Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

O Gestaltismo
A história do desenvolvimento do Gestaltismo e sua influência na Psicologia enquanto Ciência, bem como
seus principais representantes e contribuições no campo da Psicologia Clínica por meio da Gestalt-terapia.
Prof. José Augusto Rento Cardoso
1. Itens iniciais
Propósito
O Gestaltismo, importante movimento do século XX no âmbito da Psicologia, bem como a Gestalt-terapia, são
fundamentais para a atuação dos profissionais da psicologia na prática clínica, para promover a expressão da
experiência, considerando um diálogo que contempla a vivência corporal e mental de cada indivíduo.
Preparação
Para melhor compreensão de alguns termos que serão apresentados ao longo de seu estudo, sugerimos a
utilização de um Dicionário de Filosofia, bem como de um dicionário de Gestalt-terapia.
Objetivos
Categorizar o que é o Gestaltismo e suas contribuições para a Ciência Psicológica no início do século
XX.
 
Identificar as principais contribuições de Max Wertheimer, Wolfgang Köhler, Kurt Kuffka e Kurt Lewin,
nomes principais da Psicologia da Gestalt.
 
Reconhecer os aspectos centrais da proposta da Gestalt-terapia desenvolvida por Fritz Perls.
Introdução
Neste momento, você, provavelmente, está na frente de um computador, smartphone ou tablet, recebendo
uma série de estímulos que são captados pela sua visão.
 
Esses estímulos, inicialmente, se observados em seu aspecto mecânico, não possuem sentido. São caracteres
que, junto à luminosidade da tela, chegam até seu sistema visual, composto pelos olhos, partes do cérebro,
bem como rotas (nervos) que as conectam.
 
Entretanto, o que você experiencia não são estímulos sem sentido. Embora seu sistema visual capte esses
caracteres, que chamamos letras, você estará percebendo um texto, que lhe motiva a refletir sobre a sua
experiência concreta deste momento.
 
Você está percebendo um conjunto que, aos poucos, pode lhe proporcionar algum sentido, ou seja, você
percebe palavras, associa com situações do seu cotidiano, distingue o que está como aspecto central desses
estímulos (figura) e aquilo que está por trás, por exemplo, o layout da página que você está lendo (fundo).
A pergunta que se faz importante é: como se explica isso? Por que você não percebe somente
estímulos frios e mecânicos, mas uma experiência?
A resposta vem por meio do Gestaltismo ou Psicologia da Gestalt, movimento que surgiu oficialmente no início
do século XX e gerou grande repercussão na Ciência Psicológica, mudando o foco da pesquisa, bem como
trazendo grandes contribuições para diversas áreas da Psicologia.
 
• 
• 
• 
A partir deste momento, você está convidado a embarcar na estrada para compreender como as teses do
Gestaltismo são observáveis em nosso cotidiano e contribuem para descrever e explicar diversos aspectos da
nossa experiência psicológica.
1. Gestaltismo e suas contribuições para a Ciência Psicológica no início do século XX
Introdução à Psicologia da Gestalt
Neste primeiro módulo, vamos apresentar o Gestaltismo, sendo importante, em primeiro lugar, contextualizar
seu surgimento e como esse movimento buscava responder criticamente a alguns aspectos da Psicologia do
fim do século XIX e início do século XX.
 
Posteriormente, apresentaremos as principais teses do Gestaltismo, também conhecido como a Psicologia da
Gestalt, bem como a sua presença em nosso dia a dia, facilitando a sua compreensão teórica e existencial.
Investigando a Experiência Psicológica
No início de nossa caminhada para compreender o Gestaltismo, trouxemos o exemplo da sua experiência ao
ler este texto. Esse simples fato é marcado por uma complexa rede de acontecimentos. Você está recebendo
estímulos, captados pelo seu sistema visual. Você também pode estar recebendo estímulos captados por
outros sistemas, por exemplo, o auditivo (os carros passando na rua), o tátil (a textura da capa de seu
smartphone), o olfativo (o cheiro de uma comida que está lhe abrindo o apetite).
 
Além disso, você também se vê buscando manter a atenção neste texto, tentando não se distrair com as
mensagens de WhatsApp que chegam ou com algum problema que possa estar lhe afligindo.
 
Tudo isso, de alguma maneira, pode ser sintetizado na expressão experiência psicológica, ou seja, no simples
ato de ler este material, você está tendo uma complexa experiência envolvendo diversas operações.
A nascente Psicologia enquanto ciência moderna, durante o século XIX, tinha como principal
preocupação investigar experimentalmente o fenômeno da experiência psicológica (MORAES, 2007).
No contexto da época, para a investigação da experiência psicológica, duas realidades eram fundamentais:
A noção de sensação
No que diz respeito à noção de sensação, essa era compreendida como a base da experiência
psicológica, sendo uma reação fisiológica cuja causa seria um estímulo físico. De acordo com Moraes
(2007, p. 301) a sensação seria física, enquanto provocada por um estímulo externo, fisiológica, visto
causar uma alteração no corpo e psicológica, já que é o cerne da experiência psicológica.
Em nosso exemplo, podemos dizer que caracteres e luminosidade da tela são o estímulo físico que
causam uma alteração em seu sistema visual (aspecto fisiológico) e, por fim, contribuem para a
experiência psicológica (esperamos que a compreensão do presente texto).
A hipótese da constância
No que diz respeito à hipótese da constância, essa afirma que, mesmo com a variação da estimulação
local, caso o receptor seja o mesmo, a resposta permanece igual, ou seja, a sensação permanecerá
sem alteração. A hipótese da constância sustenta que existe uma relação direta entre estímulos e
sensações.
Entretanto, as tentativas de explicar a experiência psicológica, desde as premissas da hipótese da constância
e da noção de sensação, não eram suficientes. Tal tentativa era demasiada mecanicista, não dando conta da
complexidade da experiência psicológica.
 
Em síntese, não seria possível explicar sua experiência de leitura do presente material explorando apenas as
relações entre o estímulo e a sua manifestação em seu organismo psicofísico. Faz-se necessário se acercar
mais da experiência concreta da pessoa, do sentido que está agregado a essa experiência e, nesse contexto,
o Gestaltismo encontrou amplo caminho para o desenvolvimento de suas teses.
Esse caminho teria sido iniciado por Ehrenfels,
no século XIX, filósofo austríaco que cunhou o 
termo Gestalt, significando forma ou aspecto 
(WERTHEIMER, 1912). Ehrenfels defendia que
algumas percepções complexas, se divididas,
perdem suas propriedades. Nesse sentido, a
Gestalt seria uma estrutura perceptual inteira,
formada por elementos que interagem entre si
e geram propriedades diferentes das
individuais. Ehrenfels foi um dos pensadores
que influenciou o desenvolvimento da
Psicologia da Gestalt por Wertheimer.
 
Esse aspecto do pensamento de Ehrenfels influenciará uma das teses centrais do Gestaltismo, de que o todo
possui propriedades próprias que não são somente resultado da soma das partes. Essa é uma das teses mais
importantes do Gestaltismo, também conhecida como princípio holístico, que enfatiza o surgimento de um
sentido do todo que transcende a mera reunião das partes. Em síntese, o todo também possui sua
singularidade.
Nota-se, portanto, que a investigação da experiência psicológica, com o Gestaltismo, passa a levar
em consideração não somente as sensações isoladas, mas também a relação entre elas, ou seja,
abre-se espaço para o conceito de estrutura, que significa, justamente, a relação entre os elementos
de determinada experiência psicológica.
No contexto da Psicologia da Gestalt, isso se
faz perceptível pela utilização da teoria dos
campos, oriunda da Física. Segundo essa
teoria, a explicação de um fenômeno somente
poderia se dar se este fosse considerado
globalmente e interconectado. Kurt Lewin será
o principal representante do Gestaltismo a
explorar o conceito de campo.
 
Considerar a experiência psicológica de forma
global significa dizer que, no exemplo que
estamos trabalhando,devemos considerar não
somente a relação entre o estímulo (texto
digital) e a captação pelo sistema visual, mas também todos os demais estímulos, bem como o sentido, as
questões valorativas que estão para além do acúmulo das sensações.
Exemplo
Você pode estar muito motivado em ler esse texto pelo fato de gostar do tema, ou pelo fato de ter uma
prova no dia seguinte. As motivações influenciam na experiência psicológica. 
O Gestaltismo vai afirmar que a experiência psicológica é uma experiência de uma pessoa concreta,
dotada de motivações, perspectivas e que isso deve ser investigado. Não é a explicação de um dado
físico (relação estímulo/organismo), mas a apreensão do sentido que tal relação assume na
perspectiva da pessoa.
Nota-se, aqui, que o Gestaltismo também gera uma mudança na perspectiva da pesquisa na Ciência
Psicológica da época. Senão, vejamos. Anteriormente, como já dito, a Psicologia se debruçava sobre o estudo
da experiência psicológica desde uma perspectiva mecanicista, elementarista e associacionista.
 
Vamos explicar melhor a seguir:
 
O elementarismo defendia que seria possível compreender o todo somente levando em consideração a
função das partes. De acordo com Figueiredo (1998), a perspectiva elementarista na Psicologia
defende que os elementos da experiência (as sensações) são o objeto de estudo da Ciência
Psicológica, devendo esta compreender as relações de dependência dos elementos com o organismo.
Como já pontuado anteriormente, essa tese se digladia com a do holismo, defendida pelo Gestaltismo.
 
Na adoção de uma perspectiva mecanicista, havia uma tentativa de explicar a experiência psicológica
somente desde a relação estímulo/receptor, ou seja, como determinado estímulo externo (caracteres
do texto) atua no sistema visual, gerando a experiência (compreensão do texto). Em síntese, seria
como se nós tentássemos explicar o funcionamento do relógio a partir de como é seu mecanismo
interno, como os ponteiros se movimentam, mas não adentrássemos na sua principal função e no
sentido dela: informar as horas.
• 
• 
 
O associacionismo, em geral, defende que a experiência psicológica poderia ser compreendida a partir
da associação de seus elementos. Por exemplo, quando se fala do processo de aprendizagem, a
perspectiva associacionista diria que aprenderíamos a partir da junção de conhecimento. Quanto mais
conhecimento, melhor.
 
Essas perspectivas da Psicologia do século XIX acabavam restringindo-a aos laboratórios. O Gestaltismo
queria se debruçar sobre as vivências da pessoa comum, a experiência do homem em seu cotidiano, na qual
as perspectivas mecanicistas, associacionistas e elementaristas apresentavam limitações de explicação.
Aqui, há um esforço para que ciência e vida se encontrem e, com isso, pode-se pontuar um pequeno ponto de
encontro entre o Gestaltismo e a Psicologia Humanista, ainda que sejam movimentos com histórico de
desenvolvimento e preocupações diferentes.
Essa aproximação entre ciência e vida pode ser percebida em outro princípio do Gestaltismo: o do 
isomorfismo psicofísico.
Os representantes da Psicologia da Gestalt tinham a preocupação de que suas teses pudessem ser, de
alguma maneira, observáveis. Ao defender a importância de se observar a vivência concreta das pessoas, o
Gestaltismo se via no risco de cair no relativismo subjetivista, ou seja, cada pessoa tem uma experiência
psicológica diferente diante de um mesmo estímulo, não havendo aspectos comuns, generalizáveis e,
portanto, aptos a serem explicados pela Ciência Psicológica.
 
O Gestaltismo defende que as experiências psicológicas mantêm um paralelo com a fisiologia cerebral, ou
seja, as vivências particulares da pessoa, de algum modo, se manifestam em nível neurofisiológico.
 
Compreende-se que um mapa, por exemplo, pode ser a representação completa de tudo o que está presente
em determinado lugar, e mesmo que o mapa possa conter as rotas, pode não representar aspectos do relevo,
ou mesmo, flores, animais e outras pequenas características do local. Entretanto, o mapa é uma
representação material de uma realidade. É a “marca” física de uma experiência psicológica. Nas palavras de
Moraes (2007, p. 312):
• 
O isomorfismo psicofísico é um princípio estrutural: há uma identidade de estruturas entre o percepto e
o evento cerebral. Não está em jogo, neste caso, uma “imagem cerebral” que copie o dado fenomenal. A
fisiologia nervosa supõe correntes elétricas que, através de diferenças de potencial, delimitam domínios
heterogêneos correlatos àqueles que se apresentam no plano vivido.
Moraes (2007).
Outro importante princípio defendido pelo Gestaltismo é conhecido como Lei de Pragnanz. Segundo ela, a
organização de uma percepção será tão boa quanto permitam as condições presentes no momento. Veja o
exemplo a seguir:
Você, provavelmente, percebe um triângulo, ainda que haja espaços entre as linhas que formam o mesmo. A
lei de Pregnanz busca explicar esse fenômeno dizendo que as lacunas da figura são fechadas devido a
favorecerem uma imagem mais pregnante, mais estável, mais estruturada.
 
Diante de tudo isso, podemos ensaiar uma definição de Gestaltismo: um movimento, surgido no início do
século XX, como uma crítica às posições mecanicistas, elementaristas e associacionistas da Psicologia da
época, que buscou tornar mais próxima a relação entre ciência e experiência vivencial, exercendo influência
não somente no delineamento da pesquisa psicológica, mas também nos estudos do campo da Percepção,
Memória e Aprendizagem.
 
No próximo tópico, apresentaremos algumas leis do Gestaltismo que são facilmente observadas em nosso
cotidiano.
Leis do Gestaltismo
Embora não possam ser resumidas ao campo da percepção, as contribuições do Gestaltismo se deram,
sobretudo, nesta área, sendo que as chamadas Leis do Gestaltismo são explicações para a experiência
psicológica que encarnam o espírito do movimento de abarcar a vivência do homem em seu dia a dia.
 
Para o Gestaltismo, a percepção não era uma mera soma de estímulos sensoriais recebidos sem a
interferência da pessoa. A percepção seria um processo ativo no qual se busca organizar uma estrutura (uma
Gestalt ou Gestalten). As leis que serão elencadas a seguir estão subordinadas ao princípio de Pregnanz (ou
boa forma), citado anteriormente. Elas foram desenvolvidas por Wertheimer e também podem ser encontradas
com o nome de leis de organização.
Lei do Fechamento (Preenchimento)
Segundo esta lei, nossa mente completa os elementos necessários para que haja a complementação de
alguma figura. A Lei do Fechamento pode ser considerada um subprincípio direto da Lei da Boa Forma e o
exemplo do triângulo demonstra seu funcionamento.
Lei da Semelhança (Similaridade)
De acordo com a Lei da Semelhança, nós tendemos a agrupar os elementos similares em uma mesma
estrutura. O exemplo abaixo contribui para a compreensão desta lei.
Ao olharmos para esse conjunto de figuras, tendemos a focar nos círculos e deixar os triângulos em segundo
plano, ou vice-versa. Esse fenômeno se baseia na Lei da Figura e Fundo, mas também demonstra a tendência
a reunir os elementos semelhantes.
Lei da Proximidade
Nós tendemos a agrupar aqueles elementos que estão próximos entre si, seja espacial seja temporalmente.
Lei da Continuidade
Após percebermos um padrão, tendemos a continuá-lo, mesmo que desapareça. Por exemplo, duas linhas
tendem a ser vistas de forma contínua. Ao olhar uma cruz vemos uma linha vertical e uma horizontal que se
cruzam e não dois ângulos retos.
Lei de Figura e Fundo
Provavelmente, uma das leis mais importantes do Gestaltismo, muito conhecida por diversas imagens que
podem ser vistas na Internet. A Lei de Figura e Fundo manifesta que tendemos a manter o foco na superfície
ou no fundo, de modo que não somos capazes de focar em ambas as dimensões ao mesmo tempo. Existe
uma enorme quantidade de imagens na Internet que permitem confirmar a realidade desta lei, bem como de
outras. Dê uma olhada no Explore + para ampliar seu conhecimento.A Lei de Figura e Fundo foi, posteriormente, utilizada pela Gestalt-terapia para explicar o funcionamento do
comportamento humano. Pode-se perceber que essa lei contribuiu para melhor entendermos a organização
de nosso funcionamento e mostra quão necessária é a existência desses dois referenciais (figura e fundo)
para que haja nossa organização.
Precisamos de um fundo para que se sobressaia uma figura. Neste exato momento, você somente consegue
ler este material, pois há essa separação entre figura (letras digitadas) e fundo (layout da página).
 
Um aspecto interessante das leis do Gestaltismo é que elas apontam a necessidade da ação do sujeito para
complementar aspectos relacionados à percepção do estímulo, ou seja, não é somente uma relação direta do
estímulo com a recepção, mas existe uma interferência do sujeito. Por exemplo, na Lei de Figura e Fundo
existe uma ação do sujeito em focar, em algum momento, na figura ou no fundo, não sendo um acontecimento
automático ou programado.
Lei do Destino Comum
Afirma que quando vários objetos se movem de forma semelhante em uma mesma direção, eles são vistos
como um conjunto.
Saiba mais
Você quer ver mais de perto essas leis? Não deixe de dar uma espiada no Explore +! 
Você quer ver mais de perto essas leis? Não deixe de dar uma espiada no Explore +!
Agora que você já aprendeu sobre o Gestaltismo, bem como seus princípios e principais leis, apresentaremos
alguns dos principais nomes deste movimento e suas diferentes contribuições.
O Gestaltismo na História da Psicologia
Neste vídeo, vamos apresentar como o Gestaltismo mudou os rumos da pesquisa psicológica, defendendo
que esta deveria se aproximar da experiência cotidiana das pessoas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Investigando a Experiência Psicológica
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Leis do Gestaltismo
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A Psicologia, enquanto ciência moderna, durante o século XIX, teve como uma de suas
principais preocupações:
A O estudo dos aspectos psicopatológicos da personalidade.
B O desenvolvimento de testes psicológicos.
C A adaptação das teorias psicológicas para o campo da prática clínica.
D O estudo experimental da experiência psicológica.
E A busca pelo desenvolvimento de técnicas psicoterapêuticas válidas.
A alternativa D está correta.
A alternativa A, embora aponte um aspecto sobre o qual a Psicologia se debruçou, erra ao colocar que foi a
principal preocupação no século XIX, sendo tal tema mais abordado durante o século XX. A alternativa B
também comete equívoco parecido, sendo que a testagem psicológica tem seu maior desenvolvimento no
século XX. A alternativa C comete um equívoco, já que a adaptação das teorias para a prática clínica se dá,
sobretudo, a partir do início do século XX. A alternativa D é a correta, visto pontuar o esforço por,
experimentalmente, abordar a experiência psicológica. A alternativa E aponta algo que não era a
preocupação principal.
Questão 2
O Gestaltismo surge, dentre outros motivos, como uma resposta a determinadas posturas da
Ciência da época. Dentre essas posturas, a alternativa correta é:
A O Gestaltismo criticava a Psicologia Humanista por sua ênfase no potencial humano para o
crescimento.
B A Ciência Psicológica tinha, sobretudo, uma perspectiva elementarista, na qual o todo era mais
importante do que as partes, algo criticado pelo Gestaltismo.
C O Gestaltismo criticava o mecanicismo, que entendia o funcionamento psicológico desde uma
perspectiva da descrição das sensações e sua manifestação no organismo.
D A Psicologia da Gestalt criticava a ideia difundida de que a ciência deveria se aproximar da realidade
concreta da pessoa, pontuando a importância dos estudos em laboratórios.
E O Gestaltismo adotava, sobretudo, a postura associacionista para a explicação da experiência
psicológica.
A alternativa C está correta.
A alternativa A está incorreta, visto que a Psicologia Humanista não é contemporânea ao Gestaltismo, bem
como este criticava a ênfase ao potencial de crescimento humano. A alternativa B está incorreta ao afirmar
que, na perspectiva elementarista, o todo é mais importante que as partes (elementos). A alternativa C está
correta, pois, de fato, o Gestaltismo criticava o mecanicismo. A alternativa D está incorreta, pois o
Gestaltismo defendia a aproximação entre ciência e vida concreta. A alternativa E está incorreta, pois o
Gestaltismo criticava o Associacionismo.
2. Contribuições de Max Wertheimer, Wolfgang Köhler, Kurt Kuffka e Kurt Lewin
As teorias de Wertheimer, Koffka, Köhler e Lewin
O Gestaltismo tem seu marco de desenvolvimento na Alemanha, sendo, por isso, conhecido como Escola de
Berlim. Os principais nomes no início desse movimento são: Max Wertheimer, Wolfang Kohler e Kurt Koffka.
 
Neste módulo, apresentaremos um pouco de cada um desses pensadores, seus principais trabalhos e suas
contribuições para o Gestaltismo, bem como as contribuições de Kurt Lewin, grande promotor da Psicologia
da Gestalt e importante nome no desenvolvimento da Psicologia Social.
Max Wertheimer (1880-1943)
Wertheimer nasceu em Praga no ano de 1880.
Estudou Direito na Universidade de Praga,
mudando posteriormente a sua graduação para
a Filosofia, onde frequentou as classes de
Ehrenfels. Posteriormente, também estudou
Psicologia, obtendo seu doutorado em 1904, na
Universidade de Wurzburg.
 
A publicação de um artigo em 1912, 
Experimentelle Studien über das Sehen von Be-
wegung (Estudos experimentais sobre como
ver o movimento), é considerada o marco do
início da Psicologia da Gestalt. Nesse artigo,
Wertheimer abordará o chamado Fenômeno Phi e o movimento ilusório.
 
Você, decerto, já viu letreiros luminosos de alguma estação de trem que, aparentemente, lhe deram a
sensação de movimento. No entanto, sabemos que não há o movimento das luzes ou lâmpadas do letreiro,
mas o piscar de focos de luz que nos dão essa impressão. O cinema também apresenta essa realidade, ou
seja, uma série de películas que, ao serem exibidas, dão a impressão de movimento.
 
Essa questão era um grande problema para a Psicologia da época, ou seja, embora a experiência pessoal
fosse de movimento, objetivamente, este não existia. O que existia eram dois focos de luzes piscando,
entretanto, uma pessoa, ao receber esse estímulo, percebia um movimento aparente. Pela ótica da Psicologia
predominante no século XIX, a qual a Psicologia da Gestalt combaterá, o que se tinha eram dois feixes de luz,
mas a experiência da pessoa era de um movimento e não de dois feixes separados.
Como explicar o movimento desde uma perspectiva que só considera os estímulos separados?
Wertheimer, para explicar, cunhou o termo Fenômeno Phi, significando “a ilusão de que dois focos fixos de luz
piscante estão em movimento de um lugar para o outro” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2020, p. 292). Para
Wertheimer, o movimento aparente não poderia ser decomposto em seus elementos (tese elementarista), pois
era mais do que a soma de suas partes, sendo, na realidade, um todo que possuía sentido em si (tese
holística).
 
Também fica claro que, para a Psicologia da Gestalt, a Fenomenologia ganhará um importante espaço. Para se
aproximar da experiência da pessoa, deve-se deixar de considerar os conhecimentos prévios. No caso do
movimento aparente, isso ficou claro.
Saiba mais
Embora Wundt, representante da Psicologia Clássica do século XIX, defendesse que, a partir da
introspecção do estímulo (luzes piscando), o observador veria duas linhas de luz, isso não ocorria, ou
seja, ele continuava enxergando uma linha em movimento (Araújo, 2013). 
O método fenomenológico, portanto, se tornou o meio empreendido para se estudar a experiência psicológica,
sendo esse um ponto em comum do Gestaltismo com a Psicologia Existencial e com a Psicologia Humanista.
 
Embora pareça simples, a proposta de Wertheimerfoi revolucionária para época e, no contexto alemão,
encontrou um ambiente hostil. Afirmar a existência de experiências que não poderiam ser reduzidas a seus
elementos contrariava o status quo da Psicologia da época. Entretanto, a proximidade com a vivência das
pessoas gerou boa aceitação para muitos e, com isso, a Psicologia da Gestalt pode dar seu pontapé inicial.
Saiba mais
Wertheimer, devido à ascensão do Nazismo, emigrou para os EUA e, apesar das dificuldades de
adaptação à cultura e à língua, influenciou um importante nome da Psicologia do século XX: Abraham
Maslow, um dos principais nomes da Psicologia Humanista. Maslow realizou a pesquisa de pessoas que,
em sua avaliação, seriam modelos de autorrealização, e Wertheimer foi uma dessas pessoas, tendo
gerado forte impacto neste outro eminente pensador do século XX (SCHULTZ; SCHULTZ, 2020, p. 390). 
Wolfgang Kohler (1886-1941)
Koller pode ser considerado o principal porta-voz do Gestaltismo (SCHULTZ; SCHULTZ, 2020), por ter
apresentado os princípios da Psicologia da Gestalt de forma precisa, bem como adotado uma linguagem
compartilhada com a Física para explicar os fenômenos.
 
Kohler emigrou para a Alemanha com cinco anos de idade. Seu país de origem era a Estônia. Estudou em
diferentes Universidades e obteve seu doutoramento pela Universidade de Berlim.
Curiosidade
Um aspecto interessante da vida de Kohler é que o mesmo, em 1913, viajou para as Ilhas Canárias,
passando a estudar o comportamento de chimpanzés. Entretanto, houve a explosão da Primeira Guerra
Mundial e Kohler não conseguiu deixar o local, tendo passado cerca de sete anos trabalhando com o
comportamento animal. Existe uma polêmica afirmando que, na realidade, Kohler teria permanecido na
ilha por ser um espião alemão, entretanto, não existe comprovação de tal fato. 
Kohler, em 1920, publicou um importante livro, Static and Stationary Phisycal Gestalts (Gestalt Físico
estacionário e estático), no qual defendia que a teoria da Gestalt, na realidade, era uma lei geral da natureza,
podendo ser aplicada a outras ciências. De certa maneira, essa proposta de Kohler se coaduna com a
afirmação de que o Gestaltismo, mais do que um movimento da Psicologia, se transformou em uma Filosofia
da Natureza, ampliando suas teses para as demais áreas do conhecimento.
 
Com a ascensão do regime Nazista, Kohler, em 1935, deixou a Alemanha, passando a viver nos EUA. Esse
movimento, também repetido por Wertheimer e Koffka, contribuiu para que a Psicologia da Gestalt pudesse
ser disseminada fora da Alemanha e Europa.
 
Uma das importantes contribuições de Kohler se deu no campo da aprendizagem. De certa forma, essa
constatação contribui para perceber que a Psicologia da Gestalt não se resume aos aspectos referentes à
percepção.
Como já visto, para o Gestaltismo, uma
premissa básica é de que a percepção sofre
influência do campo como um todo, e não
somente de um estímulo isolado. Essa premissa
foi transportada por Kohler para o campo da
aprendizagem e resolução de problemas. Nesse
sentido, os experimentos com chimpanzés
ajudaram Kohler a perceber que o aprendizado,
mais especificamente a resolução de
problemas, não era um processo de acúmulo de
dados sensoriais ou tentativa e erro, e sim uma
reestruturação do campo perceptual.
 
Em uma dessas famosas experiências, um chimpanzé recebia duas varas que podiam ser unidas, aumentando
de tamanho. Fora de sua jaula, estava uma banana, a qual o chimpanzé não conseguia alcançar usando
somente uma vara. Segundo a descrição de Kohler, após várias tentativas, o chimpanzé desistiu de alcançar a
comida e permaneceu brincando com as varas, até que, de forma surpreendente, as uniu e foi pegar a banana.
Saiba mais
A esse fenômeno, Kohler deu o nome de insigth, uma apreensão e compreensão imediata das relações
presentes em determinada situação. Para Kohler, o insight era diferente da aprendizagem por ensaio e
erro, e envolvia uma reorganização do ambiente percebido pelo indivíduo, levando-o a desenvolver a
teoria do aprendizado por insigth. 
O aprendizado por insigth seria um processo cognitivo no qual ocorre a reorganização dos elementos de um
problema, levando a uma solução ou compreensão repentina e à resolução da situação. A noção de insigth
tornou-se importante não somente no campo do Gestaltismo e da Psicologia da Aprendizagem, mas também
no campo da Psicologia Clínica.
Kurt Koffka (1886-1941)
Koffka nasceu em Berlim, em 1886, crescendo
em uma família na qual o pai e o irmão seguiam
o campo do Direito. Contrariando o fluxo de
envolvimento com esta disciplina, Koffka
resolveu estudar Psicologia, tornando-se um
dos três grandes nomes iniciais da Psicologia
da Gestalt. Trabalhou com Wertheimer e Kohler,
sendo um dos mais criativos do trio.
 
Koffka sofria de daltonismo, sendo que seu
interesse pelo estudo da percepção humana
ganhava motivação por sua condição de saúde.
Além de ser importante no âmbito do
desenvolvimento inicial do Gestaltismo, Koffka se dedicou aos estudos sobre a memória e o pensamento.
Saiba mais
Uma contribuição importante de Kofka foi a elaboração de um artigo sobre a Psicologia da Gestalt,
publicado no periódico americano Psychological Bulletim, contribuindo para a expansão do Gestaltismo
nos EUA. 
Kofka também foi responsável por propor a extensão do conceito de Gestalt ao âmbito social. Em seu livro 
Princípios de Psicologia da Gestalt (1975), ele define que grupo pode significar grupo geográfico, ao qual ele
chamará de sociológico, e o grupo comportamental, ao qual chamará psicológico. Vamos entender mais sobre
esses grupos a seguir:
Grupos sociológicos
Koffka vai definir os grupos sociológicos como supersomativos, ou seja, estruturas diferentes da
soma das partes, seus membros. Nota-se aqui um princípio da Psicologia da Gestalt aplicado aos
grupos.
Grupos psicológicos
O grupo psicológico pode ser definido como a realidade de uma pluralidade de indivíduos que
funciona de forma unificada. Kofka refere-se a essa realidade a partir do uso do pronome nós.
Quando dizemos “nós lemos o texto sobre Gestaltismo”, não estamos afirmando que somente eu li, ou
que esse foi um ato particular isolado. Estou afirmando que o grupo emitiu esse comportamento.
Com isso, Kofka vai definir três grandes problemas no campo da Psicologia Social:
 
Como se organizam os grupos psicológicos?
 
Quais as suas características fundamentais
 
Quais as consequências da atividade social?
 
Kofka utiliza as leis da Psicologia da Gestalt para explicar os grupos psicológicos, trazendo para o campo
social os enunciados de semelhança, fechamento, estabilidade etc., para explicar os grupos sociais.
Kurt Lewin (1890-1947)
Em algum momento de seus estudos, você,
provavelmente, escutará que Kurt Lewin é um
dos mais importantes nomes da Psicologia
Social, sendo possível que a referência dele ao
Gestaltismo passe despercebida. Entretanto,
Lewin foi um entusiasta do Gestaltismo, sendo
suas ideias, inicialmente, tão próximas do trio
de Berlim (Wertheimer, Kohler e Kofka) que se
acreditava que eram todos muito amigos.
 
Diversas foram as contribuições de Lewin e, de
certa maneira, pode-se dizer que, embora seja
um representante do Gestaltismo, aos poucos,
suas ideias se afastaram um pouco da Psicologia da Gestalt, uma vez que ele começou a considerar a
importância das necessidades humanas, da personalidade e das influências sociais na compreensão do
comportamento e da experiência psicológica.
 
• 
• 
• 
Uma primeira grande contribuição de Lewin deve-se à formulação da Teoria de Campo, realizando uma
equivalência ao conceito de campos de força próprios da Física.
A teoria de campo defende que o comportamento humano se deve tanto aos aspectos particulares
da pessoa como às características do meio no qual ela está inserida. Com essa afirmação, Lewin
postulava que o comportamento humano não era somente resultado dos impulsos, bem como não
era simplesmente uma resposta aos estímulos do ambiente, ou seja, se contrapunha às explicações
psicanalistase behavioristas.
Dessa constatação, Lewin (1965) formulará a equação:
Ou seja, o comportamento da pessoa é igual à função da relação da pessoa com o seu meio. Um pouco de
Matemática na Psicologia, ainda que, para alguns, isso seja um verdadeiro problema.
 
Para complementar sua teoria de campos, Lewin utilizará o conceito de espaço vital ou espaço de vida. O
espaço vital compreende todos os acontecimentos do passado, presente e futuro que, porventura, venham a
afetar o comportamento da pessoa. No espaço vital, estão incluídos os fatores pessoais: crenças,
necessidades, metas, bem como os fatores ambientais externos à pessoa.
É no espaço vital que a pessoa experimentará tensões, ou seja, forças que buscam ser atendidas no
meio. A tensão sempre envolve uma relação entre forças e o meio em que se dão.
Por exemplo, voltemos à nossa leitura deste material. Neste momento, o seu espaço vital, de forma
simplificada, envolve você e o ambiente de estudo. Agora que você está lendo e buscando entender a teoria
de campo de Lewin, existe uma força que, graficamente, seria representada por um vetor (seta) na direção do
texto (página web) que você busca compreender. Na imagem a seguir, representamos graficamente tal
situação.
Bluma Zeignark na infância.
Se você deseja compreender o texto e a sua ação está de acordo com esse desejo, temos o que Lewin
denomina valência positiva, ou seja, há uma coerência entre seus desejos e seus comportamentos, havendo a
possibilidade de satisfação dos mesmos. Entretanto, se você, na realidade, está desejando interromper a
leitura para se deliciar com um lanche, teríamos uma valência negativa, ou seja, a relação entre seus desejos e
suas ações está invertida.
 
De acordo com Rodrigues (2020, p. 124):
O conceito de valência refere-se ao que mobiliza a pessoa para um potencial movimento, sempre
pensando em uma situação vivida.
Cardoso (2020).
Lewin (1965) corroborou suas hipóteses por
meio do trabalho de Bluma Zeignark
(1901-1988), que elaborou um experimento no
qual voluntários recebiam tarefas durante o
período de tempo de um dia. Algumas tarefas
foram interrompidas pelos pesquisadores de
forma proposital, outras não, permitindo que o
voluntário alcançasse o objetivo.
 
A premissa era que um voluntário, quando
recebesse uma tarefa para ser cumprida,
começasse a vivenciar uma tensão, ou seja,
uma relação de forças. Se a tarefa era
concretizada, a tensão terminava, mas se fosse
interrompida, a tensão permanecia. Ao fim do
dia, os voluntários foram questionados sobre quais tarefas se lembravam e a maioria deles mencionava as que
não concluíram, ou seja, as interrompidas, reforçando a existência da continuidade da tensão pelo não
fechamento da situação.
 
Talvez você já tenha experimentado algo parecido quando o fato de não ter terminado uma tarefa ecoa na sua
mente mais do que todas as tarefas terminadas.
Saiba mais
Segundo Rodrigues (2020), o marketing e a propaganda utilizam os achados desse estudo, conhecido
como Efeito Zeigarnik, para criar os famosos teasers. Neles, há a mobilização do público, mas não a sua
satisfação, ou seja, cria-se uma expectativa, necessidade (tensão), mas não há seu fechamento,
gerando maior retenção da informação na memória da pessoa. Experimente isso vendo o teaser de
algum filme que lhe gera muita expectativa! 
Lewin foi importante no contexto do Gestaltismo, mas também nas suas contribuições para a Psicologia
Social. Foi ele quem desenvolveu, de forma pioneira, os estudos sobre as dinâmicas de grupo, bem como
sobre os diferentes tipos de liderança. No entanto, essas contribuições ficam para o campo da Psicologia
Social.
Kurt Lewin: Do Gestaltismo à Psicologia Social
Neste vídeo, vamos apresentar as contribuições de Kurt Lewin para a Psicologia Moderna, sobretudo com
suas considerações desde a teoria de campo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Max Wertheimer (1880-1943) e Wolfgang Kohler (1886-1941)
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Kurt Koffka (1886-1941) e Kurt Lewin (1890-1947)
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Max Wertheimer é considerado o pai da Psicologia da Gestalt. Um de seus principais estudos
se debruçou sobre o chamado movimento ilusório, também conhecido como Fenômeno Phi.
Quanto a tal fenômeno, é correto afirmar que:
I) O fenômeno Phi confirma a hipótese de que a experiência psicológica pode ser reduzida a
seus elementos, sendo que as partes, pontos luminosos, são mais importantes do que o todo,
o movimento de luz, percebido pelas pessoas.
 
II) O fenômeno Phi confirmou a hipótese de que o todo não é mera soma de suas partes, mas
uma realidade própria com sentido, tese holística.
 
III) O fenômeno Phi foi bem aceito na Psicologia da época, visto já ser uma hipótese
considerada como melhor explicação da experiência psicológica.
A Somente a I está correta.
B I e II estão corretas.
C Somente a III está correta.
D II e III estão corretas.
E Somente a II está correta.
A alternativa E está correta.
A afirmativo I está incorreta, visto que o fenômeno Phi não confirma a tese elementarista. A alternativa II
está correta, pois o fenômeno Phi confirma a chamada tese holística. A alternativa III está incorreta, pois o
fenômeno Phi não foi bem aceito pela Psicologia da época por contrariar a tese elementarista principal.
Questão 2
Kofka, em seus estudos, contribuiu para a extensão das premissas e ideias da Psicologia da
Gestalt para o âmbito social. Nesse contexto, Kofka formulou dois conceitos. São eles:
A Grupo sociológico e grupo psicológico.
B Grupo geográfico e grupo de apoio.
C Grupo sociológico e grupo de ajuda.
D Grupo psicológico e grupo de apoio.
E Grupo psicológico e grupo de ajuda.
A alternativa A está correta.
Kofka formulou dois conceitos importantes: grupo sociológico e grupo psicológico, sendo a alternativa A a
correta.
3. A proposta de Gestalt-terapia desenvolvida por Fritz Perls
Gestalt-terapia de Fritz Perls
Nossa caminhada está chegando ao fim e, agora, podemos apresentar um pouco da Gestalt-terapia.
Inicialmente, pode parecer que o fato de ser chamado Gestalt leva a que acreditemos que a Gestalt-terapia
seria a aplicação do Gestaltismo ao âmbito clínico. Entretanto, essa transposição não é tão clara. Como
veremos, Fritz Pearls, principal desenvolvedor dessa teoria, nutria algumas discordâncias com o movimento da
Psicologia da Gestalt.
 
Inicialmente, você será apresentado a um pouco da história da Gestalt-Terapia, bem como sua relação com a
Psicologia Humanista e as principais influências filosóficas recebidas por esta escola de psicoterapia.
Posteriormente, discutiremos alguns conceitos importantes dentro do contexto da Gestalt-terapia, bem como
seu entendimento de intervenção psicoterapêutica.
Gestalt-terapia: uma breve história
O marco de surgimento da Gestalt-terapia é o ano de 1951, quando Frederick Perls (Fritz Perls), Paul Goodman
e Ralph Hefferline lançaram o livro Gestalt-therapy: Excitement and grouth in the human personality, publicado
no Brasil como Gestalt-terapia, em 1997.
 
Nesse livro, os autores apresentam não somente os trabalhos (anotações) que Fritz havia desenvolvido ao
longo dos anos e, especialmente, no tempo em que viveu na África do Sul, bem como as discussões
envolvendo o chamado Grupo dos Sete.
Grupo dos Sete
Isadore From, Paul Goodman, Paul Weisz, Sylvester Eastman, Elliot Shapiro, Laura Perls e Fritz Perls. 
Curiosidade
Laura Perls, cocriadora da Gestalt-terapia, foi casada com Fritz, tendo ambos se conhecido no tempo de
trabalho com Kurt Goldstein. 
Em termos de contexto histórico, a Gestalt-terapia surge no meio da ascensão da Psicologia Humanista nos
EUA. Embora Fritz tenha nascido na Alemanha, devido ao crescimento do Nazismo, acabou emigrando para
África do Sul e, posteriormente, para os EUA. Conforme sintetiza Frazão (2020, p. 12):
A psicologia humanista enfatizaa autorrealização por meio do desenvolvimento das potencialidades
humanas de crescimento e criatividade. O homem se autodetermina, interage ativamente com seu
ambiente, é livre e pode fazer escolhas, sendo responsável por elas no universo interrelacional no qual
vive, o que constitui um novo paradigma.
Frazão (2020, p. 12)
De fato, a Gestalt-terapia é, algumas vezes,
inserida dentro do contexto da Psicologia
Humanista, sendo, outras vezes, considerada
como uma abordagem a parte. No entanto,
notam-se alguns importantes pontos de
encontro entre as duas correntes de
psicoterapia, não só por pressupostos
filosóficos, mas também por alguns objetivos,
como, por exemplo, a Gestalt-terapia focar não
somente na cura, mas também no
desenvolvimento e crescimento da pessoa,
permitindo-lhe desenvolver todas as suas
potencialidades.
Fritz Perls, formado em Medicina em 1920, teve, ao longo de
sua vida, contato com iminentes nomes da psicologia, como
Karen Horney e William Reich, e trabalhou com Kurt
Goldstein, que se baseava na Psicologia da Gestalt em suas
pesquisas, sendo que Laura Perls, que também foi aluna de
Wertheimer, desenvolveu seu doutorado em Psicologia da
Gestalt. Logo, pode-se perceber como o Gestaltismo, de
alguma forma, influenciou o pensamento dos Perls, embora
outros estivessem no caldeirão que cozinhou a Gestalt-
terapia.
Goldstein ampliou a Psicologia da Gestalt para a 
compreensão do organismo como um todo, sendo o criador
da teoria organísmica, que propõe a importância da
totalidade na compreensão do organismo humano.
 
Para a teoria organísmica, qualquer sintoma deve ser visto desde a perspectiva de que o que atinge uma parte
atinge o todo. Além disso, a teoria organísmica propõe uma unidade entre corpo e mente, algo importante no
desenvolvimento da Gestalt-terapia, bem como a concepção de que o ser humano tende ao equilíbrio,
seguindo o princípio da homeostase.
Saiba mais
Dentre as influências da Gestalt-terapia, vale pontuar que Laura e Fritz tinham orientação, sobretudo,
psicanalítica, sendo que nas discussões sobre o nome da abordagem que vinham desenvolvendo (junto
com o Grupo dos Sete), Laura chegou a sugerir o nome de Psicanálise Existencial. 
De acordo com Frazão (2020), a Gestalt-terapia, desde seu início, teve duas fortes correntes, a primeira
conduzida por Fritz Perls, mais voltada para a prática da demonstração do funcionamento da mesma, e a
segunda, com centro mais restrito inicialmente a Nova York, voltada para o aprofundamento da teoria e as
bases filosóficas da abordagem.
 
A Gestalt-terapia no Brasil começou sua caminhada no início da década de 70. De acordo com Frazão (2020),
a perspectiva encontrou um momento social conturbado, sendo que sua premissa de horizontalidade da
relação chamou o interesse de alguns psicólogos. Ao longo dos anos, o crescimento vem sendo ampliado em
terras Brasileiras, contando hoje com centros de formação e uma vasta bibliografia na área, permitindo acesso
às obras clássicas da abordagem, bem como aquelas que vêm sendo desenvolvidas ao longo dos últimos
anos.
Influências Filosóficas na Gestalt-terapia
É praticamente impossível não considerar as influências filosóficas nas diferentes abordagens psicológicas.
Ainda que, na nascente Psicologia no contexto alemão do século XIX, tenha ocorrido uma cisão entre os
chamados psicólogos e os filósofos, essa ocorre muito mais por questões institucionais do que pela relação
entre essas duas áreas do conhecimento (ARAÚJO, 2013).
 
No caso da Gestalt-terapia, as influências filosóficas são, principalmente, as do existencialismo, da
fenomenologia e do humanismo.
 
No que diz respeito ao existencialismo, embora inicialmente o mesmo não tenha sido pontuado como
influenciador na Gestalt-terapia, posteriormente, foi reconhecido por Perls como central na abordagem.
 
Embora possamos afirmar que o mais correto seria falar sobre Existencialismos, em vez de falar de somente
um Existencialismo, uma definição comum às diversas perspectivas dentro desse movimento seria a utilização
da análise da existência concreta como forma de aproximação à realidade da pessoa.
O Existencialismo se preocupa em aprofundar as experiências de angústia, sofrimento, esperança e sentido
do homem comum, debruçando-se sobre a morte e a vida, o medo e o amor. Perls (1997) afirma que a
Gestalt-terapia era uma das abordagens terapêuticas existenciais, junto com a Logoterapia, de Viktor Frankl, e
a Daseinanálise, de Biswanger.
É certo que uma série de autores do
Existencialismo influenciaram a Psicologia do
século XX, sobretudo a Psicologia Existencial e
Humanista. No contexto da Gestalt-terapia, um
importante nome foi o filósofo Martin Buber
(1878-1965).
 
Buber (1977) desenvolveu uma rica filosofia da
relação, demarcando o aspecto relacional como
fundante da realidade da pessoa. Nesse
sentido, ele se contrapunha às características
tão proeminentes do nosso tempo, de ênfase
no individualismo ou em relações superficiais,
ou líquidas, para lembrar o conceito consagrado pelo sociólogo Zygmunt Bauman.
 
A pessoa, em sua existência, pode estabelecer relações do tipo Eu-Isso, que na perspectiva de Buber seriam
relações nas quais o outro é, na realidade, um objeto. As relações autênticas serão aquelas baseadas no Eu-
Tu, nas quais se encontra a totalidade do outro e este é mais do que um mero objeto, mas um fim em si.
 
O pensamento de Buber terá grande influência na chamada Gestalt-terapia dialógica, que demarca a relação
terapêutica como um encontro existencial, no qual o processo terapêutico encontra seu ponto fundamental de
apoio. Essa relação terapêutica se baseará em uma atitude aberta ao cliente, de acolhimento e esvaziamento
de preconceitos.
 
A perspectiva relacional na Gestalt-terapia se dá também no respeito aos princípios básicos do diálogo: a
inclusão, a confirmação, a presença e a “entrega ao entre”.
 
A inclusão significa a capacidade de se colocar no lugar do cliente, mas sem perder a perspectiva do
terapeuta. Significa aceitar o cliente sem desejar modificá-lo, não querendo torná-lo diferente, o que contribui
para facilitar a expressão do mesmo.
 
A “entrega ao entre” aponta para a capacidade do terapeuta em estar presente e aberto ao encontro, sendo
necessárias posturas compassivas, humildade e gentileza. Nota-se que, na Gestalt-terapia, a relação se dará
sobretudo de forma horizontal. O terapeuta não é o detentor do saber, do conhecimento e domínio, ele é um
eu que se encontra com um tu.
A presença reforça a importância do aqui e agora, aspecto
central na Gestalt-terapia. A relação ocorre no momento
presente, ainda que aspectos do passado e futuro possam
estar em campo, estarão como presente. A confirmação é
fundamental para que o cliente se experimente reconhecido
em sua unicidade enquanto ser no mundo. A partir dela, se
abre a possibilidade do crescimento sem medo de que suas
atitudes e comportamentos sejam entraves para a relação
com o outro.
Além do Existencialismo, a Fenomenologia foi outra
importante influência no desenvolvimento da Gestalt-
terapia.
 
A Fenomenologia pode ser compreendida como um método, uma atitude, uma tentativa de apreender
determinado fenômeno de forma objetiva.
 
Diante da realidade do outro, da pessoa concreta que se põe à nossa frente, podemos nos deparar com o
questionamento de como apreender e compreender essa realidade. Aqui, não estamos falando da realidade
do ser humano de forma global, mas daquela pessoa única, irrepetível, particular que se apresenta.
 
Nesse sentido, quebrar os preconceitos e deixar as ideias preconcebidas sobre o outro se torna fundamental,
e é exatamente nesse aspecto que a Fenomenologia se torna importante para a Gestalt-terapia, bem como
para as psicoterapias em geral. Sabe-se que sair de uma posição prévia de visão, de uma rede referencial,
para buscar uma nova compreensão, pressupõe um fazer fenomenológico e gestáltico.
Saiba mais
Por fim, também avaliamos importante demarcar as contribuições do pensamento oriental, sobretudoo
zen-budismo no pensamento de Fritz Perls e, com isso, na Gestalt-terapia. Veras (2020) afirma que o
pensamento oriental se encontra no pensamento de Perls desde suas primeiras publicações, como em
seu livro Ego, fome e agressão (2002), no qual já se percebe, por exemplo, a importância da atitude de
aceitação, em que não se tenta dominar a dor, mas vivenciar o momento em que a mesma se dá. 
Outro ponto importante é a ênfase que a Gestalt-terapia dá ao aqui e agora, que se manifesta de forma
significativa nas práticas meditativas orientais. O encontro se dá na ideia de continuum de awareness,
sublinhado pela Gestalt-terapia, significando a investigação da experiência desde um olhar sem preconceito,
que deixa, temporariamente, suspenso o saber, buscando vivenciar a essência do momento, e o olhar de
principiante, estimulado nas práticas de meditação, nas quais o abandono do conhecimento e controle sobre a
realidade é necessário para a abertura e receptividade ao novo.
 
Apresentadas algumas influências filosóficas na Gestalt-terapia, podemos, agora, discutir alguns conceitos
importantes.
Gestalt-terapia: conceitos importantes
Ao longo deste caminho, já tratamos de alguns conceitos importantes na Gestalt-terapia, desde aqueles
enfatizados pela Psicologia da Gestalt até os que surgem das influências filosóficas nesta abordagem. Agora,
pretendemos abordar, de forma mais concisa e objetiva, alguns conceitos importantes para a Gestalt-terapia.
A lei de Figura e Fundo
O primeiro deles é uma herança direta do Gestaltismo e das leis de organização: a Lei de Figura e Fundo. Perls
transpôs a Lei de Figura e Fundo para o campo organismo/ambiente, permitindo pontuar que a necessidade
mais importante para a pessoa, em determinado momento, se torna a figura, devendo ser buscada e, quando
satisfeita, passando a ser o fundo.
 
Vamos voltar ao nosso exemplo inicial. Enquanto você está estudando este texto, sua busca é por
conhecimento (ou talvez conseguir ser aprovado na disciplina). Existe uma necessidade e você está atuando
em prol de satisfazê-la. A figura, o que está na sua frente, é a tela de seu computador, e ao fundo, o layout da
página. Para além disso, o que está como figura é todo o conteúdo, e ao fundo, preocupações, sons, cheiros
etc.
No entanto, você percebe em algum momento
que está com fome e, de repente, nota o cheiro
delicioso que vem do restaurante embaixo do
seu apartamento. Neste momento, surge uma
nova necessidade (necessidade de se
alimentar, fome) e a necessidade de aprender
abre espaço para o hambúrguer que está sendo
feito (poderia ser também a salada fit, mas não
teria tanto cheiro). A partir desse momento, seu
comportamento deixa de ser orientado para a
satisfação da necessidade de conhecimento e
passa a ser o de comprar a comida deliciosa
que prendeu toda a sua atenção.
 
Na perspectiva de Fritz (2020), a necessidade mais importante se torna a figura, e o comportamento da
pessoa começa a se organizar para a satisfação da mesma. Quando satisfeita, essa necessidade recua para o
fundo, levando a um equilíbrio temporário e dando espaço à necessidade mais importante no momento.
A importância da figura e fundo não se dá somente pela explicação de aspectos do comportamento
humano, mas também pela sua tentativa de dar conta do adoecimento mental. Isso porque a vida
saudável pode ser a expressão da fluidez no processo de formação figura/fundo, no qual as
necessidades imperantes do organismo são satisfeitas de acordo com sua emergência.
Para a Gestalt-terapia, na neurose e, também, na psicose, há um prejuízo na formação da figura/fundo, tanto
quanto a uma rigidez (fixação) na formação quanto a uma repressão. Quando isso ocorre, a Gestalt (figura/
necessidade não satisfeita) não é completa, levando a uma situação inacabada, geradora de preocupações,
temores e atitudes que geram prejuízo para a pessoa. Esse contexto dificulta o equilíbrio do organismo, o
alcance da homeostase, outro conceito importante na Gestalt-terapia. Para a Gestalt-terapia, o princípio da
homeostase afirma que toda vida tende a buscar um equilíbrio.
 
O conceito de homeostase em Gestalt-terapia recebe influência da teoria organísmica de Goldstein, já
apresentada brevemente na parte histórica. Dentro dessa teoria, um conceito importante é o de
autorregulação organísmica, significando a busca dos seres vivos por alcançarem a satisfação de suas
necessidades na interação com o meio em que se encontram. Perls (2020, p. 20) define a homeostase como:
O processo pelo qual o organismo mantém seu equilíbrio e, consequentemente, sua saúde sob
condições diversas. A homeostase é, portanto, o processo através do qual o organismo satisfaz suas
necessidades.
Perls (2020, p. 20) 
Ainda de acordo com Perls, uma vez que as necessidades são muitas e sempre haverá a emergência de
necessidades para perturbar o equilíbrio do organismo, o processo de homeostase perdura o tempo todo, em
uma contínua autorregulação do organismo.
 
O processo homeostático está atrelado a duas necessidades básicas do organismo:
 
Sobrevivência
 
Crescimento
 
O primeiro processo de autorregulação do organismo será manter-se vivo e, alcançado esse equilíbrio, a
busca pelo crescimento e desenvolvimento.
 
Toda perturbação do equilíbrio do organismo resulta em uma Gestalt incompleta (a situação inacabada),
gerando a necessidade de reequilíbrio, ou seja, alcance da homeostase. Nesse aspecto, a Gestalt-terapia
entende a neurose como a incapacidade do indivíduo em conseguir encontrar e manter o equilíbrio entre si e o
ambiente.
Atenção
O ponto interessante é que a ênfase na forma, mais do que no conteúdo, começa a ser dada. O
importante não é o conteúdo da neurose em si, mas a relação da pessoa com seu meio e a percepção
dessa relação. 
• 
• 
Essa relação sempre se dará no presente, no aqui e agora,
conceito básico da abordagem da Gestalt-terapia. Não é a
negação do passado e do futuro, mas a afirmação de que a
existência e a vivência dos mesmos se dá no presente. Daí
nasce a importância da presentificação (awareness), ou
seja, a capacidade de vivenciar o momento concreto, tomar
consciência do corpo, do organismo como um todo que
busca se desenvolver no processo terapêutico.
Saiba mais
Processo terapêutico que visa contribuir para que a pessoa consiga fechar as Gestalt abertas, ou seja,
aquelas necessidades não satisfeitas que geraram situações inacabadas. 
Aqui temos o elo de ligação entre o Gestaltismo e a Gestalt-terapia: a compreensão da existência de uma
totalidade, de uma Gestalt que Perls (2020) entende como uma configuração, um modo particular de
organização que serve como teoria para a estruturação do funcionamento humano.
 
É nesse caminhar que a Gestalt-terapia se desenvolveu como uma abordagem que, mais do que buscar a cura
de doenças mentais, se preocupa em contribuir para o crescimento e desenvolvimento da pessoa.
Gestalt-terapia: uma terapia do encontro
Neste vídeo, vamos apresentar a história da Gestalt-terapia, a partir de seu principal fundador, Fritz Perls, bem
como as influências que recebeu da Fenomenologia e do Existencialismo de Martin Buber.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Influências Filosóficas na Gestalt-terapia 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Gestalt-terapia: conceitos importantes 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A Gestalt-terapia é apontada por alguns como parte da Psicologia Humanista, ainda que Perls
(2020) tenha pontuado que esta poderia ser considerada uma das terapias existenciais. No
que diz respeito à relação entre Psicologia Humanista e Gestalt-terapia, é correto afirmar que:
I) A Gestalt-terapia e a Psicologia Humanista compartilham pressupostos filosóficos
semelhantes, como o método fenomenológico.
 
II) A Gestalt-terapia e a Psicologia Humanista compartilham o objetivo de contribuir para que a
pessoa possa desenvolversuas capacidades e potencialidades.
 
III) A Gestalt-terapia é, sobretudo, uma proposta centrada no desenvolvimento de técnicas e
protocolos robustos de tratamento, desconsiderado a importância da relação terapêutica.
A Somente a I está correta.
B I e II estão corretas.
C Somente a III está correta.
D II e III estão corretas.
E Somente a II está correta.
A alternativa B está correta.
A afirmativa I aponta um fator comum entre Gestalt-terapia e Psicologia Humanista: o método
fenomenológico. A alternativa II está correta ao afirmar um objetivo comum entre ambas. A alternativa III
está incorreta, visto que a Gestalt-terapia se preocupa com a relação terapêutica.
Questão 2
A Gestalt-terapia de orientação dialógica recebeu influência do filósofo Martin Buber, que
enfatiza a importância da relação Eu-Tu. Nesse contexto, pontua-se a importância de
considerar os princípios básicos do diálogo na relação terapêutica. Dentre esses princípios,
podemos afirmar:
A A inclusão é um princípio que deve ser desconsiderado, visto a possibilidade de gerar uma relação
terapêutica pouco distanciada, permitindo problemas contratransferenciais.
B A “entrega ao entre” é um importante princípio que demarca a capacidade do terapeuta de estar aberto
e compassivo com o cliente.
C O terapeuta deve se fazer presente como detentor do saber, estabelecendo uma clara hierarquização
entre ele e o cliente.
D A confirmação deve ser sempre limitada, não podendo o terapeuta confirmar aspectos do cliente
contrários à sua visão de mundo.
EA presença deve considerar a importância do passado na vida presente do cliente, sendo que retomar os
acontecimentos da infância e adolescência deve ser um ponto constante no processo terapêutico.
A alternativa B está correta.
A alternativa A está incorreta ao afirmar que a inclusão deva ser desconsiderada. A alternativa B está
correta, sendo a “entrega ao ente” essa abertura e atitude compassiva com o cliente. A alternativa C está
incorreta ao afirmar que deve haver essa relação vertical entre terapeuta e cliente, bem como associá-la ao
se fazer presente. A alternativa D incorre no erro de afirmar que a confirmação depende da visão do mundo
do terapeuta. A alternativa E está incorreta ao frisar a importância dos acontecimentos passados, inclusive
com ênfase neles durante o processo terapêutico.
4. Conclusão
Considerações finais
Chegamos ao fim de nossa caminhada na busca por compreender o Gestaltismo, também chamado de
Psicologia da Gestalt, e a Gestalt-terapia, abordagem psicoterapêutica que, junto com a Psicologia Humanista,
gerou uma modificação na compreensão do comportamento e funcionamento da mente humana.
 
O Gestaltismo provocou uma grande mudança na Psicologia, não somente por questionar seus métodos de
pesquisa, mas, sobretudo, por motivar uma ciência mais próxima da experiência humana, não fechada entre as
paredes dos laboratórios.
 
As contribuições da Psicologia da Gestalt para os estudos sobre a percepção, o desenvolvimento humano e a
aprendizagem foram significativas, sendo que muitas das leis de organização se fazem perceptíveis em nossa
vida cotidiana.
 
A Gestalt-terapia, com os esforços de Fritz Perls e o Grupo dos Sete, tornou-se uma abordagem difundida por
todo o mundo, permeada pela influência de grandes nomes da Psicologia do século XX e, até hoje, sendo
utilizada em intervenções no âmbito clínico.
 
Esperamos que você tenha mantido este conteúdo como figura ao longo de seu processo de aprendizagem,
fechando essa Gestalt e crescendo ainda mais no seu conhecimento sobre a Ciência Psicológica.
Podcast
Neste podcast, o especialista apresentará como o Gestaltismo e suas leis foram importantes para a
Psicologia e se fazem presentes na nossa realidade cotidiana, explicando como nós percebemos o
mundo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Uma dica muito interessante para melhor compreender o poder dos grupos é o filme A Onda. Você consegue
fazer uma análise do mesmo aplicando as teorias aqui aprendidas?
Referências
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.
 
ARAÚJO, S. F. Ecos do Passado: Estudos de História e Filosofia da Psicologia. Juiz de Fora: UFJF, 2013.
 
BUBER, M. Eu e tu. São Paulo: Cortez & Moraes, 1977.
 
D'ACRI, G.; LIMA, P.; ORGLER, S. Dicionário de Gestalt-terapia: “gestaltês”. São Paulo: Summus, 2007.
 
FIGUEIREDO, L. C. M. Matrizes do pensamento psicológico. Petrópolis: Vozes, 1998.
 
FRAZÃO, L. . Um pouco da história... um pouco dos bastidores. Gestalt-terapia-Fundamentos Epistemológicos
e Influências Filosóficas, v. 1, p. 11-23, 2020.
 
KOFFKA, K.; CABRAL, Á. Princípios de psicologia da Gestalt. São Paulo: Cultrix, 1975.
 
LEWIN, K. Teoria de campo em psicologia social. São Paulo: Pioneira, v. 1951, 1965.
 
MARX, M. H.; HILLIX, W. A. Sistemas e teorias em psicologia. São Paulo: Cultrix, 1973.
 
MORAES, M. et al. O gestaltismo e o retorno à experiência psicológica. História da Psicologia: rumos e
percursos, v. 2, p. 301-318, 2007.
 
PERLS, F. A abordagem gestáltica e testemunha ocular da terapia. São Paulo: LTC, 1978.
 
PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.
 
RODRIGUES, H. E. Relações entre a teoria de campo de Kurt Lewin e a Gestalt-terapia. Gestalt-terapia:
fundamentos epistemológicos e influências filosóficas, p. 114-144, 2020.
 
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2020.
 
VERAS, R. P. A influência do pensamento oriental na Gestalt-terapia. Gestalt-terapia: fundamentos
epistemológicos e influências filosóficas, p. 157-177, 2020.
 
WERTHEIMER, M. Zeitschrift für Psychologie. Verlag von Johann Ambrosius Barth. Leipzig: Dörrienstraße 16,
1912.
	O Gestaltismo
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Gestaltismo e suas contribuições para a Ciência Psicológica no início do século XX
	Introdução à Psicologia da Gestalt
	Investigando a Experiência Psicológica
	A noção de sensação
	A hipótese da constância
	Exemplo
	Leis do Gestaltismo
	Lei do Fechamento (Preenchimento)
	Lei da Semelhança (Similaridade)
	Lei da Proximidade
	Lei da Continuidade
	Lei de Figura e Fundo
	Lei do Destino Comum
	Saiba mais
	O Gestaltismo na História da Psicologia
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Investigando a Experiência Psicológica
	Conteúdo interativo
	Leis do Gestaltismo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A Psicologia, enquanto ciência moderna, durante o século XIX, teve como uma de suas principais preocupações:
	O Gestaltismo surge, dentre outros motivos, como uma resposta a determinadas posturas da Ciência da época. Dentre essas posturas, a alternativa correta é:
	2. Contribuições de Max Wertheimer, Wolfgang Köhler, Kurt Kuffka e Kurt Lewin
	As teorias de Wertheimer, Koffka, Köhler e Lewin
	Max Wertheimer (1880-1943)
	Saiba mais
	Saiba mais
	Wolfgang Kohler (1886-1941)
	Curiosidade
	Saiba mais
	Kurt Koffka (1886-1941)
	Saiba mais
	Grupos sociológicos
	Grupos psicológicos
	Kurt Lewin (1890-1947)
	Saiba mais
	Kurt Lewin: Do Gestaltismo à Psicologia Social
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Max Wertheimer (1880-1943) e Wolfgang Kohler (1886-1941)
	Conteúdo interativo
	Kurt Koffka (1886-1941) e Kurt Lewin (1890-1947)
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Max Wertheimer é considerado o pai da Psicologia da Gestalt. Um de seus principais estudos se debruçou sobre o chamado movimento ilusório, também conhecido como Fenômeno Phi. Quanto a tal fenômeno, é correto afirmar que:I) O fenômeno Phi confirma a hipótese de que a experiência psicológica pode ser reduzida a seus elementos, sendo que as partes, pontos luminosos, são mais importantes do que o todo, o movimento de luz, percebido pelas pessoas.
	II) O fenômeno Phi confirmou a hipótese de que o todo não é mera soma de suas partes, mas uma realidade própria com sentido, tese holística.
	III) O fenômeno Phi foi bem aceito naPsicologia da época, visto já ser uma hipótese considerada como melhor explicação da experiência psicológica.
	Kofka, em seus estudos, contribuiu para a extensão das premissas e ideias da Psicologia da Gestalt para o âmbito social. Nesse contexto, Kofka formulou dois conceitos. São eles:
	3. A proposta de Gestalt-terapia desenvolvida por Fritz Perls
	Gestalt-terapia de Fritz Perls
	Gestalt-terapia: uma breve história
	Curiosidade
	Saiba mais
	Influências Filosóficas na Gestalt-terapia
	Saiba mais
	Gestalt-terapia: conceitos importantes
	A lei de Figura e Fundo
	Atenção
	Saiba mais
	Gestalt-terapia: uma terapia do encontro
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Influências Filosóficas na Gestalt-terapia
	Conteúdo interativo
	Gestalt-terapia: conceitos importantes
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A Gestalt-terapia é apontada por alguns como parte da Psicologia Humanista, ainda que Perls (2020) tenha pontuado que esta poderia ser considerada uma das terapias existenciais. No que diz respeito à relação entre Psicologia Humanista e Gestalt-terapia, é correto afirmar que:I) A Gestalt-terapia e a Psicologia Humanista compartilham pressupostos filosóficos semelhantes, como o método fenomenológico.
	II) A Gestalt-terapia e a Psicologia Humanista compartilham o objetivo de contribuir para que a pessoa possa desenvolver suas capacidades e potencialidades.
	III) A Gestalt-terapia é, sobretudo, uma proposta centrada no desenvolvimento de técnicas e protocolos robustos de tratamento, desconsiderado a importância da relação terapêutica.
	A Gestalt-terapia de orientação dialógica recebeu influência do filósofo Martin Buber, que enfatiza a importância da relação Eu-Tu. Nesse contexto, pontua-se a importância de considerar os princípios básicos do diálogo na relação terapêutica. Dentre esses princípios, podemos afirmar:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina