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Teoria Geral do Estado
Introdução ao Direito Constitucional
Ivan Lima
Rio de janeiro – RJ
2024
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
ESTADO E DIREITO
Teoria Monista
Teoria Dualística
Teoria do Paralelismo
TEORIA DA TRIDIMENSIONALIDADE DO ESTADO E DO DIREITO
TEORIA GERAL DO ESTADO
Conceito
Aspectos da Teoria Geral do Estado
Fontes de estudo da Teoria geral do Estado
NAÇÃO E ESTADO
Conceito de Nação
Conceito de Estado
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO
População
Território
Governo
CONCEITO DE SOBERANIA
Teoria da Soberania Absoluta do Rei
Teoria da Soberania Popular
Teoria da Soberania Nacional
Teoria da Soberania do Estado
Teorias Alemã e Austríaca
Teoria Negativista da Soberania
Teoria Realista ou Institucionalista
Limitações da Soberania
Nascimento dos Estados
Extinção dos Estados
Princípio das Nacionalidades:
Teoria das Fronteiras Naturais:
Teoria do Equilíbrio Internacional:
Teoria do Livre-Arbítrio dos Povos:
Teorias da Origem Familiar
Teoria da Origem Patrimonial
Teoria da Força
Teoria do Direito Divino Sobrenatural
Teoria do Direito Divino Providencial
Hugo Grotius
Emmanuel Kant
Thomas Hobbes:
John Locke:
Panteísmo
Neopanteísmo
Teoria da Supremacia das Classes
Teoria de Léon Duguit
Estados Perfeitos e Imperfeitos
Estado simples e composto
União Pessoal
União Real
União Incorporada
Confederação
Estado Unitário
Estado Federal
Federalismo Orgânico
Classificação de Governo conforme Aristóteles
Monarquia e República
Poder Constituinte Derivado
Divisão Formal das Constituições
A Doutrina de Montesquieu
Classificações dos Direitos Individuais
Sufrágio Universal
Voto do Analfabeto
Sufrágio restrito e censo alto
Sufrágio igualitário e voto de qualidade
Sufrágio feminino
Voto público e voto secreto
Direito de voto
Eleição direta e indireta
Sistemas eleitorais
Representação Política
Teorias sobre a representatividade política
Divisão do sistema representativo quanto à sua natureza
Características do Presidencialismo
Responsabilidade e “Impeachment”
Modalidades do Sistema Presidencialista
Mecanismos do Sistema Parlamentarista
Contexto histórico resumido
Conceito de Democracia
Democracia em sentido formal e substancial
FINALIDADE DO ESTADO
Teorias Individualistas e Totalistas
Teoria dos Fins Intermediários
UNIDADE SOCIAL E A PESSOA HUMANA
Teorias Extremadas e Intermediária
ELEMENTOS TEÓRICOS DA CIÊNCIA POLÍTICA
Individualismo e Coletivismo
Anarquismo
SOCIALISMO UTÓPICO OU COMUNISMO
O Socialismo Científico de Karl Marx
A evolução do socialismo após Marx
A FAMÍLIA E A IGREJA
O Estado e a Igreja
O ESTADO BRASILEIRO
Território Brasileiro
População Brasileira
Forma federativa de Estado
Forma de Governo
REFERÊNCIAS
APRESENTAÇÃO
Esta obra é fruto de pesquisa doutrinária e legislativa
decorrente da preparação de aulas sobre Teoria Geral do Estado
publicadas no canal do youtube (@direitotopicos). Foram cerca de 2
(dois) anos de pesquisas e compilações, com anotações e
fichamentos bibliográficos, além da aplicação do conhecimento
acumulado ao longo dos anos em vários ramos do direito, em
especial no Direito Constitucional.
Com uma formação superior em Direito, complementada
pela especialização na pós-graduação lato sensu em Direito
Público, tive a oportunidade de realizar este trabalho com o devido
cuidado para que, mesmo resultando em uma obra simplificada,
concluir um material com as informações necessárias no campo da
ciência política e essencial para a introdução ao estudo do direito
constitucional.
O leitor terá a oportunidade, sob uma linguagem simples
e direta, de acessar a um conteúdo completo sobre Teoria Geral do
Estado, onde poderá aprender os conceitos de Estado e Nação, as
teorias aplicadas ao assunto, bem como angariar mais
conhecimentos sobre política e formação de Estados.
Espero que a presente obra possa favorecer a
aprendizagem dos graduandos em Ciências Políticas e em Direito,
além daqueles interessados em aprender mais sobre a formação do
nosso Estado Brasileiro. Tal conteúdo foi feito de tal forma que não
deixasse de fora ninguém, com o intuito de oferecer ao leitor uma
linguagem de fácil compreensão e forma objetiva.
Felicidade e sucesso a todos!
Ivan Lima.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho possui o resultado de pesquisa de
mais de um ano, onde foram abordados os principais tópicos
necessários para o estudo sobre Ciências Políticas e introdução ao
estudo do Direito Constitucional.
Dividimos esta obra em vários blocos, iniciando pelo
estudo entre o Direito e o Estado, para avançar na análise entre
Estado e Nação, passando pelas teorias doutrinárias atinentes à
formação do Estado, até culminar na visão final sobre a estrutura
política do Estado Brasileiro.
Apresentamos também o resultado de pesquisa sobre a
relação do homem com o Estado e os princípios aplicados, além da
influência da Igreja na formação do Estado.
Sob o campo filosófico, adentramos nos estudos sobre o
socialismo e o liberalismo, ensejando em uma formação crítica
quanto ao melhor entendimento consubstanciado pela doutrina.
Diante disso, o caro leitor tem em suas mãos um material
completo e simplificado sobre todo conteúdo necessário para uma
formação crítica quanto ao estudo sobre Ciências Políticas e Direito,
em especial como um material essencial para uma introdução ao
estudo do direito constitucional.
Tenha uma boa leitura e sucesso nos estudos!
ESTADO E DIREITO
O Estado e o Direito são dois institutos jurídicos que se
interagem um em relação ao outro, ora numa percepção de
coexistência, ora sob um viés de independência existencial.
A primeira relação que podemos verificar entre o Estado
e o Direito é quanto as suas definições, onde Estado é uma
organização que se destina manter a ordem social, utilizando-se do
direito para essa realização e, o direito, que é o conjunto de
condições existenciais da sociedade sob a responsabilidade do
Estado.
Contudo, a aparente relação pacífica entre estes dois
institutos traz um problema quanto a sua representação diante da
realidade humana.
Não se sabe ao certo se o Estado e o Direito
representam uma realidade única ou duas realidades distintas e
independentes.
Assim, para tentar explicar a melhor solução para esse
problema a doutrina nos apresenta três grupos de pensamentos: A
Teoria Monista, Teoria Dualística e Teoria do Paralelismo.
Teoria Monista
A Teoria Monista é também chamada de estatismos
jurídico e significa dizer que o Estado e o Direito se confundem
numa só realidade.
Para os defensores desta corrente só existe o direito do
Estado, ou seja, não se admite a ideia de que qualquer regra esteja
fora da jurisdição estatal. Assim, para os monistas, o Estado é a
única fonte do Direito, porque para eles o Estado, por meio da sua
força coercitiva, faz com que o Direito exista.
Ihering afirma que não há como haver regra jurídica sem
que haja coação, ou seja, um fogo que não queima, uma luz que
não ilumina (Maluf, 2018).
Enfim, por esta corrente o Direito só existe se for
emanado pelo Estado, estando ambos numa coexistência única.
Teoria Dualística
Esta corrente é também chamada de teoria pluralística,
pois sustenta que o Estado e o Direito são realidades distintas,
independentes e inconfundíveis.
Para essa corrente, o Estado não é a fonte única do
Direito, não sendo assim confundido com este. A função do Estado
é apenas prover as condições necessárias para que seja possível a
efetivação do direito, utilizando-se assim da exclusividade de uma
categoria especial de Direito, o direito positivo. Logo, algumas
outras normas decorrentes da consciência coletiva, como o direito
costumeiro, ensejam em positivação nas regras sociais, devendo o
Estado, quando houver casos omissos, acolher essas normas para
que lhes deem legitimidade.
Diante deste pensamento, o Estado também reconhece e
defende direitos não escritos, como o Direito Canônico, entre outros
Direitos relacionados às associações menores.
O que os dualistas querem dizer é que o Direito não é
uma criação estatal, mas sim, uma criação social. Assim, as
mutações decorrentes da vida em sociedade, comalemão, que detinha
um caráter subversivo, totalitarista e organizado de forma militar,
com sua milícia chamada de “Camisas Pardas”.
Logo após a entrada em vigor da Constituição de
Weimar, o governo instituído dissolveu a câmara dos Deputados da
Prússia, convocando novas eleições por meio do Comissário do
Reich, ensejando na vitória considerável do Partido Nacional
Socialista liderado por Adolph Hitler.
Diante deste fato, houve uma profunda transformação
política, onde o novo governo criou várias leis de uniformização,
objetivando a subordinação direta dos Estados-Membros ao
governo federal.
Com o falecimento do presidente Hindenburg, houve a
sucessão do cargo de presidente do Reich ao Führer e Chanceler
do Reich, Adolph Hitler.
Assim, com poderes ditatoriais em suas mãos, Hitler
extinguiu os demais partidos políticos e todos os demais grupos
nacionais que reputava como perigosos para o movimento nazista, e
instituiu o Terceiro Reich, com a promessa de reconstruir a Grande
Alemanha resultante das sequelas da primeira grande guerra
mundial.
Logo adiante o Partido Nacional Socialista se fundi no
próprio Estado Alemão, fundado em um partido político militarizado.
Assim, com tamanho poder de mais alto e incontestável atuação,
todas as atividades públicas e privadas estavam sob o seu total
controle. Passou então a desenvolver rapidamente a indústria
bélica, em conjunto com um plano internacional de diplomacia
agressiva, ensejando em um programa de ação que culminou com a
Segunda Guerra Mundial.
Um dos ideais maléficos do nazismo alemão foi o
racismo estrutural que objetivava a exaltação dos vínculos
nacionais, como a proteção dos símbolos nacionais e a dignificação
da história alemã, com espeque na lei sobre esterilização de 1934
que estipulava a separação entre alemães e não-alemães, em
especial entre judeus e alemães, culminando numa ideologia de luta
de vida ou morte contra a comunidade judaica.
O racismo alemão acabou se constituindo em um
racismo político que possui sua base no estado civil e na religião.
Toda essa discriminação racial decorreu da crença de
que havia uma espécie humana superior na terra, a raça ariana,
atribuída ao povo alemão, ou seja, havia um laço de sangue entre
estes seres ditos superiores.
No que diz respeito à economia, o nazismo consolidou
uma forma de comunidade econômica formada por nacionais, onde
os atentados contra a economia estatal seriam punidos com morte.
Assim, o serviço militar alemão de caráter obrigatório, surgiu como
uma forma de estabelecer a prestação de trabalho gratuito para a
pátria, entendendo que teria um valor educativo e econômico ao
mesmo tempo.
Além disso, o Estado nazista defendia a igualdade
perante a lei, ou seja, o que se tinha era uma igualdade formal,
independentemente das desigualdades entre os indivíduos. Desta
forma, em razão do regime ditatorial nazista atuar de forma sectária
e intolerante, houve o domínio da personalidade humana por parte
do Estado e, com isso, a aniquilação dos valores individuais.
Enfim, o nazismo alemão foi além do que chegara o
fascismo italiano, pois no nazismo havia a personificação do chefe
nazista, seguindo cegamente as diretrizes e comando de um único
comandante para o destino comum e nefasto de toda uma
coletividade germânica.
FORMAS DE ESTADO
O Estado é caracterizado por três elementos essenciais:
a) População: que pode constituir um Estado nacional ou
plurinacional;
b) Território: cuja posição geográfica enseja na configuração
de um Estado central ou marítimo; e
c) Governo.
Estados Perfeitos e Imperfeitos
Por Estado Perfeito temos aquele Estado que reúne os
três elementos constitutivos sem qualquer fragmentação, ou seja,
população, território e governo. Neste caso podemos confirmar uma
personalidade jurídica de direito público internacional de forma
plena.
Já o Estado Imperfeito é aquele que, apesar de possuir
os três elementos constitutivos, há certa restrição a qualquer um
deles. A maior incidência observada é no governo, pois este
elemento sofre maior influência da política, porque segue a linha
ideológico-política da autoridade governante. O que se quer dizer é
que mesmo havendo uma administração própria, muitas vezes tal
Estado se sujeita à influência de uma potência estrangeira,
impactando na sua soberania.
Estado simples e composto
O Estado simples é aquele que tem relação com um
grupo populacional homogêneo, ou seja, seu território é tradicional e
seu poder público se constitui de uma única expressão, resultando
em um governo nacional.
No que diz respeito ao Estado composto temos que é a
união de dois ou mais Estados, constituindo-se de dois polos
distintos de governo, mas seguindo um regime jurídico especial,
com predominância do governo da união como sujeito de direito
público internacional. Aqui temos uma pluralidade de Estados no
seu âmbito interno, mas uma unidade diante da comunidade
internacional.
União Pessoal
A União Pessoal é uma forma de estado característica da
monarquia, em que dois ou mais Estados se sujeitam ao governo de
um só monarca. Em regra, temos neste caso um governo resultante
da sucessão hereditária.
União Real
A União Real é uma forma de estado que também é bem
característica com a monarquia, pois há uma união definitiva entre
dois ou mais Estados, onde cada um possui autonomia
administrativa, ou seja, existência individual, mas se constituindo em
uma pessoa jurídica de direito público internacional única.
União Incorporada
A União incorporada é a união de dois ou mais Estados
para a formação de um novo Estado. Temos aqui uma nova
entidade resultante da incorporação, tendo como representante
internacional um governo único.
Confederação
A Confederação é a união permanente entre Estados
independentes com o intuito de cooperarem para a defesa externa e
a paz interna.
Nesta forma de Estado, cada Estado membro não sofre
qualquer restrição à sua soberania, mantendo inclusive a sua
personalidade jurídica de direito público internacional.
Podemos conceituar a confederação da seguinte forma:
“A confederação é uma forma instável da união
política; a união só pode existir enquanto aos
Estados componentes convier; os Estados
guardam como corolário natural de sua
soberania política a possibilidade de, a todo
tempo, se desligarem da união, segundo a
fórmula os Estados não foram feitos para o
acordo, mas o acordo para os Estados”[18].
Estado Unitário
O Estado Unitário é um Estado que se apresenta como
uma organização política singular, constituindo um governo único
com jurisdição nacional plena, ou seja, há apenas divisões internas
na ordem administrativa.
Estado Federal
O Estado Federal é aquele que se divide em unidades
políticas autônomas, em que há uma divisão política de direito
público no âmbito nacional e no âmbito provincial.
A característica principal de um estado federal é o fato de
haver uma harmonia, dentro de um mesmo território e sob o
governo das mesmas pessoas, a interação de governos federal e
estadual.
Uma das definições aceita pela doutrina é:
“O Estado federal é um Estado formado pela
união de vários Estados; é um Estado de
Estados”[19].
A doutrina também elenca as características
fundamentais do sistema federativo, conforme o modelo norte-
americano:
a) Distribuição do poder em dois planos
harmônicos, federal e provincial: o governo
federal atua sob a égide da Constituição,
enquanto os Estados-membros exercem os
poderes implícitos na competência da União,
mas que não lhes são vedados pela
Constituição;
b) Sistema judiciarista: é a possibilidade de
ampliação da competência do poder judiciário,
como no caso do Supremo Tribunal Federal,
como órgão regulador do equilíbrio federativo
e da ordem constitucional;
c) Composição bicameral do poder
legislativo: ensejando numa representação
nacional pela Câmara dos Deputados e uma
representação dos Estados-membros pelo
Senado; e
d) Constância dos princípios fundamentais
da Federação e da República: que condiz
com as garantias da rigidez constitucional,
imutabilidadedos princípios e possibilidade
intervenção federal.
FEDERALISMO
Como vimos, os Estados podem se dividir de diversas
formas, mas no que tange ao direito público interno, sua divisão
pode se dá como estados unitários e estados federais.
O Estado Unitário é aquele em que há uma única
organização política, ou seja, sua organização política se dá de
forma singular. Neste tipo de Estado há um único governo que
possui plena jurisdição nacional, não havendo divisões internas,
salvo no que diz respeito às atividades administrativas, ou seja,
mesmo sendo dividido em municípios, distritos ou departamentos, o
que se têm são apenas divisões administrativas.
Já o Estado Federal é aquele em que há uma divisão
política autônoma em suas províncias, onde há duas fontes de
direito público, o nacional e o provincial.
Para Queiroz Lima o Estado Federal “é um Estado
formado pela união de vários Estados”.
Vemos que o Estado Federal se projeta no plano
internacional com uma unidade política.
Podemos também ver na doutrina uma definição mais
precisa de Estado Federal:
“O Estado federal é uma organização formada
sob a base de uma repartição de competências
entre o governo nacional e os governos
estaduais, de sorte que a União tenha
supremacia sobre os Estados-membros e estes
sejam entidades dotadas de autonomia
constitucional perante a mesma união”[20].
Vimos anteriormente que a doutrina vem elencando as
características essenciais do Estado Federal como aquelas advinda
do sistema federativo segundo o modelo norte-americano:
a) Distribuição do poder de governo em dois planos
harmônicos;
b) Sistema judiciarista;
c) Composição bicameral do Poder Legislativo; e
d) Constância dos princípios fundamentais da Federação e
da República.
Nos Estados Unidos o federalismo surgiu da união das
treze colônias que estavam sujeitas à dominação britânica no século
XVIII, se constituindo inicialmente numa Confederação de Estados
em 1781, com o objetivo de fortalecer a defesa em comum.
Com o tempo verificaram que a união confederal era
instável e precária e que não solucionava os problemas internos, em
especial de ordem econômica e militar. Assim, os Estados
pactuantes elaboram a Constituição Federal de 1787 e estruturam o
federalismo.
No Brasil o sistema federal é do tipo orgânico, ou seja, é
um sistema federal muito mais rígido.
Durante o Brasil-Império o Brasil era um Estado Unitário,
dividido administrativamente em províncias. A sua transformação na
forma federativa foi se dando paulatinamente, pois diante do
território extenso, das variações climáticas e da diversidade étnica, a
sua descentralização política foi necessária, possibilitando pelo Ato
Adicional de 1834 a concessão de autonomia provincial.
Diferentemente do processo de federalismo americano
que se deu de fora para dentro, no Brasil tal processo se deu de
dentro para fora, ou seja, com a queda do imperialismo central,
surge a ideia democrática com viés focado no princípio federativo.
Mesmo diante dos esforços para salvar a monarquia, em
1891 foi criada a uma nova Constituição brasileira, que passava a
estruturar o federalismo brasileiro segundo o modelo norte-
americano.
Federalismo Orgânico
A federação brasileira é uma federação orgânica, pois há
poderes superpostos onde os Estados-membros se organizam
conforme à União Federal. As Constituições Estaduais devem se
espelhar na Constituição Federal, se subsumindo ao princípio da
hierarquia.
Uma definição para essa explicação é a seguinte:
“A União nada pode fora da Constituição; os
Estados só não podem o que for contra a
Constituição”[21].
O que se quer dizer é que para os Estados-membros o
que se espera é que as suas Constituições estaduais não
contradigam as bases essenciais da Constituição Federal.
Com o tempo o sistema brasileiro foi se distanciando do
sistema norte-americano, se tornando o chamado federalismo
orgânico.
FORMAS DE GOVERNO
Primeiramente, devemos verificar a definição de governo
para melhor compreensão do tema.
Para Queiroz Lima, governo é o conjunto das funções
estatais que asseguram a ordem jurídica.
Há três aspectos que devemos considerar no que diz
respeito ao direito público interno:
a) Governo segundo a origem do poder: cujo
poder pode ser o poder de direito ou o poder de fato;
b) Governo pela natureza das suas relações
com os governados: que poderá ser legal ou despótico; e
c) Governo quanto à extensão do poder: que
poderá ser constitucional ou absolutista.
Assim, com esta introdução vamos verificar o conceito de
governo em suas diversas vertentes:
a) Governo de direito: trata-se do governo
instituído em conformidade com a lei fundamental do
Estado, resultante da legitimidade advinda da consciência
jurídica nacional;
b) Governo de fato: é aquele que se suplanta
na sociedade por meio de fraude ou violência;
c) Governo Legal: trata-se do governo em
conformidade com o direito positivo, ou seja, o Estado se
sujeita a seus próprios preceitos jurídicos, resultando numa
condição harmônica e socialmente equilibrada;
d) Governo Despótico: ao contrário do governo
legal, o governo despótico é resultante do arbítrio dos
detentores do poder, aplicando no sistema jurídico seus
interesses pessoais em detrimento dos interesses
coletivos;
e) Governo Constitucional: é o governo
formado e desenvolvido conforme uma Constituição,
ensejando numa divisão de poderes políticos em três
funções institucionais distintas, executiva, legislativa e
judiciária, garantindo a seus cidadãos a defesa dos direitos
fundamentais; e
f) Governo Absolutista: é o governo em que
se concentra todos os poderes em um só órgão político. No
regime absolutista verificamos suas origens nas
monarquias de direito divino em que a vontade da lei é a
manifestação volitiva do príncipe.
Classificação de Governo conforme Aristóteles
Aristóteles dividiu as formas de governo em dois grandes
grupos:
a) Formas de Governo Normais: que possui como objetivo o
bem da comunidade; e
b) Formas de Governo Anormais: que buscam vantagens
exclusivas para seus governantes.
As formas normais, também denominadas de formas
puras, são classificadas da seguinte forma:
a) Monarquia: onde o governo é gerido por uma só pessoa;
b) Aristocracia: cujo governo se dá por meio de uma classe
social restrita; e
c) Democracia: onde governo é entregue à gestão de todos
os cidadãos.
Já a classificação das formas anormais corresponde,
respectivamente, às três formas normais anteriores: tirania,
oligarquia e demagogia.
Montesquieu aduziu uma identificação clara quanto a
esses conceitos aristotélicos citados: a Monarquia deverá ser regida
pela Honra; a Aristocracia pela Moderação; e a Democracia pela
Virtude. Se faltar quaisquer dessas virtudes estaríamos diante de
formas de governo anormais (tirania, oligarquia e demagogia).
A essas classificações aristotélicas, alguns autores
acrescentam a Teocracia (forma normal de governo sob um prisma
religioso) e Clerocracia (governo despótico dos sacerdotes).
Agora vamos analisar as duas principais formas de
governo.
Monarquia e República
Esta nova divisão sob a classificação das formas de
governo foi dada por Maquiavel, onde temos o seguinte:
a) Monarquia: é o governo hereditário e vitalício. Aqui temos
uma classificação essencial de monarquia; e
b) República: é o governo que se renova mediante eleições
periódicas. Ou seja, temos como classificação essencial de
república a eletividade e a temporariedade.
Queiroz Lima traz algumas características para a
Monarquia, que veremos se tratar das características
correspondentes às monarquias absolutas:
a) Autoridade unipessoal;
b) Vitaliciedade;
c) Hereditariedade;
d) Ilimitabilidade do poder e indivisibilidade das supremas
funções de mando; e
e) Irresponsabilidade legal, inviolabilidade corporal em sua
dignidade.
Diante do que vimos até agora, podemos classificar as
formasde governo conforme o esquema a seguir:
Fonte: MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. 2018
Vejamos, então, a definição de cada uma delas:
a) Monarquia absoluta: trata-se de uma forma de governo
em que todo o poder se concentra na pessoa do monarca;
b) Monarquia Limitada: esta é uma forma de governo em
que o poder central se divide em órgãos autônomos. Estes
podem ser de três tipos distintos:
- Monarquia de Estamentos: é aquela em que o
Rei descentraliza algumas de suas funções para
a nobreza, funcionando como desdobramento do
poder real;
- Monarquia Constitucional: é aquela em que o
poder executivo era exercido pelo Rei, em
consonância com os poderes legislativo e
judiciário; e
- Monarquia Parlamentar: é aquela em que o
Rei não exerce função de governo, deixando tal
exercício para o Conselho de Ministros, sob
responsabilidade do Parlamento.
c) República Aristocrática: é o governo regido por uma
classe social privilegiada por direito de nascimento ou de
conquista. Aqui temos o que era chamado de “governo dos
melhores”, constituído pela nobreza;
d) República Democrática: trata-se de uma forma de
governo em que o poder emana do povo, podendo se dá
de duas formas:
- República Democrática Indireta
(Representativa): onde o poder público se
concentra nas mãos de magistrados eletivos,
investidos no cargo de forma temporária e com
atribuições predeterminadas; e
- República Democrática Semidireta (Mista):
que consiste em sistema em que o poder da
assembleia representativa é restringido, cujo
pronunciamento direto de maior importância se
dá por meio da Assembleia Geral dos Cidadãos,
em especial os assuntos de ordem
constitucional.
PODER CONSTITUINTE
Podemos iniciar conceituando o Poder Constituinte como
uma função da soberania nacional, pois o poder constituinte é
aquele que constrói, reconstrói ou reformula a ordem jurídica de um
Estado.
A Constituição é o documento formal em que estão
reunidas as regras fundamentais da nação, emanada do poder
soberano, por meio de representantes eleitos e reunidos em uma
Assembleia Constituinte.
A Assembleia Constituinte é a instituição democrática
que exerce o poder soberano na sua plenitude, pois se caracteriza
pela sua transitoriedade e ilimitabilidade do poder político. Não
devemos confundir com as Assembleias Legislativas, pois estas são
investidas de poderes já constituídos e possuem poderes limitados
pela Constituição.
O poder constituinte pode se dá de duas formas:
a) Poder Constituinte Originário: é aquele que também é
chamado de poder genuíno ou de 1º grau, que se incumbe
de constituir o Estado por meio de uma Constituição e tem
como característica ser um poder inicial; autônomo;
ilimitado juridicamente; incondicionado; soberano; poder de
fato e poder político; e permanente; e
b) Poder Constituinte Derivado: que também pode ser
chamado de poder de 2º grau, que tem a capacidade, que
é delegada pelo Poder Constituinte Originário, de emendar,
reformar ou modificar a Constituição vigente, realizando
alterações parciais em seu texto. O poder derivado tem
como características principais ser condicionado;
secundário; e limitado.
Vamos analisar com mais detalhe o Poder Derivado
(Poder Reformador).
Poder Constituinte Derivado
Trata-se da função estatal de poder reformar ou emendar
a Constituição, no curso das legislaturas, dentro dos limites
estabelecidos pelo Poder Constituinte Originário.
Seu objetivo é reformar parcialmente ou emendar a
Constituição, de forma que possa adequar as normas
constitucionais à evolução social, econômica e ético-jurídica.
Contudo, na ordem constitucional brasileira, algumas
estruturas constitucionais básicas são inalteráveis, como no caso da
Forma Federativa do Estado, a Forma Republicana do Governo e a
Ordem Democrática. Há também limitações temporais como a
impossibilidade de emenda à Constituição durante o Estado de Sítio
ou em determinados períodos definidos no texto constitucional.
CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO
A Constituição é uma concepção política que na ciência
do Estado possui uma dupla acepção:
a) Em sentido lato: Constituição é um
conjunto dos elementos estruturais do Estado, ou
seja, é o compêndio relacionado a sua composição
geográfica, política, social, econômica, jurídica e
administrativa; e
b) Em sentido estrito: é a lei fundamental do
Estado, que abrange todo o conteúdo legislativo
do Estado, criando limitações ao poder de governo
e determinando a forma de sua realização.
Toda Constituição que se preze possui um prólogo, ou
seja, um preâmbulo.
O Preâmbulo é o enunciado político que aponta o
conteúdo ideológico e o pensamento político do momento da sua
elaboração pela Assembleia Constituinte.
O preâmbulo não traz consigo um caráter normativo, pois
é apenas um instrumento que serve de norte para o intérprete.
Assim, ao ler o preâmbulo, o intérprete tem uma boa noção dos
motivos e mobilizações políticas que ensejaram a aprovação das
regras e princípios constitucionais, possibilitando uma melhor
compreensão do objetivo primordial do poder constituinte originário.
O sistema constitucional é um encadeamento normativo
que centraliza as normas mais importantes de um Estado,
delimitando as regras e limites de competência dos seus poderes
políticos e determinando a ação estatal em relação a seus
administrados.
Há registros históricos da constitucionalização do direito
em tempos antigos, como as Leis de Creta, durante o regime
jurídico de Atenas na antiga Grécia, que consistia numa ordem
constitucional criada pela vontade popular, por meio de leis.
Durante a Idade Média também se evidenciou algumas
regras constitucionais, em especial no Foral de Leão, de 1188, onde
ficou estabelecido o Pacto Político Civil entre os nobres e D. Afonso
IX, constituindo a inviolabilidade de domicílio e o direito de
propriedade.
Além desses exemplos, também temos a Magna Carta
dos ingleses, de 1215, e a Bula de Ouro dos Húngaros, de 1222.
Esses documentos constitucionais antigos, em especial
durante o período medieval, não traziam as mesmas diretrizes
ideológicas das Constituições modernas, pois as leis medievais
estavam mais voltadas à pacificação entre o príncipe e o povo, não
impactando na limitação do absolutismo monárquico.
Com a ascensão do Estado Liberal, surgem os primeiros
movimentos políticos que ensejaram nas primeiras Constituições
escritas que mais se coadunam com os sistemas constitucionais
modernos.
Com este breve apanhado histórico podemos ver agora o
conceito de Constitucionalismo.
De acordo com a visão filosófica liberal, o Estado era
visto como uma organização jurídica precária, mutável, que era
destinada a possibilitar a harmonia entre os pares em um
determinado grupo social. Assim, o Constitucionalismo surge como
uma ferramenta de formalização daquela filosofia liberalista, ou seja,
um meio pelo qual a vontade nacional determina as regras
fundamentais do Estado e dos direitos de seus cidadãos,
manifestando-se através do poder constituinte.
Logo, todas essas regras codificadas em um documento
fundamental do Estado, chamamos de Constituição.
Nem sempre as Constituições foram escritas, como no
caso da Inglaterra, que foi a precursora do sistema liberal
constitucionalista, onde todo o sistema estava manifestado em um
sistema não escrito, resultante de entendimentos jurisprudenciais ao
longo do tempo e vinculados a situações futuras.
Assim, as constituições possuem uma classificação
doutrinária, cuja divisão passaremos a analisar a seguir.
Divisão Formal das Constituições
Fonte: MALUF, 2018
a) Constituição Escrita: é aquela que constitui o direito
positivado, que também são chamadas de Lei fundamental,
lei magna, lei suprema e que podem se dá de duas formas:
- Codificada: com ideias e assuntos organizados de forma
concatenadas; e
- Não Codificada: constituída por meio de leis
constitucionais esparsas.
b) Constituição Não Escrita: é aquela baseada nos usos,
costumes e tradições de uma nação. Elas também podem
ser chamadas de constituição inorgânica,costumeira ou
consuetudinária.
As Constituições escritas podem ser classificadas de
quatro formas:
a) Imutáveis: que não podem ser alteradas de nenhuma
forma;
b) Fixas: que, em regra, não podem ser modificadas,
somente por meio do poder constituinte;
c) Rígidas: que é aquela Constituição que não pode ser
alterada por um processo comum de elaboração de leis
ordinárias, necessitando para tal de um procedimento mais
complexo; e
d) Flexíveis: são aquelas Constituições que podem ser
modificadas por meio de ato legislativo comum ordinário.
No que tange à sua origem, a doutrina tem classificado
as Constituições escritas de duas formas:
a) Dogmáticas: que também são chamadas de Constituição
Popular, são aquelas que o próprio povo elabora e
promulga, por meio de representantes eleitos pelo povo; e
b) Outorgadas: é aquela que não há manifestação da
soberania nacional, sendo editada e posta em vigência de
forma onipotente pelo detentor eventual do poder.
DIVISÃO DO PODER DO ESTADO
A divisão do poder do Estado moderno se dá em três
órgãos distintos: legislativo, executivo e judiciário. Tais órgãos são
independentes e harmônicos entre si e representam o sistema
constitucional instituído.
Temos aqui neste tema o que é chamado na doutrina de
princípio da divisão funcional do poder soberano, onde o legislativo
cuida da elaboração das leis, o executivo a execução do que fora
definido em lei e o judiciário se incumbe da solução dos conflitos
decorrentes do direito implantado, dizendo o direito e assegurando a
realização da justiça.
Nos estados antigos e medievais não havia, em regra,
uma divisão funcional do poder de governo, concentrando todas as
decisões nas mãos do monarca.
No entanto, com a evolução do direito, sob um viés
liberal, surge a divisão do poder sob o espeque da doutrina de
Montesquieu.
A Doutrina de Montesquieu
Montesquieu foi o autor da obra “O Espírito das Leis”, de
1748, que sistematizou o princípio da divisão das funções estatais
com mais afinco.
A primeira constituição escrita que adotou a doutrina de
Montesquieu foi a Constituição Americana do Estado da Virgínea,
em 1776, que acabou por ensejar na Constituição Federal
Americana de 1787. Nos dizeres dos Constitucionalistas americanos
temos o seguinte:
“Quando na mesma pessoa ou corporação, o
poder legislativo se confunde com o executivo,
não há mais liberdade. Os três poderes devem
ser independentes entre si, para que se
fiscalizem mutuamente, coíbam os próprios
excessos e impeçam a usurpação dos direitos
naturais inerentes aos governados. O
Parlamento faz as leis, cumpre-as o executivo e
julga as infrações delas o tribunal. Em última
análise, os três poderes são os serventuários da
norma jurídica emanada da soberania nacional”.
Logo, diante do princípio de Montesquieu consagrado na
Constituição Americana, os norte-americanos criam a ideia do
sistema de freios e contrapesos.
Contudo, a separação de poderes não pode ser
interpretada de forma absoluta no sentido do que cada poder pode
funcionar com plena independência e autonomia. Aqui temos uma
divisão formal, mas sob a subordinação de um poder único, o poder
político originário e central.
Temos, então, que o poder de soberania, exercido pelo
poder político nas três funções do Estado, deve ser
substancialmente uno e indivisível. Os três órgãos estatais separado
formalmente, devem exercer a soberania em harmonia, de forma a
preservar a unidade política.
Assim, a divisão formal e funcional do poder estatal deve
repelir a literalidade do termo independente, pois os três poderes
são independentes no que diz respeito a sua organização e
funcionamento, mas devendo haver harmonia entre si e
subordinação mútua para que atenda ao anseio da soberania
nacional, utilizando-se assim do sistema de freios e contrapesos
para a contenção do poder pelo poder.
DIREITOS FUNDAMENTAIS DO
HOMEM
Vimos as transformações ao longo da história que
acabou ensejando no constitucionalismo das políticas de Estado.
Com esse constitucionalismo surge um humanismo político,
trazendo em decorrência da soberania nacional e do imperativo da
Constituição escrita um instrumento que limita a autoridade pública.
Esse humanismo político ganhou força durante os séculos XVII e
XVIII, quando então dois princípios essenciais se evidenciaram: de
um lado a divisão do poder em três órgãos (legislativo, executivo e
judiciário) e de outro lado a declaração dos direitos fundamentais da
pessoa humana.
A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão foi
editada em decorrência da Revolução Francesa em 1789, cujo
primeiro artigo já estampava a presente afirmativa de que “os
homens nascem livre e iguais em direitos”.
Assim, a Declaração de Direitos sistematiza o Estado
Democrático, pois trata-se de um resumo da ciência política
autêntica a ser adotada pelo próprio Estado. Nos dizeres de Pontes
de Miranda:
“As declarações de direitos são partes mais
importantes das Constituições; a história das
declarações de direitos é a melhor história das
regras de fundo; a história delas e de sua
prática, a melhor história da liberdade”.
A doutrina dos direitos individuais tem seu bojo originário
que remonta aos Dez Mandamentos da Lei de Deus, conforme
revelado por Moisés no Monte Sinai. Assim dizendo, tais
mandamentos divinos serviram como limitadores do poder do
governo que se sujeitavam aos escritos sagrados.
Nas repúblicas mais primitivas, como as gregas e
romanas, havia princípios atinentes à liberdade política, indicando
privilégios de cidadania a seus cidadãos.
Com a evolução história, os direitos individuais foram
angariando importância até serem repetidamente positivados em
diversos textos normativos, chegando então a sua inserção
constitucional.
As revoluções liberais na América do Norte e na França
possibilitaram à ascensão da doutrina dos direitos individuais,
ensejando na constitucionalização de tais direitos nos moldes
clássicos atuais e limitando o poder do Estado.
Classificações dos Direitos Individuais
De acordo com a doutrina, a Declaração de Direito possui duas
partes:
a) Direitos políticos: que é a definição da qualidade de
cidadão nacional aduzido de suas prerrogativas,
possibilitando a aquisição e perda da respectiva
nacionalidade e, ainda, constituindo o corpo eleitoral com
direitos a uma participação política ativa ou passiva, além
de acesso aos cargos públicos; e
b) Direitos Fundamentais propriamente ditos: que são os
atributos naturais da pessoa humana, que são invariáveis
no tempo e no espaço, conforme a ordem natural das
coisas, partindo do princípio de que “todos os homens
nascem livres e iguais em direitos”. Podemos citar como
exemplo desses direitos, a vida, a liberdade, a segurança
individual e a propriedade.
Enfim, enquanto os direitos políticos são relativos, os
direitos fundamentais da pessoa humana podem ser relativos ou
absolutos.
Os direitos relativos são aqueles que dizem respeitos ao
relacionamento que o homem tem na sociedade, como por exemplo,
a manifestação de pensamento, da crença ou culto etc.
Já os direitos absolutos são aqueles direitos naturais da
pessoa humana que não pode sofrer controle estatal, como o
pensamento e a crença. Vemos aqui que, diferentemente da
“manifestação” de pensamento, trata-se do pensamento como
atributo intrínseco humano, ou seja, características pessoais que
estão no campo da intimidade da pessoa humana, não
possibilitando ao Estado obrigar o indivíduo a pensar diferente do
seu íntimo.
Enfim, o Estado pode até disciplinar os atos de
manifestação do pensamento, mas não pode disciplinar o
pensamento em si mesmo. Exemplo: pode haver controle de uma
manifestação pública, mas não da crença deste pensamento em si
mesma.
A doutrina classifica os direitos fundamentais em
positivos e negativos:
a) Direitos fundamentais positivos: são aqueles em que há
uma faculdade de se exigir e obter determinadas
prestações do Estado; e
b) Direitos fundamentais negativos: são aqueles
efetivamente limitadores do poder do estado, impondo a ele
uma atitudede abstenção, ou seja, não intervenção.
Os direitos fundamentais também podem ser
classificados como intraestatais e supraestatais:
a) Direitos fundamentais intraestatais: são aqueles direitos
variáveis para cada Estado no que tange a sua ordem
sócio-ético-jurídica; e
b) Direitos fundamentais supraestatais: são os direitos que
transcendem para a órbita do jus gentium, ou seja, se
impõe a generalização dos direitos a todos os homens e a
todos os povos, independente do vínculo nacional que
possua.
Os direitos dos direitos do homem, em razão da sua
supressão por estados tiranos ao longo da história, ensejaram na
sua defesa e positivação no campo internacional.
No plano supraestatal, sob o apoio da Organização das
Nações Unidas, criou-se a Declaração Universal dos Direitos do
Homem, em 1948, trazendo uma norma geral para todos os povos e
nações, buscando garantir os direitos e liberdades para toda
pessoa, devendo sua aplicação independente de raça, cor, idioma,
religião, opinião pública, índole econômica ou qualquer outra
situação discriminatória, estabelecendo, assim, uma carta de
direitos humanos essencial para a defesa dos direitos do homem.
Além das normas clássicas positivando os direitos
fundamentais do homem pela Declaração Universal, no mundo
jurídico atual surgiu novos direitos fundamentais, como o direito à
própria imagem, o direito à intimidade pessoal e o direito à
informação.
O Estado evolucionista social-democrático também teve
seu apelo positivado como direitos fundamentais do homem, como o
direito ao trabalho, à família, à educação e à cultura, além de exigir
uma ação governamental no sentido de obsequiar um programa
mínimo de assistência social.
Além dos direitos apresentados, também tivemos
agregados a tais direitos fundamentais, as garantias fundamentais,
como ferramentas para manejar a possibilidade daqueles direitos
fundamentais, como o habeas corpus, na garantia do direito de ir e
vir, e o habeas data, no sentido de possibilitar o direito à informação
pessoal.
Enfim, os direitos fundamentais do homem foram se
consubstanciando no direito universal, garantindo avanços no
mínimo existencial da pessoa humana. Contudo, muito ainda tem
que ser feito para que tais direitos sejam de fato universais.
SISTEMAS ELEITORAIS
Antes de falarmos diretamente sobre os principais
sistemas eleitorais, devemos analisar alguns tópicos atinentes ao
direito eleitoral, começando pelo conceito de sufrágio universal.
Sufrágio Universal
O sufrágio universal é o meio pelo qual a vontade do
povo é manifestada para a formação do governo. Esse processo
consiste em escolher pessoas que exercerão a representatividade
política da nação. Assim, sufrágio universal nos demonstra a ideia
de uma participação ativa dos cidadãos, dentro de um corpo
eleitoral, que possibilita ao cidadão eleito falar por todos.
Contudo, no Estado moderno o sufrágio universal não é
absoluto, pois há restrições legais de capacidade eleitoral, no que
tange a requisitos mínimos de instrução, idoneidade e
independência para o exercício pleno da cidadania. No Brasil, por
exemplo, não podem participar do pleito eleitoral os estrangeiros
não naturalizados, os menores de 16 anos e os conscritos
prestando serviço militar obrigatório.
Voto do Analfabeto
A questão relativa à restrição ao voto do analfabeto
remete a questões polêmicas, pois se um Estado se negligenciar na
obrigação de prestar uma formação escolar mínima e adequada,
como restringir o acesso daqueles que sequer teve oportunidade de
estudar? Assim, como dizer que os cidadãos eleitos estariam de fato
representando esta classe social?
Entretanto, no Brasil, o voto dos analfabetos somente foi
admitido no Brasil império, quando o voto não era secreto e era
manifestado publicamente.
Sufrágio restrito e censo alto
Para o exercício do voto, o cidadão deve alcançar a
capacidade plena legal, pois as restrições legais abarcam os
requisitos necessários para exercício deste direito político.
As restrições ao voto podem sofrer afetações tanto no
caráter social, econômico quanto religioso, a depender do sistema
eleitoral de cada país.
O sufrágio universal restrito significa a exigência ao
indivíduo de preencher requisitos desproporcionais aos meios
sociais e econômicos que passa o país. Por isso, muitas das vezes
tal restrição pode decorrer da aferição do grau de instrução se
secundário ou superior. Este caso a doutrina tem chamado de
Censo Alto ou Sufrágio de qualidade. O objetivo desta segregação
por grau de instrução seria proteger a democracia representativa em
países que possuam nível geral de cultura muito baixo.
Sufrágio igualitário e voto de qualidade
Dentro do direito eleitoral temos dois princípios
importantes, como o princípio da universalidade e o princípio da
igualdade dos sufrágios.
O princípio da igualdade dos sufrágios é decorrente do
princípio da universalidade, pois podemos deduzir que o sufrágio
universal enseja em um sufrágio igualitário.
O sufrágio igualitário é aquele em que as democracias
aplicam o mesmo valor unitário do voto, independentemente de
quem votou.
Por outro lado, como vimos, há o voto de qualidade que
consiste em um método no qual a qualidade do voto possui um valor
múltiplo, ou seja, o voto teria um valor a depender da posição social
do votante, sendo incompatível com o princípio da igualdade dos
sufrágios.
Sufrágio feminino
O voto feminino é uma conquista de anos de luta pela
igualdade das mulheres. O direito ao voto das mulheres decorre do
princípio da igualdade jurídica dos sexos.
A luta pela igualdade de direitos ao voto feminino só se
concretizou na Constituição Federal de 1934.
Voto público e voto secreto
No início dos sistemas democráticos o voto era público,
ou seja, todos os demais cidadãos sabiam em quem o votante
estava escolhendo para representá-lo. Entretanto, este sistema era
intimidador e suscetível de corrupção, pois, a depender do status
econômico-social do eleitor, este poderia sofrer represálias para a
escolha do candidato.
Mas com o passar do tempo e viabilizando uma política
de igualdade e justiça na escolha dos eleitos, surge o sistema do
voto secreto.
O voto secreto busca assegurar uma maior liberdade do
eleitor, fortalecendo assim o regime democrático.
Direito de voto
Os teóricos da origem contratual, em especial a escola
clássica francesa, sempre defenderam que o voto seria um direito
do cidadão, pois tal exercício político seria um ato de soberania
nacional.
Contudo, os contratualistas entendem que o voto seria
uma função social.
Devido a essas controvérsias doutrinárias podemos
deduzir duas conclusões:
a) Voto como direito: sufrágio universal; e
b) Voto como função social: sufrágio restrito e qualitativo.
Para Leon Duguit, o voto deve ser considerado tanto
como um direito individual quanto como uma função social, pois ao
mesmo tempo que o cidadão é o titular do direito, este direito estaria
também investido de uma função pública. Enfim, o direito decorre do
poder de votar e a função social da obrigatoriedade do voto.
Eleição direta e indireta
A eleição direta é aquela em que os eleitores podem
escolher pessoalmente os candidatos. Já a eleição indireta é aquela
em que os cidadãos são os eleitores de primeiro grau, que elegerão
os seus representantes para eleger os governantes, onde aqueles
são chamados de eleitores de segundo grau.
Sistemas eleitorais
Podemos agora analisar os sistemas eleitorais. Vamos
analisar os dois principais deles:
a) Sistema majoritário: onde os candidatos
são independentes de partidos e passam a
ser eleitos se receberem maior quantidade de
votos; e
b) Sistema proporcional: consiste naquele
sistema em que é assegurado para cada
circunscrição eleitoral, para variados partidos,
um determinado número de membros para
preencher as vagas destinadas às
assembleias.
Harold Gosnell[22] define o sistema proporcional como:
“O sistema que visa assegurar um corpo
legislativo que reflita, com uma exatidão mais ou
menos matemática, a força dos partidos no
eleitorado”.SISTEMA REPRESENTATIVO
O ideal que se almeja em uma democracia é que a nação
por meio de seu poder soberano seja a fonte de todo o poder do
Estado, resultando numa espécie de autogoverno, pois seria uma
forma de haver uma administração dos interesses do Estado de
forma direta pela comunidade nacional.
Na democracia pura o governo é direto e, por isso, é
realizado diretamente pelo próprio povo, por meio de assembleias
públicas e com a participação de todos. Óbvio que esse tipo de
democracia remonta às antigas democracias gregas, não mais
sendo praticável no mundo moderno.
Assim, surge um novo modelo democrático pautado
numa democracia indireta, onde temos uma democracia
representativa regida por um sistema denominado sistema
representativo de governo.
Representação Política
O mandato político é identificado sob três elementos:
a) Mandante: que é aquele ator que elege pessoas para o
exercício do poder de governo. Temos aqui que o
mandante é o povo nacional, por meio da soberania
popular, por seus representantes eleitos;
b) Mandatário: é aquele que possui direitos e obrigações
fixados nas leis de ordem constitucional, dentro de um
controle positivado pela vontade nacional; e
c) Mandato: aqui temos o chamado mandato político, que
significa o meio legal em que uma pessoa eleita exerce em
nome de seus eleitores os direitos e obrigações inerentes
ao respectivo cargo político a que foi empossado, conforme
as regras normativas vigentes no mandato.
Teorias sobre a representatividade política
A doutrina analisa a representatividade política sob
diversas concepções. Veremos agora as três principais concepções
doutrinárias:
a) Teoria do Mandato Imperativo: esta teoria surge do
liberalismo clássico e que está intimamente ligada ao
conceito de direito civil sobre o mandato. Entende-se por
esta teoria que o mandato político é o instituto que
possibilita a representabilidade do povo em sua totalidade,
ou seja, o mandatário tem em si a delegação da soberania
nacional, ensejando na liberdade total em decidir sobre os
interesses da nação. Assim, por exemplo, um Deputado
teria ampla autonomia de ação, em contradição com o
princípio de que a soberania é inalienável, intransferível;
b) Teoria da Investidura: esta teoria também é oriunda do
liberalismo clássico que consiste na ideia de que a
representação política não implicaria em transmissão
substancial do poder soberano. Nos dizeres de Hauriou[23]:
“Delegar alguém é enviá-lo, é conferir-lhe um
poder, enquanto investir alguém é dizer-lhe:
exercereis o vosso poder próprio, por uma
capacidade que vos compete, mas o fareis em
meu nome e no meu interesse...”.
Enfim, por esta teoria vemos que o poder está na função
exercida pelo mandatário, ou seja, no cargo que ele está investido.
Vemos neste caso, que a soberania ficaria restrita à função estatal e
a pessoa investida do cargo a simples instrumentalidade para se
alcançar os fins almejado pelo mandato político.
c) Teoria dos Órgãos de Representação: esta teoria é
defendida pela escola alemã, que defende que o Estado é
uma unidade corporativa e que a sua atividade é realizada
por órgãos imbuídos das atribuições políticas. Assim, a
vontade dos órgãos é a própria vontade do Estado,
conforme assevera Jellinek: “Os corpos representativos são
órgãos da vontade do povo”. Contudo, a doutrina tem
remetido que a teoria dos órgãos se relaciona com a teoria
totalitária da soberania do Estado.
Divisão do sistema representativo quanto à sua
natureza
O sistema representativo quanto à natureza é dividido
sob duas concepções, quanto à organização do Legislativo e quanto
à composição do Executivo.
a) Quanto à organização do Legislativo:
- Sistema representativo individualista: é aquele sistema de
natureza tradicional, onde os representantes políticos são a
própria comunidade de cidadãos. O conjunto de indivíduos
integra o corpo eleitoral independentemente de classe ou
profissão;
- Sistema representativo corporativista: aqui temos uma
forma intermediária entre o sistema individualista e o sistema
totalitário, pois verificamos que o Estado não é composto de
indivíduos isoladamente, nem de uma totalidade absoluta, mas
sim, em grupos políticos, econômicos, culturais e espirituais. No
sistema corporativista, os representantes sãos eleitos por
associações de classes, sindicatos ou corporações,
consagrando assim a teoria do institucionalismo, focada no
âmbito das questões de caráter social;
- Sistema representativo totalitarista: esse sistema pressupõe
que o Estado é composto pelo total absoluto de indivíduos numa
nação, como uma unidade política de representatividade. Alguns
autores entendem que a teoria totalitária se confunde com a
teoria corporativa, pois por se tratar de grupalismo e totalismo
em posições contrárias ao individualismo, passam a se
caracterizar como sistemas antidemocráticos.
b) Quanto à composição do Executivo:
Veremos neste tópico a divisão formal do sistema
representativo:
- Sistema representativo diretorial: esse é o sistema em que
todo o poder estatal está concentrado no parlamento, ou seja,
a função executiva do Estado é exercida por uma junta
governamental que é delegada pelo Parlamento. Portanto, o
sistema diretorial é de subordinação do executivo diretamente
ao legislativo;
- Sistema representativo presidencial: é o sistema em que a
função executiva fica vinculada ao poder executivo; e
- Sistema representativo parlamentar: é aquele sistema em
que os poderes de governo ficam nas mãos de um
representante eleito pelo parlamento, enquanto o Presidente
exerce a representação diplomática do Estado junto à
comunidade internacional.
SISTEMA PRESIDENCIALISTA
Dando continuidade ao estudo sobre o Sistema
Representativo, veremos agora com mais detalhe um dos sistemas
representativos quanto à composição do Executivo, o sistema
presidencialista.
O sistema presidencialista surge com os americanos,
durante a Convenção da Filadélfia, sendo positivado na constituição
federal americana. Este novo sistema possibilitou uma solução
prática para os problemas decorrentes dos conflitos políticos das
treze colônias americanas durante sua formação na Confederação
dos Estados Unidos da América do Norte, centralizando o poder
político quando da sua conversão em uma federação.
A doutrina vem criticando este sistema político no sentido
de considerar que o presidencialismo nada mais seria do que um
novo formato para uma monarquia “republicana”, ou seja, no lugar
dos princípios monárquicos da vitaliciedade e hereditariedade, surge
os princípios da temporariedade e eletividade.
De acordo com Summer Maine, acompanhada por João
Barbalho, o presidencialismo americano trouxe uma figura de
presidência da república nos mesmos moldes da monarquia
onipotente do Rei Jorge III da Inglaterra que governava de forma
autoritária.
Para o Professor Machado Paupério[24] ao concordar
com outros doutrinadores, salienta seu ponto de vista quanto ao
Presidencialismo da seguinte forma:
“Dentro das suas prerrogativas, de preeminência
incomparável, é um verdadeiro ditador em
estado latente, a impor sempre ao governo a
sua própria personalidade. (...) Não é por outra
razão que enquanto os Estados parlamentares
têm história de partidos, os presidenciais apenas
apresentam períodos pessoais de governo”.
O que nos traz a doutrina é que o sistema
presidencialista é uma transferência do poder soberano para o
governo, ensejando no exercício de uma democracia originária, mas
não evidenciada de fato. O que deveria ocorrer seria a mínima
transferência de poder para os representantes políticos, conforme
acrescenta Montesquieu: “Povo soberano deve fazer por si mesmo
tudo o que puder fazer bem; e o que não puder, cumpre que o faça
por intermédio dos magistrados que eleja”.
Assim, o que se espera é que a representação
democrática seja limitada e revogável, possibilitando à nação a
transferência do poder soberano a seus representantes políticos,
mas com a possibilidade de revogar tal transferência no caso de não
se ver cumpridas as obrigaçõesdemocráticas.
Características do Presidencialismo
As características essenciais do presidencialismo podem
ser elencadas da seguinte forma:
- Eletividade do chefe do Poder Executivo;
- Poder Executivo unipessoal;
- Participação efetiva do Poder Executivo na
elaboração da lei;
- Irresponsabilidade política;
- Independência dos três poderes de Estado; e
- Supremacia da lei constitucional rígida.
No sistema presidencialista, o poder executivo exerce
uma função de natureza inerente a sua atuação política. Mas além
desta função executiva, há também exercícios legislativos que lhes
caracterizam, como:
- Direito de iniciativa de qualquer projeto de lei;
- Direito exclusivo de iniciativa de determinados
projetos de lei, de ordens administrativa, econômico-
financeira, militar, entre outros;
- Competência para praticar os atos conclusivos e
integrativos da lei, como promulgação, sanção e
publicação; e
- Direito de veto.
Outra característica importante e muito presente no
presidencialismo é a figura do Ministro de Estado.
Trata-se de uma função executiva auxiliar de suma
importância no presidencialismo, pois os ministros de estado são
agentes administrativos que auxiliam o Presidente da República
cumprir suas atribuições institucionais.
Responsabilidade e “Impeachment”
O Presidente da República responde criminalmente pelos
seus atos funcionais, que se caracterizam por violações dos deveres
constitucionalmente predeterminados e previstos por leis próprias e,
além disso, por crimes da legislação penal comum. Mas para tal
responsabilização tem certas limitações decorrentes de
prerrogativas especiais quanto ao processo e ao julgamento.
Assim surge o instituto do IMPEACHMENT, que é uma
forma processual de acusação e julgamento dentro de um processo
político de responsabilização do presidente da república por seus
atos.
Para o Professor Lauro Nogueira[25], o impeachment é ao
mesmo tempo político e criminal, vejamos:
“É político porque visa especialmente despejar
do poder um mau funcionário; porque não tem
como escopo primordial uma punição; porque
não impõe uma pena propriamente dita; porque
não traz como consequência, na sua
aplicabilidade, a perda da liberdade; e porque é
exercitado por dois corpos políticos. É criminal
porque, afinal, queira-se ou não se queira, aplica
uma pena”.
Vale aqui acrescentar que quanto à duração do mandato
político, a maioria dos países, como o Brasil, possuem o prazo de
quatro anos para o exercício presidencial.
Modalidades do Sistema Presidencialista
De acordo com a doutrina o sistema presidencialista
pode ser visto sob o viés das seguintes modalidades:
a) Presidencialismo puro: que apresenta uma divisão
radical dos poderes, onde não há interação e equilíbrio
entre os poderes políticos instituídos;
b) Presidencialismo atenuado: em que se permite a
presença dos ministros de estado perante as assembleias
legislativas, podendo apresentar as opiniões e providência
do Executivo diante dos parlamentares;
c) Presidencialismo temperado: que admite uma
fiscalização do legislativo junto ao executivo, de forma
mitigada, não impactando numa demissão forçada do chefe
do executivo; e
d) Presidencialismo eclético: onde há a nomeação dos
ministros pelo presidente da república, mas com o aval do
legislativo.
SISTEMA PARLAMENTARISTA
Dando continuidade ao estudo sobre os sistemas
representativos, vamos estudar agora o Sistema Parlamentarista.
Esse sistema teve origem na Inglaterra, em decorrência
da luta da liberdade contra a tirania monárquica, em defesa dos
direitos do homem.
Contudo, o sistema parlamentarista inglês somente se
consolidou na reforma eleitoral de 1832.
No embalo do sistema democrático inglês, a França
também instituiu reformas legislativas, até se adequar ao modelo
britânico.
As características fundamentais do sistema
parlamentarista britânico influenciaram diversos países europeus,
que formataram o sistema conforme suas peculiaridades locais.
O sistema parlamentarista se caracteriza em partidos
políticos organizados, que respondem aos anseios da opinião da
maioria e que há uma constante subordinação dos representantes
políticos à vontade da nação.
O que há neste sistema é uma forma de manifestações
legítimas da opinião pública, onde se pode verificar com mais afinco
a responsabilidade política, cujo processo é chamado de governo de
opinião.
Uma outra característica deste sistema é o chamado
governo das capacidades, onde há uma seleção natural entre
homens de saber e de altas virtudes. Neste caso, não há
demagogos e medíocres atuando na política, pois não se sustenta
que homens não tenham um mínimo de cultura e de eloquência.
Mecanismos do Sistema Parlamentarista
No sistema parlamentarista há certos pontos essenciais a
se considerar:
- Organização dualística do Poder Executivo;
- Colegialidade do órgão governamental;
- Responsabilidade política do Ministério perante o
Parlamento;
- Responsabilidade política do Parlamento perante o
Corpo Eleitoral; e
- Interdependência dos Poderes Legislativo e Executivo.
Em um sistema parlamentarista estão presentes os três
poderes clássicos: Legislativo, executivo e judiciário. Entretanto, há
neste sistema um quarto poder, chamado de Poder Moderador, que
é exercido pelo Presidente da República ou pelo Rei.
Há no poder executivo uma organização dualística, num
lado o exercício de chefe de Estado e outro o de chefe de governo,
o primeiro num viés representativo de Estado e o segundo numa
responsabilidade governamental ou de gestão.
O que se espera é que no Poder executivo propriamente
dito seja dependente da confiança nacional, pois deve manifestar
conforme tal, enquanto o poder moderador atuaria na falta deste
compromisso nacional.
Vemos, assim, que há a figura do Chefe da Nação ou
Chefe de Estado, na figura do Presidente da República ou do Rei,
que não deve se confundir com o Chefe de Governo, que neste
caso ficaria na responsabilidade do Primeiro-Ministro.
Por fim, podemos aduzir que o parlamentarismo possui
uma composição bicameral ou congresso, que é característica de
Estados compostos, em especial os Estados federativos. Assim,
independentemente do Estado, os Estados possuem seu poder
legislativo dividido em duas câmaras, onde há por um lado a
representação da soberania nacional e de outro das unidades que
integram a união federativa. Entretanto, o sistema parlamentarista
tende para uma formação unicameral do legislativo, mas nada obsta
uma formação em duas câmaras.
DEMOCRACIA
Contexto histórico resumido
A democracia remonta a tempos antigos, desde as
repúblicas gregas e romanas, onde se destacava o Estado
ateniense como local das primeiras manifestações democráticas.
Naquelas antigas repúblicas, a democracia era idealizada
e praticada sob a forma direta, ou seja, o próprio povo exercia a
política de forma direta, em assembleias gerais que eram realizadas
nas praças públicas. Neste primeiro momento o exercício da
democracia era restrito somente a pequenos grupos da comunidade
urbana.
No mundo moderno, a democracia passou a se
manifestar de forma indireta, ou seja, uma democracia
representativa. Contudo, preservou-se aqui o princípio da soberania
popular, mas com a transferência do exercício político aos
representantes ou mandatários da nação. Assim, a democracia e a
representação política passaram a ser ideias equivalentes.
Conceito de Democracia
Para Aristóteles, havia três formas de governo:
- Monarquia: governo de uma só pessoa;
- Aristocracia: governo da minoria; e
- Democracia: governo da maioria.
O que se tem entendido é que a democracia moderna é
um governo exercido por um corpo eleitoral formado por cidadãos,
que transferem os seus direitos políticos a seus representantes, com
o objetivo do bem comum.
A doutrinaapresenta que o conceito de democracia de
Aristóteles como forma de governo não mais convém, pois o que se
vê no mundo moderno é a existência de duas formas de governo, a
monarquia e a república, ficando, assim, a democracia com um
conceito extrínseco ou formal de modalidade da forma republicana;
e democracia num conceito intrínseco, como condição comum de
qualquer governo, tanto monárquico como republicano.
Democracia em sentido formal e substancial
Em sentido formal ou estrito, podemos conceituar a
democracia como um sistema de organização política onde os
interesses coletivos são direcionados nos anseios da maioria do
povo, de acordo com as convenções e as normas jurídicas que
deem garantias de participação efetiva de todos os cidadãos na
formação do governo. Aqui temos a proclamação clássica de que
“todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”.
Assim, considerando que há um sistema de governo
temporário e eletivo, a democracia em sentido substancial é um
sistema ou ordem constitucional que se baseia no reconhecimento
ou na garantia dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Somando-se os dois conceitos, formal e substancial,
temos que a democracia é um sistema de organização política que
deve seguir os seguintes parâmetros:
- Todo poder deve emanar do povo e deve ser exercido em
seu nome e interesse;
- As funções de mando devem ser temporárias e eletivas;
- A ordem pública deve ser alicerçada em uma constituição
escrita, que consubstancie a tripartição dos poderes
políticos;
- Deve haver um sistema que possibilite a pluralidade de
partidos políticos;
- Deve assegurar os direitos fundamentais do homem nos
dispositivos constitucionais;
- Deve garantir a primazia da igualdade, conciliando as
desigualdades humanas;
- Assegurar a supremacia da lei como manifestação
incontestável da soberania popular; e
- Fazer com que os atos dos governantes sejam sujeitos
aos princípios da responsabilidade e do consenso para que
sejam considerados validados.
FINALIDADE DO ESTADO
Como vimos, o Estado é formado sob um viés ora político
ora autoritário, mas não se pode negar que tal instituição não tenha
um caráter finalístico, pois o Estado é uma organização sociojurídica
que tem como principais finalidades a concretização da paz, da
segurança e da prosperidade de seus nacionais.
Entretanto, a doutrina vem negando essa natureza
finalística porque, sob um ponto de vista democrático, o Estado
seria um fim em si mesmo. Ou seja, o que se quer dizer é que a
finalidade dita pertencente ao Estado, na verdade é uma finalidade
da nação. Assim, o Estado não seria a finalidade, mas sim o meio
pelo qual uma determinada nação se utiliza para se alcançar os fins
almejados.
Teorias Individualistas e Totalistas
Diante daqueles conceitos doutrinários, surgem duas
posições ideológicas: de um lado uma concepção ideológica de que
o Estado é apenas um meio, ou seja, o Estado existe para servir o
homem; e de outro lado a ideia de que o Estado é um fim em si
mesmo, onde o homem existe para servir ao Estado.
Destarte, temos duas escolas doutrinárias:
a) Escola individualista ou liberalista: que entende que o
Estado seria “um mal necessário”, para que seja possível a
conservação do bem-estar dos indivíduos; e
b) Escola Totalitária ou panestatais: que seria a
concretização do absoluto, ou seja, o Estado tem um fim
em si mesmo e utiliza os indivíduos como meio de atingir
sua finalidade. Nesta concepção há a negação da distinção
entre Nação e Estado.
Teoria dos Fins Intermediários
Em uma posição intermediária entre as duas teorias
anteriores, surge a teoria dos fins intermediários do Estado, que no
entendimento do Prof. Ataliba Nogueira[26], temos:
“O fim do Estado é a prosperidade pública ou o
complexo das condições requeridas para que,
na medida do possível, todos os membros
orgânicos da sociedade possam conseguir por si
a omnímoda felicidade temporal, subordinada ao
fim último. Entre as condições, todavia, ocupa
primeiro lugar o gozo da ordem jurídica, tal qual
postula a estrutura da sociedade natural; lugar
secundário, a abundância suficiente dos bens da
alma e do corpo, os quais são necessários para
realizar a dita felicidade, coisas estas que se
não podem atingir suficientemente com a
atividade privada”.
Assim, de acordo com esta corrente doutrinária, o Estado
tem como finalidade a prosperidade pública, que seria dar condições
a todos os homens individualmente ou em grupos sociais, a
possibilidade de agir livremente e pela própria atividade na busca de
sua felicidade.
Enfim, o Estado não seria o fim do homem, pois a missão
estatal é o apoio ao homem para conseguir atingir o seu fim.
UNIDADE SOCIAL E A PESSOA
HUMANA
Vimos anteriormente vários assuntos que tratavam da
relação entre o Estado e o indivíduo. Verificamos que havia uma
dicotomia entre o indivíduo e o Estado, como a liberdade e
autoridade, de forma que tais característica se relacionam de forma
interdependente.
O que se almeja da ciência do Estado é determinar a
posição do homem em relação ao Estado, onde ao mesmo havia
limites para liberdade individual e para a autoridade estatal. Por um
lado, o excesso de liberdade ensejaria numa anarquia e, por outro
lado, o excesso de autoridade levaria a um absolutismo do poder.
Para melhor compreensão da relação indivíduo e Estado,
devemos analisar o homem sob dois aspectos:
- Indivíduo (unidade social): que seria uma partícula do
organismo social; e
- Pessoa (pessoa humana): que é a realidade espiritual.
Logo, por essa análise podemos ver que o indivíduo é
um membro do corpo social, que possui deveres e obrigações
perante o Estado, sendo retribuído com um meio ambiente
adequado e com garantias que possibilitam seu desenvolvimento
pessoal, em busca da paz e da felicidade.
Já como pessoa humana, temos que o indivíduo é
dotado de direitos naturais, que seriam de origem divina, não
estatal, cujo Estado não possui o poder de outorgá-los ou de
suprimi-los.
Teorias Extremadas e Intermediária
A doutrina tem nos apresentado dois grandes grupos
teóricos, um primeiro como uma teoria extremada, constituindo o
individualismo e o coletivismo; e de outro, uma teoria intermediária,
constituindo o ideal liberal-social.
Na concepção individualista, sugere-se que as unidades
sociais sejam como o fim do todo, enquanto para a concepção
coletivista, deve se levar em conta que o todo é a razão de ser das
unidades. Assim, temos as seguintes assertivas sobre essa
dualidade doutrinária:
- Há uma subordinação da coletividade ao indivíduo:
neste caso o indivíduo deve realizar o seu bem utilitário;
- Há uma subordinação do indivíduo à coletividade:
pois, neste caso, uma parte ordena o todo; e
- Deve haver subordinação do coletivo e do Indivíduo:
pois assim haverá a realização do homem perfeito, pois
ficará clara a natureza humana e o seu somatório com a
sociedade.
ELEMENTOS TEÓRICOS DA CIÊNCIA
POLÍTICA
Iremos abordar agora os conceitos sobre o individualismo
e o coletivismo, sobre o grupalismo, adentrando no conceito de
anarquismo, em especial sua relação com o anarquismo político e o
socialismo revolucionário.
Individualismo e Coletivismo
O individualismo se caracteriza pela ideia de supremacia
do indivíduo em relação à sociedade e ao Estado.
Já o coletivismo, também chamado socialismo, totalismo
ou totalitarismo, é a ideologia política em que o sujeito de direito
público é a coletividade, havendo aqui um integralismo, ou seja,
uma integridade do grupo nacional.
Entre uma concepção e outra, temos o grupalismo, que
significa que a sociedade não é um todo de indivíduos, nem de
indivíduos isoladamente, pois há nesta concepção a ideia de grupos
sociais que integram o Estado, como as famílias, os sindicatos, as
corporações, as associações religiosas etc.
No campo filosófico, há também duas concepções
extremas, como:
- O espiritualismo: que é a afirmação da existência da
alma e de sua preeminênciasobre o corpo ou a matéria; e
- O materialismo: que é a negação da existência da alma
e de Deus, sendo este conceito aplicado à ciência política,
pelo seu viés filosófico de submeter o indivíduo
inteiramente ao Estado.
Anarquismo
Na linha do individualismo extremado temos o que é
chamado de anarquismo.
Para essa corrente filosófica, a única realidade seria o
indivíduo, pois todas as entidades que buscam limitar o indivíduo,
como o Estado, a igreja, a família, não tem razão de ser, porque a
sociedade seria um mero instrumento dos indivíduos para a busca
da própria satisfação pessoal. Assim, a partir do momento que o
indivíduo não obtivesse mais vantagem da sociedade, ele a
abandonaria.
O que prega os anarquistas é o indivíduo como única
realidade, atendo-se a mera conveniência fática, não à sociedade,
ou seja, é dependente do equilíbrio egoístico. Desta forma, as
alianças sociais seriam meramente utilitárias, efêmeras, onde
prevalece a liberdade absoluta do ser.
Desta concepção filosófica surgiu o anarquismo político,
que é a ideia de um fato social como realidade e sobre essa
realidade exerceria a sua ação.
O anarquismo político se identificou com o socialismo
revolucionário comunista, que considerava o Estado como um mal
necessário, para que pudesse alcançar o estágio anárquico ideal.
SOCIALISMO UTÓPICO OU
COMUNISMO
Com a publicação da obra de Tomas More, um filósofo
inglês do século XV, De optimo reipublicae statu, deque nova insula
Utopia, surge a escola doutrinária voltada à filosofia socialista. Esta
obra foi publicada no ano de 1518, por Erasmo, amigo de More, cujo
nome da obra foi chamado simplesmente como Utopia.
Esta obra traz uma crítica à organização política e social
da Inglaterra, entre outros Estados europeus, no que tange à tirania
monárquica e aos privilégios e abusos da aristocracia presente
naquele momento. Nesse viés filosófico, o direito de propriedade era
visto como a origem de todos os males da sociedade e, então, a
propriedade deveria ser uma concessão do Estado, correspondendo
a um Estado socialista democrático, com reformas substanciais na
política e na economia da Inglaterra.
No século XIX, em decorrência de diversas obras
literárias sobre o tema, as palavras “socialismo” e “comunismo”
passaram a ser confundidos no que diz respeito a sua significação.
Neste momento, o socialismo passava a ideia de uma ordem
comunista superior, que passou a ser denominado de socialismo
utópico ao se iniciar a doutrina do socialismo científico.
O Socialismo Científico de Karl Marx
O socialismo científico também é chamado de marxismo,
em decorrência da sua influência doutrinária sobre o assunto.
Marx se junto à Frederic Engels, outro utopista da época,
que elaboraram a obra “Manifesto Comunista” de 1848, resumindo,
assim, os pensamentos doutrinários idealizados por Karl Marx.
Logo após a publicação dessa obra, Marx começa a
escrever uma nova obra chamada “O Capital”, mas que somente foi
concluída por Engels, após o falecimento de Marx em 1883.
Marx não considerava o sistema coletivista como um
socialismo de Estado, mas sim, um socialismo científico, no qual os
fatos e fenômenos sociais, com análise de suas causas e
desenvolvimento, chegava-se à possibilidade de prevê uma
revolução e uma ditadura proletária. A partir deste ponto, Marx não
mais apresenta uma solução política. Diante do desenrolar das
doutrinas do socialismo político e estatal que iam se formando, o
próprio Karl Marx começou a renunciar a sua própria doutrina
marxista.
A evolução do socialismo após Marx
Após o socialismo científico de Marx, surgiram várias
doutrinas, como o socialismo de Estado, também chamado de
socialismo integral; o socialismo radical; o socialismo corporativista,
também chamado de socialismo sindicalista; o socialismo agrário; o
socialismo cristão ou católico, o socialismo democrático; entre
outros.
Dentre esta espécies de socialismo, se destaca o
socialismo de Estado, no qual o Estado perde as características
próprias e se transforma em um Estado opressor, em busca de
atender os ideais de uma ditadura classista. Para essa doutrina, o
Estado absorveria todas as atividades, impedindo inclusive
manifestações naturais de religiosidade, em razão de considerar
manifestações espiritualistas contrárias a filosofia básica do Estado.
Neste sistema, o Estado é regido de forma ditatorial,
rechaçando qualquer resistência, em especial naquele momento as
forças capitalistas particulares e a burguesia.
Em um segundo momento, o Estado deixou de ser um
governo de pessoas e passou a adotar um sistema de
administração do patrimônio em comum. Enfim, o socialismo de
Estado “seria o meio pelo qual se atingiria o fim ideal, que é o
comunismo, sonho e miragem dos utopistas”. (Sahid Maluf)
Surge neste momento, a teoria da extinção gradativa do
Estado, no sentido de que a administração social chegaria a um
ponto tal que não seria necessária a existência de um Estado, onde
se defendia que haveria uma igualdade absoluta, com um princípio
da livre associação ou do livre contrato, do qual os contraentes
poderiam revogar a qualquer momento o contrato com o Estado,
preconizando assim a apropriação dos capitais pela coletividade e a
exploração destes por parte de associações livres e independentes
do Estado.
Logo, em decorrência desta linha de pensamento,
surgiram duas correntes, uma comunista e outra do socialismo
integral. A primeira sob um cunho anárquico e a segunda sob a
fórmula russa de intervenção do Estado na propriedade particular.
A FAMÍLIA E A IGREJA
Para compreendermos melhor sobre a dicotomia entre o
Estado e a Igreja, vamos começar analisando dois importantes
princípios aplicados à sociedade: Princípio da Unidade e Princípio
da Pluralidade.
De acordo com a Teoria Geral do Estado temos três
objetos de estudos: o governo, a sociedade e o Estado. Nesta tríade
temos uma divisão teórica que corresponde à política, à sociologia e
ao jurídico.
De acordo com a doutrina, a sociedade “é a união moral
de muitos em busca do bem comum”[27]. Para explicar esta
definição surgem duas teorias doutrinárias, a teoria da unidade e a
teoria da pluralidade.
Pelo Princípio da Unidade Social temos que a sociedade
é um corpo orgânico, único e indivisível, subordinando-se a
elementos que formam uma ordem comum, que tem como objetivo
a busca do bem comum para a realização dos fins humanos.
Já pelo Princípio da Pluralidade Social, que também é
chamada de Variedade Social, há a classificação das sociedades
em perfeitas e imperfeitas (completas ou incompletas,
respectivamente). No primeiro caso, são perfeitas no sentido de
haver uma complementação recíproca sem qualquer dependência
ou subordinação. No segundo caso, são imperfeitas porque há
grupos integrantes de uma sociedade maior, que possuem uma
associação pautada no direito natural, em que há uma divisão do
todo coletivo.
Para a doutrina, há dois tipos de sociedades perfeitas: a
sociedade civil e a sociedade religiosa.
A sociedade civil é caracterizada por sua natureza
temporal onde verificamos a união de vários grupos particulares, ou
seja, união de sociedades imperfeitas, cujo grupo natural mais
importante é o de ordem biológica, a família, que se destaca por se
caracterizar como grupos pedagógicos, econômicos e políticos.
Numa concepção aristotélica-tomista, a sociedade civil é
uma concepção grupalista de democracia cristã e orgânica,
representando no campo político uma posição intermediária entre a
concepção totalitária de Platão, que não reconhece qualquer
subdivisão, e a concepção individualista, que somente considera os
indivíduos como unidades do corpo social.
Para a Teoria da Pluralidade Social, além da sociedade
civil, pode haver outros grupos sociais considerados sociedades
perfeitas, pois para esta escola doutrinária, na sociedade humana
há duas ordens sociais, uma sociedade temporal e outra intemporal.
O que se quer dizer é que o homem na verdade é composto de
matéria e espírito, havendo assim um outro lado do direito natural,
inclinadoao lado espiritual, a sociedade religiosa.
As duas sociedades, civil e religiosa, preenchem o
mesmo espaço para a realização de uma dupla finalidade na vida
terrena: de um lado os ideais comuns de felicidade do homem no
mundo físico; e de outro lado, uma subordinação às leis da natureza
e à soberania de Deus, onde o homem acredita que o espírito é
eterno e sobreviverá ao corpo, buscando-se assim uma vida
transcendental.
Enfim, enquanto a sociedade civil se corporifica no
Estado, a organização religiosa se corporifica na Igreja.
Então, para compreendermos a harmonia entre estes
grupos sociais, vamos analisar a interação entre o Estado e a Igreja.
O Estado e a Igreja
No decorrer da história, os poderes, civil e espiritual,
buscaram se sobrepor um ao outro, chegando ao ponto de
unificação destas duas autoridades, surgindo assim uma constante
luta entre estas entidades, que podemos resumir em quatro
momentos históricos:
- Indiferença entre o Estado e a Igreja;
- Preeminência da Igreja sobre o Estado;
- Preeminência do Estado sobre a Igreja; e
- Equilíbrio entre ambos os poderes.
Algumas soluções foram apresentadas para tentar sanar
os problemas de relação entre a Igreja e o Estado. Dentre as
soluções temos as seguintes:
a) Controle do poder civil pela Igreja: que se daria por
meio de uma teocracia;
b) Absorção ou eliminação da Igreja pelo Estado:
aplicando-se aqui uma religião oficial para o Estado como
solução;
c) Indiferença do Estado em relação à Igreja:
caracterização de um Estado agnóstico, podendo o Estado
ser ou não tolerante com a Igreja; e
d) Equilíbrio e harmonia entre os dois poderes:
possibilitando o convívio harmônico, mas de forma
separada, deixando os assuntos políticos positivados pelo
Estado sem qualquer subordinação com as regras
estabelecidas pela Igreja, e vice-versa.
O ESTADO BRASILEIRO
Em conclusão a esta obra sobre Teoria Geral do Estado,
iremos analisar o Estado Brasileiro sob o aspecto de seu território,
população, formação federativa, até chegarmos aos mandamentos
constitucionais promulgados em 1988.
Antes de adentrarmos nesta análise devemos
contextualizar o Brasil na sua formação histórica.
No final do Século XVII, o território do Brasil compreendia
a faixa litorânea que era limitada ao Meridiano de Tordesilhas. Nesta
linha territorial, Portugal passou a colonizar, se expandindo para
território adentro, alargando assim sua área de influência política.
Em razão disso, com a assinatura dos Tratados de Madrid, em
1750, e o Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, o limite definido
pelo meridiano de Tordesilhas foi desconsiderado, admitindo-se
assim a expansão territorial do Brasil.
Território Brasileiro
De acordo com a doutrina majoritária, o Brasil é um
Estado de formação originária, pois suas terras não foram resultado
de conquistas, anexação ou divisão de território, mas sim dos
próprios nativos que entraram no caldeamento do tipo étnico
nacional, ou seja, trata-se de um Estado de desenvolvimento
natural, isto é, um Estado histórico-geográfico.
População Brasileira
Com a colonização de Portugal, há o início da formação
populacional brasileira. Naquele primeiro momento três raças
contribuíram para a formação da população: europeus, africanos e
americanos.
Com a fusão das três raças, houve a formação de um
tipo nacional, resultando em três troncos étnicos: o mameluco
(branco com índio); o mestiço ou mulato (branco com negro); e o
cafuso (índio com negro). Em razão da existência dessa
miscigenação étnica é que se pode concluir por uma raça brasileira
homogênea.
Contudo, atualmente não há mais como se falar de raça,
cor etc, pois a população brasileira é composta de um emaranhado
étnico que dificulta sua classificação por biotipos ou raça, devendo
ser visto assim como uma etnia humana homogênea.
Forma federativa de Estado
Nos primórdios da formação do Estado Brasileiro, houve
um conjunto de regiões autônomas, trazendo de Portugal a ideia de
municipalidades, que tinha certa semelhança com o sistema feudal
germânico.
Num primeiro momento, no Brasil colônia, houve a
divisão política entre dois governos gerais, Bahia e Rio de Janeiro,
que não davam conta da imensidão territorial.
Mais tarde, houve movimentos políticos para uma maior
descentralização do poder, ensejando na criação do regime
provincial. Este movimento contrário ao Centralismo, resultou na
abdicação de D.Pedro I, que ensejou na promulgação do Ato
Adicional em 1834, criando a autonomia das Províncias.
Assim, como vimos anteriormente, a formação da
federação foi de fora para dentro.
O Brasil ainda ficou sob um regime monárquico por 67
anos, até se tornar em República.
Forma de Governo
Com a Proclamação da República em 1889, o Brasil
inicia uma nova forma de governo, reunindo laços de federação com
as antigas Províncias, constituindo assim os Estados Unidos do
Brasil.
Com a instituição da República foi promulgada uma nova
Constituição em 1891, que ensejou na primeira eleição para
Presidente e Vice-Presidente da República, por meio do sistema
indireto pelo Congresso constituinte, os marechais, Deodoro e
Floriano.
Durante vários anos, entre promulgações e golpes
políticos, chegamos à promulgação da Constituição de 1988,
também chamada de constituição cidadã.
REFERÊNCIAS
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Horizonte: Fórum, 2018.
BRAZ, Jacqueline Mayer da Costa Ude. Teoria geral do direito
constitucional. Londrina: Educacional, 2016.
COUTO E SILVA, Almiro do. Conceitos fundamentais do direito no
estado constitucional. São Paulo: Malheiros, 2015.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado. 33
ed. São Paulo: Saraiva, 2016.
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 22 ed. São
Paulo: Saraiva, 2018.
MALUF, Sahid. Teoria geral do Estado. 34 ed. São Paulo: Saraiva,
2018.
SARMENTO, Daniel. Dignidade da pessoa humana: conteúdo,
trajetórias e metodologia. Belo Horizonte: Fórum, 2016.
SILVA, José Afonso. Curso de direito constitucional Positivo. 25 ed.
São Paulo: Malheiros, 2005.
STRECK, Lenio Luiz; MORAIS, Jose Luis Bolzan. Ciência política e
teoria do estado. 8 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. 15 ed. São
Paulo: Saraiva, 2017.
[1] apud Maluf, 2018
[2] apud Maluf, 2018
[3] apud Maluf, 2018
[4] Streck e Morais, 2014
[5] Streck e Morais, 2014
[6] apud Maluf, 2018
[7] apud Maluf, 2018
[8]Maluf, 2018
[9]Maluf, 2018
[10] apud Maluf, 2018
[11] Maluf, 2018
[12] apud Maluf, 2018
[13] apud Maluf, 2018
[14] apud Maluf, 2018
[15] apud Maluf, 2018
[16] apud Maluf,2018
[17] apud Maluf, 2018
[18] Queiroz Lima apud Maluf, 2018
[19] Queiroz Lima apud Maluf, 2018
[20] Pinto Ferreira apud Maluf, 2018
[21] João Barbalho apud Maluf, 2018
[22] apud Maluf, 2018
[23] apud Maluf, 2018
[24] apud Maluf, 2018
[25] apud Maluf, 2018
[26] apud Maluf, 2018
[27] Maluf, 2018
	INTRODUÇÃO
	ESTADO E DIREITO
	Teoria Monista
	Teoria Dualística
	Teoria do Paralelismo
	TEORIA DA TRIDIMENSIONALIDADE DO ESTADO E DO DIREITO
	TEORIA GERAL DO ESTADO
	Conceito
	Aspectos da Teoria Geral do Estado
	Fontes de estudo da Teoria geral do Estado
	NAÇÃO E ESTADO
	Conceito de Nação
	Conceito de Estado
	ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO
	População
	Território
	Governo
	CONCEITO DE SOBERANIA
	Teoria da Soberania Absoluta do Rei
	Teoria da Soberania Popular
	Teoria da Soberania Nacional
	Teoria da Soberania do Estado
	Teorias Alemã e Austríaca
	Teoria Negativista da Soberania
	Teoria Realista ou Institucionalista
	Limitações da Soberania
	Nascimento dos Estados
	Extinção dos Estados
	Princípio das Nacionalidades:
	Teoria das Fronteiras Naturais:
	Teoria do Equilíbrio Internacional:
	Teoria do Livre-Arbítrio dos Povos:
	Teorias da Origem Familiar
	Teoria da Origem Patrimonial
	Teoria da Força
	Teoria do Direito Divino Sobrenatural
	Teoria do Direito Divino Providencial
	Hugo Grotius
	Emmanuel Kant
	Thomas Hobbes:
	John Locke:
	Panteísmo
	Neopanteísmo
	Teoria da Supremaciainfluências éticas,
psíquicas, ensejam na criação do Direito. Em suma, o Direito é um
fato social em contínua transformação, ficando para o Estado
unicamente a função de positivar o Direito, devendo transcrever em
normas os princípios gerados por aquela consciência social.
Teoria do Paralelismo
Para essa corrente jurídica, o Estado e o Direito são
realidades distintas, mas interdependentes.
Esta linha de pensamento adotou a concepção racional
da graduação da positividade jurídica, defendida por Giorgio Del
Vecchio.
Esta tese jurídica reconhece a existência do direito não
estatal, que identifica a determinação jurídica dentro e fora da
influência do Estado, ou seja, obedecendo uma graduação de
positividade. Assim, no que tange a esses centros esparsos do
ordenamento jurídico, temos o Estado como o centro de irradiação
da positividade. Para Del Vecchio, as normas estatais representam
uma razão de conformidade com a vontade social predominante.
Diante desta explanação, podemos ver que a teoria do
paralelismo completa a teoria pluralista, pois estas teorias
contradizem a teoria monista, pois para aquelas correntes o Estado
e o Direito são duas realidades distintas que se completam com
interdependência.
TEORIA DA TRIDIMENSIONALIDADE
DO ESTADO E DO DIREITO
Vimos anteriormente que dentre as correntes doutrinárias
que relacionam o Estado e o Direito, a Teoria do Paralelismo é que é
aceita atualmente, por se tratar do equilíbrio entre os extremos das
teorias monista e dualista.
Com a teoria paralelística há um culturalismo na relação
entre o Direito e o Estado, posicionando a concepção do direito em
consonância com a vontade social predominante, ensejando numa
graduação da positividade jurídica, onde o Estado e o Direito,
apesar de serem realidades distintas, possuem uma relação de
interdependência.
Assim, diante desta concepção de Estado, há o
surgimento de um culturalismo que é ampliado com os
ensinamentos de Miguel Reale.
O eminente mestre explica que culturalismo “integra-se
no historicismo contemporâneo e aplica, no estudo do Estado e do
Direito, os princípios fundamentais da axiologia, ou seja, da teoria
dos valores em função dos graus da evolução social”[1].
Diante desta concepção, Miguel Reale desenvolve a
teoria da tridimensionalidade do Estado e do Direito, que
resumidamente significa que a realidade estatal é uma síntese ou
integração do “ser” e do “dever ser”, cujo fato é integrado na norma
que exige um valor a se realizar.
O que se quer dizer é que o Estado não se limita a um
sistema geral de normas, pois há uma realidade cultural que
constitui uma historicidade que decorre da própria natureza social
humana, que encontra sua integração no ordenamento jurídico.
Assim, o Estado não é apenas uma organização fática do
poder público, sendo considerado uma realização do fim da
convivência social, pois há nas suas realizações a aplicação
harmônica dos três momentos ou fatores: fato, valor e a norma.
a) O fato: é a existência de uma relação
permanente do Poder, discriminando
governantes e governados;
b) O valor: significa um complexo de valores em
virtude do Poder exercido; e
c) A norma: que é o resultado expresso da
mediação do Poder para aplicação dos
valores na convivência social.
Ainda nesta toada, o Estado deve ser visto sob um
tríplice aspecto:
a) Sociológico: quando se estuda a
organização estatal como fato social;
b) Filosófico ou Axiológico: quanto se estuda o
Estado como fenômeno político-cultural; e
c) Jurídico: quando o Estado é visto como um
órgão central de positivação do Direito.
Enfim, esse assunto aborda conhecimentos do campo
jurídico-filosófico, resultando em um campo de estudo bastante
abrangente, cujo conteúdo visto neste tópico é suficiente para o
objetivo deste trabalho.
TEORIA GERAL DO ESTADO
Conceito
A teoria geral do estado é a parte geral do direito
constitucional, ou seja, não se trata de uma ramificação desta área,
mas sim o seu próprio tronco dogmático.
A ciência política é inerente aos estudos voltados a
Teoria Geral do Estado, pois dentro deste campo de estudo
devemos ter a política como um de seus focos de análise. A política
é uma ciência prática e de valorização e a Teoria do Estado se
perfaz por meio de teorias e de forma não valorizadora.
Vale ressaltar, a teoria geral do estado não busca a
aplicação do que é estritamente político, porque é uma ciência
cultural e, para tal, tem um fundo sociológico, com uma finalidade
ligada à investigação da realidade da vida estatal.
Assim, cabe ao Estado o dever histórico da estrutura e
funções em uma sociedade, evidenciando as tendências de sua
evolução.
Aspectos da Teoria Geral do Estado
De acordo com a doutrina, a teoria geral do estado deve
ser vista sobre três aspectos, pois esta teoria corresponde a um
conjunto de ciências aplicadas à compreensão do fenômeno estatal:
a) Teoria Social do Estado: neste primeiro
aspecto, devemos ver a análise do surgimento
e do desenvolvimento do fenômeno estatal,
em razão dos seus fatores históricos, sociais e
econômicos;
b) Teoria Política do Estado: é a justificativa das
finalidades do governo que atua em razão de
diversos sistemas de cultura; e
c) Teoria Jurídica do Estado: que corresponde à
estrutura, à personificação e ao ordenamento
jurídico do Estado.
Assim, conforme bem observa o Prof. Miguel Reale, a
Teoria Geral do Estado pressupõe a Filosofia do Direito e do Estado,
não se confundindo entre si. Contudo, o que temos em foco é o
Poder estatal como uma realidade social, política e jurídica.
Fontes de estudo da Teoria geral do Estado
Por fim, temos que as fontes de estudo da teoria geral do
estado se classificam em fontes diretas e fontes indiretas:
a) Fontes Diretas: são aquelas que
compreendem os dados da paleontologia, os
dados históricos e as instituições políticas
passadas e vigentes; e
b) Fontes Indiretas: também chamadas de
fontes subsidiárias, elas compreendem o
estudo das sociedades animais, o estudo das
sociedades selvagens contemporâneas e o
estudo das sobrevivências.
NAÇÃO E ESTADO
A Nação e o Estado são duas situações inconfundíveis,
em razão da sua distinção em relação a sua realidade.
Vamos começar, então, estudando o conceito de Nação.
Conceito de Nação
Como vimos a Nação e o Estado são duas realidades
distintas, enquanto a Nação é uma realidade sociológica, o Estado é
uma realidade jurídica. Assim, podemos dizer que o conceito de
Nação é um conceito de ordem subjetiva e o conceito de Estado um
conceito de ordem objetiva.
A doutrina tem classificada a formação nacional em três
fatores:
a) Fator natural: que são os territórios, unidade
étnica e idioma comum;
b) Fator histórico: que são as tradições,
costumes, religião e leis; e
c) Fator psicológico: que são as aspirações
comuns, ou seja, a consciência nacional.
Diante desta classificação, podemos verificar que a
humanidade é composta de grupos distintos e localizados em
regiões globais distintas, mas certas e determinadas. E em cada um
daqueles fatores há uma similitude entre os grupos sociais ao longo
do globo terrestre, pois cada grupo nacional possui seu fator ético,
étnico, histórico, geográfico, político, econômico entre outros. A
permanência de cada um dos grupos em sua região com a
influência de todos esses fatores, que são peculiares a sua cultura,
caracteriza as peculiaridades somáticas e psíquicas dos seus
indivíduos, resultando em uma distinção entre aqueles grupos
sociais.
O clima, a comida, a água e até mesmo a característica
do relevo da região, faz com que cada grupo desenvolva uma
característica psíquica comum, que resulta numa identificação de
uma personalidade coletiva.
Daí surge a solidariedade entre os semelhantes, gerando
assim uma espécie de parentesco espiritual, ensejando numa
comunhão de ideias, sentimentos e aspirações.
Enfim, a Nação é anterior ao Estado e é entendida pela
doutrina como uma entidade de direito natural e histórico. Assim,
para a doutrina, Nação é um conjunto homogêneo de pessoas
ligadas entredas Classes
	Teoria de Léon Duguit
	Estados Perfeitos e Imperfeitos
	Estado simples e composto
	União Pessoal
	União Real
	União Incorporada
	Confederação
	Estado Unitário
	Estado Federal
	Federalismo Orgânico
	Classificação de Governo conforme Aristóteles
	Monarquia e República
	Poder Constituinte Derivado
	Divisão Formal das Constituições
	A Doutrina de Montesquieu
	Classificações dos Direitos Individuais
	Sufrágio Universal
	Voto do Analfabeto
	Sufrágio restrito e censo alto
	Sufrágio igualitário e voto de qualidade
	Sufrágio feminino
	Voto público e voto secreto
	Direito de voto
	Eleição direta e indireta
	Sistemas eleitorais
	Representação Política
	Teorias sobre a representatividade política
	Divisão do sistema representativo quanto à sua natureza
	Características do Presidencialismo
	Responsabilidade e “Impeachment”
	Modalidades do Sistema Presidencialista
	Mecanismos do Sistema Parlamentarista
	Contexto histórico resumido
	Conceito de Democracia
	Democracia em sentido formal e substancial
	FINALIDADE DO ESTADO
	Teorias Individualistas e Totalistas
	Teoria dos Fins Intermediários
	UNIDADE SOCIAL E A PESSOA HUMANA
	Teorias Extremadas e Intermediária
	ELEMENTOS TEÓRICOS DA CIÊNCIA POLÍTICA
	Individualismo e Coletivismo
	Anarquismo
	SOCIALISMO UTÓPICO OU COMUNISMO
	O Socialismo Científico de Karl Marx
	A evolução do socialismo após Marx
	A FAMÍLIA E A IGREJA
	O Estado e a Igreja
	O ESTADO BRASILEIRO
	Território Brasileiro
	População Brasileira
	Forma federativa de Estado
	Forma de Governo
	REFERÊNCIASsi por vínculos permanentes de sangue, idioma,
religião, cultura e ideais.
Antes de avançarmos na matéria e verificar o conceito de
Estado, vejamos três conceitos importante para melhor
compreensão da matéria: população, povo e raça.
a) População: significa um conceito aritmético,
quantitativo, demográfico, que define total de
indivíduos que vivem em um território sob o
império das leis de um determinado país;
b) Povo: em sentido amplo, povo equivale à
população, ou seja, são os indivíduos que
compõem uma nação; e
c) Raça: para a doutrina, raça é uma unidade
bioantropológica, assim, uma nação pode ser
formada de várias raças.
Conceito de Estado
Podemos neste momento concluir que a Nação é um dos
elementos formadores do Estado. Entretanto, a doutrina traz três
elementos que constitui o Estado: população, território e governo. A
população corresponde aqui ao conceito de nação.
Assim, a doutrina define Estado como uma nação
politicamente organizada. Isto é, a população, que integra o Estado,
necessita de um atributo nacional.
Para Bigne de Villeneuve:
“O Estado é a unidade política e jurídica durável,
constituída por uma aglomeração humana,
formando, sobre um território comum, um grupo
independente”[2].
Assim, vemos que com um certo amadurecimento
político ao longo do tempo, o agrupamento humano desenvolve de
alguma maneira o Estado, havendo em certo momento
homogeneidade, em razão dos fatores históricos e psicológicos em
comum.
O Estado deve ser alinhado aos fatores históricos e
psicológicos de uma nação, pois caso contrário, como bem observa
Giorgio Del Vecchio, um Estado que não corresponda a uma Nação
é um Estado imperfeito, ou seja, se o Estado não promover e
defender o caráter nacional é um Estado ilegítimo.
Hans Kelsen também trouxe à tona a concepção
dualística entre o Estado-ideia, ou seja, estado instituição
(pertencente à reflexão filosófica), e o Estado histórico, real ou
empírico (ligado à reflexão sociológica). Kelsen, aduziu a ideia de
que a ciência política deve encarar o Estado sob dois ângulos:
primeiro, como objeto de valoração, que quer dizer que o Estado
deve ser efetivamente uma realidade social; e segundo, como
hipótese, onde o observador deve se guiar pela realidade para
entender o Estado.
Assim, a doutrina traz diversas definições de Estados.
Entre elas temos:
a) O Estado é um organismo natural ou produto
da evolução histórica;
b) O Estado é uma entidade artificial, resultante
da vontade coletiva manifestada em algum
momento histórico;
c) O Estado é objeto de direito, ou seja,
conforme verificado por meio das doutrinas
monárquicas;
d) O Estado é um sujeito de direito, onde
podemos verificar a ideia de pessoa jurídica,
ou seja, uma defesa doutrinária democrática;
e
e) Para Leon Duguit, o Estado é uma criação
exclusiva da ordem jurídica e representa uma
organização da força a serviço do direito.
Na doutrina brasileira, se destaca a definição de Clóvis
Beviláqua[3]:
“O Estado é um agrupamento humano,
estabelecido em determinado território e
submetido a um poder soberano que lhe dá
unidade orgânica”.
Enfim, o Estado democrático é apenas uma instituição
nacional que tem como objetivo a realização dos fins da
comunidade nacional.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO
ESTADO
De acordo com a doutrina, um Estado perfeito é
composto por três elementos (população, território e governo),
acompanhados de características essenciais, ou seja, uma
população homogênea, um território certo e inalienável e um
governo independente.
Se estiver ausente quaisquer desses elementos,
estaríamos diante de um Estado desqualificado. Um exemplo atual é
o Canadá por ser subordinado ao governo britânico, por se
integrante da commonwealth, deixando de caracterizar com Estado
perfeito.
Com esta introdução, vamos agora analisar cada um
desses elementos.
População
A população é o elemento humano que compõe o Estado
e, por isso, sua característica elementar independe de qualquer
justificação.
Um ponto divergente na doutrina é quanto ao requisito da
homogeneidade.
Parte da doutrina entende que por ser a população um
núcleo básico para formação do Estado, corresponde a uma
unidade ética. Os Estado antigos e tradicionais, por exemplo, foram
originários de unidades políticas decorrentes de vários estágios de
formação, como a família, a tribo, depois a cidade, até se constituir
com Estado.
Também há corrente doutrinária que defende que o
elemento população visto em sentido amplo e formal é o conjunto de
indivíduos de várias origens, que se estabeleceram em um território
em caráter definitivo, e assim se organizaram. Como exemplo,
destaca-se a nacionalidade italiana que seria o resultado da
formação de diferentes povos, como os umbros, samnitas, etrusco
etc.
Mas, trazendo para uma análise mais aprofundada,
vemos que o requisito da homogeneidade da população que
constitui o Estado, não se pode considerar a ideia de raça, como um
sentido biológico ou antropológico, pois não há como se afirmar uma
homogeneidade racial nesse sentido, pois o que se destaca é uma
conceituação de nacionalidade, mas num sentido psicossociológico,
podendo-se neste caso deduzir a ideia de raça.
Outro ponto importante é que os Estados criados de
forma arbitrária, em razão de decisões de grupos heterogêneos,
sempre resultam em uma existência precária e tumultuada. Já os
Estados que surgem originariamente de uma base de população
nacional, ou seja, homogênea, são Estados mais estáveis e de
longa duração.
Giorgio Del Vecchio acrescenta que os Estados
plurinacionais ou não nacionais são Estados imperfeitos, pois sua
existência só prevalece para legitimar a defesa e promoção de uma
unificação nacional.
Não podemos deixar de ressaltar que não podemos
confundir POPULAÇÃO, em sentido amplo, com UNIDADE
NACIONAL, porque a esta só detém legitimidade do poder soberano
com direito subjetivo absoluto.
Território
Este é o elemento físico do Estado que representa o
âmbito geográfico da nação, onde há a aplicação do ordenamento
jurídico.
Sabemos que uma nação, que é uma realidade
sociológica, pode subsistir sem território próprio, não
necessariamente se constituindo como Estado. Contudo, não há
como se falar em Estado sem que se tenha presente o elemento
Território.
Parte da doutrina, como Leon Duguit, entende que o
território não é elemento necessário para que exista o Estado, pois o
que se lucubra é que no direito internacional moderno há o
reconhecimento da existência de Estado sem território, como no
caso do Vaticano.
Queroz Lima afirma que o Estado moderno é
rigorosamente territorial, pois este elemento físico, além da
população e governo, é indispensável para que se configure o
Estado.
Em razão do poder de jurisdição, parte da doutrina divide
o território em três partes: terrestre, marítimo e fluvial, estendendo
suas grandezas de jurisdição no suprassolo, o subsolo e o mar
territorial.
Importante também destacar o ponto de vista de Lenio
Streck[4], quando a função do território:
“Na tradição, o território desempenha uma
função positiva de que tudo e todos que se
encontram nos seus limites ficam sujeitos à sua
autoridade e uma função negativa de exclusão
de toda e qualquer outra autoridade diversa
daquela do Estado, sendo regido pelo princípio
da efetividade, limitando-se ao espaço físico
sobre o qual o Estado efetivamente exerce o
seu poder soberano, podendo coexistir a
soberania territorial de um Estado com a
supremacia territorial de outro”.
Governo
O Governo é o elemento estatal que representa a
soberania nacional.
Em sentido positivista, Governo é o conjunto das funções
necessárias à manutenção da ordem jurídica e da administração
pública.
Para Leon Duguit, a palavra governo possui dois
sentidos:
a) Sentido coletivo: que significa o conjunto de
órgãos que exercem a política do Estado; e
b) Sentido singular: que significa o exercício do
poder executivo, que exerce a função de
direção dos negócios públicos.
A doutrina traz vários pontos de vista que ensejam na
conceituação de governo,mas todas elas definem governo como o
exercício do poder soberano. Por isso, há parte da doutrina que
sugere que os elementos constitutivos do Estado seria população,
território e soberania.
Há também corrente doutrinária que propõe a soberania
como um quarto elemento, mas é refutada essa ideia em razão de
se entender que a soberania é simplesmente a força geradora e
justificadora do elemento Governo.
CONCEITO DE SOBERANIA
Vimos anteriormente que o Estado possui três elementos
constitutivos: população, território e governo. Vimos ainda que
alguns autores entendem que a soberania seria um quarto
elemento, contudo, fundamento este que não prospera, pois a
soberania já faz parte do próprio conceito de Estado, ou seja, um
Estado sem soberania não é Estado.
A soberania não está limitada a nenhum outro poder, pois
é uma autoridade superior, ou seja, a soberania é uma só, integral e
universal, não havendo a possibilidade de sofrer qualquer tipo de
restrição, a não ser se tal exercício de poder comprometa a
convivência pacífica entre as nações soberanas no plano do direito
internacional.
Conforme a doutrina enfatiza:
“A noção de soberania emerge quando há a
consciência da oposição entre o poder do
Estado e outros poderes”[5].
Assim, vamos estudar as teorias que buscam conceituar
a soberania.
Teoria da Soberania Absoluta do Rei
Essa teoria surgiu na França, no século XVI, cujo téorico
mais destacado foi Jean Bodin[6] que pregava que:
“A soberania do rei é originária, ilimitada,
absoluta, perpétua e irresponsável em face de
qualquer outro poder temporal ou espiritual”.
Vemos que o fundamento desta teoria é histórico, pois
utiliza-se de raízes monárquicas antigas fundadas no direito divino
dos reis.
Em decorrência desta corrente de pensamento, surge a
doutrina da soberania absoluta do rei nas monarquias medievais,
onde as monarquias absolutistas eram predominantes.
Teoria da Soberania Popular
Pela teoria da soberania popular, defendida por boa parte
da doutrina, entende-se que na forma da teoria do direito divino
providencial, o poder público vem de Deus, infundindo-se com a
inclusão social do homem e resultando na necessidade de um
governo. Assim, o poder civil corresponde à vontade de Deus, mas
que é legitimado pela vontade popular.
Desta teoria, surgiu a ideia de que o poder real era uma
soberania constituída, como uma existência de um poder maior,
exercido de certa maneira pelo povo, denominado pela doutrina
como soberania constituinte.
Teoria da Soberania Nacional
Pela teoria da soberania nacional se entende que o
poder não pertence ao Rei, mas sim ao Estado, pois cogita-se que é
um princípio, uma tradição, onde o Monarca seria apenas um
depositário do poder estatal. Assim, para esta corrente o órgão
governamental só exerce legitimamente o poder sob o
consentimento nacional.
Vemos aqui que esta corrente é nacionalista, pois
defende que a soberania é originária da nação, em sentido estrito de
população nacional, o povo nacional, onde os direitos de soberania
são exercidos apenas pelos nacionais ou nacionalizados.
Vale ressaltar que a teoria da soberania nacional difere
da teoria da soberania popular, no sentido de que a teoria da
soberania popular o que se entende é o exercício do poder
soberano também em relação aos estrangeiros residentes no país.
Em suma, para os defensores desta teoria, a soberania
seria una, indivisível, inalienável e imprescritível.
Teoria da Soberania do Estado
Por esta teoria, a soberania é a capacidade que o Estado
possui de autodeterminação por seu próprio e exclusivo direito, ou
seja, a soberania é uma qualidade do poder do Estado, uma
qualidade do Estado perfeito. Assim, o Estado é anterior ao direito e
sua fonte é única.
Teorias Alemã e Austríaca
Para estas escolas de pensamento, que possuem como
defensores Jellinek e Hans Kelsen, o que se verifica é a estabilidade
integral do Direito, pois a soberania é estritamente jurídica, sendo o
direito do Estado um direito absoluto, sem qualquer tipo de
limitação.
Essa doutrina sustenta que só existe o direito estatal, ou
seja, o direito criado pelo Estado.
Enfim, já que a soberania é um poder de direito e todo
direito provém do Estado, toda forma de coação impelida pelo
Estado é legítima, pois o que se busca é a realização do direito
como forma de vontade soberana do Estado.
Teoria Negativista da Soberania
Pela teoria negativista da soberania, podemos observar
que possui natureza absolutista. A soberania aqui é vista como uma
ideia abstrata, pois não existe de forma concreta. O que temos na
realidade é simplesmente a aceitação da existência da soberania.
Para essa corrente o Estado, nação, direito e governo compõem
uma única realidade, isto é, não há direito natural nem qualquer
outra forma de norma que não tenha sido criada pelo próprio
Estado.
Para Leon Duguit[7], a soberania é “um princípio ao
mesmo tempo indemonstrado, indemonstrável e inútil”. O que ele
quis dizer é que a negação da soberania leva a um resultado óbvio,
ou seja, reforça a legitimidade da força pelo Estado.
Teoria Realista ou Institucionalista
Esta é uma teoria moderna que defende que a soberania
é oriunda da Nação, mas se consubstanciando de forma expressa e
concreta com a positivação institucionalizada pelo órgão estatal.
Assim, a soberania é originariamente da Nação, mas
com normatização definida pelo Estado.
Diferentemente das teorias absolutistas e da soberania
nacional, a teoria realista defende que a soberania é um poder
relativo, pois está sujeita a limitações normativas.
Limitações da Soberania
Podemos aferir que a soberania é limitada pelos
princípios de direito natural ou da coletividade, bem como pela
coexistência pacífica entre povos no plano do direito internacional.
Assim, podemos verificar tais limitações da soberania
entre três planos:
a) Limitação pelos princípios de direito natural:
onde o Estado serve apenas como
instrumento de organização do direito,
possuindo legitimidade no que diz respeito às
leis eternas e imutáveis da natureza;
b) Limitação pelo direito grupal ou coletivo: cujo
Estado é responsável pela segurança do bem
comum, competindo-lhe garantir a
coordenação da atividade e respeito de cada
grupo que integra a sociedade civil; e
c) Limitação pelo princípio da coexistência
pacífica das soberanias: aqui temos o respeito
entre as nações que integram uma ordem
mundial, cujo poder de autodeterminação de
cada uma é limitado pelos imperativos de
preservação e sobrevivência das demais
soberanias.
NASCIMENTO E EXTINÇÃO DOS
ESTADOS
Nascimento dos Estados
De maneira singela, podemos dizer que um Estado surge
quando presentes seus três elementos essenciais: população,
território e governo.
Entretanto, esses elementos por si só não provocam o
surgimento do Estado. É necessário algo mais para que haja união
entre aqueles elementos e assim se vislumbrar o Estado
propriamente dito.
É sabido pela doutrina que os primeiros Estados
surgiram de forma natural com a evolução das sociedades
humanas. Primeiramente houve o surgimento de comunidades
primitivas até avançar para uma formação política que conhecemos
hoje.
Mesmo em comunidades primitivas já existiam regras de
comportamento para o convívio harmônico entre seus indivíduos,
mas tal comportamento social era regido pelo direito natural.
Nesta linha de pensamento, confirmamos a diferenciação
entre Nação e Estado, onde Nação é a entidade de direito natural e
o Estado a entidade de direito positivo.
Assim, vemos que a Nação subsiste independentemente
da existência de Estado, ou seja, diante da possibilidade e extinção
de um Estado, sempre haverá a possibilidade de seu ressurgimento
sob uma nova roupagem.
A morte do Estado pode se dá por diversos fatores, mas
o mais comum é em virtude da resistência a sua estrutura, apoiada
em sua força, que alguns caso gera descontentamento entre seus
administrados, ensejando em sua derrubada.
De acordo com a doutrina o estado nasce de três modos:
originários, secundários e derivados. Vamos ver cadaum desses.
Modo Originário
É aquele que independe de qualquer fator externo, pois o
Estado surge do próprio meio nacional.
Modo Secundário
Este tipo de Estado decorre de uma nova unidade
política, podendo nascer da união ou da divisão de Estados, como
por exemplo, a confederação, a federação, a união pessoal e a
união real. Vejamos cada uma destas:
a) Confederação: é a união de países
independentes, que possuem objetivos de
interesse comum, buscando o fortalecimento
da defesa e a cooperação mútua;
b) Federação: é uma união mais próxima,
perpétua e indissolúvel em que há uma só
pessoa de direito público que representa as
províncias no âmbito internacional;
c) União Pessoal: é o caso de uma união de
dois ou mais países, onde há uma
representação monárquica, havendo, neste
caso, uma unidade governamental. Tal união
possui natureza precária, transitória, pois sua
manutenção depende exclusivamente de
eventuais direitos sucessórios ou
convencionais; e
d) União Real: que significa uma união efetiva, com
natureza permanente, entre dois ou mais países
que formam uma única pessoa de direito público
internacional. A União Real pode ser dividida em:
Divisão Nacional e Divisão Sucessoral. Cuja
Divisão Nacional é aquela que decorre da
independência de uma região ou província que
integra um Estado, formando-se assim uma nova
unidade política e, a Divisão Sucessoral, aquela
que é típica das monarquias medievais, onde o
Estado é propriedade da monarquia.
Modo Derivado
Neste caso, o surgimento do Estado decorre de
movimentos externos, que podem ser: colonização, concessão dos
direitos de soberania e ato de governo.
a) Colonização: é a forma de povoamento de
terras alheias por povos estranhos à região,
formando um sistema político vinculado ao
colonizador;
b) Concessão dos Direitos de Soberania:
sistema muito comum na Idade Média, onde
os monarcas concediam direitos de
autodeterminação aos seus principados,
ducados, condados; e
c) Ato de Governo: é a forma pelo qual um
novo Estado nasce, em decorrência de uma
simples vontade de um conquistador ou de um
governante absoluto.
Extinção dos Estados
De modo geral, um Estado desaparece quando ausentes
quaisquer dos seus elementos essenciais: população, território e
governo.
Contudo, havendo uniões e divisões de Estados, também
estaríamos diante de desaparecimento de Estados.
Vejamos alguns casos que ensejam a extinção dos
Estados:
a) Conquista: havendo desorganização ou
enfraquecimento de sua organização, um
Estado está sujeito à violação de sua
soberania por outro Estado, utilizando-se para
isso o uso da força ou por meio de
movimentos separatistas internos;
b) Emigração: pode ocorrer a extinção do
Estado, caso haja um movimento muito
grande de uma população nacional, se
estabelecendo no território do Estado
invadido, pois, neste caso, haverá um conflito
entre nações em um mesmo território;
c) Expulsão: quando ocorre o uso de forças
conquistadoras, em que há a ocupação plena
do território invadido, forçando a população
vencida a abandonar suas terras; e
d) Renúncia dos Direitos de Soberania: neste
exemplo, ocorre quando um Estado renuncia
seus direitos de autodeterminação em favor
de outro Estado, formando assim um novo e
maior Estado.
TEORIAS SOBRE NASCIMENTO E
EXTINÇÃO DOS ESTADOS
Agora veremos os entendimentos doutrinários sobre o
nascimento e extinção dos Estados. Tais estudos analisam os fatos
jurídicos que propunham o acatamento de todos os povos em razão
destas transformações:
Princípio das Nacionalidades:
Primeiramente, vamos ver o conceito de nacionalidade
diante da realidade estatal:
“Consistindo o Estado na organização política
de uma nação, a cada nacionalidade
diferenciada deverá corresponder uma
composição política autônoma”[8].
Assim, pelo princípio das nacionalidades temos que os
grupos humanos, que são distintos pelos vínculos de raça, língua,
usos e costumes, tradições, formam os grupos nacionais e, assim,
cada um desses grupos forma o seu próprio Estado. Temos, então,
conforme afirma Queiroz Lima, pelo princípio das nacionalidades,
pode ensejar em bondade ou maldade, pois por um lado serve de
reinvindicações legítimas, e por outro, como luta por espoliações
injustas.
Teoria das Fronteiras Naturais:
Por esta teoria, entende-se que cada nação deveria ter
seu próprio território, ou seja, um complemento natural, onde
deveria haver uma delimitação por meios de grandes acidentes
geográficos naturais. Para esta Teoria, a geografia do terreno, com
seus relevos naturais, daria a delimitação adequada para o território
de cada nação.
Teoria do Equilíbrio Internacional:
Também chamada de Teoria da Paz Armada, esta teoria
foi criada para manter o equilíbrio europeu, procurando evitar o
conflito entre as várias nações existentes na região.
Assim, entre as principais potências deve se almejar uma
igualdade de domínios territoriais, para que haja um fortalecimento
proporcional entre os Estados.
Teoria do Livre-Arbítrio dos Povos:
Esta teoria é semelhante a teoria do princípio das
nacionalidades, pois defende a vontade nacional do Estado. O que
se entende é o livre consentimento de cada povo para justificar e
presidir a existência do Estado.
Essa doutrina pode ser resumida da seguinte forma:
“Nenhuma potência tem o direito de submeter
um Estado contra a vontade soberana da
respectiva população”[9].
ORIGEM DOS ESTADOS
A origem dos Estados é um tema muito debatido na
doutrina, trazendo várias teorias para tentar explicá-la. Contudo,
tentar definir qual a ideia mais adequada para explicar a origem dos
Estados é uma tarefa muito complexa, pois não há evidências
científicas para uma reconstituição história, nem dos meios de vida
das primeiras associações humanas.
Logo, as teorias sobre a origem dos Estados são teorias
hipotéticas, mas que podem nos trazer uma boa compreensão dos
possíveis acontecimentos que poderiam ser a explicação mais
lógica.
Com esta ideia em mente, de que tais teorias são
baseadas em meras hipóteses, vamos analisar as três principais
teses sobre o tema.
Teorias da Origem Familiar
Esta teoria defende uma derivação de origem bíblica,
onde a humanidade seria originária de um casal inicial.
Esta teoria se subdivide em duas correntes, a teoria
patriarcal (ou patriarcalística) e a teoria matriarcal (ou
matriarcalística).
Teoria Patriarcal
Por esta corrente, o Estado surge de um núcleo familiar
em que a autoridade máxima seria decorrente de um ascendente
mais velho, ou seja, o patriarca.
Para Jean Jacques Rousseau, a família é o primeiro
modelo da sociedade política, sendo assim uma unidade social, cujo
estado se desenvolve de uma unidade mais ampla, chamada de
tribu, um conjunto de unidades familiares.
Teoria Matriarcal
Esta corrente afirma que a primeira organização familiar
teria como autoridade máxima uma figura materna. Nesta linha de
pensamento, durante um período de estado promiscuo, onde não se
teria uma referência paternal para definir a linhagem dos
descendentes, a mãe seria a dirigente das famílias primitivas, ou
seja, um clã matronímico.
Apesar desta teoria parecer trazer uma conclusão mais
lógica, o que prevaleceu ao longo do tempo foi a família patriarcal.
Teoria da Origem Patrimonial
Esta teoria traz a ideia de que a origem do Estado
decorreu do direito de propriedade, que era considerado um direito
natural, ou seja, era anterior à ideia de Estado.
Os defensores desta corrente entendem que a posse da
terra gerava o poder público e assim deu origem à organização
estatal.
No entendimento moderno, esta teoria foi acolhida pelo
socialismo, pois se entendia que o fator econômico determinava os
fenômenos sociais.
Teoria da Força
Também chamada de Origem Violenta do Estado, tal
teoria se fundava na ideia de que a organização política era
resultante do poder de dominação dos mais fortes sobre os mais
fracos.
Para Franz Oppenheimer[10]:
“O Estado é inteiramente, quanto à sua origem,
e quase inteiramente, quanto à sua natureza,
durante os primeiros tempos da suaexistência,
uma organização social imposta por um grupo
vencedor a um grupo vencido, destinada a
manter esse domínio internamente e a proteger-
se contra ataques exteriores”.
Thomas Hobbes também sistematizou esta doutrina
defendendo que toda guerra tem fim com a vitória dos mais fortes,
originando assim um Estado com uma organização do grupo
dominante, mantendo seu poder de domínio sobre os vencidos.
Hobbes dividiu os Estados em duas categorias:
a) Estado Real: que é aquele formado por
imposição da força; e
b) Estado Racional: que provém da razão, ou
seja, decorre de uma fórmula contratualista.
Um entendimento mais racional é de que a força que
enseja a origem ao Estado não poderia ser a força bruta, pois a
força deveria promover uma unidade social, estabelecendo o direito
e realizando a justiça, pois as regras da razão não se coadunam
com o estabelecimento de um Estado por meio de força bruta.
A INFLUÊNCIA TEOLÓGICA NO
ESTADO
Todo poder governamental, no que tange ao seu
envolvimento na política social, teve sua aplicação sob o prisma das
crenças ou doutrinas de cunho religioso, objetivando assim legitimar
os atos de governo.
No início dos tempos, o poder de governo era
direcionado em nome dos deuses, sob uma justificação natural, que
trazia carisma aos seus governados, em total obediência a seus
princípios divinos. Contudo, com as primeiras organizações políticas
decorrentes da soberania popular, tal justificação doutrinária do
poder se desenvolve atualmente de forma mais imperiosa, trazendo
um desafio para os cientistas políticos.
Tudo se desenvolve em razão da problemática sobre a
origem do Estado, estampando um desafio no que tange ao valor do
Direito na criação do Estado, pois neste pensamento político a
sociedade procurou justificar a criação do Estado com os seguintes
pontos de vistas:
a) Estado Divino: originário de um poder
sobrenatural;
b) Estado Humano: derivado da lei ou da razão
humana; e
c) Estado Social: um resultado da história ou da
evolução humana.
Com base na corrente filosófica do Estado fundado no
direito divino, há um entendimento de que a vontade de Deus,
decorrente de origem sobrenatural, traz para o Estado moderno um
sentido de concretude da vontade popular.
Vejamos então as duas principais teorias teológico-
religiosas: teoria do direito divino sobrenatural e teoria do direito
divino providencial.
Teoria do Direito Divino Sobrenatural
De acordo com esta corrente filosófica, o Estado foi
fundado por Deus, por meio de ato concreto de manifestação de
vontade. Assim, o Rei, que era também um sumo sacerdote da
época, era representante de Deus na terra.
Nas monarquias orientais esse conceito de poder estatal
é muito forte, pautando seus governos na crença de um direito
divino sobrenatural, ou seja, o Estado não era apenas de
fundamento teológico, era um Estado teocrático, pois era governado
pelo próprio Rei-Deus.
Na concepção do mundo medieval, sob a influência do
Cristianismo, houve o surgimento do absolutismo monárquico, que
foi uma reação ao poder oriundo do Papado. No final da Idade
Média, ainda no reinado de Luiz XIV, chamado de Rei-Sol, este
declarou textualmente:
“A autoridade em que os reis são investidos é
uma delegação de Deus. Está em Deus e não
no povo a fonte de todo poder, e somente a
Deus é que os reis têm de dar contas do poder
que lhes foi confiado”[11].
Aqui vemos que há uma alusão de que o soberano era a
fonte única e exclusiva do direito, isto é, o soberano se confundia
com o próprio Estado.
Teoria do Direito Divino Providencial
Este pensamento era dominante na Idade Média, que
consistia em admitir que o Estado era de origem divina, mas haveria
uma manifestação providencial da vontade de Deus.
Melhor explicando, Deus se dirigia providencialmente ao
mundo e regia a vida dos povos influenciando nos acontecimentos
históricos. Assim, todo o poder viria de Deus, mas não de forma
visível e concreta.
Por essa doutrina, fez-se a confirmação de Leis e da
legitimidade das autoridades nos cargos e ofícios governamentais,
mas sob um direcionamento invisível da providência divina, que
estaria mesmo assim sempre presente.
A teoria do direito divino providencial foi abarcada pela
Igreja e assim se concebeu dois poderes, o poder temporal e o
poder espiritual. Desta forma, como o poder divino é originário e
superior, o Estado deve respeitar as leis eternas e imutáveis de
Deus na ordem temporal. Por outro lado, somente as instituições
legitimadas por Deus e que respeitem as leis do direito natural
estabelecida pelo poder divino podem exercer o poder de Estado,
devendo todos os homens respeitá-las.
Assim, afirmava São Tomás de Aquino (apud Maluf,
2018):
“Deus quis que houvesse governo na ordem
civil, mas deixou aos homens a forma e o modo
de sua realização”.
TEORIAS RACIONALISTAS
Estas teorias justificam o Estado como um ente de
origem convencional, ou seja, um produto da razão humana.
As teorias racionalistas, também chamadas de teorias
contratualistas ou pactistas, apresentam teses que estudam as
comunidades primitivas, no estado de natureza, trazendo uma
concepção metafísica jusnaturalista, deduzindo que a sociedade
civil, em sua organização estatal, surgiu de um acordo entre os
indivíduos.
Com a Reforma religiosa, tais teorias se fortaleceram e
trouxeram uma nova visão filosófica na interpretação da lei religiosa.
O racionalismo religioso passou a direcionar as ciências
do Direito e do Estado, apresentando dogmas sobre a razão, a
liberdade de consciência e da inteligência livre.
Assim, o direito divino dos Reis deu lugar ao Direito
Humano.
Pelas teorias racionalistas que buscam justificar o
Estado, o homem primitivo em estado de natureza se relaciona com
os princípios do direito natural.
Diante desta explicação, vamos verificar os pontos de
vistas dos principais doutrinadores que defenderam esta nova linha
de pensamento.
Hugo Grotius
Grotius foi um holandês que defendeu o racionalismo na
ciência do Estado. Ele trouxe uma visão dicotômica entre o direito
positivo e o direito natural, entendendo que o direito natural estaria
acima do direito positivo, pois o direito natural seria imutável,
absoluto, atemporal e independente de espaço, pois era oriundo da
natureza humana, não estando assim sujeito à vontade do
soberano.
Logo, Hugo Grotius afirmava que o Estado seria:
“Uma sociedade perfeita de homens livres que
tem por finalidade a regulamentação do direito e
a consecução do bem-estar coletivo”[12].
Emmanuel Kant
Kant, filósofo que viveu no século XVIII, defendeu que o
homem reconhece que ele é a causa necessária de suas ações, ou
seja, a razão pura, e que também deve ser obediente às regras de
comportamento existentes, isto é, uma razão prática, um imperativo
categórico.
Para Kant, o Direito deve garantir a liberdade, sob um
aspecto absoluto. Assim, o homem quando migra do estado de
natureza para um estado associativo, se sujeita a uma limitação
externa, livremente acordada, sob uma autoridade civil chamada de
Estado.
Thomas Hobbes:
Hobbes foi um filósofo inglês do século XVII que
sistematizou o contratualismo como justificativa do Estado. Ele
defendia o poder absoluto do Estado justificando que o homem não
surgiu naturalmente numa sociedade, pois no estado de natureza os
homens eram inimigos entre si, ou seja, homo homini lupus (o
homem era o lobo do outro homem). Havia no estado de natureza
uma constante luta pelo poder e o domínio sobre os outros homens,
cujo término deste confronto somente se dava com a morte do
oponente.
Desta forma, quando o homem se associa, os homens
passam a reconhecer que é necessário armar um poder superior,
que possa conter a resistência violenta entre os indivíduos. Para
Hobbes, a sociedade civil é um produto de um pacto voluntário.
Thomas Hobbes[13] afirmava que:
“Considerando que a vontade de atacar é inata
no homem; considerando que cada homem,
atacando, está no seu direito, e o outro,
resistindo, também está no seu direito;
considerando que daí a desconfiança mútua
estájustificada e cada um medita sobre os
meios de se defender, porque o Estado natural
do homem é o estado de guerra”.
Culminando com sua teoria, Hobbes publica O Leviatã,
em 1651, que trouxe duas categorias de Estado:
a) Estado Real: formado pelos fatos históricos e
baseado nas relações da força; e
b) Estado Racional: resultante da razão
humana.
John Locke:
Locke foi um filósofo inglês do século XVII, que
apresentou a tese do contratualismo de base liberal como
justificativa do Estado.
Para John Locke, o homem não concedeu ao Estado os
poderes de forma absoluta, pois tais poderes estariam limitados às
relações externas na vida social, deixando os direitos de cunho
pessoal indelegáveis. Assim, as liberdades fundamentais, o direito à
vida, entre outros direitos inerentes a pessoa humana, seria anterior
e superior ao Estado.
Para Locke era uma mútua cooperação normativa,
enquanto os súditos obedeciam e seriam protegidos, o Estado
dirigia e promovia a justiça, ou seja, o contrato é utilitário e sua
moral é o bem comum.
Em outro ponto, para Locke o Estado não cria a
propriedade, mas apenas a reconhece.
Vale ressaltar que John Locke foi o precursor da teoria
dos três poderes fundamentais do Estado, que foi posteriormente
desenvolvida por Montesquieu (executivo, legislativo e judiciário).
TEORIA DO CONTRATO SOCIAL
Dando andamento ao estudo das teorias que justificam a
existência do Estado, temos a teoria contratualista, que decorre da
criação convencional da sociedade humana.
Vimos que Tomas Hobbes defendia que havia um pacto
voluntário entre os homens que construíam o Estado, transferindo
ao Estado a totalidade dos seus direitos naturais de liberdade e
autodeterminação. Neste primeiro momento, conforme Hobbes,
havia uma sujeição do homem ao Estado absolutista.
Na sequência, mas de forma mais humana e racional,
surge a concepção voluntarista do Estado de John Locke, onde
havia uma limitação do poder governamental, que somente tinha
seu poder influente nas relações externas do homem no meio social,
devendo os direitos fundamentais do homem, como no caso da vida,
ser o alcance do poder estatal.
Com essa evolução humanista, surge a teoria
contratualista de maior expressão, a visão teórica de Jean-Jacques
Rousseau.
Rousseau viveu no século XVIII e se destacou dentre os
teóricos do voluntarismo em razão da sua filosofia que se expandiu
pelo mundo moderno.
Rousseau desenvolveu a parte dogmática do Contrato
Social, defendendo que o Estado é convencional e resultante de
uma vontade geral, ou seja, uma soma de vontade manifestada pela
maioria dos indivíduos. Assim, a nação seria superior ao Rei, não
havendo a atribuição de divindade à Coroa, pois havia um direito
legal decorrente da soberania nacional.
Para Rousseau, a soberania nacional era limitada,
ilimitável, total e inconstrangível, pois o governo seria instituído com
o fim de promover o bem comum. Dessa forma, sustentava
Rousseau o direito de revolução, caso as ações do Estado não
correspondessem aos anseios populares, possibilitando ao povo o
direito de substituir coercitivamente seus governantes.
Para Rousseau, o estado de natureza era uma felicidade
perfeita, porque nesta situação o homem era sadio, ágil e robusto,
onde seus únicos bens seriam os alimentos, a mulher e o repouso,
limitando seus males à dor e à fome.
Mas com o decorrer do tempo, para que o homem
obtivesse tal felicidade, o homem teria adquirido duas virtudes que
inexistiam nos outros animais: a faculdade de aquiescer ou resistir;
e a faculdade de aperfeiçoar-se.
Com essas duas virtudes, o homem começou enfim a
sair do seu estado primitivo, dando ensejo a outras faculdades que
alavancaram seu potencial. Surge, então, neste momento o
desenvolvimento ascendente humano, resultando em acumulação
de posses e domínio dos mais ricos sobre os mais pobres.
Com o Contrato Social, a sociedade civil determinou
certas proposições essenciais, como a transferência do poder
individual a uma suprema direção da vontade geral e a obediência a
essa vontade geral, ou seja, com a realização deste paradigma o
homem estaria obedecendo a si mesmo.
Assim, para que se alcance a liberdade social, cada
indivíduo deveria trocar a sua vontade particular pela sua vontade
geral, dessa forma, ser livre é obedecer ao corpo social, o que
equivale a obedecer a si próprio.
Enfim, o povo organizado socialmente passa ser um ser
soberano único, enquanto a lei se torna uma manifestação positiva
da vontade geral.
Muitas críticas foram apresentadas ao contratualismo de
Rousseau, entre elas Leon Duguit que afirmava que o pensamento
rousseauniano teria inspirado a filosofia panteísta de Hegel,
resultando na pregação de uma doutrina absolutista e violenta e,
ainda, conforme Queiroz Lima, que a teoria de Rousseau teria sido
um alvo fácil às arremetidas do ecletismo oportunista e
inconsequente, diante da futilidade de sua influência teórica
transcendente. Logo, essas críticas demonstraram uma
vulnerabilidade do contratualismo em razão do seu profundo
conteúdo metafísico e deontológico.
Apesar de tais críticas, a teoria do contrato social ainda é
responsável pelo pensamento democrático da atualidade e do futuro
das sociedades democráticas.
PANTEÍSMO E NEOPANTEÍSMO
Panteísmo
O panteísmo advém do grego PAN (que significa O
TODO); e THÉOS (que significa DEUS).
Logo, o panteísmo é o sistema filosófico monista que faz
a integração entre Deus e o mundo, numa só realidade. Daí surge o
conceito do termo ABSOLUTO, que pode ser vislumbrado na
natureza, no caso dos reinos animal, vegetal e mineral, bem como
na história, por meio da família, da sociedade e do Estado. Assim,
podemos ver que o Estado também é uma das expressões sobre o
ABSOLUTO.
Por meio do Panteísmo, o livre-arbítrio não é
reconhecido, bem como todo convencionalismo jurídico, pois se
acredita em um determinismo invencível, isto é, para os panteístas,
Deus está presente em todos os lugares e momentos, bem como no
Direito e no Estado.
Nesta corrente filosófica, o Direito é imanado de Deus e
se distribui sobre todos os seres finitos, utilizando-se o Estado como
um instrumento de sua manifestação. Neste caso, afirma-se que o
poder do Estado é um poder absoluto, por ser ele a suprema
encarnação de Deus.
Ernesto Haeckel[14] afirmava que:
“Quer admiremos o esplendor das altas
montanhas ou o mundo maravilhoso do mar,
quer observemos com o telescópio as
maravilhas infinitamente grandes do mundo
estrelado, ou com o microscópio as maravilhas
ainda mais estonteantes dos infinitamente
pequenos, o Deus-Natureza oferece-nos por
toda parte uma fonte inesgotável de gozos
estéticos”.
Contudo, a doutrina apresenta críticas ao panteísmo e
razão dele ser contraditório, pois em um único modelo encontram-se
todos os princípios opostos, como o englobamento de elementos
antagônicos, como o absoluto e o relativo, o infinito e o finito, a
perfeição e a imperfeição.
Antes de avançarmos para o próximo assunto, cabe aqui
deixar claro o que era a chamada Escola Orgânica.
Escola Orgânica
A escola orgânica no âmbito conceitual de Estado é uma
escola doutrinária eminentemente panteísta. Nesta linha doutrinária,
o Estado é um organismo natural, que poderíamos comparar
inclusive aos seres vivos. Também se afirmava que o Estado era um
ser coletivo, que possuía membros e órgãos, na mesma ideia que
temos em relação aos seres vivos.
O Professor Pedro Calmon[15] resume essa ideia da
seguinte forma:
“Os indivíduos são os membros do Estado; sua
alma, a religião e a cultura; seu órgão de
discernimento, o governo; seus braços, o
funcionalismo; seus pés, o comércio e o
trabalho; seu aparelho digestivo, a economia;
seu sistema circulatório, a produção e o
consumo; a pátria é a sua entidade moral; o
território, a sua estrutura física. A paz é a saúde
do Estado; as crises e convulsões políticas
correspondem aos processos mórbidos que
podem levá-lo à perda da unidade vital e à
morte”.
Neopanteísmo
A corrente neopanteísta abandona o paralelismo do
Estado com os organismos biológicos,comparando agora com os
organismos psicológicos ou éticos.
Apesar disso, a corrente neopanteísta manteve-se no
campo da ficção, pois ao comparar o organismo estatal com os
organismos psíquicos, estaria no campo da metáfora, constituindo
uma lógica para a estrutura jurídica do Estado, mas deixando de
lado sua definição em relação a sua essência e a sua realidade.
TEORIA DA SUPREMACIA DAS
CLASSES E A TEORIA DE LEON
DUGUIT
Teoria da Supremacia das Classes
Esta teoria foi defendida pela escola sociológica alemã,
com destaque para Ludwig Gumplowicz e Franz Oppenheimer, que
justificava o Estado com base na supremacia das classes.
Para Gumplowicz, há uma dupla noção de propriedade,
por um lado a propriedade individual sobre bens móveis, que é
decorrente do trabalho e é um direito natural, e por outro lado, a
propriedade sobre a terra, que é ilegítima e inadmissível, pois o solo
não comporta apropriação individual, mas sim uma propriedade
coletiva. Assim, para este professor, a propriedade da terra se
iniciou com invasões em que se apropriaram delas e obrigaram os
homens vencidos a cultivarem a terra sob seu império.
O que se quer dizer com essa teoria é que o Estado nada
mais é do que uma organização da supremacia da classe
dominante. Conforme afirma Gumplowicz[16]:
“É um conjunto de instituições que tem por
finalidade assegurar o domínio de uma minoria
vencedora sobre uma maioria vencida”.
Há neste caso a aplicação do Princípio do Fato
Consumado, pois o emprego da violência, por não ser permanente,
pois toda guerra tem um fim, chega a um ponto de estabilidade
diante da força predominante, constituindo uma ordem de hábito,
costume e direito.
Oppenheimer contribuiu para essa teoria, mas aplicando
um sentido marxista, aduzindo que todo Estado é uma organização
de classe, sendo assim toda teoria política uma teoria de classe.
Para ele, somente por meio de uma pesquisa histórico-sociológica é
que se pode compreender o Estado como fato historicamente
universal. Aqui também se vislumbra que o poder político é sempre
da organização de classe vencedora, mas destinada a manter seu
domínio no interior para repelir ataques exteriores.
Léon Duguit também aderiu a esta escola de
pensamento, aduzindo que o Estado é uma superposição de
classes, ou seja, uma classe de governantes que dispõe da força
para impor sua vontade aos governados. Para ele o Estado age sob
uma força a serviço do direito.
Teoria de Léon Duguit
Duguit[17] define Estado da seguinte forma:
“É uma sociedade onde vontades individuais
mais fortes se impõem às outras vontades”.
Sua doutrina é concernente à filosofia aristotélica, onde o
Estado é formado essencialmente de governantes e governados.
Podemos resumir tal pensamento na doutrina de Maluf
(2018):
“A organização política do Estado repousa na
diferenciação entre governantes e governados;
a classe dos governantes, dispondo de uma
maior força, impõe a sua vontade aos
governados”.
Enfim, o entendimento é que o Estado é particularmente
um ente que tem seu governo como um simples fato social, não
constituindo assim um fato jurídico, desenvolvendo a teoria do
direito independentemente da teoria do Estado.
Para Duguit, a soberania é um fato de poder. Mas em
resposta a sua afirmação, as teorias objetivas rechaçam o
pensamento de Duguit explicando que a única vontade que dirige a
organização estatal e o pleno exercício do poder de governo é a
vontade nacional, que se resume numa manifestação dos poderes
constituinte e legislativo. Temos neste entendimento que os
indivíduos são apenas investidos em cargos públicos para
realizarem as funções governamentais, servindo assim como
instrumento da realização da vontade da lei.
Logo, para Duguit o Estado é apenas a simples aplicação
da força entre as classes dominantes sobre os dominados, devendo
estes se sujeitar a sua imposição, ignorando a tese de que a
vontade política da massa influencia indiretamente a soberania e
formação política do Estado.
O ESTADO LIBERAL
O Estado Liberal foi marcado por seus alinhamentos com
as ideias dominantes da época, como o conceito de direito natural,
ligado ao humanismo e ao igualitarismo político, ensejando na
dedução racional do homem em que se concluía pela ideia de que
todos os homens nascem livres e em igualdade de direitos, ou seja,
o único poder legitimado é aquele advindo e reconhecido pela
vontade dos cidadãos.
A ideia liberal independia de se tratar de uma monarquia
constitucional, ou uma forma republicana de governo, pois a
soberania nacional era o exercício do sistema representativo de
governo. O regime constitucional por sua vez servia de limitador do
poder conferido aos representantes políticos, possibilitando uma
harmonia entre três órgãos institucionais distintos, o Legislativo,
Executivo e Judiciário.
O arcabouço teórico do Estado Liberal pautava esses
ideais, além da defesa da liberdade do homem sob a máxima do
princípio da legalidade, com identidade bem definida entre o direito
público e o direito privado, somado a uma igualdade jurídica sem
qualquer discriminação, seja por distinção de classe, raça, cor, sexo,
ou crença, oportunizando aqui a liberdade religiosa diante da
neutralidade do Estado do que diz respeito à fé religiosa.
Contudo, tudo isso estaria longe de se constituir em
realidade, pois tais ideais não passavam de uma formação no
mundo das ideias.
Essa distância com os problemas reais foi um dos
primeiros erros dos liberais, notoriamente durante a Revolução
Industrial, onde ocorreu um grande impacto na realidade social de
diversos países, gerando problemas desconhecidos, mas que
poderiam ter sido previsíveis.
Ora, na teoria o liberalismo se apresentava com uma
perfeição divina, onde todos os homens teriam acesso a todo tipo de
benesse decorrente da igualdade formal entre seus pares.
Entretanto, o que se viu foi um reino de ficção, onde os cidadãos
que eram teoricamente livres, se tornavam materialmente
escravizados pelo sistema.
Surge na Revolução Industrial a figura do operário fabril,
que fica à mercê da lei da oferta e da procura, sendo negociado
como uma mercadoria pelos patrões detentores do poder
econômico cada vez mais desproporcional. Assim, muitos operários
aceitavam salários ínfimos sob a obrigação de trabalhar mais de 15
horas por dia, numa jornada de trabalho ininterrupta.
As mulheres também ingressam nesse sistema de
trabalho em busca do reforço salarial para a família, ensejando num
afastamento das crianças das escolas em busca de mais um
mercado de trabalho impróprio para suprir a insuficiência de recurso
auferido pelos pais.
Essa foi a consequência dos ideais liberalistas
incondizentes com a realidade, uma inconsciência social que
desintegrava as famílias.
Enquanto os enfermos e os idosos eram entregues à
própria sorte e do outro lado os jovens operários escravizados pelo
capitalismo, havia o grande contraste com as grandes fortunas
acumuladas nas mãos de poucos dirigentes do poder econômico.
Obviamente que os conceitos liberais de igualdade e
liberdade da maneira que eram defendidos, nada mais era do que
um ato desumano, onde o Estado possibilitava uma luta entre
desiguais, numa liberdade e igualdade legal ilusória, pois perante o
Estado não havia fortes ou fracos, nem poderosos ou humildes, nem
ricos ou pobres, o que se defendia era que a todos o Estado
assegurava os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Mas
como se falar em liberdade se não havia uma paridade de armas, ou
seja, as mesmas condições para que qualquer cidadão pudesse
optar ou não a se sujeitar ao domínio do outro?
Assim, uma multidão de pessoas foi espoliada de seus
bens, sendo oprimidas, sem um lar, sem roupas, sem comida e, até
mesmo, sem fé em Deus. Nesse infortúnio, começa diante da
ausência da compaixão e da esperança, uma reação violenta contra
as injustiças sociais, resultando no surgimento das ideias
socialistas, levando o Estado Liberal lucubrar a possibilidade de
reforma ou o consequente perecimento.
Enfim, com todo esse movimento, fomentado pelas
mazelasdecorrentes de toda injustiça social, surge o movimento
evolucionista do Estado, qual seja, o Estado social-democrático, que
busca harmonizar o individualismo conforme o socialismo.
O SOCIALISMO E A REVOLUÇÃO
RUSSA
Após o fracasso dos ideais Liberais, surge o socialismo
como a primeira reação antiliberal. O alvo principal foi a Revolução
Francesa, onde por meio de doutrinas literárias houve um intenso
ataque aos ideais liberalistas, chegando ao ápice no Manifesto
comunista de Karl Marx e Frederich Engel, em 1848. Tratava-se do
socialismo utópico, que veremos com mais detalhe quando
estudarmos sobre o que os socialistas e anarquistas almejavam em
relação à existência do Estado.
Com o passar do tempo, na segunda metade do século
XIX, as correntes doutrinárias se declinaram ao marxismo, dando
início ao socialismo científico.
Assim, o Estado Liberal com seus erros doutrinários e
confrontado pelas realidades sociais, se enfraqueceu e deu espaço
aos ideais socialistas.
Logo na Primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918,
surge a fronte entre a Alemanha e a Rússia, desencadeando uma
grave crise social e econômica, ante as investidas do exército
alemão. Neste cenário, as correntes socialistas prosperam.
Inicia-se então a revolução russa, em meio aos centros
industriais de Petrogrado e Moscou, com base no Manifesto
Comunista de Marx e Engels, com o objetivo de imersão na ordem
política, com a aniquilação da burguesia, abolição da propriedade
privada, nacionalização das fontes de produção e instauração da
ditadura do proletariado.
Com a ascensão do socialismo russo, inicialmente o que
se objetivava era um Estado Liberal Proletarista. Entretanto, os
extremistas se impuseram e constituíram o sovietismo.
Neste momento há uma divisão de duas facções
políticas, os Mencheviques e os Bolcheviques, que possuem como
vetor desta divisão o domínio do Partido Operário Russo Social-
Democrático sobre o Partido Socialista Revolucionário.
O grupo Bolchevique, que era a maioria, liderado por
Lenin, se apoderou do governo com o auxílio da Guarda Vermelha.
Assim, o novo Estado, agora comunista, propõe a nova ordem
política como uma ditadura do proletariado.
Durante este período ocorreu o início de um tempo de
terror, onde houve extermínio da religião, estatização da economia,
subordinação da justiça ao controle do executivo, concentração de
poderes nas mãos do Presidente do Conselho de Operários etc.
No desenrolar do comunismo de guerra, com a nova
política econômica instituída, surge o Exército Vermelho de
Operários e Camponeses.
Com o resultado das investidas bolchevistas, surge enfim
o Estado Soviético, com a criação da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas, uma espécie de confederação, com o
objetivo de cooperação entre as nações associadas, para a
manutenção da ordem socialista.
Em suma, as características essenciais do Estado
Socialista Russo era o seguinte:
a) Partido único;
b) Ditadura classista;
c) Governo coletivista integral e materialista;
d) Concentração de poderes no órgão
executivo;
e) Eliminação da propriedade privada;
f) Estatização integral da economia;
g) Nacionalização das fontes de produção; e
h) Imperialismo internacionalista.
Resumindo, o que se pode aferir é que o ideal comunista
era demonstrar que o Estado seria um mal necessário, que seria
destituído aos poucos até se alcançar um estágio superior da ordem
comunista, ou seja, a extinção do governo de pessoas, dando
espaço a um sistema simples de administração das coisas comuns.
Com o nivelamento das classes, o Estado deixaria de ser
necessário, onde cessariam todas as lutas revolucionárias, e com
elas, o próprio Estado.
Entretanto, com o bolchevismo, surge o sovietismo, com
base numa ditadura classista, pondo fim ao ideal comunista, pois se
pautou numa negação ao marxismo, porque a ideologia soviética
era considerada uma Revolução em marcha, estando sujeita às
transformações decorrentes de novos fenômenos sociais.
Enfim, o Estado soviético era um Estado ecumênico, que
se voltava na união de todos os trabalhadores do mundo, onde
defendia as reivindicações proletárias mesmo em outros países,
criando uma situação instável e com uma constante agitação social.
MOVIMENTO FASCISTA
O movimento fascista surge na Itália, logo após o
comunismo russo, com o intuito de reformar o Estado Moderno, no
sentido de lutar contra a desintegração socioeconômica do
liberalismo, que já estaria em decadência, e contra a infiltração do
comunismo no âmbito internacional.
Para o Fascismo o Estado seria a união entre grupos ou
corporações que se pautava em um movimento nacionalista, mas
baseado na filosofia alemã, onde a ideologia definia o Estado como
o criador exclusivo do direito e da moral. Assim, para esta nova
filosofia, os homens teriam os direitos limitados ao que seria
concedido pelo Estado.
Com o partido fascista, o Estado se apoiava numa
ilimitada autoridade moral, pois todos os cidadãos, juntamente com
seus bens, seriam propriedade moral e material do próprio Estado e,
qualquer opositor desta nova linha política, seria considerado traidor
da pátria, sendo submetido à justiça sob o controle do poder
executivo.
Mussolini assume a liderança deste movimento político,
se afastando totalmente da concepção liberal, pois proclama que a
nação não seria elemento integrante do Estado, isto é, para ele a
nação seria criada pelo Estado, que seria responsável de regular a
moral e a vontade existencial da nação instituída.
No que diz respeito à ordem econômica, o fascismo foi
diametralmente oposto ao liberalismo e ao socialismo marxista.
Havia neste movimento um rígido controle partidário, pois as
corporações partidárias seriam órgãos do partido fascista, que
controlava qualquer doutrina que não fosse correspondente à
política estatal.
Assim, o Partido Nacional Fascista foi o partido vitorioso,
pois tratava-se de um partido único, que era organizado militarmente
e tinha apoio da milícia chamada Camisas Negras. Neste momento,
Mussolini empreende a chamada marcha para Roma, em 1922,
onde o Rei entrega a ele a direção do Estado, sendo nomeado
como Presidente do Conselho de Ministros.
Enfim, o Partido Nacional Fascista se torna Estado,
nação, governo e organização produtiva, tudo ao mesmo tempo,
controlando todo o sistema político-jurídico do Estado.
Durante o movimento fascista italiano houve um
equilíbrio entre o capital e o trabalho, mantendo a iniciativa privada e
a livre concorrência sob seu pleno controle, além dos contratos
coletivos de trabalho e da organização corporativa das categorias
trabalhistas.
Contudo, como o trabalho era considerado um dever
social, todo movimento grevista era proibido, sendo considerado
crime contra a organização corporativa estatal.
De todo o feito, apesar de parecer tais iniciativas de
proteção ao trabalho vantajosas para os trabalhadores, tal
movimento político obviamente não se demonstrou benéfico em
razão do domínio capitalista das forças dominantes da sociedade,
que incentivou a violência governamental para controle social e, no
plano internacional, um programa de conquista que levou o povo
italiano a uma consequente tragédia nacional.
NAZISMO ALEMÃO
Já estudamos sobre transformações político ideológicas,
como a instituição do Estado Liberal, a ascensão socialista e o
movimento fascista italiano. Agora vamos estudar outro movimento
ideológico que foi ganhando força em meio a aquelas
transformações políticas do Estado: o Nazismo Alemão.
Primeiramente temos que entender que o nazismo surge
na Alemanha com um duplo objetivo: combater o liberalismo
democrático (que estava em decadência) e reagir contra o
movimento comunista (se encontrava em ascensão).
O Partido Nacional socialista da Alemanha também
integrou tal diretriz com mais duas finalidades: desvincular a
Alemanha do Tratado de Versalhes e impor uma supremacia da raça
ariana.
Com a República alemã de Weimar, diante da
Constituição de 1933, inicia-se uma crescente política nazista,
ensejando no desenvolvimento daquele partido

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