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1 CROMATOGRAFIA Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Engenharia Química, Disciplina de Química Experimental I. Prof. Elton Borges. Rodrigo F. Ramos da Silva. Recebido em: 07/08/2023 A cromatografia pode ser definida como um método físico-químico de separação de misturas, efetuada através da distribuição dos componentes dessa mistura em duas fases, que estão em contato. INTRODUÇÃO . Cromatografia é um método para separar dois componentes de uma solução, distribuindo-os entre duas fases imiscíveis: móvel e estacionária. A fase móvel é geralmente um solvente ou uma mistura de solventes, enquanto a fase estacionária é o suporte sólido, em geral sílica gel ou alumina. Existem hoje em dia muitos métodos de cromatografia, alguns muito sofisticados. A fase móvel pode ser líquida ou gasosa e a fase estacionária pode ser também um líquido absorvido em um sólido. O método extremamente útil e comum para separar substâncias de misturas, tanto no laboratório como em escala industrial. No laboratório, podemos fazer uma distinção sucinta entre dois tipos de cromatografia: a cromatografia analítica que usa quantidades muito pequenas (1 mg) para analisar uma mistura de substâncias, e a outra 2 a cromatografia preparativa que tem como fim a separação e, mesmo, a coleta de maiores quantidades de componentes em uma mistura. O fenômeno da separação pode ser entendido se considerarmos que substâncias diferentes têm características diferentes, tais como ponto de fusão, ponto de ebulição, índice de refração e “polaridade” o que é mais importante na cromatografia. Basta agora lembrar que um composto muito polar terá uma interação maior com um suporte sólido também polar do que um composto relativamente não polar. Isto é devido às forças eletrostáticas entre o polo parcial negativo do composto e o polo parcial positivo do suporte, ou vice-versa. Quando a solução dos componentes da mistura passa ao longo da fase estacionária estes componentes têm atrações diferentes com a fase estacionária, e, portanto, os componentes passarão pelo sólido com velocidades diferentes. É justamente este fato que permite utilizar a cromatografia como um método de separação. Deste modo um composto polar passará com uma velocidade menor que o composto não polar, ao longo da fase estacionária que é polar. A cromatografia baseia-se nas diferentes interações que os componentes das mistura vão ter com duas fases, sendo que o principal tipo de interação nesta técnica é a polaridade dos componentes. Existem alguns tipos de cromatografia e todo tipo duas fase: Eluição: É a “corrida” cromatográfica, ou seja, a passagem da fase móvel pela fase estacionária. Eluente: É a fase móvel, que vai interagir com as amostras e promover a separação dos componentes da mistura, a fase móvel pode ser constituída de um único solvente ou de uma mistura de 2 ou mais. Os tipos de cromatografia podem ser divididos a partir de: Forma física do sistema cromatográfico: - Cromatografia em coluna - Cromatografia Planar - Cromatografia em papel (feito em aula para o relatório) Fase móvel empregada: - Cromatografia gasosa 3 - Cromatografia Líquida (clássica ou de alta eficiência) - Cromatografia supercrítica METODOLOGIA . Neste experimento devemos analisar utilizando a cromatografia em papel uma mistura de íons de níquel, cobre e ferro, passando ao longo de uma pequena faixa de papel de filtro, onde foi usado uma mistura de acetona e solução de HCL em fase líquida. Como os íons tem atrações diferentes com a celulose, vamos analisar consequentemente eles passarem pelo papel de filtro com velocidades diferentes. Os materiais utilizados foram: - Béquer - Vidro de relógio - Papel filtro - Capilar - Lápis Recebemos 4 soluções aquosas, foram elas os sais: FeCl3, CuSO4, NiCl2 e também uma solução misteriosa contendo um, dois ou todos os três sais mencionados. Com essas soluções foi dado início ao processo de cromatografia Primeiramente revestimos o béquer de 200mL com papel filtro, depois cortamos o papel de filtro em forma de retângulo, de modo que ele se adaptasse ao béquer já revestido. Com o lápis foi feito um linha reta mais ou menos com 1 cm da borda inferior do papel cortado e fizemos 4 pontos sobre a linha onde a partir dele iremos colocar com a ajuda de um capilar uma substância em cada ponto e observar qual será a substância desconhecida atentando-se na marcação delas. Na primeira bolinha colocamos o FeCl3, na segunda o CuSO4, na terceira o NiCl2 e por fim na última a substância desconhecida. Após isso, esperamos as manchas das substâncias secarem. No béquer revestido foi adicionada a mistura da acetona e a solução de HCL e foi tampado com um relógio de vidro para que saturasse. Logo após colocamos o papel filtro com as manchas dentro de modo que a linha marcada com os grafite e as soluções encontrem-se acima do menisco do líquido contido no béquer, pois as 4 substâncias não devem entrar em contato com a solução diretamente o contato deve acontecer quando o solvente estiver subindo o papel de filtro, daí fechamos-o com um relógio de vidro e esperamos o resultado. Observamos que no momento que o líquido entra em contato com o papel de filtro ele vai subir sobre o papel por ação capilatória. Daí as substâncias começaram a serem arrastadas pela solução ao longo do papel e quando o papel já estava praticamente todo envolto pela solução, retirou-se do béquer e observou sua fase estacionária e assinalou-as e deixou secar. 5 Após a tirar o papel do béquer foi possível observar o efeito das fases estacionárias com a revelação talvez já de início a substância desconhecida. Com a primeira secagem só foi possível observar as manchas de FeCl2 e da substância desconhecida. Em seguida, com a ajuda de uma pinça, seguramos o papel para aquecer-lo um pouco, porém sem deixar queimar o papel, e analisamos qual seria a substância desconhecida. 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES . Como analisado nas imagens, os resultados obtidos após o aquecimento do papel de filtro foi que a substância desconhecida seria o FeCl2, pois a fase estacionária do primeiro ponto onde estava o FeCl2 foi igual a do 4 ponto onde estava a substância desconhecida, já a substância 2 onde colocou-se o CuSO4 estava em uma fase estacionária menor que as outras duas. Observou-se também que a substância 3 onde foi colocado o NiCl2 não apresentou nenhuma mancha após todo o procedimento A cromatografia depende do arrasto de substâncias parecidas em polaridade e outros fatores, logo, quando utilizado a solução de acetona misturada a solução de HCL, era esperado um maior de arrasto devido sua polaridade ser grande, pois íons também são polares. Os resultados demonstraram a separação dos componentes de cada amostra através da coloração amarelada. Isso ocorre porque alguns dos íons interagem mais fortemente com a solução como por exemplo o FeCl2, o CuSO4 e a substância desconhecida que estão em movimento, se espalhando pelo papel e já outros interagem melhor com o papel como no caso o NiCl2 que está parado, pois ocorreu de forma muito lenta em decorrência da sua polaridade. Como as substâncias possuem propriedades distintas, algumas são arrastadas com mais velocidade e outras com menos. O papel e a solução são substâncias polares, 7 daí quanto mais polar for o sal, menos ele irá subir, pois vai interagir mais fortemente com o papel. Solução Íon Cor Após a 1 ª secagem Após revelação com aquecimento 1 FeCl2 Marrom avermelhado Amarelada Amarelada 2 CuSO4 Azul Não apresentou coloração Amarelada 3 NiCl2 Verde Não apresentou coloração Não apresentou coloração 4 Desconhecida - Amarelada Amarelada CONCLUSÃO . Para executar o experimento em papel, deve-se escolher o solvente mais adequado para cada tipo de amostra, quanto à polaridade dos mesmos. O experimento, por mais simples que tenha sido a sua realização, cumpriu os objetivos propostos. O objetivo de observar a utilização da técnica de cromatografiaa partir do afastamento das substâncias ao longo do papel ao longo do percurso de arrasto teve o resultado esperado. Além disso, foi possível descobrir a solução misteriosa que para 8 realizar o experimento de cromatografia em papel, é necessário escolher o melhor solvente, com base na sua polaridade, para a amostra que será utilizada QUESTÕES . 1. Qual íon é visível a olho nu? R - Após a 1 secagem, observou que só o FeCl2 e a substância desconhecida eram visíveis, mas após o aquecimento o CuSO4 também ficou visível. 2. Qual íons é revelado pela amônia? Qual é a coloração observada neste teste, e qual tipo de complexo é formado pela reação de amônia com o íon metálico? Escreva a reação de complexação. R - Não foi utilizado esse procedimento. 3. A dimetilglioxima revela qual íon? Qual é a coloração? Escreva a reação ocorrida. R - Foi revelado o íon FeCl2 com a coloração amarelada. 4. Dê os valores de Rf para cada um dos íons em cada sistema de solvente. Utilizando a mudança de Rf com as proporções relativas de acetona e solução de HCl, estabeleça qual destes dois solventes é mais responsável pelo transporte dos íons no papel. Tente dar uma explicação baseado nos argumentos delineados na introdução deste texto. R - Como esquecemos de marcar e medir a fase estacionária no papel, não foi possível calcular o Rf de cada amostra. Como as substâncias possuem propriedades distintas, algumas são arrastadas com mais velocidade e outras com menos. O papel e a solução são substâncias polares, então quanto mais polar for o solvente mais ele vai ser responsável pelo transporte, então conclui-se que a acetona seja responsável. REFERÊNCIAS . 1.Coltec Tube. #Química - Cromatografia em papel. Youtube. 06 de maio, 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ASHaCoswGtQ 9 3. VALIM, Paulo. Tipos de Cromatografia. 2020. Disponível em: https://cienciaemacao.com.br/tipos-de-cromatografia/ 3. Silva, R. R., Bocchi, N. e Rocha Filho, R. C. Introdução à Química Experimental, São Paulo, McGraw-Hill. 1990 https://cienciaemacao.com.br/tipos-de-cromatografia/