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Caso Clínico 3 B. é um menino de quatro anos, cujos pais se divorciaram quando ele tinha um ano de idade. Antes da separação, a criança viveu em um ambiente hostil: o pai era muito controlador e agressivo com a mãe, que relata ter sofrido agressão psicológica por parte do então companheiro. Ela quem decidiu terminar a relação. Informou, também, que o período de gravidez foi muito conturbado, quando enfrentou a perda do pai, sem ter elaborado bem este luto. Na entrevista inicial, a mãe trouxe a demanda principal: a agressividade do filho. Relatou um episódio que representa a queixa: um dia a criança não quis ir para a creche. A mãe o levou à força até o carro e a criança a agrediu. Nas palavras da mãe: “(...) ele não queria ir pra creche de forma nenhuma, ele acordou chorando, eu vesti a roupa nele chorando e aí… eu não soube lidar, falei meu Deus do céu… falei vamo entrar no carro. Peguei ele à força e coloquei no carro. E aí o fato de eu pegar ele a força pra colocar dentro do carro piorou. E ele gritava, chorava… nossa meu Deus… E foi nesse dia que ele me deu um… tapa. E aí eu chorava.. assim que eu fiquei desestruturada”. Houve outros episódios parecidos e em todos a mãe não soube como reagir e só sabia chorar. Também trouxe algumas informações sobre a relação de B. com o restante da família: o pai de B. mora em outra cidade e, até aquele momento, fazia sete meses que a criança não o via. Frequentemente, B. questionava sobre a falta do pai e se este o amava. Nas palavras da criança: “(...) meu pai não vai vir me ver? Meu pai não quer me ver, meu pai não me ama?”. A mãe ficou com a guarda e o pai ficaria com a criança de 15 em 15 dias. No entanto, quem faz isso é a avó paterna. Eles vivem com a avó materna.