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1 PRINCÍPIOS E MÉTODOS DE GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA 2 Sumário PRINCÍPIOS E MÉTODOS DE GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA ............................................. 1 NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................................................. 3 1. LIDERANÇA, RECURSOS HUMANOS E GESTÃO ESCOLAR. .......................................... 4 2. MOTIVAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR ....................................................................... 12 3. GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA ........................................................................................ 15 3.1-O papel da Liderança Gestora ........................................................................................... 16 3.2-A eficácia da Escola ............................................................................................................. 18 3.3-Previsão dos Resultados .................................................................................................... 19 4. FUNDAMENTOS DA GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA ................................................. 20 4.1-Gestão e escola ................................................................................................................... 20 4.2-Gestão Participativa: Consenso e Conflito ....................................................................... 21 5. RELAÇÕES ENTRE A GESTÃO INTEGRADA E O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA ..................................................................................................................................... 25 5.1-Re - conhecendo a Escola ................................................................................................. 25 5.2-Projeto Político Pedagógico da Escola ............................................................................. 28 6. DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA ............................................................. 30 6.1-Desafios e Estratégias ......................................................................................................... 31 6.2-A Gestão Integrada .............................................................................................................. 31 6.3-Democratizar é Facilitar....................................................................................................... 33 7. REFERÊNCIAS: ........................................................................................................................ 34 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conheci- mento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvi- mento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 1. LIDERANÇA, RECURSOS HUMANOS E GESTÃO ESCOLAR. Figura: 1 O termo liderança é utilizado, normalmente, com três significados diferentes: a) atributo de uma posição – trata se da liderança hierárquica em que, dependendo da posição que o individuo ocupa na escala hierárquica, tem maior ou menor “dose” ou quantidade de liderança. Assim, o fato de ser “diretor” dá o educador o direito de exercer uma determinada forma de poder ou liderança sobre o grupo que transita na escola. b) Conjunto de características de uma pessoa – refere-se às características de per- sonalidade que tornam uma pessoa mais apta a exercer a liderança. Algumas delas, co- mumente detectadas, são fluência, simpatia, assertividade, senso de justiça, equilíbrio emocional, entre outras. c) Categoria de conduta – consiste em um conjunto de fatores, específicos para a situação em que a liderança é exercida. Esse conjunto de características pode ser desenvolvido por meio de treinamentos (é comum ouvirmos falar em “treinamen- tos para a formação de líderes”). 5 Nunca foram tão importantes os chamados “atributos de liderança” como no mo- mento em que vivemos em um ambiente em acelerada mudança. Esse conjunto é muitas vezes chamado de “poder de influência”. Segundo Katz e Kahn (1976, p. 343), a definição de liderança é geralmente relacionada ao exercício de influência ou poder social. Os autores afirmam: “consideramos a essência da liderança organizacional como o incremento influencial além e acima do cum- primento mecânico das diretivas rotineiras da organização. Tal incremento influencial de- corre do fato de que os seres humanos, ao invés de computadores, é que se acham em posições de autoridade e poder”. A influência é uma força psicológica, uma decorrência da interação entre pessoas, em que uma age de maneira a modificar o comportamento das outras, de maneira inten- cional. Ela envolve três conceitos correlatos: ►Controle – se uma pessoa possui controle sobre outra, a influência é su-ciente- mente forte para que o ciclo de mudança de comportamento seja completado, ven- cendo resistências ou influências em sentido diferente. ►Poder – é a capacidade potencial para o exercício da influência, em sen- tido mais geral, não dizendo respeito a atos pontuais, como no caso do controle. ►Autoridade – trata-se de poder legítimo, poder que uma pessoa tem em virtude do seu papel, da sua posição hierárquica; é o poder legal e socialmente aceito. Voltando à questão da influência, podemos afirmar que existem quatro tipos de po- deres sociais que um líder pode exercer sobre o grupo e vamos exemplicá-los em relação à atuação do gestor escolar. TIPO DE PODER SOCIAL CARACTERIZAÇÃO EXEMPLO De recompensa e coação É a capacidade de reforçar positivamente ou punir os membros do grupo, de acordo com a desabilidade ou não do comportamento que apresentem. Este poder social é comum em instituições em que pre- domina a liderança autoritá- ria, e em que o gestor é tido como alguém acima dos de- mais membros do grupo. 6 Legitimo É aquele que emana de va- lores internalizados pelo grupo (aceitação da hierar- quia e da liderança por ela determinada, por exemplo). Bastante validado em gru- pos mais conservados, ou onde a eleição do diretor da escola é realizada e bem aceita. De referência Vem da identificação de membros do grupo com o lí- der, da interação entre pes- soas. Acontece quando a lide- rança está vinculada a um complexo de relações inter- pessoais (grupo informal da organização). É a situação do diretor “gostado” pela co- munidade escolar, que se identifica positivamente com ele. De especialista ou de com- petência Fundamentado na percep- ção que o grupo tem, em re- lação ao conhecimento, á competência e á pericia do líder. Marcante nas situações em que o gestor é reconhecido, pelo grupo, como um educa- dor experiente e compe- tente, uma referência nessa área de conhecimento. Quadro:1 Essas modalidades de poder social não ocorrem isoladamente, de forma al- ternativa, mas podem coexistir em um mesmo gestor escolar. Ele pode acumular – o que é bastante desejável – o poder que lhe é outorgado pela hierarquia, com o que é referendado pelo afeto e com o da sua reconhecida competência pro- fissional, por exemplo. Já podemos conceituar líder, portanto, como aquele que dirige, influencia, co- ordena, desperta a motivação de um grupo, contando com a participação espontânea do mesmo. Também já sabemos que o chefe – muitas vezes nomeado e imposto – não é obri- gatoriamente um líder. Segundo Williams (1972, p. 93): 7 Evidentemente, a liderança é baseada na autoridade, porém não são neces- sariamente a autoridade de status e aquela do cargo que possibilitam a um ho- mem realmente liderar. É possível respeitar um título e, ao mesmo tempo, desprezar seu titular, ainda que faça tudo o que ele nos ordenar. Vejamos, agora, quatro formulações importantes sobre liderança e autoridade, feita por psicanalistas. O primeiro deles é Erich Fromm, que considera a existência de duas modalidades de autoridade: a racional ou estimulante e a irracional ou inibidora. O que as distingue cla- ramente são os métodos e adjetivos. Na autoridade racional os interesses entre as pessoas que se relacionam são os mesmos, enquanto nas relações de autoridade inibidora os inte- resses são contrários, antagônicos. Na autoridade racional, a superioridade serve como auxilio á pessoa sujeita a essa autoridade. Na autoridade inibidora, a superioridade de um é condicionada à inferioridade do outro, não existindo objetivos iguais, nem dire- ções convergentes. Na relação interpessoal também há diversidade: na autoridade racio- nal ela está baseada no aprendizado superior, em busca de uma igualdade futura, na inexistência de parâmetros diferenciados. Na autoridade inibidora, a distância entre quem comanda e quem é coman- dado vai aumentando ao longo da sua duração. Na autoridade racional, o que se tem de primordial é a identificação com o outro, a essência da relação se baseia no amor, gratidão e admiração. O ser humano busca o outro como seu referencial, seja ele em algum perfil ou no seu todo. Na autoridade inibidora a essência dos sentimentos desencadeados é a de hostilidade e ressentimento. O liderado percebe os seus interesses como antagôni- cos aos do líder. A análise psicológica de Erich Fromm supera a dimensão individual, constru- indo uma “teia” histórica e social, contextualizada e crítica. Articulando a teoria de Fromm com a gestão, pode-se dizer que o conheci- mento e o exercício da autoridade racional ou estimulante exercidas pelo gestor esco- lar produzirá um ambiente institucional mais harmonioso e democrático, com pes- soas trabalhando mais satisfeitas e envolvidas com a tarefa. Ao contrário, se o gestor 8 exercer uma autoridade inibidora sobre professores, funcionários, alunos e a comuni- dade externa à escola, sua atitude fará com que a instituição funcione de maneira rí- gida, hierarquizada e pouco criativa, com os limites fundados sobre o medo e o poder da retaliação. Fromm não foi o único psicanalista preocupado com liderança. Freud, Bion e Pichon- Rivière também desenvolveram estudos sobre o assunto. Freud, em seu importante trabalho de 1921, Psicologia das Massas e Análise do Ego descreveu o processamento de três tipos de formação de lideranças: em turbas primitivas, na igreja e no exército. Se pensarmos nessa classificação projetada na escola, veremos que a lide- rança formada nas turbas primitivas a ela não se aplica [à escola], por tratar-se de uma instituição formal e organizada por regras. A liderança religiosa é eminentemente carismática e vinculada a princípios de crença e adesão, excluindo a racionalidade e a crítica. A aplicação de uma liderança “militar” à escola produz forte autoritarismo e centralização, levando a instituição ao enquadramento de padrões extremamente conservadores. Freud evidenciou a possibilidade de um sujeito vir a perder a sua identidade indi- vidual, sempre que estiver absorvido por uma massa, perdendo os referenciais de seus princípios e valores habituais para seguir aqueles ditados pela liderança, de caracte- rísticas carismáticas. Na igreja temos uma liderança que se processa por meio do fenômeno introjetivo, ou seja, todos os fiéis incorporam a figura de um mesmo líder abstrato, formando-se uma identificação generalizada. Isso mantém a unificação de todos os fiéis. Quanto ao exercito, Freud mostrou que a liderança se processa por meio da projeção, na pessoa do coman- dante, das aspirações e ideais dos comandados. Outro psicanalista é o inglês Bion, que arma que todo o grupo tem necessidade im- plícita de uma liderança, que emerge do grupo. Ele descreve três tipos de inconsci- ente grupal: ► de dependência, em que o grupo se reúne à espera de ser sustentado por um lí- der, de quem depende para a sua alimentação material, espiritual e proteção (neste caso, o líder tem natureza carismática); 9 ► de luta e fuga, em que o grupo está reunido para lutar contra algo ou dele fugir (líder terá características caudilhescas); ► de acasalamento (pairing), em que existe no grupo uma espécie de “espe- rança”, de que acontecimentos futuros (casamento, nascimento de filhos, che- gada de novos membros) salvarão a todos das suas dificuldades e incapacidades. A aplicação dos princípios da liderança formulados por Bion à Gestão Escolar pode ser exemplificada por três situações, cada uma correspondente a um tipo de inconsciente grupal: ►de dependência – a comunidade interna da escola percebe o diretor eleito como possuidor de grande carisma e dele espera mudanças positivas e quase instantâneas das situações negativas que a escola enfrenta; ►de luta e fuga – a escola, imersa em uma comunidade conflagrada e conflituosa deseja que o líder, quase como um “salvador”, pacifique os conflitos e traga paz ao entorno da escola; ►de acasalamento – diante da perspectiva de uma eleição para diretor, a comuni- dade escolar atribui a esse fato e à direção eleita a responsabilidade por sanar todas as dificuldades e fatores negativos enfrentados. O quarto autor da psicanálise é o argentino Pichon-Rivière, criador do con- ceito de “grupos operativos”. Ele fala de quatro tipos de liderança: autocrática, demo- crática, laissez-faire, demagógica. ►Autocrática, habitualmente exercida por pessoas de características obses- sivo-narcisista e própria de grupos compostos por pessoas inseguras, que não sabem usar de modo pleno a sua liberdade. ►Democrática, que implica uma hierarquia, com a definição de papéis e fun- ções, em reconhecimento dos limites e das limitações de cada um. ►Laissez-faire, que nos remete a um estado de negligência, sendo o seu maior risco a falta de um limite para as angústias, dúvidas e inseguranças, acarretando o risco de desagregação do próprio grupo. ►Demagógica, em que o líder tem uma caracterização do tipo “falso self”, e a sua ideologia é construída mais sobre frases retóricas e promessas de im- pacto do que de ações reais. Isso provoca decepções e desânimo por parte dos liderados. 10 Podemos aplicar os tipos de liderança descritos por Pichon-Rivière a situações de liderança do gestor escolar, como vemos nas situações descritas abaixo. ► Liderança autocrática – aplicada de forma rígida e conservadora, o líder centralizaas ações e decisões, aplicando sanções e distribuindo prêmios de acordo com a própria vontade. ►Liderança democrática – aplicada de forma flexível, o líder escuta as comu- nidades interna e externa à escola, delegando responsabilidades e tomando decisões de forma colegiada. ►Liderança laissez-faire – aplicada de forma pouco consistente, o líder é pouco percebido e participa pouco dos momentos importantes da escola, delegando a ou- tros as decisões mais complexas. ►Liderança demagógica – aplicada de forma a tentar satisfazer a todos, desenvol- vendo ações que buscam sempre angariar simpatia, principalmente dos grupos mais for- tes da escola. É necessário relembrar que a liderança não é patrimônio de uma única pessoa, ou está situada em um único escalão institucional. É interessante apresentar uma adaptação do quadro mostrado por Katz e Kahn (1976, p. 354). Nele os autores mostram os tipos de liderança, de acordo com o escalão hierárquico em que se situam e as capacidades ou competências necessárias ao exercício da mesma. Tipos e processos de liderança Nível organizacio- nal apropriado Capacidades e Cognitivas Perícias Afetivas Originação: mu- dança, criação, e eli- minação de estrutu- ras, formulação de politicas. Escalões da cúpula da instituição. Perspectivas de sis- temas. Carisma Interpolação: suple- mentação e prolon- gamento da estru- tura. Níveis intermediá- rios da hierarquia. Perspectivas de subsistema (orienta- ção de duas vias, Perícia de relações humanas. 11 entre o nível supe- rior da hierarquia). Administração: uso da estrutura exis- tente. Níveis mais baixos. Conhecimento téc- nico e compreensão de sistema de re- gras. Interesses pela igualdade no uso de recompensas e san- ções. Quadro: 2 Isso nos leva a aprofundar as funções do líder, e vamos buscar a mais completa abordagem desse ponto, feita por Krech e Crutcheld (1961). Esses autores falam de 13 funções da liderança, que achamos importante destacar: ► Coordenar as atividades do grupo, atuando de forma centralizadora. ► Planejar buscando, individual e coletivamente, as melhores formas de alcance dos objetivos do grupo. ► Definir políticas, sempre que possível de forma participativa com o grupo. ►Atuar como especialista, utilizando conhecimentos específicos da sua fun- ção. ►Representar externamente o grupo, tornando-o “visível” e comunicando-se com outros grupos. ► Controlar as relações internas, com a finalidade de promover um clima grupal propiciador à consecução dos objetivos do grupo. ► Distribuir recompensas e sanções, considerando-se que elas são de di- versas naturezas, materiais e não materiais. ► Servir como exemplo do grupo, já que ele é tomado como modelo pelos seus membros. ► Simbolizar o grupo, representando-o e conservando-lhe a unidade. ► Substituir certas responsabilidades individuais, que lhe são investidas pelo grupo. ►Definir a ideologia grupal, constituindo-se em fonte de valores, crenças e nor- mas. ► Substituir a figura paterna, centrando em si identificações, transferências dos membros do grupo. 12 ► Constituir-se em “bode expiatório” (scapegoat), pois o grupo canaliza para ele, além dos sentimentos positivos, desilusões e frustrações. Embora seja muito complicado armar que há “tipos de liderança”, existe um es- tudo clássico, realizado por White e Lippitt (1960), sobre o que chamaram de “at- mosferas sociais”. O quadro a seguir, adaptado por Aguiar (1989, p. 202), ilustra bem essas três atmosferas ou climas de liderança. Autoritária Democrática Laissez-Faire A fixação das diretrizes cabe unicamente ao líder. Todas as diretrizes são ob- jeto de debate e decisão do grupo, estimulado e assis- tido pelo líder. Liberdade completa para as decisões grupais ou indivi- duais com participação mí- nima do líder. as técnicas e as providên- cias para o serviço são de- terminadas pela autoridade, uma por vez, de maneira que em grande parte as me- didas por vir são sempre im- previsíveis. A atividade ganha novas perspectivas durante o perí- odo de debates. Esboçam- se providencias gerais para atingir o alvo do grupo e, quando há necessidade de aconselhamento técnico, o líder sugere duas ou mais alternativas para o grupo escolher. A única participação do líder do debate sobre o trabalho é apresentar ao grupo mate- riais variados e deixar claro que poderá fornecer infor- mações, quando solicita- das. Habitualmente, o líder de- termina qual é a tarefa a ser executada por cada mem- bro, e o companheiro que lhe cabe. Os membros têm a liber- dade de trabalhar com quem quiser e a divisão das tarefas é deixada ao grupo. Absoluta falta de participa- ção do líder. O líder inclina-se a ser “pes- soal” nos elogios e criticas ao trabalho de cada mem- bro; ele só não fica fora da participação ativa do grupo quando faz demonstrações. O líder é “objetivo” e limita- se aos “fatos” em suas críti- cas e elogios; procura ser um membro normal do grupo, em espirito, sem en- carregar-se de muito ser- viço. Comentários espontâneos e irregulares do líder sobre as atividades dos membros, a não ser quando perguntado, e nenhuma tentativa de ava- liar ou regular o curso dos acontecimentos. Quadro: 3 2. MOTIVAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR 13 É inegável que, quando falamos da realização de qualquer tarefa, a motivação com que o indivíduo a ela se dedica determina a qualidade do produto da mesma e a eficiência com que é realizada. Na área da educação muitas vezes só nos preocupamos com a moti- vação do aluno para a aprendizagem. Preferimos, no entanto, abordar nesta aula o termo de forma mais ampla. Freitas (1998, p. 112) afirma que a motivação é a predisposição (fator interno) com que o indivíduo trabalha (atua). E continua: “Refere-se ao estado de espírito, às condições psicoemocionais com que enfrenta o trabalho no dia a dia.”. O termo motivação tem, por tanto, diversos significados. Podemos falar em moti- vação para estudar, trabalhar, viajar e sair de férias. Vamos focar as organizações, entre as quais incluímos a escola, pois nenhuma organização funciona adequadamente se as pessoas que por ela transitam não estiverem motivadas. Outras indagações surgem: o que leva realmente as pessoas a estarem motivadas e a serem mais produtivas? Qual a atuação do gestor, em relação à motivação do seu grupo? Motivação, o que é isso? O que faz com que uma pessoa saia de casa ani- mada com o dia que tem pela frente e outra se arraste para fora da cama só pen- sando em como vai ser duro chegar ao trabalho e em como o tempo custa a passar quando está lá? Para ilustrar o sofrimento causado pela baixa motivação, exemplificamos com a vivência de um professor. Ele dizia que, ao acordar pela manhã e pensar que iria para a escola trabalhar, lembrava daqueles filmes de guerra em que os soldados são levados, por um helicóptero, para a frente de batalha, de onde não sabiam se retornariam com vida. O que faz com que um local de trabalho seja um lugar estimulante onde se aprende coisas novas, trabalha-se e o resultado aparece, enquanto o outro é o pur- gatório por onde se tem que passar até chegar o bendito m de semana? Atualmente, muitas pessoas questionam o fato de que o dinheiro seja o prin- cipal fator de motivação. As pessoas têm sentimentos, desejos e ambições. Ninguém pode negar que luta pela estabilidade econômica e financeira, mas as pessoas também se esforçam para alcançar a realização profissional. Talvez isso seja tão ou mais im- portante que o pagamento no finaldo mês, a satisfação do seu desempenho reco- nhecido. 14 Prêmio aumenta de salário, viagens e até distribuição de sorvete vale para dei- xar o funcionário motivado. Ou seria estimulado? Ou seria incentivado a traba- lhar? São várias as teorias de endomarketing; , no entanto, o gestor deve ficar atento para não confundir incentivo ou estímulo com motivação que, ao contrário do primeiro, este perdura a médio e longo prazos. Segundo o dicionário Aurélio, estimular é sinônimo de encorajar, animar. Já motivar é equivalente a despertar o interesse, o entusiasmo. A motivação é intrínseca ao indivíduo. Quando o empresário distribui brindes e gra- tificações não está motivando seus profissionais, mas estimulando-os, incentivando- os. Recebido o incentivo, todos são tomados pela euforia, mas esse efeito logo passa, se a motivação não se estabelecer. Quando um professor utiliza recursos para despertar o interesse dos alunos, deve cuidar para que a proposta das atividades seja estruturada de forma a suscitar e manter a motivação para a aprendizagem, além daquele primeiro momento. As recompensas intrín- secas ao seu trabalho consistem nas avaliações subjetivas feitas com relação ao engaja- mento no trabalho e somente são visíveis à própria pessoa. Alguns exem- plos desse tipo de recompensa são: a chance de se relacionar com os alunos, a aprendizagem dos mesmos e o crescimento pessoal e profissional por meio do ensino. As recompensas extrínsecas são normalmente associadas com os benefícios percebidos: salário, status e poder. São definidas pela organização e existem indepen- dentemente do indivíduo que ocupa a função. Existem recompensas suplementares, que têm uma dimensão objetiva e subje- tiva. Embora estejam disponíveis para todos, podem ser percebidas como recompen- sas apenas por alguns indivíduos. Essas recompensas estão associadas com a segu- rança no emprego, férias prolongadas, estabilidade no salário etc. Vamos observar agora algumas das principais abordagens teóricas sobre motivação, dando um suporte teórico à nossa discussão. Bergamini (1982) destaca quatro grandes abordagens da motivação humana: 15 Teorias cognitivas – concebendo o homem como um ser racional, privile- giam o conceito e as manifestações da “vontade”. Isso torna os motivos humanos di- ferentes do pensamento e dos outros processos cognitivos. São as representa- ções do ambiente, internalizadas pelo homem, que o impelem à ação. Teorias hedonistas – armam que o comportamento humano é basica- mente orientado para o prazer, buscando sempre evitar o sofrimento e a dor. A mo- tivação seria constituída por um conjunto de expectativas aprendidas ao longo da vida, e que teria por finalidade antecipar reações emocionais positivas ou negativas. Teorias do instinto – influenciadas pelos trabalhos de Darwin, acreditam que com- portamentos mais simples – como os reflexos incondicionados – são herdados, mas que outros mais complexos – os instintos – objetivam a preservação da espécie. Freud está neste grupo de teóricos, propondo a existência de forças internas poderosas (instintos ou pulsões) que determinam o comportamento do homem, mesmo que ele não tenha consci- ência de que elas existam. Teoria do impulso – vê personalidade humana como um reduto de forças, com energia própria, que determina e orienta o comportamento humano em uma ou em outra direção. Alguns teóricos ligados a esta corrente dizem que esses impulsos são sempre orientados para que o homem recupere o estado de equilíbrio, quebrado pelo surgimento das necessidades. A estas acrescentaríamos uma quinta, a abordagem behaviorista, que enfatiza a aprendizagem e afirma que o comportamento humano é motivado pelas consequências ou efeitos por ele produzido. 3. GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA 16 Figura: 2 A gestão democrática visa promover a gestão da participação, intensifica o envol- vimento de todos os integrantes da escola no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. Esse envolvimento está relacionado aos órgãos deliberativos, aos pais, aos professores, aos alunos, aos conselhos de classe, aos colegi- ados e á comunidade que se faz presente no espaço escolar, o que resulta na formação de uma comunidade educativa, o qual interage com a sociedade civil, assegura a qualidade do processo de ensino e de aprendizagem. Objetivo: reconhecer e diferenciar aspectos relacionados a(o): O papel da liderança Gestora A eficácia da escola. Previsão dos resultados. 3.1-O papel da Liderança Gestora A construção de um processo de gestão centrado nos valores democráticos é tarefa política e educativa da escola, que representa uma das mais importantes e essenciais ati- vidades públicas, constituindo lócus de formação do cidadão como ser histórico e sujeito de relações. É preciso repensar uma gestão que liberta de suas marcas autoritárias e antiedu- cativas. Torna-se de fundamental importância que lhe sejam relacionadas características de coordenador, colaborador e educador, para que seja possível implementar um processo 17 de planejamento participativo. Essa Gestão não está condicionada apenas ao administra- tivo. Tem como pressuposto, autonomia administrativa e financeira, assim como autonomia pedagógica, respeitando-se as diretrizes legais. Figura: 3 Diante desses pressupostos é possível adotar formas alternativas e criativas que contribuam para uma escola democrática a serviço da formação de cidadãos críticos e par- ticipativos, enquanto sujeitos históricos de uma sociedade. Antieducativas - Portanto, a prática da escola democrática tem uma concepção progressista que atende ao conceito de participação baseada no princípio da autonomia, que busca bons resultados nos objetivos da escola e da educação, de acordo com Libâneo (2007), o con- ceito de participação fundamenta-se no princípio da autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos para a livre determinação de si próprios, isto é, para a condução da própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições dá-se pela participação na livre escolha de objeti- vos e processos de trabalho e na construção conjunta do ambiente de trabalho. 18 Sendo assim, essa autonomia representa o princípio básico que deve se subordinar às condições concretas de cada escola, apoiada na participação dos profissionais da edu- cação e o contraponto da direção, que vai além da mobilização das pessoas para a rea- lização das atividades, pois implica na intencionalidade e definição da tomada de decisão junto aos objetivos escolares sociais e políticos que formam o caráter pedagógico da ação educativa, o que gera o significado do termo direção no contexto escolar. Segundo Libâneo, com base nesse princípio mais geral, há que destacar o papel significativo do diretor da escola na gestão da organização do trabalho escolar. A participação, o diálogo, a discussão coletiva, a autonomia são práticas indispensáveis da gestão democrática, mas o exercício da democracia não significa ausência de responsabilidades. Uma vez tomadas às decisões coletivamente, participativamente, é preciso pô-las em prática. Para isso, a escola deve estar bem coordenada e administrada. Nesse sentido, convém ressaltar que a gestão participativa possibilita a criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação, que se refere à seleção da organização dos conteúdos e métodos, a organização do ensino e do trabalho escolar, o que assegura a qualidade dos processos d e ensino e de aprendizagem. Uma administração bem compartilhada, alicerçadanuma concepção de Conselho Gestor, explicitada anteriormente, constitui-se em um efetivo espaço de comprometimento dos representantes das comunidades interna e externa. Assim, a gestão participativa tenta alcançar democraticamente os objetivos da es- cola, numa visão de espaço educativo aberto a intervenção dos profissionais da educação, alunos, pais e comunidade que caminham juntos a tornar a instituição escolar como lugar de aprendizado de conhecimentos e desenvolvimento de capacidades intelectuais, sociais, afetivas, éticas e estéticas, bem como, de formação de competências para a participação na vida social, econômica e cultural, as quais são os propósitos dando significado aos objetivos dos princípios e características da gestão escolar participativa. Aponta-se a pos- tura de atuação do gestor que deve ser de forma competente, inovadora, integrada e in- terativa, exercendo liderança na sua linha de projeções de ações. 3.2-A eficácia da Escola 19 Fala-se em escola eficaz e escola eficiente. Entretanto, o importante se torna buscar significado entre essas duas características, hoje enfaticamente utilizadas, principalmente no contexto escolar. IMPORTANTE "Escola eficaz é aquela que ensina bem os conteúdos curriculares e se preocupa com o aluno de maneira global, com a formação de valore s, ética e cidadania e a criação de oportunidades." Brooke Nigel No sistema educacional, a eficácia da administração preocupa-se com a consecu- ção dos objetivos intrinsecamente vinculados aos aspectos pedagógicos propriamente di- tos e a capacidade administrativa será medida pelo alcance dos objetivos educacionais propostos. Desse modo, a eficácia, por ser um critério intrínseco ao sistema educacional, sobrepõe-se ao critério da eficiência que lhe é extrínseco. Na questão da eficiência o processo deve ser delegado e descentralizado, as infor- mações totalmente compartilhadas, sendo que a comunicação deve observar os princípios de clareza, coerência e adequação. 3.3-Previsão dos Resultados Aliada aos processos de gestão situa-se a avaliação da educação e a necessária articulação entre as concepções de avaliação formativa, indicadores de qualidade e a efe- tivação de um subsistema nacional de avaliação da educação básica. A esse respeito, é fundamental destacar que as mudanças educacionais implementadas interferem no modelo de gestão e alteram sobremaneira o planejamento, a organização, o controle e a avaliação da ação gestora. 20 Faz-se necessário adotar a avaliação como eixo para previsão dos resultados le- vando-se em conta pressupostos que efetivam, gradativamente, um processo gestor que tenha autonomia para alterar objetivos, valores e processos educativos, os quais ampliam o poder de organização e controle. Promovam mudanças significativas na gestão e na pro- dução do trabalho escolar. Portanto, as avaliações devem convergir para compreensão de que o sucesso ou fracasso educacional é uma série de fatores extraescolares e intraesco- lares, os quais intervêm no processo educacional. Prever resultados significa considerar variáveis que contribuem para o alcance dos resultados, relacionado aos impactos da desigualdade social e regional na consolidação das práticas pedagógicas, os contextos culturais nos quais se realizam os processos de ensino-aprendizagem e a gestão democrática realmente colocada em prática. Compreender a gestão participativa, considerando que a ação dos educadores tem objetivos sociopolíticos voltados para as lutas de transformação social, juntamente com a escola que também tem a ação de promover a apropriação do saber elaborado para a instrumentalização científica e cultural da população. 4. FUNDAMENTOS DA GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA 4.1-Gestão e escola Libâneo (2003) nos diz que as organizações se distinguem em funções: social e ad- ministrativa. Isso significa que enquanto organização com função social está diretamente ao desenvolvimento humano; enquanto função administrativa, refere-se a organização es- trutura e integração de recursos e órgãos. Nesse sentido, nos diz que “a organização escolar define-se como unidade social que reúne pessoas que inte- ragem entre si, intencionalmente, operando por meio de estruturas e de processos organizativos próprios, a fim de alcançar objetivos educacionais”. (Libâneo, 200 3, p. 316-317). 21 Mas para que isso aconteça, de fato, é necessário que se desenvolvam alguns pro- cessos organizacionais, com funções definidas, tais como: planejamento, organização , di- reção e controle. É por meio desses passos que a gestão se define, enquanto uma atividade que mobilizam meios e procedimentos com o intuito sempre diretivo para o alcance de objetivos da organização escolar. E a gestão participativa ou integrada, onde se inserem? A participação nada mais é do que a forma de se promover e/ou assegurar essa gestão, preferencialmente, democrática, no qual possibilite as pessoas se envolverem como sujeitos importantes no processo de tomada de decisões e responsáveis pelo funci- onamento da organização escolar. Essa participação significa o rompimento de estruturas autoritárias, as quais estão somente voltadas para a busca de resultados por meio do po- der. Mas ao contrário, a intervenção coletiva e a oportunidade do grupo agir de maneira integrada, permite o melhor aproveitamento de recursos e aumento da produtividade. Dessa forma, um dos princípios da participação é a autonomia, que significa dotar as pessoas da capacidade de decidir, de determinar livremente a condução de suas pró- prias vidas e, no caso da gestão, a construção conjunta de um ambiente de trabalho voltado para a escola de objetivos e processos de trabalho. Se formos pensar no espaço escolar, não poderia ser diferente! Os inúmeros sujeitos que constroem essa ‘escola’ ativa, participativa e democrática, precisam ser convidados a interagir nas ações educativa s cotidianas. Ou seja, os projetos educativos, as propostas e discussões pedagógicas devem ser compartilhadas entre essas pessoas: porteiro, vigi- lante, merendeira, serventes, os inspetores, Coordenadores, Direção, pais, alunos, entre outros. 4.2-Gestão Participativa: Consenso e Conflito Mas nem tudo que podemos admitir ser consenso, podemos considerar como algo óbvio, cotidiano e comum a todos. Exatamente, porque devemos lembrar que viemos de uma história de sociedade autoritária, movida pelas forças hegemônicas de poder. 22 Para a administração participativa ser eficiente, o processo decisorial deve ser total- mente delegado e descentralizado, as informações totalmente compartilhadas, sendo que a comunicação deve observar os princípios de clareza, coerência e adequação, os sistemas de recompensas materiais e salariais devem ser frequentes, com punições raras e defini- das pelo grupo. A implantação de uma administração participativa necessita de coerência em três fundamentos organizacionais: Estrutura: As organizações mais enxutas e descentraliza das viabilizam o contato entre os níveis decisórios e operacionais o que acarreta a melhoria no sistema de comuni- cação, agilização das decisões, redução de custos, definição clara de objetivos e das res- ponsabilidades, além da transformação da burocracia em uma empresa dinâmica. Cultura: O modo de vida, o sistema de crenças e valores sociais da organização deve ser cultivado de forma a desenvolver o envolvimento, a contribuição e a responsabili- dade que são aspectos indispensáveis à participação. Clima: A estrutura e a cultura organizacional geram uma atmosfera psicológica e características próprias que devem ser orgânicas e dinâmicas, influenciando de forma be- néfica o desempenho humano e a participação. O gestor é o impulsor fundamentaldo processo participativo, portanto espera-se que ele tenha atitude interativa perante as questões estratégicas da organização, saiba tomar decisões estabelecendo prioridades, esteja voltado para o processo de inovação, além de saber delegar. A delegação é uma ferramenta gerencial fundamental para o desenvolvimento de uma equipe de trabalho. Em primeiro lugar, porque desenvolve a corresponsabilidade, o primeiro passo para o desenvolvimento da autonomia da equipe. Em segundo lugar, por- que, quando feita adequadamente, estimula a iniciativa e a criatividade. Dentre as formas de participação na gestão, pode-se distinguir a pseudoparticipa- ção, a participação parcial e a participação plena, além delas serem direta ou indireta. Na pseudoparticipação os funcionários são persuadidos a aceitarem as decisões tomadas 23 pela administração, enquanto que na participação parcial o trabalhador pode influenciar o resultado do que é deliberado, mas não possui igual poder de decisão como na participação plena. A participação é direta quando o trabalhador tem a possibilidade de comunicar-se pessoalmente com as chefias, sem a necessidade de representantes como acontece na participação indireta, sobre as questões referentes às suas tarefas. Sob estrutura, entende-se por ordem das partes de um todo, organização e um sis- tema integrado. Significa dispor de uma forma ordenada, dar uma estrutura, planejar uma ação e prover as condições necessárias para realizá-la. Já sob o segundo aspecto levan- tado, ou seja, a cultura organizacional, podemos dizer que estão voltados para os compor- tamentos, as opiniões, as ações e as formas de relacionamento que surgem espontanea- mente entre os membros do grupo. E, por último, o clima organizacional, que significa a forma como as pessoas rece- bem esse conhecimento, esses costumes, crenças, modos de agir. Para uma gestão participativa e/ou integrada na escola, essas três abordagens se inter-relacionam num processo de administração em que todos se envolvem. A organização e os processos de gestão assumem diferentes modalidades, con- forme a concepção que se tenha das finalidades sociais e políticas d a educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Se situássemos as concepções e m uma linha con- tínua, teríamos em um extremo a concepção técnico-científica e, no outro, a sociocrítica. Na concepção técnico-científica, prevalece uma visão burocrática e tecnicista de es- cola. A direção é centralizada em uma pessoa, as decisões vêm de cima para baixo e basta cumprir um plano previamente elaborado, sem a participação de professores, especialis- tas, alunos e funcionários. A organização escolar é tomada como uma realidade obje- tiva, neutra, técnica, que funciona racionalmente e, por isso, pode ser planejada, organi- zada e controlada, a fim de alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. As escolas que operam com esse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções, hierarquia de funções, normas e regulamentos, centralização das deci- sões, baixo grau de participação das pessoas, planos de ação feitos de cima para baixo. Este é o modelo mais comum de organização escolar que encontramos na realidade edu- cacional brasileira, embora já existam experiências bem-sucedidas de adoção de modelos alternativos, em uma perspectiva progressista. 24 A participação significa, portanto, a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. Há dois sentidos de participação articulados entre si: a) a de caráter mais interno, como meio de conquista da autonomia da escola, dos professores, dos alunos, constituindo prática formativa, isto é, elemento pedagógico, curri- cular, organizacional; b) a de caráter mais externo, em que os profissionais da escola, alunos e pais com- partilham, institucionalmente, certos processos de tomada de decisão. No primeiro sentido, a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. A instituição escolar é lugar d e aprendizado de conhecimentos, de desen- volvimento de capacidades intelectuais, sociais, afetivas, éticas e estéticas e também de formação de competências para a participação na vida social, econômica e cultural. Esse entendimento mais restrito de participação identifica-se com a ideia de escola como espaço de aprendizagem, isto é, como comunidade democrática de aprendizagem. No segundo sentido, por meio de canais de participação da comunidade, a escola deixa de ser uma redoma, um lugar fechado e separado da realidade, para conquistar o status de comunidade educativa que interage com a sociedade civil. Vivendo a participação nos órgãos deliberativos da escola, os pais, os professore s e os alunos vão aprendendo a sentirem-se responsáveis pelas decisões que os afetam em um âmbito mais amplo da sociedade. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento, a ava- liação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida escolar. Entre as modalidades mais conhecidas de participação, estão os conselhos de classe – bastante difundidos no Brasil – e os conselhos de escola, colegiados ou comissões que surgiram no início da década de 80, funcionando em vários estados. Convém ressaltar que o princípio participativo não esgota as ações necessárias para assegurar a qualidade de ensino. Tanto quanto o processo organizacional e como um de seus elementos, a participação é apenas um meio de alcançar melhor e mais democrati- camente os objetivos da escola, os quais se localizam na qualidade dos processos de 25 ensino e aprendizagem. Em razão disso, a participação necessita do contraponto da dire- ção, outro conceito importante da gestão democrática, que visa promover a gestão da par- ticipação. 5. RELAÇÕES ENTRE A GESTÃO INTEGRADA E O PROJETO PO- LÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA 5.1-Re - conhecendo a Escola Se estamos trabalhando com o conceito de gestão integrada e ao mesmo tempo participativa, precisamos reconhecer a escola como uma organização específica de educa- ção formal que visa proporcionar de forma sistemática e sequencial a instrução, quando transmite e produz conhecimentos e técnicas; a socialização, quando transmite e constrói normas, valor es, crenças, hábitos e atitudes; a estimulação, quando promove o desenvol- vimento integral do educando às mais variadas gerações. Figura: 4 26 Nesse sentido, convém especificarmos que uma das funções da escola, enquanto instância educativa, está em produzir efeitos intencionais e não intencionais na atividade educativa. Sendo assim, a gestão que se propõe a um trabalho integrador, participativo entre os seus membros, terá como base para o desenvolvimento harmônico de todo o processo, considerando algumas finalidades: ► Finalidade Cultural, ao transmitir todo o legado de conhecimentos, técnicas e crenças; ► Finalidade Socializadora, ao integrar os indivíduos na comunidade, através da transmissão e construção de normas e valores; ► Finalidade Produtiva, ao proporcionar ao sistema econômico e demais sistemas sociais, o pessoal qualificado de que necessitam; ►Finalidade Personalizadora, ao promover o desenvolvimento integral do edu- cando; ► Finalidade Igualizadora, ao procurar corrigir as desigualdades sociais; ► Finalidade Seletiva, quando seleciona para legitimar diferentes oportunidades pessoais e sociais. Desse modo, a relação entre as finalidades e o funcionamento das organizações atende a alguns níveis estruturais, os quais dão a dimensão macro da responsabilidade e do compromisso social, político, cultural e econômico e também micro, quando se reflete exclusivamente nos espaços educativos. Podemos dizer que esses níveis, estão assim di- vididos: institucional, administrativo/organizacionale pedagógico. Qualquer que seja o nível organizacional em que as pessoas se situem, todos devem participar das decisões. Certamente que haverá decisões específicas e especializadas so- bre determinadas questões e haverá também pessoas que ocupam uma parte significativa de seu tempo para decidir. No entanto, é preciso considerar que nas diversas funções que os sujeitos desenvolvem e que a tomada de decisões pode implicar ação ou (in)ação ou espera (Alves, 2003). 27 Temos de pensar que, o processo de decisão, assim como a participação são im- portantes para o contexto de esclarecimentos, controle e organização das ações educati- vas. Quanto ao processo de decisão (também chamada de decisional), podemos dizer que está sempre envolvida por uma “racionalidade limitada”, pois todos os sujeitos, consci- ente ou inconscientemente, não dominam todo o conhecimento necessário para analisar as alternativas possíveis, têm dificuldades em avaliar os efeitos das decisões e não con- trolam o universo dos comportamentos possíveis das pessoas que trabalham na organiza- ção. Isso é comum de trabalharmos, inclusive, com situações cotidianas de nossas vidas pessoais e profissionais, quando nos referimos às questões da escola, propriamente dito. No entanto, a participação pode estender-se as diversas funções administrativas (planejamento, organização, coordenação, controle, avaliação), diversas atividades plane- jadas e realizadas pela escola. Antes, precisamos delimitar os objetivos e os procedimentos de análise ao procedermos sobre a problemática da participação do ponto de vista polí- tico e organizacional, distinguindo os conceitos de ser parte e participante. Interessante é que o primeiro está ligado diretamente a sua autonomia pessoal con- tra outros particulares, mas enquanto participante, ele representa e afirma o interesse do grupo e aparece como portador de uma função no todo coletivo. A participação é assim um processo, um modo de contribuir para a construção da organização, sacrificando, até certo ponto, os objetivos, os interesses singulares, pessoais, a liberdade e autonomia individuais. Essa tensão entre ser parte e participante pode expli- car, ainda que parcialmente, as dificuldades da participação. A pessoa pode sentir o desejo de participar para controlar as margens de incerteza organizacional, o seu modo, trabalho e o seu percurso profissional. Mas, por outro lado, tem receio de participar, na medida em que teme perder a sua própria autonomia, ser limitado e controlado pelos coparticipantes. Para Luck (1991), o próprio conceito de gestão “pressupõe a ideia de participação, isto é, do trabalho associado de pessoas analisando situações, decidindo sobre seu enca- minhamento e agir sobre elas em conjunto" (p.15). A própria etimologia da palavra, participação origina-se do latim "participatio" (pars + in + actio) que significa ter parte na ação. Para ter parte na ação é necessário ter acesso 28 ao agir e às decisões que orientam o agir. Meramente executar uma ação não significa ter parte, ou seja, responsabilidade sobre a ação. E só será sujeito da ação quem puder decidir sobre ela; discutindo a temática entre ser parte e participante. A participação tem como característica fundamental a força de atuação consciente, pela qual os membros de uma unidade social (d e um grupo, de uma equipe) reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na determinação da dinâmica, da cultura da unidade social, a partir da competência e vontade de compreender, decidir e agir em con- junto. Mesmo assim, precisamos refletir sobre essa questão, uma vez que trabalhar em conjunto, no sentido de formação de grupo, requer compreensão dos processos grupais para desenvolver competências que permitam realmente aprender com o outro e construir de forma participativa. Entretanto, precisamos ‘nos despir’ das amarras de valores que ‘engessam’ reco- nhecer o outro como importante para a constituição tanto minha como do grupo. É neces- sário, respeitar o ‘outro’ para que todos se sintam valorizados na coletividade. Ufa! Isso também não é fácil! Retomando Libâneo (2001), é preciso reconhecer que a participação é fundamental por garantir a gestão democrática da escola, pois é assim que todos os envolvidos no processo educacional da instituição estarão presentes, tanto nas decisões e construções de propostas (planos, programas, projetos, ações, eventos) como no processo de imple- mentação, acompanhamento e avaliação. 5.2-Projeto Político Pedagógico da Escola 29 Figura: 5 Não podemos falar de gestão compartilhada sem trabalharmos com o Projeto Polí- tico-Pedagógico da escola, o qual ultrapassa a dimensão de uma proposta pedagógica. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletiva- mente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sócio-político e com os interesses reais e coletivos da população majoritária. Ele é fruto da interação entre os objetivos e prioridades estabe- lecidas pela coletividade, que estabelece, através da reflexão, as ações necessárias à construção de uma nova realidade. Antes de tudo, é um trabalho que exige comprometi- mento de todos os envolvidos no processo educativo: professores, equipe técnica, alunos, seus pais e a comunidade como um todo. O político e o pedagógico são dimensões indissociáveis, porque propiciam a vivência democrática necessária à participação de todos os membros da comunidade es- colar. Essa prática de construção de um projeto deve estar amparada por concepções teó- rica s sólidas e supõe o aperfeiçoamento e a formação de seus agentes. Só assim serão rompidas as resistências em relação a novas práticas educativas. Os agentes educativos devem sentir-se atraídos por essa proposta, passando a ter uma postura comprometida e responsável. Trata-se, portanto, da conquista coletiva de um espaço para o exercício da autonomia. Essa autonomia, porém, é relacional, não deve ser confundida com apologia a um trabalho isolado, marcado por uma liberdade ilimitada, que transforme a escola numa ilha de procedimentos sem fundamentação na s considerações legais do sistema de ensino, perdendo, assim, a perspectiva do todo. A autonomia implica também em responsabilidade e comprometimento com as ins- tituições que representam a comunidade (conselhos de escola, associações de pais e mes- tres, grêmios estudantis, entre outras), para que haja participação e compromisso de todos. A gestão escolar integrada constitui uma dimensão importantíssima da educação, uma vez que, por meio dela, observa-se a escola e os problemas educacionais global- mente, e se busca abranger, pela visão estratégica e de conjunto, bem como pelas ações interligadas, tal como uma rede, os problemas que, de fato, funcionam de modo interde- pendente. 30 Cabe ressaltar que a gestão escolar é uma dimensão, um enfoque de atuação, um meio e não um fim em si mesmo, uma vez que o objetivo final da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, de modo que, no cotidiano que vivenciam na escola, desenvolvam as competências que a sociedade demanda, dentre as quais se evidenciam: pensar criativamente; analisar informa açõe s e proposições diversas, de forma contextua- lizada; expressar ideias com clareza, tanto oralmente, como por escrito; empregar a arit- mética e a estatística para resolver problemas; ser capaz de tomar decisõe s fundamenta- das e resolver conflitos, dentre muitas outras competências necessárias para a prática de cidadania responsável. Portanto, o processo de gestão escolar deve estar voltado para garantir que a todos os atores da escola aprendam sobre o seu mundo e sobre si mesmo s em relação a esse mundo, adquiramconhecimentos úteis e aprendam a trabalhar juntos com informações de complexidades gradativas e contraditórias da realidade social, econômica, política e cien- tífica, como condição para o exercício da cidadania responsável. 6. DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR INTEGRADA Figura: 6 31 6.1-Desafios e Estratégias Adotar estratégias de uma gestão escolar integrada no processo de desenvolvimento é fundamental para obter a participação da comunidade local. No entanto, ainda é um grande desafio! Muitas estratégias permitem o aprendizado necessário para que a comunidade seja capaz de planejar e gerenciar, de forma compartilhada, o processo de desenvolvimento local. Só que precisamos reconhecer que vivemos num país de cultura estatista. A maioria pensa que as assim chamadas “políticas de desenvolvimento” são uma responsabilidade exclusiva do Estado. Entretanto, ao observarmos experiências bem sucedidas de desen- volvimento, descobrimos que na maioria dos casos existe um elevado nível de cooperação e parceria entre Estado, Mercado (entendido aqui como o conjunto dos agentes econômi- cos) e Sociedade (entendida aqui como o conjunto das organizações sociais, de todo tipo). Para obter um alto nível de participação da comunidade local, é preciso adotar es- tratégias de planejamento e gestão compartilhada do processo de desenvolvimento. Tais estratégias permitem à comunidade local, através da experiência prática, o aprendi- zado necessário para que ela seja capaz de identificar potencialidades, oportunidades, van- tagens comparativas e competitivas, problemas, limites e obstáculos ao seu desenvolvi- mento, a partir dos quais poderá escolher vocações, estabelecer metas, definir estratégias e prioridades, monitorar e avaliar resultados, enfim, a capacitação requerida para planejar e gerenciar, de forma compartilhada, o processo de desenvolvimento local. As estratégias de planejamento e gestão compartilhada, por serem participativas, contribuem para o crescimento do capital humano e do capital social, ampliando as possi- bilidades de empoderamento da população local e facilitando a conquista da boa gover- nança, que são algumas das condições necessárias para o desenvolvimento sustentável. 6.2-A Gestão Integrada 32 Figura: 7 A gestão integrada é citada como um aspecto fundamental para que haja desenvol- vimento. Para tanto, é apresentada uma metodologia de atuação que prevê o necessário envolvimento das lideranças do território e é composta por sete passos. O primeiro é a mo- bilização e sensibilização da comunidade local e o último é a implementação da agenda acordada com os atores, o monitoramento e a avaliação. O conteúdo apresentado traz as principais dificuldades normalmente enfrentadas no processo e formas de enfrentá-las. O desenvolvimento, sobretudo se quer ser humano, social e sustentável, exige o protagonismo local. Os maiores responsáveis pelo desenvolvimento de uma localidade são as pessoas que nela vivem. Sem o interesse, o envolvimento, o compromisso e a adesão da comunidade local, nenhuma política de indução ou promoção do desenvolvimento al- cançará êxito. O “integrado” significa um modelo de desenvolvimento que leva em conta a neces- sidade de articulação entre todos os atores que interagem no âmbito local, como tam- bém a necessidade de articulação entre os diversos fatores que interferem no desenvolvi- mento (fatores econômicos, sociais, culturais, político-institucionais, físico-territoriais, cien- tífico-tecnológicos). Nesse caso, temos que trabalhar fortemente com a ideia de que a gestão integrada precisa ser uma conquista da sociedade, ou seja, uma ampliação da esfera pública, uma forma de radicalizar a democracia, ampliando as possibilidades de participação e controle social na gestão daquilo que é do interesse público. Portanto, é antes uma conquista social do que uma concessão estatal. 33 6.3-Democratizar é Facilitar Democratizar a gestão da educação requer, fundamentalmente, que a sociedade possa participar no processo de formulação e avaliação da política de educação e na fisca- lização de sua execução, através de mecanismos institucionais. Esta presença da socie- dade materializa-se através da incorporação de categorias e grupos sociais envolvidos direta ou indiretamente no processo educativo, e que, normalmente, estão excluídos das decisões (pais, alunos, funcionários, professores). Ou seja, significa tirar dos governantes e dos técnicos na área o monopólio de determinar os rumos da educação. A criação de mecanismos institucionais deve privilegiar os organismos permanen- tes, que possam sobreviver às mudanças de direção no governo municipal. Os órgãos co- legiados, como conselhos, são os principais instrumentos. Alguns elementos facilitam a implantação de medidas de democratização da gestão: a educação é uma política de muita visibilidade, atingindo diretamente grande parte das famílias e não é difícil mobilizar profissionais, pais e alunos. É necessário que os mecanismos de democratização da gestão da educação alcan- cem todos os níveis do sistema de ensino. Devem existir instâncias de participação popular junto à secretaria municipal de educação, junto a escolas e, onde for o caso, em nível regional. Também é possível imaginar instâncias de participação especializadas, corres- pondentes aos diferentes serviços de educação oferecidos (creches, ensino médio, alfa- betização de adultos, ensino profissionalizante). Em qualquer instância, os mecanismos institucionais criados devem garantir a participação do mais amplo leque de interessados possível. Quanto mais representatividade houver, maior será a capacidade de intervenção e fiscalização da sociedade civil. Para que consigamos alcançar os objetivos de uma gestão integrada, é necessário que desde pequenas, as crianças aprendam a externar suas ideias e pontos de vista, e como bem sabemos; ninguém dá o que não possui. Se queremos formar cidadãos autô- nomos, participativos e independentes, também precisamos sê-los. Infelizmente, como dis- semos no início deste artigo, o resquício de uma educação ditadora, burguesa e "pseudo- democrata", reside no fato de que, muitos profissionais da educação, encontram ainda muita dificuldade em externar o que pensam e sentem diante de uma determinada situação, ouvindo e considerando as ideias divergentes das suas, sem, contudo, menosprezá-las. 34 Lamentar é fácil, o difícil é perceber o quanto também somos os responsáveis pelos pro- blemas que enfrentamos em nossas escolas. A luta por uma escola cada vez mais democrática, com a participação de toda a comunidade escolar, deve ser o compromisso de todos os profissionais que se propõe a construir uma sociedade participativa, como uma das formas de auxiliar as pessoas a promover as relações humanas, mais cooperativas e solidárias e verdadeiramente de- mocráticas e m nossas escolas. Esse é o nosso desafio! 7. REFERÊNCIAS: 35 AEC do BRASIL. Planejamento e Participação. Revista de Educação AEC, n. 54. Brasília, AEC, 1984. AEC do BRASIL. Planejamento: Educando para a participação. Revista de Educa- ção AEC, n. 75. Brasília, AEC, 1990. AGUIAR, Maria Aparecida F. Psicologia Aplicada à Administração: uma intro- dução à psicologia organizacional. São Paulo: Atlas, 1989. BAPTISTA, Myriam Veras. O Planejamento Estratégico na Prática Profissional Coti- diana. In: Serviço Social e Sociedade, n. 47. São Paulo: Cortez, 1995. BASTOS, João Baptista (org.). Gestão Democrática. Rio Janeiro: DP & A: Sepe, 1999. 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