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Aula 06
PM-DF (Oficial - CFO) Direito Processual
Penal Militar 
Autor:
Equipe Legislação Específica
Estratégia Concursos
15 de Julho de 2024
39471799600 - Naldira Luiza Vieria
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Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Competência da Justiça Militar 3
..............................................................................................................................................................................................2) Conflito de Competência 18
..............................................................................................................................................................................................3) Questões Comentadas - Competência da Justiça Militar - Multibancas 20
..............................................................................................................................................................................................4) Questões Comentadas - Competência da Justiça Militar - Cespe 29
..............................................................................................................................................................................................5) Questões Comentadas - Competência da Justiça Militar - VUNESP 32
..............................................................................................................................................................................................6) Lista de Questões - Competência da Justiça Militar - Multibancas 33
..............................................................................................................................................................................................7) Lista de Questões - Competência da Justiça Militar - Cespe 37
..............................................................................................................................................................................................8) Lista de Questões - Competência da Justiça Militar - VUNESP 39
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COMPETÊNCIA DA JUSTIÇAMILITAR
Jurisdição X Competência
Antes de iniciar nosso estudo, devemos entender que há uma importante diferença entre
jurisdição e a competência. Elas não podem ser sinônimos, correndo o risco de inferir que ambas
estão no mesmo nível de correlação.
Temos que jurisdição, nada mais é que um poder funcional, investido à alguns agentes públicos,
no caso, os magistrados, para poder aplicar o Direito.
Já o conceito de competência diz em relação ao momento e à espécie de lide que determinado
magistrado exercerá sua jurisdição.
Nesse sentido, podemos dizer que todo juiz tem jurisdição, mas nem sempre será competente.
Exemplificando, um juiz do trabalho tem jurisdição, mas não tem competência, caso a lide seja
para dirimir crime militar, pois este é competência da Justiça Militar
Voltando a falar de jurisdição, devemos entender que ela é indivisível e una. Entretanto, isso não
nos impede de delimitar a jurisdição com fins de aplicação da competência, a depender do
critério que estejamos falando. Nesse sentido, Neves diz:
“Essas espécies de jurisdição, obviamente, marcam qual o órgão jurisdicional
possuirá competência para julgar o caso concreto, mais uma vez em uma
confluência dos termos “jurisdição” e “competência””1
Para entender essas espécies, partimos para a delimitação delas com bases nos seguintes:
- critério hierárquico: Superior e Inferior
- critério material: Penal e Civil
- critério segundo o organismo jurisdicional: Estadual e Federal
- critério segundo o objeto: Contenciosa e Voluntária
- critério segundo a função: Ordinário e Especial
- critério segundo a limitação da competência: Plena e Limitada
- critério segundo a fonte do direito: Legal e Convencional
- critério segundo a delimitação a certos crimes: Exclusiva e Cumulativa
Aspectos constitucionais
Art. 124. À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei.
Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a competência da
Justiça Militar.
Na Justiça Militar, a lei mencionada é o Código Penal Militar. É possível, portanto, que a Justiça
Militar da União julgue civis, e nesse sentido já surge a primeira diferença em relação à Justiça
1 NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Processo Penal Militar. 3a.ed. São Paulo: Saraiva, 2018, pág. 551
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Militar dos estados, que somente goza de competência para julgar policiais militares e bombeiros
militares, nos termos do art. 125 da Constituição.
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta
Constituição.
[...]
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos
crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares,
ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente
decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.
Perceba que não há diferença na natureza dos crimes militares no âmbito da União e dos
Estados. Os mesmos crimes podem, dependendo do caso, ser julgados pela Justiça Militar da
União ou dos Estados.
O que deve ser compreendido aqui é que a Justiça Militar da União pode julgar militares e civis
que pratiquem crimes militares, enquanto a Justiça Militar Estadual, por restrições da própria
Constituição Federal, apenas pode julgar policiais e bombeiros militares.
Uma segunda distinção importante diz respeito à competência em razão da matéria. Vimos que a
Justiça Militar da União apenas tem competência para julgar crimes militares, enquanto a Justiça
Militar dos Estados pode também julgar ações civis contra atos disciplinares militares.
A Justiça Militar da União tem competência para julgar civis que cometam crime
militar, mas a Justiça Militar dos estados apenas julga policiais militares e
bombeiros militares.
A Justiça Militar da União julga apenas crimes militares, mas a Justiça Militar dos Estados julga
também ações civis contra atos disciplinares militares.
Do Foro Militar
O foro militar é especial e, exceto nos crimes dolosos contra a vida praticados contra civil, a ele
estão sujeitos, em tempo de paz, nos crimes militares definidos em lei, as seguintes pessoas:
a) os militares em situação de atividade;
b) os militares da reserva, quando convocados para o serviço ativo;
c) os reservistas, quando convocados ou mobilizados, em manobras, ou no
desempenho de funções militares;
d) os oficiais e praças das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares, quando
incorporados às Forças Armadas;
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e) aos militares da reserva remunerada e os reformados que cometam crimes
militares definidos em lei;
f) os civis que cometam crimes militares definidos em lei (somente na Justiça
Militar da União).
O foro militar em tempo de guerra poderá, por lei especial, abranger outros casos além desses,
desde que tenham previsão legal anterior, respeitando o princípio da legalidade e da vedação do
julgamento por tribunal de exceção, ou seja, a previsão tem que ser anterior ao fato.
Uma regra importante é a estabelecida pelo §2° do art. 82: “Nos crimes dolosos contra a vida,
praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça
comum”. A Justiça Militarem Brasília – DF, dois na CJM em São Paulo – SP, e um na CJM em Belém – PA. 
A pena prevista para um dos crimes praticados na CJM paulista é a grave. Durante a instrução, foi 
concedido habeas corpus que trancou a ação penal relativa a esse crime. Assertiva: Nessa situação, a 
competência do juízo da CJM de São Paulo – SP continua inalterada para o julgamento dos demais 
ilícitos. 
GABARITO 
 
1. A 
2. D 
3. CERTO 
4. ERRADO 
5. CERTO 
6. CERTO 
7. CERTO 
8. ERRADO 
9. ERRADO 
10. CERTO 
11. CERTO 
12. ERRADO 
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==1365fc==
 
13. ERRADO 14. CERTO 15. CERTO 
 
 
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 L ISTA DE Q UESTÕES 
 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 
 O foro competente para o julgamento do militar que, em atividade, cometer infração penal 
 militar em local não sabido será o local 
 a) de seu domicílio. 
 b) da distribuição ao primeiro juízo militar ao qual tenha sido comunicada a infração. 
 c) da unidade em que ele estiver lotado. 
 d) onde supostamente tenha sido cometido o crime, apontado fundamentadamente pela 
 autoridade militar responsável pelo IPM. 
 e) onde tiver sido efetuada e(ou) processada sua prisão ou instaurado o correspondente IPM. 
 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 
 O julgamento de militar graduado denunciado pelo crime de peculato (art. 303 do CPM) 
 compete, originariamente, 
 a) ao Conselho Especial de Justiça Militar. 
 b) ao Conselho Permanente de Justiça Militar. 
 c) à Corregedoria da Justiça Militar. 
 d) ao tribunal de justiça do estado. 
 e) ao Superior Tribunal Militar. 
 3. CEBRASPE (CESPE) - AJ (STM)/STM/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018 
 Com relação à competência da justiça militar federal, a medidas preventivas e assecuratórias e a 
 citação, intimação e notificação, julgue o item subsequente, considerando as disposições do 
 Código de Processo Penal Militar. 
 Situação hipotética: Sargento das Forças Armadas furtou material de organização militar no Rio 
 de Janeiro – RJ. Todavia, possui residência em São Paulo – SP e serve em quartel na guarnição 
 de Manaus – AM. Foragido, acabou sendo preso em Natal – RN. Assertiva: Nessa situação, a 
 competência para processar e julgar o sargento será da justiça militar da União no Rio de Janeiro 
 – RJ, porém, se o local do furto fosse desconhecido, o foro competente seria o de Manaus – AM. 
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==1365fc==
 01 02 03 
 C B Certo 
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LISTA DE QUESTÕES 
1. VUNESP - CFO/QC (EsFCEx)/EsFCEx/Direito/2022 
Nos termos do Código de Processo Penal Militar, é correto afirmar que, dentro de cada 
Circunscrição Judiciária Militar, a competência será determinada 
a) pela prevenção. 
b) pelo lugar da infração. 
c) pela distribuição. 
d) pela residência ou domicílio do acusado. 
e) pela sede do lugar de serviço. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO 
 
01 
C 
 
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==1365fc==não tem competência para julgar crimes dolosos contra a vida
cometidos contra civis, mesmo quando o acusado for militar.
Aqui cabe uma ressalva importante. O Código Penal Militar passou por mudanças importantes no
art. 9º, que trata sobre a definição de Crimes Militares. O parágrafo primeiro do citado artigo
estabelece uma regra geral, que é coerente com o disposto no CPPM:
§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri.    
No entanto, temos algumas exceções no parágrafo 2º:
§ 2o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar da União,
se praticados no contexto:      (Incluído pela Lei nº 13.491, de 2017)
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da
República ou pelo Ministro de Estado da Defesa;      (Incluído pela Lei nº 13.491, de 2017)
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo que
não beligerante; ou      (Incluído pela Lei nº 13.491, de 2017)
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou
de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da
Constituição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais:      (Incluído pela Lei nº
13.491, de 2017)
a) Lei no 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de Aeronáutica;      (Incluída
pela Lei nº 13.491, de 2017)
b) Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999;        (Incluída pela Lei nº 13.491, de
2017)
c) Decreto-Lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo Penal Militar; e  
     (Incluída pela Lei nº 13.491, de 2017)
d) Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral.      (Incluída pela Lei nº 13.491, de
2017)
Percebam que essas exceções não abarcam os militares estaduais, apenas os das Forças
Armadas.
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Da Competência em Geral
A regra geral é a de que a competência seja determinada pelo lugar da infração.
Lembre-se de que, com relação ao lugar do crime, o legislador penal militar adota a teoria mista
(art. 6° do CPM).
LUGAR DO CRIME
- Para os crimes comissivos, o CPM adota a teoria da ubiquidade;
- Para os crimes omissivos aplica-se a teoria da atividade, devendo o lugar do
crime ser considerado aquele em que deveria ser realizada a ação omitida.
Perceba, portanto, que o critério do lugar da infração não resolve o problema da competência,
pois o legislador adota, pelo menos para os crimes comissivos, a teoria da ubiquidade, sendo
considerado lugar do crime tanto aquele em que se desenvolveu a atividade, quanto aquele em
que ocorreu o resultado.
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Vejamos, portanto, o que o CPPM determina sobre o assunto:
DETERMINAÇÃO DA COMPETÊNCIA
Art. 85. A competência do foro militar será determinada:
I – de modo geral:
a) pelo lugar da infração;
b) pela residência ou domicílio do acusado;
c) pela prevenção;
II – de modo especial, pela sede do lugar de serviço.
A competência, de modo geral, é determinada por três critérios:
Parece que o legislador teve a intenção de mencionar residência e domicílio como sinônimos. Os
civilistas, entretanto, diferenciam os dois, sendo o domicílio definido como o local de residência
com ânimo definitivo.
O Código Civil determina, ainda, em seu art. 76, que o militar tem domicílio necessário: o local
onde serve, e, no caso do militar da Marinha ou Aeronáutica, a sede do comando a que se
encontrar imediatamente subordinado.
O critério da prevenção é aplicado quando há mais de uma Auditoria Militar com competência
para julgar a ação penal. Nesse caso, o órgão que primeiro conhecer da ação será o responsável
por julgá-la.
De modo especial, a competência é determinada pela sede do lugar de serviço. Este critério
especial parece estar relacionado ao domicílio necessário do militar determinado pelo Código
Civil, não é mesmo? Mais adiante em nossa aula veremos algumas situações em que essa regra é
aplicada.
NA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA
Art. 86. Dentro de cada Circunscrição Judiciária Militar, a competência será determinada:
a) pela especialização das Auditorias;
b) pela distribuição;
c) por disposição especial deste Código.
Hoje a competência dentro das circunscrições é determinada pela Lei de Organização Judiciária
Militar da União (Lei n° 8.457/1992).
Não existem mais auditorias especializadas. Antigamente, nos locais onde havia mais de uma
auditoria, havia auditorias especializadas nos crimes praticados por militares de cada uma das
Forças Armadas. Hoje todas as auditorias têm competência mista. A alínea A, portanto, não é
mais aplicável.
Nas cidades em que há mais de uma Auditoria Militar, haverá distribuição, que deve ser feita de
forma paritária.
MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA
Art. 87. Não prevalecem os critérios de competência indicados nos artigos anteriores, em
caso de:
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a) conexão ou continência;
b) prerrogativa de posto ou função;
c) desaforamento.
Estudaremos todas as hipóteses de modificação da competência quando tratarmos dos
dispositivos específicos do CPPM. Por enquanto basta você ter uma ideia geral.
A conexão está relacionada à ligação entre dois processos, e pode ocorrer em diversas situações,
enquanto a continência exige situações um pouco mais específicas.
A modificação em razão da prerrogativa de posto ou função ocorre, por exemplo, quando
oficial-general comete crime militar. Neste caso, a competência originária é do STM.
O desaforamento é a modificação de competência, possível em casos previstos especificamente
em lei. O próprio CPPM traz disposições sobre o tema.
Da Competência pelo Lugar da Infração
LUGAR DA INFRAÇÃO
Art. 88. A competência será, de regra, determinada pelo lugar da infração; e, no caso de
tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
Estamos diante do critério “ratione loci”. Recomendo que você lembre da regra no caso da
tentativa, em que a regra será a determinação da competência em função do lugar em que for
praticado o último ato de execução.
A BORDO DE NAVIO
Art. 89. Os crimes cometidos a bordo de navio ou embarcação sob comando militar ou
militarmente ocupado em porto nacional, nos lagos e rios fronteiriços ou em águas
territoriais brasileiras, serão, nos dois primeiros casos, processados na Auditoria da
Circunscrição Judiciária correspondente a cada um daqueles lugares; e, no último caso, na
1ª Auditoria da Marinha, com sede na Capital do Estado da Guanabara.
Se o crime é praticado a bordo de embarcação sob comando militar ou militarmente ocupada
em porto nacional ou em lagos e rios fronteiriços, a Auditoria Militar competente será a do local
em que o navio está.
No caso navio que está em águas territoriais brasileiras (mar territorial), o dispositivo determina
que a competência deve ser atribuída à 1ª Auditoria da Marinha, com sede no estado da
Guanabara. O dispositivo, portanto, trata de uma Auditoria Militar que não existe mais, e que era
localizada em um estado que também não existe mais.
Neste caso o STM tem aplicado a competência do lugar do serviço, ou seja, a Auditoria
responsável por conhecer a acusação será aquela do local onde o militar serve (art. 85, II do
CPPM e art. 76 do Código Civil).
A BORDO DE AERONAVE
Art. 90. Os crimes cometidos a bordo de aeronave militar ou militarmente ocupada, dentro
do espaço aéreo correspondenteao território nacional, serão processados pela Auditoria
da Circunscrição em cujo território se verificar o pouso após o crime; e se este se efetuar em
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lugar remoto ou em tal distância que torne difíceis as diligências, a competência será da
Auditoria da Circunscrição de onde houver partido a aeronave, salvo se ocorrerem os
mesmos óbices, caso em que a competência será da Auditoria mais próxima da 1ª, se na
Circunscrição houver mais de uma.
Imagine que uma aeronave saia da base aérea localizada no Recife, com destino a Porto Alegre.
Ocorrido crime a bordo da aeronave, o comandante decide pousar em São Paulo. Neste caso, a
Auditoria Militar competente será a de São Paulo.
Jorge César de Assis diz que a segunda situação prevista no dispositivo (lugar remoto) tornou-se
inaplicável pelo desuso (desuetudo), pois, na prática, há Auditorias Militares com competência
jurisdicional sobre cada parte do território nacional, e, portanto, não importa se a aeronave
pousou em lugar remoto.
CRIMES FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL
Art. 91. Os crimes militares cometidos fora do território nacional serão, de regra,
processados em Auditoria da Capital da União, observado, entretanto, o disposto no artigo
seguinte.
O Direito Penal Militar adota a territorialidade e a extraterritorialidade incondicionada, o que
significa dizer que os crimes cometidos fora do território nacional também serão processados
pela Justiça brasileira. Os últimos exemplos são os crimes cometidos pelos militares brasileiros
que servem em forças de paz, principalmente no Haiti.
Se o crime militar for cometido no exterior, o acusado será processado em Brasília, na 11ª CJM.
CRIMES PRATICADOS EM PARTE NO TERRITÓRIO NACIONAL
Art. 92. No caso de crime militar somente em parte cometido no território nacional, a
competência do foro militar se determina de acordo com as seguintes regras:
a) se, iniciada a execução em território estrangeiro, o crime se consumar no Brasil, será
competente a Auditoria da Circunscrição em que o crime tenha produzido ou devia
produzir o resultado;
b) se, iniciada a execução no território nacional, o crime se consumar fora dele, será
competente a Auditoria da Circunscrição em que se houver praticado o último ato ou
execução.
DIVERSIDADE DE AUDITORIAS OU DE SEDES
Parágrafo único. Na Circunscrição onde houver mais de uma Auditoria na mesma sede,
obedecer-se-á à distribuição e, se for o caso, à especialização de cada uma. Se as sedes
forem diferentes, atender-se-á ao lugar da infração.
Lembre-se de que, no Direito Penal Militar, o lugar do crime é tanto aquele onde foi praticada a
conduta quanto aquele em que se produziu o resultado (teoria da ubiquidade). Com base nessa
distinção poderemos determinar quem julgará o crime praticado apenas em parte no território
nacional.
Caso a execução se inicie em território estrangeiro e o crime se consume no Brasil, será
competente a Auditoria Militar do local do resultado. Observe que a regra continua válida
mesmo que o resultado não venha a ocorrer efetivamente.
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==1365fc==
No caso do crime que se inicia em território nacional e se consuma no estrangeiro, a Auditoria
competente será a do lugar em que foi praticado o último ato ou execução.
Quanto ao parágrafo único, você já sabe que apenas no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília há
mais de uma Auditoria Militar na mesma sede. Nestes locais, haverá distribuição, regulamentada
pela Lei de Organização Judiciária Militar da União. Doutrinariamente, a distribuição é
considerada uma espécie de prevenção.
Da Competência pelo Lugar da Residência ou Domicílio do
Acusado
RESIDÊNCIA OU DOMICÍLIO DO ACUSADO
Art. 93. Se não for conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pela
residência ou domicílio do acusado, salvo o disposto no art. 96.
Lembro a você que o domicílio é regulado pelo Código Civil, e que o militar tem domicílio
necessário, nos termos do art. 76, parágrafo único.
A atribuição de competência em razão do domicílio é claramente subsidiária, pois o próprio art.
93 determina que a regra somente é aplicável quando não for possível saber onde o crime foi
cometido.
Da Competência por Prevenção
PREVENÇÃO. REGRA.
Art. 94. A competência firmar-se-á por prevenção, sempre que, concorrendo dois ou mais
juízes igualmente competentes ou com competência cumulativa, um deles tiver antecedido
aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que
anterior ao oferecimento da denúncia.
A competência por prevenção apenas surgirá quando houver mais de um juiz competente. Essa
regra se aplica tanto ao caso em que há mais de uma Auditoria na mesma sede, quanto aos
processos conhecidos pelo juiz substituto da Auditoria Militar.
Caso o substituto, por exemplo, pratique atos do próprio processo ou qualquer ato na fase de
inquérito policial militar, será considerado prevento.
CASOS EM QUE PODE OCORRER
Art. 95. A competência pela prevenção pode ocorrer:
a) quando incerto o lugar da infração, por ter sido praticado na divisa de duas ou mais
jurisdições;
b) quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições;
c) quando se tratar de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas
ou mais jurisdições;
d) quando o acusado tiver mais de uma residência ou não tiver nenhuma, ou forem vários os
acusados e com diferentes residências.
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A hipótese de crime praticado na divisa de duas ou mais jurisdições somente é aplicável quando
o local do crime é incerto.
Este seria o caso, por exemplo, de um crime cometido na “região” da cidade de Petrolina, no
sertão do meu querido Pernambuco. Petrolina é separada de Juazeiro (Bahia) pelo Rio São
Francisco. Pode haver evidências, portanto, de que o crime foi praticado naquela região, mas
sem a certeza de qual dos dois lados do rio, e neste caso estaremos diante da hipótese da alínea
A.
Já a alínea B trata da situação em que há certeza sobre o local em que o crime foi praticado, mas
não há certeza de qual órgão julgador exerce a competência sobre aquele território. Agora
podemos dizer que o limite territorial entre duas ou mais jurisdições é incerto.
O crime continuado e o crime permanente, por se estenderem no tempo, podem ultrapassar o
território da jurisdição. Nesses casos, o juízo que primeiro praticar atos do processo será
competente.
As regras acerca da residência do acusado são aplicáveis, mas sua interpretação deve ser feita à
luz dos dispositivos que já mencionamos do Código Civil.
Da Competência pela Sede ou Lugar do Serviço
LUGAR DE SERVIÇO
Art. 96. Para o militar em situação de atividade ou assemelhado na mesma situação, ou para
o funcionário lotado em repartição militar, o lugar da infração, quando este não puder ser
determinado, será o da unidade, navio, força ou órgão onde estiver servindo, não lhe sendo
aplicável o critério da prevenção, salvo entre Auditorias da mesma sede e atendida a
respectiva especialização.
Essa regra hoje é redundante, tendo em vista o domicílio necessário do militar, previsto no
Código Civil. Este dispositivo não é mais necessário, pois a regra do domicílio pode ser aplicada
apenas com base no art. 85, I, b.
A seguir o legislador trata da especialização das auditorias. Já vimos que essas regras não são
mais aplicáveis, pois a LOJMU não contempla mais a especialização.
Da Conexão ou Continência
A maior parte da Doutrina entende que a conexão e a continência são hipóteses de prorrogação
de competência. O CPPM adotaessa tese expressamente em seu art. 103, mas há vozes
doutrinárias no sentido de que a conexão e continência são critérios de fixação da competência.
A Conexão ocorrerá quando houver um liame entre diversos crimes. Em regra haverá conexão
quando houver duas ou mais pessoas praticando dois ou mais crimes. Também haverá conexão
quando alguém praticar um crime para encobrir outro.
A Continência ocorrerá nas hipóteses de concurso de agentes ou de concurso de crimes. Neste
caso haverá uma pessoa praticando dois ou mais crimes, ou duas ou mais pessoas praticando um
único crime.
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CONEXÃO CONTINÊNCIA
Há mais de uma conduta Há apenas uma conduta
Em ambas pode haver pluralidade de agentes
CASOS DE CONEXÃO
Art. 99. Haverá conexão:
a) se, ocorridas duas ou mais infrações, tiverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por
várias pessoas reunidas ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o
lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras;
b) se, no mesmo caso, umas infrações tiverem sido praticadas para facilitar ou ocultar as
outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas;
c) quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir
na prova de outra infração.
A alínea A trata da conexão intersubjetiva, que ocorre quando duas ou mais infrações são
praticadas por dois ou mais sujeitos, sendo que o vínculo entre os delitos reside justamente
nisso.
a1) intersubjetiva por simultaneidade ฀ se, ocorrendo duas ou mais infrações penais,
houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas. Não há
liame subjetivo ou acordo de vontade prévio. Como exemplo podemos citar a
depredação de estádio de futebol pela torcida adversária.
a2) intersubjetiva por concurso ฀ se, ocorrendo duas ou mais infrações penais,
houverem sido praticadas por várias pessoas em concurso, embora diverso tempo e
lugar. Neste caso há liame subjetivo entre os agentes. Como exemplo podemos
citar a ação de quadrilhas especializadas em roubo a banco, na mesma região, dia e
horário.
a3) intersubjetiva por reciprocidade ฀ se as infrações forem praticadas por duas ou
mais pessoas, umas contra as outras. Como exemplo podemos citar as agressões
mútuas entre torcidas de futebol adversárias.
A alínea B trata da conexão objetiva. São hipóteses em que o vínculo entre as infrações está na
motivação de uma delas em relação à outra.
b1) objetiva teleológica ฀ quando uma infração penal visa a assegurar a execução
de outra. Exemplo: matar o único vigilante de uma casa para entrar e furtar objetos.
b2) objetiva consequencial ฀ quando uma infração visa a assegurar a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outra. Depois de entrar na casa e furtar, o criminoso é
surpreendido por vigilante e pratica homicídio para assegurar a impunidade do
crime. Perceba que neste caso a conexão não é subjetiva, mas se dá em razão de
uma questão fática.
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A alínea C trata da conexão instrumental ou probatória: quando a prova de uma infração ou de
qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.
CASOS DE CONTINÊNCIA
Art. 100. Haverá continência:
a) quando duas ou mais pessoas forem acusadas da mesma infração;
b) na hipótese de uma única pessoa praticar várias infrações em concurso.
A alínea A trata da cumulação subjetiva, que ocorre quando duas ou mais pessoas forem
acusadas pela mesma infração (concurso de pessoas).
A alínea B traz a cumulação objetiva, que ocorre na hipótese de concurso formal, inclusive da
aberratio ictus e aberratio criminis. Uma única conduta com dois ou mais resultados.
REGRAS PARA DETERMINAÇÃO
Art. 101. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas
as seguintes regras:
CONCURSO E PREVALÊNCIA
I - no concurso entre a jurisdição especializada e a cumulativa, preponderará aquela;
Hoje não há mais Auditorias especializadas, mas podemos dizer que existem um caso de
especialização ainda aplicável no Processo Penal Militar: a competência das auditorias de Brasília
para julgar crimes militares ocorridos no estrangeiro. A regra do inciso I, portanto, é utilizada para
os crimes militares cometidos fora do território nacional. O termo “cumulativa”, neste caso, deve
ser entendido como “mista”.
II - no concurso de jurisdições cumulativas:
a) prevalecerá a do lugar da infração, para a qual é cominada pena mais grave; b)
prevalecerá a do lugar onde houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas
penas forem de igual gravidade;
PREVENÇÃO
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos demais casos, salvo disposição especial
deste Código;
Agora veremos as regras aplicáveis no concurso de jurisdições cumulativas.
Para ilustrar a hipótese da alínea A, utilizarei o exemplo trazido por Ricardo Giuliani: “Sujeito
prestando serviço militar em Bagé-RS, rouba um celular de um colega e é transferido para prestar
serviço militar em Porto Alegre e lá, antes de iniciada a ação penal em Bagé, vende este celular
para outro colega de farda da guarnição, sabendo ser produto de crime (receptação). Temos dois
crimes militares, um de receptação – pena de reclusão até cinco anos –, e roubo – pena de
reclusão de quatro a quinze anos”.
Utilizando a regra do art. 101, II, “a”, será competente para julgar a processar os dois delitos a
Auditoria de Bagé-RS, pois lá ocorreu o crime de roubo, apenado de forma mais severa.
Quanto à alínea B, mais uma vez utilizarei o exemplo de Giuliani: “Militar prestando serviço
militar em Bagé-RS subtrai um aparelho celular de um colega e uma mochila de outro, no
alojamento da organização militar. Transferidos para Porto Alegre, um dos colegas de farda
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empresta-lhe um aparelho celular, que, após receber, inverte a posse e não entrega mais o
aparelho para seu colega, apropriando-se do bem”.
Neste caso há dois crimes de furto com pena de reclusão de até seis anos e um crime de
apropriação indébita com igual pena. Aplica-se, portanto, a regra do art. 101, II, “b”, pois a pena
é a mesma para todos os crimes. Mais uma vez a Auditoria competente será a de Bagé-RS.
Não sendo possível estabelecer a competência por meios das regras que vimos até agora,
deve-se utilizar o critério da prevenção, conforme alínea C.
CATEGORIAS
III - no concurso de jurisdição de diversas categorias, predominará a de maior graduação.
Esta regra é utilizada na relação entre o STM e as Auditorias. Neste caso prevalece o STM, por
ser instância superior, apesar da imprecisão do dispositivo em utilizar o termo “maior
graduação”.
UNIDADE DO PROCESSO
Art. 102. A conexão e a continência determinarão a unidade do processo, salvo:
CASOS ESPECIAIS
a) no concurso entre a jurisdição militar e a comum;
b) no concurso entre a jurisdição militar e a do Juízo de Menores.
JURISDIÇÃO MILITAR E CIVIL NO MESMO PROCESSO
Parágrafo único. A separação do processo, no concurso entre a jurisdição militar e a civil,
não quebra a conexão para o processo e julgamento, no seu foro, do militar da ativa,
quando este, no mesmo processo, praticar em concurso crime militar e crime comum.
A regra geral é a de que a conexão e a continência resultam no julgamento dos fatos em um só
processo. O art. 102, entretanto, traz exceções a essa regra.
A alínea A trata do concurso entre a jurisdição militar e a comum. É o caso de civil que pratica
crime conexo com policial militar. Neste caso o Policial Militar será julgado na Justiça Militar do
estado, enquantoo civil será julgado na Justiça comum, pois não há previsão do cometimento de
crime militar por civil no âmbito estadual.
Se o civil cometer crime militar conexo com militar federal, entretanto, não estaremos diante de
concurso de jurisdição militar com jurisdição comum, pois ambos podem julgados na Justiça
Militar da União.
Chamo sua atenção para a Súmula nº 90, do STJ.
SÚMULA Nº 90 DO STJ
Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar policial militar pela prática de
crime militar, e à Comum pela prática do crime comum simultâneo àquele.
Neste caso estamos tratando de dois crimes diferentes, um militar e outro comum, praticados
pela mesma pessoa simultaneamente. Como você já sabe, o fato de o agente ser militar não é
suficiente para atrair a competência da Justiça Militar.
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Um bom exemplo desta situação de concomitância é o ocorrido na tragédia em que um Boeing
737 da Gol se chocou com o Jato Legacy da empresa Excel Air Service. Os controladores de vôo,
sargentos da Força Aérea, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por dois crimes
dolosos de atentado contra a segurança de transporte aéreo, em concurso formal, sendo um na
modalidade fundamental (art. 261 do CP), e outro qualificado por 154 mortes (art. 261, §1º, c/c o
art. 263, ambos do CP).
Na sequência, o Ministério Público Militar ofereceu denúncia contra os mesmos profissionais pela
prática do delito de inobservância de lei, regulamento ou instrução (art. 324 do CPM).
Em julgamento de habeas corpus, o STF considerou válida esta situação, confirmando a licitude
das ações penais simultâneas na Justiça Federal e na Justiça Militar da União.
A alínea B, por outro lado, determina a separação obrigatória quando houver concurso entre a
jurisdição militar e a do Juízo de Menores. O civil ou militar responderá na Justiça Militar e o
menor na vara ou juízo da infância e juventude pelo ato infracional conexo com o crime militar.
SEPARAÇÃO DE JULGAMENTO
Art. 105. Separar-se-ão somente os julgamentos:
a) se, de vários acusados, algum estiver foragido e não puder ser julgado à revelia;
b) se os defensores de dois ou mais acusados não acordarem na suspeição de juiz de
Conselho de Justiça, superveniente para compô-lo, por ocasião do julgamento.
Nestes casos não há quebra da unidade processual exigida pela conexão ou continência, mas só
do julgamento, quando ocorrerem as hipóteses previstas.
Na hipótese da alínea A, a única previsão do CPPM em que o acusado não pode ser julgado à
revelia, em primeira instância, é a deserção. Os corréus, portanto, não poderão ser julgados
juntos se um deles for revel.
A hipótese da alínea B é mais frequente, pois, sendo o conselho um colegiado, pode haver
superveniência de juiz na sua formação, ensejando a suspeição ou impedimento desse juiz, em
relação a um ou mais acusados.
SEPARAÇÃO DE PROCESSOS
Art. 106. O juiz poderá separar os processos:
a) quando as infrações houverem sido praticadas em situações de tempo e lugar diferentes;
b) quando for excessivo o número de acusados, para não lhes prolongar a prisão;
c) quando ocorrer qualquer outro motivo que ele próprio repute relevante.
O legislador conferiu ao juiz, em algumas situações, a prerrogativa de separar os processos
ligados por conexão ou continência.
A principal função da reunião dos processos nesse caso é facilitar a colheita da prova e evitar
decisões conflitantes. Acontece que, em determinadas situações, a reunião ao invés de ajudar
acaba prejudicando o bom andamento do processo ou causando grande gravame para o
acusado, autorizando a cisão do processo.
Da decisão do Juiz Federal ou do Conselho de Justiça que determinar a separação haverá
recurso de ofício para o STM.
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SEPARAÇÃO
OBRIGATÓRIA (art.
102)
a) no concurso entre a jurisdição militar e a comum;
b) no concurso entre a jurisdição militar e a do Juízo
de Menores.
SEPARAÇÃO
FACULTATIVA (art.
106)
a) quando as infrações houverem sido praticadas em
situações de tempo e lugar diferentes;
b) quando for excessivo o número de acusados, para
não lhes prolongar a prisão;
c) quando ocorrer qualquer outro motivo que ele
próprio repute relevante.
AVOCAÇÃO DE PROCESSO
Art. 107. Se, não obstante a conexão ou a continência, forem instaurados processos
diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram
perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a
unidade do processo só se dará ulteriormente, para efeito de soma ou de unificação de
penas.
A sentença definitiva à qual se refere o dispositivo é aquela que primeiramente decide o mérito,
sendo cabível ainda recurso de apelação. Não se trata da sentença definitiva.
Da Competência pela Prerrogativa de Posto ou da Função
NATUREZA DO POSTO OU FUNÇÃO
Art. 108. A competência por prerrogativa do posto ou da função decorre da sua própria
natureza e não da natureza da infração, e regula-se estritamente pelas normas expressas
neste Código.
O CPPM prevê duas modalidades de prerrogativa: a de posto e a de função. A competência por
prerrogativa de posto está prevista no art. 6° da LOJMU, que confere competência ao STM para
processar julgar originariamente os oficiais-generais.
Quanto à competência por prerrogativa de função, a única hipótese hoje existente está prevista
no parágrafo único do art. 95 da LOJMU: “O comandante do teatro de operações responderá a
processo perante o Superior Tribunal Militar, condicionada a instauração da ação penal à
requisição do Presidente da República”.
Neste caso o legislador faz menção à função exercida, e não à condição de oficial-general, até
porque a função de comando pode ser exercida, em algumas hipóteses, por outros oficiais.
CASO DE DESAFORAMENTO
Art. 109. O desaforamento do processo poderá ocorrer:
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a) no interesse da ordem pública, da Justiça ou da disciplina militar;
b) em benefício da segurança pessoal do acusado;
c) pela impossibilidade de se constituir o Conselho de Justiça ou quando a dificuldade de
constituí-lo ou mantê-lo retarde demasiadamente o curso do processo.
O “desaforamento” pode ser entendido como a subtração da lide, de um determinado foro para
outro foro, pelas razões alineadas no art. 109.
Quero chamar sua atenção para a hipótese da alínea C. Esta situação é típica do CPPM. O
processo e julgamento dos crimes militares na instância inferior cabe aos Conselhos de Justiça,
que devem ser compostos por oficiais de mesmo posto ou mais antigos que o acusado. Se não
for possível compor o Conselho nesses moldes, poderá haver desaforamento.
O pedido de desaforamento é dirigido ao STM, podendo fazê-lo os Comandantes da Marinha,
do Exército ou da Aeronáutica; do Distrito Naval, Região Militar e de Comando Aéreo; Conselhos
de Justiça ou Juiz e ainda mediante representação do MPM ou do acusado.
Caso defira o pedido, o STM, ouvido o Procurador-Geral, se dele não proveio o pedido,
designará a Auditoria por onde deva ter curso o processo. O pedido, mesmo quando negado,
poderá ser feito novamente, se houver motivo superveniente.
Uma vez concedido o desaforamento, em regra não é mais possível que o processo retorne ao
juízo de origem. O retorno desse processo à sua origem é também conhecido como
“reaforamento” e é aceito em situações expepcionais, desde que cessado o impedimento que
motivou o desaforamento inicial, associado com a indicação de eventual óbice para o regular
processamento e julgamento do feito no atual foro. 
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CONFLITOS DE COMPETÊNCIA 
As questões atinentes à competência podem ser resolvidas tanto pela exceção propriamente dita (exceção 
de incompetência), quanto pelo conflito positivo ou negativo. 
Art. 112. Haverá conflito: 
CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
I - em razão da competência: 
POSITIVO 
a) positivo, quando duas ou mais autoridades judiciárias entenderem, ao mesmo tempo, que lhes cabe 
conhecer do processo; 
NEGATIVO 
b) negativo, quando cada uma de duas ou mais autoridades judiciárias entender, ao mesmo tempo, 
que cabe a outra conhecer do mesmo processo; 
CONTROVÉRSIA SOBRE FUNÇÃO OU SEPARAÇÃO DE PROCESSO 
II - em razão da unidade de juízo, função ou separação de processos, quando, a esse respeito, houver 
controvérsia entre duas ou mais autoridades judiciárias. 
Neste dispositivo não há muitas novidades, não é mesmo? Você já sabe que ocorre conflito positivo de 
competência quando duas ou mais autoridades se julgam competentes, enquanto o conflito negativo ocorre 
quando duas ou mais autoridades se julgam incompetentes para conhecer a matéria. 
O inciso II, entretanto, merece comentários adicionais. Esse conflito provém das hipóteses de Continência 
onde deva existir um juízo prevalente, na forma do art. 101 do CPPM. Daí falar-se em junção (e não “função” 
como vem nos códigos) ou separação de processos. 
O conflito pode ser suscitado pelo acusado, pelo órgão do Ministério Público, ou pela própria autoridade 
judiciária, nos termos do art. 113. Os dois primeiros farão por requerimento, e último, sob forma de 
representação, suscitando-se perante a autoridade competente para dirimir o conflito. 
AUTORIDADE COMPETENTE PARA DECIDIR CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
STF Se o suscitante ou o suscitado for o STM (art. 102, I, “o” da CF). 
STJ 
Se o conflito se der entre Juízo Militar de Primeira Instância e Juízo vinculado a 
outro Tribunal (art. 105, I, “d” da CF). 
STM 
Se o conflito se der entre autoridades judiciárias subordinadas a esse Tribunal 
(art. 6º, II, “g” da LOJMU). 
Se o conflito for negativo, poderá ser suscitado nos próprios autos do processo. Tratando-se de conflito 
positivo, o relator do feito poderá ordenar, desde logo, que se suspenda o andamento do processo, até a 
decisão final, da qual não caberá recurso. 
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RESUMO 
AUTORIDADE COMPETENTE PARA DECIDIR CONFLITO DE COMPETÊNCIA 
STF Se o suscitante ou o suscitado for o STM (art. 102, I, “o” da CF). 
STJ 
Se o conflito se der entre Juízo Militar de Primeira Instância e Juízo vinculado a 
outro Tribunal (art. 105, I, “d” da CF). 
STM 
Se o conflito se der entre autoridades judiciárias subordinadas a esse Tribunal 
(art. 6º, II, “g” da LOJMU). 
 
 
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==1365fc==
 
QUESTÕES COMENTADAS 
 
1. TJM-SP – Escrevente Técnico Judiciário – 2011 – VUNESP. 
Quanto ao foro militar em tempo de paz, assinale a alternativa correta. 
a) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça militar encaminhará os autos do 
inquérito policial militar à justiça comum. 
b) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça comum encaminhará os autos do 
inquérito policial à justiça militar. 
c) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Autoridade de Polícia Judiciária Militar 
encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum. 
d) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a justiça militar encaminhará os autos 
do inquérito policial militar à justiça comum. 
e) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a Autoridade de Polícia Judiciária Militar 
encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum. 
Comentários 
A regra acerca do crime doloso contra a vida praticado contra civil é de que a Justiça Militar encaminhe os 
autos do inquérito policial militar para a Justiça comum, pois esta é competente para julgar este tipo de 
crime, mesmo quando praticado por militar. 
GABARITO: A 
2. PM-MG – Oficial da Polícia Militar – 2011 – Fumarc. 
Sobre a competência no âmbito do Direito Penal Militar, analise os conceitos infrarrelacionados: 
I - A competência, de modo geral, é determinada pelo local da infração. Contudo, em crimes em que 
haja mais de um local de consumação, a competência é exercida pela sede do lugar de exercício 
funcional do policial militar. 
II - a prerrogativa de posto ou função inibe a utilização de outro critério para a determinação da 
competência. 
III - Na ocorrência de continência ou conexão, o princípio da unidade do processo é regra, exceto 
quando há cumulação de competências da Justiça Comum e Justiça Militar. 
Assinale a alternativa CORRETA. 
a) As afirmativas I, II e III estão corretas. 
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b) As afirmativas I, II e III estão incorretas. 
c) Apenas a afirmativa III está correta. 
d) Apenas a afirmativa I está incorreta. 
Comentários 
A assertiva I está correta quando diz que a competência é determinada, em regra, pelo local da infração. A 
atribuição de competência em razão do local de serviço do militar, entretanto, não ocorre quando o crime 
se consuma em mais de um local, mas sim quando o lugar da infração não pode ser determinado, nos termos 
do art. 96. 
GABARITO: D 
3. DPU – Defensor Público – 2007 – Cespe. 
Compete à justiça militar da União processar e julgar crime doloso contra a vida, praticado por militar 
do Exército Brasileiro contra civil, estando aquele em atividade inerente às funções institucionais das 
Forças Armadas. 
Comentários 
Tivemos uma série de mudanças legislativas que ocorreram entre a aplicação desta questão e o nosso 
momento atual. O art. 82 do CPPM prevê o contrário do que consta no enunciado dessa questão, mas com 
as alterações promovidas no CPM, mais precisamente no art. 9º, parágrafo 2º, entendemos que a resposta 
atual dessa questão é CERTO. 
GABARITO: CERTO 
4. DPU – Defensor Público – 2007 – Cespe. 
Falece competência à justiça militar da união para processar e julgar civis. 
Comentários 
Esta é bem batida, não é mesmo? A Justiça Militar da União julga tanto civis quanto militares que praticarem 
crimes militares, definidos em lei. Já a Justiça Militar dos Estados não tem competência para julgar civis. 
GABARITO: ERRADO 
5. STM – Analista Judiciário – 2011 – Cespe. 
Um processo foi instaurado perante a Circunscrição Judiciária Militar de Curitiba, contra várias pessoas, 
entre elas um coronel da Aeronáutica da ativa. Diante da impossibilidade de compor o conselho 
especial, devido à inexistência de oficiais em número suficiente, foi concedido pelo STM o 
desaforamento do processo para circunscrição judiciária militar de outro estado. Todavia, no decorrer 
da instrução, o coronel foi excluído do processo por força de habeas corpus e outro corréu excepcionou 
a competência da circunscrição judiciária, sob o argumento de haver cessado o motivo do 
desaforamento. Nessa situação, continua competente o juízo que recebeu o processo desaforado, 
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mesmo que a exclusão de um dos acusados possibilite a composição doconselho de justiça no juízo 
militar de origem. 
Comentários 
Vimos que o posicionamento da Doutrina e do Cespe é no sentido de que, uma vez concedido o 
desaforamento, não é possível haver a devolução do processo. O “reaforamento” só será aceito em situações 
excepcionais. 
GABARITO: CERTO 
6. STM – Analista Judiciário – 2004 – Cespe. 
Com relação à competência, a conexão e a continência impõem a unidade de processo, salvo no 
concurso entre a jurisdição militar e a comum. 
Comentários 
Lembre-se que para o Cespe uma assertiva incompleta não está necessariamente errada. O art. 102 do CPPM 
traz duas hipóteses de separação obrigatória dos processos em que há conexão ou continência: concurso 
entre a jurisdição militar e a comum; e concurso entre a jurisdição militar e o Juízo de Menores. Apesar de a 
assertiva não mencionar a hipótese do Juízo de Menores, deve ser marcada como correta. 
GABARITO: CERTO 
7. DPU – Defensor Público – 2010 – Cespe. 
Considere a situação hipotética em que um grupo de 20 militares integrantes das forças armadas 
brasileiras, em missão junto às forças de paz da ONU, no Haiti, em concurso de pessoas com diversos 
outros militares pertencentes às forças armadas da Itália e da França, tenha cometido diversos crimes 
militares no Haiti. Nessa situação, a competência para conhecer, processar e julgar os militares 
brasileiros pelas infrações penais militares é da Justiça Militar da União, cujo exercício jurisdicional é o 
da auditoria da capital da União. 
Comentários 
O Direito Penal Militar adota a territorialidade e a extraterritorialidade. Dessa forma, mesmo os crimes 
praticados no exterior são de competência da Justiça Militar. Neste caso, o art. 91 do CPPM determina que 
a Auditoria competente será uma das localizadas em Brasília. 
GABARITO: CERTO 
8. MPE-ES – Promotor de Justiça – 2010 – Cespe. 
Celso, soldado da polícia militar do estado do Espírito Santo, foi preso em flagrante delito pelos crimes 
de peculato e falsidade de documento público, praticados contra a administração militar. Oferecida 
denúncia perante a auditoria militar do estado, Celso será processado e julgado. Caso os crimes 
descritos fossem praticados contra civil, estando o agente no exercício da função policial, a 
competência para processar e julgar seria do Conselho Permanente de Justiça. 
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Comentários 
A questão encontra-se incorreta, pois como Celso é militar do Estado, os crimes praticados contra civis são 
competência do Juiz Singular, os demais crimes são de competência do Conselho Permanente de Justiça, nos 
termos do art. 125, § 5º da CF/88: 
§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares 
cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, 
sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares. 
GABARITO: ERRADO 
9. DPU – Analista Técnico Administrativo – 2016 – Cespe. 
A competência para a apuração de crime militar será determinada, em regra, pelo local da infração e, 
no caso de tentativa de crime, pelo local de residência ou domicílio do acusado. 
Comentários 
A questão nos exige o conhecimento do art. 88, segundo o qual competência será, de regra, determinada 
pelo lugar da infração; e, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. 
GABARITO: ERRADO 
10. DPU - Analista Técnico Administrativo – 2016 – Cespe. 
Situação hipotética: Um capitão-de-corveta que serve em unidade sediada em Porto Alegre praticou 
crime militar na Argentina, durante exercício militar. Assertiva: Nessa situação, de acordo com o CPPM, 
o crime deverá ser processado na Auditoria da capital federal, sediada em Brasília – DF. 
Comentários 
Segundo o art. 91 do CPPM, os crimes militares cometidos fora do território nacional serão, em regra, 
processados em Auditoria da capital federal. 
GABARITO: CERTO 
11. STM - Analista Judiciário - Área Judiciária - 2018 – CESPE. 
Com relação à competência da justiça militar federal, a medidas preventivas e assecuratórias e a 
citação, intimação e notificação, julgue o item subsequente, considerando as disposições do Código de 
Processo Penal Militar. 
Situação hipotética: Sargento das Forças Armadas furtou material de organização militar no Rio de 
Janeiro – RJ. Todavia, possui residência em São Paulo – SP e serve em quartel na guarnição de Manaus 
– AM. Foragido, acabou sendo preso em Natal – RN. Assertiva: Nessa situação, a competência para 
processar e julgar o sargento será da justiça militar da União no Rio de Janeiro – RJ, porém, se o local 
do furto fosse desconhecido, o foro competente seria o de Manaus – AM. 
Comentários 
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Certo! A regra é que a competência será fixada em razão do local da infração (Rio de Janeiro), conforme o 
art. 88 do CPPM. 
Sendo militar da ativa e desconhecido o local do crime, o art. 96 do CPPM determina que a competência será 
fixada a partir do local da unidade, navio, força ou órgão onde o militar estiver servindo. No caso, seria 
Manaus-AM, pois é aonde está situado o quartel em que o Sargento das Forças Armadas serve. 
Art. 96. Para o militar em situação de atividade ou assemelhado na mesma situação, ou para o 
funcionário lotado em repartição militar, o lugar da infração, quando este não puder ser 
determinado, será o da unidade, navio, força ou órgão onde estiver servindo, não lhe sendo 
aplicável o critério da prevenção, salvo entre Auditorias da mesma sede e atendida a respectiva 
especialização. 
GABARITO: CERTO 
12. DPU - Defensor Público Federal - 2017 – CESPE. 
No que diz respeito ao juiz, aos auxiliares da justiça e às partes do processo militar, à organização da 
justiça militar da União e sua competência e à prisão preventiva, julgue o item que se segue. 
Se um tenente que sirva em organização militar sediada no Rio de Janeiro – RJ cometer crime militar 
em Manaus – AM, à auditoria da circunscrição judiciária do Rio de Janeiro competirá processá-lo e 
julgá-lo. 
 
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Comentários 
Errado! A regra é que a competência será fixada em razão do local da infração (Manaus-AM), conforme o 
art. 88 do CPPM. 
Somente em se tratando de militar da ativa e sendo desconhecido o lugar da infração é que a competência 
passará a ser determinada pelo local aonde está situado o órgão em que o militar serve, nos termos do art. 
96 do CPPM. 
GABARITO: ERRADO 
13. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Acerca do processo penal militar, julgue o seguinte item. 
A competência para a apuração de crime militar será determinada, em regra, pelo local da infração e, 
no caso de tentativa de crime, pelo local de residência ou domicílio do acusado. 
Comentários 
Errado! A competência será, de regra, determinada pelo lugar da infração, e, no caso de tentativa, pelo lugar 
em que for praticado o último ato de execução. (Art. 88 do CPPM) 
GABARITO: ERRADO 
14. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Julgue o próximo item, relativo à denúncia no direito processual militar e à competência da justiça 
militar federal. 
Situação hipotética: Um capitão-de-corveta que serve em unidade sediada em Porto Alegre praticou 
crime militar na Argentina, durante exercício militar. Assertiva: Nessa situação, de acordo com o CPPM, 
o crime deverá ser processado na Auditoria da capitalfederal, sediada em Brasília – DF. 
Comentários 
Certo! O art. 91 do CPPM estipula que em se tratando de crimes militares cometidos fora do território 
nacional, a competência para julgamento, em regra, será da Auditoria da Capital da União. 
Como se sabe, a “capital da União” é Brasília. Lembre-se que o CPPM é de 1969, motivo pelo qual ainda 
utiliza a equivocada expressão. No art. 18, §1º da CF/1988 corretamente é previsto que Brasília é a Capital 
Federal. 
GABARITO: CERTO 
15. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Julgue o próximo item, relativo à denúncia no direito processual militar e à competência da justiça 
militar federal. 
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Situação hipotética: Militares do Exército, em concurso, praticaram quatro crimes: um na Circunscrição 
Judiciária Militar (CJM) em Brasília – DF, dois na CJM em São Paulo – SP, e um na CJM em Belém – PA. 
A pena prevista para um dos crimes praticados na CJM paulista é a grave. Durante a instrução, foi 
concedido habeas corpus que trancou a ação penal relativa a esse crime. Assertiva: Nessa situação, a 
competência do juízo da CJM de São Paulo – SP continua inalterada para o julgamento dos demais 
ilícitos. 
Comentários 
Certo! O caso narrado, conforme o art. 99, alínea a, do CPPM, é de conexão, pois presente uma pluralidade 
de infrações praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas ou por várias pessoas em concurso, 
embora diverso o tempo e o lugar. 
Nestas circunstâncias, havendo jurisdições concorrentes, prevalecerá a competência do lugar da infração 
para a qual é cominada a pena mais grave (art. 101, inciso II, alínea a) que, na hipótese, é São Paulo. O art. 
104, por sua vez, determina que, ainda que no processo da sua competência própria o juiz profira sentença 
absolutória ou desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará ele 
competente em relação às demais infrações. 
Esclareço que o habeas corpus é medida excepcional para o trancamento da ação penal, somente sendo 
admissível quando constatado nos autos, de forma inequívoca, a inocência do acusado, a atipicidade da 
conduta ou a extinção da punibilidade, todas elas circunstâncias equivalente a absolvição. 
Portanto, correto o item. 
GABARITO: CERTO 
 
 
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 Q UESTÕES COMENTADAS 
 1. CEBRASPE (CESPE) - Of (PM SC)/PM SC/2023 
 O foro competente para o julgamento do militar que, em atividade, cometer infração penal 
 militar em local não sabido será o local 
 a) de seu domicílio. 
 b) da distribuição ao primeiro juízo militar ao qual tenha sido comunicada a infração. 
 c) da unidade em que ele estiver lotado. 
 d) onde supostamente tenha sido cometido o crime, apontado fundamentadamente pela 
 autoridade militar responsável pelo IPM. 
 e) onde tiver sido efetuada e(ou) processada sua prisão ou instaurado o correspondente IPM. 
 Comentários: 
 Peguinha fundamental e que pode derrubar muitos concorrentes dos senhores! 
 A regra, de fato, é que o foro competente para julgamento de lugar não sabido será o domicílio 
 do réu, conforme art. 93 do CPPM. Entretanto, o mesmo dispositivo, na parte in fine , excepciona 
 essa regra, quando o fato é praticado por militar em situação de atividade, no qual será o foro 
 do lugar de serviço, conforme art. 96. 
 Sendo assim, fica entendido sobre o lugar não sabido: 
 REGRA: Lugar de residência do réu 
 EXCEÇÃO: Lugar de serviço se militar da ativa, ou funcionário lotado em repartição militar. 
 Gabarito: C 
 2. CEBRASPE (CESPE) - Of (CBM RO)/CBM RO/Combatente/2022 
 O julgamento de militar graduado denunciado pelo crime de peculato (art. 303 do CPM) 
 compete, originariamente, 
 a) ao Conselho Especial de Justiça Militar. 
 b) ao Conselho Permanente de Justiça Militar. 
 c) à Corregedoria da Justiça Militar. 
 d) ao tribunal de justiça do estado. 
 e) ao Superior Tribunal Militar. 
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 Comentários: 
 Assim funciona: 
 JMU 
 1ª Instância: 
 Oficial - Conselho Especial de Justiça 
 Praça - Conselho Permanente de Justiça 
 2ª Instância: 
 STM 
 JME 
 1ª Instância: 
 Oficial - Conselho Especial de Justiça 
 Praça - Conselho Permanente de Justiça 
 2ª Instância: 
 Tribunal de Justiça Estadual ou Tribunal de Justiça Militar (onde existir) 
 Gabarito: B 
 3. CEBRASPE (CESPE) - AJ (STM)/STM/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018 
 Com relação à competência da justiça militar federal, a medidas preventivas e assecuratórias e a 
 citação, intimação e notificação, julgue o item subsequente, considerando as disposições do 
 Código de Processo Penal Militar. 
 Situação hipotética: Sargento das Forças Armadas furtou material de organização militar no Rio 
 de Janeiro – RJ. Todavia, possui residência em São Paulo – SP e serve em quartel na guarnição 
 de Manaus – AM. Foragido, acabou sendo preso em Natal – RN. Assertiva: Nessa situação, a 
 competência para processar e julgar o sargento será da justiça militar da União no Rio de Janeiro 
 – RJ, porém, se o local do furto fosse desconhecido, o foro competente seria o de Manaus – AM. 
 Comentários: 
 A regra para processamento e julgamento por crime militar, via de regra, é no local onde se 
 consumou o crime. Se, no entanto, for militar da ativa, e o local do crime for não sabido, então a 
 regra será pelo art. 96, ou seja, lugar do serviço. 
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==1365fc==
 Gabarito: Certo 
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 Q UESTÕES COMENTADAS 
 1. VUNESP - CFO/QC (EsFCEx)/EsFCEx/Direito/2022 
 Nos termos do Código de Processo Penal Militar, é correto afirmar que, dentro de cada 
 Circunscrição Judiciária Militar, a competência será determinada 
 a) pela prevenção. 
 b) pelo lugar da infração. 
 c) pela distribuição. 
 d) pela residência ou domicílio do acusado. 
 e) pela sede do lugar de serviço. 
 Comentários: 
 Importante diferenciar a determinação de competência pelo Foro Militar e quando dentro de 
 cada Circunscrição Militar. 
 No primeiro caso, a gente fala de determinação de competência para saber qual a Circunscrição 
 competente. Temos atualmente 11 Circunscrições e cada uma delas poderá ser competente de 
 duas formas: 
 ● GERAL 
 a) pelo lugar da infração 
 b) pela residência ou domicílio do acusado 
 c) pela prevenção 
 ● ESPECIAL 
 Pelo lugar de serviço 
 Já dentro da Circunscrição Militar, poderemos ter diversas auditorias, sendo que poderão ser 
 competentes de acordo com a: 
 a) especializaçãob) pela distribuição 
 c) por disposição do CPPM 
 Gabarito: C 
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LISTA DE QUESTÕES 
 
1. TJM-SP – Escrevente Técnico Judiciário – 2011 – VUNESP. 
Quanto ao foro militar em tempo de paz, assinale a alternativa correta. 
a) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça militar encaminhará os autos do 
inquérito policial militar à justiça comum. 
b) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça comum encaminhará os autos do 
inquérito policial à justiça militar. 
c) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Autoridade de Polícia Judiciária Militar 
encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum. 
d) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a justiça militar encaminhará os autos 
do inquérito policial militar à justiça comum. 
e) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a Autoridade de Polícia Judiciária Militar 
encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum. 
2. PM-MG – Oficial da Polícia Militar – 2011 – Fumarc. 
Sobre a competência no âmbito do Direito Penal Militar, analise os conceitos infrarrelacionados: 
I - A competência, de modo geral, é determinada pelo local da infração. Contudo, em crimes em que 
haja mais de um local de consumação, a competência é exercida pela sede do lugar de exercício 
funcional do policial militar. 
II - a prerrogativa de posto ou função inibe a utilização de outro critério para a determinação da 
competência. 
III - Na ocorrência de continência ou conexão, o princípio da unidade do processo é regra, exceto 
quando há cumulação de competências da Justiça Comum e Justiça Militar. 
Assinale a alternativa CORRETA. 
a) As afirmativas I, II e III estão corretas. 
b) As afirmativas I, II e III estão incorretas. 
c) Apenas a afirmativa III está correta. 
d) Apenas a afirmativa I está incorreta. 
3. DPU – Defensor Público – 2007 – Cespe. 
Compete à justiça militar da União processar e julgar crime doloso contra a vida, praticado por militar 
do Exército Brasileiro contra civil, estando aquele em atividade inerente às funções institucionais das 
Forças Armadas. 
4. DPU – Defensor Público – 2007 – Cespe. 
Falece competência à justiça militar da união para processar e julgar civis. 
5. STM – Analista Judiciário – 2011 – Cespe. 
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Um processo foi instaurado perante a Circunscrição Judiciária Militar de Curitiba, contra várias pessoas, 
entre elas um coronel da Aeronáutica da ativa. Diante da impossibilidade de compor o conselho 
especial, devido à inexistência de oficiais em número suficiente, foi concedido pelo STM o 
desaforamento do processo para circunscrição judiciária militar de outro estado. Todavia, no decorrer 
da instrução, o coronel foi excluído do processo por força de habeas corpus e outro corréu excepcionou 
a competência da circunscrição judiciária, sob o argumento de haver cessado o motivo do 
desaforamento. Nessa situação, continua competente o juízo que recebeu o processo desaforado, 
mesmo que a exclusão de um dos acusados possibilite a composição do conselho de justiça no juízo 
militar de origem. 
6. STM – Analista Judiciário – 2004 – Cespe. 
Com relação à competência, a conexão e a continência impõem a unidade de processo, salvo no 
concurso entre a jurisdição militar e a comum. 
7. DPU – Defensor Público – 2010 – Cespe. 
Considere a situação hipotética em que um grupo de 20 militares integrantes das forças armadas 
brasileiras, em missão junto às forças de paz da ONU, no Haiti, em concurso de pessoas com diversos 
outros militares pertencentes às forças armadas da Itália e da França, tenha cometido diversos crimes 
militares no Haiti. Nessa situação, a competência para conhecer, processar e julgar os militares 
brasileiros pelas infrações penais militares é da Justiça Militar da União, cujo exercício jurisdicional é o 
da auditoria da capital da União. 
8. MPE-ES – Promotor de Justiça – 2010 – Cespe. 
Celso, soldado da polícia militar do estado do Espírito Santo, foi preso em flagrante delito pelos crimes 
de peculato e falsidade de documento público, praticados contra a administração militar. Oferecida 
denúncia perante a auditoria militar do estado, Celso será processado e julgado. Caso os crimes 
descritos fossem praticados contra civil, estando o agente no exercício da função policial, a 
competência para processar e julgar seria do Conselho Permanente de Justiça. 
9. DPU – Analista Técnico Administrativo – 2016 – Cespe. 
A competência para a apuração de crime militar será determinada, em regra, pelo local da infração e, 
no caso de tentativa de crime, pelo local de residência ou domicílio do acusado. 
10. DPU - Analista Técnico Administrativo – 2016 – Cespe. 
Situação hipotética: Um capitão-de-corveta que serve em unidade sediada em Porto Alegre praticou 
crime militar na Argentina, durante exercício militar. Assertiva: Nessa situação, de acordo com o CPPM, 
o crime deverá ser processado na Auditoria da capital federal, sediada em Brasília – DF. 
11. STM - Analista Judiciário - Área Judiciária - 2018 – CESPE. 
Com relação à competência da justiça militar federal, a medidas preventivas e assecuratórias e a 
citação, intimação e notificação, julgue o item subsequente, considerando as disposições do Código de 
Processo Penal Militar. 
Situação hipotética: Sargento das Forças Armadas furtou material de organização militar no Rio de 
Janeiro – RJ. Todavia, possui residência em São Paulo – SP e serve em quartel na guarnição de Manaus 
– AM. Foragido, acabou sendo preso em Natal – RN. Assertiva: Nessa situação, a competência para 
processar e julgar o sargento será da justiça militar da União no Rio de Janeiro – RJ, porém, se o local 
do furto fosse desconhecido, o foro competente seria o de Manaus – AM. 
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12. DPU - Defensor Público Federal - 2017 – CESPE. 
No que diz respeito ao juiz, aos auxiliares da justiça e às partes do processo militar, à organização da 
justiça militar da União e sua competência e à prisão preventiva, julgue o item que se segue. 
Se um tenente que sirva em organização militar sediada no Rio de Janeiro – RJ cometer crime militar 
em Manaus – AM, à auditoria da circunscrição judiciária do Rio de Janeiro competirá processá-lo e 
julgá-lo. 
13. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Acerca do processo penal militar, julgue o seguinte item. 
A competência para a apuração de crime militar será determinada, em regra, pelo local da infração e, 
no caso de tentativa de crime, pelo local de residência ou domicílio do acusado. 
14. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Julgue o próximo item, relativo à denúncia no direito processual militar e à competência da justiça 
militar federal. 
Situação hipotética: Um capitão-de-corveta que serve em unidade sediada em Porto Alegre praticou 
crime militar na Argentina, durante exercício militar. Assertiva: Nessa situação, de acordo com o CPPM, 
o crime deverá ser processado na Auditoria da capital federal, sediada em Brasília – DF. 
15. DPU - Analista Técnico - Administrativo – 2016 – CESPE. 
Julgue o próximo item, relativo à denúncia no direito processual militar e à competência da justiça 
militar federal. 
Situação hipotética: Militares do Exército, em concurso, praticaram quatro crimes: um na Circunscrição 
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