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DIREITO PENA: INTRODUÇÃO 
Prof.Esp.: Raphael Perdigão Costa Araújo
ERRO
Tipos de ERRO:
ERRO DE TIPO: Recai sobre uma situação fática/ ERRO SOBRE ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO  Exclui o fato típico 
Erro de Tipo Essencial (art. 20, caput, CP)
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Dolo / Culpa
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Dolo / Culpa
Erro Acidental  Dolo / Culpa
Erro sobre o objeto (in objecto)
Erro sobre a pessoa (in persona) (art. 20, § 3, CP)
Erro na execução (aberratio ictus) (art. 73, CP)  erro de pessoa para pessoa (erro de pontaria)
Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) (art. 74, CP)  erro de coisa para pessoa
Erro sobre o curso causal (aberratio causa)  hipótese de dolo geral 
ERRO DE PROIBIÇÃO: Recai sobre os limites ou existência de uma causa de justificação/ RECAI SOBRE A CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE DO FATO  Exclui a Culpabilidade 
Erro de Proibição Direto - CONTEÚDO PROIBITIVO DE UMA NORMA PENAL (art. 21, CP): O agente tem absoluta certeza de que sua conduta é lícita, embora seja ilícita. O erro recai sobre o CONTEÚDO de uma norma proibitiva.
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Afasta a potencial consciência da ilicitude do fato (afasta a culpabilidade) e Isenta de pena
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Pena diminuída de 1/6 a 1/3
Erro de Proibição Indireto – EXISTENCIA OU LIMITES DA PROPOSIÇÃO PERMISSIVA (excludentes de ilicitudes): O agente acredita estar agindo amparado por uma excludente de ilicitude. O erro recai sobre a EXISTÊNCIA e os LIMITES de uma norma permissiva.
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Afasta a potencial consciência da ilicitude do fato (afasta a culpabilidade) e Isenta de pena
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Pena diminuída de 1/6 a 1/3
Erro de Proibição Mandamental: É o que se dá nos crimes omissivos, próprios ou impróprios. Recai sobre norma mandamentais (crimes omissivos)
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Afasta a potencial consciência da ilicitude do fato (afasta a culpabilidade) e Isenta de pena
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Pena diminuída de 1/6 a 1/3
ERRO DE TIPO PERMISSIVO: Descriminantes Putativos (descriminantes do art. 23, CP)  Erro sobre os pressupostos de fato de uma descriminante (Art. 20, § 1º, CP): fato não existe 
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Dolo / Culpa
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Dolo / Culpa
ERRO
Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
§ 1º É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.
§ 2º Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
§ 3º O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
ERRO
CONCEITO DE ERRO E SUA DISTINÇÃO DA IGNORÂNCIA:
O erro é a falsa representação da realidade ou o falso ou equivocado conhecimento de um objeto (é um estado positivo). Conceitualmente, o erro difere da ignorância: esta é a falta de representação da realidade ou o desconhecimento total do objeto (é um estado negativo).
Não obstante essa distinção, o erro e a ignorância são tratados de forma idêntica pelo Direito Penal, sendo também idênticos os seus efeitos.
ERRO
ERRO DE TIPO:
CONCEITO: Entende-se por erro de tipo aquele que recai sobre as elementares, circunstâncias ou qualquer dado que se agregue à determinada figura típica, ou ainda aquele que incide sobre os pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados secundários da norma penal incriminadora.
HÁ UMA FALSA PERCEPÇÃO DA REALIDADE
Segundo Wessels, ocorre um “erro de tipo quando alguém não conhece, ao cometer o fato, uma circunstância que pertence ao tipo legal. O erro de tipo é o reverso do dolo do tipo: quem atua ‘não sabe o que faz’, falta-lhe, para o dolo do tipo, a representação necessária.”.
Quando o agente tem essa “falsa representação da realidade”, falta-lhe, na verdade, a consciência de que pratica uma infração penal e, dessa forma, resta afastado o dolo que, como vimos, é a vontade livre e consciente de praticar a conduta incriminada. 
No conhecido exemplo do caçador que atira contra um arbusto, durante um safári, supondo que ali se encontrava um animal, vindo, contudo, a causar a morte de seu companheiro, na verdade, o agente erra no que diz respeito à elementar “alguém”, prevista no art. 121 do Código Penal.
O agente, como se percebe, não tinha vontade de causar a morte de seu semelhante, tampouco tinha a consciência de que matava alguém. Sem vontade e sem consciência, não se pode falar em dolo. Embora não possa o agente responder pelo delito a título de dolo, sendo inescusável o erro, deverá, nos termos da segunda parte do art. 20 do Código Penal, ser responsabilizado a título de culpa, se houver previsão legal para tanto.
O erro de tipo se configura a partir dos elementos objetivos do tipo penal, e não dos elementos subjetivos.
São exemplos clássicos de erro de tipo: quando o agente toma coisa alheia como própria; relaciona-se sexualmente com vítima menor de 14 anos, supondo-a maior; contrai casamento com pessoa já casada, desconhecendo o matrimônio anterior; apossa-se de coisa alheia, acreditando tratar-se de res nullius; atira em alguém imaginando ser um animal; deixa de agir por desconhecer sua qualidade de garantidor; tem relações sexuais com alguém supondo-se curado de doença venérea.
ERRO
ERRO DE TIPO ESSENCIAL E ERRO ACIDENTAL:
Ocorre o erro de tipo essencial quando o erro do agente recai sobre elementares, circunstâncias ou qualquer outro dado que se agregue à figura típica. O erro de tipo essencial, se inevitável, afasta o dolo e a culpa; se evitável, permite seja o agente punido por um crime culposo, se previsto em lei.
O erro acidental, ao contrário do essencial, não tem o condão de afastar o dolo (ou o dolo e a culpa) do agente, e, na lição de Aníbal Bruno, “não faz o agente julgar lícita a ação criminosa. Ele age com a consciência da antijuridicidade do seu comportamento, apenas se engana quanto a um elemento não essencial do fato ou erra no seu movimento de execução.”.
Diferença:
No erro de tipo essencial: O agente não quer praticar determinada conduta descrita em tipo penal. Contudo, a pratica sem saber que a está praticando. O erro ocorre na consciência da conduta praticada, que no caso não existe. Por isso que nesse caso nunca existe o dolo. (Se avisado do erro, o agente pararia de agir criminalmente).
No erro de tipo acidental: O agente quer praticar determinada conduta descrita em lei como tipo penal e a pratica, sabendo que pratica crime. Todavia, erra sobre o desfecho de sua conduta. Por isso que nesse caso haverá o dolo. (Quando avisado do erro, o agente corrige os caminhos ou sentido da conduta para continuar a agir de forma ilícita) 
ERRO
CONSEQUÊNCIAS DO ERRO DE TIPO:
O ERRO DE TIPO ESSENCIAL, afastando a vontade e a consciência do agente, exclui sempre o dolo. Entretanto, há situações em que se permite a punição em virtude de sua conduta culposa, se houver previsão legal. Podemos falar, assim, em: 
A) erro de tipo invencível (escusável, justificável, inevitável) e 
B) erro de tipo vencível (inescusável, injustificável, evitável).
Ocorre o erro de tipo invencível quando o agente, nas circunstâncias em que se encontrava, não tinha como evitá-lo, mesmo tomando todas as cautelas necessárias. É o erro em que qualquer um incorreria se estivesse diante das circunstâncias em que ele se encontrava. Nesse caso, sendo invencível o erro, afasta-se o dolo, bem como a culpa, deixando o fato, portanto, de ser típico.
Tem-se como evitável o erro, como já visto, nos casos em que ele seja consideradoinescusável, isto é, naquelas situações em que, se o agente tivesse atuado com a diligência exigida, poderia ter evitado o resultado. Sendo evitável o erro, embora o agente não responda pelo resultado a título de dolo, posto que este sempre restará afastado pela ausência de vontade e consciência, poderá ser-lhe atribuído a título de culpa, se houver previsão legal para esta modalidade de conduta.
Concluindo, o erro de tipo invencível, afastando o dolo e a culpa, elimina a própria tipicidade, haja vista a ausência dos elementos de natureza subjetiva, necessários à sua configuração; se for vencível o erro, embora sempre reste afastado o dolo, será possível a punição pela prática de um crime culposo, se previsto em lei.
ERRO
Poderá o ERRO ACIDENTAL ocorrer nas seguintes hipóteses:
a) erro sobre o objeto (error in objecto);
b) erro sobre a pessoa (error in persona) – art. 20, § 3º, do Código Penal;
c) erro na execução (aberratio ictus) – art. 73 do Código Penal;
d) resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) – art. 74 do CP;
e) erro sobre o curso causal (aberratio causae).
Fala-se nas hipóteses de erro sobre o objeto quando o agente, tendo vontade e consciência de praticar uma conduta que sabe ser penalmente ilícita, agindo, v.g., com animus furandi, subtrai uma pulseira que, para ele, supunha-se ouro, quando, na realidade, não passava de mera bijuteria, forjada com latão. Aqui, como dissemos, o agente tinha vontade e consciência de praticar a subtração, ou seja, dirigiu finalisticamente sua conduta no sentido de cometer um delito de furto. Equivocou-se, contudo, no caso sub examen, quanto ao valor que era atribuído ao bem, o que nada influencia na definição jurídica do fato.
O erro sobre a pessoa vem previsto no § 3º do art. 20 do Código Penal, assim redigido: § 3º O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima (vítima real), senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime (vítima virtual).
Como se dessume da leitura do § 3º do art. 20 do Código Penal, é acidental o erro sobre a pessoa porque, na verdade, o agente não erra sobre qualquer elementar, circunstâncias ou outro dado que se agregue à figura típica. O seu erro cinge-se, especificamente, à identificação da vítima, que em nada modifica a classificação do crime por ele cometido.
Se o agente, volitiva e conscientemente, queria causar a morte de seu pai e, devido ao fato de ter-se colocado à espera da vítima em local ermo, causa a morte de um estranho que por ele fora confundido com o seu ascendente, ainda assim permanecerá íntegro o seu dolo de matar alguém.
Vimos, anteriormente, que o erro de tipo essencial tem uma finalidade precípua, qual seja, a de afastar o dolo. No erro sobre a pessoa, o dolo do tipo existe. Somente por erro do agente atinge-se pessoa diversa daquela que deveria ter sido atingida. Em tais casos, como determina o mencionado § 3º, não se consideram as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
Se queria matar o próprio pai e acabou causando a morte de seu vizinho por confundi-lo com aquele, responderá como se tivesse ocasionado a morte de seu ascendente. Há, uma substituição das pessoas que se viram envolvidas no fato.
ATENÇÃO:
Erro sobre o objeto: O agente responde pelo crime levando-se em consideração a coisa efetivamente atingida  TEORIA DA CONCRETIZAÇÃO.
Erro sobre a pessoa: O agente responde pelo crime levando-se em conta as condições ou qualidades da vítima virtual  TEORIA DA EQUIVALÊNCIA.
ERRO
A aberratio ictus (erro na execução) e a aberratio criminis (resultado diverso do pretendido), previstas, respectivamente, nos arts. 73 e 74 do Código Penal, também são apontadas pela doutrina como espécies de erro acidental.
Fala-se em ABERRATIO ICTUS quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa. Aqui, aplica-se a regra do § 3º do art. 20 do Código Penal, relativa ao erro sobre a pessoa, respondendo como se tivesse atingido a vítima que pretendia ofender. No caso de também ser atingida a pessoa que o agente pretendia, será aplicada a regra relativa ao concurso formal de crimes (art. 70). Na aberratio ictus, o erro ocorre de pessoa para pessoa (erro de pontaria).
É o caso do agente que, querendo causar a morte de seu desafeto, atira contra ele e, errando o alvo, fere ou mata outra pessoa que passava por aquele local. Nesse caso, devemos fazer a substituição da pessoa que fora atingida por aquela que deveria sê-lo. Se ambos são atingidos, será aplicada a regra do concurso formal (art. 70 do CP).
ATENÇÃO: No erro sobre a execução (aberratio ictus)  de pessoa para pessoa, por mais que tenha o mesmo efeito do erro sobre a pessoa, são erros diferentes. 
Art. 73. Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
Ocorrerá a ABERRATIO CRIMINIS quando, fora dos casos do art. 73, CP, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevier resultado diverso do pretendido. O agente responderá por CULPA se o fato for previsto como crime culposo; se ocorrer também o resultado pretendido, será aplicada a regra do concurso formal de crimes (art. 70). Aqui, ao contrário da aberratio ictus e nos termos da primeira parte do art. 73, o erro deverá incidir de coisa para pessoa. 
É o caso, por exemplo, daquele que, visando a destruir uma vitrine, arremessa uma pedra contra ela e, por erro, não acerta o alvo, mas atinge uma pessoa. Responderá, nessa hipótese, pelo delito de lesões corporais de natureza culposa, ficando afastada a sua responsabilidade no que diz respeito à tentativa de dano.
ATENÇÃO: No aberratio criminis ou resultado diverso do pretendido o agente queria atingir coisa e atingiu pessoa, ou queria atingir pessoa e atingiu coisa.  DICA: FOCAR SEMPRE NA PESSOA E ESQUECER A COISA.
Queria atingir vidraça, mas atingiu pessoa  lesão culposa;
Queria atingir pessoa, mas atingiu vidraça  lesão tentada
Art. 74. Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por CULPA, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Pode acontecer, por fim, a hipótese de que a aberração esteja na causa do resultado, havendo, segundo Luiz Flávio Gomes, um erro sobre o Nexo Causal ou aberratio causae. É a hipótese daquele que, almejando matar a vítima por afogamento, a arremessa do alto de uma ponte, vindo esta, contudo, depois de chocar-se com o pilar central, a falecer por traumatismo craniano. Incluem-se, também, nas hipóteses de aberratio causae as situações em que ocorre o chamado dolo geral. Assim, no exemplo, depois de estrangular a vítima, o autor, crendo que ela está morta, enforca-a para simular um suicídio; todavia, fica comprovado que a vítima na verdade morreu em razão do enforcamento. Responde por um só homicídio doloso consumado.
ERRO
ERRO DE TIPO PERMISSIVO: Erro quanto as Descriminantes Putativas
Descriminar quer dizer transformar o fato em um indiferente penal. Ou seja, para a lei penal, o fato cometido pelo agente não é tido como criminoso, uma vez que o próprio ordenamento jurídico-penal permitiu que o agente atuasse da maneira como agiu.
As causas legais que afastam a ilicitude (ou antijuridicidade ou descriminantes) da conduta do agente, fazendo que se torne permitida ou lícita, encontram-se previstas no art. 23 do estatuto repressivo. São elas: a legítima defesa, o estado de necessidade, o estrito cumprimento de dever legal e o exercício regularde direito.
Quando falamos em putatividade, queremos nos referir àquelas situações imaginárias que só existem na mente do agente. Somente o agente acredita, por erro, que aquela situação existe.
Conjugando as descriminantes previstas no art. 23 do Código Penal com a situação de putatividade, isto é, aquela situação imaginária que só existe na mente do agente, encontramos as chamadas descriminantes putativas.
Quando falamos em descriminantes putativas, estamos dizendo que o agente atuou supondo encontrar-se em legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento de dever legal ou em exercício regular de direito.
Exemplos:
A é ameaçado de morte por B. Durante a madrugada, A encontra-se com B, que leva a mão à cintura, dando a impressão de que sacaria uma arma. A, imaginando que seria morto por B, saca o seu revólver e atira contra este último, matando-o. Na verdade, B não estava armado, e somente havia levado a mão à cintura com a finalidade de retirar um maço de cigarros que se encontrava no bolso de sua calça. Não havia qualquer agressão injusta por parte de B que justificasse a repulsa de A. A situação de legítima defesa somente existia na cabeça do agente. Dessa forma, conclui-se pela legítima defesa putativa.
Um morador da zona rural, não acostumado com os avanços tecnológicos, é levado, pela 1ª vez, a um cinema cujas imagens geradas na tela são em terceira dimensão, dando a impressão de que estão acontecendo muito próximas aos espectadores. Iniciada a sessão, a primeira imagem que surge na tela é a de um leão faminto, que parte em direção à plateia. Assustado e realmente acreditando que o referido animal estava vivo e que iria ataca-lo, em virtude da perfeição das imagens geradas em terceira dimensão, o agente, de forma desesperada, coloca-se em fuga, ferindo as pessoas que estavam ao seu lado. Para o agente, havia uma situação de perigo que justificava sua conduta, podendo-se falar, então, no chamado estado de necessidade putativo.
Um policial, imaginando prender a pessoa contra a qual fora expedido um mandado de prisão, efetua a prisão de seu irmão gêmeo, agindo, assim, em estrito cumprimento de dever legal putativo.
Merece destaque, ainda, como exemplo concreto de legítima defesa putativa, o fato que ocorreu com o Cabo Albarello, do Batalhões de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro, quando, na manhã do dia 19 de maio de 2010, ao incursionar, fazendo parte de uma patrulha, por uma comunidade carente do Rio de Janeiro, localizada no bairro do Andaraí, deparou-se com uma pessoa que parecia empunhar uma submetralhadora, quando, na verdade, tratava-se de uma furadeira. Naquele momento de tensão, acostumado aos confrontos que, constantemente, eram travados com traficantes locais, o policial militar não hesitou e disparou em direção ao suposto agressor, matando-o. O cabo Albarello, embora denunciado pelo MP, veio a ser absolvido sumariamente, uma vez ter ficado constatado o erro plenamente justificável pelas circunstâncias que, de acordo com a primeira parte do § 1º do art. 20, CP, conduz à isenção de pena e, consequentemente, de acordo com o art. 415, IV, CPP, à sua absolvição.
ERRO
Efeitos do erro de tipo permissivo:
Como qualquer erro, aqueles ocorridos numa situação de putatividade podem ser considerados escusáveis ou inescusáveis.
Nos termos do art. 20, § 1º, do Código Penal, o erro plenamente justificável pelas circunstâncias, ou seja, o erro escusável, isenta o agente de pena. Sendo inescusável, embora tenha agido com dolo, será ele responsabilizado como se tivesse praticado um delito culposo.
Num restaurante, Raimundo se encontra assentado numa cadeira localizada bem em frente ao banheiro masculino. De repente, Alfredo, conhecido na região como pessoa violenta, levanta-se bruscamente do local em que se encontrava, também no interior do mesmo restaurante, e vai em direção ao banheiro, onde Raimundo se encontrava próximo. Imaginando que seria agredido por Alfredo, uma vez que este partira em sua direção, Raimundo saca o seu revólver e o mata. Pergunta-se: Havia, nas circunstâncias em que o agente se encontrava, algum motivo que levasse a crer que Raimundo seria realmente agredido por Alfredo? Nesse exemplo, entendemos ser negativa a resposta, e como consequência lógica podemos concluir que o erro em que incorreu Raimundo não era justificado pelas circunstâncias, sendo, portanto, considerado vencível, inescusável, razão pela qual deverá o agente responder pelo resultado morte a título de culpa, embora tenha atuado com dolo.
Como vimos anteriormente, aqui reside a chamada CULPA IMPRÓPRIA, que ocorre justamente nas hipóteses em que o agente atua com dolo, mas responde como se tivesse cometido um delito culposo. Então, no último exemplo, será aplicada a segunda parte do § 1º do art. 20 do CP, que diz: Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.
ERRO
Para que se tenha um erro de tipo, nas hipóteses de descriminantes putativas, é preciso que o agente erre, como diz o § 1º do art. 20 do Código Penal, sobre uma situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Concluindo: somente quando o agente tiver uma FALSA PERCEPÇÃO DA REALIDADE no que diz respeito à situação de fato que o envolvia, levando-o a crer que poderia agir amparado por uma causa de exclusão da ilicitude, é que estaremos diante de um ERRO DE TIPO. 
Contudo, em algumas hipóteses o erro do agente pode RECAIR SOBRE A EXISTÊNCIA OU MESMO SOBRE OS LIMITES DE UMA CAUSA DE JUSTIFICAÇÃO. Nesse caso, o problema não se resolve como erro de tipo, mas, sim, como ERRO DE PROIBIÇÃO, previsto no art. 21 do CP.
Pode acontecer, entretanto, que um pai, imaginando poder agir em defesa da honra de sua filha, encontre e mate o agente que a havia estuprado. Nesse exemplo, o pai da vítima estuprada não erra sobre situação de fato qualquer. Erra, sim, no que diz respeito à própria existência, naquele caso específico, de poder agir legitimamente na defesa de sua filha, causando a morte do estuprador. Aqui, não se cuida de erro de tipo, mas, sim, de erro de proibição, que, dependendo da hipótese a ser analisada, poderá afastar, se escusável, a potencial consciência da ilicitude do fato e, por conseguinte, a culpabilidade do agente, isentando-o de pena; se inescusável, terá sua pena diminuída de um sexto a um terço, conforme preceitua a parte final do caput do art. 21, CP.
ERRO
ERRO DE PROIBIÇÃO:
No Erro de Proibição, o agente sabe perfeitamente a conduta que pratica. Contudo, por razões de educação e cultura, acredita que sua conduta é permitida quando na verdade, é proibida.
Erro sobre o caráter de proibição da conduta.
É achar que está fazendo algo certo ou não proibido.
Recai sobre os limites ou existência de uma causa de justificação/RECAI SOBRE A CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE DO FATO  EXCLUI A CULPABILIDADE.
O ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO EXCLUI A CULPABILIDADE POR NÃO TER POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE.
Art. 21. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 
ERRO
Consequências:
Escusável/invencível/justificável/inevitável  Afasta a potencial consciência da ilicitude do fato (afasta a culpabilidade) e Isenta de pena
Inescusável/vencível/injustificável/evitável  Pena diminuída de 1/6 a 1/3
Na ocorrência do erro de proibição inevitável, deste deve-se excluir a culpabilidade, em razão da FALTA DE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE, e, na ocorrência de erro de proibição evitável, deve-se, obrigatoriamente, atenuar a pena.
ATENÇÃO: O simples desconhecimento da lei não configura erro de proibição, mas circunstancia atenuante (Art. 65, II, CP).
ERRO
Tipos: 
Erro de proibição direto (CONTEÚDO PROIBITIVO DE UMA NORMA PENAL): Desconhecimento dailicitude. O agente se equivoca quanto ao conteúdo de uma norma proibitiva. Ou ignora a existência do tipo incriminador, ou não conhece completamente o seu conteúdo, ou não entende o seu âmbito de incidência (sujeito não sabe o que é proibido). Ex: Holandês, habituado a consumir maconha no seu país de origem, acredita ser possível utilizar a mesma droga no Brasil.
Erro de proibição indireto (EXISTENCIA ou LIMITES da causa de justificação): O agente sabe que a conduta é típica, mas imagina presente uma norma permissiva, ora supondo existir uma causa excludente da ilicitude (descriminantes putativos por erro de proibição) Ex.: indivíduo que acha que pode matar a esposa que o traiu alegando a legítima defesa da honra (o que não existe no ordenamento jurídico pátrio). Ora supondo estar agindo nos limites da descriminante (sujeito sabe que é proibido, mas acredita estar acobertado por uma excludente). Ex: Um cidadão americano, vem para o Brasil de férias, trazendo cigarros de maconha. Está ciente que mesmo em seu país o consumo da substancia não é amplamente permitido, mas como possui câncer em fase avançado, possui receita médica emitida por especialista americano para utilizar substância que possuem THC. Ao passar pelo controle policial no aeroporto, é detido pelo crime de tráfico de drogas. Nesse caso, se classificaria como um Erro de proibição indireto; Ou o indivíduo acredita que pode atirar 10 vezes em legítima defesa, quando apenas 1 tiro era, na situação, suficiente para repelir a injusta agressão.
Mandamental: O erro recai sobre o conhecimento uma norma mandamental (que impõe um determinado comportamento). Pode ocorrer nos crimes omissivos próprios ou impróprios (o agente conhece a situação fática, mas acha que não está obrigado, por lei, a agir). 
ERRO
O ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO recai sobre seu comportamento, o agente acredita sinceramente que sua conduta é lícita. Pense, por exemplo, turista que trazia consigo maconha para consumo próprio, pois em seu país era permitido tal uso. 
Já o ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO se dá quando o agente supõe que sua ação, ainda que típica, é amparada por alguma excludente de ilicitude. Pode ocorrer em duas situações, quais sejam: 
1. Quanto à EXISTÊNCIA: o agente supõe presente uma causa que está ausente. Exemplo pode-se citar o caso de alguém que, sendo credor de outrem, entende que pode ir à casa deste pegar o dinheiro devido, sendo certo que tal atitude configura crime de Exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 CP).
2. Quando aos LIMITES: o agente pratica o fato porém desconhece seus limites, como por exemplo, João ameaça José, este por sua vez vai à sua casa, pega a arma e mata João. Se enganou, pois pensou que a legítima defesa poderia se dar em relação a mal futuro. Desconhecia José que a referida excludente de ilicitude se refere à agressão atual e iminente. 
MANDAMENTAL: O erro recai sobre o conhecimento uma norma mandamental (que impõe um determinado comportamento). Pode ocorrer nos crimes omissivos próprios ou impróprios (o agente conhece a situação fática, mas acha que não está obrigado, por lei, a agir). 
ERRO
AS DESCRIMINANTES PUTATIVAS E AS TEORIAS EXTREMADA (ESTRITA) E LIMITADA DA CULPABILIDADE:
Para a TEORIA LIMITADA – ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO:
Se o erro do agente vier a recair sobre uma situação fática, estaremos diante de um erro de tipo, que passa a ser denominado ERRO DE TIPO PERMISSIVO; 
Caso o erro do agente não recaia sobre uma situação de fato, mas sim sobre os limites ou a própria existência de uma causa de justificação, o erro passa a ser, agora, o ERRO DE PROIBIÇÃO.
Raciocinemos com o seguinte exemplo: Durante a madrugada, o morador de uma casa escuta o barulho de alguém pulando o seu muro e, assustado, uma vez que seu bairro é conhecido pela habitualidade com que ocorrem assaltos a residências, pega sua arma e dirige-se ao local onde surgiu o barulho. Lá chegando, percebe a presença de um vulto já no seu quintal e, imaginando que seria assaltado, atira contra o que pensava ser um criminoso, quando, na verdade, acaba causando a morte de seu próprio filho que estava chegando naquela hora e havia esquecido as chaves. Nesse exemplo, o agente supunha estar agindo em legítima defesa, pois acreditava que a sua família e seus bens seriam objeto de agressão por parte daquele que acabara de violar sua residência. O agente errou, como se percebe, sobre a situação de fato que o envolvia, agindo, assim, em legítima defesa putativa. No caso em exame, como o erro do agente incidiu sobre uma situação fática, nos termos da teoria limitada da culpabilidade, adotada pelo nosso Código Penal, estaríamos diante de um erro de tipo.
Suponhamos, agora, que um pacato morador de uma pequena e distante cidade localizada na zona rural tenha a sua filha estuprada. Imaginando agir em defesa da honra de sua filha, bem como da honra de sua família, vai à procura do estuprador, e o mata. O agente não errou sobre situação de fato alguma. O fato era verdadeiro, ou seja, sua filha havia sido realmente estuprada. O agente erra porque supõe agir amparado pela excludente da legítima defesa da honra. O seu erro, adotando-se a teoria limitada da culpabilidade, será o de proibição, e não erro de tipo. 
De maneira oposta, a TEORIA EXTREMADA da culpabilidade – ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO – todas essas hipóteses são consideradas como erro de proibição.
ERRO
DELITO PUTATIVO POR ERRO DE TIPO:
Ocorre o delito putativo por erro de tipo, também conhecido como delito de alucinação, quando o agente supõe praticar uma infração penal que, na verdade, por ausência de um elemento constante do tipo, é um fato considerado como um indiferente penal, a exemplo daquele que, no exemplo aquele que “traz consigo um invólucro contendo um pó branco, adquirido do traficante como se fosse cocaína, o qual, depois, constata-se ser apenas talco, não está cometendo crime”.
ERRO DE SUBSUNÇÃO: 
O agente conhece a ilicitude do fato, ou, nas circunstâncias podia conhecê-la, porém, supõe que seu fato se amolda a um tipo diverso. Recai sobre valorações jurídicas equivocadas. O agente interpreta equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento. o NÃO exclui dolo e culpa; 
NÃO isenta o agente de pena; 
Agente responde pelo crime, podendo o erro servir como atenuante. 
ERRO DETERMINANDO POR TERCEIRO:
Art. 20. § 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
No erro de tipo, o agente erra por conta própria. No erro determinado por terceiro, há terceira pessoa que induz o agente em erro. Consequência: 
Quem determina o erro dolosamente responde por crime doloso; quem determina culposamente, crime culposo; 
Se foi previsto ou previsível, o agente será responsabilizado por culpa. 
ERRO
CURIOSIDADE:
ERRO DE TIPO AO CONTRÁRIO = CRIME IMPOSSÍVEL, CRIME OCO, QUASE CRIME OU TENTATIVA INIDONEA 
ERRO DE PROIBIÇÃO AO CONTRÁRIO = CRIME PUTATIVO
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