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Julia Lozinsky FUNDAMENTOS DE RADIOLOGIA E ULTRASSONOGRAFIA Aula 1 Bases físicas para a ultrassonografia Por que saber? Para entender como a imagem vai aparecer para poder interpretar. Vantagens: É um método não invasivo ou minimamente invasiva, que não utiliza radiação ionizante e a aquisição de imagens é feita em tempo real. É possível visualizar movimentos de estruturas. Ex: batimento cardíaco fetal. Isso se da pois o aparelho da 30 quadros de imagens por segundo. Ajuda guiar procedimentos minimamente invasivos: Cistocentese Desvantagem: É um operador dependente, ou seja, é necessário um profissional com experiência para fazer boas imagens diagnósticas. E não avalia funcionalidade dos órgãos, vai ser avaliado morfologia. Não faz avaliação histopatológica, ou seja, uma massa não dá para se definir se é maligna ou benigna. Como funciona um ultrassom? • Se origina pela vibração de um material que se propaga em forma de onda. O que é uma onda? É uma perturbação temporária situada no meio físico que vai se propagar no mesmo meio. O ultrassom é um meio mecânico, ou seja, ele precisa de um meio para se propagar. As ondas eletromagnéticas, não precisam do meio para se propagar (raioX), podendo se propagar em um vaco. O ultrassom então vai se propagar pelos tecidos/líquidos biológicos do paciente. O ultrassom vai ser uma onda mecânica com uma frequência superior a o que um ouvido humano pode perceber. São acima de 20.000 Hrz Características das ondas Comprimento de onda: - É determinado por Lambida, ele é o intervalo do pico de uma onda e o pico da onda seguinte. Ondas de comprimento maior tem a frequência menor e ondas de comprimento menor tem uma frequência maior. Julia Lozinsky Quando se está falando de ondas menores, de alta frequência, vão se atingir/visualizar melhor estrutura superficiais. Então uma onda de maior comprimento, ou seja, de menor frequência, vai ser visualizado estruturas mais profundas. Um pequeno comprimento de onda se tem a melhor qualidade de imagem e o maior comprimento de onda vai ter menor resolução. Ex: Abdômen de um pinscher – frequência alta; Dogue alemão – frequência baixa. Avaliação musculo esquelético e tireoide – frequências mais altas. Como o ultrassom funciona? É a emissão de ultrassom sobre os tecidos, emitindo um pulso sonoro (ondas sonoras). Esses tecidos ensonados vão interagir com o som, gerando um eco, retornando para o aparelho e gerando um ponto de luz na tela. Pode ser um ponto de luz intenso ou não intenso ou não formar imagem. Por conta dessa interação vai poder ocorrer: • Atenuação: Resulta da interação do som com o meio. Quanto maior distância mais a atenuação. Uma frequência muito alta para uma estrutura muito profunda, vai ter muita atenuação, pois irá perder muito intensidade do sinal. Existe forma de diminuir essa atenuação. • Reflexão: Refere-se a pequenas porções da onda sonora que batem em superfícies que refletem e retornam ao transdutor. Ela vai depender da densidade do meio (impedância acústica). Se não for refletido, não gera eco, então não terá imagem. • Absorção: Ela vai ocorrer pela transformação acústica em calor. As pequenas porções de onda então são absorvidas gerando calor. O que contribui para atenuação. A ultrassonografia é o resultado das reflexões de ultrassons nos diversos meios ao longo do caminho. Então o equipamento vai realizar a leitura e vai traduzir uma imagem. Se tem um meio muito denso, que gera muito retorno, vai ter então uma imagem mais branca, brilhante. Se tem um tecido ou uma estrutura que reflete menos o som, vai ter uma imagem, mas não tão branca, sendo um cinza escuro. Se não tiver reflexão, vai gerar uma imagem preta. Sem a densidade não teria a diferença de imagens, seria tudo um borrão. Transdutor É a peça mais nobre do aparelho, é ele que vai produzir as ondas, ele tem na superfície elemento piezelétricos, sendo cristais de quartzo ou cerâmica. O que é o efeito piezoeléctrico? É a capacidade de uma substância de produzir uma onda sonora quando submetido a um estímulo elétrico. Vão se produzir ondas mecânicas através de ondas eletromagnéticas. Julia Lozinsky Ao exercer uma pressão mecânica se gera um diferencial de potencial elétrico que é determinado pela segmento da lâmina, ou seja, uma onda mecânica que gera um onda eletromagnética e ao mesmo tempo o efeito piezo reverso, tendo um potencial elétrico que vai sobre a superfície do cristal que ai vai expandir/retrair gerando ondas sonoras. Para cada tipo de exame existe um tipo de transdutor. Para ultrassom abdominal se usa basicamente dois ou três, sendo eles: • Linear: Imagem retangular com feixes mais agrupados • Convexo ou micro convexo que vai dar uma imagem em forma de cunha/leque, que são feixes sonoras mais divergentes. O tradutor linear é de alta frequência, eles vão de 10-18 mHz, ou seja, vai atingir uma menor profundida, conferindo uma melhor qualidade de imagem. Vai ser usado para o exame de um gato, um cão muito pequeno, para ver estruturas mais superficiais como o ovário, adrenal, as camadas do intestino. O micro convexo que são usados possuem uma frequência intermediaria, não é tão baixa pois tem transdutores que chegam a 2-3 mHz e este é de 5-8,5 mHz, mas eles têm um bom equilíbrio entre penetração e qualidade de imagem, ou seja, eles têm uma boa profundidade com uma boa imagem. Pode ser utilizado em um cão de mais aporte, um obeso por exemplo. Modo de processamento dos ecos • Modo brilho (B) ou bidimensional Mostra a ecogenicidade, ou seja, os tons de cinza. É a imagem normal de um ultrassom determinado pelos ecos nos transdutores. • Modo movimento É o modo em que se tem um gráfico, que tem que ser associado ao modo B, para que se gere as linhas paralelas, um gráfico de ondas. Vai se ver estruturas em movimento. Não é o dinamismo do ultrassom, é um modo que se avalia estruturas em movimentos, como batimentos cardíacos fetais. Vão ser linhas paralelas que correm na tela em função do tempo e essas linhas vão emitir um gráfico, que a partir dele vai ser possível medir a frequência cardíaca do feto por exemplo. • Modo doppler Vai ser ter uma tela em modo B em que vai se jogar o doppler sendo possível ver o fluxo sanguíneo. Vai mostrar um mapa de cor, sendo o que for azul é fluxo que está se afastando e o que é vermelho é o que está se aproximando do transdutor. O doppler então vai dar a direção do fluxo e toda a perfusão sanguínea daquele órgão (hemodinâmica). Definições da imagem quanto a ecogenicidade É uma terminologia para descrever a imagem que se está vendo. Julia Lozinsky • Ecogênico: geração/ formação de eco, então ela tem a capacidade de gerar eco, ou seja, de formar imagens. • Hiperecogênica: É uma estrutura que reflete muito o som, então se tem um eco retornando. O transdutor então vai entender que o eco vai voltar com muito intensidade, formando uma imagem muito mais branca na tela, tendo maior brilho. • Hipoecogênico: São estruturas que não refletem tanto, mas ainda refletem, mas são de menor ecogenicidade. • Anecogênico: Não tem a produção de eco, ou seja, não tem a formação de uma imagem. • Isoecogênico: Estruturas que terão a mesma ecogenicidade de outras estruturas. Tudo que for preto no ultrassom não será líquido, mas todo líquido vai formar uma imagem preta. Definições da imagem quanto a ecotextura do parênquima Ecotextura é o modo de distribuição interno do eco dentro dos órgãos ou estruturas avaliadas. Então todo baço será igual, agora se tem uma alteração inflamatória ou neoplásica, pode-se ter uma alteração de ecos, não ficando mais uma estrutura homogênea e sim heterogênica. Artefatos de técnica São resultando de exibição de eco que retornam ao transdutor de forma errada ou estão ausentes. Eles podem ajudar a diagnosticar uma alteração. • Sombreamento acústico: Resultante da interação do ultrassom com o limite acústicoaltamente reflexível, como um cálculo ou um osso. Então se tem uma estrutura que reflete muito som, esse vai retornar todo e não vai passar para o meio posterior por ter sido bloqueado, então vai ter uma estrutura hiperecogênica e depois dessa estrutura vai ter uma sombra. Sombra é uma imagem preta, anecogênica. Todo corpo estrando vai formar uma sombra. A sombra acústica vai ser mais forte se o feixe estiver abatendo diretamente no cálculo, se tiver meio de lado pode ser que a sombra não fique tão clara. • Reforço acústico: É o contrário do sombreamento. É observado posteriormente os tecidos ou estruturas de baixa atenuação (líquidos), se tem uma evidenciação de uma área mais ecogênica, hiperecogênica posterior, tendo um brilho mais forte, como vesícula biliar, cistos, bexiga. • Sombreamento lateral: Ele é o que vai ocorrer nas margens de superfícies curvas. Acontece que se tem um feixe sonoro e ele bate na margem da superfície curva, assim ele será desviado, sendo refratado. Ele se perde, não voltando para o transdutor e assim se tem uma ausência de imagem nas margens. Isso ajuda muito para se procurar um testículo na cavidade pois ele tem a superfície curva, os ovários também. Tudo o que tiver estrutura curva vai formar esta imagem. Julia Lozinsky • Reverberação Atrapalha na hora do exame. São inúmeros linhas ecogênicas paralelas resulta de múltiplas reflexões, aparecendo em cavidades com gás como o estomago, intestino e pulmão, isso porque o ar é inimigo do ultrassom. Vai ser direcionado para várias direções, formando uma cortina (cauda de cometa). Muitas vezes vai ter todo um preparo para se fazer este tipo de exame. Quanto mais gás, mas branca serão as linhas porque está tendo maior reverberação. • Imagem em espelho Difícil de visualizar. Ocorre quando o ultrassom é refletido a partir de uma interface curva altamente reflexiva. Ex: Diafragma Acontece que o ultrassom caminha até bater em uma superfície curva, que é refratária, e assim vai voltar para o transdutor. O aparelho vai entender que demorou para voltar, então a distância da estrutura está mais profunda, mas na verdade está é refratada, então vai gerar uma imagem mais profunda. Aula 2 Semiologia ultrassonográfica Estudos dos sinais ultrassonográficos que vão ajudar a achar um diagnóstico. Então vai se estabelecer uma sequência de raciocínio que vai ajudar a interpretar a imagem, porque que na ultra é necessário ter esta sequência. Relembrando a aula passado: A ultrassonografia é o resultado da interação das ondas sonoras com os tecidos insonados e dependendo da característica do tecido vai ser ter uma reflexão. Essas interações vão gerar absorção, reflexão e atenuação (perda da intensidade do sinal). Atenuação reduz de acordo com a distância de uma maneira constante, tendo a diminuição da intensidade do feixe. Alguns tecidos atenuam mais que outros, como tecidos ricos em colágeno, glicogênio, gordura, material cristalino vão atenuar mais, tendo um mais coeficiente de atenuação, ou seja, essas estruturas causam uma maior reflexão, gerando um eco mais intenso e o transdutor vai interpretar como uma imagem mais branca, hiperecogênica. Padrões ecográficos básicos: O que são? São padrões no qual se consegue se caracterizar muito bem na ultrassonografia, ou seja, Julia Lozinsky vai se olhar e já é possível descrever o padrão de uma estrutura. Padrão cístico – Estrutura ou lesão bem definida, com parede bem definidas, estruturas no interior anecogênico (preto) e homogêneo, estruturas arredondadas. Podem ser classificadas com o cístico simples ou complexo. Simples – Conteúdo anecogênico e homogêneo Complexo – Presença de trabeculações no interior. Sempre o interior do cisto vai ser líquido, por isso anecogênico. São arredondados e com líquido dentro, então o artefato será de reforço acústico Trabeculações Gasoso – Aparecem em estruturas ocas ou lesões que produzem artefatos que indiquem presença de gás, sendo elas as linhas paralelas (reverberação). Sólido – A estrutura sabidamente é um tecido. Classificado como nódulo quando menor de 4cm e massa quando for maior que 4 cm. As lesões podem ser hiperecogênica ou hipoecogênica (de acordo com a cor do tecido onde ele se encontrar). Fluido/ líquido – Conteúdos anecogênico podendo ter debris finos ou grosseiros em suspensão. Cálcico/mineral – estrutura com mineralização, ou seja, tem um coeficiente de atenuação muito maior, então vai se te uma imagem hiperecogênica, que é a interação do feixe sonoro com uma estrutura que vai refletir muito o som e com sombreamento acústico (resultado da interação do som com estruturas muito densas e refletoras). Ex: cálculo e osso. Técnicas ultrassonográficas para a cavidade abdominal: Vai ajudar a fazer um bom exame. • Preparação do paciente Tricotomia – O pelo bloqueia o ultrassom, atrapalhando a formação da imagem, sendo uma tricotomia ampla. O pelo retém ar Julia Lozinsky Gel condutor – vai conduzir o ultrassom, ele vai aumentar a superfície de contato e diminuir a interface do ar. Jejum prévia de 8 a 12 horas. Nem sempre é possível, as vezes é uma emergência então o animal não estará em jejum, caso o conteúdo esteja atrapalhando se pede para repetir o exame. O jejum prévio é para prevenir a sobre posição do estomago em outros órgãos caso ele esteja muito cheio, com muito alimento, vai atrapalhar a visualizar o fígado e pâncreas por exemplo. Animais diabéticos devem-se marcar o mais cedo possível para não desregular o horário de medicação e alimentação. Antifiséticos – Luftal; Para diminuir a sobreposição do conteúdo gástrico, evita o desconforto do paciente, paciente muito agitados com aerofagia que chegam na clinica esbaforidos, engolindo muito ar possuem muito gás dentro do estomago. Orientação da imagem e posição do paciente: O exame tem que ser realizado sempre seguindo uma sequência, uma ordem. É muito importante seguir esse padrão. Além disso, o paciente tem que estar do lado direito do veterinário, com a cabeça virada para o aparelho e em decúbito dorsal. O que está para cima é ventral e para baixo da imagem é dorsal. Bexiga – baço – rim esquerdo – estomago – rim direto – fígado – vesícula biliar Parâmetros a serem avaliados: • Topografia: Anatomia; Ela vai dizer a localização do órgão ou lesão. Um órgão em sua posição anatômica ele vai ser chamado de habitual, mas se não está na sua localização, vai ser chamado que ectópico. Ex: testículo dentro da cavidade abdominal. • Contornos: De uma lesão ou órgão, podendo ser definido, pouco definido ou não definido. Uma lesão no qual se consegue visualizar onde ela começa e onde ela terminar, quer dizer que ela é bem definida. Uma lesão ou órgão não qual no se vê nem onde começa nem onde termina é não definida e quando tiver uma lesão no qual se vê onde começa, mas não onde termina é pouco definida. Os órgãos em sua maioria são definidos sendo assim contorno acaba sendo mais usado para lesões. • Margens: Fígado e baço são órgãos que tem definição, então podemos dizer que são as margens do órgão. O normal desses órgãos são terem margens finas, um hepatomegalia essas margens tendem a ficar arredondadas, então é muito importante saber da margem pois pode indicar alterações de tamanho dos órgãos. Normal – Finas, afiladas e regulares Anormal – Abauladas ou arredondadas Julia Lozinsky • Superfície: “Sensação tátil do órgão”. A superfície de um órgão tem que ser lisa ou regular, agora quando se tem uma alteração em um órgão, como um fígado com cirrose, que causa uma fibrose e diminuição do fígado, vai ter uma superfície irregular ou serrilhada. • Formato: Formato habitual é quando a estrutura se encontra no seu formato normal ou se não pode estar deformado. Deformado pode ser deforma intrínseca, quando for do próprio órgão ou extrínseca quando for algum fator que está deformando aquele órgão. Não se pode caracterizar o formato de uma lesão como habitual, deve-se usar formas geométricas na definição. • Dimensões: Tamanho da lesão, a imagem da ultra é bidimensional, mas o órgão é tridimensional, então quando for fazer uma medida, vai se medir o comprimento e a altura no plano longitudinal e a largura no plano transversal. • Arquitetura: É o todo do órgão. A parte vascular do órgão. Preservada ou dilatada. Aula 3 Sistema Urinário Indicações para se fazer ultrassonografia: • Poliúria/Polidipsia • Hematúria/Disúria/Polaciúria • Vômitos de causa desconhecida • Abdômen agudo • Evidência clínica e/ou laboratorial Limitações – Este exame não fornece informações sobre o funcionamento do órgão. No sistema urinário vai se avaliar rins, uretra e bexiga. O ureter é difícil de se identificar pois ele é Isoecogênico, sendo possível ser avaliado apenas quando estiver dilatado ou com alguma obstrução. • Bexiga Anatomia: Órgão oco com forma de pera (piriforme), localizado no abdômen caudal e vai variar de acordo com a distensão. É dividido em trígono vesical, porção média e polo cranial. Anatomia ultrassonográfica: Julia Lozinsky Órgão de parede lisa sendo de 0,2-0,5 como distensão normal. Seu conteúdo é preto, ou seja, anecogênico e homogêneo. Anormalidades da bexiga: • Cistite crônica/aguda Consegue-se avaliar se há uma cronicidade através da parede espessa na região crânio ventral, pode-se ter múltiplos debris em suspensão no interior da bexiga que podem aumentar com a celulariade ou cristalúria. Sem esse espessamento pode-se falar que tem uma cistite, mas de forma aguda. A presença de gases e cristais vão ter ecos mais brilhantes, sendo hiperecogênicos em suspensão. • Cistite Enfisematosa Infecção por bactérias produtoras de gás, como a E. coli, então vai ser pelo acúmulo de gás intramural ou intraluminal. Ocorre em animais diabéticos por causa da glicosúria, no qual as bactérias usam a glicose para formar o gás. A presença de linha de reverberação no qual são providas do gás, mas elas não são .... porque elas vêm da parede. • Coágulos São comuns de se aparecer pós trauma ou em coagulopatias. O animal vai ter hematúria. Os coágulos costumam ser móveis, então eles estarão em suspensão, não formam sombra acústica, ou seja, não é hiperecogênico. Pode-se diferenciar de neoplasia com um doppler, pois se tiver vascularização não será um coágulo. • Cálculos São hiperecogênicos com padrão cálcico que vão formar sombra acústica. • Ruptura Muito difícil de se ver, não podem ser identificadas no ultrassom. Uma bexiga rompida vai estar vazia ou terá a presença de líquido livre no abdômen. • Neoplasias São mais frequentes em cães do que em gatos, sendo observado na bexiga um espessamento focal, por isso se pode confundir com um coágulo, assim se usa o doppler para o diferenciar. Existe um tumor de bexiga que é mais comum no cão, o carcinoma de células de transição, que acostumam acometer o trígono vesical, tendo um espessamento da região. Quando se há suspeita dessa patologia, não se deve fazer uma cistocentense pois pode correr o risco de romper e causar metástases. Normalmente se usa uma sonda, no qual se joga soro e puxa o conteúdo de dentro da bexiga. • Uretra Julia Lozinsky Nos machos pode ser visualizada a prostática e a peniana e nas fêmeas apenas a parte da uretra proximal. • Rins Consegue-se ter muita informação anatômica deste órgão, mas não funcional. Algumas alterações podem indicar uma doença de alteração funcional, mas quem confirma é o laboratório. É um órgão retroperitonial circundado por tecido adiposo, sendo o direito mais cranial que o esquerdo. O direito é uma imagem não tão boa quando a do esquerdo, por isso é importante se fazer uma boa tricotomia. O rim vai ter uma cápsula renal que vai dar a imagem de um fino eco brilhante. A região cortical é ecogênica por causa dos glomérulos e a região medular vai ser menos ecogênica por causa dos túbulos do sistema coletor, porque dentro deles passa líquido, assim tendo uma imagem mais escura. A pelve e a gordura pélvica são complexos ecogênicos centrais e na região entre a cortical e a medular, na junção córtico medular, é onde se encontram as artérias e as veias arqueadas. Planos de varredura: Corte longitudinal – Divide o rim em duas partes iguais, sendo dividido no meio. Corte transversal – Divide o rim no meio, mas de uma outra forma, vai ser possível ver um formato de cogumelo. Corte coronal – É o mais usado no exame, pegando uma imagem mais longitudinal. Avaliação das dimensões: Vai variar por causa do tamanho dos animais, então existe uma tabela no qual vai se baseia para ver se o rim está aumentado ou não. Os rins devem ser simétricos. Definição corticomedular X relação corticomedular Definição é quando se consegue se definir onde começa e termina casa região (medular e cortical) e a relação é a proporção entre elas, sendo uma relação matemática, que obrigatoriamente tem que ser de 1:1. Alterações difusas do parênquima renal: Alterações inespecíficas • Diminuição da definição corticomedular • Espessamento da cortical • Aumento da ecogenicidade da cortical (fica mais branca que o normal) • Alteração de ecotextura da cortical – alterações podem ser observadas em muitas doenças renais (nefrite glomerular, doença renal terminal, nefrocalcinose). Julia Lozinsky • Sinal medular – Um halo hiperecogênico que se visualiza paralelo a junção corticomedular, isso está associado a um depósito de material mineral ou lesão do epitélio tubular. Pode ser observado em PIF e FelV, mas não é patognomônico, mas também sendo encontrado em animais normais. • Doenças parasitárias – Normalmente acometem o rim direito, Dioctophyma renale. O parênquima é destruído, deixando a cápsula como uma bolsa cheia de parasita e os ovos. Na ultrassonografia vão aparecer os cortes transversais dos parasitas. • Cisto renal podendo ser um único cisto ou múltiplo cistos. • Gatos persas com a síndrome dos rins policísticos (PKD) Alterações da pelve renal: • Pielonefrite – Muito comum, é uma inflamação da pelve renal por uma infecção ascendente, normalmente ligada a uma cistite crônica, no qual sobe para a pelve. Vai ter um aumento do volume renal, estando com o rim dilatado e uma ecogenicidade aumentada na cortical. De acordo com o grau de dilatação, pode-se ter um parênquima destruído. • Hidronefrose – Dilatação da pelve, mas sendo secundário a uma obstrução. Os ureteres podem estar totalmente obstruídos na porção final e também a bexiga. Se tem a obstrução a meses, só restará uma fina camada de parênquima e o resto todo obstruído. • Cálculos renais – Imagens hiperecogênicos que formam sombra acústica, podendo ficar nos cálices o que levam a ser confundido com mineralização. • Ureteres Não são normalmente visualizados, vão poder ser vistos quando tiver uma obstrução, sendo detectados por causa de uma dilatação. É uma alteração ectópica. Aula 4 Aparelho Reprodutor Masculino de Pequenos Animais • Anatomia Testicular Cães: São pendulares entre a região do períneo e a virilha, posicionados horizontalmente. Gatos: Estão na localização perineal. Eles possuem bastante pelo na região da bolsa escrotal, então deve-se fazer uma boa tricotomia para fazer uma boa ultrassonografia. Julia Lozinsky • Glândulas acessórias: Próstata – no gato não se visualiza com facilidade, nem a glândula do bulbo uretral. Como deve realizar o exame? Com um transdutor linear a 7 mHz, de alta frequência pois é uma estrutura de superfície, assim vai ter uma boa qualidade de imagem sem a necessidade de profundida. O animal tem que estar em decúbito dorsal e usando o gel condutor. Anatomia ultrassonográfica de testículo: Os testículos tem a ecotextura homogênea,ou seja, lisa. É Hipoecogênico ou Isoecogênico em relação a próstata. Tem a região central hiperecogênica (mediastino) e a capsula testicular com contornos regulares. O testículo vai ter um sombreamento lateral por ter suas superfícies curvas. Tem que se fazer o exame com a mão leve, pois é uma estrutura móvel, então em casos de estar no canal inguinal, com uma pressão alta, ele pode ser deslocado para o abdômen. Anatomia ultrassonográfica de próstata: É a única glândula acessória observada nos cães machos, normalmente encontrada na região abdominal, mas se a bexiga estiver muito vazia a próstata pode estar mais para a pelve e assim o osso vai atrapalhar a imagem. As dimensões variam por vários fatores como raça, idade, tamanho e se o animal for castrado (vai ter estímulos hormonais. É andrógeno dependente da testosterona, então em um animal castrado a próstata estará menor). O parênquima tem contornos definidos, superfície lisa, a ecogenicidade é de média a hipoecogênica e homogêneo. É uma estrutura bilobada e recoberta por um fina capsula de fibras musculares. Animais castrados (orquiectomizados) vão ter a próstata atrofiada e com a ecogenicidade menor, ficando mais escura. Principais patologias testiculares: • Criptorquidismo: É a não descido dos testículos da cavidade abdominal, podendo ser de um ou ambos. É uma doença congênita que ocorre em cães e gatos. Os testículos tem a origem embrionário igual aos ovários, sendo caudal aos rins e as vezes eles param no meio do caminho, por isso não descem. No caso dos cães, os testículos podem migrar para a bolsa escrotal até os 6 meses de idade. Quando dentro da cavidade eles ficam acima da temperatura da qual tem que ficar, então por isso ficam mais susceptíveis a ter neoplasias. Julia Lozinsky Os testículos na cavidade abdominal ou na região inguinal são comuns de serem encontrados dos 6 meses até 1 ano e meio de idade. Com o passar do tempo, esse testículo pode se tornar degenerado, diminuindo de volume e isso dificulta a avaliação. • Neoplasias testiculares: É o segundo tipo de neoplasia mais comum em cães e são raros em gatos. Pode ser de forma isolada, sendo um tipo de tumor ou de vários tipos. Os três tipos mais comuns de neoplasias são o sertolioma, seminomas e leydigoma. Não vai ser possível se definir o tipo de tumor, mas tem características, como no sertolioma, que causa a síndrome da feminilização, fazendo com que o individuo macho tenho características de fêmeas. A presença de lesões multifocais ou no parênquima podem ser diagnosticadas como uma neoplasia. Atrofias e degenerações podem estar associadas. O testículo vai ter um sombreamento lateral por ter suas superfícies curvas. Tem que se fazer o exame com a mão leve, pois é uma estrutura móvel. Patologias de próstata: • Hiperplasia prostática benigna (HPB) As neoplasias podem acontecer em animais castrados ou não. A HPB geralmente vai ocorrer em animais com mais de 6 anos, é causada por um estímulo androgênico (di- hidrotestosterona), podendo ser subclínica ou apresentar sintomatologia. Vai ter um aumento da próstata (prostatomegalia) o que consequentemente vai ter o aumento da ecogenicidade do parênquima, podendo ou não estar heterogêneo, com estruturas císticas. • Prostites: São infecções bacterianas. O líquido prostático tem como função a proteção bacteriostática, então os mecanismos de defesa não funcionam direito neste caso. Vai ter como sinais clínicos, uma cistite crônica e a solução é a castração. • Neoplasias: Adenocarcinoma prostático. Aula 5 Sistema gastrointestinal Tem um grande desafio, pois o acúmulo de gás atrapalha a avaliação da cavidade abdominal, além disso existe a falta de experiência para fazer a varredura completa de cada segmento. Indicações para fazer a ultrassonografia: Julia Lozinsky • Vomito persistente • Diarreia • Perda de peso • Dor abdominal • Massa abdominal a palpação • Histórico de ingestão de corpo estranho Aspectos ultrassonográficos normais do estômago O estômago possui de 4 a 5 movimentos peristálticos por minuto, possui parede medindo de 0,2-0,5 em cães e 0,2-0,24 em gatos. Seu conteúdo geralmente apresenta moderada quantidade de gás e alimento (ecogênico misto). Aspectos ultrassonográficos das alças intestinais Geralmente apresentam moderada quantidade de conteúdo ecogênico e gás. A luz da alça intestinal sempre vai aparecer hiperecogênica ou anecogênica quando tiver uma dilatação por líquido. O duodeno descendente é mais espesso quando comparado com os outros segmentos intestinais (cães). Todos os segmentos do trato gastrointestinal possuem 5 camadas na parede: Serosa, Muscular, Submucosa, Mucosa e Lúmen. Padrão reservado quando estiver normal: Julia Lozinsky • Neoplasias gastrointestinais Vai ter um espessamento da parede, sendo local ou difuso, irregular e com perda de padrão estratificado de camadas. Ao se detectar as alterações, podemos indicar medidas diagnósticas mais invasivas como laparotomias ou biopsias. Os mais comuns são adenocarcionomas, linfoma, leiomiossarcoma e leiomioma. Doenças gastrointestinais inflamatórias Vai ter o espessamento da parede, o que é um achado não específico, pois em uma gastrite aguda, não terá esse espessamento, isso leva um tempo para ocorrer. A aparência vai variar de acordo com o tipo, duração e extensão do processo, geralmente a inflamação causa o espessamento com preservação da estratificação das camadas. • Gastrite: Pode ser um espessamento difuso ou localizado e vai ter a redução de motilidade. OBS: o espessamento extensivo da parede gástrica, pode-se alterar a integridade das camadas. Obstrução do trato gastrointestinal Vai ser por um impedimento mecânico ou funcional de um conteúdo de seguir seu caminho. • Mecânica: De causa extrínseca (hérnia com ulceração) ou intrínseca (corpo estranho que bloqueia a passagem do conteúdo). A dilatação das alças intestinais, anterior a obstrução, vão fazer com que tenha um peristaltismo não evolutivo, fazendo com que o conteúdo vai e volte e próximo ao ponto de obstrução, pode ter o aumento do peristaltismo, sendo não evolutivo. • Funcional: É uma dificuldade do intestino em fazer o conteúdo progredir. Vai ocorrer por íleo funcional, enterites por vírus, atonia por distúrbios eletrolíticos, paralisia de atividade motora, dilatação fluida generalizada e hipomotilidade intestinal. • Corpo estranho Vai ser identificado através de uma radiografia ou ultrassonografia. A identificação do corpo estranho correlaciona-se com a suas características físicas (impedância acústica). Quanto maior a impedância, mais hiperecogênico, ou seja, vai ter uma imagem forte. Além disso vai ter um forte sombreamento acústico posterior. • Corpo estranho linear A linha é hiperecogênica que pode ou não produzir um sombreamento acústico. Essa linha pode fazer com que tenha um pregueamento intestinal, dependendo do grau vai dizer a gravidade e a duração da lesão. Pode a ver ruptura ou perfuração desse pregueamento. • Intussuscepção Julia Lozinsky Envolve mais frequentemente o intestino delgado e a junção ileocólica, ocorre entre uma alça e outra por uma causa secundária a enterites de alteração na motilidade, como um maior peristaltismo, diarreia crônica ou corpo estranho linear. Geralmente acontece mais com os filhotes. A imagem vai ser em alvo no corte transversal, tendo um segmento e outros em uma volta. Com o tempo pode causar necrose pela diminuição da vascularização. Aula 6 Fígado e vesícula biliar É um dos exames mais subjetivos para avaliação. O fígado é o maior órgão do abdômen e a mais glândula do corpo, tem como função bioquímica, dentre elas o papel chave de metabolismo e digestão de alimentos. Além disso tem a função secretória e desintoxicante. As alterações bioquímicas mostradas em um exame dizem que 70% do parênquima já se encontracom alteração. Na ultrassonografia é possível ver alteração de 15% já acometida, tendo um exame bioquímico normal. O exame de ultrassonografia hepático nos permite avaliar as alterações de dimensões, formas, contornos, superfícies, margens, ecogenicidade e arquitetura interna dos vasos hepáticos. A dimensão é obtida por uma avaliação subjetiva. Anatomia hepática Não se tem a medida linear do fígado, por isso é difícil de se avaliar como um todo. Se tem parâmetros para definir se está ou não aumentado, como por exemplo sua localização. O fígado tem que estar entre o sexto e décimo primeiro espaço intercostal, passando desta localização pode ser indicado um aumento. A vesícula biliar pode ser observada no sétimo espaço intercostal. O fígado é dividido em 4 lobos, 4sublobos e 2 processos, em casos de presença de líquido, vai poder ver a divisão dos lobos. Além disso, suas margens são afiladas, então quando arredondadas, também pode-se indicar um aumento. Sua superfície é lisa e o parênquima hepático normal vai ter a ecotextura uniforme ou homogênea, levemente mais grosseira (presença de vasos portais) que o baço e hipoecogênico ao baço. Anatomia dos vasos No fígado tem a presença de vasos portais e hepáticos. Os vasos portais possuem paredes ecogênicas, constituídas de tecido fibroso e gordura e os vasos hepático não possuem a parede ecogênica, então é menos visível. As artérias hepáticas não são rotineiramente observadas. Planos de varredura É o maior órgão do abdômen e com isso se deve fazer vários planos de exame ou varreduras para se conseguir imagens de todos os lobos hepáticos e da arquitetura venosa. Julia Lozinsky Doenças hepáticas Ultrassonograficamente, as lesões hepáticas podem se detectadas como alterações do padrão do parênquima, associadas ou não as alterações bioquímicas. • Difusas: Vai ter o aumento da ecogenicidade do parênquima, diminuição da ecogenicidade do parênquima e alterações da ecotextura. Alterações hiperecogênica: As alterações podem ser por uma infiltração gordurosa, lipidose, hepatopatia esteroide, hiperadrenocorticismo, diabetes mellitus, linfoma com menor frequência. Nestes casos poderão apresentar o fígado normal ou aumentando. A colangiohepatite crônica vai causar um aumento de volume, o que consequentemente vai alterar a ecotextura. A cirrose vai causar uma diminuição do órgão e deixando-o com contornos e superfície irregulares. O ligamento falciforme tem a mesma cor do fígado, então quando o fígado está hiperecogênico é possível ver a diferença. O normal é ser isoecogênico. Alterações hipoecogênica: • Difusas: Vai ser caracterizar por qualquer processo congestivo como as hepatites agudas, linfomas, leucemias, congestão passiva e intoxicação. Tem a diminuição generalizada da ecogenicidade do parênquima, evidenciando as paredes portais. Em uma cogestão passiva por ICC direta, pode-se observar a dilatação dos vasos hepáticos e veia cava caudal. A diminuição generalizada da ecogenicidade é a alteração mais comum visualizada nos exames de ultra, mas é uma alteração inespecífica porque pode estar associada a processos de virose, toxemia por infecções, hemoparasitose, etc. Em casos de piometra ou sepse o fígado fica escuro. • Focais: Podem ser únicas ou múltiplas, sendo mais comum as neoplasias, tendo imagens variadas. Podem dar ser hematomas, cistos ou abcessos. É necessário se fazer uma biópsia ou citologia para saber qual a enfermidade que está acometendo. Vesícula biliar Anatomia ultrassonográfica: Julia Lozinsky É visualizada a direita da linha média. É possível se ver o ducto de saída e o ducto cístico. Os ductos biliares intra-hepáticos não são visualizados normalmente. No gato o ducto pancreático se funde ao ducto biliar, secretando junto. A vesícula biliar tem um formato oval ou de gota, com a parede fina (dependendo do corte) e seu tamanho depende da repleção. • Lama Biliar: É um conteúdo ecogênico dentro da vesícula muito comum estar presente em jejuns prolongados, em animais sedentários ou mais idosos. É mais difícil de ser visualizado em gatos. Pode indicar estase biliar por anorexia ou jejum prolongado. • Litíase biliar: São raras em cães e gatos. Na maioria das vezes é um achado pois eles não implicam sinais clínicos. É visualizado uma pedra em vesícula ou em ductos, sendo fixos ou móveis. Produtor de sombra acústica (cálculo). • Alterações biliares: Espessamento de parede por uma inflamação ascendente da parede da vesícula, isso vai causar o aumento da ecogenicidade da parede. Pode ser observado em casos de colecistite, colangiohepatite, com presença ou não de lama biliar. Edema de parede: Normalmente vai ocorrer por ascite e com isso terá a presença de um halo anecogênico em volta. Pode ocorrer um espessamento focal por neoplasias ou pólipos e dilatação do ducto cístico (em gatos com obstrução das vias biliares por Platynosomum fastosum). Mucocele: é uma evolução crônica da colecistite. É uma condição inflamatória da vesícula biliar decorrente da retenção do conteúdo biliar e do aumento da secreção das glândulas mucinóginas da parede da vesícula biliar. Vai ser um conteúdo ecogênico no centro e hipoecogênico na periferia. Fatores predisponentes: hiperadrenocorticismo e hiperlipedemia. Aula 7 Aparelho reprodutor feminino Fisiologia reprodutiva da cadela É dividido em 4 fases, sendo elas o anestro, proestro, estro e o diestro. As cadelas apresentam o estro a cada 6 meses, podendo variar esse tempo. Anestro -> Involução uterina da cadela que estava gestante. A cadela não gestante vai se recuperar de ações hormonais da progesterona, as concentrações séricas, estando basais e assim os tecidos estão isoecogênicos aos tecidos adjacentes, sendo mais difícil de ver o útero e os ovários. Julia Lozinsky Proestro -> É a fase em que ocorre o aumenta das concentrações séricas de estrogênio o que faz com que a femea apresente os sinais de cio, edema vulvar e secreção serosasanguinolenta. Nesta fase a femea ainda não aceita o macho. O estrogênio causa uma maior vascularização da vagina e do útero, o que causa um diapedese dos vasos. Estro -> É a “ovulação”, que vai ocorrer após 48-72 do pico de LH. Após a ovulação o folículo fica um corpo hemorrágico, se tornando um corpo lúteo produtor de progesterona. Diestro • GATAS As gatas possuem um ciclo diferentes, pois são poliéstricas estacionais. Em épocas com maior luminosidade (foto período), elas entram no cio e dão início ao ciclo reprodutivo. A gata só irá entrar no Diestro se ela copular. Se não houver coito, ela entra no Interestro, que após 7 dias, retorna ao Proestro. Ela só sairá do cio se castrar ou se copular. No inverno, ela terá o Anestro, já que temos uma menor incidência de luz. O corpo do útero é bem dorsal a bexiga. Os ovários estão caudais ao polo caudal do rim. Vai se usar um transdutor linear para melhor visualização. Anatomia Perimétrio: serosa. Miométrio: muscular. Endométrio: submucosa e mucosa. Anatomia ultrassonográfica do útero e ovários São estruturas difíceis de serem visualizados no anestro. Nas outras fases do ciclo, serão mais fáceis de serem vistas por causas das alterações hormonais secundárias, os órgãos se apresentariam com um maior diâmetro, hipoecogênico, homogêneo e sem conteúdo líquido no interior. ** Por que é hipoecogênico? Pelo fato de ter uma maior vascularização do útero. O útero tem variações de tamanho por causa dos diferentes tamanhos de animais que existem. É uma estrutura tubular, hipoecogênico, homogênea e sem líquido no interior. Este órgão se encontra dorsal a bexiga. Em fase de proestro pode se ver o aumento do diâmetro uterino e em estro a diminuição da ecogenicidade. Anatomia ultrassonográfica dos ovários Estão localizados caudalmente ao polo caudal dos rins, de formato oval e levemente achados. É melhor visto em fases em que tem alterações hormonais. No proestro, queé a fase folicular, podem ser visualizados alguns cistos e esses cistos são os folículos. Julia Lozinsky Alterações secundárias ao estro O útero fica discretamente aumentando de volume e com a diminuição da ecogenicidade. Os ovários diminuem a ecogenicidade e apresentam estruturas císticas (folicular e corpo lúteo). • Alterações ovarianas: Poderá ter a presença de cistos ovarianos ou um ovário policístico. Os cistos são estruturas arredondadas, anecogênicas e com um reforço acústico. Podem ser bi ou unilaterais, para ser policísticos, tem que ter a presença de mais de 4 cistos. • Alterações uterinas: Complexo hiperplasia endometrial cística Por várias estimulações de progesterona, sendo crônico acaba gerando uma hiperplasia do endométrio. Ultrassonografia Aumento do diâmetro com múltiplo cistos irregulares de tamanhos variados na parede uterina. Piometra Acúmulo de conteúdo purulento dentro do útero; Sempre tem influência hormonal, sendo da doença diestral por ação crônica da progesterona e estrogênio. A ação do estrogênio – Aumenta a vascularização e o edema endometrial. Aumento de secreção, diminuindo a resposta leucocitária sendo um meio ideal para o crescimento bacteriano. Pode ter piometra em uma cadela no primeiro cio? Sim, é mais difícil. Ultrassonografia Útero aumentado de volume e conteúdo anecogênico por conta de líquido (não é possível identificar o tipo de líquido) com ou não muito celularidade (debris) Útero pós-parto Após parir, o útero tem que involuir, sendo de 9-12 semanas. Logo após do parto, tem a presença de um líquido, chamado de lóquio fisiológico que sai da vagina da fêmea. Ele pode durar até 6 semanas. Ultrassonografia Útero aumentado de volume com presença de conteúdo ecogênico misto, podendo ter um pouco de líquido. Endometrite Julia Lozinsky Não tem ação hormonal, sendo tratável. É uma infecção bacteriana Ultrassonografia Útero aumentado de volume, presença de conteúdo líquido anecogênico e o endométrio hiperecogênico. Parede mais escura que o conteúdo, estando hipoecogênica a ele. Pós parte tem que se fazer uma ultra bem feita, pois pode ter um ponto já com Endometrite. Ultrassonografia gestacional Tem uma dificuldade muito grande em avaliação. Existe pouca informação em literatura e diferenças de acordo com o padrão das raças. Gestação Canina: 58 a 64 dias ------------------------------------------- Gestação Felina: 64 a 68 dias. • Diagnóstico precoce: Visualização de vesículas gestacionais com 15 dias. É muito importante ressaltar que em caso de diagnóstico precoce SEMPRE deve fazer a reavaliação após 35 dias de gestação. • Reabsorção fetal: Ocorre até os 25 dias de gestação, uma vez que nessa fase não temos estrutura óssea no feto ainda. Ultrassonograficamente se observa uma vesícula gestacional vazia e com a parede mais espessa. A luz vai diminuindo com o passar do tempo até sumir. • Contagem no número de fetos: A fase ideal para contagem da quantidade de fetos na gestação é com 25-35 dias, porque nessa fase as vesículas gestacionais estão pequenas e bem separadas, então temos menos sobreposição, sendo mais fácil a contagem. Lembrando sempre te explicar para o tutor que a ultrassonografia não é o método de diagnóstico ideal para a contagem dos fetos. Em um laudo tem que se por aproximadamente X fetos. • Fórmulas gestacionais Organogenêse – estudo da evolução da gestação. Dependendo da fase se visualiza estrutura. Período de gestação = PG Diâmetro bi parietal = DBP Canino: PG (DBP x 15) + 20 ------------------------------------------------------ Felino: PG = (25 x DBP) + 3 No final da gestação, chamado de feto aperto, com 57- 62 dias já consegue ver o peristaltismo dos intestinos, ou seja, já está quase nascendo. Perto do nascimento os fetos não se mexem tanto, pois já não tem tanto líquido. Sinais da ultrassonografia de proximidade do parto Julia Lozinsky Diminuição de líquidos extra fetais, boa visualização do coração e pulmão, pulmão ecogênico, diminuição da movimentação fetal, visualização do peristaltismo fetal e diminuição dos batimentos cardíacos fetais. Aula 8 Continuação de gestação Parto normal X cesariana O parto normal é a melhor opção, mas existem raças que precisam ser a cesariana, como os braqueocefálicos. • Parto normal Vai ser realizado o exame e pode-se definir o período gestacional e a provável data do parto. Deve-se fazer um acompanhamento em casos de alterações ou demora do parto. • Cesariana de eleição Algumas raças tem a necessidade de fazer uma cesariana para que não tenham problema no parto. Cabe ao ultrassonografista auxiliar, realizando um acompanhamento dos batimentos cardíacos fetais. Próximo ao parto, esses batimentos são reduzidos, a indicação da cessaria vai ser feita quando o Bpm estiver entre 170-200 por minuto e só poderá ser realizando quando a maioria dos fetos já apresentar essa redução no batimento. Usaremos o Modo M para determinar os batimentos fetais. Colocaremos o cursor no meio do coração, gerando uma onda/gráfico. Iremos medir a distância dela e teremos a quantidade de batimentos por minuto. Devemos medir o batimento de cada feto por pelo menos 5 minutos. Devemos medir várias vezes e tirar uma média pois próximo o parto os batimentos oscilam bastante. OBS: Se apenas um feto estiver com o batimento reduzido, esperamos o resto dos filhotes abaixar para poder indicar a cesárea. O melhor momento para indicar a cesárea é quando a maioria dos filhotes apresenta os batimentos reduzidos. O batimento ideal para a cesárea é sempre abaixo de 200 BPM/min. Sofrimento fetal É quando a maioria dos fetos estão com o batimento abaixo de 180Bpm por minuto. Correm risco de morte. Deve-se fazer uma cesárea de emergência. Morte fetal Se fizermos a ultrassonografia e detectarmos um feto morto, não vamos mandar para a cirurgia, é preciso avaliar. Em caso de morte fetal, o acompanhamento deve ser bem mais intenso. Julia Lozinsky Avalia-se há quanto tempo o feto morreu, medindo a cabeça para ver se ele está com o mesmo tamanho dos outros, para determinar se foi uma morte recente. Se conseguimos detectar outras estruturas internas como coração, pulmão, rins, ainda é recente. Com o passar do tempo, as estruturas internas do feto irão desaparecendo, sendo possível determinar que ele morreu há mais tempo. Se verificar que apenas um feto morreu e há muito tempo, provavelmente não há necessidade de intervir. Deve-se apenas fazer acompanhamento ultrassonográfico. Na morte fetal, a fêmea pode expulsar o feto ou ele pode ficar retido no útero. Se o feto ficar retido ele pode sofrer mumificação ou maceração fetal Maceração ou mumificação fetal – presença de sinais de infecção na femea e neste caso a opção é cirúrgica. Mumificação A mumificação não ocorre com contaminação bacteriana associada, ela ocorre pelo fechamento de cervix. O feto vai desidratar. Isso pode ocorre em qualquer fase após a formação óssea. É possível levar a gestação ate o final. Maceração A maceração ocorre contaminação, o feto fica retido no útero. O osso não está no formato estruturado. Vai ter gás, tendo reverberação. Pode ter Endometrite associado. Tem que tirar para tirar. Alteração fetal Anasarca é um edema generalizado que vai ocorrer nos fetos. É o defeito congênito mais comum em gestação de pequenos animais e que pode ser visualizado pela ultrassonografia. Acontece em braqueocefalicos principalmente. O animal é incompatível com a vida, tem líquido livre no pulmão (tórax e abdômen) e morre de angústia respiratória. Além disso, podemos observar cistos subcutâneos repletos de líquido e a pele espessa do feto. No início dá para ver a pele espessa na ultrassonografia, suspeitando de um possível futuro diagnóstico de anasarca. Geralmente este feto é bem maior que os outros e sua vesícula gestacional apresenta bastante líquido. Animal nasce vivo, mas acaba morrendo.O feto não consegue passar então, tem que ser cesárea. Ainda não se sabe a origem da doença, porém, alguns criadores suplementam as fêmeas com ácido fólico e teve uma melhora em relação a isso. Há a suspeita de falta de suplementação nutricional. OBS: Para dar o diagnóstico tem que ter líquido livre no tórax!!! Outras alterações: Hidrocefalia, aumento cardíaco, aneurisma, atrofia de átrio e mineralização; e hérnia umbilical.