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Tradução
Rodrigo Garcia Lopes
Cristina Macedo
S Y L V I A
P L A T H
A R I E L
e d i ç ã o r e s t a u r a d a e b i l í n g u e
c o m o s m a n u s c r i t o s o r i g i n a i s
5ª edição
Rio de Janeiro-RJ / Campinas-SP, 2018
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Apresentação – O caso Ariel (Rodrigo Garcia Lopes) 7
Prefácio (Frieda Hughes) 13
Canção da manhã 31
Os mensageiros 33
O caçador de coelhos 35
Talidomida 37
O candidato 39
Mulher estéril 43
Lady Lazarus 45
Tulipas 53
Um segredo 57
O carcereiro 61
Corte 65
Olmo 69
Danças noturnas 73
A detetive 77
Ariel 81
Morte & Cia. 85
Reis magos 87
Lesbos 89
SUMÁRIO
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A outra 95
Morte súbita 99
Papoulas de outubro 101
A coragem de calar 103
Nick e o castiçal 107
Praia de Berck 111
Gulliver 123
Chegando lá 125
Medusa 129
Purdah 133
A lua e o teixo 137
Um presente de aniversário 139
Carta de novembro 145
Amnésico 149
Rival 151
Papai 153
Você é 159
40 graus de febre 161
A reunião das abelhas 165
A chegada da caixa de abelhas 169
Ferroadas 173
Hibernando 177
Rascunhos do poema “Ariel” 181
O enxame 195
Notas 201
Sobre os tradutores 208
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23
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CANÇÃO DA MANHÃ
O amor faz você funcionar como redondo relógio de ouro. 
A parteira bateu em seus pés, e seu grito nu
Tomou lugar entre os elementos.
Nossas vozes ecoam, exaltando sua chegada. Estátua nova
Num museu arejado, sua nudez
Assombra nossa segurança. Ficamos ao redor, brancos como paredes.
 
Sou sua mãe 
Tanto quanto a nuvem que destila um espelho que reflete seu lento 
Desaparecimento na mão do vento.
A noite toda seu hálito de mariposa
Flutua entre rosas lisas. Acordo e ouço:
Longe, um mar se move em meu ouvido.
Um grito, e cambaleio para fora da cama, vaca obesa e florida
Em minha camisola vitoriana.
Sua boca se abre, limpa como a de um gato. A janela
Embranquece e engole suas estrelas torpes. E agora você ensaia
Seu punhado de notas;
As vogais claras sobem como balões.
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OS MENSAGEIROS
Palavra de lesma em prato de folha?
Não é minha. Não a aceite.
Ácido acético em lata selada?
Não o aceite. Não é genuíno.
Anel de ouro e nele o sol?
Mentiras. Mentiras e uma dor.
Geada numa folha, o imaculado
Caldeirão, estalando e falando 
Sozinho no topo de cada um
Dos nove Alpes negros,
Um distúrbio nos espelhos,
O mar estilhaçando seu cinza –
Amor, amor, minha estação.
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O CAÇADOR DE COELHOS
Era um lugar de força –
O vento amordaçando minha boca com meus cabelos revoltos,
Arrancando minha voz, e o mar
Me cegando com suas luzes, a vida dos mortos
Se desenrolando nele, se espalhando como óleo.
Provei a perversidade da urze,
Seus espinhos negros,
A extrema-unção de suas flores, velas amarelas.
Tinham eficiência, uma beleza imensa,
E eram extravagantes, feito a tortura.
Só havia um lugar para se chegar.
Fervendo, perfumadas, 
As trilhas se estreitavam no vale.
E as armadilhas quase se apagavam –
Zeros, fechando-se no nada,
Bem perto, como contrações de parto.
A ausência de gritos
Abriu uma cratera no dia quente, um vazio.
A luz vítrea era uma parede clara,
Moitas quietas.
Senti um movimento calmo, uma intenção.
Senti mãos em volta de uma caneca de chá, torpes, gumes cegos,
Tocando a porcelana branca.
Como esperaram por ele, aquelas pequenas mortes!
Esperaram como namoradas. O excitaram.
E nós, também, tivemos uma relação –
Arames tesos entre nós,
Estacas profundas demais para se arrancar, e a mente como um anel
Deslizando fechado sobre algo fugaz,
A pressão me matando também.
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