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ASSUNTO: Saúde Coletiva DATA: 2025 MINHAS ANOTAÇÕES Plejto do cso de Odtoloa no Bsil O Ministério da Educação (MEC) regula os cursos de Odontologia no Brasil, estabelecendo diretrizes curriculares e definindo a carga horária mínima. As Diretrizes Curriculares Nacionais As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação em Odontologia no Brasil foram homologadas em 2021 e estabelecem as bases para a formação dos cirurgiões- dentistas, garantindo uma educação alinhada às necessidades da população e do Sistema Único de Saúde (SUS). Quem são os pensantes dessas diretrizes? CNE (Conselho Nacional de Educação); Conselho Nacional de Saúde; ABENO (Associação Brasileira de Ensino em Odontologia). De acordo com a DCN, as características do egresso devem: Ser generalista, humanista, ético, crítico e reflexivo; Ser proativo, empreendedor e ter atitude de liderança; Ser comunicativo e expressar-se com clareza; Ser consciente e participativo em relação a políticas sociais, culturais, econômicas e ambientais; Ser atuante na prática odontológica em todos os níveis de atenção à saúde Sua estrutura curricular deve: Articular as dimensões sociais, biológicas, odontológicas, culturais e ambientais; Incluir o Sistema Único de Saúde (SUS) como cenário de atuação profissional e campo de aprendizado; Incluir a atenção integral à saúde, levando em conta o trabalho em equipe interprofissional. Suas Competências e Habilidades devem ser: Capacidade de atuar no SUS e em diferentes níveis de atenção à saúde; Habilidade para integrar equipes multiprofissionais e interdisciplinares; Domínio das técnicas e tecnologias da odontologia, com base na ciência e na ética. A Metodologia de Ensino deve incluir: Aprendizagem ativa, com metodologias inovadoras, como ensino baseado em problemas e prática profissional desde o início da graduação; Integração ensino-serviço-comunidade. Estágios e Práticas Profissionais, Extensão e Pesquisa devem incluir: Obrigatoriedade de estágios supervisionados e atividades práticas em serviços de saúde; Atuação em Unidades Básicas de Saúde, hospitais e clínicas universitárias; Incentivo à iniciação científica e ao desenvolvimento de pesquisas aplicadas à saúde bucal coletiva; Atividades extensionistas que envolvam a comunidade e promovam a cidadania. A Refma Sitáa no Bsil Na década de 1970, a saúde no Brasil tinha as principais características: O modelo predominante era o campanhista, com foco na prevenção de epidemias; O sistema de saúde era centralizado e atendia a quem contribuía para a Previdência Social; As verbas para saúde eram baixas, representando 1% do orçamento geral da União; A atenção à saúde centrava-se na doença e em procedimentos (assistencialista); A saúde era privatista. No Final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, o agravamento das carências sociais, principalmente nos grandes centros urbanos, e o afrouxamento do regime autoritário desencadearam o surgimento de vários movimentos populares de caráter reivindicatório, dando início ao Movimento da Reforma Sanitária. 1977 Criação do Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social: promove pequena abertura para ações de atenção integral na rede pública, incluindo planejamento e participação popular na gestão do sistema (tudo muito incipiente). 1978 Conferência Internacional de Saúde de Alma-Ata: a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) convocaram o evento, onde definiu a atenção primária como uma estratégia a ser oferecida a toda a população. O acordo propunha a promoção de cuidados essenciais de saúde. O Brasil não participou oficialmente da Conferência. 1986 Realização da VIII Conferência Nacional de Saúde Constitui-se como marco para a saúde pública no Brasil pelo seu caráter democrático. Grande participação popular (em torno de 1000 delegados dos diversos segmentos [usuários, trabalhadores, partidos políticos, universidades, parlamentares, gestores] e cerca de 4000 participantes). 1979 I Simpósio Nacional de Política de Saúde: realizado pela Comissão de Saúde da Câmara de Deputados. O CEBES ( centro brasileiro de estudos de saúde) apresentou uma proposta de reorganização do sistema de saúde (já na época chamava de Sistema Único de Saúde). 1988 Constituição da base para o texto da Assembléia Nacional Constituinte SUS - Constituição 1988 pela primeira vez se contempla explicitamente a saúde. 1990 A Lei nº 8080, assinada em 19 de setembro de 1990 por Fernando Collor, instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS). - Lei 8.080: dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços de saúde. Pncípios e diretzes do SUS De acordo com a Constituição Federal de 1988 Segundo o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, devendo este ser garantido mediante políticas que visem, entre outros aspectos, o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Logo, identificamos na Carta Magna a presença da universalidade e da igualdade. Ademais, o artigo 198 descreve que as ações e os serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada de acordo com as seguintes diretrizes: I – descentralização: com direção única em cada esfera de governo; II – atendimento integral: com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; e III – participação da comunidade. De acordo com a lei 8.080 de 1900 Conhecida como Lei Orgânica da Saúde, seu 7º artigo estabelece alguns conceitos como: “as ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: I – universalidade de acesso aos serviços de saúde; II – integralidade de assistência; III – preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral; IV – igualdade da assistência à saúde; V – direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI – divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; VII – utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática; VIII – participação da comunidade; IX – descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo: a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; X – integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento básico; XI – conjugação dos recursos financeiros: tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência à saúde da população; XII – capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; XIII – organização dos serviços públicos; e XIV – atendimento para mulheres e vítimas de violência doméstica em geral”. ATENÇÃO: a saúde das pessoas não depende apenas de ações voltadas para o setor de saúde, por isso essas ações devem estar integradas com outras relacionadas a intervenções no meio ambiente e no saneamento básico. Esses últimos também são considerados determinantes da saúde, em que as três esferas do governo (federal, estadual e municipal) precisam unir esforços, conjugando todos os recursos disponíveis para melhor atender às necessidades de saúde da população. S U S SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Formada por um conjunto de instituições dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. E pelo setor privado. Segue a mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos em todo território nacional. Brasil Sorridente O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva oprojeto de lei nº 8131/2017 que inclui a Política Nacional de Saúde Bucal, também conhecida como Brasil Sorridente, na Lei Orgânica da Saúde. A partir de agora, a saúde bucal passa a ser um direito de todos os brasileiros garantido por lei. 1. 2. 3. A primeira medida adotada pelo Ministério da Saúde para o fortalecimento do programa é a ampliação do atendimento, tanto em questões preventivas, quanto em serviços especializados nos centros de especialidade odontológica. A atenção em saúde bucal no SUS é ofertada em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), Unidades Odontológicas Móveis (UOM), Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e hospitais. Além desses serviços, o Programa Brasil Sorridente conta com Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD). Os princípios do SUS Princípios são valores e bases que orientam ações e políticas. Baseado nos preceitos Constitucionais, a construção do SUS se norteia pelos seguintes princípios doutrinários: Universalidade: é a garantia de atenção à saúde por parte do sistema, a todo e qualquer cidadão. Com a universalidade, o indivíduo passa a ter direito de acesso a todos os serviços públicos de saúde, assim como aqueles contratados pelo poder público. Equidade: define que os indivíduos são diferentes, possuindo características biológicas, psíquicas, culturais e sociais diversas. “De forma resumida, define tratar de forma desigual os desiguais”. Logo, grupos vulneráveis devem receber uma maior atenção, diminuindo assim a desigualdade. Integralidade: é um princípio doutrinário que visa enxergar o ser humano como um todo, incluindo seus aspectos biopsicossociais, com ações em todos os níveis de prevenção e serviços dos mais variados níveis de atenção. Ou seja, é um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, em todos os níveis de complexidade do sistema, com prioridade em ações preventivas. As diretrizes do SUS As diretrizes são normas e meios para atingir objetivos. Regionalizações: são ações e serviços públicos integrados em uma rede regionalizada, com serviços organizados e circunscritos considerando uma área geográfica delimitada para atender às características de determinada região. Seu principal objetivo é facilitar o acesso da população à rede por organizá-la em regiões de saúde. O Plano Diretor de Regionalização (PDR) é um instrumento de planejamento que define as regiões de saúde de um estado. Ele é coordenado pela Secretaria Estadual de Saúde. Objetivos do PDR Garantir o acesso do cidadão aos serviços de saúde; Organizar os serviços de saúde de forma hierarquizada e integrada; Considerar as características demográficas, epidemiológicas e socioeconômicas de cada região Como é elaborado o PDR? O PDR é elaborado por meio de um processo de planejamento integrado e envolve um conjunto específico de municípios que comporão uma região de saúde do estado. Hierarquização: a atenção primária é considerada o primeiro nível de atenção à saúde, logo deve funcionar como porta de entrada de todo o sistema de saúde. Descentralização: com o processo de descentralização, ocorreu uma redistribuição dos poderes e das responsabilidades de saúde entre as três esferas do governo, com ênfase para os municípios. Entretanto, cada esfera do governo possui autonomia e soberania em suas decisões e atividades desde que respeitados os princípios e as diretrizes do SUS e a participação da sociedade. MUNICIPIO ESTADO GOV FEDERAL Atenção primária: maior densidade, baixa tecnologia e complexidade. Ex: unidade básica de saúde; Atenção secundária: densidade tecnológica intermediária. Ex: serviços especializados em nível ambulatorial e hospitalar; Atenção terciária: alta densidade tecnológica e alta complexidade. Ex: hospitais de grande porte. Participação da comunidade: garantia constitucional de que a população, através de suas entidades representativas, participará do processo de formulação das políticas de saúde e do controle da sua execução, em todos os níveis, desde o federal até o local. 1. 2. Esta participação pode se dar: Conselhos de Saúde: com representação paritária de sociedade civil organizada (50%), governo, profissionais de saúde (25%) e prestadores de saúde (25%). Conferências de Saúde: periódicas, para definir prioridades e linhas de ação sobre a saúde (de 4 em 4 anos). Resolubilidade: é a exigência de que, quando o indivíduo busca atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde, o serviço correspondente esteja capacitado para enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível de sua competência. Racionalidade: está relacionada com a compatibilidade entre os serviços de saúde e as necessidades da população. Ser eficaz: é a capacidade de atingir os objetivos propostos e está relacionada com a produção da saúde, a qualidade da atenção e a gestão da saúde. Por exemplo, um tratamento eficaz é aquele que cumpre perfeitamente a sua função e atinge o objetivo proposto. Ser eficiente:é a relação entre os resultados obtidos e os recursos utilizados para alcançá-los. Está relacionada com a execução de uma tarefa com qualidade, competência e excelência. Por exemplo, um serviço de saúde eficiente é aquele que produz um determinado volume de serviços com um custo determinado. Entddo a ção básica e ção pmáa De acordo com a portaria de número 2.436/2017 do Ministério da Saúde, a Politíca Nacional de Atenção Básica (PNAB) considera os termos Atenção Básica (AB) e Atenção Primária à Saúde (APS), nas atuais concepções, como termos equivalentes, de forma a associar a ambos os princípios e as diretrizes definidos neste documento. De acordo com o Art. 2 dessa portaria, a Atenção Básica é definida como: “Cjto de ações de saúde individus, filies e coletivas que volv proção, prevção, proteção, diagnóstico, tta e vilância saúde, desvolvida p meio de práticas de cuidado integdo e gestão qualificada, realizada c equipe multiprofissial e dida à pulação ttóo definido, sre as qus as equipes ass respsilidade sitáa." A saúde primária é desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada. A atenção básica é a porta de entrada e centro de comunicação da RAS (redes ou sistemas de atenção à saúde), coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços da rede. É o primeiro nível de atenção à saúde, sendo a principal porta de entrada do SUS. Funciona como um filtro, capaz de organizar o fluxo dos serviços, desde os mais simples aos mais complexos. Desenvolvida com mais alto grau de descentralização e capilaridade, ocorrendo no local mais próximo de onde o indivíduo está localizado. Estratégia da Saúde da Família (ESF) A Estratégia da Saúde da Família (ESF) é uma estratégia para que isso aconteça: por meio das Unidades de Saúde da Família (USF) - consultas, exames, vacinas, radiografias... O Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) foi o primeiro passo para a implantação da Estratégia Saúde da Família (ESF). O PACS é uma estratégia que visa universalizar o acesso à saúde, promovendo a prevenção e a promoção da saúde. O PACS desenvolve ações e vínculos com a comunidade, garantindo a continuidade do cuidado. O Agente Comunitário de Saúde (ACS) é um mediador entre a comunidade e a ESF. Adscrição de clientela A adscrição de clientela é o registro e a delimitação das famílias que estão sob a responsabilidade de uma unidade básica de saúde (UBS). É uma estratégia da saúde da família que cria vínculos entre as equipes e as famílias. Importância da adscrição de clientela: Garante a continuidade das ações de saúde, Assegura a longitudinalidade do cuidado, Permite cadastrar e acompanhar a população adscrita, Identifica os problemas de saúde da população, Caracteriza a população adscrita. O padigma assistcialista na saúde pública O paradigma assistencialista na saúde pública é ummodelo de atenção à saúde que se baseia na assistência médica e no tratamento de doenças. Características Foco no corpo do paciente, por meio de medicamentos e procedimentos; Prioriza a assistência individual; Organiza a assistência a partir da demanda espontânea; Predominância de práticas hierarquizadas; Dificuldade de integração entre níveis de atenção; Pouco valoriza o modelo da Saúde da Família. O que dificulta ainda mais a tomada de atitude dos profissionais e gestores quanto a importância da compreensão da multiplicidade dos determinantes (social, física, intelectual, emocional, espiritual)? A dificuldade de quebrar esse paradigma. O MODELO FLEXENERIANO O modelo flexneriano é um modelo de ensino médico que se baseia em princípios biológicos e mecanicistas. Ele tem várias características, entre as quais: Foca no indivíduo e exclui os aspectos sociais da vida. Centrado no hospital - ênfase do nível terciário da atenção (alta complexidade). Prioriza a assistência à doença nos seus aspectos individuais e biológicos. Valoriza a tecnologia, acreditando que ela é o centro da assistência à saúde. Desvalorização de medidas preventivas. Modelo caro e de alto custo.