes de enfrentar a vida, de tomar
decisões e de exercer o autocontrole, preocupavam-se com os outros e gostavam de estar e de aprender com
eles, gostavam de um trabalho bem-feito e sentiam-se confiantes em relação à sua sexualidade.
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Resumindo
Embora as áreas da Saúde e da Educação considerem a adolescência como uma fase de
desenvolvimento natural e cronológica, vimos que na Psicologia o termo “adolescência” deve ser
entendido como uma construção social que tem repercussões na subjetividade do sujeito, e não como
um período natural do desenvolvimento. 
Podemos chegar à compreensão de que a
adolescência é efetivamente uma criação do
homem. Os fatos sociais vão surgindo nas
relações sociais e com isso vão apresentando
repercussões psicológicas. Assim, começa-se a
dar significados sociais a esses fatos. 
A adolescência é um desses fatos sociais que
ganharam significado social. Para compreendê-
la, é preciso, então, que retomemos seu
processo social, para depois compreendê-la na
forma como acontece para os jovens (AMARAL,
2007).
Concluímos este módulo com um trecho do trabalho de Bock (2004): “Não há nada de patológico; não há nada
de natural. A adolescência é social e histórica. Pode existir hoje e não existir mais amanhã, em uma nova
formação social; pode existir aqui e não existir ali; pode existir mais evidenciada em determinado grupo social,
em uma mesma sociedade e não tão clara em outros grupos. Não há uma adolescência como possibilidade de
ser; há uma adolescência como significado social, mas suas possibilidades de expressão são muitas. (BOCK,
2004, p. 42).
As diferenças e igualdades dos adolescentes
A especialista reflete agora sobre as diferenças e igualdades dos adolescentes nas diferentes culturas e suas
implicações. Vamos lá! 
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Os lutos da adolescência
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Síndrome da adolescência normal
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Nos Estados Unidos, durante a década de 1950, apareceu o fenômeno denominado “juventude transviada” ou
“rebelde sem causa”. Já começava a se delinear, de modo bastante claro, uma consciência etária — a
oposição jovem/não jovem. A síndrome da adolescência normal apresenta diversos comportamentos
considerados patológicos em outros estágios do ciclo vital e que são considerados normais no período da
adolescência. O psiquiatra criador dessa definição se chama
A
Erikson.
B
Elkind.
C
Freud.
D
Knobel.
E
Kohlberg.
A alternativa D está correta.
Síndrome é um termo usado na Medicina para definir um conjunto de sintomas que caracterizam uma
doença. O psiquiatra Maurício Knobel definiu a síndrome da adolescência normal como uma representação
esquemática de um fenômeno. O contraditório na definição de Knobel é ele usar o termo para caracterizar
algo normal e não patológico.
Questão 2
Segundo Knobel (1989), o adolescente tem que conviver com a superação de três lutos que correspondem à:
(1) perda do corpo infantil, (2) perda da identidade da infância e (3) ___________________________. O que
diferenciará cada processo de luto será a intensidade da síndrome da adolescência normal e os processos de
elaboração da nova identificação incorporada ao luto que cada indivíduo realizará quando adolescente. A
resposta correta que completa a lacuna é
A
perda do grupo social infantil.
B
perda do grupo social escolar.
C
perda das fantasias infantis.
D
perda da liberdade criativa.
E
perda da figura protetora dos pais.
A alternativa E está correta.
Para Aberastury e Knobel (1989), o adolescente tem que conviver com a superação de três lutos que
correspondem à: (1) perda do corpo infantil; (2) perda da identidade da infância; (3) perda da figura
protetora dos pais. A busca incessante de saber qual a identidade adulta que se constituirá chega a ser
angustiante. Devido às mudanças corporais, é elaborado o luto pelo corpo da infância e pela identidade da
infância. Concomitantemente a essa percepção, o adolescente vai formando o sentimento de identidade,
numa verdadeira experiência de autoconhecimento. Nessa busca pela identidade, o adolescente muitas
vezes prefere o caminho mais fácil, fazendo identificações maciças com o grupo, vivenciando uma
autonomia e uma perda da figura protetora dos pais. À medida que seus lutos forem sendo elaborados, o
adolescente verá seu mundo interno com um olhar mais fortalecido, tornando a fase da "normal
anormalidade" menos perturbadora.
5. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, tratamos dos conceitos teóricos e históricos do desenvolvimento físico na adolescência, dos
fundamentos do desenvolvimento cognitivo e das abordagens construtivistas aplicadas na Psicologia.
Trabalhamos ainda as teorias do desenvolvimento psicossocial, a identidade, os conceitos, os pressupostos e
as características da síndrome da adolescência normal. 
A adolescência pode ser vista como uma construção social que tem repercussões na subjetividade do sujeito,
e não somente considerada um período natural do desenvolvimento. Assim, a adolescência é um fato social
que ganhou significado social. Ao compreendê-la, é preciso, então, que retomemos seu processo psicossocial,
para interpretá-la depois na forma como acontece para os jovens, considerando todas as mudanças
cognitivas, físicas, emocionais, hormonais, entre outras tantas, que ocorrem e afetam psicologicamente um
adolescente. 
Podcast
Neste podcast, a especialista refletirá sobre os conceitos teóricos e históricos do desenvolvimento físico
na adolescência e as diferenças e similaridades com a puberdade, assim como identificará os
fundamentos do desenvolvimento cognitivo na adolescência e as abordagens construtivistas,
psicossociais e psicanalíticas aplicadas na Psicologia.
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os adultos?
Referências
ABERASTURY, A; KNOBEL. M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas,
1989.
AMARAL, V. L. Psicologia da Educação: a Psicologia e sua importância para a Educação. Natal: EDUFRN, 2007.
208 p.
BOCK, A. M. B. A perspectiva sócio-histórica de Leontiev

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