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UNIUBE 3 Língua padrão e língua coloquial1.1 Nos estudos sobre a língua, são estudadas as variantes linguísticas, entre as quais as mais conhecidas são a variante histórica, a geográfica e a social, cada qual com suas divisões ou subdivisões. Na variante social, a dicotomia que mais se destaca, ou para a qual mais se chama a atenção, é a dupla língua padrão e língua coloquial. Conforme o livro ou o autor, essas denominações podem variar, como norma padrão, norma culta, nível formal, para a língua padrão, e nível coloquial, língua oral, oralidade, para a língua coloquial. 1.1.1 Língua padrão Essa é uma variante ou apenas um aspecto sob o qual a língua é considerada. É o nível próprio da linguagem formal, em suas estruturas gramaticais apresentadas ou expostas nos livros de estudo sobre a língua, como as gramáticas, os dicionários, as obras dos escritores de renome ou de elevada qualidade intelectual. Essa, ainda, é o nível que identifica as chamadas pessoas cultas, dotadas de escolaridade elevada, detentoras de cursos universitários ou simples autodidatas de notório saber, quando escrevem ou quando falam. É o nível presente nos textos científicos, literários, didáticos, oficiais, jornalísticos, os quais são elaborados ou redigidos dentro das normas de correção conforme as regras ou normas estabelecidas pela “gramática”. Daí uma das denominações deste nível: norma padrão. O termo primordial que caracteriza a língua padrão é correção. Trata-se de não escrever “errado”, não transgredir a ortografia, o vocabulário, o estilo, as normas ou as famosas regras de concordância verbal e nominal, 4 UNIUBE de regência, de pontuação. E, ainda, de empregar corretamente as flexões de gênero e número das palavras, as corretas flexões verbais, os termos adequados nas construções de frases. O que é necessário é escrever corretamente, isto é, sem erro. É esta variante culta que determina as revisões de linguagem em gráficas, editoras, jornais, secretarias e demais órgãos que utilizam a língua no padrão culto em seus exercícios de trabalho. A língua padrão apresenta as seguintes características: • Escrita e pronúncia corretas, conforme estabelecidas nas gramáticas, nos dicionários e na tradição de emprego pelas pessoas cultas. • Adquirida por meio de estudo. Esta é a grande, a fundamental, a primordial característica deste nível de uso da língua. Não vale aqui o argumento de que “quem faz a língua é o povo”. Não. Neste nível, não se considera o “povo”, em seu sentido puramente de categoria social. A aquisição do nível culto, da norma padrão da língua, é decorrente apenas de estudo. • Aprende-se a norma culta, a língua padrão, estudando. Estudando: e não ouvindo “os outros”, mesmo que esses outros sejam pessoas detentoras de estudo. É muito comum ouvir doutores cometerem desvios da norma culta, em pronúncia, em concordância, em vocabulário e em outros aspectos da língua. • Artificial, formal. Suas expressões não jorram espontaneamente da boca ou da mente do falante, do emissor. É uma linguagem pensada, ensaiada, cuidada, que pode ser alterada, modificada, transformada no decorrer do discurso. O interlocutor, na fala ou na escrita, pensa antes de se expressar. Simplesmente cuida da correção da linguagem. • Vocabulário amplo, refinado, erudito, complexo. É uma característica decorrente das duas anteriores. As palavras ou os termos empregados são adquiridos individualmente, conforme o grau de estudo e de leitura de seu usuário, e não por meio do simples convívio social e doméstico. IMPORTANTE! UNIUBE 5 • Estão presentes nas grandes obras dos grandes escritores. Por isso, socialmente, as palavras são chamadas “palavras difíceis”, ou “palavras bonitas”, pelas pessoas comuns. • De emprego literário, jornalístico, científico didático, jurídico. Conforme visto nas outras características, é o nível empregado e praticado nos setores cultos e formais da sociedade. 1.1.2 Língua coloquial Este é o nível que caracteriza propriamente a língua como produto da racionalidade humana. Antropologicamente, o homem é o animal dotado de linguagem articulada por meio de signos, de símbolos sonoros, produzidos pela voz, que representam o mundo biossocial. É o nível da voz do animal “homem”. Biologicamente, os animais possuem “vozes”, como aprendemos nas séries iniciais de nossa vida escolar. O cão late, o gato mia, o boi berra, e assim por diante. Já o homem fala. Essa é a voz do animal racional, do homem. Mas não é uma voz simplesmente “fisiológica” decorrente do instinto animal. É a voz codificada pela língua, pelo idioma. Portanto, racional. A língua coloquial é a “verdadeira” língua do homem, ser social. É por ela que ele se comunica e se interage na sociedade, ao longo de toda sua vida. É o nível da conversa, independentemente de escolaridade, de grau de instrução. O habitante de cidade, o doutor universitário, o operário, o trabalhador humilde, o habitante rural, o sertanejo, o analfabeto, qualquer pessoa, ou qualquer ser humano é detentor da língua coloquial. É por meio dela, como já o dissemos, que as pessoas se comunicam na sociedade. As pessoas: qualquer pessoa. 6 UNIUBE A língua coloquial apresenta as seguintes características: • Da conversa diária, entre os falantes. Em casa, em família, com os vizinhos e os amigos, na escola, no trabalho, na rua. O termo “coloquial” tem origem latina, com ideia de “conversa”: fala entre pessoas. • Adquirida desde a infância. A criancinha, por volta de um ano de idade, ou antes, já começa a balbuciar os primeiros fonemas que irão constituir as palavras e depois as frases articuladas para a expressão do pensamento. Adquirida desde a infância e ao longo da vida. E não por meio de estudo, como a língua padrão, ou nível culto da língua. • A língua coloquial é aprendida em casa, com os pais, vizinhos, amigos. É chamada muitas vezes de língua materna, por ser, tradicionalmente, a mãe a primeira a ensinar a criancinha a falar. • Natural, espontânea, informal. Se é o nível da conversa diária, a língua é usada automática, simultaneamente ao pensamento. Por isso, não ensaiada, não pensada anteriormente, não planejada. A língua é articulada ou emitida com a naturalidade própria do falante, com seu linguajar decorrente de sua cultura, antropologicamente falando. • Vocabulário reduzido, simples. A quantidade de palavras é limitada, em comparação com o vocabulário da língua culta ou padrão. São palavras do quotidiano, aprendidas no dia a dia, de domínio de todos os falantes de um grupo ou de uma comunidade. Mas o necessário para a pessoa se comunicar durante toda sua vida. IMPORTANTE! Neste nível da língua coloquial não se considera a ideia de “certo e errado”. É com base nessa característica que os estudiosos da Língua Portuguesa proferiram a famosa afirmação de que “na língua não existe erro”. É claro que isso não deve ser entendido ao pé da letra. Não se considera erro, sim, na língua coloquial. Esta decorre do nível de cultura do falante. O habitante sertanejo e analfabeto, mas não surdo-mudo, fala o idioma pátrio satisfatoriamente. Uma frase como “nóis já armuçô” não pode ser considerada “errada” se proferida por um sertanejo analfabeto. UNIUBE 7 Errada por quê? Esta é a “língua” própria de seu universo, de seu ambiente, de sua vida social. Como, então, ele deveria falar? Ele não estudou para ter aprendido que o “certo” é “nós já almoçamos”. O conceito de correção de linguagem, de corrigir o errado para adotar o certo, é próprio do nível culto da língua, da norma padrão, empregada pelas pessoas instruídas, estudadas, cultas. Aí, sim, devemos cuidar da correção, de “não errar”. Uma concordância indevida, uma grafia errada, uma frase mal construída ou ambígua ou uma palavra mal-empregada são desvios que se devem corrigir no emprego culto da língua, para que a expressão seja adequada ao nível cultural e intelectual de seu usuário. Um desvio constatadonum jornal, numa revista, num cartaz afixado em lugar público, num texto de publicidade ou propaganda, num livro; ou proferido oralmente por um palestrante, um pregador religioso, um político, um professor, um advogado, um orador, agora, sim, se trata propriamente do “erro” de linguagem, objeto de crítica ou zombaria das demais pessoas. Os estudos gramaticais da Língua Portuguesa1.2 Os estudos gramaticais de uma língua, geralmente, partem do princípio da compreensão dos fonemas, dos morfemas e das palavras, dos sintagmas e das frases, e das unidades semânticas. Esses estudos compõem as unidades linguísticas de uma determinada área da Língua Portuguesa, ou seja, da fonologia, da morfologia, da sintaxe e da semântica. Fonema Menor unidade linguística destituída de sentido, passível de delimitação na cadeia falada, isto é, uma sequência de sons. Caracteriza-se, normalmente, pela substância sonora, ou seja, por representar os sons de uma língua (SAUTCHUK, 2018, p. 25). 8 UNIUBE Esses, por sua vez, auxiliam na compreensão e no desenvolvimento das competências linguísticas para uma melhor comunicação, seja oral ou escrita, nas diversas situações comunicativas, pois saber aplicar os conteúdos gramaticais com eficiência demonstra não só um nível culto, mas também demonstra nossa capacidade de produzir e construir significados que estão para além do que é materializado nos textos. De acordo com a estudiosa Inez Sautchuk (2018, p. 26), é o conhecimento dessa gramática “que comporta as regras essenciais constitutivas de sua identidade, possibilita que todo falante de uma língua ‘saiba’ construir frases e, com elas, expressar seus pensamentos”. Para o início desse estudo, então, é necessário o conhecimento das classes de palavras, isto é, a divisão elaborada a fim de que as palavras fossem estudadas isoladamente, desconsiderando-se a função que exercem dentro da frase ou da oração, com o objetivo de analisá-las por meio de seus aspectos semânticos (de sentido) e funcionais nas produções textuais e os efeitos de sentido que elas produzem na interação com os interlocutores. Classes de palavras1.3 As classes de palavras de uma língua são apresentadas na parte das gramáticas denominada morfologia. Sendo a gramática dividida, tradicionalmente, em fonética, morfologia e sintaxe, o estudo das classes de palavras pertence ao ramo da morfologia. Esta, por sua vez, estuda a estrutura e formação de palavras e as classes de palavras. UNIUBE 9 As palavras variáveis são as que sofrem flexão ou modificação em seu final como as desinências de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural) para algumas, como neste caso da palavra gato (Figura 1): Gat -o -a -o-s -a-s Figura 1: Gato. Fonte: Getty images. Acervo Uniube. A palavra é uma só, mas possui quatro “finais” ou terminações em suas ocorrências de uso ou funcionamento da língua. Não são, portanto, quatro palavras. As palavras invariáveis são fixas, não apresentam modificações em seu final, como no caso da palavra aqui, que permanece sempre nessa forma. Invariáveis • advérbio, preposição, conjunção, interjeição Variáveis • substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo Em português, existem dez classes de palavras, assim distribuídas: 10 UNIUBE 1.3.1 Palavras variáveis 1.3.1.1 Substantivo Tradicionalmente, substantivo é a palavra que designa os seres, entendidos estes como pessoas, animais e coisas, numa concepção concreta, e como ações, sentimentos, qualidades, estados, numa concepção abstrata. A palavra substantivo relaciona-se com substância. Designa, portanto, o ser, entidade dotada de uma substância existencial. O substantivo é, então, o nome de um ser. A importância dos substantivos Os substantivos, como sabemos, são palavras que designam os seres em geral, reais ou imaginários. Eles são responsáveis, na maioria das vezes, por indicar a coerência de um texto, indicando o assunto de que se trata a produção textual. É importante lembrar que, geralmente, os substantivos são os mais importantes em um texto, pois se no texto não tivesse substantivos, ele (o texto) estaria sem sentido ou teria sentido incompleto. Eles, associados a outras classes de palavras, articulam as ideias e as relações entre as formas linguísticas presentes no texto, indicando certo efeito de sentido que o produtor textual quer conferir à sua produção, produzindo, por exemplo, ironia, humor etc. AMPLIANDO O CONHECIMENTO Classificações do substantivo A tradição de estudos gramaticais expõe as seguintes classificações do substantivo: UNIUBE 11 Concreto: designa o ser que tem existência em si mesmo, própria, e não existente em outro ser. O substantivo concreto nomeia pessoas, animais e coisas. Abstrato: designa o ser que não possui existência em si mesmo ou independente, mas situações de concepção da razão (seres de razão). O substantivo abstrato nomeia, principalmente, qualidades, sentimentos, estados e ações. Aqui cabe uma explicação adicional, nem sempre compreendida pelas pessoas, inclusive por alguns estudiosos do idioma. Substantivo concreto não é sinônimo de seres reais. E substantivo abstrato não é sinônimo de seres irreais ou imaginários. Essa confusão é frequente nas escolas. O substantivo amor é abstrato, mas o amor é real, ele existe de fato, não é um ser apenas imaginário. E o substantivo saci é concreto, embora o saci seja apenas uma criação fictícia, um ser que não existe de fato. PESSOAS ANIMAIS COISAS homem, menino, criança, mulher, moço, José, Maria, Paulo. cão, gato, macaco, urso, boi, leão, gafanhoto. copo, cadeira, chave, livro, martelo, alçapão, garfo. QUALIDADES ESTADOS bondade, beleza, honestidade. Sentimentos: amor, ódio, alegria, tristeza. cansaço, magreza, pressa. Ações: corrida, soco, chute, beijo. 12 UNIUBE Comum: designa todos os seres de uma mesma espécie, ou uma abstração. Próprio: designa o indivíduo, um ser de uma espécie. Coletivo: é o substantivo comum que, morfologicamente palavra do singular, designa conjunto de seres de uma espécie. O substantivo coletivo, todavia, pode ter flexão de plural, quando designa mais de um coletivo, como arquipélagos, as constelações, as turmas. Alguns exemplos de substantivos coletivos: Arquipélago: ilhas. Banda: músicos. Cardume: peixes. Constelação: estrelas. Corja: velhacos, vadios, desordeiros. Esquadrilha: aviões. Fauna: animais de uma região ou país. Flora: vegetais de uma região ou país. Junta: bois, médicos, examinadores. Matilha: cães caçadores. Nuvem: gafanhotos. Prole: filhos. Quadrilha: ladrões. Turma: pessoas, alunos. Vara: porcos. AMPLIANDO O CONHECIMENTO COMUM menino, laranja, laranjeira, árvore, país, cidade, clima, aluno, alma, anjo, jornal, mão. COMUM Carlos, Rio de Janeiro, Brasil, Jornal do Comércio.PRÓPRIO UNIUBE 13 Flexão do substantivo O substantivo apresenta as flexões de gênero e de número. • Gênero Os gêneros são o masculino e o feminino. Em português não ocorrem substantivos do gênero neutro, como em algumas línguas, geralmente o latim e o grego. Particularidades genéricas Além das situações regulares de formação do gênero feminino, com a desinência -a, o substantivo possui as seguintes particularidades: a) Substantivo comum de dois – Possui uma só forma, sem flexão para o gênero masculino e para o feminino. A distinção entre os gêneros se faz pelos termos determinantes do substantivo, como o artigo, o adjetivo, o numeral. Exemplos: o colega estudioso / a colega estudiosa o pianista famoso / a pianista famosa o personagem estranho / a personagem estranha dois jovens bonitos / duas jovens bonitas Observação! O substantivo personagem é comum de dois, isto é, pode ser masculino ou feminino, conforme se refira a homem ou a mulher. “O personagem famoso” designa um homem. “A personagem famosa” designa uma mulher. 14 UNIUBE É comum vermos esse substantivo empregado sempre como sobrecomum,isto é, só no gênero feminino para se referir aos dois sexos. Errado. Até obras de estudos linguísticos ou literários adotam essa forma errada do feminino para designar homem ou mulher. Uma frase de uma questão de prova, por exemplo, como “qual é a personagem principal do romance?” significa que o professor elaborador da questão deseja que o aluno informe a personagem “mulher”, e não um personagem “homem”. A afirmação de que esse substantivo é só feminino é falsa, enganosa, pode até induzir o aluno a erro em questões de avaliações escolares. b) Substantivo sobrecomum – Possui um só gênero para os dois sexos. Atenção: o gênero é um só. Há substantivo só masculino e substantivo só feminino. Exemplos: • a criança (feminino): designa o ser do sexo masculino e o do feminino. • a testemunha (feminino): designa um homem ou uma mulher. • o cônjuge (masculino): designa o homem ou a mulher, no casamento. • o monstro (masculino): designa tanto um ser do sexo ou do gênero masculino quanto do feminino. Veja que não existe a forma feminina “monstra”!! c) Substantivo epiceno – É como o sobrecomum, mas designa apenas animais. Possui, portanto, um só gênero para os dois sexos. UNIUBE 15 Exemplos: • a onça (feminino): designa o macho e a fêmea. • a águia (feminino): designa o macho e a fêmea. • a cobra (feminino): designa o macho e a fêmea. • o jacaré (masculino): designa o macho e a fêmea. • o crocodilo (masculino): designa o macho e a fêmea. • o tatu (masculino): designa o macho e a fêmea. O gênero desses substantivos é determinado pelas palavras “macho” ou “fêmea”: o jacaré macho/o jacaré fêmea; a cobra macho/a cobra fêmea. d) Substantivo heterônimo – É um substantivo de um só gênero para designar o sexo masculino, e “outro” substantivo para designar o sexo feminino. Exemplos: • o homem /a mulher • o bode / a cabra • o cavalo / a égua • o carneiro / a ovelha • o boi / a vaca • o burro / a mula Outras particularidades Além das particularidades apresentadas, ocorrem outras situações de feminino dos substantivos, consideradas irregulares ou extravagantes. Exemplos: AMPLIANDO O CONHECIMENTO 16 UNIUBE • o poeta / a poetisa • o maestro / a maestrina • o imperador / a imperatriz • o embaixador / a embaixatriz (mulher do embaixador), a embaixadora (a titular da função) • o perdigão / a perdiz • o sacerdote / a sacerdotisa • o profeta / a profetisa • o bispo / a episcopisa • o papa / a papisa • o frade / a freira • o frei / a sóror • o marajá / a marani • o judeu / a judia Note que é errada a flexão do feminino “bispa”, muito frequente nos dias atuais devido à existência de mulheres que detêm esse título em certas religiões. • Número Os números são o singular e o plural. Além das situações regulares de formação do plural com a desinência -s, como em livro / livros, casa / casas, merece destaque a flexão de plural dos substantivos compostos, de largo emprego na língua oral e na escrita. a) Plural de substantivos compostos 1 – Substantivos compostos constituídos de dois substantivos, de um substantivo e de um adjetivo, de um adjetivo e de um substantivo, ligados por hífen: ambos os elementos flexionam-se no plural. UNIUBE 17 • couves-flores (substantivo + substantivo) • cirurgiões-dentistas (substantivo + substantivo) • amores-perfeitos (substantivo + adjetivo) • guardas-noturnos (substantivo + adjetivo) • guardas-civis (substantivo + adjetivo) • altos-relevos (adjetivo + substantivo) • terças-feiras (numeral adjetivo + substantivo) No caso de substantivo composto de dois substantivos em que o segundo determina o primeiro com ideia de finalidade ou semelhança, a tradição gramatical determina que somente o primeiro flexione-se no plural, embora livros didáticos e certas gramáticas permitam a flexão de ambos. Mas a flexão só do primeiro é a mais ortodoxa, sendo, portanto, a preferível. bananas-maçã escolas-modelo mangas-espada navios-escola palavras-chave pombos-correio 2 – Substantivos constituídos de elementos não ligados por hífen: só o segundo flexiona no plural. claraboias girassóis pontapés vaivéns 3 – Substantivos constituídos de verbo e substantivo: só o segundo elemento flexiona no plural. beija-flores furta-cores guarda-chuvas guarda-roupas pega-ladrões 18 UNIUBE 4 – Substantivos constituídos de dois substantivos ligados por preposição: só o primeiro flexiona no plural. pés de moleque pães de ló fogões a gás mulas sem cabeça Observação! Às vezes, a preposição é subentendida, ou ausente: horas-aula (de aula) mestres-escola (de escola) 5 – Substantivos constituídos de dois verbos antônimos, ou de verbo e advérbio, ligados por hífen: ambos permanecem invariáveis, ficando a noção de plural a cargo dos elementos determinantes desses substantivos. os bota-fora os leva-e-traz os perde-ganha os pisa-mansinho 6 – Substantivos constituídos de palavras onomatopaicas: só o último elemento flexiona no plural. reco-recos tico-ticos tique-taques bem-te-vis 7 – Substantivos compostos cujo primeiro elemento é constituído de palavra invariável: só o segundo elemento flexiona no plural. ex-diretores sempre-vivas vice-presidentes alto-falantes (note que “alto”, neste caso, é advérbio, palavra invariável) abaixo-assinados UNIUBE 19 b) Plural dos diminutivos Os substantivos no grau diminutivo sofrem flexão de plural de modo peculiar. A flexão apresenta as seguintes situações: • Ocorre apenas no final da palavra, como nas formas primitivas. Exemplos: ÁRVORE: árvore-s > arvore-zinha-s PÉ: pé-s > pe-zinho-s • Ocorre em duas posições da palavra: no meio e no final. Para os substantivos terminados em -r, a letra -e da desinência -es fica após a palavra primitiva, antes do sufixo, e a letra -s vai para o final da palavra, depois do sufixo. TRATOR: trator-es > trator-e-zinho-s MOTOR: motor-es > motor-e-zinho-s MULHER: mulher-es > mulher-e-zinha-s BAR: bar-es > bar-e-zinho-s Prefixo e sufixo são morfemas que se juntam às palavras a fim de formar novas palavras. Ambos são, na verdade, afixos. O nome prefixo ou sufixo é dado dependendo do lugar que ocupam na palavra. Ou seja, se estiver antes do radical, é prefixo, mas se estiver depois do radical, é sufixo. Morfema: menor unidade de uma palavra que possui significado. EXPLICANDO MELHOR 20 UNIUBE Se a letra S for parte da palavra primitiva no singular, e não a desinência de plural, permanece essa letra S no seu lugar próprio do radical primitivo, e não é substituída pela letra Z, consoante de ligação. Exemplos: pires > pires-inho, pires-inho-s lápis > lapis-inho, lapis-inho-s Note que, aqui, não ocorre a consoante de ligação -z- antes do sufixo -inho. A letra S de “pires” e de “lápis” é parte da palavra primitiva, e não desinência de plural. Para os substantivos terminados em -ão, o processo é o mesmo: apenas a letra -s vai para o final da palavra, depois do sufixo. As letras dos ditongos -ão, -ãe, -õe permanecem na ou após a palavra primitiva, antes do sufixo. Irmão: irmão-s > irmão-zinho-s pão: pã-es > pã-e-zinho-s coração: coraç-ões > coraç-õe-zinho-s limão: lim-ões > lim-õe-zinho-s Para os substantivos terminados em -L, a letra -i da desinência -is fica após a palavra primitiva, antes do sufixo, e a letra -s vai para o final da palavra, depois do sufixo. jornal: jorna-is > jorna-i-zinho-s móvel: móve-is > move-i-zinho-s papel: papé-is > pape-i-zinho-s UNIUBE 21 1.3.1.2 Adjetivo Adjetivo é a palavra que indica qualidade, estado, característica, aspecto, modo de ser do substantivo. Sua acepção primordial é de modificação do substantivo. Exemplos: livro novo casa nova cidade grande menina bonita carro branco rua estreita conta errada Sintaticamente, o adjetivo é o determinante do substantivo e com ele concorda, podendo, portanto, palavras de outras classes gramaticais funcionarem como adjetivo. Exemplos: dois livros (numeral) duas revistas (numeral) uns livros (artigoindefinido) umas revistas (artigo indefinido) estes livros (pronome) meus filhos (pronome) 22 UNIUBE Classificação do adjetivo O adjetivo pode ser restritivo ou explicativo. Um caso de uso necessário do adjetivo explicativo pode ser notado no conhecido provérbio água mole em pedra dura tanto bate até que fura. ADJETIVO Restritivo Explicativo RESTRITIVO EXPLICATIVO • indica aspecto acidental do substantivo. É o adjetivo propriamente dito, no uso diário da linguagem, como nos exemplos citados no conceito de adjetivo. • Ex.: livro novo, casa nova, cidade grande, menina bonita, carro branco. • indica aspecto essencial ou inerente ao substantivo. Seu uso é restrito, portanto, aos casos de necessidade de clareza na comunicação, constituindo uma forma de pleonasmo: • Ex.: gelo frio, fogo quente, água mole, pedra dura. UNIUBE 23 Flexão do adjetivo O adjetivo, assim como o substantivo, apresenta flexão em gênero e número. • Gênero Na situação de noção de gênero, o adjetivo pode ser biforme e uniforme. Biforme: o feminino é formado pelo acréscimo de desinências, especialmente e com maior índice de ocorrência a desinência -a. novo(a) / casa nova bonito(a) / menina bonita limpo(a) / roupa limpa hospitaleiro(a) / cidade hospitaleira Uniforme: o adjetivo permanece invariável em gênero. menina inteligente mulher elegante pessoa feliz atitude louvável • Número Nas situações de flexão de número, merece destaque o plural dos adjetivos compostos nos seguintes principais casos: 1 – Adjetivos compostos formados de dois ou mais adjetivos: só o último elemento flexiona no plural. camisas amarelo-claras clínicas médico-cirúrgicas 24 UNIUBE nações latino-americanas conferências luso-brasileiras conferências luso-franco-brasileiras reações físico-químicas Note que, neste caso, a flexão só do último elemento é dupla, isto é, flexão de número e de gênero. Em “conferências luso-franco-brasileiras”, só o elemento “brasileiras” é que se flexiona no plural e no feminino, ficando os anteriores na forma invariável masculina. 2 – Adjetivos compostos constituídos de adjetivo e substantivo: ambos os elementos permanecem invariáveis. camisas verde-água saias vermelho-sangue blusas amarelo-limão paredes azul-piscina Graus do adjetivo Um aspecto das noções gramaticais do adjetivo são os graus, conhecidos como comparativo e superlativo, merecendo destaque, neste estudo, o grau superlativo e suas subdivisões. a) Superlativo relativo De superioridade: o mais...de. Ex.: João é o mais estudioso dos alunos. De inferioridade: o menos...de. Ex.: João é o menos estudioso dos alunos. UNIUBE 25 b) Superlativo absoluto Analítico: forma-se com o acréscimo de palavras com o sentido de intensidade: muito, excessivamente. Aquele prédio é muito alto. O aluno foi excessivamente elogiado. Aquele homem é muito pobre. O exercício é muito fácil. Suas palavras foram muito doces. Sintético: forma-se com o acréscimo dos sufixos -íssimo, -rimo, -imo. Aquele prédio é altíssimo. O aluno foi elogiadíssimo. Aquele homem é paupérrimo. O exercício é facílimo. Suas palavras foram dulcíssimas. O grau superlativo absoluto sintético constitui um dos aspectos de domínio da língua culta ou da norma padrão em português, pois grande parte dos adjetivos nesse grau são formados a partir do radical em latim, e não em português. São os chamados superlativos absolutos sintéticos eruditos. Essa situação é traço apenas da variante culta da língua. Sua modificação ou adulteração decorre de ignorância do usuário da língua quanto à norma padrão de uso do idioma. É o que ocorre com alguns adjetivos, especialmente com o superlativo do adjetivo magro: macérrimo. Na sociedade, é comum ouvir-se a palavra “magérrimo”, pronunciada por pessoas cultas, como apresentadores e locutores de televisão, atores, professores universitários, palestrantes. Pessoas mais simples, por sua vez, ouvem os doutoress pronunciarem essa forma errada e a adotam como correta. 26 UNIUBE A forma erudita provém do adjetivo magro em latim: macer. Com o acréscimo do sufixo formador do grau superlativo -rimo, formou-se o adjetivo macérrimo. A pronúncia “magérrimo” não se justifica por se tratar de palavra erudita, e não vulgar. Portanto, se se pretende usar o superlativo absoluto sintético do adjetivo “magro” na forma vulgar, deve-se falar magríssimo, forma correta, e não a forma ridícula e errada “magérrimo”. São, portanto, dois superlativos, um vulgar, magríssimo, e outro erudito, macérrimo. A forma “magérrimo” simplesmente não existe, pois não deriva nem do adjetivo “magro”, em português, nem do adjetivo “macer”, em latim. Então, “magérrimo” não provém de radical primitivo nenhum, nem do português, nem do latim. A título de informação, mencionamos os seguintes adjetivos no grau superlativo absoluto sintético erudito: agudo: acutíssimo amargo: amaríssimo áspero: aspérrimo benéfico: beneficentíssimo benévolo: benevolentíssimo célebre: celebérrimo comum: comuníssimo cristão: cristianíssimo cruel: crudelíssimo doce: dulcíssimo fácil: facílimo fiel: fidelíssimo humilde: humílimo incrível: incredibilíssimo íntegro: integérrimo UNIUBE 27 livre: libérrimo magro: macérrimo magnífico: magnificentíssimo maléfico: maleficentíssimo malévolo: malevolentíssimo negro: nigérrimo nobre: nobilíssimo pessoal: personalíssimo pobre: paupérrimo sábio: sapientíssimo sagrado: sacratíssimo 1.3.1.3 Artigo Esta classe é mencionada neste estudo apenas como informação, pois seu emprego é natural e espontâneo na sociedade falante, restando raros casos de emprego estilístico ou regional. Sua característica principal é a de acompanhar e preceder o substantivo: AR TI G O S DEFINIDOS INDEFINIDOS O, A, OS, AS. UM, UMA, UNS, UMAS. o livro, um livro, a casa, uma casa, os livros, umas casas O artigo classifica-se em: