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<p>Desenvolvimento na adolescência</p><p>Prof.ª Crismarie Casper Hackenberg</p><p>false</p><p>Descrição</p><p>Definição, conceituação histórica e fundamentos das teorias de</p><p>desenvolvimento humano referentes ao período da adolescência.</p><p>Descrição das transformações físicas, cognitivas e psicossociais</p><p>envolvidas na puberdade.</p><p>Propósito</p><p>O conhecimento sobre as teorias de desenvolvimento humano</p><p>envolvidas no estudo da fase da adolescência amplia a visão do</p><p>psicólogo em sua prática profissional clínica e institucional, tornando</p><p>sua prática e pesquisa com profundidade.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Desenvolvimento físico: puberdade</p><p>e adolescência</p><p>Reconhecer os conceitos teóricos e históricos do desenvolvimento</p><p>físico na adolescência e as diferenças e similaridades com a</p><p>puberdade.</p><p>Módulo 2</p><p>O desenvolvimento cognitivo</p><p>Identificar os fundamentos do desenvolvimento cognitivo na</p><p>adolescência e as abordagens construtivistas aplicadas na</p><p>Psicologia.</p><p>Módulo 3</p><p>Desenvolvimento psicossocial</p><p>Distinguir as teorias do desenvolvimento psicossocial e as</p><p>interpretações psicanalíticas da busca da identidade no período da</p><p>adolescência.</p><p>Módulo 4</p><p>A síndrome da adolescência normal</p><p>Reconhecer os conceitos, pressupostos e as características da</p><p>síndrome da adolescência normal.</p><p>Há muito tempo, a adolescência não passava de uma sala de</p><p>espera do mundo adulto. Contudo, o desenvolvimento da</p><p>sociedade, as complexidades e as mudanças sociais tornaram a</p><p>duração da fase adolescente prolongada. Nas sociedades tribais</p><p>primitivas, a passagem do mundo infantil para o mundo adulto era</p><p>muito breve e seguia normas rígidas. O início e o final desse</p><p>momento de passagem eram claramente definidos por rituais. Em</p><p>Introdução</p><p>1 - Desenvolvimento físico: puberdade e</p><p>adolescência</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos teóricos</p><p>e históricos do desenvolvimento físico na adolescência e as diferenças e</p><p>similaridades com a puberdade.</p><p>poucas semanas ou meses, o adolescente era instruído nas</p><p>atividades necessárias para obter alimento e defender seu povo. A</p><p>jovem se casava com 13 anos, e o jovem assumia aos 14 anos a</p><p>condição de guerreiro e de adulto.</p><p>À medida que a adolescência foi se prolongando, tornaram-se cada</p><p>vez mais evidentes as características de personalidade próprias</p><p>dessa fase. Foi possível a ideação da formação de uma cultura</p><p>adolescente que guarda, muitas vezes, semelhanças com as</p><p>subculturas dos grupos sociais marginalizados. Para defender-se, o</p><p>adolescente pode criar barreiras diante do mundo adulto, criando</p><p>linguagem e subcultura peculiares que o excluem desse mundo.</p><p>Vamos aprofundar esses sintomas da puberdade e os conceitos da</p><p>psicologia do adolescente. O período da adolescência será</p><p>apresentado por fases, por características e pelas teorias de</p><p>diversos pensadores que desenvolveram legados intelectuais de</p><p>observação clínica, prática e modelos de tratamento.</p><p>Ligando os pontos</p><p>Sair da infância e se transformar em adolescente não é tarefa fácil.</p><p>Adolescência nos parece mais como uma passagem, entre a infância e</p><p>a vida adulta. Ocorrem muitas mudanças de todas as ordens em pouco</p><p>tempo! Uma explosão de pensamentos, desejos e hormônios. Como</p><p>lidar com tudo isso? Bom, acredita-se que o primeiro passo seja</p><p>conhecer, entender sobre o desenvolvimento humano.</p><p>Sabemos que crianças e adolescentes passam grande parte de seu</p><p>tempo na escola, pois estão em período escolar. Desse modo, na</p><p>adolescência, mudanças, conflitos e conquistas são instaurados. Será</p><p>que os profissionais da educação estão preparados para acolher todas</p><p>essas demandas? Apesar de compreendermos que o processo de</p><p>desenvolvimento humano seja universal, ele acontece de maneira</p><p>peculiar e muito singular.</p><p>Vamos à história da Laura, uma adolescente de 13 anos, aluna do 7º ano</p><p>do ensino fundamental. Laura estuda em uma escola particular do</p><p>centro do Rio de Janeiro, e esse ano vem atravessando algumas</p><p>transformações no seu desenvolvimento como um todo, o que vem</p><p>acarretando conflitos no seu meio familiar.</p><p>Laura sempre foi uma aluna dedicada aos estudos, com rendimento</p><p>acadêmico satisfatório, e uma boa relação com os colegas. Neste ano,</p><p>Laura começou apresentar alterações comportamentais, demonstrando</p><p>mais timidez e inibição, como também diminui o contato social com os</p><p>colegas. Nas aulas de educação física, ela tem se recusado a participar,</p><p>alegando sentir-se desengonçada e com cólicas menstruais. De fato, os</p><p>professores perceberam que Laura apresentou uma crescida rápida em</p><p>sua estatura neste ano, assim como o surgimento de acne no rosto e o</p><p>aumento do peso corporal.</p><p>No conselho de classe, os professores pontuaram que Laura vem</p><p>apresentando um humor mais triste, sempre muito “quietinha” e até</p><p>sonolenta, tendo pouca participação nas aulas, o que resultou na queda</p><p>em seu rendimento acadêmico. Laura, então, foi encaminhada para a</p><p>equipe multidisciplinar para que fosse acompanhada mais de perto</p><p>pelos profissionais especializados da escola. Assim, eles podiam</p><p>compreender o que vinha atravessando o desenvolvimento da aluna</p><p>para que pudessem ajudá-la.</p><p>Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos</p><p>ligar esses pontos?</p><p>Questão 1</p><p>Sobre a adolescência e puberdade, embora possuam</p><p>características que as distinguem, também podem ocorrer juntas,</p><p>ao mesmo tempo. Precisamos adentrar no universo do</p><p>desenvolvimento humano, para assim compreender melhor cada</p><p>um desses fenômenos. Sobre a puberdade e a adolescência,</p><p>analise as questões a seguir e marque a alternativa correta.</p><p>A</p><p>Devemos considerar que a puberdade é uma fase</p><p>compreendida como uma mudança demorada nas</p><p>estruturas físicas e bioquímicas.</p><p>B</p><p>Se por algum evento biológico a puberdade não</p><p>acontecer, a adolescência também não se</p><p>manifesta.</p><p>C</p><p>Puberdade está vinculada ao início da adolescência</p><p>porque se refere especificamente às mudanças</p><p>emocionais e cognitivas.</p><p>D</p><p>Não existe uma relação de causa-efeito entre</p><p>puberdade e adolescência. Mesmo que as duas</p><p>possam ocorrer ao mesmo tempo.</p><p>E</p><p>Não se faz tão importante saber o momento preciso</p><p>no qual ocorre a puberdade em um indivíduo porque</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Quanto à puberdade, é importante salientar que é uma fase</p><p>compreendida por mudanças repentinas nas estruturas físicas,</p><p>bioquímicas e hormonais. Contudo, sabe-se que, se por algum</p><p>evento, a puberdade não se manifestar, a adolescência poderá</p><p>cumprir seu curso normalmente, sendo relevante saber os sinais da</p><p>puberdade no indivíduo, uma vez que tais sinais possam ser</p><p>indícios do início da adolescência.</p><p>Questão 2</p><p>A recepção de casos para equipe multidisciplinar teve uma</p><p>mudança nos últimos tempos. Antes havia punição a alunos</p><p>problemáticos, que eram enviados para coordenação, supervisora,</p><p>ou SOE – Orientação Educacional, hoje existe uma outra lógica de</p><p>postura. Imagine que você faz parte da equipe multidisciplinar e que</p><p>o conselho de classe indique a necessidade de um diálogo sobre</p><p>determinados alunos. Qual das alternativas abaixo deve representar</p><p>a postura da equipe?</p><p>podemos considerar esse período dissociado do</p><p>início da adolescência.</p><p>A</p><p>Temos um aluno problema na escola e por isso é</p><p>necessário intervir.</p><p>B</p><p>Temos um processo normal de “difundir” autoridade</p><p>e fortalecer a proteção do docente.</p><p>C</p><p>Temos que ter uma abordagem acolhedora,</p><p>entendendo que o suporte é rico, variado e não cabe</p><p>somente a alunos com necessidades educacionais</p><p>especiais.</p><p>D</p><p>Temos uma relação de intervenção, uma vez que foi</p><p>detectado um problema por parte dos professores.</p><p>E</p><p>Temos uma ação preventiva, já que a equipe deve</p><p>dialogar com todos os alunos.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A equipe tem o papel de acolhimento, integração, podendo atuar em</p><p>situações diversas, como, por exemplo, situações sociais, de saúde,</p><p>junto aos familiares, no sentido de traçar estratégias e suporte a</p><p>alunos e aos docentes.</p><p>Questão 3</p><p>Diante do caso apresentado acima, pontue quais</p><p>fatores/aspectos apresentados por Laura demarcam</p><p>disputas entre pais e amigos são recorrentes. Temos exemplos</p><p>diversos disso na escola, e na vida e Laura não foi uma exceção. A</p><p>mãe procurou a escola exigindo que ela fosse trocada de turma.</p><p>Você, como psicopedagogo, escolheria qual das alternativas abaixo</p><p>para responder à mãe de Laura?</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>O aconselhamento mais pertinente é sem dúvida evitar que uma</p><p>grande ruptura fosse feita. Importante ressaltar que Laura já estava</p><p>em tratamento psicológico, sob a atenção dos professores, e que o</p><p>assunto foi levado ao conselho de classe. Esse tipo de ação, ou</p><p>seja, a troca de turma, dialoga com a superproteção da mãe, não</p><p>sendo necessariamente positiva para o desenvolvimento saudável</p><p>da estudante.</p><p>Questão 3</p><p>O grupo de professores, ao ser informado da síndrome da</p><p>adolescência normal, ficou bastante curioso, pois muitos nunca</p><p>tinham ouvido falar disso. A psicopedagoga resolveu, então, fazer</p><p>um processo de formação continuada explicando no que</p><p>consiste tal fenômeno. Você, como psicopedagogo, abordaria</p><p>que assuntos durante essa formação continuada?</p><p>A</p><p>Trocar Laura de turma, pois é papel da escola</p><p>acolher a demanda da mãe.</p><p>B</p><p>Explicar que o planejamento escolar definido não</p><p>permite alterações no meio do percurso, pois</p><p>impacta negativamente no desenvolvimento dos</p><p>estudantes.</p><p>C</p><p>Garantir que o comportamento de Laura não será</p><p>modificado pela troca de turma.</p><p>D</p><p>Explicar que a troca de turma pode ser feita, mas</p><p>que tal medida tem consequências, nem sempre</p><p>positivas, no comportamento do estudante.</p><p>E</p><p>Acolher a mãe, escutá-la e encaminhar a demanda</p><p>para a diretoria.</p><p>Digite sua resposta aqui</p><p>Chave de resposta</p><p>Essa é uma questão mais aberta, que busca trazer à</p><p>tona o que você conhece do assunto. Podemos falar</p><p>sobre vários comportamentos tido como “normais”,</p><p>mas que representam demandas que impactam na</p><p>aprendizagem. Exemplos possíveis: a lógica de ou</p><p>tudo ou nada, agora ou nunca; inadaptação com o</p><p>corpo; falta de reconhecimento e negação dos pais;</p><p>variações com comportamento sexual, entre outros.</p><p>Mas é importante que você traga sua visão.</p><p>Etapas da adolescência</p><p>Adolescência e sua cronologia</p><p>Apesar de transitória e individual, a adolescência é extremamente</p><p>importante, pois o indivíduo atravessa um processo em que obtém as</p><p>características físicas, psicológicas e sociais de um adulto.</p><p>Essa jornada de mudanças pode não ocorrer de</p><p>maneira uniforme e contínua, visto que os períodos de</p><p>crescimento podem ser intercalados com fases de</p><p>regressão.</p><p>Nessa transformação, se pudéssemos destacar as etapas das</p><p>mudanças e os principais efeitos da fase da adolescência,</p><p>encontraríamos os seguintes temas:</p><p>independência;</p><p>imagem corporal;</p><p>grupo social;</p><p>identidade própria.</p><p>O critério cronológico perde importância nessa fase, pois o estágio de</p><p>maturação sexual será mais relevante. No entanto, para</p><p>compreendermos melhor a evolução dos efeitos e conquistas da</p><p>adolescência, será interessante analisarmos o desenvolvimento</p><p>subdividindo-o por idade ou etapas:</p><p> Adolescência inicial</p><p>Dos 10 anos completos aos 14 anos</p><p>incompletos</p><p>Este é um período marcado pelo rápido</p><p>crescimento e pela entrada na puberdade.</p><p>Destacam-se: a independência (diminui o interesse</p><p>pelas atividades com os pais); a imagem corporal</p><p>(existe uma insegurança acerca da aparência); o</p><p>grupo (existirá uma relação intensa com amigos do</p><p>mesmo sexo); e a identidade (aumenta a</p><p>necessidade de privacidade e a impulsividade).</p><p> Adolescência média</p><p>Dos 14 anos completos aos 17 anos</p><p>incompletos</p><p>Este período é caracterizado pelo desenvolvimento</p><p>intelectual e pela maior valorização do grupo.</p><p>Destacam-se: a independência (o conflito com os</p><p>pais); a imagem corporal (ocorre uma aceitação do</p><p>corpo e um interesse por ser atraente); o grupo</p><p>(comportamento conforme valores do grupo e</p><p>á i d i i l) id id d</p><p>prática da experiencia sexual); e a identidade</p><p>(desenvolvimento da habilidade intelectual, excesso</p><p>de confiança, comportamento de risco).</p><p> Adolescência tardia ou �nal</p><p>Dos 17 anos completos aos 20 anos</p><p>incompletos</p><p>Período no qual as etapas anteriores se</p><p>consolidam. Se todas as transformações tiverem</p><p>ocorrido conforme previsto, inclusive com uma</p><p>presença de suporte familiar e amigos, o</p><p>adolescente estará pronto para alcançar as</p><p>responsabilidades da idade adulta.</p><p> Adolescência estendida</p><p>Dos 20 anos completos aos 24 anos</p><p>incompletos</p><p>Alguns estudiosos sugerem estender a</p><p>adolescência até os 24 anos de idade, por questões</p><p>fisiológicas e socioculturais.</p><p>As características</p><p>psicológicas da adolescência</p><p>Segundo Aberastury e Knobel (1989), a criança entra na adolescência</p><p>com muitos conflitos e incertezas e precisa sair dela com sua</p><p>maturidade estabilizada. Deverá apresentar caráter e personalidade</p><p>adultos.</p><p>A consequência final da</p><p>adolescência seria um</p><p>conhecimento de si mesmo como</p><p>entidade biológica no mundo, o todo</p><p>biopsicossocial de cada ser nesse</p><p>momento de vida.</p><p>(ABERASTURY; KNOBEL, 1989, p. 30)</p><p>Aberastury e Knobel identificaram a síndrome da adolescência normal,</p><p>na qual diversos comportamentos podem ser considerados patológicos</p><p>em outros estágios do ciclo vital, contudo são considerados esperados</p><p>e normais no período da adolescência.</p><p>O psiquiatra Maurício Knobel, argentino naturalizado brasileiro, definiu</p><p>uma síndrome normal da adolescência como uma representação</p><p>esquemática de um fenômeno. A definição de uma “normal</p><p>anormalidade”, para ele, não significa que está identificando algo</p><p>patológico, mas serve somente para facilitar a compreensão desse</p><p>período da vida.</p><p>Assim, a síndrome da adolescência normal é o conjunto de</p><p>comportamentos e mudanças que as crianças apresentam ao chegar à</p><p>adolescência entre 12 e 18 anos.</p><p>Atenção!</p><p>Os pais precisam compreender que esse é um momento natural, mas</p><p>que deve ser observado e conduzido para que não exista tendência a se</p><p>tornar patológico.</p><p>Para Knobel (1989), o adolescente tem que conviver com a superação</p><p>de três lutos que correspondem à:</p><p></p><p>Perda do corpo infantil</p><p></p><p>Perda da identidade da infância</p><p></p><p>Perda da �gura protetora dos pais</p><p>O que diferenciará cada processo de luto, maior ou menor de</p><p>“anormalidade” dessa síndrome normal, estará ligado aos processos de</p><p>elaboração dessa nova identificação e ao luto que cada indivíduo tenha</p><p>podido realizar quando adolescente.</p><p>Uma vez que o adolescente elaborou os lutos, ele verá seu mundo</p><p>interno mais fortificado e, então, essa fase de “normal anormalidade”</p><p>será menos conflitiva e, consequentemente, menos perturbadora.</p><p>Características da síndrome da adolescência normal</p><p>Vamos sintetizar as características da adolescência que irão integrar a</p><p>descrição da sintomatologia dessa síndrome (AMARAL, 2007):</p><p> Busca de si mesmo e da identidade</p><p>Todas as modificações corporais e as expectativas</p><p>da sociedade com relação ao jovem podem levá-lo</p><p>a perceber que ele está vivenciando uma situação</p><p>nova, com ansiedade pelo desconhecimento do</p><p>rumo que tudo irá tomar. A experiência de ter um</p><p>corpo em mutação leva a conflitos com a</p><p>autoimagem, criando hora momentos de orgulho e</p><p>outros de vergonha do próprio corpo. Apesar de</p><p>todas essas mudanças, o adolescente precisa</p><p>transitar e evoluir sua personalidade, ou seja,</p><p>precisa saber quem ele é, em que está se</p><p>transformando, para assim reconstruir sua</p><p>identidade. É muito comum os jovens passarem</p><p>horas e horas em frente ao espelho e comparar-se</p><p>uns aos outros, buscando um padrão de</p><p>normalidade e aceitação. Poderão ocorrer</p><p>momentos de isolamento e apropriação de</p><p>identidades transitórias, como um esboço de</p><p>desenho da própria identidade.</p><p> Tendência grupal</p><p>Durante a busca da identidade no adolescente, ele</p><p>poderá recorrer a um comportamento defensivo na</p><p>busca pela uniformidade. Isso poderá lhe transmitir</p><p>muita segurança e autoestima, gerando um reforço</p><p>para o nascimento do espírito de grupo. No grupo,</p><p>h á i d id ifi ã</p><p>haverá um processo massivo de identificação</p><p>coletiva. Se olharmos para um grupo de</p><p>adolescentes, vamos</p><p>ver como são semelhantes as</p><p>vestimentas, o modo de falar (podem criar um</p><p>idioma próprio), os lugares frequentados e os</p><p>interesses. Nesse momento, o jovem se identifica</p><p>muito mais com seu grupo do que com os seus</p><p>familiares. O grupo se constitui uma ponte de</p><p>suporte necessária na transição entre o mundo</p><p>familiar e o mundo adulto.</p><p> Necessidade de intelectualizar e fantasiar</p><p>A realidade das mudanças vai se impor ao</p><p>adolescente e ocorrerá uma necessidade de</p><p>renunciar ao corpo infantil e à proteção familiar.</p><p>Tudo isso pode ser vivido como uma experiência de</p><p>enorme desamparo e impotência, que obrigará o</p><p>adolescente a recorrer ao pensamento para</p><p>compensar essas perdas. O adolescente, então,</p><p>tende a fugir para seu mundo interior, como uma</p><p>forma de buscar uma compensação emocional, um</p><p>novo ajuste, e nessa tentativa de encontro consigo</p><p>mesmo começa a demonstrar preocupações de</p><p>ordem ética, moral, social. Nesse momento, pode</p><p>ocorrer a elaboração de grandes “teorias” sobre o</p><p>mundo com ideias fantasiosas infantis.</p><p> Crises religiosas</p><p>A conduta do adolescente pode variar de um total</p><p>ateísmo até os comportamentos religiosos mais</p><p>fervorosos e engajados, indo do misticismo até o</p><p>fanatismo. Nesse período, pode existir uma grande</p><p>variedade de posições religiosas e mudanças muito</p><p>frequentes. A questão da religiosidade deve emergir</p><p>como decorrência dos questionamentos do</p><p>adolescente sobre sua identidade: “quem sou?”, “o</p><p>que estou fazendo aqui?”, “qual o meu papel na</p><p>vida?” serão perguntas que irão aparecer nesse</p><p>processo e ele tentará respondê-las.</p><p> Deslocamento temporal</p><p>As urgências do adolescente são tão grandes que</p><p>haverá um grande conflito em “deixar para depois”</p><p>algo que é necessário e pungente. O adolescente</p><p>não possui ainda as características adultas de</p><p>delimitar e discriminar, o que só vai adquirindo</p><p>lentamente ao longo do seu desenvolvimento. À</p><p>medida que vai elaborando suas perdas, começa a</p><p>surgir o conceito de tempo, que implica as noções</p><p>de passado, presente e futuro.</p><p> Evolução sexual do autoerotismo à</p><p>heterossexualidade</p><p>Existe uma oscilação entre a atividade de</p><p>masturbação e o começo dos exercícios genitais na</p><p>vida do adolescente, que se inicia e se forma</p><p>basicamente exploratória até evoluir para a prática</p><p>sexual na vida adulta. O interesse por vídeos</p><p>pornográficos e mesmo por experiências de ordem</p><p>homossexual, o exibicionismo e o voyerismo serão</p><p>curiosidades sexuais que podem se manifestar.</p><p>Despontará uma evolução na intimidade, com</p><p>contatos superficiais, depois profundos e mais</p><p>íntimos, que preenchem a sua vida sexual.</p><p> Atitude social reivindicatória</p><p>Essas atitudes muitas vezes serão respostas às</p><p>restrições impostas pela sociedade e uma</p><p>demonstração do que está acontecendo com a</p><p>capacidade cognitiva e o pensamento. Existe um</p><p>processo de intelectualização, e as fantasias</p><p>conscientes que se reforçam nos grupos fazem</p><p>com que essas atitudes se transformem em</p><p>pensamento ativo. Uma verdadeira ação social,</p><p>lí i l l M i i i di õ</p><p>política e cultural. Muitas vezes, as reivindicações</p><p>não são perdas vividas pelo adolescente</p><p>diretamente, mas da sociedade, dos seus pais, de</p><p>sua família. Essa particular característica do</p><p>adolescente é aproveitada, em muitos casos, por</p><p>certas seitas e grupos políticos ou religiosos para</p><p>arregimentar seguidores.</p><p> Contradições sucessivas em todas as</p><p>manifestações de conduta</p><p>A conduta do adolescente está diretamente</p><p>relacionada com a ação, a impulsão e a expressão.</p><p>O adolescente não pode manter uma linha de</p><p>conduta rígida, permanente, mesmo que tente. O</p><p>jovem terá uma personalidade permeável,</p><p>absorvente, como uma esponja, que recebe e</p><p>também projeta tudo de forma grandiosa. Tudo isso</p><p>irá refletir em uma conduta flutuante, contradições</p><p>nos adolescentes, identidades transitórias, uma</p><p>resposta a uma atitude adulta para a qual ainda não</p><p>estão capacitados.</p><p> Separação progressiva dos pais</p><p>Essa é uma das perdas fundamentais que o</p><p>adolescente necessita assumir internamente e que</p><p>pode gerar uma ansiedade muito intensa durante</p><p>essa transição. Muitas vezes, os pais não aceitam e</p><p>negam o crescimento dos filhos, dificultando mais</p><p>ainda a resolução dessa ansiedade. As boas</p><p>imagens parentais, com papéis bem definidos, sem</p><p>ambiguidades ou encobrimentos, serão muito</p><p>importantes na internalização das percepções do</p><p>cotidiano na vida dos adolescentes. A imagem de</p><p>pais com personalidades pouco consistentes</p><p>forçam o adolescente a buscar identificação com</p><p>outras imagens adultas.</p><p>O dilema: a�nal, existe um "adolescente universal"?</p><p>Uma pesquisa relevante foi feita por Daniel Offer e colaboradores em</p><p>1988 sobre as diferenças e igualdades de autoimagem em</p><p>adolescentes. Os pesquisadores ouviram 5.938 adolescentes em 10</p><p>países. Cinco aspectos foram observados:</p><p>identidade psicológica;</p><p>identidade social;</p><p>identidade sexual;</p><p>identidade familiar;</p><p>identidade de enfrentamento.</p><p>Dos resultados, cerca de 90% dos adolescentes de todos os países</p><p>tinham sentimentos positivos em relação aos pais, valorizavam o</p><p>trabalho e a amizade, bem como tentavam aprender com os fracassos.</p><p>Algumas diferenças consistentes entre as culturas apareceram no que</p><p>se refere ao sexo e à idade, mas em geral, esses "adolescentes</p><p>universais" consideravam-se felizes, sentiam-se capazes de enfrentar a</p><p>vida, de tomar decisões e de exercer o autocontrole, preocupavam-se</p><p>com os outros e gostavam de estar e de aprender com eles, gostavam</p><p>de um trabalho bem-feito e sentiam-se confiantes em relação à sua</p><p>sexualidade.</p><p> Constantes �utuações do humor</p><p>As modificações de hormônios e de humor podem</p><p>desencadear um sentimento básico de ansiedade e</p><p>depressão que acompanhará a adolescência,</p><p>dificultando ainda mais a elaboração das perdas</p><p>que sofre. A maneira como o adolescente</p><p>compreende suas emoções determinará a maior ou</p><p>menor intensidade dessas flutuações. A realidade</p><p>pode gerar muitas frustações e um sentimento de</p><p>solidão gerando isolamento. Contudo, da mesma</p><p>maneira que se sente um “patinho feio” no mundo,</p><p>um gesto simples pode fazer com que se sinta a</p><p>mais feliz das criaturas.</p><p>Resumindo</p><p>Embora as áreas da Saúde e da Educação considerem a adolescência</p><p>como uma fase de desenvolvimento natural e cronológica, vimos que na</p><p>Psicologia o termo “adolescência” deve ser entendido como uma</p><p>construção social que tem repercussões na subjetividade do sujeito, e</p><p>não como um período natural do desenvolvimento.</p><p>Podemos chegar à compreensão de que a adolescência é efetivamente</p><p>uma criação do homem. Os fatos sociais vão surgindo nas relações</p><p>sociais e com isso vão apresentando repercussões psicológicas. Assim,</p><p>começa-se a dar significados sociais a esses fatos.</p><p>A adolescência é um desses fatos sociais que ganharam significado</p><p>social. Para compreendê-la, é preciso, então, que retomemos seu</p><p>processo social, para depois compreendê-la na forma como acontece</p><p>para os jovens (AMARAL, 2007).</p><p>Concluímos este módulo com um trecho do trabalho de Bock (2004):</p><p>“Não há nada de patológico; não há nada de natural. A adolescência é</p><p>social e histórica. Pode existir hoje e não existir mais amanhã, em uma</p><p>nova formação social; pode existir aqui e não existir ali; pode existir</p><p>mais evidenciada em determinado grupo social, em uma mesma</p><p>sociedade e não tão clara em outros grupos. Não há uma adolescência</p><p>como possibilidade de ser; há uma adolescência como significado</p><p>social, mas suas possibilidades de expressão são muitas. (BOCK, 2004,</p><p>p. 42).</p><p>As diferenças e igualdades</p><p>dos adolescentes</p><p>A especialista reflete agora sobre as diferenças e igualdades dos</p><p>adolescentes nas diferentes culturas e suas implicações. Vamos lá!</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Nos Estados Unidos, durante a década de 1950, apareceu o</p><p>fenômeno denominado “juventude transviada” ou “rebelde sem</p><p>causa”. Já começava a se delinear, de modo bastante claro, uma</p><p>consciência etária — a oposição jovem/não jovem.</p><p>A síndrome da</p><p>adolescência normal apresenta diversos comportamentos</p><p>considerados patológicos em outros estágios do ciclo vital e que</p><p>são considerados normais no período da adolescência. O psiquiatra</p><p>criador dessa definição se chama</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Síndrome é um termo usado na Medicina para definir um conjunto</p><p>de sintomas que caracterizam uma doença. O psiquiatra Maurício</p><p>Knobel definiu a síndrome da adolescência normal como uma</p><p>representação esquemática de um fenômeno. O contraditório na</p><p>definição de Knobel é ele usar o termo para caracterizar algo normal</p><p>e não patológico.</p><p>Questão 2</p><p>Segundo Knobel (1989), o adolescente tem que conviver com a</p><p>superação de três lutos que correspondem à: (1) perda do corpo</p><p>infantil, (2) perda da identidade da infância e (3)</p><p>___________________________. O que diferenciará cada processo de</p><p>luto será a intensidade da síndrome da adolescência normal e os</p><p>processos de elaboração da nova identificação incorporada ao luto</p><p>que cada indivíduo realizará quando adolescente. A resposta</p><p>correta que completa a lacuna é</p><p>A Erikson.</p><p>B Elkind.</p><p>C Freud.</p><p>D Knobel.</p><p>E Kohlberg.</p><p>A perda do grupo social infantil.</p><p>B perda do grupo social escolar.</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>Para Aberastury e Knobel (1989), o adolescente tem que conviver</p><p>com a superação de três lutos que correspondem à: (1) perda do</p><p>corpo infantil; (2) perda da identidade da infância; (3) perda da</p><p>figura protetora dos pais. A busca incessante de saber qual a</p><p>identidade adulta que se constituirá chega a ser angustiante.</p><p>Devido às mudanças corporais, é elaborado o luto pelo corpo da</p><p>infância e pela identidade da infância. Concomitantemente a essa</p><p>percepção, o adolescente vai formando o sentimento de identidade,</p><p>numa verdadeira experiência de autoconhecimento. Nessa busca</p><p>pela identidade, o adolescente muitas vezes prefere o caminho</p><p>mais fácil, fazendo identificações maciças com o grupo,</p><p>vivenciando uma autonomia e uma perda da figura protetora dos</p><p>pais. À medida que seus lutos forem sendo elaborados, o</p><p>adolescente verá seu mundo interno com um olhar mais fortalecido,</p><p>tornando a fase da “normal anormalidade” menos perturbadora.</p><p>Considerações �nais</p><p>Neste conteúdo, tratamos dos conceitos teóricos e históricos do</p><p>desenvolvimento físico na adolescência, dos fundamentos do</p><p>desenvolvimento cognitivo e das abordagens construtivistas aplicadas</p><p>na Psicologia. Trabalhamos ainda as teorias do desenvolvimento</p><p>psicossocial, a identidade, os conceitos, os pressupostos e as</p><p>características da síndrome da adolescência normal.</p><p>A adolescência pode ser vista como uma construção social que tem</p><p>repercussões na subjetividade do sujeito, e não somente considerada</p><p>um período natural do desenvolvimento. Assim, a adolescência é um</p><p>C perda das fantasias infantis.</p><p>D perda da liberdade criativa.</p><p>E perda da figura protetora dos pais.</p><p>fato social que ganhou significado social. Ao compreendê-la, é preciso,</p><p>então, que retomemos seu processo psicossocial, para interpretá-la</p><p>depois na forma como acontece para os jovens, considerando todas as</p><p>mudanças cognitivas, físicas, emocionais, hormonais, entre outras</p><p>tantas, que ocorrem e afetam psicologicamente um adolescente.</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast, a especialista refletirá sobre os conceitos teóricos e</p><p>históricos do desenvolvimento físico na adolescência e as diferenças e</p><p>similaridades com a puberdade, assim como identificará os</p><p>fundamentos do desenvolvimento cognitivo na adolescência e as</p><p>abordagens construtivistas, psicossociais e psicanalíticas aplicadas na</p><p>Psicologia.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Confira o conteúdo indicado especialmente para você!</p><p>Não deixe de ler o Manual de Atenção à Saúde do Adolescente (PRO-</p><p>ADOLESC) elaborado pela Secretaria Municipal da Saúde da cidade de</p><p>São Paulo. Esse programa tem como objetivo fornecer orientações e</p><p>subsídios técnicos aos profissionais da rede de saúde dos</p><p>adolescentes.</p><p>Leia o artigo Relação entre habilidades sociais, estresse, idade, sexo,</p><p>escola e série em adolescentes, de Sheila Francisca Machado, Sérgio</p><p>Henrique de Souza Alves e Patrícia Fagundes Caetano. O adolescente</p><p>enfrenta situações que podem desencadear estresse, que é a reação do</p><p>organismo para reestabelecer seu equilíbrio após passar por situação</p><p>estressora. Saiba mais sobre esses resultados!</p><p>Aproveite e leia ainda Adolescência e feminilidade na peça O despertar</p><p>da primavera, de Thais Limp Silva e Cristina Moreira Marcos. Esse artigo</p><p>aborda a adolescência como um processo de sexualização decorrente</p><p>do Édipo.</p><p>Não perca tempo e assista à aula Psicologia do Desenvolvimento -</p><p>Adolescência: Concepções teóricas, da UNIVESP. Aproveite para tirar as</p><p>dúvidas sobre as teorias do desenvolvimento humano que estão</p><p>relacionadas à fase da adolescência.</p><p>Assista ao vídeo Sarah-Jayne Blakemore: O misterioso funcionamento</p><p>do cérebro adolescente disponível no YouTube. A neurocientista</p><p>compara o córtex pré-frontal de adolescentes e adultos. Vamos pensar</p><p>junto com a professora Sarah: por que os adolescentes parecem tão</p><p>mais impulsivos, tão menos autoconscientes do que os adultos?</p><p>Referências</p><p>ABERASTURY, A; KNOBEL. M. Adolescência normal: um enfoque</p><p>psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.</p><p>AMARAL, V. L. Psicologia da Educação: a Psicologia e sua importância</p><p>para a Educação. Natal: EDUFRN, 2007. 208 p.</p><p>BOCK, A. M. B. A perspectiva sócio-histórica de Leontiev e a crítica à</p><p>naturalização da formação do ser humano: a adolescência em questão.</p><p>Cad. CEDES, v. 24, n. 62, p. 26-43, abr. 2004.</p><p>CARVALHO, N. M. C. Psicologia da infância e da adolescência. Sobral,</p><p>CE: Egus, 2015.</p><p>FRANK, A. The diary of a young girl. New York: Pocket, 1958.</p><p>GRIFFA, M. C.; MORENO, J. E. Chaves para a psicologia do</p><p>desenvolvimento. Tomo 2: adolescência – vida adulta – velhice. [S.l.:</p><p>S.n.], 2001.</p><p>KNOBEL. M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Trad. S. M.</p><p>G. Ballve. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.</p><p>LOCATELLI, A. C. D. A perspectiva de tempo futuro e a motivação do</p><p>adolescente na escola. Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro</p><p>de Educação, Comunicação e Artes, Universidade Estadual de Londrina,</p><p>Londrina, 2004.</p><p>MORAGAS, J. de. Psicologia dei nino y dei adolescente. Barcelona:</p><p>Labor, 1970. p. 219-223.</p><p>PAPALIA, D. E. et al. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2009.</p><p>ROCHA, M. I. A.; FARIA, A. R. de; PIO, J. Psicologia do adolescente. [Belo</p><p>Horizonte]: Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas</p><p>Gerais, 2009.</p><p>SCHOEN-FERREIRA, T. H.; AZNAR-FARIAS, M.; SILVARES, E. F. de M.</p><p>Adolescência através dos séculos. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 26,</p><p>n. 2, p. 227-234, 2010.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>para você</p><p>sinais de puberdade e/ou adolescência. Distinga cada um deles.</p><p>Digite sua resposta aqui</p><p>Chave de resposta</p><p>Sabemos que puberdade e adolescência podem</p><p>caminhar juntas em um indivíduo, assim como</p><p>podem se dissociar. Laura, uma adolescente de 13</p><p>anos, apresenta sinais de puberdade nos aspectos</p><p>físicos e bioquímicos, como um rápido crescimento</p><p>corporal, desajuste corporal, menstruação, acne e</p><p>aumento do peso corporal. Já os aspectos</p><p>relacionados à adolescência têm a ver com o modo</p><p>de ser, como as alterações comportamentais,</p><p>timidez, inibição, alterações no humor e no sono.</p><p>Conceitos básicos em</p><p>puberdade e adolescência</p><p>Puberdade e adolescência</p><p>Em geral, o período da adolescência começa com as mudanças</p><p>corporais que ocorrem no início da puberdade e termina com os</p><p>acontecimentos da inserção social, profissional e econômica do jovem</p><p>na sociedade adulta.</p><p>Segundo a OMS (Organização</p><p>Mundial de Saúde [1965]): A</p><p>adolescência é definida como um</p><p>período biopsicossocial que</p><p>compreende a segunda década da</p><p>vida, ou seja, dos 10 aos 20 anos.</p><p>Esse também é o critério adotado</p><p>pelo Ministério da Saúde do Brasil e</p><p>pelo Instituto Brasileiro de Geografia</p><p>e Estatística (IBGE). Para o Estatuto</p><p>da Criança e do Adolescente (ECA),</p><p>o período vai dos 12 aos 18 anos.</p><p>(SCHOEN-FERREIRA et al., 2010, p. 227)</p><p>Inicialmente é importante compreendermos o seguinte:</p><p>A palavra "puberdade" vem do latim pubertate, que significa “idade</p><p>viril”, e também encontramos referência no verbo pubescere, que</p><p>significa “cobrir-se de pelos na região púbica”. Podemos, então,</p><p>entender que a palavra puberdade, em geral, está vinculada ao</p><p>início da adolescência, porque se refere especificamente às</p><p>mudanças corporais.</p><p>O termo "adolescência" vem da expressão adolescentia, que está</p><p>relacionada ao período de crescer, de se desenvolver, ou como</p><p>diria a filosofia clássica com Aristóteles, a natureza humana em</p><p>florescimento.</p><p>Segundo Moragas (1970), não existe uma relação de causa-efeito entre</p><p>puberdade e adolescência. Mesmo que as duas possam ocorrer ao</p><p>mesmo tempo.</p><p>Devemos considerar que a puberdade, uma fase compreendida como</p><p>uma mudança repentina nas estruturas físicas e bioquímicas, pode ser</p><p>precedida, acompanhada ou seguida de um período adolescente.</p><p>E se por algum evento biológico a puberdade não acontecer, a</p><p>adolescência não deixa de se manifestar no indivíduo. Para Moragas,</p><p>ser adolescente é estar no mundo de outra maneira. A atitude do</p><p>adolescente diante da família, do estudo e dos amigos é diferente</p><p>(GRIFFA; MORENO, 2001).</p><p>Mudanças físicas da puberdade</p><p>De acordo com Papalia et al. (2009), existe um período de</p><p>aproximadamente sete anos para o início da puberdade tanto em</p><p>meninos como em meninas. O processo regularmente leva cerca de</p><p>quatro anos para ambos os sexos e tem início cerca de dois ou três</p><p>anos mais cedo nas meninas do que nos meninos. Em dados gerais e</p><p>populacionais:</p><p>Adolescência para</p><p>meninos</p><p>A idade mediana dos</p><p>meninos para a entrada</p><p>na puberdade é 12 anos,</p><p>mas eles podem</p><p>começar a apresentar</p><p>mudanças entre 9 e 16</p><p>anos.</p><p>Adolescência para</p><p>meninas</p><p>Em média, as meninas</p><p>começam a apresentar</p><p>as mudanças da</p><p>puberdade dos 8 aos 10</p><p>anos.</p><p>Contudo, os estudiosos do desenvolvimento constataram uma</p><p>tendência secular no estabelecimento da puberdade, relativa à</p><p>diminuição da idade em que a puberdade se inicia. Isso quer dizer que</p><p>os jovens estão alcançando a estatura adulta e maturidade sexual cada</p><p>vez mais cedo (PAPALIA et al., 2009).</p><p>Tendência secular</p><p>Tendência que inclui diversas gerações.</p><p>Saiba mais</p><p>Uma explicação muito provável é a melhora no padrão de vida da</p><p>sociedade. Ou seja, as crianças que são mais saudáveis, mais bem</p><p>nutridas e mais bem cuidadas acabam amadurecendo mais cedo e</p><p>crescendo mais.</p><p>No período da puberdade acontece um acelerado crescimento da</p><p>estatura. O corpo do adolescente muda de forma tão rápida e tão radical</p><p>que não dá tempo para que ele possa se acostumar com as</p><p>modificações. Nesse período, podemos encontrar adolescentes com</p><p>posturas desengonçadas, com movimentos pouco harmoniosos dos</p><p>braços e pernas, com um caminhar um pouco fora do ritmo (AMARAL,</p><p>2007).</p><p></p><p>Gráfico mostra o crescimento que ocorre na adolescência.</p><p>Junto com essa fase de crescimento visível, uma série de outras</p><p>modificações orgânicas devem surgir, destacando-se os caracteres</p><p>sexuais secundários que começam a aparecer. Em meninas, o</p><p>surgimento das mamas e nos meninos, o aumento dos testículos. Nos</p><p>dois acontecerá o desenvolvimento dos pelos pubianos. A partir dessas</p><p>modificações orgânicas, começa a fase chamada puberdade marcada</p><p>pelas características físicas descritas a seguir:</p><p>O aumento da largura dos ombros; a modificação no timbre da</p><p>voz; o aparecimento de pelos no rosto, axilas e região pubiana; o</p><p>crescimento do pênis e dos testículos; e o surgimento da</p><p>primeira ejaculação.</p><p>O aumento dos quadris; o desenvolvimento das glândulas</p><p>mamárias; o aparecimento de pelos na região pubiana; e o</p><p>surgimento da primeira menstruação, chamada menarca.</p><p>Nesse processo de desenvolvimento, os hormônios serão muito</p><p>importantes. Por causa deles, as moças terão seus ovários aumentados</p><p>com a produção de estrogênio, além do aumento dos genitais femininos</p><p>e do desenvolvimento dos seios.</p><p>Nos rapazes, os testículos aumentarão a fabricação de androgênios,</p><p>principalmente a testosterona. Esse hormônio estimulará o crescimento</p><p>dos genitais masculinos, da massa muscular e dos pelos do corpo.</p><p>Nos meninos </p><p>Nas meninas </p><p>Os hormônios na puberdade</p><p>De acordo com Papalia et al. (2009), saber o momento preciso no qual</p><p>ocorre a puberdade em um indivíduo é importante, porque podemos</p><p>considerar esse período como o início da adolescência. Nesse momento</p><p>de explosão da atividade hormonal, as pesquisas têm mostrado que o</p><p>peso corporal está relacionado à puberdade.</p><p>Algumas pesquisas atribuem aos hormônios a falta de regulação das</p><p>emoções e a instabilidade de humor da adolescência inicial, diz Papalia</p><p>et al. (2009). Eles estão associados à agressividade nos rapazes e tanto</p><p>à agressividade como à depressão nas moças. Entretanto, outras</p><p>influências, como o sexo, a idade, o temperamento e o momento de</p><p>ocorrência da puberdade, podem moderar ou até sobrepujar as</p><p>influências hormonais. A tabela a seguir explicita as mudanças</p><p>fisiológicas na adolescência, vamos acompanhar:</p><p>Características Femininas Idade de Aparecimento</p><p>Crescimento dos seios 6-13</p><p>Crescimento dos pelos</p><p>pubianos</p><p>6-14</p><p>Crescimento corporal 9,5-14,5</p><p>Menarca 10-16,5</p><p>Pelos axilares</p><p>Cerca de dois anos após o</p><p>aparecimento de pelos</p><p>pubianos</p><p>Aumento na produção das</p><p>glândulas sebáceas e</p><p>sudoríparas (o que pode</p><p>causar acne)</p><p>Aproximadamente na</p><p>mesma época que o</p><p>aparecimento de pelos</p><p>axilares</p><p>Características Masculinas Idade de Aparecimento</p><p>Crescimento dos testículos,</p><p>escroto</p><p>10-13,5</p><p>Crescimento dos pelos</p><p>pubianos</p><p>12-16</p><p>Crescimento corporal 10,5-16</p><p>Crescimento do pênis, da</p><p>próstata, das vesículas</p><p>seminais</p><p>11-14,5</p><p>Alteração na voz</p><p>Aproximadamente na</p><p>mesma época que o</p><p>crescimento do pênis</p><p>Primeira ejaculação de sêmen</p><p>Aproximadamente um ano</p><p>depois do início do</p><p>crescimento do pênis</p><p>Pelos faciais e axilares</p><p>Aproximadamente dois</p><p>anos após o aparecimento</p><p>de pelos pubianos</p><p>Características Femininas Idade de Aparecimento</p><p>Aumento na produção das</p><p>glândulas sebáceas e</p><p>sudoríparas (o que pode</p><p>causar acne)</p><p>Aproximadamente a mesa</p><p>época que o aparecimento</p><p>de pelos axilares</p><p>Tabela: Sequência Usual de Mudanças Fisiológicas na Adolescência</p><p>Adolescência e ritual de passagem</p><p>Os ritos de passagem podem incluir bençãos e rituais religiosos,</p><p>afastamento da criança da família, desafios rigorosos de força e</p><p>resistência, sinalização de uma marca no corpo de alguma forma e</p><p>ainda rituais mitológicos e de magia.</p><p>Um ritual conhecido realizado em uma idade determinada é o das</p><p>cerimônias de bar mitzvah (menino) e bat mitzvah (menina) na cultura</p><p>judaica, que marcam o ritual de chegada dos 13 anos.</p><p>Nesse ritual, os</p><p>jovens assumem a responsabilidade de seguir a fé em observância</p><p>religiosa tradicional.</p><p>Outro ritual conhecido é a celebração da primeira menstruação de uma</p><p>moça. Nas tribos Apache, a menarca é comemorada com um ritual</p><p>religioso de quatro dias de cânticos, que vai do amanhecer ao pôr do</p><p>sol.</p><p>Na sociedade ocidental, vamos encontrar alguns marcadores legais para</p><p>o ingresso na idade adulta. Aos 17 anos, os jovens poderão se alistar</p><p>nas Forças Armadas. Aos 18 anos (em alguns países aos 16 anos),</p><p>podem dirigir ou votar. Em muitos países, a maioridade se dá aos 18</p><p>anos e um jovem com essa idade pode se casar sem a permissão dos</p><p>pais.</p><p>Se usarmos as definições sociológicas, as pessoas podem</p><p>autodenominar-se adultos quando têm condição de se sustentarem e</p><p>escolherem uma profissão, quando podem se casar e se apropriar de</p><p>um relacionamento significativo ou começarem uma família. A palavra</p><p>“emancipação” significa a libertação ou independência de alguém. No</p><p>direito brasileiro, a emancipação é o ato que faz com que pessoas se</p><p>tornem capazes na esfera civil antes de completar 18 anos.</p><p>A adolescência ao longo dos</p><p>séculos</p><p>Os autores Schoen-Ferreira e Aznar-Farias (2010) observam</p><p>particularidades em diferentes etapas desde a Grécia Antiga até os dias</p><p>atuais:</p><p> Na Grécia Clássica</p><p>As crianças moravam no gineceu até completarem</p><p>7 anos. Depois os meninos estudavam em casa</p><p>com um adulto tutor e recebiam educação severa</p><p>com ensinamentos cívicos e militares. A</p><p>maioridade era atingida aos 18 anos, quando o</p><p>jovem entrava para a efebia: tempo de aprendizado</p><p>de valores morais e religiosos para se tornar um</p><p>id dã A i é 7 bi</p><p>cidadão. As meninas até os 7 anos recebiam</p><p>educação similar à dos meninos. Após esse</p><p>período, praticavam esportes com o propósito de</p><p>reforçar a saúde vigorosa para o exercício da</p><p>maternidade.</p><p>Não existia adolescência nesse período da história,</p><p>a fase adolescente ainda não estava delimitada.</p><p> Na Roma Antiga</p><p>A criança aos 12 anos vivia uma passagem para um</p><p>novo estágio, tanto para os meninos quanto para as</p><p>meninas. Tão logo chegava a puberdade, trocavam</p><p>as vestes infantis pelas dos adultos. As meninas</p><p>eram preparadas para casar-se com no máximo 14</p><p>anos.</p><p>Nesse período não existia o conceito de</p><p>maioridade.</p><p> Na Idade Média</p><p>Com o surgimento das comunidades feudais e</p><p>coletivas, existia um ambiente familiar que</p><p>possibilitava todos se conhecerem. A criança tinha</p><p>condições de viver com cuidados maternos,</p><p>contudo, quando provasse que não precisava mais</p><p>de cuidados, teria entrada plena no espaço dos</p><p>adultos. A partir disso, as atividades sociais, jogos,</p><p>profissões e armas eram comuns a todos sem</p><p>distinção de idade. Nesse período foram</p><p>resgatadas as ideias de Platão sobre os ciclos da</p><p>vida contados de 7 em 7 anos: primeira idade,</p><p>infância (enfant), de 0 a 7 anos; segunda idade,</p><p>puertitia, de 7 a 14 anos; terceira idade,</p><p>adolescência, de 14 a 21 anos. Depois viria a</p><p>juventude até os 28 anos, a fase adulta que duraria</p><p>até 50 anos, e em seguida chegaria a velhice, com</p><p>50 anos para cima.</p><p> No Iluminismo</p><p>O tempo novo do Iluminismo oferece a formação de</p><p>um sentimento e de um tempo de adolescência no</p><p>século XVIII. Nasce um sentido e uma importância</p><p>de proteção moral das crianças e de jovens.</p><p> Nos séculos XIX e XX</p><p>Cresce, no século XIX, o investimento das famílias</p><p>nos filhos, pois os pais acreditavam que o filho é o</p><p>futuro familiar. A fase da infância começa a</p><p>reconhecer a criança como uma pessoa. A</p><p>adolescência é reconhecida como uma etapa</p><p>crítica. Surgem as Ciências Sociais, dentre elas,</p><p>História, Sociologia, Antropologia e Psicologia, que</p><p>acabaram por legitimar essa fase humana da vida.</p><p>No decorrer do século XX, a década de 60 foi muito</p><p>i d bili õ f</p><p>Adolescência no século XXI</p><p>Para Rocha, Faria e Pio (2009), o tempo em que vivemos é um período</p><p>de velocidade nos avanços tecnológicos e de uma sociedade</p><p>globalizada e conectada, e os adolescentes estão vivendo nessa</p><p>modernidade.</p><p>Como deve ser para um adolescente manifestar sua</p><p>individualidade em um mundo tão tecnológico e</p><p>rápido?</p><p>Segundo as autoras, existe uma tendência na atualidade de se tornarem</p><p>mais misturadas as relações entre adolescentes e adultos. As famílias</p><p>atualmente são menos repressoras do que há 20 e 30 anos e, nesse</p><p>sentido, existe um diálogo proposto que possibilita uma convivência</p><p>mais humana, compreensiva e amistosa.</p><p>Contudo, a dinâmica social cotidiana mostra que, em algumas classes</p><p>sociais, essa fase da adolescência não é muito destacada. É muito</p><p>comum, no Brasil, encontrarmos crianças trabalhando informalmente e</p><p>se ausentando da escola, porque buscam a sobrevivência nas ruas.</p><p>Antigamente, o adolescente era encaminhado para se dedicar aos</p><p>estudos, tornando-se capaz de conseguir um emprego e se casar. Nos</p><p>dias atuais, a nossa sociedade contemporânea identifica uma</p><p>adolescência prolongada, pois os jovens permanecem mais tempo com</p><p>os pais e acabam tendo um maior acúmulo de estudo.</p><p>impactada com mobilizações e uma frequente</p><p>contestação social.</p><p>Podemos dizer que a adolescência, como</p><p>fenômeno social, é um invento da sociedade</p><p>moderna.</p><p>Mesmo com uma idade biológica de juventude ou vida adulta, não</p><p>possuem independência financeira e emprego. Existe uma ausência de</p><p>autonomia.</p><p>Nossa sociedade mudou. Atualmente, as características fundamentais</p><p>são o consumo, o imediatismo, a satisfação momentânea dos desejos,</p><p>os novos arranjos familiares, a velocidade no dia a dia (ROCHA; FARIA;</p><p>PIO, 2009). Diferentemente de outros tempos, como vimos, nos quais as</p><p>diferenças entre o que distinguia crianças de adolescentes e de adultos</p><p>era muito mais demarcado socialmente.</p><p>Evolução histórica do</p><p>conceito de adolescência</p><p>Neste vídeo, a especialista reflete sobre as mudanças do conceito de</p><p>adolescência ao longo da história, destacando as particularidades</p><p>dessa fase no século XXI. Confira!</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>O critério da adolescência como um período biopsicossocial que</p><p>compreende a segunda década da vida, ou seja, dos 10 aos 20</p><p>anos, foi adotado pela Organização Mundial de Saúde em 1965.</p><p>Diversas outras instituições brasileiras utilizam o mesmo critério de</p><p>idade em suas legislações, como:</p><p>I. Ministério da Saúde do Brasil;</p><p>II. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);</p><p>III. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p><p>Esse mesmo critério é realmente utilizado por:</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Em geral, o período da adolescência começa com as mudanças</p><p>corporais que ocorrem no início da puberdade e termina com os</p><p>acontecimentos da inserção social, profissional e econômica do</p><p>jovem na sociedade adulta. Diversas outras instituições brasileiras</p><p>A I e II.</p><p>B I, II e III.</p><p>C III apenas.</p><p>D I e III.</p><p>E II e III.</p><p>também utilizam esse critério em suas legislações, entre eles o</p><p>Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e</p><p>Estatística (IBGE). Para o Estatuto da Criança e do Adolescente</p><p>(ECA), o período da adolescência vai dos 12 aos 18 anos.</p><p>Questão 2</p><p>Sobre a etimologia dos conceitos de puberdade e de adolescência,</p><p>a palavra "puberdade" vem do latim pubertate, e quer dizer "idade</p><p>viril". Podemos dizer que o que mais define a puberdade é a</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>Também encontramos referência da palavra “puberdade” no verbo</p><p>pubescere, que significa "cobrir-se de pelos na região púbica".</p><p>Podemos, então, entender que a palavra puberdade, em geral, está</p><p>vinculada ao início da adolescência, porque se refere</p><p>especificamente às mudanças corporais. O termo "adolescência"</p><p>vem da expressão adolescentia, que está relacionada ao período de</p><p>crescer, de se desenvolver, ou como diria a filosofia clássica com</p><p>Aristóteles, a natureza humana em florescimento.</p><p>A alteração de humor.</p><p>B mudança corporal.</p><p>C mudança psicológica.</p><p>D mudança psicossocial.</p><p>E busca de si mesmo e a identidade.</p><p>2 - O desenvolvimento cognitivo</p><p>Ao �nal deste módulo você será capaz de identi�car os fundamentos do</p><p>desenvolvimento cognitivo na adolescência e as abordagens</p><p>construtivistas aplicadas na Psicologia.</p><p>Ligando os pontos</p><p>Cognição? O que é isso? Seria uma escala de quem é mais inteligente?</p><p>Vamos provocar um pouco essas ideias a partir do caso da nossa aluna</p><p>Laura, que no auge dos seus 13 anos vivencia a entrada na adolescência</p><p>e na puberdade. Algumas transformações físicas, no comportamento e</p><p>no humor se tornaram visíveis para equipe escolar, já que aconteceram</p><p>de maneira abrupta. Em conselho de classe, os professores</p><p>manifestaram preocupações com a aluna, tendo em vista que Laura</p><p>sempre foi uma estudante dedicada, alegre, com bom rendimento</p><p>escolar, o que não tem ocorrido nos últimos meses.</p><p>Assim, a equipe multidisciplinar da escola solicitou à família de Laura</p><p>uma reunião. Desse modo, poderiam conhecer um pouco mais sobre a</p><p>aluna, assim como saber o que familiares têm percebido sobre o que foi</p><p>pontuado pelos professores em conselho de classe. Durante a reunião, a</p><p>mãe de Laura relata que também já havia percebido tais mudanças na</p><p>filha, mas pensava que “era coisa de adolescente”. Contudo, ela foi</p><p>percebendo alguns comportamentos em Laura que denotaram certa</p><p>preocupação, o que a fez levá-la a um psicólogo. A mãe relata que Laura</p><p>tem tido uma tendência em sempre querer agradar as pessoas, ser</p><p>“boazinha”, mesmo que algo esteja a desagradando. Por fim, a mãe</p><p>agradeceu profundamente à equipe escolar pela preocupação com a</p><p>filha e levou um relatório de todo desenvolvimento de Laura para a</p><p>psicóloga clínica que está a acompanhando.</p><p>Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos</p><p>ligar esses pontos?</p><p>Questão 1</p><p>No caso apresentado, conhecemos a mãe de Laura e começamos a</p><p>pensar um pouco sobre os impactos de suas transformações.</p><p>Laura tornou-se adolescente e isso chamou a atenção em casa e na</p><p>família. Na sua opinião, qual seria a atitude correta de um</p><p>psicopedagogo nesse caso?</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Laura participa de vários sistemas sociais como a escola, a casa, a</p><p>relação com amigos e família. Investigar tais sistemas e entender</p><p>A Encaminhar Laura ao psicólogo.</p><p>B Oferecer a Laura a mudança de turma.</p><p>C Investigar a situação social de Laura.</p><p>D</p><p>Aconselhar os professores a deixar Laura, pois isso</p><p>era da idade.</p><p>E Convencer Laura a mudar de postura.</p><p>as condições do sujeito é vital na ação de um psicopedagogo.</p><p>Questão 2</p><p>Imaginemos a seguinte situação: em uma discussão entre a equipe</p><p>multidisciplinar a partir das informações trazidas pela mãe de</p><p>Laura, uma das profissionais levantou a hipótese de ser algo</p><p>relacionado ao desenvolvimento moral. Então, ela passou para as</p><p>colegas por aplicativo de mensagem um texto sobre o assunto que</p><p>começava assim: “Ele apontou que por meio de um processo</p><p>maturacional e interativo, todas as pessoas têm a capacidade de</p><p>chegar à plena competência moral. Em seu estudo principal,</p><p>entrevistou 72 garotos de 10, 13 e 16 anos dos arredores de</p><p>Chicago. Apresentava-lhes uma série de dilemas morais e esses o</p><p>explicavam como chegavam às soluções, sendo que chegou a</p><p>acompanhar alguns dos sujeitos por cerca de 20 anos.” (RAVELLA,</p><p>2010, p. 12)</p><p>Alguns colegas gostaram e começaram a discutir como fazer a</p><p>abordagem de tal questão. A iniciativa compartilhada pela</p><p>professora pode ser entendida:</p><p>A</p><p>Uma maneira contemporânea de discutir e</p><p>investigar a situação do aluno, algo importante a</p><p>equipe.</p><p>B</p><p>Uma invasão ao trabalho das colegas, afinal não é</p><p>responsabilidade delas esse tipo de abordagem</p><p>C</p><p>Uma mera consideração genérica, afinal não cabe à</p><p>equipe investigar.</p><p>D</p><p>A geração de um diagnóstico e a chance de explicar</p><p>para a mãe o que fazer.</p><p>E</p><p>Uma explicação definitiva e precisa do que a aluna</p><p>tem e o tratamento a ser adotado.</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>O psicopedagogo, em comum acordo com a equipe, deve estar</p><p>atento a investigar e trocar ideias com os colegas para ajudar a</p><p>definir o planejamento, a organização e as intervenções, caso</p><p>necessário.</p><p>Questão 3</p><p>No que se refere ao desenvolvimento cognitivo da aluna Laura, a</p><p>mãe em reunião com a equipe escolar pontua um aspecto</p><p>importante sobre a forma com que a filha tem se relacionado</p><p>com os outros em prol do seu desejo, buscando sempre agradar</p><p>e ser boa com quem se relaciona. Por esse e outros motivos,</p><p>Laura encontra-se em acompanhamento psicoterápico. Com</p><p>relação ao desenvolvimento cognitivo, uma das características da</p><p>adolescência é a capacidade de pensar de forma abstrata. Na</p><p>sua opinião, como isso afeta o comportamento de Laura?</p><p>Justifique sua resposta.</p><p>Digite sua resposta aqui</p><p>Chave de resposta</p><p>A adolescência é o momento em que o jovem amplia</p><p>sua capacidade cognitiva, de modo que seja capaz</p><p>de pensar de forma mais abstrata e gerar hipóteses.</p><p>Isso afeta a maneira de julgar e perceber situações,</p><p>assim como de se comportar. Laura, de 13 anos,</p><p>apresenta uma preocupação em ser boa e agradar</p><p>aos outros, indo ao encontro com o relato da mãe à</p><p>equipe escolar sobre o comportamento da filha. A</p><p>isso chamamos de julgamento moral, conforme a</p><p>teoria de Kolberg, que conheceremos ao longo do</p><p>módulo.</p><p>Importância e fases da</p><p>adolescência no</p><p>desenvolvimento</p><p>Importância da adolescência</p><p>O processo de industrialização nas sociedades modernas deixou o</p><p>período da adolescência um pouco mais complexo, pois o tempo entre a</p><p>infância e a idade adulta foi sendo alongado. Segundo Carvalho (2015,</p><p>p. 61) “existe um interesse em deixar um número razoável de pessoas</p><p>fora do mercado de trabalho. Isso daria a elas condições para fazer a</p><p>reciclagem da mão de obra, sem precisar criar um número muito grande</p><p>de novas vagas e empregos”. Com essa argumentação, alguns teóricos</p><p>analisam que a adolescência não passa de uma invenção social.</p><p>Carvalho (2015) diz que existem outros teóricos que defendem que a</p><p>adolescência seria um estágio de desenvolvimento do ego pessoal e</p><p>das funções cognitivas. Os argumentos nos fazem pensar que o fato de</p><p>esse conceito não ter sido considerado ao longo da história da</p><p>humanidade não quer dizer que esse período de desenvolvimento não</p><p>exista.</p><p>Nesse sentido, a adolescência poderia ser um período no qual o</p><p>indivíduo teria que realizar várias tarefas para continuar o</p><p>desenvolvimento harmonioso do ego. Entre elas estão a definição da</p><p>identidade, a escolha vocacional e a autonomia moral. Como veremos</p><p>neste módulo, as fases da adolescência apresentam uma evolução com</p><p>mudanças marcantes na cognição e no julgamento.</p><p>Fases da adolescência</p><p>Sobre as fases da adolescência, podemos considerar:</p><p>Baixa adolescência</p><p>A adolescência inicial, também chamada de baixa</p><p>adolescência, inclui a puberdade. Nas meninas, pode ocorrer</p><p>entre 11 e 12 anos e nos meninos, entre 12 e 13 anos. A</p><p>atenção e as energias do adolescente inicialmente são</p><p>absorvidas pela problemática narcisista, isto é, a</p><p>reestruturação do esquema corporal e a conquista da</p><p>identidade. O outro sexo é percebido como perigoso. O</p><p>adolescente se relaciona em maior grau com indivíduos de seu</p><p>próprio sexo. A família continua a ser o centro da vida do</p><p>adolescente, embora ele comece a desprender-se dela.</p><p>Adolescência</p><p>A adolescência propriamente dita compreende o período entre</p><p>12-13 e 16 anos. É o estágio no qual se constrói a identidade</p><p>sexual definitiva e se desenvolve a identidade pessoal. O</p><p>desenvolvimento corporal reduziu seu ritmo e o indivíduo vai</p><p>adquirindo proporções adultas. A pessoa tem interesse pelo</p><p>sexo oposto e forma grupos heterossexuais de amigos para</p><p>frequentar diversas atividades para se aproximar do outro sexo.</p><p>Nesse período, ocorre um distanciamento afetivo da família,</p><p>que vai deixando de ser o centro da existência da pessoa. Na</p><p>tentativa de se tornar independente dos pais, são frequentes os</p><p>atos de rebeldia do adolescente.</p><p>Final do período</p><p>O final do período adolescente é difícil de ser situado no tempo.</p><p>Varia de acordo com critérios adotados como</p><p>mais</p><p>importantes, como a inserção no mundo do trabalho, a</p><p>responsabilidade legal, a separação dos pais e a capacitação</p><p>profissional. É uma fase de consolidação e ensaio de modos de</p><p>vida e de relacionamento com os demais. É o período da</p><p>escolha e da decisão vocacional. A escolha de uma carreira ou</p><p>de uma profissão é um dos problemas mais importantes da</p><p>existência humana.</p><p>As fases do desenvolvimento</p><p>cognitivo</p><p>Desenvolvimento cognitivo</p><p>Paralelamente às mudanças físicas ocorrem as mudanças de</p><p>pensamento. Embora “o pensamento dos adolescentes possa</p><p>permanecer imaturo em diversos aspectos, eles são capazes de</p><p>raciocinar de maneira abstrata e fazer juízos morais sofisticados, além</p><p>de poderem planejar o futuro de maneira mais realista” (PAPALIA et al.,</p><p>2009, p. 455).</p><p>A teoria de Piaget e as operações formais</p><p>Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual da criança se processa</p><p>por meio de uma série de estágios e cada estágio é identificado com</p><p>base em uma estrutura cognitiva específica. Nesse contexto, os quatro</p><p>estágios principais, obedecendo a uma ordem sequencial, são:</p><p>sensório-motor;</p><p>pré-operatório;</p><p>operações concretas; e</p><p>operações formais.</p><p>Os adolescentes iniciam seu nível mais elevado de desenvolvimento</p><p>cognitivo, entrando no estágio das operações formais, que seria a</p><p>capacidade de elaborar um pensamento abstrato. Essa etapa</p><p>geralmente é alcançada em torno dos 11 anos e oferece um modo novo</p><p>e mais flexível de manipular as informações (PAPALIA et al., 2009).</p><p>Nesse estágio, são capazes de compreender o tempo histórico e o</p><p>espaço extraterrestre, por exemplo. Podem utilizar símbolos para</p><p>representar outros símbolos (X e Y nas equações matemáticas) e com</p><p>isso aprender álgebra e cálculo. Podem entender melhor uma metáfora</p><p>e uma alegoria e compreender os significados mais elaborados da</p><p>literatura. Podem imaginar possibilidades e gerar hipóteses.</p><p>Para Piaget, as transformações emocionais que acontecem na</p><p>adolescência dependem das transformações cognitivas, e uma das</p><p>grandes mudanças no estágio de desenvolvimento operatório formal é o</p><p>surgimento do pensamento hipotético-dedutivo.</p><p>Exemplo</p><p>Um bom exemplo da evolução para o estágio das operações formais é o</p><p>problema do pêndulo piagetiano clássico, que comparativamente</p><p>mostra o progresso de uma criança até a adolescência.</p><p>Problema do pêndulo de Piaget.</p><p>Dilema</p><p>Um pêndulo pendurado em um fio que pode mudar sua trajetória com</p><p>quatro fatores: o comprimento do fio, o peso do objeto, a altura da qual</p><p>o objeto é solto e a quantidade de força que pode ser usada para</p><p>empurrar o objeto. Que fator ou que combinação de fatores determinam</p><p>a rapidez com que o pêndulo balança?</p><p>Experimento</p><p>O adolescente é capaz de abordar o problema de maneira sistemática,</p><p>montando um experimento para testar todas as hipóteses possíveis.</p><p>Dessa forma, ele é capaz de determinar que apenas um fator — o</p><p>comprimento do fio — determina a rapidez de oscilação do pêndulo.</p><p>Conclusão</p><p>Por meio do raciocínio hipotético-dedutivo, o adolescente consegue</p><p>desenvolver uma hipótese e criar um experimento para testá-la. O</p><p>raciocínio hipotético-dedutivo lhe oferece um instrumento para</p><p>solucionar problemas. Ele adquire a capacidade de ultrapassar, pelo</p><p>pensamento, situações vividas e a projetar ideias para o futuro.</p><p>Na atualidade, os estudos microgenéticos que avaliam o</p><p>comportamento e a resolução de problemas confirmaram a análise de</p><p>Piaget sobre como as operações concretas (dos 7 aos 12 anos) diferem</p><p>das operações formais (a partir dos 12 anos).</p><p>Segundo Piaget, essa mudança é o resultado de um misto de maturação</p><p>cerebral e de expansão das oportunidades ambientais. Ambas são</p><p>essenciais, pois mesmo com o desenvolvimento neurológico dos jovens</p><p>e sua evolução rápida que permite o raciocínio formal, eles só podem</p><p>alcançá-lo com estimulação ambiental apropriada. Uma forma de isso</p><p>acontecer é mediante o esforço cooperativo. Piaget reconheceu que a</p><p>escolaridade e a cultura podem desempenhar um papel importante no</p><p>desenvolvimento humano (PAPALIA et al., 2009).</p><p>A teoria de Elkind e a imaturidade do adolescente</p><p>O psicólogo David Elkind, com base em seu trabalho clínico com</p><p>adolescentes e inspirado no trabalho de Piaget, caracterizou as atitudes</p><p>e comportamentos imaturos que podem ser provenientes dos</p><p>pensamentos abstratos dos adolescentes (PAPALIA et al., 2009). Ele</p><p>ressaltou algumas atitudes observáveis:</p><p>Os adolescentes estão sempre encontrando oportunidades para</p><p>testar e exibir suas recém-descobertas habilidades de raciocínio.</p><p>Muitos adolescentes têm problemas para se decidir em relação a</p><p>coisas simples, escolhas pessoais e dilemas mais elaborados.</p><p>Os adolescentes percebem que os adultos, que antes eram</p><p>Tendência a discutir </p><p>Indecisão </p><p>Encontrar defeitos nas figuras de autoridade </p><p>venerados, estão muito aquém de seus ideais.</p><p>Os jovens adolescentes, muitas vezes, não reconhecem a</p><p>diferença entre expressar um ideal e fazer os sacrifícios</p><p>necessários para viver de acordo com ele, embora atitudes</p><p>altruístas e de heroísmo sejam comuns nesse período.</p><p>Funciona como um público imaginário, um "observador"</p><p>mentalmente criado que está muito preocupado com</p><p>pensamentos e comportamentos. Os adolescentes, muitas</p><p>vezes, supõem que todo mundo está pensando sobre a mesma</p><p>coisa que eles, ou seja, sobre si mesmos. A fantasia do público</p><p>imaginário é particularmente forte nos primeiros anos da</p><p>adolescência.</p><p>Refere-se à crença dos adolescentes de que são especiais, de</p><p>que sua experiência é única e de que não estão sujeitos às</p><p>regras que regem o resto do mundo. Segundo Elkind, esse tipo</p><p>especial de egocentrismo está na base de muitos</p><p>comportamentos arriscados e autodestrutivos.</p><p>A teoria de Kohlberg e o julgamento moral</p><p>Vamos pensar no seguinte dilema:</p><p>Hipocrisia aparente </p><p>Autoconsciência </p><p>Suposição de invulnerabilidade </p><p>Dilema de Kohlberg criado em 1969: Uma mulher está próxima da</p><p>morte por câncer. Um farmacêutico descobriu um remédio que os</p><p>médicos acham que poderia salvá-la. O farmacêutico está cobrando 2</p><p>mil dólares por uma pequena dose do remédio — 10 vezes mais do que</p><p>lhe custa para fabricá-lo.</p><p>O marido da mulher enferma, Heinz, pede dinheiro emprestado a todos</p><p>que conhece, mas só consegue reunir mil dólares. Ele implora ao</p><p>farmacêutico que venda o remédio por mil dólares ou que lhe permita</p><p>pagar o resto posteriormente. O farmacêutico recusa, dizendo: “Eu</p><p>descobri o remédio e pretendo lucrar com ele”. Em desespero, Heinz</p><p>arromba a loja do homem e rouba o remédio.</p><p>Julgamento moral: Heinz deveria ter feito isso? Por que</p><p>sim ou por que não?</p><p>O desenvolvimento moral proposto nos exercícios da teoria de Kohlberg</p><p>guardam certa semelhança com a teoria de Piaget, mas seu modelo é</p><p>um pouco mais complexo. Ele estabelece três níveis de julgamento</p><p>moral, cada um dividido em dois estágios (PAPALIA et al., 2009). Assim,</p><p>podemos reconhecer os seguintes níveis de desenvolvimento moral</p><p>segundo Kohlberg:</p><p>Saiba mais</p><p>Posteriormente, Kohlberg acrescentou um nível de transição entre os</p><p>níveis II e III, que se refere a momentos nos quais as pessoas não se</p><p>sentem mais tão limitadas pelos padrões morais da sociedade, mas</p><p> Nível I</p><p>Moralidade pré-convencional. As pessoas agem</p><p>sob os controles externos: obedecem a regras para</p><p>evitar punição, para obter recompensas ou por</p><p>interesse próprio. Esse nível é típico de crianças de</p><p>4 a 10 anos de idade.</p><p> Nível II</p><p>Moralidade convencional (ou moralidade de</p><p>conformidade ao papel convencional). As pessoas</p><p>internalizaram os padrões de figuras de autoridade:</p><p>preocupam-se em ser "boas", em agradar aos</p><p>outros e em manter a ordem social. Esse nível</p><p>geralmente é alcançado depois dos 10 anos; muitas</p><p>pessoas nunca o superam, mesmo na idade adulta.</p><p> Nível III</p><p>Moralidade pós-convencional (ou moralidade dos</p><p>princípios morais autônomos). As pessoas agora</p><p>reconhecem conflitos entre os padrões morais e</p><p>fazem seus próprios julgamentos com base nos</p><p>princípios de correção,</p><p>de imparcialidade e de</p><p>justiça. As pessoas geralmente só chegam a esse</p><p>nível de julgamento moral pelo menos no início da</p><p>adolescência ou mais comumente no início da</p><p>idade adulta, podendo nunca o atingir.</p><p>ainda não conseguem desenvolver princípios de justiça de origem</p><p>racional. Ao contrário disso, baseiam suas decisões morais em</p><p>sentimentos pessoais.</p><p>Uma das razões que tornam as idades associadas aos níveis de</p><p>Kohlberg tão variáveis é que existem fatores além da cognição, como o</p><p>desenvolvimento emocional e as experiências de vida, que podem</p><p>influenciar os nossos julgamentos morais.</p><p>Mesmo as pessoas que alcançaram um alto nível de desenvolvimento</p><p>cognitivo nem sempre parecem alcançar um nível comparavelmente alto</p><p>de desenvolvimento moral. Veremos que certo nível de desenvolvimento</p><p>cognitivo é necessário na adolescência, mas ainda assim os níveis de</p><p>julgamento moral poderão não ser comparáveis com a cognição</p><p>(PAPALIA et al., 2009).</p><p>A escolha vocacional</p><p>Questões vocacionais e pro�ssionais</p><p>Já sabemos que a escola é a “experiência organizadora central” na vida</p><p>acadêmica e social da maioria dos adolescentes. Ela oferece</p><p>oportunidades para que informações sejam adquiridas, para dominar</p><p>novas habilidades e aperfeiçoar as que foram adquiridas, para se</p><p>engajar e participar de atividades esportivas, artísticas e de outra</p><p>natureza. Especialmente, são preocupações dessa fase o desejo de</p><p>explorar o conhecimento sobre as opções vocacionais e a vontade de</p><p>estar entre amigos. A escola amplia os horizontes intelectuais e sociais.</p><p>Para alguns adolescentes, entretanto, a escola não é</p><p>uma oportunidade, e sim mais um obstáculo no</p><p>caminho para a idade adulta (PAPALIA et al., 2009).</p><p>De acordo com Griffa e Moreno (2001), a escolha de uma carreira ou</p><p>profissão é muito importante, chegando a ser vital para o adolescente.</p><p>Pela primeira vez ele irá tomar uma decisão pessoal em relação a um</p><p>dos direcionamentos mais importantes para a sua existência: o caminho</p><p>profissional ou da sua ocupação.</p><p>Esse momento de escolha exige o conhecimento das próprias atitudes,</p><p>dos seus interesses e dos seus valores, além do autoconhecimento das</p><p>características da sua personalidade, suas possibilidades e seus limites.</p><p>Na escolha profissional-ocupacional, deverá ser considerado o plano ou</p><p>o estilo de vida escolhido, além das características da profissão a ser</p><p>desempenhada e a sua abrangência social. A influência de pais amigos</p><p>é positiva quando orientam e oferecem modelos profissionais ou</p><p>ocupacionais sem exercer pressões.</p><p>O êxito ou fracasso dessa escolha afeta</p><p>profundamente o desenvolvimento pessoal de cada</p><p>indivíduo, além de repercutir na sociedade à qual ele</p><p>pertence.</p><p>Por esse motivo a orientação profissional não pode ser reduzida apenas</p><p>à aplicação de provas ou testes psicométricos e de interesses. Deverá</p><p>ser um processo longo, integrado por pais, docentes e amigos, e</p><p>vinculado à história das habilidades do indivíduo e ao próprio processo</p><p>educativo.</p><p>Importância da escolha</p><p>vocacional</p><p>A especialista reflete agora sobre a importância da escolha vocacional</p><p>na vida do adolescente e suas implicações, além de destacar os fatores</p><p>mais importantes que podem facilitar ou dificultar esse processo.</p><p>Confira!</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Em qual dos estágios cognitivos de Piaget e seu modelo de</p><p>transformações intelectuais está contida a fase da adolescência, a</p><p>partir dos 12 anos?</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual da criança se</p><p>processa por meio de uma série de estágios e cada estágio é</p><p>identificado com base em uma estrutura cognitiva específica. No</p><p>estágio de operações formais, normalmente a partir dos 11 ou 12</p><p>anos, ocorre a passagem do pensamento concreto para o</p><p>pensamento abstrato, e desenvolve-se a capacidade de</p><p>generalização própria do pensamento adulto. Os jovens</p><p>adolescentes já são capazes de lidar com conceitos como justiça e</p><p>liberdade, de criar teorias a respeito do mundo e têm a tendência a</p><p>ler a realidade de acordo com seus próprios sistemas de</p><p>interpretação.</p><p>Questão 2</p><p>O termo “construtivismo” vem da teoria do desenvolvimento</p><p>cognitivo de Piaget (1999) e também é conhecido como</p><p>cognitivismo, porque o verdadeiro conhecimento é fruto de uma</p><p>elaboração (construção) pessoal, resultado de um processo interno</p><p>de pensamento durante o qual o sujeito coordena diferentes noções</p><p>entre si, atribuindo-lhes um significado, organizando-as e</p><p>relacionando-as com outras anteriores. Esse processo é inalienável</p><p>e intransferível. No estágio das operações formais, o adolescente</p><p>tem as seguintes capacidades:</p><p>I. Elaborar um pensamento abstrato.</p><p>II. Utilizar símbolos para representar outros símbolos.</p><p>A Estágio sensório-motor</p><p>B Estágio pré-operatório</p><p>C Estágio de operações concretas</p><p>D Estágio de operações formais</p><p>E Estágio pré-sensório</p><p>III. Incapacidade de compreender o tempo histórico.</p><p>IV. Imaginar possibilidades e gerar hipóteses.</p><p>São capacidades do adolescente no estágio das operações formais</p><p>as abordadas em</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Os adolescentes iniciam seu nível mais elevado de</p><p>desenvolvimento cognitivo, entrando no estágio das operações</p><p>formais, que seria a capacidade de elaborar um pensamento</p><p>abstrato. Essa etapa geralmente é alcançada em torno dos 11 anos.</p><p>São capazes de compreender o tempo histórico e o espaço</p><p>extraterrestre, por exemplo; podem utilizar símbolos para</p><p>representar outros símbolos (X e Y nas equações matemáticas) e</p><p>com isso aprender álgebra e cálculo; podem entender melhor uma</p><p>metáfora e uma alegoria e compreender os significados mais</p><p>elaborados da literatura; e podem imaginar possibilidades e gerar</p><p>hipóteses.</p><p>A I, II, III.</p><p>B I, III e IV.</p><p>C I, II e IV.</p><p>D I e III.</p><p>E II e IV.</p><p>3 - Desenvolvimento psicossocial</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir as teorias do</p><p>desenvolvimento psicossocial e as interpretações psicanalíticas da busca</p><p>da identidade no período da adolescência.</p><p>Ligando os pontos</p><p>Será que Laura, de 13 anos, que vem enfrentando mudanças de</p><p>comportamento e queda de rendimento escolar tem de fato algum</p><p>problema ou essa é apenas uma fase chata da adolescência? Vamos</p><p>pensar um pouco sobre isso.</p><p>Para muitos, o período da adolescência é visto como uma fase do</p><p>desenvolvimento conturbada, chamada muitas vezes de forma</p><p>pejorativa de “aborrecência”, na qual o jovem vivenciaria um caminho de</p><p>mudanças e conflitos. Entretanto, vamos propor algumas reflexões e</p><p>questionamentos para que você possa ter uma visão mais completa do</p><p>que é ser adolescente em sua dimensão psicossocial.</p><p>Seguimos tentando compreender de forma mais holística os aspectos</p><p>que atravessam o desenvolvimento da aluna Laura, que tem no espaço</p><p>escolar a possibilidade de acolhimento de todos que a cercam,</p><p>juntamente com sua família. A equipe escolar a convidou para uma</p><p>conversa, a fim de ofertar acolhimento para que a aluna sentisse mais</p><p>segura e pertencente a esse espaço.</p><p>Assim, Laura começou a relatar à equipe que nos últimos meses tem</p><p>tido alguns conflitos com seus pais, principalmente com sua mãe. Esses</p><p>conflitos, por sua vez, têm grande relação com a “superproteção” da</p><p>mãe com a filha, não permitindo que Laura vá a determinados lugares</p><p>com os amigos, como a pracinha próxima à sua residência ou mesmo a</p><p>lanchonete ao lado de sua casa. Apesar dos apontamentos relatados</p><p>pela escola e pela mãe, Laura vem se sentindo “sufocada” pela relação</p><p>familiar, o que tem impactado na sua autonomia.</p><p>O caso apresentado denota em muitas vezes uma realidade das</p><p>famílias, que traduzem as questões implícitas na formação da</p><p>personalidade do adolescente, como conflitos nas relações familiares e</p><p>nas relações interpessoais.</p><p>Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos</p><p>ligar esses pontos?</p><p>Questão 1</p><p>A mãe de Laura, depois da primeira conversa, passou a se fazer</p><p>presente o tempo todo, e a sinalizar</p><p>de forma ostensiva a</p><p>necessidade de cuidar de sua filha e protegê-la. Com relação ao</p><p>desenvolvimento psicossocial, você enquanto psicopedagogo, qual</p><p>das alternativas abaixo escolheria para conversar com a mãe de</p><p>Laura?</p><p>A</p><p>Proteger Laura é importante, pois, nessa fase,</p><p>devido às más companhias, os adolescentes podem</p><p>perder o rumo na vida.</p><p>B</p><p>Sugerir que a mãe deixe Laura livre, sem qualquer</p><p>supervisão, para que possa encontrar seu caminho.</p><p>C</p><p>Sugerir uma supervisão mediada pelo psicólogo e</p><p>pela escola.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>O papel do psicopedagogo é fundamental no processo de escuta e</p><p>mediação. No entanto, é preciso sempre questionar seus próprios</p><p>valores e preconceitos, abrindo espaço para uma escuta saudável</p><p>no fortalecimento de laços que possam contribuir para o</p><p>desenvolvimento das relações entre o adolescente, a escola e a</p><p>família. A adolescência é uma fase de construção de identidade</p><p>que se dá no processo das relações, sejam elas na escola, na</p><p>família ou com amigos. É preciso ter atenção para que a</p><p>superproteção não resulte no isolamento do indivíduo, prejudicando</p><p>seu desenvolvimento.</p><p>Questão 2</p><p>Um dos focos da equipe e do psicopedagogo é esclarecer, elucidar,</p><p>iluminar. Nesse sentido, uma abordagem que pode ser interessante</p><p>é explicar sobre:</p><p>D</p><p>Explicar que, nessa fase de construção de</p><p>identidade, é importante que Laura se relacione com</p><p>amigos para a construção de sua identidade.</p><p>E</p><p>Exigir um relatório da psicóloga que acompanha</p><p>Laura.</p><p>A</p><p>A necessidade de espaço para as mulheres e os</p><p>cuidados necessários na adolescência.</p><p>B</p><p>A necessidade de romper os laços familiares para</p><p>tornar-se adulto.</p><p>C</p><p>A tensão crítica entre mãe e filha no mesmo ninho e</p><p>a necessidade de superproteção.</p><p>D</p><p>As características do desenvolvimento e como ele</p><p>pode ser encaminhado pela família.</p><p>E</p><p>Liberar mãe e filha aconselhando para que busquem</p><p>melhorar sua relação, já que não é assunto para</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>O estudo do desenvolvimento na adolescência, relembrando e</p><p>explicando as fases e as dificuldades, pode ser uma boa</p><p>abordagem para a compreensão dos fenômenos vividos. Pode</p><p>também auxiliar ambas, mãe e filha, a enfrentarem os desafios e</p><p>passarem tal fase buscando sempre o desenvolvimento saudável</p><p>do indivíduo.</p><p>Questão 3</p><p>Os apontamentos a respeito da adolescente Laura nos propõem a</p><p>refletir sobre a importância das relações familiares e</p><p>interpessoais na construção da personalidade, na formação dos</p><p>vínculos e no desenvolvimento psicossocial positivo. Pensando</p><p>em uma perspectiva de adolescência saudável, quais aspectos</p><p>importantes devem ser pontuados com os pais de Laura sobre as</p><p>queixas apresentadas pela aluna, com a intervenção da</p><p>psicologia escolar?</p><p>Digite sua resposta aqui</p><p>Chave de resposta</p><p>Compreendemos que o desenvolvimento</p><p>psicossocial positivo seja resultado não só das</p><p>vivências no período da adolescência, como também</p><p>de bases de uma infância saudável e sólida. Sendo</p><p>assim, a equipe escolar, juntamente com a psicóloga,</p><p>poderá realizar uma ação interventiva com a família,</p><p>pontuando que Laura anseia por liberdade, e o</p><p>excesso de proteção traduz uma certa insegurança</p><p>no comportamento da filha. É importante priorizar</p><p>um ambiente familiar em que os pais compreendam</p><p>a necessidade de singularidade do adolescente,</p><p>como também a importância de ofertar</p><p>oportunidades para Laura vivenciar novas</p><p>responsabilidades, com apoio e proteção adequada</p><p>dos pais.</p><p>escola.</p><p>Vivências na adolescência</p><p>Com a palavra, uma adolescente: Anne Frank</p><p>Com uma percepção muito consciente de seu despertar sexual, Anne</p><p>escreveu:</p><p>Eu acho o que está acontecendo</p><p>comigo tão maravilhoso, e não</p><p>apenas o que pode ser visto em</p><p>meu corpo, mas tudo que está</p><p>acontecendo dentro de mim... Cada</p><p>vez que menstruo... tenho a</p><p>sensação de que... tenho um doce</p><p>segredo, e... eu sempre anseio por</p><p>momentos em que sinta esse</p><p>segredo dentro de mim outra vez.</p><p>(FRANK, 1958, p. 115-116)</p><p>Anne Frank (1929-1945) era filha de pais judeus e passou a se esconder</p><p>com a sua família nos andares superiores do prédio ocupado pela</p><p>empresa farmacêutica do pai quando, no verão de 1942, os nazistas</p><p>começaram a reunir os judeus holandeses para enviá-los para os</p><p>campos de concentração.</p><p>Foi no aniversário de 13 anos, em 12 de junho de 1942, que Anne</p><p>recebeu de seus pais um diário. Esse pequeno volume encadernado</p><p>com tecido foi o primeiro dos diversos cadernos nos quais Anne pôde</p><p>registrar suas experiências e suas reflexões durante os dois anos</p><p>seguintes. Ela jamais poderia imaginar que seus apontamentos se</p><p>tornariam um dos mais célebres relatos publicados sobre as vítimas do</p><p>Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.</p><p>Anne Frank, 1942.</p><p>Mesmo sendo judia, vivendo em confinamento por dois anos e em plena</p><p>Segunda Guerra Mundial, Anne nos revela, em seu diário, pensamentos,</p><p>sentimentos, devaneios e alterações de humor de uma adolescente</p><p>comum. Uma menina introspectiva e bem-humorada amadurecendo sob</p><p>condições traumáticas.</p><p>A estranheza da maioridade</p><p>A adolescência é uma época de oportunidades e de riscos, segundo</p><p>Papalia et al. (2009). Os adolescentes estão no limiar do amor, da vida</p><p>profissional e da participação na sociedade adulta. Mas a adolescência</p><p>também é uma época em que alguns jovens se comportam de maneiras</p><p>que excluem opções e limitam suas possibilidades.</p><p>Alguns fatores físicos e cognitivos, como a aparência e</p><p>o desempenho escolar contribuem para a elaboração</p><p>de um senso de identidade nos adolescentes.</p><p>Os aspectos psicossociais da busca de identidade são muito relevantes,</p><p>pois os adolescentes conciliam-se com sua sexualidade. A</p><p>individualidade florescente dos adolescentes se expressa nos</p><p>relacionamentos com os pais, com os irmãos e com os amigos.</p><p>Identidade e adolescência</p><p>Desenvolvimento psicossocial do adolescente: teorias</p><p>Segundo Papalia et al. (2009), Freud sustentava que as experiências da</p><p>infância e da adolescência moldavam permanentemente a</p><p>personalidade em estágios psicossexuais. Por sua vez, Piaget</p><p>destacava a importância do desenvolvimento da autonomia nas</p><p>decisões alcançada pelos estágios cognitivos, que levaria o adolescente</p><p>a escolhas responsáveis.</p><p>Na visão psicanalítica de Erikson (1902-1994), o desenvolvimento do</p><p>ego é vitalício, passando por estágios que envolveriam "crises" na</p><p>personalidade. Essas crises que surgem de acordo com um cronograma</p><p>de maturação devem ser satisfatoriamente resolvidas para um saudável</p><p>desenvolvimento do ego. Vamos conhecer melhor algumas perspectivas</p><p>teóricas na compreensão do desenvolvimento psicossocial na</p><p>adolescência.</p><p>A teoria psicossocial de Erikson</p><p>Erik Erikson (1902-1994) aprofundou a teoria Freudiana elaborando uma</p><p>teoria sobre o desenvolvimento da personalidade. A adolescência, para</p><p>Erikson, é um período nomeado como “moratória psicossocial”.</p><p>Nesse tempo, o indivíduo pode se preparar para a autonomia ao mesmo</p><p>tempo que ainda recebe da família apoio, orientação e proteção, e não é</p><p>tão exigido socialmente como um adulto. Contudo, é um tempo de</p><p>dependência, no qual o adolescente pode ensaiar modos de viver e de</p><p>se relacionar com as pessoas, pode testar suas capacidades e seus</p><p>limites. Os compromissos com a vida adulta são adiados, pois será um</p><p>tempo de reflexão para integrar a identidade do ego (GRIFFA; MORENO,</p><p>2001).</p><p>A crise de identidade raramente se resolve de forma plena na</p><p>adolescência, essas questões relativas à identidade aparecerão</p><p>repetidas vezes durante a vida adulta. Para Erikson, os adolescentes não</p><p>formam sua própria identidade tomando outras pessoas como modelo.</p><p>Isso acontece com crianças mais jovens.</p><p>Para formar uma identidade, os adolescentes devem</p><p>afirmar e organizar suas habilidades, seus interesses,</p><p>suas necessidades e seus desejos para que eles</p><p>possam ser expressos em um ambiente social.</p><p>Papalia et al. (2009) afirma que Erikson achava perigosa a fase da</p><p>confusão de identidade, a qual poderia retardar muito a conquista da</p><p>maturidade psicológica, chamando</p><p>esse evento de “a dolorosa</p><p>autoconsciência dos adolescentes”. As “panelinhas”, a intolerância e a</p><p>infantilidade — que são marcos do ambiente social da adolescência —</p><p>atuam como defesas contra a confusão de identidade.</p><p>Efetivamente, a identidade se forma a partir da resolução de três</p><p>questões importantes:</p><p></p><p>A escolha de uma ocupação</p><p></p><p>A adoção de valores nos quais</p><p>acreditar e pautar o seu viver</p><p></p><p>O desenvolvimento de uma</p><p>identidade sexual satisfatória</p><p>Nesse período da moratória psicossocial — um período de adiamento</p><p>que a adolescência oferece —, muitos jovens procuram formas de se</p><p>comprometer com fidelidade. Papalia et al. (2009) acredita que o grau</p><p>de fidelidade dos jovens a esses comprometimentos influencia sua</p><p>capacidade de resolver a crise de identidade.</p><p>A fidelidade nesse caso é lealdade, fé em um conjunto de valores, uma</p><p>ideologia, uma religião, um movimento político, uma busca criativa ou</p><p>um grupo étnico. Um sentimento de pertencer a alguém a quem se ama</p><p>ou a amigos e a companheiros.</p><p>A teoria de Elkind</p><p>Elkind elaborou um conjunto de consequências derivadas do</p><p>desenvolvimento cognitivo do adolescente segundo Piaget (LOCATELLI,</p><p>2004):</p><p> Capacidade de lidar com a lógica</p><p>combinatória</p><p>O adolescente é capaz de lidar com a lógica</p><p>combinatória e resolve problemas com muitos</p><p>fatores ao mesmo tempo. Em situações sociais, ele</p><p>pode analisar as alternativas para solucionar um</p><p>problema, mas tem dificuldade em decidir. Não</p><p>aceita mais de forma passiva a escolha dos pais.</p><p> Capacidade de usar a introspecção</p><p>O adolescente é capaz de encarar seu próprio</p><p>pensamento como um objeto e pensar sobre ele, o</p><p>que quer dizer que pode usar da introspecção. Eles</p><p>são mais flexíveis e as palavras podem ter duplo</p><p>sentido. Mas isso gera uma preocupação com a</p><p>reação dos outros em relação a si próprio. Pode</p><p>criar disfarces sociais para obter uma imagem</p><p>pública mais favorável.</p><p>Existem duas formas de desenvolver a identidade, para Elkind:</p><p>A primeira, e mais saudável, é um</p><p>processo de diferenciação e de</p><p>integração: tornar-se consciente dos</p><p>muitos aspectos em que se é</p><p>diferente dos outros e depois</p><p>integrar essas partes distintivas de</p><p>si mesmo em um todo unificado e</p><p>único.</p><p> Capacidade de construir ideias</p><p>O pensamento do adolescente apresenta a</p><p>capacidade de construir ideias e de racionar em</p><p>situações de contrariedade. Ele está habilitado a</p><p>pensar em uma família ideal, uma religião ideal e</p><p>uma sociedade ideal. Pode ser levado a criticar a</p><p>realidade e a sociedade em que vive.</p><p>(PAPALIA et al., 2009, p. 482)</p><p>Esse processo de introspecção exige tempo e reflexão, mas quando</p><p>uma pessoa desenvolve seu senso de identidade dessa forma é quase</p><p>impossível de ele se romper.</p><p>O segundo caminho, inicialmente</p><p>mais fácil, é o da substituição:</p><p>substituir, de forma infantil, um</p><p>conjunto de ideias e de sentimentos</p><p>a seu próprio respeito por outro</p><p>simplesmente adotando as atitudes,</p><p>as crenças e os comprometimentos</p><p>de outras pessoas como seus.</p><p>(PAPALIA et al., 2009, p. 483)</p><p>O senso de identidade construído principalmente pelo processo da</p><p>substituição é o que Elkind chama de identidade de colcha de retalhos,</p><p>um self construído a partir de pedaços e de partes, muitas vezes,</p><p>conflitantes.</p><p>Adolescentes com identidades "em retalhos" tendem a apresentar fraca</p><p>autoestima. Apresentam dificuldade para lidar com a liberdade, com as</p><p>frustrações, perdas e fracassos. Podem ter um perfil ansioso. São</p><p>altamente suscetíveis à influência externa e altamente vulneráveis ao</p><p>estresse, pois não possuem bússola interior, nenhum senso distintivo de</p><p>direção para se orientar.</p><p>Elkind atribui os aumentos no abuso de drogas, na violência com armas,</p><p>no comportamento sexual de risco e no suicídio na adolescência ao</p><p>número crescente de jovens que possuem elementos da identidade de</p><p>colcha de retalhos. Se os jovens virem seus pais agindo segundo</p><p>princípios sólidos e arraigados, terão mais chances de desenvolver seus</p><p>próprios princípios sólidos e arraigados. Uma criação democrática pode</p><p>ajudar se os pais mostrarem aos adolescentes modos efetivos de lidar</p><p>com o estresse, assim, os jovens tenderão menos a sucumbir às</p><p>pressões que ameaçam sua identidade de colcha de retalhos.</p><p>Os relacionamentos na</p><p>adolescência</p><p>Relacionamentos na sociedade adulta: rebeldia, família e</p><p>amigos</p><p>Os adolescentes passam muito mais tempo com os amigos e menos</p><p>com a família. Entretanto, os valores fundamentais da maioria dos</p><p>adolescentes permanecem mais parecidos com os de seus pais do que</p><p>geralmente se percebe.</p><p>Contudo, o período da adolescência é chamado de época de rebeldia</p><p>adolescente. Nesse período existe uma turbulência emocional, podem</p><p>acontecer muitos conflitos com a família, alienação da sociedade</p><p>adulta, comportamento imprudente e rejeição dos valores dos adultos.</p><p>Saiba mais</p><p>Pesquisas realizadas com adolescentes nos Estados Unidos e em</p><p>outros países, contudo, sugerem que menos de 20% dos adolescentes —</p><p>pelo menos entre os que permanecem na escola — se encaixam nesse</p><p>padrão.</p><p>A ideia da rebeldia adolescente pode ter nascido na primeira teoria</p><p>formal da adolescência, do psicólogo G. Stanley Hall, que acreditava que</p><p>um grande esforço era feito pelos jovens para se adaptarem a seus</p><p>corpos durante a transformação. Esse processo adaptativo promovia,</p><p>junto com as demandas da idade adulta, um período de "tormenta e de</p><p>estresse", o que produz o conflito entre as gerações (PAPALIA et al.,</p><p>2009).</p><p>Rebeldia adolescente: um mito?</p><p>Con�ito familiar</p><p>Da mesma forma como os adolescentes sentem tensão entre a</p><p>segurança e a dependência dos pais e uma latente necessidade de se</p><p>libertar, os pais também terão sentimentos confusos. Eles desejam que</p><p>seus filhos sejam independentes, mas têm dificuldade de “deixá-los</p><p>seguirem”. Os pais precisam saber distinguir entre oferecer aos</p><p>adolescentes independência suficiente e protegê-los de momentos de</p><p>imaturidade e impulsividade. Essas tensões costumam gerar muitos</p><p>conflitos familiares, e os estilos parentais de criação podem influenciar</p><p>na forma e no resultado das relações afetivas (PAPALIA et al., 2009).</p><p>Grande parte dos conflitos familiares acontecem</p><p>durante o processo de desenvolvimento dos</p><p>adolescentes e sua intenção de independência.</p><p>É comum observarmos discussões entre os adolescentes e seus pais e</p><p>isso costuma se concentrar no grau de liberdade que os adolescentes</p><p>podem receber para planejar suas próprias atividades. A maioria das</p><p>discussões está relacionada muito mais a questões cotidianas do que a</p><p>valores fundamentais. Entretanto, algumas dessas questões do</p><p>cotidiano podem se transformar em grandes preocupações, como o uso</p><p>de drogas, a direção segura e a proteção na prática sexual.</p><p>Amizades</p><p>As amizades são fundamentalmente diferentes dos relacionamentos</p><p>familiares. Elas são mais igualitárias do que as relações entre pais e</p><p>filhos e com irmãos, que geralmente são mais velhos ou mais jovens. As</p><p>amizades baseiam-se em escolha e comprometimento. Pelo mesmo</p><p>motivo, são mais instáveis do que os relacionamentos familiares. O</p><p>tempo passado com amigos é provavelmente maior na adolescência do</p><p>que em qualquer outra época da vida, por isso a sua intensidade e a sua</p><p>importância.</p><p>As amizades na adolescência tornam-se mais recíprocas, pois envolvem</p><p>a importância da lealdade e o compartilhamento de confidências. A</p><p>intimidade, a lealdade e o compartilhamento são características da</p><p>amizade adulta. A intimidade com amigos do mesmo sexo aumenta</p><p>durante o processo da adolescência e depois normalmente diminui à</p><p>medida que a intimidade com o sexo oposto aumenta. A maior</p><p>intimidade da amizade adolescente reflete o desenvolvimento cognitivo.</p><p>Saiba mais</p><p>Na atualidade, os adolescentes são mais capazes de expressar seus</p><p>pensamentos e seus sentimentos privados. Também sabem considerar</p><p>mais o ponto de vista de outra pessoa e, assim, é mais fácil para eles</p><p>assimilarem os pensamentos e os sentimentos de um amigo.</p><p>Maiores intimidade e introspecção também refletem</p><p>o interesse dos</p><p>adolescentes em se reconhecerem e se afirmarem. A capacidade de</p><p>intimidade está relacionada com a adaptação psicológica e a</p><p>competência social. Os adolescentes que têm amizades próximas,</p><p>estáveis e apoiadoras geralmente têm uma opinião favorável a seu</p><p>próprio respeito, saem-se bem na escola, são sociáveis e tendem a não</p><p>ser hostis, ansiosos ou deprimidos (PAPALIA et al., 2009).</p><p>Desenvolvimento psicossocial</p><p>positivo</p><p>Perspectivas para a adolescência saudável</p><p>É difícil imaginar um período de desenvolvimento humano caracterizado</p><p>por mudanças psicossociais tão intensas quanto a adolescência. O</p><p>indivíduo que entra na puberdade e chega na adolescência é altamente</p><p>dependente dos pais. Mesmo com amigos, família e um ambiente</p><p>escolar engajado, em sua maioria, os adolescentes ainda carecem de</p><p>intimidade e profundidade.</p><p>No final dos anos de adolescência, no entanto, se tudo correr bem, o</p><p>indivíduo adquire um senso de independência saudável e responsável,</p><p>além de senso de identidade e a capacidade de desenvolver</p><p>relacionamentos profundos e significativos com amigos e parceiros</p><p>românticos.</p><p>Embora o desenvolvimento psicossocial positivo seja construído a partir</p><p>de uma base sólida na infância, as experiências durante os anos da</p><p>adolescência também são importantes. Os principais ingredientes para</p><p>o desenvolvimento psicossocial bem-sucedido são:</p><p>Um ambiente familiar em que os pais sejam responsivos e apoiem</p><p>a necessidade de individuação do adolescente.</p><p>Envolvimento em uma rede social de pares de sexo oposto e do</p><p>mesmo sexo, que estejam em uma trajetória de desenvolvimento</p><p>psicossocial saudável.</p><p>Oportunidades para experimentar e explorar novas</p><p>responsabilidades e relacionamentos.</p><p>Responsividade, na Psicologia, refere-se a atitudes compreensivas que</p><p>visam, por meio do apoio emocional e da bidirecionalidade na</p><p>comunicação, favorecer o desenvolvimento da autonomia e da</p><p>autoafirmação.</p><p>Os relacionamentos e a</p><p>adolescência saudável</p><p>Veja agora uma reflexão sobre a importância dos relacionamentos com</p><p>amigos e familiares e suas implicações para o desenvolvimento de uma</p><p>adolescência saudável. Vamos lá!</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A adolescência para o psicanalista Erik Erikson é um período de</p><p>preparação do indivíduo para um patamar de autonomia. Com um</p><p>conceito introduzido por Erikson, podemos entender que na</p><p>adolescência se acentua a necessidade de um tempo de reflexão,</p><p>um adiamento para integrar os elementos da identidade do ego.</p><p>Assim, os compromissos que levam à vida adulta são adiados. Qual</p><p>o nome dado por Erikson a este conceito?</p><p>A Colcha de retalhos</p><p>B Síndrome da adolescência normal</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Moratória refere-se ao prazo ou extensão de tempo que é</p><p>estabelecido entre as partes envolvidas para realizar algo,</p><p>geralmente pode ser o pagamento de uma dívida ou dívida vencida,</p><p>o pagamento de impostos. A adolescência, para Erikson, é um</p><p>período nomeado como “moratória psicossocial”. Erik Erikson</p><p>(1902-1994) foi um psicanalista nascido na Alemanha que fazia</p><p>parte do círculo de amigos de Freud. Aprofundou a teoria Freudiana</p><p>elaborando uma teoria sobre o desenvolvimento da personalidade.</p><p>Durante a moratória psicossocial — o período de adiamento que a</p><p>adolescência oferece —, muitos jovens procuram formas de se</p><p>comprometer com fidelidade. Esses comprometimentos dos jovens</p><p>nesse estágio de vida, tanto ideológicos quanto pessoais, podem</p><p>moldar a vida de uma pessoa por muitos anos.</p><p>Questão 2</p><p>Papalia et al. (2009) acredita que, no processo chamado de</p><p>diferenciação e integração por Elkind, os jovens adolescentes se</p><p>tornam conscientes de muitos aspectos em que são diferentes dos</p><p>outros, e depois eles integram suas partes distintas em si mesmo,</p><p>tornando-se únicos. O que ocorre como resultado de um processo</p><p>de introspecção quando uma pessoa desenvolve seu senso de</p><p>identidade?</p><p>C Moratória psicossocial</p><p>D Busca de si mesmo</p><p>E Adolescência tardia</p><p>A Ocorre a síndrome da adolescência normal.</p><p>B Cria-se a moratória psicossocial.</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>Elkind propôs duas formas de vivência da busca da identidade na</p><p>adolescência. A primeira seria um processo de diferenciação e de</p><p>integração, com um formato mais saudável. O adolescente se torna</p><p>consciente dos muitos aspectos em que se é diferente dos outros e</p><p>depois integra essas partes distintivas de si mesmo em um todo</p><p>unificado e único. Esse processo de introspecção exige tempo e</p><p>reflexão, mas, quando uma pessoa desenvolve seu senso de</p><p>identidade dessa forma, é quase impossível de ele se romper.</p><p>4 - A síndrome da adolescência normal</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos, os</p><p>pressupostos e as características da síndrome da adolescência normal.</p><p>C Será fácil de romper a identidade na vida adulta.</p><p>D Ocorre a identidade colcha de retalhos.</p><p>E</p><p>Será muito difícil de romper a identidade na vida</p><p>adulta.</p><p>Ligando os pontos</p><p>Chegamos ao último módulo e até aqui tivemos a oportunidade de</p><p>refletir de forma mais prática sobre os desdobramentos da</p><p>adolescência, o que nos permite olhar para essa etapa do</p><p>desenvolvimento com compreensão e empatia. Nós já experimentamos</p><p>essa fase, que nunca deixou de ser complexa. Vamos voltar ao caso da</p><p>nossa querida Laura, adolescente de 13 anos que tem chamado a</p><p>atenção da equipe da escola pela mudança de comportamento e queda</p><p>no desempenho escolar.</p><p>O caso de Laura traz à cena as especificidades da adolescência,</p><p>momento no qual vamos em busca independência, individualização e</p><p>espaço e, ao mesmo tempo, formamos grupos de amigos.</p><p>Laura passou a variar seu comportamento a partir do contato com o</p><p>psicólogo, que conversou com ela sobre a “síndrome da adolescência</p><p>normal”, sobre comportamentos típicos e atípicos e da necessidade de</p><p>entender suas mudanças. Nesse ponto, um grupo de colegas acabou</p><p>sendo muito importante, pela troca, diálogo, comparações, pelos</p><p>comportamentos.</p><p>Mas a mãe não gostou nada! As meninas usavam roupas que para ela</p><p>eram “ousadas” e achava que a filha agora não tinha consciência do seu</p><p>corpo e estava se expondo. Já Laura defendia as amigas com unhas e</p><p>dentes. Em determinado momento, em sala de aula, ela chegou a se</p><p>opor e a levantar a voz com o professor.</p><p>O psicólogo, a equipe multidisciplinar e os professores no conselho de</p><p>classe foram conversar sobre o que estava acontecendo. Entre outras</p><p>coisas, foi falado que a busca de um novo espaço é um processo</p><p>natural da síndrome da adolescência normal, quando há um foco</p><p>extremado nas relações grupais. Foi então que surgiram propostas de</p><p>como os professores poderiam fazer algumas adaptações nas</p><p>atividades escolares que poderiam ajudar Laura e outras adolescentes.</p><p>Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos</p><p>ligar esses pontos?</p><p>Questão 1</p><p>Síndrome da adolescência normal pode parecer um termo estranho,</p><p>mas foi explicado aos professores que comportamentos antes</p><p>entendidos como “naturais” são uma crise, e que esta pode que ser</p><p>mediada e ser acompanhada com mais cuidado. Por isso, lidar com</p><p>essas características em turmas da idade de Laura pode ser um</p><p>bom ponto de atenção. Qual entre as alternativas abaixo um</p><p>psicopedagogo escolheria para aconselhar os professores?</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>As metodologias ativas são ricas em fortalecer habilidades e</p><p>competências socioemocionais, chamadas de soft skills, ponto</p><p>crítico dessa fase. Junto com a psicoterapia, passa a fortalecer e</p><p>ajudar na superação desses momentos de crise de identidade.</p><p>Questão 2</p><p>A</p><p>Atividades de memorização para deixá-los mais</p><p>concentrados.</p><p>B Registros de diário como forma de se acalmar.</p><p>C</p><p>Separar as turmas fortalecendo atividades</p><p>individuais e que estimulem autonomia.</p><p>D</p><p>Propor atividades de metodologias ativas, focadas</p><p>nas competências sociais.</p><p>E</p><p>Propor atividades de habilidades técnicas, dando</p><p>sentido ao aprendizado.</p><p>As</p>