Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE PULISTA CURSSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GASTRONOMIA STEPHANIE DOS SANTOS PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR II JUNDIAÍ/SP 2024 UNIVERSIDADE PULISTA CURSSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GASTRONOMIA STEPHANIE DOS SANTOS PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR II Projeto Integrado Multidisciplinar II – PIM apresentado à Universidade Paulista – UNIP, para avaliação bimestral no Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia. Orientador: Professor Fabio Andrade JUNDIAÍ/SP 2024 RESUMO O Projeto Integrado Multidisciplinar II do Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia discorre acerca da influência e importância das relações étnico-raciais e afrodescendência, da interdisciplinaridade necessária para a educação ambiental, dos processos e etapas imprescindíveis na panificação e as possibilidades nos serviços de sala e bar. Ao fim deste projeto, o leitor estará munido de informações e dados sobre os temas e será capaz de refletir e discutir no que se refere aos desafios e responsabilidades para com o planeta Terra, às práticas de etiqueta e coquetelaria, aos componentes formadores de rede de glúten e à consciência crítica e sensibilidade no que rege as questões étnico-raciais no Brasil. Palavras-chave: educação ambiental, glúten, afrodescendência, mesa posta e mungunzá. ABSTRACT The Integrated Multidisciplinary Project II of the Higher Course of Technology in Gastronomy discusses the influence and importance of ethnic-racial relations and Afro-descendance, the interdisciplinarity necessary for environmental education, the essential processes and steps in baking and the possibilities in room and bar services. At the end of this project, the reader will be equipped with information and data on the topics and will be able to reflect and discuss regarding the challenges and responsibilities towards planet Earth, etiquette and cocktail practices, the components that form a network of gluten and critical awareness and sensitivity regarding ethnic- racial issues in Brazil. Keywords: environmental education, gluten, African descent, table setting and mungunzá. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................... 6 2 DESENVOLVIMENTO.............................................................. 7 2.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL ...................................................... 7 2.2 PANIFICAÇÃO ..................................................................... 8 2.3 RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E AFRODESCENDÊNCIA........... 13 3 SERVIÇO DE SALA E BAR .................................................... 17 4 CONCLUSÃO ........................................................................ 18 5 REFERÊNCIAS....................................................................... 19 1 INTRODUÇÃO Objetiva-se com este trabalho abordar questões em torno das disciplinas aplicadas no segundo bimestre do curso, sendo elas Serviços Sala e Bar, Panificação, Relações Étnico-raciais e Afrodescendência e Educação Ambienta, conceituando através de pesquisas e prática de preparação de um pão (Pão de Hambúrguer com Gergelim) e um prato de influência afrodescendente (Mungunzá), aplicando e ampliando conhecimento. As informações obtidas e compiladas foram selecionadas através de sites confiáveis e materiais disponibilizados pela instituição de ensino, garantindo a veracidade e rastreabilidade dos dados. Como pão, foi desenvolvido o Pão de Hambúrguer com Gergelim, seguindo a receita e instruções disponibilizados pela universidade, realizando a mise en place, verificação da formação de rede de glúten (véu), fermentação e forneamento. A preparação de influência afrodescendente apresentada foi o Mugunzá, comumente consumido nas regiões Norte e Nordeste do país, pessoalmente consumido e preparado em âmbito familiar, trazendo o conceito de comfort food (comida afetiva). Levando em consideração as restrições alimentares estudadas anteriormente, ambas as receitas foram realizadas com ingredientes sem lactose, unindo o prazer da gastronomia com os fatores dietéticos. Ao final, é esperado que o leitor tenha conhecimento, mesmo que de maneira condensada, da responsabilidade social no Brasil e no mundo quanto à educação ambiental e consciência racial, e noções de panificação e dos pratos apresentados. 2 - DESENVOLVIMENTO 2.1 - EDUCAÇÃO AMBIENTAL O termo “Educação Ambiental” surgiu como resultado de diversas conferências intermunicipais e internacionais motivadas pela crescente crise na realidade socioambiental, a degradação dos ecossistemas e a qualidade de vida das populações ao longo das décadas. Até então não haviam espaços que debatessem a possibilidade de equacionar, com equilíbrio, o desenvolvimento e meio ambiente, criando estratégias e metas que desenvolvessem nas pessoas, desde a infância, o senso de urgência e de responsabilidade social que o ensino reducionista desde sempre deixou de promover. Foi em Estocolmo, na Suécia, que ocorreu o marco inicial das discussões de questões ambientais: a Primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, estabelecendo um conjunto de princípios e metas entre os países industrializados e países em desenvolvimento envolvidos, visando um manejo ecológico responsável do meio ambiente. Foi reconhecido que o que acontece em um país também afeta os outros e a preservação dos bens globais (como ar, água e oceanos) é de responsabilidade de todos, não adiantando, por exemplo, mover uma empresa poluente de um país para outro. A partir da Declaração de Estocolmo, outras conferências e acordos mundiais foram incentivados, como foram os casos do Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente, realizado em Moscou (1987), promovido pela Unesco, que formulou a Estratégia Internacional de Ação em Matéria de Educação e Formação Ambiental para o decênio de 1990, e da 3ª Conferência Internacional sobre Educação Ambiental para as Escolas de 2º Grau com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, em Illinois, EUA, que, assim como o anterior, promoveu a inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis. No Brasil, esses incentivos obtiveram resultados já em 1973, com a criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente (Sema), sediando também, em 1992, a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, RIO-92 e mais tarde, em 1996, aprovando a Lei n. 9.276/96, que estabelece o Plano Plurianual do Governo 1996/1999, que define como principais objetivos da área de Meio Ambiente a “promoção da Educação Ambiental, por meio da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais”. Mirando no desenvolvimento da Educação Ambiental no contexto escolar, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propuseram, a partir de legislações e documentos norteadores, mudanças e ressaltam o ensino como mecanismo para superar dificuldades, injustiças e exploração do meio ambiente. Ainda que não seja possível identificar resultados significativos da Educação Ambiental nas unidades escolares no Brasil, é válido ressaltar que o tema vem sendo cada vez mais abordado em discussões políticas e conferências internacionais e vem contribuindo com a criação e aprimoramento da legislação e dos documentos norteadores, fomentando a urgência de mudança no pensamento não só do meio ambiente, mas também a economia, a justiça, a qualidade de vida, a cidadania e a igualdade. 2.2 - PANIFICAÇÃO O trigo é um dos cereais mais antigosdo planeta. Fora consumido de diversas formas, mas a invenção da preparação do pão é atribuída aos egípcios. A arte da panificação dos egípcios consistia não só no consumo como alimento, como também na oferta aos deuses, uso em rituais e, posteriormente, uma valiosa moeda. Durante o Império Romano, foram criadas as primeiras escolas de padeiro, surgindo, oficialmente, a profissão em 50 d.C. Devido ao pouco conhecimento em fermentação, os pães não eram como os consumidos hoje em dia, eram menos macios e mais pesados, se tornando a base da alimentação das classes mais baixas, já que buscavam alimentos que trouxessem mais saciedade, devido a pouca quantidade de refeições que faziam. A estrutura do grão de trigo é dividida em 3 partes, onde a casca concentra as fibras, o gérmen contém os sais minerais, as vitaminas e os óleos essenciais e o endosperma é responsável pelos carboidratos complexos e pelas proteínas, que mais tarde são responsáveis pelo desenvolvimento do glúten. Ao submeter a massa a hidratação e esforços mecânicos, duas proteínas se juntam para a formação do glúten, garantindo a elasticidade e extensibilidade da massa: a glutenina e a gliadina. Além de água e esforços mecânicos, para o desenvolvimento adequado do glúten ocorrer, é necessário um tempo de descanso de pelo menos 30min a 28ºC. Não se pode falar de glúten sem mencionar como ele pode afetar algumas pessoas de maneira negativa e, apesar de suas importantes propriedades no processo de panificação, não são todas as pessoas que podem consumir o trigo, pois a gliadina é responsável por causar a doença celíaca, a intolerância ao glúten. Por mais que os sintomas comumente surjam durante a infância, a intolerância pode se apresentar durante toda a vida. Para a realização da prática, foi escolhido o Pão de Hambúrguer com Gergelim, seguindo as instruções fornecidas no material disponibilizado pela universidade conforme abaixo. Pão de Hambúrguer com Gergelim Ingredientes Pão 935g de farinha de trigo 17g de sal 92g de açúcar 27g de leite em pó 73g de margarina 10g de melhorador 21g de fermento biológico seco 483ml de água Decoração 60g de gergelim Modo de Preparo Faça o mise en place dos ingredientes Misture os ingredientes secos na masseira/ batedeira Acrescente a margarina Acrescente o fermento biológico Adicione a água Na primeira velocidade, bata 3 minutos, depois aumente para a velocidade 2 por mais 2 a 3 minutos. Bata a massa até formar a rede de glúten. Divida em peças no tamanho desejado Passe as peças pela modeladora ou alongue manualmente as peças até o tamanho desejado Aplique cobertura Acondicione nas assadeiras untadas Fermente Asse 3 - RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E AFRODESCENDÊNCIA Dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que 54% da população brasileira é negra, ou seja, o Brasil é um país majoritariamente negro. Isso, infelizmente, não significa que a maioria seja a mais beneficiada em bens e privilégio, a realidade é o oposto, a população negra é a mais marginalizada e a mais populosa quando falamos sobre pobreza. Além das dificuldades de desigualdade social, essa parcela da população ainda sofre com o forte impacto do racismo, recebendo salários menos e sendo hostilizados diariamente. Quando um crime, como o racismo, possui fiança, pode-se entender que o valor estipulado é preço para cometer tal crime, levando ao ponto de que os crimes só são de fato crime quando não se há dinheiro para pagar, ocasionando numa população carcerária de grande maioria pobre. Por isso, é necessária uma lei que afirme que o racismo é crime inafiançável. Para compreender as relações étnico-raciais, é necessário dividir os conceitos de raça e etnia, que não são sinônimos, onde raça é como uma construção social: forjada nas tensas relações étnicas (brancos e negros) e etnia requer um contexto cultural, uma escolha, um posicionamento daquele que pretende fazer parte de um grupo. Raça é um ermo utilizado com frequência nas relações sociais brasileiras para informar como determinadas características físicas, como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da sociedade brasileira, desencadeando as diversas apresentações do racismo. Entende-se que “O racismo constitui-se em um processo de hierarquização, exclusão e discriminação contra um indivíduo ou toda uma categoria social que é definida como diferente com base em alguma marca física externa (real ou imaginada), a qual é ressignificada em termos de uma marca cultural interna que define padrões de comportamento.”. Trilhando uma linha do tempo no Brasil, houve a suposta “convivência harmoniosa” entre indígenas, africanos e portugueses, instituída através de força e implementação de ideologias. Essa “convivência” nada mais foi do que o processo escravocrata descrito com racismo velado. A dizimação da população indígena pelos portugueses fez com que o Brasil ficasse sem mão de obra, resultando na escravização dos africanos, submetendo-os a uma condição de vida e de trabalho mais desumana já vista. Esse deslocamento separou e alterou culturas, línguas, costumes, religiões e, para transformar pessoas em coisas, os portugueses apagaram toda sua herança cultural e histórica, sua origem e sua personalidade. Seguindo para os dias atuais, ainda que negros sejam a maioria, ainda são os mais afetados pelos reflexos do passado, onde seguem sendo a população com menos acesso à saúde, as escolas, à saneamento básico e lazer. Pode-se observar um crescente movimento de empoderamento negro, ocupando cada vez mais espaços e trazendo à tona toda herança cultural que permaneceu apagada por tanto tempo. Esse empoderamento é apresentado através do uso de roupas e acessórios, penteados e até uso de alimentos típicos trazidos por seus ancestrais africanos, simbolizando uma quebra de correntes. Os africanos trouxeram consigo alimentos e preparações que foram e são até hoje pilares da alimentação brasileira como a rabada, feijoada, galinha com quiabo, acarajé, canja, pirão, angu e canjica/mungunzá. Algumas preparações combinam alimentos nativos do Brasil e dos diversos países africanos, como uma fusion cuisine. Para a prática que remete ao tema, foi escolhido o Mungunzá, que usa o leite de coco, originário da África, coco ralado, entre outros. Comumente consumido na região Nordeste, o prato tem representação afetiva, considerando-a como minha comfort food. Mungunzá Ingredientes 500 gramas de milho para mungunzá ou canjica 100 gramas de coco ralado (fresco ou seco) 400 gramas xícaras de açúcar 400 mililitros de leite de coco 1 litro de leite comum 1 pau de canela 4 cravinhos canela em pó a gosto Modo de Preparo Comece hidratando o milho em água durante a noite, para que fique bem macio e seja mais fácil e rápido preparar este docinho. Após o tempo indicado, enxague o milho e escorra. Cozinhe o milho de mugunzá na panela de pressão com 2 litros de água filtrada, os cravinhos e o pau de canela durante 45 minutos após pegar pressão. Após esse tempo escorra a água do cozimento da canjica e junte o leite, o leite de coco, o coco e o açúcar na panela. Leve de novo ao fogo, mexendo de vez em quando, até engrossar - poderá levar cerca de 30 minutos para que o caldinho do mungunzá fique bem cremoso. Depois do passo anterior seu mungunzá tradicional está pronto, simples assim! Sirva morno ou frio, polvilhado com canela, e delicie-se com esta sobremesa de milho. 4 - SERVIÇO SALA E BAR Para essa disciplina, foi utilizado louças e utensílios para a apresentação do prato Mungunzá, utilizando sousplat,tigela, colher de sobremesa, taça de água e guardanapo. A dobra utilizada foi a asa delta e o tipo de serviço simulado foi o serviço à brasileira, onde o prato fica disponível para que os convidados se sirvam. Dobra de guardanapos: Apresentação finalizada: 4 - CONCLUSÃO Os objetivos traçados pela instituição de ensino foram atingidos e, unindo estudo e pesquisas, o projeto aprofundou meu conhecimento e consciência social e ecológica, além de poder desenvolver vivência e destreza no processo de panificação e de montagem de mesa. Foi possível desenvolver o senso de urgência no que se trata do planeta Terra, educação ambiental e responsabilidade social, buscando compreender as possibilidades de atuar efetivamente na equação de desenvolvimento e manejo ecológico do meio ambiente, Dentro dos temas abordados, os leitores puderam refletir e conhecer sobre a realidade racial e social no Brasil, a necessidade de preservar os bens globais, as etapas da panificação e montagem de mesa, sendo assim, contribuindo com a difusão de ideais e práticas que, cada uma de forma ímpar e única, movem e futuramente podem resultar em mudança. REFERÊNCIAS Unidade I e II - Educação Ambiental Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 21/05/2024 A ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS PCNs, NAS DCNs E NA BNCC Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 21/05/2024 Panificação Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 21/05/2024 Livro Texto - Panificação Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 21/05/2024 Relações Étnico-raciais e afrodescendência Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 23/05/2024 Comida africana no Brasil: conheça pratos da culinária afro-brasileira Disponível em: https://www.fuiserviajante.com/gastronomia/comidas-de-origem- africana/ Acesso em: 23/05/2024 Receita de Mungunzá tradicional Disponível em: https://www.tudoreceitas.com/receita-de-mungunza-tradicional-2288 Acesso em: 23/05/2024 Serviço Sala e Bar Disponível em: https://ava.ead.unip.br Acesso em: 27/05/2024 https://ava.ead.unip.br/ https://ava.ead.unip.br/ https://ava.ead.unip.br/ https://ava.ead.unip.br/ https://ava.ead.unip.br/ https://www.fuiserviajante.com/gastronomia/comidas-de-origem-africana/ https://www.fuiserviajante.com/gastronomia/comidas-de-origem-africana/ https://www.tudoreceitas.com/receita-de-mungunza-tradicional-2288 https://ava.ead.unip.br/ 3 - RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E AFRODESCENDÊNCIA 4 - SERVIÇO SALA E BAR 4 - CONCLUSÃO