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UNIUBE 3
Língua padrão e língua coloquial1.1
Nos estudos sobre a língua, são estudadas as variantes linguísticas, 
entre as	quais	as	mais	conhecidas	são	a	variante	histórica,	a	geográfica	
e a social, cada qual com suas divisões ou subdivisões. 
Na variante social, a dicotomia que mais se destaca, ou para a qual 
mais se chama a atenção, é a dupla língua padrão e língua coloquial. 
Conforme o livro ou o autor, essas denominações podem variar, como 
norma padrão, norma culta, nível formal, para a língua padrão, e nível 
coloquial, língua oral, oralidade, para a língua coloquial.
1.1.1 Língua padrão
Essa é uma variante ou apenas um aspecto sob o qual a língua é 
considerada. É o nível próprio da linguagem formal, em suas estruturas 
gramaticais apresentadas ou expostas nos livros de estudo sobre a língua, 
como as gramáticas, os dicionários, as obras dos escritores de renome 
ou de elevada qualidade intelectual. 
Essa,	ainda,	é	o	nível	que	identifica	as	chamadas pessoas cultas, dotadas 
de escolaridade elevada, detentoras de cursos universitários ou simples 
autodidatas de notório saber, quando escrevem ou quando falam. É o nível 
presente	nos	textos	científicos,	literários,	didáticos, oficiais,	jornalísticos,	
os quais são elaborados ou redigidos dentro das normas de correção 
conforme as regras ou normas estabelecidas pela “gramática”.		
Daí uma das denominações deste nível: norma padrão.
O termo primordial que caracteriza a língua padrão é correção. Trata-se 
de	não	escrever	“errado”,	não	transgredir	a	ortografia,	o	vocabulário, o 
estilo, as normas ou as famosas regras de concordância verbal e nominal, 
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de regência, de pontuação. E, ainda, de empregar corretamente as	flexões	
de	gênero	e	número	das	palavras,	as	corretas	flexões	verbais, os termos 
adequados nas construções de frases. 
O que é necessário é escrever corretamente, isto é, sem erro. É esta 
variante culta que determina	as	revisões	de	linguagem	em	gráficas,	
editoras, jornais, secretarias e demais órgãos que utilizam a língua no 
padrão culto em seus exercícios de trabalho.
A língua padrão apresenta as seguintes características:
• Escrita e pronúncia corretas, conforme estabelecidas nas gramáticas, nos 
dicionários e na tradição de emprego pelas pessoas cultas.
• Adquirida por meio de estudo. Esta é a grande, a fundamental, a 
primordial característica deste nível de uso da língua. Não vale aqui o 
argumento	de	que	“quem	faz	a	língua	é	o	povo”.	Não.	Neste nível, não 
se	considera	o	“povo”,	em	seu	sentido	puramente	de categoria social. 
A aquisição do nível culto, da norma padrão da língua, é decorrente 
apenas de estudo. 
• Aprende-se a norma culta, a língua padrão, estudando. Estudando: 
e	não	ouvindo	“os	outros”, mesmo que esses outros sejam pessoas 
detentoras de estudo. É muito comum ouvir doutores cometerem 
desvios da norma culta, em pronúncia, em concordância, em vocabulário 
e em outros aspectos da língua.
• Artificial,	formal. Suas expressões não jorram espontaneamente da 
boca ou da mente do falante, do emissor. É uma linguagem pensada, 
ensaiada,	cuidada,	que	pode	ser	alterada,	modificada, transformada no 
decorrer do discurso. O interlocutor, na fala ou na escrita, pensa antes 
de se expressar. Simplesmente cuida da correção da linguagem.
• Vocabulário	amplo,	refinado,	erudito,	complexo.	É	uma	característica 
decorrente das duas anteriores. As palavras ou os termos empregados 
são adquiridos individualmente, conforme o grau de estudo e de leitura 
de seu usuário, e não por meio do simples convívio social e doméstico. 
IMPORTANTE!
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• Estão presentes nas grandes obras dos grandes escritores. Por isso, 
socialmente, as palavras são chamadas “palavras	difíceis”,	ou	“palavras	
bonitas”,	pelas	pessoas	comuns.
• De	emprego	literário,	jornalístico,	científico	didático,	jurídico. Conforme 
visto nas outras características, é o nível empregado e praticado nos 
setores cultos e formais da sociedade.
1.1.2 Língua coloquial
Este é o nível que caracteriza propriamente a língua como produto 
da racionalidade humana. Antropologicamente, o homem é o animal 
dotado de linguagem articulada por meio de signos, de símbolos sonoros, 
produzidos pela voz, que representam o mundo biossocial. É o nível da 
voz	do	animal	“homem”.	
Biologicamente,	os	animais	possuem	“vozes”, como aprendemos nas 
séries iniciais de nossa vida escolar. O cão late, o gato mia, o boi berra, 
e assim por diante. Já o homem fala. Essa é a voz do animal racional, 
do homem. Mas não é uma voz simplesmente “fisiológica”	decorrente 
do	instinto	animal.	É	a	voz	codificada	pela	língua, pelo idioma. Portanto, 
racional.
A	língua	coloquial	é	a	“verdadeira”	língua	do	homem,	ser	social.	É	por 
ela que ele se comunica e se interage na sociedade, ao longo de toda 
sua vida. É o nível da conversa, independentemente de escolaridade, 
de grau de instrução. 
O habitante de cidade, o doutor universitário, o operário, o trabalhador 
humilde, o habitante rural, o sertanejo, o analfabeto, qualquer pessoa, 
ou qualquer ser humano é detentor da língua coloquial. É por meio dela, 
como já o dissemos, que as pessoas se comunicam na sociedade. As 
pessoas: qualquer pessoa.
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A língua coloquial apresenta as seguintes características:
• Da conversa diária, entre os falantes. Em casa, em família, com os 
vizinhos	e	os	amigos,	na	escola,	no	trabalho,	na	rua.	O	termo	“coloquial” 
tem	origem	latina,	com	ideia	de	“conversa”:	fala	entre	pessoas.
• Adquirida desde a infância. A criancinha, por volta de um ano de 
idade, ou antes, já começa a balbuciar os primeiros fonemas que irão 
constituir as palavras e depois as frases articuladas para a expressão 
do pensamento. Adquirida desde a infância e ao longo da vida. E não 
por meio de estudo, como a língua padrão, ou nível culto da língua.
• A língua coloquial é aprendida em casa, com os pais, vizinhos, amigos. 
É chamada muitas vezes de língua materna, por ser, tradicionalmente, 
a mãe a primeira a ensinar a criancinha a falar.
• Natural, espontânea, informal. Se é o nível da conversa diária, a língua 
é usada automática, simultaneamente ao pensamento. Por isso, não 
ensaiada, não pensada anteriormente, não planejada. A língua é 
articulada ou emitida com a naturalidade própria do falante, com seu 
linguajar decorrente de sua cultura, antropologicamente falando.
• Vocabulário reduzido, simples. A quantidade de palavras é limitada, em 
comparação com o vocabulário da língua culta ou padrão. São palavras 
do quotidiano, aprendidas no dia a dia, de domínio de todos os falantes 
de um grupo ou de uma comunidade. Mas o necessário para a pessoa 
se comunicar durante toda sua vida.
IMPORTANTE!
Neste nível da língua coloquial não se considera a ideia de	“certo	e	errado”.	
É com base nessa característica que os estudiosos da Língua Portuguesa 
proferiram	a	famosa	afirmação	de	que	“na	língua	não	existe	erro”.	
É claro que isso não deve ser entendido ao pé da letra. Não se considera 
erro, sim, na língua coloquial. Esta decorre do nível de cultura do falante. 
O habitante sertanejo e analfabeto, mas não surdo-mudo, fala o idioma 
pátrio	satisfatoriamente.	Uma	frase	como	“nóis	já	armuçô”	não	pode	ser 
considerada	“errada”	se	proferida	por	um	sertanejo	analfabeto.	
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 Errada por quê?
Esta	é	a	“língua”	própria	de	seu	universo,	de	seu	ambiente,	de sua 
vida social. Como, então, ele deveria falar? Ele não estudou para ter 
aprendido	que	o	“certo”	é	“nós	já	almoçamos”.
O conceito de correção de linguagem, de corrigir o errado para adotar o 
certo, é próprio do nível culto da língua, da norma padrão, empregada 
pelas pessoas instruídas, estudadas, cultas. Aí, sim, devemos cuidar da 
correção,	de	“não	errar”.
Uma	concordância	indevida,	uma	grafia	errada,	uma	frase	mal	construída 
ou ambígua ou uma palavra mal-empregada são desvios que se devem 
corrigir no emprego culto da língua, para que a expressão seja adequada 
ao nível cultural e intelectual de seu usuário. 
Um desvio constatadonum jornal,	numa	revista,	num	cartaz	afixado	
em lugar público, num texto de publicidade ou propaganda, num livro; 
ou proferido oralmente por um palestrante, um pregador religioso, um 
político, um professor, um advogado, um orador, agora, sim, se trata 
propriamente	do	“erro”	de linguagem, objeto de crítica ou zombaria das 
demais pessoas.
Os estudos gramaticais da Língua Portuguesa1.2
Os estudos gramaticais de uma língua, geralmente, 
partem do princípio da compreensão dos fonemas, 
dos morfemas e das palavras, dos sintagmas e 
das frases, e das unidades semânticas. Esses 
estudos compõem as unidades linguísticas de 
uma determinada área da Língua Portuguesa, ou 
seja, da fonologia, da morfologia, da sintaxe e da 
semântica.
Fonema
Menor unidade 
linguística destituída 
de sentido, passível 
de delimitação na 
cadeia falada, isto é, 
uma sequência de 
sons. Caracteriza-se, 
normalmente, pela 
substância sonora, ou 
seja, por representar 
os sons de uma 
língua (SAUTCHUK, 
2018, p. 25).
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Esses, por sua vez, auxiliam na compreensão e no desenvolvimento 
das competências linguísticas para uma melhor comunicação, seja oral 
ou escrita, nas diversas situações comunicativas, pois saber aplicar 
os	conteúdos	gramaticais	com	eficiência	demonstra	não	só	um	nível	
culto, mas também demonstra nossa capacidade de produzir e construir 
significados	que	estão	para	além	do	que	é	materializado	nos	textos.
De acordo com a estudiosa Inez Sautchuk (2018, p. 26), é o conhecimento 
dessa	gramática	“que	comporta	as	regras	essenciais	constitutivas	de	sua	
identidade, possibilita que todo falante de uma língua ‘saiba’ construir 
frases	e,	com	elas,	expressar	seus	pensamentos”.	
Para o início desse estudo, então, é necessário o conhecimento das 
classes	de	palavras,	isto	é,	a	divisão	elaborada	a	fim	de	que	as	palavras	
fossem estudadas isoladamente, desconsiderando-se a função que 
exercem dentro da frase ou da oração, com o objetivo de analisá-las 
por meio de seus aspectos semânticos (de sentido) e funcionais nas 
produções textuais e os efeitos de sentido que elas produzem na 
interação com os interlocutores. 
Classes de palavras1.3
As classes de palavras de uma língua são apresentadas na parte 
das gramáticas denominada morfologia. Sendo a gramática dividida, 
tradicionalmente, em fonética, morfologia e sintaxe, o estudo das classes 
de palavras pertence ao ramo da morfologia. Esta, por sua vez, estuda 
a estrutura e formação de palavras e as classes de palavras.
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As	palavras	variáveis	são	as	que	sofrem	flexão	ou	modificação	em	
seu final	como	as	desinências	de	gênero	(masculino	e	feminino)	e	de	
número (singular e plural) para algumas, como neste caso da palavra 
gato (Figura 1):
Gat -o
-a
-o-s
-a-s
Figura 1: Gato.
Fonte: Getty images. Acervo Uniube.
A	palavra	é	uma	só,	mas	possui	quatro	“finais”	ou	terminações	em	suas	
ocorrências de uso ou funcionamento da língua. Não são, portanto, 
quatro palavras.
As	palavras	invariáveis	são	fixas,	não	apresentam	modificações	em	
seu	final,	como	no	caso	da	palavra	aqui, que permanece sempre nessa 
forma.
Invariáveis
• advérbio, preposição, conjunção, interjeição
Variáveis
• substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo
Em português, existem dez classes de palavras, assim distribuídas:
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1.3.1 Palavras variáveis
1.3.1.1 Substantivo
Tradicionalmente, substantivo é a palavra que designa os seres, entendidos 
estes como pessoas, animais e coisas, numa concepção concreta, e 
como ações, sentimentos, qualidades, estados, numa concepção abstrata.
A palavra substantivo relaciona-se com substância. Designa, portanto, 
o ser, entidade dotada de uma substância existencial. O substantivo é, 
então, o nome de um ser.
A importância dos substantivos
Os substantivos, como sabemos, são palavras que designam os seres em 
geral, reais ou imaginários. Eles são responsáveis, na maioria das vezes, 
por indicar a coerência de um texto, indicando o assunto de que se trata a 
produção textual. 
É importante lembrar que, geralmente, os substantivos são os mais 
importantes em um texto, pois se no texto não tivesse substantivos, ele 
(o texto) estaria sem sentido ou teria sentido incompleto. Eles, associados 
a outras classes de palavras, articulam as ideias e as relações entre as 
formas linguísticas presentes no texto, indicando certo efeito de sentido que 
o produtor textual quer conferir à sua produção, produzindo, por exemplo, 
ironia, humor etc.
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
Classificações do substantivo
A	tradição	de	estudos	gramaticais	expõe	as	seguintes	classificações	do	
substantivo:
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Concreto: designa o ser que tem existência em si mesmo, própria, e não 
existente em outro ser. O substantivo concreto nomeia pessoas, animais 
e coisas.
Abstrato: designa o ser que não possui existência em si mesmo ou 
independente, mas situações de concepção da razão (seres de razão). 
O substantivo abstrato nomeia, principalmente, qualidades, sentimentos, 
estados e ações.
Aqui cabe uma explicação adicional, nem sempre compreendida pelas 
pessoas, inclusive por alguns estudiosos do idioma.
Substantivo concreto não é sinônimo de seres reais. E substantivo 
abstrato não é sinônimo de seres irreais ou imaginários. Essa confusão 
é frequente nas escolas.
O substantivo amor é abstrato, mas o amor é real, ele existe de fato, não 
é um ser apenas imaginário.
E o substantivo saci é concreto, embora o saci seja apenas uma criação 
fictícia,	um	ser	que	não	existe	de	fato.
PESSOAS ANIMAIS COISAS
homem, menino, 
criança, mulher, moço, 
José, Maria, Paulo.
cão, gato, macaco, urso, 
boi, leão, gafanhoto.
copo, cadeira, chave, livro, 
martelo, alçapão, garfo.
QUALIDADES ESTADOS
bondade, beleza, honestidade. 
Sentimentos: amor, ódio, alegria, tristeza.
cansaço, magreza, pressa. 
Ações: corrida, soco, chute, beijo.
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Comum: designa todos os seres de uma mesma espécie, ou uma 
abstração. 
Próprio: designa o indivíduo, um ser de uma espécie. 
Coletivo: é o substantivo comum que, morfologicamente palavra do 
singular, designa conjunto de seres de uma espécie. O substantivo 
coletivo,	todavia,	pode	ter	flexão	de	plural,	quando	designa	mais	de	um 
coletivo, como arquipélagos, as constelações, as turmas.
Alguns exemplos de substantivos coletivos: 
Arquipélago: ilhas.
Banda: músicos.
Cardume: peixes. 
Constelação: estrelas.
Corja: velhacos, vadios, desordeiros. 
Esquadrilha: aviões.
Fauna: animais de uma região ou país. 
Flora: vegetais de uma região ou país. 
Junta: bois, médicos, examinadores.
Matilha: cães caçadores. 
Nuvem: gafanhotos.
Prole:	filhos.
Quadrilha: ladrões. 
Turma: pessoas, alunos. 
Vara: porcos.
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
COMUM
menino, laranja, laranjeira, 
árvore, país, cidade, clima, aluno, 
alma, anjo, jornal, mão.
COMUM
Carlos, Rio de Janeiro, Brasil, 
Jornal do Comércio.PRÓPRIO
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Flexão do substantivo
O	substantivo	apresenta	as	flexões	de	gênero e de número.
• Gênero
Os gêneros são o masculino e o feminino. Em português não ocorrem 
substantivos do gênero neutro, como em algumas línguas, geralmente 
o latim e o grego.
Particularidades genéricas
Além das situações regulares de formação do gênero feminino, com a 
desinência -a, o substantivo possui as seguintes particularidades:
a) Substantivo comum de dois –	Possui	uma	só	forma,	sem	flexão	para	
o gênero masculino e para o feminino. A distinção entre os gêneros se 
faz pelos termos determinantes do substantivo, como o artigo, o adjetivo, 
o numeral. 
Exemplos:
o colega estudioso / a colega estudiosa 
o pianista famoso / a pianista famosa
o personagem estranho / a personagem estranha 
dois jovens bonitos / duas jovens bonitas
Observação!
O substantivo personagem é comum de dois, isto é, pode ser masculino 
ou	feminino,	conforme	se	refira	a	homem	ou	a	mulher. “O	personagem	
famoso” designa um homem. “A personagem famosa” designa uma 
mulher. 
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É comum vermos esse substantivo empregado sempre como sobrecomum,isto é, só no gênero feminino para se referir aos dois sexos. Errado. Até 
obras de estudos linguísticos ou literários adotam essa forma errada do 
feminino para designar homem ou mulher. 
Uma frase de uma questão de prova, por exemplo, como “qual é a 
personagem principal do romance?” significa	que	o	professor	elaborador 
da questão deseja que o aluno informe a personagem “mulher”, e não 
um	personagem	“homem”.	
A	afirmação	de	que	esse	substantivo	é	só feminino é falsa, 
enganosa, pode até induzir o aluno a erro em questões de 
avaliações escolares.
b) Substantivo sobrecomum – Possui um só gênero para os dois sexos. 
Atenção: o gênero é um só. Há substantivo só masculino e substantivo 
só feminino. 
Exemplos:
• a criança (feminino): designa o ser do sexo masculino e o do 
feminino.
• a testemunha (feminino): designa um homem ou uma mulher.
• o cônjuge (masculino): designa o homem ou a mulher, no casamento. 
• o monstro (masculino): designa tanto um ser do sexo ou do gênero 
masculino quanto do feminino.
Veja que não existe a forma feminina “monstra”!!
c) Substantivo epiceno – É como o sobrecomum, mas designa apenas 
animais. Possui, portanto, um só gênero para os dois sexos.
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Exemplos:
• a onça (feminino): designa o macho e a fêmea. 
• a águia (feminino): designa o macho e a fêmea. 
• a cobra (feminino): designa o macho e a fêmea.
• o jacaré (masculino): designa o macho e a fêmea.
• o crocodilo (masculino): designa o macho e a fêmea. 
• o tatu (masculino): designa o macho e a fêmea.
O gênero desses substantivos é determinado pelas palavras 
“macho” ou “fêmea”: o jacaré macho/o jacaré fêmea; a 
cobra macho/a cobra fêmea.
d) Substantivo heterônimo – É um substantivo de um só gênero para 
designar	o	sexo	masculino,	e	“outro”	substantivo	para	designar	o	sexo 
feminino. 
Exemplos:
• o homem /a mulher 
• o bode / a cabra
• o cavalo / a égua
• o carneiro / a ovelha 
• o boi / a vaca
• o burro / a mula
Outras particularidades
Além das particularidades apresentadas, ocorrem outras situações de 
feminino dos substantivos, consideradas irregulares ou extravagantes. 
Exemplos:
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
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• o poeta / a poetisa
• o maestro / a maestrina
• o imperador / a imperatriz
• o embaixador / a embaixatriz (mulher do embaixador), a embaixadora 
(a titular da função)
• o perdigão / a perdiz
• o sacerdote / a sacerdotisa 
• o profeta / a profetisa
• o bispo / a episcopisa 
• o papa / a papisa
• o frade / a freira 
• o frei / a sóror
• o marajá / a marani 
• o judeu / a judia
Note	que	é	errada	a	flexão	do	feminino	“bispa”,	muito	frequente	nos	dias	
atuais devido à existência de mulheres que detêm esse título em certas 
religiões.
• Número
Os números são o singular e o plural. Além das situações regulares de 
formação do plural com a desinência -s, como em livro / livros, casa / 
casas, merece	destaque	a	flexão	de	plural	dos	substantivos	compostos, 
de largo emprego na língua oral e na escrita.
a) Plural de substantivos compostos
1 – Substantivos compostos constituídos de dois substantivos, de um 
substantivo e de um adjetivo, de um adjetivo e de um substantivo, ligados 
por	hífen:	ambos	os	elementos	flexionam-se	no	plural.
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• couves-flores	(substantivo	+	substantivo)	
• cirurgiões-dentistas	(substantivo	+	substantivo)	
• amores-perfeitos	(substantivo	+	adjetivo)	
• guardas-noturnos	(substantivo	+	adjetivo)	
• guardas-civis	(substantivo	+	adjetivo)
• altos-relevos	(adjetivo	+	substantivo)
• terças-feiras	(numeral	adjetivo	+	substantivo)
No caso de substantivo composto de dois substantivos em 
que	o	segundo	determina	o	primeiro	com	ideia	de	finalidade	
ou semelhança, a tradição gramatical determina que somente 
o primeiro flexione-se	no plural, embora livros didáticos e certas 
gramáticas permitam	a	flexão	de	ambos.	Mas	a	flexão	só	do	
primeiro é a mais ortodoxa, sendo, portanto, a preferível.
bananas-maçã
escolas-modelo
mangas-espada
navios-escola
palavras-chave
pombos-correio
2 – Substantivos constituídos de elementos não ligados por hífen: só o 
segundo	flexiona	no plural.
claraboias
girassóis
pontapés
vaivéns
3 – Substantivos constituídos de verbo e substantivo: só o segundo 
elemento	flexiona	no plural.
beija-flores
furta-cores
guarda-chuvas
guarda-roupas
pega-ladrões
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4 – Substantivos constituídos de dois substantivos ligados por preposição: 
só	o	primeiro	flexiona	no	plural.
pés de moleque
pães de ló
fogões a gás
mulas sem cabeça
Observação!
Às vezes, a preposição é subentendida, ou ausente:
horas-aula (de aula)
mestres-escola (de escola)
5 – Substantivos constituídos de dois verbos antônimos, ou de verbo e 
advérbio,	ligados	por	hífen:	ambos	permanecem	invariáveis,	ficando	a	
noção de plural a cargo dos elementos determinantes desses substantivos.
os bota-fora
os leva-e-traz
os perde-ganha
os pisa-mansinho
6 – Substantivos constituídos de palavras onomatopaicas: só o último 
elemento	flexiona	no plural.
reco-recos
tico-ticos
tique-taques
bem-te-vis
7 – Substantivos compostos cujo primeiro elemento é constituído de 
palavra	invariável:	só	o	segundo	elemento	flexiona	no	plural.
ex-diretores
sempre-vivas
vice-presidentes
alto-falantes
(note	que	“alto”,	neste	caso,	é	
advérbio, palavra invariável)
abaixo-assinados
 UNIUBE 19
b) Plural dos diminutivos
Os	substantivos	no	grau	diminutivo	sofrem	flexão	de	plural	de	modo 
peculiar.	A	flexão	apresenta as seguintes situações:
• Ocorre	apenas	no	final	da	palavra,	como	nas	formas	primitivas.
Exemplos:
ÁRVORE: árvore-s > arvore-zinha-s 
PÉ: pé-s > pe-zinho-s
• Ocorre	em	duas	posições	da	palavra:	no	meio	e	no	final.
Para os substantivos terminados em -r, a letra -e da desinência -es fica 
após a palavra primitiva, antes do	sufixo,	e	a	letra	-s vai	para	o	final	da 
palavra, depois do	sufixo.
TRATOR: trator-es > trator-e-zinho-s 
MOTOR: motor-es > motor-e-zinho-s 
MULHER: mulher-es > mulher-e-zinha-s 
BAR: bar-es > bar-e-zinho-s
Prefixo e sufixo	são	morfemas	que	se	juntam	às	palavras	a	fim	de	formar	
novas	palavras.	Ambos	são,	na	verdade,	afixos.	O	nome	prefixo	ou	sufixo	é	
dado dependendo do lugar que ocupam na palavra. Ou seja, se estiver antes 
do	radical,	é	prefixo,	mas	se	estiver	depois	do	radical,	é	sufixo.
Morfema:	menor	unidade	de	uma	palavra	que	possui	significado.
EXPLICANDO MELHOR
20 UNIUBE
Se a letra S for parte da palavra primitiva no singular, e não 
a desinência de plural, permanece essa letra S no seu lugar 
próprio do radical primitivo, e não é substituída pela letra Z, 
consoante de ligação. Exemplos:
pires > pires-inho, pires-inho-s 
lápis > lapis-inho, lapis-inho-s
Note que, aqui, não ocorre a consoante de ligação -z- antes	do	sufixo	
-inho.	A	letra	S	de	“pires”	e	de	“lápis”	é	parte	da	palavra	primitiva,	e	não	
desinência de plural.
Para os substantivos terminados em -ão, o processo é o mesmo: apenas 
a letra -s vai	para	o	final	da	palavra,	depois do	sufixo.	As	letras	dos 
ditongos -ão, -ãe, -õe permanecem na ou após a palavra primitiva, antes 
do	sufixo.
Irmão: irmão-s > irmão-zinho-s 
pão: pã-es > pã-e-zinho-s
coração: coraç-ões > coraç-õe-zinho-s 
limão: lim-ões > lim-õe-zinho-s
Para os substantivos terminados em -L, a letra -i da desinência -is fica 
após a palavra primitiva, antes do	sufixo,	e	a	letra	-s vai	para	o	final	
da palavra, depois do	sufixo.
jornal: jorna-is > jorna-i-zinho-s 
móvel: móve-is > move-i-zinho-s 
papel: papé-is > pape-i-zinho-s
 UNIUBE 21
1.3.1.2 Adjetivo
Adjetivo é a palavra que indica qualidade, estado, característica, aspecto, 
modo	de	ser	do	substantivo.	Sua	acepção	primordial	é	de	modificação	
do substantivo. 
Exemplos:
livro novo 
casa nova 
cidade grande 
menina bonita 
carro branco 
rua estreita 
conta errada
Sintaticamente, o adjetivo é o determinante do substantivo e com ele 
concorda, podendo, portanto, palavras de outras classes gramaticais 
funcionarem como adjetivo. 
Exemplos:
dois livros (numeral) 
duas revistas (numeral) 
uns livros	(artigoindefinido)
umas revistas	(artigo	indefinido)
estes livros (pronome) 
meus filhos	(pronome)
22 UNIUBE
Classificação do adjetivo
O adjetivo pode ser restritivo ou explicativo.
Um caso de uso necessário do adjetivo explicativo pode ser notado no 
conhecido provérbio água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
ADJETIVO
Restritivo
Explicativo
RESTRITIVO
EXPLICATIVO
• indica aspecto acidental do substantivo. É o adjetivo 
propriamente dito, no uso diário da linguagem, como nos 
exemplos citados no conceito de adjetivo.
• Ex.: livro novo, casa nova, cidade grande, menina 
bonita, carro branco.
• indica aspecto essencial ou inerente ao substantivo. 
Seu uso é restrito, portanto, aos casos de necessidade 
de clareza na comunicação, constituindo uma forma de 
pleonasmo:
• Ex.: gelo frio, fogo quente, água mole, pedra dura.
 UNIUBE 23
Flexão do adjetivo
O	adjetivo,	assim	como	o	substantivo,	apresenta	flexão	em	gênero e 
número.
• Gênero
Na situação de noção de gênero, o adjetivo pode ser biforme e uniforme.
Biforme: o feminino é formado pelo acréscimo de desinências, especialmente 
e com maior índice de ocorrência a desinência -a.
novo(a) / casa nova 
bonito(a) / menina bonita 
limpo(a) / roupa limpa
hospitaleiro(a) / cidade hospitaleira
Uniforme: o adjetivo permanece invariável em gênero. 
menina inteligente
mulher elegante 
pessoa feliz 
atitude louvável
• Número
Nas	situações	de	flexão	de	número,	merece	destaque	o	plural	dos	
adjetivos compostos nos seguintes principais casos:
1 – Adjetivos compostos formados de dois ou mais adjetivos: só o último 
elemento	flexiona	no plural.
camisas amarelo-claras 
clínicas médico-cirúrgicas 
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nações latino-americanas 
conferências luso-brasileiras
conferências luso-franco-brasileiras
reações físico-químicas
Note	 que,	 neste	 caso,	 a	 flexão	só do último elemento é 
dupla,	isto	é,	flexão	de	número	e	de	gênero.	Em	“conferências 
luso-franco-brasileiras”,	só	o	elemento	“brasileiras”	é	que	se	flexiona	
no plural	e	no	feminino,	ficando	os	anteriores	na	forma	invariável	
masculina.
2 – Adjetivos compostos constituídos de adjetivo e substantivo: ambos 
os elementos permanecem invariáveis.
camisas verde-água 
saias vermelho-sangue 
blusas amarelo-limão 
paredes azul-piscina
Graus do adjetivo
Um aspecto das noções gramaticais do adjetivo são os graus, conhecidos 
como comparativo e superlativo, merecendo destaque, neste estudo, 
o grau superlativo e suas subdivisões.
a) Superlativo relativo
De superioridade: o mais...de. 
Ex.: João é o mais estudioso dos alunos. 
De inferioridade: o menos...de.
Ex.: João é o menos estudioso dos alunos.
 UNIUBE 25
b) Superlativo absoluto
Analítico: forma-se com o acréscimo de palavras com o sentido de 
intensidade: muito, excessivamente.
Aquele prédio é muito alto.
O aluno foi excessivamente elogiado.
Aquele homem é muito pobre.
O exercício é muito fácil.
Suas palavras foram muito doces.
Sintético: forma-se	com	o	acréscimo	dos	sufixos	-íssimo, -rimo, -imo.
Aquele prédio é altíssimo.
O aluno foi elogiadíssimo. 
Aquele homem é paupérrimo. 
O exercício é facílimo.
Suas palavras foram dulcíssimas.
O grau superlativo absoluto sintético constitui um dos aspectos de 
domínio da língua culta ou da norma padrão em português, pois grande parte 
dos adjetivos nesse grau são formados a partir do radical em latim, e não 
em português. São os chamados superlativos absolutos sintéticos eruditos.
Essa	situação	é	traço	apenas	da	variante	culta	da	língua.	Sua	modificação	
ou adulteração decorre de ignorância do usuário da língua quanto à 
norma padrão de uso do idioma. É o que ocorre com alguns adjetivos, 
especialmente com o superlativo do adjetivo magro: macérrimo. 
Na sociedade,	é	comum	ouvir-se	a	palavra	“magérrimo”,	pronunciada	por 
pessoas cultas, como apresentadores e locutores de televisão, atores, 
professores universitários, palestrantes. Pessoas mais simples, por sua vez, 
ouvem os doutoress pronunciarem essa forma errada e a adotam como correta.
26 UNIUBE
A forma erudita provém do adjetivo magro em latim: macer. Com o 
acréscimo	do	sufixo	formador	do	grau	superlativo	-rimo, formou-se o 
adjetivo macérrimo.
A	pronúncia	“magérrimo”	não	se	justifica	por	se	tratar	de	palavra	erudita, e 
não vulgar. Portanto, se se pretende usar o superlativo absoluto sintético 
do	adjetivo	“magro”	na	forma	vulgar, deve-se falar magríssimo, forma 
correta,	e	não	a	forma	ridícula	e	errada	“magérrimo”.
São, portanto, dois superlativos, um vulgar, magríssimo, e outro erudito, 
macérrimo. A	forma	“magérrimo”	simplesmente	não	existe,	pois	não 
deriva	nem	do	adjetivo	“magro”,	em	português,	nem	do	adjetivo	“macer”, 
em	latim.	Então,	“magérrimo”	não	provém	de	radical	primitivo	nenhum, 
nem do português, nem do latim.
A título de informação, mencionamos os seguintes adjetivos no grau 
superlativo absoluto sintético erudito:
agudo: acutíssimo 
amargo: amaríssimo 
áspero: aspérrimo
benéfico:	beneficentíssimo
benévolo: benevolentíssimo 
célebre: celebérrimo
comum: comuníssimo 
cristão: cristianíssimo 
cruel: crudelíssimo 
doce: dulcíssimo 
fácil: facílimo
fiel:	fidelíssimo
humilde: humílimo 
incrível: incredibilíssimo
íntegro: integérrimo 
 UNIUBE 27
livre: libérrimo
magro: macérrimo
magnífico:	magnificentíssimo
maléfico:	maleficentíssimo
malévolo: malevolentíssimo 
negro: nigérrimo
nobre: nobilíssimo 
pessoal: personalíssimo 
pobre: paupérrimo 
sábio: sapientíssimo 
sagrado: sacratíssimo
1.3.1.3 Artigo
Esta classe é mencionada neste estudo apenas como informação, pois 
seu emprego é natural e espontâneo na sociedade falante, restando raros 
casos de emprego estilístico ou regional.
Sua característica principal é a de acompanhar e preceder o substantivo:
AR
TI
G
O
S DEFINIDOS
INDEFINIDOS
O, A, OS, AS.
UM, UMA, UNS, 
UMAS.
o livro, um livro, a casa, uma casa, os livros, umas casas
O	artigo	classifica-se	em:

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