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Filosofia do direito - 2 unidade

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Este material foi produzido por Luiza Mabel e não tem reprodução autorizada 
 
Dos Mitos Gregos à Especulação 
Filosófica 
A Filosofia Grega surgiu na História 
Antiga e é dividida em três períodos: Pré-
Socrático, Socrático e Helenístico. 
Inicialmente, a explicação do mundo era 
feita por mitos, narrativas coletivas que 
buscavam dar sentido à origem da 
humanidade e aos fenômenos naturais, sem 
base racional. 
 Com o tempo, a Filosofia foi 
substituindo os mitos ao buscar 
compreender a realidade por meio da razão, 
da observação e da lógica, marcando a 
transição do pensamento mítico para o 
pensamento filosófico. 
 
Cosmogonia x Cosmologia 
A Cosmogonia, também chamada 
de Teogonia, refere-se às narrativas 
mitológicas que explicam a realidade a 
partir da ação dos deuses, que seriam 
responsáveis pela origem e pela ordem do 
mundo. Já a Cosmologia é uma explicação 
filosófica que busca compreender a origem 
e a organização do mundo com base na 
Physis (a Natureza), por meio da razão. 
Essa abordagem racional parte do Logos, 
que funciona como o princípio explicativo 
e lógico das coisas. O Logos representa 
tanto a base racional da realidade quanto o 
discurso coerente e fundamentado, 
diferente das explicações mitológicas, pois 
se apoia em provas, lógica e regras que 
visam compreender os fenômenos como 
parte de uma ordem racional e não fruto do 
acaso. 
 
Os filósofos Pré-Socráticos 
Os primeiros filósofos gregos são 
conhecidos como pré-socráticos e, em sua 
maioria, surgiram nas ilhas gregas. Entre os 
principais nomes estão Tales, 
Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito. 
Embora não formassem uma escola única, 
todos buscavam explicar a origem do 
mundo e dos fenômenos naturais a partir da 
observação racional da natureza. Essa 
busca se centrava em encontrar o Arché, o 
princípio primordial de todas as coisas. 
Tales acreditava que a água era o 
Arché, pois a umidade era essencial para a 
vida. Anaximandro propôs o Apeiron, um 
princípio indefinido, infinito e sem forma. 
Anaxímenes identificou o ar como o 
elemento fundamental, sendo capaz de 
gerar outros elementos por rarefação e 
condensação. Já Heráclito defendia o fogo 
como base da realidade, simbolizando a 
mudança constante, o Devir, expressa na 
frase: “não se pode entrar duas vezes no 
mesmo rio”. 
Além desses pensadores, surgiram 
também escolas filosóficas. A Escola 
Pitagórica, com Pitágoras, Hipaso e Filolau, 
via nos números a essência de todas as 
coisas. A Escola Atomista, representada 
por Leucipo e Demócrito, afirmava que 
toda matéria era composta por átomos 
indivisíveis que se movem no vazio e 
formam tudo por choques ou afinidade. Por 
fim, a Escola Eleática, com Parmênides, 
Zenão e Melisso, valorizava o 
conhecimento racional em detrimento do 
sensível, argumentando que a realidade é 
imutável e o movimento é uma ilusão. 
 
A questão da ética 
Na Grécia antiga, a noção de direito 
(Nomos) estava profundamente ligada à 
ideia de lei que organizava a vida na pólis. 
Desde Homero, a coesão social era 
sustentada por normas, simbolizadas 
inicialmente por Themis, divindade 
mitológica que representa a ordem imposta 
pela força e pela autoridade. No entanto, 
com o passar do tempo, surge uma nova 
figura simbólica: Dike, que também está 
relacionada ao direito, mas com uma ênfase 
maior na noção de justiça e equidade, em 
contraste com a rigidez autoritária de 
Themis. 
Para Heráclito, a justiça nasce do 
conflito: a guerra, a discórdia e a luta entre 
os opostos são os elementos que sustentam 
a harmonia da sociedade. Dessa forma, a 
justiça seria fruto da tensão entre 
 
 
 
 
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contrários, pois é na luta que se estabelece 
a verdadeira ordem. 
 
Os filósofos Sofistas 
Os sofistas foram pensadores que 
surgiram no contexto das transformações 
sociais e políticas da pólis grega, 
especialmente em Atenas, onde a 
democracia permitia que os cidadãos 
participassem diretamente da vida política. 
Atuando como mestres itinerantes, os 
sofistas ensinavam retórica, a arte de bem 
falar, com o objetivo de formar cidadãos 
capazes de convencer e agir politicamente 
de maneira eficaz. Entre os principais 
nomes estão Górgias, Hípias e Protágoras. 
Apesar de importantes para o 
desenvolvimento do pensamento crítico, 
Platão e Aristóteles criticaram os sofistas, 
considerando-os não verdadeiros filósofos, 
pois buscavam o convencimento em vez da 
verdade. Ainda assim, os sofistas marcaram 
o período socrático, rompendo com o foco 
naturalista dos pré-socráticos ao colocarem 
o homem e a sociedade como centro da 
reflexão. 
Para eles, conceitos como Justiça 
eram construções sociais, sujeitas à 
mudança conforme as leis, ou seja, 
relativas. Isso está sintetizado na frase de 
Protágoras: “O homem é a medida de todas 
as coisas”, evidenciando a perspectiva 
relativista e prática dos sofistas frente aos 
debates morais e políticos. 
 
Sócrates 
É considerado um marco na história 
da filosofia, sendo reconhecido como o 
fundador da filosofia moral (ou axiologia). 
Embora não tenha deixado obras escritas, 
suas ideias foram preservadas 
principalmente pelos diálogos de Platão, 
pelas peças cômicas de Aristófanes e pelos 
textos de Xenofonte. Nascido em Atenas 
em uma família humilde, filho de um 
escultor e de uma parteira, Sócrates teve sua 
trajetória transformada após ser apontado 
 
1 que tratam a verdade como uma mercadoria 
para ser comercializada, ou seja, que 
pelo Oráculo de Delfos como alguém 
destinado à sabedoria. Passou a se dedicar à 
educação filosófica, influenciado por 
pensadores como Anaxágoras e Arquelau. 
 
Sócrates e os Sofistas 
Diferente dos sofistas, que usavam a 
retórica para persuadir, Sócrates valorizava 
a busca honesta pela verdade. Ele 
acreditava que o conhecimento verdadeiro 
se alcança por meio do diálogo e da 
reflexão crítica, método conhecido como 
maiêutica, inspirado na profissão de sua 
mãe, no qual ajudava seus interlocutores a 
“dar à luz” o conhecimento por meio de 
perguntas. Essa postura fez com que 
Sócrates se tornasse símbolo da ética e da 
integridade filosófica, sendo exaltado por 
filósofos medievais e modernos como 
exemplo de compromisso com a verdade, 
em oposição aos sofistas, considerados por 
ele como "vendilhões da verdade"1. 
Sócrates se opunha fortemente aos 
sofistas, pois acreditava que a verdade 
deveria ser buscada por meio do 
questionamento filosófico e da razão, e não 
tratada como uma convenção mutável. 
Enquanto os sofistas defendiam que os 
conceitos, como o de justiça, eram relativos 
e moldados pelas leis e costumes de cada 
sociedade, Sócrates via esse relativismo 
como perigoso, por afastar os indivíduos da 
busca por fundamentos sólidos e universais. 
Para ele, era necessário indagar 
profundamente sobre os conceitos e valores 
para atingir o verdadeiro conhecimento. 
Essa tensão refletia um momento de 
transição cultural na Grécia: as tradições 
que sustentavam a pólis, baseadas na 
mitologia e simbolizadas por figuras como 
Themis e Dike, começavam a dar lugar a 
novas perspectivas filosóficas, nas quais as 
leis e normas eram vistas como criações 
humanas, e não mais como verdades 
divinas. 
Sócrates, nesse contexto, tentava 
preservar a ética e a racionalidade frente ao 
manipulam a verdade por interesse próprio, 
especialmente financeiro ou político. 
 
 
 
 
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ceticismo relativista promovido pelos 
sofistas. Sua influência foi tão profunda que 
a filosofia grega passou a ser dividida entre 
pré-socráticos e pós-socráticos. Sócrates 
atuou especialmente nos campos da 
epistemologia e da ética, sendo lembrado 
até hoje como um dos maiores educadores 
da história. 
 
A máxima socrática 
Sócrates revela sua convicção de 
que a verdadeira sabedoria está no 
reconhecimento da própria ignorância. Ao 
dialogar com um homem que se julgava 
sábio, percebeu queesse homem acreditava 
saber aquilo que, na realidade, desconhecia. 
Sócrates, por sua vez, não se deixava 
enganar por um falso saber e, justamente 
por admitir aquilo que não sabia, 
considerava-se mais sábio, ainda que por 
uma pequena diferença. Para ele, 
reconhecer os próprios limites do 
conhecimento é o primeiro passo para 
alcançar a sabedoria. 
 
Virtude em Sócrates 
No diálogo Protágoras, Sócrates 
define a virtude (Areté) como a excelência 
moral e política, que consiste em cumprir a 
finalidade para a qual cada coisa ou pessoa 
foi criada. No caso do ser humano, isso 
significa agir fielmente segundo sua própria 
essência, o que possibilita que indivíduos 
virtuosos possam exercer qualquer função 
na sociedade com competência. 
 
Justiça em Sócrates 
Sócrates a entende a justiça como 
um princípio fundamental para o bom 
funcionamento da República, em que cada 
pessoa deve desempenhar a tarefa para a 
qual é naturalmente mais apta, sem 
interferir nas atribuições dos outros. Essa 
divisão harmônica de funções, sempre 
voltada ao bem comum, configura a 
verdadeira justiça e garante a ordem social. 
 
 
 
 
O método socrático 
O método socrático busca o conhecimento 
verdadeiro por meio do autoconhecimento, 
utilizando principalmente dois 
procedimentos: a ironia e a maiêutica. 
• A ironia socrática consiste na 
refutação das ideias do interlocutor por 
meio de perguntas estratégicas. 
Sócrates, ao questionar, levava a pessoa 
a perceber contradições em seu 
pensamento, desestabilizando suas 
crenças superficiais e demonstrando 
que, muitas vezes, aquilo que se 
acredita saber não é tão claro quanto 
parece. 
• A maiêutica, que significa literalmente 
“a arte de partejar”, é o processo pelo 
qual, após a refutação, Sócrates 
auxiliava o interlocutor a “dar à luz” 
novas ideias, construídas a partir da 
reflexão crítica. Esse processo permitia 
que o conhecimento surgisse de forma 
autêntica e interna, como um fruto do 
próprio raciocínio do indivíduo, e não 
imposto externamente. 
Assim, o método socrático não 
entrega respostas prontas, mas estimula o 
pensamento profundo e o questionamento 
constante, promovendo o desenvolvimento 
da sabedoria. 
 
A morte de Sócrates 
Sócrates teve muitos discípulos 
importantes, entre eles Platão, Crítias, 
Críton e Fédon. Contudo, ele foi 
denunciado por três cidadãos atenienses 
(Ânito, Meleto e Lícon) que o acusaram de 
não acreditar nos deuses tradicionais da 
pólis, de introduzir a crença em novos 
deuses considerados estranhos e perigosos, 
e de corromper a juventude com suas ideias. 
Para Platão, a condenação de 
Sócrates teve um forte caráter político, uma 
tentativa de silenciar uma voz crítica que 
ameaçava a ordem vigente. No entanto, em 
seus diálogos, Platão também destaca a 
dimensão moral da postura de Sócrates ao 
aceitar sua sentença e respeitar as leis da 
 
 
 
 
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cidade, mesmo que isso implicasse a sua 
própria morte. Essa questão é o foco central 
do diálogo Críton. 
Nesse diálogo, Sócrates declara aos 
juízes que, ao condená-lo à morte, eles 
estarão sujeitos a um castigo muito mais 
severo do que o que impõem a ele, pois 
acreditam que, matando aqueles que os 
criticam, ficarão livres de prestar contas por 
suas próprias ações. Sócrates afirma: 
"Eu vos prevejo, juízes, que me 
condenais à morte, mas logo após 
minha morte tereis de sofrer um 
castigo muito mais penoso, por 
Zeus, do que aquele que me aplicais 
matando-me. Pensais que, matando 
aqueles que criticam, ficareis livres 
para viver mal, mas estáis 
enganados. Essa forma de se livrar 
das críticas não é nem eficaz nem 
honrosa." 
 
Platão (427–347 a.C.) 
Foi um dos maiores nomes da 
história da filosofia e é considerado a 
primeira grande expressão genial do 
pensamento filosófico ocidental. Discípulo 
direto de Sócrates, Platão nasceu em uma 
família aristocrática de Atenas e presenciou 
de perto o julgamento e a condenação de 
seu mestre. Esses acontecimentos 
marcaram profundamente sua visão de 
mundo e influenciaram sua filosofia, 
sobretudo nos campos político e jurídico. 
Após a morte de Sócrates e o 
período de perseguição aos seus discípulos, 
Platão fundou em Atenas a famosa 
Academia, que se tornaria uma das 
instituições filosóficas mais importantes da 
Antiguidade. Lá, ele ensinou diversos 
jovens, entre eles Aristóteles, seu discípulo 
mais notável. A produção filosófica de 
Platão se dá principalmente por meio dos 
Diálogos, forma literária em que ele expõe 
suas ideias de maneira viva, questionadora 
e investigativa. 
 
 
Dialética 
É O método central da filosofia de 
Platão e busca ir além das aparências 
sensíveis para atingir o conhecimento das 
ideias verdadeiras. Enquanto os sofistas 
dialogavam para chegar a consensos entre 
opiniões, Platão propõe um confronto 
rigoroso de ideias com o objetivo de 
purificar erros e se aproximar da verdade. 
A dialética platônica parte de uma 
opinião inicial (tese), envolve um processo 
de questionamento e discussão crítica, 
buscando expor contradições e refinar o 
entendimento, podendo resultar na 
negação, modificação ou aprofundamento 
da tese inicial, com o objetivo de 
aproximar-se da verdade. Dessa forma, a 
verdade não é imposta, mas alcançada por 
meio de um processo racional, investigativo 
e transformador. 
 
A Teoria do Conhecimento 
Está estruturada a partir da distinção 
entre dois mundos: o mundo sensível e o 
mundo inteligível. O mundo sensível é 
aquele que percebemos por meio dos 
sentidos — formado pelas coisas visíveis 
(zóa) e pelas imagens (eíkones). Por ser 
acessado pelos sentidos, está sujeito a 
ilusões, mudanças e opiniões, tornando-se 
um tipo de conhecimento instável e 
enganoso. 
Já o mundo inteligível é o mundo 
das ideias (eídos), onde estão as formas 
perfeitas e eternas das coisas. É também 
onde se encontram os objetos matemáticos 
(ta mathéma), que, embora abstratos, 
possuem estrutura lógica e são acessíveis à 
razão. 
Platão organiza os modos de 
conhecimento conforme sua 
confiabilidade. No mundo inteligível estão 
os modos superiores: a nóesis (intuição 
intelectual pura, que atinge as ideias 
verdadeiras) e a dianóia (raciocínio 
dedutivo, como o da matemática). No 
mundo sensível, os modos inferiores são a 
pístis (crença) e a dóxa (opinião), que se 
baseiam na percepção sensorial, e a eikasía, 
 
 
 
 
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que corresponde à imaginação, ou seja, ao 
conhecimento das sombras e aparências, o 
mais frágil de todos. 
Essas ideias são representadas de 
forma simbólica no Mito da Caverna, 
presente no Livro VII da obra A República. 
Na alegoria, Platão descreve homens 
acorrentados no fundo de uma caverna que 
só enxergam sombras projetadas na parede, 
tomando-as como realidade. Um deles se 
liberta, sai da caverna e, após um processo 
doloroso de adaptação à luz, contempla o 
mundo verdadeiro, o mundo das ideias. O 
mito representa a passagem do 
conhecimento sensível (ilusório) ao 
conhecimento racional (verdadeiro) e 
mostra como a educação filosófica é o 
caminho para sair da ignorância e alcançar 
a verdade. 
O objetivo principal da teoria 
platônica do conhecimento é estabelecer 
fundamentos seguros para o conhecimento 
e para a ação, superando os limites do 
sensível por meio da razão e da filosofia. 
 
A concepção de mundo em Platão 
É uma concepção profundamente 
dualista, ou seja, divide a realidade em dois 
planos distintos: o mundo das ideias e o 
mundo sensível. O mundo das ideias (ou 
mundo inteligível) é o plano onde habitam 
as essências eternas, perfeitas e imutáveis 
das coisas. Essas ideias são as verdadeiras 
realidades, acessíveis apenas pela razão, 
por meio da contemplação filosófica e da 
superação dos enganos causados pelos 
sentidos. Para Platão, somente as ideias são 
verdadeiras, enquanto tudo aquilo que 
vemos e experimentamos com o corpo sãoapenas cópias imperfeitas dessas essências. 
O mundo sensível, por sua vez, é o 
mundo das aparências, da multiplicidade, 
do movimento e da transformação 
constante. Ele é o mundo do “vir-a-ser”, 
que não possui estabilidade e, portanto, é 
ilusório. Os objetos que percebemos com os 
sentidos são sombras, reflexos imperfeitos 
do mundo das ideias, e só existem na 
medida em que participam dessas ideias 
originais. 
A relação entre esses dois mundos é 
feita por meio da dialética, o método 
filosófico que permite à alma humana 
elevar-se do plano sensível ao inteligível. A 
alma, segundo Platão, está originalmente 
ligada ao mundo das ideias, mas ao 
encarnar-se, esquece essa origem. O 
processo filosófico é, então, uma forma de 
lembrança (anamnese), onde a alma 
recupera o conhecimento das ideias 
verdadeiras. 
As ideias são organizadas 
hierarquicamente, com a ideia do Bem 
ocupando o topo dessa hierarquia. Essa 
ideia suprema é a fonte de existência e valor 
de todas as outras ideias, das quais todas 
participam. Na concepção platônica do 
cosmos, o Demiurgo surge como um 
"Artesão divino" responsável por moldar o 
mundo sensível com base no mundo das 
ideias. O Demiurgo atua como um princípio 
ordenador, conferindo racionalidade e 
harmonia ao universo. 
Assim, para Platão, conhecer o 
mundo de verdade é abandonar as ilusões 
do sensível e se voltar ao plano das ideias, 
onde está a verdadeira realidade e onde a 
alma reencontra sua origem. 
 
O conceito do homem em Platão: 
corpo + alma 
Para Platão, o ser humano é 
composto por duas partes fundamentais: o 
corpo e a alma. O corpo está ligado ao 
mundo sensível, ao material e ao 
transitório; enquanto a alma é imortal, 
ligada ao mundo das ideias, sendo ela a 
verdadeira essência do ser humano. A alma 
é, portanto, a causa da vida é ela que anima 
o corpo e permanece viva mesmo após a 
morte. 
Platão propõe uma divisão tripartida da 
alma, conhecida como as almas platônicas, 
cada uma com funções e localizações 
simbólicas no corpo. 
• Alma racional: Situada no cérebro, que 
busca o conhecimento e a verdade. Essa 
 
 
 
 
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é a parte mais elevada da alma, pois é 
espiritual, imortal e deve governar as 
demais. 
• Alma irascível: Localizada no tórax, 
ligada à coragem, à força de vontade e 
à proteção do corpo. Ela é responsável 
pelas emoções e pelo senso de honra, e 
embora esteja conectada ao corpo, 
participa da elevação da alma racional 
quando bem orientada. 
• Alma apetitiva: Situada no abdômen, 
voltada aos desejos e necessidades 
corporais como fome, sede, sexo e 
prazeres. É a parte mais inferior da 
alma, sendo também mortal e 
responsável pela conservação da vida 
física. 
 
A harmonia no ser humano, 
segundo Platão, ocorre quando essas três 
partes da alma estão em equilíbrio, com a 
alma racional governando, a irascível 
colaborando como aliada, e a apetitiva 
sendo moderada. Essa concepção 
influencia diretamente sua filosofia 
política, onde Platão defende que uma 
sociedade justa é aquela em que cada classe 
cumpre sua função de forma equilibrada, à 
semelhança de uma alma bem ordenada. 
 
A República de Platônica 
É sua principal obra político-
filosófica, na qual ele apresenta a ideia de 
um Estado Ideal, fundado na justiça e na 
harmonia entre as partes da alma humana, 
refletidas nas classes sociais. Para Platão, a 
sociedade deve ser organizada de forma 
análoga à estrutura da alma: a classe dos 
filósofos-governantes corresponde à alma 
racional, os guerreiros à alma irascível, e os 
trabalhadores à alma apetitiva. Um Estado 
justo é aquele em que cada classe cumpre 
sua função de acordo com sua natureza, sob 
a liderança dos mais sábios, os reis-
filósofos. 
Platão acreditava que somente os 
filósofos, por buscarem a verdade e 
possuírem conhecimento das ideias, 
especialmente da ideia do Bem, seriam 
capazes de governar com sabedoria e 
justiça. Governar, para ele, significa libertar 
o povo das correntes da ignorância, por 
meio da educação e da razão. 
No entanto, ele reconhece que esse 
modelo ideal de Estado é uma utopia, como 
ele próprio admite na obra As Leis. Sua 
tentativa de aplicar esse ideal na prática, ao 
tentar influenciar o governo do tirano 
Dionísio em Siracusa, fracassou, 
reforçando sua percepção de que sem 
educação verdadeira, os governantes 
tendem a ser injustos. 
 
Alegoria do Navio 
É uma das principais metáforas 
políticas de Platão, apresentada na obra 
República. Nela, o navio representa o 
Estado, e o piloto, o filósofo. Platão mostra 
que, numa embarcação, os tripulantes 
competem pelo leme mesmo sem qualquer 
conhecimento de navegação, guiados 
apenas pelo prazer e pela conveniência. 
Enquanto isso, o verdadeiro piloto, que 
observa as estrelas, o clima e as estações 
para conduzir corretamente, é ignorado e 
considerado inútil. 
Assim são os filósofos no mundo 
real: muitas vezes vistos como ineficazes, 
na verdade são os únicos com a capacidade 
de governar de forma justa. Já os sofistas, 
que dominam a retórica, mas não buscam a 
verdade, são comparados aos maus 
navegadores que tomam o poder por força 
e astúcia, não por sabedoria. 
Essa alegoria deixa claro o contraste 
entre o governo justo, dos filósofos, e o 
governo injusto, dos sofistas. Platão 
propõe, então, uma reforma da educação e 
 
 
 
 
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da política, defendendo que somente 
através da formação filosófica e moral é 
possível alcançar uma cidade 
verdadeiramente justa. 
 
 
Aristóteles (384–322 a.C.) 
Nasceu em Estagira, na Macedônia, 
e desde cedo teve contato com a prática 
médica por influência de seu pai, 
Nicômaco, o que contribuiu para a 
formação de uma filosofia voltada à 
experiência concreta e ao mundo real. Aos 
16 anos, mudou-se para Atenas e ingressou 
na Academia de Platão, onde permaneceu 
por vinte anos, até a morte do mestre. 
No entanto, mesmo sendo seu 
discípulo, Aristóteles sempre manteve 
divergências teóricas com Platão, 
especialmente no que diz respeito à Teoria 
das Ideias. Para Aristóteles, não existe uma 
separação entre o mundo sensível e o 
inteligível: a realidade é composta pela 
união da forma com a matéria, e o 
conhecimento deve partir da observação 
dos fenômenos, e não de ideias abstratas. 
Após a morte de Platão, a direção da 
Academia foi assumida por Espeusipo, que 
deu ao ensino um viés mais matemático e 
idealista, o que fez com que Aristóteles se 
afastasse. Ele fundou então sua própria 
escola filosófica, o Liceu, onde 
desenvolveu uma abordagem sistemática e 
naturalista, com base na lógica e na 
experiência empírica. Aristóteles 
compreendia o universo como um Todo 
ordenado por leis naturais, aplicáveis não 
só aos fenômenos físicos, mas também aos 
sociais, econômicos e políticos. Sua 
filosofia influenciou profundamente 
diversas áreas do saber, como a biologia, 
zoologia, ética, política e metafísica. 
Além disso, Aristóteles foi tutor de 
Alexandre, o Grande, o que lhe garantiu 
prestígio político e condições para 
desenvolver sua obra em Atenas mesmo 
após a dominação macedônica. Seu 
pensamento, centrado na busca pelas causas 
e finalidades das coisas, a chamada teoria 
das quatro causas, tornou-se a base de toda 
a filosofia ocidental durante a Idade Média 
e a Idade Moderna, especialmente no 
pensamento escolástico cristão, que 
reinterpretou Aristóteles à luz do 
cristianismo. 
 
Silogismo 
É o instrumento central do 
pensamento lógico de Aristóteles e 
representa a forma ideal de raciocínio 
dedutivo. Trata-se de uma estrutura 
composta por três proposições declarativas, 
sendo duas premissas e uma conclusão. A 
conclusão decorre necessariamente das 
premissas, com base numa relação lógica 
entre elas. 
A premissa maior é geralmente 
universal, por exemplo, “Todo homem é 
mortal” enquanto a premissa menoré 
particular como “Sócrates é homem”. A 
partir disso, chega-se à conclusão lógica: 
“Logo, Sócrates é mortal”. Esse modelo de 
raciocínio visa garantir clareza e coerência 
entre as ideias, evitando contradições e 
erros. 
Para Aristóteles, o silogismo é mais 
do que uma técnica de argumentação: ele é 
o fundamento do conhecimento racional, 
pois permite deduzir verdades universais a 
partir de princípios evidentes. Esse método 
lógico será a base para o desenvolvimento 
de sua Metafísica, ou Filosofia Primeira, 
que busca compreender as causas e os 
princípios fundamentais do ser. Por meio da 
lógica e da observação sistemática do 
mundo, Aristóteles inaugura um modo de 
pensar voltado à organização do 
conhecimento científico, influenciando 
profundamente a filosofia ocidental e toda 
a tradição racionalista que viria depois dele. 
 
Metafísica 
A palavra Metafísica não foi criada por 
Aristóteles, mas sua aplicação ao seu 
pensamento significa “Filosofia Primeira”, 
que estuda as causas primeiras, os 
princípios básicos e a finalidade de tudo o 
que existe. A Metafísica aristotélica 
 
 
 
 
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funciona como uma crítica à Teoria das 
Ideias de Platão, buscando moderar o 
idealismo platônico. Ela enfatiza a 
distinção entre o universal, que corresponde 
à essência das coisas, e o particular, que se 
refere à forma. Seu objetivo é compreender 
a realidade em sua totalidade, não apenas as 
partes, e não se limita ao âmbito 
transcendente. 
 
Aristóteles e a virtude 
Aristóteles diverge de Platão ao não 
considerar a virtude algo inato no ser 
humano. Para ele, embora saibamos o que é 
certo, nem sempre agimos corretamente, o 
que indica que a virtude depende de uma 
disposição da alma, uma vontade de ser 
virtuoso que se desenvolve pela prática e 
pela educação. A virtude, para Aristóteles, 
é um ponto médio entre o excesso e a falta, 
um equilíbrio que se manifesta no 
comportamento, caracterizado pela 
prudência. 
 
Aristóteles e a prudência 
É uma virtude prática destacada na obra 
“Ética a Nicômaco”. Ela consiste em agir 
de maneira refletida, ponderada e 
deliberada, não apenas cumprindo o dever 
por obrigação, mas considerando as 
circunstâncias reais da ação. Para 
Aristóteles, a justiça só se realiza 
plenamente quando acompanhada pela 
prudência, pois julgar com retidão exige 
reflexão cuidadosa sobre as consequências 
e o contexto das decisões. 
 
Aristóteles e a Justiça 
No início do Livro V da Ética a Nicômaco, 
Aristóteles apresenta uma divisão 
fundamental da Justiça em dois grandes 
campos: a Justiça Universal e a Justiça 
Particular. A Justiça, para ele, pode ser 
entendida de forma ampla e em sentidos 
mais específicos. 
• Justiça Universal é aquela tomada num 
sentido lato, onde a justiça é vista tanto 
como uma manifestação geral da 
virtude quanto como a conformidade 
com a lei considerada justa. Diferente 
da visão moderna, para Aristóteles a lei 
deve ser justa em seu conteúdo, não 
apenas formalmente válida; uma lei má 
não é verdadeira lei. Assim, o 
cumprimento da lei é o cumprimento da 
justiça universal. 
• Justiça Particular é o estudo do que é 
justo em si, sendo a virtude que consiste 
em dar a cada um o que é seu. Ela é, 
portanto, a ação de distribuição correta 
das coisas devidas a cada pessoa, uma 
espécie de “regra de ouro” da justiça. 
 
Dentro da Justiça Particular, Aristóteles 
distingue três tipos: 
1. Justiça Distributiva: Relaciona-se à 
distribuição de bens, honras e riquezas. 
A justa distribuição é uma função 
proporcional entre pessoas e bens, e o 
critério principal é o mérito, pessoas 
com mais mérito devem receber mais. 
A justiça distributiva é uma forma de 
equidade, pois trata os iguais como 
iguais e os desiguais como desiguais. 
2. Justiça Corretiva: Relaciona-se à 
reparação em casos de injustiça, como 
crimes ou prejuízos causados voluntária 
ou involuntariamente. Ao contrário da 
distributiva, aqui a proporção é 
aritmética, e as pessoas são tratadas 
formalmente como iguais. A justiça 
corretiva busca restaurar o equilíbrio 
rompido. 
3. Justiça por Reciprocidade: Uma forma 
de justiça aplicada às trocas econômicas 
e à produção. Para que as trocas sejam 
justas, deve haver uma equivalência 
adequada entre produtos e serviços 
diferentes, como a troca entre o trabalho 
de um sapateiro e o de um pedreiro. O 
dinheiro atua como um equivalente 
universal, facilitando essa 
reciprocidade. 
 
Aristóteles e a Política 
Aristóteles não via a democracia como a 
melhor forma de governo para promover o 
bem comum. Após analisar várias cidades-
 
 
 
 
 Este material foi produzido por Luiza Mabel e não tem reprodução autorizada 
 
estados da Grécia, ele classificou as formas 
de governo, ressaltando que elas podem 
degenerar em formas corrompidas. O que 
define um bom governo para Aristóteles 
não é a quantidade de governantes ou sua 
formação, mas sim o fato de o governo visar 
o bem comum e o interesse coletivo. Por 
outro lado, um mau governo é aquele que 
age para beneficiar apenas quem está no 
poder, não a sociedade como um todo. 
 
O Bárbaro 
A palavra bárbaro originou-se da 
incapacidade de falar corretamente a língua 
grega ou romana, e, assim, significava 
alguém "estranho" à cultura greco-romana. 
Para Aristóteles, o bárbaro é um ser 
“apolítico”, pois não se adapta às 
instituições gregas e, por isso, vive à 
margem da sociedade, numa condição 
quase de escravo. 
O bárbaro não participa do processo 
educativo grego e teme a lei porque não 
compreende nem acessa a esfera cultural e 
legal da pólis. Essa insuficiência linguística 
e cultural impede sua integração social e 
política. 
 
Poder e Escravidão em Aristóteles 
A identidade do bárbaro e do escravo 
depende de fatores políticos e legais, ou 
seja, da permissão que recebem dentro da 
sociedade. A relação de poder é vista em 
várias hierarquias, segundo Aristóteles: 
• Dono sobre escravo 
• Marido sobre mulher 
• Pais sobre filhos 
• Rei sobre súdito 
• Magistrado sobre cidadão 
Para Aristóteles, a escravidão é natural e 
justificada por um direito natural: alguns 
seres humanos são, por sua natureza, 
destinados a serem escravos. Ele acreditava 
que certos povos eram naturalmente 
inferiores e, portanto, deveriam ser 
dominados por povos mais cultos, como os 
gregos, cuja razão era superior.

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